Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Endometriose. 
 
➔ Condição inflamatória crônica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao 
endométrio (glândulas e estroma endometrial) fora da cavidade uterina. 
➔ Locais mais acometidos: ovário, fundo da vagina, ligamentos útero sacro, largo, trompas, 
bexiga, intestino, órgãos pélvicos. Em raros casos pode-se ter foco em órgãos mais distantes. 
 
Classificação . 
➔ A endometriose pode ser classificada de acordo com o tipo e a localização das lesões. Essa 
classificação ajuda a guiar o tratamento e a prever sintomas e complicações. Os principais 
tipos são: 
 
1) ENDOMETRIOSE PERITONEAL SUPERFICIAL 
➔ Implantes superficiais na camada de revestimento do peritônio pélvico. 
➔ Placas ou pápulas avermelhadas, marrons ou esbranquiçadas, geralmente com menos de 5 
mm de profundidade. 
➔ Dor pélvica cíclica, mas nem sempre correlaciona com a intensidade da lesão. 
➔ Escavação reto-uterina, ligamentos uterossacros, serosa do útero, trompas. 
 
2) ENDOMETRIOMA OVARIANO 
➔ Cisto ovariano preenchido por conteúdo hemático espesso, resultante de hemorragia 
repetida. 
➔ Dor pélvica, dismenorreia, infertilidade, aumento de volume ovariano. 
➔ Pode distorcer a anatomia pélvica e comprometer a reserva ovariana. 
 
3) ENDOMETRIOSE PROFUNDA INFILTRATIVA 
➔ Lesões que penetram ≥5 mm abaixo da superfície peritoneal. 
➔ Dor pélvica intensa, dispareunia profunda, sintomas urinários ou intestinais cíclicos. 
➔ Ligamentos útero sacros, septo retovaginal, intestino (reto, sigmoide), bexiga, ureter 
 
Outras formas/locais menos comuns 
➔ Endometriose extrapélvica: pulmão, diafragma, cicatriz cirúrgica (ex.: cesariana). 
➔ Endometriose de parede abdominal: em cicatriz de laparotomia/cesariana. 
 
➔ Além da classificação quanto ao tipo, a endometriose ainda pode ser classificada quanto ao 
seu estadiamento cirúrgico: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OBS: O estadiamento cirúrgico NÃO se correlaciona com a intensidade dos sintomas, ou seja, 
lesões mínimas podem causar dor intensa, e vice-versa. 
 
 
Epidemiologia . 
➔ Acomete cerca de 10% das mulheres na menacme 
➔ Prevalência subestimada devido à dificuldade diagnóstica 
➔ O diagnóstico pode levar cerca de 10 anos 
➔ Pico de prevalência entre 25 e 30 anos 
➔ Incidência de 50% em mulheres inférteis ou com dismenorréia refratária 
 
➔ Na pós menopausa é incomum que mulheres apresentem endometriose, no entanto, quando 
presente, se deve à conversão periférica de androgênios em estroma. Por isso, nem sempre é 
possível uma “cura” após o fim da idade reprodutiva. 
 
Fisiopatologia . 
➔ A teoria da menstruação retrógrada é a explicação clássica e mais aceita para a origem 
da endometriose. 
➔ De acordo com essa teoria, durante a menstruação, parte do sangue e do tecido endometrial 
não é eliminado apenas pelo colo do útero e vagina. Em vez disso, reflui pelas trompas de 
Falópio para a cavidade peritoneal. Células endometriais viáveis presentes nesse sangue 
conseguem aderir ao peritônio ou a órgãos pélvicos (ovários, ligamentos, bexiga, intestino). 
Essas células, estimuladas pelos estrogênios, se multiplicam, formam vasos (angiogênese) e 
passam a responder ao ciclo hormonal como se estivessem dentro do útero, gerando 
inflamação, dor e fibrose. 
 
➔ No entanto, nem toda mulher com menstruação retrógrada desenvolve endometriose, o que 
indica que outros fatores são necessários. Por isso, hoje se aceita que a doença é multifatorial, 
combinando: 
● Menstruação retrógrada (porta de entrada das células) 
● Disfunção imunológica 
● Predisposição genética 
 
Fatores de risco . 
➔ Têm relação direta com a exposição ao estrogênio e ao fluxo menstrual: 
● Menarca precoce 
● Menopausa tardia 
● Fluxo menstrual aumentado 
● Ciclos menstruais curtos (episódios mais frequentes) 
● Nuliparidade ou gestação tardia 
● Malformações uterinas - hímen imperfurado 
● Estenose cervical 
● História familiar 
 
➔ Fatores protetores: menarca tardia, uso de ACO, consumo de ácidos graxos… 
 
Quadro clínico . 
➔ Dismenorreia progressiva 
➔ Dispareunia de profundidade (associada à redução da mobilidade uterina) 
➔ Dor pélvica crônica, dor lombar 
 
 
➔ Alterações urinárias: disúria cíclica 
➔ Alteração da função intestinal / disquesia / fezes em fita 
➔ Infertilidade 
➔ Fadiga crônica 
 
Exame físico . 
➔ Inspeção: às vezes é possível observar implantes de endometriose no fundo uterino sob o 
exame especular. A lateralização do colo pode ser sugestiva de retração / encurtamento de 
ligamento comprometido. 
➔ Toque bimanual: pode-se identificar anexos aumentados (endometrioma ovariano). Também 
pode haver dor à palpação. 
➔ Toque retal: pode-se perceber endometrioma no reto 
 
Diagnóstico . 
➔ USG de parede abdominal e transvaginal 
➔ USG especializada com preparo intestinal e RM 
➔ TC para suspeita de endometriose torácica ou cerebral (não é exame para avaliação de 
pelve!!!) 
➔ CA 125 - marcador para segmento terapêutico 
➔ Videolaparoscopia com biópsia e exame histopatológico - padrão ouro 
 
Tratamento . 
➔ Bloqueio do neuroeixo: AC hormonais (progesterona isolada) - 1° linha para pacientes 
menores de 35 anos 
➔ 2° linha: progesterona injetável (trimestral) 
➔ Análogos de GnRH: estado hipoestrogênico semelhante à menopausa, levando à atrofia dos 
implantes endometrióticos. 
➔ Tratamento cirúrgico: lise de aderências, retirada de focos - IMPORTANTE FAZER O TTO 
MEDICAMENTOSO ADJUVANTE!!! 
➔ Histerectomia total com retirada de trompas e ovários