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Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Unidade 1
A Construção do Conhecimento Cientí�co
Aula 1
As Diferentes Formas de Conhecimento
As diferentes formas de conhecimento
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Você já re�etiu sobre o que é o conhecimento? Por que e como sabemos o que sabemos? O que
é possível conhecer? De acordo com o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa Michaelis
(2023), o conhecimento pode ser de�nido como o ato ou efeito de perceber/compreender por
meio da razão e/ou da experimentação. E o que isso quer dizer? Quer dizer que tudo o que
conhecemos é produto do nosso processo cognitivo (razão) ou vem daquilo que vivenciamos
(experimentação). Assim, entendemos que o ato de conhecer é uma construção que se dá ao
longo de nossas vidas.
Se o conhecimento é uma construção, ele se dá de diferentes maneiras e podemos identi�car
diferentes tipos de construções. Vamos elencar três delas: o senso comum (também chamado
de conhecimento empírico/popular/vulgar), o conhecimento religioso e o conhecimento
�losó�co. A partir disso, vamos re�etir sobre a seguinte situação: Em uma sala de aula, três
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
estudantes são desa�ados pelo professor de Filoso�a a responderem a três questões, que são
recorrentes ao longo da história:
1. De onde viemos?
2. Para onde vamos após a morte?
3. Por que estamos aqui?
Cada aluno, a partir da sua visão de mundo, adota uma postura diferente em relação às
respostas. Lucas vê o mundo a partir do conhecimento religioso; Saulo interpreta as questões a
partir do �losó�co e, por �m, o último, Daniel, por meio do senso comum.
E você, como responderia tais questionamentos? Ao decorrer da aula você será capaz não
apenas de entender como se dá a construção dos diversos tipos de conhecimentos, mas
também de identi�cá-los a partir de suas particularidades. Bons estudos!
Vamos Começar!
De onde vem o nosso conhecimento? Esse é um questionamento que muitas vezes não nos
fazemos, mas é importante para compreendermos as diferentes formas de interpretação dos
fenômenos que nos cercam. Segundo Aranha e Martins (2003), ao falar sobre conhecimento,
podemos fazer alusão ao ato de conhecer ou a aquilo que é produto do conhecimento. O ato de
conhecer é pertinente à relação que se dá entre a consciência (aquele que busca conhecer) e o
objeto (aquilo que vai ser conhecido). Por sua vez, o produto do conhecimento é resultado do ato
de conhecer, sendo entendido como a soma dos saberes acumulados e recebidos. Esses
saberes sofrem in�uências sociais, culturais, econômicas, políticas e históricas na sua
constituição.
O ser humano é, por natureza, curioso e investigativo; sentimos a necessidade de conhecer. Esse
conhecimento é algo dinâmico, ou seja, está em constante movimento e em constante
transformação. A partir disso, é possível compreender que o conhecimento vem sendo
construído ao longo da história, a partir de diferentes perspectivas, variando e se transformando
de acordo com o tempo histórico e com as diferentes regiões do planeta. Isso quer dizer que a
interpretação dos fatos e fenômenos que nos cercam também se transformam à medida que a
sociedade se transforma.
Basta percebermos que muitos valores, regras, visões econômicas, sociais, políticas e culturais
vigentes no nosso país na década de 1930, por exemplo, não são os mesmos que nos guiam na
atualidade. Para compreendermos melhor, vamos pensar no direito ao voto, que para as
mulheres se concretizou apenas em 1932 de maneira facultativa. Nas eleições de 1933, as
mulheres puderam votar e ser votadas pela primeira vez, mas foi somente no ano de 1965 que o
voto feminino foi equiparado ao voto dos homens, se transformando em um dever social (Tosi,
2023). Atualmente os partidos políticos têm inclusive cotas mínimas que devem ser reservadas
para a candidatura de mulheres em cada pleito eleitoral.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Essa re�exão é importante, pois nos ajuda a compreender como as transformações na
sociedade in�uenciam a nossa visão de mundo, a nossa interpretação da realidade e a maneira
como construímos o nosso conhecimento a respeito das mais diversas questões, sejam elas
sociais, culturais, econômicas, políticas, etc. Esse processo, como já vimos, é dinâmico, o que
implica dizer que esse conhecimento está em constante transformação. Existem diferentes
formas de interpretarmos a realidade que nos cerca, de chegarmos às respostas daquilo que nos
inquieta. Desse modo, podemos classi�car o conhecimento em diferentes tipos, a depender do
tipo de resposta que damos a um determinado questionamento.
Siga em Frente...
Senso comum
Há quanto tempo os indivíduos usam ervas medicinais no tratamento de doenças? Há muitos
séculos. Você provavelmente já ouviu sobre como o chá de boldo ajuda a melhorar a ressaca ou
que, para melhorar o sono, chá de camomila é “tiro e queda”. E que o açúcar cristal pode ser
utilizado na cicatrização de ferimentos, você sabia? Essas soluções, que parecem simples e
naturais, fazem parte da construção dos saberes de determinado grupo; compõem a sua cultura,
são transmitidas geração após geração, na maioria das vezes sem questionamento. É o que
chamamos de sabedoria popular, conhecimento empírico ou senso comum.
Atualmente, há pesquisas cientí�cas que indicam a e�cácia bactericida e cicatrizante do açúcar
cristal; outras mostram como o boldo tem efeito sobre a vesícula biliar e aumenta as secreções
gástricas; encontram-se, ainda, estudos que revelam as funções calmante, relaxante e ansiolítica
presentes nos compostos da camomila. Mas as questões citadas anteriormente são de cunho
cientí�co e não fazem parte da construção do senso comum. Na maioria das vezes, as pessoas
apenas conhecem os benefícios do uso das plantas, por exemplo, algo que é fundamentado na
percepção sensorial e na tradição, limitando-se a informações sobre o seu uso (Köche, 2011).
Aranha e Martins (2003, p. 60) de�nem o senso comum como o “conhecimento adquirido por
tradição, herdado dos antepassados e ao qual acrescentamos os resultados da experiência
vivida na coletividade a que pertencemos”. É, portanto, um conhecimento adquirido por meio de
vivências construídas no dia a dia e que se dá pela relação e interação contínua com o meio
ambiente e/ou meio social em que estamos inseridos. Assim, é um corpo de ideias e valores por
meio das quais interpretamos a realidade e buscamos as respostas para os nossos
questionamentos e para as nossas ações.
O senso comum é um conhecimento que não requer nenhum tipo de exercício crítico, pois está
ligado às vivências pessoais e ao interesse prático; também não envolve nenhum tipo de
veri�cação experimental para tomar algo como verdade. Ele é considerado como passivo,
ingênuo e dotado de subjetividade, pois contenta-se com explicações super�ciais e imediatas;
mistura-se com crenças e preconceitos; muitas vezes é permeado por incoerências e se mostra
resistente a mudanças. A revisão e a crítica dos princípios que norteiam o senso comum,
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
segundo Bunge (1969, p. 20), ocorrem apenas quando “evidências espontâneas proporcionam
uma correção da interpretação anterior”.
Mas, atenção! Mesmo sendo consolidado como convicção, cultura ou tradição, precisamos nos
atentar para as características negativas desse conhecimento, como a produção de sentenças,
injustiças e opiniões preconceituosas que são produzidas pelo senso comum e ganham espaço
na sociedade. Questões ligadas à xenofobia, ao racismo, à misoginia, à homofobia, etc., estão
assentadas em crenças infundadas e retrógradas que contribuem para a perpetuação do ódio e
da exclusão ao diferente (Gallo,o
desenvolvimento das forças produtivas, e isso não era encontrado no senso comum, nem na
religião, nem na �loso�a. Assim, a ciência determina seu objeto especí�co de investigação e cria
um método con�ável pelo qual estabelece o controle desse conhecimento. Os métodos
rigorosos possibilitam estabelecer um conhecimento sistemático, preciso, causal e objetivo que
permite a descoberta de relações universais entre os fenômenos, a previsão de acontecimentos
e a ação sobre a natureza de maneira mais segura.
É preciso se atentar para o fato de que, ao falar em ciência, não é feita referência apenas àquele
tipo de ciência cuja imagem muitas vezes nos é passada pelo senso comum; aquela feita em
laboratórios, pelas ciências exatas e naturais. As ciências humanas também precisam ser
incluídas nesse campo cientí�co, pois também produzem um conhecimento sistematizado e
con�ável, pautado em elementos que buscam a verdade para o entendimento dos fatos e
fenômenos. Elas se consolidaram a partir da evolução do modo de produção capitalista, a partir
da racionalização dos campos social, político, econômico e cultural da vida humana.
Em um primeiro momento, as ciências humanas tomaram como base as ciências naturais para o
desenvolvimento das suas perspectivas teóricas, entendendo que era possível analisar os fatos e
fenômenos sociais com a mesma objetividade e distanciamento com que são analisadas as
questões naturais. Com o desenvolvimento das teorias e a transformação da sociedade,
surgiram outras teorias que contestaram esse olhar, entendendo que não era possível analisar
com tanta objetividade e distanciamento os fenômenos sociais que apresentam características
tão subjetivas e particulares, e que muitas vezes não são passíveis de previsibilidade no seu
processo de experimentação.
Assim, essas questões são fundamentais para que se compreenda a estruturação do
pensamento moderno e contemporâneo, para que se compreenda a maneira como a sociedade
se estruturou ao longo dos anos e quais foram as in�uências, as visões de mundo que atuaram
nessas transformações. Essas questões estão presentes também na nossa atualidade e são
importantes para a compreensão e análise de aspectos que permeiam a nossa realidade.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Re�ita
A partir disso, re�ita sobre os seguintes questionamentos:
A racionalização pela qual o mundo moderno passou e que ainda hoje vivemos de fato é
utilizada para a transformação da sociedade a partir de uma perspectiva positiva ou o
desenvolvimento da ciência também pode ser usado de uma forma que pode ser considerado
destrutivo/prejudicial?
Os diferentes tipos de conhecimento (senso comum, conhecimento religioso, conhecimento
�losó�co e conhecimento cientí�co) se relacionam de alguma forma ou eles se estruturam e se
desenvolvem de maneira independente?
É Hora de Praticar!
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O con�ito entre Israel e Palestina não é algo novo nem recente; ele existe há muito tempo e tem
nuances políticas, históricas, sociais, religiosas. Olhando de uma perspectiva histórica, é possível
entender que esse con�ito começou na década de 1940, quando o Reino Unido criou um “lar
nacional” para os judeus na região da Palestina (entre o rio Jordão e o Mar Mediterrâneo) após a
Segunda Guerra Mundial. Tal situação desagradou os muçulmanos e, desde então, nunca houve
um acordo de paz.
A tensão entre esses dois povos vem se intensi�cando ao longo dos anos e parece estar longe
de ser resolvido. Para compreender melhor as questões que estão envolvidas nesse confronto,
leia o texto: “O con�ito entre Israel e Palestina”, de Taís Lima Vieira, Paulo da Silva Cardoso e
Laura de Almeida Schefer.
Após a leitura do artigo, responda aos seguintes questionamentos:
De que forma o con�ito entre judeus e muçulmanos pode ser interpretado por meio do
conhecimento religioso?
De que maneira o conhecimento cientí�co nos auxilia a compreender as questões
envolvidas no confronto?
Bons estudos!
Que tal voltar no conteúdo estudado e retomar os pontos principais que podem ajudá-lo a
responder os questionamentos levantados? Este é um momento em que você poderá exercitar o
que aprendeu!
https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/445/305
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
As diferentes questões que envolvem o nosso cotidiano podem ser interpretadas por diferentes
visões de mundo, a partir de diferentes conhecimentos. Isso serve para inúmeras situações com
que nos deparamos. As diferentes formas de conhecer nos auxiliam no nosso cotidiano; em uma
conversa informal; no nosso trabalho, no qual precisamos estar informados e atentos; ou quando
professamos alguma fé, momento em que seguimos determinada doutrina.
Ao interpretar o con�ito entre judeus e muçulmanos pela ótica religiosa, é necessário
compreender que os judeus enxergam a região como a Terra Prometida, conforme descrito no
Antigo Testamento. Assim, esse povo tem um sentimento de pertença ligado àquela região. Por
outro lado, o território também é considerado sagrado pelos muçulmanos, que ocuparam a
Palestina (o território foi renomeado pelo Império Romano ainda na Antiguidade) por volta do
século VII d. C. e lá permaneceram até a dominação turca no século XIV.
Por outro lado, olhando de uma perspectiva social, econômica e política, existem outros fatores
que estão ligados a essa disputa territorial, que vem desde a Primeira Guerra Mundial, quando os
britânicos assumiram o controle do local. Após a Segunda Guerra Mundial e depois do
Holocausto, aumentou a pressão pelo estabelecimento de um Estado judeu. O plano original
previa a partilha do território controlado pelos britânicos entre judeus e palestinos.
A disputa é por território e soberania. Israel reivindica a soberania sobre Israel inteira, e a�rma,
após ocupar Jerusalém Oriental, que a cidade é sua capital “eterna e indivisível”. Os palestinos
querem Jerusalém Oriental como sua capital. Existem assentamentos ilegais no território
palestino e refugiados palestinos em território israelense. Existem também interesses militares
envolvidos nos con�itos.
Para se aprofundar no assunto, você pode ouvir o episódio: Israel X Palestina: a história do
con�ito, do podcast O Assunto, publicado no dia 13 de outubro de 2023.
Vamos olhar para uma linha do tempo pensando na transformação da sociedade da Idade Média
para a Idade Moderna e a construção do conhecimento nesse período.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Fonte: elaborada pela autora.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à
�loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 26ª ed.
Petrópolis: Vozes, 2007.
VIEIRA, Tais Lima; CARDOSO, Paulo da Silva; SCHEFER, Laura de Almeida. O con�ito entre Israel e
Palestina. Revista Vianna Sapiens, Juiz de Fora, v. 9, n. 2, p. 334-357, 21 dez. 2018. Disponível em:
https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/445/305. Acesso em: 19 out. 2023.
,
Unidade 2
Ciência e Pesquisa
https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/445/305
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Aula 1
Os Dilemas do Conhecimento na Atualidade
Os dilemas do conhecimento na atualidade
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Há alguns anos, nem se podia imaginar que você conseguiria ter, em um só aparelho,suas
músicas preferidas, câmera fotográ�ca, aplicativos que dão acesso a bancos e um telefone com
acesso à internet. Graças à tecnologia, isso é possível. Será que você se lembra como era a vida
antes do smartphone, do tablete e do Wi-Fi? O progresso da tecnologia sem dúvidas nos trouxe
inúmeros avanços, facilidades e melhorias, mas precisamos olhar também pelo lado negativo. O
desenvolvimento e a ampliação das mídias sociais, a facilidade de acesso e de
compartilhamento de informações também proporcionou a desinformação e a disseminação de
fake news (notícias falsas).
Para re�etirmos sobre conhecimento, informação e desinformação, vamos pensar na seguinte
situação: imagine-se como um pesquisador cientí�co que foi convidado por um jornal de grande
circulação para falar dos efeitos nocivos que as fakes news podem causar à sociedade como um
todo. O jornal pede que você formule um roteiro com os principais meios para reconhecer a
falsidade de uma notícia. Elenque cinco passos a serem seguidos pelos leitores que os auxiliarão
nessa tarefa. Bons estudos!
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Vamos Começar!
Você já deve ter ouvido falar em fake news. Elas são notícias fabricadas que propagam mentiras
a respeito de um assunto em particular ou sobre uma pessoa, em geral, pública. Elas são
extremamente danosas à sociedade e muitas vezes causam danos irreversíveis, como a queda
brusca nas taxas de vacinação de uma população. Elas podem afetar também a vida �nanceira
das pessoas, a integridade física e até mesmo o exercício da cidadania. As fakes news devem
ser combatidas com informações contextualizadas e conhecimento de qualidade; nós sabemos
que o conhecimento cientí�co pode ser muito útil nessa tarefa. Para isso, precisamos começar
compreendendo a diferença entre informação e conhecimento.
Informação versus conhecimento
Você já deve ter notado que muitas vezes tratamos dados como sinônimo de informação e
informação como sinônimo de conhecimento, mas essas são associações equivocadas. Na
atualidade, temos acesso a um grande volume de informação apenas com um clique, na maioria
das vezes nas telas dos nossos smartfones. Antigamente, reis e rainhas eram privilegiados por
possuírem uma, duas ou três centenas de livros. Ou, se olharmos para a Idade Média, o
conhecimento em grande parte �cava restrito àqueles que faziam parte do clero (Aranha;
Martins, 2003). Hoje em dia, qualquer pessoa pode ter facilmente essa quantidade de livros,
principalmente em formatos digitais. Com tanta informação disponível, é comum nós
assimilarmos inteligência com quantidade de informação, mas essa conexão pode ser bastante
enganosa.
Tratar a informação e o conhecimento como sinônimos é uma crença bastante comum nos
nossos tempos. Nós lidamos com dados, informações e conhecimento diariamente; todavia,
muitas vezes os tomamos como sinônimos, quando cabe saber diferenciá-los. Essas questões
são importantes para pensarmos posteriormente no desenvolvimento de pesquisas cientí�cas,
pois esses três elementos precisam ser trabalhados para a produção de pesquisas coerentes e
consistentes, embasadas de fato no conhecimento cientí�co.
Dados podem ser de�nidos como a matéria-prima da informação; eles representam signi�cados
que, isoladamente, não transmitem nenhuma mensagem ou conhecimento. Eles são as unidades
a partir das quais as informações poderão ser elaboradas (Semidão, 2014). Em uma pesquisa de
opinião sobre a qualidade de um produto, por exemplo, a coleta da opinião de cada pessoa só
poderá produzir alguma informação signi�cativa sobre a satisfação com o produto depois de ser
tratada e agregada às demais. Os dados isolados não querem dizer nada, não transmitem
informação nenhuma.
As informações, por sua vez, são os dados tratados. A informação é resultado do processamento
dos dados coletados que interessam ao pesquisador. Ela é o dado inserido em um contexto,
dotado de relevância e propósito (Semidão, 2014). Como ela possui signi�cado, auxilia o
processo de tomadas de decisão. No exemplo anterior, a informação expressaria os níveis de
satisfação das pessoas entrevistadas com o produto, revelando se a imagem que elas possuem
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
é positiva ou negativa. Frequentemente, utilizam-se ferramentas estatísticas como indicadores
para tratar os dados e obter alguma informação que antes não poderia ser vista.
O conhecimento está além da informação, porque tem tanto signi�cado como aplicação. O
conhecimento envolve nossa faculdade de abstração, a qual é capaz de produzir novas ideias a
partir das informações que temos em dado momento. O conhecimento exige que um sujeito seja
capaz de processar as informações, identi�cando o que é importante nelas e as direcionando
para algum �m. Nesse sentido, a informação é como se fosse a matéria-prima do conhecimento.
O quadro a seguir sintetiza essas de�nições para que possamos compreender melhor:
DADOS INFORMAÇÃO CONHECIMENTO
São elementos brutos,
decorrentes de
observações ou coletas
direcionadas.
Conjunto de fatos
objetivos sobre eventos.
A menor partícula que
compõe a informação.
Conjunto de dados
presentes em um
contexto e carregado de
signi�cados.
Conjunto de dados que
reduza a incerteza ou
que permita que se
chegue ao
conhecimento de algo.
Uma das partículas que
compõe o
conhecimento.
Decorre da
interpretação e
compreensão dos
dados e das
informações.
Inclui re�exão, síntese e
contexto.
 
 
Quadro 1 | Diferença entre dados, informação e conhecimento. Fonte: elaborado pela autora.
Siga em Frente...
As fake news e o dano real à sociedade
Nos dias de hoje, o termo fake news tem sido adotado como referência às notícias que divulgam
informações falsas ou manipuladas e que têm dominado as mídias digitais em escala global. A
ciência, embora preserve sua integridade pelo rigor na aplicação do método cientí�co, não está
imune de seus efeitos. As fake news também podem se perpetuar utilizando de bases
supostamente cientí�cas a �m de convencer o maior número de pessoas. Sua atuação pode ser
vista tanto em reportagens sensacionalistas sobre assuntos cientí�cos na mídia em geral, que
podem ser mal-intencionadas, quanto por notícias falsas deliberadamente fabricadas.
As fake news podem provocar sequelas permanentes em pessoas e afetar um país inteiro, por
exemplo, quando divulgam supostos efeitos negativos das vacinas. Esse assunto ganhou
relevância com a pandemia da covid-19, quando notícias totalmente falsas e sem comprovação
cientí�ca começaram a circular nas redes sociais e nos aplicativos de trocas de mensagens,
desinformando a população. Algumas podem ser destacadas, como: “a vacina contra a covid-19
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
vai modi�car o DNA dos seres humanos”, “a vacina contra a covid-19 tem chip líquido e
inteligência arti�cial para controle populacional”, “imunizantes contra covid-19 estão
relacionados à transmissão de HIV” “ou vacinas contra covid-19 criam campo magnético no
corpo de quem é imunizado” (Lorenzetti; Verdum, 2021). Todas essas notícias foram
desmentidas, você pode encontrar os fatos checados no site da Agência Da Hora (Lorenzetti;
Verdum, 2021).
Quando lemos tais a�rmações, elas soam como absurdas, mas muitas pessoas acreditaram
nessas e em outras mentiras, o que fez com que elas deixassem de se vacinar contra a covid-19.
Não somente isso, essa onda de desinformação levou também a uma queda expressiva na
vacinação infantil do país. O Brasil, que já foi exemplo mundial de vacinação devido ao Sistema
Único de Saúde (SUS), chegou no ano de 2022 ao menor índice de vacinação infantil dos últimos
30 anos. A queda generalizada se deu em vacinas contra a hepatite B, o tétano, a difteria, o
sarampo, caxumba, rubéola e contra a paralisia infantil (Westin, 2022).
No ano de 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) o certi�cado
de território livre do sarampo. Entretanto, entre 2018 e 2021, os casos voltaram a ser registrados
(cerca de 40 mil), com 40 mortes. Em 2019 o Brasil perdeu o certi�cado que havia recebidotrês
anos antes. O sarampo é uma doença grave, não se trata apenas de pequenas manchas
vermelhas que aparecem na pele; ele pode retardar o crescimento e reduzir a capacidade mental.
Outro problema é a falta de investimento governamental para conscientização da população
sobre a importância de se vacinar e de levar as crianças. De 2017 a 2021, o governo federal
reduziu de R$ 97 milhões para R$ 33 milhões o valor investido na publicidade da vacinação
(Westin, 2022).
A melhor forma de combater as fake news é pela informação, mas não basta a�rmar a
autoridade cientí�ca, é preciso contribuir no sentido de fazer as pessoas entenderem o porquê
tais a�rmações são falsas. É necessário levar o conhecimento básico cientí�co até elas; além
disso, é preciso incentivar o pensamento cientí�co para que se desenvolva o pensamento crítico.
Para isso, é preciso levar a ciência às pessoas de uma maneira acessível, de uma maneira que
seja compreensível a todas as camadas da população. A ciência acessível permite que as
pessoas conheçam as características dela e, então, percebam o porquê de ser um conhecimento
con�ável.
Uma das características do conhecimento cientí�co é a falibilidade. Isso signi�ca que todo
discurso cientí�co é passível de correção; evita-se, assim, qualquer tipo de dogmatismo, como a
estagnação de uma hipótese cientí�ca e o culto à autoridade. A falibilidade permite que a ciência
progrida com novos dados e evidências, fazendo também com que as teorias sejam cada vez
mais (re)ajustadas à realidade. Com isso, produz-se um conhecimento diferenciado em
comparação com os outros, mais profundo e verdadeiro.
A ciência também mantém um aspecto de questionabilidade ou ceticismo, que signi�ca dúvida
metodológica. Ela consiste na adoção do ceticismo cientí�co, que é o princípio segundo o qual
todas as hipóteses e teorias devem ser questionadas de forma metódica, responsável e
cienti�camente orientada. Isso signi�ca que a ciência não adota um tipo de ceticismo conhecido
como radical, o qual advoga por um questionamento absoluto, irresponsável, descontrolado de
https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
tudo; este tipo de ceticismo é dogmático. A questionabilidade promovida na ciência é a que
submete alegações e hipóteses razoáveis à crítica de outros cientistas, promovendo um diálogo
construtivo, sadio e útil para o desenvolvimento da ciência (Corrêa; David, 2020).
O ceticismo cientí�co não deve ser confundido com o negacionismo da ciência, o qual é a
posição que defende a rejeição completa ou parcial do conhecimento cientí�co. O negacionismo
da ciência está atrelado a posições ideológicas de seus praticantes, entrando em cena quando a
ciência revela um fato em relação ao qual a pessoa está em desacordo por alguma razão política,
religiosa ou cultural. Alguns exemplos de negacionismo da ciência incluem a negação de
efetividade das vacinas, a rejeição da circunferência da Terra ou a depreciação das
consequências das mudanças climáticas, por exemplo (Corrêa; David, 2020).
Outra característica a ser destacada é a acumulabilidade do conhecimento cientí�co, que é o que
justi�ca seu aspecto de progresso, justamente porque exemplos de experimentos malsucedidos
são considerados, não apenas para re�etir sobre os desa�os metodológicos e epistemológicos
da ciência, mas também para aumentar o rigor necessário para a realização das pesquisas. Por
�m, a veri�cabilidade da ciência também é importante de ser destacada, que é a ideia segundo a
qual um enunciado, uma hipótese ou uma teoria deve ser passível de ser colocada à prova, ser
veri�cada.
É possível combater as fake news?
As características citadas anteriormente são importantes para que se possa pensar a
con�abilidade do conhecimento e consequentemente combater as fake news que, em muitos
momentos, têm o intuito de colocar em xeque as produções e os postulados cientí�cos. Há
alguns passos básicos para identi�car se uma notícia é falsa. O primeiro deles é veri�car a fonte
da informação, o site em que está sendo divulgado e o autor do conteúdo. Todavia, muitos sites
possuem nomes semelhantes a sites con�áveis, sendo necessário estar atento à autenticidade
daquele endereço.
O segundo passo é veri�car a estrutura do texto, pois as fake news frequentemente apresentam
erros de português; eles mostram que o texto não foi revisado. Também apresentam um teor
sensacionalista e muitas a�rmações com explicações rasas e simplórias dos assuntos. O
terceiro passo é veri�car a data de publicação. Muitas vezes notícias antigas são divulgadas
como sendo novas. Além disso, é necessário ir além do título e do subtítulo. Frequentemente, o
conteúdo contradiz o que se está dizendo no título.
O quarto passo é checar as a�rmações feitas em outros sites, utilizando mecanismos de
pesquisa como Google, por exemplo. No entanto, lembre-se: nem sempre as primeiras respostas
que aparecem nos mecanismos de busca são de fato con�áveis; então, é preciso ir além delas.
Também é importante acessar artigos e revistas cientí�cas de referência para uma determinada
área, pois eles divulgam informações especializadas sobre o assunto em questão. Há ainda
diversos blogs e sites que se preocupam em desmentir as notícias falsas que estão circulando
na web, além de agências de checagem que fazem esse trabalho de monitoramento e correção.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Por �m, cabe frisar que, em se tratando de assuntos complexos, não existem respostas
absolutas. É prudente sempre adotar uma postura questionadora, compatível com o pensamento
cientí�co, a �m de evitar consumir conteúdos de pessoas que se apresentam como “donos da
verdade” e que pregam conspirações ou pseudociências. Além disso, o não compartilhamento
dessas notícias, mesmo que para criticá-las, é importante, porque o compartilhamento em si traz
engajamento ao conteúdo e, com frequência, ajuda a disseminá-las.
 
 
Vamos Exercitar?
Você se lembra da nossa situação inicial? Agora que já compreendemos a diferença entre
informação e conhecimento, e o papel das mídias sociais na atualidade e como elas podem
impulsionar a disseminação de fake news, é hora de elaborar um roteiro para o jornal que o
contratou, com alguns passos que ajudem a reconhecer a falsidade de uma notícia:  
Ir além do título. Muitas vezes os títulos contradizem ou distorcem o conteúdo publicado.
Veri�car a fonte da informação. Existem sites con�áveis em que a notícia foi publicada?
Veri�car a gramática e estrutura lógica do texto. As notícias falsas frequentemente
apresentam erros de português ou mesmo contradições.
Veri�car a data da publicação. Muitas vezes notícias antigas são republicadas a �m de
modi�carem alguma circunstância atual. É comum o uso delas durante as eleições.
Veri�car as informações por meio de pesquisas sobre o tema e em sites que fazem
sistematicamente a veri�cação de notícias falsas, como agências de checagem de fatos.
Saiba mais
1. Com tamanha quantidade de informação e desinformação disponível no nosso cotidiano,
você já se questionou de que maneira a ciência é afetada por essas questões? É certo que,
se as ciências são meios de produção de verdade no mundo, seu objetivo não é produzir
verdades indiscutíveis, mas conhecimentos de procedimentos certi�cados pelas
instituições, com certeza, e�cácia e objetividade. É fato também que existe uma crise em
torno da ciência moderna: suas produções são negadas constantemente por informações
que visam relativizar e enfraquecer as evidências cientí�cas. Preocupados com isso,
pesquisadores começaram a utilizar as redes sociais para levar a ciência de uma maneira
descomplicada às pessoas. Leia o texto a seguir para se aprofundar no assunto: “Em
reação a negacionismo, pesquisadores levam ‘ciência descomplicada’ às redes sociais”, no
site da BBC Brasil.
2. Nós já compreendemos a importância da realização de pesquisas para a construção do
conhecimento e para a veri�cação das fontes utilizadas. A produçãodo conhecimento deve
ser sempre subsidiada por pesquisas e veri�cações sistemáticas. Devemos proceder da
https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745
https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745
https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745
https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
mesma forma com as informações que recebemos no nosso cotidiano. Em 2022, o Brasil
passou talvez pelo processo eleitoral presidencial mais disputado tanto no tocante aos
presidenciáveis quanto às narrativas utilizadas. Para analistas e formuladores de políticas
públicas, uma das maiores preocupações em relação às campanhas eleitorais foi
relacionada à elaboração de estratégias para combater as fake news nas eleições.
Dentre as muitas mentiras divulgadas em torno das eleições, uma delas girou e ainda gira
em torno do uso das urnas eletrônicas. O seu uso foi adotado a partir do ano de 1996 e
baixou a taxa dos votos inválidos que chegava a 40% para cerca de 7%. É importante frisar
também que até hoje não se identi�cou caso de fraude com o uso das urnas eletrônicas.
Para se aprofundar nesse tema, ouça o episódio “Urna eletrônica: uma história de inclusão”
do podcast “O Assunto”, publicado em agosto de 2022.
 
 
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à
�loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
CORRÊA, Mônica Ferreira; DAVID, Mariano Gazineu. As diversas faces da dúvida – ceticismo,
negacionismo e con�ança nas ciências. Em Construção: arquivos de epistemologia histórica e
estudos de ciência, [S.l.], n. 8, 2020. Disponível em: https://www.e-
publicacoes.uerj.br/emconstrucao/article/view/54268. Acesso em: 22 out. 2023.
LORENZETTI, Caroline Schneider; VERDUM, Kelvin. Top 5 Fake News mais absurdas sobre a
vacina. Agência Da Hora, 2021. Edição: Luciana Carvalho. Disponível em:
https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-
absurdas-sobre-a-vacina. Acesso em: 22 out. 2023.
MONTEIRO, Danielle. Conheça 6 ‘fake news’ sobre as vacinas contra a Covid-19. Informe ENSP, 22
abr. 2021. 2p.
POPPER, Karl. Lógica da pesquisa cientí�ca. São Paulo: Cultrix, 1975.
SEMIDÃO, Rafael Aparecido Moron. Dados, informação e conhecimento enquanto elementos de
compreensão do universo conceitual da ciência da informação: contribuições teóricas. 2014. 198
f. Dissertação (Mestrado) – Curso de Ciência da Informação, Programa de Pós-Graduação em
Ciência da Informação, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Marília,
2014. Disponível em: https://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-
Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/semidao_ram_me_mar.pdf. Acesso em: 22 out.
2023.
https://www.e-publicacoes.uerj.br/emconstrucao/article/view/54268
https://www.e-publicacoes.uerj.br/emconstrucao/article/view/54268
https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina
https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina
https://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/semidao_ram_me_mar.pdf
https://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/semidao_ram_me_mar.pdf
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
WESTIN, Ricardo. Vacinação infantil despenca no país e epidemias graves ameaçam voltar.
Agência Senado, Brasília, 2022. Disponível em:
https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/05/vacinacao-infantil-despenca-no-
pais-e-epidemias-graves-ameacam-voltar. Acesso em: 22 out. 2023.
Aula 2
Pesquisa e Conhecimento
Pesquisa e conhecimento
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Vamos adentrar no universo da pesquisa mais especi�camente, trabalhando com o conceito de
método cientí�co. Compreenderemos como a pesquisa é uma aliada na construção do
conhecimento cientí�co e como a leitura crítica e re�exiva é essencial nesse processo. Para isso,
precisamos pensar nas formas que utilizamos para nos comunicar, pensando mais
especi�camente na linguagem verbal (falada e escrita). De acordo com Aranha e Martins (2003,
p. 33), a linguagem é “um sistema de representações aceitas por um grupo social, que possibilita
a comunicação entre os integrantes desse mesmo grupo”.
Por que essa de�nição é importante para nós? Quando escrevemos uma pesquisa ou um
trabalho acadêmico (seja ele de qualquer natureza: uma resenha, um resumo, um artigo ou um
https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/05/vacinacao-infantil-despenca-no-pais-e-epidemias-graves-ameacam-voltar
https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/05/vacinacao-infantil-despenca-no-pais-e-epidemias-graves-ameacam-voltar
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
TCC), precisamos nos preocupar com o tipo de linguagem que é utilizada para a escrita desse
trabalho. Isso não quer dizer que vamos utilizar palavras rebuscadas que deixem o texto difícil de
ser entendido. Contudo, também não podemos escrever de uma maneira coloquial, da maneira
como falamos no nosso cotidiano, por exemplo. É necessário utilizar a norma culta para a
escrita, mas sem “enfeitar” o texto.
Pensando nessas questões, vamos re�etir sobre o seguinte: como deve ser uma leitura
acadêmica, fundamental para escrever? Como a leitura e a escrita acadêmica estão ligadas e se
desenvolvem de maneira conjunta? Vamos nos aprofundar no assunto para que isso seja
possível! Bons estudos!
 
 
Vamos Começar!
Ler, pesquisar e escrever são elementos que estão intimamente ligados não somente na vida
acadêmica, mas também no desenvolvimento de nossa vida pro�ssional e de nossas relações
pessoais. Se não nos atualizamos em relação aos últimos acontecimentos, por exemplo, �ca
difícil manter um diálogo com amigos, ou se não nos aprofundamos em assuntos que temos em
comum para desenvolver o diálogo. A leitura é forte aliada nesse processo: ela amplia nossa
visão de mundo e nosso repertório a respeito dos mais diversos assuntos, e pode também
despertar nossa curiosidade para o desenvolvimento de uma pesquisa
O que é pesquisa?
Conseguimos perceber a ciência em todos os lugares que nos cercam; hoje, ela é um dos
elementos mais básicos em todos os aparatos tecnológicos, como no celular, na televisão, no
computador, nos dispositivos de GPS, etc. No entanto, todos esses aparatos tecnológicos não
surgiram do nada. Essas tecnologias são produtos de investigações cientí�cas mais
elementares, que exigem a adoção de um método para avaliar o nível de verdade das hipóteses e
das teorias. Esse é o método cientí�co. O conhecimento cientí�co é produzido a partir das mais
diversas pesquisas e veri�cado por meio do método cientí�co.
O termo “pesquisar” é muito comum atualmente; de certa forma, todos sabemos o que signi�ca.
Diante de qualquer tipo de dúvida que tenhamos, podemos, com nossos smartfones, acessar a
internet e pesquisar: restaurantes, hotéis, dicas de séries, �lmes, viagens, etc. Obtemos respostas
praticamente instantâneas diante das nossas dúvidas. Essa pesquisa é a que fazemos com base
no senso comum, sem nenhum rigor cientí�co; pesquisar é buscar mais informações sobre algo,
visando estabelecer critérios para melhores escolhas (Minayo, 2007).
Por outro lado, do ponto de vista cientí�co, a pesquisa tem um sentido mais amplo e
aprofundado: ela é um procedimento organizado, racional e sistemático para construir
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
conhecimentos. Isso signi�ca que é necessário buscar dados e informaçõesa �m de interpretá-
los, para que se possa compreender o objeto de estudo e, então, chegar ao conhecimento
cientí�co. Assim, parte-se do método cientí�co, composto por etapas que visam chegar a
respostas para os problemas e, assim, construir o conhecimento. O método cientí�co deve ser
visto como um conjunto de procedimentos teóricos, experimentais e, principalmente, éticos, que
têm o objetivo de fornecer a melhor explicação da realidade (Baptista; Campos, 2016).
Mesmo o método cientí�co sendo único e universal, deve ser visto como um conjunto de
procedimentos amplos que mudam conforme o tempo e se ajustam a cada campo do
conhecimento em particular. Existem diversos tipos de pesquisas cientí�cas que norteiam a
ciência, cada qual com sua importância e aplicação para o estudo de um problema especí�co. A
pluralidade de investigações permite a extração de um conhecimento mais amplo sobre a
realidade mediante uso de método cientí�co. Por exemplo: o modo como os biólogos investigam
microrganismos não envolve o emprego das mesmas técnicas de investigação utilizadas pelos
sociólogos para estudar comportamentos sociais ou crises econômicas. Veja a seguir um
esquema que ilustra o método cientí�co:
Figura 1 | Exemplo de etapas do método cientí�co. Fonte: elaborada pela autora.
A pesquisa e a construção do conhecimento cientí�co
A utilização do método cientí�co não deve se restringir a situações controladas em laboratórios,
pois a ciência não se reduz a isso. Ela está presente também no nosso dia a dia e nos auxilia na
análise e percepção da nossa realidade concreta. A ciência é uma forma de conhecimento que
busca explicar os fenômenos por meio da demonstração, da evidência e da prova; por isso, ela
difere das demais formas de conhecimento. Para tanto, utiliza o método cientí�co como garantia
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
de que suas conclusões sejam o mais próximo da verdade possível. Isso pode ser aplicado a
qualquer área do saber e em muitas situações pro�ssionais (Severino, 2013).
Dessa forma, podemos entender que a pesquisa é a forma de construir conhecimentos
cientí�cos. Por meio dela e do método cientí�co, busca-se a resposta para diferentes situações
observadas na realidade objetiva e que se constituem como um problema. Na tentativa de
responder às indagações, de resolver o problema, é que se constrói o conhecimento que,
orientado pelo método, se constitui no conhecimento cienti�camente aceito.
Siga em Frente...
Leitura para quê?
Você foi uma criança que gostava de ler, ou achava sempre desinteressante toda vez que um
professor pedia para que você �zesse uma leitura mais longa? Você já havia se questionado o
quanto a leitura é importante no nosso cotidiano? A leitura não é somente uma decodi�cação de
símbolos, ou aquela que fazemos apenas “passando os olhos” pelo texto. Uma leitura
aprofundada, crítica, re�exiva, nos leva de fato ao entendimento do texto e à re�exão sobre
nossas próprias práticas. Essa leitura é fundamental no ambiente acadêmico e no nosso
ambiente pro�ssional, para que sejamos sujeitos ativos nesses contextos. É ela que permite a
ampliação do nosso conhecimento e a compreensão da realidade em que estamos inseridos.
A leitura, seja ela de qualquer tipo e com qualquer �nalidade (para informação, para
entretenimento), traz inúmeros benefícios a quem a pratica. Ela enriquece o vocabulário, pois o
leitor pode encontrar palavras que antes não conhecia e precisar buscar seus signi�cados;
assim, amplia o conhecimento da língua. Melhora a redação, já que, a partir do momento em que
se entra em contato com outras formas de escrita, é possível apreender como articular as
palavras de maneira diferente do habitual; consequentemente, ela desperta a inteligência.
Aperfeiçoa a cultura, uma vez que permite a ampliação da visão de mundo do leitor e da
compreensão de inúmeros aspectos que estejam sendo trabalhados no texto (Chaves, 2012).
O ato de estudar deve ser compreendido como a forma pela qual o indivíduo enfrenta o desa�o
de compreender a realidade, conhecendo as características dos fenômenos que a compõem. A
leitura é o exercício da capacidade de formar nossa própria visão e explicação sobre os
problemas que enfrentamos. Para isso, algumas exigências são feitas ao leitor, para que essa
atividade seja efetivamente um processo de leitura do mundo; uma delas é o desenvolvimento da
capacidade crítica que decorre do estudo (Luckesi, 1998).
A leitura não é, portanto, uma atividade passiva. Ao contrário, é uma atividade complexa, que
inclusive pode ser constituída por elementos; e quanto melhor dominados, maior proveito o leitor
obterá. Precisamos recordar que a sociedade atual, em função da simpli�cação nas maneiras de
veicular as informações, tornou muitos conteúdos de tal forma objetivos que nem sempre
requerem grandes esforços para serem compreendidos. Outro aspecto também presente é a
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
rapidez com que as informações são transformadas e substituídas. As informações obtidas
dessa forma são também meios de compreender a realidade.
Entretanto, para que seja possível compreender e se tenha condições de questionar a qualidade e
a forma como isso acontece, são necessárias leituras mais profundas, que levem ao
entendimento das coisas e por meio de processos nem sempre tão acelerados. Portanto,
considerando a importância do estudo para se obter condições de analisar criticamente a
realidade e desenvolver conhecimentos aprofundados sobre ela, é preciso a leitura de textos que
apresentem um conhecimento aprofundado em relação ao tema em questão.
A leitura crítica e re�exiva
É comum encontrarmos, no ambiente da Universidade, acadêmicos que não gostam de ler;
contudo, esse domínio tem se mostrado cada vez mais indispensável nas nossas vidas. Além
disso, ler e interpretar os fatos cotidianos são aspectos relacionados, e aqueles que dominam a
leitura conseguem agir com maior autonomia frente aos desa�os do cotidiano. Precisamos,
portanto, ser sujeitos ativos diante dos textos com os quais nos deparamos, interagir com o
texto, superar a mera memorização e alcançar a compreensão que permite elucidar a realidade.
Para ser um sujeito ativo frente ao texto, é necessário desenvolver uma capacidade de analisar
crítica e re�exivamente o texto estudado, para que se chegue ao que Marconi e Lakatos (2024)
chamam de leitura interpretativa. Segundo os autores, isso é um processo, um aprendizado que
não se manifestará nas primeiras leituras; contudo, com o exercício e a persistência, essa
capacidade será desenvolvida. Precisamos ter claro que todo começo é difícil; o processo de
leitura e escrita acadêmica requerem prática e persistência (Baptista; Campos, 2016).
Ler bem é uma condição fundamental para a leitura e para a escrita com qualidade. Essas
questões perpassam também a elaboração de pesquisas pois não é possível investigar ou
escrever sobre um tema/assunto que não se tem conhecimento. Existem diversos aspectos que
estão relacionados ao processo de leitura e escrita. Pensar nas diferentes fases da leitura é uma
ferramenta útil para nos tornarmos pro�cientes em diferentes gêneros textuais. Quando
pensamos na leitura no âmbito acadêmico, podemos elencar quatro etapas especí�cas:
Leitura de reconhecimento e pré-leitura Corresponde ao levantamento das fontes
bibliográ�cas que contenham dados ou
informações que poderão ser aproveitadas.
Leitura seletiva Implica na seleção do material que será
utilizado em conformidade com as
necessidades do estudo. Ainda não se trata
de uma leitura exaustiva e minuciosa, apenas
para veri�car se os dados apresentados
fornecem informações sobre o assunto que
será estudado.
Leitura crítica ou re�exiva Etapa que corresponde ao estudo dos textos
levando à compreensão da mensagem do
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
autor. Esse estudo passa por fases: visão
global do texto e análise das partes para
chegar a uma síntese integradora.
Leitura interpretativa É a fase em que se decide se o texto estudado
tem condições de ser aproveitadoou não para
a situação apresentada. A interpretação
requer ter uma posição própria a respeito das
ideias apresentadas pelo autor, estabelecer
um “diálogo” com o autor, ler o que está nas
entrelinhas.
Quadro 1 | Etapas da leitura acadêmica. Fonte: adaptado de Marconi e Lakatos (2024, p. 22).
A leitura é essencial para a realização das pesquisas. Assim como no caso da leitura, fazer
pesquisa também é uma questão de treino. É indispensável a leitura de textos cientí�cos para a
elaboração de pesquisas. No começo, pode parecer uma tarefa quase impossível, pois
geralmente esses textos são escritos em uma linguagem mais objetiva, acompanhados de dados
e tabelas complicados de serem entendidos. Parece um clichê, mas é a partir da prática que
vamos conseguir driblar esses problemas; com o treino vamos nos aperfeiçoando e chegamos
ao entendimento e escrita necessários em um ambiente acadêmico e pro�ssional. (Baptista;
Campos, 2016).
Assim, buscar transformar o que parece uma obrigação em algo prazeroso é uma importante
estratégia para conseguirmos realizar com maior facilidade tanto a leitura quanto a escrita e a
pesquisa. “Aproveite a chance de aprender a fazer ciência, mesmo que você não pretenda seguir
carreira como pesquisador. [...] Você pode aprender a se apaixonar também por pesquisa”
(Baptista; Campos, 2016, p. 12).
Vamos Exercitar?
É hora de retomarmos a nossa tarefa inicial. Trabalhamos o conceito de pesquisa sob a ótica do
senso comum e sob a ótica da ciência, e compreendemos como o método cientí�co nos auxilia
na construção do conhecimento cientí�co. Aprendemos a importância da leitura contextualizada
para a construção do conhecimento e para a realização de pesquisas. Nós percebemos que essa
leitura acadêmica tem algumas características especí�cas, algumas etapas que precisam ser
observadas para que ela seja de fato e�caz. Nossa tarefa é identi�car essas etapas:  
Pré-leitura: fase inicial, em que se identi�ca se existem textos disponíveis sobre o problema
de pesquisa.
Leitura seletiva: seleção das informações de interesse para a escrita da pesquisa.
Leitura crítica ou re�exiva: estudo, re�exão, entendimento do signi�cado do texto. É a fase
da leitura preocupada em entender o que o autor defende no texto. Busca-se a
compreensão dos termos e conceitos utilizados pelo autor.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Leitura interpretativa: fase em que se procura saber o que o autor realmente a�rma,
correlacionar as a�rmações do autor com os problemas para os quais se busca solução.
Lembre-se de que a leitura e a escrita são processos interligados, um não acontece sem outro.
Assim, nesta unidade, você pôde entender que a leitura acadêmica consequentemente o levará a
uma boa escrita.
Saiba mais
1. A leitura é essencial para o nosso desenvolvimento; ela amplia nossa visão de mundo sobre
o assunto em questão, além de ampliar nosso vocabulário e melhorar nossa capacidade de
escrita. Para se aprofundar no assunto, leia o texto: “Estratégias de leitura, análise e
interpretação de textos na universidade: da decodi�cação à leitura crítica”, de Urbano
Cavalcante Filho.
2. Quando se investiga a realidade, é possível recorrer a diferentes meios, técnicas e
estratégias para que se encontrem as respostas esperadas. Embora o método cientí�co
tenha de�nido um caminho que permite uma certa semelhança no percurso a ser seguido,
cada área do conhecimento tem suas especi�cidades na realização das pesquisas e na
construção do conhecimento.
Nós precisamos compreender que o método cientí�co não é restrito à aplicação em
pesquisas experimentais ou laboratoriais; ele pode e deve ser utilizado para pensarmos e
intervirmos na realidade das mais diversas maneiras. Pensando nisso, para perceber como
obras literárias de �cção também podem ser utilizadas de maneira prática na nossa
realidade e como base para a realização de pesquisas acadêmicas, leia o artigo: “As várias
dimensões na trilogia Jogos Vorazes: uma aplicação prática para o ensino médio”, de Maria
Luzia Silva Marian e Sandra Aparecida Pires Franco.
 
 
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à
�loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências:
análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016.
CHAVES, Marco Antonio. Projeto de pesquisa: guia prático para monogra�a. 5ª ed. Rio de
Janeiro: Wak, 2012.
http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/144.pdf
http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/144.pdf
https://www.researchgate.net/publication/301917049_As_Varias_Dimensoes_na_Trilogia_Jogos_Vorazes_Uma_Aplicacao_Pratica_para_o_Ensino_Medio
https://www.researchgate.net/publication/301917049_As_Varias_Dimensoes_na_Trilogia_Jogos_Vorazes_Uma_Aplicacao_Pratica_para_o_Ensino_Medio
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
LUCKESI, Cipriano Carlos; et al. Fazer universidade: uma proposta metodológica. 10ª ed. São
Paulo: Cortez, 1998.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos
de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de
conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 26ª ed.
Petrópolis: Vozes, 2007.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho cientí�co. São Paulo: Cortez, 2013.
Aula 3
Pesquisas Quantitativas
Pesquisas quantitativas
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Assim como existem diferentes tipos de conhecimento, existem diferentes tipos de pesquisas
que podem ser realizadas. E assim como não colocamos os conhecimentos em uma perspectiva
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
de hierarquia, não o fazemos com as pesquisas. A pesquisa é atividade básica da ciência na sua
indagação e construção da realidade. É a pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a
atualiza frente à realidade do mundo. Portanto, embora seja uma prática teórica, a pesquisa
vincula pensamento e ação. Vamos falar das pesquisas quantitativas, pensar nos seus diferentes
tipos e nos procedimentos para a realização dessas pesquisas.
Imagine a seguinte situação: sua equipe de trabalho está iniciando um projeto para pesquisar a
inserção das mulheres no mercado de trabalho contemporâneo, com o objetivo de mapear sua
situação, suas condições de vida e de trabalho na cidade de Campinas (SP). A ideia é mapear a
situação atual e poder contribuir com a ampliação de um olhar para as questões de gênero,
pensando em possíveis medidas para diminuir as desigualdades existentes no mercado de
trabalho. 
1. Que tipo de pesquisa poderia ser realizado? 
2. De que maneira os dados poderiam ser coletados? 
3. Como seria possível selecionar uma amostra representativa dessa população? 
Bons estudos!
Vamos Começar!
Quando pensamos na elaboração de uma pesquisa de cunho cientí�co, precisamos tomar como
base para essa construção um conhecimento que seja organizado, sistemático, objetivo e que
busque relação entre os fenômenos que estão sendo estudados. Este conhecimento é o
cientí�co. Assim, a ciência segue o método cientí�co na construção de seus pressupostos e na
realização das pesquisas. Da mesma maneira que existe uma diferenciação entre as ciências
naturais e as ciências humanas, também ocorrem diferenças signi�cativas na maneira de
conduzir as pesquisas cientí�cas, “em decorrência da diversidade de perspectivas
epistemológicas que se podem adotar e de enfoquesdiferenciados que se podem assumir no
trato com os objetos pesquisados e eventuais aspectos que se queira destacar” (Severino, 2013,
p. 103).
A pesquisa quantitativa
As pesquisas de caráter quantitativo trabalham com métodos voltados para o entendimento
objetivo dos fatos, com o universo das representações numéricas, descrevendo e relacionando
os fenômenos. As pesquisas pautadas no método quantitativo utilizam os fundamentos da
matemática e da estatística para a sua formulação, mas isso não quer dizer que elas não
possam ser realizadas no âmbito das ciências humanas e sociais. Basta pensarmos nos
pressupostos teóricos e metodológicos da teoria Positivista para compreendermos que a
realização de uma pesquisa quantitativa não é exclusiva das ciências exatas e biológicas
(Shishito, 2018).
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
A realização de toda pesquisa cientí�ca implica na determinação de um objeto de pesquisa. A
partir do objeto de pesquisa, elabora-se a pergunta da pesquisa (o que se pretende saber com
aquela pesquisa). Também é necessário coletar os dados de maneira adequada (Baptista;
Campos, 2016). Para analisar esse objeto de pesquisa, o pesquisador precisa de um método bem
delimitado. Um método de pesquisa tem em si a perspectiva teórica que o de�ne, ou seja, teoria
e método revelam a visão de mundo do pesquisador e o orientam sobre o que fazer diante de um
problema de pesquisa (Shishito, 2018).
Assim, a realização de uma pesquisa tem diferentes camadas e diversos aspectos que precisam
ser atendidos para que ela se encaixe no que se espera de uma pesquisa de cunho cientí�co.
Portanto, as pesquisas denominadas como quantitativas são as que se fundamentam em
padrões que focam o controle cientí�co e a objetividade no desenvolvimento da pesquisa. São
desenvolvidas a partir de testes ou procedimentos que permitam a comprovação e a validade
dos resultados encontrados (Baptista; Campos, 2016; Shishito, 2018).
Uma pesquisa quantitativa pode ser realizada de diferentes maneiras; existem diferentes tipos
que podem ser classi�cados como quantitativos: pesquisa de levantamento, correlacional e
experimental, dentre outras. Cada tipo de pesquisa conta com sujeitos, instrumentos utilizados
para a coleta dos dados e procedimentos para a realização. Todos esses elementos precisam
estar bem determinados e relacionados de forma coerente para que o pesquisador consiga
executar com êxito a pesquisa, e para que o leitor chegue ao entendimento do caminho trilhado
no desenvolvimento e compreenda os resultados (Baptista; Campos, 2016).
Siga em Frente...
Tipos de pesquisas quantitativas
Ao elencarmos diferentes tipos de pesquisa, não pretendemos a�rmar que um é melhor ou mais
e�ciente que o outro; apenas listamos alguns exemplos para que seja possível a compreensão de
como o pesquisador deve conduzir a pesquisa. Além da perspectiva teórica, que mostra ao leitor
como o pesquisador enxerga o mundo, é necessário também compreender qual método melhor
se adapta àquilo que está sendo pesquisado e, então, pensar nos sujeitos, instrumentos, coleta
de dados etc.
Pesquisa de levantamento ou survey
A maneira como os dados serão coletados e analisados depende do problema da pesquisa e dos
objetivos. De acordo com Baptista e Campos (2016, p. 106), “alguns autores denominam as
pesquisas que apresentam esse delineamento como pesquisas descritivas”. Os autores ainda
ressaltam que alguns pesquisadores diferenciam o levantamento do survey, considerando que
este último é mais criterioso quanto à amostragem. Tomaremos levantamento e survey como
sinônimos, assim como Baptista e Campos (2016).
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Mas, a�nal, o que é uma pesquisa de levantamento/survey?! Você se lembra das pesquisas de
intenção de voto em período eleitoral? E os censos geográ�cos realizados pelos governos? No
ano de 2022, com dois anos de atraso, foi realizado o censo demográ�co do Brasil, o qual indicou
que a população brasileira chegou a 2.062.512 habitantes, um aumento de 6,5% em comparação
ao censo demográ�co realizado em 2010 (IBGE, 2023). Essas pesquisas são pesquisas de
levantamento, que têm seus dados coletados com amostras (no caso das pesquisas eleitorais)
ou com a população toda (no caso do censo demográ�co). As pesquisas de levantamento, por
meio da interrogação direta de seus participantes, obtêm os dados que vão compor as análises.
As pesquisas de levantamento são as que mais atendem a partidos políticos, organizações
educacionais, comerciais e instituições públicas e privadas, por identi�carem comportamentos e
atitudes. Os dados são informados diretamente pelas próprias pessoas, que respondem a
solicitações do pesquisador, e costumam ser obtidos por meio de um instrumento de pesquisa,
habitualmente um questionário (Baptista; Campos, 2016, p. 106).
Os levantamentos têm o objetivo de descrever, explicar e/ou relacionar os fenômenos que são
coletados com a amostra por meio das variáveis. A amostra representa uma parte da população
que será estudada, pois, em muitos casos, seria impossível coletar os dados com toda a
população, devido ao seu tamanho. A amostragem se deve também à redução de custos e à
otimização do tempo para realização da pesquisa. Assim, a amostra deve representar a
população que está sendo estudada: a escolha dos participantes não deve ser enviesada; ou
seja, o pesquisador não deve interferir nessa escolha (Baptista; Campos, 2016).
Após a obtenção dos resultados, é possível admitir que eles podem ser ampliados a toda aquela
população em questão, visto que são analisados estatisticamente e é aplicada a eles uma
margem de erro. Como exemplo, podemos pensar no período eleitoral, em que são realizadas
muitas pesquisas de levantamento para veri�car a intenção de voto dos eleitores em relação aos
candidatos. A população diz respeito a todos os eleitores; a amostra é referente às pessoas
consultadas; e o método de pesquisa utilizado é o levantamento (Gil, 2002; Baptista; Campos,
2016).
As variáveis são as informações que serão coletadas para a pesquisa, por exemplo: idade,
gênero, escolaridade, motivação, medir atitudes, quantidade de água durante a chuva, etc. A
determinação dos dados que serão coletados, dos sujeitos (quantos serão, faixa etária,
escolaridade, gênero, localização geográ�ca) que participarão da pesquisa ou dos fenômenos
analisados depende do problema da pesquisa e dos objetivos que se pretende atingir. Por isso,
não podemos perder de vista que todos os elementos da pesquisa estão interligados e precisam
conversar entre si.
Os instrumentos utilizados podem ser questionários (por telefone, pessoalmente, enviados de
maneira eletrônica), entrevistas (estruturadas, semiestruturadas, abertas) ou observação. Nas
pesquisas quantitativas, os questionários são mais adaptáveis, devido à facilidade de utilizar
diferentes perguntas com diferentes possibilidades de respostas para a obtenção das respostas
pretendidas, e à facilidade na aplicação e no envio. Por outro lado, é possível que haja uma baixa
taxa de retorno quando o pesquisador não está presente no momento da aplicação, quando o
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
prazo para devolução é muito longo ou ainda quando a presença do pesquisador de alguma
forma intimide o participante (Shishito, 2018).
Por �m, é necessário pensar também nos procedimentos da pesquisa. No caso de pesquisas
com seres humanos, é necessária a assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido
pelos participantes, ou pelos responsáveis destes, quando forem menores de idade. A amostra e
os instrumentos devem estar selecionados; é preciso acordar previamente dia e horário com o
local da coleta dos dados; também é essencial fornecer a previsão do tempo que será necessário
para a coleta. Ou seja, é necessário pensar no cenário de realização da coleta dos dados para
que ela aconteça da maneira mais e�ciente possível.
Pesquisa experimental
Quando se trata de uma pesquisa experimental, é bastante comum logo pensarmos em um
laboratório repleto de tubos deensaio, microscópios, beckers, pepitas, buretas, entre outros
instrumentos indispensáveis para a realização de uma pesquisa. O que precisamos compreender
é que a pesquisa experimental também pode ser realizada no nosso cotidiano. O objetivo desse
tipo de pesquisa é buscar relações de causa e efeito entre os fenômenos que estão sendo
analisados por meio da manipulação das variáveis, normalmente quando eles são colocados em
condições ideais. Esse tipo de pesquisa parte da condição básica de três situações para a sua
realização: manipulação das variáveis, controle delas e randomização dos grupos (Baptista;
Campos, 2016).
Vamos tratar a seguir da manipulação e do controle das variáveis. Quando falamos de
randomização dos grupos, estamos nos referindo ao processo de seleção do participante da
pesquisa ou daquilo que está sendo analisado. Assim, todos os sujeitos têm a mesma
probabilidade de serem sorteados para formar a amostra que vai participar do experimento ou
para compor o grupo controle. Nesse sentido, as pesquisas são conduzidas de maneira que seja
possível o pesquisador agir; ou seja, ele manipula a variável e altera as condições em que ela se
encontra e observa as consequências dessa ação. Dessa forma, para saber se houve ou não uma
mudança, é necessário que se pense em grupos experimentais e grupos controle no
desenvolvimento da pesquisa, para que possa haver a comparação entre aqueles que foram
expostos à mudança e os que não foram (Mattar; Ramos, 2021).
Diante do exposto, percebemos alguns conceitos que precisam ser compreendidos para que seja
possível apreender como uma pesquisa experimental é desenvolvida. Precisamos pensar nos
conceitos de: grupo controle, grupo experimental, variável dependente e variável independente
(experimental). O Quadro 1 a seguir possibilita a visualização mais clara dos conceitos e suas
de�nições:
Grupo Experimental São os sujeitos que vão participar do
experimento/teste.
Grupo Controle São os sujeitos que vão servir como base de
comparação em relação aos que participam
do experimento/teste.
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
Variável Independente (experimental) É a variável que o pesquisador pode manipular
no experimento.
Variável Dependente É a variável na qual o pesquisador vai avaliar
as mudanças.
Quadro 1 | Conceitos referentes à pesquisa experimental. Fonte: elaborado pela autora.
Para a condução dar seguimento à pesquisa, é necessário pensar nos sujeitos, nos instrumentos
e nos procedimentos. Em relação aos sujeitos, o pesquisador precisa ter clareza em relação ao
que ele deseja saber, para então pensar nos critérios de inclusão e de exclusão dos participantes.
Normalmente é necessário que seja feito um recorte, de�nindo-se faixa etária, gênero e
escolaridade, para que seja possível maior delimitação desses sujeitos. Assim, pode-se chegar a
uma amostra mais próxima daquilo que se considera ideal (Baptista; Campos, 2016).
Vamos pensar em um exemplo: você está investigando saúde mental e suicídio. Estudos
anteriores apontam que os caso de suicídio são maiores entre homens (78%) com idade entre 15
e 29 anos de idade do que entre mulheres (22%). Quais serão os critérios de inclusão na
pesquisa? Ser do gênero masculino, ter idade entre 15 e 29 anos, qualquer grau de escolaridade,
renda de zero a cinco salários mínimos. Perceba que você está afunilando os critérios para que o
participante possa fazer parte da amostra. Isso é importante para os critérios de comparação
que serão utilizados no grupo controle e no grupo experimental.
Também é necessário haver uma preocupação com os instrumentos que serão utilizados, para
que eles realmente meçam/avaliem aquilo que você está se propondo a fazer na pesquisa. A
depender do que será feito, podem ser utilizados questionários, entrevistas ou outros tipos de
testes. Por �m, os procedimentos da pesquisa precisam ser considerados. De que forma os
dados serão coletados, quem fará a coleta, vai ser em grupo ou individualmente, quanto tempo
levará a coleta? Todos esses critérios devem ser observados cuidadosamente, para que a
amostra seja o mais homogênea possível, garantindo assim a lisura e a con�abilidade da
pesquisa (Baptista; Campos, 2016; Mattar; Ramos, 2021).
Pesquisa correlacional
A pesquisa correlacional é amplamente utilizada na Psicologia e nas Ciência Sociais de uma
forma geral, considerando que o objetivo desse tipo de pesquisa é avaliar a relação entre as
diferentes variáveis coletadas para o estudo e buscar associações com as teorias. Por exemplo:
qual a relação entre a motivação para aprender dos alunos e o ano escolar em que estão
matriculados? Existe a relação entre o abuso de álcool e a escolaridade das pessoas? Também é
possível avaliar diferenças entre as variáveis do grupo em questão: homens jovens apresentam
maior índice de depressão do que homens idosos?
Esse tipo de pesquisa é mais �exível que a pesquisa experimental, pois não utiliza grupo
controle, apresenta baixo controle sobre as variáveis que estão sendo investigadas e não realiza
pré-testes e pós-testes com as amostras. As correlações são medidas estatísticas, por exemplo:
o teste t de Student e a análise de variância (ANOVA). Essas análises são as mais utilizadas na
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
comparação de grupos para investigar possíveis diferenças entre eles, são realizadas por
programas como o Statistical Package for Social Sciences (SPSS) (Baptista; Campos, 2016). A
lógica dos dois testes é equivalente: eles consideram o total da amostra, o desvio padrão e a
diferença de médias entre os grupos.
Em relação aos sujeitos da pesquisa, aos instrumentos utilizados para a coleta de dados e aos
procedimentos para a realização, eles são semelhantes ao que é realizado nas pesquisas de
levantamento. O que não se pode esquecer é o problema da pesquisa (a pergunta que se deseja
responder) e os objetivos, para que esses elementos sejam estabelecidos de maneira a
possibilitar a melhor condução e obtenção da resposta esperada.
Vamos Exercitar?
Chegou o momento de retomarmos a nossa situação inicial. Compreendemos o que é uma
pesquisa quantitativa e quais seus princípios; entendemos as características da pesquisa de
levantamento ou survey, da pesquisa experimental e da pesquisa correlacional. Sua equipe de
trabalho está investigando a inserção das mulheres no mercado de trabalho contemporâneo na
cidade de Campinas (SP). Os questionamentos iniciais são:
1. Que tipo de pesquisa poderia ser realizado?
2. De que maneira os dados poderiam ser coletados?
3. Como você poderia selecionar uma amostra representativa dessa população?
Vamos às possíveis respostas:
1. Seria possível realizar uma pesquisa de levantamento, pois elas visam descrever, explicar
e/ou relacionar os fenômenos que são coletados com a amostra por meio das variáveis.
2. Os dados podem ser coletados por meio de questionários ou entrevistas que podem ser
realizadas pessoalmente ou por telefone, sempre observando as questões éticas
envolvidas na coleta de dados.
3. É necessário buscar estudos prévios que contenham o per�l daquela população para que
se faça esse recorte; a amostra precisa ter as mesmas características da população para
que ela possa ser considerada representativa.
Saiba mais
1. Muito se fala sobre as diferenças entre as pesquisas quantitativas e qualitativas. É
necessário compreender as diferenças entre elas e as características de cada uma. Apesar
de ser exemplo de uma área em especí�co, o estudo de caso pode ser utilizado para
qualquer área do conhecimento. Saiba mais sobre o assunto lendo o artigo a seguir:
GÜNTHER, Hartmut. Pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa: é esta a questão?
Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 22, n. 2, p. 201-210, ago. 2006.
http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2
http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2
http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
2. A lógica da pesquisa quantitativa faz com que as técnicas e ferramentas deste método se
tornem grandes aliadosda pesquisa social. Os estudos quantitativos são descritos
geralmente a partir de variáveis. Elas representam um conjunto de características
independentes de uma população, as quais tenham relevância e/ou importância à pesquisa
proposta; por exemplo: gênero e idade. As variáveis correspondem a características que
apresentam variações. O Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE) apresenta
dados que abrangem população, trabalho, educação, saúde, habitação, rendimento,
despesa e consumo, etc. Para se aprofundar a respeito desses dados, utilize o site IBGE e
procure dados referentes à região que você reside e busque fazer uma comparação com os
índices nacionais.
 
 
Referências
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências:
análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2002.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Censo Demográ�co 2022:
população e domicílios, primeiros resultados. Rio de Janeiro, 2023. Disponível em:
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102011.pdf. Acesso em: 25 out. 2023.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos
de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de
conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024.
MATTAR, João; RAMOS, Daniela Karine. Metodologia da pesquisa em educação: abordagens
qualitativas, quantitativas e mistas. São Paulo: Edições 70, 2021.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 26ª ed.
Petrópolis: Vozes, 2007.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho cientí�co. São Paulo: Cortez, 2013.
SHISHITO, Katiani Tatie. Pesquisa aplicada às Ciências Sociais. Londrina: Editora e Distribuidora
Educacional S.A., 2018.
SILVA, Airton Marques da. Metodologia da pesquisa. 2ª ed. Fortaleza: EDUECE, 2015.
https://www.ibge.gov.br/indicadores.html
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102011.pdf
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
Aula 4
Pesquisas Qualitativas
Pesquisas qualitativas
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
A contemporaneidade é sem dúvida um fenômeno ímpar na construção da nossa história.
Conseguimos vivenciar inúmeros avanços que acontecem de uma forma muito rápida como o
tecnológico, mas também olhamos para questões que caminham a passos muito lentos, como a
transformação da estrutura desigual da nossa sociedade. Fato é que essas transformações,
sejam positivas ou negativas, têm impacto direto nas nossas vidas e principalmente na nossa
saúde mental. Inúmeros estudos são realizados nesse sentido, a �m de identi�car possíveis
razões para o adoecimento da população em diversos setores.
Pensando nisso, vamos trabalhar a partir do olhar da pesquisa qualitativa para pensar em uma
situação hipotética, mas que acontece em muitos ambientes de trabalho. Imagine um assistente
social de uma escola municipal que atende alunos do 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano
do ensino médio. O trabalho dele é predominantemente com os alunos, mas ele tem notado que
os professores têm apresentado alto nível de stress, muitas faltas e têm se queixado de
adoecimento. De que maneira uma pesquisa poderia ser desenvolvida para levantar os possíveis
fatores causadores desses sintomas? Bons estudos!
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
Vamos Começar!
Uma busca que parece ser constante nos diferentes períodos da história da humanidade é a que
se faz pela verdade, a busca por respostas ao questionamento sobre o mundo e a existência
humana. Questionar, buscar saber é algo intrínseco ao ser humano, é próprio dos indivíduos, pois
o saber nos dá segurança em relação à realidade que nos cerca. Apesar disso, os métodos
utilizados para se tentar chegar a essa verdade foram se alterando ao longo do tempo e ainda
hoje se modi�cam acompanhando a dinâmica que é própria da ciência. Dessa maneira,
diferentes caminhos foram construídos na busca por essas respostas e diferentes objetos de
estudo também se �zeram pertinentes nesse percurso (Baptista; Campos, 2016).
Sabemos que existem diversos tipos de pesquisas cientí�cas, cada qual com seus objetivos,
particularidades e, principalmente, objetos de estudos. A diversidade da pesquisa cientí�ca
permite estudar diversos problemas, da origem do Universo ao comportamento humano;
também permite estudar um mesmo problema sob diferentes perspectivas metodológicas, com
o objetivo de enriquecer o conhecimento cientí�co, proporcionando uma visão de mundo mais
ampla e consistente com as evidências cientí�cas.
 A escolha também pelo objeto de estudo e pelo método está diretamente relacionada com a
forma como o ser humano compreende o mundo. Perante este, devemos nos perguntar em que
nos fundamentamos para responder às seguintes questões: o que é e o que não é realidade?
(Questão ontológica). Quais caminhos escolhemos para chegar à compreensão dessa realidade?
(Questão epistemológica). Qual é a concepção que temos de ser humano? Como concebemos a
sociedade? Qual é a ética subjacente na nossa forma de conceber o mundo? Que tipos de ações
imprimimos no mundo de acordo com nossa concepção? Essas ações promovem mudanças,
transformações, ou somente colaboram para a manutenção do status quo? Todas essas
questões estão implicadas nos pressupostos de todas as teorias. A escolha por uma teoria em
detrimento de outra nos mostra não só a forma como concebemos o mundo, como também qual
é o nosso posicionamento político perante este, principalmente quando se trata de teorias das
Ciências Sociais e Humanas. (Baptista; Campos, 2016, p. 244).
Precisamos ter claro que a ciência não se constitui apenas da coleta e análise dos dados, eles
precisam ser articulados à realidade e sustentados por uma teoria. Cada tipo de pesquisa tem
sua importância dentro da ciência, focando no objeto de maneiras diferentes. Vamos conhecer o
olhar das pesquisas qualitativas para o desenvolvimento de pesquisas cientí�cas.
Pesquisa qualitativa
A pesquisa qualitativa é aplicada quando não há necessidade de empregar ferramentas
estatísticas. No entanto, não é isso que a de�ne; dados estatísticos podem ser utilizados no
desenvolvimento de pesquisas qualitativas. As duas formas de fazer pesquisa, qualitativa e
quantitativa, não são opostas e não se sobrepõe, elas podem se complementar. Os dados
estatísticos podem ser usados para dar sustentação a uma argumentação ou a alguma análise
feita em determinada área, por exemplo. Feita essa observação, vamos de�nir a pesquisa
qualitativa e falar de maneira mais especí�ca da pesquisa exploratória, explicativa e descritiva.
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
Na perspectiva qualitativa, considera-se a relação entre a realidade e o sujeito em questão. O que
isso signi�ca? Existe um vínculo entre as questões objetivas e a subjetividade do sujeito objeto
da pesquisa que, na maioria das vezes, não é traduzido em números. Dessa maneira, os
princípios básicos são a interpretação dos fenômenos e a atribuição de signi�cados, sendo o
pesquisador um instrumento chave nesse processo (Gil, 2002).
Dessa forma, o objetivo da pesquisa qualitativa é a compreensão dos fenômenos de maneira
aprofundada, fazendo a sua exploração e a sua descrição a partir de diferentes perspectivas. É
necessário também buscar entender os signi�cados e interpretações que os participantes dão
aos fenômenos em questão. Olhando para a pesquisaqualitativa e quantitativa de maneira a
compará-las, o “enfoque quantitativo se volta para a descrição, previsão e explicação, bem como
para dados mensuráveis ou observáveis, enquanto o enfoque qualitativo se atém na exploração,
descrição e entendimento do problema” (Marconi; Lakatos, 2022, p. 295).
A pesquisa qualitativa é um método de investigação utilizado em diversas áreas, como Ciências
Sociais, Psicologia, Antropologia, Educação, Saúde, entre outras. Ela se concentra na
compreensão aprofundada e na interpretação dos signi�cados e das características implícitas a
determinadas características sociais ou humanas. Se preocupa em compreender a complexidade
e a riqueza de experiências individuais e contextos sociais, sendo frequentemente utilizada para
explorar questões multifacetadas, compreender a dinâmica social, investigar processos culturais
e capturar perspectivas subjetivas.
A abordagem envolve uma coleta de dados descritivos e normalmente, são utilizados como
instrumentos entrevistas, observações participantes, análise de documentos e outros materiais
que podem fornecer uma compreensão profunda de um determinado tema ou problema de
pesquisa. Os dados encontrados são frequentemente analisados por meio de métodos
interpretativos, como análise de conteúdo, análise temática e análise de narrativas, a �m de
identi�car padrões e tendências subentendidas (Marconi; Lakatos, 2022; Mattar; Ramos, 2021).
Os procedimentos da pesquisa (como, quando, onde, em quanto tempo) vão depender dos
instrumentos utilizados e dos sujeitos que vão compor a amostra da pesquisa. A amostragem
(ou seja, os sujeitos que participam da pesquisa) é intencional; os participantes são
selecionados com base em critérios especí�cos que são relevantes para o tópico da pesquisa
(Marconi; Lakatos, 2022; Mattar; Ramos, 2021).
A pesquisa qualitativa é valiosa para explorar diferentes questões que estão presentes na nossa
realidade de maneira explícita ou implícita. Ela nos auxilia a entender as motivações e a
importância das pessoas em situações determinadas, a desenvolver teorias e a construir uma
compreensão mais profunda de especi�cidades sociais e humanas. Ela complementa a pesquisa
quantitativa, que fornece informações numéricas e estatísticas, permitindo uma visão mais
completa e rica de um tópico de pesquisa.
Siga em Frente...
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
Tipos de abordagem qualitativa
Nós vimos que a pesquisa qualitativa busca se aprofundar sobre as formas de apreensão e
compreensão do mundo social a partir de seus signi�cados, das relações e representações
humanas e sua intencionalidade. Precisamos agora entender que, assim como existem diversas
perspectivas teóricas buscando compreender e explicar a realidade, também existem diferentes
formas de realizar a pesquisa por meio de métodos e técnicas que sejam adequados aos
objetivos da pesquisa. Vamos falar sobre as pesquisas: exploratória, descritiva e explicativa
(Shishito, 2018).
Pesquisa exploratória
A pesquisa exploratória é um tipo de investigação inicial que visa explorar um tema ou problema
pouco conhecido, para familiarizar o pesquisador com esse tema ou para formular hipóteses
mais precisas. Ela pode ser utilizada no início de um estudo, quando há poucas informações
disponíveis sobre o assunto de interesse, ou quando se deseja adquirir uma compreensão inicial
antes de se realizar uma pesquisa mais detalhada. Assim, a pesquisa exploratória é conduzida
de maneira �exível e aberta; ela pode ser feita a partir de pesquisa bibliográ�ca ou estudos de
caso (Shishito, 2018).
Podemos elencar quatro características relevantes da pesquisa exploratória:
1. Familiarização com o tema: a pesquisa exploratória ajuda os pesquisadores a se
familiarizarem com um tema ou problema pouco conhecido, a �m de compreender sua
complexidade e nuances.
2. Identi�cação de questões relevantes: ela ajuda a identi�car questões e problemas
importantes que merecem uma investigação mais aprofundada.
3. Formulação de hipóteses iniciais: uma pesquisa exploratória pode ajudar na formulação de
hipóteses preliminares ou teorias que podem ser testadas em estudos posteriores.
4. Geração de ideias para estudos futuros: ela pode gerar insights importantes que podem
orientar o desenvolvimento de estudos mais detalhados no futuro.
Pesquisa descritiva
A pesquisa descritiva é um tipo de estudo que visa descrever características de um grupo ou
fenômeno estudado e permite também estabelecer a relação entre eles. Ela se concentra em
fornecer uma representação precisa de fatos e características observáveis, sem manipulação
das variações ou tentativa de estabelecer relações de causa e efeito. Uma pesquisa descritiva é
frequentemente usada para responder perguntas sobre quem, o quê, onde, quando e como algo
acontece. Os dados podem ser coletados por meio de questionários, observações estruturadas,
entrevistas ou análise de dados secundários. Os resultados de uma pesquisa descritiva ajudam a
oferecer uma compreensão mais profunda das características e padrões associados àquilo que
está sendo estudado. Eles fornecem uma visão geral de uma população ou situação e podem ser
úteis para �ns de planejamento, formulação de políticas, tomada de decisões e estabelecimento
de diretrizes para futuras investigações mais aprofundadas (Shishito, 2018; Gil, 2002).
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
Podemos citar quatro características relevantes da pesquisa descritiva:
1. Descrição de características: ela descreve características especí�cas de uma população ou
grupo, como comportamentos, atitudes, opiniões e características demográ�cas.
2. Documentação de dados observáveis: uma pesquisa descritiva documenta e registra
informações observáveis e mensuráveis relacionadas ao objeto de estudo.
3. Identi�cação de tendências: ela ajuda a identi�car padrões ou tendências que podem estar
presentes em uma população ou grupo.
4. Formulação de hipóteses posteriores: ela pode fornecer uma base para o desenvolvimento
de hipóteses ou teorias mais precisas que podem ser testadas em estudos subsequentes.
Pesquisa explicativa
A pesquisa explicativa é um tipo de investigação que se concentra em identi�car e explicar as
relações de causa e efeito entre diferentes variáveis. Ela vai além da descrição de um
determinado assunto/fenômeno, buscando explicar por que e como certos eventos ocorreram.
Ao contrário da pesquisa descritiva, que se concentra na descrição de características, a pesquisa
explicativa tenta fornecer uma compreensão mais profunda das relações entre variáveis, muitas
vezes testando hipóteses causais. Os pesquisadores podem conduzir pesquisas explicativas de
diferentes maneiras: experimentos controlados, estudos longitudinais, estudos de caso
comparativos e até mesmo a análise estatística avançada. Os resultados dessas pesquisas
contribuem para o avanço do conhecimento em uma área especí�ca, fornecendo maior clareza
sobre as relações entre variáveis e ajudando a estabelecer uma base teórica mais sólida
(Shishito, 2018; Gil, 2002).
Podemos citar quatro características relevantes da pesquisa explicativa:
1. Identi�cação de relações de causa e efeito: ela procura identi�car e explicar as relações de
causa e efeito entre diferentes variáveis, ajudando a estabelecer a ligação entre as variáveis
independentes e dependentes.
2. Validação de hipóteses: a pesquisa explicativa muitas vezes envolve a formulação e teste
de hipóteses, com o objetivo de con�rmar ou refutar relações causais postuladas entre
variáveis.
3. Compreensão de fatores implícitos: ela busca entender os fatores implícitos que ligam as
variáveis e como esses mecanismos in�uenciam os resultados observados.
4. Generalização de resultados: a pesquisa explicativa pode ajudar na generalização dos
resultados para além do contexto especí�co do estudo, contribuindo para teorias e
modelos mais abrangentes.
Intrumentos para coleta de dados
Existem vários instrumentos e técnicas de coleta de dados que podem ser usados em diferentes
tipos de pesquisas;2016).
Conhecimento religioso
Se você professa alguma fé, é possível que você já tenha ouvido dizer que a fé é um mistério, é
uma dádiva. Nosso intuito aqui é re�etir sobre como esse conhecimento se constrói, e não sobre
uma crença especi�camente. Dessa forma, o conhecimento religioso (ou teológico) pode se
enriquecer do conhecimento empírico, especialmente das tradições culturais e religiosas
cultivadas ao longo do tempo. Por exemplo, na preservação dos mitos gregos de que os deuses
reinavam nos céus, apropriada pelas religiões politeístas.
A religião pode ser considerada uma forma de explicar a relação dos indivíduos com a natureza,
com os acontecimentos cotidianos e o sentido da vida, ou seja, é uma visão de mundo que tem
respostas próprias para as questões que nos cercam. Assim, existe a crença de que tudo à nossa
volta acontece pela vontade de energias/entidades superiores/sobrenaturais (Aranha; Martins,
2003). Podemos compreender então que a fé religiosa é a responsável por sustentar o
conhecimento religioso.  
É fato que existem diferentes crenças religiosas ao redor do mundo. Isto posto, compreendemos
que as diferentes crenças possuem os seus próprios elementos, rituais, códigos de conduta que
os regem; por exemplo: o cristianismo, o judaísmo, as religiões de matriz africana, etc. Por outro
lado, o que elas têm em comum é que são centradas na fé, se baseiam em verdades reveladas
por Deus ou pelas divindades que cultuam. Por isso, as religiões são consideradas dogmáticas,
por se basearem em verdades, fundamentos que não podem ser discutidos ou contestados
(Gallo, 2016).
Esse tipo de conhecimento requer um elemento-chave para alcançá-lo, ao menos da forma como
defenderam diversos pensadores da Idade Média, como Santo Agostinho, que é a iluminação
religiosa como método para conhecer a verdade ou a Deus. Assim, suas evidências não são
veri�cadas, não há preocupação com a racionalização e nem necessidade de comprovação para
que algo seja aceito como verdade, muitas vezes como verdade absoluta. Por ser valorativo, o
conhecimento religioso também pode ser carregado de preconceitos e noções pré-estabelecidas
sobre diversas questões; por isso, devemos nos atentar a tais quesitos.
Conhecimento �losó�co
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
“Só sei que nada sei!” Essa talvez seja a frase mais conhecida do �lósofo grego Sócrates, que
viveu entre 470 e 399 a.C. Mas há quem diga que a frase de Sócrates não foi exatamente essa,
criando toda uma discussão a respeito do assunto. Fato é que a frase nos leva a um dos pilares
da Filoso�a: o pensamento crítico e re�exivo. Pensar de uma maneira crítica e re�exiva nos
permite interpretar a realidade em que estamos inseridos, buscando por respostas que não estão
prontas, que não se con�guram como verdades absolutas. Assim, permite-nos buscar possíveis
relações de causa e efeito entre os fenômenos e, a partir de escolhas mais racionais,
ressigni�car a realidade em que estamos inseridos. Portanto, podemos compreender que a
Filoso�a e o conhecimento �losó�co se estruturam a partir da razão (Aranha; Martins, 2003).
O conhecimento �losó�co é amplo, abarcando diversos posicionamentos ao longo da história da
�loso�a, especialmente o empírico e o racionalista. Vamos nos aprofundar no empirismo e no
racionalismo na próxima aula, mas, basicamente, os �lósofos empiristas entendiam que nossos
conhecimentos vinham da experiência, de tudo aquilo que vivemos. Já os racionalistas
defendiam que temos ideias inatas, nascemos com elas, portanto, adquirimos conhecimento por
meio da razão. Esse embate epistemológico persistiu até a Idade Média e até mesmo
atualmente. Há diferentes olhares e diferentes interpretações a respeito de um mesmo fenômeno
(Gallo, 2016).
Assim como o senso comum e o conhecimento religioso, o conhecimento �losó�co se constituiu
como uma visão de mundo a respeito de tudo o que nos cerca, estando fundamentado na lógica,
na argumentação, na construção e na de�nição de conceitos. “Os conceitos não estão prontos e
acabados, mas estão sempre sendo criados e recriados, dependendo dos problemas enfrentados
a cada momento” (Gallo, 2016, p. 13). Desse modo, a �loso�a é de suma importância para nós,
uma vez que nos auxilia na compreensão da nossa existência, na re�exão sobre nossos valores e
posicionamentos frente às mais diversas situações.
Podemos entender que, em muitos momentos, a �loso�a mantém com o conhecimento religioso
ou com o senso comum uma relação con�ituosa, uma vez que ela vai questionar as respostas
prontas e as verdades absolutas por eles apresentadas. Por outro lado, o conhecimento �losó�co
apresenta maior a�nidade com perspectivas mais abertas de conhecimento, como o cientí�co,
por exemplo, em que o questionamento e a correção são possíveis. Assim, é possível entender
que o conhecimento �losó�co possui uma relação de absorção com o conhecimento cientí�co,
contribuindo para o fornecimento de um tratamento conceitual adequado e o levantamento de
problemas sobre a realidade.
Vamos Exercitar?
Você se lembra dos três alunos que foram questionados pelo professor de Filoso�a sobre três
pontos especí�cos? Agora que já compreendemos as características do senso comum, do
conhecimento religioso e do conhecimento �losó�co, é hora de pensar como esses alunos
podem ter respondido aos seguintes questionamentos:  
1. De onde viemos?
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
2. Para onde vamos após a morte?
3. Por que estamos aqui?
Cada aluno, a partir da sua visão de mundo, adotou uma postura diferente em relação às
respostas. Lucas, que vê o mundo a partir do conhecimento religioso ligado ao cristianismo,
atribuiu nossa origem à criação divina, entendendo que o nosso maior propósito no mundo é
servir a Deus; também respondeu que, após a morte, vamos para o paraíso ou o inferno,
dependendo de como agimos durante nossas vidas. Saulo interpreta as questões a partir do
ponto de vista �losó�co; assim, ele levantou outros questionamentos, por exemplo, sobre os
conceitos de morte e vida, o conceito de origem e evolução, para re�etir sobre as questões
propostas.
Por �m, Daniel, por meio do senso comum, respondeu que depende do contexto. Um indiano,
provavelmente, responderia com base em suas crenças culturais regionais, manifestando
explicações de caráter hinduísta. Nesse sentido, como foi explicado no texto, o conhecimento
popular absorve aspectos de outros conhecimentos que são incorporados fortemente pela
cultura.
Saiba mais
1. Para conhecer mais sobre os diferentes tipos de conhecimento e a relação de constituição
entre eles, leia o artigo “Ciência, senso comum e revoluções cientí�cas: ressonâncias e
paradoxos”, de Marivalde Moacir Francelin.
FRANCELIN, Marivalde Moacir. Ciência, senso comum e revoluções cientí�cas:
ressonâncias e paradoxos. Ciência da Informação, Brasília, v. 33, n. 3, p. 26-34, dez. 2004.
2. Vamos falar de fé e respeito? Você sabia que o número de denúncias de intolerância
religiosa no Brasil aumentou 106% em apenas um ano? Embora a liberdade religiosa seja
assegurada pela Constituição, os números apontam para a necessidade de uma mudança
cultural; para isso, é necessário muito diálogo. Como podemos trabalhar a favor da
liberdade religiosa?
Para se aprofundar nessas questões, ouça o episódio “Jesus e Exu: Diálogos possíveis” do
podcast Mamilos. Nesse episódio, há dois convidados. Um deles é Claudia Alexandre,
mestre e doutora em Ciências da Religião; ela também é egbomi de Oxum e pesquisadora
do carnaval e das religiosidades de matriz africana. O outro é Leandro Rodrigues, pastor e
teólogo, presidente da Igreja Habitar, Líder do Colegiado de Pastores e do Conselho
Eclesiástico.
3. Saber mais a respeito do conhecimento �losó�co é fundamental para conseguirmos re�etir
a respeito de questões pertinentes ao nosso cotidiano. Vamos adentrar nesse caminho
lendo o capítulo a seguir, do livro: Filoso�a: Textos Fundamentais Comentados. Bons
estudos!
BAKER, Ann. O que é �loso�a? In: BONJOUR, Laurence; BAKER, Ann. Filoso�a: Textos
fundamentais comentados.cada instrumento tem suas próprias vantagens e limitações, e a escolha do
instrumento mais adequado depende dos objetivos e da natureza da investigação. Ao selecionar
um instrumento de coleta de dados, é importante considerar a validade, con�abilidade e
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
praticidade do instrumento, bem como a capacidade de obter as informações possíveis para
responder às perguntas de pesquisa. Vamos analisar o Quadro 1 a seguir para conhecer alguns
desses instrumentos:
Questionários São formas estruturadas de coleta de dados
que geralmente consistem em uma série de
perguntas pré-determinadas, fechadas ou
abertas, que podem ser administradas em
formato físico ou digital.
Entrevistas Entrevista estruturada: as perguntas são pré-
determinadas e feitas na mesma ordem para
todos os entrevistados. Elas são
padronizadas para garantir consistência nas
respostas e facilitar a comparação entre os
entrevistados.
Entrevista não estruturada (aberta): não há
um roteiro �xo de perguntas. O entrevistador
tem mais liberdade para explorar tópicos de
interesse e permitir que o entrevistado
responda de forma mais aberta. Esse tipo de
entrevista é mais �exível e permite uma
análise mais aprofundada dos temas
discutidos.
Entrevista semiestruturada: combina
elementos de entrevistas estruturadas e não
estruturadas. O entrevistador segue um
roteiro de perguntas prede�nidas, mas
também tem a liberdade de explorar tópicos
adicionais que podem surgir durante uma
entrevista. Isso proporciona um equilíbrio
entre a consistência das perguntas
estruturadas e a �exibilidade para abordar
temas mais complexos.
Observações Observação direta: os pesquisadores
observam o comportamento dos
participantes sem intervenção. Isso pode ser
feito de forma participante ou não
participante.
Observação estruturada: os pesquisadores
seguem um protocolo especí�co e registram o
comportamento observado de acordo com
categorias prede�nidas.
Análise de Documentos Envolve a coleta e análise de documentos
relevantes, como registros o�ciais, relatórios,
artigos acadêmicos, jornais, entre outros, que
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
podem fornecer informações úteis para a
pesquisa.
Testes e Avaliações Psicométricas Testes de personalidade, inteligência,
habilidades e outros tipos de avaliações
psicométricas são usados para coleta de
dados em pesquisas psicológicas e
educacionais.
Testes e Experimentos Podem ser usados para coleta de dados em
um ambiente controlado, permitindo a
manipulação de variáveis independentes para
observar os efeitos sobre as variáveis 
dependentes.
Diário de Campo Utilizado amplamente na etnogra�a, é uma
ferramenta na qual os pesquisadores
registram observações, re�exões, notas e
eventos relevantes relacionados ao seu
estudo.
Grupos Focais São sessões de discussão em grupo,
geralmente compostas por participantes que
reúnem características semelhantes, com o
objetivo de explorar atitudes, percepções e
experiências em torno de um tópico
especí�co.
Quadro 1 | Instrumentos e técnicas para coleta de dados. Fonte: elaborado pela autora.
Vamos Exercitar?
Compreendemos os princípios de uma pesquisa qualitativa, olhamos para os sujeitos,
instrumentos e procedimentos e entendemos as características da pesquisa exploratória,
descritiva e explicativa. Você se lembra da nossa situação inicial? Um assistente social de uma
escola estadual tem notado que os professores têm apresentado alto nível de stress, muitas
faltas e têm se queixado de adoecimento. De que maneira uma pesquisa poderia ser
desenvolvida para levantar os possíveis fatores causadores desses sintomas?  
Inicialmente, poderia ser realizada uma pesquisa exploratória, buscando estudos que já tenham
sido feitos anteriormente e que relatem possíveis causas de stress, desânimo, falta de motivação
em professores que atuam na faixa etária da escola em quem ele trabalha. Feito isso, poderia ser
proposta a realização de grupos focais nas horas-atividades dos professores, de modo que
fossem realizadas discussões nas quais os professores pudessem expor seu ponto de vista a
respeito da rotina escolar e das questões que os têm a�igido. Também podem ser realizadas
entrevistas abertas ou semiestruturadas com os professores, com questões direcionadas a
motivação/desmotivação, stress, cansaço, etc.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Saiba mais
1. É fundamental compreender a diferença entre a realização de uma pesquisa qualitativa e
uma pesquisa quantitativa. A partir disso, é possível pensar nos sujeitos da pesquisa, nos
instrumentos para coleta de dados e nos procedimentos para sua realização. Assim, leia o
Capítulo 8, “Metodologia qualitativa e quantitativa”, de Marconi e Lakatos (2022) para se
aprofundar no assunto.
MARCONI, Marina de Andrade.; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia qualitativa e quantitativa.
In: MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia cientí�ca. 8ª ed.
Barueri: Atlas, 2022. p. 295-344.
2. O uso de diferentes técnicas de coleta e análise de dados, bem como dos métodos de
pesquisa, pode ser um forte aliado no momento da condução da pesquisa cientí�ca.
Precisamos compreender que em alguns momentos esses métodos e técnicas podem não
ser compatíveis entre si, mas em outros eles podem e devem ser utilizados de forma aliada
no desenvolvimento das pesquisas. Isso contribui para maior riqueza no momento da
exploração e para o aprofundamento no tema estudado. Considerando essas questões, leia
o artigo: “Perspectivas metodológicas na pesquisa sobre o comportamento do
consumidor”, de Tonetto, Brust-Renck e Stein (2013). Os autores mostram como a pesquisa
exploratória, descritiva e experimental podem ser utilizadas na compreensão do per�l de
um consumidor.
 
 
Referências
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências:
análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2002.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia cientí�ca. 8ª ed. Barueri: Atlas,
2022.
MATTAR, João; RAMOS, Daniela Karine. Metodologia da pesquisa em educação: abordagens
qualitativas, quantitativas e mistas. São Paulo: Edições 70, 2021.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 26ª ed.
Petrópolis: Vozes, 2007.
SHISHITO, Katiani Tatie. Pesquisa aplicada às Ciências Sociais. Londrina: Editora e Distribuidora
Educacional S.A., 2018.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559770670/epubcfi/6/32[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter08]!/4
https://www.scielo.br/j/pcp/a/b4YYN9wycwMHNhdMn9dVXsv/#
https://www.scielo.br/j/pcp/a/b4YYN9wycwMHNhdMn9dVXsv/#
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Aula 5
Encerramento da Unidade
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Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é “aprender sobre o
conhecimento cientí�co e suas aplicações no mundo real, evidenciando suas consequências
práticas e implicações nas tomadas de decisão e a partir dessa re�exão, entender as diferentes
perspectivas da pesquisa cientí�ca”, você deverá primeiramente compreender algumas
características do conhecimento cientí�co, entender as diferenças entre as pesquisas
qualitativas e quantitativas e a importância da leitura para a construção das pesquisas
acadêmicas.
Embora a ciência leve em consideração um conjunto de procedimentos teóricos, experimentais e
éticos ao longo de sua investigação e construção de conhecimento, existemdiversas
ferramentas formais que contribuem para sua melhor objetividade, evitando as armadilhas da
linguagem corriqueira e a subjetividade interpretativa.
O conhecimento cientí�co é uma forma de conhecimento que se baseia em evidências empíricas
e segue um processo sistemático de investigação, análise e interpretação. Ele se distingue de
outras formas de conhecimento por sua abordagem objetiva e veri�cável, que segue métodos
especí�cos e rigorosos para a obtenção de resultados con�áveis, sendo fundamental para o
avanço do entendimento humano sobre o mundo. As suas características, como a falibilidade, a
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
acumulabilidade e a veri�cabilidade, também contribuem para que se perceba o porquê é
possível con�ar nos conhecimentos produzidos pela ciência.
Nesse contexto, a leitura é imprescindível para a construção de pesquisas que sejam baseadas
em conhecimentos con�áveis. Ela é essencial para adquirir uma compreensão mais aprofundada
e abrangente do assunto em estudo. Permite que os pesquisadores direcionem seus esforços
para áreas que ainda não foram exploradas ou que possam ser investigadas de maneira mais
aprofundada. É por meio da leitura que os pesquisadores podem estabelecer uma base teórica
sólida para fundamentar suas pesquisas. Isso ajuda a estruturar o pensamento e a construir um
arcabouço conceitual para a análise dos dados e a interpretação dos resultados. Em suma, a
leitura é um componente essencial do processo de pesquisa, fornecendo uma base sólida de
conhecimento, estimulando o pensamento crítico e auxiliando na construção de uma pesquisa
robusta e bem fundamentada.
Quando pensamos em diferentes tipos de pesquisas ou diferentes abordagens metodológicas
precisamos ter claro que essas diferenças em muitos momentos se complementam na
realização das pesquisas. A pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa são dois métodos
distintos de investigação usados no campo cientí�co, cada um com suas próprias características
e aplicabilidades. Ambos os métodos desempenham papéis importantes na produção de
conhecimento cientí�co; a escolha entre eles depende dos objetivos especí�cos da pesquisa, das
perguntas que se pretendem responder e das especi�cidades do estudo. Muitas vezes, os
pesquisadores optam por combinar esses métodos para obter uma compreensão mais completa
e abrangente das informações em análise.
Enquanto uma pesquisa qualitativa ajuda a entender a complexidade e o contexto por trás de
uma especi�cidade, uma pesquisa quantitativa fornece números e dados precisos que podem
ser analisados estatisticamente. Ao combinar essas abordagens, os pesquisadores podem obter
uma compreensão mais abrangente e profunda de um tópico especí�co. Essa abordagem �exível
permite que os pesquisadores adaptem sua metodologia de acordo com as necessidades da
pesquisa. Em resumo, as pesquisas qualitativas e quantitativas não são mutuamente
excludentes. Pelo contrário, elas podem ser usadas de forma complementar para fornecer uma
visão mais completa e aprofundada de um determinado assunto.
Re�ita
Em tempos de profunda desinformação como os que vivemos, como o ceticismo pode nos
ajudar a construir um conhecimento veri�cável e con�ável?
Como a leitura acadêmica nos auxilia na produção de pesquisas cientí�cas?
É Hora de Praticar!
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Aliar pesquisa qualitativa e quantitativa é algo interessante na estruturação da pesquisa e na
justi�cativa/argumentação a respeito dos dados em questão. Acesse o site do Instituto Brasileiro
de Geogra�a e Estatística (IBGE) e, na parte dos indicadores sociais, procure e analise os dados
referentes à escolarização e ao analfabetismo dos últimos anos.
Depois, busque as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE – Lei nº.
13.005/2014). Atente-se especi�camente para a “Meta 2 – Universalizar o ensino fundamental de
9 (nove) anos para toda a população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo menos
95% (noventa e cinco por cento) dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada, até o
último ano de vigência deste PNE [2024]”; e para a “Meta 9 – Elevar a taxa de alfabetização da
população com 15 (quinze) anos ou mais para 93,5% (noventa e três inteiros e cinco décimos por
cento) até 2015 e, até o �nal da vigência deste PNE [2024], erradicar o analfabetismo absoluto e
reduzir em 50% (cinquenta por cento) a taxa de analfabetismo funcional” (BRASIL, 2014, [s. p.]).
Após realizar essas duas tarefas, responda aos seguintes questionamentos:
Como a análise dos dados estatísticos referentes ao analfabetismo e à escolarização podem
contribuir para a compreensão das metas propostas no PNE e a veri�cação do cumprimento
dessas metas? Bons estudos!
 
 
Esse é um exemplo de como os dados estatísticos podem ser utilizados também em análises
qualitativas e em questões presentes no nosso cotidiano. Como você pode trazer esses
elementos para enriquecerem os seus trabalhos acadêmicos e o seu ambiente pro�ssional?
 
Os dados coletados pela Pesquisa Nacional de Amostras por Domício (PNAD) tem por objetivo
mostrar a situação socioeconômica do país por meio de vários indicadores. Os dados referentes
à educação compreendem informações que abrangem condição de alfabetização, frequência a
creche ou escola, rede e área de ensino, grau de instrução, e gestão da educação, entre outros
aspectos. Por sua vez, o PNE determina diretrizes, metas e estratégias para a política nacional
educacional por um período de 10 anos. O prazo de vigência do PNE que teve as Metas 2 e 9
apresentadas anteriormente era de 2014 a 2024, ano previsto para a proposta de um novo PNE.
Quando se analisam os dados divulgados pelo IBGE referentes à escolarização de pessoas de 6
a 14 anos que frequentam a escola, percebe-se que de 2016 (99,2%) até 2022 (99,4%) o
percentual �cou praticamente estagnado. Isso indica que a Meta 2 do PNE provavelmente não foi
cumprida, visto que se pretendia universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda a
população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos.
Em relação ao analfabetismo, o percentual de pessoas analfabetas de 15 anos ou mais em 2016
era de 6,7% da população. Em 2022 esse percentual caiu para 5,6%. A queda é pequena quando
se pensa na Meta 9 do PNE, que é elevar a taxa de alfabetização da população com 15 (quinze)
anos ou mais para 93,5% até 2015 e, até o �nal da vigência do PNE, erradicar o analfabetismo
https://www.ibge.gov.br/indicadores.html
https://www.ibge.gov.br/indicadores.html
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
absoluto. O percentual de 2016 indicou que a meta estava caminhando para ser concretizada,
mas acabou estagnando. Considerando que os dados de 2022 indicaram 94,4% da população
alfabetizada, é possível que não houve o atingimento da meta em 2024.
Esse é um exemplo de como os dados estatísticos podem ser utilizados também em análises
qualitativas e em questões presentes no nosso cotidiano. Você pode trazer esses elementos
para enriquecer os seus trabalhos acadêmicos e pro�ssionais.
Vamos analisar o esquema a seguir pensando na relação mútua que existe entre os
procedimentos do método cientí�co, a leitura acadêmica e os diferentes tipos de pesquisa.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Fonte: elaborada pelo autora.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à
�loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BRASIL. Plano Nacional de Educação – Lei n° 13.005/2014. Mec.gov, 2014. Disponível em:
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
lei-n-13-005-2014. Acesso em: 12 jan. 2024.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2002.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia cientí�ca. 8ª ed. Barueri: Atlas,
2022.
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Unidade 3
Tipos de Produção Cientí�ca
Aula 1
A Escrita Cientí�ca
A escrita cientí�ca
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computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
A realização de uma pesquisa cientí�ca é um processo que compreende algumas etapas
fundamentais para o seu bom desenvolvimento e para que haja con�abilidade. A pesquisa pode
ser de cunho teórico ou prático; o imprescindível é que ela empregue o método cientí�co na sua
produção. Outro critério importante a ser observado são as fontes utilizadas como referências na
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
construção da pesquisa. Assim, a busca pelas fontes bibliográ�cas ou documentais disponíveis
sobre o assunto é de grande valia para o pesquisador.
Vamos pensar de uma maneira mais prática, para que você consiga aliar esses elementos
indispensáveis da pesquisa e consiga também pensar na melhor forma de utilizá-los. Pense que
você está buscando fontes de referência para a construção do seu trabalho de conclusão de
curso (TCC). Essa fonte (seja um artigo, livro, capítulo de livro) precisa estar de acordo com o
assunto que você pretende desenvolver. Busque um artigo cientí�co em uma plataforma de
pesquisa con�ável (utilize como base a plataforma da Scielo, Pepsic, Google Scholar, Web os
Science ou o Banco de Teses e Dissertações da Capes) e faça uma resenha sobre ele, se
atentando para os elementos que constituem a elaboração da resenha e pensando na posterior
utilização dela no seu TCC. Bons estudos!
Vamos Começar!
Para a investigação de um objeto de pesquisa podemos utilizar diferentes fontes de investigação,
como a bibliográ�ca, a de campo ou a de laboratório. A investigação bibliográ�ca é aquela
realizada a partir de livros, artigos cientí�cos, teses, dissertações (Marconi; Lakatos, 2024).
Contudo, precisamos nos atentar para as diferenças existentes entre o levantamento
bibliográ�co e a revisão bibliográ�ca, que precisam ser realizados em pesquisas de qualquer
natureza. Vamos nos aprofundar nessas questões para que essas diferenças �quem bem
demarcadas. Vamos falar também da pesquisa documental, do resumo e da resenha, que são
importantes produções no âmbito acadêmico. Elas nos auxiliam em nossos estudos e na
elaboração de nossas pesquisas.  
Pesquisa bibliográ�ca
A pesquisa bibliográ�ca é uma atividade fundamental no processo de produção de
conhecimento cientí�co. Ela envolve coleta, seleção e análise de fontes bibliográ�cas relevantes
para um determinado tema de estudo. Uma pesquisa bibliográ�ca bem realizada é crucial para a
fundamentação teórica de trabalhos acadêmicos, como monogra�as, dissertações e teses; ela é
útil também para pesquisas em áreas pro�ssionais (Marconi; Lakatos, 2024). Por meio da
pesquisa bibliográ�ca, os pesquisadores buscam obter uma compreensão aprofundada do
estado atual do conhecimento sobre um assunto especí�co, identi�cando lacunas na literatura
existente e fundamentando teoricamente suas investigações.
Ao realizar uma pesquisa bibliográ�ca, é importante utilizar uma variedade de fontes e
abordagens, a �m de garantir a abrangência e a profundidade para a compreensão do tema em
questão. Dessa forma, o pesquisador não vai restringir a sua pesquisa a um único autor ou
transformar o seu trabalho em uma sequência de citações diretas, mesmo que elas façam
sentido naquele momento. O material bibliográ�co precisa ser explorado de uma maneira que o
autor da pesquisa consiga articular as ideias e construir um texto analítico e re�exivo a respeito
do assunto em questão, e não apenas realize um trabalho descritivo (Lima, 2004).
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Além disso, é fundamental estar atento às últimas publicações e aos avanços recentes na área
de estudo, a �m de garantir que a pesquisa esteja atualizada e contextualizada dentro do estado
da arte. As fontes da pesquisa bibliográ�ca são chamadas de fontes secundárias, pois
constituem-se de dados coletados por outras pessoas (Marconi; Lakatos, 2024). Assim, a
pesquisa bibliográ�ca é um tipo de estudo que busca consultar amplas bases de dados,
sobretudo indexadores de artigos cientí�cos e livros-textos, cujo objetivo é buscar saber o quanto
um problema já foi estudado e o quão signi�cativo é a sua evidência.
Podemos compreender algumas fases da pesquisa bibliográ�ca ou seguir alguns passos para a
sua realização:
1. De�nição clara do tema: é fundamental delimitar com precisão o tema de pesquisa. Quanto
mais especí�co para o seu tópico, mais fácil será encontrar fontes relevantes.
2. Palavras-chave: identi�que as palavras-chave relacionadas ao seu assunto. Essas palavras-
chave serão usadas para as pesquisas em catálogos de bibliotecas e bases de dados
acadêmicos.
3. Identi�cação das fontes: é necessário identi�car as principais fontes de informação, tais
como livros, artigos cientí�cos, teses, dissertações, relatórios técnicos, entre outros, que
sejam relevantes para o tema em questão.
4. Seleção criteriosa: deve-se realizar uma seleção criteriosa das fontes mais relevantes e
con�áveis, levando em consideração a sua qualidade, atualidade e relevância.
5. Análise dos resumos: ao revisar os resultados da pesquisa, examine os resumos das fontes
para determinar se eles são pertinentes ao seu assunto.
�. Leia os textos completos: depois de identi�car fontes relevantes, leia os textos completos
para obter uma compreensão aprofundada do conteúdo.
7. Organização e síntese: é essencial organizar e sintetizar as informações coletadas de
forma clara e objetiva, destacando os principais pontos relevantes e as contribuições de
cada fonte para o tema de pesquisa.
�. Referenciação adequada: é imprescindível realizar a referência bibliográ�ca correta de
todas as fontes utilizadas, obedecendo às normas de citação e referência obrigatórias na
área de estudo.
Levantamento bibliográ�co
O levantamento bibliográ�co é fundamental para todo tipo de pesquisa acadêmica e cientí�ca,
pois consiste na busca, seleção e coleta de fontes de informação relevantes sobre um
determinado tema de estudo. Esse processo ajuda a identi�car os principais trabalhos, artigos,
relatórios e outros tipos de materiais que contribuem para a pesquisa. Um levantamento
bibliográ�co abrangente fornece uma base sólida para o desenvolvimento de uma pesquisa
original; por isso, é fundamental acessar plataformas con�áveis de busca.
Precisamos nos atentar para o fato de que não é possível acessar ou coletar tudo o que já foi
publicado sobre um determinado assunto quando estamos realizando uma pesquisa. Por isso,
devemos deixar bem demarcado o recorte realizado pelo estudo, os autores que serão utilizados
como referência e a perspectiva teórica que irá orientar o estudo. Dessa forma o leitor consegue
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
acompanhar o raciocínio desenvolvido pelo pesquisador no momento de elaboração da pesquisa
e �ca mais coerente acompanhar o caminho trilhado na construção do conhecimento.
Revisão bibliográ�ca
A fase de revisão bibliográ�ca é comumente confundida com a fase do levantamento
bibliográ�co, mas precisamos ter claras as suas diferenças. A revisão é a fase de leitura, o
momento de aprofundamento do pesquisador em relação ao tema em questão. Nãoé possível
escrevermos sobre algo que não conhecemos ou sobre algum assunto que não dominamos;
assim, a leitura é essencial para conhecermos de maneira aprofundada o tema da pesquisa, a �m
de podermos falar com propriedade sobre ele.
Essa etapa da construção do conhecimento também está presente em todas as pesquisas
cientí�cas, visto que é por meio dela que se buscará construir a base teórica da pesquisa.
Precisamos nos lembrar que a revisão bibliográ�ca é um processo contínuo; dessa forma, é
necessário continuar atualizando-a à medida que a pesquisa progride e as novas fontes são
publicadas. A revisão bibliográ�ca bem elaborada não apenas oferece um embasamento teórico
consistente para a pesquisa, mas também ajuda a identi�car as perspectivas promissoras para
futuras investigações e contribui para o desenvolvimento do conhecimento em determinada área.
Diante disso, é possível admitir que, em geral, as pesquisas são também pesquisas
bibliográ�cas, visto que não se pode desenvolver uma boa pesquisa sem os elementos citados
anteriormente. No entanto, isso não signi�ca que não se pode realizar ‘somente uma pesquisa
bibliográ�ca’ em uma investigação. Não signi�ca que o pesquisador produzirá mais do mesmo
ou apenas reproduzirá conhecimentos que já estão dados. A pesquisa bibliográ�ca oferece
meios para que sejam exploradas áreas que ainda carecem de análise, permite que sejam
levantadas novas hipóteses e novos questionamentos, o que favorece um novo enfoque sobre o
problema e soluções inovadoras (Marconi; Lakatos, 2024).
Pesquisa documental
A pesquisa documental é particularmente útil para a realização de estudos históricos, estudos
sociais, análises de políticas públicas, análises de conteúdo e outras investigações que
dependem da análise de fontes de documentos escritos ou audiovisuais. Ela fornece uma
compreensão aprofundada e contextualizada de eventos, processos e questões relevantes em
diversas áreas do conhecimento. A pesquisa documental é um tipo de investigação que envolve
a coleta e análise de documentos escritos, imagens, gravações de áudio, vídeos e outros
materiais que possam fornecer informações relevantes sobre um tema especí�co. Esses
documentos incluem registros o�ciais, relatórios, correspondências, leis, regulamentos, jornais,
revistas, fotogra�as, �lmes, entre outros tipos de fontes primárias e secundárias (Marconi;
Lakatos, 2024).
As fontes primárias são aquelas coletadas diretamente pelo pesquisador; as secundárias foram
coletadas/produzidas por outra pessoa. É importante notar que a pesquisa documental requer
habilidades de pesquisa e análise, bem como acesso a uma variedade de fontes de documentos.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Além disso, a interpretação adequada dos documentos exige um entendimento profundo do
contexto em que foram produzidos e das limitações inerentes aos dados documentais. Ao
realizar uma pesquisa documental, é importante estar atento para as seguintes questões:
1. De�nição clara do objetivo: estabelecer claramente os objetivos e questões de pesquisa
que orientarão a coleta e análise dos documentos relevantes.
2. Identi�cação das fontes e coleta dos dados: identi�car as fontes potenciais de documentos
pertinentes ao assunto da pesquisa, incluindo arquivos, bibliotecas, instituições
governamentais, museus, meios de comunicação, entre outros. É importante veri�car a
disponibilidade e acessibilidade desses documentos para garantir que você tenha acesso a
eles.
3. Análise e interpretação dos documentos: analisar criticamente o conteúdo dos documentos
encontrados, identi�cando padrões, tendências, contradições e lacunas de informação que
possam ajudar a responder às questões de pesquisa.
4. Triangulação de fontes: procurar utilizar uma variedade de fontes documentais para
corroborar e complementar os dados obtidos, garantindo a validade e a con�abilidade das
conclusões tiradas da pesquisa documental.
5. Citações e referências: citar corretamente todas as fontes utilizadas e fornecer as
referências de acordo com as normas da ABNT.
Siga em Frente...
Resumo, resenha e recensão
A habilidade de escrita é fundamental ao pesquisador e a qualquer pro�ssional. Saber escrever
bem é uma das premissas para uma boa comunicação. É impreterível que o bom leitor e o bom
escritor compreendam que um texto não é um apanhado de frases que soam bem quando lidas
de forma conjunta. É preciso haver conexão entre as partes do texto, que elas estejam ligadas,
conversem entre si e indiquem uma direção bem de�nida ao leitor. É preciso compreender que o
texto é uma unidade e o que o de�ne não é a sua extensão, mas sim o seu signi�cado. Assim,
praticar a leitura e a escrita é um bom começo para que essas habilidades sejam desenvolvidas.
Resumos, resenhas e recensões são bons exemplos de como é possível praticar; trata-se de
produções que são solicitadas no meio acadêmico e no nosso cotidiano (Medeiros, 2000;
Marconi, Lakatos, 2024).
Resumo
O resumo é a sintetização objetiva do conteúdo de um texto original, apresentando apenas os
pontos principais e as principais ideias do autor. Um resumo é mais curto que o texto original e
deve transmitir de forma clara e concisa o contexto, os objetivos, as principais descobertas e
conclusões do texto original. Para escrever um resumo e�caz, é importante identi�car as
principais ideias do texto, omitir detalhes menos relevantes e manter a precisão e a �delidade ao
conteúdo original. A ABNT NBR 6028 (2021, p. 1) de�ne como os resumos devem ser
apresentados, fazendo a diferenciação entre resumo indicativo e resumo informativo.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Resumo indicativo: trabalho que indica os pontos principais do documento sem apresentar
detalhamentos, como dados qualitativos e quantitativos, e que, de modo geral, não
dispensa a consulta ao original.
Resumo informativo: trabalho que informa �nalidades, metodologia, resultados e
conclusões do documento, de tal forma que possa, inclusive, dispensar a consulta ao
original.
Em relação à extensão, a norma estabelece que é indicado que os resumos tenham entre “150 a
500 palavras nos trabalhos acadêmicos e relatórios técnicos e/ou cientí�cos; 100 a 250 palavras
nos artigos de periódicos; 50 a 100 palavras nos documentos não contemplados nas alíneas
anteriores” (Abnt, 2021, p. 2). Se o resumo não �zer parte de um documento (um artigo ou um
TCC, por exemplo), ele deve ser precedido pela referência do texto a que se refere. Ao resumir, o
autor deve usar preferencialmente a terceira pessoa e as palavras-chave devem ser apresentadas
logo abaixo do texto, grafadas em letras minúsculas, separadas entre si por ponto e vírgula e
�nalizadas com ponto. Veja a seguir o exemplo de um resumo.
RESUMO: Os conteúdos escolares, independente da etapa de ensino a que se destinam,
quando ministrados de forma plena e não fragmentada, possibilitam a formação do sujeito
omnilateral. Além de formar o sujeito omnilateral, cabe também ao professor motivar seus
alunos durante as aulas para que eles vejam os conteúdos de forma interessante e próximas à
sua realidade. O presente estudo teve como objetivo re�etir acerca da ação docente exercida
durante a realização do estágio obrigatório em docência no curso de Doutorado em Educação
de uma universidade do norte do Paraná. Teve também como objetivo re�etir acerca da
percepção da motivação apresentada pelos alunos matriculados na disciplina em que o
estágio foi exercido. As re�exões contidas no presente estudo foram feitas à luz dos
pressupostos teóricos do Materialismo Histórico e Dialético, da Teoria da Autodeterminação e
também dos relatos feitos pela turma em que o estágio foi realizado.
 
PALAVRAS-CHAVE: Estágio. Docência. Materialismo histórico. Motivação.
Quadro 1 | Exemplo de resumo. Fonte: Mariano, Franco e Oliveira (2021, 361).
Resenha e recensão
Segundo a ABNT (2021, p. 1), a resenha é a “análise do conteúdo de um documento, objeto, fato
ou evento”, a recensão é a “análise crítica, descritiva e/ou comparativa, geralmente elaborada por
especialista”.A resenha e a recensão podem ser entendidas como uma análise crítica e
avaliativa de um livro, artigo, �lme ou qualquer outra obra. Geralmente incluem uma síntese do
conteúdo, juntamente com uma avaliação subjetiva do trabalho. Podem ser abordados vários
aspectos da obra, incluindo a estrutura, o estilo de escrita, os pontos fortes e fracos, as
contribuições para o campo, as questões levantadas e a relevância do trabalho em relação a
outros textos ou obras relacionadas.
Ao escrever uma resenha ou uma recensão, é importante fornecer um resumo do conteúdo do
texto, seguida de uma análise crítica que destaca os méritos da obra. É essencial fundamentar as
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
avaliações e os argumentos em evidências concretas retiradas do texto original ou de outras
fontes relevantes. A ABNT NBR 6028 (2021) destaca que a resenha e a recensão não estão
sujeitas a limite de palavras, não devem ser elaboradas em tópicos, não devem ser elaboradas
pelo autor do texto ou objeto que é foco da análise e devem ser precedidas pela referência
quando forem publicadas separadas destes.
Na escrita do resumo, da resenha e da recensão, é importante que o texto escrito seja claro,
conciso, coeso e coerente. Um texto claro é aquele que é fácil de ser compreendido ou
entendido. O texto conciso é aquele resumido ao essencial, sintetizado em poucas palavras,
preciso, sucinto. A coesão se refere ao uso correto dos aspectos gramaticais, conectando os
elementos do um texto, deixando-o claro e compreensível. Por �m, o texto coerente é aquele que
é lógico. Todas essas características precisam ser observadas na escrita de um bom texto
acadêmico, de qualquer tipo. É indispensável o leitor compreender a mensagem a ser transmitida
pelo autor do texto. O Quadro 2 a seguir apresenta o exemplo de uma resenha:
Referência Bibliográ�ca ANDRADE, Mário de. Querida Henriqueta:
cartas de Mário de Andrade a Henriqueta
Lisboa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1991.
214 p.
Informações sobre o autor Já foram publicadas cartas de Mário de
Andrade a Manuel Bandeira, a Oneyda
Alvarenga (Mário de Andrade: um pouco), a
Carlos Drumond de Andrade (A lição do
amigo) e Anita Malfatti. Em todas elas, é
possível veri�car a surpreendente revelação
da personalidade de Mário de Andrade, seus
conhecimentos, suas preocupações, sua
dedicação à arte, o entusiasmo com que
tratava os escritores iniciantes.
Gênero da obra Em Querida Henriqueta, reunião de cartas de
Mário à poetisa Henriqueta Lisboa, Mário é
tão generoso quanto o fora em A lição do
amigo, tão competente quanto o fora nas
cartas à Manuel Bandeira. A exposição é
sempre franca, os temas abordados variados
e a profundidade e o valor humano notáveis.
Para alguns, as cartas de Mário, em seu
conjunto, estão no mesmo nível que suas
criações literárias.
Resumo É possível ver nas cartas o interesse de Mário
pela motivação dos iniciantes analisando com
dedicação e competência tudo que lhe
chegava às mãos. Há em seu comportamento
o sentido quase de missão estética. As
recomendações são as mais variadas: ora
sugere alterações, ora a supressão, ora o
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
cuidado com o ritmo, ora com as
manifestações de conteúdo cultural. Não é o
mestre que fala, mas o amigo. Não é o
professor, mas o artista experiente, que sabe
o que diz e por que o diz, que tem consciência
de tudo o que fala, que leva o trabalho
artístico muito a sério. As considerações são,
no entanto, apenas de ordem técnica. Mário
de Andrade, por sua argúcia crítica, penetra na
análise psicológica. Assim, examina os
retratos feitos por diversos artistas, como
Portinari, Anita Malfatti, Lasar Segall. Segundo
ele, Segall ter-se-ia �xado em seu lado
obscuro, quase oculto, malévolo de sua
personalidade. A relação angustiada do autor
de Macunaíma consigo mesmo aparece nas
cartas a Henriqueta Lisboa. Da mesma forma,
aparecem o problema do remorso e da culpa,
o cansaço diante da propaganda pessoal, do
prestígio, da notoriedade, da polêmica. Não
silencia sequer a análise das relações com a
família. Aqui, não é a imagem de Mário
revolucionário e exuberante que apresenta.
Não. Também não há lamentações: tudo é
exposto com extrema lucidez quanto às
virtudes e defeitos. Mário abre o coração
numa con�dência de quem acredita na amiga
e nas relações humanas.
Apreciação As cartas foram escritas de 1939 a 1945,
quando Mário veio a falecer. E são mais do
que uma fonte de informação ou depósito de
ideias estéticas: são um retrato de seu autor,
com suas angústia e expansões de alegria, de
emoção e de rigidez comportamental.
Recomendações A obra é indicada para todos os que se
interessam pela obra de Mário e sua poética,
e alunos dos cursos de Educação Artística e
Letras.
Quadro 2 | Exemplo de resenha. Fonte: Medeiros (2000, p. 143).
Vamos Exercitar?
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Agora que já conhecemos as características de uma pesquisa bibliográ�ca e uma pesquisa
documental, compreendemos a diferença entre levantamento bibliográ�co e revisão bibliográ�ca,
bem como as diferenças entre resumo e resenha, é hora de retomarmos nossa situação inicial.
Você está buscando fontes de referência para a construção do seu trabalho de conclusão de
curso (TCC). Você acessou uma plataforma como a Scielo e encontrou um artigo cientí�co que
foi publicado no ano de 2022 com o assunto que você pretende trabalhar. Agora você precisa
elaborar uma resenha sobre esse artigo, para posteriormente utilizá-la no seu TCC.
Você precisa se atentar para os elementos que são indispensáveis na elaboração de um texto
acadêmico e cientí�co: clareza, coerência, concisão e coesão. Também é indispensável se
atentar para o fato de que as frases não são um emaranhado de palavras juntas, elas precisam
fazer sentido e, como um todo, passar uma ideia geral para o leitor do texto, para que ele
compreenda a mensagem que se deseja transmitir.
Saiba mais
1. As pesquisas bibliográ�ca e documental são relevantes na construção do conhecimento e
no entendimento da realidade em que nos encontramos inseridos. Para que isso seja
possível, o pesquisador precisa compreender e dominar a maneira de condução e de
realização dessas pesquisas. Para saber mais sobre esse assunto, leia o capítulo 2
“Pesquisa Bibliográ�ca”, p. 44-75, do livro Metodologia do Trabalho Cientí�co, de Marina de
Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos.
2. A resenha e o resumo são produções importantes utilizadas para a construção do
conhecimento. Eles permitem a elaboração de um comentário crítico sobre um documento,
um texto, um �lme ou um objeto de estudo. Para que você se familiarize com esse tipo de
produção, leia a resenha do livro “Urgências e emergências em saúde: perspectivas de
pro�ssionais e usuários ”, escrita por Claudia Abbês Baêta Neves.
 
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6028: Informação e
documentação – Resumo, resenha e recensão – Apresentação. 2ª ed. Rio de Janeiro: ABNT,
2021.
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTOO, Luciana Bernardo. Guia prático de
monogra�as, dissertações e teses: Elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea,
2011.
LIMA, Manolita Correia. Monogra�a: a engenharia da produção acadêmica. São Paulo: Saraiva,
2004.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597026559/epubcfi/6/22[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml9]!/4
https://app.uff.br/slab/uploads/texto80.pdf
https://app.uff.br/slab/uploads/texto80.pdf
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos
de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de
conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024.
MARIANO, Maria Luzia Silva; FRANCO, Sandra Aparecida Pires; OLIVEIRA, Katya Luciane de.
Estágio em docência no curso de Doutorado em educação: relatos de experiência. Revista Ibero-
Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 16, n. 1, p. 361-375, jan./mar. 2021.
MEDEIROS, João Bosco. Redação cientí�ca: a prática de�chamentos, resumos, resenhas. 4ª ed.
São Paulo: Atlas, 2000.
SANTOS, Vanice dos; CANDELORO, Rosana. Trabalhos acadêmicos: uma orientação para a
pesquisa e normas técnicas. Porto Alegre: Age, 2006.
Aula 2
O Projeto de Pesquisa
O projeto de pesquisa
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Você já deve ter feito perguntas como “por quê?” e “como?” muitas vezes na vida. Essa é uma
facilidade especialmente das crianças. Nós nascemos curiosos para saber a origem das coisas e
a causas dos fenômenos que observamos. A curiosidade é uma das características elementares
do ser humano, o qual encontrou muitas formas de sanar suas dúvidas; uma dessas formas é a
utilização do método cientí�co para chegar à resposta de um questionamento. Para a
construção, estruturação e aplicação do método cientí�co no desenvolvimento da pesquisa, o
pesquisador precisa elaborar o projeto de pesquisa como etapa anterior. É a respeito dele que
vamos falar.
Pensemos na seguinte situação: você precisa elaborar o projeto de pesquisa para o seu TCC. É
um dos requisitos para a conclusão do curso. No entanto, você ainda está sem inspiração em
relação ao que trabalhar. Conversando com alguns professores, eles o orientaram a pensar
inicialmente em um assunto que você goste e em como esse assunto poderia �car mais
especí�co. Depois, você precisa ter um questionamento para esse assunto, que seja interessante
não somente para você. Se possível, você deve pensar em uma hipótese. Vamos conhecer mais
sobre o projeto de pesquisa para poder executar essa tarefa?! Bons estudos!
Vamos Começar!
A ciência e a tecnologia estão presentes em nossa vida cotidiana em diversos segmentos. Por
trás de toda construção desses artefatos ou conhecimentos, estão as perguntas; elas são muito
importantes porque con�guram a motivação do cientista para iniciar uma investigação. Toda
pesquisa deve conter um problema a ser tratado ou uma pergunta como �o condutor. Tais
problemas ou perguntas possuem fontes diversas: podem surgir a partir de conversa com
familiares, de uma re�exão individual, de uma conversa com colegas de faculdade ou trabalho.
Porém, há uma série de adaptações a serem feitas para que essa curiosidade inicial se torne
uma pergunta cientí�ca que possibilite o desenvolvimento de uma pesquisa.
No desenvolvimento da pesquisa, há a formulação inicial do problema, a elaboração do projeto
de pesquisa, a criação de um modelo de análise, a coleta e análise de dados e a comunicação
dos resultados. Saber conduzir uma boa pesquisa é essencial tanto para a produção de
conhecimento básico, quanto para a produção de conhecimento aplicado, �nanciados por
empresas ou governos. O conhecimento dessas etapas e desses procedimentos que envolvem
todo o método cientí�co não só possibilitará o desenvolvimento de uma boa pesquisa, mas
também exercitará o seu pensamento crítico.
O que é o projeto de pesquisa?
O projeto de pesquisa pode ser entendido como um planejamento que vai organizar o
desenvolvimento da pesquisa. É um documento elaborado para direcionar, nortear o
desenvolvimento da pesquisa. Realizar uma pesquisa sem a elaboração de um projeto é algo que
se torna inviável, visto que isso pode tornar o estudo confuso e muitas vezes sem a
fundamentação adequada devido a atividades desenvolvidas de maneira improvisada. A falta de
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
planejamento pode prejudicar tanto a condução da pesquisa quanto os resultados obtidos e a
con�abilidade do estudo (Crivelaro; Crivelaro; Miotto, 2011).
De acordo com Crivelaro, Crivelaro e Miotto (2011, p. 25), podemos entender o projeto de
pesquisa como “um conjunto de perguntas: O que fazer? Por que fazer? Para que fazer? Onde
fazer? Como, com que, quanto e quando fazer? Com quanto fazer? Como pagar? Quem vai
fazer?”. Essas perguntas servem como norte, como orientação, para a construção das etapas
especí�cas que precisam ser contempladas no desenvolvimento do projeto. Contudo, antes de
pensarmos na estrutura em termos de organização, precisamos pensar em três elementos
fundamentais: o tema, o problema e as hipóteses.
Tema – o assunto da pesquisa
A escolha do tema é de suma importância; é o momento em que escolhemos o assunto que
vamos abordar ao longo da pesquisa. Essa escolha está ligada a muitas condições, como
interesse pessoal, necessidade pro�ssional, exigência acadêmica, relevância na atualidade, etc.
Independente da escolha, é necessário que exista material bibliográ�co disponível para consulta
a �m de que o pesquisador realize seu levantamento bibliográ�co e sua revisão bibliográ�ca.
Procurar fontes que contenham o assunto em questão é imprescindível para agregar maior
conhecimento sobre o assunto e compreender os avanços obtidos em relação a ele (Marconi;
Lakatos, 2024).
Existe também a necessidade de delimitação do tema a ser pesquisado. O que isso quer dizer? O
assunto precisa ser especí�co, bem demarcado, bem explicado e bem planejado, para que seja
possível por em prática. Diversos estudos não alcançam seus objetivos porque não conseguem
delimitar com quem a pesquisa será realizada, onde, quando, em quanto tempo, etc.
Problema – as perguntas da pesquisa
Ao desenvolver uma pesquisa, o pesquisador tem em si alguma inquietação, dúvida ou problema
que almeja sanar. A pergunta da pesquisa é justamente essa incerteza que o pesquisador possui
sobre determinado assunto e que o encoraja a desenvolver uma investigação, mas é um
equívoco pensar que o produto de toda investigação é a solução dessa pergunta. Na verdade,
mesmo quando é possível produzir respostas satisfatórias a uma dada pergunta (e nem sempre
é possível), outras questões surgem decorrentes da investigação, além da existência própria
daquelas que tangenciam a pesquisa e sequer foram tratadas.
Um pesquisador iniciante pode e deve revisar a literatura sobre determinado tema, a �m de
encontrar questões abertas. Ele deve procurar ter um certo domínio sobre a literatura do campo
de estudo em que almeja começar uma investigação. O pesquisador deve ter um escopo bem
de�nido, caso contrário, poderá se perder tentando responder mais questões do que lhe seriam
pertinentes. Mesmo que problemas secundários sejam interessantes, é importante focar em uma
questão especí�ca a �m de conseguir se dedicar a ela e entregar resultados relevantes.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
É necessário pensar também se a pergunta da pesquisa é algo interessante e relevante para a
ciência e para o meio acadêmico e não somente para o pesquisador. Além disso, a ética é
indispensável, de modo que a pergunta não cause risco de vida para os participantes, nem uma
completa invasão de suas privacidades. Por �m, nem sempre é preciso inovar em ciência, mas
com uma questão bem delimitada, é possível e desejável a produção de novas informações. A
questão não precisa ser completamente original, mas novas informações sobre o assunto
constituem um resultado esperado de boas pesquisas.
As hipóteses da pesquisa
Uma vez elaborada a questão de pesquisa, pode ser necessária a elaboração de hipóteses a
serem testadas; elas darão uma resposta quanto ao problema colocado pelo pesquisador. As
hipóteses são uma espécie de diretriz da pesquisa, elas indicam o que o pesquisador está
buscando ou o que está tentando comprovar. Assim, elas são tentativas prévias de explicação do
fenômeno analisado e devem ser formuladas de forma clara e concisa. A hipótese não deve ser
confundida com pressuposto teórico, uma vez que, no decorrer da pesquisa, ela podeser
descartada ou validada. A hipótese é sempre provisória e provável.
Uma hipótese é diferente de uma a�rmação, pois o pesquisador não tem plena certeza de sua
comprovação. Assim, a hipótese pode ser entendida como aquilo que o pesquisador acha que vai
encontrar com o desenvolvimento da pesquisa. As fontes comuns para formulação de hipóteses
são as teorias, generalizações empíricas sobre o problema de pesquisa e estudos revisados, mas
elas também podem surgir em campos de estudo pouco explorados. Um erro grave ao elaborar
hipóteses se faz quando o pesquisador não revê a literatura do campo de estudo e formula
hipóteses que já foram signi�cativamente aceitas ou descartadas por outros estudos.
Segundo Marconi e Lakatos (2024), as hipóteses se dividem em duas categorias: hipóteses
básicas e hipóteses secundárias. As hipóteses básicas são aquelas escolhidas pelo pesquisador
e que respondem ao problema diretamente. Por sua vez, as hipóteses secundárias indicam
respostas complementares ou outras possibilidades de resposta para o problema em questão.
Além dessa classi�cação, há outras maneiras de classi�car hipóteses mais gerais que variam de
acordo com o objetivo da pesquisa como: hipóteses de pesquisa, hipóteses nulas, hipóteses
alternativas e hipóteses estatísticas. As hipóteses de pesquisa podem ser entendidas como
proposições acerca das possíveis relações entre duas ou mais variáveis.
Siga em Frente...
Estruturação do projeto de pesquisa
Nós já sabemos que o projeto de pesquisa é um planejamento que deve apresentar de forma
detalhada como o trabalho será realizado. Independentemente da abordagem teórica a ser
utilizada no estudo, a pesquisa deve ser compreendida como um processo que pretende
apresentar um resultado. A pesquisa cientí�ca é uma forma de produzir o conhecimento
cientí�co dentro de um processo constituído por etapas que precisam ser atendidas no seu
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
desenvolvimento. A elaboração e apresentação do documento é realizada com base na ABNT
NBR 15287 (2011).
Etapas especí�cas do projeto de pesquisa
Tema – qual assunto pretendo tratar?
Problema – qual di�culdade teórica ou prática pretendo solucionar?
Hipótese – que suposição pretendo explicar?
Objetivo – o que eu pretendo alcançar?
Metodologia – como eu pretendo alcançar?
Levantamento bibliográ�co – quais materiais pretendo utilizar?
Cronograma – em quanto tempo pretendo desenvolver essa pesquisa?
Possíveis custos – terei custos para a realização das pesquisas? Quais?
Formatação do projeto de pesquisa
Para a montagem e apresentação do projeto de pesquisa, deve-se seguir a norma 15287 (2011)
da ABNT. Devem ser contemplados os elementos pré-textuais, aqueles que antecedem o texto do
trabalho, apresentando informações que ajudam sua identi�cação, manuseio e utilização. Os
elementos textuais que são compostos pelo corpo do trabalho, introdução, desenvolvimento e
conclusão. Por �m, os elementos pós-textuais que são materiais complementares, que tem por
�nalidade documentar ou melhor esclarecer o texto. Vamos acompanhar a seguir cada um
desses elementos.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Figura 1 | Estrutura do projeto de pesquisa. Fonte: adaptada de ABNT NBR 15287 (2011).
Vamos pensar agora de maneira mais detalhada nesses elementos que precisam ser
contemplados na elaboração de um projeto de pesquisa. É importante ressaltar que não existe
um padrão único, mas os itens apresentados precisam estar presentes.
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
Figura 2 | Exemplo dos elementos a serem contemplados no projeto de pesquisa. Fonte: adaptada de Crivelaro; Crivelaro;
Miotto (2011).
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Vamos Exercitar?
É hora de retomarmos a nossa situação inicial. Você está concluindo seu curso de graduação, e
como uma das etapas obrigatórias, você precisa elaborar um projeto para depois realizar o seu
TCC. Precisamos pensar em um tema, um problema e uma hipótese. Nesse passo, é importante
pensar que o tema não pode ser muito abrangente, caso contrário, você pode correr o risco de
não conseguir trabalhar todos os elementos que você se propôs. O problema é a pergunta da sua
pesquisa, aquela que lhe causa curiosidade. A hipótese é o que você acha que vai encontrar.
Vamos pensar no seguinte exemplo: na área da educação/psicologia é possível trabalhar com a
motivação para aprender. Tema: Motivação de alunos do ensino médio do estado de Minas
Gerais para aprender. Problema: Os alunos do 3º ano apresentam motivação intrínseca para
aprender? Hipótese: Parte-se da hipótese de que os alunos serão desmotivados. A partir daí, as
outras etapas do projeto podem ser desenvolvidas. Com esse exemplo, você pode pensar em
muitos outros temas, problemas e hipóteses para pesquisa.
Saiba mais
Compreender o que é o projeto de pesquisa, qual é a sua estrutura e como ele deve ser
formatado é fundamental para o desenvolvimento de um bom trabalho e consequentemente para
o desenvolvimento de uma boa pesquisa. Assim, é necessário que você domine esses tópicos.
Para isso, leia o capítulo 4, “Projeto de pesquisa e relatório de pesquisa”, p. 112-145, do livro
Metodologia do trabalho cientí�co, de Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos.
 
 
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15287: Informação e
documentação – Projeto de pesquisa – Apresentação. 2ª ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTTO, Luciana Bernardo. Guia prático de
monogra�as, dissertações e teses: Elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea,
2011.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos
de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de
conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597026559/epubcfi/6/26[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml11]!/4
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
SANTOS, Vanice dos; CANDELORO, Rosana. Trabalhos acadêmicos: uma orientação para a
pesquisa e normas técnicas. Porto Alegre: Age, 2006.
Aula 3
Escrever e Publicar: Como Levar a Ciência para as Pessoas?
Escrever e publicar: como levar a ciência para as pessoas?
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conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
A informação cientí�ca é um recurso valioso para o desenvolvimento da sociedade em seus
diversos setores: acadêmico, industrial, governamental, empresarial, etc. Conhecer os meios de
publicação cientí�ca, a estrutura e os formatos dos textos cientí�cos é fundamental para que se
possa produzir ciência. Também é necessário conhecer as tecnologias que trouxeram muitas
ferramentas positivas para o desenvolvimento das pesquisas cientí�cas e para a comunicação
dos resultados.
Vamos pensar na seguinte situação: em uma indústria química, o departamento de marketing
quis veri�car o efeito da propaganda na venda de álcool em gel. Após o desenvolvimento da
pesquisa, veri�cou-se que os resultados foram positivos nas vendas dos produtos.
Posteriormente, o pesquisador inicia o processo de publicação dos resultados. Para isso, ele
resolve fazer uma busca nas revistas cientí�cas mais relevantes disponíveis na internet sobre a
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
temática do estudo. Qual o principal critério que o pesquisador deve observar na hora de
escolher uma revista a �m de alcançar esse objetivo? Bons estudos!
Vamos Começar!
A publicação cientí�ca ocorre quando os pesquisadores buscam tornar os resultados das suas
pesquisas acessíveis a outrospesquisadores.  A divulgação dos resultados da investigação é
uma etapa muito importante da pesquisa e pode ser expressa por diversas formas de
publicação. A publicação cientí�ca faz parte de um ramo mais amplo denominado de
comunicação cientí�ca, que envolve diferentes formas de comunicação dos resultados (formais,
informais, escritos, verbais) e que, por sua vez, se insere no contexto mais amplo da investigação
cientí�ca.
A comunicação cientí�ca envolve diversos atores da sociedade, como acadêmicos (responsáveis
pela investigação), universidades (instituições que possuem os recursos e ambientes necessário
para a investigação), �nanciadores (órgãos do governo ou agências que �nanciam bolsas e
materiais da pesquisa), editores (gerem o controle de qualidade, produção e distribuição do
conhecimento), bibliotecários (fazem a gestão da informação e sua preservação) e a população
geral (todos nós que somos indiretamente e diretamente bene�ciados com a pesquisa).
Os formatos mais comuns de publicação são: artigo técnico e/ou cientí�co, artigo original, artigo
de revisão, comunicações e cartas ao editor. Vamos acompanhar, a seguir, a de�nição de cada
uma dessas publicações:
Artigo técnico e/ou cientí�co Parte de uma publicação, com autoria
declarada, de natureza técnica e/ou cientí�ca.
Artigo original
 
Parte de uma publicação que apresenta
temas ou abordagens originais.
Artigo de revisão
 
Parte de uma publicação que resume, analisa
e discute informações já publicadas.
Comunicações
 
Apresentações resumidas, que compõem
uma síntese geral e podem ser feitas
enquanto a pesquisa está em
desenvolvimento.
Carta ao editor
 
São expressões de opinião sobre um artigo
publicado na revista que constitui um tema
em discussão na comunidade cientí�ca.
Quadro 1 | De�nição das publicações. Fonte: adaptada de ABNT NBR 6022 (2018).
Siga em Frente...
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Artigo cientí�co
Dada a conclusão de uma pesquisa, o que se espera é que os resultados obtidos sejam
divulgados. O objetivo da publicação de um trabalho cientí�co é compartilhar as ideias
encontradas, os fatos e os novos conhecimentos com outros pesquisadores, ampliando assim o
conhecimento e a visão de mundo disponível em uma determinada área, e possibilitando o
aumento do �nanciamento naquele setor. Embora reduzidos em tamanho, os artigos cientí�cos
são estudos completos, pois apresentam os resultados das pesquisas. Segundo Marconi e
Lakatos (2024, p. 90), “os artigos cientí�cos, por serem completos, permitem ao leitor, mediante a
descrição da metodologia empregada, do processamento utilizado e dos resultados obtidos,
repetir a experiência”.
Dessa forma, podemos entender que os artigos cientí�cos são textos que relatam experiências
desenvolvidas pelos pesquisadores, em diferentes áreas do saber e de diferentes maneiras. Ou,
ainda, podem ser entendidos como textos que buscaram referências relevantes para uma
determinada área. “Um artigo cientí�co visa tanto ao comunicar quanto ao compartilhar com a
comunidade cientí�ca o processo e o resultado de alguma investigação” (Santos; Candeloro,
2006, p. 41). Normalmente, essas pesquisas são publicadas em revistas cientí�cas
especializadas naquela área do conhecimento.
A publicação de um artigo cientí�co passa por diversas etapas; em geral, percorre a seguinte
ordem: seleção da revista, submissão do artigo, avaliação inicial do editor para veri�car se o
artigo atende às diretrizes da revista. Em caso positivo, o artigo passa pelo peer-review (revisão
por pares), em que dois pesquisadores da área vão avaliar o artigo no tocante ao conteúdo, a �m
de veri�car a sua relevância para então aceitar o artigo para publicação, solicitar alguma
reformulação ou rejeitar o artigo. Algumas revistas solicitam que o artigo seja traduzido para
uma língua estrangeira, em geral o Inglês ou Espanhol, o que pode gerar custos para a
publicação.
O processo de publicação é frequentemente demorado e raramente decorre em menos de seis
meses entre a submissão e a aceitação para publicação. Em muitos casos, as revistas
mencionam a data de submissão e a de aceitação quando o artigo é publicado. Além disso, é
cada vez mais comum a disponibilização digital do artigo, ao invés da publicação impressa. Todo
esse processo, embora seja moroso, é necessário para que se assegure a qualidade dos
trabalhos publicados e a relevância dos periódicos (revistas) no meio acadêmico e cientí�co.
O processo de peer-review pode identi�car más posturas na pesquisa cientí�ca. A pressão para a
publicação tem �cado cada vez maior. É necessário que o autor pense na qualidade do seu
trabalho, pois isso pode afetar sua reputação acadêmica. Fraudes, plágios, con�itos de interesse
não divulgados, manipulação de dados, submissões simultâneas de um mesmo artigo em duas
revistas, duplicação de artigos, pode marcar de forma negativa a imagem dos pesquisadores. O
plágio destaca-se por ser considerado uma das piores posturas no âmbito da publicação
cientí�ca. É preciso que o artigo a ser publicado seja original.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Se o artigo for aceito ou publicado, é importante conhecer, de preferência antes da submissão, o
fator de impacto das revistas. O fator de impacto é um meio de avaliar a qualidade e relevância
das revistas. Esse impacto da publicação pode ser avaliado por meio de indicadores
bibliométricos, para avaliação dos autores, que se baseiam no número de citações do artigo.
Esses indicadores bibliométricos permitem saber, por exemplo, quais são os autores mais
citados em uma área cientí�ca especí�ca e quais revistas têm o maior impacto em uma
determinada área.
Também é possível consultar o Qualis da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (Capes). O Qualis Capes funciona como uma ferramenta de avaliação de programas de
pós-graduação do Brasil e oferece uma classi�cação dos periódicos que retratam a produção
intelectual desses programas. Os indicadores categorizam a qualidade do periódico e vão de A1
(mais elevado) até C (com peso zero). Para saber a classi�cação de um periódico, na Plataforma
Sucupira, é possível consultar pelo International Standard Serial Number (ISSN), pelo título do
periódico, por classi�cação ou área de avaliação.
Observadas essas questões, precisamos pensar na estrutura do artigo cientí�co, ou seja, na
maneira como ele será organizado e formatado para sua posterior apresentação ou apreciação
pelos pares da revista. Assim, é imprescindível que estrutura e conteúdo sejam observados e
contemplados no momento de elaboração de um trabalho cientí�co, pois os dois elementos são
partes fundamentais na construção de uma pesquisa cientí�ca. Vamos olhar de uma maneira
mais detalhada para a estrutura do artigo cientí�co.
Estrutura do artigo
Cada etapa da pesquisa possui uma série de critérios e procedimentos a serem seguidos. É
necessário compreender a estrutura de um artigo que geralmente passa por introdução,
metodologia, resultados e discussão. A norma da ABNT que trata do artigo cientí�co é a NBR
6022 (2018). A norma apresenta os princípios gerais para a elaboração e apresentação do
trabalho. Porém, antes de olharmos especi�camente para esses elementos, precisamos nos
atentar para o fato de que, quando vamos submeter o artigo à aprovação de uma revista, o autor
deve seguir as normas editoriais adotadas pela revista.
Isso se deve ao fato de não existir uma obrigatoriedade na adoção da ABNT para a normatização
dos trabalhos acadêmicos. Dessa forma, as revistas e até mesmo as universidades podem
adotar normas próprias para a padronização dos trabalhos cientí�cos. Assim, outras normas
podem ser empregadas pelas revistas, como a American Psychological Association (APA) ou a
Vancouver. Feita essa observação, vamos compreender como se dá a estrutura do artigo, que é
composta por elementos pré-textuais, elementos textuais e elementos pós-textuais.
Elementos pré-textuais Elementos textuais Elementos pós-
textuaisObrigatórios Opcionais
Título no
idioma do
documento
Títuloem outro
idioma
Introdução
Desenvolvimento
(justi�cativa;
Referências (NBR
6023) –
Obrigatório
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/veiculoPublicacaoQualis/listaConsultaGeralPeriodicos.jsf
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/veiculoPublicacaoQualis/listaConsultaGeralPeriodicos.jsf
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Autor(es)
Resumo no
idioma do
documento –
conforme a
NBR 6028
Datas de
submissão e
aprovação do
artigo
 
Resumo em
outro idioma
Identi�cação e
disponibilidade
 
objetivos;
hipóteses e
variáveis)
Resultados e
discussão
Conclusão
 
 
Glossário –
Opcional
Apêndice –
Opcional
Anexos –
Opcional
Agradecimentos
– Opcional
 
Quadro 2 | Elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais de um artigo. Fonte: adaptado de ABNT
NBR 6022 (2018).
Quando se coletam dados para a pesquisa, é preciso explicar ao leitor como isso foi feito. Os
dados coletados podem ser apresentados em forma de texto, tabela ou grá�cos.
Em relação ao formato, a ABNT (2018, p. 6) recomenda “fonte em tamanho 12 e espaçamento
simples, padronizados para todo o artigo. As citações com mais de três linhas, paginação, notas,
legendas e fontes das ilustrações e tabelas devem ser em tamanho menor e uniforme”.
Precisamos nos atentar para o fato de que essas orientações são estruturais. Isso quer dizer que
o desenvolvimento do conteúdo do artigo, a maneira como as seções serão articuladas é de total
responsabilidade do pesquisador. Os critérios adotados em uma escrita acadêmica (como:
coesão, coerência, objetividade e clareza) precisam ser observados no momento de construção
do texto para que ele faça sentido e seja aprovado no momento de avaliação da revista.
A ciência como atividade humana é profundamente afetada pelas demandas e relações de uma
época. A publicação cientí�ca deve ser vista como parte do processo de desenvolvimento da
pesquisa. Como a ciência nos bene�cia coletivamente, não se podem esconder os resultados de
uma pesquisa: é necessário divulgá-los para que, assim, tragam inúmeros retornos práticos à
sociedade como um todo.
Eventos acadêmicos
Divulgar o trabalho em um evento é muito importante para qualquer pesquisador; é uma
oportunidade de ter seus estudos debatidos e conhecidos, o que enriquece sua produção. Da
mesma forma, participar de eventos cientí�cos é parte essencial da vida acadêmica, pois é
possível conhecer outros pesquisadores, ter contato com novas metodologias e ampliar sua
visão a respeito do tema que está sendo debatido. Um evento cientí�co, como qualquer outro
tipo de evento, é um encontro, uma reunião na qual as pessoas têm a chance de compartilhar
interesses, descobertas, estudos, conhecimentos, além de ser uma oportunidade de divulgar e de
encontrar novidades.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Existem diferentes tipos de eventos, diferentes modalidades, formas de inscrição e abrangência.
Os eventos podem ser realizados de maneira presencial ou online, tendo a mesma validade.
Dependendo do tipo do evento, os participantes podem se inscrever como ouvintes, como
apresentadores de trabalhos e, em algumas situações, até mesmo como coordenadores de
mesas de trabalho. Isso depende da �nalidade do evento e da forma como ele foi planejado para
acontecer. Os trabalhos a ser apresentados podem ser resumos, resumos expandidos ou
trabalhos completos; cada evento também determina o tipo de produção que vai receber.
Assim como acontece com os artigos enviados para periódicos, os trabalhos enviados para
eventos acadêmicos passam por uma avaliação, a �m de veri�car sua relevância e sua aderência
ao tema do evento. Se forem aceitos, em dia e horário de�nidos pela comissão organizadora, o
trabalho deve ser apresentado para que o participante receba seu certi�cado. Normalmente,
esses eventos geram publicações dos trabalhos que foram apresentados ao longo do evento.
São os anais do evento.
Os anais de um evento são a coletânea de artigos ou resumos apresentados; trata-se de uma das
partes mais importantes que �cará registrada. É uma publicação reconhecida, que recebe um
número de registro, validando a sua credibilidade. Os eventos podem ter abrangência
internacional, nacional, regional ou local, e podem ser de diferentes tipos, como: congressos,
convenções, conferências, palestras, jornadas, encontros, feiras, etc.
 
Vamos Exercitar?
É hora de retomarmos a nossa situação inicial. O departamento de marketing de uma indústria
química quis veri�car o efeito da propaganda na venda de álcool em gel. Como os resultados
após a realização da pesquisa foram positivos, o pesquisador iniciou o processo de publicação
dos resultados buscando os periódicos mais relevantes na área. Qual o principal critério que o
pesquisador deve observar na hora de escolher uma revista a �m de alcançar esse objetivo?
Após a conclusão da pesquisa, o pesquisador iniciou o processo de publicação dos seus
resultados. Ele resolve buscar na internet as revistas mais relevantes no tema do artigo em
questão. Para avaliar a relevância da revista, é possível veri�car o fator de impacto ou o Qualis
divulgado pela Capes. Em geral, esse fator de impacto é um índice gerado a partir da avaliação
dos autores já publicados e a quantidade de citações dos artigos publicados. Além disso, há
critérios, como a submissão dos artigos à revisão por pares, que devem ser observados na hora
de escolher uma revista que preze pela qualidade do conteúdo publicado.
Saiba mais
1. A apresentação oral também é uma das partes que compõe um trabalho acadêmico, seja
em um evento, na conclusão de um curso de graduação ou pós-graduação. É uma etapa
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
que exige preparo por parte do apresentador, para que ele se sinta seguro e consiga
transmitir a mensagem aos ouvintes. Para saber mais sobre a preparação para uma
apresentação oral, leia o texto “Professor dá dicas sobre como preparar apresentações
cientí�cas”, de João Gabriel Palhares e Kharen Stecca.
2. Um artigo cientí�co é uma produção textual considerada bastante con�ável no meio
acadêmico. Isso porque seu processo de elaboração deve ser bastante rigoroso do ponto
de vista cientí�co. Para isso, o processo de condução da pesquisa e a escrita precisam
seguir alguns passos. Para compreender mais sobre o assunto, leia o artigo: “Dez passos
para produzir artigo cientí�co de sucesso”, de Maurício Gomes Pereira.
 
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6022: Informação e
documentação – Artigo em publicação periódica técnica e/ou cientí�ca – Apresentação. 2ª ed.
Rio de Janeiro: ABNT, 2018.
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTTO, Luciana Bernardo. Guia prático de
monogra�as, dissertações e teses: Elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea,
2011.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos
de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de
conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024.
SANTOS, Vanice dos; CANDELORO, Rosana. Trabalhos acadêmicos: uma orientação para a
pesquisa e normas técnicas. Porto Alegre: Age, 2006.
SCHEIBEL, Maria Fani; VAISZ, Marinice Langaro. Artigo cientí�co: percorrendo caminhos para sua
elaboração. Canoas: Editora da Ulbra, 2006.
Aula 4
A Ética na Realização das Pesquisas
A ética na realização das pesquisas
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https://jornal.ufg.br/n/145369-professor-da-dicas-sobre-como-preparar-apresentacoes-cientificas
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https://www.scielo.br/j/ress/a/TvGzXFrmHzhMf8CKJPd7rXc/?format=pdf
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Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Em algum momento, você já se questionou sobre as possíveis consequências éticas do uso de
animais na pesquisa cientí�ca, ou mesmo sobre os experimentos nazistas com seres humanos?
Com base nesses exemplos, é possível que você tenha considerado que a ciência poderia estar
isenta de princípios éticos; ao menos é o que algumas pessoas defendem. Na corrida não
apenas por um entendimento profundo sobre doenças emergentes, mas também pelo
desenvolvimento de medicamentos e vacinas, certos protocolos éticos desempenham sua
importância na investigação cientí�ca. Além disso, a ética, enquanto campo de investigação, tem
conseguido acompanhar a ciência com o objetivo de enriquecê-la ao estudar seus potenciais
problemas éticos.
Vamos re�etir sobre a seguinte questão: um grupo de cientistas está investigando um
tratamento que se mostra muito promissor para a doença de Alzheimer. Eles estão realizando
ensaios clínicos com pacientes que apresentam a doença (por meio de sorteios, alguns recebem
o medicamento e outros recebem o placebo). A pesquisa é apresentada como tendo grande
potencial para a área da saúde, mas, em determinado momento, um dos integrantes da pesquisa
altera o sorteio do estudo, dando o medicamento para a esposa de um amigo que apresenta o
Alzheimer. De que forma a atitude desse pesquisador pode ser interpretada? Bons estudos!
Vamos Começar!
Será que a ciência é um “tudo vale”, em que re�exões sobre a ética e a saúde dos indivíduos ou
animais de laboratórios não são consideradas? Será que a ética representa um empecilho para o
desenvolvimento pleno da ciência? Até que ponto devemos estar cientes da importância dos
postulados éticos que norteiam a pesquisa cientí�ca? Na corrida não apenas por um
entendimento profundo sobre o surgimento de novas doenças, mas também pelo
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
desenvolvimento de medicamentos e vacinas, certos protocolos éticos desempenham sua
importância na investigação cientí�ca. Além disso, a ética, enquanto campo de investigação, tem
conseguido acompanhar a ciência com o objetivo de enriquecê-la ao estudar seus potenciais
problemas éticos.
Aqui vale a pena trazermos a de�nição de ética e moral para compreendermos a diferença entre
os dois conceitos e como o conceito de ética se aplica no desenvolvimento de pesquisas
cientí�cas. Segundo o dicionário online da língua portuguesa Michaelis (2023), a moral é algo
“relativo às regras de conduta e aos costumes estabelecidos e admitidos em determinada
sociedade”. Dessa forma, entendemos que a moral diz respeito a um sistema de valores, regras e
princípios que rege o comportamento das pessoas pertencentes a um determinado grupo. A
moral deve ser considerada dentro de um contexto (tempo e espaço), sendo o sujeito moral
aquele que age de acordo com as regras determinadas pelo grupo a que pertence.
Por sua vez, a ética pode ser de�nida como o
Ramo da �loso�a que tem por objetivo re�etir sobre a essência dos princípios, valores e
problemas fundamentais da moral, tais como a �nalidade e o sentido da vida humana, a natureza
do bem e do mal, os fundamentos da obrigação e do dever, tendo como base as normas
consideradas universalmente válidas e que norteiam o comportamento humano (Michaelis,
2023).
A ética, portanto, pode ser entendida como um conjunto de princípios, normas, deveres e valores
que regem a relação de uma pessoa, um grupo, de uma organização ou de uma comunidade com
o mundo. O sujeito ético é aquele que age e faz escolhas dentro de um sistema de valores
pessoais e considerando as normas de um grupo. Dada essa diferenciação, precisamos
compreender que são conceitos que se relacionam dentro dos contextos nos quais estão
inseridos. Vamos pensar nas questões éticas atreladas às pesquisas cientí�cas.
Ética e ciência
A ética é o princípio norteador da investigação cientí�ca, contribuindo não apenas para a
elaboração de pesquisas mais bem executadas, mas também para que os cientistas mantenham
um elevado nível de responsabilidade com seus projetos. Sem ética, a ciência provavelmente
estaria fadada ao fracasso, pois a preocupação coletiva com a integridade dos indivíduos, com o
manuseio dos dados da pesquisa e com a imparcialidade na realização da pesquisa seria
substituída pelo interesse individual. A preocupação com a verdade daria cada vez mais espaço
para a necessidade de ganho �nanceiro elevado. Portanto, uma pesquisa desprovida de
princípios éticos não pode ser considerada uma ciência.
A atitude ética na investigação cientí�ca representa o cuidado que os pesquisadores devem ter
ao elaborarem seus projetos de pesquisa, pois existem órgãos reguladores que avaliam as
consequências sobre certos tipos de estudos que usam animais e seres humanos. Dessa forma,
estudos que possam causar algum tipo de impacto negativo aos participantes geralmente não
são aprovados, especialmente por conta de experiências relatadas anteriormente em
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
investigações psicológicas. Um exemplo é o famoso experimento de aprisionamento de
Stanford, cujo objetivo era analisar o comportamento humano numa sociedade na qual os
indivíduos eram apenas de�nidos pelo grupo. Esse experimento teve que ser interrompido bem
antes de sua conclusão porque os voluntários começaram a usar formas de tratamento abusivas
com outros participantes, como violência física e verbal.
A orientação ética na pesquisa cientí�ca destaca que o cientista também deve ter cuidado
durante a coleta de dados, de modo a evitar possíveis contaminações e/ou enviesamento
cognitivo, pois poderiam prejudicar a qualidade do trabalho. Resultados obtidos de forma
duvidosa levam ao desperdício de recursos essenciais, às vezes, dinheiro público, que poderiam
ser usados em pesquisas mais bem projetadas e sem nenhum tipo de
direcionamento/manipulação. Por essa mesma razão, a replicação de estudos é vista como uma
tarefa fundamental para identi�car o risco de contaminação e enviesamento nos resultados de
um estudo individual. A replicabilidade desses estudos permite ao pesquisador ter certeza de
que os resultados não se devem ao acaso ou a fatores externos que possam ter interferido neles.
Um cientista deve ser orientado pelos riscos que uma pesquisa malfeita pode trazer a longo
prazo, principalmente em uma sociedade com recursos escassos que esteja passando pelo
enfrentamento de crises econômicas ou pandemias. A ética revela o nível de responsabilidade do
cientista com sua produção intelectual, de modo que negligenciá-la só contribuirá para a
justi�cação ideológica de corte orçamentário da pesquisa cientí�ca. Pelo menos, é o pretexto
mais frequentemente utilizado por governos anticientí�cos, pois não enxergam a ciência como
um investimento vital para o progresso social, mas como um gasto desnecessário, sob a
desculpa do suposto excesso de fraudes, vieses cognitivos e erros ao longo da história da
ciência.
Siga em Frente...
Cuidados éticos para a realização de uma pesquisa
A ética cientí�ca é um enfoque multidisciplinar que, em conjunto com a ciência, busca avaliar a
plausibilidade da adoção de certos princípios éticos e normas sociais. Além de campos como a
Antropologia, a Psicologia, a Sociologia ou a História, a ética também estuda a ciência,
especialmente, as normas éticas que vigoram na comunidade cientí�ca. Ela estuda ainda o
impacto ético de certos estudos que são feitos com animais e seres humanos. Além disso, a
ética está interessada no comportamento inadequado durante o desenvolvimento de uma
pesquisa, principalmente na motivação do cientista em fraudar resultados.
Entre os diversos problemas éticos que advêm da atividade cientí�ca, três merecem atenção: a
questão do consentimento dos voluntários para o desenvolvimento de uma pesquisa, o problema
da preservação de identidade2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. cap. 1. p. 21-39.  
 
https://www.scielo.br/j/ci/a/ZmhGpGCb8DnzGYmRBfGWNLy/abstract/?lang=pt#
https://www.scielo.br/j/ci/a/ZmhGpGCb8DnzGYmRBfGWNLy/abstract/?lang=pt#
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536323633/pageid/18
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
 
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à
�loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BUNGE, Mario. La investigación cientí�ca. Barcelona: Colección Convivium, Ariel, 1969.
CHAUÍ, Marilena de Souza. Convite à �loso�a. São Paulo: Ática, 2014.
GALLO, Silvio. Filoso�a: experiência do pensamento. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2016.
KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de Metodologia Cientí�ca: teoria da ciência e iniciação à
pesquisa. Petrópolis: Vozes, 2011.
MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2023.
Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/. Acesso em: 8 out. 2023.
TOSI, Marcela. Voto feminino: a história do voto das mulheres. 2023. Disponível em:
https://www.politize.com.br/conquista-do-direito-ao-voto-feminino/. Acesso em: 10 out. 2023.
Aula 2
A Racionalização do Conhecimento no Mundo Moderno
A racionalização do conhecimento no mundo moderno
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https://www.politize.com.br/conquista-do-direito-ao-voto-feminino/
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Ponto de Partida
Olá, estudante!
A transição da Idade Média para a Idade Moderna foi um período marcado por muitos con�itos e
profundas transformações sociais. As Revoluções Burguesas (Revolução Industrial e Revolução
Francesa) e o Iluminismo impulsionaram essas transformações, que nos in�uenciam até os dias
atuais. Mas você pode estar se perguntando: por que estamos falando sobre as Revoluções
Burguesas em uma disciplina de Pensamento Cientí�co? A resposta é simples: para
compreendermos a constituição do pensamento cientí�co e as novas formas de interpretação da
vida humana, precisamos olhar para esse processo que ocasiona mudanças econômicas,
sociais, políticas e até mesmo culturais na sociedade ocidental. Assim, vamos buscar responder
aos seguintes questionamentos:
1. Quais fatores impactaram de maneira decisiva a transição da Idade Média para a Idade
Moderna?
2. Quais foram as mudanças decorrentes dessa transição?
3. Como a maneira de interpretar o mundo se modi�cou?
Com o desenvolvimento da aula, você será capaz de entender a transição do pensamento que
vigorava na Idade Média para o pensamento Moderno, a oposição entre o pensamento
racionalista e o pensamento empirista e como as Ciências Humanas foram ganhando espaço na
sociedade e na interpretação dos fenômenos. É hora de aprofundar nossos conhecimentos! Bons
estudos!
Vamos Começar!
A transição da Idade Média para a Idade Moderna marcou também a mudança do modo de
produção feudal para o capitalista. Foram diversos os fatores que determinaram a queda do
feudalismo e a ascensão do capitalismo; vamos observar alguns deles no Quadro 1 a seguir:
QUEDA DO FEUDALISMO ASCENSÃO DO CAPITALISMO
Renascimento (séc. XIV – XVI): movimento
cultural que trouxe a valorização da razão, da
educação e a busca do conhecimento.
Reforma protestante: contesta os valores da
Igreja Católica, que perde poder.
Exploração do trabalho: múltiplos impostos
pagos pela população que passava fome e
sofria com as guerras e mudanças climáticas.
Êxodo rural: as pessoas migraram dos
campos para as cidades buscando melhores
condições de vida.
 
Crescimento comercial e urbano: expansão
das rotas comerciais e crescimento das
cidades; desenvolvimento de uma economia
monetária.
Surgimento do trabalho assalariado: no
sistema feudal, o trabalho era servil.
Surgimento e ascensão da burguesia:
pequenos comerciantes que foram adquirindo
poder econômico.
Revoluções Burguesas: Revolução Industrial e
Revolução Francesa.
Iluminismo.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
 
Quadro 1 | Fatores determinantes na queda do feudalismo e ascensão do capitalismo. Fonte:
elaborado pela autora.
Esses são apenas alguns dos fatores envolvidos nesse movimento de transição, e é importante
lembrar que o processo foi gradual e aconteceu em momentos diferentes nas diferentes regiões
do planeta. Vamos olhar de maneira mais especí�ca para as Revoluções Burguesas, começando
pela Revolução Industrial (1760-1840), que teve início na Inglaterra. O sistema de produção que
era predominantemente agrário e artesanal passou para a manufatura e a maquinaria, o que
aumentou a e�cácia da produção e reduziu os custos. Consequentemente, surgiram grandes
indústrias e o trabalho em massa; o relógio é que passou a ditar o ritmo e o tempo do trabalho.
Assim, podemos entender que a Revolução Industrial modi�ca as relações no modo de produção
da sociedade (Giddens, 2005).
A queda da Bastilha em 14 de julho de 1789, uma fortaleza que era símbolo da monarquia e do
autoritarismo da época, marca o início da Revolução Francesa. A população, insatisfeita com as
condições sociais, econômicas e com o regime monárquico, e impulsionada pela burguesia que
detinha o poder econômico, mas não o político, fez a Revolução. É importante ressaltar que os
ideais iluministas in�uenciaram de maneira decisiva o movimento revolucionário. De maneira
geral, a proposta era a universalização dos direitos e liberdades individuais, e a abolição da
monarquia absolutista. Dessa forma, a Revolução Francesa modi�ca as relações políticas e
sociais que eram praticadas na sociedade (Fuini, 2022).
Nesse processo, a perspectiva iluminista é fundamental, com suas ideias transformadoras do
entendimento da sociedade. Na Idade Média, a Igreja Católica exerceu forte in�uência no âmbito
político, participando das decisões; no âmbito econômico, recebendo parte dos impostos
arrecadados; e no âmbito social, determinando as regras de conduta moral. Assim, a maneira de
interpretar o mundo era teocêntrica, ou seja, Deus estava no centro de todas as explicações e de
todo o conhecimento disponível e permitido na sociedade (Giddens, 2005).
O pensamento iluminista mudou essa maneira de entendimento, valorizando a razão, o
questionamento, a investigação e a experiência como formas para obter conhecimento. Ocorreu
então um deslocamento do teocentrismo para o antropocentrismo, em que o ser humano se
encontra no centro das explicações e da busca pelo conhecimento. Os privilégios da nobreza e
do clero passaram a ser questionados, a Igreja Católica foi alvo de profundas críticas pela
maneira como se posicionava na sociedade e houve a defesa da liberdade política e econômica e
da igualdade de todos perante as leis. O século XVIII �cou conhecido como Século das Luzes
devido a tais mudanças (Gallo, 2016).
 
Siga em Frente...
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Diferentes pensamentos na modernidade
Agora que já conhecemos a conjuntura em que se deu a transição da Idade Média para a Idade
Moderna, podemos avançar e compreender que, no contexto de tais transformações. surgiram
também diferentes olhares, diferentes maneiras de interpretar o conhecimento. Além das
revoluções de cunho social, econômico e político, a sociedade passava também por uma
revolução cientí�ca, em que se buscavam novas formas de conhecer. Surge então a questão do
método para os diversos teóricos, que “centralizava as atenções não apenas no conhecimento do
ser (metafísica), mas sobretudo no problema do conhecimento” (Aranha; Martins, 2003, p. 130).
Nesse sentido, vamos re�etir a respeito dos teóricos racionalistas e empiristas. Antes de nos
aprofundarmos, precisamos compreender que o intuito de todos eles erae integridade e, por último, a relação entre voluntários e
pesquisadores no decorrer da investigação cientí�ca. Na regulação dessas relações, atuam os
comitês de ética em pesquisas, que avaliam a viabilidade das pesquisas com o intuito de
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
defender a integridade e dignidade dos participantes da pesquisa, bem como de contribuir com o
seu desenvolvimento dentro dos padrões éticos (Ministério da Defesa, 2023).
As pesquisas realizadas com seres humanos devem ser submetidas para avaliação na
plataforma Brasil e atender à Resolução CNS nº 466/2012, seguindo a todos os requisitos nela
dispostos a �m de que a pesquisa seja aprovada para a sua realização. Em relação às pesquisas
realizadas com animas, os projetos devem ser submetidos ao Comitê de Ética no Uso de Animais
(CEUA - INCA) e comissão de biossegurança, e atender ao que está disposto na Lei 11.794, de 08
de outubro de 2008, que estabelece o procedimento para uso cientí�co de animais (Ministério da
Defesa, 2023).
Os voluntários da pesquisa
Uma pesquisa nunca pode ser realizada sem o consentimento de quem dela vai participar. O
consentimento dos voluntários é imprescindível e refere-se à autorização prévia de uso de certos
dados dos participantes na pesquisa cientí�ca. De outro modo, uma pesquisa que utiliza de
forma indevida dados de seus voluntários sem o consentimento necessário está violando
princípios éticos e, consequentemente, prejudicando a qualidade da pesquisa.
É de grande importância também o pesquisador ressaltar a voluntariedade da participação, não
sendo o participante obrigado a participar. É preciso �car claro que não haverá nenhum tipo de
prejuízo, remuneração ou custo aos participantes e que eles podem se sentir à vontade para
desistir da participação a qualquer momento do processo da pesquisa. Antes da participação, é
solicitado que os participantes assinem um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE)
onde constam todas as informações sobre a pesquisa e esclarecimentos necessários (Baptista;
Campos, 2016).
Preservação da identidade e integridade
O anonimato dos participantes deve sempre ser preservado, a menos que haja uma autorização
para a divulgação de sua identidade. Assim, é necessário se atentar à proteção de informações
sensíveis dos participantes de um estudo. Também se refere ao princípio de que os participantes
devem estar cientes dos riscos envolvidos no estudo do qual serão voluntários, seja de ordem
física ou psicológica – nesse caso, é importante deixar claros os possíveis riscos trazidos aos
voluntários ao se submeterem ao estudo.
O sigilo das respostas obtidas também deve ser garantido aos participantes. Mesmo que a
pesquisa seja publicada, e esse é objetivo da realização de pesquisas, não se deve identi�car o
grupo que participou do estudo divulgando nome da cidade, da instituição ou qualquer outra
informação que permita a identi�cação dos participantes (Baptista; Campos, 2016).
A relação entre voluntários e pesquisadores
O problema mais evidente no tocante à relação entre os voluntários e os pesquisadores é a
possível manipulação do comportamento dos voluntários de acordo com a intenção do cientista
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
de obter um resultado especí�co em um estudo clínico. Por exemplo, um voluntário poderia agir
de acordo com as expectativas do pesquisador ao ser submetido a um teste clínico para
investigar a e�cácia de algum fármaco. Isso consequentemente enviesaria os resultados,
prejudicando a qualidade da evidência. O voluntário poderia dizer que, ao ingerir o fármaco
testado, ele conseguiu obter os melhores benefícios à saúde, mesmo que o relato, de fato, não
seja verdade.
Portanto, durante a condução de testes clínicos ou outros tipos de pesquisas, é necessário que
os voluntários sejam selecionados de forma aleatória (randomizados), é necessário também que
exista uma amostragem signi�cativa para ser representativa e, mais ainda, que existam grupos
de controle de placebo (no caso de testes clínicos). Isso é importante para identi�car sobre a
e�cácia do resultado obtido, se o fármaco pode ser considerado estatisticamente signi�cativo
quando comparado ao grupo que tomou placebo, por exemplo.
Ética com os dados da pesquisa
A ética também está relacionada à forma como o trabalho cientí�co é produzido e apresentado
na hora da avaliação pelos pares, de modo que plágios, manipulações de dados estatísticos e
falsi�cações não são tolerados quando descobertos pelos revisores. Um trabalho cientí�co
orientado eticamente é original, com dados normalmente re�etindo as consequências reais do
estudo. De fato, podem ocorrer casos em que os revisores independentes encontram falhas, mas
um cientista que preza pela ética buscará corrigir o trabalho que apresentar problemas. Também
é possível a violação dessas condutas éticas durante a investigação cientí�ca, mas quando isso
acontece, os pesquisadores são punidos.
Quando um cientista é denunciado por fraude, uma comissão de ética pode ser convocada para
analisar o caso, podendo ocorrer até a perda da titulação acadêmica do pesquisador. Em outras
situações, dependendo do nível da ocorrência, a retratação pública do próprio cientista pode ser
vista como su�ciente em um caso não intencional de erro na elaboração de sua pesquisa.
Órgãos regulatórios também contribuem para analisar de que forma os animais usados em
experimentos estão sendo tratados, de modo que a violência e o sofrimento não são toleráveis
no ato da pesquisa cientí�ca. A violação das normas éticas de proteção animal pode levar ao
encerramento da investigação cientí�ca e o autor poderá responder a processo por conta dessa
violação, além, é claro, do possível impedimento no exercício de futuras pesquisas.
Finalmente, os cientistas adotam abertamente um conjunto de princípios éticos em comunidade,
também chamados de ethos da ciência, primeiramente percebido e estudado pelo sociólogo da
ciência Robert K. Merton (1968), que consistem em universalidade, desinteresse, ceticismo
coletivo, comunismo epistêmico e originalidade. Observe no Quadro 1 a seguir o signi�cado
desses princípios.
Universalidade Refere-se ao fato de a ciência poder ser
praticada por qualquer pessoa,
independentemente de sua etnia ou
localização geográ�ca.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Desinteresse Refere-se à necessidade de os anseios
coletivos estarem acima dos interesses
individuais/privados.
Ceticismo Coletivo (ceticismo cientí�co) Refere-se à dúvida metódica, em que
hipóteses e teorias são sujeitas à crítica
responsável pela comunidade cientí�ca.
Comunismo epistêmico Refere-se à noção de que a ciência é uma
propriedade de todos, acessível a todos,
independente da situação socioeconômica
Originalidade Refere-se ao estímulo à produção de novas
pesquisas e teorias.
Quadro 1 | Princípios éticos para a realização das pesquisas (ethos da ciência). Fonte: elaborado
pela autora.
Vamos Exercitar?
Você se lembra da nossa situação inicial? Agora que já compreendemos os aspectos éticos que
envolvem a realização de uma pesquisa, é hora de pensar no grupo de pesquisadores que está
investigando um tratamento muito promissor para a doença de Alzheimer. Entretanto, em
determinado momento, um dos integrantes da pesquisa altera o sorteio do estudo, dando o
medicamento para a esposa de um amigo que participa dos testes. Como a atitude desse
pesquisador pode ser interpretada? 
O pesquisador foi antiético. A pesquisa em questão foi desenhada de forma randomizada, para
garantir que todos os participantes tenham a mesma possibilidade de tratamento ou não com o
medicamento em teste. Um dos princípios na avaliação de um estudo é o mascaramento dos
participantes que vão integrar a amostra, justamente para que não haja a possibilidade de
manipulação dos resultados. Quando o pesquisador dá o medicamento para um participante
especi�camente, ele está quebrando uma das características de con�abilidade do estudo, o que
pode gerar um viés no momento de interpretação dos resultados. Como oestudo é experimental,
o pesquisador também pode estar dando ao participante a falsa esperança de cura, pois ainda
estão sendo buscadas as evidências de validade do medicamento.   
Saiba mais
1. Observar os critérios éticos para a realização das pesquisas é fundamental para que os
resultados obtidos sejam con�áveis e relevantes. “A pesquisa envolvendo seres humanos é
a pesquisa que, individual ou coletivamente, tenha como participante o ser humano, em sua
totalidade ou partes dele, e o envolva de forma direta ou indireta, incluindo o manejo de
seus dados, informações ou materiais biológicos” (Ministério da Defesa, 2023). Para
compreender melhor os dispositivos da Resolução CNS nº 466/2012, acesse o documento
disponível no site do governo.
https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/arquivos/resolucao_cns_n__466.pdf
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
2. A ética na realização das pesquisas é uma premissa para a con�abilidade dos
experimentos dela decorrentes. Para isso, é fundamental também se atentar para a
integridade física e psicológica dos participantes da pesquisa. Não foi o que aconteceu no
experimento de aprisionamento ocorrido na Universidade De Stanford em 1971. Para se
aprofundar nesse tema, ouça o episódio “A maldade humana e o experimento de Stanford”
do podcast “Mundo Freak Con�dencial”, publicado em fevereiro de 2021.
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à
�loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências:
análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016.
MERTON, Robert. Sociologia: teoria e estrutura. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1968.
MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2023.
Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/. Acesso em: 8 out. 2023.
MINISTÉRIO DA DEFESA. Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/HFA). 2023. Disponível em:
https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/comite-
de-etica-em-pesquisa-cep-hfa. Acesso em: 30 out. 2023.
Aula 5
Encerramento da Unidade
Videoaula de Encerramento
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
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conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é “conhecer o
desenvolvimento e a estrutura de um projeto de pesquisa e seus fundamentos práticos,
observando as questões éticas para o desenvolvimento das pesquisas cientí�cas”, você deve
primeiramente ter em mente o que é uma pesquisa bibliográ�ca e uma pesquisa documental,
bem como a forma de se construir um resumo e uma resenha. Depois, é preciso saber o que é e
como estruturar um projeto de pesquisa com base nas normas da ABNT. É necessário pensar na
publicação/divulgação dos resultados das pesquisas por meio da publicação de artigos
cientí�cos ou da participação em eventos acadêmicos. Em todos esses processos, é preciso
observar as questões éticas que são interligadas a eles.
Ao conduzir pesquisas, é essencial manter altos padrões de ética para garantir a integridade e o
respeito pelos participantes, bem como para preservar a con�abilidade e a validade dos
resultados. Porém, a ética não deve estar presente somente quando a pesquisa envolve seres
vivos. Se você realizar uma pesquisa bibliográ�ca ou documental, por exemplo, a ética também
precisa estar presente, no sentido de que você não cometerá plágio, ou seja, fará corretamente
as citações e referências no seu texto, dando os devidos créditos aos autores que tomar como
base.
Ou, então, você não vai manipular os dados e resultados encontrados nas pesquisas que você
está utilizando como base para que eles estejam de acordo com a sua visão de mundo. A ética
precisa estar presente nas nossas ações cotidianas, no nosso ambiente de trabalho, no ambiente
familiar, educacional, etc. Enquanto pesquisadores, precisamos nos conscientizar da nossa
responsabilidade social. Isso signi�ca que é necessário reconhecer a responsabilidade social da
pesquisa, buscando contribuir de forma signi�cativa para o avanço do conhecimento e o bem-
estar da sociedade como um todo.
Nessa perspectiva, a ética deve estar presente em nossa prática desde o momento de
elaboração do nosso projeto de pesquisa, na aplicação, na coleta e análise de dados e
posteriormente na divulgação dos resultados. Ela desempenha um papel fundamental em todas
as fases do planejamento e da construção da pesquisa. Não promove apenas a integridade
acadêmica, mas também protege os direitos e o bem-estar dos participantes, bem como do
público em geral.
Seguindo a ética, o pesquisador construirá um estudo con�ável, baseado em princípios e
evidências; seus resultados poderão servir de base para outros estudos. Por isso, é relevante a
participação do pesquisador em diferentes tipos de eventos acadêmicos e o envio de artigos
para a publicação em periódicos que sejam referência na área. Participar de eventos acadêmicos
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
é uma oportunidade valiosa para expandir o conhecimento, estabelecer conexões com outros
pro�ssionais e pesquisadores, compartilhar suas próprias pesquisas e descobertas, além de se
manter atualizado sobre as tendências e avanços em sua área de estudo.
A publicação de artigos cientí�cos é uma maneira fundamental de contribuir para o avanço do
conhecimento em sua área de estudo e de compartilhar suas descobertas e pesquisas com a
comunidade acadêmica e cientí�ca. É necessário buscar garantir a qualidade e a relevância do
seu trabalho; assim, você aumenta as chances de publicar seus artigos em revistas cientí�cas
respeitáveis. Outra questão a ser observada são os possíveis custos das publicações ou das
participações em eventos. A maioria dos eventos cobra uma taxa de inscrição. Quanto aos
periódicos, normalmente não há taxa para o envio e avaliação; o que muitas vezes é cobrado é a
tradução do artigo para uma língua estrangeira. Isso precisa ser feito pelo tradutor indicado pela
revista, que é certi�cado naquela língua e fará um trabalho de qualidade.
Contudo, até chegar à etapa de publicação, todas as outras precisam ser observadas e
atendidas. Elas visam à qualidade e relevância das produções.
Re�ita
A partir da discussão apresentada, re�ita sobre os seguintes questionamentos:
O projeto de pesquisa de fato nos auxilia no planejamento de nossas pesquisas?
É realmente necessário nos atermos aos aspectos éticos na realização de uma pesquisa?
Ou a ética atrasa o progresso cientí�co?
É Hora de Praticar!
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Pesquisas envolvendo seres humanos são uma parte essencial da ciência e da pesquisa em
muitas áreas. Ao conduzir pesquisas com seres humanos, é crucial garantir que os participantes
sejam tratados com respeito, dignidade e consideração pelos seus direitos e bem-estar. É
importante seguir diretrizes éticas e protocolos rigorosos para proteger os participantes durante
todo o processo de pesquisa. Alguns pontos são indispensáveispara a condução da pesquisa,
como: o consentimento dos participantes, a con�dencialidade, a imparcialidade e a minimização
dos riscos. Não se pode esquecer também que a pesquisa só pode ser desenvolvida após a
aprovação no comitê de ética em pesquisa.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Vamos analisar um artigo cientí�co que divulga os resultados de uma pesquisa realizada com
seres humanos:
INÁCIO, A. L. M.; MARIANO, M. L. S.; BZUNECK, J. A. Evidências de validade da escala de
motivação de professores para o trabalho. Revista Portuguesa De Educação, v. 36, n. 2, 2023.
Depois de ler todo o artigo, volte no tópico 2 – Método, na página 5, e se atente para como os
autores descrevem os participantes da pesquisa, os instrumentos utilizados para coletar os
dados, como a análise dos dados foi feita e quais foram os procedimentos adotados para a
condução da pesquisa. Procure fazer anotações de pontos que você considerar importantes.
Agora, responda aos seguintes questionamentos:
A pesquisa tem um referencial bibliográ�co sólido que embasa a sua construção?
A pesquisa analisada partiu de princípios éticos na sua realização?
É possível veri�car se, antes do desenvolvimento da pesquisa, houve a avaliação de algum
comitê de ética em pesquisa?
Bons estudos!
 
Após a análise do artigo indicado, quais aprendizados você obteve para o desenvolvimento da
sua pesquisa?
O artigo deixa bem delimitado, logo na introdução, o referencial teórico utilizado na construção
da pesquisa. Os autores trabalham com a motivação de professores para o trabalho e tomam
como base a teoria da autodeterminação. Para situar o leitor, os autores apresentam as bases e
os pressupostos dessa teoria.
Quando se analisa a parte especí�ca do método do artigo em questão, em que os autores
descrevem os sujeitos da pesquisa, os instrumentos, a análise dos dados e os procedimentos, é
possível perceber o detalhamento das informações, o que oportuniza ao leitor de fato
compreender o conteúdo abordado. Os participantes são descritos em termos de gênero, idade,
instituição em que trabalham, e região de proveniência. Nenhum desses dados permite a
identi�cação dos participantes.
Os instrumentos são descritos a �m de que o leitor compreenda quais dados foram coletados e
para que haja a compreensão da estruturação e validação da escala de motivação do professor
para o trabalho. Também �ca evidente que não é possível identi�car os participantes da
pesquisa. No quesito análise dos dados, os autores apresentam os softwares utilizados para as
análises estatísticas.
Por �m, nos procedimentos, os autores apontam os procedimentos éticos que foram adotados
em conformidade com a Resolução 510/2016. Também é disponibilizado ao leitor o número de
aprovação no comitê de ética em pesquisa, que pode ser veri�cado na Plataforma Brasil. 
 
 
Vamos analisar a �gura a seguir e procurar pensar em como os princípios éticos estão ligados ao
desenvolvimento de todos os tipos de produção cientí�ca em todas as suas fases de elaboração.
https://revistas.rcaap.pt/rpe/article/view/25592/23280
https://revistas.rcaap.pt/rpe/article/view/25592/23280
https://plataformabrasil.saude.gov.br/login.jsf
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Fonte: elaborada pela autora.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à
�loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências:
análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016.
MINISTÉRIO DA DEFESA. Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/HFA). 2023. Disponível em:
https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/comite-
de-etica-em-pesquisa-cep-hfa. Acesso em: 30 out. 2023.
,
Unidade 4
Os Resultados da Pesquisa Cientí�ca
https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa
https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Aula 1
Conhecendo as Etapas da Pesquisa Cientí�ca
Conhecendo as etapas da pesquisa cientí�ca
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Ao realizar um trabalho acadêmico, o pesquisador propõe-se a seguir de forma criteriosa
algumas regras e normas que são pertinentes da ciência para poder investigar seu problema de
forma relevante e obter respostas consistentes e importantes para a comunidade acadêmica e
para a sociedade de uma forma geral. O estudante universitário é um pesquisador em formação,
que, após a conclusão do curso, pode escolher seguir no caminho acadêmico ou ingressar no
mercado de trabalho, por exemplo. Para a conclusão do curso, as universidades solicitam a
elaboração de uma monogra�a ou de um trabalho de conclusão de curso (TCC). Vamos falar de
forma aprofundada a respeito desses trabalhos e das suas diferentes etapas.
Vamos tomar como base a seguinte questão: você está desenvolvendo seu trabalho de
conclusão de curso, você já de�niu o tema da sua pesquisa: “impacto da tecnologia na saúde
mental de adolescentes” e de�niu também o problema da sua pesquisa: em que medida o uso
noturno de dispositivos eletrônicos interfere nos padrões de sono e bem-estar emocional em
adolescentes de 13 a 17 anos? A partir desse tema e do problema de pesquisa, ao �nal da aula,
vamos pensar em como a justi�cativa pode começar a ser redigida; vamos re�etir também sobre
o objetivo geral da pesquisa.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Bons estudos!
Vamos Começar!
Diferentes são os conceitos encontrados na literatura para se de�nir o que é o TCC e o que é a
monogra�a. O que podemos entender como um consenso entre os autores é que se trata de
estudos sobre um determinado tema que obedecem a uma metodologia especí�ca. Ou seja,
partem do método cientí�co no tocante ao rigor para a sua elaboração. De acordo com Baptista e
Campos (2016, p. 54), “o uso do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi regulamentado pela
Resolução n.º 11/84 do Conselho Federal de Educação com o intuito de proporcionar maior
aprofundamento de um tema ao aluno”. Ainda segundo os autores, o TCC normalmente é um
trabalho interdisciplinar que visa demonstrar o conhecimento adquirido.
“A palavra ‘monogra�a’ deriva do grego monos (um só) + graphein (escrever). Logo se percebe
que se trata de um documento escrito que trata de um só assunto” (Silva, 2015, p. 100). A
monogra�a pode ser entendida como um trabalho que aborda um assunto ou um problema de
maneira sistemática, profunda e completa em uma determinada área do conhecimento. Segundo
Baptista e Campos (2016, p. 54), “há três tipos básicos de trabalhos monográ�cos: tais como as
monogra�as de conclusão de curso, as dissertações de mestrado e as teses de doutorado”.
Vamos conhecer mais sobre esses trabalhos, focando especi�camente no TCC.
Trabalho de conclusão de curso
A elaboração da monogra�a ou do TCC, em um sentido amplo, tem o objetivo de satisfazer um
dos requisitos necessários para a obtenção de grau, título ou avaliação acadêmica em nível de
graduação ou pós-graduação. Nos cursos de pós-graduação, os trabalhos de conclusão de curso
se diferenciam pelo grau de aprofundamento que precisam apresentar no tema abordado. Esses
cursos se dividem em lato sensu, que conferem ao concluinte o título de especialista, e stricto
sensu, que conferem ao concluinte o título de mestre ou doutor em uma área. Vamos
acompanhar no Quadro 1 os diferentes tipos de Pós-Graduação:
Especialização –Lato Sensu Enfoca no nível técnico pro�ssional,
fornecendo o título de especialista no campo
de estudo e objetiva o aprofundamento dos
conhecimentos da sua área de formação,
fazendo o direcionamento da graduação. Para
obter o título de especialista, é necessário a
entrega de uma monogra�a.
Mestrado acadêmico – Stricto Sensu Tem o período �xo de dois anos e é voltado
para a pesquisa cienti�ca. O seu objetivo é
aprofundar e direcionar os conhecimentos
obtidos na graduação e formar pesquisadores
e professores de ensino superior. Ele conta
com a supervisão de um orientador e exige
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
defesa de uma dissertação para a obtenção
do título de mestre.
Doutorado – Stricto Sensu Objetiva um aprofundamento maior que o
mestrado e é voltado para a pesquisa
cientí�ca. Esse tipo de formação leva quatro
anos e exige a elaboração de uma tese sobre
uma área a ser defendida como requisito para
obtenção do título. Essa tese, em geral, deve
possuir um conteúdo original que contribuía
com o avanço do campo de estudos.
Quadro 1 | Tipos de pós-graduação. Fonte: elaborado pela autora.
A diferença básica entre essas produções é o aprofundamento teórico e metodológico que elas
precisam apresentar. O principal em um trabalho acadêmico, em qualquer nível de formação, é
que ele atenda os critérios cientí�cos. O autor precisa ser responsável na sua condução,
fundamentando posições e ideias, citando e referenciando corretamente os autores que tomar
como base e seguindo os preceitos éticos de uma pesquisa cientí�ca (Crivelaro; Crivelaro;
Miotto, 2011). Assim, o trabalho de conclusão de um curso, seja de graduação ou de pós-
graduação, é de extrema relevância no processo de aprendizagem do aluno, pois visa articular e
consolidar o processo formativo do aluno por meio da construção do conhecimento cientí�co em
uma determinada área.
No âmbito da graduação, diferentes são os tipos de trabalho de conclusão de curso que podem
ser feitos, como relatos de pesquisa ou de estágio acadêmico, pesquisa bibliográ�ca, pesquisa
de campo. Isso depende do que a instituição de ensino propõe que o aluno realize. Dessa forma,
o TCC pode ser entendido como um “produto intelectual do pesquisador a partir das leituras,
re�exões e interpretações do tema de interesse” (Baptista; Campos, 2016, p. 55). O estudante
precisa, então, a partir da escolha do tema, organizar suas ideias, buscar o referencial teórico,
realizar análises e sínteses sobre o tema abordado.
Siga em Frente...
A escolha do tema da pesquisa
O tema da pesquisa é o assunto que se pretende desenvolver. Ao escolher um tema a ser
pesquisado, é importante que o pesquisador tenha alguma familiaridade com o assunto ou
interesse por aquela realidade que deseja pesquisar. As fontes para a escolha do tema podem
ser diversas, como a experiência pessoal ou pro�ssional do pesquisador, o interesse despertado
por uma disciplina, um fato cotidiano que chamou a sua atenção, ou outras situações (Marconi;
Lakatos, 2024). No entanto, não são somente esses fatores que precisam ser considerados,
outras questões podem ser elencadas e precisam ser avaliadas:
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
O tema precisa ser relacionado à área de formação do pesquisador, isso proporciona maior
credibilidade e reconhecimento ao trabalho realizado.
O objeto de pesquisa precisa ser relevante para a ciência, e não apenas para o pesquisador.
É necessário que exista uma base teórica sobre o assunto para que o pesquisador possa
buscar seu referencial bibliográ�co.
Após a escolha do tema, ele precisa ser bem delimitado. E o que isso quer dizer? O autor precisa
ser bem especí�co com os aspectos que vai abordar a respeito daquele assunto para que seja
possível trabalhá-lo no todo, da forma mais abrangente possível. Vamos pensar de que forma é
possível delimitar um tema de pesquisa a partir de um exemplo prático na Figura 1:
Figura 1 | Exemplo da delimitação do tema da pesquisa. Fonte: elaborada pela autora.
Problema e hipóteses
Um dos primeiros passos ao desenvolver uma pesquisa cientí�ca passa por elaborar a pergunta
de pesquisa. O problema da pesquisa está intimamente ligado ao tema, é a pergunta que o
pesquisador vai buscar responder ao longo da investigação. Na maioria das áreas de estudo, é
uma tarefa quase impossível sanar todos os questionamentos que surgem ao olhar para o tema
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
escolhido e no decorrer da pesquisa. A pergunta elaborada para direcionar a pesquisa não deve
derivar de uma simples opinião ou de um questionário, mas sim ter cunho cientí�co. A pergunta
da pesquisa não apresenta uma resposta imediata e permite que sejam levantadas várias
respostas hipotéticas a respeito do assunto em questão (Crivelaro; Crivelaro; Miotto, 2011).
Há ainda as questões-problemas que surgem a partir do avanço na ciência. As novas tecnologias
e os novos instrumentos utilizados pela ciência geraram uma série de perguntas sobre questões
já conhecidas que originaram novos paradigmas de pesquisa. Essa capacidade de gerar novas
perguntas é algo intrínseco ao pensamento cientí�co. Dessa maneira, não faltam incertezas a
serem trabalhadas e desenvolvidas em projetos de pesquisa. O desa�o que se coloca ao
pesquisador é conseguir elaborar uma questão que possa ser transformada em um projeto de
estudo possível e válido de ser realizado.
Assim, para elaborar uma boa pergunta de pesquisa, é necessário ter um certo domínio da
literatura da área de estudos. Também é recomendável que o pesquisador discuta sobre ela com
os seus pares. A pergunta de pesquisa é o ponto de partida de todos os estudos cientí�cos. Ela
expressa a dúvida, inquietação e incerteza do pesquisador frente a uma parte do campo de
estudo de uma disciplina. Tomando como base o exemplo do tema anterior, a pergunta da
pesquisa poderia ser: “Como o trabalho industrial no Brasil se modi�cou nas décadas de 2000 a
2020?” ou ainda “Como o trabalho no Brasil foi afetado pela 4ª Revolução Industrial no período
de 2000 a 2020?”. Após a elaboração a pergunta da pesquisa, o pesquisador deve elaborar as
hipóteses, um passo que orientará o trabalho investigativo.
Levantando as hipóteses da pesquisa
Após a elaboração do problema da pesquisa, a depender do seu tipo, pode ser necessário a
elaboração de hipóteses que serão testadas e posteriormente darão uma resposta em relação ao
problema colocado pelo pesquisador. Nem todas as pesquisas formulam hipóteses. A
formulação de hipóteses é dada apenas em estudos correlacionais ou explicativos, isto é, que
preveem um dado acerca do fenômeno analisado. Em geral, pesquisas apenas exploratórias não
formulam hipóteses. No entanto, o fato de uma pesquisa não formular uma hipótese não
signi�ca que ela não está pautada nos pressupostos cientí�cos. As pesquisas bibliográ�cas, por
exemplo, não formulam hipóteses, mas, ao seguirem os critérios do desenvolvimento de um
estudo cientí�co, podem produzir conhecimentos relevantes para aquela área a que a pesquisa
se destina.
As pesquisas que formulam hipóteses se utilizam do método hipotético-dedutivo. Ele consiste na
construção de conjecturas, isto é, premissas altamente prováveis baseadas em hipóteses que, se
veri�cadas, con�rmam também sua veracidade. Um estudo que busque medir o índice de delitos
de uma cidade pode ter como hipótese que o índice para determinado semestre será menor que
o semestre anterior baseado em determinados fatores, como o aumento das vagas de emprego
no local, por exemplo. Ou então: quanto maior variedade houver no trabalho, maior será a
motivação do trabalhador.
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
As fontes comuns para formulação de hipóteses são as teorias, generalizações empíricas sobre
o problema de pesquisa e estudos revisados, mas elas também podem surgir em campos de
estudo pouco explorados. Um erro grave ao elaborar hipóteses se faz quando o pesquisador não
revê a literatura do campo de estudo e formula hipóteses que já foram signi�cativamente aceitas
ou descartadas por outros estudos. Existem algumascaracterísticas que as hipóteses precisam
apresentar para, vamos acompanhar no Quadro 2:
Consistência lógica O enunciado da hipótese não deve ser
contraditório, além disso, deve ser compatível
com o conhecimento cientí�co já existente.
Veri�cabilidade A hipótese deve ser passível de veri�cação.
 
 
Apoio teórico
A hipótese precisa ser baseada em uma teoria
já estabelecida, a �m de que haja uma
probabilidade maior de produção de
conhecimento relevante.
Plausibilidade e clareza A hipótese deve ser provável e seu enunciado
claro.
 
Quadro 2 | Características de uma boa hipótese. Fonte: adaptado de Marconi e Lakatos (2022).
É importante ressaltar que, mesmo quando a hipótese inicial for negada, a pesquisa tem sua
relevância: isso pode indicar que novos conceitos estão sendo construídos. O importante é que
todos os cuidados sejam tomados na interpretação e análise nas buscas bibliográ�cas.
Justi�cativa da pesquisa
A justi�cativa da pesquisa é o momento que se apresenta para o leitor o porquê de a pesquisa
estar sendo feita. O pesquisador deve incluir uma consideração sobre a relevância do tema ou
problema a ser investigado, o que e onde se pode contribuir com a realização da pesquisa. É uma
apresentação completa das razões (teóricas) e dos motivos de ordem prática que mostram a
importância da realização da pesquisa. De acordo com Marconi e Lakatos (2024, p. 120), a
justi�cativa da pesquisa, de maneira geral, deve enfatizar:
Como está estruturada a teoria que embasa o tema da pesquisa.
As contribuições teóricas que a pesquisa pode trazer.
Importância do ponto de vista geral e para casos especí�cos.
Possibilidade de sugerir modi�cações no âmbito da realidade abarcada pelo tema
proposto.
Descoberta de soluções para casos gerais e/ou particulares.
Dessa forma, a justi�cativa da pesquisa deve ser redigida de modo a sustentar o motivo da
realização, sendo ela bem argumentada e embasada teoricamente. Isso é fundamental para
mostrar a sustentação da argumentação para o leitor e convencer uma possível banca julgadora
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
sobre a importância da realização da pesquisa. A justi�cativa deve ser escrita de forma clara e
objetiva para que o leitor compreenda exatamente o que o pesquisador pretende desenvolver no
decorrer da pesquisa.
Objetivos: geral e especí�cos
A pesquisa precisa ser clara quanto os seus propósitos. Os objetivos devem ser bem de�nidos e
coerentes, além de compatíveis com os métodos e o corpo de conhecimento estabelecido da
área. O objetivo da pesquisa pode variar signi�cativamente com base na área de estudo, na
natureza do projeto e nas perguntas especí�cas que estão sendo investigadas. Existem alguns
questionamentos que podem ser feitos para orientar o desenvolvimento dos objetivos da
pesquisa: pensar em “para que fazer” ou “por que fazer” pode nos orientar a estabelecer o
objetivo geral do estudo. Pensar em “para quem fazer” nos orienta a desenvolver os objetivos
especí�cos.
De maneira geral, os objetivos da pesquisa podem:
Descrever fenômenos: entender e descrever a natureza de um determinado problema.
Explicar: investigar relações de causa e efeito entre variáveis.
Predizer resultados: prever resultados com base em determinadas condições ou variáveis.
Analisar e interpretar: analisar dados para tirar conclusões e interpretar signi�cados.
Resolver problemas práticos: encontrar soluções para problemas práticos ou aplicados.
Avaliar programas ou intervenções: avaliar a e�cácia de programas, intervenções ou
políticas.
Explorar novas ideias: investigar conceitos ou ideias inexploradas.
Validar teorias existentes: con�rmar ou refutar teorias existentes por meio de evidências.
Compreender percepções e atitudes: explorar e compreender as percepções e atitudes das
pessoas em relação a um determinado tópico.
É importante que o pesquisador de�na claramente os objetivos de sua pesquisa antes de iniciar
o trabalho, pois isso orientará a metodologia da pesquisa, a coleta de dados, a análise e a
interpretação dos resultados. Os objetivos especí�cos são metas mais detalhadas e especí�cas
que são especí�cas para atingir o objetivo geral da pesquisa. Eles fornecem uma direção mais
precisa para a condução da pesquisa. De maneira mais especí�cas, os objetivos podem:
Descrever características: identi�car e descrever as características-chave de um objeto
especí�co.
Analisar relações: investigar as relações entre variáveis especí�cas para entender melhor
os padrões ou correlações.
Coletar dados: realizar pesquisas de campo, entrevistas ou experimentos para coletar
dados relevantes.
Testar hipóteses: formular e testar hipóteses especí�cas com base nas relações esperadas
entre as variáveis.
Avaliar impacto: avaliar o impacto de uma intervenção, programa ou política em uma
população especí�ca.
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
Identi�car padrões: identi�car padrões ou tendências nos dados coletados por meio de
análises estatísticas.
Validar instrumentos: validar instrumentos de medição, questionários ou métodos
utilizados na coleta de dados.
Comparar grupos: comparar grupos especí�cos para entender diferenças ou semelhanças
em relação a determinadas variáveis.
Explorar percepções: explorar as percepções, atitudes e opiniões das pessoas em relação a
um tópico especí�co.
Identi�car fatores de in�uência: identi�car fatores que in�uenciam um determinado
comportamento, preferências ou condição.
Corrigir problemas de implementação: identi�car e propor soluções para problemas
práticos encontrados durante a implementação de um projeto ou intervenção.
É importante ressaltar que os objetivos, geral e especí�cos, precisam ser escritos com verbos no
in�nitivo, ou seja, desejamos “alcançar” os objetivos da pesquisa. Os verbos devem ser claros e
diretos, como: veri�car, indicar, identi�car, citar, localizar, organizar, entre outros. Assim, é mais
preciso traçar um cronograma de execução da pesquisa.
Vamos Exercitar?
Vamos retomar a nossa situação inicial: você começou a redigir seu TCC; seu tema de pesquisa
é o “impacto da tecnologia na saúde mental de adolescentes”. Você de�niu também o problema
da sua pesquisa: “em que medida o uso noturno de dispositivos eletrônicos interfere nos padrões
de sono e bem-estar emocional em adolescentes de 13 a 17 anos?”. A justi�cativa pode começar
a ser redigida contextualizando o uso de tecnologia pelos adolescentes: “Diante da experiência
de adolescentes na era digital, com o uso generalizado de dispositivos tecnológicos e
plataformas online, surge a necessidade de investigar os potenciais impactos especí�cos na
saúde mental dessa faixa etária. O problema de pesquisa consiste em compreender de que
forma a exposição constante à tecnologia in�uencia fatores como ansiedade, depressão e
qualidade do sono entre os adolescentes”. O objetivo da pesquisa é analisar o impacto da
tecnologia na saúde mental de adolescentes na faixa etária de 13 a 17 anos.
Saiba mais
1. A justi�cativa de pesquisa deve ser bem elaborada e fundamentada, para mostrar ao leitor
a importância da realização do estudo e do desenvolvimento do tema em questão. Para se
aprofundar nesse assunto, acesse o texto: “Exemplos de justi�cativa de TCC”, da Biblioteca
da Faculdade de Direito da UFMG.
2. Os objetivos gerais e especí�cos de uma pesquisa são os �os condutores para a posterior
delimitação da metodologia. Assim, os objetivos precisam ser coerentes com o tema e o
problema da pesquisa, e estar de acordo com o referencial teórico que vai embasar o
desenvolvimento do estudo. Para compreender melhor como elaborar os objetivos da
https://biblio.direito.ufmg.br/?p=3503
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
pesquisa, acesse o link a seguir e leia o texto “Como elaborar objetivos gerais e
especí�cos”, de Amanda Tracera.
 
Referências
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências:
análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016.
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTTO, Luciana Bernardo. Guia práticode
monogra�as, dissertações e teses: elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea,
2011.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Cientí�ca. 8ª ed. Barueri: Atlas,
2022.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos
de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de
conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024.
SILVA, Airton Marques da. Metodologia da pesquisa. 2ª ed. Fortaleza: EDUECE, 2015.
Aula 2
Referencial Teórico e Metodologia
Referencial teórico e metodologia
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https://www.atenaeditora.com.br/blog/como-elaborar-objetivos-gerais-e-especificos
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Chegou o momento de pensarmos na condução da pesquisa, em como desenvolver e dar a
condução da metodologia da pesquisa. Para isso, vamos re�etir sobre a diferença entre método
da pesquisa e metodologia da pesquisa, que, embora pareçam ter o mesmo signi�cado, não são
a mesma coisa. Precisamos compreender também o que é o estado da arte da pesquisa e, então,
pensar nos procedimentos, ou seja, nos sujeitos e em como os dados da pesquisa serão
coletados, se em campo ou em material bibliográ�co.
Vamos re�etir sobre a seguinte questão: você está avançando no desenvolvimento da sua
pesquisa cujo tema é “impacto da tecnologia na saúde mental de adolescentes”. Você já sabe
que o seu público-alvo são adolescentes de 13 a 17 anos e o problema de pesquisa reside na
necessidade de identi�car os fatores especí�cos associados ao uso intensivo de tecnologia que
são importantes para desa�os na saúde mental dos adolescentes.
Agora você precisa de�nir o recorte temporal para realizar o estado da arte, de�nir o recorte em
relação aos sujeitos que vão participar da pesquisa e os instrumentos para a coleta dos dados.
Bons estudos!
Vamos Começar!
Estamos caminhando para a compreensão da construção de uma pesquisa acadêmica bem
estruturada, pautada nos princípios cientí�cos e éticos no tocante à sua organização e
sistematização. Precisamos começar a pensar no desenvolvimento do “corpo da pesquisa”, ou
seja, no método, na metodologia e nos procedimentos técnicos e teóricos. Vamos começar
diferenciando método e metodologia, que muitas vezes são usados como sinônimos, um
equívoco. De maneira simpli�cada, o método é mais especí�co e se refere aos procedimentos
concretos utilizados em uma pesquisa, enquanto a metodologia é mais abrangente e aborda as
considerações teóricas e conceituais que orientam a escolha e aplicação desses métodos.
O método refere-se ao conjunto especí�co de procedimentos ou técnicas que são utilizadas para
realizar uma pesquisa ou investigação. Refere-se a uma abordagem especí�ca ou a um conjunto
de técnicas que os pesquisadores utilizam para conduzir uma investigação ou realizar um
estudo. É mais focado e especí�co, representando as etapas práticas e a sequência de
atividades que os pesquisadores seguem para examinar dados, analisar informações e chegar a
conclusões. Exemplos de métodos incluem o método experimental, método de estudo de caso,
método survey, entre outros (Marconi; Lakatos, 2022).
A metodologia é um termo mais abrangente que engloba não apenas os métodos especí�cos,
mas também os princípios teóricos, as abordagens gerais e os fundamentos �losó�cos que
orientam a pesquisa. Ela inclui a escolha e a justi�cativa do método, bem como a estruturação
geral do processo de pesquisa, desde a formulação das perguntas de pesquisa até a análise e
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
interpretação dos resultados. A metodologia responde à pergunta “como a pesquisa será
realizada?”, incluindo considerações sobre o desenho da pesquisa, a abordagem teórica, a coleta
e análise de dados, entre outros.
Em resumo, a metodologia é o plano geral que orienta a pesquisa, enquanto o método é a
implementação especí�ca desse plano. Em outras palavras, a metodologia é a estrutura mais
ampla que informa como a pesquisa será realizada, enquanto o método refere-se aos detalhes
práticos e técnicos de como cada parte da pesquisa será concluída. Ambos são essenciais para
garantir a qualidade e a validade de um estudo.
O estado da arte da pesquisa
O termo “estado da arte” refere-se ao ponto mais avançado ou à situação atual de
desenvolvimento em uma área especí�ca de pesquisa ou tecnologia. O estado da arte da
pesquisa representa o conhecimento mais recente, as descobertas mais avançadas e as práticas
mais inovadoras em um determinado campo. Quando se fala do “estado da arte da pesquisa”,
geralmente está se referindo ao panorama mais recente e avançado de descobertas e
contribuições em uma área especí�ca de pesquisa acadêmica. Isso pode incluir novas teorias,
métodos, experimentos, descobertas ou avanços técnicos que representam o auge do
conhecimento e progresso daquele campo em um determinado momento.
É comum que os pesquisadores revisem o estado da arte para contextualizar sua própria
pesquisa, identi�cando lacunas no conhecimento existente e entendendo como sua contribuição
se relaciona com o que já foi feito. A revisão do estado da arte é importante ao iniciar um novo
projeto de pesquisa para garantir que o trabalho seja relevante, inovador e contribua para o
avanço do conhecimento na área em questão (Baptista; Campos, 2016).
Os passos comuns ao realizar uma revisão do estado da arte incluem:
1. Identi�cação de fontes relevantes: revisão de artigos acadêmicos, livros, conferências,
patentes e outros recursos relevantes para encontrar trabalhos relacionados à sua área de
estudo.
2. Análise e síntese: análise crítica das descobertas e contribuições dos trabalhos
encontrados. Síntese das informações para ter uma compreensão clara do que já foi feito
na área.
3. Identi�cação de lacunas e desa�os: identi�cação de lacunas no conhecimento existente e
desa�os não resolvidos. Isso pode fornecer oportunidades para novas pesquisas.
4. Contextualização do próprio estudo: com base na revisão do estado da arte, os
pesquisadores contextualizam seu próprio trabalho, destacando como ele se relaciona com
as contribuições existentes e como pode contribuir para novas pesquisas.
5. Atualização contínua: dado que o estado da arte está em constante evolução, é importante
que os pesquisadores atualizem suas revisões ao longo do tempo, incorporando novas
descobertas e desenvolvimentos à medida que ocorrem.
O estado da arte é um componente crucial de muitos projetos de pesquisa, teses e artigos
cientí�cos, pois fornece uma base sólida para o trabalho futuro e demonstra ao leitor o contexto
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
em que uma nova pesquisa está inserida.
 
Siga em Frente...
Metodologia da pesquisa
A metodologia da pesquisa se refere ao conjunto de procedimentos, técnicas e ferramentas
utilizadas na realização de um estudo ou pesquisa cientí�ca. Ela descreve o caminho que o
pesquisador seguirá para coletar dados, analisá-los e chegar às conclusões. A metodologia é
fundamental para garantir a validade e con�abilidade dos resultados obtidos. Assim, ela é uma
parte crucial de qualquer pesquisa, pois fornece o arcabouço teórico e prático que orienta o
pesquisador durante todo o processo. Ela ajuda a garantir que a pesquisa seja realizada de
maneira sistemática e que os resultados sejam con�áveis e relevantes (Marconi; Lakatos, 2022).
Os sujeitos e os procedimentos da pesquisa
No desenvolvimento da pesquisa, a de�nição dos sujeitos ou participantes da pesquisa é uma
etapa fundamental. Essa parte é crucial paraentender quem está envolvido no estudo,
fornecendo informações sobre quem foram os participantes, como foram selecionados e quais
características são relevantes para a pesquisa. A descrição detalhada dos sujeitos é primordial
para que os leitores compreendam a base da amostra sobre a qual os resultados da pesquisa
são generalizados. Isso também ajuda a avaliar a validade e a aplicabilidade dos resultados em
contextos mais amplos.
Alguns aspectos são essenciais na escolha dos sujeitos e na condução da pesquisa:
Características demográ�cas: são informações sobre características básicas dos
participantes, como idade, gênero, raça/etnia, nível educacional, entre outras. Esses
detalhes ajudam a contextualizar os resultados em relação à diversidade da amostra.
Critérios de inclusão e exclusão: especi�cam os critérios que determinam a seleção dos
participantes para o estudo. Por exemplo, um estudo pode incluir apenas adultos entre 25 e
40 anos que tenham uma condição especí�ca de saúde.
Processo de seleção: descreve como os participantes foram recrutados. Pode incluir
informações sobre abordagens de recrutamento, locais de recrutamento, parcerias com
instituições, etc.
Tamanho da amostra: informa quantos participantes foram incluídos no estudo. A
justi�cativa para o tamanho da amostra também pode ser discutida.
Consentimento informado: deixa claro como o consentimento dos participantes foi obtido,
garantindo que eles estejam cientes dos objetivos da pesquisa, dos procedimentos
envolvidos e dos possíveis riscos. Isso é particularmente importante em estudos que
envolvem seres humanos e é uma prática ética padrão.
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
Anonimato e con�dencialidade: no caso de pesquisas envolvendo seres humanos, a
metodologia deve manter o anonimato e a con�dencialidade para proteger a identidade dos
participantes.
Os dados da pesquisa
Após a seleção dos objetos/sujeitos ou participantes da pesquisa é necessário pensar nos
dados dessa pesquisa. Todavia, os métodos e procedimentos de coleta serão diferentes para
cada tipo de pesquisa. Para �ns didáticos, para compreendermos como podemos coletar os
dados, podemos dividir as pesquisas em duas áreas: experimental, que envolve a coleta de
dados em campo ou laboratório, podendo ser tanto qualitativa quanto quantitativa, e a pesquisa
bibliográ�ca, que envolve a procura na literatura existente de uma resposta para o problema
tratado.
Como se pode observar, ambas abordagens são complementares e geralmente trabalham juntas.
Na pesquisa experimental, as fontes dos dados mais comuns são: experimentos laboratoriais,
estudos de campo, entrevistas, estudos de caso, observações empíricas, experimentos
computacionais etc. Na pesquisa bibliográ�ca, as fontes são documentos, registros, atas, cartas,
livros, teses, artigos cientí�cos, relatórios, periódicos técnicos, estudos gerais, metanálises,
bancos de dados digitais, etc. Cada fonte exige um tratamento especí�co para melhor proveito
da informação obtida.
Há pesquisas que contam com fontes secundárias e fontes primárias de informação. As fontes
secundárias são geralmente dados que já foram coletados por outros estudos e estão
disponíveis por meio de alguma listagem de informação. As fontes primárias seriam os dados
brutos a serem coletados na pesquisa, como os dados obtidos de um questionário elaborado
pelo pesquisador. Devido ao grande volume de informações disponíveis nas pesquisas
bibliográ�cas, que ocorrem tanto para fundamentar teoricamente a pesquisa quanto para dar
respostas ao problema tratado, deve-se ter muito cuidado com a con�abilidade e autenticidade
das informações coletadas.
A fontes primárias da pesquisa quantitativa, em geral, podem ser a observação ou a utilização de
instrumentos como levantamentos ou survey, que são formas de descobrir o que existe e como
existe no ambiente social analisado. Em geral, são descritivos e visam determinar as
características e opiniões de populações, a partir de amostragens representativas. Têm como
vantagem a aplicação simples, fácil decodi�cação e análise dos dados. Como desvantagem, há o
problema de con�abilidade, pois uma vez que se faz perguntas às pessoas, elas podem se
recusar a prestar informações verídicas. Por isso, é necessário muito cuidado na análise dos
dados coletados.
É importante compreender que os dados da pesquisa se constituem como as variáveis coletadas
e que posteriormente serão analisadas. Uma variável é simplesmente algo que muda, ou seja, as
variáveis devem assumir valores diferentes ou categorias diferentes. Exemplo, as variáveis de
valor podem ser as idades: 17, 18, 20, 32, 45. As variáveis de categoria podem ser os gêneros:
feminino, masculino, não binário, etc. As variáveis são muito importantes porque, através delas,
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
observamos as variações dos fenômenos analisados na pesquisa. Elas podem ser de dois tipos:
qualitativas e quantitativas. As variáveis qualitativas são os dados de atributos ou qualidades,
por exemplo, sobre o assunto que você mais lê: literatura. Já as variáveis quantitativas são
números em certa escala, por exemplo, quantos livros você lê ao ano: 12.
Técnicas de coleta de dados
Há diversas técnicas de coletas de dados. Cada pesquisa utilizará uma técnica que esteja mais
adequada aos seus objetivos. Nas pesquisas quantitativas, os dados podem vir da observação,
de levantamentos ou de surveys. A observação pode ser: estruturada (em que é especi�cado o
que deve ser observado e como deve ser sua coleta); natural (no ambiente em que a situação
ocorre); planejada (em um ambiente arti�cial); disfarçada (entrevistados não sabem que estão
sob observação); não disfarçada (entrevistados sabem que estão sob observação).
A observação é muito importante na pesquisa cientí�ca e, em relação a outros métodos, traz a
vantagem de que os dados são apreendidos diretamente, sem intermediação. Contudo, uma
possível desvantagem é que o próprio pesquisador pode provocar alterações nos fenômenos
observados, podendo dar uma interpretação deslocada do objeto e produzindo resultados pouco
con�áveis. Os levantamentos, por sua vez, examinam amostras de uma população ou grupo por
meio de documentos, questionários, entrevistas e formulários.
A entrevista é a técnica em que o pesquisador formula perguntas ao sujeito observado. As
questões devem ser elaboradas pensando nas mais relevantes ao estudo, além de estarem
baseadas em uma bibliogra�a atualizada do assunto. Todos os dados coletados devem ser
veri�cados em termos da sua credibilidade. Como vantagem, a entrevista: é e�ciente na
obtenção de dados com profundidade; seus dados são suscetíveis à classi�cação e
quanti�cação; ela permite a avaliação de informações não previstas anteriormente; etc. As
desvantagens seriam: fornecimento de respostas inverídicas, in�uência exercida pelo
entrevistador no entrevistado, etc.
O questionário se constitui como uma série de perguntas que devem ser respondidas pelos
sujeitos da pesquisa. Ele deve ser objetivo e com uma extensão limitada, estando acompanhado
de instruções que esclareçam o propósito e facilitem o preenchimento pelo público-alvo. As
vantagens dos questionários são: menor curso, anonimato das respostas e menor in�uência dos
entrevistadores. As desvantagens podem ser: baixo índice de retorno; são limitados a quem
saiba ler e escrever. É preciso que o número de questões não seja extenso. Os tipos de questões
podem ser classi�cados em abertas (em que o informante pode responder livremente), fechadas
(escolha entre duas opções disponíveis de resposta) e múltipla escolha (dispõe uma série de
respostas possíveis).
Os formulários, por sua vez, são coleções de questões anotadas pelo entrevistador na presença
do público-alvo; eles podem ser con�gurados como um meio-termo entre entrevista e
questionário. Suas vantagens são: a presença do pesquisador, que pode elucidar os objetivos da
pesquisa; ser amplamente utilizável e �exível. Como desvantagens possíveis do formulário,
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICOpodemos citar: menor liberdade de respostas dada a presença do pesquisador, tempo de
resposta mais demorado e risco de distorções pela presença do pesquisador entrevistador.
Depois de feita a coleta, os dados estão desorganizados e pouco claros, então, a primeira coisa a
fazer é tratá-los. A apresentação dos dados pode se dar por meio de tabelas, quadros e grá�cos
que permitam ao pesquisador fazer inferências e chegar a conclusões. Para a elaboração
desses, há inúmeros recursos digitais que auxiliam a apresentação dos dados, como o Excel.
Vamos Exercitar?
Você se lembra da nossa situação inicial? Você está avançando no desenvolvimento da sua
pesquisa, cujo tema é “impacto da tecnologia na saúde mental de adolescentes”. Você já sabe
que o seu público-alvo são adolescentes de 13 a 17 anos e o problema de pesquisa reside na
necessidade de identi�car os fatores especí�cos associados ao uso intensivo de tecnologia que
são importantes para desa�os na saúde mental dos adolescentes. Agora você precisa de�nir o
recorte temporal para realizar o estado da arte, de�nir o recorte em relação aos sujeitos que vão
participar da pesquisa e os instrumentos para a coleta dos dados. Vamos lá?
Você precisa deixar claro para o leitor o recorte temporal que fará na busca pelos estudos
disponíveis, o estado da arte da pesquisa. Isso é necessário porque é relevante buscar as últimas
produções a respeito do tema da pesquisa. Então, como o tema é referente ao uso da tecnologia,
o recorte pode ser referente aos últimos cinco anos. É necessário também mostrar o recorte em
relação aos sujeitos, pois não é possível coletar dados com todos os adolescentes do país, por
exemplo. Assim, os dados podem ser coletados com adolescentes de uma cidade do sul de
Minas Gerais por meio de um questionário com respostas de múltipla escolha. Por se tratar de
participantes menores de idade, para que eles possam participar da pesquisa, é necessário o
consentimento prévio dos pais.
Saiba mais
1. Saber coletar os dados de uma pesquisa cientí�ca é essencial para a obtenção de bons
resultados e para que eles sejam con�áveis aos olhos do leitor da pesquisa. A coleta de
dados varia, a depender do tipo de pesquisa que está sendo realizado: se é qualitativa ou
quantitativa, por exemplo. Para se aprofundar no assunto, leia o artigo “Um apanhado
teórico-conceitual sobre a pesquisa qualitativa: tipos, técnicas e características”, de
Cristiano Lessa de Oliveira.
2. Método e metodologia são elementos interligados no desenvolvimento da pesquisa
cientí�ca. Embora sejam elementos que precisam ser desenvolvidos, são distintos e o
pesquisador precisa compreender a diferença entre ambos. Saiba mais sobre o método da
pesquisa e como fazer essa escolha lendo o artigo: “A seção de método de um artigo
cientí�co”, de Mauricio Gomes Pereira.
 
https://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/3122/2459
https://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/3122/2459
http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742013000100020
http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742013000100020
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
 
Referências
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências:
análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016.
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTOO, Luciana Bernardo. Guia prático de
monogra�as, dissertações e teses: Elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea,
2011.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Cientí�ca. 8ª ed. Barueri: Atlas,
2022.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos
de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de
conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024.
SILVA, Airton Marques da. Metodologia da pesquisa. 2ª ed. Fortaleza: EDUECE, 2015.
Aula 3
Análise e Interpretação dos Dados da Pesquisa
Análise e interpretação dos dados da pesquisa
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conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
Olá, estudante!
Caminhando para a �nalização do relatório de pesquisa, este é o momento de pensar na
apresentação dos resultados, nas considerações �nais e na formatação, que deve seguir a ABNT
NBR 14724 (2011). A seção dos resultados indica o que foi encontrado na pesquisa, isto é,
mostra os dados relevantes obtidos pelo pesquisador. Os resultados podem ser apresentados
junto com a discussão, pois assim é possível que os leitores entendam o que os resultados
signi�cam. As considerações �nais apresentam o resultado do trabalho, interpretando os
achados em um nível de abstração mais alto do que a discussão e relacionando esses achados
ao problema de pesquisa declarado na introdução.
Vamos treinar a análise de tabelas e grá�cos a partir da seguinte questão: você e sua equipe
foram contratados para realizar uma pesquisa quantitativa sobre a inserção das mulheres no
mercado de trabalho e suas condições de vida no município de Campinas. O estado de São Paulo
será analisado em um contexto mais amplo, para �ns comparativos a partir de uma base de
dados secundários. Após a coleta dos dados, ao colocar os valores referentes às populações do
município de Campinas e do estado na construção de um mesmo grá�co, a barra correspondente
à população do município �cou quase invisível.
Figura 1 | Nível de instrução – população do estado de São Paulo e Campinas, 2010. Fonte: adaptada de IBGE (2010).
 
 
 
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Vamos Começar!
Quadros, grá�cos e tabelas
Após coletarmos os dados, realizamos as análises iniciais, sejam estatísticas, sejam algum tipo
de interpretação. É necessário inserir os resultados na pesquisa. Este é o momento de mostrar
para o leitor o que você encontrou com o desenvolvimento do seu estudo. Apresentar os
resultados de uma pesquisa cientí�ca de forma clara e e�caz é fundamental para comunicar
suas descobertas de maneira acessível e compreensível para os leitores. Os resultados precisam
ser discutidos articulando a hipótese inicial da pesquisa e outros estudos relevantes no campo
em questão (Shishito, 2018).
Segundo Pereira (2013), é importante que se apresentem as características demográ�cas,
socioeconômicas, clínicas ou de outra natureza do objeto estudado. Grá�cos, quadros e tabelas
podem ser utilizados para apresentar os resultados da pesquisa de uma maneira visualmente
mais atraente. Esse tipo de apresentação dos resultados permite que as análises sejam
realizadas por meio de uma visualização de conjunto. Os recursos visuais podem ser utilizados
para buscar por padrões e relações de uma ou mais variáveis, descobrir novos fenômenos,
veri�car suposições etc. A representação de uma variável a partir de um grá�co/tabela tem a
vantagem de informar de forma rápida e concisa a sua variabilidade (Shishito, 2018).
As tabelas são formas não discursivas, representadas por números e códigos, dispostos em
ordem, segundo as variáveis analisadas do fenômeno. As tabelas, preferencialmente, devem ser
completas para que dispense a consulta ao texto, contenha os dados necessários, tenha uma
estrutura simples, objetiva e certa consistência lógica. Vamos acompanhar a seguir um exemplo
de como os dados da pesquisa podem ser apresentados em uma tabela:
Grau de instrução Frequência ni Proporção fi Porcentagem 100 fi
Fundamental 12 0,3333 33,33
Médio 18 0,5000 50,00
Superior 6 0,1667 16,67
Total 36 1,0000 100,00
Tabela 1 | Exemplo de tabela com distribuição de frequências. Fonte: adaptada de Shishito (2018,
p. 137).
No exemplo acima, a frequênciase refere aos números absolutos da contagem; a proporção é
em relação ao total e a porcentagem também é calculada em relação ao total. Esse recurso de
distribuição de uma variável a partir de percentuais é bastante útil quando se pretende comparar
essa variável entre grupos distintos. A maneira como esses dados serão descritos após a
apresentação da tabela depende do objetivo da pesquisa, do que o pesquisador se propôs a
investigar. Podemos pensar em um exemplo: os dados da Tabela 1 indicam que a maior parte
dos respondentes da pesquisa (50%) possuem o ensino médio completo, enquanto apenas
16,67% declararam ter concluído algum curso superior.
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
Outra forma de apresentar os dados da pesquisa é por meio do grá�co de barras. Eles permitem
uma comparação visual por meio da altura das barras. Os dados são indicados no grá�co para
que o leitor entenda a que o autor está se referindo. Os grá�cos de barras são mais apropriados
para as variáveis ordinais, ou seja, aquelas em que os atributos têm uma ordenação, por exemplo
a distribuição por anos ou por grau de instrução. Para os grá�cos que utilizam os eixos verticais
(y) e horizontais (x), como o da Figura 2 a seguir, é importante sinalizar, a partir de legendas,
quais valores estão referenciados em cada eixo.
Pode ser feita uma introdução antes da inserção do grá�co, por exemplo: Os dados da Pesquisa
Nacional de Amostra por Domicílios Contínua divulgada pelo IBGE em 2023 indicaram que de
2016 a 2022 a presença de telefone �xo convencional diminui mais de 20% nas residências
brasileiras. Por outro lado, no mesmo período a presença de telefone móvel celular subiu mais de
3%, mas ainda não chegou à totalidade dos lares brasileiros. Os dados podem ser visualizados
na Figura 2 a seguir.
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
Figura 2 | Domicílios com telefone � xo convencional e com telefone móvel celular (%).  Fonte: IBGE (2023).
Também podem ser utilizados os grá�cos de setores (pizza) para a apresentação dos resultados
da pesquisa. Esse grá�co apresenta uma frequência relativa de uma observação. Eles não são
bons para comparações temporais. Os grá�cos de setores são mais apropriados para
representar variáveis qualitativas nominais, ou seja, aquelas em que os atributos descritos não
têm uma relação de ordem entre si.  A Figura 3 traz um exemplo desse tipo aplicado às notas dos
alunos. A discussão pode ser relacionada a motivação dos alunos, à indisciplina, a frequência
nas aulas ou a outro fator que esteja associado ao que foi pesquisado.
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Figura 3 | Exemplo de grá�co de setores. Fonte: elaborada pela autora.
Após a explicitação da amostragem, os resultados devem ser elencados em uma ordenação.
Primeiro, os mais relevantes, aqueles que respondem diretamente à questão central da pesquisa.
O pesquisador, na sequência, poderá expor os resultados secundários, aqueles achados que não
eram esperados, mas que são relevantes. Há algumas dicas que podem ser seguidas para
facilitar a elaboração da seção de resultados:
Apresentar os resultados de forma ordenada e lógica.
Dar ênfase somente a informações imprescindíveis.
Não emitir opiniões ou julgamentos sobre o que foi encontrado, pois a parte interpretativa
cabe à seção de discussão.
Não replicar no texto os resultados que estão nas ilustrações.
Esses são alguns exemplos de como os dados podem ser apresentados, mas também podem
ser utilizados histogramas, tabulação cruzada, diagramas de dispersão, grá�co sequencial,
dentre outros. É importante ressaltar que, na hora de interpretar os dados e expor os resultados,
o pesquisador deve ter muito cuidado para não enviesar e comprometer esses dados com sua
análise. Assim, espera-se que, na seção de resultados, se encontrem as informações mais
relevantes que a pesquisa obteve. A seção de resultados deve ter um texto simples, objetivo, que
preze pela clareza e pela ordenação lógica, seguindo sempre as regras da comunicação
cientí�ca. Muitas vezes, se faz necessário redigir o texto mais de uma vez, até alcançar a clareza
pretendida.
 
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As considerações �nais
Após a apresentação e discussão dos resultados, a pesquisa se encaminha naturalmente para as
considerações �nais. Alguns autores se referem a esse momento da pesquisa como a etapa das
conclusões. Entretanto, se consideramos o processo de construção do conhecimento como algo
�uído e dinâmico, em constante construção, é possível admitir que o tema escolhido não é algo
que se �nda. Sempre haverá a possibilidade de trabalhar o tema de uma outra maneira, a partir
de uma outra perspectiva, abordando novos tópicos ou novos questionamentos.
Independente de chamarmos essa parte de pesquisa de considerações �nais ou conclusões, ela
tem características próprias que precisam ser observadas. É o momento em que o autor retoma
de forma sintetizada as principais argumentações desenvolvidas no decorrer do trabalho,
buscando as relações entre as ideias apresentadas e os resultados obtidos. É uma parte do texto
que deve ser redigida de forma clara, precisa e objetiva, não sendo recomendado retomar
citações ou trazer novas informações (Baptista; Campos, 2016; Crivelaro; Crivelaro; Miotto,
2011).
Marconi e Lakatos (2024, p. 151) apontam que, ao �nalizar um trabalho, se deve “a) Evidenciar as
conquistas alcançadas com o estudo. b) Indicar as limitações e as reconsiderações. c) Apontar a
relação entre os fatos veri�cados e a teoria”. É importante mostrar para o leitor que os
argumentos, teorias, hipóteses e conceitos conversam entre si, se unem e se complementam.
Dessa forma, o autor pode apresentar também propostas e sugestões para novos estudos e
depois se preocupar com a elaboração dos documentos pós-textuais.
Formatação do relatório de pesquisa
A norma da ABNT que de�ne como um trabalho �nal deve ser formatado é a NBR 14724 (2011).
Ela apresenta os elementos pré-textuais, os elementos textuais e os elementos pós-textuais que
devem ser apresentados, e de�ne aqueles que são obrigatórios e os que são opcionais. O TCC é
de�nido como um “documento que apresenta o resultado de estudo, devendo expressar
conhecimento do assunto escolhido, que deve ser obrigatoriamente emanado da disciplina,
módulo, estudo independente, curso, programa, e outros ministrados” (ABNT, 2011, p. 4). A
seguir, na Figura 4, podemos visualizar um esquema que apresenta a estrutura do trabalho
acadêmico:
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Figura 4 | Estrutura do trabalho acadêmico. Fonte: ABNT 14724 (2011, p. 5).
O TCC sistematiza os resultados de uma pesquisa cientí�ca, sendo assim, para a sua elaboração,
é necessário aplicar os procedimentos observados na construção de um estudo cientí�co. O seu
intuito é aprofundar o conhecimento do aluno/pesquisador em um determinado tema. Ele é
realizado normalmente no �nal de um curso para demonstrar o conhecimento adquirido durante
aquele período. Não existe um padrão quanto ao tipo de trabalho que será solicitado, podendo
ser um artigo, uma monogra�a, um paper, relatório de estágio, etc. Assim, cada instituição de
ensino faz a determinação do tipo de trabalho que o aluno fará (Baptista; Campos, 2016).
O esquema anterior nos permitiu visualizar aqueles elementos que são obrigatórios e os que são
opcionais. Vamos olhar de maneira mais detalhada para esses elementos. Não podemos
esquecer que a NBR 14724 (2011) nos orienta quanto à estrutura do trabalho; o conteúdo deve
ser desenvolvido pelo pesquisador, contemplando de maneira detalhada aqueles elementos
abordados no projeto de pesquisa.
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Figura 5 | Exemplo para apresentação de um trabalho acadêmico concluído. Fonte: adaptada de Crivelaro; Crivelaro; Miotto
(2011).
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No exemplo anterior, apresentamos apenas a lista de tabelas, mas podem ser inseridas também
listas de ilustrações, abreviaturas, siglas e símbolos; isso depende desses elementos estarem
presentes ou não no decorrerdo trabalho. O sumário deve ser elaborado de acordo com a ABNT
NBR 6027 (2013). As margens das páginas devem ser de 3cm para a esquerda e a superior e
2cm para a direita e a inferior. A recomendação é que o texto seja digitado em fonte 12 e o
espaçamento entre linhas deve ser 1,5. Por �m, é importante fazer toda a parte textual primeiro
para depois voltar nos elementos pré-textuais.
Vamos Exercitar?
Retomando a nossa situação inicial, você e sua equipe estavam realizando um trabalho com a
sistematização e apresentação grá�ca de dados da pesquisa survey e de dados coletados de
bases de dados secundárias. Por estar trabalhando com dois grupos populacionais de tamanhos
distintos: amostra da população do município de Campinas e população total do estado de São
Paulo, a representação grá�ca apresentou um desenho de difícil visualização e comparação dos
dados. Uma forma de permitir a comparação de padrões de distribuição de frequências a partir
de grá�cos é a transformação dos dados em valores percentuais.
Considerando que as populações totais do estado de São Paulo e de Campinas eram 41 milhões
e cerca de 1 milhão, respectivamente, na representação grá�ca da Figura 1, �ca difícil visualizar
os valores para Campinas. Dessa forma, a conversão dos valores em percentuais é a maneira
mais fácil para que posteriormente seja possível construir um grá�co de barras com a �nalidade
de comparar o nível de instrução da cidade com o nível do estado. Veja como �cou a conversão
na Tabela 2:
Bloco 1
População de Campinas e do estado de São Paulo
segundo nível de instrução, 2010
  Estado de São Paulo Campinas
Nível de
instrução
Frequência Percentual
%
Frequência
Fundament
al
incompleto
20.496.012 49,7 449.715
Fundament
al completo
6.706.403 16,3 165.218
Médio
completo
9.577.010 23,2 259.218
Superior
completo
4.171.221 10,1 200.252
Não
determinad
o
295.913 0,7 6.944
Total 41.246.559 100,0 1.081.927
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Bloco 2
População de Campinas e do estado de São Paulo
segundo nível de instrução, 2010
Campinas
Percentual %
41,6
15,3
24,0
18,5
0,6
100,0
Tabela 2 | Tabela com distribuição de frequências absolutas e percentuais. Fonte: adaptada de
IBGE (2010).
 
Saiba mais
1. Representar os dados da pesquisa de maneira grá�ca pode ser uma estratégia interessante
para prender a atenção do leitor e deixar o conteúdo visualmente mais atrativo. Para isso, é
necessário que o autor da pesquisa saiba como elaborar os grá�cos e tabelas. O Microsoft
Excel é um forte aliado nesse sentido. Para saber mais sobre o assunto, acesse o capítulo 6
– “Grá�cos” (p. 60-97), do livro Grá�cos em Dashboard para Microsoft Excel 2013, de José
Eduardo Chamon, disponível na Minha Biblioteca.
2. A elaboração do trabalho de conclusão de curso concretiza a �nalização de todo um
processo de formação que se deu durante um tempo, seja em um curso de graduação, seja
na pós-graduação. Ele sintetiza os conhecimentos adquiridos pelo aluno/pesquisador
nesse período. Por isso, é importante saber elaborar corretamente esse trabalho. Para
conseguir compreender melhor esse processo, leia o texto “Pequeno guia prático para se
fazer uma monogra�a acadêmica” de Paulo Roberto de Almeida.
 
 
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 14724: informação e
documentação: Trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536519258/pageid/59
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536519258/pageid/59
https://www.uniceub.br/arquivo/83ng_20190122114220*pdf?AID=2303
https://www.uniceub.br/arquivo/83ng_20190122114220*pdf?AID=2303
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 6027: informação e
documentação: Sumário: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2013.
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências:
análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016.
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTTO, Luciana Bernardo. Guia prático de
monogra�as, dissertações e teses: Elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea,
2011.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios Contínua: acesso à internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para
uso pessoal 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em:
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102040_informativo.pdf. Acesso em: 9 nov.
2023.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos
de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de
conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024.
PEREIRA, M. G. A seção de resultados de um artigo cientí�co. Epidemiologia e Serviços de Saúde,
v. 22, n. 2, p. 353-354, 2013.
SHISHITO, Katiani Tatie. Pesquisa aplicada às ciências sociais. Londrina: Editora e Distribuidora
Educacional S.A., 2018.
 
 
Aula 4
Normas e Padronização Cientí�ca
Normas e padronização cientí�ca
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Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo
para assistir mesmo sem conexão à internet.
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102040_informativo.pdf
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Dica para você
Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender
conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Chegou o momento de pensarmos nas normas e na padronização de um trabalho acadêmico.
Esse momento, para muitas pessoas, pode parecer um pesadelo, mas vamos ver que não é.
Trata-se de processo bem simples, a partir do momento em que compreendemos os elementos
que precisam ser apresentados tanto nas citações quanto nas referências. E a melhor maneira
para chegarmos a essa compreensão é praticando.
Vamos re�etir e exercitar sobre a seguinte questão: você �nalizou seu trabalho de conclusão de
curso e seguiu a norma 14724 da ABNT no tocante à formação. Agora é o momento de revisar as
referências e as citações que foram feitas no decorrer do texto. Você percebeu que suas citações
não estão padronizadas; à medida que foi escrevendo o texto, você se confundiu. Então para �car
mais fácil realizar o ajuste, você vai elaborar um esquema que sintetize as principais
características de cada tipo de citação para que você possa voltar no texto e realizar a revisão de
maneira mais e�caz. Bons estudos!
Vamos Começar!
Falamos bastante nas normas que precisam ser aplicadas nos trabalhos acadêmicos, na
padronização cientí�ca, mas por que precisamos seguir essas normas? Só existem as normas da
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)? Muitos outros questionamentos podem ser
feitos, mas o que nos importa saber é que existem outras normas que são utilizadas para
padronizar os trabalhos acadêmicos, como a American Psychological Association (APA). As
normas da APA são direcionadas principalmente para as áreas da Psicologia e da Administração
e não apresentam orientações quanto a formatação de capa, folha de rosto, anexos, etc.
(PUCMG, 2022). Existem ainda outras normas, como a Chicago, a Harvard ou a Vancouver. Cada
uma delas tem seus elementos especí�cos e formas próprias de formatação.
Por que utilizamos, na maioria das vezes, as normas da ABNT? Porque são as mais utilizadas
nacionalmente, mesmo sendo facultativas do ponto de vista institucional. Isso quer dizer que as
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instituições podem adotá-las em partes ou no todo (no entanto, uma vez adotadas, todos os
trabalhos realizados para a instituição devem se adequar a elas). Elas são necessárias, pois a
ciência exige um padrão não apenas na conduçãointerpretar os
fenômenos que os cercavam, buscando compreender como adquirimos conhecimento e
postulando teorias para compreender a realidade.
O pensamento racionalista
O racionalismo é uma abordagem �losó�ca que enfatiza o papel da razão e do pensamento
lógico na aquisição de conhecimento. Os teóricos racionalistas argumentam que existem
verdades que podem ser conhecidas independentemente da experiência sensorial. Assim, a
origem do conhecimento está na razão e no fato de termos ideias inatas, ou seja, que já nascem
com o ser humano. Sob essa ótica, os conhecimentos matemáticos são certos, seguros,
incontestáveis e não mudam; portanto, podem servir de base para a solidez epistemológica
(Aranha; Martins; 2003).
“Penso, logo existo!” Essa é a famosa máxima de René Descartes (1596-1650), que é
considerado o pai da �loso�a moderna. Descartes buscou encontrar respostas verdadeiras que
não pudessem ser postas em dúvida, por isso criou o método cartesiano. O autor conciliou um
aspecto importante para o desenvolvimento de suas obras e do seu método, o chamado
ceticismo metodológico. O ceticismo metodológico é a posição que nos permite duvidar de
certas conjecturas ou hipóteses que não foram submetidas à prova. Essa posição é basicamente
uma dúvida razoável, nunca absoluta, na falta de boas evidências. Em resumo, essa é a posição
que norteia toda a atividade cientí�ca ainda hoje (Gallo, 2016).
Ao desenvolver um método que permita o acesso ao conhecimento verdadeiro, Descartes cria
quatro regras para o seu uso:
1. Só considerar verdadeiro aquilo que for claro, evidente e distinto por si.
2. Fazer uma análise minuciosa daquilo que nos causa dúvidas.
3. Síntese.
4. Revisão.
Assim, buscam-se encontrar as certezas, chegar à verdade. Descartes se contrapõe aos
empiristas, pois, na sua perspectiva, todos nós estamos sujeitos, de algum modo e em algum
momento, a sermos enganados pelos sentidos. Conclui-se, então, que, se os sentidos nos
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enganarem uma única vez que seja, já seria motivo su�ciente para não fundamentar a verdade
sobre eles.
O pensamento empirista
O conhecimento empírico pressupõe que os fenômenos podem ser conhecidos com base na
observação e nas experiências sensíveis do sujeito. Parte-se do entendimento de que aquilo que
a experiência nos mostra repetidas vezes nos dá a con�ança de que continuará sempre se
repetindo; ou seja, os resultados colhidos serão sempre os mesmos. A partir desse
entendimento, uma demonstração de que não existem ideias inatas, tampouco princípios morais
inatos, se dá pela existência de uma pluralidade signi�cativa de culturas, costumes e valores
diferentes.
John Locke (1632-1704) é considerado o fundador do empirismo moderno, entendendo que o
nosso conhecimento se dá por meio dos nossos sentidos. Ele criticou a doutrina de que temos
ideias inatas, pois, se fosse assim, as crianças já as teriam. O seu entendimento é o de que
possuímos capacidades inatas como o raciocínio e a percepção, que são fundamentais para a
explicação da compreensão humana (Gallo, 2016).
Dessa forma, Locke entendia a mente humana como uma “tábula rasa” (folha em branco) no
nascimento, que vai sendo preenchida com o conhecimento que é adquirido por meio da
observação e das experiências sensoriais de cada um. Ele se sentiu desa�ado a descobrir o que
podemos conhecer e acabou concluindo que podemos conhecer aquilo que os nossos sentidos
nos permitem, pois, se algo nunca foi visto, nem ouvido, nem cheirado, e assim por diante, esse
algo não nos é, e nem poderá ser conhecido (Aranha; Martins, 2003).
Ciências Naturais e Ciências Humanas
A partir do que estudamos até aqui, conseguimos perceber como a modernidade trouxe um
aspecto de racionalização para a vida humana. No âmbito econômico, ela se materializou na
consolidação do capitalismo nas técnicas racionais de contabilidade e de administração, e na
forma de trabalho livre assalariado. No quesito político, houve a substituição da autoridade
centralizada medieval pelo Estado Moderno. A racionalização cultural fundamentou o
desencantamento do mundo, ou seja, o mundo moderno só poderia ser entendido pela razão e
pela ciência, sem necessitar de mitos, temores e superstições (Giddens, 2005).
Foi nesse contexto que as Ciências Humanas emergiram, frutos desse processo histórico, com o
intuito de explicar e compreender essa nova ordem social. As ideias de progresso, racionalismo e
domínio do homem sobre a natureza exerceram forte in�uência sobre a mentalidade da época. O
conhecimento cientí�co também ganha corpo e se expande a partir da evolução do modo de
produção capitalista, já que não havia mais a limitação imposta pela igreja em relação àquilo que
era ou não permitido conhecer.
Diante de tal cenário, as Ciências Naturais, que já estavam estabelecidas e tinham prestígio e
reconhecimento na sociedade, eram consideradas o único meio possível para se chegar ao
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conhecimento, sendo seu método de análise dos fatos e fenômenos o único válido, “devendo,
portanto, ser estendido a todos os campos da indagação e atividade humanas” (Aranha; Martins,
2003, p. 140). De maneira geral, é possível admitir que as Ciências Naturais se concentram em
observações pertinentes ao mundo físico e natural, se apoiando em experimentos controlados e
observações quantitativas.
As Ciências Humanas, ao emergirem no século XIX, precisavam ganhar espaço e prestígio,
mostrando que também poderiam produzir conhecimentos con�áveis assim como os produzidos
pelas Ciências da Natureza. As humanidades centram seus estudos na sociedade, na cultura, no
comportamento humano, na linguagem, na história, na psicologia e em muitos outros aspectos
que estejam relacionados à experiência humana. Assim, as observações podem ser de cunho
qualitativo (mas não excluindo as de cunho quantitativo); e as análises, mais subjetivas.
Entretanto, num primeiro momento, até a sua consolidação, as Ciências Humanas se valeram
dos métodos e das técnicas de pesquisa das Ciências Naturais para a realização das primeiras
pesquisas. Com o tempo, esse cenário foi se modi�cando e novos métodos e técnicas,
pertinentes a cada área especí�ca foram sendo desenvolvidos. Mas essa é uma conversa para
outro momento!
Vamos Exercitar?
Você se lembra dos nossos questionamentos iniciais? Agora que já compreendemos a
conjuntura de ascensão da Modernidade e seus desdobramentos, é hora de responder:  
1. Quais fatores impactaram de maneira decisiva a transição da Idade Média para a Idade
Moderna?
2. Quais foram as mudanças decorrentes dessa transição?
3. Como a maneira de interpretar o mundo se modi�cou?
Para respondermos de maneira correta a todas as questões, precisamos nos lembrar de todo o
contexto econômico, social e político que envolveu tais questões. A transição da Idade Média
para Idade Moderna marcou também a queda do sistema feudal e a ascensão do sistema
capitalista. É importante nos lembrarmos das Revoluções Burguesas (Revolução Industrial e
Revolução Francesa) in�uenciadas pelos ideais iluministas.
Esses ideais trouxeram uma nova maneira de interpretar o mundo, deslocando a perspectiva
teocêntrica para a perspectiva antropocêntrica. Elas proporcionaram uma racionalização dos
conhecimentos, deixando de lado explicações atreladas a questões supersticiosas e fantasiosas.
As mudanças foram profundas em todos os setores da sociedade, desde a maneira como o
trabalho passou a ser organizado, nas relações entre patrões empregados, nas relações políticas,
culturais, etc.
Saiba mais
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1. Vamos aprofundar nosso conhecimento a respeito da consolidação do capitalismo como
sistema econômico e social vigente. Essa compreensão é importante para que possamos
entender a estruturação da sociedade a partir de então. Para isso, assista ao �lme Tempos
Modernos, um clássico de Charles Chaplin que retrata a vida urbana nos Estados Unidos
nos anos 1930. O �lme retrata a vida na sociedade industrial, criticando a alienação dode seus experimentos, mas também na
divulgação de seus resultados. Nesse sentido, compreendemos que as normas não têm o intuito
de limitar a produção cientí�ca, e sim de adequar as produções a �m de favorecer a transmissão
e divulgação do conhecimento. Vamos falar especi�camente das normas de citações e de
referências, que são dois elementos primordiais na realização de um bom trabalho acadêmico.
Siga em Frente...
Citações – ABNT NBR 10520/2023
Sempre que vamos construir um texto cientí�co, é necessário dialogar com outros autores, por
meio da consulta a textos já publicados. Precisamos nos lembrar de que o conhecimento é
dinâmico e está constantemente em construção; essa busca permite também a compreensão do
estado da arte do tema em questão. Dessa forma, ao construir o texto, o pesquisador vai inserir
conceitos e ideias que são de outros pesquisadores e, para que a pesquisa seja ética e não
con�gure plágio, é necessário que as citações sejam feitas conforme estabelece a norma. A
norma da ABNT NBR 10520 (2023) é a que estabelece como as citações devem ser inseridas no
texto.
Quando realizamos uma citação no decorrer de nosso texto, estamos dando crédito ao autor que
utilizamos como fonte. Estamos sinalizando para o nosso leitor que aquela ideia, aquele conceito
ou aquela visão não é nossa, mas de outra pessoa. Entretanto, concordamos com o autor ou
estamos colocando no texto para, a partir dele, elaborar um contraponto. As citações podem ser
diretas ou indiretas. Também pode ser feita a citação da citação. Elas podem ser inseridas em
qualquer parte do texto. Precisamos nos atentar para como mencionar o autor no decorrer do
texto. Vamos ver todas essas questões de maneira mais detalhada.
Citações diretas
As citações diretas consistem na transcrição literal das palavras do autor base no texto que
estamos escrevendo. De maneira geral, elas podem ser curtas (até 3 linhas, entre aspas duplas
no corpo do texto) ou longas (mais de 3 linhas, em parágrafo a parte com recuo lateral). Em
ambos os casos, é preciso mencionar o sobrenome do autor, o ano da publicação e a página de
onde aquele trecho foi retirado (Marconi, Lakatos, 2024). Vamos ver alguns exemplos no Quadro
1:
CITAÇÕES DIRETAS CURTAS
Um autor Quando se pensa na história da ética das
pesquisas com seres humanos, Faintuch
(2021, p. 9) aponta que “o primeiro registro
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encontra-se na Bíblia, com uma pesquisa
prospectiva controlada não aleatorizada”.
 Dois ou três autores
De acordo com Marconi e Lakatos (2024, p.
15), a leitura é “um dos fatores decisivos do
estudo, é imprescindível em qualquer tipo de
investigação cientí�ca”.
Quando pensamos na formação dos
indivíduos para a atuação na sociedade, é
preciso que essa formação seja “considerada
algo em constante processo de construção e
desenvolvimento” (Mariano; Franco; Oliveira,
2021, p. 364).
Quatro ou mais autores
O início da vida acadêmica ocasiona muitas
mudanças na vida dos estudantes. “É um
processo marcado por modi�cações nos
vínculos comportamentais, que juntamente
com fatores psicossociais, estilo de vida e
situações do meio acadêmico torna-os
vulneráveis a circunstâncias de risco à saúde”
(Neves et al., 2015, p. 65).
Quadro 1 | Exemplos de citações diretas curtas. Fonte: elaborado pela autora.
Note que a inserção da citação no texto varia de acordo com a estrutura da frase e de acordo
com a maneira com que ela está sendo escrita. O que não muda na citação direta curta é a
maneira como ela é apresentada no texto, sempre entre aspas duplas, acompanhada do
sobrenome do autor ou autores, do ano da publicação e da página de onde foi retirada. As aspas
simples são utilizadas para indicar citação no interior da citação. Em relação às citações diretas
longas, a maneira como elas aparecem nos textos é diferente das curtas, mas permanece a
obrigatoriedade de indicação de autor, ano e página ou localização do trecho citado quando for
possível. Vejamos alguns exemplos:
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Figura 1 | Exemplo de citação direta longa. Fonte: elaborada pela autora.
Note que o espaçamento entrelinhas utilizado no texto é de 1,5, mas, na citação, o espaçamento
entre linhas é simples. A ABNT (2023) recomenda que seja feito o recuo de 4 centímetros da
margem esquerda, com letra menor que a utilizada no texto e sem aspas. Se forem dois, três ou
mais de três autores, a indicação dos sobrenomes seguem o modelo que foi apresentado nas
citações diretas curtas. Mas atenção: no caso de uma obra com quatro autores ou mais, se você
optar por utilizar a expressão et al., isso precisa ser feito para todas as obras com quatro autores
ou mais, a �m de que haja padrão no texto. As supressões ou os acréscimos no decorrer das
citações são indicadas por colchetes e reticências [...].
Citações indiretas
As citações indiretas são aquelas em que não há transcrição literal de alguma parte do texto,
mas o autor se baseou no texto-fonte para escrever. As citações indiretas podem ser
comentários ou críticas a uma determinada ideia; podem ser usadas para concordar ou refutar
um argumento. Isso sempre depende da estrutura do texto em questão. A maneira como o
sobrenome do autor ou dos autores aparecem no texto ou no �nal da frase deve seguir o que
está determinado na norma da ABNT. Por não serem transcrições literais, elas não apresentadas
entre aspas e não há a necessidade de indicação da página do texto base (Marconi; Lakatos,
2024). Acompanhe alguns exemplos a seguir:
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Figura 2 | Exemplos de citações indiretas. Fonte: elaborada pela autora.
Citação da citação – apud
A palavra apud pode ser traduzida como “citado por”; isso quer dizer que o autor não teve contato
diretamente com a obra citada: ele a leu por meio de outra citação (Marconi, Lakatos, 2024). Por
ser uma palavra que vem do latim, ela deve sempre ser apresentada em itálico no texto. A citação
da citação deve ser evitada: o recomendado é que sempre se busque o texto-fonte a que se está
referindo. Entretanto, existem alguns casos em que de fato não é possível consultar o texto
original, então realiza-se o apud. As regras de apud seguem as regras de citações diretas e
indiretas:
Figura 3 | Exemplos de apud. Fonte: elaborada pela autora.
A norma apresenta diversos outros detalhes quanto as citações; por exemplo, em relação à
maneira como devem ser apresentados autores com o mesmo sobrenome e data de publicação.
“Para autores com o mesmo sobrenome e data de publicação, devem-se acrescentar as iniciais
de seus prenomes. Se persistir a coincidência, colocam-se os prenomes por extenso” (ABNT,
2024, p. 8). Ela esclarece também como devem ser feitas as citações de diversos documentos
do mesmo autor, com publicações em anos diferentes, devem ser “mencionados
simultaneamente, devem ter as suas datas em ordem cronológica, separadas por vírgula” (ABNT,
2023, p. 5).
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Por �m, devemos nos atentar para o fato de que, quando há a indicação de siglas (ABNT, IBGE,
APA, MEC etc.) no corpo do texto ou no �nal da frase, a recomendação é para que elas sejam
grafas em letras maiúsculas. O essencial é que a norma seja consultada sempre que ocorra
alguma dúvida, isso facilita a escrita do texto e diminui a possibilidade de cometermos erros no
momento da escrita. Em algumas ocasiões, como no envio de um artigo para um evento ou para
uma revista cientí�ca, a inserção correta das citações e das referências pode ser um diferencial
para que o responsável pelo texto o envie ou não para a correção.
Referências – ABNT NBR 6023/2018
As referências de um texto devem ser elaboradas de acordo com a ABNT NBR 6023 (2018). Ao
longo da elaboração do texto, de qualquer natureza, o pesquisador usa diferentes fontes na sua
construção, como livros, artigos, teses, matérias de jornais, entrevistas, entre outros tipos de
materiais. Tudo o que é citado no decorrer do texto precisa ser referenciado e, para isso, o
pesquisador precisa conhecer o formato de apresentação decada documento a �m de elaborar a
referência pertinente de maneira correta.
Isso quer dizer que não existe um padrão para todos os documentos. Cada tipo de documento é
apresentado de uma maneira especí�ca nas referências do texto. Isso não quer dizer que não
existam regras para a elaboração das referências. De maneira geral,
[...] as referências devem ser elaboradas em espaço simples, alinhadas à margem esquerda do
texto e separadas entre si por uma linha em branco de espaço simples, [...] a pontuação deve ser
uniforme para todas as referências. [...] O recurso tipográ�co (negrito, itálico ou sublinhado)
utilizado para destacar o elemento título deve ser uniforme em todas as referências (ABNT, 2018,
p. 5).
Vamos buscar compreender como cada documento deve ser apresentado. Começando pela
autoria de pessoas físicas, o autor ou os autores devem ser apresentados pelo último
sobrenome, em letras maiúsculas, seguidos pelos prenomes e outros sobrenomes abreviados ou
não. Os autores devem ser separados por ponto e vírgula. Precisamos padronizar a forma de
apresentação dos prenomes e sobrenomes. Isso quer dizer que se apresentarmos todo o nome
de um autor em uma referência, em todas isso deve ser feito. Se apresentarmos apenas a inicial,
isso deve ser seguido nas outras também. Acompanhe os exemplos no Quadro 2:
Um autor
ALVES, Roque de Brito. Ciência criminal. Rio
de Janeiro: Forense, 1995.
ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e análise
de balanços: um enfoque econômico-
�nanceiro. 8ª ed. São Paulo: Atlas, 2007.
Dois ou três autores SOUZA, J. C.; PEREIRA, A. M. Metodologia de
trabalho. 3ª ed. São Paulo: Estrela, 2011.
PASSOS, L. M. M.; FONSECA, A.; CHAVES, M.
Alegria de saber: matemática, segunda série,
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
2, primeiro grau: livro do professor. São Paulo:
Scipione, 1995. 136 p.
Quatro ou mais de quatro autores
 
URANI, A. et al. Constituição de uma matriz de
contabilidade social para o Brasil. Brasília:
IPEA, 1994.
TAYLOR, Robert; LEVINE, Denis; MARCELLIN-
LITTLE, Denis; MILLIS, Darryl. Reabilitação e
�sioterapia na prática de pequenos animais.
São Paulo: Roca, 2008.
Quadro 2 | Exemplos: referências de monogra�a no todo. Fonte: elaborado pela autora.
Note que, quando há a indicação de quatro ou mais autores, a norma estabelece que convém
indicar todos; entretanto, é permitido utilizar a expressão et al. após o nome do primeiro autor.
Outro ponto importante é que as referências devem obedecer aos mesmos princípios; portanto,
se utilizar a inserção de elementos complementares, como o número de páginas no caso de um
livro, estes devem ser incluídos em todas as referências daquela lista. Mas atenção: se você
estiver se referindo ao capítulo de um livro ou ao artigo de um periódico, a indicação da página
�nal e inicial são obrigatórias, a menos que não seja possível a localização. O Quadro 3 nos
possibilita visualizar outros tipos de referências:
Livro com responsabilidade Intelectual
LANDAU, L.; CUNHA, G. G.; HANGUENAUER, C.
(org.). Pesquisa em realidade virtual e
aumentada. Curitiba: Editora CRV, 2014. 164 p.
Autoria institucional, disponibilidade e acesso
OMS - Organização Mundial da Saúde.
Mulheres e saúde: evidências de hoje: agenda
de amanhã. Geneva: OMS, 2009. 92 p.
Disponível em:
https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.
2/7684/9788579670596_por.pdf?
sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 9 nov.
2023.
 Autoria do
capítulo distinta
da autoria do
livro no todo 
BACHEGA, K.; ACCETTURI, E. Transplantes de
tecido ósseos no Brasil: uma história segura
de sucesso da odontologia. In: SANTOS, P. S.
S. et al. (org.). Odontologia em transplante de
órgãos e tecidos. Curitiba: Editora CRV, 2018.
cap. 7, p. 109-127.
Artigo de periódico disponível na internet MARIANO, M. L. S.; FRANCO, S. A. P.;
OLIVEIRA, K. L. de. Estágio em docência no
curso de doutorado em educação: relatos de
experiência. Revista Ibero-Americana de
Estudos em Educação, Araraquara, v. 16, n. 1,
p. 361–375, 2021. Disponível em:
https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamerica
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
na/article/view/12785. Acesso em: 9 nov.
2023.
Quadro 3 | Exemplos: referências de diferentes formatos. Fonte: elaborado pela autora.
Perceba que, no caso de documentos com título e subtítulo, apenas o título aparece em
destaque. No caso de um artigo de revista, o elemento destacado é o nome da revista; o mesmo
acontece quando utilizamos apenas o capítulo de um livro como referência. Existem ainda
muitos outros documentos que podem ser referenciados, como legislações, vídeos, podcasts.
Vamos acompanhar alguns outros exemplos no Quadro 4:
 Constituição Federal
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da
República Federativa do Brasil. Brasília, DF:
Senado Federal, [2016]. 496 p. Disponível em:
https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/h
andle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016.pdf.
Acesso em: 9 nov. 2023.
Atos administrativos normativos
BRASIL. Ministério da Educação. Ofício
circular 017/MEC. Brasília, DF: Ministério da
Educação, 26 jan. 2006. Assunto: FUNDEB.
Documento sonoro em meio eletrônico 
MAMILOS: A Nova Tradicional Família
Brasileira. Entrevistadoras: Juliana Wallauer e
Cris Bartis. Entrevistado: Pastor Henrique
Vieira. [S. l.]: B9, fev. 2019. Podcast. Disponível
em:
https://open.spotify.com/episode/676wEdjCL
6LsjOFconIH0K?si=7e56a08736d94147.
Acesso em: 9 nov. 2023.
 
 
Filmes, vídeos, entre outros em meio
eletrônico
 
 
BOOK. [S. l.: s. n.], 2010. 1 vídeo (3 min).
Publicado pelo canal Leerestademoda.
Disponível em:
http://www.youtube.com/watch?
v=iwPj0qgvfIs. Acesso em: 9 nov. 2023.
BLADE Runner. Direção: Ridley Scott.
Produção: Michael Deeley. Intérpretes:
Harrison Ford; Rutger Hauer; Sean Young;
Edward James Olmos e outros. Roteiro:
Hampton Fancher e David Peoples. Música:
Vangelis. Los Angeles: Warner Brothers,
c1991. 1 DVD (117 min), widescreen, color.
Baseado na novela “Do androids dream of
electric sheep?”, de Philip K. Dick.
Quadro 4 | Exemplos: referências de diferentes formatos. Fonte: elaborado pela autora.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Todas as possibilidades estão listadas na norma da ABNT. Por ser muito ampla, é claro que não
damos conta de recordar de todas de maneira automática. Por isso, o essencial é sempre
consultar o manual a �m de elaborar de maneira correta o corpo de referências de um trabalho
acadêmico. E você pode se questionar: mas onde eu encontro todas essas informações? A
resposta é: depende! Dependendo da fonte, você encontrará a chamada �cha catalográ�ca com
todas as informações necessárias no próprio documento. Se for um artigo cientí�co, as
informações normalmente constam no cabeçalho da página ou no rodapé. Quando a publicação
não apresentar essas informações tão explicitamente, o pesquisador fará uso da norma para
identi�car os elementos essenciais, a �m de referenciá-los corretamente.
Vamos Exercitar?
Agora que já compreendemos a inserção de citações no decorrer dos textos acadêmicos e como
devemos elaborar as referências, é hora de retomarmos nossa situação inicial. Você está
�nalizando seu TCC e percebeu que suas citações não estão padronizadas; à medida que você
foi escrevendo o texto, você se confundiu. Então, para �car mais fácil realizar o ajuste, você
decidiu elaborar um esquema que sintetize as principais características de cada tipo de citação,
para que você possa voltar no texto e realizar a revisão de maneira mais e�caz.
Citação direta curta
Até 3 linhas – mencionar autor, ano,
página.
No corpo do texto.
Entre aspas duplas.
Citação direta longa
Mais de 3 linhas – mencionar autor, ano,
página.
Recuo de 4 cm da margem esquerda.
Em outro parágrafo, fonte menor que a
do texto.
Citação indireta
Não necessita aspas nem recuo.
Não necessita citar a página.
Citação da citação (apud)
Segue as regras das citações diretas e
indiretas.
É usado quando não se teve acesso
diretamente ao texto fonte.
Quadro 5 | Tipos de citação. Fonte: elaborado pela autora.
Saiba mais
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Inserir corretamentecitações no decorrer de um texto acadêmico e posteriormente elaborar o
corpo de referências é primordial para um trabalho acadêmico con�ável e dentro do que se
espera dos padrões cientí�cos. Assim, é necessário que você tenha conhecimento sobre esses
tópicos. Para isso, leia o capítulo 6 – “Apresentação de citações diretas e indiretas e elaboração
de referências bibliográ�cas”, p. 207-237, do livro Metodologia do trabalho cientí�co, de Marina
de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos – Minha Biblioteca.
 
 
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 6023: informação e
documentação: Referências: elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2018.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 10520: informação e
documentação: Citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2023.
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTOO, Luciana Bernardo. Guia prático de
monogra�as, dissertações e teses: Elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea,
2011.
MARCONI, Marina de Andrade.; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos
de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de
conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024.
MICHAELIS Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2023.
Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/. Acesso em: 8 out. 2023.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS (PUCMG). Orientações para
elaboração de citações e referências: conforme a American Psychological Association (APA) 7ª
edição. Belo Horizonte, 2022. Elaboração: Fabiana Marques de Souza e Silva. Disponível em:
https://portal.pucminas.br/biblioteca/documentos/APA-7-EDICAO-2022-NV.pdf. Acesso em: 7
nov. 2023.
Aula 5
Encerramento da Unidade
Videoaula de Encerramento
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597026559/epubcfi/6/30[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml13]!/4
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597026559/epubcfi/6/30[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml13]!/4
https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/
https://portal.pucminas.br/biblioteca/documentos/APA-7-EDICAO-2022-NV.pdf
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Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é “compreender a construção
e estruturação de um relatório �nal de pesquisa, suas normas e padronizações, possibilitando a
articulação dos conhecimentos adquiridos e a prática do pensar cientí�co”, você deve
primeiramente entender o que é um trabalho de conclusão de curso. Depois é preciso
compreender as partes desse TCC, ou seja, todos os elementos que precisam ser contemplados
no seu desenvolvimento de maneira teórica e metodológica. Por �m, é necessário também
observar as normas e a padronização cientí�ca, a maneira como o TCC precisa ser formatado e
como as citações e referências precisam ser inseridas no texto.
A elaboração do TCC é um dos elementos que marcam a �nalização de uma etapa, seja de um
curso de graduação ou de pós-graduação. Para a sua correta elaboração, ela precisa seguir
normas de estruturação e estar dentro do que se espera dos padrões cientí�cos de um trabalho
acadêmico. A ética é primordial no desenvolvimento da pesquisa, independentemente do seu
tipo. Para além disso, é preciso pensar em cada etapa especí�ca da pesquisa e o que precisa ser
desenvolvido nela. É importante relembrar que a NBR 14724 (2011) nos orienta quanto à
formatação e apresentação do TCC, mas o conteúdo �ca sob responsabilidade do pesquisador.
Assim, é fundamental conhecer cada uma dessas partes da pesquisa e compreender como elas
devem ser desenvolvidas. No entanto, lembre-se: mesmo que elas pareçam partes
independentes, um ponto fundamental é a atenção ao fato de que elas são interligadas e
precisam conversar entre si para que a pesquisa faça sentido como um todo. Isso signi�ca que,
quando você escolhe um tema de pesquisa, a pergunta deve ser pertinente a esse tema, assim
como as hipóteses, as justi�cativas e as demais partes da pesquisa.
A partir do momento em que conseguimos delimitar o tema, levantar o problema, elencar as
hipóteses (se for o caso) e estabelecer os objetivos da pesquisa, podemos estabelecer o tipo de
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
pesquisa que vamos realizar e o método a ser utilizado. Não é possível fazer o caminho inverso,
ou seja, estabelecer o tipo de pesquisa e o método para depois pensar em um tema de pesquisa.
Por exemplo: �ca inviável estabelecer o desejo de fazer uma pesquisa quantitativa de
levantamento a partir de uma entrevista com uma pessoa referência em uma determinada área.
O mais pertinente seria uma pesquisa qualitativa a partir de um estudo de caso.
No momento de escrita do trabalho acadêmico, outra questão a ser observada é a inserção de
citações no decorrer do texto. É a NBR 10520 (2023) que indica como as citações devem ser
inseridas e referenciadas no corpo do texto. As citações são imprescindíveis, pois elas dão
crédito à nossa escrita a partir do embasamento em outros estudos já publicados. Por isso, é
importante a busca por pesquisas de cunho cientí�co em bases con�áveis, os quais publiquem
trabalhos que se preocupem com o desenvolvimento sistematizado e ético da ciência.
Por �m, e não menos importante, a NBR 6023 (2018) apresenta as instruções de como o corpo
de referências do trabalho deve ser elaborado. Cada documento tem um formato especí�co de
apresentação dos elementos que são essenciais para a sua identi�cação individual. As
referências devem ser elaboradas em ordem alfabética a partir do último sobrenome do autor ou
conforme ocorrer o elemento de entrada na referência.
Re�ita
A partir do que foi exposto, re�ita sobre os seguintes questionamentos:
Qual a importância das normas de citações e de referências para o desenvolvimento dos
trabalhos acadêmicos?
É realmente necessário elaborar um TCC ao concluir um curso de graduação ou pós-
graduação?
É Hora de Praticar!
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A apresentação, a análise e a discussão dos dados da pesquisa são os momentos em que o
pesquisador vai conseguir mostrar para o leitor aquilo que ele encontrou durante a sua busca. É o
momento de defender seu ponto de vista buscando embasamento no referencial teórico. Os
dados da pesquisa podem ser dados primários, aqueles coletados pelo próprio pesquisador, ou
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
secundários, aqueles dados coletados por outros pesquisadores ou órgãos governamentais,
como o Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE), por exemplo.
Vamos pensar em uma situação em que, na sua pesquisa, você está investigando a ocupação de
jovens entre 15 e 29 anos. Você estabeleceu um recorte temporal dos últimos 10 anos. Assim,
você buscou os dados divulgados pelo IBGE na Síntese de indicadores sociais de 2012 e de
2022. Os grá�cos encontrados foram os seguintes:
Figura 1 | Grá�co encontrado na pesquisa: distribuição percentual dos jovens de 15 a 29 anos de
idade, por tipo de atividade na semana de referência, segundo os grupos de idade – Brasil –
2012. Fonte: IBGE (2013).
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Figura 2 | Grá�co encontrado na pesquisa: distribuição percentual de jovens de 15 a 29 anos de
idade, por tipo de atividade na semana de referência – Brasil – 2016/2021. Fonte:IBGE (2022).
Agora, responda aos seguintes questionamentos:
É possível fazer a comparação entre os dois grá�cos? Se sim, faça a comparação entre
eles. Se não, justi�que o motivo de não ser possível.
Como cada grá�co pode ser interpretado?
Bons estudos!
Qual é a recomendação para se trabalhar com dados em uma pesquisa? Na hora de interpretá-
los e expor os resultados, o pesquisador deve ter muito cuidado para não enviesar e
comprometer esses dados com sua análise.
É possível fazer a comparação entre os dois grá�cos, pois eles apresentam as mesmas variáveis
e a mesma população. Ambos apresentam o tipo de atividade exercida por jovens de 15 a 29
anos de idade na semana de referência. As variáveis são divididas em: somente estuda, trabalha
e estuda (estuda e está ocupado), somente trabalha (só está ocupado) e não trabalha nem
estuda (não estuda e não está ocupado).
Pensando na comparação entre os grá�cos e na proposta feita, é possível pensar em cada
variável de maneira isolada ou na totalidade da amostra. Vamos pensar nas variáveis de maneira
isolada para fazer a re�exão: no ano de 2012, a população que declarou somente trabalhar foi de
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
45,2%; no ano de 2016, esse percentual era de 39,4%. A queda na variável “somente ocupado”
pode indicar o investimento governamental no setor educacional no período de referência, o que
possibilitou a permanência dos jovens no setor educacional e ampliou o acesso às universidades
por meio de subsídios �nanceiros proporcionando condições à população menos favorecida
permanecer por mais tempo na escola.
Olhando para o mesmo indicador no período seguinte em 2017 e 2018, o índice dos jovens entre
15 e 29 anos que somente trabalhavam se manteve em 39,4%, tendo um discreto aumento em
2019 para 40,2%, e caindo signi�cativamente em 2020 para 35,1%. Precisamos nos recordar de
que 2020 foi o ano da pandemia de Covid-19; portanto, a queda signi�ca o desemprego da
população. Essa a�rmação �ca evidente quando olhamos para os dados referentes aos jovens
que declararam não estudar nem estar ocupados em 2019: o percentual era de 24,1% e sobe para
28% em 2020.
Esse é apenas um exemplo de como os dados podem ser interpretados e discutidos, mas essa
interpretação e discussão também pode ser feita de outras formas, trazendo ainda outros dados
a nível de comparação. Que tal treinar um pouco mais?! Agora é com você!
Vamos analisar a �gura a seguir para compreender de maneira sintetizada as etapas a serem
seguidas na elaboração de um Trabalho de Conclusão de Curso.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Fonte: elaborada pela autora.
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 14724: informação e
documentação: Trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 6023: informação e
documentação: Referências: elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2018.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 10520: informação e
documentação: Citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2023.
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTOO, Luciana Bernardo. Guia prático de
monogra�as, dissertações e teses: Elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea,
2011.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Síntese de Indicadores Sociais:
uma análise das condições de vida da população brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 2013.
Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv66777.pdf. Acesso em: 14 nov.
2023.
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv66777.pdf
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Síntese de Indicadores Sociais:
uma análise das condições de vida da população brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 2022.
Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101979.pdf. Acesso em: 14
nov. 2023.
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101979.pdfoperário nesse meio de produção, a modernidade e o capitalismo crescente.
2. Compreender sobre os teóricos racionalistas e empiristas é fundamental para,
posteriormente entender a organização e o desenvolvimento da ciência. Para isso, saiba
mais sobre o tema a partir das leituras a seguir.
- LOURENÇO, Vitor Hugo. René Descartes e o cogito. In: LOURENÇO, Vitor Hugo. Construção
do pensamento �losó�co na modernidade. Curitiba: Intersaberes, 2019. Cap. 3. p. 108-114.
- LOURENÇO, Vitor Hugo. John Locke e Ensaio sobre o entendimento humano. In:
LOURENÇO, Vitor Hugo. Construção do pensamento �losó�co na modernidade. Curitiba:
Intersaberes, 2019. Cap. 4. p. 145-150.
3. A Igreja Católica, principalmente durante a Idade Média, exerceu forte in�uência na
sociedade ocidental. Ela determinava inclusive aquilo que poderia ou não ser conhecido
pelas pessoas, pois, assim, ela poderia manter o seu domínio. Para se aprofundar nesse
assunto, assista ao �lme O nome da eosa, roteiro de Andrew Birkin e Gérard Brach. O �lme
mostra a história do monge franciscano William de Baskerville (Sean Connery) e Adso von
Melk (Christian Slater), que chegam a um mosteiro no norte da Itália em 1327. Eles vão
participar de um conclave que vai decidir se a Igreja vai doar parte de suas riquezas, mas a
história muda quando uma série de assassinatos começa a acontecer e William decide
investigá-los, contrariando os coordenadores do mosteiro.
 
 
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à
�loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BRESCIANI, Maria Stella Martins. Londres e Paris no século XIX: o espetáculo da pobreza. São
Paulo: Editora Brasiliense, 2004.
CHAUÍ, Marilena de Souza. Convite à �loso�a. São Paulo: Ática, 2014
FUINI, Pedro. Queda da Bastilha. Faculdade de Filoso�a, Letras e Ciências Humanas da
Universidade de São Paulo, 2022. Disponível em: https://www.�ch.usp.br/34302. Acesso em: 12
out. 2023.
GALLO, Silvio. Filoso�a: experiência do pensamento. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2016.
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/193177/pdf/0?code=vuDFK8a1gxn3on26qzCXIi1dBsnWlnaXDhbnKfqsj/xajzxEny/g53m4N3ENsHEtuQGgdTaRuU62ONFBTt9A1g==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/193177/pdf/0?code=vuDFK8a1gxn3on26qzCXIi1dBsnWlnaXDhbnKfqsj/xajzxEny/g53m4N3ENsHEtuQGgdTaRuU62ONFBTt9A1g==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/193177/pdf/0?code=vuDFK8a1gxn3on26qzCXIi1dBsnWlnaXDhbnKfqsj/xajzxEny/g53m4N3ENsHEtuQGgdTaRuU62ONFBTt9A1g==
https://www.fflch.usp.br/34302
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.
Aula 3
A Epistemologia do Conhecimento Cientí�co
A epistemologia do conhecimento cientí�co
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Vamos caminhar para a compreensão da consolidação do conhecimento cientí�co como aquele
utilizado para explicar a organização da sociedade após as Revoluções Burguesas. A ciência,
assim como os demais tipos de conhecimento (senso comum, religioso e �losó�co) busca
chegar à verdade por meio da investigação daqueles aspectos que mereçam ser compreendidos
ou interpretados. Dessa forma, o conhecimento cientí�co tem como objeto de estudo os
fenômenos naturais e os sociais, olhando para as particularidades de cada um e tendo teorias
especí�cas para explicá-los. E por que essa divisão é necessária? Devido ao fato de que cada
objeto de estudo requer uma forma especí�ca de abordagem e interpretação.
A partir disso, pensemos na seguinte situação: em uma aula de Metodologia Cientí�ca, a
professora está explicando para os alunos o conceito de teoria e lhes apresenta duas vertentes
teóricas no campo das ciências humanas: o Positivismo e o Funcionalismo. Ao �nalizar, a
professora solicita que os alunos elaborem um quadro resumo com a de�nição de teoria e com
as principais características de cada uma das vertentes teóricas e seu principal representante.
Para isso, é necessária a compreensão de todos esses elementos. Bons estudos!
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Vamos Começar!
O que é teoria?
Provavelmente você já ouviu falar em teoria, e você precisa saber que o termo pode ter diferentes
conotações dependendo do contexto em que é utilizado. “A palavra teoria tem origem no verbo
grego theorein cujo signi�cado é ‘ver’. A associação entre ‘ver’ e ‘saber’ é uma das bases da
ciência ocidental” (Minayo, 2013. p. 16). A palavra teoria pode ser utilizada para se referir a uma
crença ou uma ideia, sob outra perspectiva; popularmente, é um termo usado em sentido oposto
à prática. Pense na carga teórica e na carga prática de um curso, por exemplo. Ou ainda pode se
referir a um componente do conhecimento cientí�co que requer um método próprio (Trentini,
1987). Vamos nos ater a essa última perspectiva de teoria, que é a utilizada para o
desenvolvimento de pesquisas, na busca por respostas e por novos conhecimentos.
De acordo com Severino (2013, p. 90), a teoria pode ser de�nida como um “conjunto de
concepções sistematicamente organizadas; síntese geral que se propõe a explicar um conjunto
de fatos cujos subconjuntos foram explicados pelas leis”. E o que isso quer dizer? A teoria é um
conjunto de princípios, ideias, ou conceitos que busca explicar algo em especí�co. É construída a
partir de observações, experimentos e análises sistemáticas de dados. Pode ser utilizada para
prever resultados de experimentos ou observações futuras, além de fornecer um entendimento
mais profundo de como o mundo funciona (Trentini, 1987; Severino, 2013).
No contexto cientí�co, uma teoria é um modelo ou um conjunto de princípios que descreve fatos
e fenômenos, sejam eles naturais ou sociais. É importante ressaltar que a teoria não é algo que
�ca estagnado, que não se modi�ca. Trata-se de uma explicação concebida e estruturada a partir
de evidências disponíveis no momento do seu desenvolvimento. Ela pode ser modi�cada,
aprimorada ou revista à medida que novas evidências surjam ou sejam descobertas. A revisão
contínua de uma teoria é fundamental para o avanço do conhecimento em todas as áreas do
saber (Koche, 2011; Severino, 2013).
Dessa forma, compreendemos que são as teorias que iluminam as nossas práticas; elas
esclarecem a realidade para que possamos apreender o seu funcionamento (Demo, 1992).
Ampliam a nossa visão de mundo a respeito daquilo que estamos estudando ou analisando,
permitindo que tenhamos mais clareza a respeito daquilo que está em questão. Teorias são
explicações da realidade, são as lentes por meio das quais olhamos para o contexto em que
estamos inseridos, permitindo a ressigni�cação das nossas próprias concepções.
Perspectivas teóricas nas ciências humanas
Você se lembra de que falamos que o conhecimento cientí�co tem como objeto de estudo os
fenômenos naturais e os sociais? A partir disso, podemos entender que existem diversas teorias
em diversos contextos, como em disciplinas acadêmicas, nas ciências naturais, ciências
humanas/sociais, matemática, �loso�a e em outras áreas do conhecimento humano. Cada
campo tem suas próprias de�nições e critérios especí�cos para o desenvolvimento e liberdade
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
de teorias. Assim, as teorias têm implicações práticas e podem ser usadas para resolver
problemas do mundo real, desenvolver tecnologias, formular políticas públicas e muito mais.
A partir disso, vamos pensar inicialmente nas ciências naturais e nas ciências sociais. As
ciências naturais são ramos da ciência que estudam a natureza e seus aspectos mais gerais e
fundamentais; as leis e regras naturais que regem o mundo. As ciências sociais são ramos da
ciência que estudamos aspectos sociais do mundo humano, a vida social de indivíduos e grupos
humanos (Minayo, 2013). As ideias de progresso, racionalismo e domínio do homem sobre a
natureza exerceram forte in�uência sobre a mentalidade do século XIX, impulsionando o
desenvolvimento da ciência e de novas formas de conhecer.
Dessa forma, as ciências sociais se desenvolveram nessa época, quando a racionalidade das
ciências naturais e de seu método havia obtido o reconhecimento necessário para substituir a
religião na explicação da origem, do desenvolvimento e da �nalidade do mundo. Assim, com o
advento da Modernidade e as profundas transformações pelas quais a sociedade passou, fez-se
necessário uma nova forma de conhecimento que fosse capaz de explicar tamanhas
transformações. É nesse contexto que surgem as ciências humanas e sociais e suas teorias.
Siga em Frente...
O positivismo
Pensar a sociedade e seus arranjos não é uma tarefa fácil, principalmente frente à efervescência
em que ela se encontrava no período de ascensão e consolidação do capitalismo como sistema
econômico vigente. Ainda assim, o francês Auguste Comte (1798-1857) se dedicou a essa
missão, �cando conhecido como o “Pai da Sociologia”. Comte buscou explicar e entender os
fenômenos sociais a partir da nova ordem em que se encontravam, tomando como base as
perspectivas de análise das ciências naturais (Aranha; Martins, 2003).
Para compreendermos a teoria positivista, precisamos recordar o processo de transformação da
sociedade moderna e dos modos de produção. Antes do advento da máquina a vapor, a energia
utilizada para a realização das tarefas era a energia humana, animal ou natural (vento e água). As
mudanças ocasionadas pela Revolução Industrial foram cruciais, o que levou à concepção do
cienti�cismo, entendimento em que “a ciência é considerada o único conhecimento possível e o
método das ciências da natureza o único válido, devendo, portanto, ser entendido a todos os
campos da indagação e atividade humanas” (Aranha, Martins, 2003, p. 140).
Assim, o Positivismo derivou do cienti�cismo, isto é, da capacidade da razão humana em
conhecer a realidade e traduzi-la sob a forma de leis naturais. O intuito dessas novas concepções
era desvendar as recentes formas de organização e relações que vinham se transformando à
medida que a sociedade também se transformava. Dessa forma, a partir das in�uências de sua
época, Comte de�ne a sociologia como uma física social, mas toma os modelos da biologia para
explicar a sociedade como um organismo coletivo. Sob esta ótica, a sociedade humana é
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
regulada por leis naturais que atingem o funcionamento da vida social, econômica, política e
cultural.
De acordo com Gallo (2016), a teoria positivista teve grande in�uência nos teóricos dos séculos
XIX e XX. Comte, ao examinar o desenvolvimento da inteligência humana, descreveu um princípio
básico ao qual denominou como a “lei dos três estados”. Segundo ele, o espírito humano teria
passado por três estados diferentes de desenvolvimento em sua relação com o mundo. São eles:
estado teológico, estado metafísico e estado positivo. Sob tal visão, os seres humanos passam
por esses estágios, do menos desenvolvido (quando crianças) até ao mais desenvolvido (já
adultos) ao longo da vida. A passagem de um estado para outro se daria de forma lenta, gradual
e segura. No Quadro 1 a seguir, podemos observar as características de cada estágio.
ESTADO TEOLÓGICO ESTADO METAFÍSICO ESTADO POSITIVO
Explicação dos fenômenos
como resultado de forças
divinas e sobrenaturais.
Explicações ingênuas e
infantis.
Predomínio da mitologia e da
teologia como explicações do
mundo.
Estágio mais evoluído que o
anterior.
As forças sobrenaturais são
substituídas por forças
abstratas.
Predomínio da Filoso�a como
explicação do mundo.
Estágio mais evoluído da
humanidade.
Os fatos e fenômenos são
explicados racionalmente,
pela causalidade.
Predomínio da Ciência como
explicação do mundo.
Quadro 1 | Estágios de desenvolvimento do pensamento de acordo com Auguste Comte. Fonte:
elaborado pela autora.
O funcionalismo
No �nal do século XIX, a Sociologia ainda estava se �rmando como ciência e buscava pelo seu
objeto de estudo de forma clara e objetiva. Os primeiros passos haviam sido dados com Auguste
Comte; ele propôs que os conceitos metafísicos fossem excluídos das explicações da nova
ciência. Mas não foi Comte o responsável por levar a Sociologia ao patamar de disciplina
cientí�ca reconhecida e respeitada na sociedade, obtendo inclusive uma cadeira na Universidade
de Bordeaux em 1887. Esse papel coube ao francês Émile Durkheim (Moisés, 2022).
Émile Durkheim (1858-1917) foi um sociólogo, psicólogo social e �lósofo francês. Seu legado
está relacionado à consolidação da Sociologia como uma disciplina cientí�ca e à formação de
uma escola de pensamento: o Funcionalismo. Dessa forma, ele buscou a cienti�cidade no estudo
das humanidades, esteve empenhado em criar regras para a criação do método sociológico e
atribuir status de saber cientí�co à sociologia. In�uenciado pelo Positivismo, Durkheim parte da
objetividade para a construção do seu método e do estabelecimento do seu objeto de estudos:
os fatos sociais (Aranha; Martins, 2003; Moisés, 2022).
O teórico francês, ao observar o contexto europeu do século XIX, concluiu que as instituições
sociais se encontravam enfraquecidas e que havia muito questionamento em torno delas. Os
valores tradicionais que vinham da Idade Média estavam dando lugar a novos valores e novas
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PENSAMENTO CIENTÍFICO
tradições. Com tantas mudanças, muitas pessoas passaram a viver em condições miseráveis;
estavam desempregadas, doentes e marginalizadas. Durkheim entendeu que, em uma sociedade
integrada e funcionando de maneira orgânica, essas pessoas não poderiam ser ignoradas,
porque toda a sociedade sofreria as consequências. Dessa forma, Durkheim buscou
regularidades e “leis” que pudessem ser encontradas na sociedade (Durkheim, 2007).
Partindo de tais questões, no processo de sistematização da sociologia, Durkheim toma
conceitos pertencentes à medicina e à biologia para explicar a sociedade e seu funcionamento.
Sob tal perspectiva, a sociedade deveria ser vista como um organismo vivo, um corpo social, em
que são percebidos fenômenos normais e outros patológicos (como se fossem uma doença) que
poderiam prejudicar a vida coletiva. Daí vem o nome da Sociologia Durkheiminiana conhecida
como Sociologia Funcionalista. Para que a sociedade “funcione” corretamente, é necessário que
todas as suas instituições, as normas sociais e integração entre os indivíduos também estejam
funcionando; caso contrário, a sociedade estrará em estado de anomia, �cará “doente”
(Durkheim, 2007).
Para conseguir realizar tais análises, o pesquisador deve adotar uma postura neutra, imparcial e
objetiva dos fenômenos sociais, sem se perder em questões vindas da subjetividade. Assim,
Durkheim desenvolve seu objeto de estudo: os fatos sociais. Era necessário identi�car algo que
pudesse ser visto com regularidade na sociedade, a partir de suas características exteriores e
pensando na sua in�uência no comportamento social. Os fatos sociais são, portanto, coisas. “A
coisa se opõe à ideia, como o que se conhece exteriormente ao que se conhece interiormente. É
coisa todo objeto de conhecimento que não é naturalmente compenetrável à inteligência”
(Durkheim, 1998 apud Aranha; Martins, 2003, p. 210).
 Sendo assim, o fato social é qualquer fenômeno presente na sociedade que pode ser observado
como um objeto, uma coisa. São “maneiras de agir, de pensar e de sentir, exteriores ao indivíduo,
e que são dotados de um poder de coerção em virtude do qual esses fatos se impõem a ele”
(Durkheim, 2007, p. 3-4). E o que isso quer dizer? Que os seres humanos, inseridos em uma
sociedade ou em um grupo social, não agem, pensam ou sentem de maneira autônoma. Existe
uma força maior, vinda da sociedade, que o faz pensar em conjunção com os demais. Os fatos
sociais têm três características: sãogerais, exteriores e coercitivos. Vamos ver a explicação de
cada uma dessas características no Quadro 2:
FATO SOCIAL
Geral Externo Coercitivo
Independe da manifestação
individual, comum a todos os
membros de um grupo.
 
Independe da vontade e
existência do indivíduo. Antes
de seu nascimento, o fato
social já existia e, mesmo
após sua morte, continuará
existindo.
Exercem pressão social sobre
os indivíduos. Essa pressão
pode ser espontânea, moral
ou legal, e sua existência é
prova da existência do fato
social.
Quadro 2 | Características do fato social. Fonte: elaborado pela autora.
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Vamos Exercitar?
Agora é hora de retomarmos nossos questionamentos iniciais. Compreendemos o que é teoria,
as bases do Positivismo e do Funcionalismo como perspectivas que nos auxiliam a interpretar os
fenômenos que nos cercam.  Vamos elaborar um quadro resumo com a de�nição de teoria e
com as principais características de cada uma das vertentes teóricas e seu principal
representante.
Figura 1 | Resumo das vertentes teóricas. Fonte: elaborado pela autora.
Saiba mais
1. Você sabia que o lema da nossa bandeira, “Ordem e Progresso”, é de origem positivista e
deriva de uma frase de Auguste Comte? O Positivismo não é apenas uma teoria fundada
em meados do século XIX e que não tem mais aplicação em nossos dias atuais. Muitas
pesquisas de cunho quantitativa tomam como base a teoria positivista. Ela também tem
in�uência na formação e estruturação da nossa educação nacional. Para saber mais sobre
o assunto, leia o artigo indicado a seguir.
OLIVEIRA, Claudemir Gonçalves de. A matriz positivista na educação brasileira: uma análise
das portas de entrada no período republicano. Diálogos Acadêmicos, s/l., v.1, n.1, out./jan.
2010.
2. As teorias sociológicas nos auxiliam a olhar para muitas questões que nos cercam em
nosso cotidiano e nós, na maioria das vezes, não re�etimos sobre elas. Elas in�uenciam
também outras teorias e outros autores. O conceito de “fato social” de Émile Durkheim, por
https://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170627110812.pdf
https://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170627110812.pdf
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
exemplo, tem in�uência em alguns ramos da Antropologia, os quais também servem para
pensarmos nossa vida em sociedade. Assim, leia o artigo a seguir para se aprofundar sobre
o conceito de fatos sociais e como eles estão presentes no nosso cotidiano.
OLIVEIRA, Bárbara Magalhães Aguiar de. A corrupção como fato social: reciprocidade e
trocas. Revista três pontos, Belo Horizonte, v.8, n. 1, mar. 2011.
 
 
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à
�loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
DEMO, Pedro. Pesquisa: princípio cientí�co e educativo. 3ª ed. São Paulo: Cortez: Autores
Associados, 1992.
DURKHEIM, Émile. As Regras do Método Sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
GALLO, Silvio. Filoso�a: experiência do pensamento. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2016.
GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.
KOCHE, José Carlos. Fundamentos da Metodologia Cientí�ca: teoria da ciência e iniciação
cientí�ca. Petrópolis: Vozes, 2011.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 26ª ed.
Petrópolis: Vozes, 2007.
MOISÉS, Pedro Callari Trivino. Émile Durkheim. In: Enciclopédia de Antropologia. São Paulo:
Universidade de São Paulo, Departamento de Antropologia, 2022. Disponível em:
https://ea.�ch.usp.br/autor/emile-durkheim. Acesso em: 26 dez. 2023.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho cientí�co. São Paulo: Cortez, 2013.
TRENTINI, Mercedes. Relação entre teoria, pesquisa e prática. Revista da Escola de Enfermagem
da USP, São Paulo, n. 21, v. 2, p. 135-143, ago. 1987.
Aula 4
Perspectivas Teóricas nas Ciências Humanas
https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistatrespontos/article/view/3150/1939
https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistatrespontos/article/view/3150/1939
https://ea.fflch.usp.br/autor/emile-durkheim
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Perspectivas teóricas nas ciências humanas
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Já compreendemos a consolidação do conhecimento cientí�co como uma nova forma para
explicar a organização da sociedade ocidental após as Revoluções Burguesas. É hora de
olharmos para diferentes perspectivas teóricas de análise da sociedade que emergiram nesse
período e que ainda são utilizadas para interpretarmos a realidade em que estamos inseridos e
para pensarmos o desenvolvimento de pesquisas cientí�cas. A compreensão das bases teóricas
é fundamental; veremos que nenhuma pesquisa pode ser desenvolvida sem uma boa
fundamentação teórica.
Nesse sentido, vamos re�etir sobre a seguinte situação: como tarefa para a conclusão de uma
disciplina, a aluna Luana precisa realizar uma pesquisa de campo. Ela escolheu observar as
crianças do seu bairro que utilizam a quadra poliesportiva no período da tarde e perceber como
elas se relacionam no desenvolvimento das atividades. Luana está em dúvida sobre qual
perspectiva teórica deve utilizar para desenvolver sua pesquisa, o Estruturalismo ou o
Materialismo Histórico-Dialético. Diante dessa dúvida, ela retoma suas anotações com os
principais pontos de cada teoria para poder entender qual delas a ajudará desenvolver de
maneira mais e�ciente a pesquisa.
No decorrer desta aula, nossa tarefa é observar os pontos principais de cada uma dessas teorias
a �m de conseguir compreender a maneira como cada uma delas propõe a análise da sociedade.
Bons estudos!
Vamos Começar!
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
Para conseguirmos compreender a aplicação do Materialismo Histórico-Dialético e do
Estruturalismo no desenvolvimento de pesquisas e na análise dos fenômenos, precisamos
recordar alguns pontos que dizem respeito à consolidação das ciências humanas. A
transformação da sociedade é uma questão que ainda atinge muitos teóricos; isso é algo que é
constante em nossa sociedade, pois vivemos em um processo dinâmico, que se encontra
constantemente em movimento, em transformação. Foi assim também que ocorreu no processo
de transição para a Idade Moderna e posteriormente para a Contemporânea.
Muitas teorias foram desenvolvidas com o intuito de explicar as questões sociais, culturais,
relações de poder, relações econômicas e políticas que vinham se rearranjando e que atingem
diretamente a vida em sociedade. Num primeiro momento, as ciências humanas e sociais se
valeram dos mesmos métodos e técnicas utilizados nas ciências naturais para a investigação
das questões anteriormente descritas. Podemos destacar o Positivismo de Auguste Comte e o
Funcionalismo de Émile Durkheim, que buscaram responder a diversos questionamentos e
resolver os problemas sociais iminentes.
Nesse sentido, podemos admitir que
os objetivos da teoria consistem em descrever, explicar, predizer e controlar fenômenos. Uma
teoria descreve um fenômeno, quando ela diz em que consiste o fenômeno. Quando uma teoria
delineia o “porquê” da ocorrência do fenômeno e porque ocorre com certa regularidade, esta
teoria explica o fenômeno. A função preditiva de uma teoria é a potencialidade que a teoria tem
de prever as condições sob as quais o fenômeno ocorre (Trentini, 1987, p. 138). 
Dessa forma, no campo das ciências da natureza o critério da cienti�cidade é atendido a partir de
dois pontos: a dedução racional e a veri�cação experimental. Isso quer dizer que o conhecimento
cientí�co é comprovado quando é passível de repetição ou há a previsibilidade do seu
acontecimento em determinadas condições. Esses pressupostos começarama ser
questionados por muitos teóricos na contemporaneidade, pois, como seria possível adotar tais
critérios pautados em tamanha objetividade para pensar os fenômenos sociais? (Minayo, 2007).
A partir de tais questionamentos é que surgem outras perspectivas teóricas, outras formas de
análise e interpretação da sociedade e de todos os fenômenos e questões que a ela são
intrínsecos. Precisamos compreender que “cada modalidade de conhecimento pressupõe um
tipo de relação entre sujeito e objeto e, dependentemente dessa relação, temos conclusões
diferentes (Severino, 2013, p. 94). Portanto, precisamos compreender que não existe uma teoria
melhor do que a outra. Assim como não existe um conhecimento melhor do que o outro. Existem
perspectivas diferentes, olhares diferentes e que são mais adequados a depender do contexto
em que se encontram. Tendo isso em mente, vamos conhecer o Materialismo Histórico-Dialético
e o Estruturalismo.
Siga em Frente...
Materialismo Histórico-Dialético
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
As Revoluções Burguesas in�uenciaram fortemente o desenvolvimento de teorias que buscaram
desvendar e descrever as questões sociais. Não foi diferente com o Materialismo Histórico-
Dialético. Karl Marx (1818-1883), criador da teoria que vamos conhecer, foi historiador, �lósofo,
sociólogo e economista alemão de grande relevância para a compreensão das questões sociais.
É importante ressaltar que não vamos entrar na alternativa proposta por Marx ao sistema
capitalista, o sistema socialista. Esse não é o nosso foco e levaríamos um tempo para
compreender e desmisti�car os pré-conceitos que existem acerca do assunto. Entretanto, é
relevante a compreensão de que toda pesquisa pautada no método marxista, invariavelmente,
apresenta uma crítica ao sistema capitalista e aos seus desdobramentos.
O avanço do sistema industrial, a intensi�cação dos con�itos trabalhistas e consequentemente o
aprofundamento das diferenças entre as classes sociais são questões que levaram Marx a olhar
de uma maneira crítica para o sistema capitalista. Para ele, a divisão do trabalho seria a origem
das classes e das desigualdades sociais. As classes sociais, no olhar marxista, são duas: a
burguesia (classe dominante e detentora dos meios de produção) e o proletariado (classe
dominada e que precisa vender a sua força de trabalho para garantir a sua subsistência). Os
interesses dessas duas classes não são passíveis de conciliação; assim, a luta, a disputa entre
essas classes sociais é inevitável. O motor da história, o que faz a história se movimentar e a
sociedade se modi�car, é a luta entre essas classes sociais (Marx, 2004).
As classes sociais e o con�ito decorrente delas não tiveram sua origem na modernidade com a
ascensão e consolidação do capitalismo; essas diferenças sempre existiram nas diferentes
formas de organizações sociais. O que a sociedade capitalista fez foi simpli�car e aprofundar o
antagonismo entre essas classes.
Nas primeiras épocas históricas, veri�camos, quase por toda parte, uma completa divisão da
sociedade em classes distintas, uma escala graduada de condições sociais. Na Roma antiga
encontramos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média, senhores, vassalos,
mestres, companheiros, servos; e, em cada uma destas classes, gradações especiais. A
sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os
antagonismos de classe. Não fez senão substituir novas classes, novas condições de opressão,
novas formas de luta às que existiram no passado (Marx; Engels, 1980, p. 8-9).
A compreensão desse aspecto é fundamental para entendermos a construção do Materialismo
Histórico-Dialético. Logo, as mudanças históricas que resultam dos con�itos entre as classes
sociais e os fenômenos sociais são resultados da ação dos seres humanos em contextos
históricos e sociais especí�cos. Essas questões estão interligadas e se in�uenciam mutuamente,
criando o movimento e a transformação da história e das sociedades. Olhando para essas
questões Marx vai discutir a sociedade a partir das condições materiais de existência.
E o que são as condições materiais de existência? É tudo aquilo que os seres humanos
produzem para a sua sobrevivência; elas dizem respeito à interação dos seres humanos na
natureza e dos meios de que dispõem para suprir suas necessidades. Portanto, o trabalho e as
relações que se dão a partir dele são elementos fundamentais nesse contexto. A classe social a
qual cada indivíduo pertence é marcada pela posição por ele ocupada no processo produtivo. É
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
por meio do trabalho que os seres humanos transformam a natureza e (re)produzem a sua
existência. Dessa maneira, a sociedade é entendida como um todo integrado (Marx, 2004).
No tocante à Dialética, Marx tem in�uência do �lósofo Georg Wilhelm Hegel (1770-1831). A
dialética hegeliana defendia que os fatos (ideias) continham em si um fenômeno intrínseco, o
que proporcionava seu movimento de antítese (negação) e síntese (nova ideia). Marx critica esse
olhar ao entender que não se parte da ideia para se fazer a história; deve-se partir daquilo que é
material. Para ele, os �lósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras, mas
era necessário transformá-lo (Marx, 2004; Marx, 2011).
A essência deste método consiste na ideia de que as sociedades se transformam à medida que
os seres humanos alteram seu modo de (re)produzir. O estudo da sociedade começa quando se
toma consciência de que o modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da
vida social, política e intelectual em geral. Assim, compreende-se que os modos de produção da
vida material constituem os elementos que condicionam o desenvolvimento de outras esferas
sociais, como a política e intelectual, por exemplo.
A originalidade de Marx foi relacionar a economia com a ideologia, ou seja, estabelecer conexões
entre modos de produção, dominação e consciência de classe. Marx pretendia compreender os
problemas sociais do século XIX a partir de um novo método, o qual fosse capaz de analisar a
complexidade das relações humanas. O foco da análise está nas relações de produção, que,
segundo o autor, constituem a base das relações humanas e das contradições sociais.
O Estruturalismo
Quando falamos em ciências humanas e sociais não, estamos nos referindo somente à
Sociologia como um campo cientí�co; estamos nos referindo a uma série de outros campos do
conhecimento, como: antropologia, história, direito, psicologia, sociologia, �loso�a, ciência
política, economia, serviço social, comunicação, artes, teologia, etc. A Antropologia, enquanto
ciência, desenvolve estudos e pesquisas nas mais diversas áreas, quais sejam: históricas,
culturais, biológicas, físicas, psicológicas, linguísticas e sociais (Oliveira; Melo; Araújo, 2018).
Partindo da perspectiva de que o objeto de estudo da Antropologia é complexo e multifacetado,
entendemos que não há uma única forma de abordar os fenômenos que lhe são pertinentes.
Dessa forma, existem diferentes perspectivas teóricas na Antropologia para pensar tais
questões, como o Estruturalismo, o evolucionismo ou o funcionalismo. Essa é uma questão
pertinente às diversas áreas do conhecimento; na Psicologia, por exemplo, podemos citar a
psicanálise, a analítica, ou a humanista. No Direito, temos o jusnaturalismo, o positivismo. Vamos
focar no Estruturalismo como uma corrente da Antropologia.
O Estruturalismo é uma abordagem teórica e metodológica que surgiu nas ciências humanas no
início do século XX, especialmente na linguística e na antropologia. Esta corrente de pensamento
buscou analisar e interpretar características culturais e sociais de diferentes povos, enfatizando a
importância das estruturas básicas que moldam e sustentam essas características. Ela se
propôs a pensar o indivíduo como um ser que produz cultura, ritos e manifestações diversas. O
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
pensamento estruturalista se desenvolveu de forma paralela ao funcionalista, e ambas asteorias
concordaram ao desenvolver uma visão sincrônica e globalizante do fenômeno cultural (Marconi;
Presotto, 2022; Oliveira; Melo; Araújo, 2018).
O principal representante do Estruturalismo foi Claude Lévi-Strauss (1908-2009), o qual estudou
amplamente os mitos em diferentes sociedades, buscando encontrar elementos que se repetiam
em todas elas, a �m de encontrar uma estrutura comum. Dessa maneira, o antropólogo procurou
entender as particularidades de cada cultura e fazer relação com a universalidade. Lévi- Strauss
elabora alguns modelos a �m de compreender a estrutura. Segundo ele, para merecer o nome de
estrutura, os modelos devem, exclusivamente, satisfazer a quatro condições:
Em primeiro lugar, uma estrutura oferece o caráter de sistema. Ela consiste em elementos tais
que uma modi�cação qualquer de um deles acarreta uma modi�cação em todos os outros. Em
segundo lugar, todo modelo pertence a um grupo de transformações, cada uma das quais
corresponde a um modelo da mesma família, de modo que o conjunto destas transformações
constitui um grupo de modelos. Em terceiro lugar, as propriedades indicadas acima permitem
prever de que modo reagirá o modelo, em caso de modi�cação de um de seus elementos. Enfim,
o modelo deve ser construído de tal modo que seu funcionamento possa explicar todos os fatos
observados (Lévi-Strauss, 1967 apud Marconi; Presotto, 2022, p. 316).
O Estruturalismo busca entender as estruturas implícitas às bases, em vez de se concentrar nas
experiências individuais ou nos elementos componentes de forma isolada. Isso signi�ca que os
estruturalistas buscam identi�car padrões, relações e regularidades que organizam o mundo.
Como exemplo, é possível citar o tabu do incesto, que consiste na proibição de relações sexuais
ou de casamento entre indivíduos que são considerados parentes. Esse é um fundamento da
vida social, visto que as famílias não podem se fechar nelas mesmas, independentemente da
forma como esses grupos interpretam ou organizam o seu conceito de família ou parentesco.
As pesquisas pautadas no Estruturalismo buscam a relação em termos relacionais dos
fenômenos. Dessa forma, a abordagem compreende que o conhecimento do todo leva ao
conhecimento das partes (visão globalizante), utiliza-se de modelos na análise cultural e, a partir
disso, desenvolve uma compreensão ampla dessa realidade (Marconi; Presotto, 2022).
Vamos Exercitar?
Agora que compreendemos o Materialismo Histórico-Dialético e o Estruturalismo, vamos retomar
a nossa situação inicial. A aluna Luana precisa realizar uma pesquisa de campo para a conclusão
de uma das suas disciplinas de graduação. Ela escolheu observar as crianças do seu bairro que
utilizam a quadra poliesportiva no período da tarde e perceber como elas se relacionam no
desenvolvimento das atividades. Qual teoria a auxiliará de maneira mais e�caz para tanto?
A primeira coisa a entender é que não existe uma teoria melhor do que a outra; todas elas
expressam uma visão de mundo, um modo de interpretar, de compreender o objeto em questão
ou o fenômeno estudado. Outra questão importante a ser ressaltada é que, quando um
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
pesquisador adota uma teoria para o desenvolvimento da sua pesquisa, ele está dizendo para o
seu leitor que partilha daquela visão de mundo, que ele enxerga os fatos e fenômenos a partir
daquele olhar. As teorias são lentes que utilizamos para vislumbrar com mais clareza aquilo que
estamos analisando.
A partir disso, Luana precisa compreender as bases tanto do Materialismo Histórico-Dialético
como do Estruturalismo para poder perceber qual das duas teorias a auxiliará a olhar de maneira
mais clara para aquilo que ela pretende apreender ao observar os alunos na quadra poliesportiva.
Ela precisa identi�car também qual das perspectivas condiz com a maneira com que ela
interpreta a realidade.
Saiba mais
1. Karl Marx sem dúvidas é um dos pensadores mais controversos do século XIX. Com ideias
para além do seu tempo, ele revolucionou as concepções políticas, econômicas, sociais e
culturais até então estabelecidas. Mas existem muitos pré-conceitos acerca da obra de
Marx, conceitos difundidos pelo senso comum, apresentados como verdades, mas sem
fundamentação. A publicação online da revista Cult conta com uma série de textos
explicativos da teoria marxista e textos que ligam essa teoria a nossa realidade. Vamos
aprofundar os conhecimentos a respeito desse tema, desmisti�cando os contrassensos
que permeiam a teoria e o autor.
2. Conhecer os pensadores que desenvolveram as teorias é uma ferramenta importante para
compreender o contexto em que eles se desenvolveram e partir de aí perceber os fatores
que in�uenciaram seus escritos. Você sabia que o antropólogo Claude Lévi-Strauss fez
pesquisas no Mato Grosso e na Amazônia e escreveu um dos mais importantes livros de
não �cção do século passado sobre o seu tempo aqui no nosso país? Para se aprofundar
no assunto, leia a reportagem: “Saiba quem foi Claude Lévi-Strauss”, do G1 Globo.
 
 
 
 
Referências
MARCONI, Marina de Andrade; PRESOTTO, Zélia Maria Neves. Antropologia: uma introdução. 8ª
ed. São Paulo: Atlas, 2022.
MARX, Karl. Grundisse: manuscritos econômicos de 1857-1858: esboço da crítica da econômica
política. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2011.
https://revistacult.uol.com.br/home/tag/karl-marx/
https://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1364819-5603,00-SAIBA+QUEM+FOI+CLAUDE+LEVISTRAUSS.html
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
MARX, Karl. Manuscritos Econômico-Filosó�cos. São Paulo: Boitempo, 2004.
MARX, Karl; Engels, Friedrich. Manifesto Comunista. São Paulo: Nova Stella, 1980.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 26ª ed.
Petrópolis: Vozes, 2007.
OLIVEIRA, Carolina Bessa Ferreira de; MELO, Débora Sin�orio Silva; ARAÚJO, Sandro Alves de.
Fundamentos de Sociologia e Antropologia. Porto Alegre: SAGAH, 2018.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho cientí�co. São Paulo: Cortez, 2013.
TRENTINI, Mercedes. Relação entre teoria, pesquisa e prática. Revista da Escola de Enfermagem
da USP, São Paulo, n. 21, v. 2, p. 135-143, ago. 1987.
Aula 5
Encerramento da Unidade
Videoaula de Encerramento
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Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender
conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Chegada
Olá, estudante!
Para desenvolver a competência desta Unidade, que é “compreender os diversos tipos de
conhecimentos, identi�cando suas particularidades e aplicações no mundo real, evidenciando
suas consequências práticas e implicações nas tomadas de decisão e, a partir dessa re�exão,
Disciplina
PENSAMENTO CIENTÍFICO
conhecer a epistemologia do conhecimento cientí�co e suas perspectivas”, você deverá
primeiramente conhecer os conceitos fundamentais de: senso comum, conhecimento religioso,
conhecimento �losó�co e conhecimento cientí�co.
O senso comum é um tipo de conhecimento que não se preocupa em questionar as verdades
instituídas, aquilo que é apresentado previamente como verdadeiro e é transmitido de geração
para geração. O conhecimento religioso ou teológico é dogmático, ou seja, não é passível de
questionamentos. É proveniente da iluminação divina e aquilo que vem de Deus ou de uma
divindade não deve ser questionado.
O conhecimento �losó�co é aquele que não aceita uma verdade previamente instituída; ele faz
questionamentos e re�exões a respeito dos fatos, daquilo que está em questão. É um
questionamento fundamentando, buscando estabelecer relações entre aquilo que está sendo
analisado e as correntes �losó�cas existentes.
Por sua vez, o conhecimento cientí�co tem sua origem a partir da evolução do modo de
produção capitalista. Era preciso um conhecimento que explicasse como incrementar

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