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<p>DOS ESPORTES</p><p>INDIVIDUAIS</p><p>Metodologia do Ensino</p><p>DOS ESPORTES</p><p>INDIVIDUAIS</p><p>Metodologia do Ensino</p><p>Universidade La Salle Canoas | Av. Victor Barreto, 2288 | Canoas - RS</p><p>CEP: 92010-000 | 0800 541 8500 | eadproducao@unilasalle.edu.br</p><p>UNIVERSIDADE LA SALLE PRODUÇÃO DE CONTEÚDO</p><p>Reitor</p><p>Prof. Dr. Paulo Fossatti - Fsc</p><p>Vice-Reitor, Pró-Reitor de Pós-grad.,</p><p>Pesq. e Extensão e Pró-Reitor de Graduação</p><p>Prof. Dr. Cledes Casagrande - Fsc</p><p>Pró-Reitor de Administração</p><p>Vitor Benites</p><p>© 2022 por Universidade La Salle</p><p>Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer meio,</p><p>eletrônico ou mecânico (fotocópia, gravação), ou qualquer tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização</p><p>por escrito da Universidade La Salle.</p><p>Coordenador de Produção</p><p>Prof. Dr. Jonas Rodrigues Saraiva</p><p>Equipe de Produção de Conteúdo</p><p>Alexandre Briczinski de Almeida</p><p>Arthur Menezes de Jesus</p><p>Bruno Giordani Faccio</p><p>Daniele Balbinot</p><p>Fabio Adriano Teixeira dos Santos</p><p>Gabriel Esteves de Castro</p><p>Guilherme P. Rovadoschi</p><p>Ingrid Rais da Silva</p><p>João Henrique Mattos dos Santos</p><p>Jorge Fabiano Mendez</p><p>Nathália N. dos Santos</p><p>Patrícia Menna Barreto</p><p>Sidnei Menezes Martins</p><p>Tiago Konrath Araujo</p><p>Projeto Gráfico, Editoração, Revisão e Produção</p><p>Equipe de Produção de Conteúdo Universidade La Salle - Canoas, RS</p><p>1ª Edição</p><p>Atualizada em:</p><p>Agosto de 2022</p><p>Prezado estudante,</p><p>A equipe da EaD La Salle sente-se honrada em entregar a você este material didático. Ele</p><p>foi produzido com muito cuidado para que cada Unidade de estudos possa contribuir com seu</p><p>aprendizado da maneira mais adequada possível à modalidade que você escolheu para estudar: a</p><p>modalidade a distância. Temos certeza de que o conteúdo apresentado será uma excelente base</p><p>para o seu conhecimento e para sua formação. Por isso, indicamos que, conforme as orientações de</p><p>seus professores e tutores, você reserve tempo semanalmente para realizar a leitura detalhada dos</p><p>textos deste livro, buscando sempre realizar as atividades com esmero a fim de alcançar o melhor</p><p>resultado possível em seus estudos. Destacamos também a importância de questionar, de participar</p><p>de todas as atividades propostas no ambiente virtual e de buscar, para além de todo o conteúdo aqui</p><p>disponibilizado, o conhecimento relacionado a esta disciplina que está disponível por meio de outras</p><p>bibliografias e por meio da navegação online.</p><p>Desejamos a você um excelente módulo e um produtivo ano letivo. Bons estudos!</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Sumário</p><p>UNIDADE 1</p><p>Introdução aos Esportes Individuais .........................................................................................................................7</p><p>Objetivo Geral .............................................................................................................................................................7</p><p>Parte 1</p><p>Prática Docente nos Esportes Individuais ............................................................................................................................9</p><p>Parte 2</p><p>Introdução ao Atletismo ....................................................................................................................................................23</p><p>Parte 3</p><p>Exercícios Educativos Para Corrida ...................................................................................................................................47</p><p>UNIDADE 2</p><p>Esportes Individuais: Corridas .................................................................................................................................63</p><p>Objetivo Geral ...........................................................................................................................................................63</p><p>Parte 1</p><p>Corridas de Velocidade .....................................................................................................................................................65</p><p>Parte 2</p><p>Corridas de Resistência ....................................................................................................................................................83</p><p>Parte 3</p><p>Corridas com Barreiras e Corridas de Revezamento..........................................................................................................99</p><p>UNIDADE 3</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos .....................................................................................119</p><p>Objetivo Geral .........................................................................................................................................................119</p><p>Parte 1</p><p>Saltos Verticais: Altura e com Vara ..................................................................................................................................121</p><p>Parte 2</p><p>Saltos Horizontais: Distância e Triplo ...............................................................................................................................141</p><p>Parte 3</p><p>Lançamentos: Disco, Martelo e Dardo .............................................................................................................................159</p><p>Parte 4</p><p>Arremesso de Peso.........................................................................................................................................................181</p><p>UNIDADE 4</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate .............................................................................................201</p><p>Objetivo Geral .........................................................................................................................................................201</p><p>Parte 1</p><p>Modalidades Olímpicas de Combate ...............................................................................................................................203</p><p>Parte 2</p><p>Metodologia das Lutas ...................................................................................................................................................227</p><p>Parte 3</p><p>Potencial Pedagógico das Lutas .....................................................................................................................................245</p><p>Introdução aos Esportes Individuais</p><p>Prezado estudante,</p><p>Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com</p><p>cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto</p><p>possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você,</p><p>com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina.</p><p>Objetivo Geral</p><p>Compreender a estruturas dos esportes individuais e sua presença na sociedade.</p><p>unidade</p><p>1</p><p>V.1 | 2022</p><p>Parte 1</p><p>Prática Docente nos</p><p>Esportes Individuais</p><p>O conteúdo deste livro</p><p>é disponibilizado</p><p>por SAGAH.</p><p>unidade</p><p>1</p><p>V.1 | 2022</p><p>10 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Prática docente nos</p><p>esportes individuais</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Discutir a natureza dos jogos esportivos individuais.</p><p>� Descrever a metodologia do ensino-aprendizagem nos esportes</p><p>individuais.</p><p>� Reconhecer o papel dos esportes individuais na investigação da cultura</p><p>corporal do movimento.</p><p>Introdução</p><p>Embora tenham menos destaque nas aulas de educação física, os esportes</p><p>individuais são importantes conteúdos da disciplina, já que promovem</p><p>benefícios fundamentais para os seus praticantes, como autonomia,</p><p>maior concentração e desenvolvimento intrapessoal.</p><p>Por serem bastante diversificados e com especificidades distintas,</p><p>esses esportes exigem uma atenção específica do professor no processo</p><p>de ensino-aprendizagem, a partir de uma metodologia adequada que</p><p>permita vivências em sala de aula capazes de dar ao aluno um importante</p><p>instrumento da cultura corporal do movimento.</p><p>Neste capítulo, você identificará a natureza dos esportes individuais,</p><p>sustentá-la o máximo possível também. Como são provas mais curtas, usam</p><p>predominantemente como via energética o sistema ATP-CP. Portanto, atletas</p><p>que tenham um predomínio de fibras do tipo II acabam tendo certa vantagem</p><p>nesses tipos de provas; o objetivo com o treino é melhorar as reservas de</p><p>ATP-CP. As provas de 100 e 110 metros com barreiras também possuem essa</p><p>característica. Além disso, os atletas que competem nessas provas têm como</p><p>característica pernas compridas, o que facilita a passagem das barreiras.</p><p>Nas provas classificadas como velocidade prolongada, como é o caso dos</p><p>400 metros rasos, o atleta tenta sustentar a velocidade máxima por um período</p><p>maior; como chegam próximos à velocidade máxima e devido à duração da</p><p>prova, acabam priorizando o sistema glicolítico. Portanto, atletas que tenham</p><p>um predomínio de fibras do tipo II também acabam tendo certa vantagem</p><p>nesses tipos de provas, mas começam a ser mais leves do que os atletas de</p><p>19Introdução ao atletismo</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Introdução ao Atletismo | PARTE 2 43</p><p>velocidade pura. O objetivo com o treino é melhorar o aproveitamento das</p><p>reservas glicolíticas, ou seja, tanto o glicogênio muscular como o hepático.</p><p>A prova de 400 metros com barreiras também possui essa característica.</p><p>Estímulos de corridas curtas são amplamente utilizados no desenvolvimento da veloci-</p><p>dade, assim como corridas com sobrecarga também são usadas para o desenvolvimento</p><p>específico. Consequentemente, esse tipo de corrida pode ser visto na preparação</p><p>física de diversos esportes que envolvem corrida, como futebol, handebol e futebol</p><p>americano, principalmente para os atletas que recebem as bolas.</p><p>Corridas de resistência</p><p>A resistência está relacionada à duração da corrida; quanto maior essa</p><p>duração, maior deve ser a resistência ou a capacidade de sustentar um tra-</p><p>balho. Cada distância exige um certo grau de intensidade relativa, segundo</p><p>Schmolinsky (1982). Assim, quanto maior a distância, maior a contribuição</p><p>do sistema aeróbio, e quanto menor a distância, maior a contribuição do</p><p>sistema anaeróbio.</p><p>Assim, nas provas de meio-fundo, como é o caso dos 800 e 1.500 metros</p><p>rasos, ocorre uma cadência no ritmo, mas ainda há estímulos de velocidade,</p><p>ocorrendo um equilíbrio entre a resistência e a velocidade. Portanto, ocorre</p><p>também um equilíbrio entre o sistema glicolítico e o oxidativo. Assim, atletas</p><p>que tenham um equilíbrio de fibras do tipo I e II acabam tendo certa van-</p><p>tagem nesses tipos de provas, pois elas também necessitam de velocidade.</p><p>O objetivo com o treino é melhorar o aproveitamento das reservas glicolíticas</p><p>e oxidativas, melhorando principalmente a capacidade de manter a velocidade</p><p>alta usando o sistema oxidativo.</p><p>Nas provas de fundo, como é o caso dos 5.000 e 10.000 metros rasos, há</p><p>uma exigência maior de resistência; assim, o ritmo também é mais caden-</p><p>ciado. Devido à duração da prova, há um predomínio do sistema oxidativo.</p><p>Portanto, atletas que tenham um predomínio de fibras do tipo I acabam tendo</p><p>certa vantagem nesses tipos de provas. Os objetivos do treino são melhorar</p><p>o aproveitamento das reservas oxidativas e aumentar o número de mitocôn-</p><p>drias, para maximizar a produção energética com o sistema oxidativo, além</p><p>Introdução ao atletismo20</p><p>44 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>de melhorar a capilarização muscular, permitindo, assim, o fornecimento de</p><p>oxigênio às fibras musculares. Os atletas que correm os 3.000 metros com</p><p>obstáculos também possuem essas características.</p><p>As corridas de resistência, como o próprio nome sugere, acabam sendo utilizadas na</p><p>preparação física de outros esportes, para melhorar a condição cardiorrespiratória.</p><p>Muitos tentam ainda adaptar as relações de esforço-pausa, para estimular tanto o</p><p>condicionamento aeróbio quanto o anaeróbio.</p><p>Como foi observado neste capítulo, o atletismo é um dos esportes mais</p><p>antigos e está relacionado a capacidades físicas naturais do ser humano. Evoluiu</p><p>em suas competições ao longo dos anos com regras que permitiram difundir</p><p>o esporte e tornar a disputa mais justa. Além disso, sua aplicação na iniciação</p><p>esportiva para o desenvolvimento das capacidades motoras é bem relevante.</p><p>Podemos concluir que o atletismo é formado por diversas provas que apre-</p><p>sentam características físicas específicas, o que permite a participação de um</p><p>público diversificado. Assim, uma pessoa pode experimentar o atletismo e ver</p><p>em qual prova ela tem maior destaque ou facilidade, principalmente devido</p><p>às suas características físicas.</p><p>BARROS, N.; DEZEM, R. O atletismo. 2. ed. São Paulo: Apoio, 1990.</p><p>CBAT; IAFF. Atletismo: regras oficiais de competição 2016-2017. 1. ed. São Paulo: Phorte,</p><p>2017. Disponível em: https://issuu.com/phorteeditora/docs/atletismo. Acesso em: 1</p><p>maio 2019.</p><p>CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ATLETISMO. Atletismo: história. c2019. Disponível em:</p><p>http://www.cbat.org.br/acbat/historico.asp. Acesso em: 1 maio 2019.</p><p>CWG 14: atletismo. Sportbucks, [s. l.], 3 jul. 2014. Disponível em: https://sportbucks.</p><p>wordpress.com/2014/07/03/cwg-14-atletismo. Acesso em: 1 maio 2019.</p><p>FERNANDES, J. L. Atletismo: arremessos. São Paulo: EPU, 1978.</p><p>21Introdução ao atletismo</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Introdução ao Atletismo | PARTE 2 45</p><p>FERNANDES, J. L. Atletismo: corridas. 3. ed. São Paulo: EPU, 2003.</p><p>FERNANDES, J. L. Atletismo: os saltos: técnica, iniciação, treinamento. 2. ed. São Paulo:</p><p>EPU, 1984.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. Fundamentos de educação física no ensino superior atletismo: teoria</p><p>e prática. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.</p><p>PECHER, E. Ficheiro: Osaka07 D1M W3000M Steeplechase Heat.jpg. Wikipedia, [s. l.],</p><p>25 ago. 2007. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Osaka07_D1M_</p><p>W3000M_Steeplechase_Heat.jpg. Acesso em: 1 maio 2019.</p><p>RIUS SANT, J. Metodología del atletismo. Barcelona: Paidotribo, 1989.</p><p>SCHMOLINSKY, G. Atletismo. Lisboa: Estampa, 1982.</p><p>THE DAILY DOSE. Steeplechase is the coolest Olympic event you’ve never heard of. 2017.</p><p>Disponível em: http://dailydsports.com/steeplechase/. Acesso em: 20 maio 2019.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>RIBEIRO, B. Z. et al. Evolução histórica das mulheres nos jogos olímpicos. Efdeportes,</p><p>Buenos Aires, v. 18, n. 179, abr. 2013. Disponível em: https://www.efdeportes.com/</p><p>efd179/mulheres-nos-jogos-olimpicos.htm. Acesso em: 1 maio 2019.</p><p>TURCO, B. (ed.). Atletismo rumo ao futuro: nova gestão, novos desafios. São Paulo: CBAt,</p><p>2013. Disponível em: http://www.cbat.org.br/publicacoes/livro_cbat_atletismo_rumo_</p><p>ao_futuro_2013.pdf. Acesso em: 1 maio 2019.</p><p>Introdução ao atletismo22</p><p>ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO</p><p>PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.</p><p>PREZADO ESTUDANTE</p><p>Parte 3</p><p>Exercícios Educativos</p><p>Para Corrida</p><p>O conteúdo deste livro</p><p>é disponibilizado</p><p>por SAGAH.</p><p>unidade</p><p>1</p><p>V.1 | 2022</p><p>48 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Exercícios educativos</p><p>para corridas</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Descrever a importância do aquecimento prévio às sessões de</p><p>exercício.</p><p> Identificar os principais erros técnicos durante as provas de corridas</p><p>do atletismo.</p><p> Elaborar um programa de aprimoramento da técnica de corrida.</p><p>Introdução</p><p>A corrida está entre os movimentos naturais do ser humano, utilizada</p><p>por nossos antepassados desde a Pré-história e praticada desde os pri-</p><p>meiros anos de nossas vidas. A corrida é realizada em diversas situações;</p><p>podemos citar como exemplos uma corrida recreativa executada em</p><p>um parque, uma corrida competitiva, utilizada em diversos esportes,</p><p>ou, ainda, uma corrida realizada em alguma emergência, em que nos</p><p>vemos forçados a correr.</p><p>A corrida é um dos esportes que mais têm ganhado notoriedade nos</p><p>últimos anos, principalmente devido aos seus resultados positivos para a</p><p>saúde. No entanto, quando pensamos em saúde e exercícios, precisamos</p><p>tomar alguns cuidados; afinal, um exercício</p><p>feito sem a orientação de um</p><p>profissional pode trazer problemas para a saúde, em vez de benefícios.</p><p>Um profissional capacitado deve orientar a prática de corrida desde seu</p><p>aquecimento até a correção técnica, para a melhora do desempenho e</p><p>a prevenção de lesões.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar sobre a importância do aquecimento</p><p>para as sessões de treinamento. Você também vai identificar os principais</p><p>erros técnicos que ocorrem durante a corrida, bem como suas formas</p><p>de correção.</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Exercícios Educativos para Corrida | PARTE 3 49</p><p>A importância do aquecimento prévio</p><p>às sessões de exercício</p><p>As sessões de treino são divididas normalmente em parte inicial ou prepa-</p><p>ratória, parte principal e parte fi nal. Na parte inicial do treino, é realizado o</p><p>trabalho de aquecimento, sendo essa uma parte indispensável, pois prepara o</p><p>atleta para o resto da sessão de treinamento, conforme leciona Schmolinsky</p><p>(1982). O aquecimento é a atividade realizada de forma gradual, com o obje-</p><p>tivo de elevar a temperatura corporal e preparar o corpo para exercícios mais</p><p>intensos, de modo a prevenir lesões. O aquecimento, segundo Dantas (2014),</p><p>deve atuar nos âmbitos orgânico, muscular, articular e psicológico.</p><p>Ainda conforme Dantas (2014), o aquecimento pode ser dividido nas quatro</p><p>categorias mostradas a seguir.</p><p>1. Aquecimento mental: esse aquecimento pode ser considerado um trei-</p><p>namento mental, em que o atleta se imagina realizando os movimentos.</p><p>2. Aquecimento passivo: realizado de maneira passiva, não atuando de</p><p>modo sistêmico; pode envolver massagens ou fricção.</p><p>3. Aquecimento ativo: consiste na execução de exercícios e movimentos</p><p>com objetivos gerais e específicos.</p><p>4. Aquecimento combinado: quando se utiliza mais de um tipo de</p><p>aquecimento.</p><p>Existem dois tipos de aquecimento ativo, o geral e o específico. O aqueci-</p><p>mento geral utiliza exercícios que envolvem grandes grupos musculares, tendo</p><p>como objetivo aumentar o metabolismo do indivíduo. Ele pode estar dividido</p><p>em aquecimento orgânico, que visa a preparar o sistema cardiopulmonar,</p><p>e aquecimento neuromuscular, que objetiva a preparação da musculatura</p><p>e das articulações. O aquecimento orgânico contribui para a liberação dos</p><p>hormônios, acelera as reações bioquímicas, além de aumentar o consumo</p><p>de oxigênio, reduzindo a dependência dos processos anaeróbios, conforme</p><p>leciona Dantas (2014).</p><p>Já o aquecimento específico envolve a musculatura, com gestos e esforços</p><p>específicos que serão utilizados durante a atividade principal, conforme apon-</p><p>tam Lope e Benejam (1998). Segundo Dantas (2014), o aquecimento específico</p><p>contribui para aumentar a velocidade de contração e relaxamento do músculo,</p><p>aumentando a eficiência mecânica da contração muscular e melhorando o</p><p>recrutamento das unidades motoras que serão utilizadas.</p><p>Exercícios educativos para corridas2</p><p>50 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Segundo Schmolinsky (1982), a preparação específica já inicia o desen-</p><p>volvimento das capacidades que serão treinadas na parte principal. Portanto,</p><p>deve ser sempre pensada em função dos objetivos da parte principal. Assim,</p><p>se a parte principal será executada em intensidade alta, a parte final do aque-</p><p>cimento já deve se aproximar à intensidade que será desenvolvida na parte</p><p>principal. O aquecimento não possui uma duração específica, podendo chegar</p><p>à duração de um quarto ou um quinto do total da sessão.</p><p>Para as corridas, o aquecimento geral pode ser realizado por meio de uma</p><p>caminhada acelerada ou uma corrida leve, segundo Brown (2005). Gradativa-</p><p>mente, o organismo vai entrando em um estado de equilíbrio, estabilizando</p><p>tanto a temperatura corporal como as frequências cardíaca e respiratória,</p><p>assim como a mobilização energética necessária.</p><p>Assim, o aquecimento permite o ajuste das demandas cardiovasculares.</p><p>Em repouso, os músculos recebem aproximadamente 15 a 20% do sangue</p><p>bombeado pelo coração; porém, com o aumento da intensidade, esse valor</p><p>aumenta, podendo chegar a 70% em exercícios moderados. Além disso, o</p><p>exercício deve ir progredindo até os níveis esperados na parte principal. As-</p><p>sim, o exercício deve ser pensado em função da tarefa que será executada,</p><p>porém não deve ser extenuante ao ponto de causar fadiga, conforme lecionam</p><p>Plowman e Smith (2010).</p><p>Segundo Plowman e Smith (2010), o aquecimento pode trazer benefícios</p><p>sobre o sistema cardiovascular, como:</p><p> aumento do fluxo sanguíneo aos músculos utilizados;</p><p> aumento do fluxo sanguíneo para o miocárdio;</p><p> acelera a dissociação da oxiemoglobina;</p><p> induz a sudorese, que permite a regulação térmica do corpo.</p><p>Segundo Fuziki (2012), o aquecimento específico para as corridas não</p><p>deve apenas envolver a preparação muscular, mas também propor esfor-</p><p>ços suficientes para estimular o aumento da temperatura e aquecer os</p><p>músculos, os tendões e o tecido conectivo. Além disso, deve estimular o</p><p>sistema circulatório, com o aumento da frequência cardíaca e respiratória,</p><p>bem como melhorar a coordenação e promover movimentos mais livres e</p><p>facilitados, permitindo, dessa forma, a execução de gestos tecnicamente</p><p>corretos e eficientes.</p><p>Um estado estável é obtido após os primeiros 10 minutos de atividade,</p><p>conforme descrevem Brown (2005) e Fuziki (2012), principalmente em rela-</p><p>3Exercícios educativos para corridas</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Exercícios Educativos para Corrida | PARTE 3 51</p><p>ção à temperatura corporal. Porém, nos exercícios realizados em dias mais</p><p>quentes, esse tempo pode ser menor, e pela manhã e em dias mais frios, esse</p><p>tempo pode ser maior.</p><p>Além disso, o aquecimento deverá estimular a via energética que será exi-</p><p>gida durante o treinamento. Exercícios com intensidade mais baixa estimulam</p><p>o sistema aeróbio, proporcionando, assim, uma vasodilatação e um maior</p><p>suprimento de oxigênio aos músculos. Já os estímulos mais curtos acabam</p><p>estimulando as vias anaeróbias.</p><p>Portanto, segundo Lope e Benejam (1998), o aquecimento deve ser:</p><p> total — ao envolver vários órgãos, músculos e articulações;</p><p> dinâmico — pois envolve uma movimentação, no caso, a corrida;</p><p> metódico — busca-se uma repetição metódica dos exercícios, adaptando</p><p>o corpo a responder àquela sequência de estímulos; assim, normalmente,</p><p>uma rotina de exercícios é criada e utilizada frequentemente nas sessões</p><p>de treinamento;</p><p> proporcional — deve estar equilibrado em relação ao esforço que será</p><p>executado na atividade principal.</p><p>Segundo Brown (2005), o alongamento pode fazer parte do aquecimento,</p><p>buscando-se um ganho na amplitude articular, principalmente para a execução</p><p>dos movimentos com mais naturalidade e conforto. Para tanto, o alongamento</p><p>pode ser executado até o ponto de desconforto, sem chegar a doer. Após o</p><p>aquecimento, pode ser realizado o alongamento, pois os músculos, após serem</p><p>aquecidos, apresentam-se mais extensíveis e, portanto, com uma flexibilidade</p><p>maior. A Figura 1 apresenta alguns exercícios que podem ser utilizados como</p><p>alongamento antes da corrida.</p><p>Figura 1. Alongamentos que podem ser utilizados antes de sessões de corrida.</p><p>Fonte: Lio putra/Shutterstock.com.</p><p>Exercícios educativos para corridas4</p><p>52 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>No link a seguir, é possível encontrar uma reflexão sobre os diferentes tipos de aque-</p><p>cimento e seus efeitos sobre a força.</p><p>https://qrgo.page.link/vDdCS</p><p>Os atletas de alto rendimento, segundo Dantas (2014), realizam o aqueci-</p><p>mento também por questões psicológicas, já que ele possibilita o controle da</p><p>ansiedade e eleva o nível de ativação emocional.</p><p>Agora que você já entendeu a importância do aquecimento e como ele pode</p><p>ser estruturado, nos próximos parágrafos você vai identificar os principais</p><p>erros que podem ocorrer durante a corrida e como é possível corrigi-los.</p><p>Os principais erros técnicos</p><p>Antes de identifi car os erros presentes na corrida, é necessário entender a mecâ-</p><p>nica da corrida. A corrida está dividida</p><p>em duas fases, segundo Machado (2011):</p><p>uma aérea, em que não ocorre nenhum contato com o solo, e outra terrestre, em</p><p>que ocorre o contato com o solo. A fase aérea, ou fase de voo, inicia quando</p><p>as duas pernas deixam de ter contato com o solo e encerra quando uma das</p><p>pernas toca o solo. Já a fase terrestre tem duas subfases, uma chamada fase de</p><p>aterrissagem e outra, fase de impulso. Os braços acompanham o movimento</p><p>das pernas, mas de maneira oposta, determinando o ritmo da corrida (Figura 2).</p><p>Figura 2. Fases da corrida: (1) e (5) fase aérea da passada; (2) e (3) fase de</p><p>aterrissagem; (4) fase de impulso da passada.</p><p>Fonte: Olga Bolbot/Shutterstock.com.</p><p>5Exercícios educativos para corridas</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Exercícios Educativos para Corrida | PARTE 3 53</p><p>A velocidade é dependente da relação entre a frequência e a amplitude</p><p>da passada. Assim, o indivíduo passa da caminhada para a corrida devido à</p><p>amplitude e à frequência da passada. A amplitude é a distância percorrida a</p><p>cada passada, enquanto a frequência é a quantidade de passadas realizadas</p><p>em uma unidade de tempo ou distância.</p><p>A amplitude da passada, segundo Machado (2011), está diretamente re-</p><p>lacionada à economia de energia, pois, com passadas maiores, é necessário</p><p>um número menor de passadas para percorrer um percurso. Também há uma</p><p>relação entre a estatura e o comprimento dos membros inferiores. Portanto,</p><p>indivíduos com membros inferiores maiores tendem a ter uma amplitude de</p><p>passada maior. A massa corporal também está relacionada com a economia</p><p>de energia; assim, indivíduos com menor massa corporal apresentam maior</p><p>economia de energia, pois acabam tendo que transportar na corrida uma</p><p>massa menor. Logo, indivíduos com membros inferiores longos e baixa massa</p><p>corporal apresentam um biótipo mais econômico e, consequentemente, um</p><p>melhor desempenho para corridas de longas distâncias.</p><p>A postura é outro fator importante para a economia de energia, podendo</p><p>ser aprimorada com os exercícios educativos, que, além da função de correção</p><p>técnica, também podem ser usados como forma de aquecimento. Machado</p><p>(2011) descreve três pontos importantes para a postura durante a corrida,</p><p>apresentados a seguir.</p><p> Amplitude: deve se ajustar ao tamanho do indivíduo; assim, indiví-</p><p>duos mais altos apresentam uma tendência a terem membros inferiores</p><p>maiores, o que resulta em uma amplitude de passada maior, que, con-</p><p>sequentemente, resulta em um menor número de passadas para cobrir</p><p>determinada distância. Além disso, a amplitude deve ser ajustada de</p><p>acordo com a velocidade e o conforto da corrida, de forma natural.</p><p> Tronco: deve ser posicionado de forma ereta e para a frente, evitando</p><p>oscilações ou uma inclinação exagerada à frente, o que pode causar</p><p>um desequilíbrio no movimento.</p><p> Tensão: deve-se manter o corpo descontraído, realizando os movimen-</p><p>tos suavemente, para que haja coordenação e perfeita interação entre</p><p>os músculos agonistas, antagonistas e estabilizadores. A contração</p><p>excessiva gera um gasto energético desnecessário.</p><p>Além disso, deve-se distribuir toda a energia ao longo dos pés. Segundo</p><p>Brown (2005) e Machado (2011), o tornozelo deve estar relaxado para diminuir o</p><p>impacto, os joelhos devem ser projetados para cima, para um melhor movimento</p><p>Exercícios educativos para corridas6</p><p>54 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>de pêndulo, e braços e pernas devem se movimentar de forma coordenada,</p><p>determinando o ritmo da corrida. Segundo Brown (2005), a postura deve se</p><p>ajustar ao ritmo da corrida. Assim, quanto maior a velocidade, mais o atleta</p><p>se apoiará sobre os dedos, e quanto mais devagar, mais curta será a passada,</p><p>e os braços se movimentarão com menos vigor.</p><p>O impulso para o deslocamento, segundo Schmolinsky (1982), vem da</p><p>força aplicada ao solo com a perna de apoio na fase de impulso, em que, ao</p><p>estender as articulações do quadril, do joelho e do tornozelo, é gerado esse</p><p>impulso. Porém, a perna de balanço contribui para essa amplitude de deslo-</p><p>camento, ao elevar o joelho da frente e projetá-lo para a frente.</p><p>Erros e correções</p><p>Após entender a mecânica da corrida, podemos analisar a corrida e identifi -</p><p>car alguns erros que podem ser solucionados de forma simples, com alguns</p><p>exercícios, segundo Schmolinsky (1982).</p><p>O fato de o atleta produzir um barulho muito grande enquanto corre,</p><p>devido ao impacto dos pés no solo ao longo das passadas, está associado a</p><p>dois problemas: a amplitude da passada deve estar muito grande e/ou o atleta</p><p>deve estar aterrissando com os joelhos travados (estendidos). Assim, deve-se</p><p>evitar a aterrissagem com o joelho estendido, o que traz como consequência um</p><p>grande impacto na articulação do joelho. Deve-se orientar o atleta a encurtar</p><p>a passada e a tentar flexionar o joelho na aterrissagem, buscando uma corrida</p><p>mais suave, com a aterrissagem feita sobre os calcanhares e o médio pé.</p><p>Uma insuficiente extensão da perna de impulso pode fazer com que o</p><p>indivíduo realize uma corrida meio sentada. Normalmente, isso ocorre de-</p><p>vido à falta de força para a finalização da passada. Portanto, exercícios como</p><p>saltito e corrida com saltos podem ajudar na correção. Pode também não estar</p><p>sendo realizada a flexão da perna de impulso após a impulsão, prejudicando</p><p>também a amplitude da passada, o que pode ser corrigido com o exercício de</p><p>elevação de calcanhares.</p><p>Correr com os pés afastados ou posicionados para fora pode fazer com que</p><p>o atleta oscile durante a corrida. Trata-se de uma estratégia compensatória</p><p>usada por indivíduos com osteoartrite no joelho. Esse erro pode ser corrigido</p><p>ao correr sobre uma risca ou se concentrar em manter os pés alinhados.</p><p>A corrida saltada ocorre quando é aplicada a força demasiadamente para</p><p>cima. Ela pode ser corrigida ao tentar alongar a passada. Assim, a projeção</p><p>dos joelhos à frente e um bom tracionamento do solo empurrando para trás e</p><p>para cima contribuem para um melhor posicionamento da passada.</p><p>7Exercícios educativos para corridas</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Exercícios Educativos para Corrida | PARTE 3 55</p><p>Correr com o tronco inclinado para trás ou para a frente pode ser resultado</p><p>de músculos da coxa e do tronco fracos. Assim, esse problema pode ser cor-</p><p>rigido com o exercício de elevação de joelhos, em que o atleta busca manter</p><p>o tronco levemente inclinado para a frente, além da corrida em subida, em</p><p>escadaria ou tracionando uma resistência contrária. Já no início da fase de voo,</p><p>se não ocorre uma elevação adequada da perna da frente, pode ser devido à</p><p>falta de força nos flexores do quadril, que pode ser corrigida com exercícios</p><p>como a elevação de joelhos, o saltito e a corrida em subida ou degraus.</p><p>Se, durante a corrida, a amplitude da passada é reduzida e o indivíduo corre</p><p>quase arrastando os pés no chão, tal fato também pode ser devido à falta de</p><p>força nos flexores do quadril para elevar a perna da frente. Essa questão pode</p><p>ser corrigida com os exercícios de elevação de joelhos, o saltito, a corrida com</p><p>saltos ou degraus, a corrida passando por cima de bastões ou a escadinha de</p><p>agilidade. Com um feedback visual, o atleta é obrigado a elevar os pés do chão,</p><p>o que, gradativamente, vai fortalecendo a musculatura exigida.</p><p>Em corridas de velocidade, o ato de não realizar o toque com a ponta dos pés</p><p>na fase de aterrissagem, normalmente, é devido à falta de força para amortecer</p><p>o impacto. Essa questão pode ser trabalhada com os exercícios de elevação de</p><p>joelhos, de elevação de joelhos subindo escada, de repique e de pular cordas.</p><p>O toque no solo com a ponta dos pés ajuda a fortalecer a panturrilha, o que</p><p>vai ajudar também na finalização.</p><p>Outro problema é correr com os cotovelos flexionados e as mãos relaxadas</p><p>no prolongamento do antebraço. Pode ser corrigido ao movimentar o braço</p><p>alternadamente ao lado do corpo, cuidando para manter a posição correta.</p><p>Ainda, correr olhando para baixo altera a postura do tronco, causando</p><p>um</p><p>desequilíbrio para a frente. Isso pode ser corrigido ao correr olhando cerca</p><p>de 20 ou 30 metros para a frente.</p><p>Lesões na corrida</p><p>Algumas das lesões ocorrem devido a uma sobrecarga de treinamento, sem</p><p>o atleta estar com a musculatura devidamente preparada. Assim, o fortaleci-</p><p>mento e o alongamento são fundamentais para evitar esses inconvenientes,</p><p>bem como uma progressão adequada das cargas de treinamento. Puleo e</p><p>Milroy (2011) sugerem não aumentar as cargas de treinamento mais do que</p><p>5 a 10% por semana.</p><p>A dor normalmente é o primeiro sinal para alertar sobre uma lesão; assim, o</p><p>corredor deve buscar identificar se a dor é proveniente do esforço do treino ou</p><p>um sinal de lesão. As regiões mais acometidas por lesões são a região lombar e</p><p>Exercícios educativos para corridas8</p><p>56 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>os joelhos. Normalmente, essas lesões são decorrentes de treinos repetitivos</p><p>e da falta de flexibilidade, acompanhados da tentativa de continuar a corrida</p><p>mesmo com a dor persistindo.</p><p>Os corredores estão mais suscetíveis à síndrome patelofemoral do que</p><p>a um rompimento de ligamento, como ocorre no futebol. Essa síndrome é</p><p>causada pela deficiência da patela em deslizar sobre o fêmur. Uma dor na</p><p>região inferior lateral da coxa pode estar relacionada à síndrome do trato</p><p>iliotibial, em que esse tecido conjuntivo sofre atrito com o côndilo lateral do</p><p>fêmur; a dor pode ser atenuada com alongamento.</p><p>Em relação ao pé, é comum ocorrer a metatarsalgia, que está associada</p><p>ao pé chato; essa dor pode ser atenuada com o fortalecimento dos músculos</p><p>intrínsecos do pé. A dor associada aos ossos é conhecida como fratura por</p><p>estresse, sendo a região medial da tíbia o local mais comum para essa lesão</p><p>surgir. Deve ser dada atenção para que ela não progrida para uma fratura</p><p>completa, conforme apontam Puleo e Milroy (2011).</p><p>Análises biomecânicas por meio de vídeos são realizadas há um bom tempo e podem</p><p>ajudar a identificar erros durante a corrida. Porém, com o avanço das tecnologias em</p><p>smartphones, atualmente já existem alguns aplicativos, como Coach’s Eye, Vip & Team</p><p>Coach’s Eye Members, Keelo Lift, iAnalyze, entre outros, que permitem filmar o atleta e</p><p>medir ângulos ou fazer marcações. Dessa forma, fica fácil e prático realizar o feedback</p><p>do movimento para o atleta.</p><p>Programa de aprimoramento da técnica</p><p>de corrida</p><p>Após identifi car os principais erros e como eles podem ser corrigidos, é possível</p><p>elaborar programas de exercícios que trabalhem essas correções. Os exercícios</p><p>podem ser trabalhados no início das sessões de treinamento, inclusive como</p><p>forma de aquecimento. Nesse momento, o atleta está descansado e consegue</p><p>manter a concentração com mais facilidade para a execução deles; após o</p><p>treino, os atletas podem estar fadigados, o que prejudicaria a execução correta</p><p>do movimento.</p><p>Os exercícios podem ser executados em percursos de 20 a 30 metros, com</p><p>três a cinco repetições. Além disso, podem ser combinados com corridas</p><p>9Exercícios educativos para corridas</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Exercícios Educativos para Corrida | PARTE 3 57</p><p>realizadas na sequência. Três exercícios são fundamentais para a correção e</p><p>a melhoria técnica da corrida: elevação de joelhos, calcanhares e saltito. Além</p><p>disso, outros exercícios podem ser associados para a melhora, principalmente,</p><p>da força específica e podem, segundo Fuziki (2012), contribuir para a economia</p><p>de energia, como correr em rampa, em escada, tracionando ou puxando uma</p><p>carga (Figura 3).</p><p>Figura 3. Tipos de treinamento que desenvolvem a força específica para a corrida: (a) corrida</p><p>em rampa; (b) corrida em escada; (c) corrida puxando uma carga; (d) corrida empurrando</p><p>uma carga.</p><p>Fonte: (a) Evolua... (2018, documento on-line); (b) Treino… (2018, documento on-line); (c) 3 exercícios...</p><p>(2017, documento on-line); (d) Miezio (2019, documento on-line).</p><p>Segundo Brown (2005), alguns músculos da perna acabam se desenvolvendo</p><p>mais do que outros, e podem ocorrer desequilíbrios musculares, que podem</p><p>resultar em lesões. Por isso, os exercícios de força são fundamentais para</p><p>buscar esse reequilíbrio muscular e não podem ficar de fora dos programas de</p><p>treinamento. Segundo Machado (2011), a corrida, assim como outros esportes,</p><p>exige vários tipos de força, como dinâmica, estática, força de resistência,</p><p>potência, entre outras. Portanto, um programa de treinamento deve contemplar</p><p>esses diferentes tipos de força. Para tanto, exercícios convencionais com</p><p>aparelhos de musculação também podem ser utilizados.</p><p>Exercícios educativos para corridas10</p><p>58 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>No planejamento dos treinos, além das sessões convencionais de treinos, em que</p><p>são trabalhadas habilidades específicas da corrida, também são utilizadas sessões</p><p>de treinos complementares, nas quais exercícios de musculação, por exemplo,</p><p>podem ser utilizados para o ganho de força. Ressalta-se que muitos desses treinos</p><p>têm como objetivo o ganho de força, e não a hipertrofia; é possível realizar um</p><p>aumento na força com um recrutamento maior de fibras musculares. Lembrando</p><p>que um ganho de hipertrofia pode gerar também um ganho de força, porém,</p><p>resulta, em um aumento na massa corporal (muscular), que, algumas vezes, não</p><p>é desejável para algumas modalidades. Por exemplo, se um corredor de provas</p><p>longas aumenta sua massa em 5 kg, isso implica em carregar 5 kg a mais durante</p><p>seu percurso. Portanto, o objetivo final a ser atingido deve ser bem planejado para</p><p>esses treinos complementares.</p><p>Treinamento da flexibilidade</p><p>A fl exibilidade, segundo Dantas (2014), pode ser trabalhada de duas formas:</p><p>alongamento e fl exionamento. O alongamento tem por objetivo mobilizar a</p><p>articulação em toda a sua amplitude, retirando-a de um estado mais enrijecido</p><p>e, normalmente, trabalhando dentro da faixa de normalidade da amplitude do</p><p>movimento, sem riscos de lesão. Assim, o alongamento pode ser realizado</p><p>por meio dos métodos descritos a seguir.</p><p> Estiramento: equivale a um espreguiçamento, buscando alcançar os</p><p>arcos do movimento amplo.</p><p> Suspensão: há um tracionamento das articulações por meio de ação</p><p>da gravidade.</p><p> Soltura: consiste em balanceios dos membros, realizados por outra</p><p>pessoa.</p><p>Já o flexionamento visa ao aumento da flexibilidade, podendo ser:</p><p> ativo ou dinâmico — realizado por meio de movimentos dinâmicos</p><p>ou balísticos, forçando amplitudes maiores;</p><p> passivo ou estático — a postura deve ser mantida, relaxando-se a</p><p>musculatura até o limiar de dor e segurando por 10 a 15 segundos;</p><p> facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) — utiliza a influ-</p><p>ência recíproca do fuso muscular e dos órgãos tendinosos de Golgi.</p><p>11Exercícios educativos para corridas</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Exercícios Educativos para Corrida | PARTE 3 59</p><p>A FNP sofreu algumas adaptações, dando origem ao método scientific</p><p>stretching of sports, ou 3S, que consiste em três passos, que podem ser repe-</p><p>tidos de três a seis vezes:</p><p>1. mobilização do segmento corporal até o seu limite;</p><p>2. realização da contração isométrica máxima por 8 segundos;</p><p>3. forçamento da musculatura após o relaxamento.</p><p>O super stretch, outro método derivado do 3S, também usa o princípio de</p><p>alongar o músculo a ser trabalhado, depois, realizar uma contração isométrica</p><p>e, ao relaxar, forçar o músculo até o máximo. Esse processo deve ser repetido</p><p>três vezes; depois, deve-se alongar e relaxar a musculatura trabalhada e realizar</p><p>15 minutos de forçamento estático.</p><p>Escolher o método mais eficiente é uma questão polêmica. Os estudos</p><p>ainda não estão claros com relação a isso, mas o importante é entender qual</p><p>método se adequa melhor à sua necessidade. Lembrando que o aumento da</p><p>flexibilidade é resultado da mobilidade articular e da elasticidade muscular.</p><p>Suponha que você é procurado por uma mulher de 30 anos, com leve sobrepeso, que</p><p>deseja realizar atividades de corrida. Inicialmente, deve</p><p>ser realizada uma anamnese, em</p><p>que você vai identificar os objetivos da mulher, sendo esse objetivo realizar uma corrida</p><p>de 5 km. Além disso, você deve verificar os possíveis riscos que ela possa apresentar,</p><p>como histórico de hipertensão, problemas cardíacos ou lesões.</p><p>Uma avaliação postural ajuda a identificar alguns desvios posturais que podem</p><p>ser corrigidos com fortalecimento e alongamento. Um dos pontos identificados é</p><p>um encurtamento na região posterior da coxa, além de joelhos valgos. Portanto, é</p><p>recomendada a execução de exercícios de fortalecimento para a região lateral da</p><p>coxa, com uma rotina de exercícios que incluem adutores, agachamento, extensores</p><p>e flexores do joelho e da panturrilha. Também serão acrescentados exercícios para a</p><p>região do core, além de alongamentos para a região posterior de coxa, o tornozelo</p><p>(panturrilha) e o trato iliotibial.</p><p>Os treinos serão divididos em duas sessões de fortalecimento por semana, realizadas</p><p>na sala de musculação, e duas sessões de corrida, em que será trabalhada a iniciação</p><p>à corrida, intercalando-se percursos de corrida com caminhada e dando mais ênfase</p><p>à caminhada com um ritmo mais acelerado, devido ao leve sobrepeso que a iniciante</p><p>apresenta. Esse trabalho será mantido por quatro semanas e, na sequência, deve-se</p><p>buscar acrescentar mais uma sessão de corrida.</p><p>Exercícios educativos para corridas12</p><p>60 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Ao longo deste capítulo, foi possível elucidar pontos obscuros em relação</p><p>à preparação complementar para a corrida, mostrando a importância tanto do</p><p>aquecimento quanto da flexibilidade no treinamento de corridas. Você pôde</p><p>identificar os principais erros envolvidos na corrida e como trabalhar para</p><p>melhorar o desempenho de corredores tanto de velocidade quanto de resistência.</p><p>3 EXERCÍCIOS de explosão para aumentar sua capacidade de aceleração. Feito de</p><p>Iridium, [s. l.], 11 mar. 2017. Disponível em: https://www.feitodeiridium.com.br/exercicios-</p><p>-aumentar-aceleracao/. Acesso em: 12 jun. 2019.</p><p>BROWN, R. L. Corrida como condicionamento físico. São Paulo: Roca, 2005.</p><p>DANTAS, E. H. M. A prática da preparação física. 6. ed. São Paulo: Roca, 2014.</p><p>EVOLUA na corrida com as subidas. Sua Corrida, [s. l.], 28 jun. 2018. Disponível em: http://</p><p>suacorrida.com.br/planilhas/evolua-na-corrida-com-as-subidas/. Acesso em: 12 jun. 2019.</p><p>FUZIKI, M. K. Corrida de rua: fisiologia, treinamento e lesões. São Paulo: Phorte Editora,</p><p>2012.</p><p>LOPE, M. V.; BENEJAM, J. C. Tratado de atletismo. Madrid: Esteban Sanz Martínez, 1998.</p><p>MACHADO, A. Bases científicas do treinamento de corridas. São Paulo: Icone Editora, 2011.</p><p>MIEZIO, A. Prowler vs. Sled: pushing a load of confusion out of the way. Fringe Sport, [s.</p><p>l.], 4 mar. 2019. Disponível em: https://www.fringesport.com/blogs/news/prowler-vs-</p><p>-sled-pushing-a-load-of-confusion-out-of-the-way. Acesso em: 12 jun. 2019.</p><p>PLOWMAN, S. A.; SMITH, D. L. Fisiologia do exercício para saúde, aptidão e desempenho.</p><p>Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.</p><p>PULEO, J.; MILROY, P. Anatomia da corrida: guia ilustrado de força, velocidade e resistência</p><p>para corrida. Barueri: Manole, 2011.</p><p>SCHMOLINSKY, G. Atletismo. Lisboa: Estampa, 1982.</p><p>TREINO em escada é aliado para queimar calorias e melhorar a corrida. Corrida Online,</p><p>[s. l.], 26 jan. 2018. Disponível em: http://corrida.online/v1/treino-em-escada-e-aliado-</p><p>-para-queimar-3 calorias-e-melhorar-a-corrida/. Acesso em: 12 jun. 2019.</p><p>Leitura recomendada</p><p>IAAF. Correr, saltar e lançar: guia oficial da IAAF de ensino do atletismo. [S. l.]: IAAF, 2018.</p><p>Disponível em: http://www.cbat.org.br/publicacoes/CorrerSaltarLancar_GuiaOffi-</p><p>cial_IAAF_deEnsinoDoAltetismo.pdf. Acesso em: 12 jun. 2019.</p><p>13Exercícios educativos para corridas</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Exercícios Educativos para Corrida | PARTE 3 61</p><p>ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO</p><p>PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.</p><p>PREZADO ESTUDANTE</p><p>62 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Esportes Individuais: Corridas</p><p>Prezado estudante,</p><p>Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com</p><p>cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto</p><p>possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você,</p><p>com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina.</p><p>Objetivo Geral</p><p>Reconhecer as principais técnicas e regras das provas de corridas de velocidade.</p><p>unidade</p><p>2</p><p>V.1 | 2022</p><p>Parte 1</p><p>Corridas de Velocidade</p><p>O conteúdo deste livro</p><p>é disponibilizado</p><p>por SAGAH.</p><p>unidade</p><p>2</p><p>V.1 | 2022</p><p>66 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Corridas de velocidade</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Descrever as diferentes provas de velocidade e as suas respectivas</p><p>características.</p><p> Analisar as diferentes técnicas de corrida utilizadas nas provas de</p><p>velocidade.</p><p> Identificar as demandas físicas e metabólicas nas diferentes provas</p><p>de velocidade.</p><p>Introdução</p><p>As provas de velocidade chamam a atenção em competições de atletismo</p><p>por, normalmente, intitularem o seu vencedor como “o atleta mais rápido</p><p>do mundo”. Elas estão presentes nos jogos olímpicos desde a Antiguidade,</p><p>quando eram denominadas stadium e os atletas corriam uma distância de</p><p>aproximadamente 200 metros. A provas de velocidade são mais curtas, e</p><p>detalhes fazem a diferença entre quem vence ou perde uma prova. Por</p><p>isso, a largada, a técnica de corrida e a chegada são etapas importantes</p><p>para atingir o máximo desempenho.</p><p>As provas de 100 metros rasos masculinos fazem parte do programa</p><p>olímpico desde 1896; já os 200 metros rasos masculinos foram incorpo-</p><p>rados em 1900. As mulheres começaram a correr as provas de velocidade</p><p>em 1928, com as provas de 100 metros rasos, depois, em 1948, os 200</p><p>metros rasos e, em 1964, os 400 metros rasos.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar sobre as provas de velocidade e suas</p><p>características, identificando as formas de saída, os equipamentos, as</p><p>técnicas e a fisiologia envolvida nas provas. Você também vai analisar as</p><p>formas de treinamento e aprendizagem dessas corridas.</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas de Velocidade | PARTE 1 67</p><p>Provas de velocidade</p><p>As provas de velocidade no atletismo, segundo Fernandes (2003), estão</p><p>divididas em provas de velocidade pura, que são as provas de 100 e 200</p><p>metros rasos, e de velocidade prolongada, que é a prova de 400 metros</p><p>rasos, sendo realizadas tanto por homens quanto por mulheres. Nas provas</p><p>de velocidade pura, não há um arranque no fi nal da prova; o objetivo é</p><p>atingir a velocidade máxima o mais rápido possível e sustentá-la até o fi m</p><p>da corrida. Essa tarefa não é fácil, tendo em vista que, com o passar do</p><p>tempo, o organismo sofre depleção, e as reservas energéticas e a quantidade</p><p>de fi bras musculares envolvidas no trabalho vão diminuindo, ocasionando</p><p>a perda da velocidade.</p><p>Quanto à classificação das provas de velocidade, as provas podem ser:</p><p> rasas, sem nenhum obstáculo no caminho, nas quais os atletas correm em</p><p>raias individualmente do início até o final e utilizam obrigatoriamente</p><p>as saídas do tipo baixa; ou</p><p> com barreiras, nas quais são dispostas barreiras, as quais o atleta deve</p><p>perpassar durante toda a prova.</p><p>O Quadro 1 apresenta os recordes mundiais das provas de velocidade.</p><p>Homens</p><p>Prova Atleta</p><p>Tempo</p><p>(segundos)</p><p>Velocidade</p><p>média</p><p>Ano</p><p>100 metros rasos Usain Bolt 9”58 37,57 km/h 2009</p><p>200 metros rasos Usain Bolt 19”19 37,52 km/h 2009</p><p>400 metros rasos</p><p>Wayde</p><p>Van Niekerk</p><p>43”03 33,47 km/h 2016</p><p>Quadro 1. Comparação entre os recordes mundiais nas provas de velocidade</p><p>(Continua)</p><p>Corridas de velocidade2</p><p>68 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Prova de 100 metros rasos</p><p>A prova de 100 metros rasos é a prova de atletismo mais curta e faz parte</p><p>dos jogos olímpicos</p><p>desde a primeira edição, sendo considerada a prova mais</p><p>clássica, por seu vencedor ser considerado o homem ou a mulher mais rápido(a)</p><p>do mundo. Essa prova ocorre em uma reta na pista de atletismo, com os atletas</p><p>largando lado a lado, cada um na sua raia. Ela tem duração de aproximadamente</p><p>10 segundos para os homens e 11 segundos para as mulheres.</p><p>Nessa prova, os atletas buscam atingir a velocidade máxima o mais rápido</p><p>possível e sustentá-la até o final. Portanto, é usada a saída baixa; após o tiro de</p><p>partida, os atletas iniciam sua trajetória, criando a aceleração e atingindo a máxima</p><p>velocidade em torno de 50 a 60 metros. Após atingirem a velocidade máxima, eles</p><p>precisam sustentá-la o máximo possível até cruzar a linha de chegada.</p><p>Os Estados Unidos dominaram por muito tempo essa prova, sendo que,</p><p>de 28 finais olímpicas, ganharam 17. Um de seus ícones é Jesse Owens, que,</p><p>ao vencer essa prova em Berlim, em 1936, quando Adolf Hitler pregava a</p><p>superioridade da raça ariana, derrubou muitas atitudes de preconceito racial da</p><p>época. Dentre as mulheres, um grande destaque foi a americana Gail Devers,</p><p>com dois títulos olímpicos em 1992 e 1996. Atualmente, os jamaicanos estão</p><p>dominando tanto entre os homens quanto entre as mulheres, segundo a Asso-</p><p>ciação Internacional de Federações de Atletismo (CALDERÓN; SOUZA, 2010).</p><p>Fonte: Adaptado de Senior... ([2019]).</p><p>Mulheres</p><p>Prova Atleta</p><p>Tempo</p><p>(segundos)</p><p>Velocidade</p><p>média</p><p>Ano</p><p>100 metros rasos</p><p>Florence</p><p>Griffith-Joyner</p><p>10”49 34,32 km/h 1988</p><p>200 metros rasos</p><p>Florence</p><p>Griffith-Joyner</p><p>21”34 33,74 km/h 1988</p><p>400 metros rasos Marita Kock 47”60 30,25 km/h 1985</p><p>Quadro 1. Comparação entre os recordes mundiais nas provas de velocidade</p><p>(Continuação)</p><p>3Corridas de velocidade</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas de Velocidade | PARTE 1 69</p><p>O link abaixo apresenta um pouco da história de Jesse Owens, um atleta negro que de-</p><p>fendeu, além de seu país, a igualdade entre as raças, em um período de segregação racial.</p><p>https://qrgo.page.link/mkdte</p><p>Prova de 200 metros rasos</p><p>A prova de 200 metros rasos é considerada a prova mais antiga no atletismo,</p><p>estando presente nos jogos antigos; porém, apenas em 1900 começou a</p><p>fazer parte do programa atual para os homens, e em 1948 para as mulheres.</p><p>Nela, os atletas usam a saída baixa e largam em curva, percorrendo os</p><p>primeiros 100 metros; então, chegam em uma reta, percorrendo o segundo</p><p>trecho de 100 metros, dando, assim, meia volta na pista de atletismo, cada</p><p>um em sua raia.</p><p>A prova tem duração de aproximadamente 20 segundos para os homens</p><p>e 22 segundos para as mulheres, praticamente dobrando o tempo dos 100</p><p>metros rasos. Portanto, é comum os atletas correrem o segundo trecho de</p><p>100 metros mais rápido do que o primeiro, ou muito próximo. Segundo</p><p>Calderón e Souza (2010), quando Usain Bolt bateu o recorde mundial, ele</p><p>correu os primeiros 100 metros em 9,92 segundos e o segundo trecho em</p><p>9,27 segundos, totalizando 19,19 segundos. Isso se deve ao fato de os atletas</p><p>correrem a segunda parte da prova de maneira lançada, ou seja, eles já vêm</p><p>embalados da primeira parte e não precisam criar uma aceleração, apenas</p><p>manter a atual. Assim, a perda de velocidade na segunda metade da prova</p><p>acaba sendo compensada pelo tempo que levam na aceleração até atingir</p><p>a velocidade máxima na primeira metade da prova. Além disso, como a</p><p>primeira parte é em curva, isso também cria uma dificuldade, devido à</p><p>corrida em curva tender a jogar o atleta para fora da curva, com a ação</p><p>da força centrífuga.</p><p>Entre os atletas de destaque, ainda temos Michael Johnson, que foi</p><p>recordista mundial entre 1996 e 2008, além de campeão olímpico entre os</p><p>homens. Entre as mulheres, pode-se destacar a recordista mundial Florence</p><p>Griffth-Joyner, Gwen Torrence, campeã olímpica em 1992, e a jamaicana</p><p>Elaine Thompson (SENIOR..., [2019]).</p><p>Corridas de velocidade4</p><p>70 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Prova de 400 metros rasos</p><p>A prova de 400 metros rasos é a prova de velocidade mais longa, estando</p><p>presente nos jogos modernos desde sua primeira edição; porém, apenas em</p><p>1964 as mulheres começaram a disputar essa distância. Nessa prova, os</p><p>atletas correm uma volta inteira na pista de atletismo, usando a saída baixa</p><p>e correndo em suas respectivas raias. Os melhores corredores do mundo</p><p>correm em aproximadamente 45/46 segundos, no caso dos homens, e 49/50</p><p>segundos, para as mulheres. Podemos observar pelo tempo de prova que</p><p>ocorre uma perda maior em relação aos 100 e 200 metros rasos; isso se deve</p><p>aos processos de fadiga ao longo da prova, o que torna mais difícil sustentar</p><p>a velocidade máxima adquirida.</p><p>Essa é uma das provas em que os homens americanos possuem um retros-</p><p>pecto bem favorável, possuindo 20 títulos olímpicos. Dentre os destaques</p><p>está Michael Johnson, que foi o primeiro homem a ganhar o bicampeonato</p><p>olímpico nessa prova, além de ser o único a ganhar os 200 e os 400 metros</p><p>em uma mesma edição de jogos olímpicos, tendo sido o recordista mundial</p><p>até 2016. Dentre as mulheres, destacam-se a australiana e primeira campeã</p><p>olímpica de origem aborígene Cathy Freeman, além de Marie-Jose Perec,</p><p>que, assim como Johnson, foi bicampeã olímpica, além de ganhar os 200 e</p><p>400 metros em uma mesma edição de jogos olímpicos.</p><p>Largadas e chegadas</p><p>Na prova de 100 metros rasos, os atletas largam alinhados lado a lado,</p><p>pois estão em uma reta. Já nas provas de 200 e 400 metros rasos, como as</p><p>largadas ocorrem em curva, para compensar a diferença entre quem corre</p><p>na raia interna e quem corre na raia externa, é utilizada a saída escalonada.</p><p>Portanto, quem larga na raia externa fi ca posicionado alguns metros à frente</p><p>de quem larga nas raias internas. Além disso, normalmente, nas partidas dos</p><p>200 e 400 metros rasos, o bloco é posicionado tangente à linha da trajetória,</p><p>um pouco mais próximo à linha externa da raia; assim, os primeiros passos</p><p>são dados em linha reta.</p><p>Em todas essas provas, os atletas utilizam o bloco de partida para a</p><p>largada (Figura 1a), sendo realizada obrigatoriamente a largada do tipo baixa.</p><p>Durante a prova, normalmente os atletas usam uma sapatilha específica</p><p>para corridas (Figura 1b), que contém pregos no solado, o que fornece uma</p><p>maior aderência, proporcionando um tracionamento melhor junto à pista.</p><p>5Corridas de velocidade</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas de Velocidade | PARTE 1 71</p><p>Figura 1. (a) Bloco de partida utilizado para as largadas e (b) sapatilha para corridas em</p><p>pista de atletismo.</p><p>Fonte: (a) Mezzotint/Shutterstock.com; (b) Vaclav Volrab/Shutterstock.com.</p><p>As sapatilhas são usadas especificamente para corridas em pistas de atletismo, por</p><p>causa dos pregos. Como essas pistas são feitas de uma espécie de borracha, os pregos</p><p>conseguem penetrar e dar maior aderência para realizar o impulso. Em pistas mais</p><p>simples, de carvão ou terra, elas também podem ser usadas. Porém, nada impede</p><p>que o atleta corra descalço.</p><p>Para que o atleta tenha uma boa largada, além do treinamento técnico do</p><p>movimento da saída, também é necessário desenvolver uma boa velocidade</p><p>de reação, que é a capacidade do atleta em responder o mais rápido possível</p><p>a um estímulo externo. Para o treinamento dessa velocidade de reação, são</p><p>utilizados os canais sensoriais da visão, da audição e do tato. Assim, normal-</p><p>mente, no momento de uma saída, o atleta responde aos estímulos auditivo,</p><p>quando escuta o tiro de partida, e visual, quando, com sua visão periférica,</p><p>percebe a movimentação dos demais competidores ao seu lado.</p><p>Corridas de velocidade6</p><p>72 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Durante o processo de aprendizagem de crianças, pode-se estimulá-las a res-</p><p>ponder a diversos estímulos sensoriais, o que vai fazer com que melhorem sua</p><p>velocidade de reação. Por exemplo: a criança vai iniciar a corrida quando escutar</p><p>um apito — assim, estará usando o canal da audição; também poderá iniciar a</p><p>corrida quando o professor movimentar</p><p>os braços, usando, assim, o canal da visão;</p><p>ou poderá iniciar a corrida quando receber o toque de alguém, usando, assim,</p><p>o canal do tato. Dessa forma, também é possível selecionar o estímulo, criando</p><p>uma complexidade maior de resposta. Por exemplo, a criança vai iniciar a corrida</p><p>com um sinal sonoro, mas você movimenta os braços; como foram movimentados</p><p>apenas os braços, ela deve permanecer parada e, só depois do apito, deve correr.</p><p>Com esse tipo de exercício, há uma seleção do estímulo utilizado.</p><p>Além disso, também devem ser trabalhadas as saídas em diversas posições,</p><p>criando, assim, uma adaptação motora a essas diferentes posições. Por exemplo,</p><p>a criança pode realizar uma saída ajoelhada e outra deitada, em decúbito ventral.</p><p>Assim, quando ela inicia a sua corrida, há uma adaptação motora da melhor forma</p><p>de sair da posição inicial e começar a correr. Isso é interessante, pois a criança</p><p>cria diversas formas de sair de uma posição para a outra e, observando os outros</p><p>colegas, acaba percebendo quais maneiras são mais rápidas e tenta reproduzi-</p><p>-las. Por isso, é interessante o professor deixar os alunos criarem suas próprias</p><p>posições, desenvolvendo, assim, a criatividade e, por experimentação, avaliando</p><p>quais posições são melhores.</p><p>No momento do impulso no bloco de partida, o atleta precisa estender</p><p>bem as articulações, impulsionando bem o bloco e coordenando os mo-</p><p>vimentos de braços e pernas, cuidando para que a perna posicionada no</p><p>bloco saia rapidamente e seja direcionada para realizar o primeiro contato</p><p>com o solo (Figura 2). A perna se apoia no solo, dando a primeira passada</p><p>e mantendo a inclinação do corpo. Nessas primeiras passadas, a panturri-</p><p>lha fica paralela ao solo; na fase de recuperação, o atleta gradativamente</p><p>aumenta a frequência e a amplitude da passada, endireitando o tronco</p><p>entre os 20 a 30 metros.</p><p>7Corridas de velocidade</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas de Velocidade | PARTE 1 73</p><p>Figura 2. Posição após a largada, com um impulso forte no bloco, estendendo bem as</p><p>articulações e coordenando o movimento de braços e pernas.</p><p>Fonte: MinDof/Shutterstock.com.</p><p>A chegada ocorre quando o atleta cruza a linha de chegada, sendo consi-</p><p>derada qualquer parte do tronco, desconsiderando a cabeça ou membros. Por</p><p>isso, os atletas normalmente realizam três tipos de chegadas. A primeira e mais</p><p>simples é apenas cruzando a linha de chegada. A segunda é projetando um</p><p>dos ombros à frente, sendo pouco usada, pois pode ocasionar um desequilíbrio</p><p>lateral. A terceira é com o atleta projetando o tronco à frente no momento</p><p>de passar a linha de chegada, sendo a mais utilizada por atletas experientes;</p><p>mesmo assim, estes podem se desequilibrar e acabar caindo durante a chegada.</p><p>Nas provas de velocidade em pista, a chegada ocorre sempre no mesmo</p><p>ponto da pista, e o que muda é o local da largada. Dessa forma, a estrutura de</p><p>chegada não precisa ser transportada ao longo da pista. O sistema de chegada,</p><p>denominado photo finish, é composto por uma câmera posicionada sobre a</p><p>linha de chegada, que produz uma combinação de imagens durante a passagem</p><p>dos atletas, podendo chegar a 1.000 imagens por segundo.</p><p>Nesta seção, foi possível identificar algumas características que são impor-</p><p>tantes para a corrida de velocidade e podem ser treináveis, como é o caso da</p><p>técnica de saída e da velocidade de reação. Na próxima seção, serão discutidas</p><p>as técnicas utilizadas nas corridas de velocidade.</p><p>Corridas de velocidade8</p><p>74 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Técnicas de corrida utilizadas nas provas de</p><p>velocidade</p><p>Como nas corridas de velocidade o objetivo é manter os atletas na maior</p><p>velocidade pelo máximo de tempo possível, ter uma boa técnica contribui</p><p>para atingir mais rápido esse objetivo, que geralmente é alcançado entre os</p><p>50/60 metros da prova. Entre as variáveis cinemáticas observadas durante a</p><p>corrida estão a frequência da passada, a amplitude da passada e o tempo de</p><p>contato com o solo.</p><p>A frequência da passada (ou cadência) corresponde à repetição das pas-</p><p>sadas em uma unidade de tempo e à amplitude da passada, que corresponde à</p><p>distância percorrida em cada passada; juntos, esses fatores são importantes para</p><p>determinar a velocidade em uma corrida, segundo McNab (1983). A frequência</p><p>é mais difícil de melhorar, pois está relacionada à capacidade de transmissão</p><p>do estímulo nervoso e à contração da fibra muscular. Já a amplitude pode</p><p>ser melhorada com o aumento da força e a melhoria da técnica de corrida.</p><p>Segundo Barros e Dezem (1990), a amplitude da passada também pode ser</p><p>aumentada ao projetar o joelho para a frente e para cima.</p><p>Portanto, para melhorar a velocidade, segundo Schmolinsky (1982), um</p><p>velocista pode dar passos mais compridos ou mais rápidos, ou ambos. Porém,</p><p>há uma tendência em diminuir a frequência da passada ao longo da corrida,</p><p>enquanto o contrário ocorre com a amplitude da passada. A corrida pode ser</p><p>dividida em duas fases, considerando apenas um pé — ou seja, o movimento</p><p>se repete com a outra perna (CBAT; IAAF, 2017):</p><p> a fase de apoio, na qual o pé do corredor encontra-se em contato com</p><p>o solo; e</p><p> a fase de voo, na qual o pé do corredor está no ar.</p><p>Estas possuem ainda quatro subfases, que seriam:</p><p> a fase de apoio anterior, na qual o pé toca o solo e o atleta absorve o</p><p>impacto;</p><p> o impulso, em que o atleta empurra o solo para dar início à propulsão;</p><p> a recuperação, em que inicia a fase de voo, e o atleta traz a perna para</p><p>a frente após empurrar o solo; e</p><p> o balanceio anterior, em que ele projeta a perna para a frente antes de</p><p>tocar o solo.</p><p>9Corridas de velocidade</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas de Velocidade | PARTE 1 75</p><p>Na fase de apoio anterior, ocorre uma desaceleração do atleta quando</p><p>toca o solo, que deve ser minimizada para evitar a perda de velocidade.</p><p>Na sequência, a fase de impulso tem por objetivo aplicar a maior força</p><p>possível no solo no menor tempo possível (Figura 3). Portanto, o tempo de</p><p>contato (TC) com o solo deve ser breve, diminuindo da mesma forma que a</p><p>velocidade aumenta. Por isso, o atleta de velocidade busca correr na ponta</p><p>dos pés. Observa-se que, quanto maior a velocidade, mais na ponta dos pés</p><p>acontece a corrida.</p><p>Figura 3. Descrição das fases da corrida. Nos momentos 1 e 3 ocorre a fase de apoio, e, no</p><p>momento 2, a fase de voo. No momento 1, ocorre a impulsão com a perna direita, enquanto</p><p>a perna esquerda realiza o balanceio anterior. No momento 3, podemos identificar a fase de</p><p>aterrissagem com a perna direita e a fase de recuperação com a perna esquerda.</p><p>Fonte: Adaptada de Michal Sanca/Shutterstock.com.</p><p>Dessa forma, a economia de energia é importante para a manutenção de</p><p>uma boa velocidade e está relacionada a uma boa técnica, a qual envolve</p><p>uma boa coordenação dos movimentos e o controle postural. O tronco é</p><p>a região que vai coordenar a interação da movimentação entre braços e</p><p>pernas, tendo uma leve inclinação para a frente, com a cabeça mantendo-</p><p>-se no prolongamento do tronco. Os braços têm a função de coordenar os</p><p>movimentos dos membros inferiores, tendo um aumento da amplitude do</p><p>Corridas de velocidade10</p><p>76 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>movimento com o aumento da velocidade e mantendo, um ângulo de apro-</p><p>ximadamente 80 a 100 graus na articulação do cotovelo. Esse movimento</p><p>ocorre de forma anteroposterior e aumenta com o aumento da frequência</p><p>da passada (CBAT; IAAF, 2017).</p><p>Portanto, o atleta, durante o movimento de corrida, deve (CBAT; IAAF,</p><p>2017):</p><p> realizar um tracionamento ativo com o solo, o que permite que o atleta</p><p>tenha um impulso efetivo, contribuindo para a manutenção da amplitude</p><p>da passada;</p><p> correr de forma descontraída, evitando um excesso de tensão muscular</p><p>e o consequente gasto energético desnecessário, o que pode prejudicar</p><p>a coordenação dos movimentos;</p><p> olhar para a frente, mantendo, dessa forma, o tronco alinhado e posi-</p><p>cionado</p><p>de forma ereta;</p><p> manter os ombros relaxados, contribuindo, assim, para a movimentação</p><p>dos braços e a coordenação entre os membros inferiores, além de evitar</p><p>gastos desnecessários de energia;</p><p> correr de forma uniforme, equilibrada e coordenando as fases de apoio</p><p>e voo, o que torna a corrida mais contínua, melhorando a aplicação das</p><p>forças, principalmente devido à inércia.</p><p>Após entender sobre as fases da corrida e suas referidas importâncias para</p><p>o ganho e a manutenção da velocidade, na próxima seção serão abordados os</p><p>aspectos fisiológicos das corridas de velocidade.</p><p>Segundo Weineck (1999), pode-se encontrar alguns tipos de velocidade pura, como:</p><p> Velocidade de reação — capacidade de resposta a um estímulo no menor tempo</p><p>possível; por exemplo, iniciar uma corrida após um apito.</p><p> Velocidade de ação — capacidade de realizar movimentos únicos ou acíclicos; por</p><p>exemplo, um salto, o impulso no bloco de partida, na largada da corrida, ou um</p><p>chute, em esportes de combate.</p><p>11Corridas de velocidade</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas de Velocidade | PARTE 1 77</p><p>Demandas físicas e metabólicas nas diferentes</p><p>provas de velocidade</p><p>Segundo Weineck (1999), acredita-se que a velocidade é a capacidade física</p><p>menos treinável; isso está relacionado a fatores genéticos, principalmente</p><p>devido ao tipo de fi bra muscular e sua inervação. Porém, a idade pré-escolar</p><p>e a pré-adolescência são épocas sensíveis à melhora da velocidade, e perdas</p><p>signifi cativas ocorrem com o avanço da idade.</p><p>As fibras musculares do tipo II são as principais responsáveis por movimen-</p><p>tos de contração rápida; portanto, velocistas natos possuem um alto percentual</p><p>desse tipo de fibras. Além disso, a velocidade também depende das reservas</p><p>energéticas, bem como da mobilização dessas reservas energéticas. Assim, em</p><p>menos de 10 segundos, aproximadamente, as reservas de ATP-CP muscular são</p><p>consumidas, necessitando da produção de ATP pela via glicolítica (anaeróbia</p><p>lática). Isso resulta na produção de energia e na consequente formação e acú-</p><p>mulo de ácido lático, durando até aproximadamente 40 segundos, acionando,</p><p>em seguida, a produção de energia pela via aeróbia (oxidativa). Portanto, o</p><p>treinamento anaeróbio contribui para o aumento das reservas energéticas, e o</p><p>treino aeróbio contribuirá para a recuperação e ressíntese dos estoques de CP,</p><p>não devendo ser abandonado em função dos treinos anaeróbios.</p><p>Portanto, em uma corrida de 100 a 200 metros, estamos priorizando a</p><p>atuação do sistema ATP-CP, mas, para a manutenção da velocidade, o glico-</p><p>lítico começa a agir em conjunto. Já em uma prova de 400 metros, o sistema</p><p>priorizado é o glicolítico, ou seja, o sistema anaeróbio lático; assim, ao final de</p><p>uma prova como essa, o valor do lactato sanguíneo estará elevado, e o sistema</p><p>aeróbio (oxidativo) estará contribuindo para a produção de energia. Assim,</p><p> Velocidade de frequência — capacidade de realizar movimentos cíclicos com a</p><p>máxima velocidade; por exemplo, a passada se repete durante a corrida e, por isso,</p><p>é cíclica, e quanto mais rápida, maior será a velocidade.</p><p>Além disso, existem formas complexas de velocidade:</p><p> Resistência de força rápida — capacidade de manutenção de movimentos ací-</p><p>clicos na máxima velocidade. Por exemplo, em uma sequência de saltos ou uma</p><p>sequência de chutes e socos em um esporte de combate, os movimentos não se</p><p>repetem ciclicamente, são aleatórios, mas executados com velocidade e, por isso,</p><p>precisam de força, para criar a aceleração e, assim, ter velocidade.</p><p> Resistência de velocidade — capacidade de manutenção de movimentos cíclicos na</p><p>máxima velocidade. Por exemplo, a passada se repete durante a corrida e, por isso,</p><p>é cíclica e precisa de resistência para a manutenção da repetição desse movimento.</p><p>Corridas de velocidade12</p><p>78 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>durante o treinamento, os sistemas anaeróbios são priorizados, buscando-se</p><p>aumentar os seus estoques de energia.</p><p>A capacidade de aceleração é algo fundamental para corredores de 100 metros.</p><p>Os melhores velocistas conseguem atingir a velocidade máxima rapidamente, e o</p><p>sistema ATP-CP tem uma grande contribuição nessa etapa, conseguindo recrutar um</p><p>maior número de fibras musculares. Já a resistência de velocidade é uma capacidade</p><p>importante para os corredores de 200 e 400 metros. Portanto, podemos concluir que</p><p>as provas de velocidade necessitam prioritariamente do sistema anaeróbio.</p><p>Formas de treinamento da velocidade</p><p>As corridas de velocidade possuem basicamente três etapas: a largada, o desen-</p><p>volvimento e a chegada. Portanto, o treino pode ser aplicado especifi camente</p><p>para cada uma dessas etapas.</p><p>Para a etapa de largada, é importante desenvolver uma boa velocidade de</p><p>reação, além da velocidade de ação, que acaba exigindo uma boa capacidade</p><p>de força rápida. Afinal, é necessário ter força para poder colocar o corpo em</p><p>movimento, tirando ele da inércia com velocidade. Para o desenvolvimento</p><p>da velocidade de reação, é possível trabalhar com diferentes posições e usar</p><p>diferentes estímulos sensoriais que contribuirão para o seu desenvolvimento,</p><p>além de realizar a saída em diferentes pisos, como grama ou areia. Também</p><p>podem ser adicionados exercícios de aceleração na sequência. Como men-</p><p>cionado, a força rápida tem um papel fundamental na fase de aceleração,</p><p>portanto, essa é uma das capacidades que devem ser desenvolvidas. Segundo</p><p>Weineck (1999), a combinação de saltos contribui para o desenvolvimento</p><p>dessa força rápida. Portanto, saltos simples, saltos sequenciais (triplo, quá-</p><p>druplo, quíntuplo) e corrida com saltos contribuem para o desenvolvimento</p><p>dessa força rápida. Os treinamentos de pliometria também contribuem para</p><p>o ganho de força rápida, além de trabalhos com pesos.</p><p>Corridas em subidas e descidas também podem ser usadas, com distâncias</p><p>curtas. Na subida, é trabalhada a resistência de velocidade, pois o deslocamento</p><p>vertical devido à subida gera uma sobrecarga; como é um movimento cíclico</p><p>em velocidade, acaba estimulando essa capacidade. Na descida, estimula-se</p><p>13Corridas de velocidade</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas de Velocidade | PARTE 1 79</p><p>a velocidade, principalmente devido à coordenação do movimento. Devido à</p><p>aceleração criada na descida, há uma maior velocidade, inclusive devido à ação</p><p>da gravidade; assim, para coordenar os movimentos e manter a velocidade,</p><p>os mesmos devem ser mais rápidos, ou a velocidade acaba diminuindo. Além</p><p>das corridas em subida, para o desenvolvimento da resistência de velocidade,</p><p>podem ser usadas roupas com lastros, corridas em areia, corridas tracionando</p><p>algo como trenó ou exercícios de contrarresistência. No caso da corrida com</p><p>tração (Figura 4), sugere-se uma carga em torno de 5 a 8% do peso corporal.</p><p>Outro recurso amplamente usado é a corrida com paraquedas.</p><p>Figura 4. Treino de resistência de velocidade com o uso do trenó com carga. Normalmente,</p><p>sugere-se o uso de 5 a 8% do peso corporal como carga.</p><p>Fonte: WoodysPhotos/Shutterstock.com.</p><p>Segundo Weineck (1999), para um bom aproveitamento do treino de ve-</p><p>locidade, algumas orientações podem ser seguidas:</p><p> iniciar os treinos em idade escolar, pois contribuem principalmente</p><p>para a formação das fibras musculares;</p><p> deve ser executado no início de cada sessão de treinamento;</p><p> sinais de fadiga sinalizam para a finalização do treino, para não preju-</p><p>dicar o atleta ao realizar o aprendizado de um movimento tecnicamente</p><p>inadequado;</p><p>Corridas de velocidade14</p><p>80 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p> para cada 10 metros percorridos, sugere-se 1 minuto de intervalo;</p><p> deve ser realizado na velocidade máxima, por isso, deve-se dar ênfase</p><p>na velocidade;</p><p> realizar um bom aquecimento para a prevenção de lesões;</p><p> sugere-se estímulos de 8 a 10 segundos para desenvolver a velocidade.</p><p>Desenvolvimento da velocidade de forma lúdica</p><p>Como na idade escolar as crianças estão sensíveis</p><p>ao desenvolvimento da</p><p>velocidade, sugere-se aplicar exercícios de forma lúdica, para que as crianças</p><p>sejam estimuladas brincando. Assim, as brincadeiras também são mais moti-</p><p>vadoras e atrativas. Podem ser usadas brincadeiras como pega-pega, corridas</p><p>de revezamento, corridas em roda e corridas com mudanças de direção.</p><p>Os jogos ou brincadeiras podem contribuir não apenas para a formação</p><p>motora da criança, mas também para desenvolver o raciocínio lógico, ou seja,</p><p>a capacidade cognitiva do aluno, ao envolver outras disciplinas escolares.</p><p>As corridas de velocidade podem ser amplamente utilizadas com as crianças, podendo</p><p>ser usados vários jogos. Um exemplo de jogo consiste em separar as crianças em quatro</p><p>colunas e posicionar um arco a aproximadamente 20 metros. A primeira criança deve</p><p>correr até o arco, entrar dentro dele e levá-lo até a cabeça; ao tirar o arco de sobre</p><p>a cabeça, deve retornar à sua coluna, e o próximo aluno corre até o arco e realiza o</p><p>mesmo movimento. É uma atividade simples, mas que estimula a velocidade, com a</p><p>corrida até o arco, a percepção corporal, ao passar o arco pelo corpo, e a velocidade</p><p>de reação, ao reagir aos estímulos para começar a correr. Pode-se variar a prática</p><p>aumentando o percurso ou colocando obstáculos até o arco.</p><p>Podemos concluir com este capítulo que as corridas de velocidade possuem</p><p>características diferentes, mas priorizam o sistema anaeróbio durante sua</p><p>execução, sendo necessário um amplo treinamento das capacidades físicas,</p><p>assim como de detalhes técnicos, para se obter um bom desempenho. De</p><p>certa forma, trata-se de uma atividade simples, que pode ser desenvolvida</p><p>com crianças.</p><p>15Corridas de velocidade</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas de Velocidade | PARTE 1 81</p><p>BARROS, N.; DEZEM, R. O atletismo. 2. ed. São Paulo: Apoio, 1990.</p><p>CALDERÓN, V. P.; SOUZA, M. M. Atuações dos atletas e países na prova de 100 metros</p><p>rasos em todas as edições do Campeonato Mundial de Atletismo. Efdeportes.com,</p><p>Buenos Aires, a. 15, n. 143, abr. 2010. Disponível em: https://www.efdeportes.com/</p><p>efd143/100-metros-rasos-campeonato-mundial-de-atletismo.htm. Acesso em: 4 jun.</p><p>2019.</p><p>CBAT; IAFF. Atletismo: regras oficiais de competição 2016-2017. São Paulo: Phorte, 2017.</p><p>FERNANDES, J. L. Atletismo: corridas. 3. ed., rev. São Paulo: EPU, 2003.</p><p>MCNAB, T. Corridas de velocidade, fundo e meio fundo. Porto: Talus, 1983.</p><p>SCHMOLINSKY, G. Atletismo. Lisboa: Estampa, 1982.</p><p>SENIOR outdoor: 100 metres men. IAAF, Estocolmo, [2019]. Disponível em: https://www.</p><p>iaaf.org/records/all-time-toplists/sprints/100-metres/outdoor/men/senior. Acesso em:</p><p>4 jun. 2019.</p><p>WEINECK, J. Treinamento ideal: instruções técnicas sobre o desempenho fisiológico,</p><p>incluindo considerações específicas de treinamento infantil e juvenil. 1. ed. Barueri:</p><p>Manole, 1999.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>MATTHIESEN, S. Q. Atletismo se aprende na escola. 2. ed. Jundiaí: Fontoura, 2009.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. Fundamentos de educação física no ensino superior atletismo: teoria</p><p>e prática. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.</p><p>Corridas de velocidade16</p><p>ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO</p><p>PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.</p><p>PREZADO ESTUDANTE</p><p>Parte 2</p><p>Corridas de Resistência</p><p>O conteúdo deste livro</p><p>é disponibilizado</p><p>por SAGAH.</p><p>unidade</p><p>2</p><p>V.1 | 2022</p><p>84 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Corridas de resistência</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Descrever as diferenças entre as provas de fundo e meio fundo e suas</p><p>particularidades estruturais.</p><p> Discutir as técnicas empregadas nas mais diversas corridas de resis-</p><p>tência do atletismo.</p><p> Identificar as demandas fisiológicas nas diferentes provas de resistência.</p><p>Introdução</p><p>A corrida é um movimento natural do ser humano; as crianças, por</p><p>exemplo, correm em diversas brincadeiras. Porém, alguns hábitos nada</p><p>saudáveis têm tornado o ser humano cada vez mais sedentário e, junto</p><p>com isso, têm aumentado a incidência de doenças provenientes desses</p><p>hábitos. Dessa forma, muitos adultos têm se tornado indivíduos seden-</p><p>tários, o que acaba aumentando o risco de diversas doenças silenciosas,</p><p>como a hipertensão e o diabetes.</p><p>A corrida de resistência surge como uma opção na tentativa de tornar</p><p>esse indivíduo mais ativo. Estudos iniciados pelo médico americano</p><p>Kenneth Cooper, na década de 1970, já mostravam resultados positivos</p><p>para a saúde com a prática de corridas em ritmo moderado. Assim, a</p><p>prática dessas corridas recebeu um grande estímulo, o que resultou em</p><p>um aumento significativo no número de praticantes. Esse aumento é</p><p>facilmente percebido devido ao aumento do número de assessorias que</p><p>surgiram para atender à demanda de novos corredores. Além do apelo</p><p>da melhora na saúde, as corridas de resistência geram grande motivação</p><p>pela superação de limites; nelas, o homem é motivado a correr cada</p><p>vez mais e mais rápido. Um exemplo de motivação é a atual busca dos</p><p>atletas pelo rompimento da barreira de 2 horas na maratona masculina.</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas de Resistência | PARTE 2 85</p><p>Neste capítulo, você vai estudar as principais diferenças entre as provas</p><p>de resistência, assim como suas particularidades estruturais. Você também</p><p>vai identificar as técnicas utilizadas e as capacidades físicas necessárias</p><p>para essas provas.</p><p>As provas de fundo e meio fundo e suas</p><p>particularidades estruturais</p><p>As corridas de resistência podem ser praticadas tanto em pista como em outros</p><p>locais. Em pista, são conhecidas como provas de fundo, que são praticadas</p><p>em provas de 5 km e 10 km, e provas de meio fundo, que são praticadas em</p><p>provas de 800 e 1.500 metros. Fora da pista, as provas mais conhecidas são as</p><p>de pedestrianismo, que ocorrem em ruas ou estradas, normalmente asfaltadas.</p><p>A distância mais conhecida é a maratona, com a distância de 42,195 km, mas</p><p>também existem outras distâncias, como a meia maratona, com a distância de</p><p>21,097 km, além de provas de 5 km e 10 km, que são distâncias mais comuns,</p><p>e 15 km. Essas provas podem chegar a distâncias maiores, como 100 km ou</p><p>mais, que são as provas de ultramaratona, ou ultrarresistência.</p><p>As provas de pista ocorrem na pista de 400 metros; portanto, os atletas</p><p>acabam dando várias voltas e acabam não correndo em raias específicas,</p><p>normalmente se mantendo na raia interna. A prova de 800 metros é a única</p><p>prova mais longa em que os atletas largam na raia específica, mas, após a</p><p>primeira curva, já buscam se posicionar na raia interna. Já nas outras provas</p><p>(1.500, 5.000 e 10.000 metros rasos), os atletas correm livremente na pista e,</p><p>por isso, buscam se posicionar na raia interna desde o início.</p><p>A prova de 800 metros já era disputada desde os jogos antigos, em uma</p><p>distância de aproximadamente 740 metros, sendo chamada de “hippios”,</p><p>conforme aponta a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAT; IAFF, 2017).</p><p>Está presente nos jogos modernos desde a primeira edição. Nessa prova, o</p><p>atleta realiza duas voltas completas na pista. Um dos destaques brasileiros</p><p>foi Joaquim Cruz, que conquistou o título nos jogos de Los Angeles de 1984,</p><p>junto com o recorde olímpico e a prata em Seul, em 1988. A prova feminina</p><p>foi incluída pela primeira vez em Amsterdã, em 1928, mas, como algumas</p><p>Corridas de resistência2</p><p>86 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>mulheres acabaram passando mal após a prova devido ao esforço, ela foi</p><p>excluída, retornando apenas nos jogos de Roma, em 1960.</p><p>A prova de 1.500 metros está presente nos jogos também desde a primeira</p><p>edição; nela, os atletas realizam três voltas completas e ¾ de uma volta, sendo</p><p>essa prova equivalente à distância clássica da milha (1.609 metros), que era</p><p>uma corrida comum nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, devido ao sistema</p><p>métrico. As mulheres estrearam apenas nos jogos de Munique, em 1972,</p><p>conforme aponta a Associação Internacional de Federações de Atletismo</p><p>(CBAT; IAFF,</p><p>2017).</p><p>A prova de 5.000 metros também foi disputada desde a Antiguidade,</p><p>inspirada nos grandes feitos dos mensageiros militares, e chamava-se “doli-</p><p>chos”. Nessa prova, os atletas realizam 12 voltas e meia na pista (CBAT; IAFF,</p><p>2017). Ela está presente nos jogos modernos desde 1912, em Estocolmo. As</p><p>provas de resistência feminina são recentes; sua estreia ocorreu nos jogos de</p><p>Los Angeles, em 1984, na distância de 3.000 metros; nos jogos de Atlanta, foi</p><p>substituída para os atuais 5.000 metros.</p><p>A prova de 10.000 metros está presente nos jogos modernos desde 1912,</p><p>em Estocolmo. Nela, os atletas realizam 25 voltas completas na pista. As</p><p>corridas para fins de apostas eram muito populares na Grã-Bretanha e nos</p><p>Estados Unidos no século XIX. A versão feminina estreou apenas em Seul,</p><p>em 1988 (CBAT; IAFF, 2017).</p><p>As provas de 5.000 e 10.000 metros tiveram atletas finlandeses com grande</p><p>destaque internacional, como Paavo Nurmi e Lasse Viren, além do tcheco Emil</p><p>Zatopek, conhecido com a “locomotiva humana”. A partir dos anos 1980, os</p><p>etíopes e quenianos passaram a dominar os eventos masculinos, enquanto,</p><p>entre as mulheres, a China e a Etiópia se destacam.</p><p>Normalmente, fora da pista o percurso oferece alguns obstáculos relaciona-</p><p>dos à altimetria, que se refere às subidas com diferentes graus de inclinação.</p><p>Devido a essas variações, existem locais onde são realizadas essas provas que</p><p>favorecem a quebra de recordes, por possuírem um percurso favorável, ou seja,</p><p>uma altimetria baixa. Já outros percursos acabam ficando conhecidos por sua</p><p>dificuldade. Assim, torna-se difícil reproduzir em locais diferentes provas</p><p>com as mesmas características. O Quadro 1 apresenta as melhores marcas de</p><p>algumas provas de resistência, tanto em pista como em rua.</p><p>3Corridas de resistência</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas de Resistência | PARTE 2 87</p><p>Fonte: Adaptado de CBAt e IAF (2017).</p><p>Em pista</p><p>Prova Sexo Atleta Tempo Ano</p><p>800</p><p>metros</p><p>Masculino David Lekuta Rudisha 1’40”91 2012</p><p>Feminino Jarmila Kratochvilova 1’53”28 1983</p><p>1.500</p><p>metros</p><p>Masculino Hicham El Guerrouj 3’26”00 1998</p><p>Feminino Grezebe Dibaba 3’50”07 2015</p><p>5 km Masculino Kenenisa Bekele 12’37”35 2004</p><p>Feminino Tirunesh Dibaba 14’11”15 2008</p><p>10 km Masculino Kenenisa Bekele 26’17”53 2005</p><p>Feminino Almaz Ayana 29’17”45 2016</p><p>Na rua</p><p>Prova Sexo Atleta Tempo Ano</p><p>10 km Masculino Leonard Patrick Komon 26’44” 2010</p><p>Feminino Asmae Leghzaoui 30’29” 2002</p><p>Meia maratona</p><p>(21 km)</p><p>Masculino Abraham Kiptum 58’18” 2018</p><p>Feminino Netsanet Gudeta 1h06’11” 2018</p><p>Maratona</p><p>(42 km)</p><p>Masculino Eliud Kipchoge 2h01’39 2018</p><p>Feminino Paula Radcliffe 2h13’25 2003</p><p>Ultramaratona</p><p>(100 km)</p><p>Masculino Takahiro Sunada 6h13’33” 1998</p><p>Feminino Tomoe Abe 6h33’11” 1998</p><p>Quadro 1. Comparação entre os recordes mundiais nas provas de resistência</p><p>É possível observar que as marcas obtidas em pista são melhores do que as</p><p>obtidas em rua — isso pode estar relacionado ao fato de o percurso em pista</p><p>ser totalmente plano. Além disso, na pista, os atletas usam a sapatilha com</p><p>pregos no solado, o que dá maior tração ao piso.</p><p>Corridas de resistência4</p><p>88 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>O tipo de piso também pode influenciar a corrida, principalmente por</p><p>causa do amortecimento do impacto. Assim, alguns pisos são mais favo-</p><p>ráveis e outros menos favoráveis para as corridas longas, conforme aponta</p><p>Machado (2011).</p><p> Areia fofa: é um piso que possui uma capacidade de amortecimento</p><p>alta, porém, é mais recomendado para desenvolver a força e a resistência</p><p>específica.</p><p> Asfalto: é um piso que possui uma capacidade de amortecimento baixa; é</p><p>o piso específico para as competições de rua e ideal para treinos de ritmo.</p><p> Concreto: é um piso que possui uma capacidade de amortecimento</p><p>muito baixa; esse tipo de piso deve ser evitado.</p><p> Grama: é um piso que possui uma capacidade de amortecimento alta,</p><p>ideal para treinos de ritmo e longos.</p><p> Terra: é um piso que possui uma capacidade de amortecimento alta,</p><p>ideal para treinos de alta intensidade e longos.</p><p>Outra opção utilizada por alguns corredores é treinar em esteiras rolan-</p><p>tes, normalmente em academias. Algumas esteiras possuem um excelente</p><p>amortecimento, e elas podem ser utilizadas tanto por corredores iniciantes</p><p>como experientes, segundo Machado (2011). Porém, a mecânica da corrida</p><p>acaba sendo alterada, já que, na esteira, ocorre um deslocamento vertical</p><p>maior, pois a manta da esteira é que acaba se deslocando, o que também</p><p>afeta a propriocepção. Assim, normalmente, quando o atleta sai da esteira</p><p>após correr, sente uma sensação diferente ao andar, ou seja, ocorre um certo</p><p>desequilíbrio, pois muda o tipo de piso que ele está usando.</p><p>Já quando o atleta corre em solo, ele tem que empurrar ou tracionar o chão</p><p>para se deslocar e acaba também realizando um esforço maior, pois, além de</p><p>vencer a resistência do vento, dependendo do percurso, pode encontrar subidas.</p><p>Além disso, nesse tipo de local, ocorre a ativação dos músculos estabilizadores,</p><p>em função das imperfeições do terreno ou do tipo de piso.</p><p>Porém, segundo Machado (2011), existem algumas vantagens ao correr</p><p>na esteira, como uma menor resistência do vento e o controle da velocidade,</p><p>da distância e da inclinação. Além disso, com as esteiras posicionadas em</p><p>frente ao espelho, é possível corrigir a postura, além de facilitar o feedback do</p><p>professor. Por fim, trata-se de uma prática segura e que não sofre a influência</p><p>do ambiente, como frio, chuva ou calor excessivo.</p><p>5Corridas de resistência</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas de Resistência | PARTE 2 89</p><p>A maratona é a prova de pedestrianismo mais antiga, tendo sua origem na Grécia</p><p>Antiga, onde, segundo a lenda, o soldado Fidípedes correu aproximadamente 40 km</p><p>da planície de Maratona até Atenas, para levar a notícia da vitória dos gregos sobre</p><p>os persas. De acordo com a lenda, ao concluir a missão, ele morreu em seguida de</p><p>exaustão. A primeira maratona em jogos olímpicos ocorreu em 1896, com o percurso</p><p>original. Porém, a distância que conhecemos somente passou a ser percorrida nos</p><p>Jogos Olímpicos de Londres, em 1908. Para que a família real pudesse assistir ao início</p><p>da prova do jardim do castelo de Windsor, o comitê organizador alterou o percurso;</p><p>ao ser aferido, o percurso totalizou 42,195 km, distância usada até os dias atuais (CBAT;</p><p>IAFF, 2017).</p><p>Além das provas de pedestrianismo, existem provas do tipo cross coun-</p><p>try, ou corta-mato, e trail run, ou corridas de montanha, que possuem</p><p>percursos que, além da variação de altimetria com subidas e descidas,</p><p>também possuem obstáculos naturais, como trilhas, grama, entre outros</p><p>elementos.</p><p>Características de treinamento das corridas de</p><p>resistência</p><p>As capacidades físicas a serem trabalhadas, bem como os volumes de treino,</p><p>variam de acordo com o tipo de prova e o perfi l do atleta, conforme aponta</p><p>Evangelista (2011). Assim, as corridas de 5 km exigem resistência anaeróbica</p><p>e aeróbica, potência aeróbica e velocidade, sendo sugerido para iniciantes</p><p>volumes de 15 a 20 km semanais, para intermediários, volumes entre 30 a 40</p><p>km, e para avançados, de 35 a 50 km. As corridas de 10 km também exigem</p><p>resistência anaeróbica e aeróbica, resistência de força e velocidade, sendo</p><p>sugerido para iniciantes volumes de 30 a 40 km semanais, para intermediários,</p><p>entre 40 a 60 km, e para avançados, de 60 a 80 km.</p><p>A meia maratona exige resistência aeróbica e resistência de força, sendo</p><p>sugerido para iniciantes volumes de 80 a 100 km semanais, para intermedi-</p><p>ários, entre 90 a 110 km, e para avançados, de 100 a 130 km. As maratonas</p><p>Corridas de resistência6</p><p>90 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>também exigem resistência aeróbica e resistência de força, sendo sugerido</p><p>para iniciantes volumes de 80 a 100 km semanais, para intermediários, entre</p><p>120 a 150 km, e para avançados, de 160 a 200 km.</p><p>Na próxima seção, serão discutidas as demandas fisiológicas para realizar</p><p>analisará a metodologia do ensino-aprendizagem nos esportes individuais</p><p>e reconhecerá o papel dos esportes individuais na investigação da cultura</p><p>corporal do movimento.</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Prática Docente nos Esportes Individuais | PARTE 1 11</p><p>Natureza dos esportes individuais</p><p>Inicialmente, abordaremos a natureza que envolve as características das moda-</p><p>lidades esportivas individuais. Como o próprio nome sugere, esses esportes são</p><p>marcados pela atuação isolada do aluno/atleta, sem a colaboração de um colega,</p><p>durante toda a ação esportiva, ou seja, um adversário compete contra outro.</p><p>Segundo Ferreira (2010), o esporte escolar individual se caracteriza por</p><p>um aluno atuando sozinho para alcançar o objetivo proposto, dependendo</p><p>unicamente de si para atingir a meta proposta pela atividade, o que incide, a</p><p>partir das experiências vividas de vitórias e derrotas, no desenvolvimento da</p><p>personalidade, no aumento da autoestima e na preparação psicológica desses</p><p>estudantes.</p><p>Como exemplos de esportes individuais, temos o atletismo, o tênis, o badminton, o</p><p>judô, o tênis de mesa, a esgrima, o boxe e o ciclismo.</p><p>Gonzales (2004) aponta que esses esportes podem ser classificados em</p><p>dois grupos (Quadro 1):</p><p>� jogos individuais sem interação com o oponente — atividades motoras</p><p>em que a atuação do sujeito não é condicionada diretamente pela ne-</p><p>cessidade de colaboração do colega nem pela ação direta do oponente;</p><p>� jogos individuais em que há a interação com o oponente — aqueles em</p><p>que os sujeitos se enfrentam diretamente, tentando em cada ato alcançar</p><p>os objetivos do jogo e evitando, concomitantemente, que o adversário</p><p>o faça, porém sem a colaboração de um companheiro.</p><p>Prática docente nos esportes individuais2</p><p>12 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Fonte: Adaptado de Monteiro (2011).</p><p>Esportes com interação Esportes sem interação</p><p>Badminton Atletismo (saltos, arremessos e lançamentos)</p><p>Judô Ginástica artística</p><p>Peteca Natação</p><p>Tênis Saltos ornamentais (classe individual)</p><p>Squash Skate</p><p>Esgrima Arco e flecha</p><p>Tênis de mesa Surf</p><p>Boxe Halterofilismo</p><p>Luta greco-romana Iatismo (classe Finn)</p><p>Ciclismo</p><p>Canoagem</p><p>Quadro 1. Relação dos esportes com e sem interação</p><p>Nessa classificação, Monteiro (2011) ainda aponta outra subcategorização</p><p>em função dos objetivos que se busca atingir pela prática dos jogos individuais:</p><p>Para as modalidades em que há interação com o adversário, normalmente,</p><p>utiliza-se como critério o objetivo tático da ação, isto é, o propósito final</p><p>da prática esportiva (ponto, menor tempo). Para as modalidades sem inte-</p><p>ração com o adversário, adota-se como critério o desempenho motor para</p><p>estabelecer marcas e, dessa forma, designar o vencedor da prática esportiva</p><p>(MONTEIRO, 2011, p. 30).</p><p>Dessa maneira, as modalidades que não há interação podem ser chamadas</p><p>de esportes de marca (quando o vencedor é designado a partir do melhor tempo,</p><p>da distância atingida ou do peso levantado), estéticos (quando definidos pelos</p><p>padrões estéticos previamente definidos, como o halterofilismo) ou, ainda, de</p><p>precisão (quando o resultado é definido pela capacidade de atingir um alvo,</p><p>como o arco).</p><p>3Prática docente nos esportes individuais</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Prática Docente nos Esportes Individuais | PARTE 1 13</p><p>A classificação dos esportes em que há interação pode se dar a partir de</p><p>esportes de combate ou luta (quando o adversário deve ser subjugado), de</p><p>campo e taco (quando a ideia é colocar a bola longe do adversário) e de rede</p><p>(quando o objetivo é fazer com que o objeto em que se joga a partida caia na</p><p>quadra do adversário, como no caso do tênis, tênis de mesa e badminton).</p><p>Deve-se ter cuidado nos casos dos esportes de rede citados, pois o voleibol é igual-</p><p>mente um esporte desse perfil e com o mesmo objetivo, porém o que o diferencia</p><p>são os números de jogadores, fazendo com que seja considerado um esporte coletivo.</p><p>Greco et al. (2012) afirmam que os jogos individuais apresentam inúmeras</p><p>vantagens para aqueles que os praticam, pois os alunos que vivenciarão essa</p><p>modalidades, em situações em que forem exigidos, saberão trabalhar sob</p><p>pressão, maximizando os acertos e diminuindo a probabilidade de erros e</p><p>frustrações.</p><p>De acordo com Benvegnú Junior (2011), além de proporcionarem inúmeros</p><p>desenvolvimentos, como o intrapessoal dos alunos, as modalidades esportivas</p><p>individuais estabelecem os componentes estratégicos e táticos, aumentando</p><p>a complexidade das atividades e unindo as capacidades motoras, cognitivas</p><p>e técnicas para superar as dificuldades estabelecidas.</p><p>Outro elemento importante desenvolvido a partir dessas modalidades é</p><p>o poder de concentração, já que os praticantes terão um poder maior quanto</p><p>à capacidade em vista do foco exigido por um jogo que depende apenas de</p><p>si para obter sucesso. Ainda, há o fator autocontrole, que requer bastante</p><p>aprimoramento para esse tipo de prática (GRECO et al., 2012).</p><p>Cabe dizer também que as modalidades individuais são mais fáceis de</p><p>praticar, visto, que ao contrário dos esportes coletivos, necessitam de um</p><p>número menor de pessoas; no caso da corrida, da ginástica, da natação, do</p><p>ciclismo, do skate e do surf, o praticante tampouco precisa de um adversário,</p><p>podendo realiza-lo sozinho (GRECO et al., 2012).</p><p>Até agora, você conheceu a natureza dos esportes individuais a partir de</p><p>suas características e classificação, mas, a seguir, acompanhará como se dá</p><p>a metodologia de ensino dessas modalidades.</p><p>Prática docente nos esportes individuais4</p><p>14 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Metodologia de ensino-aprendizagem</p><p>dos esportes individuais</p><p>Como vimos anteriormente, os esportes individuais têm estruturas bastante di-</p><p>ferenciadas, podendo ser classificados conforme suas interações e/ou objetivos,</p><p>características que, segundo Vancini et al. (2015), particularizam o processo</p><p>pedagógico e metodológico do ensino-aprendizagem, visto a dificuldade de</p><p>haver um método generalizante que abranja todos esses esportes.</p><p>Sobre as características que devem ser consideradas na hora da aprendi-</p><p>zagem, os autores ainda descrevem:</p><p>No que tange às características das modalidades individuais temos, em geral,</p><p>que as mesmas não exigem ações cooperativas. Além disso, são centradas em</p><p>provas, podem ter um caráter mais previsível das ações motoras dependendo</p><p>da modalidade, proporcionam pouca interação entre sujeitos, apresentam</p><p>uma diversidade de perspectivas e contextos e possuem particularidades e</p><p>especificidades técnicas (VANCINI et al., 2015, p. 148).</p><p>Como podemos ver, nesses esportes a ideia da cooperação, interação e</p><p>trabalho em equipe ficará reduzida, bem como outra característica comum</p><p>às modalidades coletivas, a imprevisibilidade das ações.</p><p>A partir desses parâmetros, o foco do ensino das modalidades esportivas</p><p>individuais passa a ser o rendimento do aluno/atleta a partir da técnica, dando</p><p>ênfase aos gestos motores relacionados aos fundamentos e às habilidades</p><p>específicas motoras do esporte em questão. Contudo, isso não quer dizer que</p><p>tais modalidades não necessitam de estratégia e tática, mas que estas ganham</p><p>um destaque menor do que a técnica.</p><p>Como vimos até aqui, não há um único método-padrão para o ensino</p><p>dessas modalidades, pelo fato de terem peculiaridades distintas, o que nos</p><p>leva a abordar a metodologia para o ensino dos esportes individuais a partir</p><p>de dois esportes com gestos motores-base para todos as demais: o atletismo</p><p>e a ginástica.</p><p>Segundo Vancini et al. (2015), a ginástica tem como base motora os ele-</p><p>mentos corporais chamados deslocamentos, saltos, saltitos, giros, rolamentos,</p><p>balanços, suspensões, equilíbrios e apoios, derivados tanto da ginástica artística</p><p>quanto da rítmica, além dos esportes acrobáticos, a ginástica trampolim, a</p><p>aeróbica e a geral. Essas manifestações se diferenciam pelo tipo de aparelho</p><p>utilizado, pela execução ou não da música durante a atividade e pela disposição</p><p>tais corridas. Em provas de resistência, segundo McNab (1983), a manutenção</p><p>do ritmo é um fator importante para o desempenho. Portanto, descobrir o seu</p><p>ritmo, ou pace, como é chamado entre os corredores, é algo que vai ajudar o</p><p>atleta a evitar processos de fadiga devido a um esforço excessivo.</p><p>Demandas fisiológicas nas diferentes provas de</p><p>resistência</p><p>Para que ocorra a contração muscular, segundo Gomes (2009), a fonte ener-</p><p>gética utilizada é a adenosina trifosfato (ATP). A ressíntese do ATP ocorre</p><p>devido a três mecanismos energéticos:</p><p> Mecanismo aeróbio (oxidativo): ocorre por conta da oxidação, ou seja,</p><p>com a participação direta de O2, de hidratos de carbono e de gorduras</p><p>disponíveis no organismo.</p><p> Mecanismo anaeróbio lático (glicolítico): ocorre a dissociação anaeróbia</p><p>(sem ou com pouca participação de O2) do glicogênio, com a formação</p><p>do lactato.</p><p> Mecanismo anaeróbio alático (ATP-CP): está ligado à utilização de</p><p>fosfagênios presentes nos músculos em atividade, principalmente o</p><p>fosfato de creatina.</p><p>Nas provas de corrida de resistência, segundo Evangelista (2010), há um</p><p>predomínio do sistema aeróbio ou oxidativo, devendo ser estimulado com</p><p>prioridade durante os treinos. No entanto, os sistemas anaeróbios lático ou</p><p>alático, agindo de forma secundária, também devem ser estimulados durante</p><p>o processo de preparação. Os estímulos anaeróbios contribuem para a melhora</p><p>da velocidade e da capacidade aeróbia. O Quadro 2 apresenta a contribuição</p><p>dos sistemas aeróbios e anaeróbios durante as provas de corridas, conforme</p><p>aponta Machado (2011).</p><p>7Corridas de resistência</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas de Resistência | PARTE 2 91</p><p>Fonte: Adaptado de Machado (2011).</p><p>Prova Sistema anaeróbio Sistema aeróbio</p><p>800 metros 95% 5%</p><p>1.500 metros 70% 30%</p><p>5 km 30% 70%</p><p>10 km 20% 80%</p><p>Maratona (42 km) 5% 95%</p><p>Quadro 2. Comparação entre os sistemas energéticos aeróbio e anaeróbio nas diferentes</p><p>provas de corridas de resistência</p><p>Assim, é possível perceber que o sistema anaeróbio tem uma contribuição</p><p>maior em provas mais curtas, enquanto o sistema aeróbio tem uma contribuição</p><p>maior conforme o aumento da distância. Portanto, atletas de meio fundo ainda</p><p>possuem uma parcela de fibras de contração rápida, que vão contribuir de</p><p>acordo com o perfil da prova.</p><p>Em provas de 800 e 1.500 metros, o sistema aeróbio deve ser treinado;</p><p>porém, nas provas de 800 metros, deve haver uma prioridade sobre o sistema</p><p>anaeróbio, por ser mais exigido. Assim, atletas que tenham essa característica</p><p>de resistência à velocidade mais desenvolvida terão mais facilidade nesse</p><p>tipo de prova, pois, devido à sua dinâmica, essa prova acaba exigindo uma</p><p>aceleração final nos últimos 150 metros. Já a prova de 1.500 metros tem uma</p><p>exigência da capacidade anaeróbia um pouco menor, mas bem superior às</p><p>provas de fundo. Além disso, a dinâmica estratégica da prova acaba sendo</p><p>bem importante para a exigência da via metabólica. Uma prova que começa</p><p>mais cadenciada em seu ritmo terá uma exigência anaeróbia maior no final,</p><p>enquanto uma prova que já começa em um ritmo acelerado desde o início já</p><p>terá uma exigência anaeróbia no começo.</p><p>Segundo Evangelista (2010), o sistema aeróbio pode ser treinado com</p><p>estímulos superiores a 3 minutos, com três ou mais repetições. Já o sistema</p><p>anaeróbio lático pode ser basicamente trabalhado com estímulos de 30 segun-</p><p>dos a 3 minutos e repetições, que variam de uma a oito. O sistema anaeróbio</p><p>alático pode ser trabalhado com estímulos de 10 a 15 segundos de duração e</p><p>três a seis repetições.</p><p>Corridas de resistência8</p><p>92 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>O treinamento de corridas resulta em adaptações músculo esqueléticas,</p><p>com melhoras na coordenação muscular, aumentando, assim, a economia de</p><p>corrida e a velocidade. O recrutamento de fibras do tipo I, que têm por carac-</p><p>terísticas participarem do sistema oxidativo, sendo recrutadas em atividades de</p><p>longa duração, também é melhorado nesse treino, segundo Evangelista (2010).</p><p>Também podem ocorrer adaptações cardiovasculares, que envolvem a melhora</p><p>da capacidade cardíaca, pulmonar e dos vasos sanguíneos; essas adaptações</p><p>permitem um maior fornecimento de oxigênio aos tecidos musculares. Além</p><p>disso, ocorrem melhoras no volume máximo de oxigênio (VO2máx), que repre-</p><p>senta a capacidade máxima de o organismo captar, transportar e transformar</p><p>o oxigênio em energia durante o exercício.</p><p>Segundo Machado (2009), existem fatores limitantes para o VO2máx que</p><p>são genéticos, relacionados à hereditariedade, e outros relacionados ao sexo,</p><p>sendo observados maiores valores em homens. Também foi observada uma</p><p>melhora em torno de 15 a 20% com programas de treinamento. No entanto, essa</p><p>melhora pode estar limitada em indivíduos já treinados, pois a capacidade de</p><p>melhora acaba sendo reduzida, enquanto ocorrem melhoras mais expressivas</p><p>em indivíduos com um menor grau de treinamento.</p><p>Influência no desempenho</p><p>Entre os fatores que determinam o desempenho, segundo Evangelista (2010),</p><p>está a economia de corrida, que está relacionada à absorção de oxigênio pelo</p><p>corpo. Assim, atletas com os mesmos valores de VO2máx não necessariamente</p><p>correm na mesma velocidade; essa economia está relacionada à capacidade</p><p>de correr em velocidades maiores com menor gasto energético. Uma maior</p><p>quantidade de mitocôndrias está relacionada a uma menor produção de lactato,</p><p>a densidade de capilares está relacionada ao fornecimento de sangue com</p><p>oxigênio aos músculos, e uma maior capacidade cardíaca também vai fornecer</p><p>maior quantidade de sangue aos tecidos musculares.</p><p>Segundo Machado (2009), as corridas de resistência podem proporcionar</p><p>respostas agudas e crônicas. A melhora do desempenho com o treinamento</p><p>está relacionada com mudanças crônicas.</p><p>9Corridas de resistência</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas de Resistência | PARTE 2 93</p><p>A maratona exige uma grande capacidade de economia de energia; o recorde, de</p><p>aproximadamente 2 horas, foi obtido por Eliud Kipchoge em 2018. Um dos grandes</p><p>desafios do homem é correr a maratona abaixo de 2 horas; para isso, a combinação</p><p>de vários fatores é importante, como o percurso, a temperatura, a hidratação e os</p><p>corredores coelhos, que ditam o ritmo da prova, proporcionando, assim, uma excelente</p><p>economia de energia. Pensando nisso, a gigante dos materiais esportivos Nike, em</p><p>maio de 2017, tentou emplacar esse feito com três corredores, Eliud Kipchoge, Zersenay</p><p>Tadese e Lelisa Desisa, correndo um evento fechado, buscando as condições ideais.</p><p>Para isso, combinaram um percurso ideal no autódromo de Monza, na Itália. Porém,</p><p>por ser um percurso em circuito, essa marca não valeria como recorde mundial. Tam-</p><p>bém usaram uma equipe de coelhos, que se revezavam à frente dos três corredores</p><p>em uma formação em flecha, para tentar protegê-los da resistência do vento, e os</p><p>atletas usaram uma hidratação especial. Porém, a meta não foi atingida, e os atletas</p><p>ficaram a 26 segundos da tão esperada marca; Kipchoge conseguiu a incrível marca</p><p>de 2h00min25seg.</p><p>Mulheres e as corridas de resistência</p><p>A participação de mulheres em corridas é recente, e a primeira maratona</p><p>olímpica feminina foi realizada em Los Angeles, em 1984. As mulheres de-</p><p>mandam cuidados especiais durante o treinamento, principalmente devido ao</p><p>ciclo menstrual. Segundo Evangelista (2010), o débito cardíaco das mulheres</p><p>chega a ser 10% menor, o que resulta em: menos sangue oxigenado sendo</p><p>entregue aos músculos; menor quantidade de hemoglobina, que resulta em</p><p>menor transporte de oxigênio; e menor massa muscular e maior massa de</p><p>gordura, o que resulta em menor força; por isso, o cuidado com o impacto é</p><p>importante. Além disso, existem aspectos anatômicos, como um tendão de</p><p>Aquiles mais curto, que reduz a impulsão durante a corrida, e um quadril</p><p>mais largo, que resulta em joelhos mais próximos, alterando a mecânica da</p><p>corrida, o que resulta em um gasto energético maior.</p><p>Na próxima seção, serão discutidas as formas de trabalho das corridas de</p><p>resistência e suas possibilidades.</p><p>Corridas de resistência10</p><p>94 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Técnicas empregadas nas diversas corridas de</p><p>resistência do atletismo</p><p>Segundo Fernandes (2003), normalmente os corredores de velocidade correm</p><p>sobre a ponta dos pés, enquanto os corredores de longa distância acabam</p><p>correndo tocando o calcanhar no chão. Além disso, a movimentação de bra-</p><p>ços é mais ampla nos corredores de velocidade, enquanto os corredores de</p><p>resistência mantêm os braços mais descontraídos e com uma movimentação</p><p>mais curta. A ação dos braços é muito importante nas subidas, em que o atleta</p><p>mantém a movimentação constante, o que contribui para manter a frequência</p><p>da passada; além disso, ele também acaba encurtando um pouco a passada,</p><p>de forma a não perder tanto rendimento nas subidas.</p><p>Nas provas de resistência, durante a fase de voo, a perna de balanço não</p><p>se eleva tanto quando projetada à frente, vindo quase paralela ao solo, assim</p><p>como a elevação do joelho à frente também é menor, o que contribui para a</p><p>redução da amplitude da passada. É diferente do que ocorre na corrida de</p><p>velocidade, em que o calcanhar é direcionado ao glúteo no início da fase de</p><p>voo, e o joelho é direcionado para cima e para a frente, aumentando, assim,</p><p>a amplitude da passada. Portanto, a amplitude da passada tende a ser menor,</p><p>assim como a frequência, em provas mais longas, pois nessas provas ocorre</p><p>uma preocupação maior com a economia de energia. Busca-se um equilíbrio</p><p>entre a frequência e a amplitude da passada, assim como uma postura adequada.</p><p>Segundo Machado (2009), um dos principais problemas da corrida diurna</p><p>é o sol, que pode causar aumento excessivo da temperatura corporal, influen-</p><p>ciando, assim, na termorregulação, que resulta em uma perda de rendimento.</p><p>Já o problema das corridas noturnas acaba sendo o elevado índice de monóxido</p><p>de carbono, o que prejudica a respiração, principalmente nos grandes centros,</p><p>além da segurança, que também é outro fator em função da baixa iluminação.</p><p>Aprendizagem das corridas de resistência</p><p>Antes de iniciar um programa de treinamento, são necessários alguns cuidados,</p><p>como uma anamnese, na qual são identifi cados os objetivos do atleta, além de</p><p>uma avaliação física e médica. A identifi cação do nível do atleta também é</p><p>importante, devendo-se classifi cá-lo como iniciante, intermediário ou avançado.</p><p>Isso vai facilitar na prescrição do treinamento.</p><p>11Corridas de resistência</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas de Resistência | PARTE 2 95</p><p>Normalmente, como recomendação, os programas devem ter no mínimo</p><p>uma frequência de três treinos semanais e uma duração mínima de 20 minutos.</p><p>Um dos objetivos com os iniciantes é a iniciação à corrida; para tanto, são</p><p>usados pequenos percursos de corrida, alternados com percursos de caminhada</p><p>— a tendência é aumentar o percurso de corrida e diminuir o percurso de</p><p>caminhada aos poucos. Segundo Evangelista (2010), a prescrição dos progra-</p><p>mas de treinamento apresenta algumas variáveis, conforme listado a seguir.</p><p> Volume de treino: está relacionado à quilometragem percorrida em</p><p>determinado período.</p><p> Frequência: quantidade de treinos que o aluno treina por semana.</p><p> Séries: estão presentes em trabalhos intervalados, sendo a quantidade</p><p>de blocos de repetições.</p><p> Repetições: quantidade de vezes que a distância a ser trabalhada é</p><p>repetida, comumente chamadas de tiros.</p><p> Intervalo: tempo de descanso entre as séries ou repetições (tiros).</p><p> Intensidade: está relacionada à percepção do esforço ou à frequência</p><p>cardíaca durante a repetição ou tiro.</p><p>Corridas no ambiente aquático</p><p>Segundo Machado (2009), as corridas no meio líquido são normalmente</p><p>usadas para melhora do condicionamento, reabilitação e treino complementar,</p><p>principalmente em função do baixo impacto nas articulações. Basicamente,</p><p>estão divididas em corridas em águas rasas (water running), com água na</p><p>altura dos joelhos, e corridas em águas profundas (deep water running),</p><p>com auxílio ou não de coletes e águas acima da linha da cintura.</p><p>As propriedades físicas da água influenciam no treinamento; entre elas estão</p><p>a pressão hidrostática, que é maior de acordo com a profundidade e contribui</p><p>para o retorno venoso, a força do empuxo e a densidade, que contribuirão para</p><p>a redução da sobrecarga sobre as articulações, devido ao impacto.</p><p>Treino em altitude</p><p>Os treinos em altitudes acima de 1.800 metros podem acarretar melhoras</p><p>entre 1,8 a 2,5% na performance do atleta, segundo Evangelista (2010). Entre</p><p>as alterações encontradas, a permanência por no mínimo duas semanas em</p><p>elevadas altitudes pode gerar aumento no número de células vermelhas e,</p><p>entre 3 e 6 semanas, aumento da capacidade mitocondrial.</p><p>Corridas de resistência12</p><p>96 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Durante as corridas de resistência, sempre surge a dúvida: “devo respirar pela boca ou</p><p>pelo nariz?” Normalmente, em repouso, respiramos pelo nariz, pois essa respiração</p><p>atende à nossa demanda de oxigênio. Além disso, o ar é aquecido e filtrado antes de</p><p>chegar aos pulmões. Porém, durante o exercício, a frequência respiratória aumenta,</p><p>devido à necessidade de mais oxigênio para manter o trabalho. Assim, com uma</p><p>frequência elevada, fica desconfortável respirar pelo nariz, além de a quantidade de</p><p>ar demandada ser insuficiente. Por isso, a respiração pela boca acaba sendo utilizada,</p><p>pois atende à demanda de oxigênio necessária para o exercício.</p><p>Como foi observado neste capítulo, existem vários tipos de corridas de</p><p>resistência, e cada prova tem uma determinada característica que precisa ser</p><p>desenvolvida. Porém, de maneira geral, são empregados os sistemas anaeróbio</p><p>e aeróbio para a produção energética — conforme se aumenta a distância ou o</p><p>tempo de duração, ocorre um predomínio do sistema aeróbio para a produção</p><p>de energia. Além disso, a mecânica da corrida acaba mudando, de acordo</p><p>com a velocidade.</p><p>CBAT; IAFF. Atletismo: regras oficiais de competição 2016-2017. São Paulo: Phorte, 2017.</p><p>EVANGELISTA, A. L. Treinamento de corrida de rua: uma abordagem metodológica e</p><p>fisiológica. São Paulo: Phorte, 2010.</p><p>FERNANDES, J. L. Atletismo: corridas. 3. ed. São Paulo: EPU, 2003.</p><p>GOMES, A. C. Treinamento desportivo. Porto Alegre: Artmed, 2009.</p><p>MACHADO, A. Bases científicas do treinamento de corridas. São Paulo: Icone, 2011.</p><p>MACHADO, A. Corrida: teoria e prática do treinamento. São Paulo: Icone, 2009.</p><p>MCNAB, T. Corridas de velocidade, fundo e meio fundo. Porto: Talus, 1983.</p><p>Leitura recomendada</p><p>BROWN, R. L. Corrida como condicionamento físico. São Paulo: ROCA, 2005.</p><p>13Corridas de resistência</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas de Resistência | PARTE 2 97</p><p>ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO</p><p>PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.</p><p>PREZADO ESTUDANTE</p><p>98 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Parte 3</p><p>Corridas com Barreiras e</p><p>Corridas de Revezamento</p><p>O conteúdo deste livro</p><p>é disponibilizado</p><p>por SAGAH.</p><p>unidade</p><p>2</p><p>V.1 | 2022</p><p>100 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Corridas com barreiras e</p><p>corridas de revezamento</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Diferenciar as provas de atletismo com barreiras das provas com</p><p>obstáculos.</p><p> Descrever as particularidades das provas coletivas de revezamento</p><p>no atletismo.</p><p> Elaborar intervenções para o desenvolvimento das técnicas específicas</p><p>das corridas de revezamento e barreiras.</p><p>Introdução</p><p>As provas de revezamentos se caracterizam por serem provas coletivas,</p><p>em que cada integrante da equipe corre uma parte do percurso. Existem</p><p>vários tipos de provas de revezamentos; por exemplo: provas realizadas</p><p>por influência cultural, como as provas indígenas; provas de pedestria-</p><p>nismo, como maratonas de revezamento; ou, ainda, desafios maiores,</p><p>como ultramaratonas</p><p>de revezamento, que envolvem maiores distâncias.</p><p>Porém, em pista, as provas mais conhecidas são as de 4 × 100 metros e</p><p>de 4 × 400 metros, tanto masculinas quanto femininas, que envolvem</p><p>distâncias mais curtas e são caracterizadas como provas de velocidade.</p><p>Já as provas de barreiras são provas que envolvem tanto distâncias</p><p>curtas quanto distâncias longas, como é o caso das provas de obstácu-</p><p>los. Essas provas combinam a corrida com a passagem por obstáculos</p><p>específicos, que acabam exigindo do atleta não apenas velocidade ou</p><p>resistência, mas também outras habilidades físicas, como força e uma</p><p>boa percepção espaço-tempo.</p><p>Conhecer essas modalidades é importante para o futuro profissional</p><p>de educação física. Isso porque a combinação dos estímulos associados</p><p>a essas provas acaba contribuindo de forma importante não apenas</p><p>para a formação motora das crianças, mas também para a formação</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas com Barreiras e Corridas de Revezamento | PARTE 3 101</p><p>como pessoa. Afinal, essas provas dependem do trabalho em equipe,</p><p>desenvolvendo, assim, a cooperação, a responsabilidade, a comunicação,</p><p>a liderança, entre outras habilidades sociais.</p><p>Assim, neste capítulo, você vai estudar sobre as provas de atletismo</p><p>com barreiras e com obstáculos, bem como as particularidades das provas</p><p>de revezamentos. Você também vai verificar formas de desenvolver as</p><p>técnicas específicas das corridas de revezamentos e de barreiras.</p><p>As provas de atletismo com barreiras</p><p>e com obstáculos</p><p>A prova de 110 metros com barreiras surgiu na Inglaterra, em 1830, derivada</p><p>das corridas de 100 jardas, em que eram posicionadas barreiras de madeira</p><p>fi ncadas no chão. Atualmente, nas provas de corridas com barreiras, os</p><p>atletas utilizam a saída baixa e percorrem o percurso específi co da prova</p><p>passando por 10 barreiras posicionadas em suas respectivas raias. As altu-</p><p>ras das barreiras são diferentes entre homens e mulheres, além de serem</p><p>diferentes também de acordo com a prova. O Quadro 1 apresenta a altura das</p><p>barreiras de acordo com as provas e o sexo, assim como as características do</p><p>posicionamento durante o percurso.</p><p>Fonte: Adaptado de CBAt; IAAF (2017).</p><p>Barreiras</p><p>Prova Sexo Altura</p><p>Distância da</p><p>saída até a</p><p>primeira barreira</p><p>Distância</p><p>entre</p><p>barreiras</p><p>Distância da</p><p>última barreira</p><p>até a chegada</p><p>110 m Masculino 1,07 m 13,72 m 9,14 m 14,02 m</p><p>100 m Feminino 0,84 m 13,00 m 8,50 m 10,50 m</p><p>400 m Masculino 0,91 m 45,00 m 35,00 m 40,00 m</p><p>Feminino 0,76 m 45,00 m 35,00 m 40,00 m</p><p>Quadro 1. Características para o posicionamento das barreiras de acordo com a prova</p><p>Corridas com barreiras e corridas de revezamento2</p><p>102 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>O atleta deve permanecer em sua respectiva raia do início ao fim; caso saia</p><p>de sua raia, derrube alguma barreira voluntariamente ou não passe por alguma</p><p>barreira, será desclassificado, conforme aponta a Confederação Brasileira de</p><p>Atletismo (CBAT; IAAF, 2017). As barreiras derrubadas involuntariamente</p><p>não implicam em nenhuma penalização para o atleta.</p><p>Esse é um aspecto interessante dessas provas, pois, até 1935, os atletas</p><p>eram desclassificados por derrubarem três barreiras ou mais. Atualmente, o</p><p>critério para desqualificação do atleta é subjetivo e definido pelo árbitro, que</p><p>considera como ato voluntário se o atleta quis derrubar a barreira, porque a</p><p>atingiu no meio, atropelando-a, ou como ato involuntário, quando ele esbarra</p><p>sem querer e a barreira cai, conforme leciona a Associação Internacional de</p><p>Federações de Atletismo (IAAF, [2019]). O Quadro 2 apresenta os recordes</p><p>mundiais das provas de barreiras masculinas e femininas.</p><p>Fonte: Adaptado de IAFF ([2019]).</p><p>Barreiras</p><p>Prova Sexo Atleta Tempo Ano</p><p>110 m Masculino Aries Merritt 12"80 2012</p><p>100 m Feminino Kendra Harrison 12"20 2016</p><p>400 m Masculino Kevin Young 46"78 1992</p><p>Feminino Yuliya Pechenkina 52"34 2003</p><p>Quadro 2. Recordes mundiais nas provas de barreiras</p><p>100 metros com barreiras</p><p>Essa é uma prova exclusivamente feminina, que teve a sua estreia olímpica</p><p>em 1932 em Los Angeles, com a distância de 80 metros, conforme leciona</p><p>Matthiesen (2017). Segundo Barros e Dezem (1990), a prova de 80 metros já</p><p>não atendia mais as exigências devido à evolução técnica; ou seja, as meninas</p><p>mais altas e velozes já não conseguiam executar uma corrida fl uente, tendo</p><p>que encurtar as passadas. Assim, houve a substituição da distância para os</p><p>3Corridas com barreiras e corridas de revezamento</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas com Barreiras e Corridas de Revezamento | PARTE 3 103</p><p>atuais 100 metros, assim como o aumento do número de barreiras para 10.</p><p>Em 1972, em Munique, a prova já ocorreu com a distância atual.</p><p>Entre os destaques dessa prova está Yordanka Donkova, atleta búlgara</p><p>que conquistou a medalha de ouro nas Olímpiadas de Seul, em 1988, e esta-</p><p>beleceu quatro recordes mundiais, o último com a marca de 12"21, em 1988.</p><p>Esse recorde foi superado pela americana Kendra Harrison apenas em 2016.</p><p>Entre os países mais fortes nessa categoria estão Estados Unidos, Alemanha,</p><p>Bulgária, Rússia, Suécia e Canadá, conforme a IAAF ([2019]).</p><p>110 metros com barreiras</p><p>Essa é uma prova exclusivamente masculina e teve sua origem na Ingla-</p><p>terra em corridas de 100 jardas, provavelmente derivando de competições</p><p>hípicas, em que eram posicionadas barreiras de madeira fi xas no chão, com</p><p>1,07 metros de altura (CBAT; IAAF, 2017). As universidades de Oxford e</p><p>Cambridge aumentaram a distância para 120 jardas (109,7 metros); pos-</p><p>teriormente, em 1888, essa distância foi arredondada para os 110 metros</p><p>pelos franceses, devido ao sistema métrico. Essa prova teve sua estreia</p><p>olímpica na primeira edição dos jogos modernos, em 1896, conforme aponta</p><p>a IAAF ([2019]).</p><p>Os Estados Unidos se destacam nessa prova; além do atual recordista</p><p>mundial, o país já ganhou 19 vezes o título olímpico. Entre os destaques está</p><p>Allen Johnson, que correu em sua carreira 11 vezes abaixo dos 13 segundos,</p><p>além de ter conquistado o ouro nas Olimpíadas de 1996. Cuba, Grã-Bretanha</p><p>e China também são países com excelentes atletas nessa prova, conforme a</p><p>IAAF ([2019]).</p><p>400 metros com barreiras</p><p>Nessa prova, os atletas correm uma volta completa em uma pista de 400</p><p>metros, onde são posicionadas 10 barreiras em suas respectivas raias. Essa</p><p>prova teve sua origem na universidade de Oxford, na Inglaterra, por volta de</p><p>1860, onde os atletas corriam uma prova de 440 jardas (402,33 metros), em</p><p>que eram fi xadas no chão 12 barreiras de madeira com 1 metro de altura,</p><p>segundo a IAAF ([2019]).</p><p>A estreia olímpica dessa prova foi em 1900, em Paris. Já as mulheres estre-</p><p>aram apenas em 1984 em Los Angeles, conforme leciona Matthiesen (2017),</p><p>Corridas com barreiras e corridas de revezamento4</p><p>104 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>com a vitória de Nawal El Moutawakel, do Marrocos, que se tornou a primeira</p><p>campeã olímpica africana e de uma nação islâmica, segundo a IAAF ([2019]).</p><p>Os Estados Unidos são uma grande potência na modalidade, com 18 títulos</p><p>olímpicos, assim como Rússia e Jamaica. Um dos grandes destaques foi o</p><p>atleta Edwin Moses, que ficou invicto por 122 provas consecutivas entre 1977</p><p>e 1987, além de ter conquistado dois títulos olímpicos, tornando-se, assim, o</p><p>maior atleta de todos os tempos nessa prova. Entre as mulheres, a britânica</p><p>Sally Gunnell se destacou nessa prova entre os anos de 1992 e 1994, conforme</p><p>aponta a IAAF ([2019]).</p><p>3.000 metros com obstáculos</p><p>Nessa prova, os atletas usam a largada do tipo alta e não precisam se manter</p><p>nas raias. Eles devem completar o percurso de 3.000 metros, em que, em</p><p>cada volta, passam por quatro obstáculos e um fosso com água, totalizando</p><p>28 saltos sobre os obstáculos e sete sobre o fosso. A distância entre cada</p><p>obstáculo é de aproximadamente 80 metros. Os obstáculos para os homens</p><p>possuem 0,91 metros de altura e, para as mulheres, 0,76 metros (CBAT;</p><p>IAAF, 2017). Um</p><p>dos grandes charmes dessa prova e que chama a atenção</p><p>é o salto do obstáculo sobre o fosso de água: após um dos obstáculos, há</p><p>um fosso de água que possui 3,66 metros de comprimento e 0,70 metros na</p><p>região mais funda (Figura 1).</p><p>Figura 1. Obstáculo do fosso na prova de 3.000 metros com obstáculos. Esse fosso é mais</p><p>fundo na região próxima ao obstáculo, depois vai ficando raso com a maior distância do</p><p>obstáculo.</p><p>Fonte: charnw/Shutterstock.com; 3000m… (2018, documento on-line).</p><p>5Corridas com barreiras e corridas de revezamento</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas com Barreiras e Corridas de Revezamento | PARTE 3 105</p><p>A corrida de obstáculos (steeplechase, em inglês) teve sua origem na</p><p>Grã-Bretanha, onde corredores corriam de uma cidade para outra, passando</p><p>obstáculos como riachos e paredes baixas. Um evento em pista foi realizado</p><p>em 1879, na universidade de Oxford. Essa prova tem estado presente nos jogos</p><p>olímpicos desde 1900, em Paris, mas com distâncias diferentes. A distância</p><p>atual de 3.000 metros foi padronizada em 1920, na Antuérpia. As mulheres</p><p>estrearam nessa prova apenas em 2008 (CBAT; IAAF, 2017).</p><p>Entre os homens, o Quênia é o país com mais títulos olímpicos; já entre</p><p>as mulheres, Rússia e Quênia são os países que dominam. Entre os homens,</p><p>podemos destacar Moses Kiptanui, que foi o principal competidor entre 1991</p><p>e 1995. Entre as mulheres, destaca-se a russa Gulnara Galkina, que foi re-</p><p>cordista mundial em 2003 e campeã olímpica em 2008, sendo a primeira</p><p>mulher a correr abaixo dos 9 minutos a distância, conforme aponta a IAAF</p><p>([2019]). O Quadro 3 apresenta os recordes mundiais das provas de obstáculos</p><p>masculinas e femininas.</p><p>Fonte: Adaptado de CBAt; IAAF (2017).</p><p>Obstáculos</p><p>3.000 m Masculino Shaheen Saif Saaeed 7'53"63 2004</p><p>Feminino Beatrice Chepkoech 8'44"32 2018</p><p>Quadro 3. Comparação entre os recordes mundiais nas provas de obstáculos</p><p>Após estudar o funcionamento das provas com barreiras e obstáculos,</p><p>nos próximos parágrafos você vai identificar as principais características das</p><p>provas de revezamentos.</p><p>Particularidades das provas coletivas</p><p>de revezamentos no atletismo</p><p>As corridas de revezamentos já eram conhecidas dos gregos na Antiguidade;</p><p>as panateneias, realizadas em homenagem à deusa Atena, incluíam uma</p><p>Corridas com barreiras e corridas de revezamento6</p><p>106 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>prova de revezamento chamada lampadodromia (“corrida das tochas”).</p><p>Era uma disputa entre cinco equipes compostas por 40 atletas cada; nela,</p><p>a chama era conduzida sem poder ser apagada, e vencia a equipe que</p><p>acendesse a fogueira no altar de Prometeu, localizado na chegada (CBAT;</p><p>IAAF, 2017). O conceito de revezamento também remete à Antiguidade,</p><p>advindo da prática em que um mensageiro transmitia a mensagem para</p><p>outro mensageiro, e este para outro, até ela chegar ao seu destino, segundo</p><p>a IAAF ([2019]).</p><p>As provas de revezamento atualmente são provas em equipe realizadas</p><p>em pista de atletismo e compostas por quatro atletas, sendo normalmente</p><p>realizadas nas distâncias de 4 × 100 metros e 4 × 400 metros. No Quadro 4</p><p>são apresentados os recordes mundiais masculino e feminino.</p><p>Fonte: Adaptado de CBAt; IAAF (2017).</p><p>Prova Sexo Equipe Tempo Ano</p><p>4 × 100 m Masculino Jamaica 36"84 2012</p><p>Feminino Estados Unidos 40"82 2012</p><p>4 × 400 m Masculino Estados Unidos 2'54"29 1993</p><p>Feminino União Soviética 3'15"17 1988</p><p>Quadro 4. Recordes mundiais nas provas de revezamentos</p><p>Revezamento 4 × 100 metros</p><p>Nessa prova, os quatro corredores correm na mesma raia, dando uma volta</p><p>completa na pista de atletismo. Cada atleta, durante o seu percurso, deve</p><p>conduzir um bastão, que deve ser passado para o próximo corredor em</p><p>uma área de 20 metros de comprimento, denominada zona de passagem</p><p>(Figura 2), estando ela dividida em 10 metros antes e 10 metros depois de</p><p>completar o percurso. Portanto, cada atleta pode receber o bastão e correr</p><p>entre 90 e 110 metros.</p><p>7Corridas com barreiras e corridas de revezamento</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas com Barreiras e Corridas de Revezamento | PARTE 3 107</p><p>Figura 2. A zona de passagem possui 20 metros de comprimento, iniciando no ponto A</p><p>e encerrando no ponto C. O ponto B indica o final do percurso de 100 metros; assim, o</p><p>ponto A está 10 metros atrás, na marca dos 90 metros, e o ponto C está 10 metros à frente,</p><p>na marca dos 110 metros. Essa é a área onde o atleta pode receber o bastão. Na prova de</p><p>4 x 100 metros, existem três zonas de passagem.</p><p>Fonte: (a) Adaptada de Bullstar/Shutterstock.com; (b) Adaptada de Remo_Designer/Shutterstock.com.</p><p>O primeiro revezamento olímpico ocorreu em 1908, em uma corrida de</p><p>1.600 metros; porém, o primeiro revezamento em jogos olímpicos de 4 ×</p><p>100 metros para homens foi realizado em 1912, em Estocolmo, enquanto</p><p>as mulheres estrearam em 1928, em Amsterdã, sendo a equipe canadense a</p><p>vencedora (CBAT; IAAF, 2017).</p><p>Entre os países de destaque estão os Estados Unidos, que dominaram por</p><p>muitos anos essa prova, sendo que, entre 1920 e 1976, os homens venceram todos</p><p>os eventos, exceto um título olímpico. O lendário velocista Carl Lewis correu como</p><p>último homem em cinco equipes diferentes que quebraram o recorde mundial entre</p><p>1983 e 1992. Já entre as mulheres, Evelyn Ashford obteve três títulos olímpicos</p><p>Corridas com barreiras e corridas de revezamento8</p><p>108 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>consecutivos nessa prova entre 1984 e 1992. Porém, os jamaicanos liderados por</p><p>Usain Bolt reescreveram os recordes, sendo a primeira equipe a correr abaixo dos</p><p>37 segundos. Em 2012, Bolt obteve a incrível marca de 8,70 segundos nos 100</p><p>metros finais. Nessa prova, o atleta já estava em uma corrida lançada para pegar</p><p>o bastão; assim, não perdeu tempo com a aceleração, mostrando que é possível</p><p>a busca por novas marcas, conforme aponta a IAAF ([2019]).</p><p>O Brasil obteve bons resultados, como a medalha de bronze nos Jogos</p><p>Olímpicos de Atlanta, em 1996, e a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de</p><p>Sydney, em 2000. Nessa oportunidade, foi conquistada a melhor marca do</p><p>Brasil; a equipe era composta por Vicente Lenílson, Edson Ribeiro, André</p><p>Domingos e Claudinei Quirino (CBAT; IAAF, 2017).</p><p>Revezamento 4 × 400 metros</p><p>Nessa prova, cada atleta completa uma volta de 400 metros na pista, sendo</p><p>que o primeiro atleta realiza sua volta completa na raia designada. O segundo</p><p>atleta corre apenas os primeiros 100 metros na raia designada e depois já pode</p><p>se direcionar para a raia interna. O terceiro e o quarto atletas correm na raia</p><p>interna. Os corredores conduzem o bastão em seu percurso e, após fechar cada</p><p>volta, passam para o próximo corredor dentro da zona de passagem, que fi ca</p><p>10 metros antes e 10 metros depois de fechar a volta. Assim, a passagem pode</p><p>ocorrer entre 390 e 410 metros.</p><p>O primeiro revezamento olímpico ocorreu em 1908, com distâncias diferen-</p><p>tes, sendo dois percursos de 200 m, seguido por um de 400 m e outro de 800</p><p>m. Assim como o revezamento 4 × 100 metros, o primeiro revezamento em</p><p>jogos olímpicos de 4 × 400 m para homens foi em 1912, nos Jogos Olímpicos</p><p>de Estocolmo, enquanto as mulheres estrearam apenas em 1972, nos Jogos</p><p>de Munique (CBAT; IAAF, 2017).</p><p>Os homens americanos dominam essa modalidade com 17 títulos olímpicos,</p><p>com astros como Michael Johnson, que, no mundial de 1993, fechou a prova</p><p>correndo os 400 metros em incríveis 42,91 segundos. Jeremy Wariner é outro</p><p>atleta de destaque, com dois títulos mundiais, e foi um dos principais membros</p><p>da equipe americana nos anos 2000; possui a segunda marca mais rápida</p><p>em revezamentos, com 42,93 segundos, obtida no campeonato mundial em</p><p>2007. Jamaica, Bahamas e Grã-Bretanha também aparecem como destaques</p><p>entre os homens. Entre as mulheres, as americanas também são destaque com</p><p>quatro títulos olímpicos; outros países de destaque são Rússia e Jamaica. A</p><p>jamaicana Sandie Richards participou de cinco finais olímpicas consecutivas,</p><p>segundo a</p><p>IAAF ([2019]).</p><p>9Corridas com barreiras e corridas de revezamento</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas com Barreiras e Corridas de Revezamento | PARTE 3 109</p><p>No link a seguir você encontra um guia de mídia produzido pela Confederação Brasileira</p><p>de Atletismo (CBAt), que apresenta os atletas do revezamento brasileiro no campeonato</p><p>mundial de 2019, além de mostrar as principais marcas desses atletas.</p><p>https://qrgo.page.link/pQZLh</p><p>Passagem do bastão</p><p>A técnica de corrida empregada nas provas de revezamento, segundo Matthiesen</p><p>(2017), é muito semelhante às utilizadas em corridas de velocidade, até porque</p><p>os atletas que compõem os revezamentos competem individualmente em suas</p><p>respectivas provas. Uma das características que diferenciam os revezamentos</p><p>é a passagem do bastão, que, no revezamento 4 × 100 metros, é uma etapa</p><p>fundamental, por ser uma prova mais curta. Nos 4 × 400 metros, por ser uma</p><p>prova mais longa, a passagem do bastão precisa apenas ser bem executada.</p><p>Assim, podemos dizer que, na prova de 4 × 100 metros, a passagem é não</p><p>visual, pois os atletas não olham para o companheiro para receber o bastão.</p><p>Essa passagem precisa ser bem treinada, e os atletas precisam estar em sintonia.</p><p>A prova é executada em altíssima velocidade, e, no momento da passagem, os</p><p>atletas ficam quase lado a lado na mesma raia. Caso o atleta olhe para trás,</p><p>a chance de sair da raia é muito grande, o que faria com que a equipe fosse</p><p>desqualificada. Portanto, durante a passagem do bastão, o atleta olha para a</p><p>frente e mantém sua corrida em aceleração; quando se aproximar do recebedor,</p><p>deve emitir um sinal sonoro como “já” ou “vai”, para que o recebedor estenda</p><p>o braço para trás e receba o bastão.</p><p>Além disso, no momento da passagem, os atletas precisam estar em uma</p><p>velocidade similar. Por isso, quem vai receber precisa começar a correr antes</p><p>de entrar na zona de passagem, para quando entrar nessa área estar em uma</p><p>velocidade compatível. Assim, os atletas precisam estar bem entrosados,</p><p>para evitar que um dos atletas acelere antes e acabe não sendo alcançado</p><p>pelo companheiro na zona de passagem, tendo que desacelerar, ou que seja</p><p>atropelado pelo companheiro por não ter acelerado a tempo de receber o bastão</p><p>na mesma velocidade, exigindo a desaceleração e acarretando perda de tempo.</p><p>O bastão deve ficar posicionado na mão esquerda ou direita, dependendo</p><p>do percurso, isto é, se o atleta corre na reta ou na curva. Quem corre na curva</p><p>Corridas com barreiras e corridas de revezamento10</p><p>110 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>corre com o bastão na mão direita, para poder ficar na parte interna da raia;</p><p>já quem corre na reta segura o bastão na mão esquerda.</p><p>Os atletas também são posicionados de acordo com o percurso, possuindo</p><p>características diferentes. Veja-as a seguir.</p><p> Primeiro corredor: deve ter uma excelente largada, com boa aceleração,</p><p>além de ser um excelente corredor de curva.</p><p> Segundo corredor: deve ter uma boa habilidade para a passagem do</p><p>bastão e conseguir realizar uma boa corrida lançada.</p><p> Terceiro corredor: deve ter uma boa habilidade para a passagem do</p><p>bastão, realizar uma boa corrida lançada e ser um excelente corredor</p><p>de curva.</p><p> Quarto corredor: deve ter uma boa habilidade para a passagem do bastão</p><p>e, normalmente, é o melhor corredor da equipe.</p><p>Já a passagem visual é aquela em que o atleta olha para o companheiro para</p><p>receber o bastão. Nessa passagem, o atleta fica olhando para o companheiro e,</p><p>quando este se aproxima, o primeiro começa a correr para ganhar velocidade e</p><p>receber o bastão sem ser atropelado pelo companheiro. Assim, essa passagem</p><p>é usada na prova de 4 × 400 metros desde a primeira passagem, mas sendo</p><p>mais útil na segunda e na terceira trocas. Isso porque a segunda e a terceira</p><p>trocas não ocorrem na raia designada, mas livremente na pista; assim, quem</p><p>vai receber precisa ficar olhando, atento à trajetória do seu companheiro e das</p><p>outras equipes, para evitar algum choque entre os corredores.</p><p>Quem fica mais próximo à raia interna da pista acaba tendo vantagem, e</p><p>os atletas acabam se espremendo em direção à raia interna. O que determina</p><p>a ordem de quem fica na raia interna é a passagem dos 200 metros; assim, a</p><p>equipe que passa na frente tem a preferência de ficar na raia interna. Normal-</p><p>mente, a passagem ocorre da mão direita para a mão esquerda, e, ao longo</p><p>do percurso, os atletas passam o bastão da mão esquerda para a direita, para</p><p>poderem entregar na mão esquerda do próximo corredor.</p><p>A passagem pode ocorrer em um movimento ascendente, ou seja, ser</p><p>realizada de baixo para cima — quem recebe posiciona a palma da mão para</p><p>baixo —, ou pode ser em um movimento descendente, ou seja, realizada</p><p>de cima para baixo — quem recebe posiciona a palma da mão para cima</p><p>(Figura 3). Caso o corredor derrube o bastão, aquele que derrubou deve</p><p>juntar e continuar a corrida do ponto onde o bastão caiu.</p><p>11Corridas com barreiras e corridas de revezamento</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas com Barreiras e Corridas de Revezamento | PARTE 3 111</p><p>Figura 3. a) Passagem do bastão de forma ascendente, em que o movimento de quem</p><p>passa o bastão é de baixo para cima, e quem recebe posiciona a mão com a palma da</p><p>mão para baixo. b) Passagem do bastão de forma descendente, em que o movimento de</p><p>quem passa o bastão é de cima para baixo, e quem recebe posiciona a mão com a palma</p><p>da mão para cima.</p><p>Fonte: Alex Kravtsov/Shutterstock.com; wavebreakmedia/Shutterstock.com.</p><p>As provas de revezamentos podem ser praticadas em distâncias não convencionais,</p><p>sendo que as seguintes distâncias possuem recordes mundiais: 4 × 200 metros, 4 × 800</p><p>metros e 4 × 1.500 metros. Existe ainda o recorde para o revezamento de maratona,</p><p>com equipes formadas por seis atletas. Em algumas competições, ocorre também o</p><p>revezamento medley, composto por equipes mistas.</p><p>Desenvolvimento das técnicas específicas</p><p>das corridas de revezamento e barreiras</p><p>A corrida de revezamento permite uma atividade em grupo em uma moda-</p><p>lidade que é majoritariamente individual. Atividades em grupo contribuem</p><p>para a formação ampla da criança, uma vez que ela precisa interagir com os</p><p>outros, o que permite a socialização. Como a equipe depende do desempenho</p><p>dela, a criança assume uma responsabilidade com sua equipe; ou seja, ela</p><p>deve fazer o seu melhor pela equipe. Assim, quando a criança desiste, ela</p><p>não afeta somente ela mesma, mas toda a equipe. Além disso, a motivação</p><p>gerada pelo grupo pode criar um ambiente de aceitação e superação; os</p><p>companheiros podem criar um ambiente acolhedor e motivador, dando,</p><p>assim, segurança para a equipe.</p><p>Corridas com barreiras e corridas de revezamento12</p><p>112 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Dentro da iniciação, as atividades de revezamento podem ser iniciadas</p><p>com corridas de estafetas, em que as crianças percorrem distâncias curtas se</p><p>revezando com outros colegas. O professor pode oferecer objetos como bolas,</p><p>arcos e cordas para a troca entre os companheiros antes da corrida, o que</p><p>estimula a capacidade de manipulação dos objetos. Além disso, pode-se inserir</p><p>variações no percurso, como obstáculos para serem saltados ou contornados,</p><p>desenvolvendo, assim, de forma ampla, as capacidades motoras.</p><p>Como exemplo de progressão didática para a passagem do bastão, segundo</p><p>Barros e Dezem (1990), primeiro inicia-se com os alunos posicionados</p><p>em fila e o bastão sendo passado de trás para a frente com a mesma mão,</p><p>preferencialmente usando a passagem ascendente. Depois, busca-se realizar</p><p>esse movimento andando e, depois, correndo. Após os alunos entenderem</p><p>essa passagem mais simples, podem ser executados pequenos percursos</p><p>realizando a passagem. Como variação, pode-se manter as filas e realizar a</p><p>passagem de trás para a frente: quando o bastão chegar no primeiro aluno</p><p>da fila, este deve correr um determinado percurso, ir para o fim da fila e</p><p>iniciar a passagem novamente,</p><p>para que o próximo aluno corra; isso vai</p><p>acontecendo até todos correrem, e ganha a equipe que fizer a passagem com</p><p>todos os alunos mais rápido.</p><p>Entre as evoluções, pode ser trabalhada a passagem realizando a troca</p><p>de mãos, ou seja, o aluno passa o bastão com a mão direita e recebe com a</p><p>esquerda; então, ele precisa transferir o bastão para a mão direita antes de</p><p>passar. A passagem não visual pode ser trabalhada com as marcações das zonas</p><p>de passagem; nesse caso, o aluno exercitará a percepção espacial ao ter que</p><p>entrar na zona de passagem para poder receber o bastão. Feedbacks visuais</p><p>como cones ou arcos podem ser utilizados para identificar essa área. Como</p><p>pode-se perceber, o trabalho de revezamento apresenta diversas possibilidades</p><p>de desenvolvimento.</p><p>Técnica de passagem da barreira</p><p>Ainda que as corridas de barreiras sejam consideradas provas de velocidade,</p><p>algumas particularidades devem ser levadas em conta. A distância entre</p><p>barreiras e a altura são fatores que podem infl uenciar a técnica. Basica-</p><p>mente, o objetivo é passar pela barreira o mais próximo possível e com a</p><p>máxima velocidade. Dessa forma, podemos separar o movimento entre a</p><p>perna de ataque, que deve estar estendida no momento da passagem, e a</p><p>perna de passagem, que deve estar fl exionada e com a abdução do quadril</p><p>no momento da passagem.</p><p>13Corridas com barreiras e corridas de revezamento</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas com Barreiras e Corridas de Revezamento | PARTE 3 113</p><p>Podemos separar a prova em três etapas:</p><p>1. saída até a primeira barreira;</p><p>2. entre barreiras;</p><p>3. da última barreira até a chegada.</p><p>Na prova de 100 ou 110 metros, após realizar a saída, o atleta deve buscar</p><p>posicionar a perna de ataque, com a qual executa o movimento com maior</p><p>facilidade, para iniciar as passagens. Além disso, devido à proximidade da</p><p>barreira, diferentemente da prova de 100 metros rasos, em que o atleta vai</p><p>assumindo a posição de corrida próximo aos 20 metros, na prova de barreiras,</p><p>ele deve assumir rapidamente a posição ereta, para se preparar para a passagem</p><p>da barreira. Normalmente, executa-se esse percurso com sete a oito passos.</p><p>Já na prova de 400 metros, há uma distância maior até a primeira barreira, e</p><p>o atleta executa em torno de 21 a 24 passos.</p><p>Após a passagem, o atleta mantém o número de passadas entre as barreiras,</p><p>para evitar a troca da perna de ataque. Portanto, a barreira deve ser atacada</p><p>estendendo-se a perna; para que isso ocorra, a impulsão deve ser feita a uma</p><p>distância suficiente para que o atleta consiga estender a perna de ataque mantendo</p><p>a velocidade e o ritmo. É muito comum que iniciantes façam a passagem muito</p><p>próximos à barreira, segundo Barros e Dezem (1990), e, com isso, acabam fazendo</p><p>um movimento de salto sobre a barreira, e não de passagem; assim, seu centro de</p><p>gravidade oscila muito, além de aumentar seu tempo de voo. Por isso, o ideal é</p><p>executar a impulsão para a passagem aproximadamente 6 a 8 pés antes da barreira,</p><p>possibilitando projetar a perna de ataque estendida para realizar a passagem.</p><p>Normalmente, nas provas de 100 e 110 metros, os atletas realizam três</p><p>passos completos — o quarto passo seria a passagem da barreira — ou quatro</p><p>tempos — quatro toques no chão entre cada barreira, o que permite manter</p><p>o ataque sempre com a mesma perna. Para isso, alguns pontos podem ser</p><p>observados, como os a seguir.</p><p> Velocidade anterior à passagem da barreira: se o atleta não mantém a</p><p>velocidade, precisa fazer mais força para passar a barreira, o que pode</p><p>fazer também com que não execute o número de passos corretos e tenha</p><p>que inverter a perna de ataque.</p><p> Eficácia da técnica da passagem: pode fazer com que tenha um de-</p><p>sequilíbrio e perca velocidade, prejudicando as próximas passagens.</p><p> Recuperação após a passagem: deve ser o mais breve possível, para</p><p>voltar a acelerar por meio das passadas.</p><p>Corridas com barreiras e corridas de revezamento14</p><p>114 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Já na prova de 400 metros, a distância entre as barreiras é maior; normal-</p><p>mente, os atletas executam 13 passadas ou 14 tempos mantendo a perna de</p><p>ataque. Porém, devido à fadiga no final da prova, os atletas podem diminuir o</p><p>número de passadas, mudando, assim, a perna de ataque; por isso, é importante</p><p>treinar a passagem com as duas pernas. Além disso, segundo Matthiesen (2017),</p><p>é muito comum esses atletas realizarem o ataque com a perna esquerda, pois</p><p>favorece a corrida em curva.</p><p>Segundo Lope e Benejam (1998), são erros comuns executados durante</p><p>a passagem das barreiras:</p><p> desequilíbrio muito acentuado nas passadas iniciais da corrida — pode</p><p>causar perda de ritmo e velocidade;</p><p> primeiro passo muito curto após a passagem sobre a barreira — pode</p><p>fazer com que tenha que executar um passo a mais, invertendo, assim,</p><p>a perna de ataque;</p><p> fazer o ataque à barreira muito longe — pode ser que caia sobre a</p><p>barreira ou tenha que prolongar a fase aérea;</p><p> fazer o ataque à barreira muito perto — não vai conseguir estender a</p><p>perna de ataque;</p><p> utilização incorreta dos braços — pode descoordenar a corrida;</p><p> flexão prematura do tronco ao nível dos quadris — pode não atingir a</p><p>altura suficiente para passar a barreira;</p><p> desequilíbrio lateral do corpo após a passagem, no momento de tocar</p><p>o solo — pode causar desequilíbrio e sair da raia, além de perder ve-</p><p>locidade e ritmo.</p><p>Após a última barreira, em ambas as provas, o atleta deve se posicionar</p><p>como em uma prova de velocidade, tentando acelerar ao máximo no final da</p><p>prova e projetando o tronco à frente na linha de chegada.</p><p>Técnica de passagem do obstáculo</p><p>A técnica de corrida usada na prova de 3.000 metros é semelhante à usada</p><p>por corredores de meio fundo, segundo Barros e Dezem (1990). Para a</p><p>passagem dos obstáculos, é importante que o atleta seja capaz de executar o</p><p>movimento tanto com a perna esquerda quanto com a direita. A passagem é</p><p>semelhante à dos 400 metros com barreiras — já que os obstáculos possuem</p><p>a mesma altura —, mas com um pouco mais de altura para ter segurança</p><p>de que não vai tocar no obstáculo e, consequentemente, desequilibrar-se ou</p><p>15Corridas com barreiras e corridas de revezamento</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas com Barreiras e Corridas de Revezamento | PARTE 3 115</p><p>acabar caindo. Normalmente, o atleta acelera ao se aproximar do obstáculo,</p><p>para poder passá-lo sem perder velocidade e prejudicar o ritmo da corrida.</p><p>Como o obstáculo é mais pesado e permite o apoio sobre o mesmo, os</p><p>iniciantes acabam apoiando o pé sobre ele para executar a passagem, mas</p><p>isso faz com que percam ritmo na corrida.</p><p>Para a passagem sobre o fosso, normalmente o atleta acelera aproximada-</p><p>mente 15 metros antes e apoia a perna de ataque sobre o obstáculo, lançando</p><p>a perna de passagem para a frente e buscando cair o mais longe possível,</p><p>aterrissando na parte mais rasa do fosso.</p><p>Matthiesen (2017) sugere alguns erros comuns na passagem dos obstáculos:</p><p> perda da velocidade de corrida depois da passagem do obstáculo;</p><p> queda na parte mais funda do fosso;</p><p> dificuldades para atacar o obstáculo.</p><p>De modo geral, devem ser usados exercícios que trabalhem a força e a</p><p>técnica, bem como a percepção da distância de aproximação do obstáculo.</p><p>Iniciação às provas de barreiras e obstáculos</p><p>Para a iniciação à passagem das barreiras e obstáculos, podem ser usadas</p><p>cordas, bastões, arcos ou cones; esses objetos devem ser leves para não ma-</p><p>chucarem ou derrubarem as crianças. É importante desenvolver uma boa</p><p>técnica e, principalmente, o ritmo.</p><p>Para uma boa passagem, a velocidade é importante. Quando se atinge uma</p><p>velocidade e se realiza a impulsão, a inércia faz com que você se mantenha</p><p>em movimento no ar. Portanto, quanto maior é a velocidade, mais fácil é</p><p>ultrapassar alturas.</p><p>Gradativamente, pode-se aumentar a altura dos obstáculos, cuidando</p><p>para que sejam compatíveis com a capacidade da turma, evitando-se aci-</p><p>dentes. Pode-se usar</p><p>obstáculos posicionados em distâncias diferentes, o</p><p>que vai estimular a capacidade de adaptação temporal dos alunos, pois</p><p>terão que ajustar a velocidade e a passada para realizar o salto sobre os</p><p>obstáculos, ora aumentando o número de passos, ora encurtando o número</p><p>de passos.</p><p>Corridas com barreiras e corridas de revezamento16</p><p>116 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>A técnica pode ser trabalhada de forma parcial, trabalhando primeiro a perna</p><p>de passagem e depois a perna de ataque. Para isso, o aluno pode passar com</p><p>a pernas sobre cones posicionados em filas; para tanto, posicionam-se quatro</p><p>cones a uma distância de 8 metros, aproximadamente. O aluno pode caminhar e</p><p>executar o movimento de abdução do quadril e flexão do joelho ao passar sobre</p><p>o cone, posicionando a perna de ataque lateralmente ao cone; em seguida, pode</p><p>fazer isso com um pequeno trote e, depois, com uma corrida mais veloz, tentando</p><p>coordenar o movimento da perna de passagem. Depois, o aluno pode repetir os</p><p>movimentos para a perna de ataque: ele inicia caminhando e, quando se aproxima</p><p>do cone, estende a perna de ataque e passa sobre ele; em seguida, repetem-se os</p><p>movimentos trotando e, depois, correndo. Para finalizar, o aluno faz o movimento</p><p>completo da passagem.</p><p>A passagem sobre o fosso na corrida com obstáculos pode ser desenvolvida</p><p>pedagogicamente usando o banco sueco ou o plinto. Posiciona-se um colchão</p><p>após o plinto, utilizando uma altura mais baixa; o aluno pode vir correndo,</p><p>apoiar a perna de ataque sobre o plinto e lançar a perna de passagem sobre o</p><p>colchão, continuando com o movimento da corrida. Gradativamente, aumenta-</p><p>-se a altura do plinto, e o aluno executa o mesmo movimento.</p><p>Para desenvolver a percepção da fase de voo do salto, podem ser usados</p><p>arcos no chão. Pode-se formar três filas com cinco arcos, aproximadamente;</p><p>em cada fila, posicionam-se os arcos com distâncias diferentes. Na primeira</p><p>fila, pode-se deixar os arcos a cerca de 1 metro de distância um do outro; na</p><p>segunda, a cerca de 1,5 metros, e na terceira, a cerca de 2 metros de distância</p><p>(essas distâncias podem variar de acordo com os alunos). Os alunos devem</p><p>passar tocando com os pés dentro dos arcos. Pode-se iniciar pela primeira</p><p>fila, inicialmente sem corrida, depois com uma pequena corrida e, depois,</p><p>com uma corrida mais veloz; em seguida, passa-se para a próxima fila e se</p><p>repete a tentativa, e assim por diante. Os alunos devem perceber com isso</p><p>que, quando correm com mais velocidade, fica mais fácil saltar a distância</p><p>tocando dentro dos arcos. Assim, os iniciantes percebem a importância de</p><p>manter uma velocidade constante para passar as barreiras, sendo esse um dos</p><p>objetivos da corrida com barreiras.</p><p>Neste capítulo, você estudou sobre as principais características das cor-</p><p>ridas com barreiras e revezamentos, verificando as suas especificidades, as</p><p>possibilidades de iniciação e a sua contribuição na formação das crianças.</p><p>17Corridas com barreiras e corridas de revezamento</p><p>Esportes Individuais: Corridas | UNIDADE 2</p><p>Corridas com Barreiras e Corridas de Revezamento | PARTE 3 117</p><p>3000M Steepleachase. Belarus, [s. l.], 25 jun. 2018. Disponível em: https://www.belarus.</p><p>by/en/press-center/photo/i_16586.html?page=6. Acesso em: 5 jun. 2019.</p><p>BARROS, N.; DEZEM, R. O atletismo. 2. ed. São Paulo: Apoio, 1990.</p><p>CBAT; IAAF. Atletismo: regras oficiais de competição 2016-2017. São Paulo: Phorte Edi-</p><p>tora, 2017.</p><p>IAAF. Disciplines. International Association of Athletics Federations, [s. l.], [2019]. Disponível</p><p>em: https://www.iaaf.org/disciplines. Acesso em: 5 jun. 2019.</p><p>LOPE, M. V.; BENEJAM, J. C. Tratado de atletismo. Madrid: Esteban Sanz Martínez, 1998.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. Fundamentos de educação física no ensino superior atletismo: teoria</p><p>e prática. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.</p><p>Leitura recomendada</p><p>MATTHIESEN, S. Q. Atletismo se aprende na escola. 2. ed. Jundiaí: Fontoura, 2009.</p><p>Corridas com barreiras e corridas de revezamento18</p><p>ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO</p><p>PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.</p><p>PREZADO ESTUDANTE</p><p>Esportes Individuais: Saltos,</p><p>Arremesso e Lançamentos</p><p>Prezado estudante,</p><p>Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com</p><p>cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto</p><p>possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você,</p><p>com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina.</p><p>Objetivo Geral</p><p>Reconhecer as principais técnicas e regras das provas de arremesso, lançamentos e saltos.</p><p>unidade</p><p>3</p><p>V.1 | 2022</p><p>Parte 1</p><p>Saltos Verticais:</p><p>Altura e com Vara</p><p>O conteúdo deste livro</p><p>é disponibilizado</p><p>por SAGAH.</p><p>unidade</p><p>3</p><p>V.1 | 2022</p><p>122 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Saltos verticais:</p><p>em altura e com vara</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Identificar as diferenças entre as modalidades de salto em altura e</p><p>salto com vara.</p><p> Descrever as regras e técnicas utilizadas nas disputas de salto em altura.</p><p> Identificar as regras e técnicas utilizadas nas disputas de salto com vara.</p><p>Introdução</p><p>Os saltos na vertical, em que os atletas buscam atingir a maior altura</p><p>possível, fazem parte das provas de atletismo e, em competições oficiais,</p><p>são denominados salto em altura e salto com vara. Apesar da técnica</p><p>extremamente apurada e precisa, esses movimentos partem da incor-</p><p>poração e especialização da habilidade básica de saltar.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar o processo evolutivo das provas</p><p>de saltos no atletismo, verificando desde a sua prática nos jogos da</p><p>Antiguidade até a sua inserção em práticas cotidianas. Você vai analisar</p><p>as mudanças na ação motora, nas regras e na forma de aprendizagem</p><p>e treinamento dos saltos verticais, com o intuito de ampliar seu conhe-</p><p>cimento sobre a modalidade e o seu histórico. O objetivo é conduzi-lo</p><p>a uma compreensão da prática de saltos verticais em diferentes níveis</p><p>(escolar ou de treinamento) e espaços (competitivos ou de participação).</p><p>História dos saltos em altura e com vara</p><p>Os saltos em altura e com vara surgiram na Antiguidade como forma de prepara-</p><p>ção atlética, com o intuito de eleger e preparar os indivíduos mais fortes e ágeis.</p><p>Desde aquela época os homens já saltavam grandes alturas, para comprovar o seu</p><p>desempenho e demonstrar o seu corpo saudável. A utilização de implementos</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Verticais: Altura e com Vara | PARTE 1 123</p><p>para a realização desses saltos também é registrada, estando a natureza inserida</p><p>nessas práticas, como na execução de saltos por cima de troncos de árvores,</p><p>grandes pedras, entre outros materiais.</p><p>O salto em altura é uma prática rotineira e uma habilidade básica desenvolvida</p><p>com naturalidade. A evolução desse movimento, até a constituição de uma técnica</p><p>esportiva, abrangeu a impulsão do salto com os dois pés, buscando-se atingir uma</p><p>grande altura. Passou-se a executar técnicas com elevação e trocas de pernas e</p><p>saltos com um ou dois pés, utilizando-se a complexidade do movimento do tronco,</p><p>dos braços e das pernas para ampliar o movimento de impulsão e atingir grandes</p><p>alturas. Dentre as técnicas mais utilizadas hoje para a realização do salto em</p><p>altura, estão as técnicas do salto tesoura, do rolo ventral e do estilo Fosbury flop.</p><p>Segundo Jonath, Haag e Krempel (1981), o salto tesoura (Figura 1) passou</p><p>a ser utilizado por um atleta em competições no ano de 1898, quando ele ultra-</p><p>passou o sarrafo em uma posição sentada, com a elevação e a alternância das</p><p>pernas no momento da passagem por cima da barra. No decorrer dos anos, foram</p><p>surgindo variações dessa mesma forma de saltar, como a colocação diferenciada</p><p>do tronco e dos braços durante o movimento.</p><p>Figura 1. Salto tesoura.</p><p>Fonte: Freitas (2009, documento on-line).</p><p>Jonath, Haag e Krempel (1981) ainda destacam que, no ano de 1936, passou a</p><p>ser executado um salto em que o atleta, a partir da corrida, faz a ultrapassagem</p><p>do sarrafo com o corpo na posição de decúbito ventral. Esse estilo de saltar foi</p><p>denominado rolamento ventral (Figura 2). Entre os anos de 1936 e 1960, essa</p><p>passou a ser a forma de saltar mais utilizada entre os atletas de elite, pois permitia</p><p>que a impulsão realizada ganhasse potência quando o tronco era estendido em</p><p>uma posição quase totalmente horizontal durante a passagem pela barra.</p><p>Saltos verticais: em altura e com vara2</p><p>124 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Figura 2. Salto rolamento ventral.</p><p>Fonte: Freitas (2009, documento on-line).</p><p>Foi nos Jogos Olímpicos do México, em 1968, que o estilo flop passou a</p><p>ser conhecido. Conforme conta Jonath, Haag e Krempel (1981), esse estilo foi</p><p>criado a partir de um erro na execução do salto em tesoura. O atleta norte-</p><p>-americano Richard (Dick) Fosbury costumava ter muito sucesso em suas</p><p>tentativas de saltar em tesoura, inclusive tendo melhor performance do que</p><p>quando se utilizava do estilo rolamento ventral. Como sua equipe necessitava</p><p>de uma boa pontuação, o treinador e o atleta optaram pelo uso do salto tesoura.</p><p>Porém, durante uma das tentativas, um deslizamento da perna de impulsão</p><p>fez com que o atleta mudasse o movimento do corpo, com um resultado</p><p>surpreendente. Silva e Silva (2013, documento on-line) descrevem o seguinte:</p><p>Na tentativa de saltar uma altura que quebraria o seu recorde pessoal, o rapaz</p><p>ao fazer a corrida de aproximação muito mais rápida do que o normal perdeu</p><p>um pouco do equilíbrio para impulsão. Seu pé de impulsão deslizou um pouco</p><p>e, para não bater no sarrafo, ele fez um giro no ar e acabou passando de costas</p><p>de uma forma um tanto desengonçada para quem assistia. Ali começava a</p><p>nascer o flop ou o Fosbury flop como foi inicialmente chamado esse salto em</p><p>homenagem ao rapaz que o “inventou”, Richard (Dick) Fosbury (1947), que</p><p>viria a se sagrar campeão olímpico do salto em altura, no México, em 1968.</p><p>É possível perceber que o estilo Fosbury flop surgiu em decorrência da</p><p>liberdade com que o atleta executava suas tentativas. No salto em altura, sem-</p><p>pre se buscou garantir um melhor resultado por meio da forma de colocação</p><p>do corpo no movimento, conduzindo, assim, ao aperfeiçoamento dos estilos</p><p>3Saltos verticais: em altura e com vara</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Verticais: Altura e com Vara | PARTE 1 125</p><p>de salto. O movimento do salto passou por transformações, alcançando-se</p><p>técnicas que refinaram a prática dessa modalidade e a colocaram em um</p><p>patamar de eficiência e qualidade. Essas transições e alterações na forma de</p><p>execução fizeram com que, entre as competições de 1968 e 1978, os atletas</p><p>se utilizassem tanto do rolamento ventral como do flop.</p><p>Já a história do salto com vara pode ser contada a partir de uma imagem</p><p>que registra um salto com vara sobre cavalos na Grécia Antiga, apresentada</p><p>na Figura 3. Ainda sem uma inspiração esportiva, o uso das varas ou cajados</p><p>foi identificado em diferentes situações históricas, em ações do cotidiano</p><p>na Antiguidade. Existem também registros do uso de varas por soldados,</p><p>para a transposição de obstáculos, quando havia a necessidade de corridas e</p><p>perseguições, conforme leciona Freitas (2009).</p><p>Figura 3. Salto com vara sobre cavalos.</p><p>Fonte: Freitas (2009, documento on-line).</p><p>De certo modo, o salto com vara, na Europa, manifestou-se de forma efetiva</p><p>com o surgimento dos métodos ginásticos, em meados do século XVIII e até</p><p>o fim do século XIX, idealizados por Johann Basedow e Johann Guts Muths.</p><p>Segundo Freitas (2009), Muths é reconhecido como o pai do salto com vara, já</p><p>que, em Ginástica para a juventude, há uma seção específica para a execução</p><p>de saltos com varas.</p><p>A partir dessa abordagem dos métodos ginásticos, as práticas de saltar com</p><p>a utilização das varas se propagaram e passaram a ser executadas em eventos</p><p>esportivos. Conforme registros, os movimentos eram realizados a partir do</p><p>escalar de varas, ou, ainda, com o impulso feito com a vara, seguido do ato</p><p>Saltos verticais: em altura e com vara4</p><p>126 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>de se jogar livremente por cima do sarrafo; executava-se também a ultrapas-</p><p>sagem do sarrafo por meio de um giro sagital do corpo. Contudo, a escalada</p><p>do implemento passou a ser proibida, e as variações de ultrapassagem pelo</p><p>sarrafo começaram a contar com técnicas mais específicas e eficientes. Um</p><p>exemplo é a realização dessa passagem em decúbito dorsal.</p><p>Entretanto, no salto com vara, o que mais impactou a forma de executar os</p><p>movimentos foram as transformações no uso dos implementos. As primeiras</p><p>varas empregadas nas competições modernas eram de madeira e, por isso,</p><p>eram pesadas, influenciando a empunhadura e a corrida de aproximação.</p><p>Nessa mesma época, segundo Doherty (1972), as varas de madeira dos atletas</p><p>ingleses tinham nas extremidades inferiores um tripé de ferro, que tinha por</p><p>finalidade firmar o encaixe no solo.</p><p>Porém, na edição dos Jogos Olímpicos de Paris de 1900, as varas utilizadas</p><p>por alguns atletas já eram de bambu. A história descrita no site da Confede-</p><p>ração Brasileira de Atletismo (CBAt) sobre o salto com varas afirma que, na</p><p>denominada “era dos bambus”, o atleta americano Cornelius Warmerdam</p><p>estabeleceu o recorde mundial no ano 1942, ao saltar 4,77 metros. Destaca-se</p><p>que, com esse tipo de implemento, esse recorde mundial nunca mais foi batido</p><p>(CBAT, [20--]). Atualmente, as varas são fabricadas com um composto de</p><p>fibra de vidro ou fibra de carbono.</p><p>O encaixe para as varas foi um dos equipamentos de competição que marcou</p><p>efetivamente a evolução dos saltos na primeira metade do século XX. Como as</p><p>varas escorregavam nos terrenos de execução dos saltos, causando acidentes,</p><p>foi inventado o encaixe, que consiste em uma caixa na qual a vara é cravada,</p><p>substituindo os antigos ponteiros, conforme leciona Freitas (2009). Os encaixes</p><p>evoluíram de simples buracos feitos no chão, passando por caixas feitas de</p><p>madeira, até chegar, finalmente, às atuais caixas metálicas com formato em</p><p>“V”, conforme leciona Doherty (1972).</p><p>No link a seguir, você tem acesso à dissertação de mestrado “Evidências tecnológicas</p><p>no universo do atletismo: uma análise dos materiais e equipamentos esportivos”, que</p><p>faz uma contextualização sobre as significativas mudanças dos implementos para a</p><p>realização dos saltos com vara.</p><p>https://qrgo.page.link/gNHix</p><p>5Saltos verticais: em altura e com vara</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Verticais: Altura e com Vara | PARTE 1 127</p><p>No complexo processo de evolução dos movimentos dos saltos verticais,</p><p>estão presentes as mudanças de regras e implementos. Contudo, não se pode</p><p>desconsiderar nesse processo a qualificação das formas de treinamento, que</p><p>abrangem as técnicas e a preparação do atleta como um todo.</p><p>Técnicas de execução e regras específicas</p><p>dos saltos em altura</p><p>Na execução do salto em altura, as técnicas que atualmente são mais utilizadas</p><p>são os estilos tesoura, rolo ventral e fl op. Independentemente da técnica de</p><p>saltar propriamente dita, a técnica de base dos saltos em altura se organiza</p><p>da seguinte forma:</p><p>1. preparação;</p><p>2. corrida de aproximação;</p><p>3. salto, que se estabelece na impulsão;</p><p>4. elevação e transposição;</p><p>5. queda.</p><p>O estilo tesoura, segundo Matthiesen (2017), é o estilo que tem maior faci-</p><p>lidade para a aprendizagem e, de certa forma, é utilizado como um processo</p><p>educativo para o estilo flop. Contudo, o uso do salto tesoura limita a aquisição</p><p>de grandes alturas, pela fragilidade de seu processo de impulsão.</p><p>Nesse estilo, a corrida se dá em uma velocidade adequada para estimular</p><p>a impulsão, que é realizada pela perna externa em relação à posição lateral,</p><p>com base no sarrafo. Assim, dependendo de como será estabelecida a melhor</p><p>perna</p><p>para essa impulsão, a corrida será iniciada pelo lado esquerdo ou pelo</p><p>lado direito. A perna que vai ser chutada para cima é aquela que está mais</p><p>próxima ao sarrafo, iniciando, assim, o movimento de troca de pernas.</p><p>Como a perna de impulsão terá uma ligeira flexão, o centro de gravidade</p><p>estará baixo. Porém, pelo movimento de extensão dessa mesma perna, o</p><p>corpo é projetado para cima, e, ao mesmo tempo, acontece o lançamento da</p><p>perna para cima, quase já ultrapassando o sarrafo. O braço sempre auxiliará</p><p>o movimento. Quando o sarrafo for ultrapassado, a primeira perna que foi</p><p>Saltos verticais: em altura e com vara6</p><p>128 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>elevada começa a realizar o movimento contrário, aproximando-se do solo;</p><p>de forma alternada, a perna que fez a impulsão é elevada estendida, dando</p><p>finalização à transposição total da barra.</p><p>A queda é geralmente realizada em pé, pois, na maioria das vezes, o salto</p><p>é executado em locais sem o uso de colchões. Quando no local houver caixa</p><p>de areia ou colchões, é possível que a retomada ao solo seja feita na posição</p><p>sentada. A Figura 4 representa a técnica do salto tesoura.</p><p>Figura 4. Salto tesoura.</p><p>Fonte: Manual... ([20--?], documento on-line).</p><p>Já no estilo rolo ventral, a corrida vai acontecer pelo lado contrário do estilo</p><p>tesoura; isto é, a perna de impulsão será aquela que estiver mais próxima ao</p><p>sarrafo, e a corrida se inicia por esse mesmo lado. Assim, a perna com que</p><p>será realizado o chute é aquela que se posiciona mais distante do sarrafo.</p><p>Ao iniciar o salto, há uma flexão com rápida extensão da perna de impulso.</p><p>Nesse momento, a perna do chute tem certo atraso com relação ao movimento.</p><p>Quando os braços se impulsionam para cima da cabeça, a perna do chute é</p><p>impulsionada também para cima. O tronco, que está no prolongamento do</p><p>movimento corporal, mantém-se em decúbito ventral, realizando um giro</p><p>longitudinal em relação à barra.</p><p>Nesse estilo, o amortecimento da queda é necessário; por isso, o uso</p><p>do colchão é sempre recomendado. A movimentação completa do corpo</p><p>faz com que o atleta caia de frente ou de costas, dependendo de como</p><p>7Saltos verticais: em altura e com vara</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Verticais: Altura e com Vara | PARTE 1 129</p><p>o corpo ultrapassou o sarrafo. A Figura 5 representa a técnica do salto</p><p>rolo ventral.</p><p>Figura 5. Rolo ventral.</p><p>Fonte: Vidigal (2012, documento on-line).</p><p>Por fim, no estilo Fosbury flop, conhecido como flop, a corrida é mais</p><p>veloz do que nos outros estilos, realizando-se uma curva ao final da fase de</p><p>aproximação. Esse deslocamento provoca uma inclinação do tronco para dentro</p><p>nessa fase. A entrada para o salto se dá paralelamente ao sarrafo, e o impulso</p><p>é realizado com a perna externa, “[...] ao mesmo tempo em que realiza um</p><p>giro no momento da elevação. A transposição do sarrafo que virá a seguir é</p><p>decorrência de um arco pronunciado de costas que favorecerá o ‘chute’ das</p><p>pernas para cima”, conforme descreve Matthiesen (2017, p. 119).</p><p>O joelho da perna do chute deve permanecer alto nessa fase que an-</p><p>tecede a transposição. O arco que será executado faz com que os braços</p><p>e a cabeça estejam posicionados para trás. Na aproximação do colchão,</p><p>que acontece com as costas, o arco vai se desfazendo, mas é importante</p><p>ter cuidado para que o sarrafo não caia. A Figura 6 representa a técnica</p><p>do salto Fosbury f lop.</p><p>Saltos verticais: em altura e com vara8</p><p>130 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Figura 6. Fosbury flop.</p><p>Fonte: Manual... ([20--?], documento on-line).</p><p>Sobre as regras básicas dessa prova, o salto deve ser realizado utilizando-</p><p>-se da impulsão de um pé. Serão autorizadas três tentativas, e um salto é</p><p>considerado falho quando, após o salto, a barra não permanecer nos suportes,</p><p>devido à ação do atleta enquanto salta (CBAT; IAAF, 2018).</p><p>A escolha da altura em que as tentativas serão iniciadas é estabelecida de</p><p>forma livre pelo saltador, mas o sarrafo não poderá ser elevado menos de 2</p><p>cm. Ainda sobre as falhas, caso uma falha aconteça na primeira tentativa, o</p><p>atleta pode optar por não realizar o segundo e o terceiro saltos e passar para</p><p>o salto na altura subsequente.</p><p>Aprendizagem dos saltos em altura</p><p>Como o salto em altura é realizado a partir de uma corrida de aproxima-</p><p>ção, cabe a realização de exercícios que favoreçam essa movimentação. Por</p><p>exemplo, iniciar uma corrida defi nida por cordas estendidas no chão, ou subir</p><p>em um plinto, saltar por cima de um obstáculo (que pode ser uma caixa de</p><p>papelão) e cair no colchão. Esse tipo de atividade, que pode ter variação</p><p>nos materiais, na altura e na velocidade da corrida, também favorece o</p><p>entendimento e o controle sobre a escolha da melhor perna para realizar o</p><p>impulso em cada estilo.</p><p>A definição da perna de impulsão também é um fator importante no pro-</p><p>cesso de aprendizagem. A utilização de ambas as pernas deve ser estimulada;</p><p>porém, chegará o momento em que o aluno precisará identificar em qual das</p><p>9Saltos verticais: em altura e com vara</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Verticais: Altura e com Vara | PARTE 1 131</p><p>pernas o movimento de impulsão se torna mais confortável e fácil, indicando</p><p>o lado do corpo em que o movimento será executado com mais proficiência,</p><p>atingindo melhores resultados.</p><p>Nessas situações, algumas ações podem ser propostas, como o uso de arcos</p><p>espalhados pelo chão, definindo passadas. O aluno deve colocar um pé dentro</p><p>de cada arco até se aproximar do sarrafo. Os arcos podem ser substituídos por</p><p>círculos desenhados no chão ou, até mesmo, espaços delimitados por cordas ou</p><p>cones. De forma alternada, também se pode executar o movimento de saltar,</p><p>para que o aluno vá compreendendo e percebendo a movimentação corporal</p><p>quando o salto é estimulado por uma corrida e quando ele é executado a partir</p><p>da posição estática.</p><p>Atividade para exercitar o salto em altura flop:</p><p>Coloque vários colchões ou colchonetes amontoados um em cima do outro. Peça</p><p>para o aluno correr e saltar por algum obstáculo, caindo livremente por cima dos</p><p>colchões. O foco das aprendizagens está na forma de cair. Então, a progressão da</p><p>atividade acontece quando se solicita ao aluno que ele mude a posição do corpo ao</p><p>cair nos colchões. É possível aumentar a altura do obstáculo e usar trampolins (mini</p><p>jump) para a realização do salto — essas variações vão criando outros cenários para</p><p>a queda. A queda de costas será estimulada depois que o aluno não apresentar mais</p><p>receio em saltar e cair. Nesse momento, pode ser inserida uma corda ou, até mesmo,</p><p>um sarrafo para a execução do salto propriamente dito.</p><p>De certo modo, o salto em distância se torna mais próximo dos alunos</p><p>iniciantes, pois é realizado em diferentes brincadeiras infantis, como pular</p><p>elástico, amarelinha ou sapata, ou ainda “pular a cobra”, atividade em que a</p><p>corda é segurada pelas extremidades e mexida de forma alternada para que o</p><p>aluno salte por cima. Essa aproximação faz com que os alunos executem com</p><p>mais facilidade as técnicas básicas do movimento.</p><p>Saltos verticais: em altura e com vara10</p><p>132 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Técnicas de execução e regras específicas</p><p>do salto com vara</p><p>Independentemente do implemento utilizado (ofi cial ou adaptado), as etapas</p><p>do salto com vara são compostas por:</p><p>1. empunhadura;</p><p>2. corrida;</p><p>3. preparação para o encaixe;</p><p>4. salto, marcado por impulsão;</p><p>5. elevação, giro e transposição;</p><p>6. queda.</p><p>É comum o uso das varas de bambu em espaços de aprendizagem e iniciação</p><p>a essa prova. Sobre a empunhadura, é aconselhável que a vara seja mantida na</p><p>posição vertical, com uma pequena elevação na ponta; isto é, a ponta da vara</p><p>deve estar direcionada para cima. Segundo Matthiesen (2017), é importante</p><p>que o braço que segura o implemento esteja realizando uma flexão de 90°,</p><p>com a palma da mão voltada para cima. Já o outro braço também estará em</p><p>posição de flexão de 90°, auxiliando o movimento.</p><p>A corrida se dará com uma velocidade progressiva, sendo que, inicial-</p><p>mente, a vara estará posicionada do lado contrário da perna de impulsão. Ela</p><p>vai sendo baixada até o momento do encaixe. Há indicação de que a corrida</p><p>deve ter de 8 a 12 passadas, e a preparação do encaixe vai ocorrer durante a</p><p>realização das três últimas.</p><p>Na execução do salto em si, quando há o encaixe, o impulso acontece com</p><p>a perna correspondente à mão que está segurando a vara à frente; a outra perna</p><p>estará semiflexionada, fazendo uma projeção do joelho no início da elevação</p><p>das pernas e do quadril. Os movimentos posteriores a esse momento são:</p><p>inversão do corpo (pernas estendidas para cima), gerando uma “verticalização</p><p>invertida”, um giro de 180º e a transposição do sarrafo.</p><p>Depois, a vara será empurrada para a frente, para que ela caia sem que</p><p>possa comprometer a finalização do salto. O atleta realiza a queda em cima</p><p>de colchões, que se tornam obrigatórios pela altura que o corpo atinge no voo,</p><p>consequentemente exigindo cuidado na queda.</p><p>11Saltos verticais: em altura e com vara</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Verticais: Altura e com Vara | PARTE 1 133</p><p>Como o salto com vara ainda é uma prova pouco praticada, devido a todas</p><p>as exigências de uso do implemento e à dificuldade de execução, ela também</p><p>é pouco disseminada no contexto escolar, e sua forma de execução passa a</p><p>ser evitada. Isso faz com que, na iniciação, vários erros sejam cometidos,</p><p>pela falta de experiência e vivências nesses movimentos por parte dos alunos.</p><p>Por isso, é preciso que, no momento da aprendizagem, sejam evitados alguns</p><p>erros comuns dessa prova, conforme mostra o Quadro 1 a seguir, organizado</p><p>por Matthiesen (2017).</p><p>Fonte: Adaptado de Matthiesen (2017).</p><p>Erros Correções</p><p>Inversão da perna de</p><p>impulsão no mo-</p><p>mento do encaixe</p><p>Repetir a corrida de aproximação, realizando, se for</p><p>o caso, uma marca de controle para a orientação do</p><p>saltador</p><p>Dificuldade no mo-</p><p>mento da elevação</p><p>das pernas e do giro</p><p>Realizar o movimento no solo ou com o auxílio de</p><p>cordas suspensas, que facilitem o movimento de</p><p>“verticalização invertida”</p><p>Diminuição da veloci-</p><p>dade no momento do</p><p>encaixe</p><p>A velocidade da corrida de aproximação deverá ser</p><p>transferida para a verticalização do salto; o saltador</p><p>deverá realizar diferentes repetições, a fim de conquis-</p><p>tar uma harmonia entre esses movimentos</p><p>Alternância das mãos Realizar exercícios de empunhadura com e sem a</p><p>corrida, combinados com exercícios que antecedem o</p><p>encaixe e a elevação</p><p>Quadro 1. Erros mais comuns no salto com vara</p><p>Para a realização da prova, as regras definem que cada saltador poderá</p><p>executar três tentativas para ultrapassar o sarrafo em uma altura. Caso ele</p><p>não consiga, estará eliminado da competição. Sobre essa questão, o Livro de</p><p>Regras (2018/2019) indica que:</p><p>Um atleta informará ao árbitro responsável, antes do início da prova, a posição</p><p>que deseja para a barra na sua primeira tentativa e essa posição será registra-</p><p>da. Se posteriormente o atleta quiser fazer quaisquer alterações, ele deverá</p><p>informar imediatamente ao árbitro responsável antes de a barra ter sido fixada</p><p>de acordo com seu pedido inicial (CBAT; IAAF, 2018, documento on-line).</p><p>Saltos verticais: em altura e com vara12</p><p>134 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Quando o sarrafo for derrubado por qualquer parte do corpo ou não per-</p><p>manecer na posição, a tentativa será considerada falha. Essa regra é básica</p><p>para que o atleta sempre esteja focado em como realizar seu movimento, pois</p><p>qualquer descuido, mesmo que seja após a transposição do sarrafo, pode causar</p><p>contato com a vara, e essa ação leva à realização de um salto falho.</p><p>Sobre as varas, as regras registram que elas podem ser feitas de qualquer</p><p>material, de qualquer comprimento ou diâmetro; contudo, a superfície deve</p><p>ser lisa. Não é permitido que um atleta use a vara de outro atleta sem o</p><p>consentimento deste; por isso, cada atleta deve se apresentar com sua própria</p><p>vara na área de competição.</p><p>Sobre essa utilização, é possível relembrar um fato ocorrido com a atleta</p><p>brasileira Fabiana Murer na Olimpíada de Pequim, em 2008, quando uma</p><p>de suas varas sumiu durante a competição, e ela teve que executar o salto</p><p>com outra de suas varas. Nessa competição, ela acabou não conquistando</p><p>nenhuma medalha.</p><p>Acesse o link a seguir e assista a reportagens sobre o ocorrido com Fabiana Murer,</p><p>atleta do salto com vara representante da Seleção Brasileira.</p><p>https://qrgo.page.link/ELrPH</p><p>Ainda sobre o salto com vara nas competições oficiais, é preciso relem-</p><p>brar a conquista olímpica do atleta brasileiro Tiago Braz, que se consagrou</p><p>campeão nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, saltando a altura</p><p>de 6,03 m. Nessa final, o atleta saltou pela primeira vez essa altura, em toda</p><p>sua carreira; como em uma tentativa única de superar um atleta francês, o</p><p>brasileiro superou seus limites e buscou com determinação o ouro olímpico.</p><p>Sempre é importante que os professores e treinadores conheçam as infor-</p><p>mações, a história e os recordes de atletas brasileiros, principalmente porque</p><p>são esses fatos que darão significado às aprendizagens, gerando interesse e</p><p>motivação em contextos escolares ou na iniciação esportiva. É preciso que</p><p>o professor compreenda todos os aspectos e conceitos da modalidade, pois</p><p>cabe a ele repassar essas informações, bem como usá-las nos processos de</p><p>ensino e aprendizagem.</p><p>13Saltos verticais: em altura e com vara</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Verticais: Altura e com Vara | PARTE 1 135</p><p>Aprendizagem dos saltos com vara</p><p>Na aprendizagem desses saltos, é importante que a segurança seja um fator</p><p>determinante na escolha das estratégias. É comum que, para atingir alturas</p><p>maiores, os saltos, na fase da iniciação, sejam realizados de tal forma que</p><p>não haja, pelo aluno, uma preocupação com a queda. De qualquer modo, nas</p><p>técnicas de execução, geralmente a retomada do contato com o solo vai ser</p><p>realizada com as costas ou em queda livre. Isto é, deve-se ensinar o aluno a</p><p>cair; o movimento da queda vai estar diretamente relacionado com a posição</p><p>do corpo no momento de transposição do sarrafo.</p><p>Uma sugestão é que, antes mesmo de se iniciar as aprendizagens do salto</p><p>propriamente dito, o aluno iniciante seja estimulado a saltar de diferentes</p><p>formas, em alturas mais elevadas, para que a queda na área protegida (pre-</p><p>ferencialmente com colchões) faça com que o medo ou o receio com a queda</p><p>sejam eliminados. O entendimento de que o movimento não causará nenhum</p><p>acidente ou dor promove o entendimento de que o interessante na execução é</p><p>a superação de limites, ou seja, o desafio de saltar mais alto.</p><p>Contudo, para a realização do salto com vara, é preciso que haja uma fa-</p><p>miliarização com o implemento, que, nessa fase de aprendizagem, geralmente</p><p>são varas de bambu. Nesse processo, o movimento deve ser realizado com</p><p>o intuito de entender a empunhadura da vara e como é feito o seu contato</p><p>com o solo. Para essa conscientização, deve-se sempre marcar o local em</p><p>que a vara vai tocar o solo, seja com desenhos no chão, cones ou argolas; se</p><p>for executado na grama, deve-se fazer pequenos buracos, em que a ponta do</p><p>bambu possa ser encaixada.</p><p>O encaixe da vara no solo, durante a realização do salto, é o ponto mais complicado de</p><p>ser ensinado para o aluno. De certo modo, é preciso que o implemento (seja o oficial</p><p>ou o alternativo) seja posicionado firmemente no solo, para que a vara possa gerar</p><p>a impulsão necessária para a ultrapassagem do sarrafo. Caso o local de treinamento</p><p>não tenha o encaixe oficial da vara, este deve ser feito com um pequeno buraco no</p><p>solo de areia ou grama; ainda, pode ser feito em uma caixa de cimento fixada ao chão.</p><p>Essa preocupação também é prioritária para a segurança dos alunos durante esses</p><p>movimentos, uma vez que, sem o encaixe, há probabilidade</p><p>dos praticantes.</p><p>5Prática docente nos esportes individuais</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Prática Docente nos Esportes Individuais | PARTE 1 15</p><p>O ensino dessa modalidade pode ocorrer tanto no âmbito educacional</p><p>quanto esportivo. Na primeira modalidade, os exercícios são mais formativos,</p><p>com o objetivo de que todos pratiquem com a aula desenvolvida no período</p><p>de educação física como preparação corpórea, sem exigir um alto padrão</p><p>técnico no movimento (VANCINI et al., 2015). No caso da ginástica para</p><p>fins esportivos, os exercícios buscam o caráter competitivo a partir de atletas</p><p>devidamente selecionados com as aulas, visando a treinos específicos para</p><p>cada modalidade conforme as regras que exigem o movimento perfeito.</p><p>Sobre a metodologia de ensino, Nista-Picollo (2004, p. 32) sugere a partir</p><p>do método desenvolvimentista:</p><p>A GA é composta por elementos considerados fundamentais para o desenvolvi-</p><p>mento motor do ser humano, tais como o rolar, o equilibrar-se, o saltar, o girar,</p><p>entre muitos outros. Aprender a executá-los, combinando-os em sequência de</p><p>movimentos, facilita o aprimoramento das capacidades físicas mais complexas</p><p>e amplia as possibilidades de desempenho de habilidades motoras.</p><p>O autor ainda aponta que o professor deve se atentar ao que o aluno já</p><p>conhece sobre o movimento, saber o que ele faz com maior facilidade, o seu</p><p>nível de motivação para realizar a tarefa, proporcionar um ambiente favorável</p><p>e conhecer os métodos facilitadores para o ensino da aprendizagem técnica,</p><p>podendo fazer uso do lúdico (NISTA-PICOLLO, 2004). Também é importante</p><p>que, após aprender um movimento, o aluno consiga associá-lo a um novo.</p><p>Vancini et al. (2015) sugerem que os padrões básicos de movimento são</p><p>excelentes formas de ensinar a ginástica artística, pois promovem o desen-</p><p>volvimento de habilidades para as demais práticas motoras, no esporte e no</p><p>cotidiano, estimulando o domínio do próprio corpo. Por esse método, o con-</p><p>teúdo se divide em aterrisagens, deslocamentos, saltos e balanços. Os autores</p><p>sugerem que as atividades com maior grau de dificuldade sejam ensinadas por</p><p>partes, por questões de segurança, incentivando o aluno para que ele tenha</p><p>uma preparação psicológica para realizar a tarefa.</p><p>O atletismo compreende uma modalidade que, durante o ensino-aprendi-</p><p>zagem, precisa ser adequada pelo professor, pois são raras as pistas para sua</p><p>realização no Brasil, o que não deve, entretanto, desestimular a sua prática.</p><p>Entre as possibilidades de metodologia para o ensino do atletismo, Mat-</p><p>thiesen (2005) apresenta a proposta da divisão por provas, em que o professor</p><p>começaria pelas corridas rasas, meio fundo e fundo, seguindo com as barreiras,</p><p>os saltos (distância, triplo, vara e altura), os lançamentos (dardo, martelo e</p><p>disco) e o arremesso de peso.</p><p>Prática docente nos esportes individuais6</p><p>16 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Cabe lembrar, que, embora a maioria de suas provas seja individual, o atletismo também</p><p>abrange uma prova coletiva: as corridas de revezamento, nas quais cada atleta corre</p><p>determinado trecho da prova e entrega o bastão para que o colega siga na competição.</p><p>Matthiesen (2005) afirma que o professor de educação física também</p><p>pode trabalhar a partir de atividades recreativas, a partir do conhecimento</p><p>geral sobre as habilidades motoras e o conhecimento específico das provas</p><p>oficiais. Em consonância com a idade dos estudantes, Pierre e Huber (2013)</p><p>apontam que o atletismo deve ser trabalhado dentro da escola de maneira lúdica</p><p>fazendo com que as crianças conheçam e adquiram gosto pela modalidade,</p><p>que contribuirá para a aquisição de gestos e habilidades motoras fundamentais</p><p>para o desenvolvimento das crianças.</p><p>Oliveira (2006) sugere que uma das formas de ensinar o atletismo desde as</p><p>séries iniciais se dá pelo uso do jogo adaptado, que promove a compreensão do</p><p>esporte, com a possibilidade de adaptar materiais, modificar regras, reduzir a</p><p>distância, diminuir alturas, variar pesos e usar brincadeiras, a fim de permitir</p><p>a realização do atletismo por todas as faixas etárias.</p><p>A autora ainda sugere que caso o professor, caso não disponha dos materiais</p><p>necessários, construa materiais alternativos, com produtos recicláveis e da</p><p>natureza como matéria-prima: dardos podem ser feitos a partir de cabos de</p><p>vassoura; blocos de partida a partir de tocos de madeira; o peso de bolas de</p><p>areia; os discos com tampas de panela; os saltos podem ser feitos em colchões;</p><p>etc. Cabe ressaltar que o atletismo pode ser trabalhado a partir de brincadeiras,</p><p>como estafeta, pega-pega e histórias que estimulem os alunos a saltar e lançar.</p><p>A seguir, analisaremos o esporte individual e seu papel na cultura corporal</p><p>de movimento.</p><p>Esportes individuais e a cultura corporal</p><p>de movimento</p><p>Neste último tópico, abordaremos o papel dos esportes individuais na inves-</p><p>tigação da cultura corporal do movimento, contudo cabe ressaltar que muitas</p><p>vezes esses esportes ganham espaço menor nas aulas de educação física pelo</p><p>7Prática docente nos esportes individuais</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Prática Docente nos Esportes Individuais | PARTE 1 17</p><p>fato de envolverem menos participantes, o que não deve desencorajar o seu</p><p>ensino, pois promoverão benefícios importantes aos praticantes.</p><p>Segundo Betti e Zuliani (2002), as aulas de educação física devem oferecer</p><p>conteúdos e organizar estratégias que permitam a participação de todos os</p><p>alunos, já que, diferentemente do esporte profissional, seu objetivo consiste</p><p>em fazer com que os alunos desenvolvam todas as suas potencialidades.</p><p>Esses conteúdos devem ter relação com a cultura corporal do movimento:</p><p>A cultura corporal enquanto fenômeno educativo vai relacionar os valores e</p><p>finalidades que se visualizam na Educação Física, onde os objetivos dela se</p><p>orientarão não diretamente para o corpo, mas indiretamente, por meio da ação</p><p>sobre a personalidade (os motivos, as atitudes, o comportamento, intelecto,</p><p>vontade e emoção). Assim formaremos cidadãos mais críticos que vão usufruir,</p><p>partilhar, produzir, reproduzir e transformar as formas culturais da atividade</p><p>física (ALEXANDRE; KOFAHL; SANTANA, 2009, documento on-line).</p><p>Os esportes individuais apresentam elementos que os diversificam e pos-</p><p>sibilitam trabalhar essa cultura corporal de modo diferente, até mesmo sobre</p><p>a própria visão da individualidade, a partir da promoção de discussões e</p><p>confrontações com os aspectos do esporte coletivo, como o trabalho em equipe</p><p>e a cooperação, sem necessariamente apontar que um é melhor que o outro</p><p>ou reforçar suas características, mas sim propor aquilo de que cada atleta</p><p>necessita para obter sucesso na modalidade.</p><p>Nos esportes individuais, o professor pode explorar a idade da cultura</p><p>corporal a partir da visão dos alunos, que têm estruturas diferenciadas. Fon-</p><p>seca (2014) aponta que o atletismo traz, em sua essência, movimentos básicos</p><p>presentes na vida do homem desde a pré-história até os tempos atuais, como</p><p>correr, saltar, lançar, arremessar, etc.</p><p>Dessa maneira, apresentar a evolução histórica dessas ações e como foram</p><p>modificadas pelo tempo e pelas regras do próprio esporte pode levar a impor-</p><p>tantes reflexões críticas ao aluno sobre a constituição histórico-cultural pela</p><p>qual passaram os povos e a influência sofrida pelo esporte com novas regras</p><p>e maneiras de praticar a modalidade.</p><p>Por exemplo, podemos considerar as mudanças ocorridas no salto em altura,</p><p>que começou com a técnica chamada tesoura, depois a técnica rolo ventral</p><p>até chegar ao fosbury flop utilizada hoje, as quais afetaram a modalidade em</p><p>busca de preciosos centímetros para vencer a prova.</p><p>Prática docente nos esportes individuais8</p><p>18 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Fonseca (2014) afirma que aprender as técnicas do atletismo desenvolve no</p><p>aluno capacidades motoras como força, velocidade, resistência, coordenação</p><p>motora e flexibilidade, a partir da promoção da</p><p>de que a vara escorregue</p><p>pelo solo, causando, possivelmente, algum acidente.</p><p>Saltos verticais: em altura e com vara14</p><p>136 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Em um processo pedagógico para o avanço do movimento de saltar, no sen-</p><p>tido de realizar a técnica do salto com vara propriamente dita, pode-se solicitar</p><p>ao aluno que ele ultrapasse obstáculos de alturas diferenciadas, como cordas,</p><p>bancos, plintos, mesas, steps, caixas, entre outros. Também é possível construir</p><p>postes de madeira ou canos de PVC, fixados ao solo, para serem utilizados com</p><p>um elástico, como um sarrafo. Pelo fato de o elástico ser flexível, ele vai se</p><p>moldar à altura que o aluno conseguir saltar, evitando acidentes. Mesmo assim,</p><p>pode-se colocar o elástico em alturas diferentes, estimulando a superação da</p><p>altura em cada salto realizado.</p><p>Em um local dedicado ao treinamento de atletas na fase de iniciação, os exer-</p><p>cícios a serem realizados passarão pela mesma lógica. Contudo, possivelmente,</p><p>o treinador terá à sua disposição equipamentos que não sejam adaptados; isto</p><p>é, mesmo que não seja possível adquirir os equipamentos utilizados em provas</p><p>oficiais, pode-se encontrar equipamentos alternativos e específicos para essa</p><p>fase da aprendizagem, como postes, sarrafos e colchões do miniatletismo.</p><p>Acesse o link a seguir e consulte o guia prático elaborado pela CBAt, que apresenta os</p><p>materiais a serem utilizados em uma proposta de miniatletismo.</p><p>https://qrgo.page.link/9QBs7</p><p>A aprendizagem dos conteúdos conceituais</p><p>e atitudinais dos saltos na vertical</p><p>Para além do aprender a saltar, segundo Matthiesen (2014), é preciso que o</p><p>aluno compreenda as dimensões conceituais dos saltos. Segundo a autora, o</p><p>resgate histórico, o entendimento de recordes e o reconhecimento de atletas no</p><p>cenário nacional aproxima o aluno da temática e gera maior interesse tanto pela</p><p>modalidade como pela própria aprendizagem do gesto motor.</p><p>Para essas situações, a autora indica o uso de estratégias que estejam relacio-</p><p>nadas e que complementem as ações práticas da aprendizagem. Para Matthiesen</p><p>(2014), aprender sobre os conceitos dos saltos de forma “vazia” faz com que os</p><p>conteúdos não tenham sentido para os alunos. Assim, tais temas devem ser debati-</p><p>dos em uma lógica de favorecimento e interesse sobre o que o aluno quer aprender.</p><p>15Saltos verticais: em altura e com vara</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Verticais: Altura e com Vara | PARTE 1 137</p><p>Leia o estudo de Otaviano Helene, “Alguma física dos saltos em altura e distância”,</p><p>disponível no link a seguir, e compreenda a influência dos princípios físicos na execução</p><p>dos saltos.</p><p>https://qrgo.page.link/EBdMb</p><p>No caso dos saltos verticais, os conhecimentos atitudinais estimulam o ato</p><p>de saltar, pois promovem no aluno a percepção de capacidade e superação dos</p><p>próprios limites corporais. Ao entender os sentimentos que estão envolvidos</p><p>em uma prova de salto em altura, o aluno se reconhece como capaz de superar</p><p>uma altura que, por ele, ainda não foi atingida.</p><p>A temática dos saltos verticais nos jogos paraolímpicos abrange, de uma</p><p>forma complexa e interessante, as três dimensões do conhecimento — atitu-</p><p>dinal, procedimental e conceitual. Nessa perspectiva, a aprendizagem se dá</p><p>pela transposição do que o aluno já aprendeu em uma prova sem limitação</p><p>para a compreensão de como executar o mesmo movimento, mas agora com</p><p>a limitação. No caso das provas para amputados de membros inferiores, é</p><p>importante perceber como se realiza a corrida, a impulsão e a queda sem</p><p>uma parte da perna.</p><p>No momento do salto propriamente dito, o movimento de execução dos</p><p>membros inferiores é compensado pela posição do tronco mais acentuada;</p><p>ainda, os braços estarão mais conectados ao movimento corporal, auxiliando</p><p>no processo de impulsão para o voo. Essas adaptações, ou, até mesmo, a</p><p>execução diferenciada do movimento, podem ser entendidas pelos alunos por</p><p>meio da aprendizagem dos conteúdos procedimentais.</p><p>Contudo, a compreensão desses movimentos limitados, que se revela no</p><p>entendimento dos movimentos compensatórios, se dá a partir de conteúdos</p><p>conceituais. Por exemplo, no movimento para amputados de membros supe-</p><p>riores, a corrida, o salto e a queda são muito parecidos com a movimentação</p><p>dos saltos não paraolímpicos.</p><p>Saltos verticais: em altura e com vara16</p><p>138 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Especialmente para alunos não deficientes, o tema de provas paraolímpicas</p><p>traz uma reflexão sobre padrões construídos socialmente com o movimento</p><p>padronizado, sobre pessoas normais e deficientes, sobre quem é capaz ou</p><p>não, bem como sobre inclusão e exclusão. São temáticas debatidas e contex-</p><p>tualizadas pela dimensão atitudinal dos conteúdos. É nessa ampliação das</p><p>possibilidades de aprendizagem que o esporte passa a ser tratado para além</p><p>do simples saber fazer, potencializando o significado de aprendizagens do</p><p>saber ser e saber pensar sobre.</p><p>Nessa lógica de complexidade das aprendizagens, surgem temas transver-</p><p>sais, como a mulher no esporte, as questões de inclusão e racismo, bem como</p><p>os debates sobre as grandes potências mundiais na prática da modalidade. Isso</p><p>vai favorecer também a aquisição de uma consciência cidadã, estimulada pelo</p><p>ensino das provas competitivas do atletismo.</p><p>As provas de saltos verticais, que se organizam nos saltos em altura e com</p><p>vara, fazem parte da história competitiva do atletismo desde a oficialização</p><p>dessa modalidade esportiva. Por isso, essa modalidade se torna atrativa e</p><p>importante para ser desenvolvida em clubes e escolas. É importante destacar</p><p>que a técnica de execução de ambos os saltos exige dos saltadores movimentos</p><p>corporais complexos, mas, principalmente, desafiadores. De certa forma,</p><p>saltar mais alto já é uma motivação presente em brincadeiras infantis; assim,</p><p>a superação pode ser potencializada quando a meta é a conquista de títulos.</p><p>Este capítulo teve como base a reflexão sobre os saltos verticais, abrangendo</p><p>sua história, seus processos de aprendizagens e as técnicas e regras de provas</p><p>esportivas.</p><p>CBAT. Histórico das provas: masculino. CBAt, Bragança Paulista, [20--]. Disponível em:</p><p>http://www.cbat.org.br/provas/historico_masculino.asp. Acesso em: 14 maio 2019.</p><p>CBAT; IAAF. Regras oficiais de competições da IAAF 2018-2019: edição oficial para o Brasil.</p><p>São Paulo: CBAt, 2018. Disponível em: http://www.cbat.org.br/repositorio/cbat/do-</p><p>cumentos_oficiais/regras/regras_oficiais_2018_2019.pdf. Acesso em: 31 maio 2019.</p><p>17Saltos verticais: em altura e com vara</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Verticais: Altura e com Vara | PARTE 1 139</p><p>DOHERTY, J. K. Tratado moderno de pista y campo. México: Editores Associados, 1972.</p><p>FREITAS, F. P. R. O salto com vara na escola: subsídios para o seu ensino a partir de uma</p><p>perspectiva histórica. 2009. Dissertação (Mestrado em Ciências da Motricidade Humana)</p><p>— Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Rio</p><p>Claro, 2009. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/96108/</p><p>freitas_fpr_me_rcla.pdf;jsessionid=C8361C8AA57E7F16A0D163EBA21C28AA?seque</p><p>nce=1. Acesso em: 14 jun. 2019.</p><p>JONATH, U; HAAG, E.; KREMPEL, R. Atletismo: Corrida e salto. Lisboa: Casa do Livro</p><p>Editora, 1981.</p><p>MANUAL do treinador — nível I: salto em altura. [s. l.: s. n.], [20--?]. Disponível em:</p><p>http://files.efd321.webnode.com.br/200000033-4932a4a2ce/22%20-%20Altura.pdf.</p><p>Acesso em: 14 jun. 2019.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. Atletismo na escola. Maringá: Eduem, 2014.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. Atletismo: teoria e prática. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,</p><p>2017.</p><p>SILVA, S. A. P. S.; SILVA, T. A. F. (org.). Guia didático modalidades esportivas individuais</p><p>terrestres (Versão preliminar). São Paulo: Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação, 2013.</p><p>Disponível em: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/esportes/</p><p>esportesindividuaisterrestres.pdf.</p><p>Acesso em: 14 jun. 2019.</p><p>VIDIGAL, J. M. S. Provas de campo: saltos e lançamentos, fundamentos teóricos. Material</p><p>da disciplina de atletismo. Belo Horizonte: PUC Minas, 2012. Disponível em: http://files.</p><p>efd321.webnode.com.br/200000215-b2bbdb3b69/Apostila%202%20Provas%20de%20</p><p>Campo%20-%20Saltos%20e%20Lan%C3%A7amentos.pdf. Acesso em: 14 jun. 2019.</p><p>Saltos verticais: em altura e com vara18</p><p>ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO</p><p>PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.</p><p>PREZADO ESTUDANTE</p><p>Parte 2</p><p>Saltos Horizontais:</p><p>Distância e Triplo</p><p>O conteúdo deste livro</p><p>é disponibilizado</p><p>por SAGAH.</p><p>unidade</p><p>3</p><p>V.1 | 2022</p><p>142 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Saltos horizontais:</p><p>em distância e triplo</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Reconhecer a origem, a evolução e os espaços das provas de salto</p><p>em distância e triplo.</p><p> Descrever as regras e técnicas utilizadas nas provas de salto em dis-</p><p>tância e triplo.</p><p> Identificar as especificidades dos processos de ensino e de aprendi-</p><p>zagem das técnicas dos diferentes saltos em distância e triplo.</p><p>Introdução</p><p>O salto horizontal é uma ação motora fundamental que, ao longo do</p><p>tempo, evoluiu até incorporar as técnicas específicas utilizadas nas provas</p><p>competitivas do atletismo, passando a ser executada nas provas de salto</p><p>em distância e salto triplo. Além das competições olímpicas, o salto na</p><p>horizontal está presente em alguns testes que são referência na área da</p><p>educação física, para a classificação do desenvolvimento motor de crianças</p><p>ou como forma de mensuração da potência dos membros inferiores.</p><p>Esse tipo de salto é importante para o desenvolvimento motor em várias</p><p>idades e níveis escolares, e a exploração dessa tarefa motora qualifica a</p><p>execução do movimento em espaços competitivos.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar a história dos saltos em distância, veri-</p><p>ficando as mudanças promovidas nas regras e nas técnicas de execução.</p><p>Você também vai identificar as técnicas mais utilizadas atualmente em</p><p>treinamentos e vai analisar como essas técnicas podem ser incorporadas</p><p>no ensino e na aprendizagem dos saltos horizontais.</p><p>143</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Horizontais: Distância e Triplo | PARTE 2</p><p>História e evolução</p><p>Os saltos horizontais se originam de saltos que buscam atingir maiores dis-</p><p>tâncias com movimentos que impulsionam o corpo horizontalmente. A meta é</p><p>sempre saltar mais longe. O homem executa a forma básica desse movimento em</p><p>diferentes situações, como atravessar uma poça de água ou dar um passo largo</p><p>para subir em uma calçada, ou ainda ultrapassar algum obstáculo no caminho.</p><p>Na infância, entre as brincadeiras infantis, o saltar mais longe está presente</p><p>de forma significativa. Nas aulas de educação física, principalmente nos anos</p><p>iniciais, pular para além de cordas, arcos e caixas sempre é motivador. As</p><p>disputas entre os alunos para verificar quem salta mais longe, ou o desafio</p><p>de ultrapassar as próprias metas em distância dos saltos, são estratégias que</p><p>favorecem inúmeros aspectos do desenvolvimento infantil, como o próprio</p><p>aspecto motor, além de abranger questões como saber ganhar e perder, auto-</p><p>conhecimento e autossuperação.</p><p>Como uma prática esportiva, os saltos em distância surgem do refina-</p><p>mento de uma habilidade motora básica, da mesma forma que outras técnicas</p><p>esportivas. O saltar em extensão pode ser entendido como um movimento</p><p>culturalmente determinado que, ao longo de sua utilização como prática</p><p>corporal esportiva, foi ganhando exigências e sendo limitado por regras e</p><p>aperfeiçoado pela necessidade de uma eficácia na execução.</p><p>História do salto triplo</p><p>Como competição, a prova do salto triplo surgiu no século XIX, quando era</p><p>praticada pelos habitantes rurais da Escócia e da Irlanda. Nesse período, a</p><p>execução do movimento era marcada pela sequência de dois pulos e um salto,</p><p>ou, ainda, um pulo, um passo e outro pulo, conforme leciona Matthiesen (2003).</p><p>Segundo Matthiesen et al. (2011), as provas foram sendo disseminadas em</p><p>países como China, Estados Unidos e Rússia, até serem incluídas na primeira</p><p>edição dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 1896. Quanto às provas femini-</p><p>nas, há registro do primeiro recorde mundial em 1990, e em 1996 ocorreu a</p><p>primeira disputa olímpica, vencida pela atleta da Ucrânia Inessa Kravet, que</p><p>saltou 15m33, conforme aponta Sibila (2011).</p><p>Sobre a técnica de execução do salto triplo, Sibila (2011) indica que, quando</p><p>praticado pelos escoceses, no início do século XIX, o movimento se pautava</p><p>em três saltos sobre a mesma perna. Quando os alemães iniciaram a prática,</p><p>estabeleceram outra técnica, em que alternavam as pernas no momento do</p><p>salto — direita, esquerda, direita ou vice-versa.</p><p>Saltos horizontais: em distância e triplo2</p><p>144 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Cabe evidenciar que os atletas brasileiros ganham destaque no cenário</p><p>internacional. Em 1955, nos jogos Pan-Americanos do México, o recorde</p><p>mundial da modalidade foi conquistado pelo atleta Adhemar Ferreira da Silva.</p><p>Esse mesmo atleta foi campeão olímpico em 1952 e em 1956, saltando 16m22</p><p>e 16m35, respectivamente. Outro medalhista olímpico foi Nelson Prudêncio,</p><p>que recebeu a medalha de prata em 1968 e a de bronze em 1972, ao saltar</p><p>17m05, segundo Matthiesen (2007).</p><p>Outro nome que se destacou foi o de “João do Pulo”, João Carlos de Oliveira</p><p>(Figura 1), que, ao saltar 17m89, em 1975, alcançou o recorde mundial que</p><p>levou mais de 10 anos para ser ultrapassado. Esse saltador também conquistou</p><p>a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 1980, em Moscou, conforme</p><p>aponta Matthiesen (2007).</p><p>Figura 1. O reconhecimento de João do Pulo como atleta de destaque no salto triplo.</p><p>Fonte: Craveira (1075, documento on-line).</p><p>No artigo intitulado “Relação entre as distâncias parciais no salto triplo e o desempenho</p><p>competitivo em atletas brasileiros”, disponível no link abaixo, você pode explorar a</p><p>evolução da eficácia dos saltos triplos de atletas brasileiros.</p><p>https://qrgo.page.link/7N2bi</p><p>3Saltos horizontais: em distância e triplo</p><p>145</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Horizontais: Distância e Triplo | PARTE 2</p><p>Salto em distância ao longo da história</p><p>Sobre a história do salto em distância, Duarte (2019) descreve que ele fazia</p><p>parte das provas de pentatlo no ano de 708 a. C., sendo incluído como prova</p><p>específi ca nos Jogos Olímpicos de 1896. Conforme Matthiesen (2007), no</p><p>período entre os anos de 1922 e 1927, houve um grande aperfeiçoamento na</p><p>técnica do salto em distância, quando os atletas americanos William de Hart</p><p>Hubbard e Robert Legendre criaram um movimento de pernas durante o voo</p><p>do salto, que atualmente é conhecido como passada no ar. Quanto às provas</p><p>femininas, a mesma autora afi rma que também foram nos Estados Unidos os</p><p>primeiros registros de provas competitivas femininas, em 1895. Contudo, o</p><p>primeiro recorde mundial feminino só foi homologado em 1928, e a primeira</p><p>competição olímpica foi em Londres, em 1948.</p><p>Para o cenário nacional, foi no salto em distância que o Brasil conquistou</p><p>pela primeira vez uma medalha de ouro Olímpico feminina em uma prova</p><p>individual, com a atleta Maurren Higa Maggi (Figura 2). Maurren saltou 7m04</p><p>nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, e entrou para a história do esporte</p><p>brasileiro, conforme leciona Duarte (2019).</p><p>Figura 2. Maurren Maggi, medalhista de ouro do salto em distância</p><p>em 2008.</p><p>Fonte: Maurrenmaggi_pequim2008_get_95 ([2012], documento on-line).</p><p>Os registros históricos apontam que, inicialmente, os saltos em distância</p><p>eram realizados com pesos nas mãos, espécies de halteres que serviam</p><p>Saltos horizontais: em distância e triplo4</p><p>146 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>para dificultar o movimento e detectar, de forma mais precisa, o atleta</p><p>mais forte e ágil.</p><p>Sobre os locais de prova para a realização dos saltos,</p><p>tanto em distância</p><p>como o triplo, Sibila (2011, p. 15) cita Loyola (1940), apontando algumas</p><p>regras antigas utilizadas nas competições: “[...] os aparelhos utilizados</p><p>para a prática do salto triplo eram, e permanecem até os dias atuais, os</p><p>mesmos do salto em distância”. A autora destaca a forma de denominar</p><p>os equipamentos utilizados para a prova em outras regras antigas: “A</p><p>construção do picadeiro será de madeira e pintada de branco, [...] A pista</p><p>para correr deve ter 1 m de largura e 40 de comprimento e nunca menos</p><p>de 15m. [...] A caixa deverá ter as seguintes dimensões: comprimento, 6 m,</p><p>largura 4 m [...]”.</p><p>Uma curiosidade sobre a regra apontada por Loyola (1940, p. 11 apud</p><p>SIBILA, 2011, p. 15), é que a própria regra alertava para a segurança do atleta,</p><p>sugerindo o uso de uma esponja nos calcanhares. Diz a regra: “É bom usar</p><p>uma esponja de borracha nos calcanhares afim de evitar contusões”.</p><p>Assim, os saltos em distância e triplo podem ser considerados provas</p><p>que acompanham as competições de atletismo desde suas primeiras edições.</p><p>De certa forma, assumem uma posição de destaque entre as modalidades</p><p>esportivas no cenário nacional, pois apresentam atletas que são reconhecidos</p><p>por suas conquistas internacionalmente. Tais atletas são exemplos para jovens</p><p>que iniciam as aprendizagens sobre os saltos; são também utilizados como</p><p>referência por professores quando se utilizam do atletismo como conteúdo</p><p>de ensino.</p><p>Regras básicas das provas dos saltos horizontais</p><p>As regras do salto triplo e do salto em distância seguem as mesmas defi nições</p><p>quando se trata do corredor de corrida, local em que o atleta se prepara para</p><p>a execução do salto. O Livro de Regras (CBAT; IAAF, 2018, p. 49) descreve</p><p>que: “O comprimento mínimo do corredor, medido a partir da respectiva linha</p><p>de impulsão será de 40 m e onde as condições permitirem, 45 m. Ele dever</p><p>ter uma largura de 1,22 m ± 0,01 m e deve ser marcado por linhas brancas de</p><p>50 mm de largura”.</p><p>Para as competições desses saltos, a tábua de impulsão marca o local</p><p>onde o atleta tem seu impulso para o voo. A tábua tem como características</p><p>a forma retangular e a cor branca, sendo feita de madeira ou material rígido</p><p>que se adeque às necessidades dos sapatos dos saltadores. Deve medir 1,22</p><p>5Saltos horizontais: em distância e triplo</p><p>147</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Horizontais: Distância e Triplo | PARTE 2</p><p>m ± 0,01 m de comprimento, 0,20 m ± 0,002 m de largura e não mais do que</p><p>0,10 m de profundidade. É importante que a tábua esteja enterrada no mesmo</p><p>nível do corredor de corrida e da área de queda. Ainda, imediatamente após</p><p>a linha de impulsão, na parte da tábua mais próxima à área de queda, deve</p><p>ser colocada uma placa indicativa de plasticina, para os árbitros da prova</p><p>realizarem as medições. A área de queda é o local onde os atletas retomam</p><p>o contato com o solo; deve ter largura mínima de 2,75 m e máxima de 3 m. A</p><p>superfície deve estar em alinhamento com a tábua de impulsão, e a área deve</p><p>ser preenchida por areia fofa e molhada.</p><p>De forma específica, o salto triplo tem por definição a execução de um</p><p>salto com impulso em um pé só, uma passada e um salto, sempre nessa ordem.</p><p>Essa impulsão em um pé só deve levar o saltador a cair no solo primeiro com</p><p>o pé que gerou a impulsão. Já no movimento da passada, a queda será com o</p><p>outro pé, que, por consequência, realiza o salto. A regra não prevê falha na</p><p>tentativa em que a perna passiva do atleta tocar o solo.</p><p>Ainda de forma específica para o salto triplo, a tábua de impulsão assume</p><p>detalhamentos como os apontados pelo Livro de Regras (CBAT; IAAF, 2018, p. 51):</p><p>A distância entre a linha de impulsão para homens e a borda mais distante da</p><p>caixa de areia deverá ser pelo menos 21 m. Em Competições Internacionais,</p><p>deve haver uma tábua de impulsão separada para homens e mulheres, que</p><p>a linha de impulsão não esteja a menos de 13 m para homens e 11 m para</p><p>mulheres a partir da borda mais próxima da caixa de areia.</p><p>Em outras competições, as exigências indicam que a distância deverá ser</p><p>adequada ao nível da competição. Há também o registro de que, entre a tábua</p><p>de impulsão e a área de queda, haverá uma área de impulsão de 1,22 m ± 0,01</p><p>m de largura, favorecendo a pisada uniforme e sólida e auxiliando a realização</p><p>das fases de passo e salto.</p><p>Sobre as regras dos saltos em distância, existem algumas ações que geram</p><p>falhas durante os saltos, como:</p><p> ao dar a impulsão, tocar o solo além da linha de impulsão com qualquer</p><p>parte do corpo que não o pé;</p><p> dar o impulso fora da área de impulsão;</p><p> realizar alguma espécie de salto mortal em qualquer momento da prova;</p><p> quando estiver correndo ou na execução do salto, depois da impulsão,</p><p>antes do primeiro contato com a área de queda, tocar o corredor ou o</p><p>solo fora do corredor ou fora da área de queda;</p><p>Saltos horizontais: em distância e triplo6</p><p>148 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p> tocar primeiro o solo fora da área de queda; ou</p><p> no curso da aterrissagem, tocar a borda ou o solo fora da área de queda mais</p><p>próximo da linha de impulsão do que da marca mais próxima feita na areia.</p><p>Nessa prova, a tábua de impulsão também tem exigências específicas,</p><p>definidas pela distância entre a linha de impulsão e o final da caixa de areia,</p><p>que deve ser de, no mínimo, 10 m. A colocação da linha de impulsão deve ser</p><p>realizada entre 1 m e 3 m da borda mais próxima da linha de queda.</p><p>As técnicas de execução dos saltos em distância e triplo</p><p>A técnica de execução do salto triplo corresponde a três etapas:</p><p>1. a fase de preparação;</p><p>2. a realização dos três impulsos e do salto;</p><p>3. a queda.</p><p>A descrição que segue busca detalhar os movimentos e as ações que são</p><p>realizadas em cada etapa e que, de forma complexa, indicam a técnica de</p><p>execução desse tipo de salto.</p><p>Matthiesen (2017) descreve que a fase de preparação do salto acontece no</p><p>corredor de corrida, onde o atleta define a forma que a corrida será realizada</p><p>até a abordagem da impulsão e do salto propriamente dito. Geralmente, essa</p><p>corrida pode ser progressiva até o momento da impulsão, quando o atleta</p><p>estará em alta velocidade; há atletas que desenvolvem essa corrida de forma</p><p>ritmada e progressiva, com alteração do tamanho das últimas passadas. Ainda,</p><p>há corridas chamadas de “marca intermediária”, em que o movimento é refe-</p><p>renciado pela aproximação da tábua de impulsão com segurança, para que a</p><p>passagem pela tábua de impulsão tenha o apoio do pé de impulsão.</p><p>A distância a ser percorrida na corrida deve ser escolhida por cada sal-</p><p>tador, definindo a melhor forma para que a impulsão na tábua seja feita com</p><p>a perna de impulsão. A velocidade evidenciada na corrida vai encaminhar o</p><p>salto propriamente dito. É importante lembrar que esse deslocamento deve ser</p><p>calculado, a partir da velocidade, do número de passadas ideais para atingir</p><p>a tábua de impulsão e da exigência de percurso de aproximadamente 13 m,</p><p>para as provas oficiais masculinas, e 11 m, para as provas oficiais femininas,</p><p>em relação à caixa de saltos, conforme aponta Matthiesen (2005).</p><p>Os três impulsos definidos para o salto triplo são realizados primeira-</p><p>mente com a execução de dois impulsos com a mesma perna e, depois, mais</p><p>7Saltos horizontais: em distância e triplo</p><p>149</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Horizontais: Distância e Triplo | PARTE 2</p><p>um impulso com a perna contrária. O primeiro desses impulsos se realiza na</p><p>sequência imediata da corrida. Partindo do contato da planta do pé com a tábua</p><p>de impulsão, a perna tem uma pequena flexão, estendendo imediatamente; essa</p><p>ação gera a impulsão, com elevação do joelho da perna contrária para cima e</p><p>para a frente. Nessa fase aérea, a perna que no primeiro impulso foi projetada</p><p>à frente se posiciona para trás, sendo que, no segundo impulso, a queda se</p><p>dá pela mesma perna da primeira impulsão. Essa perna realiza uma pequena</p><p>flexão</p><p>e, logo, uma extensão, encaminhando-se para o terceiro impulso.</p><p>O terceiro impulso tem a queda com a perna livre ou perna contrária, que</p><p>exerce uma impulsão para a ação do voo. Durante essa progressão, os braços</p><p>realizam alternância de movimentos com relação às pernas; a partir do segundo</p><p>impulso, eles se colocam à frente e se movimentam para trás, para o auxílio da</p><p>impulsão e do deslocamento. A Figura 3 traz uma representação do salto triplo.</p><p>Figura 3. Técnica básica de movimento do salto triplo.</p><p>Fonte: Adaptada de Matthiesen (2017).</p><p>A queda do salto é realizada com preocupação, já que a medição é feita</p><p>a partir da marca na areia mais próxima da linha de impulsão. Dessa forma,</p><p>o atleta faz um prolongamento da fase de flutuação, projetando seu corpo o</p><p>mais para a frente possível, evitando que qualquer superfície do seu corpo</p><p>toque na caixa de areia para trás. Espera-se, assim, que o primeiro contato</p><p>com o solo seja feito pelos calcanhares.</p><p>O livro Atletismo: teoria e prática, além de descrever as técnicas dos movimentos</p><p>dos saltos em distância e triplo, também apresenta uma síntese organizada dos</p><p>erros mais comuns dessas práticas. Observe os erros e as correções do salto triplo</p><p>no Quadro 1.</p><p>Saltos horizontais: em distância e triplo8</p><p>150 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Fonte: Adaptado de Matthiesen (2017).</p><p>Erros Correções</p><p>Impulsão lenta ou realizada</p><p>com impacto demasiadamente</p><p>acentuado do pé de impulso.</p><p>Favorecer o amortecimento do</p><p>impacto realizando exercícios</p><p>(inicialmente) na grama, buscando</p><p>velocidade na impulsão.</p><p>Chegada na tábua de impulsão com</p><p>a inversão da perna de impulsão,</p><p>comprometendo os demais impulsos.</p><p>Alterar a velocidade de aproximação;</p><p>inverter a perna da saída; registrar</p><p>uma marca intermediária; fazer a</p><p>marcação em passadas ou medição</p><p>da distância para o início da corrida</p><p>tão logo acerte o pé de impulsão.</p><p>Falta de força na perna de impulsão. Sobretudo na realização do segundo</p><p>impulso, que é realizado a partir de</p><p>um salto e não de uma corrida, o</p><p>saltador deverá realizar um trabalho</p><p>de fortalecimento específico</p><p>para os membros inferiores.</p><p>Dificuldade na realização do “duplo</p><p>impulso” na mesma perna.</p><p>Realização de exercícios de</p><p>saltos para o fortalecimento dos</p><p>membros inferiores; aumento na</p><p>amplitude na perna de balanço.</p><p>Quadro 1. Erros e correções do salto triplo</p><p>Segundo Matthiesen (2017), o salto em distância basicamente é realizado</p><p>a partir de três estilos: grupado, arco e passada no ar (hitch kick). Em uma</p><p>hipótese de progressão da técnica, a aprendizagem teria início pelo grupado,</p><p>evoluindo para o estilo arco, sendo este aperfeiçoado com o salto de passada</p><p>no ar, esse último mais utilizado no alto rendimento.</p><p>Nesses estilos, a diferenciação está na fase de flutuação; dessa forma, a</p><p>preparação se dá igualmente entre os estilos, e a queda e a fase de conclusão</p><p>também seguem as demandas impostas pela regra. As fases do salto em</p><p>distância são:</p><p>1. fase de preparação;</p><p>2. corrida de aproximação;</p><p>3. flutuação;</p><p>4. queda.</p><p>9Saltos horizontais: em distância e triplo</p><p>151</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Horizontais: Distância e Triplo | PARTE 2</p><p>Sendo assim, a fase de preparação se realiza a partir da corrida, que</p><p>deve ser executada com a intenção de se utilizar a perna de impulsão (a</p><p>mais forte) no contato com a tábua. A velocidade imposta ao movimento</p><p>está relacionada ao número de passadas e à distância a ser percorrida, que,</p><p>com base na regra, vai depender do estilo de cada saltador, conforme aponta</p><p>Matthiesen (2005; 2017).</p><p>Com uma velocidade própria para que o impulso seja iniciado, a perna</p><p>de impulsão passa de uma semiflexão à extensão, para que a perna contrária</p><p>possa ser projetada para cima e para a frente. Na fase de elevação, quando o</p><p>joelho realiza uma flexão e os braços auxiliam o movimento, é importante a</p><p>realização prolongada desse movimento, para que a ação de flutuação aconteça</p><p>com base no estilo definido pelo atleta.</p><p>De certa forma, o estilo grupado é o mais utilizado na iniciação, por</p><p>ter uma execução facilitada, sem a complexidade de trocas de movimentos</p><p>durante o salto. Nesse estilo, após a fase de impulsão, há uma extensão dos</p><p>membros inferiores, com o atleta se inclinando para a frente, buscando uma</p><p>aproximação das mãos com os pés, favorecendo a ampliação da distância e a</p><p>queda com os dois pés no chão (Figura 4).</p><p>Figura 4. Técnica de movimento do salto em distância — estilo grupado.</p><p>Fonte: Adaptada de Matthiesen (2017).</p><p>Segundo Matthiesen (2005), outro estilo muito utilizado na iniciação</p><p>da aprendizagem do salto em distância, mas que apresenta uma evolução</p><p>técnica em relação ao salto grupado, é o estilo arco. A ação, aqui, começa</p><p>a ser desenvolvida após a elevação, em que o atleta provoca um atraso no</p><p>movimento das pernas e dos braços; por consequência, há um adiantamento</p><p>Saltos horizontais: em distância e triplo10</p><p>152 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>do quadril, ação que provoca no tronco a posição de um arco (como observado</p><p>na imagem D da Figura 5).</p><p>Figura 5. Técnica de movimento do salto em distância — estilo arco.</p><p>Fonte: Adaptada de Matthiesen (2017).</p><p>Matthiesen (2005) ainda descreve o estilo com passada no ar, que é</p><p>executado durante a flutuação por um movimento alternado das pernas e dos</p><p>braços após a impulsão (Figura 6). De certa forma, o saltador realiza no ar</p><p>uma passada e meia; dependendo do atleta, ocorrem duas passadas antes da</p><p>finalização do salto. Em alguns casos, a passada também é combinada com</p><p>a realização do movimento de arco do tronco.</p><p>Figura 6. Técnica de movimento do salto em distância — estilo passada no ar.</p><p>Fonte: Adaptada de Matthiesen (2017).</p><p>Contudo, cabe lembrar que esse estilo exige maior técnica e consciência</p><p>corporal e, por isso, geralmente se apresenta nos treinos de competidores.</p><p>Independentemente do estilo utilizado na queda, são os calcanhares que devem</p><p>fazer o primeiro contato com o solo.</p><p>11Saltos horizontais: em distância e triplo</p><p>153</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Horizontais: Distância e Triplo | PARTE 2</p><p>As aprendizagens para os saltos em distância</p><p>e triplo</p><p>No processo de ensino e aprendizagem dos saltos, Matthiesen (2017) defende</p><p>a importância de se trabalhar os conteúdos que envolvem essas provas a partir</p><p>das dimensões atitudinais, conceituais e procedimentais. Para a autora, essa</p><p>complexidade da aprendizagem dará mais sentido para a compreensão dos</p><p>saltos enquanto prática esportiva pautada em uma cultura que se renova e</p><p>reconstrói. Assim, além de saber executar o gesto motor dos saltos (dimensão</p><p>procedimental), é primordial conhecer os aspectos sociais que envolvem essa</p><p>prática (dimensão conceitual) e, ainda, perceber os sentidos e os signifi cados</p><p>relacionados a essa modalidade esportiva (dimensão atitudinal).</p><p>Nessa lógica, no que tange à dimensão procedimental, a aprendizagem dos</p><p>conteúdos que estão presentes nos processos de execução do ato de saltar vai</p><p>ser pautada em uma prática explorada, isto é, o aluno vai executar de formas</p><p>diferentes o movimento de saltar, para que ele amplie o repertório de possibi-</p><p>lidades, estratégias e formas de perceber os saltos. Aqui, cabe a utilização de</p><p>materiais didáticos como caixas, plintos, arcos, cordas, cones, entre outros.</p><p>Como uma estratégia diferenciada, os saltos podem ser executados tendo os</p><p>próprios colegas como obstáculos (Figura 7). Essa atividade motiva e desafia</p><p>os aprendizes, já que estimula uma efetiva participação de todos.</p><p>Figura 7. Estratégia de aprendizagem dos saltos. A evolução e o aumento da dificuldade</p><p>podem ser trabalhados ao se ampliar a distância entre o corpo dos colegas ou, ainda, utili-</p><p>zar caixas e plintos, que exigem do aluno a preocupação de um salto longo na horizontal,</p><p>além da impulsão de um salto na vertical, para que consiga pular por cima das caixas.</p><p>Fonte: Adaptada de Matthiesen</p><p>(2017).</p><p>Para os conteúdos atitudinais, Matthiesen (2014) reflete que estes devem</p><p>estar relacionados à percepção individualizada dos alunos sobre as temáticas</p><p>dos saltos, como por meio de um debate com questões do tipo: as distâncias</p><p>Saltos horizontais: em distância e triplo12</p><p>154 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>alcançadas nos saltos da turma são iguais? Por que? O que pode ser feito como</p><p>auxílio para que os resultados sejam melhorados de forma coletiva? Ou, ainda:</p><p>você consegue perceber a limitação de movimento para a realização do salto</p><p>em alunos/colegas com algum tipo de deficiência?</p><p>Essa proposta gera uma reflexão coletiva sobre as possibilidades e as</p><p>fragilidades de cada um em relação à execução dos saltos. Ainda, faz com que</p><p>temas como ganhar a qualquer custo, uso de substâncias ilícitas para melhorar</p><p>os resultados, mulheres nos esportes, condições de treinamentos, entre outros,</p><p>possam se tornar temas transversais, em um efetivo aprofundamento sobre os</p><p>conteúdos que envolvem os saltos.</p><p>No trabalho dos conteúdos conceituais, é possível destacar experiências</p><p>reais como referências para a aprendizagem do salto. Essa possibilidade é po-</p><p>tencializada pelo uso das histórias de saltadores como João do Pulo e Maurren</p><p>Maggi, atletas brasileiros que se destacaram no cenário internacional. Para</p><p>esse tipo de conteúdo, diferentes estratégias, como pesquisas, seminários,</p><p>construção de painéis e mostras culturais esportivas, levam os alunos à com-</p><p>preensão do que o esporte representa como fenômeno social. O Quadro 2 traz</p><p>um exemplo de atividades que podem ser propostas para o desenvolvimento</p><p>conceitual na aprendizagem dos saltos em distância e triplo.</p><p>Fonte: Adaptado de Matthiesen (2014).</p><p>Prova Questão Pesquisa Atividade</p><p>Salto</p><p>triplo</p><p>Nelson Prudêncio foi um</p><p>dos brasileiros a subir no</p><p>pódio olímpico na prova</p><p>do salto triplo. Em que</p><p>olimpíada isso aconteceu?</p><p>Identificar quem</p><p>foram os brasileiros</p><p>que conquistaram</p><p>medalhas olímpi-</p><p>cas na prova do</p><p>salto triplo.</p><p>Executar o salto triplo,</p><p>identificando a distân-</p><p>cia correspondente</p><p>às marcas dos atletas</p><p>brasileiros que con-</p><p>quistaram medalhas</p><p>nos jogos olímpicos.</p><p>Salto em</p><p>distância</p><p>O salto em distância</p><p>praticado pelos gregos era</p><p>executado com uma espé-</p><p>cie de halteres nas mãos.</p><p>Quais as implicâncias disso</p><p>para a execução do salto</p><p>em distância?</p><p>Identificar ima-</p><p>gens que retratem</p><p>os saltos em dis-</p><p>tância praticados</p><p>pelos gregos.</p><p>Executar os diferen-</p><p>tes estilos de salto</p><p>em distância reali-</p><p>zados ao longo da</p><p>história.</p><p>Quadro 2. Exemplo de atividades para os conteúdos conceituais dos saltos em dis-</p><p>tância e triplo</p><p>13Saltos horizontais: em distância e triplo</p><p>155</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Horizontais: Distância e Triplo | PARTE 2</p><p>É possível perceber que os exemplos utilizados para a reflexão no ensino</p><p>dos saltos partem de provas enquanto práticas competitivas. De fato, esse</p><p>tipo de referência deve ser utilizado para o trabalho com atletas em fase de</p><p>iniciação, pois é fundamental que, além dos treinos específicos, esse futuro</p><p>saltador reconheça na sua execução a história que fundamenta as regras, os</p><p>recordes, os grandes atletas e os estilos de técnicas.</p><p>Embora essa também seja uma referência para as aprendizagens no con-</p><p>texto escolar, não se pode transformar a escola em centro de treinamento e o</p><p>aluno em um miniatleta. É preciso que as diferenças entre as realidades sejam</p><p>respeitadas. Mesmo assim, o entendimento sobre as diferentes dimensões</p><p>do atletismo e dos saltos possibilita que as aprendizagens na escola sejam</p><p>mais críticas e reflexivas, abrangendo a busca por melhores condições de</p><p>ensino nesse espaço democrático e participativo. O estudo sobre os saltos em</p><p>distância e triplo possibilita a reflexão sobre as temáticas que circundam as</p><p>práticas esportivas ao longo da história, como cultura e aspectos econômicos,</p><p>políticos e sociais. Um exemplo é a análise das histórias de vida de João do</p><p>Pulo e Maurren Maggi.</p><p>Acesse o link a seguir e assista a um vídeo sobre a história da vida de João do Pulo e</p><p>algumas homenagens que o atleta recebeu.</p><p>https://qrgo.page.link/SjmwN</p><p>No link a seguir, você pode assistir à prova do salto em distância feminino nos Jogos</p><p>Olímpicos de Pequim em que Maurren Maggi foi consagrada campeã olímpica.</p><p>https://qrgo.page.link/xh5Pd</p><p>Neste capítulo, você pôde explorar um pouco da história dos saltos e a</p><p>importância da discussão de temas socioculturais na aprendizagem dos alu-</p><p>nos. Para além da apresentação de técnicas e regras dos saltos em distância e</p><p>triplo, a leitura favoreceu o entendimento de diferentes formas de se ensinar</p><p>os saltos, abrangendo tanto a sua execução como seus aspectos atitudinais e</p><p>conceituais. Com base em fatos importantes para o esporte brasileiro, esses</p><p>Saltos horizontais: em distância e triplo14</p><p>156 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>dois saltos emergem como referências para uma qualificação da educação</p><p>física escolar e uma reflexão sobre o impacto de fatos históricos e regras</p><p>anteriores nas práticas atuais.</p><p>CBAT; IAAF. Regras oficiais de competições da IAAF 2018-2019: edição oficial para o Brasil.</p><p>São Paulo: CBAt, 2018. Disponível em: http://www.cbat.org.br/repositorio/cbat/do-</p><p>cumentos_oficiais/regras/regras_oficiais_2018_2019.pdf. Acesso em: 27 maio 2019.</p><p>CRAVEIRA, N. João, 21 anos, um novo recordista mundial. O Estado de São Paulo, São Paulo,</p><p>14 out. 1975. Disponível em: https://acervo.estadao.com.br/imagens/105x65/1975._10.16.</p><p>jpg. Acesso em: 27 maio 2019.</p><p>DUARTE, O. História dos esportes. 6. ed. São Paulo: Senac, 2019.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. (org.). Atletismo se aprende na escola. Jundiaí: Fontoura, 2005.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. Atletismo na escola. Maringá: Eduem, 2014.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. Atletismo: teoria e prática. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. Atletismo: teoria e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. et al. A história do atletismo em aulas de educação física: sobre o</p><p>projeto “atletismo se aprende na escola V. Rio de Janeiro: Cultura Acadêmica, 2011.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. Memórias do salto triplo: uma história que não se conta. In: ENCONTRO</p><p>FLUMINENSE DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR, 7., 2003, Niterói. Anais [...]. Rio de Janeiro,</p><p>2003. Disponível em http://cev.org.br/biblioteca/memorias-salto-triplo-registro-uma-</p><p>-historia-que-nao-se-conta/. Acesso em 24 de abril.</p><p>MAURRENMAGGI_PEQUIM2008_GET_95. [S. l.], [2012]. Largura: 402 pixels. Altura: 254</p><p>pixels. Formato: JPG Disponível em: http://s.glbimg.com/es/ge/f/original/2012/07/20/</p><p>maurrenmaggi_pequim2008_get_95.jpg. Acesso em: 27 maio 2019.</p><p>SIBILA, C. B. A história do salto triplo como subsídio para o seu ensino na escola. 2011.</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Educação Física) — Instituto de</p><p>Biociências, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2011.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>FERNANDES, J. L. Atletismo: os saltos. 2. ed. São Paulo: EPU, 2003.</p><p>RUBIO, K. Heróis olímpicos brasileiros. Porto Alegre: Zouk Editora, 2004.</p><p>RUBIO, K. Medalhistas olímpicos brasileiros: memórias, histórias e imaginário. São Paulo:</p><p>Casa do Psicólogo, 2006.</p><p>15Saltos horizontais: em distância e triplo</p><p>157</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Saltos Horizontais: Distância e Triplo | PARTE 2</p><p>ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO</p><p>PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.</p><p>PREZADO ESTUDANTE</p><p>158 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Parte 3</p><p>Lançamentos: Disco,</p><p>Martelo e Dardo</p><p>O conteúdo deste livro</p><p>é disponibilizado</p><p>por SAGAH.</p><p>unidade</p><p>3</p><p>V.1 | 2022</p><p>160 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Lançamentos: disco,</p><p>martelo e dardo</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Identificar a origem, a evolução e os espaços das provas de lançamento.</p><p> Descrever as regras e as técnicas utilizadas</p><p>nas provas de lançamento</p><p>de dardo, disco e martelo.</p><p> Analisar as especificidades dos processos de ensino e de aprendizagem</p><p>das técnicas dos diferentes lançamentos.</p><p>Introdução</p><p>Os lançamentos de dardo, martelo e disco, como provas oficiais do</p><p>atletismo e como tarefas motoras da iniciação esportiva, apresentam</p><p>características comuns, ao mesmo tempo que possuem especificidades</p><p>que devem ser respeitadas. Ao longo dos tempos, houve a evolução</p><p>dos implementos e das provas de lançamentos, e tais transformações</p><p>representaram também inovações nos treinamentos e nos processos</p><p>de iniciação ao esporte.</p><p>Assim, neste capítulo, você vai estudar os lançamentos de dardo,</p><p>martelo e disco, explorando tanto o treinamento desses movimentos</p><p>como a aprendizagem em contextos escolares. Além do histórico dessas</p><p>práticas, você vai analisar as estratégias de ensino, a construção de</p><p>materiais alternativos e as formas de execução dos movimentos.</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Lançamentos: Disco, Martelo e Dardo | PARTE 3 161</p><p>Espaços e implementos das provas de</p><p>lançamentos de dardo, martelo e disco</p><p>Como nas demais provas do atletismo, os lançamentos fazem parte de compe-</p><p>tições esportivas desde a Grécia Antiga, nos jogos olímpicos da Antiguidade.</p><p>Segundo Matthiesen (2005), o disco foi um dos primeiros implementos uti-</p><p>lizados pelos gregos. Na época, os lançamentos eram realizados com pedras,</p><p>com metas variadas de altura ou, até mesmo, de distância. A autora ainda</p><p>revela que o movimento de lançamento do disco era realizado com as duas</p><p>mãos, o que não é mais permitido pelas regras ofi ciais. Um avanço na execução</p><p>técnica dessa prova é a implementação dos movimentos rotacionais na técnica,</p><p>especialmente entre os atletas de alto rendimento.</p><p>Já o lançamento do martelo, inicialmente, era praticado sem um setor</p><p>específico de lançamento. O implemento era preso a um cabo de madeira,</p><p>que influenciava na imprecisão dos movimentos, limitando os resultados.</p><p>Os lançamentos visavam a determinar o atleta que atingia melhores metas</p><p>no ato motor, que, na época, era baseado na impulsão, na força, na destreza e</p><p>na agilidade. Tais características sempre eram colocadas como desafios para</p><p>testar os homens ditos fortes e habilidosos. Assim, o ato de lançar diferentes</p><p>materiais, com características específicas, abrangia os ideais de complexidade</p><p>nas destrezas motoras, geralmente se somando às provas de corridas e saltos.</p><p>Esse cenário histórico justifica o uso dos atuais implementos, martelo, dardo</p><p>e disco, relacionados a uma só habilidade: o lançar.</p><p>O ato de lançar já faz parte da história do homem desde a Pré-História,</p><p>quando, para a sobrevivência por meio da caça, na busca por alimento, o homem</p><p>se utilizava de lanças (troncos de árvores pontiagudos). É possível, inclusive,</p><p>encontrar em figuras pré-históricas a imagem desse ato motor realizado por</p><p>cima do ombro, com uma extensão do braço, movimento muito semelhante</p><p>ao lançamento do dardo. Assim, o lançamento de lanças em direção a alvos</p><p>nas primeiras provas gregas se fundamenta nesse movimento pré-histórico e</p><p>dá origem ao movimento que hoje é realizado em provas oficiais (Figura 1).</p><p>Os registros indicam que as provas de lançamento de dardo faziam parte</p><p>das provas de pentatlo nos jogos olímpicos da Antiguidade. Atualmente, o</p><p>dardo é uma prova específica do atletismo, tendo sido aplicada desde os jogos</p><p>realizados em 1906, em Atenas. A evolução dessa prova também é marcada</p><p>pelas mudanças de regras, como a obrigatoriedade, nos tempos atuais, de se</p><p>utilizar estilos de lançamentos ortodoxos. Assim, os lançadores executam</p><p>seus movimentos com base na movimentação corporal técnica, construída e</p><p>analisada para uma melhor performance.</p><p>Lançamentos: disco, martelo e dardo2</p><p>162 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Figura 1. O uso do lançamento ao longo da história.</p><p>Fonte: Drawlab19/Shutterstock.com; 0,,15317322-EX,00 ([20--], documento on-line).</p><p>A inserção da mulher nas provas olímpicas</p><p>Como nas demais modalidades esportivas e no atletismo em geral, as mulheres</p><p>foram autorizadas a participar de competições ofi ciais somente depois de</p><p>vários jogos dominados pela presença dos homens. No caso dos lançamentos,</p><p>a inserção da mulher aconteceu depois da participação feminina em outras</p><p>provas, como as de corrida.</p><p>Para atletas mulheres, o lançamento de disco foi incluído nos Jogos Olímpi-</p><p>cos de Amsterdã, em 1928. Porém, segundo o site da Confederação Brasileira</p><p>de Atletismo (CBAt), antes dessa primeira participação, já havia mulheres</p><p>competindo e registrando marcas significativas para os seus lançamentos. Por</p><p>exemplo, a primeira marca registrada no disco foi da alemã Anneliese Hensch,</p><p>que, em Berlim, em 1922, atingiu 24,90 metros. Com um disco oficial, os</p><p>registros indicam a marca de 27,39 m, alcançada pela atleta Yvonne Tembouret</p><p>no ano de 1923, em uma competição oficial em Paris.</p><p>Ainda segundo a CBAt, registros sobre o lançamento de dardo indicam que</p><p>foi na Finlândia que o lançamento de dardo feminino começou a ser praticado;</p><p>em 1916, a esportista finlandesa Martta Votila alcançou 30,45 m com o dardo</p><p>masculino (800 g). O recorde oficial com um dardo de 600 g foi executado pela</p><p>tcheca Bozena Sramková, em Praga, em 13 de agosto de 1922, com a marca de</p><p>25,235 m. Os Jogos Olímpicos de 1932 tiveram a primeira edição dessa prova</p><p>para mulheres. Já no Brasil, o primeiro recorde reconhecido foi de Lily Richter,</p><p>vencedora do I Campeonato Brasileiro em 1940, com a marca de 28,02 m.</p><p>Os registros sobre o martelo nos jogos olímpicos, segundo Matthiesen</p><p>(2014), demonstram que os homens disputam essa prova desde os Jogos Olím-</p><p>3Lançamentos: disco, martelo e dardo</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Lançamentos: Disco, Martelo e Dardo | PARTE 3 163</p><p>picos de Paris, em 1900, e as mulheres somente começaram a participar desse</p><p>tipo de competição em 2000, nos jogos de Sidney. É importante destacar que a</p><p>evolução do implemento martelo representou uma significativa transformação</p><p>nessa prática por homens e mulheres. Quando esse implemento era conduzido</p><p>por um cabo de madeira, a sua execução era considerada muito difícil e exigia</p><p>do praticante uma força corporal intensa. Quando o cabo passou a ser de aço,</p><p>o movimento ganhou uma nova dimensão, e sua execução, de certa forma,</p><p>tornou-se mais viável e facilitada, exigindo, da mesma forma, a qualidade física</p><p>da força, porém agora aplicada a um movimento mais consciente e seguro.</p><p>A segurança na realização das provas</p><p>A preocupação com a segurança de atletas, árbitros e torcedores durante as</p><p>provas de lançamentos justifi ca mudanças signifi cativas tanto nas característi-</p><p>cas dos implementos como nas áreas de execução do lançamento e de queda do</p><p>implemento. A gaiola de proteção, obrigatória para as provas de lançamento</p><p>de martelo e disco (Figura 2), é um exemplo dessas mudanças: ela se tornou</p><p>uma exigência, sendo imposta pelas regras ofi ciais. Cabe salientar que se o</p><p>implemento, no momento do lançamento, toca essa gaiola, a tentativa não é</p><p>invalidada. A preocupação é mesmo com a segurança.</p><p>Figura 2. Gaiola do martelo e disco.</p><p>Fonte: Uladzik Kryhin/Shutterstock.com.</p><p>Lançamentos: disco, martelo e dardo4</p><p>164 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Portanto, em relação à segurança, no trabalho de iniciação ao lançamento, é</p><p>importante que a gaiola seja adaptada com outro tipo de material, como cordas,</p><p>que impeçam outros alunos de ficarem no espaço, ou até mesmo com redes,</p><p>que indiquem o local onde os implementos serão lançados. Assim, evita-se</p><p>quaisquer contatos com implementos que estão sendo lançados ou retirados</p><p>dessa área por outros alunos.</p><p>No link a seguir, você tem acesso a um estudo que trata do uso da tecnologia nos</p><p>implementos e equipamentos do atletismo. Entre as páginas 44 e 56 do estudo, o autor</p><p>faz uma análise detalhada sobre a construção e a utilização das</p><p>gaiolas.</p><p>https://qrgo.page.link/Nwnhv</p><p>As regras e técnicas das provas de lançamentos</p><p>de disco, martelo e dardo</p><p>Para facilitar a compreensão sobre as técnicas mais utilizadas tanto para o</p><p>treinamento esportivo como para a iniciação da aprendizagem dos lançamen-</p><p>tos, as informações nesta seção estão organizadas separadamente por provas.</p><p>Entretanto, é importante destacar que todos os movimentos de exploração</p><p>do ato de lançar são cabíveis para que o atleta e o aluno se apropriem e se</p><p>conscientizem sobre a movimentação do corpo em todas as fases da execução.</p><p>O lançamento se caracteriza pela projeção de um implemento no ar. Con-</p><p>forme a técnica utilizada, os movimentos preparatórios para os lançamentos</p><p>podem incluir a realização de giros, como nas provas de disco e martelo, ou</p><p>o deslocamento linear, como no caso do dardo. Ainda, é possível classificar o</p><p>tipo de lançamento a partir da característica dos implementos — como pesado,</p><p>para o martelo, e leve, para o disco e o dardo.</p><p>Lançamento de disco</p><p>Para o lançamento de disco, é importante a execução de cinco etapas: balanceio,</p><p>giros, lançamento propriamente dito, recuperação do equilíbrio e fi nalização.</p><p>O atleta se posiciona de costas para o setor de lançamento e lateralmente à</p><p>5Lançamentos: disco, martelo e dardo</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Lançamentos: Disco, Martelo e Dardo | PARTE 3 165</p><p>área de queda do implemento. A empunhadura deve ser feita pelo apoio das</p><p>falanges, e o polegar e a palma da mão fazem o apoio lateral do disco (Figura 3).</p><p>Figura 3. Empunhadura do disco.</p><p>Fonte: Matthiesen (2017, p. 146).</p><p>Na posição inicial do lançamento, as pernas estão ligeiramente afastadas.</p><p>Quando começa a etapa do balanceio, há uma movimentação de transferência do</p><p>peso do corpo de uma perna para outra por meio de uma semiflexão das pernas,</p><p>acompanhada pela rotação do tronco. A segunda etapa de giros acontece no</p><p>ponto mais baixo do balanceio, e a transferência do peso do corpo se concentra</p><p>até a ponta dos pés. No caso do atleta destro, quando ele se posiciona de frente</p><p>para o setor de lançamento, ele realiza um salto, que é finalizado com o apoio</p><p>do pé direito no centro do círculo. Já o pé esquerdo perde o contato com o solo</p><p>e retoma o apoio na parte anterior do círculo, conforme mostra a Figura 4.</p><p>Figura 4. Movimento do corpo no lançamento do disco.</p><p>Fonte: Manual... ([20--?], documento on-line).</p><p>O lançamento acontece quando há troca de peso e apoio do corpo nas</p><p>pernas, o tronco gira para a direção do lançamento e, simultaneamente, há</p><p>uma ação de tracionar o disco com o braço. Em uma linha ascendente, o braço</p><p>Lançamentos: disco, martelo e dardo6</p><p>166 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>é estendido até a altura do ombro, sendo que o implemento é impulsionado</p><p>pelo dedo indicador. A tendência, então, é que o atleta saia do círculo; assim,</p><p>nessa etapa, há uma continuidade do giro, com a troca de posição dos pés e a</p><p>retomada do equilíbrio. É obrigatório que o atleta deixe a área de lançamento</p><p>pela parte de trás do círculo, finalizando a última etapa.</p><p>As regras básicas dessa prova, segundo o Livro de Regras (CBAT; IAAF,</p><p>2018), estão elencadas a seguir.</p><p> O corpo do disco pode ser sólido ou oco e será de madeira ou outro</p><p>material adequado, com um aro de metal cujas bordas sejam circulares.</p><p>A borda deve ser arredondada em um círculo perfeito, e o seu raio será</p><p>de 6 mm, aproximadamente. O disco deve ter placas metálicas circulares</p><p>cravadas no centro de suas faces.</p><p> O disco, incluindo a superfície do aro, não deverá ter qualquer aspereza,</p><p>e sua superfície deverá ser lisa e completamente uniforme.</p><p> Deve-se realizar o lançamento dentro do círculo de lançamento.</p><p> Deve-se respeitar as especificações para cada categoria e para provas</p><p>masculinas e femininas, conforme o Quadro 1.</p><p>Disco Feminino</p><p>Sub-18</p><p>masculino</p><p>Sub-20</p><p>masculino</p><p>Adulto</p><p>masculino</p><p>Peso mínimo para ser admitido em competição e homologação de recorde</p><p>1,000 kg 1,500 kg 1,750 kg 2,000 kg</p><p>Informação para fabricantes — variação para fornecer equipamento</p><p>de competição</p><p>1,005 kg</p><p>1,025 kg</p><p>1,505kg</p><p>1,525 kg</p><p>1,755 kg</p><p>1,775 kg</p><p>2,005 kg</p><p>2,025 kg</p><p>Diâmetro externo do aro de metal</p><p>Máximo 180 mm 200 mm 210 mm 219 mm</p><p>Mínimo 182 mm 202 mm 212 mm 221 mm</p><p>Diâmetro da placa de metal ou parte central plana</p><p>Máximo 50 mm 50 mm 50 mm 50 mm</p><p>Mínimo 57 mm 57 mm 57 mm 57 mm</p><p>Quadro 1. Especificações do disco</p><p>(Continua)</p><p>7Lançamentos: disco, martelo e dardo</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Lançamentos: Disco, Martelo e Dardo | PARTE 3 167</p><p>Lançamento de dardo</p><p>Para o lançamento de dardo, é possível utilizar três empunhaduras (Figura 5):</p><p> tipo garfo, em que o apoio do implemento está entre o dedo médio e</p><p>o dedo indicador;</p><p> empunhadura finlandesa, em que o implemento é apoiado pelo dedo</p><p>indicador; e</p><p> empunhadura americana, em que o dardo é apoiado no dedo indicador</p><p>e no dedo polegar.</p><p>A partir de uma dessas empunhaduras, o dardo se mantém acima do ombro</p><p>da mão dominante e na altura da cabeça. A partir dessa posição, inicia-se a</p><p>corrida de aproximação dentro do corredor de lançamento, com o objetivo de</p><p>alcançar a velocidade necessária para o movimento de lançar.</p><p>A prova do lançamento do dardo é realizada a partir de um corredor de</p><p>lançamento, que deve ter, no mínimo, 30 m; quando as condições permitirem,</p><p>ele deverá ter 36,50 m. Com relação à área de queda, segundo o Livro de</p><p>Regras (CBAT; IAAF, 2018, documento on-line): “[...] o setor de queda deve</p><p>ser marcado com linhas brancas de 50 mm de largura formando um ângulo</p><p>de 34,92º, de tal modo que a borda mais interna das linhas, se prolongadas,</p><p>passariam pelo centro do círculo”.</p><p>Fonte: Adaptado de CBAt e IAAF (2018).</p><p>Disco Feminino</p><p>Sub-18</p><p>masculino</p><p>Sub-20</p><p>masculino</p><p>Adulto</p><p>masculino</p><p>Espessura das placas de metal ou área central plana</p><p>Máximo 37 mm 38 mm 41 mm 44 mm</p><p>Mínimo 39 mm 40 mm 43 mm 46 mm</p><p>Espessura do aro de metal (6 mm da borda)</p><p>Máximo 12 mm 12 mm 12 mm 12 mm</p><p>Mínimo 13 mm 13 mm 13 mm 13 mm</p><p>Quadro 1. Especificações do disco</p><p>(Continuação)</p><p>Lançamentos: disco, martelo e dardo8</p><p>168 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Figura 5. Tipos de empunhadura do dardo: (a) garfo; (b) finlandesa; (c) americana.</p><p>Fonte: Matthiesen (2017, p. 135).</p><p>Em uma transição da corrida frontal para passos laterais, inicia-se o cruza-</p><p>mento das pernas. O braço que está com o dardo é estendido para trás. No caso do</p><p>atleta destro, a perna esquerda dá início aos cruzamentos (dois cruzamentos) até</p><p>a posição para o lançamento propriamente dito. O duplo apoio acontece quando</p><p>ocorre certo bloqueio na velocidade, ponto de base para que o corpo lance o</p><p>implemento para a frente e para cima. Nesse momento, o pé esquerdo toca o solo,</p><p>iniciando pelo calcanhar. Aqui, há uma forte desaceleração do deslocamento</p><p>lateral. É nessa freada dos membros inferiores que os membros superiores</p><p>ganham impulso, e o dardo é puxado de trás para a frente, sendo projetado ao</p><p>voo, conforme mostra a Figura 6. Após essa fase, é necessário que o movimento</p><p>de deslocamento seja encerrado antes da linha final do setor de corrida.</p><p>9Lançamentos: disco, martelo e dardo</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Lançamentos: Disco, Martelo e Dardo | PARTE 3 169</p><p>Figura 6. Movimento corporal no lançamento do dardo.</p><p>Fonte: Matthiesen (2017, p. 135).</p><p>As principais regras dessa prova, segundo o Livro de Regras (CBAT; IAAF,</p><p>2018), estão descritas a seguir.</p><p> O dardo deve ser segurado na empunhadura somente com uma das mãos.</p><p>Será lançado sobre o ombro ou acima da parte superior do braço de</p><p>lançamento e não deve ser lançado com movimentos rotatórios. Estilos</p><p>não ortodoxos não são permitidos.</p><p> Um lançamento é válido somente se a cabeça metálica do dardo tocar</p><p>o solo antes de qualquer outra parte.</p><p> Em nenhum momento durante o lançamento, e até que o dardo tenha</p><p>sido solto no ar, o atleta pode girar completamente, de modo que suas</p><p>costas fiquem na direção do arco de lançamento.</p><p> O dardo consiste de três partes: o corpo, a cabeça e uma empunhadura</p><p>de corda. O corpo pode ser sólido ou oco e será construído de metal ou</p><p>outro material similar adequado, de maneira que se constitua fixado e</p><p>integrado perfeitamente. O corpo terá fixado a ele uma cabeça metálica,</p><p>terminando em uma ponta aguda.</p><p> Deve-se respeitar as especificações para cada categoria e para provas</p><p>masculinas e femininas, conforme o Quadro 2.</p><p>Lançamentos: disco, martelo e dardo10</p><p>170 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Fonte: Adaptado de CBAt e IAFF (2018).</p><p>Dardo</p><p>Sub-18</p><p>feminino</p><p>Sub-20/</p><p>adulto</p><p>feminino</p><p>Sub-18</p><p>masculino</p><p>Sub-20/</p><p>adulto</p><p>masculino</p><p>Peso mínimo para ser admitido em competição e homologação</p><p>de um recorde (inclusive a empunhadura de corda)</p><p>500 g 600 g 700 g 800 g</p><p>Informação para fabricantes — variação para suprir equipamento</p><p>de competição</p><p>Mínimo 500 g 605 g 705 g 805 g</p><p>Máximo 525 g 625 g 725 g 825 g</p><p>Comprimento total (L0)</p><p>Mínimo 2,000 m 2,200 m 2,300 m 2,600 m</p><p>Máximo 2,100 m 2,300 m 2,400 m 2,700 m</p><p>Distância da ponta da cabeça metálica ao centro de gravidade (L1)</p><p>Mínimo 0,780 m 0,800 m 0,860 m 0,900 m</p><p>Máximo 0,880 m 0,920 m 1,000 m 1,060 m</p><p>Distância da cauda ao centro de gravidade (L2)</p><p>Mínimo 1,120 m 1,280 m 1,300 m 1,540 m</p><p>Máximo 1,320 m 1,500 m 1,540 m 1,800 m</p><p>Comprimento da cabeça metálica (L3)</p><p>Mínimo 0,220 m 0,250 m 0,250 m 0,250 m</p><p>Máximo 0,270 m 0,330 m 0,330 m 0,330 m</p><p>Quadro 2. Especificações do dardo</p><p>Lançamento de martelo</p><p>Na empunhadura do martelo, a mão esquerda segura a manopla do martelo;</p><p>acima dela, posiciona-se a mão direita (Figura 7). Nesse momento, o lançador</p><p>está de costas para o setor de queda e na parte posterior do círculo, com as</p><p>pernas ligeiramente afastadas. Os balanceios iniciam quando o martelo é</p><p>elevado à direita e atrás, com o acompanhamento do movimento corporal. Nos</p><p>11Lançamentos: disco, martelo e dardo</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Lançamentos: Disco, Martelo e Dardo | PARTE 3 171</p><p>molinetes (movimentos giratórios que são executados pelo martelo), que são</p><p>iniciados pelos balanceios, o martelo é impulsionado para a frente e para trás</p><p>do corpo, com posicionamento dos braços ora acima da cabeça, ora estendidos</p><p>à frente do corpo. Nesse movimento contínuo, há uma inclinação do tronco</p><p>para o lado contrário de onde se encontra o martelo (Figura 8).</p><p>Figura 7. Empunhadura do martelo.</p><p>Fonte: Matthiesen (2017, p. 156).</p><p>Figura 8. Movimento do corpo no lançamento do martelo.</p><p>Fonte: Manual... ([20--?], documento on-line).</p><p>A aceleração dos molinetes estimula o início dos giros, empregando-se a</p><p>perna esquerda como pivô para as rotações do corpo; o lançador é o eixo fixo</p><p>desse movimento rotatório. Geralmente, são executados três giros para que</p><p>se inicie o lançamento. O deslocamento dos giros leva o atleta até o limite</p><p>anterior do círculo, de costas para a direção do lançamento. A extensão total</p><p>do tronco, as pernas e a elevação dos braços estimulam o lançamento. Após, há</p><p>necessidade de uma troca de pés, para que se recupere o equilíbrio do corpo,</p><p>evitando que o atleta saia do círculo de lançamento.</p><p>Segundo o Livro de Regras (CBAT; IAFF, 2018), sobre as regras básicas</p><p>dessa prova, é necessário destacar o seguinte.</p><p>Lançamentos: disco, martelo e dardo12</p><p>172 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p> É permitido a um atleta, de sua posição inicial até seus balanços preli-</p><p>minares ou giros, colocar a cabeça do martelo no solo na parte interior</p><p>ou exterior do círculo.</p><p> Não é considerada falha a tentativa em que a cabeça do martelo toca</p><p>o solo dentro ou fora do círculo ou a parte superior da borda do aro.</p><p>O atleta pode parar e começar seu lançamento novamente, desde que</p><p>nenhuma outra regra tenha sido quebrada.</p><p> O martelo se compõe de três partes: cabeça de metal, cabo e empunhadura.</p><p> A cabeça deve ser de ferro maciço ou outro metal que não seja mais</p><p>macio do que o latão, ou um invólucro de quaisquer desses metais,</p><p>cheio de chumbo ou de outro material sólido.</p><p> Deve-se respeitar as especificações para cada categoria e para provas</p><p>masculinas e femininas, conforme o Quadro 3.</p><p>Fonte: Adaptado de CBAt e IAFF (2018).</p><p>Peso</p><p>Sub-18</p><p>feminino</p><p>Sub-20/</p><p>adulto</p><p>feminino</p><p>Sub-18</p><p>masculino</p><p>Sub-20</p><p>masculino</p><p>Adulto</p><p>masculino</p><p>Peso mínimo para ser admitido em competição e homologação de recorde</p><p>3,000 kg 4,000 kg 5,000 kg 6,000 kg 7,260 kg</p><p>Informação para fabricantes — variação para fornecer equipamento</p><p>de competição</p><p>3,005 kg 4,005 kg 5,005 kg 6,005 kg 7,265 kg</p><p>3,025 kg 4,025 kg 5,025 kg 6,025 kg 7,285 kg</p><p>Comprimento do martelo a partir da parte interna da empunhadura</p><p>1.195 mm 1.195 mm 1.200 mm 1.215 mm 1.215 mm</p><p>Nenhuma outra tolerância se aplica ao comprimento máximo</p><p>Diâmetro da cabeça</p><p>Máximo 85 mm 95 mm 100 mm 105 mm 110 mm</p><p>Mínimo 110 mm 110 mm 120 mm 125 mm 130 mm</p><p>Quadro 3. Especificações do martelo</p><p>13Lançamentos: disco, martelo e dardo</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Lançamentos: Disco, Martelo e Dardo | PARTE 3 173</p><p>Conforme o Livro de Regras (CBAT; IAFF, 2018), o martelo é um imple-</p><p>mento composto por três partes, a cabeça de metal, o cabo e a empunhadura</p><p>(Figura 9). A parte da cabeça deve ser feita de ferro maciço ou outro metal que</p><p>respeite a rigidez necessária para essa parte. Ainda, é possível que a cabeça</p><p>seja composta por enchimento, que “[...] deve ser colocado de tal maneira que</p><p>fique fixo internamente e que o centro de gravidade não varie mais que 6 mm</p><p>em relação ao centro da esfera”, conforme aponta o Livro de Regras (CBAT;</p><p>IAFF, 2018, documento on-line).</p><p>Já o cabo é inteiriço de arame de aço. Na ponta desse cabo, pode ter uma</p><p>alça nas extremidades, que servirá de conexão entre as partes. A empunhadura</p><p>deverá ser rígida e sem qualquer tipo de conexão articulada. Ela vai estar</p><p>presa ao cabo por um anel que não vire na conexão nem aumente o cabo,</p><p>ampliando o comprimento do martelo. Como ele é composto por três partes,</p><p>há especificações para cada uma delas que devem ser consideradas.</p><p>Por ter essas características, o martelo não é um implemento que faz parte</p><p>da rotina de crianças e alunos. De certa forma, essa falta de familiaridade faz</p><p>com que, no início do trabalho com esse implemento, haja um momento muito</p><p>efetivo de reconhecimento das possíveis formas de lançá-lo, até se chegar à</p><p>técnica do movimento propriamente dito.</p><p>Figura 9. O implemento martelo.</p><p>Fonte: 0ed780de7db10ec4 ([20--?], documento on-line).</p><p>Lançamentos: disco, martelo e dardo14</p><p>174 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>A aprendizagem dos lançamentos</p><p>No processo de aprendizagem dos lançamentos, é preciso evidenciar a carac-</p><p>terística de cada tipo de prova e de implemento. Em uma fase de exploração,</p><p>qualquer movimento que estimule o ato de lançar será efetivo, quando o objetivo</p><p>for a experimentação. Contudo, quando o refi namento do movimento se tornar</p><p>o foco da aprendizagem, é preciso que as especifi cidades se manifestem nas</p><p>estratégias de ensino.</p><p>De certa forma, independentemente do lançamento, é possível definir uma</p><p>progressão para a aprendizagem, como vemos a seguir.</p><p>1. É preciso que o aluno “lance” o implemento de diferentes formas,</p><p>para reconhecer suas características, como seu peso, sua forma, entre</p><p>outros aspectos.</p><p>2. Em um determinado ponto da aprendizagem, as estratégias devem</p><p>prever lançamentos para cima e para a frente, uma situação que pode</p><p>ser estimulada por meio da indicação de alvos a serem atingidos.</p><p>3. O lançamento deve ser feito a partir de um deslocamento, uma corrida,</p><p>um giro ou um balanceio (nessa situação, a delimitação do deslocamento</p><p>e dos espaços pode ser estabelecida com o uso de cordas, arcos, círculos</p><p>ou retas desenhadas no chão.</p><p>4. Deve-se definir um objetivo — a distância deve ser compreen-</p><p>dida como meta, e</p><p>o uso de bandeiras que definam a distância dos</p><p>lançamentos funciona como um desafio para que as metas sejam</p><p>ultrapassadas.</p><p>Essa progressão deve ser estabelecida para cada implemento, no mo-</p><p>mento em que o professor estiver elaborando seu planejamento. Também</p><p>é necessário identificar estratégias de ensino diferenciadas. É importante</p><p>compreender que o aluno não aprende somente executando, mas também</p><p>lendo, ouvindo, observando, descrevendo e pesquisando. Assim, o ensino</p><p>se potencializa por meio da criatividade e da diversificação das atividades,</p><p>o que também favorece uma aprendizagem mais completa e complexa</p><p>sobre os lançamentos.</p><p>15Lançamentos: disco, martelo e dardo</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Lançamentos: Disco, Martelo e Dardo | PARTE 3 175</p><p>Uma estratégia diferenciada para a aprendizagem dos lançamentos é a análise de</p><p>vídeos, nos quais os alunos podem observar as especificidades de cada movimento</p><p>e depois, na prática, buscar uma execução parecida, ou até mesmo fazer correções</p><p>nos movimentos dos colegas. A correção também se caracteriza como uma boa</p><p>estratégia de aprendizagem.</p><p>Geralmente, a aprendizagem se concentra na forma de executar os movimen-</p><p>tos, com exercícios práticos, individuais, em duplas, em pequenos grupos, etc.,</p><p>realizados com base na proposta de explorar as formas de lançar. Emprega-se</p><p>também uma diversidade de materiais e implementos que estejam associados</p><p>ou próximos das características dos implementos oficiais. Nessa lógica, é</p><p>sempre necessário criar um cenário próximo às exigências das regras, como</p><p>o círculo de lançamentos e o setor de quedas. A compreensão dos limites de</p><p>movimentações corporais impostos pelas regras estimula uma maior cons-</p><p>cientização sobre a forma como o corpo deve se colocar e se movimentar a</p><p>cada fase do lançamento.</p><p>Ainda, é possível que as aprendizagens atuem no campo conceitual dos</p><p>conteúdos, por meio do estudo das regras, da história, dos valores sociais,</p><p>dos atletas e recordes, das técnicas de execução, entre outros aspectos. Esse</p><p>tipo de conhecimento qualifica a aprendizagem e impacta de forma positiva</p><p>a motivação para a prática dos lançamentos, com uma base teórica. Contudo,</p><p>essa forma de pensar os conteúdos ainda não é disseminada entre as culturas</p><p>escolares. Os professores de educação física ainda assumem uma tendência</p><p>de ensino mais prática, com base no saber fazer, e discutem de forma sucinta</p><p>os conteúdos conceituais — o saber sobre — e os atitudinais — o sentir sobre</p><p>—, conforme aponta Matthiesen (2014).</p><p>Em uma perspectiva mais crítica sobre a aprendizagem dos lançamentos,</p><p>sugere-se uma dedicação aos conteúdos conceituais que justificam e expli-</p><p>cam as práticas atuais, como regras e comportamentos sociais relacionados</p><p>aos esportes.</p><p>Lançamentos: disco, martelo e dardo16</p><p>176 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>O quadro abaixo traz algumas possibilidades de planejamento para o ensino dos</p><p>conteúdos conceituais dos lançamentos.</p><p>Objetivo de</p><p>aprendizagem</p><p>Conteúdo</p><p>de ensino</p><p>Estratégia de ensino</p><p>Compreender valores</p><p>sociais na prática dos</p><p>lançamentos</p><p>Valores sociais: inclu-</p><p>são, gênero, racismo,</p><p>entre outros</p><p>Solicitar aos alunos que tra-</p><p>gam para a aula reportagens</p><p>de jornais, revistas e sites que</p><p>tratem sobre os lançamentos</p><p>praticados por mulheres, defi-</p><p>cientes, negros e outros e que</p><p>possibilitem um debate sobre</p><p>os valores sociais. É preciso que</p><p>os alunos manifestem opiniões,</p><p>bem como se interessem por</p><p>esse tema em outros contextos.</p><p>Após o debate, será constru-</p><p>ído um cartaz, para que os</p><p>temas sejam constantemente</p><p>debatidos.</p><p>Associar as regras</p><p>oficiais das provas</p><p>de lançamentos</p><p>com a execução do</p><p>movimento</p><p>Regras oficiais dos</p><p>lançamentos de mar-</p><p>telo, dardo e disco</p><p>Depois de uma leitura sobre</p><p>as principais regras, os alunos</p><p>podem assistir a um vídeo</p><p>com provas oficiais, para que</p><p>consigam perceber essas regras</p><p>em um cenário competitivo.</p><p>Depois, na prática, pode-se criar</p><p>um cenário de execução em</p><p>duplas, em que um colega é o</p><p>atleta, que vai executar o movi-</p><p>mento, e outro é o juiz, que vai</p><p>apontar as especificidades da</p><p>regra na execução.</p><p>17Lançamentos: disco, martelo e dardo</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Lançamentos: Disco, Martelo e Dardo | PARTE 3 177</p><p>Vale destacar que atividades como a construção de implementos, a aná-</p><p>lise de vídeos, o contato com espaços reais de treinamento — por exemplo,</p><p>visitas a centros de treinamentos ou palestras com atletas — são sempre</p><p>instigantes, mesmo que essas situações sejam pontuais. Há alunos que tal-</p><p>vez não tenham acesso a esses locais e a essas experiências se não forem</p><p>ofertadas nos ambientes escolares e de iniciação esportiva. Para muitos, a</p><p>aproximação com o esporte se dá apenas por meio das mídias televisivas e</p><p>das redes tecnológicas.</p><p>Os festivais esportivos também são ações que envolvem um grande grupo</p><p>de alunos e, até mesmo, a comunidade escolar. No caso do atletismo e, em</p><p>especial, no caso dos lançamentos, o uso de parques, centros urbanos ou</p><p>praças comunitárias pode favorecer o reconhecimento pela comunidade das</p><p>aprendizagens realizadas na escola, ao mesmo tempo que faz com que o aluno</p><p>queira qualificar seu movimento para que sua representação e participação</p><p>nessas ações sejam apreciadas por todos.</p><p>O livro Os desafios da escola pública paranaense na perspectiva do professor PDE: pro-</p><p>duções didático-pedagógicas apresenta estratégias interessantes e diferenciadas</p><p>para a aprendizagem dos conteúdos da educação física. Acesse o link a seguir e</p><p>consulte o material.</p><p>https://qrgo.page.link/KT8M4</p><p>Os lançamentos são provas que partem do princípio de lançar um im-</p><p>plemento, mas que se tornam diferenciadas pelas características de cada</p><p>implemento. O ato de lançar é conduzido pela ação motora, mas a forma</p><p>como esse movimento é executado está intimamente relacionada à forma,</p><p>ao peso e à estrutura dos implementos. Este capítulo apresentou como es-</p><p>sas provas foram evoluindo ao longo da história e como essas alterações</p><p>influenciaram os estilos de lançamentos utilizados atualmente pelos atletas.</p><p>Ainda, evidenciou a aprendizagem desses estilos nas fases da iniciação,</p><p>com proposições para a utilização dessa prática esportiva como conteúdo</p><p>de ensino na educação física escolar.</p><p>Lançamentos: disco, martelo e dardo18</p><p>178 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>0,,15317322-EX,00. Globo Esporte, Rio de Janeiro [20--]. Largura: 212 pixels. Altura:</p><p>159 pixels. Formato: JPG. Disponível em: http://globoesporte.globo.com/Esportes/</p><p>foto/0,,15317322-EX,00.jpg. Acesso em: 1 maio 2019.</p><p>0ED780DE7DB10EC4. Nextews, [s. l.], [20--?]. Largura: 211 pixels. Altura: 158 pixels. For-</p><p>mato: JPG. Disponível em: http://nextews.com/images/0e/d7/0ed780de7db10ec4.</p><p>jpg. Acesso em: 1 maio 2019.</p><p>CBAT; IAAF. Regras oficiais de competições da IAAF 2018-2019: edição oficial para o Brasil.</p><p>São Paulo: CBAt, 2018. Disponível em: http://www.cbat.org.br/repositorio/cbat/do-</p><p>cumentos_oficiais/regras/regras_oficiais_2018_2019.pdf. Acesso em: 31 maio 2019.</p><p>MANUAL do Treinador — nível I: lançamentos em rotação. [S. l.: s. n.], [20--?]. Dispo-</p><p>nível em: http://files.efd321.webnode.com.br/200000029-8bddf8c5bd/19%20-%20</p><p>Lan%C3%A7amentos%20em%20Rota%C3%A7%C3%A3o.pdf. Acesso em: 31 maio 2019.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. (org.). Atletismo se aprende na escola. Jundiaí: Fontoura, 2005.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. Atletismo na escola. Maringá: Eduem, 2014.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. Atletismo: teoria e prática. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>CBAT. O atletismo: origens. Confederação Brasileira de Atletismo, Braganca Paulista, [2010?].</p><p>Disponível em: http://www.cbat.org.br/atletismo/origem.asp. Acesso em: 31 maio 2019.</p><p>DUARTE, O. História dos esportes. 6. ed. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2019.</p><p>FERNANDES, J. L. Atletismo: lançamentos e [arremesso]. 2. ed. São Paulo: EPU, 2003.</p><p>GUIMARÃES, V. D. Evidências tecnológicas</p><p>no universo do atletismo: uma análise dos</p><p>materiais e equipamentos esportivos. 2013. Dissertação (Mestrado em Desenvol-</p><p>vimento humano e Tecnologias) — Instituto de Biociências, universidade Estadual</p><p>Paulista, Rio Claro, 2013. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/bitstream/han-</p><p>dle/11449/99074/000713950.pdf;jsessionid=13CFA5B2F6AFCBB12084A2497600F008?</p><p>sequence=1. Acesso em: 1 maio 2019.</p><p>IORA, J. A. et al. A Construção de materiais e a utilização de espaços alternativos para</p><p>o ensino do atletismo. Saúde e Desenvolvimento Humano, [s. l.], v. 4, n. 2, p. 79-88, 2016.</p><p>Disponível em: https://revistas.unilasalle.edu.br/index.php/saude_desenvolvimento/</p><p>article/view/2317-8582.16.32. Acesso em: 31 maio 2019.</p><p>RAVACHE, R. Atletismo paraolímpico: manual de orientação para professores de educação</p><p>física: Brasília: Comitê paraolímpico Brasileiro, 2006.</p><p>SIMONI, C. R.; TEIXEIRA, W. M. Atletismo em quadrinhos: história, regras, técnicas, glossário.</p><p>Porto Alegre. Editora Rigel, 2009.</p><p>19Lançamentos: disco, martelo e dardo</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Lançamentos: Disco, Martelo e Dardo | PARTE 3 179</p><p>ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO</p><p>PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.</p><p>PREZADO ESTUDANTE</p><p>180 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Parte 4</p><p>Arremesso de Peso</p><p>O conteúdo deste livro</p><p>é disponibilizado</p><p>por SAGAH.</p><p>unidade</p><p>3</p><p>V.1 | 2022</p><p>182 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Arremesso de peso</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Identificar a origem, a evolução e os espaços das provas de arremesso.</p><p> Descrever as regras e técnicas utilizadas nas provas de arremesso de peso.</p><p> Analisar os processos de ensino e de aprendizagem das técnicas de</p><p>arremesso de peso e as suas relações com outros esportes.</p><p>Introdução</p><p>A prática do arremesso de peso vem se transformando ao longo da his-</p><p>tória. Trata-se de uma prática que se baseia em um movimento básico do</p><p>ser humano e cujas finalidades foram se transformando, até culturalmente</p><p>ser compreendida como uma prova da modalidade esportiva atletismo.</p><p>É possível evidenciar diferentes propostas para o processo de ensino e</p><p>aprendizagem do movimento motor do arremesso, abrangendo adapta-</p><p>ções, processos pedagógicos e lúdicos, utilização de materiais alternativos</p><p>e a interlocução do ato de arremessar com outras práticas esportivas.</p><p>No entanto, na prática competitiva, o arremesso assume características</p><p>próprias definidas por regras e normas, que estabelecem desde a forma</p><p>correta da execução do movimento técnico até a configuração dos locais</p><p>de provas. Nesse sentido, os métodos de aprendizagem, desde a iniciação</p><p>até o treinamento do alto rendimento, também se tornam mais específicos.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar a origem, a evolução e os espaços das</p><p>provas de arremesso. Você também vai identificar as regras e técnicas utiliza-</p><p>das nessas provas e vai analisar os processos de ensino e de aprendizagem das</p><p>técnicas de arremesso de peso, relacionando a prática com outros esportes.</p><p>O ato de arremessar ao longo da história</p><p>O arremesso é uma habilidade básica motora, que é classifi cada como uma</p><p>habilidade fundamental no desenvolvimento motor na infância. Os bebês</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Arremesso de Peso | PARTE 4 183</p><p>arremessam coisas e o fazem de forma espontânea; contudo, essa exploração</p><p>cria estruturas mentais que favorecem a ampliação de experiências e do acervo</p><p>motor referente ao ato de arremessar. Nesse sentido, o movimento vai ganhando</p><p>dimensões estruturais que se pautam nas diferentes formas e objetos que</p><p>incentivam essa exploração, a partir da percepção de seus tamanhos, pesos,</p><p>formas e espessuras.</p><p>Assim, nesse processo de aprimorar o movimento, a criança passa a compre-</p><p>ender e incorporar diferentes formas de executar o arremesso. Na perspectiva</p><p>de movimento especializado de uma modalidade esportiva, como no atletismo,</p><p>essas formas recebem a denominação de técnicas de execução.</p><p>Nas variações da habilidade motora de arremessar, pode-se identificar os</p><p>arremessos por baixo, com uma ou duas mãos, os arremessos laterais, que</p><p>geralmente são realizados ao lado do corpo, com uma elevação do braço quase</p><p>estendido, e os arremessos por cima dos ombros, que, em geral, são executados</p><p>com as duas mãos — porém, no arremesso de peso, utiliza-se uma mão só,</p><p>conforme apontam Haywood e Getchell (2004).</p><p>De certa forma, as habilidades motoras dão fundamento para as moda-</p><p>lidades esportivas. Geralmente, os movimentos técnicos se originam como</p><p>habilidades culturalmente determinadas e assumem as especificidades</p><p>necessárias para a execução de movimentos mais eficazes. Por isso, o atle-</p><p>tismo é considerado o esporte de base, já que abrange muitas habilidades</p><p>básicas motoras. Sua prática favorece a exploração e a vivência desses</p><p>movimentos, que são utilizados e ressignificados quando executados em</p><p>outras modalidades esportivas, conforme afirma a Confederação Brasileira</p><p>de Atletismo (CBAT, [20--?]).</p><p>Quanto ao processo histórico, é importante lembrar que o arremesso já</p><p>se manifestava nas ações de sobrevivência na Pré-História como movimento</p><p>para a caça e alimentação. Nesse período, ainda de forma muito rudimen-</p><p>tar, o movimento se manifestava pela necessidade, sem preocupação com a</p><p>forma — o importante era atingir o alvo. Para isso, vários tipos de materiais</p><p>surgiram como implemento desse arremesso, como pedras, lanças de tronco</p><p>de árvores, entre outros.</p><p>Enquanto prática esportiva, segundo Matthiesen (2005), durante o século</p><p>XVII, no Reino Unido, o arremesso de peso passou a ser praticado por sol-</p><p>dados, em locais específicos para essas provas, utilizando balas de canhão</p><p>que pesavam entre 7 e 8 kg (essa variação ocorre porque o peso original</p><p>tinha 16 libras, unidade de medida inglesa). Contudo, já se evidenciava tal</p><p>prática entre os soldados gregos na Antiguidade, que arremessavam pedras</p><p>para identificar quem era o mais forte e hábil. São inúmeros os exemplos da</p><p>Arremesso de peso2</p><p>184 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>prática de arremessar implementos pesados ao longo dos diferentes momentos</p><p>da história da Educação Física, fato que reforça a importância dessa prova na</p><p>história dos esportes em geral.</p><p>As primeiras regras dessa prova foram estabelecidas em 1860 (MATTHIE-</p><p>SEN, 2005). Na época, o movimento deveria ser executado em um quadrado</p><p>com lados de 7 pés. Em 1906, uma significativa mudança foi registrada quanto</p><p>ao local de prova, que passou a ter especificações próximas ao modelo atual,</p><p>sendo o quadrado substituído por um círculo com 7 pés de diâmetro.</p><p>Nos registros sobre as competições com arremesso de peso, encontram-se os</p><p>Jogos Olímpicos de 1906, em Atenas, em que a disputa se dava pelo arremesso</p><p>de pedras que pesavam 6,4 kg. Segundo Duarte (2019), o vencedor dessa disputa</p><p>foi o grego Nikolaos Georgantas. Segundo o autor, em Estocolmo, no ano de</p><p>1912, a prova de arremesso era executada com ambas as mãos. Lançava-se</p><p>o implemento com uma mão e depois com a outra, e o resultado se baseava</p><p>na soma das distâncias dos arremessos executados com a mão direita e com</p><p>a mão esquerda. Nessa competição, o vencedor foi o americano Ralph Rose.</p><p>Os homens já disputavam a prova do arremesso em jogos olímpicos deste Atenas,</p><p>em 1896, mas somente em 1948, nos Jogos Olímpicos de Londres, foram organizadas</p><p>provas com a participação de mulheres, conforme leciona Matthiesen (2014).</p><p>De certo modo, a oficialização da prova nos jogos olímpicos favoreceu a</p><p>disseminação do ato de arremessar em uma dimensão técnica, pois a natu-</p><p>ralização do movimento preconiza uma prática sem a preocupação com suas</p><p>exigências e normas. Isso não significa que a aprendizagem do arremesso</p><p>não deva ser ofertada em outras condições que não as normatizadas, no que</p><p>tange ao local, às condições dos materiais e até mesmo</p><p>saúde e do desenvolvimento</p><p>da personalidade, do sistema cardiovascular e nervoso, além de superar o apelo</p><p>ao rendimento esportivo. Visto desse modo, esse esporte promove benefícios</p><p>práticos, cuja discussão s pode se tornar um importante elemento da cultura</p><p>corporal.</p><p>A ginástica também compreende um esporte que permite uma expressiva</p><p>análise sobre a cultura corporal do movimento, visto que sua ligação com esse</p><p>conteúdo é significativa desde o período pré-histórico, tal como o atletismo.</p><p>Essa modalidade permite uma ampla reflexão, pois está presente em vários</p><p>momentos da aula, como aquecimento, alongamento, consciência corporal e,</p><p>evidentemente, nos elementos corporais já descritos nesta unidade, os quais</p><p>têm funções diferentes quando abordados na ginástica artística e na rítmica.</p><p>Conheça um pouco mais sobre as ginásticas artística e rítmica acessando o link a seguir.</p><p>https://qrgo.page.link/Lk8Nh</p><p>Fonseca (2014) descreve outros esportes individuais como parte da cultura</p><p>corporal de movimento, como o tênis, que favorece o desenvolvimento de:</p><p>[...] habilidades como correr, saltar, arremessar, receber, equilibrar objetos,</p><p>equilibrar-se, desequilibrar-se, quicar bolas, bater e rebater, além de ter acesso</p><p>aos objetos como bolas, cordas, alvos, bastões, raquetes sendo vivenciados</p><p>em situações não competitivas que garantam espaço e tempo para o trabalho</p><p>individual [...] (FONSECA, 2014, p. 24).</p><p>O tênis também é um esporte histórico, incialmente praticado apenas</p><p>pela elite até ganhar apelos mais populares, o que permite analisar a cultura</p><p>que o envolve e suas transformações ao longo do tempo. Igualmente, o tênis</p><p>de mesa desenvolve a destreza, a coordenação, a precisão gestual e a veloci-</p><p>dade de execução e reação, e, no domínio cognitivo, a tomada de decisão, a</p><p>antecipação, a apreciação de trajetórias, a análise do jogo e a elaboração de</p><p>9Prática docente nos esportes individuais</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Prática Docente nos Esportes Individuais | PARTE 1 19</p><p>uma estratégia (COSTA, 2013 apud FONSECA, 2014). Essa modalidade é</p><p>bastante motivadora por ser simples e de fácil aprendizado, além de passível</p><p>de improvisação nas aulas.</p><p>Seguindo a linha de esportes com rede, temos o badminton, igualmente</p><p>rápido e que exige agilidade na execução de movimentos, além de trabalhar</p><p>a percepção temporal e espacial. Esse esporte pode ser analisado a partir de</p><p>um esporte tipicamente nacional, criado pelos indígenas: a peteca. Comparar</p><p>essas duas modalidades e como elas influenciam a cultura representa um</p><p>dever das aulas de educação física, fazendo com que o aluno compreenda</p><p>esse processo histórico-cultural.</p><p>Para terminar essa breve análise de esportes individuais com a cultura</p><p>corporal de movimento, podemos pensar em uma das modalidades mais</p><p>populares atualmente, o ciclismo, que, além dos benefícios supracitados,</p><p>pode ser analisado em relação às questões ambientais e à sustentabilidade,</p><p>já que o incentivo a essa prática visa a reduzir o efeito poluentes de veículos</p><p>de passeio. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), o tema</p><p>meio ambiente é considerado transversal, devendo ser trabalhado por todas</p><p>as disciplinas, incluindo a educação física.</p><p>Sobre os esportes individuais na escola, podemos refletir que:</p><p>Existe consciência de que a principal fonte dos recursos humanos para o</p><p>desporto está na Escola, daí a necessidade de que a Escola ofereça um grande</p><p>número de atividades e alternativas de esportes. Devemos pensar que cada</p><p>uma das diferentes modalidades possui características próprias, com exigên-</p><p>cias específicas para seus praticantes. Isso significa que os atributos para ser</p><p>bem-sucedido numa modalidade esportiva podem ser encontrados na própria</p><p>vivência e não na prática, já que quem pratica definiu a sua modalidade, e</p><p>podem existir poucas chances que possua os atributos necessários para ser bem</p><p>sucedido nela (PÉREZ GALLARDO, 2003, p. 9 apud FONSECA, 2014, p. 25).</p><p>Em resumo, os esportes individuais são marcados pela atuação isolada do</p><p>aluno/atleta, sem a colaboração de um colega, durante toda a ação esportiva,</p><p>podendo ser classificados em jogos individuais em que não há interação com o</p><p>oponente (esportes de marca, estéticos ou de precisão) e em que há a interação</p><p>com o oponente (esportes de combate ou luta, de campo e taco ou de rede).</p><p>Prática docente nos esportes individuais10</p><p>20 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Do ponto de vista metodológico, em razão de suas especificidades, trata-</p><p>-se de um processo de ensino-aprendizagem diferenciado, por não haver um</p><p>método generalizante que os abranja integralmente, estando voltado, nesse</p><p>caso, ao rendimento do aluno/atleta a partir da técnica, com ênfase nos gestos</p><p>motores relacionados aos fundamentos e às habilidades específicas motoras</p><p>da modalidade em questão.</p><p>Desse modo, os elementos dos esportes individuais possibilitam trabalhar</p><p>essa cultura corporal de modo diferente, com a abordagem de temas como</p><p>a própria visão da individualidade, a partir de discussões e confrontações</p><p>com os aspectos do esporte coletivo, como trabalho em equipe e cooperação,</p><p>além da exploração da idade de cultura corporal sob a visão de cada um dos</p><p>alunos. Entre esses esportes, como já visto, estão os movimentos básicos do</p><p>atletismo, o tênis e suas transformações ao longo do tempo, a relação entre o</p><p>badminton e a peteca e o ciclismo como um meio sustentável.</p><p>ALEXANDRE, A. A.; KOFAHL, A. L. C.; SANTANA, B. E. Esportes coletivos na perspectiva</p><p>da cultura corporal: uma proposta pedagógica. EFDeportes.com: Revista Digital, Buenos</p><p>Aires, 14, n. 137, 2009. Disponível em: https://www.efdeportes.com/efd137/esportes-</p><p>-coletivos-na-perpectiva-da-cultura-corporal.htm. Acesso em: 06 jan. 2020.</p><p>BETTI, M.; ZULIANI, L. R. Educação Física escolar: uma proposta de diretrizes pedagó-</p><p>gicas. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 73–81, 2002.</p><p>FERREIRA, V. Educação física: recreação, jogos e desporto. 3. ed. Rio de Janeiro: Sprint,</p><p>2010.</p><p>FONSECA, S. S. Educação física escolar e os esportes individuais: entre a realidade e as</p><p>possibilidades. 2014. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Educação</p><p>Física) – Centro de Ciências Sociais, Universidade Estadual de Maringá, Ivaiporã, 2014.</p><p>Disponível em: http://sites.uem.br/crv/educacao-fisica/trabalhos-de-conclusao-de-</p><p>-curso/2010-2014/educacao-fisica-escolar-e-os-esportes-individuais-entre-a-realidade-</p><p>-e-as-possibilidades/view. Acesso em: 06 jan. 2020.</p><p>GREGO, P.; ROMERO, R.; FERNANDEZ, J. Manual de handebol: da iniciação ao alto nível.</p><p>São Paulo: Phorte, 2012.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. Atletismo se aprende na escola. Jundiaí: Fontoura, 2005.</p><p>11Prática docente nos esportes individuais</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Prática Docente nos Esportes Individuais | PARTE 1 21</p><p>MONTEIRO, A. As modalidades esportivas e os jogos no âmbito escolar. 2011. Disponível</p><p>em: http://www.saosebastiao.sp.gov.br/ef/pages/cultura/esportes/esportes_indivi-</p><p>duais/Leituras/Modalidades%20esportivas%20e%20o%20jogo%20na%20escola.pdf.</p><p>Acesso em: 06 jan. 2020.</p><p>NISTA-PICCOLO, V. L. Pedagogia da ginástica artística. In: NUNOMURA, M.; NISTA-</p><p>-PICCOLO, V. L. (org.). Compreendendo a ginástica artística. São Paulo: Phorte, 2004.</p><p>OLIVEIRA, M. Atletismo escolar: uma proposta de ensino na educação infantil. Rio de</p><p>Janeiro: Sprint; 2006.</p><p>PIERI, A.; HUBER, M. P. A utilização do atletismo na educação física escolar como base</p><p>para o desenvolvimento motor. EFDeportes.com: Revista Digital, Buenos Aires, v. 17, n.</p><p>178, 2013. Disponível em: https://www.efdeportes.com/efd178/atletismo-na-educacao-</p><p>-fisica-escolar.htm. Acesso em: 06 jan. 2020.</p><p>VANCINI, R. et al. A pedagogia do ensino das modalidades esportivas coletivas e indi-</p><p>viduais: um ensaio teórico. Conexões, Campinas, v. 13, n. 4, p. 137–154, 2015. Disponível</p><p>em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/conexoes/article/view/8643437.</p><p>à condição física do</p><p>praticante. O contexto escolar deve estimular e priorizar o desenvolvimento</p><p>das habilidades motoras e a iniciação às técnicas dos esportes. Porém, ao se</p><p>ter como objetivo o ensino do arremesso de peso enquanto prova estruturada</p><p>e sistematizada, deve-se ter o cuidado para que as regras, as técnicas de exe-</p><p>cução, o implemento e os locais de realização sejam aprendidos, utilizados</p><p>e minimamente respeitados no processo de aquisição desse conhecimento,</p><p>conforme apontam Iora et al. (2016).</p><p>3Arremesso de peso</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Arremesso de Peso | PARTE 4 185</p><p>Dessa forma, existem demandas específicas da modalidade que merecem</p><p>atenção no trabalho de iniciação e treinamento. O local da prova do arremesso</p><p>deve conter um espaço amplo e aberto, sem obstáculos, que favoreça o voo</p><p>do implemento de forma livre. A questão com a segurança também deve</p><p>ser levada em conta, já que o peso é um material que, ao ser arremessado,</p><p>pode atingir outras pessoas, causando acidentes indesejados, conforme expõe</p><p>Matthiesen (2014).</p><p>Para as competições oficiais, há um lugar específico para o arremesso na</p><p>pista de atletismo, sendo ele um círculo de lançamentos com 2,135 metros</p><p>de diâmetro. Na frente desse círculo se posiciona um anteparo e um setor</p><p>de queda. Esse setor de queda possui uma abertura de 34,92°, que se origina</p><p>no centro do círculo de lançamento. A definição do local de prova delimita</p><p>o espaço de utilização do atleta ao executar o arremesso e do peso ao sair</p><p>da mão do atleta e atingir o solo, configurando arremessos válidos ou não</p><p>validos, conforme aponta a CBAt ([20--?]). A evolução do movimento e as</p><p>mudanças sofridas também estão associadas aos equipamentos utilizados para</p><p>a prova; por exemplo, a mudança da área do arremesso de um quadrado para</p><p>um círculo promoveu e facilitou a técnica de rotação do arremesso, conforme</p><p>leciona Fernandes (2003) e demonstra a Figura 1.</p><p>Figura 1. A evolução e as mudanças dos locais de provas do arremesso de</p><p>peso: (a) antigo local de prova do arremesso de peso; (b) local de prova do</p><p>arremesso de peso nas regras atuais.</p><p>Fonte: (a) File... (2015, documento on-line); (b) 250PX-REMIGIUS_MACHURA_SENIOR_CZ_</p><p>CHAMPIONSHIPS_IN_ATHLETICS_KLADNO_2005 (2005, documento on-line).</p><p>As provas de arremesso de peso</p><p>Durante muitos anos, a prova de arremesso de peso era praticada somente</p><p>por homens; como vimos, a participação das mulheres nessa prova teve início</p><p>Arremesso de peso4</p><p>186 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>em 1948. No decorrer dos anos, a prova vem sendo estabelecida com base em</p><p>características que respeitem os perfi s masculino e feminino, principalmente</p><p>na defi nição de pesos específi cos.</p><p>Atualmente, nas competições oficiais, há competidores de ambos os gê-</p><p>neros que disputam recordes e medalhas. Os resultados são definidos pela</p><p>maior distância em que o implemento é arremessado, sendo que os recordes</p><p>atingidos por homens em competições olímpicas ainda são maiores do que os</p><p>das mulheres. Por exemplo, o recorde olímpico dos homens é de 22,52 metros,</p><p>e o das mulheres é de 22,41 metros; já o recorde mundial se apresenta com as</p><p>seguintes distâncias: 23,12 metros, para os homens, e 22,63, para as mulheres.</p><p>Essas marcas foram atingidas em provas que respeitam as regras sobre o peso</p><p>do implemento para cada gênero, conforme mostra o Quadro 1.</p><p>Fonte: Adaptado de CBAt e IAAF (2017).</p><p>Peso</p><p>Sub-18</p><p>feminino</p><p>Sub-20/</p><p>adulto</p><p>feminino</p><p>Sub-18</p><p>masculino</p><p>Sub-20</p><p>masculino</p><p>Adulto</p><p>masculino</p><p>Peso mínimo para ser admitido em competição e homologação de recorde:</p><p>3,000 kg 4,000 kg 5,000 kg 6,000 kg 7,260 kg</p><p>Informação para fabricantes — variação para fornecer equipamento de</p><p>competição:</p><p>3,005 kg</p><p>3,025 kg</p><p>4,005 kg</p><p>4,025 kg</p><p>5,005 kg</p><p>5,025 kg</p><p>6,005 kg</p><p>6,025 kg</p><p>7,265 kg</p><p>7,285 kg</p><p>Diâmetro</p><p>Máximo 85 mm 95 mm 100 mm 105 mm 110 mm</p><p>Mínimo 110 mm 110 mm 120 mm 125 mm 130 mm</p><p>Quadro 1. Peso do implemento para cada prova masculina e feminina de arremeso de</p><p>peso</p><p>Vem crescendo nos últimos anos a prática do arremesso de peso entre indiví-</p><p>duos com deficiência. Conforme afirmam Resplandes e Barros (2017, documento</p><p>on-line), “O esporte adaptado abrange inúmeras modalidades, dentre as quais</p><p>se destaca o atletismo, que simula movimentos naturais do ser humano com</p><p>fácil adaptação”. Nessa proposta, o movimento técnico do esporte é adaptado</p><p>5Arremesso de peso</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Arremesso de Peso | PARTE 4 187</p><p>às características individuais, e as regras que regem as provas também são</p><p>modificadas; por exemplo, o peso varia de 2 a 4 kg, conforme a classe funcional</p><p>e o sexo do praticante. Assim, é a classe funcional que estabelece um controle</p><p>sobre o grau de lesão ou deficiência apresentada pelos atletas, estabelecendo</p><p>padrões iguais entre os competidores, conforme leciona Ravache (2006).</p><p>As provas de arremesso do peso nas paraolimpíadas são realizadas por</p><p>atletas com deficiência física, visual ou intelectual. Para cada classe funcional,</p><p>há detalhamento da forma como esse esportista vai realizar o seu arremesso;</p><p>por exemplo, o deficiente visual pode ter auxílio de uma pessoa, denominada</p><p>guia. O guia pode orientar o atleta a qualquer momento da prova, posicionando</p><p>o atleta no setor de arremesso, orientando-o no sentido do espaço (de forma</p><p>tátil e por som) e colocando-o próximo aos implementos. Podem ser utilizadas</p><p>por ele a fala ou palmas, para indicar a direção do arremesso.</p><p>De certa forma, o arremesso de peso é uma prática esportiva popular, sendo</p><p>considerada base para outras modalidades esportivas, já que se origina de uma</p><p>habilidade motora. Mesmo com exigências próprias, a execução é facilitada,</p><p>pois o movimento pode ser adaptado às necessidades dos praticantes. No que</p><p>se refere ao alto nível, a qualidade física de força combinada com o equilíbrio</p><p>e o controle corporal são obrigatoriedades para um arremesso eficaz. Assim, a</p><p>técnica exigida na execução do movimento deve ser compreendida e utilizada</p><p>de forma a qualificar treinamentos, independentemente de que está praticando.</p><p>No link a seguir, você tem acesso ao vídeo que apresenta a prova de arremesso de</p><p>peso de Parry O’Brien nos jogos olímpicos de Helsinque.</p><p>https://qrgo.page.link/HDvu9</p><p>O arremesso de peso em competições</p><p>As competições de arremesso de peso são regidas pelas regulamentações</p><p>contidas em CBAt e IAAF (2017). As exigências para o implemento, o local</p><p>de prova e os arremessos válidos e inválidos dos atletas são descritas para que</p><p>sejam utilizadas adequadamente, garantindo uma competição justa. Algumas</p><p>dessas regras são estabelecidas de forma geral — ou seja, independentemente</p><p>Arremesso de peso6</p><p>188 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>da prova, o atleta deve cumpri-las. No entanto, há especifi cidades para a</p><p>prova de arremesso de peso que merecem destaque. Assim, nesta seção, tais</p><p>especifi cidades serão contextualizadas e detalhadas.</p><p>Para os locais de prova, há espaços definidos de lançamentos e quedas. Como</p><p>esses espaços também são utilizados para outras provas, como lançamento de</p><p>martelo ou disco, é preciso ter o cuidado para que as especificações de cada prova</p><p>sejam atendidas. O círculo de lançamento, como é chamado o local onde o atleta</p><p>se posiciona para fazer o seu arremesso, é definido por um aro feito de aço, ferro</p><p>ou material adequado que permita que a borda superior permaneça no mesmo</p><p>nível do terreno. Essa borda superior deve ser visível; por isso, indica-se uma</p><p>espessura de 6 mm, com pintura na cor branca. É definido no Livro de Regras</p><p>que o material do piso localizado na parte externa ao círculo deve ser de concreto,</p><p>material sintético, asfalto, madeira ou outro material apropriado. Na parte interna,</p><p>o material não pode ser escorregadio, isto é, deve ser firme, como concreto ou</p><p>asfalto. Nas regras específicas, CBAt e IAFF (2017, p. 55) indicam que: “No</p><p>Arremesso do Peso,</p><p>permite-se um círculo portátil que reúna essas condições”.</p><p>De forma específica para os arremessos de peso, a regra ainda exige a</p><p>colocação de um anteparo ao redor do círculo, que pode ser feito de madeira</p><p>ou material similar, na cor branca. Ele deve ser fixado ao chão, e sua borda</p><p>interna deve coincidir com a borda interna do círculo. CBAt e IAFF (2017, p.</p><p>56) estabelecem o seguinte: “O anteparo medirá 11,2 cm a 30 cm de largura,</p><p>com uma corda de 1,21 m ± 0,01 m de comprimento do interior para um arco</p><p>igual ao círculo e 0,10 m ± 0,008 m de altura em relação ao nível do interior</p><p>do círculo adjacente ao anteparo”.</p><p>Sobre a área de queda do implemento, a indicação é que esta deve ser de</p><p>carvão ou grama, ou ainda de um material que defina uma marca visível quando</p><p>da queda do implemento. Esse setor também é definido por uma inclinação,</p><p>com linhas brancas de 50 mm de largura, que formam um ângulo de 34,92°.</p><p>A parte mais interna dessas linhas se prolongam até a parte central do círculo.</p><p>Há uma nota no Livro de Regras que define com clareza essa exigência.</p><p>As normas para o implemento — peso — definem que ele seja feito de</p><p>ferro maciço, latão ou outro metal que não seja maleável. É necessário que</p><p>a forma esférica seja garantida e que a superfície não tenha nenhum tipo de</p><p>aspereza. Os pesos que cada implemento deve ter são estabelecidos de forma</p><p>diferenciada para homens e mulheres e, ainda, por categorias de idade. Por</p><p>exemplo, as categorias sub-20 e adulto feminino utilizam um implemento de,</p><p>no mínimo, 4 kg; já na categoria masculino sub-20, o peso deve ter 6 kg, e no</p><p>masculino adulto, 7,260 kg. Esses pesos devem ser garantidos também para</p><p>a validação dos recordes nas diferentes competições.</p><p>7Arremesso de peso</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Arremesso de Peso | PARTE 4 189</p><p>No momento da execução da prova, o atleta se posiciona dentro do círculo</p><p>para iniciar o movimento. No arremesso de peso, é permitido ao atleta tocar</p><p>a parte interna do anteparo, desde que as definições da regra 188.2 sejam</p><p>respeitadas. Conforme a execução do arremesso, ele pode ser considerado</p><p>válido ou falho. Os critérios observados em um arremesso falho são:</p><p> soltar de forma imprópria o peso (largar o aparelho no chão ou deixá-lo</p><p>cair da mão);</p><p> tocar com o corpo fora do círculo ou na parte superior do aro ou anteparo,</p><p>após ter iniciado a tentativa do arremesso;</p><p> o peso cair fora dos limites da área de queda.</p><p>Ainda, é proibido que o atleta saia do círculo antes que o peso tenha tocado</p><p>o solo. Contudo, ele poderá abandonar a tentativa e reiniciá-la, desde que não</p><p>tenha cometido nenhuma infração sobre as regras do arremesso e esteja dentro</p><p>do tempo permitido de 1 minuto (esse tempo pode ser alterado conforme</p><p>regulamento específico da competição). Após a realização do arremesso, o</p><p>competidor deve deixar o círculo, passando de forma exclusiva pela metade</p><p>de trás do círculo de lançamento.</p><p>As competições de arremesso de peso são organizadas conforme o número</p><p>de competidores. A regra geral para as provas de campo prevê que, no caso</p><p>de mais de oito competidores inscritos, estes deverão cumprir três tentativas,</p><p>sendo que os atletas que tiverem atingido os oito melhores resultados válidos</p><p>terão mais três tentativas. No caso de competições com menos de oito ins-</p><p>critos, o atleta poderá executar seis tentativas. É importante destacar que os</p><p>regulamentos específicos de cada evento competitivo devem prever como será</p><p>desenvolvida essa forma de disputa e como será feito o sorteio para a ordem</p><p>de realização das tentativas de arremesso.</p><p>A ordem de classificação é dada a partir do resultado obtido em cada</p><p>tentativa, sendo declarado vencedor aquele atleta que conseguir arremessar</p><p>o peso na maior distância, respeitando todas as regras previstas pelo regula-</p><p>mento da competição. A medição da distância é realizada por árbitros, que</p><p>se pautam no primeiro ponto de contato com o solo quando da queda do peso,</p><p>seguindo uma linha até a parte interna do anteparo.</p><p>Atualmente, os campeonatos internacionais mundiais e olímpicos têm</p><p>provas específicas para homens e mulheres, em que os resultados são definidos</p><p>em cada uma das provas. Ainda, nas competições paraolímpicas, deve ser</p><p>respeitada a classificação funcional da deficiência apresentada pelo atleta.</p><p>Arremesso de peso8</p><p>190 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Técnicas de arremesso de peso</p><p>Sobre a forma de arremessar, CBAt e IAFF (2017, p. 55) defi nem que:</p><p>O peso deve ser arremessado partindo do ombro com uma só mão. No momento</p><p>em que um atleta assumir uma posição no círculo para começar um arremesso,</p><p>o peso deverá tocar ou estar bem próximo ao pescoço ou ao queixo, e a mão</p><p>não deverá ser abaixada dessa posição durante a ação do arremesso. O peso</p><p>não deve ser arremessado detrás da linha dos ombros.</p><p>Nesse sentido, a execução do ato de arremessar deve atender às exigências</p><p>da regra, ao mesmo tempo que deve favorecer um arremesso mais eficaz e</p><p>de qualidade.</p><p>Segundo Matthiesen (2014), há algumas técnicas que atualmente são mais</p><p>utilizadas na aprendizagem do arremesso de peso:</p><p>1. ortodoxa-linear;</p><p>2. O’Brien ou linear de costas;</p><p>3. com giro ou rotacional.</p><p>Essas técnicas estabelecem semelhanças para a empunhadura, mas formas</p><p>diferenciadas da posição do corpo, do impulso, do próprio movimento de</p><p>arremessar e da finalização.</p><p>Estilo ortodoxo-linear</p><p>Nessa forma de arremessar, o atleta se coloca no círculo em uma posição</p><p>lateral em relação ao local para o qual vai arremessar. O peso do seu corpo</p><p>está sobre a perna que faz correspondência ao braço do arremesso, sendo que</p><p>o outro pé está posicionado atrás, tocando o solo com sua parte anterior. A</p><p>empunhadura é feita com o dedo mínimo e o polegar nas extremidades do</p><p>peso, e os demais dedos são colocados na parte mais central (o peso não tem</p><p>contato com a palma da mão). O outro braço é posicionado de forma elevada,</p><p>para auxiliar no impulso.</p><p>Na fase de arrasto, a perna livre executa um balanço e se projeta na direção</p><p>do setor de queda; a outra perna é movimentada de forma a se arrastar pelo</p><p>solo. Depois dessa fase, o pé da perna de apoio é posicionado semiflexionado</p><p>próximo ao centro do círculo, sofrendo o peso de todo o corpo. O pé da outra</p><p>9Arremesso de peso</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Arremesso de Peso | PARTE 4 191</p><p>perna já está próximo à parte interna do anteparo. Inicia-se, então, a rotação</p><p>do tronco, para que o corpo fique de frente para a área de queda.</p><p>O movimento do arremesso vai acontecer logo após e por consequência</p><p>dessa rotação, com uma extensão completa das pernas e firmeza no braço</p><p>— o movimento todo se foca no braço, no antebraço, na mão e no peso. A</p><p>complexidade dessa ação levará o atleta a um desequilíbrio, momento em que</p><p>se realiza um passo de recuperação, em que a perna que faz correlação com</p><p>o arremesso se posiciona à frente, ligeiramente flexionada para amortecer o</p><p>impulso, e a outra perna, de certa forma, é jogada para trás.</p><p>Estilo O’Brien, ou linear de costas</p><p>Nessa técnica, o atleta se posiciona inicialmente de costas para a posição</p><p>do arremesso. A perna de apoio (do mesmo lado do braço de arremesso)</p><p>tem o peso do corpo e é posicionada levemente à frente. A parte anterior</p><p>do pé da outra perna fi ca em contato com o solo, posicionada um pouco</p><p>atrás do corpo. O outro braço é estendido e elevado. O tronco do atleta é</p><p>posicionado de forma grupada — a cabeça se aproxima do solo e os joelhos</p><p>fi cam semifl exionados.</p><p>No arrasto dessa técnica, a perna que está livre executa um balanceio</p><p>brusco para trás e para baixo. Nesse movimento, o corpo se desloca para</p><p>trás, e o pé direito é posicionado rapidamente no centro do círculo, com</p><p>sua ponta assentada para a esquerda. Esse é um movimento constante e</p><p>interrupto, fazendo com que o outro pé se coloque próximo ao anteparo. Há</p><p>então um bloqueio do deslocamento, e o pé que está próximo</p><p>ao anteparo</p><p>ultrapassa o eixo do deslocamento e é posicionado à direita do outro pé.</p><p>O movimento faz com que o quadril se desloque, gerando uma rotação</p><p>do tronco, que se posiciona para a frente, na direção para a qual o peso</p><p>será arremessado.</p><p>O impulso que é iniciado na perna passa por todo o corpo até dar impulso</p><p>ao peso; esse movimento complexo envolve elevação, avanço, rotação e</p><p>extensão de todo o corpo. O corpo assume uma elevação e é posicionado</p><p>verticalmente; a partir daí, o ombro e os quadris estão voltados para a frente,</p><p>e os segmentos do corpo que estavam flexionados realizam um movimento de</p><p>extensão que impacta o peso, em um processo de impulsão do implemento.</p><p>O desequilíbrio do corpo gerado depois do arremesso é estabilizado na troca</p><p>de pernas, que amortecem o impulso. A Figura 2 traz uma representação</p><p>dessa técnica.</p><p>Arremesso de peso10</p><p>192 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Figura 2. Técnica O’Brien de arremesso de peso.</p><p>Fonte: Oliveira Filho (2013, documento on-line).</p><p>Estilo com giro, ou rotacional</p><p>Para iniciar essa técnica, o competidor se coloca de costas para o setor de</p><p>arremesso, no lado oposto ao anteparo. O movimento preparatório do arre-</p><p>messo é estabelecido pela transferência de peso do corpo para a perna (que</p><p>correlaciona ao braço do arremesso); esta é fl exionada ao mesmo tempo que o</p><p>tronco realiza uma rotação. Um único balanceio já é sufi ciente para estimular</p><p>as sequências de giros do movimento.</p><p>Os giros são realizados a partir do ponto mais baixo do balanceio, com</p><p>transferência de uma perna para a outra, sempre realizados na ponta dos pés.</p><p>Ao se posicionar de frente para o arremesso, o competidor salta para a perna de</p><p>apoio, fazendo com que esse pé gire para dentro, procurando apoio no centro</p><p>do círculo. O outro pé, ao perder o contato com o solo, busca o contato com</p><p>o solo na parte anterior mais próxima ao anteparo. A partir daí, inicia-se o</p><p>arremesso propriamente dito.</p><p>O movimento das rotações promove efetivamente o impulso para o ar-</p><p>remesso, fazendo com que o tronco gire em direção à área de queda. A</p><p>ação de empurrar que é realizada pelo braço estendido à frente se finaliza</p><p>na palma da mão voltada para fora. As pernas são estendidas ao máximo,</p><p>fazendo com que o corpo realize um deslocamento para a frente. Após o</p><p>contato com o implemento, o atleta dá continuidade às rotações, até ficar</p><p>posicionado para a frente da área de queda. Na Figura 3, você pode observar</p><p>uma representação dessa técnica.</p><p>Todas as técnicas são eficazes para a realização do arremesso; cabe ao</p><p>treinador e ao atleta identificarem aquela que proporciona mais facilidade de</p><p>execução. É na naturalização do movimento que os indicativos de uso de força,</p><p>equilíbrio e ações motoras se configuram em um complexo de combinações</p><p>sistematizadas. A estrutura da técnica se reflete na forma de treinos e processos</p><p>pedagógicos, que são repetidos e treinados em busca de uma execução correta.</p><p>11Arremesso de peso</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Arremesso de Peso | PARTE 4 193</p><p>Figura 3. Técnica rotacional de arremesso de peso.</p><p>Fonte: Oliveira Filho (2013, documento on-line).</p><p>No artigo intitulado “Para além dos procedimentos técnicos: o atletismo em aulas de</p><p>Educação Física”, disponível no link abaixo, você encontra o processo histórico que</p><p>delineou as diferentes técnicas do arremesso de peso.</p><p>https://qrgo.page.link/wspUW</p><p>Acessando o link a seguir, você tem acesso a um vídeo que explica as técnicas de</p><p>O’Brien e rotacional de arremesso de peso.</p><p>https://qrgo.page.link/LvrLP</p><p>O processo de aprendizagem</p><p>do arremesso de peso</p><p>A partir do entendimento das técnicas do arremesso de peso, é possível iden-</p><p>tifi car que o movimento, de forma geral, é estabelecido em cinco fases: a fase</p><p>preparatória, a aceleração, o arremesso propriamente dito, a recuperação e a</p><p>fi nalização. De certa forma, essas fases se estruturam em todas as provas que</p><p>envolvem o arremesso e o lançamento.</p><p>A fase preparatória é definida pela concentração que o atleta imprime ao</p><p>realizar o movimento, estando ele focado na forma correta de execução e em</p><p>toda a preparação feita até aquele momento. Aqui, o principal cuidado está na</p><p>empunhadura do implemento e na posição inicial de realização do arremesso.</p><p>Na fase de aceleração, o movimento é iniciado; independentemente da</p><p>técnica utilizada, após o atleta se movimentar, é importante que nenhum erro</p><p>Arremesso de peso12</p><p>194 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>seja cometido. São feitos os balanceios que iniciam os impulsos, o arrasto de</p><p>movimentação das pernas, as rotações de troncos e os giros. É importante ficar</p><p>atento a todos aqueles movimentos que podem levar a uma falha na tentativa.</p><p>A fase do arremesso propriamente dita se dá quando o implemento perde</p><p>o contato com a mão e é arremessado até tocar a área de queda. Enquanto o</p><p>peso está em deslocamento, o atleta está realizando a fase de recuperação,</p><p>já que todo o movimento de impulsão gera o desequilíbrio, e é necessário que</p><p>o corpo volte à posição estável respeitando as regras de permanecer dentro</p><p>do círculo. O arremesso só está finalizado quando o atleta sai da área de</p><p>competição, sempre pela parte de trás do círculo de lançamento.</p><p>Essa divisão do movimento completo em fases permite que a aprendizagem</p><p>seja realizada em partes, levando ao entendimento mais complexo do movimento</p><p>como um todo. Ao iniciar o trabalho com o peso, é fundamental uma etapa de</p><p>exploração do implemento, isto é, fazer com que o aluno reconheça o peso, sua</p><p>forma, sua espessura e sua dinâmica. Nessa etapa, é fundamental a realização</p><p>de atividades que estimulem os arremessos com uma mão só ou com as duas,</p><p>individuais ou em grupos, promovendo o movimento básico de lançar e recuperar.</p><p>Também existe a possibilidade de criar exercícios que estimulem a aprendiza-</p><p>gem de cada fase. Por exemplo: na fase de preparação, executar os movimentos</p><p>básicos com os olhos vendados, fator que exigirá maior concentração dos alunos;</p><p>na fase de aceleração, executar ações rotatórias do corpo, como giros completos</p><p>e meios giros, que darão uma nova conotação para a aprendizagem. O arremesso</p><p>propriamente dito pode ser estimulado nas brincadeiras de “acerte o alvo”.</p><p>É necessário que o aprendiz perca o medo do contato com o peso; ele deve se identificar</p><p>como capaz de jogar o peso para cima e, independentemente da forma como o peso</p><p>cai, recuperá-lo. Para estimular esse tipo de movimento, os implementos construídos</p><p>com materiais alternativos são sugestões que estimulam a execução da prática. Eles</p><p>podem ser construídos pelos próprios alunos e podem ser confeccionados com</p><p>diferentes materiais. Assim, a prática é estimulada pela capacidade criativa dos iniciantes,</p><p>ao mesmo tempo que facilita a exploração do implemento sob diferentes perspectivas.</p><p>A obrigatoriedade de o peso ser arremessado para a frente, e não para</p><p>cima, pode ser trabalhada nos exercícios de desafios, como acertar alvos em</p><p>diferentes distâncias, ou marcar metas que podem ser compartilhadas entre</p><p>13Arremesso de peso</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Arremesso de Peso | PARTE 4 195</p><p>os estudantes, com objetivos a serem atingidos. Ainda, nesse momento da</p><p>aprendizagem, é importante a compreensão dos ângulos de posicionamento</p><p>do braço, para que o implemento atinja a distância e as alturas aceitáveis.</p><p>Os exercícios aqui devem ter objetivos combinados — uma sugestão é que o</p><p>arremesso ultrapasse cordas de diferentes alturas.</p><p>Nas fases de execução mais refinadas, é fundamental o uso de outras formas</p><p>de aprendizagem além do “só fazer”. Estratégias de ensino como observação de</p><p>imagens e vídeos, autocorreção e correção do colega são interessantes quando</p><p>se necessita que o aluno compreenda a execução. Ele passa a aprender também</p><p>pelo entendimento lógico de cada movimento e consegue estabelecer um controle</p><p>corporal mais complexo na realização</p><p>dos movimentos próprios do arremesso.</p><p>A Confederação Brasileira de Atletismo apresenta, no seu site, um material</p><p>que promove o que é denominado miniatletismo. Nessa proposta, o arremesso</p><p>de peso pode ser desenvolvido em uma perspectiva lúdica, em que o aluno</p><p>aprende brincando. Além disso, são elaboradas propostas de eventos com-</p><p>petitivos diferenciados, em que a pontuação é feita coletivamente pela soma</p><p>de arremessos individuais da equipe, conforme lecionam Iora et al. (2016).</p><p>Ainda assim, para a boa execução de um arremesso de peso, é preciso um</p><p>trabalho paralelo de força de membros superiores. Não adianta que o praticante</p><p>entenda a execução do movimento sem ter a força necessária para segurar e</p><p>arremessar o peso. Nessas situações, atividades pedagógicas que promovam o</p><p>trabalho de força também são aconselháveis. Por exemplo, brincar de carrinho</p><p>de mão, cabo de guerra e de levantar e segurar diferentes objetos, como pneus,</p><p>pedras, sacos de areia, entre outros, vai estimular o desenvolvimento da força</p><p>de uma forma geral. Em um segundo momento, a força deve ser estimulada por</p><p>movimentos que se assemelhem aos executados no arremesso propriamente dito.</p><p>O arremesso aplicado em outros esportes</p><p>A tarefa de arremessar, que se origina de uma habilidade básica do ser humano,</p><p>é realizada de diferentes formas nas modalidades esportivas; ou seja, embora</p><p>o ato carregue o nome de “arremesso”, é realizado com técnicas e movimentos</p><p>diferentes. Por exemplo: no futebol, o arremesso lateral é executado com as</p><p>duas mãos por cima da cabeça; já no basquetebol, esse arremesso após a bola</p><p>sair pela lateral pode ser cobrado com uma ou duas mãos.</p><p>É possível encontrar arremessos com uma mão em modalidades como han-</p><p>debol e beisebol, que, em um primeiro momento, poderiam se aproximar das</p><p>especificidades do arremesso de peso. Porém, além do tamanho, da espessura</p><p>e do peso da bola serem diferentes, os movimentos também ocorrem de forma</p><p>Arremesso de peso14</p><p>196 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>diferente. No arremesso de peso, o movimento prioritário é de extensão do coto-</p><p>velo, associado a uma flexão horizontal e uma flexão do ombro; no handebol e</p><p>no beisebol, o movimento prioritário é de rotação interna do ombro, associado à</p><p>extensão do cotovelo. Ou seja, diferentes esportes exigem dos alunos a utilização</p><p>de diferentes estruturas mentais para a execução do arremesso.</p><p>No beisebol, os arremessos com uma só mão são realizados pelo arremes-</p><p>sador ou pitcher; eles são denominados da seguinte forma:</p><p> bolas rápidas ( fastball) — arremessos de maior velocidade;</p><p> offspeed — são os arremessos que enganam o rebatedor, pois perdem</p><p>velocidade no final da trajetória;</p><p> breaking ball — bolas de efeito, em cuja execução há uma maior rota-</p><p>ção, com efeitos que fazem a bola “quebrar” e a trajetória ser alterada.</p><p>Já no handebol, a bola, quando é arremessada com uma mão só, pode</p><p>ter como objetivo um passe ou a execução de um gol. Nesses casos, Greco e</p><p>Romero (2011) classificam os arremessos como:</p><p> com apoio — em que um ou dois pés do arremessador mantêm contato</p><p>com o solo;</p><p> em suspensão — quando o arremesso é feito sem contato com o solo;</p><p> com queda — realizado frequentemente pelos pivôs, em que, após a bola</p><p>deixar a mão, o atleta realiza uma queda na finalização do movimento;</p><p> com rolamento — nesse movimento, a finalização se dá por meio de</p><p>um rolamento de ombro logo após a bola ser arremessada.</p><p>Em outros esportes, o arremesso surge como uma possibilidade de mo-</p><p>vimentação, como é o caso da ginástica rítmica, em que o nome oficial do</p><p>elemento técnico é “lançar e recuperar”; durante a execução de algumas</p><p>combinações, a bola é arremessada por trás dos ombros ou da cabeça. Ainda,</p><p>o arremesso está presente no jump do basquetebol, no momento em que o</p><p>atleta atinge a altura mais alta de seu salto e direciona com uma mão só a</p><p>bola para a cesta.</p><p>As variedades nas práticas corporais indicam que o arremesso está em</p><p>muitos esportes. Essa condição faz com que a tarefa motora do arremesso seja</p><p>explorada e experenciada em todas as fases do desenvolvimento infantil. As</p><p>aquisições dessa etapa da vida certamente vão garantir uma execução mais</p><p>qualificada do movimento, independentemente da necessidade ou da meta</p><p>proposta nas modalidades esportivas.</p><p>15Arremesso de peso</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Arremesso de Peso | PARTE 4 197</p><p>Você pode verificar as variações entre os arremessos de diferentes modalidades espor-</p><p>tivas construindo um cenário em um ambiente fechado, com a disposição de alvos no</p><p>chão e nas paredes, de vários tamanhos. Nesse mesmo ambiente, disponibilize bolas</p><p>com tamanhos e pesos variados e deixe as crianças brincarem livremente. Nas suas</p><p>observações, anote como elas executam os arremessos, cuidando o posicionamento</p><p>dos membros superiores, o apoio dos membros inferiores e a complexibilidade do uso</p><p>do corpo. Certamente serão observadas algumas posições diferenciadas; analise-as</p><p>e compare aos movimentos técnicos de modalidades esportivas. Você será capaz de</p><p>identificar como as crianças compreendem esses movimentos e avaliar as mudanças</p><p>necessárias para transformar o movimento livre em uma técnica esportiva.</p><p>Neste capítulo, foram apresentados os processos históricos do arremesso</p><p>de peso, bem como algumas modificações da prova oficial ao longo dos</p><p>tempos. Também foram apresentadas as regras básicas dessa prova para</p><p>homens e mulheres e nas competições paraolímpicas, além dos estilos de</p><p>técnicas utilizados tanto nos treinamentos de atletas como nos processos</p><p>de aprendizagem. Na lógica de como ensinar o arremesso, foram apre-</p><p>sentados exemplos de estratégias e ações que podem ser utilizadas pelo</p><p>professor para dinamizar e motivar os alunos durante a incorporação dos</p><p>novos conhecimentos.</p><p>250PX-REMIGIUS_MACHURA_SENIOR_CZ_CHAMPIONSHIPS_IN_ATHLETICS_</p><p>KLADNO_2005. Wikimedia, [s. l.], 2005. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/</p><p>wikipedia/commons/thumb/d/dc/Remigius_Machura_senior_CZ_championships_</p><p>in_athletics_Kladno_2005.jpg/250px-Remigius_Machura_senior_CZ_championships_</p><p>in_athletics_Kladno_2005.jpg. Acesso em: 21 maio 2019.</p><p>CBAT. O atletismo: origens. CBAt, São Paulo, [20--?]. Disponível em: http://www.cbat.</p><p>org.br/atletismo/origem.asp. Acesso em: 21 maio 2019.</p><p>CBAT; IAFF. Atletismo: regras oficiais de competição 2016-2017. São Paulo: Phorte Edi-</p><p>tora, 2017.</p><p>Arremesso de peso16</p><p>198 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>DUARTE, O. História dos esportes. 6. ed. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2019.</p><p>FERNANDES, J. L. Atletismo: lançamentos e [arremesso]. 2. ed. São Paulo: EPU, 2003.</p><p>FILE: Ralph Rose. Wikimedia Commons Contributors, [s. l.], 11 jan. 2015. Disponível em:</p><p>https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ralph_Rose.jpg. Acesso em: 4 jun. 2019.</p><p>GRECO, P. J.; ROMERO, J. J. F. (ed.). Manual de handebol: da iniciação ao alto nível. São</p><p>Paulo: Phorte Editora, 2011.</p><p>HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. 3. ed. Porto</p><p>Alegre: Artmed, 2004.</p><p>IORA, J. A. et al. A Construção de materiais e a utilização de espaços alternativos para</p><p>o ensino do atletismo. Revista Saúde e Desenvolvimento Humano, Canoas, v. 4, n. 2, p.</p><p>79-88, 2016. Disponível em: https://revistas.unilasalle.edu.br/index.php/saude_desen-</p><p>volvimento/article/view/2317-8582.16.32. Acesso em: 21 maio 2019.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. Atletismo na escola. Maringá: Eduem, 2014.</p><p>MATTHIESEN, S. Q. (org.). Atletismo se aprende na escola. Jundiaí: Fontoura, 2005.</p><p>OLIVEIRA FILHO, M. A. I. Atletismo: arremesso de peso. Cooperativa do Fitness, Belo Ho-</p><p>rizonte, 18 maio 2013. Disponível em: http://www.cdof.com.br/atletism4.htm. Acesso</p><p>em: 21 maio 2019.</p><p>RAVACHE, R. Atletismo paraolímpico: manual de orientação para professores de educação</p><p>física: Brasília: Comitê paraolímpico Brasileiro, 2006.</p><p>RESPLANDES, J. R.; BARROS, R. F. Iniciação esportiva e suas influências para uma aluna</p><p>cadeirante. The Journal</p><p>of the Latin American Socio-cultural Studies of Sport, [s. l.], v. 5,</p><p>n. 2, p. 30-43, 2015. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/alesde/article/view/45098.</p><p>Acesso em: 21 maio 2019.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>MATTHIESEN, S. Q. et al. Atletismo para crianças e jovens: vivência e conhecimento.</p><p>Motriz, Rio Claro, v. 14, n. 3, p. 354-360, jul./set. 2008. Disponível em: https://cev.org.br/</p><p>arquivo/biblioteca/4026260.pdf. Acesso em: 21 maio 2019.</p><p>SANCHES, A. B. Estágios de desenvolvimento motor em estudantes universitários na</p><p>habilidade básica de arremessar. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, [s. l.], v. 6, n.</p><p>1, p. 14-22, 2008. Disponível em: https://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/</p><p>view/199/358. Acesso em: 21 maio 2019.</p><p>SILVA, S. B.; VILELA JUNIOR, G. B.; TOLOKA, R. E. Arremessar por cima do ombro e a</p><p>distância percorrida pelo implemento. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte,</p><p>São Paulo, v. 23, n. 4, p. 309-318, 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbefe/</p><p>v23n4/v23n4a01.pdf. Acesso em: 21 maio 2019.</p><p>17Arremesso de peso</p><p>Esportes Individuais: Saltos, Arremesso e Lançamentos | UNIDADE 3</p><p>Arremesso de Peso | PARTE 4 199</p><p>ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO</p><p>PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.</p><p>PREZADO ESTUDANTE</p><p>200 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Esportes Individuais: Lutas</p><p>e Esportes de Combate</p><p>Prezado estudante,</p><p>Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram organizados com</p><p>cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo completo e atualizado tanto quanto</p><p>possível. Leia com dedicação, realize as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Dessa forma, você,</p><p>com certeza, alcançará os objetivos propostos para essa disciplina.</p><p>Objetivo Geral</p><p>Identificar a presença das lutas como uma possibilidade nos esportes individuais.</p><p>unidade</p><p>4</p><p>V.1 | 2022</p><p>Parte 1</p><p>Modalidades Olímpicas de Combate</p><p>O conteúdo deste livro</p><p>é disponibilizado</p><p>por SAGAH.</p><p>unidade</p><p>4</p><p>V.1 | 2022</p><p>204 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Modalidades olímpicas</p><p>de combate</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Identificar a história das lutas nos Jogos Olímpicos.</p><p>� Caracterizar as modalidades de luta dos Jogos Olímpicos.</p><p>� Reconhecer as modalidades de luta dos Jogos Paralímpicos.</p><p>Introdução</p><p>Os Jogos Olímpicos surgiram na Grécia Antiga e eram um grande evento</p><p>dessa civilização. Nessa época, destacavam-se, junto ao atletismo, algumas</p><p>modalidades que inspiraram várias das lutas que conhecemos hoje e que</p><p>são parte integrante do calendário dos Jogos Olímpicos da Era Moderna.</p><p>Neste capítulo, você conhecerá o histórico das modalidades de</p><p>combate no contexto dos Jogos Olímpicos. Além disso, conhecerá as</p><p>características das modalidades de luta dos Jogos Olímpicos e Paralím-</p><p>picos atuais.</p><p>1 A trajetória das lutas nos Jogos Olímpicos</p><p>A luta é uma das atividades esportivas mais antigas, embora ela nem sempre</p><p>tenha sido considerada um esporte, mas sim uma atividade de defesa e de</p><p>ataque, no sentido de demonstrar superioridade em um confronto. Existem</p><p>registros de lutas em praticamente todas as eras e culturas da humanidade,</p><p>passando por babilônicos, egípcios, japoneses, chineses, gregos e romanos,</p><p>desde milhares de anos antes de Cristo até hoje (REDE NACIONAL DO</p><p>ESPORTE, 2019). Sendo assim, não é de se espantar que a luta estivesse</p><p>presente também nas Olimpíadas desde a Antiguidade.</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate | UNIDADE 4</p><p>Modalidades Olímpicas de Combate | PARTE 1 205</p><p>Segundo a Confederação Brasileira de Wrestling (CBW, 2019), a luta é,</p><p>ao lado da maratona, um dos esportes mais antigos de que se tem registro.</p><p>Embora, inicialmente, as Olimpíadas tivessem uma única prova, por volta de</p><p>708 a.C., outras modalidades passaram a ser desenvolvidas nesse evento, tais</p><p>como as lutas e algumas modalidades do atletismo (DUPUIS; MOLITERNI,</p><p>1990; PEREDO, 1992; MARILLIER, 2000). Nessa época, todos os atletas</p><p>competiam nus, não possuindo nenhum equipamento de proteção ou roupa que</p><p>permitisse alguns movimentos, como a roupa do Judô, por exemplo. Portanto,</p><p>para que não fosse tão fácil que o adversário segurasse seu oponente, os atletas</p><p>passavam no corpo uma mistura de azeite com terra (CBW, 2019).</p><p>De acordo com Colli (2004), existiam três categorias de lutas nos Jogos</p><p>Olímpicos da Antiguidade: luta — que posteriormente ficou conhecida como</p><p>luta olímpica ou wrestling, devido à influência romana sobre a sociedade</p><p>grega, que culminou com o encerramento dos Jogos Olímpicos (CBW, 2019)</p><p>—, pancrácio e o pugilato, descritas em detalhes a seguir.</p><p>� Luta: introduzida nos Jogos Olímpicos em 700 a.C., essa modalidade,</p><p>disputada em pé, tinha como objetivo derrubar o adversário no chão</p><p>três vezes. Era considerada uma queda quando o oponente tocava as</p><p>costas, o ombro ou o tórax no solo (CBW, 2019). Se o oponente caísse</p><p>no chão, mas não configurasse uma “queda”, a luta seguia no chão,</p><p>podendo ser utilizados apenas golpes com os membros superiores Para</p><p>essa modalidade, não havia limite de tempo, ou seja, ela ocorria até que</p><p>existisse um campeão (COLLI, 2004).</p><p>� Pugilato: é considerado o “pai” do boxe, ainda que existam registros his-</p><p>tóricos que mostrem práticas corporais similares a essa no ano de 1500</p><p>a.C. O pugilato ganhou essa fama porque essa modalidade era pautada</p><p>em um combate em pé, utilizando apenas os membros superiores para</p><p>vencer o adversário. Inicialmente, os atletas não utilizavam nenhuma</p><p>bandagem ou proteção nas mãos, contudo, com o decorrer do tempo,</p><p>passaram a entrelaçar tiras de couro nos punhos, que ganharam pontas</p><p>de metal. Além disso, como nas demais modalidades, os competidores</p><p>lutavam nus, porém utilizavam uma proteção de couro na cabeça. Com</p><p>o tempo, o pugilato passou a ser extremamente agressivo, contando com</p><p>inúmeros ferimentos e até algumas mortes, devido à agressividade dos</p><p>competidores (COLLI, 2004).</p><p>Modalidades olímpicas de combate2</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>206 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>� Pancrácio: essa modalidade era uma mistura da luta com o pugilato,</p><p>porém sem a elegância dessas modalidades, sendo considerada o pri-</p><p>meiro “vale-tudo” da história — embora não valesse exatamente tudo,</p><p>uma vez que arranhões, mordidas, ferir os olhos do adversário e golpear</p><p>a região da genitália eram ações proibidas. Fora isso, eram utilizados</p><p>golpes pesados e violentos, lembrando mais um combate de guerra do</p><p>que um esporte. Saía vitorioso o atleta que terminasse a competição</p><p>consciente ou que forçasse a desistência do outro (COLLI, 2004).</p><p>Com a invasão romana ao território grego, os Jogos Olímpicos são abalados,</p><p>mas ainda ocorrem por alguns anos. Em 393 a.C., o incêndio do Templo de Zeus</p><p>causou uma perda muito maior do que apenas as construções arquitetônicas, mas</p><p>também o fim das tradições gregas, acarretando o término dos Jogos Olímpicos.</p><p>Séculos mais tarde, em 1896, Pierre de Coubertin, conhecido como Barão</p><p>de Coubertin, um estudioso especializado na cultura grega, é o principal</p><p>responsável pelo retorno das Olimpíadas, que ficam conhecidas como Jogos</p><p>Olímpicos Modernos, que se perpetuam até a atualidade (COLLI, 2004). Nesse</p><p>movimento de retorno dos Jogos Olímpicos, a luta olímpica foi apontada como</p><p>um dos elos entre passado e presente, estando presente nesse retorno olímpico</p><p>de 1896 (CBW, 2019).</p><p>Na preparação para os I Jogos Olímpicos da Era Moderna, que aconteceram em Atenas,</p><p>no ano de 1896, os organizadores consideraram a modalidade da luta olímpica de tal</p><p>significância, que ela se tornou o foco dessa edição. Além disso, foram relembradas</p><p>algumas situações da edição de 708 a.C., com lutadores usando óleo pelo corpo e</p><p>lutando na areia.</p><p>Todavia, nos Jogos Olímpicos de 1900, a luta olímpica (ou</p><p>wrestling) ficou de</p><p>fora do cronograma, voltando nos Jogos Olímpicos de 1904, em Saint Louis. Essa</p><p>foi a primeira vez que a modalidade foi disputada por atletas americanos. Além</p><p>disso, essa Olimpíada ficou marcada pela primeira separação por categorias de peso</p><p>da modalidade. Embora as categorias tenham mudado, acompanhando a evolução</p><p>do esporte, a ideia de separar os atletas por categorias conforme a sua condição</p><p>física é perpetuada até hoje em diferentes modalidades de luta (CBW, 2019).</p><p>3Modalidades olímpicas de combate</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate | UNIDADE 4</p><p>Modalidades Olímpicas de Combate | PARTE 1 207</p><p>Nas Olimpíadas de Londres, em 2012, a luta olímpica distribuiu o total de</p><p>18 medalhas de ouro. Os maiores vencedores foram a Rússia, o Irã e o Japão,</p><p>que contavam também com a participação feminina. Por muito tempo, esse</p><p>esporte foi dominado pelos russos, especificamente até o ano de 2000, quando</p><p>o americano Rulon Gardner ganhou a medalha de ouro na luta olímpica,</p><p>sendo esse um feito histórico. Nas Olimpíadas do Rio de janeiro, em 2016,</p><p>também foram distribuídas 18 medalhas, sendo, que nessa edição, a lutadora</p><p>japonesa Kaori Icho ganhou a sua quarta medalha de ouro seguida, desta vez,</p><p>na categoria até 58 kg (as anteriores foram na categoria até 63 kg).</p><p>Para as Olimpíadas de Tóquio (previstas inicialmente para 2020, porém</p><p>adiadas para 2021), o Comitê Olímpico Internacional cogitou a possibilidade</p><p>de que a luta olímpica saísse das Olimpíadas, por questões atreladas ao lucro</p><p>e ao número de espectadores, sem contar a história milenar da modalidade.</p><p>Após inúmeras discussões, a luta olímpica permanece dentro do calendário</p><p>olímpico (EXAME, 2013).</p><p>A seguir, serão apresentadas outras modalidades que foram incorporadas</p><p>ao principal evento esportivo do mundo: os Jogos Olímpicos.</p><p>2 Conhecendo as lutas presentes nos</p><p>Jogos Olímpicos</p><p>As lutas, também classificadas como jogos de combate, são uma das mani-</p><p>festações corporais mais antigas do homem, que utilizava diferentes técnicas</p><p>para a sua sobrevivência, busca de alimento, demonstração de poder e ganho de</p><p>território (FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2011). Hoje, as lutas ocupam outro</p><p>patamar, apresentando um significado distinto daquele de nossos ancestrais,</p><p>uma vez que ganhou status de esporte competitivo ou de lazer e até mesmo</p><p>de conteúdo previsto para as aulas de educação física escolar.</p><p>Segundo o Comitê Olímpico Internacional (COI, 2020a), fazem parte da</p><p>grade de esportes olímpicos as seguintes lutas:</p><p>� judô,</p><p>� luta olímpica estilo livre;</p><p>� luta olímpica greco-romana;</p><p>� boxe;</p><p>� esgrima;</p><p>� taekwondo;</p><p>� karatê.</p><p>Modalidades olímpicas de combate4</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>208 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>A seguir, são apresentadas as especialidades de cada uma dessas</p><p>modalidades.</p><p>Judô</p><p>Com origem em 1882, no Japão, o judô apresenta como principal característica</p><p>o fato de que não são permitidos socos ou chutes. O objetivo dessa modalidade</p><p>é derrubar o adversário e imobilizá-lo. Os atletas utilizam uma indumentária</p><p>conhecida como judogi (STUBBS, 2012), tendo uma separação por cores para</p><p>permitir a melhor contagem de pontos e faltas — um atleta usa o judogi branco,</p><p>e o outro, azul (FRANCHINI; DELVECCHIO, 2011). Contudo, é apenas em</p><p>1972, nas Olimpíadas de Tóquio, que o esporte entra na agenda oficial dos</p><p>Jogos Olímpicos (COB, 2020a).</p><p>O judô conta com sete categorias de peso na modalidade masculina, são elas:</p><p>� abaixo de 60 kg — peso ligeiro;</p><p>� entre 60 e 66 kg — peso meio leve;</p><p>� entre 66 e 73 kg — peso leve;</p><p>� entre 73 e 81 kg — peso meio médio;</p><p>� entre 81 kg e 90 kg — peso médio;</p><p>� entre 90 kg e 100 kg — peso médio pesado;</p><p>� acima de 100 kg — peso pesado.</p><p>E outras sete na modalidade feminina, sendo:</p><p>� abaixo de 48 kg — peso ligeiro;</p><p>� entre 48 kg e 52 kg — peso meio leve;</p><p>� entre 52 kg e 57 kg — peso leve;</p><p>� entre 57 kg e 63 kg — peso meio Médio;</p><p>� entre 63 kg e 70 kg — peso médio;</p><p>� entre 70 kg e 78 kg — peso médio pesado;</p><p>� acima de 78 kg — peso pesado.</p><p>5Modalidades olímpicas de combate</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate | UNIDADE 4</p><p>Modalidades Olímpicas de Combate | PARTE 1 209</p><p>Cada combate possui duração de quatro minutos, e o objetivo é projetar o</p><p>adversário de costas no solo, finalizar com chave de braço ou estrangulamento</p><p>ou imobilizar o oponente no solo. Existem duas pontuações possíveis no judô,</p><p>descritas a seguir (COB, 2020a).</p><p>� Ippon: é a pontuação máxima do judô, alcançada quando o judoca</p><p>projeta o adversário com as costas no chão, aplicando golpes com força</p><p>e velocidade adequadas, além de controle do movimento até o término</p><p>da projeção, movimento este que deve ser sobre as costas do oponente</p><p>(Figura 1); ou quando o atleta consegue encaixar uma finalização por</p><p>chave de braço, estrangulamento ou imobilização no solo por, pelo</p><p>menos, 20 segundos.</p><p>� Waza-ari: é a segunda maior pontuação do judô, alcançada quando</p><p>o adversário é projetado com metade das costas no chão; ou quando</p><p>os quatro critérios para o ippon não estiverem presentes ou quando o</p><p>atleta consegue encaixar uma imobilização no solo por um tempo de</p><p>15 a 19 segundos.</p><p>O Brasil é multicampeão olímpico no judô, sendo esse o esporte individual</p><p>que mais deu medalhas olímpicas para o País, com o total de 22 medalhas</p><p>(4 ouros, 3 pratas e 15 bronzes). A primeira medalha olímpica brasileira</p><p>veio em 1972, com o atleta japonês naturalizado brasileiro Chiaki Ishii, que</p><p>conquistou o bronze nos Jogos de Munique. Já a primeira medalha de ouro</p><p>foi do judoca Aurélio Miguel, nos Jogos de Seul, em 1988. O segundo ouro</p><p>olímpico veio na edição seguinte das Olimpíadas, em 1992, com Rogério</p><p>Sampaio, no meio leve. Já a modalidade feminina ganhou a sua primeira</p><p>medalha nos Jogos de Pequim, em 2008, com a atleta Ketleyn Quadros, que</p><p>ganhou o bronze, tornando-se a primeira brasileira a conquistar uma medalha</p><p>em um esporte individual.</p><p>Modalidades olímpicas de combate6</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>210 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Figura 1. Duas atletas lutando judô. A atleta de judogj azul está derrubando a adversária</p><p>com as costas voltadas para o chão, golpe conhecido como ippon, que possui a maior</p><p>pontuação da modalidade.</p><p>Fonte: Everyonephoto Studio/Shutterstock.com.</p><p>Boxe</p><p>O boxe aparece pela primeira vez nos Jogos Olímpicos da Era Moderna na</p><p>edição de 1904, em Saint-Louis, nos Estados Unidos. Essa modalidade possui</p><p>sete categorias de peso, e apenas em 2008 começou a ser disputada por mu-</p><p>lheres. O boxe requer grandes habilidades não apenas das mãos, mas também</p><p>dos pés, além de uma grande resistência física. Nesse esporte, os atletas usam</p><p>luvas para a proteção e buscam acertar os adversários com socos, porém os</p><p>pontos são alcançados apenas quando o adversário for acertado com a parte</p><p>frontal da luva de boxe (STUBBS, 2012). A Figura 2 apresenta o equipamento</p><p>de proteção completo que os boxeadores precisam utilizar nas Olimpíadas.</p><p>As lutas de boxe duram até três assaltos de três minutos cada, e a marcação</p><p>dos pontos ocorre pelo número de socos desferidos no adversário (STUBBS,</p><p>2012). A primeira medalha olímpica brasileira na modalidade foi adquirida</p><p>em 1968, quando o atleta Servílio de Oliveira conquistou o bronze. Já a pri-</p><p>meira medalha de ouro na modalidade ocorreu em solo brasileiro, nos Jogos</p><p>Olímpicos do Rio, em 2016, com o baiano Robson Conceição (CBB, 2020).</p><p>No naipe feminino, a única medalha brasileira no boxe foi conquistada pela</p><p>pugilista Adriana Araújo, medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Lon-</p><p>dres, em 2012.</p><p>7Modalidades olímpicas de combate</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate | UNIDADE 4</p><p>Modalidades Olímpicas de Combate</p><p>| PARTE 1 211</p><p>O boxe é disputado tanto por homens quanto por mulheres, com diferentes</p><p>modalidades para eles. Para os homens, existem oito categorias, listadas a</p><p>seguir:</p><p>� Fly/Mosca (48 –52 kg);</p><p>� Feather/Pena (menos de 57 kg);</p><p>� Light/Leve (menos de 63 kg);</p><p>� Welter/Meio-médio (menos de 69 kg);</p><p>� Middle/Médio (menos de 75 kg);</p><p>� Light heavy/Meio-pesado (menos de 81 kg);</p><p>� Heavy/Pesado (até 91 kg);</p><p>� Super heavy/Superpesado (acima de 91 kg).</p><p>Já para as mulheres, existem apenas cinco categorias, são elas:</p><p>� Fly/Mosca (48–51 kg);</p><p>� Feather/Pena (menos de 57 kg);</p><p>� Pena (menos de 60 kg);</p><p>� Welter/Meio-médio (menos de 69 kg);</p><p>� Middle/Médio (menos de 75 kg).</p><p>Figura 2. Dois boxeadores utilizando o equipamento completo exigido nas Olimpíadas:</p><p>coquilha, protetor bucal, sapatos, camisas, calções e luvas.</p><p>Fonte: A.RICARDO/Shutterstock.com.</p><p>Modalidades olímpicas de combate8</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>212 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Esgrima</p><p>A esgrima é um estilo de esporte de combate que remete à luta com espada.</p><p>Com origem na França, no século XVII, essa modalidade está presente desde</p><p>a primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, em 1896 (nas mo-</p><p>dalidades de florete e sabre). Já a modalidade da espada entrou nos Jogos</p><p>Olímpicos em 1900 (CBE, 2020).</p><p>A esgrima ocorre em uma pista com 14 metros de comprimento, e o obje-</p><p>tivo é atingir o adversário em pontos-chave, sendo este um esporte bastante</p><p>ágil e dinâmico (CBE, 2020). Em 1939, foi implementado o uso da pontuação</p><p>eletrônica, que detecta quando a arma toca no oponente, o que faz a roupa</p><p>brilhar quando o alvo é acertado.</p><p>Existe a possibilidade de disputa por equipes, quando os times de três com-</p><p>petidores se enfrentam em nove séries de três minutos, vencendo aquele que</p><p>acumular mais pontos ou atingir o adversário 45 vezes. As disputas individuais,</p><p>em naipe masculino e feminino, têm duração de três rounds de três minutos</p><p>cada ou até que um dos esgrimistas toque 15 vezes o adversário (CBE, 2020).</p><p>Atualmente, existe apenas a esgrima esportiva, dividida em categorias</p><p>quanto à arma utilizada (Figura 3) (STUBBS, 2012), como descrito a seguir.</p><p>� Espada: o objetivo é tocar ou golpear exclusivamente com a ponta da</p><p>arma sobre a superfície válida do adversário (qualquer parte do corpo).</p><p>Além disso, é possível marcar pontos simultâneos, sem que a partida</p><p>seja reiniciada. É a arma mais pesada e, por ter o corpo todo como</p><p>superfície de contato para pontuação, os atletas são mais conservadores</p><p>em seus movimentos e investidas (CBE, 2020).</p><p>� Florete: é a base para a esgrima moderna em geral. Nessa forma,</p><p>o objetivo é fazer pontos exclusivamente através de golpes de ponta</p><p>sobre a superfície válida do adversário (apenas o tronco). É uma arma</p><p>leve e considerada a mais elegante e complexa das armas (CBE, 2020).</p><p>� Sabre: é muito mais leve e rápida, validando o toque no adversário com</p><p>a ponta e a lateral da lâmina sobre a superfície válida do adversário</p><p>(cabeça, tronco e membros superiores, com exceção das mãos) (CBE,</p><p>2020).</p><p>9Modalidades olímpicas de combate</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate | UNIDADE 4</p><p>Modalidades Olímpicas de Combate | PARTE 1 213</p><p>Figura 3. Na ordem que aparecem: florete, espada e sabre, apresentando suas diferenças</p><p>de tamanho, forma e empunhadura.</p><p>Fonte: (a) CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ESGRIMA (2020, documento on-line); (b) adaptada de Stubbs</p><p>(2012).</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>Taekwondo</p><p>O taekwondo é o esporte de combate mais novo, uma vez que o seu surgimento</p><p>data de 1955. De origem coreana, sua inclusão nas Olimpíadas foi bastante</p><p>conturbada, uma vez que, nas Olimpíadas de Seul, em 1988, e de Barcelona,</p><p>em 1992, o taekwondo participou como esporte de exibição. Essa modali-</p><p>dade ficou ausente dos Jogos de Atlanta, em 1996, e retornou em Sydney, em</p><p>2000, quando foi incluída no programa olímpico e passou a valer medalhas.</p><p>Modalidades olímpicas de combate10</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>214 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>A primeira medalha brasileira para a modalidade foi conquistada em 2008,</p><p>em Pequim.</p><p>O tempo de duração da luta de taekwondo é de três rounds de dois minutos</p><p>cada, com um intervalo de um minuto entre cada round; caso haja empate</p><p>ao final do terceiro round, um quarto round de um minuto é disputado (COI,</p><p>2020). Para a sua prática, o atleta deve estar usando, obrigatoriamente: protetor</p><p>de cabeça, protetor de dorso, protetor de antebraço e protetor para a virilha</p><p>(Figura 4), visando a manter a integridade física do atleta. O taekwondo é</p><p>marcado pela rápida movimentação de pernas, que conta com vários chutes</p><p>e socos sequenciais. Vence o atleta que golpear mais vezes o adversário,</p><p>marcando consequentemente mais pontos (STUBBS, 2012).</p><p>Existem quatro categorias de disputa no taekwondo. Para a modalidade</p><p>masculina, as categorias são:</p><p>� até 58 kg;</p><p>� até 68 kg;</p><p>� até 80 kg;</p><p>� acima de 80 kg.</p><p>Já para a modalidade feminina, as categorias são:</p><p>� até 49 kg;</p><p>� até 57 kg;</p><p>� até 67 kg;</p><p>� acima de 67 kg.</p><p>O Brasil possui duas medalhas de bronze no taekwondo, uma conquistada</p><p>por Maicon de Andrade, nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, na catego-</p><p>ria acima de 87 kg, e a outra conquistada pela lutadora Natália Falavigna,</p><p>nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, enquanto disputava a categoria</p><p>acima de 67 kg.</p><p>11Modalidades olímpicas de combate</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate | UNIDADE 4</p><p>Modalidades Olímpicas de Combate | PARTE 1 215</p><p>Figura 4. Duas atletas de taekwondo com os aparelhos de proteção obrigatórios, desfe-</p><p>rindo chutes.</p><p>Fonte: Pratique Fitness (2019, documento on-line).</p><p>Luta olímpica ou wrestling</p><p>Essa modalidade, que possui um caráter tradicional muito forte, ficou de fora</p><p>de apenas um dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. A Federação Internacional</p><p>de Lutas Associadas (FILA) propõe duas separações para a luta olímpica:</p><p>greco-romana e estilo livre. Embora existam algumas diferenças nessas mo-</p><p>dalidades, também existem semelhanças. Por exemplo, ambas ocorrem em</p><p>um espaço circular e requerem o uso obrigatório de tênis específico da mo-</p><p>dalidade, podendo ou não utilizar protetores de orelha. Além disso, as duas</p><p>modalidades visam a dominar o oponente, ou seja, o atleta se torna vitorioso</p><p>quando imobiliza seu adversário. Os atletas de luta olímpica combinam força</p><p>física com a estratégia de combate, e as lutas são disputadas em dois períodos</p><p>de três minutos cada (REDE NACIONAL DO ESPORTE, 2019).</p><p>Ao contrário do que ocorria na Grécia Antiga, o combate tem duração</p><p>de dois rounds de três minutos cada. É considerado o vencedor do combate</p><p>o lutador que mantiver o oponente com as costas presas ao chão dentro do</p><p>tempo regulamentar. Se não for possível imobilizar o oponente nesse período,</p><p>são contabilizados os pontos de cada atleta durante o combate. O combate é</p><p>observado por três juízes responsáveis pela marcação da pontuação, além de</p><p>um júri, que assegura que as regras da competição sejam seguidas. O combate</p><p>de ambas as modalidades ocorre em um espaço circular, com 9 metros de diâ-</p><p>Modalidades olímpicas de combate12</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>216 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>metro e 1,5 metro de borda. Além disso, no centro do círculo, são desenhados</p><p>outros dois círculos perpendiculares, com distância de 40 centímetros entre</p><p>eles (REDE NACIONAL DO ESPORTE, 2019).</p><p>As modalidades greco-romana e estilo livre possuem poucas diferenças entre si, tanto</p><p>que os equipamentos, o espaço, o tempo e as categorias são comuns entre elas.</p><p>A principal característica que as difere é que, no estilo livre, é permitida a participação</p><p>de mulheres, o que não ocorre na luta greco-romana. Além disso, no estilo livre,</p><p>é permitido</p><p>utilizar os membros inferiores para aplicar golpes, o que não é permitido</p><p>na lua olímpica greco-romana.</p><p>Na luta olímpica greco-romana, os atletas não utilizam equipamentos de</p><p>proteção (proteção de orelhas), por isso, não é permitido que sejam utilizados</p><p>golpes violentos, podendo utilizar apenas os braços e o tronco durante o com-</p><p>bate. Além disso, não é permitido segurar o adversário da cintura para baixo ou</p><p>utilizar as pernas para derrubá-lo (REDE NACIONAL DO ESPORTE, 2019).</p><p>A luta olímpica greco-romana possui sete categorias masculinas, são elas</p><p>(REDE NACIONAL DO ESPORTE, 2019):</p><p>� até 55 kg;</p><p>� até 60 kg;</p><p>� até 66 kg;</p><p>� até 74 kg;</p><p>� até 84 kg;</p><p>� até 96 kg;</p><p>� até 120 kg.</p><p>Na luta olímpica de estilo livre, a principal diferença é que os atletas podem</p><p>utilizas os membros inferiores, além dos braços e do tronco, para imobilizar o</p><p>adversário, de modo que pode ser considerada uma modalidade mais intensa</p><p>e vigorosa (REDE NACIONAL DO ESPORTE, 2019).</p><p>13Modalidades olímpicas de combate</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate | UNIDADE 4</p><p>Modalidades Olímpicas de Combate | PARTE 1 217</p><p>A luta olímpica de estilo livre possui sete categorias masculinas, são elas</p><p>(REDE NACIONAL DO ESPORTE, 2019):</p><p>� até 55 kg;</p><p>� até 60 kg;</p><p>� até 66 kg;</p><p>� até 74 kg;</p><p>� até 84 kg;</p><p>� até 96 kg; e</p><p>� até 120 kg.</p><p>Além delas, possui quatro modalidades femininas (REDE NACIONAL</p><p>DO ESPORTE, 2019):</p><p>� até 48 kg;</p><p>� até 55 kg;</p><p>� até 63 kg;</p><p>� até 72 kg.</p><p>Karatê</p><p>O karatê teve origem em uma região que, na época, pertencia à China (pos-</p><p>teriormente passou a ser ocupada pelo Japão). Essa técnica, criada por um</p><p>monge, permitia uma forma de autodefesa sem armas e, por muito tempo, foi</p><p>ensinada de maneira secreta e clandestina. Somente no início do século XIX</p><p>é que o karatê passa a ser praticado não mais como uma ferramenta de luta e</p><p>defesa, mas sim como atividade física e desportiva. No Brasil, o primeiro dojô</p><p>foi inaugurado em 1956, na cidade de São Paulo (COB, 2020b).</p><p>O karatê fará sua estreia nos Jogos Olímpicos em 2020, e será dividido</p><p>em duas categorias: kumite (combate entre dois atletas) e kata (movimentos</p><p>realizados de maneira individual, tendo sua performance aprovada por juízes),</p><p>nas modalidades femininas e masculinas, separadas por peso. Cada categoria</p><p>contará com um total de dez atletas, sendo permitido apenas um atleta por</p><p>país (COI, 2020b).</p><p>No kumite (Figura 5), as lutas possuem duração de três minutos, e o cam-</p><p>peão é aquele que obtém uma clara vantagem de oito pontos ou o competidor</p><p>que tem o maior número de pontos no tempo limite. Em caso de empate,</p><p>o vencedor é determinado pela primeira vantagem de pontos sem oposição</p><p>Modalidades olímpicas de combate14</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>218 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>ou por uma decisão majoritária dos juízes. Os pontos são somados conforme</p><p>a execução correta de técnicas de socos e chutes, sendo elas:</p><p>� yuko (vale 1 ponto — soco com a mão fechada na parte de cabeça,</p><p>pescoço, barriga, lado, costas ou torso do oponente);</p><p>� waza-ari (2 pontos — chute no corpo);</p><p>� ippon (3 pontos — chute alto na cabeça ou soco em um oponente que</p><p>foi derrubado no chão após uma varredura ou queda; COI, 2020b).</p><p>Como equipamentos, são necessários o uso de kimono de karatê, luvas,</p><p>caneleira, capacete, protetor bucal, protetor de tórax, protetor genital e protetor</p><p>de seios (para competidores do sexo feminino).</p><p>Figura 5. Karatê na modalidade kumite.</p><p>Fonte: Olímpiada Todo Dia (2017, documento on-line).</p><p>Conhecer o mundo das lutas é realmente impressionante, uma vez que elas</p><p>possuem características, histórias e regras muito próprias. Até o momento,</p><p>foram abordadas apenas modalidades presentes nas Olimpíadas, contudo,</p><p>nas Paralimpíadas, também estão presentes diferentes modalidades de lutas,</p><p>as quais serão apresentadas a seguir.</p><p>15Modalidades olímpicas de combate</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate | UNIDADE 4</p><p>Modalidades Olímpicas de Combate | PARTE 1 219</p><p>3 Conhecendo as lutas presentes</p><p>nos Jogos Paralímpicos</p><p>A história do esporte paralímpico remonta à I Guerra Mundial e cresce bru-</p><p>talmente após a II Guerra Mundial e o enorme número de soldados mutilados</p><p>nesse evento histórico. Em 1948, em Stoke Mandeville, ocorreu a primeira</p><p>competição para atletas com deficiência, a qual coincidiu com as Olimpíadas,</p><p>que estavam ocorrendo em Londres. Quatro anos depois, os jogos para atle-</p><p>tas com deficiência ocorreram novamente na mesma cidade e na época das</p><p>Olimpíadas. Assim, a partir de 1960, os jogos para pessoas com deficiência</p><p>continuaram a ocorrer na mesma cidade das Olimpíadas, porém sempre após</p><p>os Jogos Olímpicos, de modo que a primeira Paralimpíada ocorreu em Roma,</p><p>no ano de 1960 (MACHADO, 2012).</p><p>O Comitê Paralímpico Internacional (2020) aponta as modificações a</p><p>serem realizadas, buscando atender às necessidades de cada deficiência com</p><p>a realização de diferentes categorias que englobam o tipo e o grau da defi-</p><p>ciência. Desse modo, os atletas disputam com competidores com a mesma</p><p>deficiência, mantendo a disputa igualitária. O esporte paralímpico cresce</p><p>exponencialmente, sendo que, nos Jogos de 2016, ultrapassou os 4.200 atletas</p><p>(COMITÊ PARALÍMPICO INTERNACIONAL, 2020).</p><p>Esse cenário promissor se repete na modalidade das lutas. Segundo o</p><p>Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB, 2020a), são modalidades paralímpicas:</p><p>parataekwondo, esgrima em cadeira de rodas e judô, descritas em detalhes</p><p>a seguir.</p><p>Parataekwondo</p><p>Em 2009, iniciou-se um movimento no cenário mundial do taekwondo sobre</p><p>a necessidade de se ampliar o esporte para pessoas com deficiência; essa nova</p><p>modalidade do esporte foi chamada de parataekwondo. O parataekwondo</p><p>teve a sua primeira participação (como exibição) em Paralimpíadas em 2015,</p><p>e foi anexado ao calendário olímpico oficial para as Paralimpíadas de 2020</p><p>(PATATAS, 2012).</p><p>O parataekwondo pode ser dividido em duas modalidades: poonse e kioru-</p><p>gui. A modalidade de poonse é disputada por atletas com deficiência visual,</p><p>deficiência intelectual, deficiência física e baixa estatura, e a classe KP60</p><p>é exclusiva dos surdos. Já a modalidade kiorugui é para deficientes físicos</p><p>(havendo a diferenciação entre deficiências físicas de membros superiores e</p><p>inferiores). É importante ressaltar que nem todas essas modalidades fazem</p><p>Modalidades olímpicas de combate16</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>220 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>parte do programa paralímpico. Sendo assim, são classes do parataekwondo:</p><p>a classe K43, na qual competem atletas com amputação bilateral do cotovelo até</p><p>a articulação da mão; e a classe K44, na qual competem atletas com amputação</p><p>unilateral do cotovelo até a articulação da mão, monoplegia, hemiplegia leve</p><p>e diferença de tamanho nos membros inferiores. Além disso, são realizadas</p><p>categorizações por peso e sexo (CPB, 2020b).</p><p>A competição do parataekwondo em si é muito parecida com a modalidade olímpica,</p><p>devendo-se obedecer a regras, pontuações e equipamentos de proteção de maneira</p><p>muito semelhante. A principal alteração são as chamadas normas de segurança,</p><p>que impedem o ataque na altura da cabeça, e a diminuição do tempo de duração do</p><p>round, com um intervalo maior entre os rounds (PATATAS, 2012).</p><p>Esgrima em cadeira de rodas</p><p>Essa modalidade surgiu em 1953 e foi aplicada, originalmente, pelo médico</p><p>alemão Ludwig Guttmann, o pai do movimento paralímpico. A esgrima em</p><p>cadeira de rodas é destinada a atletas com deficiência locomotora e é uma</p><p>das modalidades paralímpicas mais tradicionais. A esgrima adaptada sur-</p><p>giu em 1953, e é disputada desde a primeira edição dos Jogos Paralímpicos,</p><p>em 1960 (CPB, 2020c).</p><p>Praticada por homens e mulheres com lesão medular, amputações ou</p><p>paralisia cerebral, a esgrima em cadeira</p><p>de rodas é um esporte intenso e</p><p>muito rápido, em que o atleta utiliza muito raciocínio lógico e estratégia para</p><p>vencer seu adversário, realizando com maestria movimentos de defesa e</p><p>ataque (CPB, 2020c). Nessa modalidade, também são disputadas as provas de</p><p>florete, espada e sabre, seguindo as características e especificidades de cada</p><p>uma delas. A competição é conduzida de maneira muito similar à esgrima</p><p>olímpica, porém, neste caso, a cadeira de rodas fica presa ao solo e a pista</p><p>mede 4 m de comprimento por 1,5 m de largura (CPB, 2020c).</p><p>17Modalidades olímpicas de combate</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate | UNIDADE 4</p><p>Modalidades Olímpicas de Combate | PARTE 1 221</p><p>Nas Paralimpíadas do Rio, em 2016, a modalidade de esgrima em cadeira de rodas</p><p>contou um total de 88 atletas, sendo 52 homens e 36 mulheres. Nas Paralimpíadas de</p><p>Londres, em 2012, o gaúcho Jovane Guissone conquistou a primeira e única medalha</p><p>do Brasil em Jogos Paralímpicos, sendo esta uma medalha de ouro.</p><p>A classificação dos atletas ocorre quanto à mobilidade do tronco. Eles</p><p>podem ser classificados em três categorias: A, B e C, sendo a categoria C a</p><p>mais severa, e a A, a menos comprometida, além das separações por sexo.</p><p>O Quadro 1, a seguir, apresenta as características de cada classificação.</p><p>Fonte: Adaptado de CPB (2020b).</p><p>Categoria Características</p><p>A Atletas com bom equilíbrio sentado, sem suporte de pernas e</p><p>braço armado normal. Amputação abaixo do joelho ou lesões</p><p>incompletas, porém com manutenção do equilíbrio sentado.</p><p>B Atletas com total equilíbrio sentado, com braço armado normal.</p><p>Paraplegia ou tetraplegia incompleta com sequelas mínimas no</p><p>braço armado e bom equilíbrio sentado.</p><p>C Atletas sem equilíbrio sentado, com limitações no braço</p><p>armado, que detêm extensão funcional do cotovelo, mas</p><p>sem flexão dos dedos. Nesse caso, a arma é fixada com uma</p><p>bandagem.</p><p>Quadro 1. Categorias da esgrima em cadeira de rodas</p><p>Judô paralímpico</p><p>Esse esporte passa a fazer parte do calendário paralímpico oficial em 1998.</p><p>Ao contrário das demais modalidades de combate, o judô paralímpico é dispu-</p><p>tado por homens e mulheres com deficiência visual, divididos em categorias</p><p>de acordo com o peso corporal e o grau da deficiência (CPB, 2020d).</p><p>Modalidades olímpicas de combate18</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>222 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>As lutas ocorrem com as mesmas regras utilizadas pela Federação</p><p>Internacional de Judô, apresentando pequenas diferenças. A principal delas</p><p>é que os atletas começam o combate segurando no judoji do oponente. Além</p><p>disso, o combate é interrompido sempre que os lutadores perdem o contato.</p><p>É importante citar que, ao contrário da modalidade olímpica, não são previstas</p><p>punições para quem sai da área de combate. O tempo de combate apresenta</p><p>variação, sendo de quatro minutos para as mulheres e de cinco minutos para</p><p>os homens (CPB, 2020d).</p><p>Atualmente, o judô é responsável por 22 medalhas que o Brasil possui ao longo da</p><p>história dos Jogos Paralímpicos, sendo quatro delas de ouro, todas conquistadas</p><p>pelo mesmo atleta — Antônio Tenório, o principal nome do esporte nacional —</p><p>em Atlanta, em 1996 (CPB, 2020d).</p><p>As classificações de acordo com o grau da deficiência visual utilizam a letra</p><p>B (do inglês blind, que significa cego), seguida de números de 1 a 3; em que o 1</p><p>é o mais grave, e o 3, o menos comprometido. A categoria B1 conta com cegos</p><p>totais ou com percepção de luz, mas sem reconhecer o formato de uma mão a</p><p>qualquer distância. Já a categoria B2 trata dos atletas com percepção de vultos.</p><p>Por fim, a categoria B3 refere-se aos atletas que conseguem definir imagens.</p><p>Com base neste capítulo, é possível compreender que as lutas acompanharam</p><p>a evolução não apenas das Olimpíadas, mas da sociedade como um todo,</p><p>retratando os valores, as características e as tecnologias inerentes de cada</p><p>período histórico. As lutas — principalmente a luta olímpica — possuem</p><p>uma carga cultural tradicional muito forte dentro dos Jogos Olímpicos e</p><p>Paralímpicos, possuindo modalidades que apareceram em todas as edições,</p><p>como a esgrima em cadeira de rodas nos Jogos Paralímpicos. Sendo assim,</p><p>embora cada modalidade tenha as suas próprias características, é inegável</p><p>que as lutas pertencem aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de forma muito</p><p>tradicional e intensa.</p><p>19Modalidades olímpicas de combate</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate | UNIDADE 4</p><p>Modalidades Olímpicas de Combate | PARTE 1 223</p><p>CBB. História do boxe olímpico. [2020]. Disponível em: http://cbboxe.org.br/historia/.</p><p>Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>CBE. [Site]. 2020. Disponível em: http://cbesgrima.org.br/. Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>CBW. História da luta olímpica: CBW. [2019]. Disponível em: http://cbw.org.br/</p><p>modalidades/historia-da-luta-olimpica/. Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>COB. Judô. [2020a]. Disponível em: https://www.cob.org.br/pt/cob/time-brasil/esportes/</p><p>judo/. Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>COB. Karatê. 2020b. Disponível em: https://www.cob.org.br/pt/cob/time-brasil/esportes/</p><p>karate/. Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>COI. [Site]. 2020a. Disponível em: https://www.olympic.org/. Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>COI. Karatê. 2020b. Disponível em: https://www.olympic.org/karate. Acesso em:</p><p>21 jul. 2020.</p><p>COLLI, E. Universo olímpico: uma enciclopédia das Olimpíadas. São Paulo: Códex, 2004.</p><p>COMITÊ PARALÍMPICO INTERNACIONAL. [Site]. [2020]. Disponível em: https://www.</p><p>paralympic.org/. Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>CPB. [Site]. [2020a]. Disponível em: https://www.cpb.org.br/. Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>CPB. Esgrima em cadeira de rodas. [2020c]. Disponível em: https://www.cpb.org.br/</p><p>modalidades/55/esgrima-em-cr. Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>CPB. Judô. [2020d]. Disponível em: https://www.cpb.org.br/modalidades/48/judo.</p><p>Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>CPB. Parataekwondo. [2020b]. Disponível em: https://www.cpb.org.br/modalidades/64/</p><p>parataekwondo. Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>DUPUIS, P.; MOLITERNI, C. A aventura olímpica: da antiguidade a 1924. Rio Tinto: Edições</p><p>Asa, 1990.</p><p>EXAME. Luta é reincorporada às Olimpíadas de 2020. 2013. Disponível em: https://</p><p>exame.com/estilo-de-vida/luta-e-reincorporada-ao-programa-dos-jogos-olimpicos-</p><p>para-2020/. Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>FRANCHINI, E.; DEL VECCHIO, F. B. Estudos em modalidades esportivas de combate:</p><p>estado da arte. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 25, n. esp.,</p><p>p. 67–81, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi</p><p>d=S1807-55092011000500008. Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>MACHADO, R. B. Paralimpíadas e mídia: o crescimento das políticas de inclusão. Cadernos</p><p>de Comunicação, Santa Maria, v. 16, n. 2, p. 375–388, 2012. Disponível em: https://</p><p>periodicos.ufsm.br/ccomunicacao/article/view/6842/4936. Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>Modalidades olímpicas de combate20</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>224 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-</p><p>cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a</p><p>rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de</p><p>local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade</p><p>sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>MARILLIER, B. Jogos olímpicos. Lisboa: Hugin, 2000.</p><p>MATSUKI, E. Conheça as regras do boxe, taekwondo, luta olímpica e judô, presentes na</p><p>Rio 2016. 2016. Disponível em: https://www.ebc.com.br/esportes/2016/06/conheca-</p><p>regras-do-boxe-taekwondo-luta-olimpica-e-judo-presentes-na-rio-2016. Acesso em:</p><p>21 jul. 2020.</p><p>OLIMPÍADA TODO DIA. Kumite +84kg masculino. 2017. Disponível Em: http://www.</p><p>olimpiadatododia.com.br/lima-2019/carate/kumite-acima-84kg-masculino/. Acesso</p><p>em: 21 jul. 2020.</p><p>PATATAS, J.</p><p>M. O taekwondo como modalidade paradesportiva. 2012. Dissertação</p><p>(Mestrado em Educação Física) – Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual</p><p>de Campinas, Campinas, 2012. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/jspui/</p><p>bitstream/REPOSIP/275026/1/Patatas_JacquelineMartins_M.pdf. Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>PEREDO, M. G. A história dos desportos olímpicos. [S. l.]: Círculo de Leitores, 1992.</p><p>PRATIQUE FITNESS. Tudo sobre o taekwondo benefícios. 2019. Disponível em: https://</p><p>pratiquefitness.com.br/blog/tudo-sobre-o-taekwondo-beneficios/. Acesso em: 21</p><p>jul. 2020.</p><p>REDE NACIONAL DO ESPORTE. Lutas. [2019]. Disponível em: http://rededoesporte.</p><p>gov.br/pt-br/megaeventos/olimpiadas/modalidades/lutas. Acesso em: 21 jul. 2020.</p><p>STUBBS, R (org.). O livro dos esportes: os esportes, as regras, as táticas, as técnicas. Rio</p><p>de Janeiro: Harpercollins, 2012.</p><p>21Modalidades olímpicas de combate</p><p>Identificação interna do documento 3ZW6YRI2SQ-B5C59Q1</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate | UNIDADE 4</p><p>Modalidades Olímpicas de Combate | PARTE 1 225</p><p>ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO</p><p>PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.</p><p>PREZADO ESTUDANTE</p><p>226 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Parte 2</p><p>Metodologia das Lutas</p><p>O conteúdo deste livro</p><p>é disponibilizado</p><p>por SAGAH.</p><p>unidade</p><p>4</p><p>V.1 | 2022</p><p>228 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Metodologia das lutas</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Identificar a origem e a classificação dos esportes de combate.</p><p> Discutir estratégias e conteúdo para o desenvolvimento das lutas na</p><p>educação física escolar.</p><p> Planejar aulas para o ensino dos esportes de combate nas diferentes</p><p>etapas escolares.</p><p>Introdução</p><p>Culturalmente, a luta sempre esteve presente na história. De uma forma</p><p>de sobrevivência dos povos primitivos à espetacularização como esporte</p><p>de combate, a luta nos traz ensinamentos que a tornam um tema valioso</p><p>para ser desenvolvido nas aulas de educação física escolar. No entanto,</p><p>ainda hoje, a luta é vista como um conteúdo tabu por muitos professores,</p><p>tendo, assim, bastante dificuldade de penetrar nos programas dessa</p><p>disciplina. Sendo assim, desenvolver metodologias adequadas para o</p><p>ensino de lutas é essencial para que o professor consiga trazer esse tema</p><p>para suas aulas, permitindo que os alunos entrem em contato com novos</p><p>aprendizados.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar a origem e a classificação dos espor-</p><p>tes de combate. Você também vai conferir estratégias e conteúdo para</p><p>o desenvolvimento das lutas na educação física escolar e modelos de</p><p>planos de aulas para o ensino dos esportes de combate nas diferentes</p><p>etapas escolares.</p><p>1 Origem e classificação dos esportes de</p><p>combate</p><p>Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), lutas são “[…] disputas</p><p>corporais nas quais os participantes empregam técnicas, táticas e estratégias</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate | UNIDADE 4</p><p>Metodologia das Lutas | PARTE 2 229</p><p>específi cas para imobilizar, desequilibrar, atingir ou excluir o oponente de</p><p>um determinado espaço, combinando ações de ataque e defesa dirigidas ao</p><p>corpo do adversário” (BRASIL, 2018, p. 218). Em consonância com essa ideia,</p><p>Pucineli (2004, p. 11) descreve a luta como:</p><p>[…] uma prática de oposição geralmente entre duas pessoas, na qual realize-</p><p>-se uma ação (toque ou agarre) com o objetivo de dominar a outra, dentro</p><p>das regras específicas. Duas condições são essenciais para considerarmos</p><p>atividade como luta: o alvo da ação ser a própria pessoa e a possibilidade de</p><p>finalização do ataque ser mútua, a qualquer momento, inclusive, simultânea.</p><p>Os esportes de combate são uma interface da luta, ou seja, são modalidades de luta que</p><p>foram esportivizadas com o objetivo de trazer mais adeptos para as lutas, aumentando</p><p>sua popularidade e garantindo sua sobrevivência, como no caso do judô, conforme</p><p>apontado por Del’Vecchio e Franchini (2006).</p><p>Segundo Rufino e Darido (2015), a luta sempre esteve culturalmente pre-</p><p>sente na história. Pinto et al. (2009) afirmam que, no período primitivo, as lutas</p><p>humanas se davam pela sobrevivência, para garantir alimento, travando-se</p><p>combates com outros seres humanos ou animais. Nos povos antigos orientais,</p><p>a luta também fazia parte da sociedade como treinamento militar ou como</p><p>defesa pessoal. Dessas civilizações vão surgir inúmeras lutas que conhece-</p><p>mos até hoje, como o jiu-jitsu, o caratê, o kung fu, o sumô, o boxe e, mais</p><p>recentemente, o judô.</p><p>De todas as lutas citadas, o judô é a única que não tem seu surgimento no período</p><p>da Antiguidade, pois foi criada no Japão, no ano de 1882, pelo professor de educação</p><p>física Jigoro Kano. Kano se inspirou nas técnicas do jiu-jitsu, inserindo alguns princípios</p><p>como equilíbrio, gravidade e sistema de alavancas nas execuções dos movimentos</p><p>(RUFINO; DARIDO, 2015).</p><p>Metodologia das lutas2</p><p>230 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>No Ocidente, as lutas também eram destaque, principalmente nas civili-</p><p>zações gregas e romanas. Nas primeiras edições dos jogos olímpicos, já havia</p><p>três tipos de lutas:</p><p> a palé (o objetivo dessa luta era levar o adversário ao chão, tocando os</p><p>ombros para derrotá-lo);</p><p> o pugilato (semelhante ao boxe atual, com o atleta tendo que envolver</p><p>seu dedo em uma tira de couro; a luta somente acabava quando alguém</p><p>desistia ou ficava inconsciente); e</p><p> o pancrácio (uma luta livre em que se usava bastante violência, na qual</p><p>os únicos golpes que não eram permitidos era enfiar os dedos nos olhos,</p><p>atacar a região genital, arranhar ou morder).</p><p>Em Roma, as ações de luta eram mais espetacularizadas, como a disputa</p><p>entre os gladiadores, que levavam grandes públicos aos circos romanos. A</p><p>importância das civilizações gregas e romanas para a luta é tal que ainda hoje</p><p>existe uma luta trazendo seus nomes: a luta greco-romana. Segundo Duarte</p><p>(2004), essa luta possui esse nome por ser disputada tanto na posição em pé</p><p>(como era em Roma) quanto deitada (como ocorria na Grécia).</p><p>Como esportes de combate, as lutas começaram a vigorar a partir do período</p><p>moderno, quando passaram a ser organizadas competições. O ressurgimento</p><p>dos jogos olímpicos em 1896 trouxe algumas modalidades de luta para as</p><p>competições, dando boa evidência a esses esportes. Hoje, além dos jogos</p><p>olímpicos, há competições em todas as esferas — regional, nacional e mun-</p><p>dial —, com destaque para as artes marciais mistas (MMA, do inglês mixed</p><p>martial arts), que possuem enorme visibilidade na grande mídia (Figura 1).</p><p>3Metodologia das lutas</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate | UNIDADE 4</p><p>Metodologia das Lutas | PARTE 2 231</p><p>Figura 1. Luta de MMA.</p><p>Fonte: Porto Filho (2019, documento on-line).</p><p>A luta oriunda do Brasil é a capoeira, provavelmente nativa dos quilombos</p><p>brasileiros, utilizada como meio de defesa dos escravos (VIDOR; REIS, 2013).</p><p>A ideia foi disfarçar a luta em forma de dança, para se defender das agressões</p><p>sofridas. Antes de virar uma expressão cultural, a capoeira foi duramente</p><p>perseguida pela polícia. No século XIX, no período imperial (1808–1889), a</p><p>capoeira era presença frequente nas páginas policiais dos jornais da Corte.</p><p>Silva (2007, p. 51) refere que, durante longo tempo, a capoeira foi “[…] estig-</p><p>matizada, estereotipada, marginalizada, criminalizada e objeto de controle</p><p>social, pelo Estado brasileiro, escravista e racista”.</p><p>A afirmação da capoeira ocorreu na Bahia, como um “jeito negro” de</p><p>praticá-la por meio de duas escolas: a capoeira regional, de mestre Bimba, e</p><p>a capoeira Angola, de mestre Pastinha.</p><p>O estilo Angola, mais tradicional e de origem africana, seria uma variação</p><p>da dança ritual chamada n'gol, praticada pelo povo Mucope, originário do</p><p>sul da África, em território pertencente hoje a Angola. Nesse estilo, os opo-</p><p>nentes se enfrentam com golpes de pés usando o apoio das mãos, cercado</p><p>por observadores que formam</p><p>Acesos em 18 dez. 2019.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>BENVEGNÚ JÚNIOR, A. E. Educação física escolar no Brasil e seus resquícios históricos.</p><p>Revista de Educação do IDEAU, [s. l.], v. 6, n. 13, 2011. Disponível em: https://www.bage.</p><p>ideau.com.br/wp-content/files_mf/c6c2c313da7798b65af08ed1f95e79de151_1.pdf.</p><p>Acesso em: 06 jan. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros</p><p>curriculares nacionais: educação física. Brasília: MEC, 1997.</p><p>TUBINO, M. J. G. Dimensões sociais do esporte. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001.</p><p>Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-</p><p>cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a</p><p>rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de</p><p>local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade</p><p>sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>Prática docente nos esportes individuais12</p><p>ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO</p><p>PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.</p><p>PREZADO ESTUDANTE</p><p>Parte 2</p><p>Introdução ao Atletismo</p><p>O conteúdo deste livro</p><p>é disponibilizado</p><p>por SAGAH.</p><p>unidade</p><p>1</p><p>V.1 | 2022</p><p>24 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Introdução ao atletismo</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Descrever a origem e a evolução do atletismo enquanto modalidade</p><p>esportiva.</p><p> Identificar as diferentes modalidades que compõem o escopo do</p><p>atletismo.</p><p> Relacionar a exigência física e os gestos motores do atletismo com</p><p>as diferentes modalidades esportivas.</p><p>Introdução</p><p>O atletismo é uma das modalidades esportivas mais antigas de que se tem co-</p><p>nhecimento. Essa modalidade evoluiu de movimentos que estavam associados</p><p>à própria sobrevivência do ser humano, como se locomover de um lugar para</p><p>outro, fugir, subir em árvores e saltar ou lançar objetos para caçar, resultando</p><p>em práticas como correr, saltar, lançar e arremessar.</p><p>O atletismo como esporte tem como objetivo avaliar as ações motoras de</p><p>correr, saltar, lançar e arremessar, verificando quais são os melhores atletas</p><p>para cada ação. Normalmente, o melhor corredor não será o melhor saltador,</p><p>uma vez que essas ações motoras específicas também acabam exigindo ca-</p><p>pacidades físicas específicas. Os resultados das competições são dados por</p><p>medidas de tempo e distância, sendo campeões o mais rápido, quem dá o</p><p>maior salto e quem lança mais longe.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar as principais características históricas</p><p>e evolutivas do atletismo, as diversas modalidades, tanto em pista como em</p><p>campo, bem como as principais capacidades físicas que são exigidas e que</p><p>podem ser desenvolvidas nessa modalidade.</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Introdução ao Atletismo | PARTE 2 25</p><p>Origem e evolução do atletismo enquanto</p><p>modalidade esportiva</p><p>O atletismo é um dos esportes mais antigos e populares de que se tem co-</p><p>nhecimento, e a sua história se confunde com a dos próprios jogos olímpicos.</p><p>O homem, ao contar sua história, primeiro com as pinturas em cavernas e</p><p>depois com a escrita, deixou registros das primeiras competições. Há registros</p><p>de disputas que remontam há, pelo menos, 5 mil anos, segundo a Confederação</p><p>Brasileira de Atletismo (CBAt) (CONFEDERAÇÃO..., c2019).</p><p>Ainda conforme a CBAt (c2019), nos Jogos Olímpicos da Antiguidade,</p><p>mais especificamente na Grécia, em 776 a.C., foi disputada uma única prova</p><p>chamada de stadium, que consistia em uma corrida de aproximadamente</p><p>200 metros. Outras provas do atletismo foram sendo acrescentadas, como</p><p>o lançamento do disco, o lançamento do dardo, o salto em distância e, mais</p><p>tarde, as lutas e provas equestres. As corridas de rua ou pedestrianismo são</p><p>provas que ocorrem fora do estádio de atletismo, e há registros delas desde a</p><p>Antiguidade, com provas na China, no Egito e na Grécia.</p><p>No final do século XIX, o pedagogo francês Pierre de Coubertin, também</p><p>conhecido como Barão de Coubertin, recebeu do governo a tarefa de criar</p><p>um programa educacional para as escolas, momento em que percebeu a im-</p><p>portância de também desenvolver o corpo e o espírito, associando o esporte</p><p>à educação. Ele viu florescerem as corridas cross country, eventos de pista</p><p>e campo, tornando-se um dos principais responsáveis pelo surgimento dos</p><p>jogos olímpicos da atualidade.</p><p>A primeira olimpíada da era contemporânea foi realizada em Atenas,</p><p>na Grécia, em uma tentativa de resgate dos jogos antigos. Participaram dos</p><p>jogos 313 atletas, mas apenas homens, dos quais aproximadamente um terço</p><p>eram do atletismo, demonstrando, assim, a importância da modalidade. O</p><p>atletismo contou com um programa composto por 12 provas: 100, 400, 800 e</p><p>1.500 metros rasos, 110 metros com barreiras, maratona, salto em distância e</p><p>triplo, salto em altura e com vara, arremesso de peso e lançamento do disco.</p><p>As mulheres estrearam no atletismo apenas nos Jogos de Amsterdã, em 1928.</p><p>Com o passar dos anos, outras provas foram sendo incorporadas às com-</p><p>petições de atletismo, assim como algumas técnicas foram evoluindo, para</p><p>trazer também mais segurança aos participantes. Por exemplo, as provas de</p><p>saltos verticais (salto em altura e distância) não possuíam colchões para a queda</p><p>após o salto — os atletas caíam na caixa de areia ou na grama. Nas provas</p><p>de velocidade, não havia blocos de partidas — os atletas, com o uso de uma</p><p>Introdução ao atletismo2</p><p>26 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>pequena pá, cavavam um buraco na pista para apoiar os pés. Mais tarde, as</p><p>pistas passaram a ser de piso emborrachado, e surgiram os blocos de partida.</p><p>Muitos heróis do atletismo surgiram ao longo dos anos, como: Paavo Nurmi, que</p><p>dominou as provas de 1.500 a 10.000 metros; Emil Zatopek, conhecido como a loco-</p><p>motiva humana, que venceu os 5.000 e 10.000 metros e a maratona em uma mesma</p><p>edição dos Jogos; e Jesse Owens, que ganhou quatro medalhas de ouro nos Jogos</p><p>de Berlim em 1936, derrubando o mito da superioridade da raça ariana, entre outros</p><p>(CONFEDERAÇÃO..., c2019).</p><p>Segundo Matthiesen (2007), os primeiros registros de competições no</p><p>Brasil remontam a 1910. Em 1912, foi criada a Associação Internacional de</p><p>Federações de Atletismo, que regulamenta as regras do esporte no mundo.</p><p>A primeira participação de uma equipe brasileira em olimpíadas ocorreu em</p><p>1924, nos Jogos de Paris, na França. A Corrida de São Silvestre, uma das</p><p>provas de pedestrianismo (corrida de rua) mais importantes do país, surgiu em</p><p>1925. A CBAt, que regulamenta e rege o esporte no Brasil, surgiu em 1977.</p><p>Os primeiros brasileiros a ganharem medalhas no atletismo nas olimpíadas</p><p>foram Adhemar Ferreira da Silva, que ganhou ouro no salto triplo, e José</p><p>Telles da Conceição, que foi bronze no salto em altura, ambos em 1952, em</p><p>Helsinque, na Finlândia. Adhemar voltou a ganhar a prova do salto triplo em</p><p>Melbourne, quatro anos depois. Nelson Prudêncio foi prata no México, em</p><p>1968, e bronze em Munique, em 1972, também na prova de salto triplo. João</p><p>Carlos de Oliveira, conhecido como “João do Pulo”, foi bronze em Montreal,</p><p>em 1976, e em Moscou, em 1980. Dessa forma, o Brasil se tornou uma das</p><p>referências mundiais no salto triplo.</p><p>Os eventos mais conhecidos do atletismo são as olimpíadas e o campeonato</p><p>mundial de atletismo. No entanto, provas de pedestrianismo, como marato-</p><p>nas, também se destacam. Algumas regulamentações foram ajustadas para</p><p>garantir a igualdade entre os competidores e dar segurança aos participantes,</p><p>possibilitando a homologação de recordes. Assim, quando um atleta compete</p><p>em determinado lugar do planeta, seu resultado pode ser comparado com</p><p>outros. Por exemplo, as dimensões da pista passaram a ser padronizadas,</p><p>3Introdução ao atletismo</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Introdução ao Atletismo | PARTE 2 27</p><p>como a largura das raias, o raio da curva, assim como a forma de medição</p><p>tanto</p><p>uma roda. Esse estilo caracteriza-se pela maior</p><p>valorização do gingado do corpo e por uma sequência de passos de chão. O</p><p>outro estilo é o Regional, criado no Brasil e fortemente difundido por mestre</p><p>Bimba. Esse estilo valoriza os movimentos acrobáticos e os grandes saltos.</p><p>Metodologia das lutas4</p><p>232 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Nos dois casos o ritmo combate/jogo é marcado ao som de palmas e de ins-</p><p>trumentos musicais como o pandeiro, atabaque, caxixi, agogô e o principal</p><p>deles, o berimbau (TELLES; MELO, 2013, p. 21).</p><p>Entre os elementos do jogo se destaca a roda, que é o lugar em que acontece</p><p>o jogo e no qual os jogadores se expressam, sendo que jogam dois por vez.</p><p>O responsável pela roda é o mestre de capoeira, autoridade máxima do jogo</p><p>(VIDOR; REIS, 2013).</p><p>Algumas lutas se tornaram populares e tiveram desenvolvimento no país,</p><p>como é o caso do jiu-jitsu. Isso ocorreu principalmente devido à família Gracie,</p><p>que transformou essa luta em uma filosofia de vida, tornando-a mais letal e</p><p>competitiva, a partir do fortalecimento de técnicas como as alavancas e as</p><p>imobilizações, além de permitir que um lutador mais fraco vença a luta pelo</p><p>domínio da técnica (RUFINO; DARIDO, 2015).</p><p>Como vimos até aqui, as lutas são bastante distintas, uma vez que são</p><p>oriundas de regiões e culturas diferentes. Mesmo com suas regras e formas</p><p>de disputa peculiares, Rufino (2017) aponta que essas práticas corporais</p><p>apresentam características gerais, conhecidas como aspectos universais, que</p><p>são descritos a seguir.</p><p> Enfrentamento físico: toda luta exige certo nível de enfrentamento e</p><p>contato entre as pessoas, que varia conforme a modalidade. O enfren-</p><p>tamento pode ser direto, quando se utiliza o corpo, como no jiu-jitsu,</p><p>ou indireto, quando se utilizam implementos — como espadas, no</p><p>caso da esgrima.</p><p> Regras: as lutas vão possuir regras bem organizadas, que buscam manter</p><p>a segurança e o nível de disputa. As regras são o que diferenciam a luta</p><p>de uma briga, por exemplo. Por meio delas, sabe-se o que é proibido e</p><p>o que é permitido.</p><p> Oposição: as lutas ocorrem em caráter de oposição, com objetivos</p><p>variáveis, conforme a modalidade. Os objetivos podem ser atingir</p><p>determinada parte do corpo para pontuar, como no caso do taekwondo,</p><p>ou segurar a pessoa para retirá-la de um determinado espaço, como</p><p>no caso do sumô.</p><p> Objetivo centrado no corpo de outra pessoa: refere-se ao objetivo da</p><p>luta, que está centralizado no corpo da outra pessoa. Essa talvez seja</p><p>uma de suas maiores características, diferenciando-a das demais práticas</p><p>corporais. Na luta, o alvo das ações é a outra pessoa, que, diferentemente</p><p>das demais modalidades, é um alvo móvel.</p><p>5Metodologia das lutas</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate | UNIDADE 4</p><p>Metodologia das Lutas | PARTE 2 233</p><p> Ações de caráter simultâneo: nas lutas, realizam-se ações tanto de</p><p>defesa quanto de ataque de forma simultânea — não há diferenciação</p><p>no espaço e no tempo dessas ações. Ataque e defesa ocorrem a todo</p><p>instante e podem surgir tanto de uma pessoa quanto da outra, sendo</p><p>necessário sempre manter a atenção.</p><p> Imprevisibilidade: a simultaneidade descrita acima traz a característica</p><p>da imprevisibilidade, sendo umas lutas mais imprevisíveis do que outras.</p><p>Uma prova disso é que algumas lutas podem encerrar antes do tempo</p><p>máximo permitido, como no caso do judô, quando ocorre um ippon,</p><p>ou no boxe e no MMA, quando ocorre um nocaute.</p><p>Além dessas características, as lutas podem ser classificadas, segundo</p><p>Rufino (2017), conforme as suas ações e a distância. Pode-se dividir as ações</p><p>em previsíveis e imprevisíveis. Nas ações previsíveis, temos movimentos</p><p>coreografados e repetitivos, utilizados em casos de demonstração. Nesse caso,</p><p>não há a oposição de forma direta. É o caso de mostras de armas do kung fu</p><p>ou modalidades como os katas.</p><p>As ações imprevisíveis são baseadas na oposição direta, em que há o alvo</p><p>móvel e ações motoras, como agarre e toque, com ou sem implementos. Esses</p><p>enfrentamentos físicos diretos podem ser divididos conforme a distância, pois</p><p>é ela que vai ser diferencial para as possíveis ações. Rufino (2017) apresenta</p><p>quatro níveis possíveis de distância.</p><p> Distância curta: quando há maior proximidade entre os envolvidos,</p><p>com os movimentos de agarre se tornando mais evidentes. Essas lutas</p><p>exigem proximidade, para que seja possível realizar diferentes golpes,</p><p>técnicas, táticas, chaves, entre outras possibilidades. São exemplos de</p><p>lutas de curta distância o judô, o jiu-jitsu, o sumô e a luta greco-romana.</p><p> Distância média: essas modalidades exigem maior distância entre os</p><p>indivíduos em comparação às lutas de curta distância. As ações desen-</p><p>volvidas nessa modalidade são mais propensas ao toque, como socos e</p><p>chutes. Alguns exemplos de modalidades são o caratê, o kung fu e o boxe.</p><p> Distância longa: como o nome sugere, essas modalidades apresentam</p><p>uma distância maior entre os envolvidos. Para isso, é necessário algum</p><p>implemento no desenvolvimento das ações, como uma espada. Algumas</p><p>modalidades que podem ser classificadas como longas são a esgrima</p><p>e o kendo.</p><p> Distâncias mistas: as lutas mistas são aquelas caracterizadas pela mistura</p><p>de duas ou mais distâncias, como curta com média, média com longa.</p><p>Metodologia das lutas6</p><p>234 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Como exemplo, temos o MMA, que agrega ações de várias distâncias,</p><p>como agarres e finalizações (características de ações curtas) e socos,</p><p>chutes e joelhadas (ações de média distância).</p><p>2 A luta na educação física escolar</p><p>Neste tópico, apresentaremos estratégias para o ensino de lutas na educação</p><p>física escolar. Esse é um tema que ainda apresenta muitas difi culdades de</p><p>penetrar nas aulas, sendo geralmente ensinado quando o professor foi praticante</p><p>de alguma modalidade e possui um passado com os esportes de combate.</p><p>Rufi no (2017) aponta que as difi culdades para o ensino de lutas se dão por</p><p>três motivos básicos:</p><p> preconceito;</p><p> falta de materiais;</p><p> condições de infraestrutura e formação insuficientes.</p><p>O preconceito vem por meio do pensamento de que o ensino de lutas</p><p>estimularia a agressividade dos indivíduos. Na verdade, essas modalidades,</p><p>quando debatidas, apresentam exatamente a diferença de uma coisa para a</p><p>outra. A falta de materiais, como roupas apropriadas ou tatames, é outro</p><p>motivo dado pelos professores. Evidentemente, isso ocorre na maioria das</p><p>escolas brasileiras; porém, assim como em outras modalidades lecionadas,</p><p>a adaptação é uma estratégia a ser utilizada. Sobre a formação insuficiente,</p><p>Rufino (2017) aponta que os professores alegam ter pouca formação sobre</p><p>lutas no ensino superior. Porém, o autor aponta que o professor não necessita</p><p>ser um especialista em lutas, como também não precisa ser em futebol para</p><p>ministrar a aula. Buscar conhecimento além do campo acadêmico é sempre</p><p>uma necessidade profissional.</p><p>Mas, então, o que seria essencial no ensino de lutas na escola? Segundo</p><p>Rufino (2017), os conteúdos de luta na escola podem ser divididos nos se-</p><p>guintes eixos.</p><p> História das lutas — contextos e transformações: o aluno precisa enten-</p><p>der que as lutas estão relacionadas com o ser humano desde os períodos</p><p>mais remotos e que foram modificadas até chegarem às modalidades</p><p>que temos hoje.</p><p>7Metodologia das lutas</p><p>Esportes Individuais: Lutas e Esportes de Combate | UNIDADE 4</p><p>Metodologia das Lutas | PARTE 2 235</p><p> Lutas versus briga: esta é uma questão fundamental até para combater o</p><p>preconceito. É importante que o aluno tenha clareza de que luta e briga</p><p>são coisas distintas. A luta tem regras, respeito entre os praticantes e toda</p><p>uma organização social, enquanto as brigas constituem uma maneira</p><p>violenta de resolver conflitos sem regras e sem respeito.</p><p> Práticas previsíveis e imprevisíveis: é importante que o aluno com-</p><p>preenda a diferença entre práticas demonstrativas e lutas de enfrenta-</p><p>mento, diferenciando suas características.</p><p>de tempo como de distância. Além disso, questões ambientais, como</p><p>a velocidade do vento, podem influenciar um recorde mundial, por isso são</p><p>controlados. Ainda, os atletas devem manter condutas esportivas, sem que</p><p>prejudiquem o desempenho de outros competidores.</p><p>O atletismo é um esporte importante para a formação básica na escola,</p><p>visto que seus gestos contribuem para a construção motora de diversos movi-</p><p>mentos esportivos. Além disso, é um esporte composto por regras simples, o</p><p>que facilita sua compreensão e participação. É classificado como um esporte</p><p>de marcas, pois são realizadas medidas de tempo e distância; assim, vence</p><p>quem corre mais rápido, salta mais longe ou mais alto, lança ou arremessa</p><p>mais longe. Essa simplicidade pode ser também percebida pela necessidade</p><p>de poucos acessórios ou equipamentos para sua prática, muitos deles podendo</p><p>ser improvisados para sua iniciação. Além disso, para correr, basta um simples</p><p>par de tênis, o que colabora ainda mais para a popularidade do esporte.</p><p>No link a seguir, você encontra uma breve evolução histórica das provas de atletismo</p><p>tanto masculinas quanto femininas.</p><p>https://qrgo.page.link/Q1J41</p><p>Como visto, o atletismo se desenvolveu desde os primórdios do homem</p><p>pré-histórico até os tempos atuais, sofrendo uma série de mudanças e variações</p><p>em suas estruturas até a organização complexa que se tem hoje. É sobre as</p><p>provas que compõem o atletismo atualmente que vamos tratar na próxima seção.</p><p>As diferentes modalidades que compõem</p><p>o escopo do atletismo</p><p>Segundo a CBAt (c2019), o atletismo está basicamente dividido em provas de</p><p>campo, que são formadas pelas provas de saltos, arremessos e lançamentos, e</p><p>provas de pista, que são as provas de corridas. Existem as provas combina-</p><p>Introdução ao atletismo4</p><p>28 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>das, que são formadas tanto por provas de campo como por provas de pista.</p><p>Também existem as provas de pedestrianismo, que ocorrem nas ruas, entre</p><p>elas a maratona (42,195 km), e as provas de marcha atlética de 20 km, para</p><p>homens e mulheres, e de 50 km, apenas para homens.</p><p>O Quadro 1 apresenta um resumo das provas oficiais de pista, de campo</p><p>e combinadas.</p><p>Fonte: Adaptado de Confederação... (c2019).</p><p>Provas de pista</p><p>Rasas 100 m, 200 m e 400 m Velocidade</p><p>800 m e 1.500 m Meio-fundo</p><p>5.000 m e 10.000 m Fundo</p><p>Barreiras 100 m (feminino), 110 m (masculino) e 400 m</p><p>Obstáculos 3.000 m</p><p>Revezamentos 4 × 100 m e 4 × 400 m</p><p>Provas de campo</p><p>Saltos Saltos em distância, triplo, em altura e com vara</p><p>Arremessos Arremesso de peso</p><p>Lançamentos Disco, martelo e dardo</p><p>Provas combinadas</p><p>Decathlon Dia 1: 100 metros rasos, salto em distância,</p><p>arremesso de peso, salto em altura e 400 metros</p><p>rasos</p><p>Dia 2: 110 metros com barreiras, lançamento do</p><p>disco, salto com vara, lançamento do dardo e 1.500</p><p>metros rasos</p><p>Heptathlon Dia 1: 100 metros com barreiras, salto em altura,</p><p>arremesso de peso e 200 metros rasos</p><p>Dia 2: salto em distância, lançamento do dardo</p><p>e 800 metros rasos</p><p>Quadro 1. Provas oficiais de atletismo</p><p>5Introdução ao atletismo</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Introdução ao Atletismo | PARTE 2 29</p><p>Provas de pista</p><p>As provas de pista ocorrem no estádio de atletismo, na pista de corrida, que</p><p>possui a distância de 400 metros medidos na raia interna e é formada nor-</p><p>malmente por oito raias. Algumas provas ocorrem na reta, como é o caso dos</p><p>100 metros rasos e dos 110 metros com barreiras. Já outras provas ocorrem</p><p>utilizando as curvas. Nesse caso, para compensar a diferença entre quem</p><p>larga na raia interna e quem larga na raia externa, são utilizadas as largadas</p><p>escalonadas; assim, o atleta que está na raia externa larga um pouco à frente</p><p>para compensar a corrida na curva e realizar o mesmo percurso de quem está</p><p>na raia interna, conforme descreve a CBAt (CBAT; IAFF, 2017).</p><p>As provas de corrida no atletismo são diferentes não apenas pela distância</p><p>a ser percorrida, mas também por possuírem particularidades, podendo variar</p><p>nos seguintes aspectos:</p><p> ser individual ou coletiva;</p><p> ser balizada ou não;</p><p> tipo de saída;</p><p> ser rasa ou com obstáculo;</p><p> ritmo executado.</p><p>As provas balizadas, em sua definição segundo Fernandes (2003), são aquelas</p><p>provas em que o atleta larga em uma raia predeterminada, mas não necessa-</p><p>riamente permanece naquela raia até o fim da prova. Portanto, algumas provas</p><p>podem ser consideradas totalmente balizadas, em que o atleta inicia e termina</p><p>a prova na mesma raia, ou parcialmente balizadas, em que o atleta apenas inicia</p><p>na raia predeterminada, mas não termina necessariamente na mesma. Normal-</p><p>mente, as provas balizadas possuem um percurso mais curto. São exemplos de</p><p>provas totalmente balizadas: 100, 200 e 400 metros rasos, 100, 110 e 400 metros</p><p>com barreiras e revezamento 4 × 100 metros rasos. São exemplos de provas</p><p>parcialmente balizadas: 800 metros rasos e revezamento 4 × 400 metros rasos.</p><p>Já as provas não balizadas, também segundo Fernandes (2003), são aquelas</p><p>em que o atleta corre sem se preocupar com as raias e normalmente se posiciona</p><p>na raia interna; é comum encontrar mais de um atleta na mesma raia. Essas</p><p>provas também possuem um percurso mais longo. São exemplos de provas não</p><p>balizadas: 1.500, 5.000 e 10.000 metros rasos e 3.000 metros com obstáculos.</p><p>As provas também podem se diferenciar entre rasas ou com obstáculos. Nas</p><p>provas rasas, o atleta não tem nenhum obstáculo à sua frente. Já as provas com</p><p>obstáculos podem ser do tipo com barreira ou com obstáculos. As provas com</p><p>Introdução ao atletismo6</p><p>30 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>barreiras apresentam um percurso mais curto, como as provas de velocidade,</p><p>em que são posicionadas 10 barreiras ao longo do percurso; essas barreiras</p><p>variam de altura, de acordo com a prova e o sexo. Já as provas de obstáculos</p><p>possuem distâncias maiores; são posicionados quatro obstáculos e um fosso</p><p>de água, e a altura desses obstáculos também varia entre homens (0,91 m) e</p><p>mulheres (0,76 m), conforme aponta a CBAt (CBAT; IAFF, 2017). A Figura</p><p>1 mostra as diferenças entre as provas com obstáculos.</p><p>Figura 1. Nas figuras, é possível observar a diferença entre (a) barreira, (b) fosso e (c) obstá-</p><p>culo. As alturas das barreiras variam de acordo com a prova: 110 metros (1,07 m), 400 metros</p><p>masculino (0,91 m), 100 metros (0,84 m) e 400 metros feminino (0,76 m).</p><p>Fonte: (a) CWG 14... (2014, documento on-line); (b) The daily dose (2017, document on-line); (c) Pecher</p><p>(2007, documento on-line).</p><p>O tipo de saída também é diferente, dependendo do tipo de prova, sendo</p><p>classificadas como saídas do tipo baixa ou alta. As saídas altas são utilizadas</p><p>em provas com percursos mais longos, como 800 m, 1500 m, 5.000 m e 10.000</p><p>m rasos e 3.000 m com obstáculos. Já as saídas baixas são realizadas em quatro</p><p>apoios, com auxílio do bloco de partida; são utilizadas nas provas com percurso</p><p>mais curto, como 100 m, 200 m e 400 m rasos, provas de barreiras e revezamentos.</p><p>7Introdução ao atletismo</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Introdução ao Atletismo | PARTE 2 31</p><p>Provas de campo</p><p>As provas de campo ocorrem normalmente na parte interna da pista de corrida,</p><p>principalmente as provas de arremessos e lançamentos, podendo algumas</p><p>provas ocorrer no entorno da pista, como é o caso do salto em distância e triplo,</p><p>mas tudo isso depende do estádio de atletismo. Os locais possuem algumas</p><p>características específi cas, segundo as regras da CBAt (CBAT, IAFF, 2017).</p><p> Salto em distância: tem como objetivo atingir a maior distância com</p><p>apenas uma impulsão. Para tanto, o atleta tem uma área para realizar</p><p>uma corrida para ganhar velocidade, denominada corrida de aceleração,</p><p>e depois, utilizando uma tábua de madeira posicionada no nível do solo,</p><p>realiza um impulso com apenas um dos pés, aterrissando em uma área</p><p>de areia. Cada atleta tem direito a três saltos; caso avance para a final,</p><p>terá direito a mais três saltos, sendo válido o melhor dos seis</p><p>saltos para</p><p>a sua classificação final.</p><p> Salto triplo: tem como objetivo atingir a maior distância com três im-</p><p>pulsões com as pernas direita, direita e esquerda ou esquerda, esquerda</p><p>e direita. Para tanto, o atleta tem uma área para realizar a corrida de</p><p>aceleração; depois, utilizando uma tábua de madeira posicionada no</p><p>nível do solo, realiza a primeira impulsão. Há uma área maior para</p><p>serem realizadas as outras duas impulsões, antes de o atleta aterrissar</p><p>na área de areia. Cada atleta tem direito a três saltos; caso avance para</p><p>a final, terá direito a mais três saltos, sendo válido o melhor dos seis</p><p>saltos para a sua classificação final.</p><p> Salto em altura: tem como objetivo atingir a maior altura com apenas</p><p>uma impulsão, sendo a mesma realizada apenas com uma perna. Possui</p><p>uma área semicircular para realizar a corrida de aceleração; durante a</p><p>prova, os atletas acabam utilizando também uma parte da pista de corrida</p><p>para iniciar a corrida de aceleração. O salto é realizado sobre uma haste,</p><p>denominada sarrafo, que é posicionada em uma altura predeterminada,</p><p>o qual pode ser tocado, mas não pode ser derrubado. O sarrafo vai</p><p>sendo elevado a cada rodada, sendo que o atleta pode recusar-se a saltar</p><p>qualquer rodada; porém, três saltos sem êxito consecutivos eliminam</p><p>o atleta da prova.</p><p> Salto com vara: tem como objetivo realizar o salto com auxílio de</p><p>uma vara, normalmente de fibra de vidro. Para tanto, o atleta realiza</p><p>uma corrida de aceleração e encaixa a vara no solo. Assim como no</p><p>salto em altura, o salto é realizado sobre o sarrafo, que é posicionado</p><p>Introdução ao atletismo8</p><p>32 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>em uma altura predeterminada, sendo elevado a cada rodada. O atleta</p><p>pode recusar-se a saltar qualquer rodada, porém, três saltos sem êxito</p><p>consecutivos eliminam o atleta da prova.</p><p> Lançamento do disco: tem como objetivo lançar um disco (Figura 2a) de</p><p>2 kg, para homens, e 1 kg, para mulheres. O atleta tem uma área circular</p><p>de 2,5 metros de diâmetro, onde pode realizar um deslocamento para criar</p><p>uma aceleração e depois lançar o disco, utilizando apenas uma das mãos.</p><p>Em torno desse círculo, há uma grade de proteção, para segurança. O disco</p><p>normalmente é lançado em um gramado. A distância é considerada onde</p><p>o disco tocar o solo primeiro. Cada atleta tem direito a três lançamentos;</p><p>caso avance para a final, terá direito a mais três, sendo válido o melhor</p><p>dos seis lançamentos para a sua classificação final.</p><p> Lançamento do dardo: tem como objetivo lançar um dardo (Figura</p><p>2b) de 800 g, para homens, e 600 g, para mulheres. O atleta tem uma</p><p>área para correr, onde pode realizar um deslocamento para criar uma</p><p>aceleração e depois lançar o dardo, utilizando apenas uma das mãos.</p><p>Essa área também acaba utilizando uma parte da pista de corrida.</p><p>O dardo é lançado no gramado, não precisando fincar, apenas tocar</p><p>o solo com a ponta. A distância é considerada onde a ponta do dardo</p><p>tocar o solo primeiro. Cada atleta tem direito a três lançamentos; caso</p><p>avance para a final, terá direito a mais três, sendo válido o melhor dos</p><p>seis lançamentos para a sua classificação final.</p><p> Lançamento do martelo: tem como objetivo lançar um martelo (Figura</p><p>2c), que é formado por uma bola de ferro de 7,26 kg, para homens, e de</p><p>4 kg, para mulheres, seguido de uma haste metálica e uma manopla,</p><p>onde o atleta apoia as duas mãos. O atleta tem uma área circular de</p><p>2,13 metros de diâmetro, onde pode realizar um deslocamento para</p><p>criar uma aceleração e, depois, lançar o martelo, utilizando as duas</p><p>mãos. Em torno desse círculo, assim como no lançamento do disco,</p><p>há uma grade de proteção, para segurança. O martelo normalmente é</p><p>lançado em um gramado. A distância é considerada onde o martelo</p><p>tocar o solo primeiro. Cada atleta tem direito a três lançamentos; caso</p><p>avance para a final terá direito a mais três, sendo válido o melhor dos</p><p>seis lançamentos para a sua classificação final.</p><p> Arremesso de peso: tem como objetivo arremessar um peso (Figura 2d),</p><p>que é uma bola de metal com 7,2 kg, para homens, e 4 kg, para mulheres.</p><p>O atleta tem uma área circular de 2,13 metros de diâmetro, onde pode</p><p>realizar um deslocamento para criar uma aceleração e depois arremessar</p><p>o peso, utilizando apenas uma das mãos. Há também um pequeno degrau</p><p>9Introdução ao atletismo</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Introdução ao Atletismo | PARTE 2 33</p><p>que separa a área de aceleração da área de queda, denominado anteparo.</p><p>O peso normalmente é arremessado em um gramado, e a distância é</p><p>medida até o local onde o peso tocar o solo primeiro. Cada atleta tem</p><p>direito a três arremessos; caso avance para a final, terá direito a mais três,</p><p>sendo válido o melhor dos seis arremessos para a sua classificação final.</p><p>Figura 2. Nas figuras, é possível observar os quatro implementos utilizados nas provas de</p><p>arremessos e lançamentos: (a) discos; (b) dardo; (c) martelo; (d) peso. Os pesos dos objetos</p><p>variam entre homens e mulheres.</p><p>Fonte: (a) wavebreakmedia/Shutterstock.com; (b) Papa Annur/Shutterstock.com (c); Jim Parkin/Shut-</p><p>terstock.com; (d) Mark Herreid/Shutterstock.com.</p><p>O programa de provas olímpicas atual conta com 47 provas de atletismo, sendo 24</p><p>provas masculinas e 23 provas femininas. Portanto, cada competição de atletismo possui</p><p>um programa de provas específico. Algumas provas não constam no programa de</p><p>provas olímpicas, como é o caso da milha (1.605 m), mas possuem recordes mundiais.</p><p>As provas de pedestrianismo, como a maratona, são chamadas de melhor marca, pois,</p><p>como ocorrem com condições variadas na altimetria do percurso, algumas provas</p><p>possuem um percurso favorável para a obtenção dessas melhores marcas. No entanto,</p><p>para que essas marcas sejam homologadas, é necessário que o responsável pela prova</p><p>solicite o permit junto à CBAt, no caso das provas realizadas no Brasil.</p><p>Introdução ao atletismo10</p><p>34 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Provas combinadas</p><p>Essas provas combinam tanto provas de pista como provas de campo. Nas</p><p>provas combinadas, o atleta realiza diversas provas e, após o resultado de</p><p>cada prova, recebe uma pontuação, de acordo com a marca obtida; existe</p><p>uma tabela de pontos que regulamenta isso. Vence o atleta que obtiver a</p><p>maior pontuação; portanto, uma regularidade nos resultados contribui</p><p>muito para o resultado.</p><p>Assim, um atleta de provas combinadas deve possuir qualidades que</p><p>o destaquem em diversas provas. No entanto, isso acaba sendo difícil de</p><p>obter, pois, devido às especificidades de cada prova, várias capacidades</p><p>físicas são exigidas. O exemplo mais claro pode ser demonstrado ao se</p><p>comparar um atleta de velocidade com um atleta de resistência; são ca-</p><p>pacidades físicas totalmente diferentes que precisam ser desenvolvidas.</p><p>Portanto, o atleta de provas combinadas acaba sendo conhecido como o</p><p>atleta mais completo.</p><p>Normalmente, o estádio de atletismo é um local amplo e aberto, sofrendo, assim,</p><p>influências climáticas e sendo considerado um ambiente com provas outdoor. Existem</p><p>algumas provas que ocorrem em locais menores e fechados — dessa forma, não</p><p>sofrem influências ambientais. Essas competições são consideradas indoor. Uma pista</p><p>de atletismo indoor possui 200 metros de comprimento; assim, algumas distâncias são</p><p>reduzidas em competições indoor. Por exemplo, não temos a prova de 100 metros rasos,</p><p>mas, sim, a prova de 60 metros rasos. Algumas provas de campo não são realizadas</p><p>indoor devido ao espaço reduzido, como os lançamentos de disco, martelo e dardo.</p><p>Como visto, o atletismo possui provas de pista, campo e combinadas, que</p><p>apresentam diversas características que as diferenciam. Dessa forma, acabam</p><p>exigindo habilidades diferentes, que também podem ser aproveitadas em outros</p><p>esportes; esse é o tema que vamos discutir na próxima seção.</p><p>11Introdução ao atletismo</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Introdução ao Atletismo | PARTE 2 35</p><p>Relação entre a</p><p>exigência física e os gestos</p><p>motores do atletismo e as diferentes</p><p>modalidades esportivas</p><p>As principais capacidades físicas do atletismo, segundo Rius Sant (1989),</p><p>são força, resistência e velocidade, capacidades essas que são amplamente</p><p>necessárias em diversos esportes. Assim, atividades para o treinamento ou a</p><p>iniciação no atletismo também podem ser aproveitadas em outros esportes.</p><p>Por exemplo, para o desenvolvimento da velocidade, pode-se realizar cor-</p><p>ridas em curtas distâncias; já para a resistência, usamos corridas com longas</p><p>distâncias. Vários esportes, como handebol e futebol, usam essas atividades</p><p>com a mesma finalidade: desenvolver velocidade e resistência.</p><p>As ações motoras de correr, saltar, lançar ou arremessar também são</p><p>amplamente observadas em outros esportes. Por exemplo, durante um jogo</p><p>de basquete, um atleta corre atrás da bola, ou salta para pegar a bola no ar ou</p><p>bloquear um ataque, em um deslocamento de ataque e defesa, além de precisar</p><p>ter percepção espacial para saltar e realizar uma bandeja ou, simplesmente,</p><p>arremessar a bola na cesta. Perceba que são todas ações primárias que derivam</p><p>do atletismo: correr, saltar e arremessar. Assim, pode-se dizer que o atletismo</p><p>é a base para muitos esportes.</p><p>Portanto, pode-se analisar que, ao correr, essa corrida pode equivaler a</p><p>uma corrida em velocidade ou de resistência, dependendo da intensidade e</p><p>duração empregadas. Muitas atividades de iniciação trabalham essa corrida</p><p>com deslocamentos curtos; além disso, a corrida é amplamente utilizada para</p><p>melhorar a condição cardiorrespiratória e, consequentemente, a resistência</p><p>aeróbia. Quando um atleta salta para pegar uma bola ou bloquear um ataque,</p><p>pode-se relacionar tal ato a um salto em distância, em que ele realiza a im-</p><p>pulsão também com apenas um dos pés, aproveitando, assim, sua velocidade</p><p>de deslocamento. Além disso, uma das formas de se desenvolver a potência</p><p>no salto em distância é por meio de exercícios pliométricos, que também</p><p>são utilizados em outros esportes durante o processo de treinamento, com a</p><p>mesma finalidade.</p><p>A percepção espacial de saltar até a bandeja também pode ser relacionada</p><p>à percepção durante o salto em altura: se o atleta se aproximar demais do</p><p>sarrafo, derruba ele na subida; se acabar se afastando demais, acaba não che-</p><p>gando até o sarrafo ou derrubando ele na descida. Portanto, o atleta precisa</p><p>ter a percepção do ponto certo para fazer a impulsão e passar sem derrubar o</p><p>sarrafo. O mesmo ocorre na bandeja: se ele fizer a impulsão antes, acaba não</p><p>chegando próximo ao aro da tabela; se fizer a impulsão depois, acaba entrando</p><p>Introdução ao atletismo12</p><p>36 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>muito embaixo do aro e não conseguindo finalizar o movimento. Assim, o ponto</p><p>correto para a impulsão também deve ser percebido. O gesto de arremessar</p><p>equivale ao gesto de empurrar algo; assim, quando o atleta faz o arremesso</p><p>de peso no atletismo, realiza um gesto semelhante a empurrar a bola.</p><p>Assim, o atletismo acaba sendo um esporte que exige diversas capacidades</p><p>físicas, o que permite associá-lo a diversos esportes. Assim como em diversos</p><p>esportes o biótipo e determinadas capacidades físicas são importantes para o</p><p>sucesso e a ótima performance, algumas provas do atletismo também requerem</p><p>certas condições físicas, além de contribuírem para o desenvolvimento de</p><p>algumas capacidades físicas.</p><p>Pode-se observar que, de acordo com a prova realizada, a compleição corporal do</p><p>atleta pode ajudar na performance. Por exemplo, em uma prova de 110 metros com</p><p>barreiras, o atleta precisa passar por 10 barreiras de 1,07 m cada; se esse atleta tiver</p><p>uma estatura de 1,70 m, provavelmente a barreira vai bater quase em seu peito, o que</p><p>significa que ele terá que fazer um esforço grande para passar pelas barreiras. Já um</p><p>atleta que tenha 1,85 m de altura provavelmente terá mais facilidade para passar a</p><p>barreira, devido à sua altura. No entanto, devemos ficar atentos ao comprimento das</p><p>pernas, pois algumas pessoas possuem pernas mais compridas e, de certa forma, até</p><p>desproporcionais em relação ao tronco, o que favorece o desempenho nessa prática.</p><p>Assim, além das capacidades físicas, como força, velocidade e resistência, a constituição</p><p>física também favorecerá o desempenho em determinadas provas.</p><p>Na sequência, são apresentados alguns atributos físicos necessários para</p><p>algumas provas, bem como atributos que podem ser desenvolvidos por meio delas.</p><p>Lançamento do disco</p><p>Dentre os principais atributos físicos necessários para a prova de lançamento</p><p>do disco estão a força e a velocidade, que resultarão na potência do lançamento,</p><p>para lançar o disco o mais longe possível. As forças em membros inferiores,</p><p>tronco e membros superiores são bem importantes, pois, devido à acelera-</p><p>ção na parte fi nal do lançamento, com o disco vindo atrasado em relação à</p><p>linha dos ombros e sendo lançado lateralmente, o tronco contribui tanto na</p><p>aceleração como na estabilidade do movimento. A falta de estabilidade em</p><p>13Introdução ao atletismo</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Introdução ao Atletismo | PARTE 2 37</p><p>membros inferiores pode desequilibrar o lançamento, prejudicando o ângulo</p><p>de saída. Além disso, como o espaço para o deslocamento é restrito, uma</p><p>boa mobilidade e agilidade são fundamentais para acelerar o disco antes do</p><p>lançamento. Segundo Schmolinsky (1982), uma estatura adequada para iniciar</p><p>os treinos seria de 1,75 m para as mulheres e 1,85 m para os homens. O peso,</p><p>devido ao volume muscular, pode fi car entre 70 e 75 kg para as mulheres e</p><p>entre 95 e 100 kg para os homens.</p><p>Gestos como a reposição da bola rapidamente por um goleiro, no futebol, ou o</p><p>lançamento com a pegada inglesa, no polo, são muito semelhantes ao gesto do</p><p>lançamento do disco.</p><p>Lançamento do dardo</p><p>No lançamento do dardo, não há um limite máximo para a corrida de aceleração;</p><p>dessa forma, há uma área maior para acelerar o dardo antes de ser lançado,</p><p>diferentemente dos outros lançamentos. Segundo Barros e Dezem (1990), essa</p><p>corrida deve ser progressiva e veloz, mas sem que atrapalhe a coordenação</p><p>durante o lançamento. São necessárias uma força explosiva (potência) para o</p><p>lançamento, uma boa velocidade para a corrida de aproximação e, principal-</p><p>mente, uma boa aceleração nos 30 metros iniciais.</p><p>A agilidade é bem importante na mudança da posição do corpo da fase</p><p>de aproximação para a fase preparatória, mantendo a velocidade adquirida.</p><p>Uma boa mobilidade de ombro permite ao atleta aumentar o tempo da fase de</p><p>aceleração antes de lançar o dardo. Os lançadores, de acordo com Schmolinsky</p><p>(1982), possuem, de certa forma, uma estatura mediana, com alturas próximas</p><p>a 1,75 m para as mulheres e 1,80 m para os homens, com peso aproximado de</p><p>70 kg e 90 kg para mulheres e homens, respectivamente.</p><p>Introdução ao atletismo14</p><p>38 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>O lançamento de uma bola ao gol, durante um jogo de handebol, ou um lançamento</p><p>no beisebol aproximam-se do gesto de lançar o dardo. A percepção rítmica e a agili-</p><p>dade também são fundamentais durante a aproximação e o consequente drible no</p><p>adversário.</p><p>Lançamento do martelo</p><p>A velocidade de aceleração do martelo, de acordo com Schmolinsky (1982), é</p><p>fundamental para um bom lançamento, podendo chegar a 27 m/s no momento</p><p>do lançamento. Além disso, é uma prova que, devido ao peso do martelo, exige</p><p>uma grande força, principalmente nos membros inferiores, bem como uma boa</p><p>força explosiva. A força é importante devido à fase fi nal do lançamento, em que</p><p>o atleta tem que suportar uma grande carga devido à força centrífuga; por isso,</p><p>uma boa força em membros inferiores, costas e mãos é essencial nessa fase.</p><p>Essa prova exige uma grande agilidade específica, devido ao complexo</p><p>movimento de deslocamento, podendo ser considerada uma das provas mais</p><p>difíceis, pois a aceleração de três voltas exige um grande equilíbrio e sentido</p><p>de orientação. Também é exigida uma</p><p>boa mobilidade de ombros, quadril e</p><p>coluna vertebral, devido aos movimentos iniciais de aceleração do martelo.</p><p>Ao conduzir o martelo com as duas mãos, o gesto fica muito próximo a um passe</p><p>no rúgbi; as capacidades físicas de força também contribuem. O equilíbrio adquirido</p><p>com os giros contribui nas ações de drible e mudanças de direção rápidas do corpo</p><p>em diversos esportes.</p><p>15Introdução ao atletismo</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Introdução ao Atletismo | PARTE 2 39</p><p>Arremesso do peso</p><p>Segundo Fernandes (1978), entre as capacidades físicas mais importantes</p><p>do arremessador de peso estão a força e a velocidade. Dessa forma, a força</p><p>máxima é algo a ser trabalhado durante os treinamentos. Devido à técnica, a</p><p>estatura é um fator que pode facilitar o arremesso. A velocidade é outro fator</p><p>importante, no intuito de acelerar o peso a ser lançado, facilitando, assim, a</p><p>aplicação da força — afi nal, a área de aceleração é bem restrita. A velocidade</p><p>do peso no momento da saída, segundo Schmolinsky (1982), pode chegar a</p><p>aproximadamente 12 m/s. A estatura dos arremessadores está em torno de</p><p>1,92 m para os homens e 1,77 m para as mulheres, já o peso, entre 120 kg para</p><p>os homens e 86 kg para as mulheres.</p><p>O gesto do arremesso, como já exemplificado, assemelha-se ao arremesso no basquete,</p><p>que necessita, além de força, também de precisão, pois o peso deve cair dentro da área</p><p>de queda; caso contrário, o arremesso não é válido. A precisão pode ser estimulada</p><p>durante a iniciação ao arremesso, ao se posicionar alvos para serem atingidos.</p><p>Salto em distância</p><p>O salto em distância, segundo Barros e Dezzem (1990), é uma das habilidades</p><p>mais naturais do ser humano, sendo comumente observada em diversas brin-</p><p>cadeiras infantis. Os saltadores em distância precisam de uma boa velocidade.</p><p>Segundo Schmolinsky (1982), os saltadores na marca de 8 metros correm os 100</p><p>metros rasos em 10,5 segundos, enquanto as mulheres que saltam mais de 6,5</p><p>metros correm os mesmos 100 metros em menos de 12 segundos. Dessa forma,</p><p>percebe-se que a velocidade é um fator importante para o salto em distância</p><p>— não somente a velocidade, mas também a capacidade de aceleração nos</p><p>metros iniciais. Uma boa percepção rítmica é importante para a aproximação</p><p>até a tábua de impulsão, para que o atleta não perca velocidade e chegue com</p><p>o pé corretamente posicionado para o salto. Além disso, é necessário boa</p><p>agilidade para conduzir o corpo durante a fase de voo.</p><p>Introdução ao atletismo16</p><p>40 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Salto triplo</p><p>O salto triplo, segundo Fernandes (1984), tem características parecidas</p><p>com as do salto em distância, já que também exige uma boa velocidade</p><p>de aproximação dos atletas, mas, principalmente, necessita de uma boa</p><p>transferência de energia para os próximos saltos — dessa forma, exige uma</p><p>boa força reativa. Portanto, os saltadores precisam de uma força específi ca,</p><p>principalmente na transição do primeiro salto para o segundo, no local onde</p><p>o atleta aterrissou e vai gerar o novo impulso, com a mesma perna. Além</p><p>disso, é necessário boa coordenação e agilidade, para realizar as trocas de</p><p>pernas sem perda de velocidade para realizar o terceiro salto, assim como</p><p>uma boa sensibilidade rítmica.</p><p>Assim como no salto em distância, esportes que necessitam de percep-</p><p>ção rítmica fazem uso dos saltos. Exercícios que desenvolvem a potência</p><p>são amplamente utilizados, como saltos sequenciais, estimulando a força</p><p>reativa.</p><p>Salto em altura</p><p>O salto em altura apresentou uma evolução técnica nítida, segundo Barros</p><p>e Dezem (1990), pois a passagem sobre o sarrafo inicialmente era realizada</p><p>na posição sentada, com o movimento do salto tesoura, e depois evoluiu</p><p>para a posição deitada de costas, conhecida como Fosbury fl op, atingindo,</p><p>assim, maiores alturas. Entre as capacidades físicas do salto em altura está</p><p>a boa capacidade de saltar, ou seja, transformar a energia horizontal em</p><p>vertical, para passar determinada altura. Assim, segundo Schmolinsky</p><p>(1982), uma boa estatura associada principalmente com um bom compri-</p><p>mento de pernas facilita a execução do salto, com os homens chegando</p><p>a aproximadamente 1,90 m, e as mulheres, 1,79 m, com pesos de 80 kg,</p><p>para os homens, e 66 kg, para as mulheres. A agilidade é fundamental</p><p>na coordenação dos movimentos; após a impulsão, ela dará continuidade</p><p>ao movimento. Uma boa percepção espaçotemporal vai contribuir para</p><p>a aproximação, para realizar a impulsão em um ponto adequado para a</p><p>realização do salto e a transposição do sarrafo.</p><p>17Introdução ao atletismo</p><p>Introdução aos Esportes Individuais | UNIDADE 1</p><p>Introdução ao Atletismo | PARTE 2 41</p><p>Assim como nos saltos horizontais, a percepção espacial e rítmica é bem desenvolvida</p><p>no salto em altura. Portanto, esportes ou gestos que necessitam dessa habilidade</p><p>podem ser estimulados, como o tempo de aproximação para fazer uma bandeja ou</p><p>cabecear uma bola.</p><p>Salto com vara</p><p>Segundo Barros e Dezem (1990), o surgimento e a utilização da vara de fi bra</p><p>trouxeram mudanças técnicas para o salto, bem como uma grande evolução</p><p>nos resultados. Entre as capacidades físicas do saltador, muitas são adquiridas</p><p>com o treinamento; no entanto, a pegada é uma capacidade que não tem como</p><p>alterar — é o ponto em que o atleta, com os braços estendidos, alcança a vara.</p><p>A velocidade de aproximação, em conjunto com o poder de chamada, são</p><p>capacidades bem importantes, pois vão converter a velocidade horizontal em</p><p>altura ao conseguir uma boa transferência de energia, sendo necessária essa</p><p>velocidade para a vara vergar. A chamada é o último impulso antes de deixar</p><p>o solo; assim, uma corrida estável e um bom encaixe da vara darão sequência</p><p>às próximas fases com sucesso. Na continuação do salto, outra capacidade</p><p>importante é a força em membros superiores e no tronco, para a projeção</p><p>dos membros inferiores em direção ao sarrafo. Toda essa movimentação do</p><p>corpo sobre a vara exige muita agilidade, destreza e equilíbrio. A estatura</p><p>média dos saltadores, segundo Schmolinsky (1982), é de cerca de 1,81m, e o</p><p>peso, cerca de 73 kg.</p><p>O salto com vara é um esporte bastante complexo, com diversas fases que necessitam</p><p>de muito equilíbrio e força em membros superiores. Portanto, esportes ginásticos são</p><p>amplamente utilizados na preparação física.</p><p>Introdução ao atletismo18</p><p>42 METODOLOGIA DO ENSINO DOS ESPORTES INDIVIDUAIS</p><p>Corridas</p><p>As provas de corrida apresentam algumas particularidades fi siológicas rela-</p><p>cionadas ao tempo de realização da prova. A velocidade com que uma prova é</p><p>concluída está relacionada com o tempo que o atleta demora em sua conclusão.</p><p>Porém, de acordo com o tempo de execução de uma determinada prova, as vias</p><p>energéticas começam a se esgotar; assim, um atleta não tem a capacidade de</p><p>sustentar uma determinada velocidade por muito tempo, devido ao esgotamento</p><p>de seus recursos energéticos. Por isso, segundo Schmolinsky (1982), cada prova</p><p>tem uma determinada característica de ritmo, que vai priorizar determinada</p><p>via energética; conforme o aumento do tempo de duração da prova, há uma</p><p>maior contribuição do sistema aeróbio (oxidativo).</p><p>Corridas de velocidade</p><p>Força, velocidade e resistência de velocidade são atributos físicos importantes</p><p>para o desenvolvimento da performance nas corridas de velocidade, sendo</p><p>desenvolvidos com exercícios de força gerais e específi cos ao gesto em asso-</p><p>ciação à velocidade. Segundo Schmolinsky (1982), a força contribui para a</p><p>aceleração. A velocidade está associada à rapidez na execução dos movimentos,</p><p>que exige uma grande coordenação. A resistência de velocidade é fundamental,</p><p>devido à capacidade de sustentar a velocidade, criando adaptações fi siológicas</p><p>e atendendo à demanda energética necessária.</p><p>Algumas provas são classificadas como velocidade pura, segundo Fer-</p><p>nandes (2003), como é o caso dos 100 e 200 metros rasos. Nessas provas,</p><p>o objetivo é atingir a velocidade máxima o mais rápido possível e tentar</p>

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