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MEDRESUMOS • GUIA DO PLANTONISTA 2016 Arlindo Ugulino Netto
GINECOLOGIA
1
ANTICONCEPCIONAIS
Anticoncepcionais orais: para todos, deve-se
tomar 1 comprimido via oral por dia,
iniciando a partir do 1º dia da menstruação
(podendo iniciar entre o 1º e o 5º) e
continuando até o fim da cartela.
Interromper por 5 a 7 dias (a critério médico
ou da paciente), para depois iniciar uma nova
cartela.
o ACO muito baixa dosagem (15 a 20µg de
etinilestradiol).
Siblima® (gestodeno 0,060mg +
etinilestradiol 0,015mg)
Tantin® (gestodeno 0,060mg +
etinilestradiol 0,015mg)
Yaz® (drospirenona 3mg +
etinilestradiol 0,020mg)
Iumi® (drospirenona 3mg +
etinilestradiol 0,020mg)
Level® (levonorgestrel 0,1mg +
etinilestradiol 0,020mg)
o ACO de baixa dosagem (30 a 35µg de
etinilestradiol): úteis para o tratamento
de manifestações androgênicas (acne,
hirsutismo, seborreia, alopecia, S.O.P.).
Microvlar® (levonorgestrel
0,15mg + etinilestradiol 0,030mg)
e Ciclo 21® (levonorgestrel
0,15mg + etinilestradiol
0,030mg): disponíveis na rede
pública.
Dalyne® (drospirenona 3mg +
etinilestradiol 0,035mg)
Selene® (acetato de ciproterona
2mg + 0,035mg)
Diane® (acetato de ciproterona
2mg + 0,035mg)
Ferane 35 (ciproterona 2mg +
Etinilestradiol 0,035mg)
o ACO indicado para amamentação: os
contraceptivos orais compostos
exclusivamente de progestogênios agem
basicamente pelo espessamento do
muco cervical, inibindo a ovulação em
algumas pacientes apenas. São indicados
durante o período da amamentação.
Minipílula: Norestin® ou
Micronor® (Noretisterona 0,035
mg): medicação que não inibe a
ovulução e, portanto, deve
sempre ser associada a medidas
como métodos de barreira e
amenorreia induzida por
amamentação (6/6h a 4/4h).
Desogestrel 0,075 mg
(Cerazette®). Contraindicações:
tabagismo, idade > 35 anos,
enxaqueca com aura, etc.
Anticoncepcionais injetáveis:
o Mensais: aplicar 1 ampola IM
(preferencialmente na região glútea) no
primeiro dia da menstruação, e depois
repetir mensalmente (obedecendo
intervalos de 27 a 33 dias).
Perlutan®: acetofenido de algestona
(dihidroxiprogesterona) 150mg +
enantato de estradiol 10mg.
Mesigyna®, Noregyna®:
noretisterona 50mg + valerato de
estradiol 5mg.
Ciclofemina®: acetado de
medroxiprogesterona 25mg +
cipionato de estradiol 5mg.
o Trimestrais: é indicado nas pacientes
com sangramento vaginal excessivo,
após a gestação (30 dias depois do
parto), e repetir a cada 90 dias. Podem
causar amenorreia prolongada e
aumento do peso.
Depo-Provera®: depomedroxi-
progesterona 150mg/ml (é o mais
indicado para o período do
puerpério).
Demedrox®: medroxi-progesterona
150mg/ml.
Preg-less®: acetofenido de algestona
+ 17-enantato de estradiol 150mg/dl.
Medrox®: acetato de
medroxiprogesterona 150mg/ml.
Anticoncepção de emergência:
o Levonorgestrel 1,5mg (Pozato Uni®):
tomar 1 cps em dose única, em até
72 após o coito desprotegido.
o Levonorgestrel 75mcg (Pozato®,
Poslov®, Norlevo®): tomar 1 cps,
12/12h, em até 72 após o coito
desprotegido.
- Principais contraindicações dos métodos
combinados (categoria 4):
Aleitamento < 6 semanas do pós-parto;
Tabagismo (≥ 15) + Idade > 35 anos;
Câncer de mama (histórico de câncer de
mama na família não contraindica);
DM com vasculopatias ou HAS grave;
Risco ou histórico de trombose ou doença
cardiovascular: IAM, TVP, TEP, DCV, LES com
SAF+ ou desconhecido;
Hepatite aguda ou tumor hepático;
Enxaqueca com aura.
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GINECOLOGIA
2
AMENORREIA
Anamnese + exame físico: investigar idade de
início da telarca, pubarca e menarca;
desenvolvimento ponderal e estatural; sinais
de acometimento do SNC; galactorreia;
avaliação da genitália externa e interna.
Exames complementares: β-HCG; FSH; LH;
Estradiol; T4 livre; Androgênios; Cortisol;
Prolactina; USG; Tomografia; RNM cariótipo.
Testes terapêuticos: teste da progesterona;
teste do estrogênio; dosagem do FSH; teste
do GnRH.
CERVICITE
Clamídia:
o Primeira opção: Azitromicina 1g VO
em dose unica; ou Doxicilina 100mg
VO, de 12/12h, por 7 dias.
o Segunda opção: Eritromicina
(estearato) 500mg VO, de 6/6h por 7
dias; ou Tetraciclina 500mg VO,
6/6h, por 7 dias; ou Ofloxacina
400mg VO, 12/12h, por 7 dias.
Gonorreia:
o Primeira opção: Ciprofloxacina
500mg VO, dose única; ou
Ceftriaxona 250mg IM, dose única.
o Segunda opção: Cefixima 400mg VO,
dose única; ou Ofloxacina 400mg
VO, dose única.
DISMENORREIA
Urgência: Buscopan® 1ampola + 1 ampola de
glicose 50% EV lento.
Dismenorreia primária: anti-inflamatórios
não-hormonais administrados com cerca de 3
a 4 dias antes do início do ciclo menstrual. Em
caso de insucesso, optar por
anticoncepcionais orais.
o Indometacina 50mg, 1 comprimido
VO, 1x/dia.
o Ibuprofeno 300mg, 1 comprimido
VO, 2x/dia.
o Ácido Mefenâmico (Ponstan®)
500mg, 1 comprimido VO, 8/8h.
o Anticoncepcionais orais, em caso de
fracasso terapêutico com AINH.
Dismenorreia secundária: tratar causa de
base.
DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA
Tratamento ambulatorial (estádios 0 e 1 =
sem peritonite):
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GINECOLOGIA
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o Medidas Gerais: repouso, abstinência
sexual, retirada do DIU, caso a paciente
seja usuária, tratamento sintomático
com analgésicos, antitérmicos e
antiinflamatórios;
o Antibioticoterapia:
Ofloxacina 400mg VO 12/12h por
14 dias + metronidazol 500mg VO
12/12h 14 dias;
Levofloxacina 500mg, 24/24h +
metronidazol 500mg VO 12/12h 14
dias;
Ceftriaxona 250 mg IM dose única
+ Doxiciclina 100 mg VO 12/12h
por 14 dias;
Ceftriaxona 250 mg IM dose única
+ Doxiciclina 100 mg VO 12/12h +
metronidazol 500mg VO 12/12h 14
dias;
Cefoxitina 2g IM, dose única +
probenicida 1g VO, dose única +
Doxiciclina 100 mg VO 12/12h por
14 dias.
o Os parceiros sexuais devem ser tratados
empiricamente com antibióticos efetivos
contra N. gonorrhoeae e C. trachomatis.
Tratamento hospitalar: indicar nos seguintes
casos: Suspeita de abscesso pélvico ou tubo-
ovariano; Quadro clínico grave com
temperatura > 38°C; Peritonismo ou
sepsemia; Dúvidas quanto o diagnóstico;
Falha do tratamento ambulatorial; Pacientes
sem condições financeiras ou
imunossuprimidas.
o Cefoxitina, 2g, IV 6/6h + doxiciclina
100mg VO 12/12h por 14 dias;
o Cefotana, 2g, IV, 12/12h + doxiciclina
100mg VO 12/12h por 14 dias;
o Clindamicina, 900mg, IV, 8/8h +
gentamicina, IV ou IM, 2mg/kg de dose
de ataque e manutenção de 1,5mg/kg de
8/8h por 14 dias;
o Ofloxacina, 400mg, IV, 12/12h ou
Levofloxacina, 500mg, IV, 24/24h, com
ou sem metronidazol, 500mg, IV de
12/12h.
o Ampicilina/sulbactam, 3g, IV, 6/6h +
doxiciclina 100mg, IV ou VO, 12/12h.
OBS: Se após 24h de internação a paciente
estiver bem, liberar para casa (tratamento
ambulatorial) com Doxicilina 100mg VO por
14 dias.
MASTALGIA (DOR NA MAMA)
Anti-inflamatórios não esteroides, analgésicos
e relaxantes musculares: são benéficos nas
pacientes portadoras de mastalgia devido à
sua ação inibidora da cicloxigenase-2,
reduzindo assim a síntese de prostaglandinas.
o Nimesulida 100mg VO, 12/12h horas,
por um período de 3 a 5 dias.
o Musculare®, Tandrilax®, Mioflex®:
8/8h por 3 a 5 dias.
Ácido gamalinoleico (Gamalin®, Gamax®,
Niolix®): 1 cápsula (1000mg) ao dia, por 90
dias. É o agente de primeira escolha para
mastalgia cíclica. Os efeitos colaterais são
raros e quando ocorremsão em forma de
diarreia e/ou indisposição gástrica e
melhoram com a suspensão da medicação.
Vitamina E (E-mama; Vita E): tomar 1 cápsula
por dia, por 90 dias.
Cápsulas de óleo de prímola: tomar 1 cápsula
(500mg) por dia, por 90 dias. Parece ter efeito
benéfico na mastalgia associada à presença
de cistos mamários.
MENOPAUSA / CLIMATÉRIO / TERAPIA HORMONAL
Orientações gerais:
A presença de fogachos é a indicação
mais comum para a terapia
hormonal; na presença de outros
sintomas mais brandos, tenta-se
fazer outros tratamentos, evitando-
se o hormonal.
Regra geral para TH: começar o mais
cedo possível, na menor dose e pelo
menor tempo possível.
Qual terapia escolher?
Com útero: sempre utilizar
Estrogênio + Progesterona
(de forma contínua: não
fazer pausas para evitar a
menstruação)
Sem útero: utilizar apenas
Estrogênio (não utilizar
progesterona nessas
pacientes porque a
associação E+P tem mais
efeitos colaterais).
Qual via escolher?
Estrogênio: oral, adesivo ou
gel. Evitar via estrogênio
oral se: DM, HAS, fumo,
risco de trombose,
hipertrigliceridemia,
doenças hepáticas. Para
estas, utilizar medidas
parenterais.
Progesterona: oral ou DIU.
Hormônios orais:
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o Estrógenos + Progestogênios
(pacientes com útero):
Klimater® (Tibolona 2,5mg):
tomar 1 comprimido ao dia.
o Estrógenos (pacientes sem útero):
Estrogênios conjugados naturais
(Premarin®): tomar 1 drágea via
oral, 1x ao dia.
Hormônios tópicos:
o Promestrieno (Colpotrofine®)
1,0mg/g creme vaginal: aplicar na
vagina, 1-2x ao dia, se secura vaginal
OU
o Estrogênio tópico natural
(Premarin®) 0,625mg/g creme
vaginal: aplicar na vagina, 1-2x ao
dia.
Polivitamínicos: Klimavit®: tomar 1 cápsula via
oral, 1x ao dia; e
Encaminhamento ao ginecologista.
OBS: Principais contraindicações para terapia de
reposição hormonal:
Câncer de mama ou endométrio (prévio ou
atual);
Tromboembolismo pulmonar ou trombose
venosa profunda (prévio ou atual);
Sangramento vaginal indeterminado;
Doenças hepáticas ativas;
IAM / AVC
POLIVITAMÍNICOS
Para pacientes na menacme: Folifeme®:
tomar 1 cápsula via oral, 1x ao dia.
Para pacientes no climatério: Klimavit®:
tomar 1 cápsula via oral, 1x ao dia.
TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL
Ácido gamalinoleico (Gamalin®, Gamax®,
Niolix®): 1 cápsula (1000mg) ao dia, por 90
dias.
Em caso de dismenorreia, utilizar
antiinflamatórios não-esteroidais: ácido
mefenâmico 500mg (Ponstan®, 1 cp VO,
8/8h), nimesulida 100mg (Optaflan®, 1 cp VO,
8/8h), etc.
VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA MULHERES
Medidas gerais: cuidados gerais e apoio
psicológico; coleta de exames de sangue e
sorológicos; profilaxia de doenças
sexualmente transmissíveis; anticoncepção
de emergência, que pode ou não ser indicada
(a exemplificar, pacientes que sofreram
violência sexual, porém, são
histerectomizadas, provavelmente não pode
engravidar).
Coleta de materiais
Chlamydia trachomatis (4,0 a 17,0 %)
Neisseria gonorrhoeae (0,0 a 26,3 %)
T. pallidum (0,0 a 5,6 %)
HPV (0,6 a 2,3 %)
Exames de sangue e sorológicos:
β-HCG para diagnóstico de gravidez;
Sorologia sífilis (VDRL ou RPR);
Sorologias hepatites B (HBsAg) e C
(anti-HCV);
Sorologia anti-HIV: o risco de
infecção por HIV é de 0,8 a 1,6%.
Contracepção de emergência:
o Levonorgestrel 1,5mg (Pozzato®,
Postinor®, Norlevo®, Pilem®): 2
comprimidos VO em dose única ou 1
comprimido VO de 12/12h, por 1 dia.
o ≤12 semanas: AMIU (aspiração manual
intrauterina), Curetagem, Misoprostol.
o 13 a 20 semanas: fazer uso de
Misoprostol/Citocina (no intuito de
contrair o útero e expelir a maior parte
do conteúdo fetal) para só então utilizar
a curetagem.
Profilaxia contra DSTs:
o Cancro mole e clamídia: Azitromicina 1g
VO, em dose única.
o Gonorreia: Ofloxacina ou Ciprofloxacina
(500mg, VO, dose única).
o Sífilis: Penicilina benzatina (2.400.00 UI
via IM).
o Tricomoníase: Metronidazol 2g VO, DU
(gestantes no 1º trimestre deve substituir
por miconazol creme vaginal ou
clotrimazol).
o Hepatite B (para não imunizadas ou com
esquema incompleto): Vacina anti-
hepatite B + Imunoglobulina humana
anti-hepatite B.
o DSTs não virais (adultos e adolescentes
com mais de 45kg): Penicilina Benzatina
2.400.000 UI IM + Azitromicina 1g VO +
Ciprofloxacina 500mg VO + Metronidazol
2g VO.
VULVOVAGINITES / CORRIMENTO VAGINAL
Vaginose bacteriana: é causada por
desequilíbrio da flora vaginal normal. A flora
geralmente é mista, sendo a Gardnerella
vaginallis a mais predominante. Corrimento
vaginal: branco a amarelo-acinzentado, com
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odor fétido típico (peixe podre), cremoso e
homogêneo; presença de clue cells.
o Primeira opção: Metronidazol
500mg: tomar 1 comprido (500mg)
VO, 12/12 horas, durante 7 dias.
o Segunda opção:
Metronidazol 2g VO, dose
única; ou
Secnidazol 1g: 2cp VO para a
mulher e 2cp VO para o
parceiro; ou
Clindamicina 300mg VO, de
12/12h, por 7 dias.
o Tratamento tópico:
Metronidazol gel (0,75%)
aplicado à noite por 7 a 10
dias; ou
Metronidazol + Nistatina
(Colpistatin®, Bio-Vagin®)
aplicado à noite por 7 a 10.
o Na gravidez: Metronidazol 250mg
VO, de 8/8h por 7 dias ou 2g em
dose única.
Candidíase: é o tipo de vulvovaginite fúngica
mais comum. Corrimento vaginal: branco
homogêneo, com a presença de placas
(semelhante a leite coalhado), sem odor
fétido; presença de hifas fúngicas.
o Uso tópico (mais efetivo que o
tratamento oral).
Tinidazol + nitrato de miconazol
(Crevagin®): injetar todo o conteúdo
do aplicador na vagina à noite, por 7
a 14 dias (evitando relação sexual
durante a semana); ou
Fenticonazol (Fentizol®) creme
ginecológico: aplicar na vagina à
noitem, por 7 dias; ou
Isoconazol (Gynoplus®) bisnaga com
40g, 7 aplicadores descartáveis:
injetar todo o conteúdo do aplicador
na vagina à noite, por 7 dias
(evitando relação sexual durante a
semana); ou
Terconazol (Ginconazol®) creme
vaginal 0,4%: aplicar a noite, por 7
dias (evitando relação sexual durante
a semana).
Nistatina creme vaginal 25.000 UI/g:
aplicar a noite, por 14 dias.
OBS: Banho de assento com Bicarbonato
de Sódio + Água morna pode ser uma
medida adjuvante eficaz.
o Uso oral:
Fluconazol 150mg: 1 comp. VO em
dose única ou repetir com 72h; ou
Cetoconazol 200mg: 1 a 2
comprimidos (400mg) VO, 12/12h,
por 5 a 7 dias; ou
Itraconazol 100mg: 1 a 2
comprimidos (200mg) VO, 12/12h,
por 1 dia.
OBS: Admite-se a necessidade de tratar
também o parceiro com o tratamento oral.
o Gestação:
Miconazol creme a 2%: aplicar na
vagina à noite, por 7 dias; ou
Nistatina 25.000 UI/g: aplicar na
vagina à noite, por 14 dias.
OBS: Tratamento da candidíase recorrente
Em caso de recorrência da vaginite fúngica (isto é,
quatro ou mais episódios de vulvovaginites
sintomáticas em um ano), deve-se avaliar os
seguintes fatores clínicos:
Terapia frequente com antibióticos;
Anticoncepcional hormonal oral;
DM descompensado;
Imunossupressão;
Corticosteroides;
Estresse emocional;
Atividade sexual;
Infecção por HIV.
O tratamento da vaginite fúngica recorrente é
diferenciado. Deve ser feito de forma contínua, por
pelo menos 2 a 6 meses, lançando mão de qualquer
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um dos seguintesesquemas (após a realização de
antibiograma).
Cetoconazol 100mg: 1 comprimido VO,
24/24h, de 2 a 6 meses; ou
Fluconazol 150mg: 1 comprimido VO,
semanalmente, por 2 a 6 meses ou 1
comprimido VO 1x/semana no 1º mês,
depois 1 comprimido VO por mês, por 6
meses; ou
Itraconazol 200mg: 1 comprimido VO,
mensalmente, por 2 a 6 meses.
OBS: Admite-se a necessidade de tratar o parceiro
(com Fluconazol 150mg em dose única, de
preferência).
OBS: Dosar enzimas hepáticas (TGO e TGP)
continuamente para avaliar possível
hepatotoxicidade.
Tricomoníase: é uma DST causada pelo
protozoário T. vaginalis, o qual não faz parte
da flora vaginal comum e só é transmitido por
via sexual. Corrimento: fluxo amarelo-
esverdeado (semelhante a pus), abundante,
bolhoso (não é homogêneo), de odor fétido
(azedo).
o Por ser uma DST, a tricomoníase
deve ser tratada estritamente com
medicações por via oral, sendo o
Metronidazol ou Secnidazol os
agentes de escolha. É prudente
orientar também a necessidade de
tratar o parceiro sexual.
Secnidazol 1g: tomar 2
comprimido VO em dose única;
Tratar também o parceiro. Ou
Metronidazol 400-500mg VO,
12/12h por 7 dias ou 2g VO em
dose única; Tratar também o
parceiro.
OBS: Para resultados inespecíficos de exames
citológicos (vulvovaginites inespecíficas), pode-se
lançar mão de cremes vaginais polivalentes e fazer o
tratamento sistêmico para todas as vaginites
específicas:
Uso sistêmico: Fluconazol 150mg: 1 comp.
VO em dose única ou repetir com 72h +
Secnidazol 1g: tomar 2 comprimido VO em
dose única. Tratar também o parceiro.
Uso tópico: Anfotericina B + Tetraciclina
(Talsutin®) 1x a noite, por 10 dias.
OBS: Pode-se proceder ainda com cobertura
medicamentosa para clamídia e gonococo (que
também são DSTs e podem levar a infertilidade das
pacientes acometidas), e os medicamentos para as
vulvovaginites devem ser acrescentados, em caso de
suspeita destes. Devemos suspeitar de clamídia e
gonococo principalmente quando houver o
corrimento de secreção branca através do óstio
uterino.
A clamídia é tratada com Azitromicina, 1g
em dose única.
O gonococo deve ser tradado com
Ceftriaxone, 125 mg IM.
SANGRAMENTO INTERMENSTRUAL
Fertnon® (Gestodeno 0,075mg +
Etinilestradiol 0,030mg): tomar 1 cp VO, por
21 dias, para por 5 a 7 dias, e depos retomar
a cartela.
SANGRAMENTO UTERINO DISFUNCIONAL / METRORRAGIA
No pronto-atendimento:
1. Infusão venosa com cristaloide (500
ml – correr em 2 horas: 80
gotas/min);
2. Buscopan composto: 1 ampola + AD
EV;
3. Transamin®: 2 a 3 ampolas no SG ou
+ AD EV;
4. Vitamina K: 1 ampola IM.
5. Estrogênio conjugado: Ciclo® 21: 4
comprimidos VO, dose única.
Em caso de instabilidade hemodinâmica:
o Estabilização hemodinâmica,
administrando O2 inalatório e
reposição volêmica vigorosa;
o Estrogênio em altas doses: 2,5 mg a
cada 6 horas (10 mg de estrogênio
por dia).
Estrogênios conjugados (Premarin® 0,3 ou
0,625 mg): tomar 01 comprimido VO, de 6/6
horas, por 5 dias. Opção: Anticoncepcionais
orais combinados, de 8/8 horas, por 5 dias;
depois, manter 1 comprimido ao dia, por 1 a
2 meses.
Manutenção: Anticoncepcionais orais
combinados durante 3 meses.
Sistema intrauterino de liberação de
levonorgestrel (SIU) – Mirena®: dispositivo
semelhante ao DIU, com progesterona em
sua estrutura. Tem uma duração de 4 a 5
anos. Pode ser uma opção naquelas pacientes
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com ovulações esporádicas, com secreção
ativa de estrogênio ou que não obtiveram
sucesso terapêutico com progesterona por
via oral devido aos efeitos colaterais
(retenção de líquido, aumento de peso,
enjoos).
Ácido trenexâmico (Transamin®) 250mg: 1
comprimido VO, 8/8h (tem pouco respaldo na
literatura, mas pode ser uma opção
adicional).
Analgésicos e anti-inflamatórios: o
sangramento endometrial é promovido pelas
prostaglandinas, especialmente a PGE2. Com
isso a inibição da síntese de prostaglandinas
teoricamente reduz a ocorrência de
sangramentos, embora não tenha tanta
eficácia clínica. Entretanto, para pacientes
que referem dor, pode-se prescrever tais
medicamentos.
o Meloxicam (Melox®): tomar 1
comprimido VO, 1xo ao dia, por 05
dias.
o Ibuprofeno 300mg, 1 comprimido
VO, 2x/dia.
o Ácido Mefenâmico (Ponstan®)
500mg, 1 comprimido VO, 8/8h.
Tratamento da anemia: é feita inicialmente
com uma dieta rica em proteínas e
suplementação oral de ferro.
o Sulfato ferroso 1g diário, durante 3 a
6 meses; ou
o Ferro dextrano (Noripurum®) 50
mg/ml.
o Em casos de contraindicação de ferro
por via oral, intolerância ou efeitos
colaterais, optar por Ferro injetável
lançando mão da seguinte fórmula:
Ferro a ser injetado (mg) = {(15 –
hemoglobina do paciente em g/dl) x
peso corporal x 3}.
SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS (SOP)
Controle da obesidade: está relacionado
diretamente com a melhora dos demais
sintomas. Para o controle da obesidade,
indica-se dieta e exercícios físicos.
Controle da irregularidade menstrual: o uso
de qualquer anticoncepcional oral pode
amenizar as irregularidades menstruais da
paciente (com exceção dos derivados da 19-
nortestosterona, como o norgestrel e o
levonorgestrel, devido a sua maior ação
androgênica). Os medicamentos
recomendados consistem em:
o Progestágenos: o controle pode ser
alcançado, por exemplo, com o uso
de progestágenos durante 10 a 14
dias por mês. Pode-se optar por:
Medroxiprogesterona (5 a 10mg/dia)
VO, o Acetado de nomegestrol
(5mg/dia) VO ou a Progesterona
micronizada (200 a 400mg/dia) VO.
o ACO combinados: em caso de desejo
contraceptivo, o uso de ACO
combinados está indicado. O
progestágeno de primeira escolha do
ACO é o Acetado de Ciproterona, em
virtude do seu potente efeito
antiandrogênico.
Tratamento do androgenismo (hirsutismo,
acne): nos casos em que a melhora do
androginismo (caracterizado pelo hirsutismo,
principalmente) constitui o objetivo principal
do tratamento, a melhor opção terapêutica
passa a ser o uso de ACO e de uma droga
antiandrogênica de ação periférica.
o Acetado de Ciproterona
(progestágeno mais antiandrogênico
no mercado) 50 a 100mg/dia, 10 dias
por mês;
o Espironolactona 25 a 100mg/dia;
o Finasterida (1mg/dia).
Tratamento da infertilidade (se houver desejo
de engravidar): se a queixa for apenas a
infertilidade, não se pode fazer uso de
anticoncepcionais. Optar pelo uso de um
indutor de ovulação, como o citrato de
clomifeno,
o Citrato de Clomifeno 50mg, por 5
dias, a partir do terceiro ou quinto
dia do ciclo menstrual.
o Além disso, o tratamento da
obesidade e da resistência a insulina
também são efetivos no processo de
tratamento da infertilidade.
Manejo da resistência insulínica: o
tratamento com sensibilizadores de insulina
pode desviar o equilíbrio endócrino em
direção à ovulação e à gravidez, diminuindo
não só os riscos de diabetes, como também
ajudando no tratamento da infertilidade.
o Metformina 1500mg/dia, divididos
preferencialmente em três tomadas
(é descrita na literatura uma
superioridade da metformina
associada ao citrato de clomifeno,
em comparação ao uso de cada
droga isoladamente).
OBS: Em casos de amenorreia prolongada, é prudente,
antes de iniciar o tratamento do sintoma específico,
induzir a menstruação. Para isso, pode-se fazer o
mesmo procedimento teste da progesterona,
lançando mão do uso de um progestágeno (como o
MEDRESUMOS • GUIA DO PLANTONISTA 2016 Arlindo Ugulino Netto
GINECOLOGIA
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Provera®), 10mg/dia VO, durante 7 a 10 dias ou
interrompendo se a menstruação voltar.