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465 Litíase urinária e endourologiaCapítulo 45 Tratamento cirúrgico do cálculo urinário Dr. Alex Elton Meller Dr. Rodrigo Perrella Palavras-chave: cálculos renais, cálculo coraliforme, cirurgia aberta, litotripsia, rim, indicações cirúrgicas Introdução Desde o início dos anos 80 a cirurgia aberta para litíase urinária vem se tornando um procedimento de exceção. A partir da implantação da litotripsia extracorpórea (LECO) houve uma redução acentuada nas indicações de cirurgia aberta para cálculos renais. As indicações de cirurgia aberta foram reduzidas a 4 ou 5% dos casos de litíase do trato uri- nário superior.1,2 Com o advento das técnicas endoscópicas e percutâneas, houve maior redução ainda nas indicações, pro- vavelmente em torno de 1%3-5 de todas cirurgias urológicas, o que levou os urologistas em formação nos centros acadê- micos atuais a raramente participarem de tais procedimentos. No período anterior às cirurgias endoscópicas as indica- ções para cirurgia aberta eram muitas, sendo utilizadas para cálculos renais, ureterais e vesicais por aproximadamente 30 anos. Atualmente elas se restringem principalmente aos cálculos coraliformes como veremos abaixo. Em casos de exceção podemos utilizar para cálculos ureterais e vesicais em condições especiais. Indicações Cálculos renais O cálculo coraliforme frequentemente é diagnosticado com grandes dimensões em função da ausência de sinto- mas, além de estar associado a infecção do trato urinário. Essas duas características tornam difícil sua erradicação e controle. Seu tratamento definitivo é quase sempre manda- tório, visto que apresenta altas taxas de morbidade e morta- lidade, conforme demonstrado por diversos autores6-8, com mortalidade de até 28% em 10 anos. Há uma grande variação nas dimensões iniciais do cál- culo coraliforme, principalmente pelo grande uso da ultras- sonografia como método de triagem. Porém, a maiorias dos pacientes apresenta grandes volumes de cálculo e a cirur- gia aberta serve especialmente para os cálculos complexos (Figura 1) com ramificações calicinais numerosas, condição esta que dificulta sua abordagem percutânea, pois demanda- ria múltiplas punções, aumentando os riscos cirúrgicos. Con- forme orientação do manual de diretrizes para o tratamento do cálculo coraliforme, publicado em 2004 pela Associação Americana de Urologia, devemos realizar esse tipo de tra- tamento nas condições acima ou se o paciente apresentar obesidade extrema que dificulte o procedimento percutâneo. Figura 1. Cálculo coraliforme complexo – radiografia simples. Arquivo pessoal. 466 A descrição inicial da técnica cirúrgica foi realizada por Smith e Boyce em 19689 e permanece praticamente inalterada até os dias atuais, exceto por pequenas modifi- cações nas técnicas de isquemia como será demonstrado ao longo do capítulo. Os objetivos da cirurgia são remover o maior volume de cálculos e seus fragmentos, melhorar a drenagem renal quando houver obstrução, preservar a função renal e pre- venir recorrência do cálculo. Cálculos renais com malformações associadas Tanto os cálculos coraliformes como os de outras com- posições podem se associar a obstruções do sistema pielo- calicial como estenose de junção ureteropiélica ou obstru- ções de infundíbulos calicinais. Tais condições favorecem a abordagem aberta para o tratamento concomitante do cálculo e das obstruções. Outra condição suscetível à cirurgia aberta é a presença de cálculos em divertículos calicinais que tenham indica- ção de tratamento por dor ou infecção. Porém, trabalhos mais recentes preconizam a nefrolitotripsia percutânea como primeira opção no tratamento dessa patologia.10 Adicionalmente, a via de acesso laparoscópica tem sido o método para tratamento cirúrgico do divertículo que não pode ser tratado por endourologia por dificuldade de aces- so percutâneo ou endoscópico.11 Cálculos ureterais Atualmente com o advento do Holmium-Yag Laser como fonte de litotripsia e o auxílio do ureterorrenoscópio flexível, praticamente todos os cálculos podem ser tratados por abordagem endourológica. Porém, em casos de falha no tratamento com a ureteroscopia ou necessidade de pro- cedimentos cirúrgicos concomitantes, podemos realizar a retirada de cálculos ureterais por via aberta. Cálculos vesicais Os grande cálculos vesicais (maiores do que 2,0 cm) formados em pacientes com obstrução vesical (hiperplasia prostática, estenose de uretra) ou bexigas neurogênicas (pa- raplégicos, malformações vesicais ou neurológicas) podem ser tratados por cirurgia aberta; especialmente nos casos em que exista dificuldade de acesso uretral – caso das estenoses – ou pacientes em condições clínicas desfavoráveis, pois a cirurgia aberta pode ser realizada por pequena incisão, de forma rápida e, se necessário, com anestesia local. Miscelânea Outras indicações menos comuns para a cirurgia aberta seriam a falha de tratamento com outras técnicas endoscópi- cas, a obesidade mórbida, os cálculos localizados em regiões renais que apresentam perda de função ou condições clínicas que inviabilizem a cirurgia endoscópica ou percutânea. A falha de tratamento corresponderia a 29% das indi- cações em estudo conduzido por Paik e cols. com 780 pa- cientes operados em 5 anos, porém a maioria dos trabalhos comparativos entre a técnica aberta e outras técnicas são da década de 90, período no qual a endourologia ainda es- tava em desenvolvimento. Acreditamos que as indicações por falha de tratamento atualmente são menores. A obesidade mórbida corresponderia a 10% das indi- cações de cirurgia aberta, especialmente pela impossibili- dade de realização de LECO e a dificuldade técnica para a realização da nefrolitotripsia percutânea (NLP). O procedimento aberto também pode ser indicado em pacientes com cálculos renais localizados em polo inferior que apresentem exclusão funcional deste, sendo realizada a retirada do cálculo concomitantemente com a nefrecto- mia polar. Porém, com o avanço das técnicas laparoscópi- cas, esta via de acesso tem sido preferencial para a realiza- ção dessa cirurgia nos grandes centros de excelência. Técnica cirúrgica Ao longo das décadas de 80 e 90, as variadas técnicas de cirurgia aberta foram sendo menos utilizadas e, portan- to, não treinadas pelos jovens urologistas. Entretanto com o grande desenvolvimento da via de acesso laparoscópica a partir da publicação do primeiro caso de nefrectomia por Clayman e cols. em 199112, houve um renascimento da téc- nica cirúrgica para acesso dos cálculos renais e ureterais. Excetuando-se a nefrolitotomia anatrófica, os outros pro- cedimentos como pielolitotomia comum e ampliada, ure- terolitotomia e nefrolitotomia radial passaram a ser exe- cutados com sucesso pela via laparoscópica. Contudo, os procedimentos descritos ainda são indicados em casos de exceção, por vezes concomitante ao uso da cirurgia lapa- roscópica para outra patologia associada. Como não é a finalidade deste capítulo discutir a abor- dagem laparoscópica, descreveremos a técnica de três ci- rurgias que ainda são realizadas em nosso meio, apesar das exíguas indicações. Nefrolitotomia anatrófica O procedimento costuma ser realizado sob anestesia geral e sondagem vesical prévia. Coloca-se o paciente em posição de lombotomia clássica, com posicionamento de coxim sob as costelas contralaterais para abertura do es- paço entre o rebordo costal e a crista ilíaca do lado a ser operado. Nas mesas cirúrgicas atuais podemos utilizar a função de flexão para atingir o mesmo objetivo sem a ne- cessidade do coxim. O paciente deve ser fixado à mesa com fita adesiva (esparadrapo) ou faixas fornecidas pelo fabricante da mesa cirúrgica. Após o posicionamento, realizamos incisão de lom- botomia entre a 11a e 12a costelas e dissecamos a cápsula de Gerotaque pode estar aderida ao rim por processos infecciosos característicos do cálculo coraliforme. Em seguida devemos realizar incisão cefalocaudal da cápsula e retirada da gordura perirrenal para mobilização com- 467 Litíase urinária e endourologia pleta do rim e visualização do parênquima. Nessa etapa todo cuidado deve ser tomado para não ocorrer incisão e retirada acidental da cápsula, fato este que pode aumentar o sangramento intraoperatório. Após boa exposição e mo- bilização renal, devemos suspender o rim no campo cirúr- gico utilizando-nos da colocação de compressas abaixo do rim ou utilizando dois drenos de penrose no 1 como faixas que podem ser fixadas fora da incisão. Nesse ponto da ci- rurgia devemos realizar radiografia intraoperatória portátil para servir como controle para comparação após retirada dos cálculos. Sequencialmente realizamos a dissecção cuidadosa do hilo renal e identificação da linha avascular de Bro- del. A técnica clássica descrita por Smith e Boyce con- siste em clampeamento com pinça de Satinsky do ramo posterior da artéria renal e injeção de 20 mL de azul de metileno na veia renal. Assim, ocorre um branqueamento da porção posterior do rim enquanto a porção anterior do rim se torna azulada. Com caneta cirúrgica delineamos a linha para posterior incisão (Figura 2). Alguns auto- res preconizam a incisão na região aproximada da linha avascular sem realizar o procedimento acima descrito para evitar a isquemia durante o clampeamento segmen- tar da artéria, porém sua correta identificação minimiza o sangramento e preserva a maior quantidade de parên- quima possível. Figura 2. (A) Artéria renal e seus ramos isolados, (B) Ramo posterior da artéria ocluído e injeção de azul de metileno endovenoso delineando a linha de Brodel. Nesse momento aplicamos 25 g de manitol endoveno- so para promover diurese e prevenir a formação de cristais após a reperfusão renal. Em seguida, clampeamos a arté- ria renal completamente com o uso de bulldog vascular e resfriamos o rim com a colocação de gelo ao redor. Para facilitar o posicionamento do gelo, prepara-se uma barreira em torno do rim, isolando os tecidos perirrenais com colo- cação de compressas, e coloca-se uma embalagem plástica de soro (embalagem flexível) aberta ao redor do rim (Figura 3). Outra opção seria a utilização de drapes cirúrgicos para isolamento do rim. O resfriamento renal deve manter o rim entre temperaturas de 5 a 20o C permitindo tempos de is- quemia em torno de 60 minutos com segurança. Figura 3. Preparo com bolsa de soro do “leito” para colocação de gelo para isquemia. Finalmente podemos incisar o parênquima renal utili- zando incisão a frio com bisturi e dissecção romba do pa- rênquima até encontrar o sistema pielocalicial (Figuras 4 e 5). Durante a dissecção tentamos direcionar o bisturi à por- ção medial do hilo renal para permanecer na linha avascular e minimizar o sangramento. Qualquer sangramento por re- fluxo venoso pode ser controlado com suturas hemostáticas com fio de Catgut 4-0 ou 5-0. Figura 4. Incisão do parênquima na linha de Brodel. Figura 5. Dissecção romba do parênquima com cabo do bisturi frio. Conforme direcionamos a incisão ao hilo renal encon- tramos o sistema pielocalicial idealmente no infundíbulo posterior, porém se o paciente apresentar um grande cálculo localizado em cálice posterior dilatado, poderemos incisar inicialmente esse cálice. Se a incisão ocorrer no infundíbulo posterior, atingire- mos a pelve e, sequencialmente incisamos todas as exten- sões calicinais que saem dela, expondo o maior número de cálices possível, evitando fragmentação do cálculo e, con- 468 sequentemente, fragmentos retidos em cálices não explo- rados (Figura 6). Nessa manobra podemos utilizar um mi- xter ou uma pinça extratora de cálculos biliares para servir como guia na abertura dos cálices. Figura 6. Abertura de cálices e infundíbulos com bisturi frio. A mobilização do cálculo coraliforme deve ser rea- lizada após sua exposição completa, evitando sua frag- mentação (Figura 7). Frequentemente essa manobra não é factível, obrigando minuciosa inspeção de todos os cá- lices acessíveis. Para minimizar o número de fragmen- tos residuais, irrigamos abundantemente a via calicinal com solução salina para mobilização de eventuais cál- culos retidos. Nesse ponto realizamos nova radiografia intraoperatória para verificar se o sistema pielocalicial está sem cálculos. Figura 7. Retirada do cálculo após sua completa exposição. Após checagem da ausência de fragmentos, sugerimos a colocação de cateter duplo J para melhorar a drenagem renal, facilitar a cicatrização do sistema pielocalicial e pre- venir cólica renal por migração de fragmentos. O cateter deverá ser retirado em quatro a seis semanas. Sequencialmente iniciamos a reconstrução do sistema pielocalicial com a calicorrafia e a calicoplastia com fio Ca- tgut 5-0 ou 6-0. Os cálices previamente incisados podem ser suturados adjacentes à pelve renal, suturando-se a mar- gem incisada à margem da pelve renal. Essa manobra torna o cálice mais curto e amplo. Quando encontramos estenoses caliciais ou infundibulares realizamos a calicoplastia, sutu- rando as margens de cálices adjacentes formando uma única estrutura. Quanto às estenoses infundibulares, realizamos a sutura no sentido oposto ao da incisão previa, como na técnica de Heinecke-Mickulicz, ampliando a luz do infun- díbulo. As figuras 8 e 9 a seguir, ilustram as várias técnicas. Figura 8. Técnica de incisão longitudinal com reparo transversal e avanço do tecido pélvico. Figura 9. Reparo das margens dos infundíbulos incisados tornando uma única estrutura. Nesse momento, suturamos a pelve renal com sutura contínua de Catgut cromado 5-0 ou PDS 5-0 (Figura 10) e fechamos a cápsula renal com pontos englobando pequena porção do parênquima para evitar áreas de isquemia muito extensas. Para esse fechamento podemos utilizar Catgut cromado 2-0 ou 3-0 (Figura 11). 469 Litíase urinária e endourologia Figura 10. Sutura da pelve renal. Figura 11. Sutura da cápsula renal. Finalmente realizamos o fechamento da cápsula de Ge- rota quando possível ou utilizamos a colocação de parte do omento sobre a sutura renal para minimizar sangramento e extravasamento. Rotineiramente utilizamos um dreno aspirativo que de- verá ser mantido por 3 a 4 dias dependendo do débito diário. O restante dos cuidados pós-operatórios segue as mesmas recomendações de cirurgias abdominais de grande porte. Pielolitotomia ampliada (Técnica de Gil-Vernet) A técnica descrita por Gil-Vernet em 1965 foi bas- tante utilizada na Europa para cálculos coraliformes pouco complexos, preenchendo a pelve renal e com ramificação para um ou dois infundíbulos calicinais. Nos casos selecionados podemos realizar o procedi- mento por via laparoscópica, principalmente se o pa- ciente apresentar outra indicação para laparoscopia. Obviamente indicamos este procedimento apenas em casos de exceção, visto que as técnicas minimamente invasivas são a indicação preferencial para o tratamento desse tipo de cálculo. O preparo do paciente costuma ser semelhante à nefrolitotomia anatrófica, porém mobilizamos menos o rim. Após abertura da fáscia de Gerota, identificamos o ureter posteriormente ao rim, dissecando-o cranial- mente até atingir a pelve renal. Devemos mobilizar o rim apenas o suficiente para exposição da pelve renal. Nesse ponto realizamos a dissecção do espaço entre a pelve renal e a gordura peripiélica (Figura 12A e Figu- ra 12B). Para melhor exposição da pelve renal e suas extensões infundibulares, utilizamos retratores de veia para elevar a borda posterior do parênquima e realizar dissecção romba com gaze do seio renal. Figura 12A e Figura 12B. Dissecção da pelve renal. Sequencialmenterealizamos abertura da pelve com incisão transversal curvilínea, com extensão para os infundíbulos calicinais superior e inferior. Para auxi- liar o fechamento devemos colocar pontos de reparo ao longo da incisão e manter boa distância da JUP. Assim produzimos um flap da parede posterior da pelve renal permitindo a retirada dos cálculos nessa localização. A seguir, utilizamos pinças de Randall para retirar os cálculos localizados na porção infun- dibular, dilatando possíveis estenoses de infundíbulo (Figura 12C). Figura 12C. Incisão da pelve renal. Nos casos de cálculos caliciais superiores e médios, podemos realizar nefrotomias segmentares para a retira- da destes. No caso de cálculos caliciais inferiores pode- mos estender a incisão inferior do infundíbulo incisando o parênquima conjuntamente. Essa infundibulonefroto- mia pode ser realizada em plano avascular segundo a linha de Brodel (Figura 12D e Figura 12E). 470 Figura 12D e Figura 12E. Técnicas para retirar os cálculos calicinais. Após retirada de todos os fragmentos, colocamos cateter de forma anterógrada no ureter e irrigamos copiosamente para limpeza do trajeto ureteral de possíveis fragmentos de cálculo. Antes do fechamento da pelve, checamos a presen- ça de cálculos residuais com radiografia intraoperatória e colocamos cateter duplo J que deverá ser retirado em 4 se- manas. A sutura da pelve pode ser realizada com fio Catgut cromado 4-0 ou PDS 4-0 de forma contínua. Finalmente co- locamos dreno de penrose no 1 ou drenos de sucção. Cistolitomia aberta Posicionamos o paciente em decúbito dorsal e sob aneste- sia regional, realizamos incisão de Pfannenstiel, dissecção do espaço de Retzius e exposição da parede anterior da bexiga. Realizamos incisão transversa na parede anterior da bexiga, geralmente na extensão que permita a retirada do cálculo vesical. Retiramos os cálculos intravesicais com manobras digitais ou utilizando pinças de apreensão. Após nos certificarmos de que não existem fragmen- tos residuais, irrigamos copiosamente o interior da bexiga e suturamos a parede anterior em dois planos (mucosa e muscular), com fio Catgut cromado 2-0 de forma contínua. Posteriormente procedemos o fechamento da parede abdominal e, raramente, deixamos drenos laminares no espaço de Retzius. Resultados Atualmente temos poucos trabalhos disponíveis compa- rando os resultados de cirurgia aberta com outros procedi- mentos, visto que o número de casos realizados ao redor do mundo é muito escasso. Conforme o último guideline para o tratamento do cálculo coraliforme, publicado em 2004 pela Associação Americana de Urologia, na revisão dos traba- lhos publicados de julho de 1992 a julho de 2003, foram in- cluídos apenas três grupos de pacientes, que somados foram 51 casos de cálculo coraliforme operados pela via aberta. Os dados encontrados mostraram taxas de retirada completa do cálculo (stone free rate – SFR) inferiores aos trabalhos compilados no guideline anterior, 71% versus 82% (guideline 1994), provavelmente por seleção de casos mais complexos para a via aberta (Gráfico 1). Gráfico 1. Taxas de stone free dos estudos avaliados no guideline. Quando comparamos taxas de complicação entre a ci- rurgia aberta e a cirurgia percutânea, houve semelhança estatística (15% versus 13% - 95% IC) (Tabela 1). Tabela 1. Comparação entre cirurgia percutânea e aberta – taxas de stone free e complicações agudas. PNL Open Surgery Grps Pts Med Prob (95% CI) Grps Pts Med Prob (95% CI) Stone-free rate 12 776 78% (74-83%) 3 51 71% (56-84%) Procedures per Patient Grps Pts Weighted Mean Grps Pts Weighted Mean Primary 8 462 1.3 1 32 1.0 Secondary 5 296 0.4 1 32 0.2 Adjunctive 3 218 0.2 1 32 0.2 Acute Complications Grps Pts Med Prob (95% CI) Grps Pts Med Prob (95% CI) Transfusion 6 282 18% (14-24%) - Insufficient data Death 4 210 0% (0-1%) - Insufficient data Overall Sig Compl 6 358 15% (7-27%) 1 32 13% (4-27)%) Dispomos de poucos trabalhos recentes e comparati- vos entre a cirurgia aberta e a técnica percutânea. O autor Al-Kohlani publicou em 2004 estudo conduzido no Egito comparando as técnicas em trabalho prospectivo e rando- mizado, selecionando cálculos coraliformes complexos que ocupassem o mínimo de 80% do sistema coletor. Foram se- lecionados pacientes para cirurgia aberta e percutânea, 43 e 45 respectivamente. Os resultados confirmam os dados do guideline em termos de SFR, 74% versus 82% na compara- ção entre a percutânea e aberta, não sendo estatisticamente significativo (Tabela 2). Porém, ao comparamos tempo de cirurgia, tempo de internação e tempo de retorno ao traba- lho, todos os dados foram favoráveis à técnica percutânea.13 471 Litíase urinária e endourologia Tabela 2. Comparação da SFR no seguimento imediato e tardio. Stone clearance PCNL Open p Value Nº kidneys at discharge home (%) 0.238 Stone free 21 (48.8) 30 (66.7) Insignificant residuals 12 (27.9) 8 (17.8) Significant residuals 10 (23.3) 7 (15.5) N° Kidneys at followup (%) 0.284 Stone free 32 (74.4) 37 (82.2) Insignificant residuals 9 (20.9) 5 (11.2) Significant residuals 0 2 (4.4) Recurrence 2 (4.7) 1 (2.2) Conclusão Concluímos que a cirurgia aberta apresenta indicações específicas, porém reduzidas. Considerando-se sua maior morbidade para retorno do paciente às suas atividades, o procedimento percutâneo sempre deve ser preferencial. Devemos nos lembrar de que o procedimento aberto acarreta perda de função renal maior que o procedimento percutâneo, porém, nos serviços de residência pelo país, o treinamento da técnica cirúrgica é altamente recomendável para os jovens urologistas. Referências 1. Assimos DG, Boyce WH, Harrison LH, McCuloough DL, Kroovand RL, Sweat KR. The role of stone surgery since extracorporeal shock wave lithotripsy. J Urol. 1989;142(2 Pt 1):263-7. 2. Paik ML, Wainstein MA, Spirnak PL, Hampel N, Resnick MI. Cur- rent indications for open stone surgery in the treatment of renal and ureteral calculi. J Urol. 1998;159(2):374-8; discussion 378-9. 3. Pahira JJ, Pevzner M. Nephrolithiasis. Hanno P, Malkowicz B, Wein A. Penn Clinical Manual of Urology, Saunders. Philadelphia: Else- vier; 2007. p. 244-257. 4. Kerbl K, Rehman J, Landman J, Lee D, Sundaram C, Clayman RV. 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