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Fiação Subterrânea 
 
E um tipo de intervenção urbanística, oposto ao conceito de fiação aérea, onde 
numa cidade, os cabos de transmissão de energia elétrica, telefonia e TV a cabo 
são todos colocados em galerias subterrâneas, assim como é feito com as redes 
de água, esgoto e gás, por oposição ao modelo tradicional, onde os fios são 
dispostos entre um poste e outro. 
 
A fiação subterrânea, mais cara que a tradicional, é empregada ainda em poucos 
lugares. Seus objetivos principais são: melhorar a estética urbana, livrando 
determinados logradouros da poluição visual causada pela fiação área; e 
remover o perigo que a fiação área pode oferecer aos pedestres, uma vez que em 
caso de um deles se partir, pessoas correm o risco de ser eletrocutadas. 
 
 
 
 
Projeto 
 
Projeto esbarra em custos elevados, mas urbanistas defendem que ação 
aumentaria eficiência da rede. Segundo especialistas, parcerias público privadas 
poderiam equacionar gastos. 
 
Quem caminha pela Avenida Paulista, no centro de São Paulo, enxerga arranha-
céus, museus e canteiros de árvores sem a interferência de fiações penduradas 
em postes. Até mesmo a iluminação pública não tem fios. Um cenário semelhante 
pode ser encontrado na Rua Oscar Freire, nos Jardins, e na Avenida Faria Lima, 
na zona sul. Mas esses locais ainda são exceção. A capital paulista tem, segundo a 
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), apenas 7% de seus fios enterrados. 
 
Desde o início do ano, o município estuda maneiras de enterrar os cerca de 38 
mil quilômetros de fios da cidade e viabilizar a mudança, que tem preços 
elevados. Estimativas da Eletropaulo, concessionária que distribui energia em 
São Paulo, e da gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) indicaram um custo 
de 100 bilhões de reais para acabar com a fiação exposta. 
 
Desde 2005, a lei municipal 14.023 determina que a distribuidora de energia 
promova o enterramento de 250 quilômetros de fios por ano. Nunca cumprida, a 
legislação é criticada por não indicar de onde viria o orçamento para as obras. O 
valor poderia, então, acabar sendo repassado aos consumidores. 
 
A prefeitura busca outra saída. Tem discutido em reuniões do conselho político a 
possibilidade da participação da iniciativa privada na divisão dos custos, mas 
sem excluir o aumento de tarifas na conta de luz ou IPTU. 
 
No momento, segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, 
o Programa de Enterramento das Redes Aéreas (Pera) está em fase de 
reformulação da Câmara Técnica de Gestão de Redes Aéreas. Com o fim deste 
trabalho e a entrega do cadastro da rede de energia elétrica pela Eletropaulo em 
novembro passado, será possível continuar o programa. 
 
Enquanto isso não ocorre, o prefeito Fernando Haddad (PT) anunciou, no fim de 
fevereiro, que a Eletropaulo se comprometeu a enterrar a fiação das ruas José 
Paulino e do Gasômetro, ambas no centro da cidade. Há um Termo de Acordo 
com a empresa que prevê o enterramento da fiação também, entre outros 
lugares, na Treze de Maio e no Largo da Batata. 
 
 
 
 
 
 
Estética ou eficiência? 
 
Para Simonaggio, da Eletropaulo, o enterramento dos fios é apenas estético. 
 
Segundo a Aneel, cada quilômetro de fiação aérea custa perto de 112 mil reais, 
enquanto o enterramento do mesmo tamanho de rede pode sair até dez vezes 
mais caro. Em algumas partes de São Paulo, essa diferença poderia chegar a 20 
vezes, disse Ricardo Brandão da Silva, procurador-geral da Aneel, na audiência. 
 
Entre urbanistas, por outro lado, é consenso que os benefícios vão muito além do 
fim da poluição visual. “Há também a relação com a segurança e estabilidade da 
fiação. A rede área esta mais exposta a acidentes, árvores caem em cima de fios e 
às vezes do transformador. O enterramento melhora o desempenho da rede 
energia”, diz Raquel Rolnik, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo 
da USP e relatora especial da ONU para o direito à moradia adequada, a Carta 
Capital. 
 
Especialistas defendem que a eficiência da distribuição das redes subterrâneas 
reduziria os riscos de falhas na transmissão de energia e outros serviços, 
praticamente eliminando blecautes provocados por quedas de árvores na fiação, 
fios partidos por caminhões ou derrubados por ventos. Os pedestres também 
ganhariam mais espaço com menos postes nas calçadas. 
 
 
 
 
Planejamento do poder público é fundamental 
 
Há modelos, contudo, de equação de custos. Na Rua Oscar Freire, por exemplo, a 
prefeitura, a Eletropaulo e a iniciativa privada dividiram os gastos de cerca de 
8,5 milhões de reais com o enterramento dos fios. 
 
Os custos das galerias, completa Rolnik, também poderiam ser repartidos entre 
as empresas que utilizam os postes de energia elétrica para colocar seus fios. “A 
melhor solução usada em outros lugares do mundo é a galeria técnica. É como 
um quarto subterrâneo com várias redes onde cada empresa usa um pedaço e 
paga proporcionalmente.” Em São Paulo, a Eletropaulo tem 1,3 mil quilômetros 
de redes subterrâneas cadastradas e a Vivo tem 6,7 mil quilômetros. 
 
“Esteticamente e urbanisticamente é fato que se todas as redes fossem 
enterradas, teríamos um ambiente mais saudável e seguro para se viver”, 
defende, em nota, a Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras. Para chegar a 
esse nível, antes é preciso planejar. “O custo não é baixo, mas não se faz isso em 
pouco tempo. Dá para estabelecer uma meta de 30 anos, priorizando os cerca de 
seis mil quilômetros de ruas estruturais e enterrando 400 quilômetros por ano.” 
 
 
 
 
Exemplos 
 
Rebouças: 
Na avenida da zona oeste, 3.8 km de fios foram aterrados pela prefeitura de Sao 
Paulo em 2004, apos pressão da sociedade civil. 
 
Rua Avanhandava: 
Parte da reforma foi realizada pela prefeitura nessa rua no centro. Depois, com 
patrocínio, empresários conseguiram completar a fiação subterrânea. 
 
Faria Lima: 
Apenas alguns quarteirões dessa importante avenida na zona sul estão com a 
fiação enterrada. O trabalho foi realizado pela prefeitura. 
 
Amauri: 
Em 2005, cerca de 50 empresas e restaurantes investiram R$ 1,2 milhão na 
colocação de fios debaixo das calcadas dessa rua comercial da zona sul. 
 
Joao Cachoeira: 
Foi a primeira via da capital a enterrar fiação, em 2003. Os lojistas pagaram 
R$1,8 milhão pelas obras de revitalização da rua na zona sul. 
 
Oscar Freire: 
Centro das grifes internacionais, essa rua da zona sul tem aterramento em 
quatro quarteirões. Em 2005, um patrocinador investiu R$ 8,5 milhões nas 
obras. 
 
Rua Vitório Fasano: 
Em 2006, o proprietário do restaurante decidiu contatar a AES/Eletropaulo para 
fazer a instalação de uma rede subterrânea. O custo, em torno de R$ 700 mil foi 
bancado pela iniciativa privada. Antes de começar qualquer obra, no entanto, os 
engenheiros dizem que o principal é se concentrar na fase de planejamento para 
mapear todos os recursos necessários para a fase de execução, tais como 
suprimentos de fornecedores, materiais, equipamentos; compatibilização de 
projetos (das empresas que compartilham a rede aérea), gestão de 
relacionamento com o poder público (aprovações de projetos, agente de 
fiscalização de trânsito etc.) e com moradores/clientes etc. 
 
 
 
 
 
 
Informações Adicionais 
 
Cada metro de fiação enterrada sairia aproximadamente de R$ 5,5/ a R$ 10 mil. 
 
O prefeito disse aos auxiliares que a ideia é analisar alternativas para viabilizar o 
projeto, de modo que a iniciativa privada divida o custo das obras, afirma uma 
fonte que participou do encontro. 
 
Entenda por que, mesmo sendo segura, a rede subterrânea sempre foi e ainda é 
pouco explorada no Brasil. 
 
A rede de distribuição de energia elétrica é composta pelas redes elétricas 
primárias (média tensão – MT) e redes secundárias (baixa tensão – BT), que 
formam uma infraestrutura determinante para o sucesso da transmissão da 
energia elétrica. Do uso dos cabos isolados com papel impregnado aos cabos 
isolados com compostos termoplásticos ou termo fixos, em baixa e média tensão, 
muitasforam as mudanças e adaptações que o sistema elétrico passou ao longo 
dos anos. 
 
Muitos investimentos em redes aéreas e subterrâneas foram feitos desde o início 
do século, predominando a primeira opção por conta da praticidade e do custo. 
Embora seja um sistema viável e com vantagens – estéticas e também de 
qualidade –, as redes subterrâneas foram deixadas de lado no princípio da 
eletrificação brasileira, mas retomadas nos últimos anos. Conheça sua história e 
os motivos que levaram à predileção pelas redes aéreas e o que dizem 
especialistas sobre a substituição da rede por sistemas subterrâneos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Como Planejar 
Cuidados na contratação de projetos de enterramento da rede elétrica. 
 
Prazo: varia conforme a extensão das vias a serem convertidas. Em média, os 
projetos levam de 12 a 18 meses para conclusão. 
 
Especificidades a serem observadas: disponibilidade de fonte de carga para 
contingenciamento do sistema; densidade e tendência de crescimento de carga; 
tipologia da(s) via(s) e sua ocupação do subsolo. 
 
Dificuldades comuns à execução das obras: trânsito (restrição de mobilidade de 
máquinas e equipamentos); horários de execução, devido a ruídos; reclamação 
de moradores; e interferências subterrâneas já existentes (adutoras, gasodutos, 
galerias de águas etc.); 
 
Cuidados devem ser tomados: mapear todos os recursos necessários para a fase 
de execução, tais como suprimentos de fornecedores, materiais, equipamentos; 
compatibilização de projetos (das empresas que compartilham a rede aérea); 
gestão de relacionamento com o Poder Público (aprovações de projetos, agente 
de fiscalização de trânsito etc.) e com moradores/clientes etc.

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