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ORTOPEDIA EM PEQUENOS ANIMAIS 
 
 
 
 
 
 
 
MANEJO DE FRATURAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEONARDO AUGUSTO LOPES MUZZI 
 
 
 
 
 
 
 
 
Universidade Federal de Lavras - UFLA 
Departamento de Medicina Veterinária 
Lavras – MG 
2013 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO..............................................................................................5 
2 DIAGNÓSTICO DAS FRATURAS ..............................................................6 
2.1 Identificação do animal .......................................................................6 
2.2 Histórico da lesão ................................................................................7 
2.3 Exame físico .........................................................................................7 
2.3.1 Análise da marcha e apoio do membro .......................................8 
2.3.2 Inspeção .......................................................................................8 
2.3.3 Palpação .......................................................................................9 
2.4 Exame radiográfico .......................................................................... 10 
3 CLASSIFICAÇÃO DAS FRATURAS ....................................................... 11 
3.1 Quanto à gravidade das fraturas .................................................... 11 
3.2 Quanto à localização anatômica ..................................................... 11 
3.3 Quanto à exposição óssea e lesões externas ............................... 13 
3.4 Quanto ao grau da lesão óssea ...................................................... 14 
3.5 Quanto à direção da linha de fratura .............................................. 14 
3.6 Quanto ao desvio dos fragmentos ósseos.................................... 15 
3.7 Quanto à estabilidade da fratura .................................................... 16 
3.8 Outros tipos de fratura..................................................................... 16 
4 FORÇAS QUE ATUAM SOBRE A FRATURA ........................................ 17 
5 SELEÇÃO DO MÉTODO DE FIXAÇAO DA FRATURA ......................... 21 
5.1 Fatores mecânicos ........................................................................... 21 
5.2 Fatores biológicos ............................................................................ 22 
5.3 Fatores clínicos ................................................................................ 23 
5.4 Interpretação da escala para seleção do método de fixação ....... 24 
6 REDUÇÃO DA FRATURA ....................................................................... 31 
6.1 Redução fechada .............................................................................. 31 
6.1.1 Indicações, vantagens e desvantagens................... ................. 32 
6.1.2 Métodos de redução fechada .................................................... 32 
6.2 Redução aberta ................................................................................. 33 
6.2.1 Indicações, vantagens e desvantagens .................................... 33 
6.2.2 Métodos de redução aberta ...................................................... 34 
6.3 Osteossíntese biológica.............. .................................................... 40 
 
7 IMOBILIZAÇÃO EXTERNA ...................................................................... 41 
7.1 Bandagem de Robert Jones ............................................................ 43 
7.2 Tala curta com suporte rígido ......................................................... 43 
7.3 Tala longa em espiga ....................................................................... 45 
7.4 Muleta de Schroeder-Thomas ......................................................... 47 
7.5 Moldes rígidos .................................................................................. 49 
7.6 Cuidados após aplicação da imobilização externa ...................... 50 
7.7 Possíveis complicações da imobilização externa ........................ 50 
8 FIXAÇÃO ESQUELÉTICA EXTERNA ..................................................... 52 
8.1 Componentes do fixador externo linear ........................................ 52 
8.1.1 Pinos de fixação ........................................................................ 53 
8.1.2 Presilhas ou clampes ................................................................ 54 
8.1.3 Barras de conexão .................................................................... 54 
8.2 Configurações dos fixadores externos lineares ........................... 55 
8.2.1 Fixador unilateral uniplanar (tipo IA) ......................................... 55 
8.2.2 Fixador unilateral biplanar (tipo IB) ........................................... 55 
8.2.3 Fixador bilateral uniplanar (tipo II) ............................................. 55 
8.2.4 Fixador bilateral biplanar (tipo III) .............................................. 55 
8.3 Fixadores externos circulares (forma de anel) ............................. 60 
8.4 Fixadores externos híbridos ........................................................... 60 
8.5 Fundamentos da aplicação dos fixadores externos lineares ...... 62 
8.6 Cuidados após a utilização dos fixadores externos .................... 70 
8.7 Possíveis complicações pós-operatórias ...................................... 70 
9 COMBINAÇÃO FIXAÇÃO EXTERNA E PINO 
INTRAMEDULAR (TIE IN) ......................................................................... 72 
10 PINOS INTRAMEDULARES .................................................................. 74 
11 PINOS DE RUSH .................................................................................... 80 
12 PINOS (FIOS) DE KIRSCHNER E PINOS CRUZADOS ....................... 82 
12.1 Pinos cruzados ............................................................................... 82 
13 HASTE INTRAMEDULAR BLOQUEADA (INTERLOCKING 
NAIL) .......................................................................................................... 84 
14 FIOS ORTOPÉDICOS DE AÇO ............................................................. 87 
14.1 Fio de cerclagem ............................................................................ 87 
14.2 Fio de hemicerclagem e fio interfragmentar ............................... 91 
14.3 Fio metálico em banda de tensão ................................................. 93 
 
 
15 PARAFUSOS ÓSSEOS ......................................................................... 95 
15.1 Parafusos para osso cortical ........................................................ 95 
15.2 Parafusos para osso esponjoso ................................................... 96 
15.3 Parafusos de posição .................................................................... 98 
15.4 Parafusos de compressão (efeito lag) ......................................... 99 
15.5 Parafusos de placas e hastes ..................................................... 102 
15.6 Recomendações e complicações pós-operatórias .................. 102 
16 PLACAS ÓSSEAS................................................................................ 103 
16.1 Princípios de aplicação das placas convencionais.................. 103 
16.2 Aplicação dos parafusos da placa convencional ..................... 106 
16.3 Tipos funcionais de placas ósseas ............................................ 107 
16.3.1 Placa de compressão ............................................................ 107 
16.3.2 Placa de neutralização .......................................................... 11016.3.3 Placa em ponte ...................................................................... 110 
16.3.4 Placa de suporte .................................................................... 111 
16.4 Placas bloqueadas ....................................................................... 112 
16.5 Placas ósseas especiais .............................................................. 113 
16.6 Recomendações e complicações pós-operatórias .................. 114 
17 COMBINAÇÃO PLACA ÓSSEA E PINO INTRAMEDULAR 
(PLATE-ROD) .......................................................................................... 115 
18 COMBINAÇÃO PLACA ÓSSEA E HASTE 
INTRAMEDULAR (PLATE-NAIL) ............................................................ 117 
19 EXERCÍCIOS ........................................................................................ 119 
20 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................... 121 
 
 
 
 
1 
INTRODUÇÃO 
Define-se fratura como a interrupção completa ou parcial da continuidade de 
um osso ou cartilagem, acompanhada por diferentes graus de lesões nos tecidos 
moles adjacentes. Em geral, as fraturas ocorrem por ação de um agente traumático, 
que suplanta a capacidade de resistência do osso e ocasiona sua fragmentação. Em 
pequenos animais, as fraturas ocorrem, principalmente, por traumas diretos em 
acidentes com veículos automotores, mas também ocorrem após quedas de alturas 
elevadas, ferimentos por projéteis de arma de fogo, brigas e mordeduras de outros 
animais e atos de crueldade. Em determinadas situações, a fratura pode ser 
provocada por força indireta transmitida pelos ossos ou músculos, determinando o 
seu aparecimento em uma área vulnerável, como, por exemplo, as fraturas por 
avulsão da tuberosidade da tíbia. 
O principal objetivo do tratamento das fraturas é o rápido retorno do paciente 
às suas funções normais. A chave para alcançar este objetivo é a realização de um 
planejamento detalhado do procedimento cirúrgico e dos cuidados pós-operatórios. 
Nas últimas décadas ocorreram importantes avanços no manejo cirúrgico das 
fraturas em pequenos animais, reduzindo de forma expressiva as perdas funcionais 
dos membros afetados. Entretanto, as fraturas continuam sendo um constante 
desafio ao ortopedista veterinário, que deve sempre considerar as forças e os 
fatores envolvidos no processo de reparação óssea em cada caso específico. O 
cirurgião deve estar ciente de que cada fratura é única. 
 
 
2 
DIAGNÓSTICO DAS FRATURAS 
O histórico da lesão e os sinais clínicos, geralmente, indicam a presença de 
fratura. Entretanto, avaliações radiográficas são essenciais para o preciso 
diagnóstico e planejamento terapêutico. Nos casos de acidentes graves em que a 
vida do animal encontra-se em risco, o tratamento da lesão óssea do esqueleto 
apendicular e o reparo dos tecidos não são considerados prioridades. 
2.1 IDENTIFICAÇÃO DO ANIMAL 
O exame do animal com lesão ortopédica deve ser conduzido, inicialmente, 
obtendo-se os dados referentes ao animal e a realização de anamnese detalhada. 
Espécie: devem ser observadas as características da espécie em que se está 
avaliando. É comum a fratura dos ossos do rádio e da ulna em cães que saltam de 
sofás ou pulam de mesas, enquanto as fraturas por quedas de alturas relativamente 
baixas são raras em gatos. 
Raça: as raças com temperamento linfático estão menos expostas aos riscos 
de traumas e fraturas. As raças mais ativas ou com comportamento mais agressivo 
são mais propensas aos atropelamentos, brigas com outros animais, projéteis de 
arma de fogo ou agressões humanas. 
Idade: a idade é um fator muito importante em relação à capacidade de 
consolidação óssea. As fraturas em pacientes jovens apresentam um índice de 
reparação óssea acelerada em comparação aos pacientes idosos e este fato 
influencia na escolha do método para estabilização da fratura. Entretanto, o osso 
macio de um animal jovem pode não permitir a adequada fixação dos implantes. 
Além disso, cães jovens são mais difíceis de serem contidos para realização de 
repouso no período pós-operatório. Também se deve estar atento às fraturas da 
placa fisária dos animais em crescimento. 
Sexo e comportamento: fêmeas errantes no cio atraem a atenção dos machos 
e geram aglomeração e disputas pelo acasalamento, propiciando brigas e traumas. 
Também se devem observar as fraturas pélvicas em fêmeas na idade reprodutiva, 
que podem ocasionar estreitamento da via fetal óssea e gerar futura distocia. 
Diagnóstico das Fraturas 7 
Atividade e ambiente: cães de corrida, de caça, de pastoreio, treinados para 
provas de esforço ou que exercem atividade física intensa são mais suscetíveis às 
lesões do sistema osteomuscular. As fraturas ocasionadas por atropelamento 
geralmente ocorrem em animais que têm livre acesso à rua ou que passeiam sem 
contenção por guia e coleira. 
2.2 HISTÓRICO DA LESÃO 
Na realização da anamnese deve-se explorar ao máximo os dados disponíveis 
sobre a ocorrência do traumatismo, o comportamento do animal após o acidente e 
os procedimentos já realizados. Alguns questionamentos direcionados ao caso 
devem ser feitos ao proprietário: 
Surgimento do problema: súbito (ocorrência há poucas horas) ou crônico 
(presente há dias ou meses). 
O proprietário ou alguém próximo observou o trauma? Investigar se se trata de 
atropelamento, queda de altura elevada, briga com outros animais, agressões ou 
projéteis. É comum o proprietário não saber informar a procedência da lesão, 
principalmente nos animais que têm livre acesso à rua e retornam ao lar lesionados 
e claudicando. 
Membros e estruturas aparentemente envolvidas: na maioria das vezes, o 
proprietário observa apenas a perda da função do membro. Entretanto, nas fraturas 
expostas, é geralmente evidente a observação de uma extremidade óssea 
perfurando a pele. Nos casos de atropelamento, deve-se investigar se a roda do 
veículo passou sobre o animal, o que pode ocasionar lesão compressiva das 
cavidades torácica ou abdominal e ruptura de órgãos internos. 
Imobilização e socorro inicial: investigar se foi realizado algum tipo de 
imobilização do membro, como foi realizado e por quem. Buscar dados a respeito do 
procedimento inicial com o animal, principalmente sobre os medicamentos 
administrados. 
Estado do animal imediatamente após o trauma: indagar se logo após o trauma 
o paciente permaneceu consciente, se houve sinais de paresia ou paralisia, se 
ocorreu perda sanguínea expressiva ou, ainda, se foi observada dificuldade 
respiratória. 
Tempo decorrido do trauma ao atendimento: trata-se de um dado importante 
para o planejamento cirúrgico, principalmente nas fraturas expostas, nas fraturas 
intra-articulares e nas fraturas vertebrais. 
2.3 EXAME FÍSICO 
Realizar, inicialmente, uma avaliação do estado geral do animal. A primeira 
consideração é a preservação da vida do paciente, examinando a função dos órgãos 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
8 
vitais. Deve-se avaliar o tempo de preenchimento capilar, a coloração das mucosas, 
as frequências cardíaca e respiratória, a temperatura corpórea, a pressão arterial e 
as características do pulso. É aconselhada a realização de eletrocardiograma para 
se verificar a possibilidade de miocardite traumática. Nos casos suspeitos, investigar 
a presença de pneumotórax ou hemotórax. Também devem ser avaliados os sinais 
de lesões em órgãos parenquimatosos (baço, fígado, rim), secção de vasos 
importantes, ruptura de bexiga e hérnia diafragmática. Após o exame clínico geral e 
a estabilização do paciente em casos específicos, será dada atenção minuciosa àlesão óssea e aos tecidos moles adjacentes. 
2.3.1 Análise da marcha e apoio do membro 
As fraturas ósseas completas, geralmente, levam à claudicação acentuada sem 
apoio de peso no membro acometido ao caminhar, gerando incapacidade funcional. 
Em estação, ocorre apoio parcial do membro (apoio apenas sobre os coxins digitais) 
ou ausência total de apoio. Quando o animal não consegue permanecer em estação 
ou apresenta deficiência de apoio em mais de um membro, é necessário determinar 
se a lesão tem origem ostemuscular e/ou neurológica. 
2.3.2 Inspeção 
À inspeção, alguns sinais clínicos sugestivos de fratura podem ser observados: 
Tumefação local: o aumento de volume local ocorre por distúrbios vasculares e 
desencadeamento do processo inflamatório. Se a tumefação ocorrer logo após o 
trauma, é devido ao hematoma originado pela fratura e à hemorragia dos tecidos 
moles no local da lesão. Se ocorrer numa fase posterior é devido ao edema 
provocado pelo processo inflamatório, que tende a ser mais acentuado 24 a 48 
horas após o trauma e pode persistir por cinco a sete dias. 
Deformidade anatômica: nas fraturas completas dos ossos longos e luxações é 
possível observar alteração no eixo ósseo, com desvios angulares ou rotacionais. 
Nas fraturas incompletas, fraturas completas de ossos curtos ou fraturas intra-
articulares a alteração anatômica do eixo ósseo pode não ocorrer. As lesões dos 
tecidos moles no foco da fratura e a reação inflamatória também contribuem para a 
deformidade do local acometido. 
Lesão dos tecidos moles: nos acidentes mais graves, além da fratura óssea, 
pode haver extensa laceração dos tecidos moles e formação de retalhos teciduais. 
Nos casos em que o animal sofre arrastamento pelo veículo, ocorrem as feridas por 
desluvamento da extremidade do membro, podendo ocasionar perda óssea 
associada à lesão de músculos, nervos, tendões e ligamentos. 
Hipotrofia e contratura muscular: a hipotrofia muscular por desuso do membro 
indica a presença de uma lesão osteomuscular antiga. Esta característica é 
comumente observada nos distúrbios articulares e ligamentares, porém, fraturas 
incorretamente tratadas ou com distúrbios na reparação óssea podem provocar 
Diagnóstico das Fraturas 9 
desuso prolongado do membro e hipotrofia muscular intensa. As contraturas 
musculares podem ocorrer como consequência da estabilização incorreta ou 
prolongada da fratura. A mais comumente observada é a contratura dos músculos 
do quadríceps após fratura distal do fêmur em animais jovens. 
2.3.3 Palpação 
Os achados clínicos encontrados na avaliação da marcha e na inspeção são 
confirmados pela palpação, que deve ser realizada inicialmente com o animal em 
estação e, posteriormente, em decúbito lateral. Se possível, o exame clínico deve 
ser realizado com animal sem sedação, para não eliminar a resposta à dor. Indica-se 
iniciar o exame pelos membros sadios para avaliar a resposta individual à 
manipulação e à pressão, deixando o membro acometido por último. Realiza-se a 
palpação das estruturas ósseas e das articulações, começando pela extremidade 
dos membros. Músculos, tendões e ligamentos também devem ser examinados para 
diagnosticar possíveis rupturas. Uma vez que o local da fratura tenha sido 
identificado, a palpação excessiva e a movimentação da área acometida devem ser 
evitadas para que não ocorram mais lesões nos tecidos moles adjacentes, além de 
ser muito doloroso ao animal. Alguns sinais clínicos sugestivos de fratura devem ser 
avaliados à palpação: 
Sensibilidade dolorosa: as fraturas promovem acentuada manifestação de dor, 
gerada pela ruptura do periósteo e lesão dos tecidos moles. A sensação dolorosa no 
aparelho locomotor já foi demonstrada pela claudicação. Entretanto, a dor manifesta-
se mais intensamente à palpação do local fraturado. Deve-se estar atento, pois a dor 
pode estar presente em outras alterações ósseas, articulares e ligamentares. 
Deformidade óssea: é produzida pelo desvio dos fragmentos ósseos, podendo 
ocorrer desvio angular ou rotacional. Nos casos das fraturas ósseas impactadas ou 
das fraturas cominutivas, pode ser observado encurtamento do membro. É 
aconselhada a comparação com o membro contralateral não afetado. 
Mobilidade anormal: a instabilidade nos fragmentos ósseos é evidenciada 
fazendo-se movimentos de flexão no local da fratura. A mobilidade anormal ao longo 
do eixo de um osso constitui um sinal evidente de fratura. A mobilidade anormal 
pode não ser observada nas fraturas dos ossos curtos, fraturas intra-articulares ou 
quando ocorre em um dos ossos duplos que ajudam a sustentar uma região (fratura 
isolada da ulna ou da fíbula). 
Crepitação óssea: a crepitação ocorre quando as extremidades ósseas 
fraturadas entram em contato na movimentação do foco da fratura. A crepitação 
óssea pode ser percebida ao tato e à audição, sendo uma característica muito 
sugestiva de fratura. Deve-se diferenciar a crepitação da fratura (que ocorre na 
manipulação do eixo ósseo) da crepitação intra-articular (que ocorre nas patologias 
articulares, como displasia coxofemoral, luxações e doenças articulares 
degenerativas). A ausência de crepitação na fratura completa pode ocorrer quando 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
10 
há desvio longitudinal por tração ou impactação, ou pela interposição de tecidos 
moles entre os fragmentos ósseos. 
2.4 EXAME RADIOGRÁFICO 
Após avaliação clínica e identificação do local da fratura, o animal deve ser 
encaminhado para a realização de radiografias. O exame radiográfico é 
indispensável para o correto diagnóstico e classificação da fratura. Somente após a 
avaliação da radiografia é possível estabelecer o plano de tratamento da fratura e o 
provável prognóstico. 
É necessária a obtenção de, no mínimo, duas diferentes projeções 
radiográficas do osso acometido, que também devem incluir as articulações 
imediatamente proximal e distal à fratura. Em situações especiais, torna-se 
necessária uma terceira projeção oblíqua do osso fraturado ou um posicionamento 
específico do membro. Em casos duvidosos ou quando há grande destruição óssea, 
pode ser útil a obtenção de radiografia do membro contralateral normal para efeito 
comparativo. Frequentemente, há necessidade de sedação ou de anestesia geral 
para se conseguir o posicionamento adequado durante a obtenção da radiografia. 
Entretanto, dependendo das condições do paciente após o trauma, não é indicada a 
administração de fármacos sedativos ou anestésicos, devendo esse procedimento 
ser realizado somente após a estabilização do animal. 
Alguns sinais radiográficos específicos das fraturas devem ser identificados, 
como: 
- falha na continuidade óssea; 
- presença de linha radioluscente entre os fragmentos ósseos separados; 
- presença de linha radiopaca entre os fragmentos ósseos sobrepostos. 
Outras modalidades de diagnóstico por imagem podem ser úteis na 
identificação das lesões ósseas. As fraturas dos ossos curtos (como os do carpo e 
do tarso) e dos ossos da coluna vertebral e do crânio podem ser melhor 
diagnosticadas com auxílio da tomografia computadorizada. As lesões 
cartilaginosas, tendíneas, ligamentares e meniscais são adequadamente avaliadas 
por meio da ressonância magnética. 
 
 
3 
CLASSIFICAÇÃO DAS FRATURAS 
O objetivo de se classificar as fraturas é formar um protocolo que auxilie na 
definição da natureza da fratura e na seleção dos melhores procedimentos para 
redução e estabilização. Além disso, um sistema de classificação permite definir, de 
forma normatizada, as características de uma determinada fratura, possibilitando 
que outros clínicos possam facilmente compreendê-la. As fraturas podemser 
classificadas baseando-se em diferentes fatores ou características, as quais serão 
descritas a seguir. 
3.1 QUANTO À GRAVIDADE DAS FRATURAS 
As fraturas e outras lesões ortopédicas podem ser classificadas de acordo com 
a necessidade de atendimento e tratamento. No grupo I estão incluídas as lesões 
que necessitam de atendimento emergencial. Nesse grupo, destacam-se as fraturas 
compressivas do crânio, as fraturas e as luxações da coluna vertebral, as fraturas 
expostas e as lesões abertas da articulação. No grupo II estão as luxações, as 
fraturas intra-articulares e as fraturas fisárias. Essas afecções podem ser tratadas 
dentro de um ou dois dias após o trauma. No grupo III estão incluídas as fraturas 
fechadas dos ossos longos e outros tipos de fraturas não complicadas, que podem 
receber o tratamento definitivo entre os primeiros cinco dias após a lesão. 
3.2 QUANTO À LOCALIZAÇÃO ANATÔMICA 
As fraturas são, inicialmente, referenciadas de acordo com sua localização 
anatômica: diafisária (proximal, média, distal), metafisária, fisária ou fiseal, epifisária, 
condilar e intercondilar, articular (Figura 1). 
 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
12 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1 – Localização anatômica das partes constituintes do osso. 
 
As fraturas fisárias nos animais em crescimento são, ainda, definidas de acordo 
com a classificação de Salter-Harris: na fratura fisária do tipo I, ocorre a separação 
completa na linha fisária. Ocorre principalmente nas regiões proximais do úmero e 
do fêmur, e distal do fêmur. No tipo II ocorre fratura fisária e em parte da metáfise. É 
frequentemente observada nas regiões distais do fêmur e úmero, e proximais do 
úmero e tíbia. As fraturas do tipo II são as mais comuns das lesões das placas de 
crescimento. No tipo III ocorre fratura na fise e através da epífise. Acomete 
principalmente a região distal do úmero. No tipo IV, a fratura ocorre atingindo epífise, 
fise e metáfise. Geralmente ocorre nas regiões distais do fêmur e úmero. No tipo V, 
ocorre compressão sobre a placa fisária. É observada com mais frequência nas 
regiões distais do rádio, ulna e fêmur. Pode ocasionar encurtamento do osso ou 
deformidades angulares (Figura 2). 
 
Classificação das Fraturas 13 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2 - Classificação de Salter-Harris para fraturas fisárias. Fratura fisária 
do tipo I: deslocamento da epífise a partir da metáfise, com 
separação na placa de crescimento. Fratura fisária do tipo II: 
deslocamento da epífise a partir da metáfise, com separação em 
parte da placa de crescimento e fratura em parte do osso 
metafisário. Fratura fisária do tipo III: separação em parte da placa 
de crescimento e fratura através da epífise, mas sem atingir a 
metáfise. Fratura fisária do tipo IV: fratura através da epífise, placa 
de crescimento e metáfise. Fratura fisária dos tipos V e VI: 
compressão sobre a placa de crescimento, podendo ocasionar 
fechamento total ou parcial. 
3.3 QUANTO À EXPOSIÇÃO ÓSSEA E LESÕES EXTERNAS 
As fraturas podem ser denominadas de fechadas ou abertas (expostas), de 
acordo com a exposição dos fragmentos ósseos ao ambiente externo. A fratura 
fechada é aquela em que não há exposição do osso fraturado e a pele que recobre a 
fratura permanece intacta. Na fratura exposta ou aberta, há exposição óssea e lesão 
dos tecidos moles sobre o local do trauma. As fraturas expostas podem ser 
classificadas em três tipos, de acordo com a gravidade da lesão. 
A fratura exposta do tipo I, geralmente, é causada pela penetração da 
extremidade óssea fraturada, de dentro para fora, através da superfície cutânea. O 
fragmento ósseo se retrai sob a pele, deixando uma lesão discreta nos tecidos 
moles. O clínico deve estar atento para identificar pequenas lesões puntiformes 
ocasionadas pelo osso fraturado, em especial nos cães de pelagem densa. A fratura 
óssea com uma lesão tecidual próxima deve ser considerada e tratada como uma 
fratura exposta. Nas fraturas expostas do tipo II, a lesão dos tecidos moles ocorre de 
fora para dentro e corpos estranhos podem penetrar na ferida, no momento do 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
14 
trauma. Podem ocorrer compressão ou laceração dos tecidos moles, mas não há 
grande perda tecidual. Ferimentos ocasionados por projéteis de arma de fogo de 
baixa velocidade podem ser incluídos nessa categoria. As fraturas expostas do tipo 
III são as mais graves e mais propensas à contaminação e à infecção da ferida. No 
tipo IIIa ocorre laceração extensa dos tecidos moles e formação de retalhos 
teciduais. Apesar da gravidade da lesão, ainda há quantidade suficiente de tecidos 
moles para promover o fechamento da ferida após minucioso debridamento e 
lavagem. As fraturas expostas do tipo IIIb estão associadas à grande perda dos 
tecidos moles, com descolamento periosteal e exposição óssea. As lesões 
classificadas nessa categoria são, geralmente, ocasionadas pelos projéteis de arma 
de fogo de alta velocidade ou pelo arrastamento por veículos, que causam as feridas 
de desluvamento da extremidade do membro. Nas fraturas expostas do tipo IIIc 
estão incluídas as lesões teciduais com danos à irrigação sanguínea do membro, 
podendo ocasionar isquemia e necrose, se não houver intervenção imediata. No tipo 
IIIc também estão incluídas as amputações parciais traumáticas dos membros, 
geralmente ocasionadas por acidentes com automóveis. 
3.4 QUANTO AO GRAU DA LESÃO ÓSSEA 
As fraturas podem ser incompletas ou completas. A fratura incompleta é aquela 
em que se mantém parcialmente a continuidade do osso. São exemplos de fraturas 
incompletas as fissuras, as fraturas subperiosteais, as fraturas em galho verde, as 
depressões e as impressões. A fratura completa é aquela em que há total 
interrupção da continuidade do osso, geralmente com fragmentos ósseos 
deslocados. A fratura completa pode ser simples, dupla, múltipla, cominutiva ou 
farinácea. Nas fraturas cominutivas ocorre a formação de numerosos fragmentos, 
que podem ser redutíveis ou não. Nas fraturas farinácias, há trituração óssea, com 
formação de minúsculos fragmentos ósseos. 
3.5 QUANTO À DIREÇÃO DA LINHA DE FRATURA (FIGURA 3) 
Fratura transversa: a linha de fratura forma um ângulo reto em relação ao eixo 
longitudinal do osso. 
Fratura oblíqua: na fratura oblíqua curta, a linha de fratura forma um ângulo de 
até 30º em relação ao eixo longitudinal do osso ou apresenta comprimento menor 
que o dobro do diâmetro do osso. Nas oblíquas longas, a fratura descreve um 
ângulo superior a 30º em relação ao eixo longitudinal. 
Fratura em espiral ou helicoidal: a linha de fratura delineia uma curva ao redor 
da diáfise óssea. Nas fraturas em espiral e nas oblíquas longas, existe grande 
potencial de exposição óssea e lesão das estruturas nobres adjacentes, pois as 
extremidades que se formam são pontiagudas. 
Classificação das Fraturas 15 
Fratura cominutiva ou fragmentada: ocorre a formação de numerosos 
fragmentos ósseos. A fratura cominutiva redutível é aquela em que os fragmentos 
possuem tamanho maior do que um terço do diâmetro ósseo e podem ser reduzidos 
cirurgicamente. Na fratura cominutiva não redutível, os fragmentos ósseos são 
menores do que um terço do diâmetro do osso, formando uma falha entre os 
segmentos ósseos principais. 
Fratura segmentada ou múltipla: estas fraturas provocam a formação de três ou 
mais segmentos ósseos completos e as linhas de fratura não se comunicam. É um 
tipo de fratura pouco frequente.Figura 3 – Classificação das fraturas, conforme a direção da linha de fratura. 
(A) transversa, (B) oblíqua, (C) em espiral, (D) fragmentada 
(cominutiva), (E) segmentada (múltipla), (F) impactada. 
 
3.6 QUANTO AO DESVIO DOS FRAGMENTOS ÓSSEOS 
Os desvios dos fragmentos são considerados primários quando ocorrem no 
momento do trauma, e secundários quando ocorrem posteriormente, por ação da 
musculatura, movimentação do animal ou manobras realizadas ao exame clínico. Os 
desvios podem ser laterais, angulares, rotatórios e longitudinais (impactação e 
cavalgamento). 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
16 
3.7 QUANTO À ESTABILIDADE DA FRATURA 
A avaliação da fratura em relação à estabilidade dos fragmentos ósseos é de 
grande importância para a seleção do método apropriado de fixação. 
Nas fraturas estáveis, os fragmentos se apóiam e resistem às forças de 
compressão. O principal objetivo da fixação é a prevenção das deformidades 
angulares e rotacionais. Dependendo do local, pode ser utilizada imobilização 
externa, pino intramedular ou fixador externo. As fraturas transversas, oblíquas 
curtas, por compressão e em galho verde são exemplos de fraturas que podem ser 
estáveis. 
Nas fraturas instáveis, os fragmentos não permanecem coaptados após a 
redução. Os fragmentos, ao serem reduzidos, deslizam, sendo necessária fixação 
para se manter o comprimento do osso e anular as forças de flexão, rotação e 
compressão. São exemplos as fraturas oblíquas longas, em espiral e cominutivas. 
Geralmente, são necessários métodos de fixação mais rígidos, como placa e 
parafusos, haste bloqueada ou fixador esquelético externo. 
3.8 OUTROS TIPOS DE FRATURA 
Fratura por avulsão: ocorre quando um fragmento ósseo é separado pela força 
de tração de um tendão ou músculo. Estas fraturas, geralmente, ocorrem em 
animais jovens, nas regiões das placas fisárias. Podem ser observadas na 
tuberosidade tibial, acrômio, trocânter maior do fêmur, calcâneo e tubérculo maior do 
úmero. 
Fratura por impactação: é quando um fragmento ósseo fraturado penetra 
parcialmente em outro. 
Fratura por compressão: ocorre quando o osso é fraturado por ação de força 
compressiva, como as fraturas por compressão do corpo vertebral. 
Fratura por depressão: refere-se às fraturas de ossos planos, como os do 
crânio, em que o osso afetado sofre afundamento e forma uma deformação 
côncava. 
 
 
4 
FORÇAS QUE ATUAM SOBRE A 
FRATURA 
 
A fratura ocorre quando a magnitude das forças impostas excede a resistência 
final do osso e determina sua ruptura. O osso está submetido a dois tipos de forças, 
a intrínseca e a extrínseca. As forças intrínsecas são impostas aos ossos em 
decorrência do contato das superfícies articulares e das inserções ligamentares e 
tendíneas nos ossos. A força intrínseca pode ocasionar um traumatismo indireto ao 
osso, gerando as fraturas por avulsão. As forças extrínsecas originam-se no 
ambiente e possuem diferentes tipos de forças atuantes e graus de magnitude. O 
agente causa um traumatismo direto sobre o osso, ocorrendo a fratura no local de 
atuação dessas forças. 
O modo pelo qual um osso fratura está diretamente relacionado ao modo de 
aplicação da força ao qual foi submetido. Estas forças podem agir individualmente, 
porém, mais comumente, tais forças agem combinadamente. São identificadas cinco 
forças que podem agir sobre o osso e provocar sua fratura: a força de compressão 
pode gerar fraturas oblíquas, impactadas ou compressivas; a força de tensão resulta 
numa fratura transversal em relação ao eixo longitudinal do osso; a força de 
cisalhamento age paralelamente à superfície óssea e provoca fratura transversa ou 
oblíqua (por exemplo, as fraturas tipo IV de Salter-Harris); a força de flexão submete 
o osso a elevadas pressões compressivas sobre um lado do osso e elevados 
esforços tênseis sobre a superfície oposta, gerando fraturas transversas, oblíquas 
curtas ou fragmentadas; a força de torção ou rotação gera uma fratura em 
configuração espiral, ocorrendo, principalmente, nos ossos longos. 
Após a ocorrência da fratura, as forças continuam atuando sobre o osso 
fraturado, impedindo ou dificultando o processo de reparação óssea. A ação das 
forças sobre a fratura promove a movimentação indesejada dos segmentos ósseos 
fraturados, o que mantém a instabilidade local e dificulta a revascularização entre os 
fragmentos. A anulação incorreta das forças atuantes sobre a fratura predispõe a 
ocorrência de complicações, como a união retardada ou não união óssea. As forças 
que atuam sobre a fratura e afetam a capacidade de reparação óssea devem ser 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
18 
compreendidas ao serem selecionados os métodos de imobilização e fixação das 
fraturas (Figura 4). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4 – Forças que atuam sobre a fratura: tensão, compressão, flexão 
(arqueamento/angulação), cisalhamento, torção (rotação). 
 
O sistema de estabilização da fratura, que pode ser uma fixação interna ou 
externa, deve neutralizar as forças que agem naquela fratura em particular para 
evitar a movimentação excessiva no local. Quando as forças atuantes sobre a 
fratura são neutralizadas, os tecidos moles são preservados, a integridade vascular 
é mantida e a infecção é prevenida, foram estabelecidas as condições ideais para a 
 
Forças Que Atuam Sobre A Fratura 19 
reparação adequada da fratura. Após a avaliação do paciente e a análise detalhada 
da fratura, serão definidas as forças que atuam no foco da fratura e selecionado o 
implante que irá neutralizá-las. 
A força de rotação (torção) está presente em todas as fraturas, porém, são 
mais atuantes nas fraturas transversas ou oblíquas curtas. Nas fraturas em que 
ocorre interdigitação dos fragmentos ósseos, há uma redução na atuação das forças 
rotacionais. A rotação no local da fratura pode ocasionar não união óssea ou 
provocar deformidades rotacionais da extremidade do membro. 
A força de flexão (arqueamento) promove compressão no lado côncavo da 
diáfise e tensão no lado convexo, fazendo com que os fragmentos fraturados 
instáveis angulem na direção do lado compressivo. O arqueamento no local da 
fratura pode ocasionar deformidade angular do membro após a consolidação óssea. 
É um erro utilizar coaptação externa como suporte auxiliar nas fraturas de úmero ou 
fêmur, como a muleta de Schoroeder-Thomas, pois pode atuar como uma alavanca 
no local da fratura e potencializar a força de arqueamento. 
As forças de cisalhamento são secundárias às forças de compressão axial e 
atuam, principalmente, nas fraturas oblíquas, afastando os segmentos fraturados no 
sentido paralelo à linha da fratura. A neutralização deficiente da força de 
cisalhamento predispõe à deformidade óssea no eixo axial. O pino intramedular 
simples neutraliza parcialmente a força de cisalhamento, sendo sua eficácia 
proporcional ao diâmetro do pino em relação à cavidade medular. 
A força de compressão atua nas fraturas dos ossos longos por ação da 
pressão gerada pela sustentação do peso e pelos músculos que circundam o osso. 
As forças compressivas são benéficas nas fraturas transversas e oblíquas curtas, 
pois mantêm a aposição dos segmentos ósseos e melhoram a estabilidade da 
fratura. Entretanto, nas fraturas oblíquas longas e nas cominutivas, as forças de 
compressão tendem a criar cavalgamento, impactação ou colapso dos fragmentos 
ósseos. Deve-se utilizar um método de fixação que elimine a força compressiva axial 
e mantenha a estabilidade e o comprimento normal do osso. 
As forças detensão resultam na distração dos fragmentos fraturados, sendo 
geralmente, observadas nas extremidades dos ossos longos, onde se originam e se 
inserem tendões e ligamentos. Em geral, estas forças são neutralizadas 
empregando-se o princípio da sutura em banda de tensão. 
Na tabela 1 estão demonstrados os métodos mais comuns e suas 
características em relação à capacidade de neutralização das forças atuantes sobre 
as fraturas. 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
20 
 
Tabela 1 – Métodos de implante para fixação das fraturas e capacidade de 
neutralização das forças. 
Métodos de Implante Tensão Compressão Cisalhamento Flexão Rotação 
Gesso/tala/bandagem - - - + ± 
Pino intramedular simples - - ± + - 
Pino intramedular múltiplo - - ± + ± 
Placa óssea e parafusos + + + + + 
Placa e pino intramedular + + + + + 
Placa e haste intramedular + + + + + 
Haste intramedular bloqueada + + ± + + 
Fio de cerclagem - - +* +* +* 
Parafuso compressivo - - +* +* +* 
Fixador linear externo + + + + + 
Fixador circular externo + + + + + 
+ significa neutralização da força, - significa incapacidade de neutralizar a força, ± significa 
neutralização parcial da força, +* significa que a neutralização é obtida, mas o implante 
não deve ser utilizado como método único de fixação óssea. 
 
 
5 
SELEÇÃO DO MÉTODO DE 
FIXAÇÃO DA FRATURA 
A escolha do método de fixação não deve ser baseada apenas na configuração 
da fratura observada no exame radiográfico pré-operatório, mas outros critérios de 
seleção precisam ser considerados para se alcançar um resultado satisfatório na 
reparação da fratura. A consolidação rápida e progressiva da fratura causa uma 
transferência precoce de carga do implante para o osso em reparação. Porém, a 
consolidação retardada da fratura não possibilita a divisão de cargas entre osso e 
implante, necessitando que o método de fixação apresente resistência e estabilidade 
prolongadas. A escolha do implante para fixação da fratura deve ser baseada em 
fatores mecânicos, biológicos e clínicos. Uma escala de 1 a 10 auxilia na definição 
do método, e os valores baixos representam dificuldade de reparação óssea e 
necessidade de implantes mais rígidos e resistentes, enquanto que os valores 
elevados representam facilidade de reparação óssea e possibilidade de utilização de 
implantes menos rígidos. Na veterinária, fatores como custo e disponibilidade dos 
implantes podem também influenciar na escolha final do método de fixação óssea. 
5.1 FATORES MECÂNICOS 
Os fatores mecânicos que influenciam o processo de reparação da fratura 
incluem o tipo de fratura, o número de membros envolvidos, o porte e a atividade do 
paciente, e a capacidade de distribuição de cargas entre a coluna óssea e o 
implante. O ideal de distribuição de cargas ocorre na fixação das fraturas 
transversas ou oblíquas curtas, pois o eixo axial do osso permanece estável e 
suporta a transmissão de cargas. Nas fraturas cominutivas com falha entre os 
segmentos ósseos principais, a carga inicial é suportada totalmente pelo implante, o 
que aumenta as possibilidades de afrouxamento e fadiga. Os fatores mecânicos que 
devem ser considerados na escolha do método de fixação estão descritos na Tabela 
2. 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
22 
 
Tabela 2 – Fatores mecânicos que devem ser considerados na escolha do 
método de fixação das fraturas. 
 Elevado risco Baixo risco  
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 
Fratura cominutiva Fratura oblíqua/espiral Fratura transversa 
Máximo de carga no 
implante 
Distribuição de carga Pouca carga no implante 
Múltiplos membros 
acometidos 
Doença articular pré-
existente 
Membro único acometido 
Paciente de grande porte Porte médio Paciente de pequeno porte 
 
5.2 FATORES BIOLÓGICOS 
Muitos fatores biológicos podem influenciar a taxa de reparação óssea. A idade 
e o estado de saúde do paciente devem ser considerados como dados importantes 
no manejo das fraturas. Pacientes jovens tem o periósteo ativo e apresentam grande 
capacidade de reparação da fratura, necessitando que o implante exerça sua função 
por um período reduzido. Pacientes idosos e debilitados apresentam reparação 
óssea lenta e precisam de fixação estável da fratura por longo período. Outros 
fatores biológicos incluem fraturas abertas ou fechadas, tipo do impacto agressor, 
extensão da lesão dos tecidos moles, tipo de redução da fratura e dano vascular 
iatrogênico. As fraturas expostas originadas por traumatismos de grande impacto 
(por exemplo, projéteis de arma de fogo) apresentam lesão aos tecidos moles e 
grave destruição óssea. Nesses casos é necessário que o implante atue por longo 
período, até que os tecidos moles e o osso se recuperem. Se a fratura necessitar de 
abordagem cirúrgica aberta, o ideal é realizar a fixação da fratura com mínima 
manipulação dos tecidos moles, preservando o suprimento vascular local. As 
fraturas que ocorrem nas regiões metafisárias e epifisárias geralmente apresentam 
reparação rápida devido à característica osteogênica do osso esponjoso presente 
nessas regiões. Os fatores biológicos que devem ser considerados na escolha do 
método de fixação estão descritos na Tabela 3. 
 
 
 
Seleção do Método de Fixação da Fratura 23 
 
Tabela 3 – Fatores biológicos que devem ser considerados na escolha do 
método de fixação das fraturas. 
 Elevado Risco Baixo Risco  
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 
Animal idoso Animal adulto Animal jovem 
Animal doente Animal saudável 
Lesão acentuada dos tecidos 
moles 
 Lesão discreta dos tecidos moles 
Lesão de alto impacto Lesão de baixo impacto 
Abordagem cirúrgica ampla Abordagem reduzida Abordagem fechada 
 
 
5.3 FATORES CLÍNICOS 
 Os fatores relacionados ao envolvimento e à colaboração do proprietário e a 
cooperação do paciente também devem ser levados em consideração. Proprietários 
que não realizam adequadamente os cuidados pós-operatórios ou que não possuem 
tempo para se dedicar a esta atividade, não podem receber seus cães com 
implantes que demandam dedicação intensa para manutenção e limpeza do 
sistema, como a imobilização externa ou fixadores esqueléticos externos. Placas 
ósseas ou outros métodos de fixação interna são mais indicados para esses casos. 
Além disso, pacientes muito ativos e pouco cooperativos não são bons candidatos 
aos sistemas de imobilização externa, como talas ou bandagens. Também não 
devem ser implantados fixadores externos nesses pacientes, pois há grande chance 
de afrouxamento prematuro dos pinos transfixados. Os fatores clínicos que devem 
ser considerados na escolha do método de fixação estão descritos na Tabela 4. 
 
 
 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
24 
 
Tabela 4 – Fatores clínicos que devem ser considerados na escolha do método 
de fixação das fraturas. 
 Elevado Risco Baixo Risco  
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 
↓ Cooperação do proprietário ↑ Cooperação do proprietário 
↓ Cooperação do paciente ↑ Cooperação do paciente 
Reparação óssea lenta: 
 considerar implante confortável 
 Reparação óssea rápida: 
possível desconsiderar conforto 
Impossibilidade de fisioterapia Realização de fisioterapia 
 
5.4 INTERPRETAÇÃO DA ESCALA PARA SELEÇÃO DO MÉTODO DE FIXAÇÃO 
A escala para a seleção do método de fixação varia de 0 a 10, levando em 
consideração os diversos fatores relacionados anteriormente. Nos escores mais 
altos, a reparação da fratura ocorre mais rapidamente, aumentando as chances de 
sucesso do tratamento. Nos escores mais baixos, os fatores não são favoráveis ao 
processo de consolidação óssea,o que aumenta o tempo necessário de atuação do 
implante e predispõe o aparecimento de complicações. 
 
Escala de 8 a 10 
Pouca carga sobre o implante e adequada distribuição de forças osso-implante. 
Expectativa de reparação óssea rápida e sem complicações. 
Expectativa de curto período de atuação do sistema de fixação. 
Melhor aplicação nas fraturas transversas e oblíquas curtas em animais jovens. 
Sugestão de implantes (Figura 5): 
- Imobilização externa: talas, muletas e bandagens 
- Pino intramedular associado aos fios de cerclagem ou parafusos 
- Fixador esquelético externo do tipo I (possibilidade do uso de pinos lisos) 
- Placa óssea de compressão 
 
 
Seleção do Método de Fixação da Fratura 25 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5 – Exemplos de métodos de fixação para fraturas transversas de 
úmero com escala entre 8 e 10. Fixador esquelético externo 
associado ao pino intramedular (esquerda) ou pino intramedular 
associado ao fio metálico interfragmentar (direita). 
 
Escala de 4 a 7 
Grande carga sobre o implante inicialmente, mas por curto período. 
Reparação óssea moderada: necessidade de boa estabilidade da fratura. 
Distribuição de forças entre osso e implante, após a formação do calo ósseo. 
Aplicação em fraturas oblíquas longas/espirais ou fragmentadas redutíveis. 
Sugestão de implantes (Figura 6): 
- Pinos intramedulares associados aos fios de cerclagem ou parafusos 
- Fixador esquelético externo tipo I ou II (utilizar pinos rosqueados) 
- Combinação fixador externo e pino intramedular (configuração tie-in) 
- Haste intramedular bloqueada 
- Placa óssea de neutralização 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
26 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6 – Exemplos de métodos de fixação para fratura oblíqua longa 
(esquerda) e fragmentada redutível (direita) de úmero com escala 
entre 4 e 7. Fixador esquelético externo conectado ao pino 
intramedular (configuração tie-in) e fios de cerclagem. 
 
Escala de 0 a 3 
Grande carga sobre o implante por longo período. 
Implantes atuam como ponte óssea, evitando colapso dos fragmentos. 
Reparação óssea lenta, com índice elevado de complicações. 
Expectativa de longa atuação do sistema de fixação. 
Fraturas fragmentadas não redutíveis ou com perda óssea. 
Fraturas complexas em animais idosos (considerar enxerto ósseo). 
Sugestão de implantes (Figura 7): 
- Placa óssea em ponte ou placa bloqueada 
- Associação da placa e do pino intramedular (plate-rod) 
- Associação da placa e fixador esquelético externo 
- Associação da placa e da haste intramedular (plate-nail) 
 
Seleção do Método de Fixação da Fratura 27 
- Fixador esquelético externo tipo II ou III 
- Haste intramedular bloqueada 
- Combinação fixador externo e pino intramedular (configuração tie-in) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7 – Exemplos de métodos de fixação para fraturas fragmentadas não 
redutíveis de úmero com escala entre 0 e 3. À esquerda, placa 
óssea em ponte associada ao pino intramedular (plate-rod). À 
direita, fixador esquelético externo conectado ao pino intramedular 
(configuração tie-in). 
 
Outros exemplos dos métodos de fixação óssea em diferentes tipos de fraturas 
do fêmur, levando em consideração a escala de pontuação obtida no processo de 
escolha do método, estão demonstrados nas Figuras 8, 9 e 10. 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
28 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 8 – Exemplos de métodos de fixação para fraturas transversas do 
fêmur, de acordo com a escala de pontuação obtida no processo de 
escolha do método. Na escala de 0 a 3, placa óssea de compressão. 
Na escala de 4 a 7, fixador esquelético externo conectado ao pino 
intramedular (configuração tie-in) e fio ortopédico interfragmentar. 
Na escala de 8 a 10, fixador esquelético externo associado ao pino 
intramedular ou pino intramedular associado ao fio ortopédico 
interfragmentar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Seleção do Método de Fixação da Fratura 29 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 9 – Exemplos de métodos de fixação para fraturas fragmentadas 
redutíveis do fêmur de acordo com a escala de pontuação obtida 
no processo de escolha do método. Na escala de 0 a 3, placa 
óssea de neutralização associada aos parafusos de compressão 
ou fixador esquelético externo conectado ao pino intramedular 
(configuração tie-in) e fios de cerclagem. Na escala de 4 a 7, 
fixador esquelético externo associado ao pino intramedular e fios 
de cerclagem. Na escala de 8 a 10, pino intramedular associado 
aos fios de cerclagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
30 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 10 – Exemplos de métodos de fixação para fraturas fragmentadas 
(cominutivas) não redutíveis do fêmur, de acordo com a escala de 
pontuação obtida no processo de escolha do método. Na escala 
de 0 a 3, placa óssea em ponte associada ao pino intramedular 
(plate-rod) ou fixador esquelético externo conectado ao pino 
intramedular (configuração tie-in). Na escala de 4 a 7, placa óssea 
em ponte, ou fixador esquelético externo conectado ao pino 
intramedular (configuração tie-in), ou haste intramedular 
bloqueada. Na escala de 8 a 10, fixador esquelético externo 
associado ao pino intramedular. 
 
 
 
6 
 
REDUÇÃO DA FRATURA 
Redução da fratura é o processo de recolocação dos fragmentos ósseos 
fraturados o mais próximo possível da sua posição anatômica original. Após a 
fratura, a contração espástica dos grupos musculares inseridos nas extremidades do 
osso provoca o deslizamento e o cavalgamento dos segmentos fraturados, 
promovendo o encurtamento do membro. Inicialmente, a contração é primariamente 
muscular e responsiva à anestesia geral. Após alguns dias, o afastamento 
prolongado dos ossos, associado à reação proliferativa local, dificulta a redução da 
fratura. 
Quando possível, é preferível a redução anatômica dos segmentos fraturados, 
o que possibilita a estabilização adequada quando for aplicado o implante para 
fixação. Entretanto, a aposição anatômica nem sempre é possível ou necessária, 
particularmente nas fraturas da diáfise. Nas fraturas articulares, os fragmentos 
ósseos devem ser anatomicamente reduzidos para restaurar a congruência articular 
e evitar a artrose secundária. As fraturas podem ser reduzidas pela redução fechada 
com a movimentação dos fragmentos, pela redução aberta e reconstrução visual 
direta do osso, ou ainda pela abordagem minimamente aberta. 
6.1 REDUÇÃO FECHADA 
A redução fechada refere-se à redução dos fragmentos ósseos fraturados sem 
exposição cirúrgica do local da fratura. Dificilmente se consegue uma perfeita 
reconstrução anatômica do osso e os objetivos na redução fechada incluem obter o 
alinhamento do membro e manter o comprimento do osso. Deve-se estar atento 
para eliminar as deformidades rotacionais e angulares do segmento ósseo distal. As 
reduções fechadas são mais facilmente realizadas nas regiões abaixo do cotovelo e 
do joelho, devido à menor cobertura muscular e à maior facilidade de palpação das 
estruturas ósseas. 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
32 
 
6.1.1 Indicações, vantagens e desvantagens da redução fechada 
A redução fechada é regra quando os métodos de imobilização externa são 
empregados, comogessos, talas e bandagens. Além disso, pode-se utilizar a 
redução fechada quando se for utilizar fixador esquelético externo ou pino 
intramedular via normógrada. As principais indicações para redução fechada são: 
- fraturas em galho verde ou fraturas incompletas (imobilização externa); 
- fraturas simples com fácil aposição (pino intramedular normógrado); 
- fraturas diafisárias cominutivas (fixador esquelético externo). 
As vantagens da redução fechada incluem: preservação dos tecidos moles e 
do suprimento sanguíneo, o que acelera o processo de reparação da fratura; 
redução do tempo cirúrgico e do risco de infecção. A principal desvantagem é a 
dificuldade de obter adequada reconstrução do osso, sem visualização direta dos 
fragmentos ósseos deslocados. 
6.1.2 Métodos de redução fechada 
O princípio para a realização da redução da fratura é a aplicação lenta e 
contínua de tração nos segmentos do osso. A tração é aplicada durante um período 
de tempo para fatigar os músculos e promover o relaxamento necessário para a 
redução dos fragmentos ósseos. A tração pode ser conseguida por forças manuais 
ou pela ação da gravidade. A tração manual é realizada da seguinte maneira: uma 
corda macia deve ser passada ao redor da região inguinal ou axilar e mantida fixa. 
Outra corda é colocada na região carpiana ou tarsiana e a tração é aplicada em 
sentido oposto à primeira corda. Para se obter tração usando a força da gravidade, o 
animal deve ser posicionado em decúbito dorsal e uma corda macia é colocada na 
extremidade do membro acometido. A corda deve ser amarrada em um suporte 
elevado, ajustando-se para elevar levemente o animal da mesa e provocar, deste 
modo, tração do membro. Ocorrerá relaxamento muscular do membro no período de 
10 a 30 minutos de tração. 
Após a tração para relaxamento muscular, pode ser possível a redução dos 
fragmentos pela manipulação indireta dos segmentos ósseos móveis. São aplicadas 
forças de tração (extensão), contratração, rotação e angulação. Na angulação, os 
fragmentos ósseos principais são angulados, permitindo o contato das corticais 
ósseas (contato em “V”). O ângulo formado pelos ossos é reduzido pela pressão 
digital sobre as extremidades fraturadas, restabelecendo o eixo ósseo (Figura 11). 
 
 
 
 
Redução da Fratura 33 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11 – Redução da fratura por angulação. As extremidades fraturadas do 
osso são anguladas e posicionadas em contato parcial das 
corticais. Pressão é aplicada aos segmentos no sentido de 
restabelecer o eixo axial do osso. 
6.2 REDUÇÃO ABERTA 
A redução aberta refere-se ao uso da abordagem cirúrgica para exposição e 
reconstrução anatômica dos segmentos ósseos fraturados. A exposição cirúrgica 
dos ossos é o método de escolha em muitos casos, especialmente nas fraturas com 
acentuado desvio dos segmentos ósseos e nas fraturas envolvendo a superfície 
articular. Os fragmentos são reduzidos sob visualização direta e mantidos estáveis 
para que algum tipo de implante seja utilizado. 
6.2.1 Indicações, vantagens e desvantagens da redução aberta 
As principais indicações para redução aberta são: 
- fraturas intra-articulares, que sempre necessitam de reconstrução anatômica; 
- fraturas simples (transversas ou oblíquas) que podem ser reconstruídas; 
- fraturas diafisárias cominutivas, com utilização de implantes em ponte; 
- fraturas antigas com dificuldade de redução fechada. 
 
As vantagens da redução aberta incluem: (1) visualização e manipulação direta 
dos fragmentos ósseos, o que facilita a reconstrução anatômica da fratura, (2) 
possibilita a colocação direta de implantes para fixação interna da fratura, como 
placas, fios de cerclagem e parafusos, (3) a reconstrução do eixo ósseo permite 
melhor distribuição das forças entre o implante e o osso, o que resulta em maior 
estabilidade e resistência do sistema de fixação e (4) possibilita a utilização de 
enxerto de osso esponjoso para acelerar o processo de reparação da fratura. 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
34 
A reconstrução anatômica aberta necessita um certo grau de dissecação dos 
tecidos moles para permitir a redução e a fixação dos segmentos fraturados. O 
trauma cirúrgico iatrogênico aos tecidos moles, periósteo e vasos sanguíneos 
retarda o processo de reparação óssea e aumenta o risco de contaminação 
bacteriana. Atualmente, a redução aberta das fraturas tem sido direcionada pelo 
conceito de osteossíntese biológica. 
 
6.2.2 Métodos de redução aberta 
A redução aberta exige conhecimento anatômico e experiência cirúrgica, 
devendo ser respeitados os conceitos fundamentais da técnica operatória. Os 
princípios gerais são: rigorosa hemostasia e irrigação do campo; respeitar as 
separações anatômicas entre os músculos; manipular gentilmente os tecidos moles 
adjacentes; preservar a união dos tecidos moles aos ossos; evitar trauma aos 
músculos, tendões, ligamentos, nervos e vasos; obter exposição suficiente do osso 
fraturado e não eliminar qualquer fragmento ósseo. 
É frequentemente encontrada a presença de vários fragmentos ósseos no local 
da fratura. Caso seja realizada a reconstrução anatômica, os fragmentos ósseos 
grandes, se possível com as inserções dos tecidos moles preservadas, geralmente 
são fixados com parafusos compressivos, fios de cerclagem ou pinos. Os 
fragmentos muito pequenos são manobrados de volta para sua posição, da melhor 
forma possível, pois auxiliam na restauração da massa óssea original e atuam como 
enxerto ósseo autógeno. O sequestro ósseo se forma quando estão presentes 
contaminação e infecção. 
As manobras para a redução aberta da fratura são facilitadas pela possibilidade 
de manipular diretamente os fragmentos ósseos com as mãos ou por meio de pinças 
ósseas de apreensão. Antes da intervenção, é interessante a aplicação lenta e 
contínua de tração no membro acometido para distração dos segmentos ósseos e 
relaxamento muscular. 
Novamente, são aplicadas as forças de tração, contratração, rotação e 
angulação. Para auxiliar na redução das fraturas transversas, pode ser empregada a 
manobra de redução por angulação das extremidades ósseas, já descrita 
anteriormente na figura 11. Outra possibilidade é a manobra de alavanca com o uso 
de instrumentos, como osteótomo, elevador de periósteo ou cabo de bisturi (Figura 
12). Nas fraturas oblíquas longas ou espiraladas, realiza-se a aplicação de forças de 
tração em ambos os segmentos fraturados, usando-se pinça óssea. Após a redução, 
os segmentos tendem ao deslizamento e são mantidos reduzidos temporariamente, 
com auxílio de pinças autoestáticas de ponta fina (Figura 13). 
 
 
Redução da Fratura 35 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 12 – Redução de fratura transversa com auxílio de instrumento 
(osteótomo, elevador de periósteo ou cabo de bisturi). O 
instrumento é colocado entre os segmentos ósseos e atua 
como alavanca para promover a distração e redução da fratura. 
 
 
A compressão excessiva dos segmentos ósseos fraturados pelas pinças de 
apreensão pode provocar fragmentações adicionais. Os ossos devem ser 
inspecionados para presença de fissuras, que devem ser fixados por cerclagens 
antes da redução da fratura (Figura 14). Nas fraturas que apresentam fragmentos 
ósseos redutíveis, eles devem ser primeiramente fixados em um segmento ósseo 
principal e, posteriormente, os dois segmentos ósseos serão alinhados e reduzidos 
(Figura 15). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
36Figura 13 – Redução de fratura oblíqua longa. (A) Aplicação direta de força nos 
fragmentos ósseos com auxílio de pinças de apreensão óssea, 
promovendo a distração e aproximação dos segmentos. (B) 
Mantendo a distração, as extremidades ósseas são pressionadas 
por uma pinça denteada e os segmentos fraturados irão deslizar 
para a posição reduzida. (C) A pinça denteada é posicionada 
perpendicular à linha de fratura e manterá, temporariamente, a 
redução dos fragmentos enquanto aplica-se a fixação. 
 
 
 
 
 
 
 
Redução da Fratura 37 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 14 – Se houver fissuras no segmento ósseo fraturado, a extremidade 
óssea deverá ser, inicialmente, fixada por fios de cerclagem. 
Posteriormente, realizam-se a distração e a redução dos 
segmentos ósseos com auxílio das pinças de apreensão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 15 – Fratura com um grande fragmento ósseo redutível. A reconstrução 
anatômica da fratura é realizada, inicialmente, pela redução do 
fragmento e fixação em um segmento ósseo principal, por meio 
de cerclagens. Formam-se dois segmentos ósseos que são 
reduzidos e estabilizados. 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
38 
A redução das fraturas pode ser auxiliada pelo distrator de fraturas. Os pinos 
de fixação bicorticais são colocados nas metáfises proximal e distal dos segmentos 
fraturados e, então, conectados ao distrator por meio de presilhas. O aparelho 
possibilita o afastamento dos segmentos ósseos principais e permite o acesso ao 
local da fratura para a reconstrução ou a aplicação dos implantes, como placa ou 
fixador externo. Na maioria dos casos, os pinos de fixação são posicionados através 
da pele, exteriormente ao local de abordagem cirúrgica. Algumas deformidades 
angulares desenvolvem-se à medida que a distração progride e elas deverão ser 
corrigidas durante a aplicação da fixação definitiva (Figura 16). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 16 – Aparelho distrator de fraturas aplicado em fratura fragmentada de 
fêmur. Os pinos fixadores são posicionados através de ambas as 
corticais dos segmentos ósseos proximais e distais, 
perpendiculares ao eixo axial. A peça circular distal do aparelho é 
girada em torno da haste rosqueada, causando distração da 
fratura. Quando o comprimento ósseo estiver restaurado, é 
possível reduzir a fratura e empregar o método de fixação 
definitiva. 
 
 
 
 
Redução da Fratura 39 
 
Os pinos intramedulares também podem ser utilizados como distratores de 
fraturas, principalmente nas fraturas do úmero e do fêmur. O pino de Steinmann com 
diâmetro de 50% do canal medular deve ser direcionado através do segmento ósseo 
proximal por via normógrada. Na linha de fratura, o pino com ponta romba é 
direcionado para o canal medular do segmento ósseo distal. O pino é introduzido no 
segmento distal sem aplicação de força rotacional e ao ancorar na região metafisária 
distal promove a distração da fratura (Figura 17). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 17 – Distração de fratura fragmentada de fêmur com pino intramedular. 
O segmento ósseo proximal é estabilizado por uma pinça de 
apreensão enquanto o pino intramedular com introdução 
normógrada é direcionado distalmente sem rotação. Ao ancorar na 
região metafisária distal promove a distração da fratura. 
 
 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
40 
6.3 OSTEOSSÍNTESE BIOLÓGICA 
Atualmente tem-se utilizado o princípio da osteossíntese biológica, na qual a 
redução cirúrgica deve lesar minimamente os tecidos moles adjacentes à fratura. Em 
alguns casos, o implante é fixado ao osso sem a necessidade de reconstrução dos 
fragmentos ósseos e sem interromper o suprimento sanguíneo no local da fratura. A 
manipulação mínima da fratura permite a rápida proliferação vascular e incentiva a 
formação do calo ósseo. Alguns dos princípios da osteossíntese biológica incluem: 
(1) redução indireta da fratura com abordagem cirúrgica mínima, (2) pouca ou 
nenhuma manipulação do hematoma da fratura, (3) realizar osteossíntese com 
implantes em ponte, sem se preocupar com reconstrução anatômica da fratura, e (4) 
evitar o uso de implantes secundários, tais como fios de cerclagem e parafusos 
interfragmentares. 
Uma possibilidade menos agressiva aos tecidos para realização da abordagem 
cirúrgica e redução aberta da fratura é a técnica “abra mas não mexa”. Nesta 
técnica, realiza-se uma abertura mínima no local da fratura, o que possibilita a 
visualização e a manipulação para o adequado alinhamento dos segmentos ósseos 
principais, mas os fragmentos ósseos secundários e o ambiente já formado em torno 
da fratura não são diretamente manipulados. 
As fraturas cominutivas não redutíveis podem ser tratadas pelo método da 
ostessíntese biológica. Nestes casos, os segmentos ósseos principais são 
submetidos à tecnica de distração por meio do aparelho distrator ou pelo pino 
intramedular. O osso acometido é mantido no seu comprimento normal e o eixo 
ósseo é adequadamente realinhado. Sem haver manipulação direta dos fragmentos 
no local da fratura, o osso é estabilizado pela utilização de um fixador esquelético 
externo ou um implante interno em ponte. Nas fraturas complexas é interessante a 
aplicação de enxerto autógeno de osso esponjoso no local da fratura. 
Há ainda a técnica de ostessíntese minimamente invasiva, na qual não se faz a 
abertura cirúrgica diretamente sobre a região da fratura, mas em locais distantes que 
permitem a redução e a fixação óssea. No método de ostessíntese com placa 
minimamente invasiva (MIPO), a fixação interna biológica da fratura é realizada por 
meio da introdução de uma placa óssea através de duas pequenas incisões feitas à 
distância do local da fratura. A placa é deslizada adjacente ao osso em um túnel 
epiperiosteal que liga as duas incisões. Os parafusos da placa são colocados 
através das incisões iniciais ou através de incisões adicionais feitas ao longo dos 
orifícios da placa. Embora tenha sido indicada para fixação das fraturas em todos os 
ossos longos, o método MIPO é tecnicamente mais aplicável na tíbia e no rádio, 
devido à menor massa muscular nestas áreas. Este método demanda mais tempo 
de treinamento cirúrgico para se obter bons resultados e o uso da fluoroscopia ou a 
realização de imagens radiográficas no transoperatório auxilia muito no correto 
posicionamento dos implantes. 
 
 
7 
IMOBILIZAÇÃO EXTERNA 
A imobilização (coaptação) externa inclui o uso de talas, bandagens, muletas, 
tipóias ou moldes rígidos para estabilizar a fratura indiretamente. Os tecidos moles 
permanecem interpostos entre o material relativamente rígido e o osso, promovendo 
uma imobilização pouco estável da fratura. O ortopedista deve assegurar-se de que 
a movimentação no local da fratura ainda está dentro dos limites compatíveis com a 
consolidação óssea. As vantagens da coaptação externa incluem: (1) não requer 
intervenção cirúrgica, diminuindo o risco de infecção e falha dos implantes, (2) 
provoca mínima intervenção no local da fratura, preservando os tecidos moles e a 
vascularização, (3) demanda reduzido tempo anestésico e (4) necessita pouco 
material e possui custo potencialmente mais baixo. 
Nas fraturas expostas e nas fraturas instáveis que necessitam de fixação 
óssea, a imobilização externa deve ser utilizada temporariamente para reduzir 
traumatismos adicionais aos tecidos moles e promover conforto ao paciente. A 
imobilização externa pode ser indicada como método primário de estabilização emfraturas estáveis, como as fraturas em galho verde, fraturas incompletas e fissuras 
ósseas. As fraturas que são sustentadas pelo osso adjacente intacto (fíbula ou ulna) 
geralmente apresentam reparação óssea satisfatória com utilização de coaptação 
externa. As fraturas articulares e as fraturas por avulsão não devem ser tratadas por 
imobilização externa. 
Ao realizar uma imobilização externa é necessário englobar as articulações 
proximal e distal à fratura. Dessa forma, o método está indicado para fraturas distais 
ao cotovelo e ao joelho (Figura 18). Os métodos de coaptação externa 
convencionais são contraindicados nas fraturas do fêmur e do úmero, pois podem 
causar distração dos segmentos ósseos e causar mais danos aos tecidos moles. As 
fraturas em animais jovens tendem a consolidar mais rapidamente, de forma que a 
imobilização externa apresenta resultados mais satisfatórios em animais com idade 
abaixo de um ano. As bandagens, talas e moldes rígidos neutralizam as forças de 
flexão sobre a fratura e não atuam nas forças de rotação, cisalhamento e 
compressão. Dessa forma, esses métodos de imobilização não são indicados para 
fraturas oblíquas longas ou fragmentadas, tendo maior eficácia nas fraturas 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
42 
transversas ou oblíquas curtas. Para ocorrer reparação óssea satisfatória, deve 
haver contato mínimo de 50% entre as extremidades fraturadas após a redução. Em 
geral, as falanges médias e distais dos dedos centrais devem estar expostas para o 
acompanhamento da tumefação e a avaliação da necessidade de remoção imediata 
do sistema de imobilização. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 18 – Comprimento ideal das bandagens, talas ou gessos nas fraturas 
distais ao cotovelo (A e B) e ao joelho (C e D). As regiões das 
fraturas estão demonstradas nas áreas sombreadas em preto (a, 
b, c, e d). As áreas sombreadas em cinza (a’, b’, c’ e d’) indicam o 
comprimento que a coaptação externa deve possuir em relação às 
respectivas áreas de fraturas. 
 
 
As bandagens também podem ser utilizadas nos períodos pré e pós-
operatórios com função de compressão do membro para a redução do edema. Além 
disso, a imobilização externa pode ser empregada após a cirurgia para proporcionar 
suporte adicional quando a fratura foi tratada com fixação interna pouco rígida, com 
o objetivo de auxiliar na neutralização das forças atuantes sobre o osso fraturado. 
Em alguns tipos específicos de fraturas, as tipóias podem ser indicadas no período 
pós-operatório para prevenir o apoio precoce e excessivo do membro e evitar a falha 
do implante. 
 
 
Imobilização Externa 
 
43 
7.1 BANDAGEM DE ROBERT JONES 
A bandagem de Robert Jones é a forma de imobilização externa mais utilizada 
na veterinária. É uma bandagem espessa de algodão que restringe os movimentos 
no foco da fratura e controla o edema. Está indicada, principalmente, como método 
de imobilização temporária em fraturas que serão cirurgicamente fixadas. Pode ser 
empregada, excepcionalmente, como método definitivo de imobilização para 
tratamento de fraturas incompletas em animais jovens. Também pode ser utilizada 
no período pós-operatório das fraturas distais dos membros. A bandagem é ideal 
para imobilizar fraturas abaixo do joelho ou do cotovelo e não deve ser utilizada em 
fraturas do úmero ou do fêmur, pois atuará apenas como uma alavanca no foco da 
fratura, acentuando o deslocamento dos ossos. Apesar do grande volume, essa 
bandagem é confortável e, geralmente, bem tolerada pelo paciente e pode 
permanecer por duas a quatro semanas. A bandagem deve ser trocada quando 
apresentar-se frouxa ou estiver úmida e suja. 
Para aplicação da bandagem de Robert Jones, é importante seguir as 
recomendações de quantidade e tipo de material utilizado. Inicialmente, a lesão 
tecidual é coberta com gaze estéril e duas tiras de esparadrapo são colocadas na 
extremidade distal do membro em superfícies opostas. Em seguida, o membro deve 
ser envolvido pela malha tubular e recoberto pelo algodão ortopédico. Deve-se 
iniciar a aplicação do algodão pela extremidade distal do membro, sendo enrolado 
em sentido proximal com sobreposição de 50% da volta anterior. Várias camadas de 
algodão são necessárias para permitir um bom acolchoamento. A seguir, o membro 
é enfaixado com atadura de crepe e as tiras de esparadrapo que estão na 
extremidade distal do membro são fixadas sobre a bandagem, permitindo que os 
dígitos sejam observados. Em seguida, atadura elástica ou bandagem autoadesiva é 
colocada em torno do membro aplicando pressão moderada (Figura 19). Uma 
rigidez adicional pode ser conseguida pela aplicação de moldura de alumínio ou tala 
moldada sobre a bandagem. 
7.2 TALA CURTA COM SUPORTE RÍGIDO 
As talas curtas rígidas são compostas por suportes de metal, plástico ou 
material rígido para tala. Elas podem ser confeccionadas sobre o membro afetado 
ou podem ser adquiridas prontas para aplicação. De forma geral, as talas moldadas 
sobre o membro afetado são mais efetivas para estabilização das fraturas e 
apresentam menor risco de irritação dos tecidos. A tala curta pode ser utilizada 
como método de imobilização primária em fraturas estáveis. Entretanto, aplica-se 
principalmente às fraturas abaixo do terço médio do rádio e da ulna. Se a tala for 
aplicada no membro pélvico, é necessário certo grau de flexão na região do tarso 
para permitir o apoio. 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
44 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 19 – Aplicação da bandagem de Robert Jones. Inicialmente, as tiras 
adesivas são aplicadas na extremidade do membro (A). Na 
primeira camada, o membro é envolvido pela malha tubular e 
enrolado por camadas de algodão ortopédico (B). Na segunda 
camada, o membro é enfaixado com atadura de crepe ou gaze, e 
as tiras adesivas são giradas e fixadas na bandagem (C e D). Na 
terceira camada, toda a bandagem é comprimida por uma 
atadura elástica autoadesiva (E). 
 
 
 
Imobilização Externa 
 
45 
Para confecção da tala curta, inicialmente são colocadas duas tiras adesivas 
na extremidade distal do membro em superfícies opostas, e o membro é envolvido 
por algumas camadas de algodão ortopédico ou outro material de acolchoamento. A 
seguir, o membro é enfaixado com atadura de crepom ou atadura elástica para 
compressão da camada de algodão. O suporte de metal com espuma ou de plástico 
em canaleta é fixado na superfície palmar do membro, e as tiras adesivas que estão 
na extremidade distal do membro são fixadas sobre a bandagem. Por último, a 
bandagem e o molde rígido são envolvidos por uma camada de atadura elástica 
autoadesiva. 
7.3 TALA LONGA EM ESPIGA 
A tala em espiga envolve o membro acometido e se estende sobre o dorso do 
animal, sendo reforçada por molde rígido. É utilizada, principalmente, para 
imobilização temporária de fraturas do úmero e do fêmur ou como estabilização 
acessória após fixação interna. Pode ser utilizada no membro posterior e região 
pélvica, mas aplica-se, mais efetivamente, no membro anterior e região torácica. As 
talas longas são raramente utilizadas como método primário de estabilização de 
fraturas, a menos que sejam fraturas estáveis em animais jovens. 
Primeiramente, são colocadas duas tiras adesivas na extremidade distal do 
membro em superfícies opostas. O membro acometido e a região dorsal do animal 
são acolchoados com algumas camadas de algodão ortopédico. Inicie o 
acolchoamento pela extremidade do membro, enrolando o algodão em sentido 
proximal até envolver a regiãodorsal. A seguir, o membro é enfaixado com atadura 
de crepe ou atadura elástica aplicando-se compressão moderada. Um molde rígido 
de alumínio, madeira, plástico ou fibra de vidro é confeccionado e aplicado sobre a 
superfície lateral da bandagem, abrangendo desde os dígitos até a linha média 
dorsal. As tiras adesivas são fixadas sobre a bandagem e uma última camada de 
atadura elástica autoadesiva é aplicada sobre o membro e região dorsal para fixar o 
molde rígido e proteger a tala (Figura 20). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
46 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 20 – Aplicação da tala longa em espiga no membro torácico. 
Inicialmente, as tiras adesivas são aplicadas na extremidade 
do membro. Na primeira etapa, o membro e a região torácica 
são acolchoados por camadas de algodão ortopédico. Em 
seguida, o membro é enfaixado com atadura de gaze ou 
atadura elástica (A). O molde rígido em alumínio é 
confeccionado e posicionado na região lateral do membro e 
dorso. As tiras adesivas são fixadas na bandagem e uma 
última camada de atadura elástica autoadesiva é aplicada 
sobre todo o conjunto (B). 
 
Imobilização Externa 
 
47 
 
7.4 MULETA DE SCHROEDER-THOMAS 
A muleta (tala/aparelho) de Schroeder-Thomas pode ser utilizada como método 
único de estabilização em fraturas estáveis distais ao joelho e ao cotovelo, como 
imobilização temporária no período pré-cirúrgico ou das fraturas expostas, ou ainda 
como imobilização adicional após fixação interna. Permite a imobilização do membro 
em ângulos funcionais, sendo muito utilizada após cirurgias articulares e 
ligamentares. Pode ser moldada para o membro torácico ou pélvico e utiliza tração 
para manter o alinhamento da fratura. Não está indicada para a imobilização única 
das fraturas do fêmur ou do úmero, pois a muleta pode atuar como uma alavanca no 
local da fratura e desestabilizar os segmentos ósseos. A muleta de Thomas foi 
amplamente utilizada no passado; atualmente vem sendo substituída pelas 
bandagens e talas. 
A muleta de Thomas requer habilidade para ser confeccionada e precisa ser 
adaptada a cada paciente. É moldada a partir de uma barra de alumínio e as 
medidas do aparelho podem ser feitas, inicialmente, baseando-se no membro 
contralateral normal. No centro da barra de alumínio, é moldado um anel de 
diâmetro que se adapte à base do membro. A base do anel é angulada para evitar 
pressão excessiva sobre a região inguinal e vasos femorais. O anel é acolchoado e 
adaptado à região inguinal ou axilar, e a barra é moldada de acordo com a 
angulação do membro em posição quadrupedal. A extremidade do membro é fixada 
à parte distal da muleta por meio de tiras adesivas, devendo manter o membro 
estendido o suficiente para adequada coaptação óssea. Ao longo da muleta, o 
membro é fixado por tiras adesivas, evitando o movimento dos fragmentos e 
mantendo a angulação neutra das articulações (Figura 21). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
48 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 21 – Confecção da muleta de Schroeder-Thomas. Mensuração do 
diâmetro da região inguinal (A). A barra de alumínio é curvada 
em uma volta e meia, formando um anel central (B). A parte 
inferior do anel é curvada em ângulo de 45º e toda a 
circunferência do anel é acolchoada (C). A muleta é aplicada ao 
membro e a haste cranial da barra é moldada ao membro em 
angulação de estação. Distalmente, as hastes da barra são 
dobradas e firmemente unidas. A extremidade do membro é 
fixada à parte distal da barra por meio de fitas adesivas, 
mantendo os dígitos flexionados para simular posição de apoio 
(D). O membro é fixado ao aparelho com fitas adesivas e 
ataduras de gaze (E e F). A muleta também pode ser 
confeccionada para o membro torácico (G). 
 
 
Imobilização Externa 
 
49 
7.5 MOLDES RÍGIDOS 
Os moldes rígidos utilizados para imobilização externa podem ser 
confeccionados com gesso, fibra de vidro ou material termoplástico. Podem ser 
utilizados como imobilização primária em fraturas estáveis e aplicam-se, 
principalmente, às fraturas distais às articulações do joelho e do cotovelo. Também 
podem ser empregados como imobilização adicional após fixação interna da fratura. 
São moldados sobre o membro fraturado à medida que são aplicados. O membro 
deve ser acolchoado antes da aplicação dos moldes rígidos, evitando a maceração e 
a escarificação da pele. 
Ataduras com Gesso: As ataduras gessadas foram amplamente utilizadas na 
ortopedia veterinária e apresentam como vantagens a facilidade de aplicação, a boa 
moldabilidade e o baixo custo. Contudo, o gesso demora cerca de oito horas para 
secar, é pesado e relativamente radiodenso. O animal deve estar anestesiado para 
aplicação do gesso. Tiras adesivas são fixadas na extremidade distal do membro em 
superfícies opostas. O membro é envolvido pela malha tubular e acolchoado com 
algodão ortopédico ou acolchoamento de polipropileno. Sobre o algodão ortopédico 
é aplicada uma camada de atadura de gaze para a manutenção do acolchoamento 
no membro. A atadura de gesso é mergulhada em água morna e enrolada ao 
membro fraturado a partir da extremidade distal. Em geral, três camadas de gesso 
são suficientes para promover resistência à atadura. A resistência do material é 
proporcional à sua espessura, entretanto, as ataduras gessadas não devem ser 
aplicadas em excesso devido ao peso que apresentam. Deve-se moldar o gesso 
adequadamente às saliências e depressões ósseas do membro, evitando a 
frouxidão da atadura após a redução do edema. Para acabamento, a malha tubular 
é dobrada na parte proximal e distal do membro e as tiras adesivas são dobradas e 
fixadas sobre o gesso. Quando o gesso estiver seco, pode-se aplicar uma camada 
de atadura de gaze ou atadura autoadesiva para proteção. É importante que os 
dígitos centrais fiquem visíveis para verificação de problemas circulatórios. 
Além do gesso natural (gesso-de-paris), outras modalidades de materiais para 
moldes rígidos têm sido empregadas nos últimos anos. Os novos materiais sintéticos 
não perdem a resistência na presença de umidade, porém, possuem custo mais 
elevado que o gesso. As ataduras de material sintético são aplicadas no membro 
fraturado de forma semelhante à atadura gessada. O material termoplástico é mais 
resistente e leve que o gesso, entretanto, requer temperatura elevada para ser 
ativado e apresenta dificuldade de moldagem em pequenos membros. O tempo de 
endurecimento é de 8 a 10 minutos. Outra opção é a fibra de vidro, que apresenta 
boa resistência, leveza e permite adequada moldagem do material. O tempo de 
endurecimento é de 3 a 5 minutos e possui a vantagem de ser relativamente 
radioluscente. 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
50 
A remoção frequente dos moldes rígidos não é desejável por provocar 
instabilidade dos segmentos fraturados e causar perda da redução anatômica. Se 
houver necessidade de trocas constantes das ataduras rígidas, pode ser 
confeccionado um molde bipartido. Após o endurecimento do material, o molde 
cilíndrico é dividido longitudinalmente nas faces lateral e medial, empregando-se 
uma serra oscilatória. Dessa maneira, obtém-se um molde rígido com duas metades, 
que são aplicadas ao membro acolchoado e fixadas no local com fitas adesivas e 
ataduras elásticas. 
7.6 CUIDADOS APÓS APLICAÇÃO DA IMOBILIZAÇÃO EXTERNA 
Após a aplicação da imobilização externacomo método primário de 
estabilização de uma fratura, deve-se realizar o exame radiográfico para verificar a 
redução da fratura e o alinhamento dos segmentos ósseos. O animal deve ser 
mantido em repouso e alojado em local adequado. As bandagens, talas e ataduras 
devem ser mantidas secas e limpas. Caso o animal seja levado em ambiente 
molhado ou úmido, deve-se colocar, temporariamente, um saco plástico sobre o 
membro imobilizado para manter o material seco. Os proprietários devem ser 
instruídos para avaliar duas vezes ao dia os dedos expostos, observando se os 
dígitos estão tumefeitos. Se houver comprometimento circulatório, a coaptação 
externa deve ser removida imediatamente. Deve-se observar diariamente quanto à 
presença de secreções, odor fétido, edema acentuado, frouxidão do sistema ou 
mordeduras e lambidas obsessivas no local. Tais sinais indicam a necessidade de 
remoção do mecanismo de imobilização e avaliação dos tecidos moles. O sistema 
de imobilização externa deve ser reavaliado pelo veterinário pelo menos uma vez 
por semana. Se o animal estiver tolerando bem o sistema e este ainda estiver 
funcional, deve ser mantido intacto até a época apropriada para sua remoção. 
7.7 POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES DA IMOBILIZAÇÃO EXTERNA 
A imobilização externa pode ser muito útil na estabilização temporária ou 
definitiva de fraturas, mas há algumas possíveis complicações relacionadas ao 
método. 
- Afrouxamento, soltura ou remoção do sistema: bandagens, talas e gessos 
quase sempre necessitam de troca durante o curso do tratamento, em especial se 
aplicados em membros edemaciados. Quando há redução do edema, o dispositivo 
de imobilização torna-se frouxo e deve ser refeito. O uso de colar elizabetano 
impede a interferência do animal no método de imobilização, evitando a remoção 
precoce do sistema. 
 
Imobilização Externa 
 
51 
- Problemas com tecidos moles: podem ocorrer maceração de pele e escaras 
por compressão. A maceração de pele pode ocorrer quando há excesso de 
acolchoamento, levando ao afrouxamento e ao deslizamento do sistema sobre a 
pele. As pontas livres e não acolchoadas das ataduras, talas e moldes rígidos 
podem provocar ferimentos na pele nas extremidades proximal e distal do membro. 
As escaras por compressão ocorrem quando não há acolchoamento adequado sob 
o dispositivo de imobilização. Algodão ortopédico ou feltro de acolchoamento devem 
ser aplicados em quantidade suficiente para evitar as escaras, principalmente sobre 
as proeminências ósseas. Em alguns animais, as fitas adesivas fixadas diretamente 
na pele da extremidade distal do membro podem causar dermatite. O edema do 
membro pode estar presente devido ao fator traumático ou pode ser ocasionado por 
uma bandagem aplicada com compressão excessiva. O edema do membro revelado 
pela tumefação dos dígitos aparentes indica a necessidade de remoção do sistema 
de imobilização para se evitar a necrose por compressão. 
- Problemas relacionados à imobilização prolongada: quando o membro é 
imobilizado por longo período, geralmente por mais de seis semanas, pode ocorrer a 
síndrome da fratura doente, caracterizada por degeneração muscular e ligamentar, 
rigidez e degeneração articular, aderência dos tecidos moles, contratura muscular e 
osteopenia. 
- União retardada e não união óssea: esse tipo de complicação ocorre com 
mais frequência nas imobilizações externas do que nas fixações internas, e 
acontecem invariavelmente como resultado da instabilidade da fratura. Geralmente 
ocorrem quando a imobilização externa é incorretamente indicada para as fraturas 
muito instáveis. 
- Má união óssea: resulta da redução inadequada ou da imobilização incorreta 
da fratura, durante o processo de consolidação. A consolidação óssea irregular pode 
ocasionar desvios angulares ou rotacionais. As deformidades mais graves podem 
afetar a função do membro e ocasionar doença articular degenerativa. Quando há 
efeitos deletérios sobre a locomoção do animal, a má união deve ser tratada com 
osteotomia corretiva. 
 
 
8 
FIXAÇÃO ESQUELÉTICA 
EXTERNA 
A fixação esquelética externa (FEE) é uma técnica versátil de estabilização das 
fraturas, que pode ser utilizada como fixação primária ou como imobilização 
temporária. Consiste na aplicação de pinos transcorticais percutâneos nas regiões 
proximal e distal da fratura, que são conectados aos dispositivos externos de 
fixação. Os fixadores externos neutralizam as forças atuantes sobre a fratura e são 
indicados para fraturas diafisárias de ossos longos e mandíbula. São especialmente 
utilizados nas fraturas cominutivas, expostas ou contaminadas, pois permitem a 
fixação óssea em pontos distantes da fratura e possibilitam a manipulação dos 
tecidos moles no local da lesão. A FEE também pode ser utilizada nas osteotomias 
corretivas, na imobilização articular temporária e nas artrodeses. Possui aplicação 
limitada para fraturas articulares, devido à área óssea restrita para aplicação dos 
pinos transósseos. Esse sistema de fixação pode ser utilizado após redução aberta 
ou fechada da fratura, podendo ser aplicado com mínima intervenção no local da 
fratura. É um método de aplicação relativamente fácil e que apresenta custo 
razoável. Nas desvantagens da FEE estão incluídas as complicações com tecidos 
moles, a aplicação limitada na parte proximal do membro e a necessidade de 
cuidados intensos no pós-operatório. 
8.1 COMPONENTES DO FIXADOR EXTERNO LINEAR 
Os componentes do sistema de fixação esquelética externa são os pinos de 
fixação, as presilhas (clampes) e as barras de conexão (Figura 22). Os pinos de 
fixação são ancorados internamente ao osso e externamente a uma barra de 
conexão com presilhas, ou a uma barra de acrílico. O aparelho de Kirschner-Ehmer 
é o mais utilizado na ortopedia veterinária, sendo disponível em diferentes 
tamanhos. Atualmente, outros sistemas de fixação externa estão sendo 
desenvolvidos para a ortopedia de pequenos animais, melhorando a biomecânica do 
implante e facilitando a metodologia de aplicação. 
 
Fixação Esquelética Externa 
 
53 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 22 – Componentes do sistema de fixação esquelética externa. 
Configuração unilateral uniplanar (tipo IA) com seis meios pinos 
de fixação unidos à barra de conexão pelos clampes simples. 
 
8.1.1 Pinos de fixação 
Dependendo do tipo de FEE construída, os pinos podem ser colocados por 
uma superfície do membro, passam através da pele e são ancorados em ambas as 
corticais ósseas. Outra possibilidade são os pinos atravessarem a superfície externa 
do lado oposto, sendo confeccionado um fixador bilateral. No primeiro caso trata-se 
de uma fixação uniplanar e denomina-se meio pino; no segundo caso, denomina-se 
pino completo. Os pinos podem ser lisos, como os pinos de Steinmann e totalmente 
ou parcialmente rosqueados. Os pinos parcialmente rosqueados podem apresentar 
rosca terminal para os sistemas unilaterais, ou rosqueamento central para os 
sistemas bilaterais. Os pinos rosqueados oferecem melhor estabilidade na interface 
pino-osso, entretanto, os pinos com rosca de perfil negativo apresentam um ponto 
de fragilidade ao estresse na junção da parte lisa com a parte rosqueada, tornando o 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
54 
pino suscetível à quebra. Pode-se reduzir este efeito de carga sobre a área frágil do 
pino colocando-se a junção no interior da cavidade medular (Figura 29). Os pinos 
com rosca de perfil positivo são mais resistentes e oferecem melhor fixação na 
cortical óssea. Com frequência, a associação de pinos rosqueados e de pinos lisos éutilizada para a montagem de um sistema de fixação externa. Há, ainda, os pinos 
com roscas mais estreitas próprias para osso cortical e pinos com roscas mais 
amplas adequadas para osso esponjoso. 
8.1.2 Presilhas ou clampes 
As presilhas ou clampes unem os pinos de fixação às barras de conexão. Os 
tipos disponíveis são baseados nos aparelhos de Kirschner-Ehmer e são 
comercializados em kits com tamanhos padronizados. Os clampes simples são 
usados para ancorar cada pino de fixação a uma barra de conexão. Possuem dois 
orifícios deslizantes e rotacionáveis em dois eixos, um para o pino de fixação e outro 
para a barra de conexão. Onde duas barras de conexão precisam ser conectadas a 
uma terceira barra, são utilizados os clampes duplos. O desenho dessas presilhas 
permite a construção de múltiplas armações. Nos sistemas de fixação mais 
modernos, as presilhas podem ser inseridas ou removidas das barras de conexão 
em qualquer momento. 
8.1.3 Barras de conexão 
As barras ou hastes atuam na conexão externa dos pinos de fixação, 
fornecendo estabilidade ao sistema. As barras podem ser de aço, alumínio ou 
acrílico. As barras são comercializadas em kits de três ou quatro tamanhos 
diferentes e, geralmente, são utilizadas como hastes retas. A barra de alumínio é 
mais leve que a barra de aço e possui maior diâmetro, o que pode gerar mais 
estabilidade ao aparelho de fixação. O uso de armações com duas barras de 
conexão entre os feixes de pinos enrijece significativamente os fixadores externos 
do tipo unilateral uniplanar. A barra de conexão pode ser moldada a partir de acrílico 
polimerizável (polimetilmetacrilato). O acrílico é aplicado diretamente sobre a ponta 
dos pinos e pode ser moldado com a angulação desejada. Oferece boa resistência 
ao aparelho fixador e apresenta custo reduzido quando comparado às barras de 
metal. 
 
 
 
 
Fixação Esquelética Externa 
 
55 
8.2 CONFIGURAÇÕES DOS FIXADORES EXTERNOS LINEARES 
Os modelos de fixadores são classificados tradicionalmente nos tipos I, II e III, 
de acordo com a quantidade de lados do osso em que forem colocadas as barras de 
conexão. São também classificados como uni ou bilaterais e como uni ou biplanares. 
8.2.1 Fixador unilateral uniplanar (tipo IA) 
O aparelho fixador é aplicado em apenas um lado do membro. São utilizados 
meios pinos que atravessam a pele de um lado e penetram no osso atingindo as 
duas corticais (Figura 22). O tipo IA é aplicado, geralmente, na superfície lateral do 
fêmur e do úmero, onde a configuração bilateral não é possível. É a configuração 
menos resistente dos sistemas de fixação externa. O sistema de fixação unilateral 
uniplanar pode ter a sua rigidez aumentada pela aplicação de uma segunda barra de 
conexão (Figura 23). 
8.2.2 Fixador unilateral biplanar (tipo IB) 
Resulta da combinação de duas armações do tipo IA. Os conjuntos unilaterais 
são aplicados em ângulo de 60º a 90º entre eles e podem ser unidos proximal e 
distalmente (Figura 24). Em relação às forças axiais, essa configuração é mais 
resistente do que o modelo IA e mais fraca do que os modelos bilaterais. O tipo IB é 
mais utilizado nas superfícies do rádio e da tíbia, mas também pode ser utilizado no 
fêmur e no úmero. 
8.2.3 Fixador bilateral uniplanar (tipo II) 
Os fixadores são aplicados em dois lados do membro, geralmente nos planos 
medial e lateral. Devido à disposição bilateral, essa configuração é comumente 
utilizada nas fraturas distais ao joelho e ao cotovelo. Podem ser utilizados pinos 
inteiros (tipo IIA) ou pinos inteiros associados com meios pinos (tipo IIB). É um 
sistema que oferece boa resistência, principalmente quando são utilizados somente 
pinos inteiros (Figura 25). 
8.2.4 Fixador bilateral biplanar (tipo III) 
Resulta da combinação de uma armação do tipo II com uma armação do tipo I. 
O sistema fixador do tipo II é aplicado nas superfícies medial e lateral do membro, 
enquanto um sistema fixador do tipo I é aplicado na superfície cranial. Os dois 
conjuntos são unidos entre si proximal e distalmente (Figura 26). É utilizado, 
principalmente, nas fraturas da tíbia e do rádio. Essa configuração apresenta grande 
resistência e rigidez, porém, é mais complexa e cara. É utilizada em situações de 
extrema instabilidade da fratura e quando se espera consolidação óssea lenta. 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
56 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 23 - Fixador esquelético externo com configuração unilateral uniplanar 
(tipo IA). O sistema foi utilizado em fratura fragmentada do úmero, 
com três meios pinos de fixação em cada segmento ósseo 
principal, atingindo ambas as corticais. A barra de conexão dupla 
proporciona melhor estabilidade ao sistema de fixação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fixação Esquelética Externa 
 
57 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 24 - Fixador esquelético externo com configuração unilateral biplanar 
(tipo IB). O sistema foi utilizado em fratura transversal do rádio. 
Os conjuntos unilaterais foram aplicados com ângulo de 90º entre 
eles e foram unidos proximal e distalmente. Os meios pinos 
devem atravessar as duas corticais ósseas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
58 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 25 - Fixador esquelético externo com configuração bilateral uniplanar 
(tipo IIA). O sistema foi utilizado em fratura cominutiva da tíbia, 
com três pinos inteiros de fixação em cada segmento ósseo 
principal. As barras de conexão são fixadas nas superfícies lateral 
e medial do membro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fixação Esquelética Externa 
 
59 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 26 - Fixador esquelético externo com configuração bilateral biplanar 
(tipo III). O sistema foi utilizado em fratura do rádio. Um sistema 
fixador do tipo II foi aplicado nas superfícies medial e lateral do 
membro. Um fixador do tipo I foi aplicado na superfície cranial. Os 
dois conjuntos são unidos entre si proximal e distalmente. 
 
 
 
 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
60 
 
8.3 FIXADORES EXTERNOS CIRCULARES (FORMA DE ANEL) 
O sistema de fixação externa circular pode ser usado para proporcionar 
compressão ou distração nos segmentos ósseos, transportar segmentos ósseos, 
corrigir deformidades angulares ou ainda para alongamento do membro. Embora o 
sistema circular possa ser usado para estabilizar fraturas cominutivas, há a 
possibilidade de se empregar técnicas mais simples que são igualmente eficazes. 
Os fixadores circulares são mais caros, pesados e complexos do que os fixadores 
externos convencionais e têm aplicação mais específica nas alterações ósseas 
principalmente do rádio e da tíbia. Os fixadores circulares apresentam estabilidade e 
resistência comparáveis às do fixador bilateral biplanar. 
Os fixadores externos circulares, como os baseados no sistema Ilizarov, 
compõem-se de elementos circulares em forma de anel ou semianel que envolvem o 
membro. Os anéis são conectados entre si externamente por barras de conexão 
rosqueadas paralelas. Os pinos (fios) de fixação atravessam o segmento ósseo e 
alcançam a rigidez necessária por meio de tração à medida que são anexados aos 
anéis. Os pinos de fixação são flexíveis e de diâmetro reduzido (1 ou 1,5 mm), e são 
tensionados por uma carga proporcionalao porte do animal (Figura 27). 
8.4 FIXADORES EXTERNOS HÍBRIDOS 
Os fixadores externos híbridos são uma combinação dos fixadores circulares 
com os fixadores lineares. Os fixadores híbridos são indicados em casos de fratura 
com segmentos ósseos curtos ou justarticulares, que dificultam a utilização dos 
pinos de fixação de um sistema linear convencional. O anel estabiliza o pequeno 
segmento ósseo com dois ou três pinos (fios) de fixação. Os pinos de fixação são 
flexíveis e de pequeno diâmetro e alcançam a rigidez necessária por meio de tração 
à medida que são anexados aos anéis ou semianéis. As extremidades das barras de 
conexão externa são rosqueadas e fixadas no anel. Os pinos de fixação são 
inseridos no segmento ósseo maior e fixados à barra de conexão por meio de 
clampes, conforme as indicações para um fixador linear. A armação híbrida do tipo 
IA utiliza apenas uma barra de conexão acoplada ao anel e possui aplicação 
principalmente para as fraturas distais de fêmur e úmero. A armação híbrida do tipo 
IB utiliza duas barras conectoras externas e possui aplicação principalmente para 
tíbia e rádio. 
 
 
 
Fixação Esquelética Externa 
 
61 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 27 - Fixador esquelético externo circular. O sistema foi utilizado em uma 
fratura no terço médio da diáfise tibial. No segmento ósseo distal 
foram utilizados dois anéis e no segmento ósseo proximal foi 
utilizado um anel e um semianel, este último devido à proximidade 
com a articulação. Os anéis foram conectados entre si por meio de 
três barras de conexão rosqueadas através dos orifícios dos anéis. 
Foram utilizados dois fios de fixação por anel, que devem ser 
inseridos no osso tentando manter uma angulação mais próxima de 
90° entre eles. Os fios de fixação foram tensionados e fixados aos 
seus respectivos anéis. 
 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
62 
 
8.5 FUNDAMENTOS DA APLICAÇÃO DOS FIXADORES EXTERNOS LINEARES 
O fixador externo deve ser aplicado de forma que preserve a estabilidade na 
interface pino-osso. O afrouxamento precoce dos pinos de fixação é uma 
complicação pós-operatória muito comum e precisa ser evitada. A consolidação 
óssea progride normalmente somente quando a fratura e a interface implante-osso 
permanecem estáveis após a fixação. Alguns fatores influenciam significativamente 
a resistência e a rigidez do sistema de fixação externa: configuração do fixador e tipo 
dos pinos utilizados, número e diâmetro dos pinos, inserção e posicionamento dos 
pinos, fixação das barras, tipo e número das barras. 
A escolha da configuração do sistema de fixação externa deve ser baseada na 
escala para seleção do método. Quanto menor a pontuação na escala de avaliação, 
mais longo será o período para a reparação óssea e mais tempo o aparelho de 
fixação irá atuar como estabilizador da fratura, devendo ser utilizada uma 
configuração externa mais resistente. A resistência e a rigidez do sistema aumentam 
de forma crescente na seguinte sequência de configurações: tipo IA, tipo IB, tipo II e 
tipo III (Figura 28). Os fixadores bilaterais são duas vezes mais rígidos do que os 
fixadores unilaterais. As armações médias são 85% mais resistentes do que as 
armações pequenas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fixação Esquelética Externa 
 
63 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 28 – Configurações de fixadores esqueléticos externos em fratura 
transversa de tíbia. Configuração unilateral uniplanar (tipo IA) 
em A, B e C. Em A foram utilizados apenas dois meios pinos por 
cada segmento ósseo principal; em B foram utilizados três 
meios pinos por segmento ósseo principal; em C foram 
utilizados três meios pinos por segmento ósseo principal e 
duas barras de conexão. Configuração bilateral uniplanar (tipo 
IIA) em D, com utilização de três pinos inteiros em cada 
segmento ósseo principal. Com base na resistência e na rigidez 
dos sistemas de fixação, a classificação é crescente de A para 
D. 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
64 
A resistência do sistema de fixação aumenta à medida que aumentam a 
quantidade e o diâmetro dos pinos de fixação e barras de conexão. Para conseguir 
estabilidade do sistema, devem-se aplicar, no mínimo, dois pinos de fixação por 
segmento ósseo principal. O ideal é que se consiga inserir três ou quatro pinos por 
fragmento ósseo proximal e distal à fratura. O diâmetro dos pinos influencia a rigidez 
do sistema, pois quanto mais fino o pino maior a sua flexibilidade, e maior a 
micromovimentação na interface pino-osso. Pinos largos são mais rígidos e 
promovem melhor estabilidade ao aparelho fixador, entretanto, o diâmetro do pino 
não deve exceder de 20% a 25% do diâmetro do osso. Os pinos rosqueados 
possuem maior poder de fixação do que os pinos lisos, e os pinos com perfil de 
rosqueamento positivo oferecem maior resistência do que os pinos com perfil de 
rosqueamento negativo. Nas configurações do tipo II e III, pinos com perfil positivo 
centralmente rosqueados são aconselháveis no mínimo para os pinos inteiros mais 
proximais e mais distais da armação. 
Devido à sua versatilidade, o fixador externo presta-se tanto para abordagem 
aberta da fratura com reconstrução anatômica do osso, quanto para abordagem 
fechada ou aberta mínima com redução direcionada para o alinhamento do osso e 
pouca ou nenhuma redução dos fragmentos ósseos. A última representa a 
osteossíntese biológica, que deve ser a primeira opção, sempre que possível. Após 
a redução da fratura, os pinos são inseridos sem lesionar os tecidos moles. Uma 
pequena incisão de pele deve ser realizada no local da inserção do pino. Deve-se 
evitar inserir os pinos através da incisão cirúrgica e, principalmente, sobre áreas 
desvitalizadas e contaminadas. Quando possível, os pinos não devem ser inseridos 
através de grandes grupos musculares, mas devem ser posicionados entre os 
ventres dos músculos. Os pinos de fixação não devem provocar distorção nos 
tecidos moles e incisões liberadoras na pele podem ser realizadas para permitir que 
a pele retorne à sua posição anatômica. 
Os pinos de fixação devem ser inseridos com furadeira elétrica ou pneumática 
em baixa rotação (até 150 rpm). Se os pinos forem inseridos em alta rotação ou sob 
pressão excessiva poderá ocorrer necrose térmica do osso e resultar em 
afrouxamento precoce dos pinos. A introdução dos pinos com perfurador manual 
deve ser evitada, pois provoca oscilação durante a inserção e os orifícios ósseos 
tornam-se mais largos do que os pinos, resultando em frouxidão e soltura do 
sistema. Os pinos podem ser inseridos diretamente no osso e aqueles com ponta 
longa em forma de trocarte são preferíveis por favorecerem a perfuração do osso 
cortical. Também se pode realizar uma perfuração prévia do osso, criando-se um 
orifício piloto. Para isso, utiliza-se uma broca de diâmetro 20% menor do que o 
diâmetro do pino de fixação. Alternativamente, o orifício piloto pode ser perfurado 
usando pino liso ou fio de Kirschner. Os pinos com perfil de rosqueamento positivo 
devem ser inseridos em orifícios pré-perfurados. 
 
Fixação Esquelética Externa 
 
65 
Os pinos devem ser inseridos no centro do osso (no maior diâmetro ósseo) 
para maximizar a distância entre a primeira e a segunda cortical e favorecer a 
estabilização do pino dentro do osso. Todos os pinos devem ser fixados nas duas 
corticais ósseas, e nos meios pinos a ponta do pino deve ultrapassar a segunda 
corticalem 2 a 3 mm (Figura 29). O pino de fixação mais proximal e o mais distal 
são usualmente colocados primeiro em suas respectivas metáfises e a barra de 
conexão é fixada. Os clampes são previamente colocados na barra de conexão e os 
pinos restantes são inseridos nos segmentos ósseos. Os pinos de fixação devem ser 
distribuídos ao longo da diáfise óssea e devem ser inseridos no mesmo plano 
longitudinal para permitir a colocação da barra de conexão (Figura 30). Quando os 
pinos são colocados próximos à fratura há um ganho na estabilidade mecânica do 
sistema, entretanto, os pinos devem respeitar uma distância de 2 cm da linha da 
fratura ou uma distância mínima equivalente à medida do diâmetro ósseo na altura 
do terço médio da diáfise (Figura 31). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 29 – Inserção dos pinos de fixação óssea. Em A, foi inserido um pino 
completo para configuração do tipo II. O pino foi inserido 
transversal ao eixo ósseo e apresenta o rosqueamento central 
alcançando as duas corticais. Em B, foi inserido um meio pino 
para configuração do tipo I. O meio pino foi inserido angulado em 
relação ao eixo ósseo, sendo fixado nas duas corticais. A ponta 
do pino deve ultrapassar a segunda cortical em 2 ou 3 mm. Se for 
utilizado um pino com rosca de perfil negativo, a junção da parte 
rosqueada com a parte lisa do pino deve permanecer no interior 
do canal medular. 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
66 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 30 – Aplicação do fixador esquelético externo com configuração do tipo 
IA em fratura oblíqua de tíbia. Inicialmente, a fratura é reduzida e 
mantida estável durante o procedimento de fixação. Os meios 
pinos proximal e distal são inseridos no osso (A). Os clampes são 
previamente montados na barra de conexão (B). A barra é fixada 
aos meios pinos proximal e distal por meio dos clampes. Os 
meios pinos restantes são inseridos através dos orifícios dos 
clampes e direcionados para perfuração óssea (C). A barra de 
conexão é ajustada aos meios pinos de fixação e os clampes são 
apertados (D). 
 
 
Os pinos rosqueados permanecem estáveis por mais tempo do que os pinos 
lisos. Quando forem utilizados pinos lisos, eles devem ser inseridos no ângulo de 70º 
em relação ao eixo longitudinal do osso (Figura 32). Essa angulação não é 
importante para pinos rosqueados. Os pinos lisos inseridos em angulação 
proporcionam melhor rigidez ao aparelho fixador, entretanto, os sistemas são mais 
resistentes às forças axiais quando os pinos de fixação estão dispostos 
perpendicularmente ao eixo longo do osso. 
 
 
 
Fixação Esquelética Externa 
 
67 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 31 - Fixador esquelético externo com configuração tipo IIB em fratura 
transversa de tíbia. Foram utilizados pinos completos nas 
extremidades ósseas e meios pinos ao longo da diáfise tibial. Os 
pinos inseridos mais próximos à fratura devem respeitar uma 
distância de 2 cm da linha da fratura ou uma distância mínima 
equivalente à medida do diâmetro ósseo no terço médio da 
diáfise. 
 
 
 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
68 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 32 - Fixador esquelético externo com configuração tipo IA em fratura 
transversa de tíbia. Para melhorar a rigidez do aparelho fixador, os 
meios pinos lisos de fixação foram inseridos no ângulo de 70º em 
relação ao eixo longitudinal do osso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fixação Esquelética Externa 
 
69 
Após a inserção dos pinos, a barra de conexão deve ser ajustada para a 
posição definitiva, respeitando-se uma distância adequada em relação à pele. 
Quanto maior a distância da barra de conexão em relação ao osso, menor a 
resistência do aparelho fixador e maior a micromovimentação na interface pino-osso. 
As barras devem ser posicionadas o mais próximo possível da pele, levando em 
consideração a tumefação pós-cirúrgica prevista. Em geral, utiliza-se a distância de 
1 a 1,5 cm entre os clampes e a pele. A espessura do dedo mínimo é um bom 
parâmetro para a maioria dos casos. Se ocorrer edema acentuado no período pós-
operatório, pode ser necessário o reajuste de distância da barra, pois a pressão por 
contato poderá resultar em necrose dos tecidos moles. Os pinos devem ser 
seccionados o mais próximo possível dos clampes. A fixação externa permite a 
utilização de enxerto de osso esponjoso autógeno ou colocação de enxerto ósseo 
cortical alógeno em fraturas com grandes falhas ósseas corticais. Devido ao fato da 
rigidez da fixação externa ser menor do que a da placa óssea, o organismo é 
estimulado a produzir mais calo ósseo em ponte para a consolidação da fratura. 
O aparelho de fixação externa pode ser construído com barras laterais de 
acrílico. As armações em resina acrílica dispensam o uso das barras de conexão e 
das presilhas, o que reduz de forma expressiva o custo do implante. As barras 
acrílicas são moldáveis sobre os pinos de fixação em diferentes planos e 
angulações, além de serem leves e resistentes. O acrílico polimerizado pode ser 
aplicado na fase líquida: um tubo de plástico descartável ou de silicone é 
posicionado sobre os pinos de fixação e servirá como molde para a coluna de 
acrílico. Deve-se evitar a formação de grandes orifícios nos tubos. A mistura acrílica 
ainda na fase líquida é injetada no molde tubular de plástico até o completo 
enchimento. Após o endurecimento do acrílico, o molde é removido e os pinos são 
cortados próximos à coluna e lixados nas pontas. Outra opção é a aplicação do 
acrílico na fase moldável: realiza-se a mistura do acrílico aguardando até que ele se 
torne firme e manualmente moldável. Uma coluna de acrílico, com diâmetro 
apropriado é confeccionada na palma da mão e aplicada sobre os pinos de fixação. 
A coluna é moldada ao redor dos pinos por pressão digital. Após o endurecimento, 
os pinos são cortados e lixados. 
Também é possível empregar uma técnica adaptada para a confecção da 
coluna em resina acrílica. A técnica utiliza a armação de clampes e barras de 
conexão convencionais para manter temporariamente a redução da fratura, 
enquanto a coluna acrílica é fixada. Se for utilizada a armação na configuração do 
tipo II, os clampes e a barra de conexão são removidos de um dos lados do sistema 
de fixação e a coluna acrílica é fixada neste lado. Após a secagem da primeira barra 
de acrílico, os clampes e a barra de conexão do lado oposto são removidos e a 
segunda coluna de resina acrílica é fixada no local. Se a armação for do tipo I, os 
meios pinos de fixação são mantidos longos, e os clampes e a barra de conexão são 
fixados mantendo uma longa distância da pele. A barra acrílica é aplicada 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
70 
envolvendo os pinos no espaço entre a pele e a barra de conexão convencional. 
Após o endurecimento do acrílico, os clampes e a barra de conexão são removidos 
e a partes excedentes dos pinos são cortadas. 
Há uma reação exotérmica com considerável liberação de calor durante o 
período final de polimerização do acrílico. Deve-se evitar o aquecimento dos pinos 
de fixação nessa fase, devido ao risco de necrose térmica do osso ao redor dos 
pinos. Durante a fase de aquecimento, aplica-se fluido fisiológico frio sobre a barra 
de acrílico e nos pinos de fixação. As colunas acrílicas podem ser confeccionadas 
em diâmetro aproximado de 12 mm para pinos de fixação pequenos e de 19 mm 
para pinos médios.Uma coluna de metilmetacrilato com 2 cm de diâmetro tem-se 
mostrado mais resistente do que uma barra de conexão de 4,5 mm utilizada nos 
fixadores externos de tamanho médio. Se houver necessidade, a correção da 
armação acrílica é difícil de ser realizada após a secagem, mas ainda é possível. O 
acrílico é serrado no ponto que em que o alinhamento precisa ser corrigido. Após o 
realinhamento ósseo, novo acrílico recém-misturado é utilizado para preenchimento 
da falha provocada na coluna, enquanto mantém-se a redução desejada. 
8.6 CUIDADOS APÓS A UTILIZAÇÃO DOS FIXADORES EXTERNOS 
Após a cirurgia para implantação do fixador esquelético externo, realiza-se a 
limpeza no ponto de entrada dos pinos com solução antisséptica e a região é 
coberta por gazes esterilizadas. O aparelho de fixação e o membro devem ser 
envolvidos em bandagens de gaze ou ataduras autoadesivas. Diariamente, deve-se 
realizar a limpeza na interface pino-pele e promover a troca da bandagem. O animal 
deve ser avaliado semanalmente, durante o primeiro mês após a cirurgia e, 
posteriormente, a cada duas ou três semanas. A rigidez do aparelho deve ser 
reavaliada e os clampes devem ser mantidos apertados. O sistema de fixação 
externa deve ser removido após evidência radiográfica da reparação óssea. A 
maioria das fraturas não complicadas em animais adultos tratadas com fixadores 
externos irá apresentar consolidação óssea por formação de calo periosteal e 
endosteal dentro de dois a três meses. Nas fraturas com reparação óssea lenta 
pode ser realizada a dinamização, que consiste na remoção parcial dos pinos para 
aumentar a carga sobre o osso e incentivar a osteogênese. 
8.7 POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES PÓS-OPERATÓRIAS 
A complicação mais comum após a fixação esquelética externa é a drenagem 
nos pontos de entrada dos pinos de fixação. A exsudação contínua pode estar 
associada à frouxidão dos pinos e contaminação. A movimentação da pele e dos 
grupos musculares causa pressão contra os pinos e pode gerar frouxidão. A 
instabilidade dos pinos associada à população bacteriana local provoca 
Fixação Esquelética Externa 
 
71 
contaminação e exsudação na interface pino-pele. O cuidadoso posicionamento dos 
tecidos moles irá minimizar esse problema. A drenagem no local de entrada dos 
pinos é controlada pela restrição das atividades e limpeza periódica com soluções 
antissépticas. A frouxidão dos pinos de fixação pode ser ocasionada por técnica 
incorreta de implantação do aparelho ou escolha inadequada da configuração do 
sistema de fixação externa. Quando o aparelho fixador não promove a estabilidade 
da fratura, os movimentos dos ossos resultam em altas cargas de tensão na 
interface pino-osso, levando à reabsorção óssea em torno do trajeto do pino e ao 
relaxamento do sistema. A frouxidão dos pinos de fixação, geralmente, irá resultar 
em infecção, drenagem, dor e desuso do membro. Uma vez que o pino torna-se 
frouxo, o único tratamento efetivo é a sua remoção. Caso a frouxidão de um pino 
provoque o enfraquecimento significativo do aparelho fixador, pinos fixadores 
adicionais podem ser posteriormente inseridos para manter a estabilidade do 
sistema e permitir a reparação da fratura. A seleção correta do tipo de configuração 
do aparelho, a utilização de número e diâmetro adequados dos pinos, o emprego de 
pinos rosqueados e o uso da técnica correta para inserção dos pinos previnem a 
maior parte das complicações relacionadas aos aparelhos fixadores externos. 
 
 
9 
COMBINAÇÃO FIXAÇÃO EXTERNA 
E PINO INTRAMEDULAR (TIE IN) 
A utilização do aparelho fixador externo conectado ao pino intramedular 
aumenta a resistência e a rigidez do sistema de fixação. A configuração tie in é 
utilizada principalmente naqueles casos em que as armações de fixação externa 
mais estáveis (tipo II e tipo III) não podem ser aplicadas, como nas fraturas do fêmur 
e do úmero. Nesses ossos, é possível apenas a utilização das configurações do tipo 
I e a combinação do fixador externo ao pino intramedular aumenta a estabilidade da 
fratura. 
A fratura é reduzida e o pino intramedular é inserido ocupando de 50% a 60% 
do canal medular no ponto mais estreito da diáfise. O pino deve ser posicionado 
adequadamente no canal medular e deve projetar-se externamente através da pele. 
O fixador externo é aplicado de forma convencional, mantendo o princípio de que a 
largura dos pinos de fixação não deve ultrapassar 20% do diâmetro do osso. Os 
pinos de fixação são inseridos adjacentes ao pino intramedular e devem atravessar 
as duas corticais ósseas. Normalmente, são inseridos dois ou mais pinos de fixação 
nos segmentos ósseos proximal e distal à fratura. Os clampes e a barra de conexão 
são fixados aos pinos de fixação. A parte projetada externamente do pino 
intramedular é conectada ao sistema de fixação externa por meio de um pequeno 
segmento de barra de conexão (Figura 33). O pino intramedular também pode ser 
encurvado externamente e incorporado ao fixador externo, quando são utilizados 
clampes ou barras laterais em acrílico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Combinação Fixação Externa e Pino Intramedular (Tie In) 
 
73 
 
 
 
 
Figura 33 - Fixador esquelético externo do tipo IA conectado ao pino 
intramedular (configuração tie in) em fratura fragmentada de 
úmero. Foram utilizados dois meios pinos no segmento ósseo 
proximal e um meio pino no segmento distal. Os pinos de 
fixação possuem rosqueamento distal e atravessam as duas 
corticais. O aparelho fixador está conectado ao pino 
intramedular por meio de um pequeno segmento de barra de 
conexão e dois clampes duplos. 
 
 
 
 
10 
PINOS INTRAMEDULARES 
O pino intramedular é um método simples e o mais comumente utilizado para 
fixação interna das fraturas. Destaca-se pelo baixo custo dos implantes e pouca 
necessidade de equipamentos específicos. A maioria das fixações com pinos 
necessita de menor exposição do campo cirúrgico do que as placas ósseas, 
resultando em menor traumatismo aos tecidos moles, o que intensifica o processo 
de reparação da fratura. Em geral, é rápida a aplicação dos pinos e fios ortopédicos, 
reduzindo o tempo cirúrgico e anestésico. Os pinos são mais facilmente removíveis 
do que os outros métodos de fixação interna, demandando apenas sedação e 
anestesia local ou anestesia intravenosa ultracurta. Os pinos intramedulares não 
interferem com o suprimento sanguíneo cortical e apresentam interferência 
moderada na irrigação medular. Eles não preenchem completamente a cavidade 
medular e há uma redução parcial no suprimento sanguíneo inicialmente, que se 
refaz após hipertrofia dos vasos medulares. Um pino que atravessa uma placa 
epifisária causa mínimo distúrbio ao crescimento longitudinal do osso quando 
comparado a outros métodos de fixação. 
O aspecto crucial para aplicação bem sucedida dos pinos intramedulares é o 
pleno conhecimento das suas deficiências na estabilização das fraturas. As forças 
de flexão são bem controladas quando o pino redondo de diâmetro adequado é 
ancorado proximal e distalmente no osso. As forças rotacionais e compressivas não 
são efetivamente neutralizadas pelos pinos intramedulares, sendo indicada a 
associação com outros métodos auxiliares de fixação. A fixação por pinos não é 
recomendada para manter o comprimento ósseo, pois não há troca de cargas entre 
o pino e o osso. Dessa forma, os pinos intramedulares não devem ser utilizados 
como método único de imobilização em fraturas fragmentadas, pois não irão evitar 
que as forças compressivas causem colapso da fratura e encurtamento do osso. O 
pino não possui capacidade de neutralizar as forças rotacionais, que ocorrem 
principalmente nas fraturastransversas da diáfise. Nesses casos, deve-se associar 
outro método antirrotacional da fratura. As fraturas espiraladas ou oblíquas longas 
também necessitam de suporte auxiliar para impedir a atuação das forças de 
cisalhamento, evitando os desvios laterais e longitudinais dos segmentos ósseos. As 
Pinos Intramedulares 
 
75 
formas mais comuns de fixação auxiliar utilizadas com os pinos intramedulares 
incluem os fios de cerclagem e os parafusos compressivos. Em associação aos 
pinos, também podem ser utilizadas fixação esquelética externa ou placa óssea 
(Figura 34). O pino intramedular pode ser empregado como auxiliar na redução 
temporária de uma fratura, enquanto um método de fixação mais estável é aplicado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 34 – Exemplos de utilização do pino intramedular em associação com 
outros métodos de fixação. (A) Fratura oblíqua de úmero fixada 
com pino intramedular e dois fios de cerclagem. (B) Fratura 
oblíqua de úmero fixada com pino intramedular e dois fios de 
hemicerclagem. (C e D) Fraturas de fêmur fixadas com a 
associação de pino intramedular, fios de creclagem e fixador 
externo tipo IA. (E) Fratura oblíqua de úmero fixada com pino 
intramedular e um parafuso compressivo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
76 
Como regra geral, o pino intramedular deve ser reservado para fraturas 
estáveis da diáfise do fêmur, úmero e tíbia. Não é indicado para fixação de fraturas 
no rádio, pois o formato arqueado do osso e o canal medular estreito dificultam a 
introdução do pino, além da possibilidade da ponta distal do pino lesionar a 
articulação radiocárpica. Os pinos intramedulares causam mínima interferência com 
a cicatrização do periósteo e a reparação da cortical. O tamanho do calo ósseo 
formado varia com a estabilidade obtida pelo implante. Se a fratura estiver bem 
estável, haverá pouca formação de calo, mas, se houver estabilidade deficiente, 
haverá formação de calo ósseo exuberante. Os pinos podem ser indicados com 
sucesso para fixação de fraturas simples em cães jovens devido à rápida formação 
de calo ósseo nesses animais. 
Os pinos intramedulares mais comumente utilizados na veterinária são os pinos 
de Steinmann. Eles estão disponíveis em diâmetros que variam de 2 a 6 mm. Os 
pinos (fios) de Kirschner são semelhantes aos de Steinmann, mas possuem 
diâmetros menores, que variam de 1 a 2 mm. Os pinos intramedulares são circulares 
e possuem comprimento aproximado de 30 cm. Podem apresentar a ponta em forma 
de trocarte (trifacetada) que apresenta maior eficiência em perfurar osso esponjoso, 
ou a ponta em forma de cinzel (bifacetada) que perfura o osso cortical com maior 
facilidade. Como os pinos são introduzidos através canal medular e perfuram os 
ossos esponjosos das epífises, as pontas em trocarte são as mais comumente 
utilizadas. Os pinos podem ser totalmente lisos, com ponta em uma ou em ambas as 
extremidades. O pino liso mais desejável é aquele fabricado com uma ponta em 
trocarte de um lado e uma ponta em cinzel do outro. Os pinos também podem ser 
totalmente ou parcialmente rosqueados. Os pinos com rosqueamento terminal 
podem apresentar roscas com perfil negativo ou positivo. Os pinos com rosca em 
perfil negativo apresentam um ponto de fragilidade na junção da rosca com a parte 
lisa, portanto, deve-se lembrar que esse ponto do pino não pode ficar próximo à 
fratura com risco de quebra do implante. Os pinos totalmente rosqueados parecem 
exercer maior capacidade de fixação no osso esponjoso e proporcionar melhor 
estabilidade à fratura, mas esse dado é controverso. 
Os pinos são inseridos no canal medular por meio de mandril manual ou 
furadeira elétrica ou pneumática. O uso de furadeiras elétricas permite a fácil 
inserção do pino, porém deve ser utilizada em baixa rotação (cerca de 150 rpm) para 
evitar necrose térmica do osso, o que poderia resultar em afrouxamento do implante. 
As furadeiras oferecem a vantagem de menor oscilação durante a inserção do pino, 
prevenindo o alargamento do orifício através do osso. Elas também facilitam a 
introdução dos pinos estreitos de Kirschner, que tendem a curvar-se com facilidade 
quando inseridos com mandril manual. Os pinos intramedulares devem permanecer 
ancorados nas epífises proximais e distais do osso, e não podem atingir a superfície 
articular. Quando o pino penetrar distalmente a superfície articular no momento da 
inserção, ele deve ser retraído e redirecionado em outro trajeto até alcançar a 
Pinos Intramedulares 
 
77 
cortical óssea. É importante selecionar outro pino de comprimento semelhante como 
guia, para assegurar-se da posição do pino no interior do osso. Quanto maior o 
diâmetro do pino, maior a resistência do implante às forças de angulação. 
Entretanto, para se atingir a redução anatômica dos ossos longos, o pino deve 
preencher cerca de 70% da cavidade medular no ponto mais estreito da diáfise. 
Caso a fratura esteja localizada no ponto de menor diâmetro da diáfise, pode-se 
estimar o diâmetro do pino diretamente no osso, mas, se a fratura estiver proximal 
ou distal ao menor diâmetro, deve-se estimar o diâmetro do pino radiograficamente. 
Quando associado aos fios de cerclagem, o pino intramedular deve ocupar cerca de 
60% a 70% do diâmetro do canal medular. Entretanto, quando associado ao fixador 
externo ou à placa óssea, o pino intramedular deve ocupar em torno de 50% a 60% 
ou de 40% a 50%, respectivamente. 
O pino intramedular pode ser inserido no canal medular de forma retrógrada ou 
normógrada. Na técnica retrógrada, ele é inicialmente inserido em um fragmento 
ósseo através do local da fratura e direcionado para fora da extremidade do osso. A 
fratura é reduzida e o pino é inserido no segmento ósseo oposto. Na técnica 
normógrada, o pino é inserido no canal medular pela extremidade de um segmento 
ósseo, atravessa a linha de fratura e, então, é direcionado para o interior do outro 
segmento ósseo. No fêmur é recomendada a técnica normógrada de introdução do 
pino, com a ponta sendo inserida na região craniolateral da fossa trocantérica. Isso 
permite que a ponta do pino permaneça distante do nervo isquiático. Na tíbia, é 
também recomendada a inserção normógrada do pino para proteger a articulação do 
joelho. Ele deve ser inserido a partir do aspecto craniomedial do platô tibial. Se for 
inserido de forma retrógrada, corre-se o risco de lesionar o ligamento cruzado 
cranial. No úmero, é permitida a introdução do pino de forma retrógrada ou 
normógrada, sendo indicada a introdução na região craniolateral ao tubérculo maior 
e direcionado distalmente para o centro do osso ou para o epicôndilo medial (Figura 
35). 
Após o posicionamento correto do pino, o ideal é seccioná-lo o mais curto 
possível acima do osso (cerca de 5 mm). A ponta curta previne a formação de 
seromas, evita o comprometimento dos tecidos moles adjacentes, diminui a dor pós-
operatória e mantém o pino mais estável. Uma técnica para se conseguir manter 
curta a ponta do pino após sua inserção é descrita da seguinte forma: (1) assentar o 
pino na sua profundidade adequada, (2) retrair o pino em cerca de 1 a 2 cm, (3) 
seccionar o pino o mais curto possível, (4) impactar o pino com recalcador e martelo. 
Em animais esqueleticamente imaturos, o rápido crescimento longitudinal do osso 
pode sepultar um pino na cavidade medular. Por outro lado, em animais adultos, há 
tendência para o pino migrar proximalmente e causar danos aos tecidos moles. 
Nesses casos, o pino deve ser removido após a completa consolidação da fratura. 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas78 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 35 – Técnicas de inserção do pino intramedular em ossos longos. (A) 
Introdução do pino intramedular de forma normógrada no fêmur. 
Ele deve ser introduzido no segmento ósseo proximal na região 
craniolateral da fossa trocantérica e direcionado distalmente ao 
longo da cortical caudal. (B) Introdução do pino intramedular de 
forma normógrada na tíbia. Ele deve ser introduzido no segmento 
ósseo proximal na região craniomedial do platô tibial (destaque). 
(C) Introdução do pino intramedular de forma normógrada no 
úmero. Ele deve ser introduzido no segmento ósseo proximal na 
região craniolateral do tubérculo maior e direcionado distalmente 
para assentar no epicôndilo medial. O pino também pode ser 
introduzido de forma retrógrada no úmero. 
 
 
 
 
 
 
Pinos Intramedulares 
 
79 
 
Em vez de um único pino intramedular, dois ou três pinos mais finos podem ser 
introduzidos conjuntamente no canal medular, proporcionando mais pontos de 
fixação. Os pinos intramedulares múltiplos são utilizados na justificativa de aumentar 
a resistência do implante às forças rotacionais e axiais. Em geral, essa técnica se 
aplica ao úmero e ao fêmur de cães de grande porte. As possíveis vantagens da 
utilização dos pinos múltiplos não foram confirmadas em estudos clínicos e o índice 
de complicações foi elevado. Observou-se grande tendência de migração dos pinos 
e de lesão dos tecidos moles no ponto de emergência dos pinos (nervo isquiático 
nas fraturas femorais). 
De forma geral, indica-se a remoção do pino intramedular após a reparação da 
fratura. É comum a formação de seroma na região da saída do pino, causada pela 
irritação dos tecidos moles, principalmente se a ponta dele estiver longa ou se 
houver migração. Lesão temporária ou permanente do nervo isquiático pode ocorrer 
se o pino estiver incorretamente posicionado na região da fossa trocantérica nas 
fraturas do fêmur. A migração proximal do pino é indicativa de instabilidade da 
fratura, uma vez que a movimentação do pino em relação ao osso causa reabsorção 
óssea e seu subsequente afrouxamento. A falta de estabilidade e rigidez na fixação 
com pinos intramedulares pode ocasionar união retardada ou não união óssea. 
 
 
11 
PINOS DE RUSH 
Os pinos intramedulares de Rush exercem forças compressivas dinâmicas em 
três pontos de ancoragem no osso. Esse método é mais utilizado para fraturas 
supracondilares do fêmur e do úmero. O pino encurvado tem uma ponta não 
cortante em forma de bisel que promove o seu deslizamento sobre a cortical óssea, 
enquanto a outra ponta é em forma de gancho para assegurar boa fixação e 
proporcionar controle de direção durante a introdução. São encontrados em 
diferentes tamanhos, com diâmetros variando entre 1,5 a 6,0 mm. São utilizados aos 
pares e o tamanho deve ser previamente selecionado, pois não podem ser 
seccionados durante a cirurgia. Há necessidade de um impactador próprio para 
assentar os pinos. A técnica para implantação dos pinos de Rush é relativamente 
fácil, mas demanda prática. Os pinos de Rush são frequentemente substituídos 
pelos pinos cruzados de Kirschner ou Steinmann para a estabilização das fraturas 
supracondilares. 
Os pinos de Rush são inseridos no canal medular de modo que eles sejam 
forçados a curvar-se à medida que são introduzidos. Quando os pinos duplos são 
utilizados para fraturas proximais ou distais, o comprimento do pino de Rush deve 
ser de, aproximadamente, dois terços a três quartos do comprimento do osso. O 
diâmetro do pino deve ser escolhido baseando-se no porte do animal. Em gatos e 
cães de raças de pequeno porte, é apropriado o pino com diâmetro de 1,5 mm; para 
cães de raças de porte médio, podem-se empregar pinos de 2,5 mm e, para cães de 
raças de grande porte, são utilizados pinos com diâmetro acima de 3,5 mm. Assim, 
os pinos de Rush são comercializados em diferentes variações de comprimento e 
espessura, o que reflete na necessidade de se manter uma grande variedade de 
pinos em estoque. Por esse motivo, é comum os pinos de Rush serem 
confeccionados à partir dos pinos intramedulares lisos convencionais, no período de 
planejamento cirúrgico ou mesmo no transoperatório. 
A cortical do fragmento ósseo distal é previamente perfurada com broca ou 
pino intramedular do mesmo diâmetro do pino de Rush. Esse orifício piloto é 
necessário para permitir a adequada introdução do pino de Rush, pois sua ponta 
não é cortante. O ângulo de inserção do pino deve ser de, aproximadamente, 30º 
Pinos de Rush 
 
81 
em relação ao eixo longitudinal do osso. Com a fratura reduzida, o primeiro pino é 
introduzido até atingir a cortical oposta, seguido pela introdução do segundo pino. 
Os pinos são recalcados alternadamente até que estejam completamente 
assentados na cortical óssea (Figura 36). Em geral, os pinos de Rush não são 
removidos após a reparação da fratura, pois eles provocam mínima irritação aos 
tecidos moles. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 36 – Técnica de inserção do pino de Rush para a fixação de fratura 
supracondilar. (A) O orifício piloto é perfurado em ângulo de, 
aproximadamente, 30º em relação ao eixo ósseo. (B) O primeiro 
pino de Rush é introduzido através da cortical perfurada até 
atingir a cortical oposta. (C) O segundo pino é introduzido 
respeitando-se a mesma angulação, sendo também inserido até 
atingir a cortical oposta. A partir deste ponto, os pinos são 
alternadamente inseridos. (D) Os pinos deslizam sobre a cortical 
oposta e curvam-se de volta para a cortical de inserção. Os pinos 
são recalcados até que o gancho inferior esteja assentado na 
cortical distal. 
 
 
 
 
12 
PINOS (FIOS) DE KIRSCHNER E 
PINOS CRUZADOS 
Os pinos de Kirschner são semelhantes aos pinos intramedulares de 
Steinmann, porém, são mais estreitos. São pinos lisos e circulares, com ponta em 
trocarte e disponíveis em diâmetros que variam de 1 a 2 mm. As indicações para o 
uso dos pinos de Kirschner sao: (1) utilizar como pinos cruzados para fixação de 
fraturas fisárias, (2) obter fixação temporária da fratura enquanto outro método de 
fixação definitiva é aplicado, (3) promover a fixação de pequenos fragmentos ósseos 
em seu local anatômico, (4) utilizar como pino intramedular na fixação das fraturas 
de ossos pequenos, como metacarpos e metatarsos, (5) auxiliar na fixação e 
ancoragem dos fios de cerclagem, (6) utilizar em feixes paralelos para reduzir a ação 
das forças rotacionais, como nas fraturas da cabeça e colo femoral, (7) usar em 
combinação com parafuso de compressão para aumentar a estabilidade da fixação, 
como nas fraturas do côndilo umeral e (8) manter o alinhamento em fraturas por 
avulsão para ancoragem do fio em banda de tensão. 
12.1 PINOS CRUZADOS 
Os pinos cruzados são utilizados, principalmente, para a fixação de fraturas 
metafisárias e epifisárias. São especialmente utilizados para a estabilização de 
fraturas fisárias em animais de crescimento. Após reduzir anatomicamente a fratura, 
os pinos são inseridos a partir dos côndilos e direcionados proximalmente até às 
corticais opostas. Com inclinação adequada, o pino inserido pela superfície lateral 
do segmento epifisário é direcionado através da linha de fratura para sair pela 
superfície medial do segmento diafisário. De forma semelhante, o pino inserido pela 
superfície medial é direcionado através da fratura para sair na superfície lateral do 
segmento diafisário. Deve-se ter o cuidado de cruzar os pinos no interior da região 
metafisária ou diafisária, e não sobre a fratura (Figura 37). Os pinos também podem 
ser introduzidosa partir da região diafisária distal e direcionados para os côndilos 
opostos, impondo uma angulação adequada sobre eles para que não atinjam a 
superfície articular, mas este método parece oferecer uma fixação menos estável. 
Pinos (Fios) de Kirschner e Pinos Cruzados 
 
83 
Com os pinos de diâmetros reduzidos, dobrar as extremidades e cortar o 
escesso. Os pinos de diâmetros maiores oferecem resistência para serem dobrados, 
devendo-se simplesmente cortar o material excedente rente ao osso. De forma 
geral, os pinos cruzados não são removidos após a reparação óssea, a menos que 
causem irritação aos tecidos moles adjacentes. Eventualmente, nas fraturas fisárias 
distais, pode-se utilizar a associação de um pino de Kirschner inserido de forma 
semelhante ao pino de Rush (inserido no canal medular) de um lado da epífise, e um 
pino de Kirschner inserido de forma semelhante ao pino cruzado do lado oposto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 37 – Técnica de utilização dos pinos cruzados para fixação de fratura 
fisária distal de fêmur do tipo Salter-Harris I. Um pino de Kirschner 
foi inserido à partir da extremidade distal da epífise em uma 
angulação que permita a saída do pino através da cortical oposta 
do segmento diafisário. Outro pino foi inserido de forma 
semelhante no lado oposto. As extremidades distais dos pinos 
foram dobradas e cortadas, e as extremidades proximais foram 
mantidas rentes ao osso. O cruzamento dos pinos deve ocorrer 
acima da linha da fratura. 
 
 
 
13 
HASTE INTRAMEDULAR BLOQUEADA 
(INTERLOCKING NAIL) 
A haste intramedular bloqueada é, basicamente, um pino fixado no canal 
medular por parafusos transfixados proximal e distalmente. Os parafusos fixam a 
haste intramedular ao osso, neutralizando as forças de flexão, compressão e 
rotação. A técnica é particularmente útil para a fixação de fraturas cominutivas dos 
ossos longos. Sua utilização está indicada, principalmente, nas fraturas diafisárias 
do fêmur, úmero e tíbia, pois é necessário um diâmetro mínimo de 4 mm do canal 
medular. As hastes bloqueadas podem ser fixadas ao osso sem a necessidade de 
redução anatômica da fratura, colaborando para a osteossíntese biológica. 
A haste bloqueada possui vantagens biomecânicas quando comparada à placa 
óssea convencional. A haste é posicionada no centro do eixo axial do osso, 
enquanto a placa é posicionada na superfície óssea, de forma excêntrica em relação 
ao eixo axial. Mecanicamente, isto predispõe a placa ao encurvamento devido a 
ação das forças de flexão, especialmente nas fraturas altamente cominutivas e 
instáveis. Entretanto, o sistema convencional de hastes bloqueadas pode apresentar 
instabilidade quando submetido às forças de rotação, o que pode prejudicar a 
reparação óssea. Esta instabilidade rotacional parece estar relacionada com o 
diâmetro do orifício da haste em relação ao diâmetro do parafuso utilizado. O 
desenvolvimento de pinos cônicos para bloquear a haste intramedular parece reduzir 
a instabilidade rotacional do sistema. 
As hastes disponíveis comercialmente para uso em cães e gatos são 
geralmente fabricadas em aço inoxidável cirúrgico. Elas são maciças, possuem 
formato cilíndrico e podem ter a ponta aguda ou romba. Os diâmetros das hastes 
intramedulares são variáveis e os mais frequentes são: hastes de 4,0 mm ou 4,7 mm 
de diâmetro para utilização com parafusos de 2,0 mm, hastes de 6,0 mm de 
diâmetro para utilização com parafusos de 2,7 mm, e hastes de 8,0 mm de diâmetro 
para utilização com parafusos de 3,5 mm. Comumente são utilizados sistemas que 
empregam parafusos corticais convencionais para bloquear a haste ao osso. Porém, 
existem alguns sistemas que utilizam parafusos específicos, cavilhas parcialmente 
rosqueadas ou pinos cônicos para promover o bloqueio da haste. 
Haste Intramedular Bloqueada (Interlocking Nail) 
 
85 
A resistência do implante aumenta à medida em que se aumenta o diâmetro da 
haste intramedular. Assim, deve-se selecionar a haste com o maior diâmetro 
possível para o osso acometido, porém, sem ultrapassar 90% do diâmetro do canal 
medular na região do istmo ósseo. O diâmetro e o comprimento da haste bloqueada 
devem ser previamente selecionados, baseando-se no osso normal contralateral. As 
hastes podem apresentar de um a três furos nas extremidades, sendo mais 
utilizados aqueles que possibilitam a fixação de dois parafusos proximais e dois 
distais à fratura. O ponto fraco do sistema é o local dos furos na haste intramedular, 
que deve ser mantido distante da fratura. Dessa forma, os parafusos inseridos mais 
próximos à fratura devem respeitar uma distância mínima de uma vez o diâmetro 
ósseo em relação à linha da fratura. 
Para utilização da técnica, além da haste intramedular selecionada e dos 
parafusos bloqueadores, há a necessidade de instrumental especial, como o 
escarificador medular e o guia de perfuração. A cavidade medular deve ser 
perfurada e escarificada para permitir a fácil introdução da haste. É preferível a 
introdução normógrada da haste. Na extremidade proximal, a haste possui uma 
região com rosca que se encaixa numa peça que faz a conexão entre a haste e o 
guia de perfuração. Com a haste parcialmente inserida no interior do canal medular, 
ela é conectada ao guia de perfuração, sendo então finalizada a inserção da haste 
no canal. O guia de perfuração é uma barra posicionada externamente sobre o 
membro que possui orifícios alinhados com os furos da haste intramedular. Através 
dos orifícios presentes no guia de perfuração é possível perfurar o osso 
precisamente no local onde estão localizados os furos na haste. Após a perfuração 
óssea, os parafusos são introduzidos e fixados nas duas corticais (Figura 38). É 
interessante começar a perfuração e a introdução do parafuso pelo orifíco mais 
proximal. O principal ponto de falha técnica na aplicação do sistema é a incorreta 
perfuração e inserção do parafuso mais distal. Os parafusos não são rosqueados na 
haste intramedular, mas apenas atravessam os furos e bloqueiam a haste, sendo 
rosqueados somente nas corticais ósseas. 
O paciente deve ser reavaliado periodicamente no período pós-operatório. Em 
geral, a haste intramedular bloqueada não precisa ser removida após a reparação 
óssea. É possível a ocorrência de complicações após a implantação da haste 
intramedular bloqueada. O uso do escarificador medular e o emprego de uma haste 
que ocupa grande parte do canal medular pode comprometer a irrigação 
intramedular e prejudicar o processo de reparação óssea. Também podem ocorrer o 
afrouxamento e o deslocamento dos parafusos, seguidos pela instabilidade do 
sistema e migração dos implantes. A migração da haste pode provocar lesão nos 
tecidos moles adjacentes ou pode invadir o espaço articular e ocasionar danos à 
cartilagem. Em casos menos frequentes, pode-se observar quebra dos parafusos e 
ou da haste, principalmente quando são utilizados hastes e parafusos com 
diâmetros inadequados em fraturas muito instáveis. 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
86 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 38 – Técnica de implantação da haste intramedular bloqueada 
(interlocking nail) em fratura fragmentada da diáfise do fêmur. 
O canal medular é escarificado e preparado para receber a 
haste intramedular. Após a introdução da haste, ela é 
conectada ao guia de perfuração. A haste intramedular possui 
dois furos proximais e dois furos distais à fratura. Através dos 
orifícios do guia de perfuração, a broca é guiada para realizar 
os orifícios no osso, de forma coincidente com os furos da 
haste. Iniciandopelo furo mais distal, promove-se a abertura 
de rosca no orifício do osso e insere-se o parafuso cortical 
apropriado. O parafuso deve ser fixado nas duas corticais 
ósseas, permitindo o bloqueio do pino intramedular. 
 
 
 
14 
FIOS ORTOPÉDICOS DE AÇO 
Os fios ortopédicos são de aço monofilamentado e estão disponíveis nos 
seguintes diâmetros: 0,6 mm, 0,8 mm, 1,0 mm e 1,2 mm. Os fios metálicos são 
rotineiramente utilizados como método auxiliar para a fixação de fraturas. A 
resistência do fio é proporcional ao seu diâmetro, devendo-se usar fios de calibre 
adequado para o porte do animal. Há quatro possibilidades de utilização dos fios 
ortopédicos: cerclagem, hemicerclagem, interfragmentar e banda de tensão. 
14.1 FIO DE CERCLAGEM 
Trata-se de um fio de aço passado em torno da circunferência óssea. É 
raramente indicado como método único de fixação de fraturas, devendo ser utilizado 
em associação com outras técnicas, como pino intramedular, fixador esquelético 
externo ou placa óssea. As cerclagens podem ser utilizadas no transoperatório como 
fixação temporária da fratura, enquanto a fixação principal é aplicada. As suturas 
com fio de cerclagem devem ser utilizadas nas fraturas diafisárias espiraladas ou 
oblíquas longas. 
Os fios de cerclagem parecem não interferir com o suprimento sanguíneo 
cortical, que normalmente ocorre no plano perpendicular ao eixo ósseo. A chave na 
preservação do aporte sanguíneo cortical é que os fios estejam firmes. Um fio de 
cerclagem frouxo pode romper a rede capilar periosteal e prejudicar a formação do 
calo ósseo. O fio de cerclagem deve ser apertado envolvendo toda a circunferência 
do osso, mantendo a aposição e a compressão dos segmentos ósseos fraturados. É 
necessária a reconstrução do cilindro ósseo, caso contrário, a cerclagem causará o 
colapso dos ossos. Deve-se utilizar um fio metálico com resistência suficiente para 
imobilizar e fixar os segmentos fraturados. Fios com diâmetro de 0,6 mm são 
utilizados em gatos e cães de raças pequenas, diâmetro de 0,8 mm em cães de 
raças médias, diâmetro de 1,0 mm em cães de raças grandes e diâmetro de 1,2 mm 
em cães de raças gigantes. 
Os fios de cerclagem devem ser empregados nas fraturas oblíquas longas, em 
que o comprimento da linha de fratura deve ser, no mínimo, 2,5 vezes maior do que 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
88 
o diâmetro da diáfise óssea. Isso garante que a linha de fratura descreva um ângulo 
inferior a 45º em relação ao eixo axial do osso, permitindo que o fio de cerclagem 
produza compressão interfragmentar estável. Para que o cilindro ósseo possa ser 
anatomicamente reconstruído, não deve haver mais do que três fragmentos ósseos 
envolvidos pela mesma cerclagem. Múltiplos fragmentos causam colapso dos ossos 
e frouxidão da cerclagem. Ao aplicar o fio de cerclagem é necessário que os 
fragmentos ósseos estejam totalmente reduzidos. Sobre a linha de fratura são 
utilizados, pelo menos, dois ou três fios de cerclagem, que devem estar distantes 
entre si cerca de uma vez o diâmetro do osso, e distantes do final da linha de fratura 
cerca de metade do diâmetro do osso (Figura 39). 
Os fios de aço são passados em torno do osso com auxílio do passador de fios 
e não deve haver tecidos moles interpostos entre a cerclagem e o osso. Para evitar 
o deslizamento da cerclagem, o fio deve ser aplicado perpendicularmente ao eixo 
axial do osso. A movimentação do fio metálico pode causar lise do osso sob a 
cerclagem e provocar não união da fratura. Para minimizar esta complicação, o fio 
de cerclagem deve estar bem apertado e, se necessário, pode-se fazer uma ranhura 
no córtex ósseo para evitar que o fio deslize. Também é possível utilizar um pino de 
Kirschner inserido perpendicularmente ao eixo ósseo através da linha de fratura, 
ultrapassando externamente ambas as superfícies corticais em cerca de 1 mm. O fio 
de cerclagem é colocado em torno do osso e ancorado nas pontas do pino, para que 
não ocorra o deslizamento (Figura 40). 
Existem dois métodos mais comuns para fechamento e tensionamento do fio 
de cerclagem em torno do osso. O primeiro método é o fechamento por torção, na 
qual as pontas livres do fio são torcidas entre si. É imperativo que as voltas sejam 
igualmente distribuídas em cada lado do fio, pois a torção desigual pode causar 
quebra do fio antes que ele esteja totalmente apertado, ou pode formar um ponto 
deslizante com possibilidade de afrouxamento. Podem-se utilizar alicate simples ou 
porta-agulha para torção do fio, porém, há alguns instrumentos específicos que 
asseguram a torção uniforme e consistente da cerclagem. A extremidade retorcida 
pode ser cortada a uma distância de duas ou três voltas do osso e deixada em 
posição ereta, ou pode ser cortada a uma distância de seis a oito voltas e curvada 
em direção ao osso enquanto se mantém o movimento de torção. O último caso 
resulta em perda de tensão e poderá causar afrouxamento da cerclagem. O 
segundo método é o fechamento da cerclagem em forma de anel ou alça. O fio de 
cerclagem possui uma extremidade livre e outra em forma de argola. O fio é 
passado em torno do osso e a extremidade livre é direcionada através da argola. 
Com uma chave de tração aplica-se tensão sob a ponta do fio, que deve ser curvada 
junto ao osso e, então, seccionada (Figura 41). Ambos os métodos produzem 
resultados satisfatórios quando aplicados adequadamente. Após a colocação da 
cerclagem, não pode haver nenhum movimento do fio sobre o osso com a aplicação 
de força razoável. 
Fios Ortopédicos de Aço 
 
89 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 39 – Princípios de aplicação do fio de cerclagem em fratura diafisária 
oblíqua longa. Os fios de cerclagem foram associados ao pino 
intramedular para fixação da fratura. Para que a compressão seja 
produzida pelo fio de cerclagem, o comprimento da linha de 
fratura deverá ter, no mínimo, 2,5 vezes o diâmetro do osso. Para 
fixação da fratura são utilizados três fios de cerclagem aplicados 
perpendicularmente ao eixo axial do osso. Os fios estão distantes 
do final da linha de fratura cerca de metade do diâmetro do osso e 
espaçados entre si a uma distância de, aproximadamente, uma 
vez o diâmetro do osso. 
 
 
 
 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
90 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 40 – Princípios de aplicação do fio de cerclagem. Se o osso apresentar 
formato cônico no local de aplicação da cerclagem, o fio tende a 
deslizar para a região de menor diâmetro ósseo. Para evitar o 
deslizamento do fio de cerclagem, pode-se utilizar um pino de 
Kirschner inserido perpendicularmente ao eixo ósseo com suas 
extremidades servindo de ancoragem ao fio ortopédico (A). Outra 
possibilidade é a realização de ranhura em torno do córtex ósseo, 
permitindo o assentamento do fio de cerclagem (B). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fios Ortopédicos de Aço 
 
91 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 41 – Técnicas de fechamento do fio de cerclagem. (A) Fechamento por 
torção das extremidades livres do fio metálico. O fio deve ser 
torcido uniformemente e pode ser seccionado mantendo cerca de 
três voltas de distância do osso. (B) Fechamento do fio em forma 
de alça. A extremidade livre do fio é passada através da argola 
presente na outra extremidade. A ponta é tencionada e curvada 
sobre o fio, seguida pela sua secção. 
 
Em geral, os fios de cerclagem não são removidos após a reparação da fratura, 
a não ser que estejam causando problemas. As falhas mais comuns são: uso de fio 
ortopédicomuito fino, utilização de fio metálico inapropriado para cerclagem, 
fechamento inadequado do fio e uso de quantidade insuficiente de cerclagens. A 
complicação mais comum após a utilização da cerclagem é o afrouxamento dos fios, 
que pode interferir com a vascularização óssea, dificultar a formação do calo e irritar 
os tecidos moles adjacentes. Há também a possibilidade de ruptura dos fios e 
migração do implante, causando morbidez significativa. Nos casos de afrouxamento 
ou ruptura dos fios, indica-se a remoção dos implantes. 
14.2 FIO DE HEMICERCLAGEM E FIO INTERFRAGMENTAR 
A hemicerclagem refere-se ao fio metálico que passa parcialmente ao redor do 
osso e, então, é torcido para fornecer compressão estática aos fragmentos ósseos. 
O fio é inserido através de orifícios previamente perfurados em um dos segmentos 
ósseos, seguindo-se pela aposição dos fragmentos e passagem do fio em torno do 
segmento ósseo oposto (Figura 42). A hemicerclagem é utilizada para se conseguir 
melhor estabilidade rotacional, mas, mesmo assim, não é indicada como método 
único de fixação das fraturas diafisárias dos ossos longos. 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
92 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 42 – Utilização do fio de hemicerclagem associado ao pino intramedular 
em fratura diafisária oblíqua longa. As corticais ósseas são 
perfuradas com broca ou pino de Kirschner em um dos 
segmentos ósseos (A). É mais indicado que se realize primeiro a 
perfuração do osso, seguindo-se o posicionamento do fio 
metálico no segmento ósseo, a redução da fratura, a introdução 
do pino no canal medular e, então, o posicionamento final e o 
fechamento do fio de hemicerclagem com torção das pontas. O fio 
de aço envolvendo o pino intramedular pode aumentar a 
estabilidade da fixação (B). 
 
 
Os fios interfragmentares são utilizados para fixar os fragmentos ósseos 
através de orifícios perfurados nas corticais ósseas, em ambos os lados da fratura 
(Figura 43). Esta técnica é tipicamente utilizada para prevenir a rotação em fraturas 
oblíquas curtas ou transversas, ou, ainda, para fixar pequenos fragmentos ósseos. É 
uma forma de estabilização pouco rígida e deve ser utilizada como método auxiliar 
de fixação das fraturas. 
 
Fios Ortopédicos de Aço 
 
93 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 43 – Utilização do fio ortopédico interfragmentar associado ao pino 
intramedular em fratura diafisária transversa. A cortical óssea é 
perfurada em dois pontos de cada lado da fratura. Os orifícios 
devem ser realizados na superfície de tensão do osso. O fio é 
passado através dos orifícios formando uma figura em oito, 
sendo realizado o fechamento do fio por torção das pontas. Este 
tipo de utilização do fio interfragmentar proporciona estabilidade 
rotacional auxiliar nas fraturas transversas. 
14.3 FIO METÁLICO EM BANDA DE TENSÃO 
As forças de distração não estão presentes nas fraturas da diáfise, mas são 
atuantes nas áreas de inserção músculo-tendíneas e ligamentares. O princípio da 
banda (faixa) de tensão é que as forças de tensão ou distração sejam convertidas 
em forças compressivas no local da fratura. Esta técnica pode ser utilizada para 
reparação de osteotomias ou nas fraturas em que a força de tração dos músculos, 
tendões e ligamentos resultam na dispersão dos fragmentos ósseos. Os locais mais 
comumente envolvidos são: trocânter maior do fêmur, olécrano, tuberosidade do 
calcâneo, tuberosidade da tíbia, tuberosidade maior do úmero, maléolo medial da 
tíbia, acrômio e patela. O efeito em banda de tensão é conseguido utilizando-se dois 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
94 
pinos paralelos de Kirschner e um fio metálico em forma de oito (Figura 44). Os 
pinos mantêm o fragmento em posição reduzida, enquanto o fio converte as forças 
de tensão em forças compressivas. Em geral, os implantes não são removidos após 
a reparação da fratura. Os pinos e o fio metálico são removidos somente quando 
estão causando irritação aos tecidos moles adjacentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 44 – Utilização do fio metálico em banda de tensão em fratura por 
avulsão da tuberosidade tibial. A fratura é reduzida e a fixação 
inicial é obtida com uso de dois pinos paralelos de Kirschner 
inseridos através da tuberosidade da tíbia em direção à metáfise 
óssea. Um orifício é realizado transversalmente na tíbia 
distalmente ao local da fratura. O fio metálico é passado através 
do orifício e passado acima da ponta dos pinos, formando uma 
figura em oito. As pontas livres do fio são torcidas firmemente 
em um dos lados da figura em forma de oito. Os pinos de 
Kirschner são curvados e cortados, deixando pontas com cerca 
de 4 mm que são direcionadas para o ligamento patelar. 
Teoricamente, o fio metálico deve ser torcido em ambos os lados 
da figura em forma de oito, mas em bandas de tensão curtas 
pode-se conseguir compressão adequada com uma torção 
simples em apenas um lado da figura. 
 
 
 
15 
PARAFUSOS ÓSSEOS 
Existem dois tipos básicos de parafusos ósseos: para osso esponjoso e para 
osso cortical. Os parafusos são tipicamente empregados para estabilizar ou 
comprimir fragmentos ósseos ou manter a fixação da placa sobre o osso. Os 
parafusos empregados isoladamente auxiliam a neutralizar as forças atuantes sobre 
a fratura, mas não devem ser utilizados como método único de fixação. 
Eventualmente, os parafusos atuam como suporte para fios metálicos 
interfragmentares. Os parafusos estão disponíveis em comprimentos e diâmetros 
variáveis e são denominados pelo diâmetro externo, que varia de 1,5 a 6,5 mm. 
Quanto maior o diâmetro do parafuso, maior a sua resistência às forças angulares e 
rotacionais. O osso cortical oferece melhor capacidade para fixação do parafuso do 
que o osso esponjoso. Além disso, a idade do animal também interfere com a 
qualidade de fixação do parafuso, pois os ossos macios de animais jovens não 
permitem que os parafusos se fixem rigidamente. Na maioria das vezes, são 
utilizados os parafusos não autocortantes e não autorrosqueáveis, sendo necessária 
a perfuração óssea prévia e a abertura de rosca. Os parafusos autorrosqueáveis 
possuem ponta cortante que serve para abrir roscas no osso e estrias laterais que 
armazenam os debris ósseos à medida que são introduzidos. 
15.1 PARAFUSOS PARA OSSO CORTICAL 
Os parafusos corticais foram desenhados para serem utilizados em ossos 
diafisários densos. O parafuso é completamente rosqueado, com maior número de 
roscas por unidade de comprimento do que os parafusos esponjosos. As roscas são 
rasas e com bordas pouco salientes. As pontas são mais chatas do que as dos 
parafusos esponjosos (Figura 45). Os parafusos corticais podem ser utilizados 
isoladamente para efeito posicional ou compressivo interfragmentar, ou ainda, para 
a fixação de placas ósseas. Esses parafusos possuem diâmetro uniforme em toda a 
sua extensão e são menos propensos a quebras, quando usados em fraturas com 
alta concentração de forças. 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
96 
 
Os diâmetros dos parafusos corticais disponíveis e os respectivos diâmetros 
das brocas utilizadas para perfuração do orifício ósseo estão mostrados na Tabela 5. 
Para a implantação de um parafuso cortical sem efeito compressivo, inicia-se com a 
perfuração de um orifício piloto através das duas corticais do osso. Faz-se a 
medição do comprimento do orifício com um medidor de profundidade. Deve ser 
selecionado um parafuso 2 mm mais longo do que o indicado no medidor para seassegurar que a rosca do parafuso atravesse o córtex oposto. Utiliza-se o macho 
cortical de mesmo diâmetro do parafuso para abertura de rosca no orifício piloto. O 
parafuso é inserido com movimentos de rosqueamento utilizando-se chave 
sextavada. Se o parafuso estiver sendo colocado diretamente no osso diafisário, o 
orifício do córtex proximal deverá ser escareado para que a cabeça do parafuso 
encaixe adequadamente sobre o osso. Os parafusos corticais também podem ser 
utilizados para efeito compressivo (efeito lag), que será descrito adiante. 
15.2 PARAFUSOS PARA OSSO ESPONJOSO 
Os parafusos esponjosos são geralmente usados para comprimir fragmentos 
de osso epifisário ou metafisário. Eventualmente, eles podem ser utilizados como 
parafusos de placa em áreas de osso trabecular. Os parafusos podem ser parcial ou 
completamente rosqueados e têm número relativamente pequeno de roscas por 
unidade de comprimento. As roscas são profundas e com bordas salientes, 
desenhadas especialmente para se obter melhor fixação no osso esponjoso mais 
macio do que o osso cortical (Figura 45). Parafusos parcialmente rosqueados 
apresentam debilidade na rigidez da haste na junção da parte lisa com a parte 
rosqueada. Este fato produz concentração de forças e torna essa área sujeita a 
fraturas, quando submetida a repetidas cargas de flexão. Dessa forma, é bom 
assegurar-se que a junção do parafuso esteja o mais distante possível da linha de 
fratura. 
A implantação de parafusos para ossos esponjosos com efeito compressivo 
apresenta algumas particularidades. Quando um parafuso totalmente rosqueado for 
utilizado com essa finalidade, é necessária a confecção de um orifício deslizante no 
segmento ósseo próximo e um orifício rosqueado no segmento ósseo distante. O 
parafuso para osso esponjoso parcialmente rosqueado também pode ser utilizado 
como parafuso de compressão, porém, não há necessidade de confecção do orifício 
deslizante no primeiro segmento ósseo. Mais detalhes da técnica de implantação de 
parafusos com efeito compressivo serão descritos adiante. Nas áreas de osso 
esponjoso, a superfície cortical é relativamente fina, não sendo indicado o 
escareamento do orifício proximal para assentamento da cabeça do parafuso. 
 
Parafusos Ósseos 
 
97 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 45 – Parafusos ósseos. (A) Parafuso para osso cortical: completamente 
rosqueado, apresentando roscas rasas com bordas pouco 
salientes e maior número de roscas por parafuso. (B) Parafuso 
para osso esponjoso: parcialmente rosqueado, apresentando 
roscas profundas com bordas salientes e menor número de 
roscas por parafuso. 
 
Tabela 5 – Diâmetros dos parafusos para osso cortical e diâmetros das 
respectivas brocas necessárias para a perfuração dos orifícios 
ósseos 
Diâmetro externo do 
parafuso cortical (mm) 
Diâmetro da broca para 
perfuração do orifício 
rosqueável (mm) 
Diâmetro da broca para 
perfuração do orifício 
deslizante (mm) 
1,5 1,1 1,5 
2,0 1,5 2,0 
2,7 2,0 2,7 
3,5 2,5 3,5 
4,5 3,2 4,5 
5,5 4,0 5,5 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
98 
15.3 PARAFUSOS DE POSIÇÃO 
Os parafusos posicionais são utilizados para manter os fragmentos ósseos em 
posição anatômica. Geralmente são empregados os parafusos com configuração 
para osso cortical. O parafuso é rosqueado nas duas corticais ósseas e não exerce 
efeito compressivo sobre os fragmentos. É pouco utilizado isoladamente com esta 
função de posição, pois apenas mantém os fragmentos ósseos unidos com efeito de 
neutralização. O parafuso de posição é utilizado quando um fragmento ósseo 
fraturado será colapsado para o interior da cavidade medular quando for submetido 
às forças atuantes, ou ainda, quando o fragmento ósseo for muito pequeno para 
permitir o uso de um parafuso com efeito compressivo (Figura 46). A seleção do 
diâmetro do parafuso ósseo para atuar como posicional está relacionada ao 
tamanho do fragmento ósseo envolvido. Em geral, o diâmetro do parafuso não deve 
exceder um terço da largura do fragmento no local da inserção. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 46 – Parafuso ósseo de posição. O pequeno fragmento ósseo fraturado 
foi fixado na posição anatômica pela utilização de um parafuso 
posicional. O parafuso é rosqueado em ambas as corticais, sem 
exercer forças compressivas sobre a fratura. Se fosse utilizado um 
parafuso com efeito compressivo (lag), o pequeno fragmento 
ósseo iria colapsar para o interior da cavidade medular. 
 
 
 
 
Parafusos Ósseos 
 
99 
15.4 PARAFUSOS DE COMPRESSÃO (EFEITO LAG) 
Os parafusos com efeito compressivo (lag) são utilizados para aplicar 
compressão entre os fragmentos ósseos. Podem ser utilizados como fixação 
primária de fraturas nas regiões metafisárias e epifisárias, ou como fixação auxiliar 
nas fraturas diafisárias. Dependendo da região óssea fraturada, podem ser usados 
tanto parafusos esponjosos parcial ou totalmente rosqueados, quanto parafusos 
corticais totalmente rosqueados. 
Nas fraturas diafisárias, o parafuso cortical pode ser empregado para promover 
a compressão interfragmentar quando for utilizada a técnica de confecção de um 
orifício deslizante e um orifício rosqueado. O orifício deslizante é realizado na 
primeira cortical e deve possuir o mesmo diâmetro externo das roscas do parafuso, 
enquanto o orifício rosqueado é realizado na segunda cortical e deve possuir um 
diâmetro menor, equivalente ao diâmetro do centro do parafuso na área rosqueada. 
A superfície externa do orifício deslizante é escareada para acomodar a cabeça do 
parafuso. O comprimento do parafuso é determinado pela mensuração do trajeto 
com um medidor de profundidade. Utiliza-se o macho cortical do mesmo diâmetro do 
parafuso para abertura de rosca no orifício rosqueado. Esse método assegura que, 
ao se colocar o parafuso, ele só irá rosquear na cortical do fragmento distante. O 
ajustamento do parafuso permite que a compressão seja exercida entre os 
fragmentos ósseos, uma vez que a primeira cortical pode mover-se devido às roscas 
do parafuso não se fixarem no orifício deslizante (Figura 47). Um parafuso com 
efeito compressivo pode ser inserido diretamente sobre o osso ou pode ser 
introduzido através do orifício da placa óssea. Quando o parafuso compressivo for 
inserido através da placa não há necessidade de escarear a superfície cortical. 
Quando os parafusos de compressão são usados para comprimir fragmentos 
ósseos em fraturas diafisárias oblíquas ou espirais, eles neutralizam parcialmente as 
forças angulares, rotacionais e compressivas. Entretanto, esse efeito neutralizador 
das forças deve ser mantido com a utilização de outros dispositivos de fixação, como 
fixador esquelético externo ou placa de neutralização. Um parafuso pode ser 
utilizado com efeito compressivo quando a fratura possui, no mínimo, a extensão de 
1,5 vezes o diâmetro do osso. Os possíveis ângulos de inserção dos parafusos 
compressivos precisam ser considerados: um parafuso colocado em ângulo reto à 
linha de fratura promoverá máxima compressão interfragmentar, enquanto um 
parafuso inserido em ângulo reto ao eixo da diáfise produzirá maior resistência às 
forças de encurtamento. Pode-se utilizar o máximo dos benefícios dessas duas 
angulações, inserindo o parafuso em uma angulação intermediária entre o plano 
perpendicular do eixo ósseo e o plano perpendicular da fratura, caso a fratura seja 
longa o suficiente para acomodar dois ou mais parafusos. Entretanto, se um 
parafuso for utilizado essencialmente com a função de compressão interfragmentar 
e outro método de fixação óssea mais estávelestiver associado, é preferível inserir o 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
100 
parafuso compressivo perpendicularmente à linha de fratura. A escolha do diâmetro 
do parafuso para efeito compressivo está relacionada ao tamanho do fragmento 
ósseo envolvido. Em geral, o diâmetro do parafuso não deve ultrapassar um terço da 
largura do fragmento ósseo no local da inserção. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 47 – Parafuso ósseo cortical utilizado com efeito de compressão (lag) 
em fratura diafisária helicoidal. (A) A fratura é reduzida e os 
orifícios ósseos são perfurados. O orifício deslizante é preparado 
na cortical proximal e deve ter o mesmo diâmetro do parafuso 
selecionado. O orifício rosqueado é perfurado na cortical distal e 
deve ter diâmetro reduzido em relação ao diâmetro do parafuso. 
(B) A rosca é confeccionada no segmento ósseo distal com o 
mesmo diâmetro externo do parafuso. (C) Quando o parafuso é 
apertado, ele desliza no orifício do segmento ósseo proximal e 
rosqueia no orifício do segmento distal, promovendo a 
compressão interfragmentar (setas). 
 
 
Os parafusos para ossos esponjosos também podem ser utilizados para 
desempenhar efeito compressivo. Devido à facilidade de aplicação, os parafusos 
esponjosos parcialmente rosqueados são mais comumente utilizados para efeito lag. 
São utilizados para fixação de fraturas em áreas metafisárias ou epifisárias, como as 
fraturas da cabeça e colo do fêmur ou as fraturas intercondilares. Os fragmentos da 
fratura são primeiramente reduzidos e, então, perfura-se um trajeto de diâmetro 
equivalente ao diâmetro do centro do parafuso. As roscas são realizadas no osso 
 
Parafusos Ósseos 
 
101 
com emprego do macho cortical do mesmo diâmetro externo do parafuso. O 
ajustamento do parafuso produz compressão da fratura à medida que o fragmento 
proximal desliza na parte não rosqueada do parafuso. É essencial que a parte lisa 
da haste do parafuso atravesse a linha de fratura. Caso a parte rosqueada esteja 
presente na altura da linha de fratura, a compressão interfragmentar não ocorrerá. 
Além disso, o posicionamento da junção da haste lisa com a parte rosqueada perto 
da linha de fratura pode predispor à quebra do parafuso (Figura 48). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 48 – Parafuso para osso esponjoso parcialmente rosqueado usado com 
efeito compressivo em fratura condilar do úmero (A) e fratura do 
colo femoral (B). A compressão interfragmentar é produzida com 
a parte lisa do parafuso posicionada no primeiro fragmento ósseo 
e com as roscas do parafuso fixadas no segundo fragmento. É 
crucial que a parte rosqueada do parafuso esteja localizada após 
a linha de fratura para possibilitar o efeito compressivo e evitar a 
quebra do parafuso na junção da parte lisa com a parte 
rosqueada. 
 
 
Outra opção avaliada para fraturas intercondilares em pequenos animais é o 
parafuso (pino) Orthofix. Trata-se de um pino com uma parte mais espessa e lisa e 
uma parte mais estreita e rosqueada, que desempenha uma função semelhante ao 
parafuso compressivo. Esse parafuso possui a vantagem de ser autoperfurante e 
autocompressivo, eliminando a necessidade de perfuração prévia com broca e 
abertura de rosca no osso. 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
102 
 
15.5 PARAFUSOS DE PLACAS E HASTES 
Os parafusos ósseos podem ser usados para ancorar placas convencionais 
aos ossos ou fixar as hastes intramedulares. Para essa finalidade, geralmente são 
utilizados os parafusos para osso cortical com a confecção de orifícos rosqueados 
em ambos os córtices. Existem também os parafusos de bloqueio com rosca total, 
que são feitos com cabeças rosqueadas para serem parafusados ou travados em 
placas especialmente confeccionadas com orifícios rosqueados, denominadas 
placas bloqueadas. Os parafusos de bloqueio podem ser autoperfurantes e 
autorrosqueáveis, e podem ser usados como monocorticais ou bicorticais. 
15.6 RECOMENDAÇÕES E COMPLICAÇÕES PÓS-OPERATÓRIAS 
Em geral, os parafusos ósseos não são removidos. A remoção é recomendada 
quando os parafusos estão causando irritação aos tecidos moles adjacentes ou dor 
local. A complicação mais comumente observada é a migração do parafuso, que 
pode ser difícil de ser diagnosticada clinicamente. Outras complicações incluem a 
quebra do parafuso, o afrouxamento do implante e a introdução intra-articular do 
parafuso. 
 
 
16 
PLACAS ÓSSEAS 
A utilização correta de uma placa óssea proporciona ótima estabilidade à 
fratura, permitindo o retorno precoce à função do membro. As placas são indicadas 
para a maioria das fraturas diafisárias dos ossos longos dos pequenos animais. 
Existe uma grande diversidade de tipos, sendo as retilíneas as mais comuns. As 
placas ósseas apresentam variação de comprimento e de número de furos. Elas 
são, geralmente, denominadas pelo diâmetro dos seus furos, que variam de 1,5 mm 
a 4,5 mm. Este método de fixação proporciona a neutralização das forças de 
compressão, cisalhamento, rotação e flexão. Quando a completa redução anatômica 
da fratura é obtida, a placa alcança sua máxima resistência às forças atuantes e 
apresenta longa durabilidade por compartilhar essas forças com o osso. A placa 
óssea é a técnica de fixação interna que causa mais traumatismo aos tecidos moles 
devido à sua extensa área de aplicação. A implantação ideal da placa é quando se 
obtém fixação rígida da fratura, produzindo o menor trauma tecidual possível. 
16.1 PRINCÍPIOS DE APLICAÇÃO DAS PLACAS ÓSSEAS CONVENCIONAIS 
O indicado é que se utilize o mínimo de três parafusos no segmento ósseo 
proximal e três no distal para as placas compressivas e de neutralização. Para as 
placas em ponte, devem ser usados, no mínimo, quatro parafusos em cada 
segmento ósseo principal. Os parafusos rosqueados em duas corticais (bicorticais) 
oferecem fixação mais rígida do que os parafusos monocorticais. Dessa forma, os 
parafusos devem manter a placa fixada a cada segmento ósseo principal por, no 
mínimo, seis corticais perfuradas. A distância mínima entre o orifício do parafuso e a 
linha de fratura deve ser de 5 mm ou, pelo menos, igual ao diâmetro do parafuso 
utilizado. Uma placa longa é bem mais efetiva do que uma placa curta na 
neutralização das forças atuantes sobre a fratura. A quantidade de furos está 
relacionada ao comprimento da placa, assim, placas mais longas permitem a 
utilização de maior número de parafusos. A placa deve ser o mais longa possível 
para o comprimento do osso e, em fraturas diafisárias, o ideal é que a placa ocupe 
toda a extensão entre as duas metáfises ósseas. Antes da aplicação, é imperativo 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
104 
que a placa seja moldada para ajustar-se perfeitamente à superfície do osso ao qual 
vai ser fixada (Figura 49). Por meio de encurvamentos e torções na região entre os 
furos, a placa deve ser moldada previamente à cirurgia. No transcirúrgico, podem 
ser realizados os ajustes finais na modelagem da placa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 49 – Placa óssea em fratura diafisária transversa de fêmur. A placa é 
moldada para se ajustar perfeitamente à superfície lateral do 
fêmur. O tamanho da placa deve atingir toda a extensão entre as 
metáfises do osso. Foram utilizados três parafusos rosqueados 
bicorticais em cada segmento ósseo principal (fixação em seis 
orifícios corticais por segmento). Deve-se manter uma distância 
mínima de 5 mm do parafuso à linha da fratura. 
 
Na escolha do tamanho da placa e dos parafusos, devem ser considerados 
alguns fatorescomo porte e idade do animal, dimensões do osso, tipo e localização 
da fratura. Como referência, são apresentados dados para seleção apropriada da 
placa óssea para fraturas do fêmur, úmero, tíbia e rádio considerando-se o peso do 
animal: cães com até 10kg de peso corporal, placas de 2,0 ou 2,7 mm; cães com 
peso entre 10 e 20kg, placas de 2,7 ou 3,5 mm; cães com peso entre 20 e 40kg, 
placas de 3,5 mm; e cães com peso acima de 40kg, placas de 3,5 ou 4,5 mm. É 
 
Placas Ósseas 
 
105 
esperada uma sobreposição na seleção dos tamanhos das placas para 
determinados pesos corporais. 
Normalmente, os ossos estão submetidos a forças desiguais ao longo do seu 
eixo, de forma que um lado do osso está sob compressão e outro sob tensão. A 
placa deve ser aplicada no lado submetido à tensão, na superfície convexa do osso, 
pois converte a força de tensão em força compressiva. Se a placa for aplicada na 
superfície côncava, estará submetida a excessivas forças de compressão e flexão, 
podendo apresentar encurvamento e quebra do implante (Figura 50). As superfícies 
de tensão dos principais ossos longos são: face lateral do fêmur, face medial e 
cranial da tíbia, face lateral e cranial do úmero, face cranial e medial do rádio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 50 – Princípios de aplicação da placa óssea. Utilizando-se o fêmur como 
exemplo, observa-se que o osso está submetido a forças 
irregularmente distribuídas ao longo do seu eixo (A). O osso pode 
ser comparado a uma coluna encurvada, onde a superfície 
convexa (lateral) é submetida às forças de distração ou de tensão, 
enquanto a superfície côncava (medial) é submetida às forças de 
compressão (B). A placa deve ser aplicada no lado convexo do 
osso, transformando a força de tensão em força compressiva (C). 
Caso seja aplicada na superfície côncava, a placa irá entortar e 
poderá quebrar por fadiga (D). 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
106 
 
16.2 APLICAÇÃO DOS PARAFUSOS DA PLACA CONVENCIONAL 
A fratura é reduzida e qualquer implante auxiliar de fixação (por exemplo, 
parafusos compressivos) é aplicado adequadamente. O tamanho da placa é 
determinado pelo comprimento do osso, devendo ser selecionada a placa mais 
longa que puder ser aplicada corretamente na diáfise. O diâmetro dos parafusos não 
deve exceder a um terço do diâmetro do osso diafisário mensurado na radiografia. A 
placa moldada aos contornos do osso é aplicada sobre a superfície óssea 
cirurgicamente preparada. Deve-se evitar que um furo da placa fique posicionado 
exatamente sobre a linha de fratura, o que impediria a utilização de um parafuso 
nesse local. O primeiro orifício ósseo é perfurado, devendo penetrar as duas 
corticais. Deve ser utilizada uma broca com largura correspondente ao diâmetro 
interno (haste) do parafuso. Assim, por exemplo, se forem utilizados parafusos de 
3,5 mm, a broca de perfuração deve ter diâmetro de 2,5 mm (Tabela 5). O medidor 
de profundidade é utilizado para medir o comprimento do trajeto ósseo e o parafuso 
escolhido deve ser 2 mm mais longo do que o indicado para se assegurar de que a 
rosca do parafuso se prenda nos dois córtices. A rosca no orifício ósseo é 
confeccionada com introdução de um macho cortical que deve possuir o mesmo 
diâmetro externo do parafuso, ou seja, para parafusos de 3,5 mm devem ser criadas 
roscas no osso com macho cortical de 3,5 mm. Na abertura de rosca, o macho 
cortical deve ser introduzido através de uma luva para se manter o alinhamento em 
relação aos orifícios ósseos e evitar lesão aos tecidos moles adjacentes. As roscas 
devem ser criadas em ambas as corticais, e após a remoção do macho cortical, os 
orifícios devem ser lavados com solução fisiológica. O parafuso é delicadamente 
rosqueado no local, usando-se chave sextavada própria (Figura 51). Devem ser 
utilizados apenas os dedos sobre a chave sextavada para promover o aperto nos 
parafusos. O próximo orifício será realizado no outro lado da fratura e os mesmos 
procedimentos são utilizados para a inserção do parafuso. Os parafusos restantes 
são inseridos alternadamente nos demais furos da placa. Dependendo da direção da 
linha de fratura, parafusos com efeito compressivo (lag) também podem ser 
inseridos através dos furos da placa. Em regiões metafisárias e epifisárias, podem 
ser utilizados parafusos para osso esponjoso. 
 
 
 
 
 
 
Placas Ósseas 
 
107 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 51 – Aplicação dos parafusos da placa óssea. (A) O orifício ósseo com 
diâmetro mais estreito do que o parafuso escolhido foi perfurado 
alcançando as duas corticais. O medidor de profundidade é 
utilizado para definir o tamanho do parafuso. (B) As roscas são 
confeccionas em ambas as corticais ósseas com auxílio de um 
macho cortical, que deve ter o mesmo diâmetro do parafuso 
selecionado. (C) O parafuso é inserido no local, devendo 
ultrapassar a segunda cortical em torno de 2 mm. 
 
16.3 TIPOS FUNCIONAIS DE PLACAS ÓSSEAS 
As placas ósseas podem exercer diferentes funções mecânicas, que 
dependem de como esta placa é aplicada ao osso. As placas podem atuar como 
compressão, neutralização, em ponte ou suporte (Figura 52). 
16.3.1 Placa de Compressão 
A placa de compressão dinâmica é utilizada para produzir compressão axial a 
uma linha de fratura. Os fragmentos ósseos são aproximados e comprimidos à 
medida que os parafusos são aplicados. Uma placa pode somente ser utilizada 
como placa de compressão se a fratura for transversa ou oblíqua curta (ângulo da 
linha de fratura inferior a 45º) (Figura 52A). Esta técnica de fixação proporciona 
melhor estabilidade à fratura e favorece a reparação óssea primária. As placas de 
compressão dinâmica são fabricadas especialmente para desempenhar esta função. 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
108 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 52 – Diferentes formas de utilização das placas ósseas em fraturas 
diafisárias do fêmur. (A) Placa de compressão. A fratura 
transversa permite a aplicação de uma placa com efeito 
compressivo sobre a linha de fratura. (B) Placa de neutralização. 
A fratura foi reduzida e inicialmente fixada com parafusos de 
compressão. A placa de neutralização elimina a atuação das 
forças sobre a fratura, mas não promove a compressão entre os 
fragmentos ósseos. (C) Placa em ponte. A fratura fragmentada 
irredutível necessita de uma placa que forme uma ponte no local 
da cominuição óssea e evite o colapso da diáfise. 
 
A principal característica dessa placa é o desenho dos furos que se baseia no 
princípio do deslizamento esférico. Os orifícios da placa são ovais e oblíquos 
(inclinados) no plano longitudinal. O parafuso é inserido de forma excêntrica no furo 
da placa e, à medida que o parafuso é ajustado, a cabeça esférica do parafuso 
desliza para o centro do furo alcançando a porção mais profunda. O resultado é que 
o fragmento ósseo ao qual o parafuso está sendo introduzido é deslocado na 
direção da linha de fratura, promovendo a compressão entre os segmentos ósseos. 
A introdução de um parafuso na posição excêntrica possui o potencial de deslocar o 
fragmento ósseo em torno de 1 mm. Nas placas de compressão de 3,5 mm, pode-se 
conseguir uma aproximação máxima dos segmentos no foco de fratura em torno de 
3 ou 4 mm. 
 
Placas Ósseas 
 
109 
Para aplicação da placa de compressão dinâmica, a fratura é reduzida e a 
placa cuidadosamente ajustada à anatomia do osso. A placa é moldada para que 
sobre espaço de 1 mm entre ela e o osso na altura da linha de fratura. Isso é 
necessáriopara que ambas as corticais do osso sejam comprimidas quando os 
parafusos forem apertados. Se essa pré-moldura da placa não for realizada, ao se 
apertar os parafusos, a cortical próxima à placa será comprimida, enquanto será 
produzido afastamento dos fragmentos na cortical distal. A placa é presa a um dos 
fragmentos ósseos por um parafuso aplicado em perfuração neutra. O parafuso não 
é totalmente apertado e a placa é deslizada em direção à linha de fratura. Um 
segundo parafuso é inserido no fragmento ósseo oposto, devendo-se utilizar o guia 
de perfuração em posição de carga (perfuração excêntrica). Os dois parafusos 
colocados em cada lado da fratura são apertados e a fratura é comprimida (Figura 
53). Os parafusos restantes são inseridos em posição neutra. Em geral, somente os 
parafusos mais próximos à linha de fratura são inseridos em perfuração excêntrica, 
no entanto, se for necessária compressão adicional, outros parafusos da placa 
podem ser inseridos em posição compressiva, alternando-se em cada lado da 
fratura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 53 – Aplicação da placa óssea de compressão em fratura transversa. Os 
primeiros parafusos de cada lado da linha de fratura devem ser 
posicionados excentricamente nos furos da placa (posição 
compressiva). À medida que o parafuso é apertado, sua cabeça 
esférica desliza para a porção mais profunda do furo oblíquo da 
placa, reduzindo a distância entre os fragmentos ósseos ao 
promover a compressão na linha de fratura. 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
110 
16.3.2 Placa de Neutralização 
As placas de neutralização são indicadas para fraturas fragmentadas que 
podem ser anatomicamente reconstruídas pelo uso de parafusos compressivos ou 
fios metálicos e também para fraturas oblíquas longas. Essas placas neutralizam as 
forças de tensão, flexão, compressão e rotação nas linhas de fratura, mas não 
promovem a compressão entre os fragmentos ósseos, como ocorre nas placas de 
compressão. Após a reconstrução óssea, a placa de neutralização impede o colapso 
da fratura ao neutralizar as forças atuantes no eixo ósseo. Nessa função, o osso e a 
placa dividem a carga criada pelo apoio do membro. A placa de neutralização é 
menos estável do que a placa de compressão, pois as forças atuantes sobre o 
implante são absorvidas mais intensamente pelas placas de neutralização. 
Os parafusos da placa de neutralização são inseridos conforme as 
recomendações descritas no item 16.2. Deve-se iniciar pelos furos das extremidades 
da placa e prosseguir alternadamente no sentido dos furos do centro. Quando o furo 
da placa estiver localizado sobre a fratura ou sobre implantes previamente utilizados 
(fios metálicos ou parafusos), ele não deve ser preenchido pelo parafuso (Figura 
52B). Qualquer placa pode ser utilizada com a finalidade de neutralização, inclusive 
as placas especialmente desenvolvidas para compressão dinâmica. Se esta última 
for utilizada, todos os parafusos devem ser aplicados em posição neutra. 
16.3.3 Placa em Ponte 
A placa em ponte é utilizada para manter o comprimento do osso e as relações 
angulares entre as superfícies articulares. A sua aplicação mais frequente ocorre em 
fraturas diafisárias fragmentadas, em que a reconstrução óssea com parafusos ou 
fios metálicos não é tecnicamente possível, ou quando há perda de tecido ósseo. A 
placa impede o colapso da diáfise ao atuar como uma ponte no local da cominuição 
óssea (Figura 52C). No período pós-operatório inicial, as cargas atuantes sobre o 
local não são compartilhadas entre o implante e o osso, sendo suportadas, 
principalmente, pela placa e parafusos. Dessa forma, a placa em ponte necessita ser 
resistente o suficiente para suportar as cargas impostas com o apoio do membro. 
Existem placas especialmente desenvolvidas para atuarem como ponte. A 
parte central da placa, que fica sobre a área de cominuição óssea, não contém 
furos, o que aumenta a resistência da placa nessa região. As placas tradicionais, 
incluindo as de compressão, também podem ser utilizadas como placas em ponte, 
devendo-se manter sem parafusos os furos da placa que recaem sobre a área de 
fragmentação óssea. A placa em ponte é um implante mecanicamente menos 
resistente do que as placas de compressão e neutralização. Assim, para fixação 
adequada dessa placa, devem ser inseridos, no mínimo, quatro parafusos no 
segmento proximal e quatro no distal (oito corticais em cada segmento ósseo 
principal). Se o osso estiver gravemente fragmentado, use a radiografia do osso 
intacto do membro contralateral para selecionar e moldar a placa no contorno 
Placas Ósseas 
 
111 
anatômico adequado. A consolidação da fratura é uma corrida entre a fadiga do 
implante e a união óssea. Para aumentar a vantagem a favor da reparação óssea, 
frequentemente é utilizado o enxerto de osso esponjoso autógeno no local da 
fragmentação óssea. 
16.3.4 Placa de Suporte 
A placa de suporte é utilizada para dar estabilidade a uma fratura epifisária ou 
metafisária e evitar o colapso da superfície articular envolvida. A placa de suporte 
pode ser usada para auxiliar uma fixação com parafuso compressivo de uma fratura 
fragmentar intra-articular. Para evitar o deslizamento da placa e o desalinhamento 
da superfície articular, inserir primeiro os parafusos na porção justarticular da placa. 
Um bom exemplo para utilização da placa de suporte são as fraturas que envolvem 
o platô tibial proximal (Figura 54). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 54 – Fratuta proximal da tíbia, com envolvimento do platô tibial, fixada 
com placa de suporte. A placa foi utilizada para auxiliar na fixação 
anatômica do fragmento ósseo e evitar o colapso da articulação. Os 
parafusos proximais foram inseridos paralelos à superfície 
articular, mas podem exercer função compressiva interfragmentar. 
 
 
 
 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
112 
 
16.4 PLACAS BLOQUEADAS 
 As placas e parafusos bloqueados foram aprimorados e atualmente vem 
ganhando destaque na ortopedia de pequenos animais. As placas são 
especialmente confeccionadas com furos rosqueados ou em formato cônico. Os 
parafusos próprios são feitos com cabeças rosqueadas ou cônicas para serem 
parafusados ou fixados nos furos da placa. Os parafusos bloqueantes são inseridos 
em ângulo fixo, perpendicularmente à placa. A estabilidade é conseguida pelo 
mecanismo de bloqueio entre os parafusos e a própria placa. O sistema de placas 
bloqueadas atua como um fixador esquelético interno e oferece melhor estabilidade 
do que outros métodos de fixação com placas e parafusos convencionais, 
principalmente quando é possível a utilização de apenas dois parafusos em cada 
segmento ósseo. A placa bloqueada não precisa ficar em íntimo contato com a 
superfície óssea, o que elimina a necessidade de um modelamento preciso da placa. 
Além disso, o reduzido contato entre o osso e a placa preserva o suprimento 
sanguineo periosteal e diminui a absorção óssea sob a placa. 
Em alguns modelos de placas menos versáteis, os parafusos não podem ser 
inseridos em angulação e devem ser posicionados somente perpendicularmente à 
placa. Um guia de perfuração especial é rosqueado no furo da placa e possibilita a 
perfuração precisa do osso. Os parafusos são autorrosqueáveis e não precisam 
necessariamente atingir a segunda cortical óssea, podendo ser utilizados como 
monocorticais. Há um outro tipo de placa bloqueada em formato de pérolas que 
permite o encurvamento mais eficiente da placa, além de possibilitar a utilização de 
parafusos de forma convencional ou bloqueante.Um modelo mais versátil é a placa 
de compressão bloqueada, na qual cada furo da placa possui uma combinação de 
dois formatos. Os furos dessa placa podem acomodar tanto um parafuso 
convencional quanto um parafuso bloqueante. Um dos lados do furo tem um formato 
semelhante ao furo da placa de compressão dinâmica convencional, o que permite a 
utilização de um parafuso tradicional na função de compressão axial ou angulado 
para atuar como parafuso lag. O outro lado do furo tem um formato cônico e 
rosqueado, o que possibilita a utilização de um parafuso bloqueante de cabeça com 
rosca (Figura 55). Assim, dependendo dos tipos de parafusos selecionados, esta 
placa pode atuar como uma placa de compressão dinâmica ou como uma placa 
bloqueada de fixação interna. 
 
 
 
 
Placas Ósseas 
 
113 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 55 – Representação esquemática da placa de compressão bloqueada e 
dos parafusos que podem ser utilizados neste sistema. No canto 
inferior direito está demonstrado o formato do furo da placa, que 
possui um lado esférico e oblíquo, e outro lado cônico e rosqueado. 
No lado esférico do furo, pode ser utilizado um parafuso 
convencional para exercer compressão óssea axial ou um parafuso 
inclinado exercendo compressão interfragmentar. No lado 
rosqueado do furo, pode ser utilizado um parafuso rosqueado 
bloqueante. 
 
 
16.5 PLACAS ÓSSEAS ESPECIAIS 
Existem placas ósseas especialmente desenvolvidas para serem aplicadas em 
determinadas áreas anatômicas dos pequenos animais. Estão disponíveis placas em 
forma de C para fraturas acetabulares, miniplacas em forma de T ou L para 
pequenos segmentos ósseos, placas para artrodese do carpo e do tarso, para 
osteotomia tripla da pelve, para osteotomia do platô tibial e para avanço da 
tuberosidade tibial. Também são encontradas as placas de reconstrução, que 
possuem as bordas laterais com recortes para facilitar a modelagem da placa em 
diferentes planos. As placas veterinárias cortáveis estão se tornando populares, por 
permitirem a secção da placa no tamanho e no número de furos desejados. Elas 
estão disponíveis em diferentes diâmetros de furos e podem apresentar até 30 cm 
 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
114 
de comprimento. Apesar das facilidades oferecidas, as placas de reconstrução e as 
placas cortáveis são menos rígidas do que as placas convencionais. 
A placa de compressão dinâmica de contato limitado também está disponível 
para utilização em pequenos animais. Essa placa possui recortes entre os furos na 
superfície de contato com o osso. A face inferior recortada promove um contato 
reduzido entre a placa e a superfície óssea, permitindo a revascularização precoce 
do osso fraturado no local de fixação da placa. A principal superfície de contato da 
placa ocorre na região dos furos. Devido à placa apresentar o contorno de sua parte 
sólida recortada na superfície inferior há menor concentração de cargas na região 
dos furos, o que permite uma distribuição mais uniforme das cargas ao longo da 
placa. A disposição dos furos da placa permite o deslizamento do parafuso por 
ambas as extremidades do furo, o que possibilita a compressão da fratura em 
qualquer direção. Além disso, a abertura inferior do furo da placa é mais ampla e 
permite a inserção dos parafusos em um maior grau de angulação. 
Atualmente, estão sendo desenvolvidas novas placas para fixação óssea, 
como as placas biodegradáveis. Os implantes biodegradáveis estão sendo utilizados 
com mais frequência na medicina humana, principalmente para fixação de fraturas 
de ossos esponjosos. Em pequenos animais, essas placas demonstraram resultados 
promissores na fixação de fraturas do rádio em cães de raças pequenas. As placas 
biodegradáveis promovem adequada fixação da fratura, sendo lentamente 
absorvidas pelo organismo após a reparação óssea. 
16.6 RECOMENDAÇÕES E COMPLICAÇÕES PÓS-OPERATÓRIAS 
A placa óssea e os parafusos necessitam de poucos cuidados pós-operatórios. 
O paciente deve ser reavaliado clínica e radiograficamente após a cirurgia. O 
período adequado para a realização dos exames radiográficos depende do tempo 
estimado para a reparação óssea. Se a placa for removida, este procedimento deve 
ser realizado somente após três meses da evidência radiográfica da união óssea. 
Em geral, as placas ósseas não são removidas após a consolidação da fratura em 
cães esqueleticamente maduros. A remoção das placas ocorre em 15% dos casos, 
estando geralmente associada à ocorrência de complicações. As indicações para a 
remoção das placas ósseas incluem: afrouxamento ou quebra dos implantes, 
osteopenia e refratura do osso, irritação dos tecidos moles, infecção (fístulas) e 
osteomielite, claudicação, dor crônica por condução térmica, interferência com 
crescimento ósseo, união óssea retardada ou não união, osteossarcoma induzido 
pelo implante. 
 
 
17 
COMBINAÇÃO PLACA ÓSSEA E 
PINO INTRAMEDULAR (PLATE-ROD) 
A placa óssea associada ao pino intramedular é geralmente utilizada quando a 
placa precisa suportar muita concentração de cargas. Aplica-se em fraturas sem 
possibilidade de reconstrução anatômica, onde as cargas atuantes não são 
inicialmente compartilhadas entre o implante e o osso. Essa combinação se 
beneficia do sinergismo das propriedades mecânicas dos implantes utilizados. O 
pino intramedular é eficaz em neutralizar as forças de flexão, enquanto a placa é 
eficaz em neutralizar as forças rotação e compressão. O pino prolonga o tempo de 
fadiga da placa em até 10 vezes. A técnica está indicada principalmente para as 
fraturas cominutivas do fêmur, úmero e tíbia. 
O pino intramedular é inicialmente aplicado para restabelecer o comprimento e 
o alinhamento ósseo. O diâmetro do pino selecionado deve ter cerca de 40% a 50% 
do diâmetro do canal medular. Devido à presença do pino no interior da cavidade 
medular, na maioria das vezes, é possível inserir apenas um ou dois parafusos 
bicorticais nas regiões metafisárias do osso, sendo os demais furos da placa na 
região diafisária preenchidos com parafusos monocorticais (Figura 56). A 
combinação placa e pino intramedular pode ser aplicada utilizando o princípio de 
abordagem minimamente invasiva em fraturas diafisárias muito cominutivas, 
mantendo os pequenos fragmentos ósseos no centro da fratura sem manipulação 
direta. O mínimo de quatro córtices devem ser preenchidos por parafusos em cada 
segmento ósseo principal. 
A complicação mais comumente observada após a utilização desse método é a 
migração do pino intramedular ou soltura dos parafusos monocorticais, que devem 
ser removidos nesses casos. Por ser um sistema muito estável e rígido, em algumas 
situações, pode ocorrer o estímulo insuficiente para a consolidação óssea e 
ocasionar união óssea retardada ou não união. 
 
 
 
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Figura 56 – Placa óssea associada ao pino intramedular (plate-rod) em fratura 
fragmentada de fêmur. O pino intramedular foi inicialmente 
introduzido, promovendo a distração da fratura para restabelecer o 
comprimento ósseo. A placa moldada é aplicada sobre a superfície 
lateral do fêmur. Devido à presença do pino intramedular, os pinos 
inseridos na diáfise são fixados apenas na primeira cortical 
(monocorticais). À medida que o diâmetro do osso aumenta na 
região metafisária, é possível a inserção de parafusos que se fixam 
nas duas corticais (bicorticais). 
 
 
 
 
 
 
18 
COMBINAÇÃO PLACA ÓSSEA E 
HASTE INTRAMEDULAR (PLATE-NAIL) 
O plate-nailcaracteriza-se pela utilização de uma haste intramedular bloqueada 
associada a uma placa óssea. O método se beneficia das propriedades 
biomecânicas desses dois tipos de implante para proporcionar elevado grau de 
estabilidade e rigidez na fixação de fraturas. Essa associação neutraliza de forma 
eficaz as forças atuantes no osso, sendo indicada principalmente para fraturas 
cominutivas e complexas. Indica-se sua utilização nas fraturas diafisárias do fêmur, 
úmero e tíbia, pois há necessidade de um osso longo com amplo canal medular para 
inserção da haste. 
As hastes intramedulares utilizadas são as mesmas daquelas empregadas no 
sistema de hastes bloqueadas convencionais e possuem diâmetros e comprimentos 
variados. As hastes com 4,0 mm de diâmetro são utilizadas com placas e parafusos 
corticais de 2 mm, as hastes de 6,0 mm são associadas com placas e parafusos de 
2,7 mm, e as hastes de 8,0 mm recebem as placas e parafusos de 3,5 mm. As 
hastes possuem dois furos na extremidade proximal e dois furos na extremidade 
distal. As placas são confeccionadas em tamanho proporcional ao da haste 
selecionada. Os dois orifícios proximais e os dois orifícios distais da placa coincidem 
com os respectivos orifícios da haste intramedular, possibilitando a utilização de 
parafusos de alcance bicortical. Esses quatro orifícios da placa possuem formato 
oblongo sem autocompressão, o que permite o modelamento da placa à superfície 
óssea sem interferir com o nivelamento entre os orifícios da placa e da haste. A 
placa possui, ainda, orifícios intermediários que possibilitam a utilização de 
parafusos monocorticais. A parte central da placa não possui orifícios e atua como 
um implante em ponte sobre o local da fratura. 
A haste intramedular selecionada é inserida no canal medular e conectada ao 
guia de perfuração conforme descrito para a técnica de hastes bloqueadas. Os 
orifícos ósseos bicorticais são realizados, iniciando-se pelo mais distal. A placa 
previamente moldada é colocada sobre a superfície óssea antes que os parafusos 
sejam inseridos. Em seguida, são colocados os parafusos bicorticais, fixando a placa 
na superfície do osso e a haste no interior do canal medular. Opcionalmente, os 
Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
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orifícios centrais da placa são preenchidos com parafusos monocorticais (Figura 57). 
O sistema plate-nail pode ser utilizado baseando-se no conceito de ostessíntese 
biológica, na qual a haste e a placa são inseridas por meio de abordagem 
minimamente invasiva, e apenas os parafusos bicorticais (bloqueantes) são fixados. 
Em geral, a placa óssea e a haste intramedular devem ser removidas após a 
reparação da fratura, objetivando evitar o estresse de proteção local e o 
desenvolvimento de osteopenia. Em casos pouco frequentes, pode ocorrer 
afrouxamento do sistema, quebra dos implantes, união óssea retardada ou não 
união. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 57 – Placa óssea associada à haste intramedular (plate-nail) em fratura 
fragmentada de fêmur. Visão cranial (esquerda) e visão lateral 
(direita). A haste intramedular foi inicialmente introduzida, 
restabelecendo o comprimento ósseo. A placa moldada é aplicada 
sobre a superfície lateral do fêmur e os parafusos bicorticais são 
inseridos. Os parafusos bicorticais atravessam os orifícios da 
placa e da haste, fixando a placa ao osso e bloqueando a haste no 
interior do canal medular. Os orifícios intermediários da placa 
podem ser preenchidos com parafusos monocorticais. 
 
 
 
 
19 
EXERCÍCIOS 
Nos exemplos seguintes estão descritas situações de fraturas dos ossos 
longos em cães. Leia atenciosamente os dados fornecidos e responda às questões 
de A a D para cada exemplo apresentado. 
 
 
Exemplo 1 
Foi encaminhado um cão sem raça definida, pesando 6,8 kg, fêmea, de oito 
meses de idade, que sofreu atropelamento havia 24 horas. Ao exame ortopédico 
observou-se claudicação intensa com apoio parcial do membro pélvico direito, 
aumento de volume na região diafisária do fêmur, com crepitação e dor local. Além 
do trauma no membro, o cão não apresentava lesões aparentes em outros sistemas. 
O cão vivia em pequeno canil cimentado e o proprietário demonstrava-se bastante 
cooperativo com o tratamento do animal. Ao exame radiográfico foi confirmada uma 
fratura oblíqua longa no terço médio da diáfise femoral. 
 
 
Exemplo 2 
Foi encaminhado um cão da raça Rottweiler, pesando 46,5 kg, macho, de oito 
anos de idade, que sofreu atropelamento havia duas horas. Ao exame ortopédico 
observou-se claudicação intensa com ausência de apoio do membro pélvico 
esquerdo, hematomas e laceração dos tecidos moles na região distal da tíbia, e 
exposição medial de fragmento ósseo. Além da fratura exposta da tíbia, o animal 
não apresentava outras alterações clínicas. O cão era criado em um sítio, sendo 
notada pouca disponibilidade de tempo dos proprietários para os cuidados com o 
animal. Ao exame radiográfico, observou-se fratura fragmentada no terço distal da 
diáfise tibial, acompanhada de fratura completa da fíbula. 
 
 
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Exemplo 3 
Foi encaminhado um cão da raça Pinscher, pesando 3,2 kg, macho, de dois 
anos de idade, que sofreu queda de altura elevada havia quatro dias. Ao exame 
ortopédico, observou-se claudicação intensa com ausência de apoio do membro 
torácico direito, aumento de volume na região diafisária do rádio, desvio do eixo 
ósseo, crepitação e dor local. O cão não apresentava outras alterações clínicas além 
do trauma no membro. O animal vivia em apartamento e os proprietários tinham três 
crianças que brincavam diariamente com o cão. Ao exame radiográfico, observou-se 
fratura completa transversa de rádio e ulna, no terço distal da diáfise óssea. 
 
Exemplo 4 
Foi encaminhado um cão da raça Boxer, pesando 21 kg, macho, de nove 
meses de idade, que sofreu traumatismo recente no membro torácico direito ao pular 
do veículo em movimento. O cão vivia em uma casa com quintal amplo e com outros 
dois cães de grande porte. Ao exame ortopédico observou-se claudicação intensa 
sem apoio do membro, com aumento de volume e crepitação óssea na região do 
cotovelo. Ao exame radiográfico, foi diagnosticada fratura fisária distal supracondilar 
do tipo Salter-Harris II. 
 
 
A) De acordo com o histórico do animal, o osso cometido e o tipo de fratura 
apresentada, como você consideraria este caso quanto à capacidade de reparação 
óssea da fratura e recuperação funcional do membro ? 
 
B) Comente sobre o método de imobilização/fixação óssea escolhido para 
estabilizar a fratura, destacando os motivos que levaram à escolha do método e 
suas particularidades quanto à neutralização de forças atuantes sobre a fratura. 
 
C) Descreva detalhadamente a técnica cirúrgica para implantação do método 
de imobilização/fixação óssea escolhido, destacando os cuidados que devem ser 
observados ao se aplicar o(s) implante(s). É interessante fazer um desenho 
ilustrativo do osso fraturado com o método de fixação selecionado. 
 
D) De acordo com o histórico do animal e o método escolhido para fixação da 
fratura, comente sobre as recomendações e os procedimentos no pós-operatório, 
descreva a conduta de reavaliação e acompanhamento do caso, e comente sobre a 
expectativa de remoção do(s) implante(s). 
 
 
20 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
LIVROS 
 
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Ortopedia em Pequenos Animais – Manejo de Fraturas 
 
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