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Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Unidade 1 A Construção do Conhecimento Cientí�co Aula 1 As Diferentes Formas de Conhecimento As diferentes formas de conhecimento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Partida Olá, estudante! Você já re�etiu sobre o que é o conhecimento? Por que e como sabemos o que sabemos? O que é possível conhecer? De acordo com o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa Michaelis (2023), o conhecimento pode ser de�nido como o ato ou efeito de perceber/compreender por meio da razão e/ou da experimentação. E o que isso quer dizer? Quer dizer que tudo o que conhecemos é produto do nosso processo cognitivo (razão) ou vem daquilo que vivenciamos (experimentação). Assim, entendemos que o ato de conhecer é uma construção que se dá ao longo de nossas vidas. Se o conhecimento é uma construção, ele se dá de diferentes maneiras e podemos identi�car diferentes tipos de construções. Vamos elencar três delas: o senso comum (também chamado de conhecimento empírico/popular/vulgar), o conhecimento religioso e o conhecimento �losó�co. A partir disso, vamos re�etir sobre a seguinte situação: Em uma sala de aula, três Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO estudantes são desa�ados pelo professor de Filoso�a a responderem a três questões, que são recorrentes ao longo da história: 1. De onde viemos? 2. Para onde vamos após a morte? 3. Por que estamos aqui? Cada aluno, a partir da sua visão de mundo, adota uma postura diferente em relação às respostas. Lucas vê o mundo a partir do conhecimento religioso; Saulo interpreta as questões a partir do �losó�co e, por �m, o último, Daniel, por meio do senso comum. E você, como responderia tais questionamentos? Ao decorrer da aula você será capaz não apenas de entender como se dá a construção dos diversos tipos de conhecimentos, mas também de identi�cá-los a partir de suas particularidades. Bons estudos! Vamos Começar! De onde vem o nosso conhecimento? Esse é um questionamento que muitas vezes não nos fazemos, mas é importante para compreendermos as diferentes formas de interpretação dos fenômenos que nos cercam. Segundo Aranha e Martins (2003), ao falar sobre conhecimento, podemos fazer alusão ao ato de conhecer ou a aquilo que é produto do conhecimento. O ato de conhecer é pertinente à relação que se dá entre a consciência (aquele que busca conhecer) e o objeto (aquilo que vai ser conhecido). Por sua vez, o produto do conhecimento é resultado do ato de conhecer, sendo entendido como a soma dos saberes acumulados e recebidos. Esses saberes sofrem in�uências sociais, culturais, econômicas, políticas e históricas na sua constituição. O ser humano é, por natureza, curioso e investigativo; sentimos a necessidade de conhecer. Esse conhecimento é algo dinâmico, ou seja, está em constante movimento e em constante transformação. A partir disso, é possível compreender que o conhecimento vem sendo construído ao longo da história, a partir de diferentes perspectivas, variando e se transformando de acordo com o tempo histórico e com as diferentes regiões do planeta. Isso quer dizer que a interpretação dos fatos e fenômenos que nos cercam também se transformam à medida que a sociedade se transforma. Basta percebermos que muitos valores, regras, visões econômicas, sociais, políticas e culturais vigentes no nosso país na década de 1930, por exemplo, não são os mesmos que nos guiam na atualidade. Para compreendermos melhor, vamos pensar no direito ao voto, que para as mulheres se concretizou apenas em 1932 de maneira facultativa. Nas eleições de 1933, as mulheres puderam votar e ser votadas pela primeira vez, mas foi somente no ano de 1965 que o voto feminino foi equiparado ao voto dos homens, se transformando em um dever social (Tosi, 2023). Atualmente os partidos políticos têm inclusive cotas mínimas que devem ser reservadas para a candidatura de mulheres em cada pleito eleitoral. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Essa re�exão é importante, pois nos ajuda a compreender como as transformações na sociedade in�uenciam a nossa visão de mundo, a nossa interpretação da realidade e a maneira como construímos o nosso conhecimento a respeito das mais diversas questões, sejam elas sociais, culturais, econômicas, políticas, etc. Esse processo, como já vimos, é dinâmico, o que implica dizer que esse conhecimento está em constante transformação. Existem diferentes formas de interpretarmos a realidade que nos cerca, de chegarmos às respostas daquilo que nos inquieta. Desse modo, podemos classi�car o conhecimento em diferentes tipos, a depender do tipo de resposta que damos a um determinado questionamento. Siga em Frente... Senso comum Há quanto tempo os indivíduos usam ervas medicinais no tratamento de doenças? Há muitos séculos. Você provavelmente já ouviu sobre como o chá de boldo ajuda a melhorar a ressaca ou que, para melhorar o sono, chá de camomila é “tiro e queda”. E que o açúcar cristal pode ser utilizado na cicatrização de ferimentos, você sabia? Essas soluções, que parecem simples e naturais, fazem parte da construção dos saberes de determinado grupo; compõem a sua cultura, são transmitidas geração após geração, na maioria das vezes sem questionamento. É o que chamamos de sabedoria popular, conhecimento empírico ou senso comum. Atualmente, há pesquisas cientí�cas que indicam a e�cácia bactericida e cicatrizante do açúcar cristal; outras mostram como o boldo tem efeito sobre a vesícula biliar e aumenta as secreções gástricas; encontram-se, ainda, estudos que revelam as funções calmante, relaxante e ansiolítica presentes nos compostos da camomila. Mas as questões citadas anteriormente são de cunho cientí�co e não fazem parte da construção do senso comum. Na maioria das vezes, as pessoas apenas conhecem os benefícios do uso das plantas, por exemplo, algo que é fundamentado na percepção sensorial e na tradição, limitando-se a informações sobre o seu uso (Köche, 2011). Aranha e Martins (2003, p. 60) de�nem o senso comum como o “conhecimento adquirido por tradição, herdado dos antepassados e ao qual acrescentamos os resultados da experiência vivida na coletividade a que pertencemos”. É, portanto, um conhecimento adquirido por meio de vivências construídas no dia a dia e que se dá pela relação e interação contínua com o meio ambiente e/ou meio social em que estamos inseridos. Assim, é um corpo de ideias e valores por meio das quais interpretamos a realidade e buscamos as respostas para os nossos questionamentos e para as nossas ações. O senso comum é um conhecimento que não requer nenhum tipo de exercício crítico, pois está ligado às vivências pessoais e ao interesse prático; também não envolve nenhum tipo de veri�cação experimental para tomar algo como verdade. Ele é considerado como passivo, ingênuo e dotado de subjetividade, pois contenta-se com explicações super�ciais e imediatas; mistura-se com crenças e preconceitos; muitas vezes é permeado por incoerências e se mostra resistente a mudanças. A revisão e a crítica dos princípios que norteiam o senso comum, Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO segundo Bunge (1969, p. 20), ocorrem apenas quando “evidências espontâneas proporcionam uma correção da interpretação anterior”. Mas, atenção! Mesmo sendo consolidado como convicção, cultura ou tradição, precisamos nos atentar para as características negativas desse conhecimento, como a produção de sentenças, injustiças e opiniões preconceituosas que são produzidas pelo senso comum e ganham espaço na sociedade. Questões ligadas à xenofobia, ao racismo, à misoginia, à homofobia, etc., estão assentadas em crenças infundadas e retrógradas que contribuem para a perpetuação do ódio e da exclusão ao diferente (Gallo,o desenvolvimento das forças produtivas, e isso não era encontrado no senso comum, nem na religião, nem na �loso�a. Assim, a ciência determina seu objeto especí�co de investigação e cria um método con�ável pelo qual estabelece o controle desse conhecimento. Os métodos rigorosos possibilitam estabelecer um conhecimento sistemático, preciso, causal e objetivo que permite a descoberta de relações universais entre os fenômenos, a previsão de acontecimentos e a ação sobre a natureza de maneira mais segura. É preciso se atentar para o fato de que, ao falar em ciência, não é feita referência apenas àquele tipo de ciência cuja imagem muitas vezes nos é passada pelo senso comum; aquela feita em laboratórios, pelas ciências exatas e naturais. As ciências humanas também precisam ser incluídas nesse campo cientí�co, pois também produzem um conhecimento sistematizado e con�ável, pautado em elementos que buscam a verdade para o entendimento dos fatos e fenômenos. Elas se consolidaram a partir da evolução do modo de produção capitalista, a partir da racionalização dos campos social, político, econômico e cultural da vida humana. Em um primeiro momento, as ciências humanas tomaram como base as ciências naturais para o desenvolvimento das suas perspectivas teóricas, entendendo que era possível analisar os fatos e fenômenos sociais com a mesma objetividade e distanciamento com que são analisadas as questões naturais. Com o desenvolvimento das teorias e a transformação da sociedade, surgiram outras teorias que contestaram esse olhar, entendendo que não era possível analisar com tanta objetividade e distanciamento os fenômenos sociais que apresentam características tão subjetivas e particulares, e que muitas vezes não são passíveis de previsibilidade no seu processo de experimentação. Assim, essas questões são fundamentais para que se compreenda a estruturação do pensamento moderno e contemporâneo, para que se compreenda a maneira como a sociedade se estruturou ao longo dos anos e quais foram as in�uências, as visões de mundo que atuaram nessas transformações. Essas questões estão presentes também na nossa atualidade e são importantes para a compreensão e análise de aspectos que permeiam a nossa realidade. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Re�ita A partir disso, re�ita sobre os seguintes questionamentos: A racionalização pela qual o mundo moderno passou e que ainda hoje vivemos de fato é utilizada para a transformação da sociedade a partir de uma perspectiva positiva ou o desenvolvimento da ciência também pode ser usado de uma forma que pode ser considerado destrutivo/prejudicial? Os diferentes tipos de conhecimento (senso comum, conhecimento religioso, conhecimento �losó�co e conhecimento cientí�co) se relacionam de alguma forma ou eles se estruturam e se desenvolvem de maneira independente? É Hora de Praticar! Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. O con�ito entre Israel e Palestina não é algo novo nem recente; ele existe há muito tempo e tem nuances políticas, históricas, sociais, religiosas. Olhando de uma perspectiva histórica, é possível entender que esse con�ito começou na década de 1940, quando o Reino Unido criou um “lar nacional” para os judeus na região da Palestina (entre o rio Jordão e o Mar Mediterrâneo) após a Segunda Guerra Mundial. Tal situação desagradou os muçulmanos e, desde então, nunca houve um acordo de paz. A tensão entre esses dois povos vem se intensi�cando ao longo dos anos e parece estar longe de ser resolvido. Para compreender melhor as questões que estão envolvidas nesse confronto, leia o texto: “O con�ito entre Israel e Palestina”, de Taís Lima Vieira, Paulo da Silva Cardoso e Laura de Almeida Schefer. Após a leitura do artigo, responda aos seguintes questionamentos: De que forma o con�ito entre judeus e muçulmanos pode ser interpretado por meio do conhecimento religioso? De que maneira o conhecimento cientí�co nos auxilia a compreender as questões envolvidas no confronto? Bons estudos! Que tal voltar no conteúdo estudado e retomar os pontos principais que podem ajudá-lo a responder os questionamentos levantados? Este é um momento em que você poderá exercitar o que aprendeu! https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/445/305 Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO As diferentes questões que envolvem o nosso cotidiano podem ser interpretadas por diferentes visões de mundo, a partir de diferentes conhecimentos. Isso serve para inúmeras situações com que nos deparamos. As diferentes formas de conhecer nos auxiliam no nosso cotidiano; em uma conversa informal; no nosso trabalho, no qual precisamos estar informados e atentos; ou quando professamos alguma fé, momento em que seguimos determinada doutrina. Ao interpretar o con�ito entre judeus e muçulmanos pela ótica religiosa, é necessário compreender que os judeus enxergam a região como a Terra Prometida, conforme descrito no Antigo Testamento. Assim, esse povo tem um sentimento de pertença ligado àquela região. Por outro lado, o território também é considerado sagrado pelos muçulmanos, que ocuparam a Palestina (o território foi renomeado pelo Império Romano ainda na Antiguidade) por volta do século VII d. C. e lá permaneceram até a dominação turca no século XIV. Por outro lado, olhando de uma perspectiva social, econômica e política, existem outros fatores que estão ligados a essa disputa territorial, que vem desde a Primeira Guerra Mundial, quando os britânicos assumiram o controle do local. Após a Segunda Guerra Mundial e depois do Holocausto, aumentou a pressão pelo estabelecimento de um Estado judeu. O plano original previa a partilha do território controlado pelos britânicos entre judeus e palestinos. A disputa é por território e soberania. Israel reivindica a soberania sobre Israel inteira, e a�rma, após ocupar Jerusalém Oriental, que a cidade é sua capital “eterna e indivisível”. Os palestinos querem Jerusalém Oriental como sua capital. Existem assentamentos ilegais no território palestino e refugiados palestinos em território israelense. Existem também interesses militares envolvidos nos con�itos. Para se aprofundar no assunto, você pode ouvir o episódio: Israel X Palestina: a história do con�ito, do podcast O Assunto, publicado no dia 13 de outubro de 2023. Vamos olhar para uma linha do tempo pensando na transformação da sociedade da Idade Média para a Idade Moderna e a construção do conhecimento nesse período. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Fonte: elaborada pela autora. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à �loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003. MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007. VIEIRA, Tais Lima; CARDOSO, Paulo da Silva; SCHEFER, Laura de Almeida. O con�ito entre Israel e Palestina. Revista Vianna Sapiens, Juiz de Fora, v. 9, n. 2, p. 334-357, 21 dez. 2018. Disponível em: https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/445/305. Acesso em: 19 out. 2023. , Unidade 2 Ciência e Pesquisa https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/445/305 Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Aula 1 Os Dilemas do Conhecimento na Atualidade Os dilemas do conhecimento na atualidade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Partida Olá, estudante! Há alguns anos, nem se podia imaginar que você conseguiria ter, em um só aparelho,suas músicas preferidas, câmera fotográ�ca, aplicativos que dão acesso a bancos e um telefone com acesso à internet. Graças à tecnologia, isso é possível. Será que você se lembra como era a vida antes do smartphone, do tablete e do Wi-Fi? O progresso da tecnologia sem dúvidas nos trouxe inúmeros avanços, facilidades e melhorias, mas precisamos olhar também pelo lado negativo. O desenvolvimento e a ampliação das mídias sociais, a facilidade de acesso e de compartilhamento de informações também proporcionou a desinformação e a disseminação de fake news (notícias falsas). Para re�etirmos sobre conhecimento, informação e desinformação, vamos pensar na seguinte situação: imagine-se como um pesquisador cientí�co que foi convidado por um jornal de grande circulação para falar dos efeitos nocivos que as fakes news podem causar à sociedade como um todo. O jornal pede que você formule um roteiro com os principais meios para reconhecer a falsidade de uma notícia. Elenque cinco passos a serem seguidos pelos leitores que os auxiliarão nessa tarefa. Bons estudos! Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Vamos Começar! Você já deve ter ouvido falar em fake news. Elas são notícias fabricadas que propagam mentiras a respeito de um assunto em particular ou sobre uma pessoa, em geral, pública. Elas são extremamente danosas à sociedade e muitas vezes causam danos irreversíveis, como a queda brusca nas taxas de vacinação de uma população. Elas podem afetar também a vida �nanceira das pessoas, a integridade física e até mesmo o exercício da cidadania. As fakes news devem ser combatidas com informações contextualizadas e conhecimento de qualidade; nós sabemos que o conhecimento cientí�co pode ser muito útil nessa tarefa. Para isso, precisamos começar compreendendo a diferença entre informação e conhecimento. Informação versus conhecimento Você já deve ter notado que muitas vezes tratamos dados como sinônimo de informação e informação como sinônimo de conhecimento, mas essas são associações equivocadas. Na atualidade, temos acesso a um grande volume de informação apenas com um clique, na maioria das vezes nas telas dos nossos smartfones. Antigamente, reis e rainhas eram privilegiados por possuírem uma, duas ou três centenas de livros. Ou, se olharmos para a Idade Média, o conhecimento em grande parte �cava restrito àqueles que faziam parte do clero (Aranha; Martins, 2003). Hoje em dia, qualquer pessoa pode ter facilmente essa quantidade de livros, principalmente em formatos digitais. Com tanta informação disponível, é comum nós assimilarmos inteligência com quantidade de informação, mas essa conexão pode ser bastante enganosa. Tratar a informação e o conhecimento como sinônimos é uma crença bastante comum nos nossos tempos. Nós lidamos com dados, informações e conhecimento diariamente; todavia, muitas vezes os tomamos como sinônimos, quando cabe saber diferenciá-los. Essas questões são importantes para pensarmos posteriormente no desenvolvimento de pesquisas cientí�cas, pois esses três elementos precisam ser trabalhados para a produção de pesquisas coerentes e consistentes, embasadas de fato no conhecimento cientí�co. Dados podem ser de�nidos como a matéria-prima da informação; eles representam signi�cados que, isoladamente, não transmitem nenhuma mensagem ou conhecimento. Eles são as unidades a partir das quais as informações poderão ser elaboradas (Semidão, 2014). Em uma pesquisa de opinião sobre a qualidade de um produto, por exemplo, a coleta da opinião de cada pessoa só poderá produzir alguma informação signi�cativa sobre a satisfação com o produto depois de ser tratada e agregada às demais. Os dados isolados não querem dizer nada, não transmitem informação nenhuma. As informações, por sua vez, são os dados tratados. A informação é resultado do processamento dos dados coletados que interessam ao pesquisador. Ela é o dado inserido em um contexto, dotado de relevância e propósito (Semidão, 2014). Como ela possui signi�cado, auxilia o processo de tomadas de decisão. No exemplo anterior, a informação expressaria os níveis de satisfação das pessoas entrevistadas com o produto, revelando se a imagem que elas possuem Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO é positiva ou negativa. Frequentemente, utilizam-se ferramentas estatísticas como indicadores para tratar os dados e obter alguma informação que antes não poderia ser vista. O conhecimento está além da informação, porque tem tanto signi�cado como aplicação. O conhecimento envolve nossa faculdade de abstração, a qual é capaz de produzir novas ideias a partir das informações que temos em dado momento. O conhecimento exige que um sujeito seja capaz de processar as informações, identi�cando o que é importante nelas e as direcionando para algum �m. Nesse sentido, a informação é como se fosse a matéria-prima do conhecimento. O quadro a seguir sintetiza essas de�nições para que possamos compreender melhor: DADOS INFORMAÇÃO CONHECIMENTO São elementos brutos, decorrentes de observações ou coletas direcionadas. Conjunto de fatos objetivos sobre eventos. A menor partícula que compõe a informação. Conjunto de dados presentes em um contexto e carregado de signi�cados. Conjunto de dados que reduza a incerteza ou que permita que se chegue ao conhecimento de algo. Uma das partículas que compõe o conhecimento. Decorre da interpretação e compreensão dos dados e das informações. Inclui re�exão, síntese e contexto. Quadro 1 | Diferença entre dados, informação e conhecimento. Fonte: elaborado pela autora. Siga em Frente... As fake news e o dano real à sociedade Nos dias de hoje, o termo fake news tem sido adotado como referência às notícias que divulgam informações falsas ou manipuladas e que têm dominado as mídias digitais em escala global. A ciência, embora preserve sua integridade pelo rigor na aplicação do método cientí�co, não está imune de seus efeitos. As fake news também podem se perpetuar utilizando de bases supostamente cientí�cas a �m de convencer o maior número de pessoas. Sua atuação pode ser vista tanto em reportagens sensacionalistas sobre assuntos cientí�cos na mídia em geral, que podem ser mal-intencionadas, quanto por notícias falsas deliberadamente fabricadas. As fake news podem provocar sequelas permanentes em pessoas e afetar um país inteiro, por exemplo, quando divulgam supostos efeitos negativos das vacinas. Esse assunto ganhou relevância com a pandemia da covid-19, quando notícias totalmente falsas e sem comprovação cientí�ca começaram a circular nas redes sociais e nos aplicativos de trocas de mensagens, desinformando a população. Algumas podem ser destacadas, como: “a vacina contra a covid-19 Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO vai modi�car o DNA dos seres humanos”, “a vacina contra a covid-19 tem chip líquido e inteligência arti�cial para controle populacional”, “imunizantes contra covid-19 estão relacionados à transmissão de HIV” “ou vacinas contra covid-19 criam campo magnético no corpo de quem é imunizado” (Lorenzetti; Verdum, 2021). Todas essas notícias foram desmentidas, você pode encontrar os fatos checados no site da Agência Da Hora (Lorenzetti; Verdum, 2021). Quando lemos tais a�rmações, elas soam como absurdas, mas muitas pessoas acreditaram nessas e em outras mentiras, o que fez com que elas deixassem de se vacinar contra a covid-19. Não somente isso, essa onda de desinformação levou também a uma queda expressiva na vacinação infantil do país. O Brasil, que já foi exemplo mundial de vacinação devido ao Sistema Único de Saúde (SUS), chegou no ano de 2022 ao menor índice de vacinação infantil dos últimos 30 anos. A queda generalizada se deu em vacinas contra a hepatite B, o tétano, a difteria, o sarampo, caxumba, rubéola e contra a paralisia infantil (Westin, 2022). No ano de 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) o certi�cado de território livre do sarampo. Entretanto, entre 2018 e 2021, os casos voltaram a ser registrados (cerca de 40 mil), com 40 mortes. Em 2019 o Brasil perdeu o certi�cado que havia recebidotrês anos antes. O sarampo é uma doença grave, não se trata apenas de pequenas manchas vermelhas que aparecem na pele; ele pode retardar o crescimento e reduzir a capacidade mental. Outro problema é a falta de investimento governamental para conscientização da população sobre a importância de se vacinar e de levar as crianças. De 2017 a 2021, o governo federal reduziu de R$ 97 milhões para R$ 33 milhões o valor investido na publicidade da vacinação (Westin, 2022). A melhor forma de combater as fake news é pela informação, mas não basta a�rmar a autoridade cientí�ca, é preciso contribuir no sentido de fazer as pessoas entenderem o porquê tais a�rmações são falsas. É necessário levar o conhecimento básico cientí�co até elas; além disso, é preciso incentivar o pensamento cientí�co para que se desenvolva o pensamento crítico. Para isso, é preciso levar a ciência às pessoas de uma maneira acessível, de uma maneira que seja compreensível a todas as camadas da população. A ciência acessível permite que as pessoas conheçam as características dela e, então, percebam o porquê de ser um conhecimento con�ável. Uma das características do conhecimento cientí�co é a falibilidade. Isso signi�ca que todo discurso cientí�co é passível de correção; evita-se, assim, qualquer tipo de dogmatismo, como a estagnação de uma hipótese cientí�ca e o culto à autoridade. A falibilidade permite que a ciência progrida com novos dados e evidências, fazendo também com que as teorias sejam cada vez mais (re)ajustadas à realidade. Com isso, produz-se um conhecimento diferenciado em comparação com os outros, mais profundo e verdadeiro. A ciência também mantém um aspecto de questionabilidade ou ceticismo, que signi�ca dúvida metodológica. Ela consiste na adoção do ceticismo cientí�co, que é o princípio segundo o qual todas as hipóteses e teorias devem ser questionadas de forma metódica, responsável e cienti�camente orientada. Isso signi�ca que a ciência não adota um tipo de ceticismo conhecido como radical, o qual advoga por um questionamento absoluto, irresponsável, descontrolado de https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO tudo; este tipo de ceticismo é dogmático. A questionabilidade promovida na ciência é a que submete alegações e hipóteses razoáveis à crítica de outros cientistas, promovendo um diálogo construtivo, sadio e útil para o desenvolvimento da ciência (Corrêa; David, 2020). O ceticismo cientí�co não deve ser confundido com o negacionismo da ciência, o qual é a posição que defende a rejeição completa ou parcial do conhecimento cientí�co. O negacionismo da ciência está atrelado a posições ideológicas de seus praticantes, entrando em cena quando a ciência revela um fato em relação ao qual a pessoa está em desacordo por alguma razão política, religiosa ou cultural. Alguns exemplos de negacionismo da ciência incluem a negação de efetividade das vacinas, a rejeição da circunferência da Terra ou a depreciação das consequências das mudanças climáticas, por exemplo (Corrêa; David, 2020). Outra característica a ser destacada é a acumulabilidade do conhecimento cientí�co, que é o que justi�ca seu aspecto de progresso, justamente porque exemplos de experimentos malsucedidos são considerados, não apenas para re�etir sobre os desa�os metodológicos e epistemológicos da ciência, mas também para aumentar o rigor necessário para a realização das pesquisas. Por �m, a veri�cabilidade da ciência também é importante de ser destacada, que é a ideia segundo a qual um enunciado, uma hipótese ou uma teoria deve ser passível de ser colocada à prova, ser veri�cada. É possível combater as fake news? As características citadas anteriormente são importantes para que se possa pensar a con�abilidade do conhecimento e consequentemente combater as fake news que, em muitos momentos, têm o intuito de colocar em xeque as produções e os postulados cientí�cos. Há alguns passos básicos para identi�car se uma notícia é falsa. O primeiro deles é veri�car a fonte da informação, o site em que está sendo divulgado e o autor do conteúdo. Todavia, muitos sites possuem nomes semelhantes a sites con�áveis, sendo necessário estar atento à autenticidade daquele endereço. O segundo passo é veri�car a estrutura do texto, pois as fake news frequentemente apresentam erros de português; eles mostram que o texto não foi revisado. Também apresentam um teor sensacionalista e muitas a�rmações com explicações rasas e simplórias dos assuntos. O terceiro passo é veri�car a data de publicação. Muitas vezes notícias antigas são divulgadas como sendo novas. Além disso, é necessário ir além do título e do subtítulo. Frequentemente, o conteúdo contradiz o que se está dizendo no título. O quarto passo é checar as a�rmações feitas em outros sites, utilizando mecanismos de pesquisa como Google, por exemplo. No entanto, lembre-se: nem sempre as primeiras respostas que aparecem nos mecanismos de busca são de fato con�áveis; então, é preciso ir além delas. Também é importante acessar artigos e revistas cientí�cas de referência para uma determinada área, pois eles divulgam informações especializadas sobre o assunto em questão. Há ainda diversos blogs e sites que se preocupam em desmentir as notícias falsas que estão circulando na web, além de agências de checagem que fazem esse trabalho de monitoramento e correção. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Por �m, cabe frisar que, em se tratando de assuntos complexos, não existem respostas absolutas. É prudente sempre adotar uma postura questionadora, compatível com o pensamento cientí�co, a �m de evitar consumir conteúdos de pessoas que se apresentam como “donos da verdade” e que pregam conspirações ou pseudociências. Além disso, o não compartilhamento dessas notícias, mesmo que para criticá-las, é importante, porque o compartilhamento em si traz engajamento ao conteúdo e, com frequência, ajuda a disseminá-las. Vamos Exercitar? Você se lembra da nossa situação inicial? Agora que já compreendemos a diferença entre informação e conhecimento, e o papel das mídias sociais na atualidade e como elas podem impulsionar a disseminação de fake news, é hora de elaborar um roteiro para o jornal que o contratou, com alguns passos que ajudem a reconhecer a falsidade de uma notícia: Ir além do título. Muitas vezes os títulos contradizem ou distorcem o conteúdo publicado. Veri�car a fonte da informação. Existem sites con�áveis em que a notícia foi publicada? Veri�car a gramática e estrutura lógica do texto. As notícias falsas frequentemente apresentam erros de português ou mesmo contradições. Veri�car a data da publicação. Muitas vezes notícias antigas são republicadas a �m de modi�carem alguma circunstância atual. É comum o uso delas durante as eleições. Veri�car as informações por meio de pesquisas sobre o tema e em sites que fazem sistematicamente a veri�cação de notícias falsas, como agências de checagem de fatos. Saiba mais 1. Com tamanha quantidade de informação e desinformação disponível no nosso cotidiano, você já se questionou de que maneira a ciência é afetada por essas questões? É certo que, se as ciências são meios de produção de verdade no mundo, seu objetivo não é produzir verdades indiscutíveis, mas conhecimentos de procedimentos certi�cados pelas instituições, com certeza, e�cácia e objetividade. É fato também que existe uma crise em torno da ciência moderna: suas produções são negadas constantemente por informações que visam relativizar e enfraquecer as evidências cientí�cas. Preocupados com isso, pesquisadores começaram a utilizar as redes sociais para levar a ciência de uma maneira descomplicada às pessoas. Leia o texto a seguir para se aprofundar no assunto: “Em reação a negacionismo, pesquisadores levam ‘ciência descomplicada’ às redes sociais”, no site da BBC Brasil. 2. Nós já compreendemos a importância da realização de pesquisas para a construção do conhecimento e para a veri�cação das fontes utilizadas. A produçãodo conhecimento deve ser sempre subsidiada por pesquisas e veri�cações sistemáticas. Devemos proceder da https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745 https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745 https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745 https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745 Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO mesma forma com as informações que recebemos no nosso cotidiano. Em 2022, o Brasil passou talvez pelo processo eleitoral presidencial mais disputado tanto no tocante aos presidenciáveis quanto às narrativas utilizadas. Para analistas e formuladores de políticas públicas, uma das maiores preocupações em relação às campanhas eleitorais foi relacionada à elaboração de estratégias para combater as fake news nas eleições. Dentre as muitas mentiras divulgadas em torno das eleições, uma delas girou e ainda gira em torno do uso das urnas eletrônicas. O seu uso foi adotado a partir do ano de 1996 e baixou a taxa dos votos inválidos que chegava a 40% para cerca de 7%. É importante frisar também que até hoje não se identi�cou caso de fraude com o uso das urnas eletrônicas. Para se aprofundar nesse tema, ouça o episódio “Urna eletrônica: uma história de inclusão” do podcast “O Assunto”, publicado em agosto de 2022. Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à �loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003. CORRÊA, Mônica Ferreira; DAVID, Mariano Gazineu. As diversas faces da dúvida – ceticismo, negacionismo e con�ança nas ciências. Em Construção: arquivos de epistemologia histórica e estudos de ciência, [S.l.], n. 8, 2020. Disponível em: https://www.e- publicacoes.uerj.br/emconstrucao/article/view/54268. Acesso em: 22 out. 2023. LORENZETTI, Caroline Schneider; VERDUM, Kelvin. Top 5 Fake News mais absurdas sobre a vacina. Agência Da Hora, 2021. Edição: Luciana Carvalho. Disponível em: https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais- absurdas-sobre-a-vacina. Acesso em: 22 out. 2023. MONTEIRO, Danielle. Conheça 6 ‘fake news’ sobre as vacinas contra a Covid-19. Informe ENSP, 22 abr. 2021. 2p. POPPER, Karl. Lógica da pesquisa cientí�ca. São Paulo: Cultrix, 1975. SEMIDÃO, Rafael Aparecido Moron. Dados, informação e conhecimento enquanto elementos de compreensão do universo conceitual da ciência da informação: contribuições teóricas. 2014. 198 f. Dissertação (Mestrado) – Curso de Ciência da Informação, Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Marília, 2014. Disponível em: https://www.marilia.unesp.br/Home/Pos- Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/semidao_ram_me_mar.pdf. Acesso em: 22 out. 2023. https://www.e-publicacoes.uerj.br/emconstrucao/article/view/54268 https://www.e-publicacoes.uerj.br/emconstrucao/article/view/54268 https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina https://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/semidao_ram_me_mar.pdf https://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/semidao_ram_me_mar.pdf Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO WESTIN, Ricardo. Vacinação infantil despenca no país e epidemias graves ameaçam voltar. Agência Senado, Brasília, 2022. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/05/vacinacao-infantil-despenca-no- pais-e-epidemias-graves-ameacam-voltar. Acesso em: 22 out. 2023. Aula 2 Pesquisa e Conhecimento Pesquisa e conhecimento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Partida Olá, estudante! Vamos adentrar no universo da pesquisa mais especi�camente, trabalhando com o conceito de método cientí�co. Compreenderemos como a pesquisa é uma aliada na construção do conhecimento cientí�co e como a leitura crítica e re�exiva é essencial nesse processo. Para isso, precisamos pensar nas formas que utilizamos para nos comunicar, pensando mais especi�camente na linguagem verbal (falada e escrita). De acordo com Aranha e Martins (2003, p. 33), a linguagem é “um sistema de representações aceitas por um grupo social, que possibilita a comunicação entre os integrantes desse mesmo grupo”. Por que essa de�nição é importante para nós? Quando escrevemos uma pesquisa ou um trabalho acadêmico (seja ele de qualquer natureza: uma resenha, um resumo, um artigo ou um https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/05/vacinacao-infantil-despenca-no-pais-e-epidemias-graves-ameacam-voltar https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/05/vacinacao-infantil-despenca-no-pais-e-epidemias-graves-ameacam-voltar Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO TCC), precisamos nos preocupar com o tipo de linguagem que é utilizada para a escrita desse trabalho. Isso não quer dizer que vamos utilizar palavras rebuscadas que deixem o texto difícil de ser entendido. Contudo, também não podemos escrever de uma maneira coloquial, da maneira como falamos no nosso cotidiano, por exemplo. É necessário utilizar a norma culta para a escrita, mas sem “enfeitar” o texto. Pensando nessas questões, vamos re�etir sobre o seguinte: como deve ser uma leitura acadêmica, fundamental para escrever? Como a leitura e a escrita acadêmica estão ligadas e se desenvolvem de maneira conjunta? Vamos nos aprofundar no assunto para que isso seja possível! Bons estudos! Vamos Começar! Ler, pesquisar e escrever são elementos que estão intimamente ligados não somente na vida acadêmica, mas também no desenvolvimento de nossa vida pro�ssional e de nossas relações pessoais. Se não nos atualizamos em relação aos últimos acontecimentos, por exemplo, �ca difícil manter um diálogo com amigos, ou se não nos aprofundamos em assuntos que temos em comum para desenvolver o diálogo. A leitura é forte aliada nesse processo: ela amplia nossa visão de mundo e nosso repertório a respeito dos mais diversos assuntos, e pode também despertar nossa curiosidade para o desenvolvimento de uma pesquisa O que é pesquisa? Conseguimos perceber a ciência em todos os lugares que nos cercam; hoje, ela é um dos elementos mais básicos em todos os aparatos tecnológicos, como no celular, na televisão, no computador, nos dispositivos de GPS, etc. No entanto, todos esses aparatos tecnológicos não surgiram do nada. Essas tecnologias são produtos de investigações cientí�cas mais elementares, que exigem a adoção de um método para avaliar o nível de verdade das hipóteses e das teorias. Esse é o método cientí�co. O conhecimento cientí�co é produzido a partir das mais diversas pesquisas e veri�cado por meio do método cientí�co. O termo “pesquisar” é muito comum atualmente; de certa forma, todos sabemos o que signi�ca. Diante de qualquer tipo de dúvida que tenhamos, podemos, com nossos smartfones, acessar a internet e pesquisar: restaurantes, hotéis, dicas de séries, �lmes, viagens, etc. Obtemos respostas praticamente instantâneas diante das nossas dúvidas. Essa pesquisa é a que fazemos com base no senso comum, sem nenhum rigor cientí�co; pesquisar é buscar mais informações sobre algo, visando estabelecer critérios para melhores escolhas (Minayo, 2007). Por outro lado, do ponto de vista cientí�co, a pesquisa tem um sentido mais amplo e aprofundado: ela é um procedimento organizado, racional e sistemático para construir Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO conhecimentos. Isso signi�ca que é necessário buscar dados e informaçõesa �m de interpretá- los, para que se possa compreender o objeto de estudo e, então, chegar ao conhecimento cientí�co. Assim, parte-se do método cientí�co, composto por etapas que visam chegar a respostas para os problemas e, assim, construir o conhecimento. O método cientí�co deve ser visto como um conjunto de procedimentos teóricos, experimentais e, principalmente, éticos, que têm o objetivo de fornecer a melhor explicação da realidade (Baptista; Campos, 2016). Mesmo o método cientí�co sendo único e universal, deve ser visto como um conjunto de procedimentos amplos que mudam conforme o tempo e se ajustam a cada campo do conhecimento em particular. Existem diversos tipos de pesquisas cientí�cas que norteiam a ciência, cada qual com sua importância e aplicação para o estudo de um problema especí�co. A pluralidade de investigações permite a extração de um conhecimento mais amplo sobre a realidade mediante uso de método cientí�co. Por exemplo: o modo como os biólogos investigam microrganismos não envolve o emprego das mesmas técnicas de investigação utilizadas pelos sociólogos para estudar comportamentos sociais ou crises econômicas. Veja a seguir um esquema que ilustra o método cientí�co: Figura 1 | Exemplo de etapas do método cientí�co. Fonte: elaborada pela autora. A pesquisa e a construção do conhecimento cientí�co A utilização do método cientí�co não deve se restringir a situações controladas em laboratórios, pois a ciência não se reduz a isso. Ela está presente também no nosso dia a dia e nos auxilia na análise e percepção da nossa realidade concreta. A ciência é uma forma de conhecimento que busca explicar os fenômenos por meio da demonstração, da evidência e da prova; por isso, ela difere das demais formas de conhecimento. Para tanto, utiliza o método cientí�co como garantia Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO de que suas conclusões sejam o mais próximo da verdade possível. Isso pode ser aplicado a qualquer área do saber e em muitas situações pro�ssionais (Severino, 2013). Dessa forma, podemos entender que a pesquisa é a forma de construir conhecimentos cientí�cos. Por meio dela e do método cientí�co, busca-se a resposta para diferentes situações observadas na realidade objetiva e que se constituem como um problema. Na tentativa de responder às indagações, de resolver o problema, é que se constrói o conhecimento que, orientado pelo método, se constitui no conhecimento cienti�camente aceito. Siga em Frente... Leitura para quê? Você foi uma criança que gostava de ler, ou achava sempre desinteressante toda vez que um professor pedia para que você �zesse uma leitura mais longa? Você já havia se questionado o quanto a leitura é importante no nosso cotidiano? A leitura não é somente uma decodi�cação de símbolos, ou aquela que fazemos apenas “passando os olhos” pelo texto. Uma leitura aprofundada, crítica, re�exiva, nos leva de fato ao entendimento do texto e à re�exão sobre nossas próprias práticas. Essa leitura é fundamental no ambiente acadêmico e no nosso ambiente pro�ssional, para que sejamos sujeitos ativos nesses contextos. É ela que permite a ampliação do nosso conhecimento e a compreensão da realidade em que estamos inseridos. A leitura, seja ela de qualquer tipo e com qualquer �nalidade (para informação, para entretenimento), traz inúmeros benefícios a quem a pratica. Ela enriquece o vocabulário, pois o leitor pode encontrar palavras que antes não conhecia e precisar buscar seus signi�cados; assim, amplia o conhecimento da língua. Melhora a redação, já que, a partir do momento em que se entra em contato com outras formas de escrita, é possível apreender como articular as palavras de maneira diferente do habitual; consequentemente, ela desperta a inteligência. Aperfeiçoa a cultura, uma vez que permite a ampliação da visão de mundo do leitor e da compreensão de inúmeros aspectos que estejam sendo trabalhados no texto (Chaves, 2012). O ato de estudar deve ser compreendido como a forma pela qual o indivíduo enfrenta o desa�o de compreender a realidade, conhecendo as características dos fenômenos que a compõem. A leitura é o exercício da capacidade de formar nossa própria visão e explicação sobre os problemas que enfrentamos. Para isso, algumas exigências são feitas ao leitor, para que essa atividade seja efetivamente um processo de leitura do mundo; uma delas é o desenvolvimento da capacidade crítica que decorre do estudo (Luckesi, 1998). A leitura não é, portanto, uma atividade passiva. Ao contrário, é uma atividade complexa, que inclusive pode ser constituída por elementos; e quanto melhor dominados, maior proveito o leitor obterá. Precisamos recordar que a sociedade atual, em função da simpli�cação nas maneiras de veicular as informações, tornou muitos conteúdos de tal forma objetivos que nem sempre requerem grandes esforços para serem compreendidos. Outro aspecto também presente é a Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO rapidez com que as informações são transformadas e substituídas. As informações obtidas dessa forma são também meios de compreender a realidade. Entretanto, para que seja possível compreender e se tenha condições de questionar a qualidade e a forma como isso acontece, são necessárias leituras mais profundas, que levem ao entendimento das coisas e por meio de processos nem sempre tão acelerados. Portanto, considerando a importância do estudo para se obter condições de analisar criticamente a realidade e desenvolver conhecimentos aprofundados sobre ela, é preciso a leitura de textos que apresentem um conhecimento aprofundado em relação ao tema em questão. A leitura crítica e re�exiva É comum encontrarmos, no ambiente da Universidade, acadêmicos que não gostam de ler; contudo, esse domínio tem se mostrado cada vez mais indispensável nas nossas vidas. Além disso, ler e interpretar os fatos cotidianos são aspectos relacionados, e aqueles que dominam a leitura conseguem agir com maior autonomia frente aos desa�os do cotidiano. Precisamos, portanto, ser sujeitos ativos diante dos textos com os quais nos deparamos, interagir com o texto, superar a mera memorização e alcançar a compreensão que permite elucidar a realidade. Para ser um sujeito ativo frente ao texto, é necessário desenvolver uma capacidade de analisar crítica e re�exivamente o texto estudado, para que se chegue ao que Marconi e Lakatos (2024) chamam de leitura interpretativa. Segundo os autores, isso é um processo, um aprendizado que não se manifestará nas primeiras leituras; contudo, com o exercício e a persistência, essa capacidade será desenvolvida. Precisamos ter claro que todo começo é difícil; o processo de leitura e escrita acadêmica requerem prática e persistência (Baptista; Campos, 2016). Ler bem é uma condição fundamental para a leitura e para a escrita com qualidade. Essas questões perpassam também a elaboração de pesquisas pois não é possível investigar ou escrever sobre um tema/assunto que não se tem conhecimento. Existem diversos aspectos que estão relacionados ao processo de leitura e escrita. Pensar nas diferentes fases da leitura é uma ferramenta útil para nos tornarmos pro�cientes em diferentes gêneros textuais. Quando pensamos na leitura no âmbito acadêmico, podemos elencar quatro etapas especí�cas: Leitura de reconhecimento e pré-leitura Corresponde ao levantamento das fontes bibliográ�cas que contenham dados ou informações que poderão ser aproveitadas. Leitura seletiva Implica na seleção do material que será utilizado em conformidade com as necessidades do estudo. Ainda não se trata de uma leitura exaustiva e minuciosa, apenas para veri�car se os dados apresentados fornecem informações sobre o assunto que será estudado. Leitura crítica ou re�exiva Etapa que corresponde ao estudo dos textos levando à compreensão da mensagem do Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO autor. Esse estudo passa por fases: visão global do texto e análise das partes para chegar a uma síntese integradora. Leitura interpretativa É a fase em que se decide se o texto estudado tem condições de ser aproveitadoou não para a situação apresentada. A interpretação requer ter uma posição própria a respeito das ideias apresentadas pelo autor, estabelecer um “diálogo” com o autor, ler o que está nas entrelinhas. Quadro 1 | Etapas da leitura acadêmica. Fonte: adaptado de Marconi e Lakatos (2024, p. 22). A leitura é essencial para a realização das pesquisas. Assim como no caso da leitura, fazer pesquisa também é uma questão de treino. É indispensável a leitura de textos cientí�cos para a elaboração de pesquisas. No começo, pode parecer uma tarefa quase impossível, pois geralmente esses textos são escritos em uma linguagem mais objetiva, acompanhados de dados e tabelas complicados de serem entendidos. Parece um clichê, mas é a partir da prática que vamos conseguir driblar esses problemas; com o treino vamos nos aperfeiçoando e chegamos ao entendimento e escrita necessários em um ambiente acadêmico e pro�ssional. (Baptista; Campos, 2016). Assim, buscar transformar o que parece uma obrigação em algo prazeroso é uma importante estratégia para conseguirmos realizar com maior facilidade tanto a leitura quanto a escrita e a pesquisa. “Aproveite a chance de aprender a fazer ciência, mesmo que você não pretenda seguir carreira como pesquisador. [...] Você pode aprender a se apaixonar também por pesquisa” (Baptista; Campos, 2016, p. 12). Vamos Exercitar? É hora de retomarmos a nossa tarefa inicial. Trabalhamos o conceito de pesquisa sob a ótica do senso comum e sob a ótica da ciência, e compreendemos como o método cientí�co nos auxilia na construção do conhecimento cientí�co. Aprendemos a importância da leitura contextualizada para a construção do conhecimento e para a realização de pesquisas. Nós percebemos que essa leitura acadêmica tem algumas características especí�cas, algumas etapas que precisam ser observadas para que ela seja de fato e�caz. Nossa tarefa é identi�car essas etapas: Pré-leitura: fase inicial, em que se identi�ca se existem textos disponíveis sobre o problema de pesquisa. Leitura seletiva: seleção das informações de interesse para a escrita da pesquisa. Leitura crítica ou re�exiva: estudo, re�exão, entendimento do signi�cado do texto. É a fase da leitura preocupada em entender o que o autor defende no texto. Busca-se a compreensão dos termos e conceitos utilizados pelo autor. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Leitura interpretativa: fase em que se procura saber o que o autor realmente a�rma, correlacionar as a�rmações do autor com os problemas para os quais se busca solução. Lembre-se de que a leitura e a escrita são processos interligados, um não acontece sem outro. Assim, nesta unidade, você pôde entender que a leitura acadêmica consequentemente o levará a uma boa escrita. Saiba mais 1. A leitura é essencial para o nosso desenvolvimento; ela amplia nossa visão de mundo sobre o assunto em questão, além de ampliar nosso vocabulário e melhorar nossa capacidade de escrita. Para se aprofundar no assunto, leia o texto: “Estratégias de leitura, análise e interpretação de textos na universidade: da decodi�cação à leitura crítica”, de Urbano Cavalcante Filho. 2. Quando se investiga a realidade, é possível recorrer a diferentes meios, técnicas e estratégias para que se encontrem as respostas esperadas. Embora o método cientí�co tenha de�nido um caminho que permite uma certa semelhança no percurso a ser seguido, cada área do conhecimento tem suas especi�cidades na realização das pesquisas e na construção do conhecimento. Nós precisamos compreender que o método cientí�co não é restrito à aplicação em pesquisas experimentais ou laboratoriais; ele pode e deve ser utilizado para pensarmos e intervirmos na realidade das mais diversas maneiras. Pensando nisso, para perceber como obras literárias de �cção também podem ser utilizadas de maneira prática na nossa realidade e como base para a realização de pesquisas acadêmicas, leia o artigo: “As várias dimensões na trilogia Jogos Vorazes: uma aplicação prática para o ensino médio”, de Maria Luzia Silva Marian e Sandra Aparecida Pires Franco. Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à �loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003. BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016. CHAVES, Marco Antonio. Projeto de pesquisa: guia prático para monogra�a. 5ª ed. Rio de Janeiro: Wak, 2012. http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/144.pdf http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/144.pdf https://www.researchgate.net/publication/301917049_As_Varias_Dimensoes_na_Trilogia_Jogos_Vorazes_Uma_Aplicacao_Pratica_para_o_Ensino_Medio https://www.researchgate.net/publication/301917049_As_Varias_Dimensoes_na_Trilogia_Jogos_Vorazes_Uma_Aplicacao_Pratica_para_o_Ensino_Medio Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO LUCKESI, Cipriano Carlos; et al. Fazer universidade: uma proposta metodológica. 10ª ed. São Paulo: Cortez, 1998. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024. MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho cientí�co. São Paulo: Cortez, 2013. Aula 3 Pesquisas Quantitativas Pesquisas quantitativas Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Partida Olá, estudante! Assim como existem diferentes tipos de conhecimento, existem diferentes tipos de pesquisas que podem ser realizadas. E assim como não colocamos os conhecimentos em uma perspectiva Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO de hierarquia, não o fazemos com as pesquisas. A pesquisa é atividade básica da ciência na sua indagação e construção da realidade. É a pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a atualiza frente à realidade do mundo. Portanto, embora seja uma prática teórica, a pesquisa vincula pensamento e ação. Vamos falar das pesquisas quantitativas, pensar nos seus diferentes tipos e nos procedimentos para a realização dessas pesquisas. Imagine a seguinte situação: sua equipe de trabalho está iniciando um projeto para pesquisar a inserção das mulheres no mercado de trabalho contemporâneo, com o objetivo de mapear sua situação, suas condições de vida e de trabalho na cidade de Campinas (SP). A ideia é mapear a situação atual e poder contribuir com a ampliação de um olhar para as questões de gênero, pensando em possíveis medidas para diminuir as desigualdades existentes no mercado de trabalho. 1. Que tipo de pesquisa poderia ser realizado? 2. De que maneira os dados poderiam ser coletados? 3. Como seria possível selecionar uma amostra representativa dessa população? Bons estudos! Vamos Começar! Quando pensamos na elaboração de uma pesquisa de cunho cientí�co, precisamos tomar como base para essa construção um conhecimento que seja organizado, sistemático, objetivo e que busque relação entre os fenômenos que estão sendo estudados. Este conhecimento é o cientí�co. Assim, a ciência segue o método cientí�co na construção de seus pressupostos e na realização das pesquisas. Da mesma maneira que existe uma diferenciação entre as ciências naturais e as ciências humanas, também ocorrem diferenças signi�cativas na maneira de conduzir as pesquisas cientí�cas, “em decorrência da diversidade de perspectivas epistemológicas que se podem adotar e de enfoquesdiferenciados que se podem assumir no trato com os objetos pesquisados e eventuais aspectos que se queira destacar” (Severino, 2013, p. 103). A pesquisa quantitativa As pesquisas de caráter quantitativo trabalham com métodos voltados para o entendimento objetivo dos fatos, com o universo das representações numéricas, descrevendo e relacionando os fenômenos. As pesquisas pautadas no método quantitativo utilizam os fundamentos da matemática e da estatística para a sua formulação, mas isso não quer dizer que elas não possam ser realizadas no âmbito das ciências humanas e sociais. Basta pensarmos nos pressupostos teóricos e metodológicos da teoria Positivista para compreendermos que a realização de uma pesquisa quantitativa não é exclusiva das ciências exatas e biológicas (Shishito, 2018). Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO A realização de toda pesquisa cientí�ca implica na determinação de um objeto de pesquisa. A partir do objeto de pesquisa, elabora-se a pergunta da pesquisa (o que se pretende saber com aquela pesquisa). Também é necessário coletar os dados de maneira adequada (Baptista; Campos, 2016). Para analisar esse objeto de pesquisa, o pesquisador precisa de um método bem delimitado. Um método de pesquisa tem em si a perspectiva teórica que o de�ne, ou seja, teoria e método revelam a visão de mundo do pesquisador e o orientam sobre o que fazer diante de um problema de pesquisa (Shishito, 2018). Assim, a realização de uma pesquisa tem diferentes camadas e diversos aspectos que precisam ser atendidos para que ela se encaixe no que se espera de uma pesquisa de cunho cientí�co. Portanto, as pesquisas denominadas como quantitativas são as que se fundamentam em padrões que focam o controle cientí�co e a objetividade no desenvolvimento da pesquisa. São desenvolvidas a partir de testes ou procedimentos que permitam a comprovação e a validade dos resultados encontrados (Baptista; Campos, 2016; Shishito, 2018). Uma pesquisa quantitativa pode ser realizada de diferentes maneiras; existem diferentes tipos que podem ser classi�cados como quantitativos: pesquisa de levantamento, correlacional e experimental, dentre outras. Cada tipo de pesquisa conta com sujeitos, instrumentos utilizados para a coleta dos dados e procedimentos para a realização. Todos esses elementos precisam estar bem determinados e relacionados de forma coerente para que o pesquisador consiga executar com êxito a pesquisa, e para que o leitor chegue ao entendimento do caminho trilhado no desenvolvimento e compreenda os resultados (Baptista; Campos, 2016). Siga em Frente... Tipos de pesquisas quantitativas Ao elencarmos diferentes tipos de pesquisa, não pretendemos a�rmar que um é melhor ou mais e�ciente que o outro; apenas listamos alguns exemplos para que seja possível a compreensão de como o pesquisador deve conduzir a pesquisa. Além da perspectiva teórica, que mostra ao leitor como o pesquisador enxerga o mundo, é necessário também compreender qual método melhor se adapta àquilo que está sendo pesquisado e, então, pensar nos sujeitos, instrumentos, coleta de dados etc. Pesquisa de levantamento ou survey A maneira como os dados serão coletados e analisados depende do problema da pesquisa e dos objetivos. De acordo com Baptista e Campos (2016, p. 106), “alguns autores denominam as pesquisas que apresentam esse delineamento como pesquisas descritivas”. Os autores ainda ressaltam que alguns pesquisadores diferenciam o levantamento do survey, considerando que este último é mais criterioso quanto à amostragem. Tomaremos levantamento e survey como sinônimos, assim como Baptista e Campos (2016). Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Mas, a�nal, o que é uma pesquisa de levantamento/survey?! Você se lembra das pesquisas de intenção de voto em período eleitoral? E os censos geográ�cos realizados pelos governos? No ano de 2022, com dois anos de atraso, foi realizado o censo demográ�co do Brasil, o qual indicou que a população brasileira chegou a 2.062.512 habitantes, um aumento de 6,5% em comparação ao censo demográ�co realizado em 2010 (IBGE, 2023). Essas pesquisas são pesquisas de levantamento, que têm seus dados coletados com amostras (no caso das pesquisas eleitorais) ou com a população toda (no caso do censo demográ�co). As pesquisas de levantamento, por meio da interrogação direta de seus participantes, obtêm os dados que vão compor as análises. As pesquisas de levantamento são as que mais atendem a partidos políticos, organizações educacionais, comerciais e instituições públicas e privadas, por identi�carem comportamentos e atitudes. Os dados são informados diretamente pelas próprias pessoas, que respondem a solicitações do pesquisador, e costumam ser obtidos por meio de um instrumento de pesquisa, habitualmente um questionário (Baptista; Campos, 2016, p. 106). Os levantamentos têm o objetivo de descrever, explicar e/ou relacionar os fenômenos que são coletados com a amostra por meio das variáveis. A amostra representa uma parte da população que será estudada, pois, em muitos casos, seria impossível coletar os dados com toda a população, devido ao seu tamanho. A amostragem se deve também à redução de custos e à otimização do tempo para realização da pesquisa. Assim, a amostra deve representar a população que está sendo estudada: a escolha dos participantes não deve ser enviesada; ou seja, o pesquisador não deve interferir nessa escolha (Baptista; Campos, 2016). Após a obtenção dos resultados, é possível admitir que eles podem ser ampliados a toda aquela população em questão, visto que são analisados estatisticamente e é aplicada a eles uma margem de erro. Como exemplo, podemos pensar no período eleitoral, em que são realizadas muitas pesquisas de levantamento para veri�car a intenção de voto dos eleitores em relação aos candidatos. A população diz respeito a todos os eleitores; a amostra é referente às pessoas consultadas; e o método de pesquisa utilizado é o levantamento (Gil, 2002; Baptista; Campos, 2016). As variáveis são as informações que serão coletadas para a pesquisa, por exemplo: idade, gênero, escolaridade, motivação, medir atitudes, quantidade de água durante a chuva, etc. A determinação dos dados que serão coletados, dos sujeitos (quantos serão, faixa etária, escolaridade, gênero, localização geográ�ca) que participarão da pesquisa ou dos fenômenos analisados depende do problema da pesquisa e dos objetivos que se pretende atingir. Por isso, não podemos perder de vista que todos os elementos da pesquisa estão interligados e precisam conversar entre si. Os instrumentos utilizados podem ser questionários (por telefone, pessoalmente, enviados de maneira eletrônica), entrevistas (estruturadas, semiestruturadas, abertas) ou observação. Nas pesquisas quantitativas, os questionários são mais adaptáveis, devido à facilidade de utilizar diferentes perguntas com diferentes possibilidades de respostas para a obtenção das respostas pretendidas, e à facilidade na aplicação e no envio. Por outro lado, é possível que haja uma baixa taxa de retorno quando o pesquisador não está presente no momento da aplicação, quando o Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO prazo para devolução é muito longo ou ainda quando a presença do pesquisador de alguma forma intimide o participante (Shishito, 2018). Por �m, é necessário pensar também nos procedimentos da pesquisa. No caso de pesquisas com seres humanos, é necessária a assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido pelos participantes, ou pelos responsáveis destes, quando forem menores de idade. A amostra e os instrumentos devem estar selecionados; é preciso acordar previamente dia e horário com o local da coleta dos dados; também é essencial fornecer a previsão do tempo que será necessário para a coleta. Ou seja, é necessário pensar no cenário de realização da coleta dos dados para que ela aconteça da maneira mais e�ciente possível. Pesquisa experimental Quando se trata de uma pesquisa experimental, é bastante comum logo pensarmos em um laboratório repleto de tubos deensaio, microscópios, beckers, pepitas, buretas, entre outros instrumentos indispensáveis para a realização de uma pesquisa. O que precisamos compreender é que a pesquisa experimental também pode ser realizada no nosso cotidiano. O objetivo desse tipo de pesquisa é buscar relações de causa e efeito entre os fenômenos que estão sendo analisados por meio da manipulação das variáveis, normalmente quando eles são colocados em condições ideais. Esse tipo de pesquisa parte da condição básica de três situações para a sua realização: manipulação das variáveis, controle delas e randomização dos grupos (Baptista; Campos, 2016). Vamos tratar a seguir da manipulação e do controle das variáveis. Quando falamos de randomização dos grupos, estamos nos referindo ao processo de seleção do participante da pesquisa ou daquilo que está sendo analisado. Assim, todos os sujeitos têm a mesma probabilidade de serem sorteados para formar a amostra que vai participar do experimento ou para compor o grupo controle. Nesse sentido, as pesquisas são conduzidas de maneira que seja possível o pesquisador agir; ou seja, ele manipula a variável e altera as condições em que ela se encontra e observa as consequências dessa ação. Dessa forma, para saber se houve ou não uma mudança, é necessário que se pense em grupos experimentais e grupos controle no desenvolvimento da pesquisa, para que possa haver a comparação entre aqueles que foram expostos à mudança e os que não foram (Mattar; Ramos, 2021). Diante do exposto, percebemos alguns conceitos que precisam ser compreendidos para que seja possível apreender como uma pesquisa experimental é desenvolvida. Precisamos pensar nos conceitos de: grupo controle, grupo experimental, variável dependente e variável independente (experimental). O Quadro 1 a seguir possibilita a visualização mais clara dos conceitos e suas de�nições: Grupo Experimental São os sujeitos que vão participar do experimento/teste. Grupo Controle São os sujeitos que vão servir como base de comparação em relação aos que participam do experimento/teste. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Variável Independente (experimental) É a variável que o pesquisador pode manipular no experimento. Variável Dependente É a variável na qual o pesquisador vai avaliar as mudanças. Quadro 1 | Conceitos referentes à pesquisa experimental. Fonte: elaborado pela autora. Para a condução dar seguimento à pesquisa, é necessário pensar nos sujeitos, nos instrumentos e nos procedimentos. Em relação aos sujeitos, o pesquisador precisa ter clareza em relação ao que ele deseja saber, para então pensar nos critérios de inclusão e de exclusão dos participantes. Normalmente é necessário que seja feito um recorte, de�nindo-se faixa etária, gênero e escolaridade, para que seja possível maior delimitação desses sujeitos. Assim, pode-se chegar a uma amostra mais próxima daquilo que se considera ideal (Baptista; Campos, 2016). Vamos pensar em um exemplo: você está investigando saúde mental e suicídio. Estudos anteriores apontam que os caso de suicídio são maiores entre homens (78%) com idade entre 15 e 29 anos de idade do que entre mulheres (22%). Quais serão os critérios de inclusão na pesquisa? Ser do gênero masculino, ter idade entre 15 e 29 anos, qualquer grau de escolaridade, renda de zero a cinco salários mínimos. Perceba que você está afunilando os critérios para que o participante possa fazer parte da amostra. Isso é importante para os critérios de comparação que serão utilizados no grupo controle e no grupo experimental. Também é necessário haver uma preocupação com os instrumentos que serão utilizados, para que eles realmente meçam/avaliem aquilo que você está se propondo a fazer na pesquisa. A depender do que será feito, podem ser utilizados questionários, entrevistas ou outros tipos de testes. Por �m, os procedimentos da pesquisa precisam ser considerados. De que forma os dados serão coletados, quem fará a coleta, vai ser em grupo ou individualmente, quanto tempo levará a coleta? Todos esses critérios devem ser observados cuidadosamente, para que a amostra seja o mais homogênea possível, garantindo assim a lisura e a con�abilidade da pesquisa (Baptista; Campos, 2016; Mattar; Ramos, 2021). Pesquisa correlacional A pesquisa correlacional é amplamente utilizada na Psicologia e nas Ciência Sociais de uma forma geral, considerando que o objetivo desse tipo de pesquisa é avaliar a relação entre as diferentes variáveis coletadas para o estudo e buscar associações com as teorias. Por exemplo: qual a relação entre a motivação para aprender dos alunos e o ano escolar em que estão matriculados? Existe a relação entre o abuso de álcool e a escolaridade das pessoas? Também é possível avaliar diferenças entre as variáveis do grupo em questão: homens jovens apresentam maior índice de depressão do que homens idosos? Esse tipo de pesquisa é mais �exível que a pesquisa experimental, pois não utiliza grupo controle, apresenta baixo controle sobre as variáveis que estão sendo investigadas e não realiza pré-testes e pós-testes com as amostras. As correlações são medidas estatísticas, por exemplo: o teste t de Student e a análise de variância (ANOVA). Essas análises são as mais utilizadas na Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO comparação de grupos para investigar possíveis diferenças entre eles, são realizadas por programas como o Statistical Package for Social Sciences (SPSS) (Baptista; Campos, 2016). A lógica dos dois testes é equivalente: eles consideram o total da amostra, o desvio padrão e a diferença de médias entre os grupos. Em relação aos sujeitos da pesquisa, aos instrumentos utilizados para a coleta de dados e aos procedimentos para a realização, eles são semelhantes ao que é realizado nas pesquisas de levantamento. O que não se pode esquecer é o problema da pesquisa (a pergunta que se deseja responder) e os objetivos, para que esses elementos sejam estabelecidos de maneira a possibilitar a melhor condução e obtenção da resposta esperada. Vamos Exercitar? Chegou o momento de retomarmos a nossa situação inicial. Compreendemos o que é uma pesquisa quantitativa e quais seus princípios; entendemos as características da pesquisa de levantamento ou survey, da pesquisa experimental e da pesquisa correlacional. Sua equipe de trabalho está investigando a inserção das mulheres no mercado de trabalho contemporâneo na cidade de Campinas (SP). Os questionamentos iniciais são: 1. Que tipo de pesquisa poderia ser realizado? 2. De que maneira os dados poderiam ser coletados? 3. Como você poderia selecionar uma amostra representativa dessa população? Vamos às possíveis respostas: 1. Seria possível realizar uma pesquisa de levantamento, pois elas visam descrever, explicar e/ou relacionar os fenômenos que são coletados com a amostra por meio das variáveis. 2. Os dados podem ser coletados por meio de questionários ou entrevistas que podem ser realizadas pessoalmente ou por telefone, sempre observando as questões éticas envolvidas na coleta de dados. 3. É necessário buscar estudos prévios que contenham o per�l daquela população para que se faça esse recorte; a amostra precisa ter as mesmas características da população para que ela possa ser considerada representativa. Saiba mais 1. Muito se fala sobre as diferenças entre as pesquisas quantitativas e qualitativas. É necessário compreender as diferenças entre elas e as características de cada uma. Apesar de ser exemplo de uma área em especí�co, o estudo de caso pode ser utilizado para qualquer área do conhecimento. Saiba mais sobre o assunto lendo o artigo a seguir: GÜNTHER, Hartmut. Pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa: é esta a questão? Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 22, n. 2, p. 201-210, ago. 2006. http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2 http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2 http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2 Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO 2. A lógica da pesquisa quantitativa faz com que as técnicas e ferramentas deste método se tornem grandes aliadosda pesquisa social. Os estudos quantitativos são descritos geralmente a partir de variáveis. Elas representam um conjunto de características independentes de uma população, as quais tenham relevância e/ou importância à pesquisa proposta; por exemplo: gênero e idade. As variáveis correspondem a características que apresentam variações. O Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE) apresenta dados que abrangem população, trabalho, educação, saúde, habitação, rendimento, despesa e consumo, etc. Para se aprofundar a respeito desses dados, utilize o site IBGE e procure dados referentes à região que você reside e busque fazer uma comparação com os índices nacionais. Referências BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2002. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Censo Demográ�co 2022: população e domicílios, primeiros resultados. Rio de Janeiro, 2023. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102011.pdf. Acesso em: 25 out. 2023. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024. MATTAR, João; RAMOS, Daniela Karine. Metodologia da pesquisa em educação: abordagens qualitativas, quantitativas e mistas. São Paulo: Edições 70, 2021. MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho cientí�co. São Paulo: Cortez, 2013. SHISHITO, Katiani Tatie. Pesquisa aplicada às Ciências Sociais. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018. SILVA, Airton Marques da. Metodologia da pesquisa. 2ª ed. Fortaleza: EDUECE, 2015. https://www.ibge.gov.br/indicadores.html https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102011.pdf Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Aula 4 Pesquisas Qualitativas Pesquisas qualitativas Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Partida Olá, estudante! A contemporaneidade é sem dúvida um fenômeno ímpar na construção da nossa história. Conseguimos vivenciar inúmeros avanços que acontecem de uma forma muito rápida como o tecnológico, mas também olhamos para questões que caminham a passos muito lentos, como a transformação da estrutura desigual da nossa sociedade. Fato é que essas transformações, sejam positivas ou negativas, têm impacto direto nas nossas vidas e principalmente na nossa saúde mental. Inúmeros estudos são realizados nesse sentido, a �m de identi�car possíveis razões para o adoecimento da população em diversos setores. Pensando nisso, vamos trabalhar a partir do olhar da pesquisa qualitativa para pensar em uma situação hipotética, mas que acontece em muitos ambientes de trabalho. Imagine um assistente social de uma escola municipal que atende alunos do 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio. O trabalho dele é predominantemente com os alunos, mas ele tem notado que os professores têm apresentado alto nível de stress, muitas faltas e têm se queixado de adoecimento. De que maneira uma pesquisa poderia ser desenvolvida para levantar os possíveis fatores causadores desses sintomas? Bons estudos! Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Vamos Começar! Uma busca que parece ser constante nos diferentes períodos da história da humanidade é a que se faz pela verdade, a busca por respostas ao questionamento sobre o mundo e a existência humana. Questionar, buscar saber é algo intrínseco ao ser humano, é próprio dos indivíduos, pois o saber nos dá segurança em relação à realidade que nos cerca. Apesar disso, os métodos utilizados para se tentar chegar a essa verdade foram se alterando ao longo do tempo e ainda hoje se modi�cam acompanhando a dinâmica que é própria da ciência. Dessa maneira, diferentes caminhos foram construídos na busca por essas respostas e diferentes objetos de estudo também se �zeram pertinentes nesse percurso (Baptista; Campos, 2016). Sabemos que existem diversos tipos de pesquisas cientí�cas, cada qual com seus objetivos, particularidades e, principalmente, objetos de estudos. A diversidade da pesquisa cientí�ca permite estudar diversos problemas, da origem do Universo ao comportamento humano; também permite estudar um mesmo problema sob diferentes perspectivas metodológicas, com o objetivo de enriquecer o conhecimento cientí�co, proporcionando uma visão de mundo mais ampla e consistente com as evidências cientí�cas. A escolha também pelo objeto de estudo e pelo método está diretamente relacionada com a forma como o ser humano compreende o mundo. Perante este, devemos nos perguntar em que nos fundamentamos para responder às seguintes questões: o que é e o que não é realidade? (Questão ontológica). Quais caminhos escolhemos para chegar à compreensão dessa realidade? (Questão epistemológica). Qual é a concepção que temos de ser humano? Como concebemos a sociedade? Qual é a ética subjacente na nossa forma de conceber o mundo? Que tipos de ações imprimimos no mundo de acordo com nossa concepção? Essas ações promovem mudanças, transformações, ou somente colaboram para a manutenção do status quo? Todas essas questões estão implicadas nos pressupostos de todas as teorias. A escolha por uma teoria em detrimento de outra nos mostra não só a forma como concebemos o mundo, como também qual é o nosso posicionamento político perante este, principalmente quando se trata de teorias das Ciências Sociais e Humanas. (Baptista; Campos, 2016, p. 244). Precisamos ter claro que a ciência não se constitui apenas da coleta e análise dos dados, eles precisam ser articulados à realidade e sustentados por uma teoria. Cada tipo de pesquisa tem sua importância dentro da ciência, focando no objeto de maneiras diferentes. Vamos conhecer o olhar das pesquisas qualitativas para o desenvolvimento de pesquisas cientí�cas. Pesquisa qualitativa A pesquisa qualitativa é aplicada quando não há necessidade de empregar ferramentas estatísticas. No entanto, não é isso que a de�ne; dados estatísticos podem ser utilizados no desenvolvimento de pesquisas qualitativas. As duas formas de fazer pesquisa, qualitativa e quantitativa, não são opostas e não se sobrepõe, elas podem se complementar. Os dados estatísticos podem ser usados para dar sustentação a uma argumentação ou a alguma análise feita em determinada área, por exemplo. Feita essa observação, vamos de�nir a pesquisa qualitativa e falar de maneira mais especí�ca da pesquisa exploratória, explicativa e descritiva. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Na perspectiva qualitativa, considera-se a relação entre a realidade e o sujeito em questão. O que isso signi�ca? Existe um vínculo entre as questões objetivas e a subjetividade do sujeito objeto da pesquisa que, na maioria das vezes, não é traduzido em números. Dessa maneira, os princípios básicos são a interpretação dos fenômenos e a atribuição de signi�cados, sendo o pesquisador um instrumento chave nesse processo (Gil, 2002). Dessa forma, o objetivo da pesquisa qualitativa é a compreensão dos fenômenos de maneira aprofundada, fazendo a sua exploração e a sua descrição a partir de diferentes perspectivas. É necessário também buscar entender os signi�cados e interpretações que os participantes dão aos fenômenos em questão. Olhando para a pesquisaqualitativa e quantitativa de maneira a compará-las, o “enfoque quantitativo se volta para a descrição, previsão e explicação, bem como para dados mensuráveis ou observáveis, enquanto o enfoque qualitativo se atém na exploração, descrição e entendimento do problema” (Marconi; Lakatos, 2022, p. 295). A pesquisa qualitativa é um método de investigação utilizado em diversas áreas, como Ciências Sociais, Psicologia, Antropologia, Educação, Saúde, entre outras. Ela se concentra na compreensão aprofundada e na interpretação dos signi�cados e das características implícitas a determinadas características sociais ou humanas. Se preocupa em compreender a complexidade e a riqueza de experiências individuais e contextos sociais, sendo frequentemente utilizada para explorar questões multifacetadas, compreender a dinâmica social, investigar processos culturais e capturar perspectivas subjetivas. A abordagem envolve uma coleta de dados descritivos e normalmente, são utilizados como instrumentos entrevistas, observações participantes, análise de documentos e outros materiais que podem fornecer uma compreensão profunda de um determinado tema ou problema de pesquisa. Os dados encontrados são frequentemente analisados por meio de métodos interpretativos, como análise de conteúdo, análise temática e análise de narrativas, a �m de identi�car padrões e tendências subentendidas (Marconi; Lakatos, 2022; Mattar; Ramos, 2021). Os procedimentos da pesquisa (como, quando, onde, em quanto tempo) vão depender dos instrumentos utilizados e dos sujeitos que vão compor a amostra da pesquisa. A amostragem (ou seja, os sujeitos que participam da pesquisa) é intencional; os participantes são selecionados com base em critérios especí�cos que são relevantes para o tópico da pesquisa (Marconi; Lakatos, 2022; Mattar; Ramos, 2021). A pesquisa qualitativa é valiosa para explorar diferentes questões que estão presentes na nossa realidade de maneira explícita ou implícita. Ela nos auxilia a entender as motivações e a importância das pessoas em situações determinadas, a desenvolver teorias e a construir uma compreensão mais profunda de especi�cidades sociais e humanas. Ela complementa a pesquisa quantitativa, que fornece informações numéricas e estatísticas, permitindo uma visão mais completa e rica de um tópico de pesquisa. Siga em Frente... Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Tipos de abordagem qualitativa Nós vimos que a pesquisa qualitativa busca se aprofundar sobre as formas de apreensão e compreensão do mundo social a partir de seus signi�cados, das relações e representações humanas e sua intencionalidade. Precisamos agora entender que, assim como existem diversas perspectivas teóricas buscando compreender e explicar a realidade, também existem diferentes formas de realizar a pesquisa por meio de métodos e técnicas que sejam adequados aos objetivos da pesquisa. Vamos falar sobre as pesquisas: exploratória, descritiva e explicativa (Shishito, 2018). Pesquisa exploratória A pesquisa exploratória é um tipo de investigação inicial que visa explorar um tema ou problema pouco conhecido, para familiarizar o pesquisador com esse tema ou para formular hipóteses mais precisas. Ela pode ser utilizada no início de um estudo, quando há poucas informações disponíveis sobre o assunto de interesse, ou quando se deseja adquirir uma compreensão inicial antes de se realizar uma pesquisa mais detalhada. Assim, a pesquisa exploratória é conduzida de maneira �exível e aberta; ela pode ser feita a partir de pesquisa bibliográ�ca ou estudos de caso (Shishito, 2018). Podemos elencar quatro características relevantes da pesquisa exploratória: 1. Familiarização com o tema: a pesquisa exploratória ajuda os pesquisadores a se familiarizarem com um tema ou problema pouco conhecido, a �m de compreender sua complexidade e nuances. 2. Identi�cação de questões relevantes: ela ajuda a identi�car questões e problemas importantes que merecem uma investigação mais aprofundada. 3. Formulação de hipóteses iniciais: uma pesquisa exploratória pode ajudar na formulação de hipóteses preliminares ou teorias que podem ser testadas em estudos posteriores. 4. Geração de ideias para estudos futuros: ela pode gerar insights importantes que podem orientar o desenvolvimento de estudos mais detalhados no futuro. Pesquisa descritiva A pesquisa descritiva é um tipo de estudo que visa descrever características de um grupo ou fenômeno estudado e permite também estabelecer a relação entre eles. Ela se concentra em fornecer uma representação precisa de fatos e características observáveis, sem manipulação das variações ou tentativa de estabelecer relações de causa e efeito. Uma pesquisa descritiva é frequentemente usada para responder perguntas sobre quem, o quê, onde, quando e como algo acontece. Os dados podem ser coletados por meio de questionários, observações estruturadas, entrevistas ou análise de dados secundários. Os resultados de uma pesquisa descritiva ajudam a oferecer uma compreensão mais profunda das características e padrões associados àquilo que está sendo estudado. Eles fornecem uma visão geral de uma população ou situação e podem ser úteis para �ns de planejamento, formulação de políticas, tomada de decisões e estabelecimento de diretrizes para futuras investigações mais aprofundadas (Shishito, 2018; Gil, 2002). Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Podemos citar quatro características relevantes da pesquisa descritiva: 1. Descrição de características: ela descreve características especí�cas de uma população ou grupo, como comportamentos, atitudes, opiniões e características demográ�cas. 2. Documentação de dados observáveis: uma pesquisa descritiva documenta e registra informações observáveis e mensuráveis relacionadas ao objeto de estudo. 3. Identi�cação de tendências: ela ajuda a identi�car padrões ou tendências que podem estar presentes em uma população ou grupo. 4. Formulação de hipóteses posteriores: ela pode fornecer uma base para o desenvolvimento de hipóteses ou teorias mais precisas que podem ser testadas em estudos subsequentes. Pesquisa explicativa A pesquisa explicativa é um tipo de investigação que se concentra em identi�car e explicar as relações de causa e efeito entre diferentes variáveis. Ela vai além da descrição de um determinado assunto/fenômeno, buscando explicar por que e como certos eventos ocorreram. Ao contrário da pesquisa descritiva, que se concentra na descrição de características, a pesquisa explicativa tenta fornecer uma compreensão mais profunda das relações entre variáveis, muitas vezes testando hipóteses causais. Os pesquisadores podem conduzir pesquisas explicativas de diferentes maneiras: experimentos controlados, estudos longitudinais, estudos de caso comparativos e até mesmo a análise estatística avançada. Os resultados dessas pesquisas contribuem para o avanço do conhecimento em uma área especí�ca, fornecendo maior clareza sobre as relações entre variáveis e ajudando a estabelecer uma base teórica mais sólida (Shishito, 2018; Gil, 2002). Podemos citar quatro características relevantes da pesquisa explicativa: 1. Identi�cação de relações de causa e efeito: ela procura identi�car e explicar as relações de causa e efeito entre diferentes variáveis, ajudando a estabelecer a ligação entre as variáveis independentes e dependentes. 2. Validação de hipóteses: a pesquisa explicativa muitas vezes envolve a formulação e teste de hipóteses, com o objetivo de con�rmar ou refutar relações causais postuladas entre variáveis. 3. Compreensão de fatores implícitos: ela busca entender os fatores implícitos que ligam as variáveis e como esses mecanismos in�uenciam os resultados observados. 4. Generalização de resultados: a pesquisa explicativa pode ajudar na generalização dos resultados para além do contexto especí�co do estudo, contribuindo para teorias e modelos mais abrangentes. Intrumentos para coleta de dados Existem vários instrumentos e técnicas de coleta de dados que podem ser usados em diferentes tipos de pesquisas;2016). Conhecimento religioso Se você professa alguma fé, é possível que você já tenha ouvido dizer que a fé é um mistério, é uma dádiva. Nosso intuito aqui é re�etir sobre como esse conhecimento se constrói, e não sobre uma crença especi�camente. Dessa forma, o conhecimento religioso (ou teológico) pode se enriquecer do conhecimento empírico, especialmente das tradições culturais e religiosas cultivadas ao longo do tempo. Por exemplo, na preservação dos mitos gregos de que os deuses reinavam nos céus, apropriada pelas religiões politeístas. A religião pode ser considerada uma forma de explicar a relação dos indivíduos com a natureza, com os acontecimentos cotidianos e o sentido da vida, ou seja, é uma visão de mundo que tem respostas próprias para as questões que nos cercam. Assim, existe a crença de que tudo à nossa volta acontece pela vontade de energias/entidades superiores/sobrenaturais (Aranha; Martins, 2003). Podemos compreender então que a fé religiosa é a responsável por sustentar o conhecimento religioso. É fato que existem diferentes crenças religiosas ao redor do mundo. Isto posto, compreendemos que as diferentes crenças possuem os seus próprios elementos, rituais, códigos de conduta que os regem; por exemplo: o cristianismo, o judaísmo, as religiões de matriz africana, etc. Por outro lado, o que elas têm em comum é que são centradas na fé, se baseiam em verdades reveladas por Deus ou pelas divindades que cultuam. Por isso, as religiões são consideradas dogmáticas, por se basearem em verdades, fundamentos que não podem ser discutidos ou contestados (Gallo, 2016). Esse tipo de conhecimento requer um elemento-chave para alcançá-lo, ao menos da forma como defenderam diversos pensadores da Idade Média, como Santo Agostinho, que é a iluminação religiosa como método para conhecer a verdade ou a Deus. Assim, suas evidências não são veri�cadas, não há preocupação com a racionalização e nem necessidade de comprovação para que algo seja aceito como verdade, muitas vezes como verdade absoluta. Por ser valorativo, o conhecimento religioso também pode ser carregado de preconceitos e noções pré-estabelecidas sobre diversas questões; por isso, devemos nos atentar a tais quesitos. Conhecimento �losó�co Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO “Só sei que nada sei!” Essa talvez seja a frase mais conhecida do �lósofo grego Sócrates, que viveu entre 470 e 399 a.C. Mas há quem diga que a frase de Sócrates não foi exatamente essa, criando toda uma discussão a respeito do assunto. Fato é que a frase nos leva a um dos pilares da Filoso�a: o pensamento crítico e re�exivo. Pensar de uma maneira crítica e re�exiva nos permite interpretar a realidade em que estamos inseridos, buscando por respostas que não estão prontas, que não se con�guram como verdades absolutas. Assim, permite-nos buscar possíveis relações de causa e efeito entre os fenômenos e, a partir de escolhas mais racionais, ressigni�car a realidade em que estamos inseridos. Portanto, podemos compreender que a Filoso�a e o conhecimento �losó�co se estruturam a partir da razão (Aranha; Martins, 2003). O conhecimento �losó�co é amplo, abarcando diversos posicionamentos ao longo da história da �loso�a, especialmente o empírico e o racionalista. Vamos nos aprofundar no empirismo e no racionalismo na próxima aula, mas, basicamente, os �lósofos empiristas entendiam que nossos conhecimentos vinham da experiência, de tudo aquilo que vivemos. Já os racionalistas defendiam que temos ideias inatas, nascemos com elas, portanto, adquirimos conhecimento por meio da razão. Esse embate epistemológico persistiu até a Idade Média e até mesmo atualmente. Há diferentes olhares e diferentes interpretações a respeito de um mesmo fenômeno (Gallo, 2016). Assim como o senso comum e o conhecimento religioso, o conhecimento �losó�co se constituiu como uma visão de mundo a respeito de tudo o que nos cerca, estando fundamentado na lógica, na argumentação, na construção e na de�nição de conceitos. “Os conceitos não estão prontos e acabados, mas estão sempre sendo criados e recriados, dependendo dos problemas enfrentados a cada momento” (Gallo, 2016, p. 13). Desse modo, a �loso�a é de suma importância para nós, uma vez que nos auxilia na compreensão da nossa existência, na re�exão sobre nossos valores e posicionamentos frente às mais diversas situações. Podemos entender que, em muitos momentos, a �loso�a mantém com o conhecimento religioso ou com o senso comum uma relação con�ituosa, uma vez que ela vai questionar as respostas prontas e as verdades absolutas por eles apresentadas. Por outro lado, o conhecimento �losó�co apresenta maior a�nidade com perspectivas mais abertas de conhecimento, como o cientí�co, por exemplo, em que o questionamento e a correção são possíveis. Assim, é possível entender que o conhecimento �losó�co possui uma relação de absorção com o conhecimento cientí�co, contribuindo para o fornecimento de um tratamento conceitual adequado e o levantamento de problemas sobre a realidade. Vamos Exercitar? Você se lembra dos três alunos que foram questionados pelo professor de Filoso�a sobre três pontos especí�cos? Agora que já compreendemos as características do senso comum, do conhecimento religioso e do conhecimento �losó�co, é hora de pensar como esses alunos podem ter respondido aos seguintes questionamentos: 1. De onde viemos? Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO 2. Para onde vamos após a morte? 3. Por que estamos aqui? Cada aluno, a partir da sua visão de mundo, adotou uma postura diferente em relação às respostas. Lucas, que vê o mundo a partir do conhecimento religioso ligado ao cristianismo, atribuiu nossa origem à criação divina, entendendo que o nosso maior propósito no mundo é servir a Deus; também respondeu que, após a morte, vamos para o paraíso ou o inferno, dependendo de como agimos durante nossas vidas. Saulo interpreta as questões a partir do ponto de vista �losó�co; assim, ele levantou outros questionamentos, por exemplo, sobre os conceitos de morte e vida, o conceito de origem e evolução, para re�etir sobre as questões propostas. Por �m, Daniel, por meio do senso comum, respondeu que depende do contexto. Um indiano, provavelmente, responderia com base em suas crenças culturais regionais, manifestando explicações de caráter hinduísta. Nesse sentido, como foi explicado no texto, o conhecimento popular absorve aspectos de outros conhecimentos que são incorporados fortemente pela cultura. Saiba mais 1. Para conhecer mais sobre os diferentes tipos de conhecimento e a relação de constituição entre eles, leia o artigo “Ciência, senso comum e revoluções cientí�cas: ressonâncias e paradoxos”, de Marivalde Moacir Francelin. FRANCELIN, Marivalde Moacir. Ciência, senso comum e revoluções cientí�cas: ressonâncias e paradoxos. Ciência da Informação, Brasília, v. 33, n. 3, p. 26-34, dez. 2004. 2. Vamos falar de fé e respeito? Você sabia que o número de denúncias de intolerância religiosa no Brasil aumentou 106% em apenas um ano? Embora a liberdade religiosa seja assegurada pela Constituição, os números apontam para a necessidade de uma mudança cultural; para isso, é necessário muito diálogo. Como podemos trabalhar a favor da liberdade religiosa? Para se aprofundar nessas questões, ouça o episódio “Jesus e Exu: Diálogos possíveis” do podcast Mamilos. Nesse episódio, há dois convidados. Um deles é Claudia Alexandre, mestre e doutora em Ciências da Religião; ela também é egbomi de Oxum e pesquisadora do carnaval e das religiosidades de matriz africana. O outro é Leandro Rodrigues, pastor e teólogo, presidente da Igreja Habitar, Líder do Colegiado de Pastores e do Conselho Eclesiástico. 3. Saber mais a respeito do conhecimento �losó�co é fundamental para conseguirmos re�etir a respeito de questões pertinentes ao nosso cotidiano. Vamos adentrar nesse caminho lendo o capítulo a seguir, do livro: Filoso�a: Textos Fundamentais Comentados. Bons estudos! BAKER, Ann. O que é �loso�a? In: BONJOUR, Laurence; BAKER, Ann. Filoso�a: Textos fundamentais comentados.cada instrumento tem suas próprias vantagens e limitações, e a escolha do instrumento mais adequado depende dos objetivos e da natureza da investigação. Ao selecionar um instrumento de coleta de dados, é importante considerar a validade, con�abilidade e Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO praticidade do instrumento, bem como a capacidade de obter as informações possíveis para responder às perguntas de pesquisa. Vamos analisar o Quadro 1 a seguir para conhecer alguns desses instrumentos: Questionários São formas estruturadas de coleta de dados que geralmente consistem em uma série de perguntas pré-determinadas, fechadas ou abertas, que podem ser administradas em formato físico ou digital. Entrevistas Entrevista estruturada: as perguntas são pré- determinadas e feitas na mesma ordem para todos os entrevistados. Elas são padronizadas para garantir consistência nas respostas e facilitar a comparação entre os entrevistados. Entrevista não estruturada (aberta): não há um roteiro �xo de perguntas. O entrevistador tem mais liberdade para explorar tópicos de interesse e permitir que o entrevistado responda de forma mais aberta. Esse tipo de entrevista é mais �exível e permite uma análise mais aprofundada dos temas discutidos. Entrevista semiestruturada: combina elementos de entrevistas estruturadas e não estruturadas. O entrevistador segue um roteiro de perguntas prede�nidas, mas também tem a liberdade de explorar tópicos adicionais que podem surgir durante uma entrevista. Isso proporciona um equilíbrio entre a consistência das perguntas estruturadas e a �exibilidade para abordar temas mais complexos. Observações Observação direta: os pesquisadores observam o comportamento dos participantes sem intervenção. Isso pode ser feito de forma participante ou não participante. Observação estruturada: os pesquisadores seguem um protocolo especí�co e registram o comportamento observado de acordo com categorias prede�nidas. Análise de Documentos Envolve a coleta e análise de documentos relevantes, como registros o�ciais, relatórios, artigos acadêmicos, jornais, entre outros, que Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO podem fornecer informações úteis para a pesquisa. Testes e Avaliações Psicométricas Testes de personalidade, inteligência, habilidades e outros tipos de avaliações psicométricas são usados para coleta de dados em pesquisas psicológicas e educacionais. Testes e Experimentos Podem ser usados para coleta de dados em um ambiente controlado, permitindo a manipulação de variáveis independentes para observar os efeitos sobre as variáveis dependentes. Diário de Campo Utilizado amplamente na etnogra�a, é uma ferramenta na qual os pesquisadores registram observações, re�exões, notas e eventos relevantes relacionados ao seu estudo. Grupos Focais São sessões de discussão em grupo, geralmente compostas por participantes que reúnem características semelhantes, com o objetivo de explorar atitudes, percepções e experiências em torno de um tópico especí�co. Quadro 1 | Instrumentos e técnicas para coleta de dados. Fonte: elaborado pela autora. Vamos Exercitar? Compreendemos os princípios de uma pesquisa qualitativa, olhamos para os sujeitos, instrumentos e procedimentos e entendemos as características da pesquisa exploratória, descritiva e explicativa. Você se lembra da nossa situação inicial? Um assistente social de uma escola estadual tem notado que os professores têm apresentado alto nível de stress, muitas faltas e têm se queixado de adoecimento. De que maneira uma pesquisa poderia ser desenvolvida para levantar os possíveis fatores causadores desses sintomas? Inicialmente, poderia ser realizada uma pesquisa exploratória, buscando estudos que já tenham sido feitos anteriormente e que relatem possíveis causas de stress, desânimo, falta de motivação em professores que atuam na faixa etária da escola em quem ele trabalha. Feito isso, poderia ser proposta a realização de grupos focais nas horas-atividades dos professores, de modo que fossem realizadas discussões nas quais os professores pudessem expor seu ponto de vista a respeito da rotina escolar e das questões que os têm a�igido. Também podem ser realizadas entrevistas abertas ou semiestruturadas com os professores, com questões direcionadas a motivação/desmotivação, stress, cansaço, etc. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Saiba mais 1. É fundamental compreender a diferença entre a realização de uma pesquisa qualitativa e uma pesquisa quantitativa. A partir disso, é possível pensar nos sujeitos da pesquisa, nos instrumentos para coleta de dados e nos procedimentos para sua realização. Assim, leia o Capítulo 8, “Metodologia qualitativa e quantitativa”, de Marconi e Lakatos (2022) para se aprofundar no assunto. MARCONI, Marina de Andrade.; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia qualitativa e quantitativa. In: MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia cientí�ca. 8ª ed. Barueri: Atlas, 2022. p. 295-344. 2. O uso de diferentes técnicas de coleta e análise de dados, bem como dos métodos de pesquisa, pode ser um forte aliado no momento da condução da pesquisa cientí�ca. Precisamos compreender que em alguns momentos esses métodos e técnicas podem não ser compatíveis entre si, mas em outros eles podem e devem ser utilizados de forma aliada no desenvolvimento das pesquisas. Isso contribui para maior riqueza no momento da exploração e para o aprofundamento no tema estudado. Considerando essas questões, leia o artigo: “Perspectivas metodológicas na pesquisa sobre o comportamento do consumidor”, de Tonetto, Brust-Renck e Stein (2013). Os autores mostram como a pesquisa exploratória, descritiva e experimental podem ser utilizadas na compreensão do per�l de um consumidor. Referências BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2002. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia cientí�ca. 8ª ed. Barueri: Atlas, 2022. MATTAR, João; RAMOS, Daniela Karine. Metodologia da pesquisa em educação: abordagens qualitativas, quantitativas e mistas. São Paulo: Edições 70, 2021. MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007. SHISHITO, Katiani Tatie. Pesquisa aplicada às Ciências Sociais. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559770670/epubcfi/6/32[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter08]!/4 https://www.scielo.br/j/pcp/a/b4YYN9wycwMHNhdMn9dVXsv/# https://www.scielo.br/j/pcp/a/b4YYN9wycwMHNhdMn9dVXsv/# Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Aula 5 Encerramento da Unidade Videoaula de Encerramento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Chegada Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é “aprender sobre o conhecimento cientí�co e suas aplicações no mundo real, evidenciando suas consequências práticas e implicações nas tomadas de decisão e a partir dessa re�exão, entender as diferentes perspectivas da pesquisa cientí�ca”, você deverá primeiramente compreender algumas características do conhecimento cientí�co, entender as diferenças entre as pesquisas qualitativas e quantitativas e a importância da leitura para a construção das pesquisas acadêmicas. Embora a ciência leve em consideração um conjunto de procedimentos teóricos, experimentais e éticos ao longo de sua investigação e construção de conhecimento, existemdiversas ferramentas formais que contribuem para sua melhor objetividade, evitando as armadilhas da linguagem corriqueira e a subjetividade interpretativa. O conhecimento cientí�co é uma forma de conhecimento que se baseia em evidências empíricas e segue um processo sistemático de investigação, análise e interpretação. Ele se distingue de outras formas de conhecimento por sua abordagem objetiva e veri�cável, que segue métodos especí�cos e rigorosos para a obtenção de resultados con�áveis, sendo fundamental para o avanço do entendimento humano sobre o mundo. As suas características, como a falibilidade, a Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO acumulabilidade e a veri�cabilidade, também contribuem para que se perceba o porquê é possível con�ar nos conhecimentos produzidos pela ciência. Nesse contexto, a leitura é imprescindível para a construção de pesquisas que sejam baseadas em conhecimentos con�áveis. Ela é essencial para adquirir uma compreensão mais aprofundada e abrangente do assunto em estudo. Permite que os pesquisadores direcionem seus esforços para áreas que ainda não foram exploradas ou que possam ser investigadas de maneira mais aprofundada. É por meio da leitura que os pesquisadores podem estabelecer uma base teórica sólida para fundamentar suas pesquisas. Isso ajuda a estruturar o pensamento e a construir um arcabouço conceitual para a análise dos dados e a interpretação dos resultados. Em suma, a leitura é um componente essencial do processo de pesquisa, fornecendo uma base sólida de conhecimento, estimulando o pensamento crítico e auxiliando na construção de uma pesquisa robusta e bem fundamentada. Quando pensamos em diferentes tipos de pesquisas ou diferentes abordagens metodológicas precisamos ter claro que essas diferenças em muitos momentos se complementam na realização das pesquisas. A pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa são dois métodos distintos de investigação usados no campo cientí�co, cada um com suas próprias características e aplicabilidades. Ambos os métodos desempenham papéis importantes na produção de conhecimento cientí�co; a escolha entre eles depende dos objetivos especí�cos da pesquisa, das perguntas que se pretendem responder e das especi�cidades do estudo. Muitas vezes, os pesquisadores optam por combinar esses métodos para obter uma compreensão mais completa e abrangente das informações em análise. Enquanto uma pesquisa qualitativa ajuda a entender a complexidade e o contexto por trás de uma especi�cidade, uma pesquisa quantitativa fornece números e dados precisos que podem ser analisados estatisticamente. Ao combinar essas abordagens, os pesquisadores podem obter uma compreensão mais abrangente e profunda de um tópico especí�co. Essa abordagem �exível permite que os pesquisadores adaptem sua metodologia de acordo com as necessidades da pesquisa. Em resumo, as pesquisas qualitativas e quantitativas não são mutuamente excludentes. Pelo contrário, elas podem ser usadas de forma complementar para fornecer uma visão mais completa e aprofundada de um determinado assunto. Re�ita Em tempos de profunda desinformação como os que vivemos, como o ceticismo pode nos ajudar a construir um conhecimento veri�cável e con�ável? Como a leitura acadêmica nos auxilia na produção de pesquisas cientí�cas? É Hora de Praticar! Este conteúdo é um vídeo! Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Aliar pesquisa qualitativa e quantitativa é algo interessante na estruturação da pesquisa e na justi�cativa/argumentação a respeito dos dados em questão. Acesse o site do Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE) e, na parte dos indicadores sociais, procure e analise os dados referentes à escolarização e ao analfabetismo dos últimos anos. Depois, busque as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE – Lei nº. 13.005/2014). Atente-se especi�camente para a “Meta 2 – Universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda a população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo menos 95% (noventa e cinco por cento) dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada, até o último ano de vigência deste PNE [2024]”; e para a “Meta 9 – Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos ou mais para 93,5% (noventa e três inteiros e cinco décimos por cento) até 2015 e, até o �nal da vigência deste PNE [2024], erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% (cinquenta por cento) a taxa de analfabetismo funcional” (BRASIL, 2014, [s. p.]). Após realizar essas duas tarefas, responda aos seguintes questionamentos: Como a análise dos dados estatísticos referentes ao analfabetismo e à escolarização podem contribuir para a compreensão das metas propostas no PNE e a veri�cação do cumprimento dessas metas? Bons estudos! Esse é um exemplo de como os dados estatísticos podem ser utilizados também em análises qualitativas e em questões presentes no nosso cotidiano. Como você pode trazer esses elementos para enriquecerem os seus trabalhos acadêmicos e o seu ambiente pro�ssional? Os dados coletados pela Pesquisa Nacional de Amostras por Domício (PNAD) tem por objetivo mostrar a situação socioeconômica do país por meio de vários indicadores. Os dados referentes à educação compreendem informações que abrangem condição de alfabetização, frequência a creche ou escola, rede e área de ensino, grau de instrução, e gestão da educação, entre outros aspectos. Por sua vez, o PNE determina diretrizes, metas e estratégias para a política nacional educacional por um período de 10 anos. O prazo de vigência do PNE que teve as Metas 2 e 9 apresentadas anteriormente era de 2014 a 2024, ano previsto para a proposta de um novo PNE. Quando se analisam os dados divulgados pelo IBGE referentes à escolarização de pessoas de 6 a 14 anos que frequentam a escola, percebe-se que de 2016 (99,2%) até 2022 (99,4%) o percentual �cou praticamente estagnado. Isso indica que a Meta 2 do PNE provavelmente não foi cumprida, visto que se pretendia universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda a população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos. Em relação ao analfabetismo, o percentual de pessoas analfabetas de 15 anos ou mais em 2016 era de 6,7% da população. Em 2022 esse percentual caiu para 5,6%. A queda é pequena quando se pensa na Meta 9 do PNE, que é elevar a taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos ou mais para 93,5% até 2015 e, até o �nal da vigência do PNE, erradicar o analfabetismo https://www.ibge.gov.br/indicadores.html https://www.ibge.gov.br/indicadores.html https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014 https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014 Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO absoluto. O percentual de 2016 indicou que a meta estava caminhando para ser concretizada, mas acabou estagnando. Considerando que os dados de 2022 indicaram 94,4% da população alfabetizada, é possível que não houve o atingimento da meta em 2024. Esse é um exemplo de como os dados estatísticos podem ser utilizados também em análises qualitativas e em questões presentes no nosso cotidiano. Você pode trazer esses elementos para enriquecer os seus trabalhos acadêmicos e pro�ssionais. Vamos analisar o esquema a seguir pensando na relação mútua que existe entre os procedimentos do método cientí�co, a leitura acadêmica e os diferentes tipos de pesquisa. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Fonte: elaborada pelo autora. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à �loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003. BRASIL. Plano Nacional de Educação – Lei n° 13.005/2014. Mec.gov, 2014. Disponível em: https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao- https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO lei-n-13-005-2014. Acesso em: 12 jan. 2024. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2002. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia cientí�ca. 8ª ed. Barueri: Atlas, 2022. , Unidade 3 Tipos de Produção Cientí�ca Aula 1 A Escrita Cientí�ca A escrita cientí�ca Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Partida Olá, estudante! A realização de uma pesquisa cientí�ca é um processo que compreende algumas etapas fundamentais para o seu bom desenvolvimento e para que haja con�abilidade. A pesquisa pode ser de cunho teórico ou prático; o imprescindível é que ela empregue o método cientí�co na sua produção. Outro critério importante a ser observado são as fontes utilizadas como referências na https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014 Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO construção da pesquisa. Assim, a busca pelas fontes bibliográ�cas ou documentais disponíveis sobre o assunto é de grande valia para o pesquisador. Vamos pensar de uma maneira mais prática, para que você consiga aliar esses elementos indispensáveis da pesquisa e consiga também pensar na melhor forma de utilizá-los. Pense que você está buscando fontes de referência para a construção do seu trabalho de conclusão de curso (TCC). Essa fonte (seja um artigo, livro, capítulo de livro) precisa estar de acordo com o assunto que você pretende desenvolver. Busque um artigo cientí�co em uma plataforma de pesquisa con�ável (utilize como base a plataforma da Scielo, Pepsic, Google Scholar, Web os Science ou o Banco de Teses e Dissertações da Capes) e faça uma resenha sobre ele, se atentando para os elementos que constituem a elaboração da resenha e pensando na posterior utilização dela no seu TCC. Bons estudos! Vamos Começar! Para a investigação de um objeto de pesquisa podemos utilizar diferentes fontes de investigação, como a bibliográ�ca, a de campo ou a de laboratório. A investigação bibliográ�ca é aquela realizada a partir de livros, artigos cientí�cos, teses, dissertações (Marconi; Lakatos, 2024). Contudo, precisamos nos atentar para as diferenças existentes entre o levantamento bibliográ�co e a revisão bibliográ�ca, que precisam ser realizados em pesquisas de qualquer natureza. Vamos nos aprofundar nessas questões para que essas diferenças �quem bem demarcadas. Vamos falar também da pesquisa documental, do resumo e da resenha, que são importantes produções no âmbito acadêmico. Elas nos auxiliam em nossos estudos e na elaboração de nossas pesquisas. Pesquisa bibliográ�ca A pesquisa bibliográ�ca é uma atividade fundamental no processo de produção de conhecimento cientí�co. Ela envolve coleta, seleção e análise de fontes bibliográ�cas relevantes para um determinado tema de estudo. Uma pesquisa bibliográ�ca bem realizada é crucial para a fundamentação teórica de trabalhos acadêmicos, como monogra�as, dissertações e teses; ela é útil também para pesquisas em áreas pro�ssionais (Marconi; Lakatos, 2024). Por meio da pesquisa bibliográ�ca, os pesquisadores buscam obter uma compreensão aprofundada do estado atual do conhecimento sobre um assunto especí�co, identi�cando lacunas na literatura existente e fundamentando teoricamente suas investigações. Ao realizar uma pesquisa bibliográ�ca, é importante utilizar uma variedade de fontes e abordagens, a �m de garantir a abrangência e a profundidade para a compreensão do tema em questão. Dessa forma, o pesquisador não vai restringir a sua pesquisa a um único autor ou transformar o seu trabalho em uma sequência de citações diretas, mesmo que elas façam sentido naquele momento. O material bibliográ�co precisa ser explorado de uma maneira que o autor da pesquisa consiga articular as ideias e construir um texto analítico e re�exivo a respeito do assunto em questão, e não apenas realize um trabalho descritivo (Lima, 2004). Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Além disso, é fundamental estar atento às últimas publicações e aos avanços recentes na área de estudo, a �m de garantir que a pesquisa esteja atualizada e contextualizada dentro do estado da arte. As fontes da pesquisa bibliográ�ca são chamadas de fontes secundárias, pois constituem-se de dados coletados por outras pessoas (Marconi; Lakatos, 2024). Assim, a pesquisa bibliográ�ca é um tipo de estudo que busca consultar amplas bases de dados, sobretudo indexadores de artigos cientí�cos e livros-textos, cujo objetivo é buscar saber o quanto um problema já foi estudado e o quão signi�cativo é a sua evidência. Podemos compreender algumas fases da pesquisa bibliográ�ca ou seguir alguns passos para a sua realização: 1. De�nição clara do tema: é fundamental delimitar com precisão o tema de pesquisa. Quanto mais especí�co para o seu tópico, mais fácil será encontrar fontes relevantes. 2. Palavras-chave: identi�que as palavras-chave relacionadas ao seu assunto. Essas palavras- chave serão usadas para as pesquisas em catálogos de bibliotecas e bases de dados acadêmicos. 3. Identi�cação das fontes: é necessário identi�car as principais fontes de informação, tais como livros, artigos cientí�cos, teses, dissertações, relatórios técnicos, entre outros, que sejam relevantes para o tema em questão. 4. Seleção criteriosa: deve-se realizar uma seleção criteriosa das fontes mais relevantes e con�áveis, levando em consideração a sua qualidade, atualidade e relevância. 5. Análise dos resumos: ao revisar os resultados da pesquisa, examine os resumos das fontes para determinar se eles são pertinentes ao seu assunto. �. Leia os textos completos: depois de identi�car fontes relevantes, leia os textos completos para obter uma compreensão aprofundada do conteúdo. 7. Organização e síntese: é essencial organizar e sintetizar as informações coletadas de forma clara e objetiva, destacando os principais pontos relevantes e as contribuições de cada fonte para o tema de pesquisa. �. Referenciação adequada: é imprescindível realizar a referência bibliográ�ca correta de todas as fontes utilizadas, obedecendo às normas de citação e referência obrigatórias na área de estudo. Levantamento bibliográ�co O levantamento bibliográ�co é fundamental para todo tipo de pesquisa acadêmica e cientí�ca, pois consiste na busca, seleção e coleta de fontes de informação relevantes sobre um determinado tema de estudo. Esse processo ajuda a identi�car os principais trabalhos, artigos, relatórios e outros tipos de materiais que contribuem para a pesquisa. Um levantamento bibliográ�co abrangente fornece uma base sólida para o desenvolvimento de uma pesquisa original; por isso, é fundamental acessar plataformas con�áveis de busca. Precisamos nos atentar para o fato de que não é possível acessar ou coletar tudo o que já foi publicado sobre um determinado assunto quando estamos realizando uma pesquisa. Por isso, devemos deixar bem demarcado o recorte realizado pelo estudo, os autores que serão utilizados como referência e a perspectiva teórica que irá orientar o estudo. Dessa forma o leitor consegue Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO acompanhar o raciocínio desenvolvido pelo pesquisador no momento de elaboração da pesquisa e �ca mais coerente acompanhar o caminho trilhado na construção do conhecimento. Revisão bibliográ�ca A fase de revisão bibliográ�ca é comumente confundida com a fase do levantamento bibliográ�co, mas precisamos ter claras as suas diferenças. A revisão é a fase de leitura, o momento de aprofundamento do pesquisador em relação ao tema em questão. Nãoé possível escrevermos sobre algo que não conhecemos ou sobre algum assunto que não dominamos; assim, a leitura é essencial para conhecermos de maneira aprofundada o tema da pesquisa, a �m de podermos falar com propriedade sobre ele. Essa etapa da construção do conhecimento também está presente em todas as pesquisas cientí�cas, visto que é por meio dela que se buscará construir a base teórica da pesquisa. Precisamos nos lembrar que a revisão bibliográ�ca é um processo contínuo; dessa forma, é necessário continuar atualizando-a à medida que a pesquisa progride e as novas fontes são publicadas. A revisão bibliográ�ca bem elaborada não apenas oferece um embasamento teórico consistente para a pesquisa, mas também ajuda a identi�car as perspectivas promissoras para futuras investigações e contribui para o desenvolvimento do conhecimento em determinada área. Diante disso, é possível admitir que, em geral, as pesquisas são também pesquisas bibliográ�cas, visto que não se pode desenvolver uma boa pesquisa sem os elementos citados anteriormente. No entanto, isso não signi�ca que não se pode realizar ‘somente uma pesquisa bibliográ�ca’ em uma investigação. Não signi�ca que o pesquisador produzirá mais do mesmo ou apenas reproduzirá conhecimentos que já estão dados. A pesquisa bibliográ�ca oferece meios para que sejam exploradas áreas que ainda carecem de análise, permite que sejam levantadas novas hipóteses e novos questionamentos, o que favorece um novo enfoque sobre o problema e soluções inovadoras (Marconi; Lakatos, 2024). Pesquisa documental A pesquisa documental é particularmente útil para a realização de estudos históricos, estudos sociais, análises de políticas públicas, análises de conteúdo e outras investigações que dependem da análise de fontes de documentos escritos ou audiovisuais. Ela fornece uma compreensão aprofundada e contextualizada de eventos, processos e questões relevantes em diversas áreas do conhecimento. A pesquisa documental é um tipo de investigação que envolve a coleta e análise de documentos escritos, imagens, gravações de áudio, vídeos e outros materiais que possam fornecer informações relevantes sobre um tema especí�co. Esses documentos incluem registros o�ciais, relatórios, correspondências, leis, regulamentos, jornais, revistas, fotogra�as, �lmes, entre outros tipos de fontes primárias e secundárias (Marconi; Lakatos, 2024). As fontes primárias são aquelas coletadas diretamente pelo pesquisador; as secundárias foram coletadas/produzidas por outra pessoa. É importante notar que a pesquisa documental requer habilidades de pesquisa e análise, bem como acesso a uma variedade de fontes de documentos. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Além disso, a interpretação adequada dos documentos exige um entendimento profundo do contexto em que foram produzidos e das limitações inerentes aos dados documentais. Ao realizar uma pesquisa documental, é importante estar atento para as seguintes questões: 1. De�nição clara do objetivo: estabelecer claramente os objetivos e questões de pesquisa que orientarão a coleta e análise dos documentos relevantes. 2. Identi�cação das fontes e coleta dos dados: identi�car as fontes potenciais de documentos pertinentes ao assunto da pesquisa, incluindo arquivos, bibliotecas, instituições governamentais, museus, meios de comunicação, entre outros. É importante veri�car a disponibilidade e acessibilidade desses documentos para garantir que você tenha acesso a eles. 3. Análise e interpretação dos documentos: analisar criticamente o conteúdo dos documentos encontrados, identi�cando padrões, tendências, contradições e lacunas de informação que possam ajudar a responder às questões de pesquisa. 4. Triangulação de fontes: procurar utilizar uma variedade de fontes documentais para corroborar e complementar os dados obtidos, garantindo a validade e a con�abilidade das conclusões tiradas da pesquisa documental. 5. Citações e referências: citar corretamente todas as fontes utilizadas e fornecer as referências de acordo com as normas da ABNT. Siga em Frente... Resumo, resenha e recensão A habilidade de escrita é fundamental ao pesquisador e a qualquer pro�ssional. Saber escrever bem é uma das premissas para uma boa comunicação. É impreterível que o bom leitor e o bom escritor compreendam que um texto não é um apanhado de frases que soam bem quando lidas de forma conjunta. É preciso haver conexão entre as partes do texto, que elas estejam ligadas, conversem entre si e indiquem uma direção bem de�nida ao leitor. É preciso compreender que o texto é uma unidade e o que o de�ne não é a sua extensão, mas sim o seu signi�cado. Assim, praticar a leitura e a escrita é um bom começo para que essas habilidades sejam desenvolvidas. Resumos, resenhas e recensões são bons exemplos de como é possível praticar; trata-se de produções que são solicitadas no meio acadêmico e no nosso cotidiano (Medeiros, 2000; Marconi, Lakatos, 2024). Resumo O resumo é a sintetização objetiva do conteúdo de um texto original, apresentando apenas os pontos principais e as principais ideias do autor. Um resumo é mais curto que o texto original e deve transmitir de forma clara e concisa o contexto, os objetivos, as principais descobertas e conclusões do texto original. Para escrever um resumo e�caz, é importante identi�car as principais ideias do texto, omitir detalhes menos relevantes e manter a precisão e a �delidade ao conteúdo original. A ABNT NBR 6028 (2021, p. 1) de�ne como os resumos devem ser apresentados, fazendo a diferenciação entre resumo indicativo e resumo informativo. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Resumo indicativo: trabalho que indica os pontos principais do documento sem apresentar detalhamentos, como dados qualitativos e quantitativos, e que, de modo geral, não dispensa a consulta ao original. Resumo informativo: trabalho que informa �nalidades, metodologia, resultados e conclusões do documento, de tal forma que possa, inclusive, dispensar a consulta ao original. Em relação à extensão, a norma estabelece que é indicado que os resumos tenham entre “150 a 500 palavras nos trabalhos acadêmicos e relatórios técnicos e/ou cientí�cos; 100 a 250 palavras nos artigos de periódicos; 50 a 100 palavras nos documentos não contemplados nas alíneas anteriores” (Abnt, 2021, p. 2). Se o resumo não �zer parte de um documento (um artigo ou um TCC, por exemplo), ele deve ser precedido pela referência do texto a que se refere. Ao resumir, o autor deve usar preferencialmente a terceira pessoa e as palavras-chave devem ser apresentadas logo abaixo do texto, grafadas em letras minúsculas, separadas entre si por ponto e vírgula e �nalizadas com ponto. Veja a seguir o exemplo de um resumo. RESUMO: Os conteúdos escolares, independente da etapa de ensino a que se destinam, quando ministrados de forma plena e não fragmentada, possibilitam a formação do sujeito omnilateral. Além de formar o sujeito omnilateral, cabe também ao professor motivar seus alunos durante as aulas para que eles vejam os conteúdos de forma interessante e próximas à sua realidade. O presente estudo teve como objetivo re�etir acerca da ação docente exercida durante a realização do estágio obrigatório em docência no curso de Doutorado em Educação de uma universidade do norte do Paraná. Teve também como objetivo re�etir acerca da percepção da motivação apresentada pelos alunos matriculados na disciplina em que o estágio foi exercido. As re�exões contidas no presente estudo foram feitas à luz dos pressupostos teóricos do Materialismo Histórico e Dialético, da Teoria da Autodeterminação e também dos relatos feitos pela turma em que o estágio foi realizado. PALAVRAS-CHAVE: Estágio. Docência. Materialismo histórico. Motivação. Quadro 1 | Exemplo de resumo. Fonte: Mariano, Franco e Oliveira (2021, 361). Resenha e recensão Segundo a ABNT (2021, p. 1), a resenha é a “análise do conteúdo de um documento, objeto, fato ou evento”, a recensão é a “análise crítica, descritiva e/ou comparativa, geralmente elaborada por especialista”.A resenha e a recensão podem ser entendidas como uma análise crítica e avaliativa de um livro, artigo, �lme ou qualquer outra obra. Geralmente incluem uma síntese do conteúdo, juntamente com uma avaliação subjetiva do trabalho. Podem ser abordados vários aspectos da obra, incluindo a estrutura, o estilo de escrita, os pontos fortes e fracos, as contribuições para o campo, as questões levantadas e a relevância do trabalho em relação a outros textos ou obras relacionadas. Ao escrever uma resenha ou uma recensão, é importante fornecer um resumo do conteúdo do texto, seguida de uma análise crítica que destaca os méritos da obra. É essencial fundamentar as Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO avaliações e os argumentos em evidências concretas retiradas do texto original ou de outras fontes relevantes. A ABNT NBR 6028 (2021) destaca que a resenha e a recensão não estão sujeitas a limite de palavras, não devem ser elaboradas em tópicos, não devem ser elaboradas pelo autor do texto ou objeto que é foco da análise e devem ser precedidas pela referência quando forem publicadas separadas destes. Na escrita do resumo, da resenha e da recensão, é importante que o texto escrito seja claro, conciso, coeso e coerente. Um texto claro é aquele que é fácil de ser compreendido ou entendido. O texto conciso é aquele resumido ao essencial, sintetizado em poucas palavras, preciso, sucinto. A coesão se refere ao uso correto dos aspectos gramaticais, conectando os elementos do um texto, deixando-o claro e compreensível. Por �m, o texto coerente é aquele que é lógico. Todas essas características precisam ser observadas na escrita de um bom texto acadêmico, de qualquer tipo. É indispensável o leitor compreender a mensagem a ser transmitida pelo autor do texto. O Quadro 2 a seguir apresenta o exemplo de uma resenha: Referência Bibliográ�ca ANDRADE, Mário de. Querida Henriqueta: cartas de Mário de Andrade a Henriqueta Lisboa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1991. 214 p. Informações sobre o autor Já foram publicadas cartas de Mário de Andrade a Manuel Bandeira, a Oneyda Alvarenga (Mário de Andrade: um pouco), a Carlos Drumond de Andrade (A lição do amigo) e Anita Malfatti. Em todas elas, é possível veri�car a surpreendente revelação da personalidade de Mário de Andrade, seus conhecimentos, suas preocupações, sua dedicação à arte, o entusiasmo com que tratava os escritores iniciantes. Gênero da obra Em Querida Henriqueta, reunião de cartas de Mário à poetisa Henriqueta Lisboa, Mário é tão generoso quanto o fora em A lição do amigo, tão competente quanto o fora nas cartas à Manuel Bandeira. A exposição é sempre franca, os temas abordados variados e a profundidade e o valor humano notáveis. Para alguns, as cartas de Mário, em seu conjunto, estão no mesmo nível que suas criações literárias. Resumo É possível ver nas cartas o interesse de Mário pela motivação dos iniciantes analisando com dedicação e competência tudo que lhe chegava às mãos. Há em seu comportamento o sentido quase de missão estética. As recomendações são as mais variadas: ora sugere alterações, ora a supressão, ora o Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO cuidado com o ritmo, ora com as manifestações de conteúdo cultural. Não é o mestre que fala, mas o amigo. Não é o professor, mas o artista experiente, que sabe o que diz e por que o diz, que tem consciência de tudo o que fala, que leva o trabalho artístico muito a sério. As considerações são, no entanto, apenas de ordem técnica. Mário de Andrade, por sua argúcia crítica, penetra na análise psicológica. Assim, examina os retratos feitos por diversos artistas, como Portinari, Anita Malfatti, Lasar Segall. Segundo ele, Segall ter-se-ia �xado em seu lado obscuro, quase oculto, malévolo de sua personalidade. A relação angustiada do autor de Macunaíma consigo mesmo aparece nas cartas a Henriqueta Lisboa. Da mesma forma, aparecem o problema do remorso e da culpa, o cansaço diante da propaganda pessoal, do prestígio, da notoriedade, da polêmica. Não silencia sequer a análise das relações com a família. Aqui, não é a imagem de Mário revolucionário e exuberante que apresenta. Não. Também não há lamentações: tudo é exposto com extrema lucidez quanto às virtudes e defeitos. Mário abre o coração numa con�dência de quem acredita na amiga e nas relações humanas. Apreciação As cartas foram escritas de 1939 a 1945, quando Mário veio a falecer. E são mais do que uma fonte de informação ou depósito de ideias estéticas: são um retrato de seu autor, com suas angústia e expansões de alegria, de emoção e de rigidez comportamental. Recomendações A obra é indicada para todos os que se interessam pela obra de Mário e sua poética, e alunos dos cursos de Educação Artística e Letras. Quadro 2 | Exemplo de resenha. Fonte: Medeiros (2000, p. 143). Vamos Exercitar? Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Agora que já conhecemos as características de uma pesquisa bibliográ�ca e uma pesquisa documental, compreendemos a diferença entre levantamento bibliográ�co e revisão bibliográ�ca, bem como as diferenças entre resumo e resenha, é hora de retomarmos nossa situação inicial. Você está buscando fontes de referência para a construção do seu trabalho de conclusão de curso (TCC). Você acessou uma plataforma como a Scielo e encontrou um artigo cientí�co que foi publicado no ano de 2022 com o assunto que você pretende trabalhar. Agora você precisa elaborar uma resenha sobre esse artigo, para posteriormente utilizá-la no seu TCC. Você precisa se atentar para os elementos que são indispensáveis na elaboração de um texto acadêmico e cientí�co: clareza, coerência, concisão e coesão. Também é indispensável se atentar para o fato de que as frases não são um emaranhado de palavras juntas, elas precisam fazer sentido e, como um todo, passar uma ideia geral para o leitor do texto, para que ele compreenda a mensagem que se deseja transmitir. Saiba mais 1. As pesquisas bibliográ�ca e documental são relevantes na construção do conhecimento e no entendimento da realidade em que nos encontramos inseridos. Para que isso seja possível, o pesquisador precisa compreender e dominar a maneira de condução e de realização dessas pesquisas. Para saber mais sobre esse assunto, leia o capítulo 2 “Pesquisa Bibliográ�ca”, p. 44-75, do livro Metodologia do Trabalho Cientí�co, de Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos. 2. A resenha e o resumo são produções importantes utilizadas para a construção do conhecimento. Eles permitem a elaboração de um comentário crítico sobre um documento, um texto, um �lme ou um objeto de estudo. Para que você se familiarize com esse tipo de produção, leia a resenha do livro “Urgências e emergências em saúde: perspectivas de pro�ssionais e usuários ”, escrita por Claudia Abbês Baêta Neves. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6028: Informação e documentação – Resumo, resenha e recensão – Apresentação. 2ª ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2021. CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTOO, Luciana Bernardo. Guia prático de monogra�as, dissertações e teses: Elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011. LIMA, Manolita Correia. Monogra�a: a engenharia da produção acadêmica. São Paulo: Saraiva, 2004. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597026559/epubcfi/6/22[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml9]!/4 https://app.uff.br/slab/uploads/texto80.pdf https://app.uff.br/slab/uploads/texto80.pdf Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024. MARIANO, Maria Luzia Silva; FRANCO, Sandra Aparecida Pires; OLIVEIRA, Katya Luciane de. Estágio em docência no curso de Doutorado em educação: relatos de experiência. Revista Ibero- Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 16, n. 1, p. 361-375, jan./mar. 2021. MEDEIROS, João Bosco. Redação cientí�ca: a prática de�chamentos, resumos, resenhas. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2000. SANTOS, Vanice dos; CANDELORO, Rosana. Trabalhos acadêmicos: uma orientação para a pesquisa e normas técnicas. Porto Alegre: Age, 2006. Aula 2 O Projeto de Pesquisa O projeto de pesquisa Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Partida Olá, estudante! Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Você já deve ter feito perguntas como “por quê?” e “como?” muitas vezes na vida. Essa é uma facilidade especialmente das crianças. Nós nascemos curiosos para saber a origem das coisas e a causas dos fenômenos que observamos. A curiosidade é uma das características elementares do ser humano, o qual encontrou muitas formas de sanar suas dúvidas; uma dessas formas é a utilização do método cientí�co para chegar à resposta de um questionamento. Para a construção, estruturação e aplicação do método cientí�co no desenvolvimento da pesquisa, o pesquisador precisa elaborar o projeto de pesquisa como etapa anterior. É a respeito dele que vamos falar. Pensemos na seguinte situação: você precisa elaborar o projeto de pesquisa para o seu TCC. É um dos requisitos para a conclusão do curso. No entanto, você ainda está sem inspiração em relação ao que trabalhar. Conversando com alguns professores, eles o orientaram a pensar inicialmente em um assunto que você goste e em como esse assunto poderia �car mais especí�co. Depois, você precisa ter um questionamento para esse assunto, que seja interessante não somente para você. Se possível, você deve pensar em uma hipótese. Vamos conhecer mais sobre o projeto de pesquisa para poder executar essa tarefa?! Bons estudos! Vamos Começar! A ciência e a tecnologia estão presentes em nossa vida cotidiana em diversos segmentos. Por trás de toda construção desses artefatos ou conhecimentos, estão as perguntas; elas são muito importantes porque con�guram a motivação do cientista para iniciar uma investigação. Toda pesquisa deve conter um problema a ser tratado ou uma pergunta como �o condutor. Tais problemas ou perguntas possuem fontes diversas: podem surgir a partir de conversa com familiares, de uma re�exão individual, de uma conversa com colegas de faculdade ou trabalho. Porém, há uma série de adaptações a serem feitas para que essa curiosidade inicial se torne uma pergunta cientí�ca que possibilite o desenvolvimento de uma pesquisa. No desenvolvimento da pesquisa, há a formulação inicial do problema, a elaboração do projeto de pesquisa, a criação de um modelo de análise, a coleta e análise de dados e a comunicação dos resultados. Saber conduzir uma boa pesquisa é essencial tanto para a produção de conhecimento básico, quanto para a produção de conhecimento aplicado, �nanciados por empresas ou governos. O conhecimento dessas etapas e desses procedimentos que envolvem todo o método cientí�co não só possibilitará o desenvolvimento de uma boa pesquisa, mas também exercitará o seu pensamento crítico. O que é o projeto de pesquisa? O projeto de pesquisa pode ser entendido como um planejamento que vai organizar o desenvolvimento da pesquisa. É um documento elaborado para direcionar, nortear o desenvolvimento da pesquisa. Realizar uma pesquisa sem a elaboração de um projeto é algo que se torna inviável, visto que isso pode tornar o estudo confuso e muitas vezes sem a fundamentação adequada devido a atividades desenvolvidas de maneira improvisada. A falta de Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO planejamento pode prejudicar tanto a condução da pesquisa quanto os resultados obtidos e a con�abilidade do estudo (Crivelaro; Crivelaro; Miotto, 2011). De acordo com Crivelaro, Crivelaro e Miotto (2011, p. 25), podemos entender o projeto de pesquisa como “um conjunto de perguntas: O que fazer? Por que fazer? Para que fazer? Onde fazer? Como, com que, quanto e quando fazer? Com quanto fazer? Como pagar? Quem vai fazer?”. Essas perguntas servem como norte, como orientação, para a construção das etapas especí�cas que precisam ser contempladas no desenvolvimento do projeto. Contudo, antes de pensarmos na estrutura em termos de organização, precisamos pensar em três elementos fundamentais: o tema, o problema e as hipóteses. Tema – o assunto da pesquisa A escolha do tema é de suma importância; é o momento em que escolhemos o assunto que vamos abordar ao longo da pesquisa. Essa escolha está ligada a muitas condições, como interesse pessoal, necessidade pro�ssional, exigência acadêmica, relevância na atualidade, etc. Independente da escolha, é necessário que exista material bibliográ�co disponível para consulta a �m de que o pesquisador realize seu levantamento bibliográ�co e sua revisão bibliográ�ca. Procurar fontes que contenham o assunto em questão é imprescindível para agregar maior conhecimento sobre o assunto e compreender os avanços obtidos em relação a ele (Marconi; Lakatos, 2024). Existe também a necessidade de delimitação do tema a ser pesquisado. O que isso quer dizer? O assunto precisa ser especí�co, bem demarcado, bem explicado e bem planejado, para que seja possível por em prática. Diversos estudos não alcançam seus objetivos porque não conseguem delimitar com quem a pesquisa será realizada, onde, quando, em quanto tempo, etc. Problema – as perguntas da pesquisa Ao desenvolver uma pesquisa, o pesquisador tem em si alguma inquietação, dúvida ou problema que almeja sanar. A pergunta da pesquisa é justamente essa incerteza que o pesquisador possui sobre determinado assunto e que o encoraja a desenvolver uma investigação, mas é um equívoco pensar que o produto de toda investigação é a solução dessa pergunta. Na verdade, mesmo quando é possível produzir respostas satisfatórias a uma dada pergunta (e nem sempre é possível), outras questões surgem decorrentes da investigação, além da existência própria daquelas que tangenciam a pesquisa e sequer foram tratadas. Um pesquisador iniciante pode e deve revisar a literatura sobre determinado tema, a �m de encontrar questões abertas. Ele deve procurar ter um certo domínio sobre a literatura do campo de estudo em que almeja começar uma investigação. O pesquisador deve ter um escopo bem de�nido, caso contrário, poderá se perder tentando responder mais questões do que lhe seriam pertinentes. Mesmo que problemas secundários sejam interessantes, é importante focar em uma questão especí�ca a �m de conseguir se dedicar a ela e entregar resultados relevantes. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO É necessário pensar também se a pergunta da pesquisa é algo interessante e relevante para a ciência e para o meio acadêmico e não somente para o pesquisador. Além disso, a ética é indispensável, de modo que a pergunta não cause risco de vida para os participantes, nem uma completa invasão de suas privacidades. Por �m, nem sempre é preciso inovar em ciência, mas com uma questão bem delimitada, é possível e desejável a produção de novas informações. A questão não precisa ser completamente original, mas novas informações sobre o assunto constituem um resultado esperado de boas pesquisas. As hipóteses da pesquisa Uma vez elaborada a questão de pesquisa, pode ser necessária a elaboração de hipóteses a serem testadas; elas darão uma resposta quanto ao problema colocado pelo pesquisador. As hipóteses são uma espécie de diretriz da pesquisa, elas indicam o que o pesquisador está buscando ou o que está tentando comprovar. Assim, elas são tentativas prévias de explicação do fenômeno analisado e devem ser formuladas de forma clara e concisa. A hipótese não deve ser confundida com pressuposto teórico, uma vez que, no decorrer da pesquisa, ela podeser descartada ou validada. A hipótese é sempre provisória e provável. Uma hipótese é diferente de uma a�rmação, pois o pesquisador não tem plena certeza de sua comprovação. Assim, a hipótese pode ser entendida como aquilo que o pesquisador acha que vai encontrar com o desenvolvimento da pesquisa. As fontes comuns para formulação de hipóteses são as teorias, generalizações empíricas sobre o problema de pesquisa e estudos revisados, mas elas também podem surgir em campos de estudo pouco explorados. Um erro grave ao elaborar hipóteses se faz quando o pesquisador não revê a literatura do campo de estudo e formula hipóteses que já foram signi�cativamente aceitas ou descartadas por outros estudos. Segundo Marconi e Lakatos (2024), as hipóteses se dividem em duas categorias: hipóteses básicas e hipóteses secundárias. As hipóteses básicas são aquelas escolhidas pelo pesquisador e que respondem ao problema diretamente. Por sua vez, as hipóteses secundárias indicam respostas complementares ou outras possibilidades de resposta para o problema em questão. Além dessa classi�cação, há outras maneiras de classi�car hipóteses mais gerais que variam de acordo com o objetivo da pesquisa como: hipóteses de pesquisa, hipóteses nulas, hipóteses alternativas e hipóteses estatísticas. As hipóteses de pesquisa podem ser entendidas como proposições acerca das possíveis relações entre duas ou mais variáveis. Siga em Frente... Estruturação do projeto de pesquisa Nós já sabemos que o projeto de pesquisa é um planejamento que deve apresentar de forma detalhada como o trabalho será realizado. Independentemente da abordagem teórica a ser utilizada no estudo, a pesquisa deve ser compreendida como um processo que pretende apresentar um resultado. A pesquisa cientí�ca é uma forma de produzir o conhecimento cientí�co dentro de um processo constituído por etapas que precisam ser atendidas no seu Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO desenvolvimento. A elaboração e apresentação do documento é realizada com base na ABNT NBR 15287 (2011). Etapas especí�cas do projeto de pesquisa Tema – qual assunto pretendo tratar? Problema – qual di�culdade teórica ou prática pretendo solucionar? Hipótese – que suposição pretendo explicar? Objetivo – o que eu pretendo alcançar? Metodologia – como eu pretendo alcançar? Levantamento bibliográ�co – quais materiais pretendo utilizar? Cronograma – em quanto tempo pretendo desenvolver essa pesquisa? Possíveis custos – terei custos para a realização das pesquisas? Quais? Formatação do projeto de pesquisa Para a montagem e apresentação do projeto de pesquisa, deve-se seguir a norma 15287 (2011) da ABNT. Devem ser contemplados os elementos pré-textuais, aqueles que antecedem o texto do trabalho, apresentando informações que ajudam sua identi�cação, manuseio e utilização. Os elementos textuais que são compostos pelo corpo do trabalho, introdução, desenvolvimento e conclusão. Por �m, os elementos pós-textuais que são materiais complementares, que tem por �nalidade documentar ou melhor esclarecer o texto. Vamos acompanhar a seguir cada um desses elementos. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Figura 1 | Estrutura do projeto de pesquisa. Fonte: adaptada de ABNT NBR 15287 (2011). Vamos pensar agora de maneira mais detalhada nesses elementos que precisam ser contemplados na elaboração de um projeto de pesquisa. É importante ressaltar que não existe um padrão único, mas os itens apresentados precisam estar presentes. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Figura 2 | Exemplo dos elementos a serem contemplados no projeto de pesquisa. Fonte: adaptada de Crivelaro; Crivelaro; Miotto (2011). Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Vamos Exercitar? É hora de retomarmos a nossa situação inicial. Você está concluindo seu curso de graduação, e como uma das etapas obrigatórias, você precisa elaborar um projeto para depois realizar o seu TCC. Precisamos pensar em um tema, um problema e uma hipótese. Nesse passo, é importante pensar que o tema não pode ser muito abrangente, caso contrário, você pode correr o risco de não conseguir trabalhar todos os elementos que você se propôs. O problema é a pergunta da sua pesquisa, aquela que lhe causa curiosidade. A hipótese é o que você acha que vai encontrar. Vamos pensar no seguinte exemplo: na área da educação/psicologia é possível trabalhar com a motivação para aprender. Tema: Motivação de alunos do ensino médio do estado de Minas Gerais para aprender. Problema: Os alunos do 3º ano apresentam motivação intrínseca para aprender? Hipótese: Parte-se da hipótese de que os alunos serão desmotivados. A partir daí, as outras etapas do projeto podem ser desenvolvidas. Com esse exemplo, você pode pensar em muitos outros temas, problemas e hipóteses para pesquisa. Saiba mais Compreender o que é o projeto de pesquisa, qual é a sua estrutura e como ele deve ser formatado é fundamental para o desenvolvimento de um bom trabalho e consequentemente para o desenvolvimento de uma boa pesquisa. Assim, é necessário que você domine esses tópicos. Para isso, leia o capítulo 4, “Projeto de pesquisa e relatório de pesquisa”, p. 112-145, do livro Metodologia do trabalho cientí�co, de Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15287: Informação e documentação – Projeto de pesquisa – Apresentação. 2ª ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2011. CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTTO, Luciana Bernardo. Guia prático de monogra�as, dissertações e teses: Elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597026559/epubcfi/6/26[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml11]!/4 Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO SANTOS, Vanice dos; CANDELORO, Rosana. Trabalhos acadêmicos: uma orientação para a pesquisa e normas técnicas. Porto Alegre: Age, 2006. Aula 3 Escrever e Publicar: Como Levar a Ciência para as Pessoas? Escrever e publicar: como levar a ciência para as pessoas? Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Partida Olá, estudante! A informação cientí�ca é um recurso valioso para o desenvolvimento da sociedade em seus diversos setores: acadêmico, industrial, governamental, empresarial, etc. Conhecer os meios de publicação cientí�ca, a estrutura e os formatos dos textos cientí�cos é fundamental para que se possa produzir ciência. Também é necessário conhecer as tecnologias que trouxeram muitas ferramentas positivas para o desenvolvimento das pesquisas cientí�cas e para a comunicação dos resultados. Vamos pensar na seguinte situação: em uma indústria química, o departamento de marketing quis veri�car o efeito da propaganda na venda de álcool em gel. Após o desenvolvimento da pesquisa, veri�cou-se que os resultados foram positivos nas vendas dos produtos. Posteriormente, o pesquisador inicia o processo de publicação dos resultados. Para isso, ele resolve fazer uma busca nas revistas cientí�cas mais relevantes disponíveis na internet sobre a Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO temática do estudo. Qual o principal critério que o pesquisador deve observar na hora de escolher uma revista a �m de alcançar esse objetivo? Bons estudos! Vamos Começar! A publicação cientí�ca ocorre quando os pesquisadores buscam tornar os resultados das suas pesquisas acessíveis a outrospesquisadores. A divulgação dos resultados da investigação é uma etapa muito importante da pesquisa e pode ser expressa por diversas formas de publicação. A publicação cientí�ca faz parte de um ramo mais amplo denominado de comunicação cientí�ca, que envolve diferentes formas de comunicação dos resultados (formais, informais, escritos, verbais) e que, por sua vez, se insere no contexto mais amplo da investigação cientí�ca. A comunicação cientí�ca envolve diversos atores da sociedade, como acadêmicos (responsáveis pela investigação), universidades (instituições que possuem os recursos e ambientes necessário para a investigação), �nanciadores (órgãos do governo ou agências que �nanciam bolsas e materiais da pesquisa), editores (gerem o controle de qualidade, produção e distribuição do conhecimento), bibliotecários (fazem a gestão da informação e sua preservação) e a população geral (todos nós que somos indiretamente e diretamente bene�ciados com a pesquisa). Os formatos mais comuns de publicação são: artigo técnico e/ou cientí�co, artigo original, artigo de revisão, comunicações e cartas ao editor. Vamos acompanhar, a seguir, a de�nição de cada uma dessas publicações: Artigo técnico e/ou cientí�co Parte de uma publicação, com autoria declarada, de natureza técnica e/ou cientí�ca. Artigo original Parte de uma publicação que apresenta temas ou abordagens originais. Artigo de revisão Parte de uma publicação que resume, analisa e discute informações já publicadas. Comunicações Apresentações resumidas, que compõem uma síntese geral e podem ser feitas enquanto a pesquisa está em desenvolvimento. Carta ao editor São expressões de opinião sobre um artigo publicado na revista que constitui um tema em discussão na comunidade cientí�ca. Quadro 1 | De�nição das publicações. Fonte: adaptada de ABNT NBR 6022 (2018). Siga em Frente... Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Artigo cientí�co Dada a conclusão de uma pesquisa, o que se espera é que os resultados obtidos sejam divulgados. O objetivo da publicação de um trabalho cientí�co é compartilhar as ideias encontradas, os fatos e os novos conhecimentos com outros pesquisadores, ampliando assim o conhecimento e a visão de mundo disponível em uma determinada área, e possibilitando o aumento do �nanciamento naquele setor. Embora reduzidos em tamanho, os artigos cientí�cos são estudos completos, pois apresentam os resultados das pesquisas. Segundo Marconi e Lakatos (2024, p. 90), “os artigos cientí�cos, por serem completos, permitem ao leitor, mediante a descrição da metodologia empregada, do processamento utilizado e dos resultados obtidos, repetir a experiência”. Dessa forma, podemos entender que os artigos cientí�cos são textos que relatam experiências desenvolvidas pelos pesquisadores, em diferentes áreas do saber e de diferentes maneiras. Ou, ainda, podem ser entendidos como textos que buscaram referências relevantes para uma determinada área. “Um artigo cientí�co visa tanto ao comunicar quanto ao compartilhar com a comunidade cientí�ca o processo e o resultado de alguma investigação” (Santos; Candeloro, 2006, p. 41). Normalmente, essas pesquisas são publicadas em revistas cientí�cas especializadas naquela área do conhecimento. A publicação de um artigo cientí�co passa por diversas etapas; em geral, percorre a seguinte ordem: seleção da revista, submissão do artigo, avaliação inicial do editor para veri�car se o artigo atende às diretrizes da revista. Em caso positivo, o artigo passa pelo peer-review (revisão por pares), em que dois pesquisadores da área vão avaliar o artigo no tocante ao conteúdo, a �m de veri�car a sua relevância para então aceitar o artigo para publicação, solicitar alguma reformulação ou rejeitar o artigo. Algumas revistas solicitam que o artigo seja traduzido para uma língua estrangeira, em geral o Inglês ou Espanhol, o que pode gerar custos para a publicação. O processo de publicação é frequentemente demorado e raramente decorre em menos de seis meses entre a submissão e a aceitação para publicação. Em muitos casos, as revistas mencionam a data de submissão e a de aceitação quando o artigo é publicado. Além disso, é cada vez mais comum a disponibilização digital do artigo, ao invés da publicação impressa. Todo esse processo, embora seja moroso, é necessário para que se assegure a qualidade dos trabalhos publicados e a relevância dos periódicos (revistas) no meio acadêmico e cientí�co. O processo de peer-review pode identi�car más posturas na pesquisa cientí�ca. A pressão para a publicação tem �cado cada vez maior. É necessário que o autor pense na qualidade do seu trabalho, pois isso pode afetar sua reputação acadêmica. Fraudes, plágios, con�itos de interesse não divulgados, manipulação de dados, submissões simultâneas de um mesmo artigo em duas revistas, duplicação de artigos, pode marcar de forma negativa a imagem dos pesquisadores. O plágio destaca-se por ser considerado uma das piores posturas no âmbito da publicação cientí�ca. É preciso que o artigo a ser publicado seja original. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Se o artigo for aceito ou publicado, é importante conhecer, de preferência antes da submissão, o fator de impacto das revistas. O fator de impacto é um meio de avaliar a qualidade e relevância das revistas. Esse impacto da publicação pode ser avaliado por meio de indicadores bibliométricos, para avaliação dos autores, que se baseiam no número de citações do artigo. Esses indicadores bibliométricos permitem saber, por exemplo, quais são os autores mais citados em uma área cientí�ca especí�ca e quais revistas têm o maior impacto em uma determinada área. Também é possível consultar o Qualis da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O Qualis Capes funciona como uma ferramenta de avaliação de programas de pós-graduação do Brasil e oferece uma classi�cação dos periódicos que retratam a produção intelectual desses programas. Os indicadores categorizam a qualidade do periódico e vão de A1 (mais elevado) até C (com peso zero). Para saber a classi�cação de um periódico, na Plataforma Sucupira, é possível consultar pelo International Standard Serial Number (ISSN), pelo título do periódico, por classi�cação ou área de avaliação. Observadas essas questões, precisamos pensar na estrutura do artigo cientí�co, ou seja, na maneira como ele será organizado e formatado para sua posterior apresentação ou apreciação pelos pares da revista. Assim, é imprescindível que estrutura e conteúdo sejam observados e contemplados no momento de elaboração de um trabalho cientí�co, pois os dois elementos são partes fundamentais na construção de uma pesquisa cientí�ca. Vamos olhar de uma maneira mais detalhada para a estrutura do artigo cientí�co. Estrutura do artigo Cada etapa da pesquisa possui uma série de critérios e procedimentos a serem seguidos. É necessário compreender a estrutura de um artigo que geralmente passa por introdução, metodologia, resultados e discussão. A norma da ABNT que trata do artigo cientí�co é a NBR 6022 (2018). A norma apresenta os princípios gerais para a elaboração e apresentação do trabalho. Porém, antes de olharmos especi�camente para esses elementos, precisamos nos atentar para o fato de que, quando vamos submeter o artigo à aprovação de uma revista, o autor deve seguir as normas editoriais adotadas pela revista. Isso se deve ao fato de não existir uma obrigatoriedade na adoção da ABNT para a normatização dos trabalhos acadêmicos. Dessa forma, as revistas e até mesmo as universidades podem adotar normas próprias para a padronização dos trabalhos cientí�cos. Assim, outras normas podem ser empregadas pelas revistas, como a American Psychological Association (APA) ou a Vancouver. Feita essa observação, vamos compreender como se dá a estrutura do artigo, que é composta por elementos pré-textuais, elementos textuais e elementos pós-textuais. Elementos pré-textuais Elementos textuais Elementos pós- textuaisObrigatórios Opcionais Título no idioma do documento Títuloem outro idioma Introdução Desenvolvimento (justi�cativa; Referências (NBR 6023) – Obrigatório https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/veiculoPublicacaoQualis/listaConsultaGeralPeriodicos.jsf https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/veiculoPublicacaoQualis/listaConsultaGeralPeriodicos.jsf Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Autor(es) Resumo no idioma do documento – conforme a NBR 6028 Datas de submissão e aprovação do artigo Resumo em outro idioma Identi�cação e disponibilidade objetivos; hipóteses e variáveis) Resultados e discussão Conclusão Glossário – Opcional Apêndice – Opcional Anexos – Opcional Agradecimentos – Opcional Quadro 2 | Elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais de um artigo. Fonte: adaptado de ABNT NBR 6022 (2018). Quando se coletam dados para a pesquisa, é preciso explicar ao leitor como isso foi feito. Os dados coletados podem ser apresentados em forma de texto, tabela ou grá�cos. Em relação ao formato, a ABNT (2018, p. 6) recomenda “fonte em tamanho 12 e espaçamento simples, padronizados para todo o artigo. As citações com mais de três linhas, paginação, notas, legendas e fontes das ilustrações e tabelas devem ser em tamanho menor e uniforme”. Precisamos nos atentar para o fato de que essas orientações são estruturais. Isso quer dizer que o desenvolvimento do conteúdo do artigo, a maneira como as seções serão articuladas é de total responsabilidade do pesquisador. Os critérios adotados em uma escrita acadêmica (como: coesão, coerência, objetividade e clareza) precisam ser observados no momento de construção do texto para que ele faça sentido e seja aprovado no momento de avaliação da revista. A ciência como atividade humana é profundamente afetada pelas demandas e relações de uma época. A publicação cientí�ca deve ser vista como parte do processo de desenvolvimento da pesquisa. Como a ciência nos bene�cia coletivamente, não se podem esconder os resultados de uma pesquisa: é necessário divulgá-los para que, assim, tragam inúmeros retornos práticos à sociedade como um todo. Eventos acadêmicos Divulgar o trabalho em um evento é muito importante para qualquer pesquisador; é uma oportunidade de ter seus estudos debatidos e conhecidos, o que enriquece sua produção. Da mesma forma, participar de eventos cientí�cos é parte essencial da vida acadêmica, pois é possível conhecer outros pesquisadores, ter contato com novas metodologias e ampliar sua visão a respeito do tema que está sendo debatido. Um evento cientí�co, como qualquer outro tipo de evento, é um encontro, uma reunião na qual as pessoas têm a chance de compartilhar interesses, descobertas, estudos, conhecimentos, além de ser uma oportunidade de divulgar e de encontrar novidades. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Existem diferentes tipos de eventos, diferentes modalidades, formas de inscrição e abrangência. Os eventos podem ser realizados de maneira presencial ou online, tendo a mesma validade. Dependendo do tipo do evento, os participantes podem se inscrever como ouvintes, como apresentadores de trabalhos e, em algumas situações, até mesmo como coordenadores de mesas de trabalho. Isso depende da �nalidade do evento e da forma como ele foi planejado para acontecer. Os trabalhos a ser apresentados podem ser resumos, resumos expandidos ou trabalhos completos; cada evento também determina o tipo de produção que vai receber. Assim como acontece com os artigos enviados para periódicos, os trabalhos enviados para eventos acadêmicos passam por uma avaliação, a �m de veri�car sua relevância e sua aderência ao tema do evento. Se forem aceitos, em dia e horário de�nidos pela comissão organizadora, o trabalho deve ser apresentado para que o participante receba seu certi�cado. Normalmente, esses eventos geram publicações dos trabalhos que foram apresentados ao longo do evento. São os anais do evento. Os anais de um evento são a coletânea de artigos ou resumos apresentados; trata-se de uma das partes mais importantes que �cará registrada. É uma publicação reconhecida, que recebe um número de registro, validando a sua credibilidade. Os eventos podem ter abrangência internacional, nacional, regional ou local, e podem ser de diferentes tipos, como: congressos, convenções, conferências, palestras, jornadas, encontros, feiras, etc. Vamos Exercitar? É hora de retomarmos a nossa situação inicial. O departamento de marketing de uma indústria química quis veri�car o efeito da propaganda na venda de álcool em gel. Como os resultados após a realização da pesquisa foram positivos, o pesquisador iniciou o processo de publicação dos resultados buscando os periódicos mais relevantes na área. Qual o principal critério que o pesquisador deve observar na hora de escolher uma revista a �m de alcançar esse objetivo? Após a conclusão da pesquisa, o pesquisador iniciou o processo de publicação dos seus resultados. Ele resolve buscar na internet as revistas mais relevantes no tema do artigo em questão. Para avaliar a relevância da revista, é possível veri�car o fator de impacto ou o Qualis divulgado pela Capes. Em geral, esse fator de impacto é um índice gerado a partir da avaliação dos autores já publicados e a quantidade de citações dos artigos publicados. Além disso, há critérios, como a submissão dos artigos à revisão por pares, que devem ser observados na hora de escolher uma revista que preze pela qualidade do conteúdo publicado. Saiba mais 1. A apresentação oral também é uma das partes que compõe um trabalho acadêmico, seja em um evento, na conclusão de um curso de graduação ou pós-graduação. É uma etapa Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO que exige preparo por parte do apresentador, para que ele se sinta seguro e consiga transmitir a mensagem aos ouvintes. Para saber mais sobre a preparação para uma apresentação oral, leia o texto “Professor dá dicas sobre como preparar apresentações cientí�cas”, de João Gabriel Palhares e Kharen Stecca. 2. Um artigo cientí�co é uma produção textual considerada bastante con�ável no meio acadêmico. Isso porque seu processo de elaboração deve ser bastante rigoroso do ponto de vista cientí�co. Para isso, o processo de condução da pesquisa e a escrita precisam seguir alguns passos. Para compreender mais sobre o assunto, leia o artigo: “Dez passos para produzir artigo cientí�co de sucesso”, de Maurício Gomes Pereira. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6022: Informação e documentação – Artigo em publicação periódica técnica e/ou cientí�ca – Apresentação. 2ª ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTTO, Luciana Bernardo. Guia prático de monogra�as, dissertações e teses: Elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024. SANTOS, Vanice dos; CANDELORO, Rosana. Trabalhos acadêmicos: uma orientação para a pesquisa e normas técnicas. Porto Alegre: Age, 2006. SCHEIBEL, Maria Fani; VAISZ, Marinice Langaro. Artigo cientí�co: percorrendo caminhos para sua elaboração. Canoas: Editora da Ulbra, 2006. Aula 4 A Ética na Realização das Pesquisas A ética na realização das pesquisas Este conteúdo é um vídeo! https://jornal.ufg.br/n/145369-professor-da-dicas-sobre-como-preparar-apresentacoes-cientificas https://jornal.ufg.br/n/145369-professor-da-dicas-sobre-como-preparar-apresentacoes-cientificas https://www.scielo.br/j/ress/a/TvGzXFrmHzhMf8CKJPd7rXc/?format=pdf https://www.scielo.br/j/ress/a/TvGzXFrmHzhMf8CKJPd7rXc/?format=pdf Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo,isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Partida Olá, estudante! Em algum momento, você já se questionou sobre as possíveis consequências éticas do uso de animais na pesquisa cientí�ca, ou mesmo sobre os experimentos nazistas com seres humanos? Com base nesses exemplos, é possível que você tenha considerado que a ciência poderia estar isenta de princípios éticos; ao menos é o que algumas pessoas defendem. Na corrida não apenas por um entendimento profundo sobre doenças emergentes, mas também pelo desenvolvimento de medicamentos e vacinas, certos protocolos éticos desempenham sua importância na investigação cientí�ca. Além disso, a ética, enquanto campo de investigação, tem conseguido acompanhar a ciência com o objetivo de enriquecê-la ao estudar seus potenciais problemas éticos. Vamos re�etir sobre a seguinte questão: um grupo de cientistas está investigando um tratamento que se mostra muito promissor para a doença de Alzheimer. Eles estão realizando ensaios clínicos com pacientes que apresentam a doença (por meio de sorteios, alguns recebem o medicamento e outros recebem o placebo). A pesquisa é apresentada como tendo grande potencial para a área da saúde, mas, em determinado momento, um dos integrantes da pesquisa altera o sorteio do estudo, dando o medicamento para a esposa de um amigo que apresenta o Alzheimer. De que forma a atitude desse pesquisador pode ser interpretada? Bons estudos! Vamos Começar! Será que a ciência é um “tudo vale”, em que re�exões sobre a ética e a saúde dos indivíduos ou animais de laboratórios não são consideradas? Será que a ética representa um empecilho para o desenvolvimento pleno da ciência? Até que ponto devemos estar cientes da importância dos postulados éticos que norteiam a pesquisa cientí�ca? Na corrida não apenas por um entendimento profundo sobre o surgimento de novas doenças, mas também pelo Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO desenvolvimento de medicamentos e vacinas, certos protocolos éticos desempenham sua importância na investigação cientí�ca. Além disso, a ética, enquanto campo de investigação, tem conseguido acompanhar a ciência com o objetivo de enriquecê-la ao estudar seus potenciais problemas éticos. Aqui vale a pena trazermos a de�nição de ética e moral para compreendermos a diferença entre os dois conceitos e como o conceito de ética se aplica no desenvolvimento de pesquisas cientí�cas. Segundo o dicionário online da língua portuguesa Michaelis (2023), a moral é algo “relativo às regras de conduta e aos costumes estabelecidos e admitidos em determinada sociedade”. Dessa forma, entendemos que a moral diz respeito a um sistema de valores, regras e princípios que rege o comportamento das pessoas pertencentes a um determinado grupo. A moral deve ser considerada dentro de um contexto (tempo e espaço), sendo o sujeito moral aquele que age de acordo com as regras determinadas pelo grupo a que pertence. Por sua vez, a ética pode ser de�nida como o Ramo da �loso�a que tem por objetivo re�etir sobre a essência dos princípios, valores e problemas fundamentais da moral, tais como a �nalidade e o sentido da vida humana, a natureza do bem e do mal, os fundamentos da obrigação e do dever, tendo como base as normas consideradas universalmente válidas e que norteiam o comportamento humano (Michaelis, 2023). A ética, portanto, pode ser entendida como um conjunto de princípios, normas, deveres e valores que regem a relação de uma pessoa, um grupo, de uma organização ou de uma comunidade com o mundo. O sujeito ético é aquele que age e faz escolhas dentro de um sistema de valores pessoais e considerando as normas de um grupo. Dada essa diferenciação, precisamos compreender que são conceitos que se relacionam dentro dos contextos nos quais estão inseridos. Vamos pensar nas questões éticas atreladas às pesquisas cientí�cas. Ética e ciência A ética é o princípio norteador da investigação cientí�ca, contribuindo não apenas para a elaboração de pesquisas mais bem executadas, mas também para que os cientistas mantenham um elevado nível de responsabilidade com seus projetos. Sem ética, a ciência provavelmente estaria fadada ao fracasso, pois a preocupação coletiva com a integridade dos indivíduos, com o manuseio dos dados da pesquisa e com a imparcialidade na realização da pesquisa seria substituída pelo interesse individual. A preocupação com a verdade daria cada vez mais espaço para a necessidade de ganho �nanceiro elevado. Portanto, uma pesquisa desprovida de princípios éticos não pode ser considerada uma ciência. A atitude ética na investigação cientí�ca representa o cuidado que os pesquisadores devem ter ao elaborarem seus projetos de pesquisa, pois existem órgãos reguladores que avaliam as consequências sobre certos tipos de estudos que usam animais e seres humanos. Dessa forma, estudos que possam causar algum tipo de impacto negativo aos participantes geralmente não são aprovados, especialmente por conta de experiências relatadas anteriormente em Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO investigações psicológicas. Um exemplo é o famoso experimento de aprisionamento de Stanford, cujo objetivo era analisar o comportamento humano numa sociedade na qual os indivíduos eram apenas de�nidos pelo grupo. Esse experimento teve que ser interrompido bem antes de sua conclusão porque os voluntários começaram a usar formas de tratamento abusivas com outros participantes, como violência física e verbal. A orientação ética na pesquisa cientí�ca destaca que o cientista também deve ter cuidado durante a coleta de dados, de modo a evitar possíveis contaminações e/ou enviesamento cognitivo, pois poderiam prejudicar a qualidade do trabalho. Resultados obtidos de forma duvidosa levam ao desperdício de recursos essenciais, às vezes, dinheiro público, que poderiam ser usados em pesquisas mais bem projetadas e sem nenhum tipo de direcionamento/manipulação. Por essa mesma razão, a replicação de estudos é vista como uma tarefa fundamental para identi�car o risco de contaminação e enviesamento nos resultados de um estudo individual. A replicabilidade desses estudos permite ao pesquisador ter certeza de que os resultados não se devem ao acaso ou a fatores externos que possam ter interferido neles. Um cientista deve ser orientado pelos riscos que uma pesquisa malfeita pode trazer a longo prazo, principalmente em uma sociedade com recursos escassos que esteja passando pelo enfrentamento de crises econômicas ou pandemias. A ética revela o nível de responsabilidade do cientista com sua produção intelectual, de modo que negligenciá-la só contribuirá para a justi�cação ideológica de corte orçamentário da pesquisa cientí�ca. Pelo menos, é o pretexto mais frequentemente utilizado por governos anticientí�cos, pois não enxergam a ciência como um investimento vital para o progresso social, mas como um gasto desnecessário, sob a desculpa do suposto excesso de fraudes, vieses cognitivos e erros ao longo da história da ciência. Siga em Frente... Cuidados éticos para a realização de uma pesquisa A ética cientí�ca é um enfoque multidisciplinar que, em conjunto com a ciência, busca avaliar a plausibilidade da adoção de certos princípios éticos e normas sociais. Além de campos como a Antropologia, a Psicologia, a Sociologia ou a História, a ética também estuda a ciência, especialmente, as normas éticas que vigoram na comunidade cientí�ca. Ela estuda ainda o impacto ético de certos estudos que são feitos com animais e seres humanos. Além disso, a ética está interessada no comportamento inadequado durante o desenvolvimento de uma pesquisa, principalmente na motivação do cientista em fraudar resultados. Entre os diversos problemas éticos que advêm da atividade cientí�ca, três merecem atenção: a questão do consentimento dos voluntários para o desenvolvimento de uma pesquisa, o problema da preservação de identidade2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. cap. 1. p. 21-39. https://www.scielo.br/j/ci/a/ZmhGpGCb8DnzGYmRBfGWNLy/abstract/?lang=pt# https://www.scielo.br/j/ci/a/ZmhGpGCb8DnzGYmRBfGWNLy/abstract/?lang=pt# https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536323633/pageid/18 Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à �loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003. BUNGE, Mario. La investigación cientí�ca. Barcelona: Colección Convivium, Ariel, 1969. CHAUÍ, Marilena de Souza. Convite à �loso�a. São Paulo: Ática, 2014. GALLO, Silvio. Filoso�a: experiência do pensamento. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2016. KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de Metodologia Cientí�ca: teoria da ciência e iniciação à pesquisa. Petrópolis: Vozes, 2011. MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2023. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/. Acesso em: 8 out. 2023. TOSI, Marcela. Voto feminino: a história do voto das mulheres. 2023. Disponível em: https://www.politize.com.br/conquista-do-direito-ao-voto-feminino/. Acesso em: 10 out. 2023. Aula 2 A Racionalização do Conhecimento no Mundo Moderno A racionalização do conhecimento no mundo moderno Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/ https://www.politize.com.br/conquista-do-direito-ao-voto-feminino/ Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Ponto de Partida Olá, estudante! A transição da Idade Média para a Idade Moderna foi um período marcado por muitos con�itos e profundas transformações sociais. As Revoluções Burguesas (Revolução Industrial e Revolução Francesa) e o Iluminismo impulsionaram essas transformações, que nos in�uenciam até os dias atuais. Mas você pode estar se perguntando: por que estamos falando sobre as Revoluções Burguesas em uma disciplina de Pensamento Cientí�co? A resposta é simples: para compreendermos a constituição do pensamento cientí�co e as novas formas de interpretação da vida humana, precisamos olhar para esse processo que ocasiona mudanças econômicas, sociais, políticas e até mesmo culturais na sociedade ocidental. Assim, vamos buscar responder aos seguintes questionamentos: 1. Quais fatores impactaram de maneira decisiva a transição da Idade Média para a Idade Moderna? 2. Quais foram as mudanças decorrentes dessa transição? 3. Como a maneira de interpretar o mundo se modi�cou? Com o desenvolvimento da aula, você será capaz de entender a transição do pensamento que vigorava na Idade Média para o pensamento Moderno, a oposição entre o pensamento racionalista e o pensamento empirista e como as Ciências Humanas foram ganhando espaço na sociedade e na interpretação dos fenômenos. É hora de aprofundar nossos conhecimentos! Bons estudos! Vamos Começar! A transição da Idade Média para a Idade Moderna marcou também a mudança do modo de produção feudal para o capitalista. Foram diversos os fatores que determinaram a queda do feudalismo e a ascensão do capitalismo; vamos observar alguns deles no Quadro 1 a seguir: QUEDA DO FEUDALISMO ASCENSÃO DO CAPITALISMO Renascimento (séc. XIV – XVI): movimento cultural que trouxe a valorização da razão, da educação e a busca do conhecimento. Reforma protestante: contesta os valores da Igreja Católica, que perde poder. Exploração do trabalho: múltiplos impostos pagos pela população que passava fome e sofria com as guerras e mudanças climáticas. Êxodo rural: as pessoas migraram dos campos para as cidades buscando melhores condições de vida. Crescimento comercial e urbano: expansão das rotas comerciais e crescimento das cidades; desenvolvimento de uma economia monetária. Surgimento do trabalho assalariado: no sistema feudal, o trabalho era servil. Surgimento e ascensão da burguesia: pequenos comerciantes que foram adquirindo poder econômico. Revoluções Burguesas: Revolução Industrial e Revolução Francesa. Iluminismo. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Quadro 1 | Fatores determinantes na queda do feudalismo e ascensão do capitalismo. Fonte: elaborado pela autora. Esses são apenas alguns dos fatores envolvidos nesse movimento de transição, e é importante lembrar que o processo foi gradual e aconteceu em momentos diferentes nas diferentes regiões do planeta. Vamos olhar de maneira mais especí�ca para as Revoluções Burguesas, começando pela Revolução Industrial (1760-1840), que teve início na Inglaterra. O sistema de produção que era predominantemente agrário e artesanal passou para a manufatura e a maquinaria, o que aumentou a e�cácia da produção e reduziu os custos. Consequentemente, surgiram grandes indústrias e o trabalho em massa; o relógio é que passou a ditar o ritmo e o tempo do trabalho. Assim, podemos entender que a Revolução Industrial modi�ca as relações no modo de produção da sociedade (Giddens, 2005). A queda da Bastilha em 14 de julho de 1789, uma fortaleza que era símbolo da monarquia e do autoritarismo da época, marca o início da Revolução Francesa. A população, insatisfeita com as condições sociais, econômicas e com o regime monárquico, e impulsionada pela burguesia que detinha o poder econômico, mas não o político, fez a Revolução. É importante ressaltar que os ideais iluministas in�uenciaram de maneira decisiva o movimento revolucionário. De maneira geral, a proposta era a universalização dos direitos e liberdades individuais, e a abolição da monarquia absolutista. Dessa forma, a Revolução Francesa modi�ca as relações políticas e sociais que eram praticadas na sociedade (Fuini, 2022). Nesse processo, a perspectiva iluminista é fundamental, com suas ideias transformadoras do entendimento da sociedade. Na Idade Média, a Igreja Católica exerceu forte in�uência no âmbito político, participando das decisões; no âmbito econômico, recebendo parte dos impostos arrecadados; e no âmbito social, determinando as regras de conduta moral. Assim, a maneira de interpretar o mundo era teocêntrica, ou seja, Deus estava no centro de todas as explicações e de todo o conhecimento disponível e permitido na sociedade (Giddens, 2005). O pensamento iluminista mudou essa maneira de entendimento, valorizando a razão, o questionamento, a investigação e a experiência como formas para obter conhecimento. Ocorreu então um deslocamento do teocentrismo para o antropocentrismo, em que o ser humano se encontra no centro das explicações e da busca pelo conhecimento. Os privilégios da nobreza e do clero passaram a ser questionados, a Igreja Católica foi alvo de profundas críticas pela maneira como se posicionava na sociedade e houve a defesa da liberdade política e econômica e da igualdade de todos perante as leis. O século XVIII �cou conhecido como Século das Luzes devido a tais mudanças (Gallo, 2016). Siga em Frente... Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Diferentes pensamentos na modernidade Agora que já conhecemos a conjuntura em que se deu a transição da Idade Média para a Idade Moderna, podemos avançar e compreender que, no contexto de tais transformações. surgiram também diferentes olhares, diferentes maneiras de interpretar o conhecimento. Além das revoluções de cunho social, econômico e político, a sociedade passava também por uma revolução cientí�ca, em que se buscavam novas formas de conhecer. Surge então a questão do método para os diversos teóricos, que “centralizava as atenções não apenas no conhecimento do ser (metafísica), mas sobretudo no problema do conhecimento” (Aranha; Martins, 2003, p. 130). Nesse sentido, vamos re�etir a respeito dos teóricos racionalistas e empiristas. Antes de nos aprofundarmos, precisamos compreender que o intuito de todos eles erae integridade e, por último, a relação entre voluntários e pesquisadores no decorrer da investigação cientí�ca. Na regulação dessas relações, atuam os comitês de ética em pesquisas, que avaliam a viabilidade das pesquisas com o intuito de Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO defender a integridade e dignidade dos participantes da pesquisa, bem como de contribuir com o seu desenvolvimento dentro dos padrões éticos (Ministério da Defesa, 2023). As pesquisas realizadas com seres humanos devem ser submetidas para avaliação na plataforma Brasil e atender à Resolução CNS nº 466/2012, seguindo a todos os requisitos nela dispostos a �m de que a pesquisa seja aprovada para a sua realização. Em relação às pesquisas realizadas com animas, os projetos devem ser submetidos ao Comitê de Ética no Uso de Animais (CEUA - INCA) e comissão de biossegurança, e atender ao que está disposto na Lei 11.794, de 08 de outubro de 2008, que estabelece o procedimento para uso cientí�co de animais (Ministério da Defesa, 2023). Os voluntários da pesquisa Uma pesquisa nunca pode ser realizada sem o consentimento de quem dela vai participar. O consentimento dos voluntários é imprescindível e refere-se à autorização prévia de uso de certos dados dos participantes na pesquisa cientí�ca. De outro modo, uma pesquisa que utiliza de forma indevida dados de seus voluntários sem o consentimento necessário está violando princípios éticos e, consequentemente, prejudicando a qualidade da pesquisa. É de grande importância também o pesquisador ressaltar a voluntariedade da participação, não sendo o participante obrigado a participar. É preciso �car claro que não haverá nenhum tipo de prejuízo, remuneração ou custo aos participantes e que eles podem se sentir à vontade para desistir da participação a qualquer momento do processo da pesquisa. Antes da participação, é solicitado que os participantes assinem um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) onde constam todas as informações sobre a pesquisa e esclarecimentos necessários (Baptista; Campos, 2016). Preservação da identidade e integridade O anonimato dos participantes deve sempre ser preservado, a menos que haja uma autorização para a divulgação de sua identidade. Assim, é necessário se atentar à proteção de informações sensíveis dos participantes de um estudo. Também se refere ao princípio de que os participantes devem estar cientes dos riscos envolvidos no estudo do qual serão voluntários, seja de ordem física ou psicológica – nesse caso, é importante deixar claros os possíveis riscos trazidos aos voluntários ao se submeterem ao estudo. O sigilo das respostas obtidas também deve ser garantido aos participantes. Mesmo que a pesquisa seja publicada, e esse é objetivo da realização de pesquisas, não se deve identi�car o grupo que participou do estudo divulgando nome da cidade, da instituição ou qualquer outra informação que permita a identi�cação dos participantes (Baptista; Campos, 2016). A relação entre voluntários e pesquisadores O problema mais evidente no tocante à relação entre os voluntários e os pesquisadores é a possível manipulação do comportamento dos voluntários de acordo com a intenção do cientista Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO de obter um resultado especí�co em um estudo clínico. Por exemplo, um voluntário poderia agir de acordo com as expectativas do pesquisador ao ser submetido a um teste clínico para investigar a e�cácia de algum fármaco. Isso consequentemente enviesaria os resultados, prejudicando a qualidade da evidência. O voluntário poderia dizer que, ao ingerir o fármaco testado, ele conseguiu obter os melhores benefícios à saúde, mesmo que o relato, de fato, não seja verdade. Portanto, durante a condução de testes clínicos ou outros tipos de pesquisas, é necessário que os voluntários sejam selecionados de forma aleatória (randomizados), é necessário também que exista uma amostragem signi�cativa para ser representativa e, mais ainda, que existam grupos de controle de placebo (no caso de testes clínicos). Isso é importante para identi�car sobre a e�cácia do resultado obtido, se o fármaco pode ser considerado estatisticamente signi�cativo quando comparado ao grupo que tomou placebo, por exemplo. Ética com os dados da pesquisa A ética também está relacionada à forma como o trabalho cientí�co é produzido e apresentado na hora da avaliação pelos pares, de modo que plágios, manipulações de dados estatísticos e falsi�cações não são tolerados quando descobertos pelos revisores. Um trabalho cientí�co orientado eticamente é original, com dados normalmente re�etindo as consequências reais do estudo. De fato, podem ocorrer casos em que os revisores independentes encontram falhas, mas um cientista que preza pela ética buscará corrigir o trabalho que apresentar problemas. Também é possível a violação dessas condutas éticas durante a investigação cientí�ca, mas quando isso acontece, os pesquisadores são punidos. Quando um cientista é denunciado por fraude, uma comissão de ética pode ser convocada para analisar o caso, podendo ocorrer até a perda da titulação acadêmica do pesquisador. Em outras situações, dependendo do nível da ocorrência, a retratação pública do próprio cientista pode ser vista como su�ciente em um caso não intencional de erro na elaboração de sua pesquisa. Órgãos regulatórios também contribuem para analisar de que forma os animais usados em experimentos estão sendo tratados, de modo que a violência e o sofrimento não são toleráveis no ato da pesquisa cientí�ca. A violação das normas éticas de proteção animal pode levar ao encerramento da investigação cientí�ca e o autor poderá responder a processo por conta dessa violação, além, é claro, do possível impedimento no exercício de futuras pesquisas. Finalmente, os cientistas adotam abertamente um conjunto de princípios éticos em comunidade, também chamados de ethos da ciência, primeiramente percebido e estudado pelo sociólogo da ciência Robert K. Merton (1968), que consistem em universalidade, desinteresse, ceticismo coletivo, comunismo epistêmico e originalidade. Observe no Quadro 1 a seguir o signi�cado desses princípios. Universalidade Refere-se ao fato de a ciência poder ser praticada por qualquer pessoa, independentemente de sua etnia ou localização geográ�ca. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Desinteresse Refere-se à necessidade de os anseios coletivos estarem acima dos interesses individuais/privados. Ceticismo Coletivo (ceticismo cientí�co) Refere-se à dúvida metódica, em que hipóteses e teorias são sujeitas à crítica responsável pela comunidade cientí�ca. Comunismo epistêmico Refere-se à noção de que a ciência é uma propriedade de todos, acessível a todos, independente da situação socioeconômica Originalidade Refere-se ao estímulo à produção de novas pesquisas e teorias. Quadro 1 | Princípios éticos para a realização das pesquisas (ethos da ciência). Fonte: elaborado pela autora. Vamos Exercitar? Você se lembra da nossa situação inicial? Agora que já compreendemos os aspectos éticos que envolvem a realização de uma pesquisa, é hora de pensar no grupo de pesquisadores que está investigando um tratamento muito promissor para a doença de Alzheimer. Entretanto, em determinado momento, um dos integrantes da pesquisa altera o sorteio do estudo, dando o medicamento para a esposa de um amigo que participa dos testes. Como a atitude desse pesquisador pode ser interpretada? O pesquisador foi antiético. A pesquisa em questão foi desenhada de forma randomizada, para garantir que todos os participantes tenham a mesma possibilidade de tratamento ou não com o medicamento em teste. Um dos princípios na avaliação de um estudo é o mascaramento dos participantes que vão integrar a amostra, justamente para que não haja a possibilidade de manipulação dos resultados. Quando o pesquisador dá o medicamento para um participante especi�camente, ele está quebrando uma das características de con�abilidade do estudo, o que pode gerar um viés no momento de interpretação dos resultados. Como oestudo é experimental, o pesquisador também pode estar dando ao participante a falsa esperança de cura, pois ainda estão sendo buscadas as evidências de validade do medicamento. Saiba mais 1. Observar os critérios éticos para a realização das pesquisas é fundamental para que os resultados obtidos sejam con�áveis e relevantes. “A pesquisa envolvendo seres humanos é a pesquisa que, individual ou coletivamente, tenha como participante o ser humano, em sua totalidade ou partes dele, e o envolva de forma direta ou indireta, incluindo o manejo de seus dados, informações ou materiais biológicos” (Ministério da Defesa, 2023). Para compreender melhor os dispositivos da Resolução CNS nº 466/2012, acesse o documento disponível no site do governo. https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/arquivos/resolucao_cns_n__466.pdf Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO 2. A ética na realização das pesquisas é uma premissa para a con�abilidade dos experimentos dela decorrentes. Para isso, é fundamental também se atentar para a integridade física e psicológica dos participantes da pesquisa. Não foi o que aconteceu no experimento de aprisionamento ocorrido na Universidade De Stanford em 1971. Para se aprofundar nesse tema, ouça o episódio “A maldade humana e o experimento de Stanford” do podcast “Mundo Freak Con�dencial”, publicado em fevereiro de 2021. Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à �loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003. BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016. MERTON, Robert. Sociologia: teoria e estrutura. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1968. MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2023. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/. Acesso em: 8 out. 2023. MINISTÉRIO DA DEFESA. Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/HFA). 2023. Disponível em: https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/comite- de-etica-em-pesquisa-cep-hfa. Acesso em: 30 out. 2023. Aula 5 Encerramento da Unidade Videoaula de Encerramento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/ https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Chegada Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é “conhecer o desenvolvimento e a estrutura de um projeto de pesquisa e seus fundamentos práticos, observando as questões éticas para o desenvolvimento das pesquisas cientí�cas”, você deve primeiramente ter em mente o que é uma pesquisa bibliográ�ca e uma pesquisa documental, bem como a forma de se construir um resumo e uma resenha. Depois, é preciso saber o que é e como estruturar um projeto de pesquisa com base nas normas da ABNT. É necessário pensar na publicação/divulgação dos resultados das pesquisas por meio da publicação de artigos cientí�cos ou da participação em eventos acadêmicos. Em todos esses processos, é preciso observar as questões éticas que são interligadas a eles. Ao conduzir pesquisas, é essencial manter altos padrões de ética para garantir a integridade e o respeito pelos participantes, bem como para preservar a con�abilidade e a validade dos resultados. Porém, a ética não deve estar presente somente quando a pesquisa envolve seres vivos. Se você realizar uma pesquisa bibliográ�ca ou documental, por exemplo, a ética também precisa estar presente, no sentido de que você não cometerá plágio, ou seja, fará corretamente as citações e referências no seu texto, dando os devidos créditos aos autores que tomar como base. Ou, então, você não vai manipular os dados e resultados encontrados nas pesquisas que você está utilizando como base para que eles estejam de acordo com a sua visão de mundo. A ética precisa estar presente nas nossas ações cotidianas, no nosso ambiente de trabalho, no ambiente familiar, educacional, etc. Enquanto pesquisadores, precisamos nos conscientizar da nossa responsabilidade social. Isso signi�ca que é necessário reconhecer a responsabilidade social da pesquisa, buscando contribuir de forma signi�cativa para o avanço do conhecimento e o bem- estar da sociedade como um todo. Nessa perspectiva, a ética deve estar presente em nossa prática desde o momento de elaboração do nosso projeto de pesquisa, na aplicação, na coleta e análise de dados e posteriormente na divulgação dos resultados. Ela desempenha um papel fundamental em todas as fases do planejamento e da construção da pesquisa. Não promove apenas a integridade acadêmica, mas também protege os direitos e o bem-estar dos participantes, bem como do público em geral. Seguindo a ética, o pesquisador construirá um estudo con�ável, baseado em princípios e evidências; seus resultados poderão servir de base para outros estudos. Por isso, é relevante a participação do pesquisador em diferentes tipos de eventos acadêmicos e o envio de artigos para a publicação em periódicos que sejam referência na área. Participar de eventos acadêmicos Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO é uma oportunidade valiosa para expandir o conhecimento, estabelecer conexões com outros pro�ssionais e pesquisadores, compartilhar suas próprias pesquisas e descobertas, além de se manter atualizado sobre as tendências e avanços em sua área de estudo. A publicação de artigos cientí�cos é uma maneira fundamental de contribuir para o avanço do conhecimento em sua área de estudo e de compartilhar suas descobertas e pesquisas com a comunidade acadêmica e cientí�ca. É necessário buscar garantir a qualidade e a relevância do seu trabalho; assim, você aumenta as chances de publicar seus artigos em revistas cientí�cas respeitáveis. Outra questão a ser observada são os possíveis custos das publicações ou das participações em eventos. A maioria dos eventos cobra uma taxa de inscrição. Quanto aos periódicos, normalmente não há taxa para o envio e avaliação; o que muitas vezes é cobrado é a tradução do artigo para uma língua estrangeira. Isso precisa ser feito pelo tradutor indicado pela revista, que é certi�cado naquela língua e fará um trabalho de qualidade. Contudo, até chegar à etapa de publicação, todas as outras precisam ser observadas e atendidas. Elas visam à qualidade e relevância das produções. Re�ita A partir da discussão apresentada, re�ita sobre os seguintes questionamentos: O projeto de pesquisa de fato nos auxilia no planejamento de nossas pesquisas? É realmente necessário nos atermos aos aspectos éticos na realização de uma pesquisa? Ou a ética atrasa o progresso cientí�co? É Hora de Praticar! Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Pesquisas envolvendo seres humanos são uma parte essencial da ciência e da pesquisa em muitas áreas. Ao conduzir pesquisas com seres humanos, é crucial garantir que os participantes sejam tratados com respeito, dignidade e consideração pelos seus direitos e bem-estar. É importante seguir diretrizes éticas e protocolos rigorosos para proteger os participantes durante todo o processo de pesquisa. Alguns pontos são indispensáveispara a condução da pesquisa, como: o consentimento dos participantes, a con�dencialidade, a imparcialidade e a minimização dos riscos. Não se pode esquecer também que a pesquisa só pode ser desenvolvida após a aprovação no comitê de ética em pesquisa. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Vamos analisar um artigo cientí�co que divulga os resultados de uma pesquisa realizada com seres humanos: INÁCIO, A. L. M.; MARIANO, M. L. S.; BZUNECK, J. A. Evidências de validade da escala de motivação de professores para o trabalho. Revista Portuguesa De Educação, v. 36, n. 2, 2023. Depois de ler todo o artigo, volte no tópico 2 – Método, na página 5, e se atente para como os autores descrevem os participantes da pesquisa, os instrumentos utilizados para coletar os dados, como a análise dos dados foi feita e quais foram os procedimentos adotados para a condução da pesquisa. Procure fazer anotações de pontos que você considerar importantes. Agora, responda aos seguintes questionamentos: A pesquisa tem um referencial bibliográ�co sólido que embasa a sua construção? A pesquisa analisada partiu de princípios éticos na sua realização? É possível veri�car se, antes do desenvolvimento da pesquisa, houve a avaliação de algum comitê de ética em pesquisa? Bons estudos! Após a análise do artigo indicado, quais aprendizados você obteve para o desenvolvimento da sua pesquisa? O artigo deixa bem delimitado, logo na introdução, o referencial teórico utilizado na construção da pesquisa. Os autores trabalham com a motivação de professores para o trabalho e tomam como base a teoria da autodeterminação. Para situar o leitor, os autores apresentam as bases e os pressupostos dessa teoria. Quando se analisa a parte especí�ca do método do artigo em questão, em que os autores descrevem os sujeitos da pesquisa, os instrumentos, a análise dos dados e os procedimentos, é possível perceber o detalhamento das informações, o que oportuniza ao leitor de fato compreender o conteúdo abordado. Os participantes são descritos em termos de gênero, idade, instituição em que trabalham, e região de proveniência. Nenhum desses dados permite a identi�cação dos participantes. Os instrumentos são descritos a �m de que o leitor compreenda quais dados foram coletados e para que haja a compreensão da estruturação e validação da escala de motivação do professor para o trabalho. Também �ca evidente que não é possível identi�car os participantes da pesquisa. No quesito análise dos dados, os autores apresentam os softwares utilizados para as análises estatísticas. Por �m, nos procedimentos, os autores apontam os procedimentos éticos que foram adotados em conformidade com a Resolução 510/2016. Também é disponibilizado ao leitor o número de aprovação no comitê de ética em pesquisa, que pode ser veri�cado na Plataforma Brasil. Vamos analisar a �gura a seguir e procurar pensar em como os princípios éticos estão ligados ao desenvolvimento de todos os tipos de produção cientí�ca em todas as suas fases de elaboração. https://revistas.rcaap.pt/rpe/article/view/25592/23280 https://revistas.rcaap.pt/rpe/article/view/25592/23280 https://plataformabrasil.saude.gov.br/login.jsf Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Fonte: elaborada pela autora. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à �loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003. BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016. MINISTÉRIO DA DEFESA. Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/HFA). 2023. Disponível em: https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/comite- de-etica-em-pesquisa-cep-hfa. Acesso em: 30 out. 2023. , Unidade 4 Os Resultados da Pesquisa Cientí�ca https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Aula 1 Conhecendo as Etapas da Pesquisa Cientí�ca Conhecendo as etapas da pesquisa cientí�ca Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Partida Olá, estudante! Ao realizar um trabalho acadêmico, o pesquisador propõe-se a seguir de forma criteriosa algumas regras e normas que são pertinentes da ciência para poder investigar seu problema de forma relevante e obter respostas consistentes e importantes para a comunidade acadêmica e para a sociedade de uma forma geral. O estudante universitário é um pesquisador em formação, que, após a conclusão do curso, pode escolher seguir no caminho acadêmico ou ingressar no mercado de trabalho, por exemplo. Para a conclusão do curso, as universidades solicitam a elaboração de uma monogra�a ou de um trabalho de conclusão de curso (TCC). Vamos falar de forma aprofundada a respeito desses trabalhos e das suas diferentes etapas. Vamos tomar como base a seguinte questão: você está desenvolvendo seu trabalho de conclusão de curso, você já de�niu o tema da sua pesquisa: “impacto da tecnologia na saúde mental de adolescentes” e de�niu também o problema da sua pesquisa: em que medida o uso noturno de dispositivos eletrônicos interfere nos padrões de sono e bem-estar emocional em adolescentes de 13 a 17 anos? A partir desse tema e do problema de pesquisa, ao �nal da aula, vamos pensar em como a justi�cativa pode começar a ser redigida; vamos re�etir também sobre o objetivo geral da pesquisa. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Bons estudos! Vamos Começar! Diferentes são os conceitos encontrados na literatura para se de�nir o que é o TCC e o que é a monogra�a. O que podemos entender como um consenso entre os autores é que se trata de estudos sobre um determinado tema que obedecem a uma metodologia especí�ca. Ou seja, partem do método cientí�co no tocante ao rigor para a sua elaboração. De acordo com Baptista e Campos (2016, p. 54), “o uso do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi regulamentado pela Resolução n.º 11/84 do Conselho Federal de Educação com o intuito de proporcionar maior aprofundamento de um tema ao aluno”. Ainda segundo os autores, o TCC normalmente é um trabalho interdisciplinar que visa demonstrar o conhecimento adquirido. “A palavra ‘monogra�a’ deriva do grego monos (um só) + graphein (escrever). Logo se percebe que se trata de um documento escrito que trata de um só assunto” (Silva, 2015, p. 100). A monogra�a pode ser entendida como um trabalho que aborda um assunto ou um problema de maneira sistemática, profunda e completa em uma determinada área do conhecimento. Segundo Baptista e Campos (2016, p. 54), “há três tipos básicos de trabalhos monográ�cos: tais como as monogra�as de conclusão de curso, as dissertações de mestrado e as teses de doutorado”. Vamos conhecer mais sobre esses trabalhos, focando especi�camente no TCC. Trabalho de conclusão de curso A elaboração da monogra�a ou do TCC, em um sentido amplo, tem o objetivo de satisfazer um dos requisitos necessários para a obtenção de grau, título ou avaliação acadêmica em nível de graduação ou pós-graduação. Nos cursos de pós-graduação, os trabalhos de conclusão de curso se diferenciam pelo grau de aprofundamento que precisam apresentar no tema abordado. Esses cursos se dividem em lato sensu, que conferem ao concluinte o título de especialista, e stricto sensu, que conferem ao concluinte o título de mestre ou doutor em uma área. Vamos acompanhar no Quadro 1 os diferentes tipos de Pós-Graduação: Especialização –Lato Sensu Enfoca no nível técnico pro�ssional, fornecendo o título de especialista no campo de estudo e objetiva o aprofundamento dos conhecimentos da sua área de formação, fazendo o direcionamento da graduação. Para obter o título de especialista, é necessário a entrega de uma monogra�a. Mestrado acadêmico – Stricto Sensu Tem o período �xo de dois anos e é voltado para a pesquisa cienti�ca. O seu objetivo é aprofundar e direcionar os conhecimentos obtidos na graduação e formar pesquisadores e professores de ensino superior. Ele conta com a supervisão de um orientador e exige Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO defesa de uma dissertação para a obtenção do título de mestre. Doutorado – Stricto Sensu Objetiva um aprofundamento maior que o mestrado e é voltado para a pesquisa cientí�ca. Esse tipo de formação leva quatro anos e exige a elaboração de uma tese sobre uma área a ser defendida como requisito para obtenção do título. Essa tese, em geral, deve possuir um conteúdo original que contribuía com o avanço do campo de estudos. Quadro 1 | Tipos de pós-graduação. Fonte: elaborado pela autora. A diferença básica entre essas produções é o aprofundamento teórico e metodológico que elas precisam apresentar. O principal em um trabalho acadêmico, em qualquer nível de formação, é que ele atenda os critérios cientí�cos. O autor precisa ser responsável na sua condução, fundamentando posições e ideias, citando e referenciando corretamente os autores que tomar como base e seguindo os preceitos éticos de uma pesquisa cientí�ca (Crivelaro; Crivelaro; Miotto, 2011). Assim, o trabalho de conclusão de um curso, seja de graduação ou de pós- graduação, é de extrema relevância no processo de aprendizagem do aluno, pois visa articular e consolidar o processo formativo do aluno por meio da construção do conhecimento cientí�co em uma determinada área. No âmbito da graduação, diferentes são os tipos de trabalho de conclusão de curso que podem ser feitos, como relatos de pesquisa ou de estágio acadêmico, pesquisa bibliográ�ca, pesquisa de campo. Isso depende do que a instituição de ensino propõe que o aluno realize. Dessa forma, o TCC pode ser entendido como um “produto intelectual do pesquisador a partir das leituras, re�exões e interpretações do tema de interesse” (Baptista; Campos, 2016, p. 55). O estudante precisa, então, a partir da escolha do tema, organizar suas ideias, buscar o referencial teórico, realizar análises e sínteses sobre o tema abordado. Siga em Frente... A escolha do tema da pesquisa O tema da pesquisa é o assunto que se pretende desenvolver. Ao escolher um tema a ser pesquisado, é importante que o pesquisador tenha alguma familiaridade com o assunto ou interesse por aquela realidade que deseja pesquisar. As fontes para a escolha do tema podem ser diversas, como a experiência pessoal ou pro�ssional do pesquisador, o interesse despertado por uma disciplina, um fato cotidiano que chamou a sua atenção, ou outras situações (Marconi; Lakatos, 2024). No entanto, não são somente esses fatores que precisam ser considerados, outras questões podem ser elencadas e precisam ser avaliadas: Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO O tema precisa ser relacionado à área de formação do pesquisador, isso proporciona maior credibilidade e reconhecimento ao trabalho realizado. O objeto de pesquisa precisa ser relevante para a ciência, e não apenas para o pesquisador. É necessário que exista uma base teórica sobre o assunto para que o pesquisador possa buscar seu referencial bibliográ�co. Após a escolha do tema, ele precisa ser bem delimitado. E o que isso quer dizer? O autor precisa ser bem especí�co com os aspectos que vai abordar a respeito daquele assunto para que seja possível trabalhá-lo no todo, da forma mais abrangente possível. Vamos pensar de que forma é possível delimitar um tema de pesquisa a partir de um exemplo prático na Figura 1: Figura 1 | Exemplo da delimitação do tema da pesquisa. Fonte: elaborada pela autora. Problema e hipóteses Um dos primeiros passos ao desenvolver uma pesquisa cientí�ca passa por elaborar a pergunta de pesquisa. O problema da pesquisa está intimamente ligado ao tema, é a pergunta que o pesquisador vai buscar responder ao longo da investigação. Na maioria das áreas de estudo, é uma tarefa quase impossível sanar todos os questionamentos que surgem ao olhar para o tema Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO escolhido e no decorrer da pesquisa. A pergunta elaborada para direcionar a pesquisa não deve derivar de uma simples opinião ou de um questionário, mas sim ter cunho cientí�co. A pergunta da pesquisa não apresenta uma resposta imediata e permite que sejam levantadas várias respostas hipotéticas a respeito do assunto em questão (Crivelaro; Crivelaro; Miotto, 2011). Há ainda as questões-problemas que surgem a partir do avanço na ciência. As novas tecnologias e os novos instrumentos utilizados pela ciência geraram uma série de perguntas sobre questões já conhecidas que originaram novos paradigmas de pesquisa. Essa capacidade de gerar novas perguntas é algo intrínseco ao pensamento cientí�co. Dessa maneira, não faltam incertezas a serem trabalhadas e desenvolvidas em projetos de pesquisa. O desa�o que se coloca ao pesquisador é conseguir elaborar uma questão que possa ser transformada em um projeto de estudo possível e válido de ser realizado. Assim, para elaborar uma boa pergunta de pesquisa, é necessário ter um certo domínio da literatura da área de estudos. Também é recomendável que o pesquisador discuta sobre ela com os seus pares. A pergunta de pesquisa é o ponto de partida de todos os estudos cientí�cos. Ela expressa a dúvida, inquietação e incerteza do pesquisador frente a uma parte do campo de estudo de uma disciplina. Tomando como base o exemplo do tema anterior, a pergunta da pesquisa poderia ser: “Como o trabalho industrial no Brasil se modi�cou nas décadas de 2000 a 2020?” ou ainda “Como o trabalho no Brasil foi afetado pela 4ª Revolução Industrial no período de 2000 a 2020?”. Após a elaboração a pergunta da pesquisa, o pesquisador deve elaborar as hipóteses, um passo que orientará o trabalho investigativo. Levantando as hipóteses da pesquisa Após a elaboração do problema da pesquisa, a depender do seu tipo, pode ser necessário a elaboração de hipóteses que serão testadas e posteriormente darão uma resposta em relação ao problema colocado pelo pesquisador. Nem todas as pesquisas formulam hipóteses. A formulação de hipóteses é dada apenas em estudos correlacionais ou explicativos, isto é, que preveem um dado acerca do fenômeno analisado. Em geral, pesquisas apenas exploratórias não formulam hipóteses. No entanto, o fato de uma pesquisa não formular uma hipótese não signi�ca que ela não está pautada nos pressupostos cientí�cos. As pesquisas bibliográ�cas, por exemplo, não formulam hipóteses, mas, ao seguirem os critérios do desenvolvimento de um estudo cientí�co, podem produzir conhecimentos relevantes para aquela área a que a pesquisa se destina. As pesquisas que formulam hipóteses se utilizam do método hipotético-dedutivo. Ele consiste na construção de conjecturas, isto é, premissas altamente prováveis baseadas em hipóteses que, se veri�cadas, con�rmam também sua veracidade. Um estudo que busque medir o índice de delitos de uma cidade pode ter como hipótese que o índice para determinado semestre será menor que o semestre anterior baseado em determinados fatores, como o aumento das vagas de emprego no local, por exemplo. Ou então: quanto maior variedade houver no trabalho, maior será a motivação do trabalhador. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO As fontes comuns para formulação de hipóteses são as teorias, generalizações empíricas sobre o problema de pesquisa e estudos revisados, mas elas também podem surgir em campos de estudo pouco explorados. Um erro grave ao elaborar hipóteses se faz quando o pesquisador não revê a literatura do campo de estudo e formula hipóteses que já foram signi�cativamente aceitas ou descartadas por outros estudos. Existem algumascaracterísticas que as hipóteses precisam apresentar para, vamos acompanhar no Quadro 2: Consistência lógica O enunciado da hipótese não deve ser contraditório, além disso, deve ser compatível com o conhecimento cientí�co já existente. Veri�cabilidade A hipótese deve ser passível de veri�cação. Apoio teórico A hipótese precisa ser baseada em uma teoria já estabelecida, a �m de que haja uma probabilidade maior de produção de conhecimento relevante. Plausibilidade e clareza A hipótese deve ser provável e seu enunciado claro. Quadro 2 | Características de uma boa hipótese. Fonte: adaptado de Marconi e Lakatos (2022). É importante ressaltar que, mesmo quando a hipótese inicial for negada, a pesquisa tem sua relevância: isso pode indicar que novos conceitos estão sendo construídos. O importante é que todos os cuidados sejam tomados na interpretação e análise nas buscas bibliográ�cas. Justi�cativa da pesquisa A justi�cativa da pesquisa é o momento que se apresenta para o leitor o porquê de a pesquisa estar sendo feita. O pesquisador deve incluir uma consideração sobre a relevância do tema ou problema a ser investigado, o que e onde se pode contribuir com a realização da pesquisa. É uma apresentação completa das razões (teóricas) e dos motivos de ordem prática que mostram a importância da realização da pesquisa. De acordo com Marconi e Lakatos (2024, p. 120), a justi�cativa da pesquisa, de maneira geral, deve enfatizar: Como está estruturada a teoria que embasa o tema da pesquisa. As contribuições teóricas que a pesquisa pode trazer. Importância do ponto de vista geral e para casos especí�cos. Possibilidade de sugerir modi�cações no âmbito da realidade abarcada pelo tema proposto. Descoberta de soluções para casos gerais e/ou particulares. Dessa forma, a justi�cativa da pesquisa deve ser redigida de modo a sustentar o motivo da realização, sendo ela bem argumentada e embasada teoricamente. Isso é fundamental para mostrar a sustentação da argumentação para o leitor e convencer uma possível banca julgadora Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO sobre a importância da realização da pesquisa. A justi�cativa deve ser escrita de forma clara e objetiva para que o leitor compreenda exatamente o que o pesquisador pretende desenvolver no decorrer da pesquisa. Objetivos: geral e especí�cos A pesquisa precisa ser clara quanto os seus propósitos. Os objetivos devem ser bem de�nidos e coerentes, além de compatíveis com os métodos e o corpo de conhecimento estabelecido da área. O objetivo da pesquisa pode variar signi�cativamente com base na área de estudo, na natureza do projeto e nas perguntas especí�cas que estão sendo investigadas. Existem alguns questionamentos que podem ser feitos para orientar o desenvolvimento dos objetivos da pesquisa: pensar em “para que fazer” ou “por que fazer” pode nos orientar a estabelecer o objetivo geral do estudo. Pensar em “para quem fazer” nos orienta a desenvolver os objetivos especí�cos. De maneira geral, os objetivos da pesquisa podem: Descrever fenômenos: entender e descrever a natureza de um determinado problema. Explicar: investigar relações de causa e efeito entre variáveis. Predizer resultados: prever resultados com base em determinadas condições ou variáveis. Analisar e interpretar: analisar dados para tirar conclusões e interpretar signi�cados. Resolver problemas práticos: encontrar soluções para problemas práticos ou aplicados. Avaliar programas ou intervenções: avaliar a e�cácia de programas, intervenções ou políticas. Explorar novas ideias: investigar conceitos ou ideias inexploradas. Validar teorias existentes: con�rmar ou refutar teorias existentes por meio de evidências. Compreender percepções e atitudes: explorar e compreender as percepções e atitudes das pessoas em relação a um determinado tópico. É importante que o pesquisador de�na claramente os objetivos de sua pesquisa antes de iniciar o trabalho, pois isso orientará a metodologia da pesquisa, a coleta de dados, a análise e a interpretação dos resultados. Os objetivos especí�cos são metas mais detalhadas e especí�cas que são especí�cas para atingir o objetivo geral da pesquisa. Eles fornecem uma direção mais precisa para a condução da pesquisa. De maneira mais especí�cas, os objetivos podem: Descrever características: identi�car e descrever as características-chave de um objeto especí�co. Analisar relações: investigar as relações entre variáveis especí�cas para entender melhor os padrões ou correlações. Coletar dados: realizar pesquisas de campo, entrevistas ou experimentos para coletar dados relevantes. Testar hipóteses: formular e testar hipóteses especí�cas com base nas relações esperadas entre as variáveis. Avaliar impacto: avaliar o impacto de uma intervenção, programa ou política em uma população especí�ca. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Identi�car padrões: identi�car padrões ou tendências nos dados coletados por meio de análises estatísticas. Validar instrumentos: validar instrumentos de medição, questionários ou métodos utilizados na coleta de dados. Comparar grupos: comparar grupos especí�cos para entender diferenças ou semelhanças em relação a determinadas variáveis. Explorar percepções: explorar as percepções, atitudes e opiniões das pessoas em relação a um tópico especí�co. Identi�car fatores de in�uência: identi�car fatores que in�uenciam um determinado comportamento, preferências ou condição. Corrigir problemas de implementação: identi�car e propor soluções para problemas práticos encontrados durante a implementação de um projeto ou intervenção. É importante ressaltar que os objetivos, geral e especí�cos, precisam ser escritos com verbos no in�nitivo, ou seja, desejamos “alcançar” os objetivos da pesquisa. Os verbos devem ser claros e diretos, como: veri�car, indicar, identi�car, citar, localizar, organizar, entre outros. Assim, é mais preciso traçar um cronograma de execução da pesquisa. Vamos Exercitar? Vamos retomar a nossa situação inicial: você começou a redigir seu TCC; seu tema de pesquisa é o “impacto da tecnologia na saúde mental de adolescentes”. Você de�niu também o problema da sua pesquisa: “em que medida o uso noturno de dispositivos eletrônicos interfere nos padrões de sono e bem-estar emocional em adolescentes de 13 a 17 anos?”. A justi�cativa pode começar a ser redigida contextualizando o uso de tecnologia pelos adolescentes: “Diante da experiência de adolescentes na era digital, com o uso generalizado de dispositivos tecnológicos e plataformas online, surge a necessidade de investigar os potenciais impactos especí�cos na saúde mental dessa faixa etária. O problema de pesquisa consiste em compreender de que forma a exposição constante à tecnologia in�uencia fatores como ansiedade, depressão e qualidade do sono entre os adolescentes”. O objetivo da pesquisa é analisar o impacto da tecnologia na saúde mental de adolescentes na faixa etária de 13 a 17 anos. Saiba mais 1. A justi�cativa de pesquisa deve ser bem elaborada e fundamentada, para mostrar ao leitor a importância da realização do estudo e do desenvolvimento do tema em questão. Para se aprofundar nesse assunto, acesse o texto: “Exemplos de justi�cativa de TCC”, da Biblioteca da Faculdade de Direito da UFMG. 2. Os objetivos gerais e especí�cos de uma pesquisa são os �os condutores para a posterior delimitação da metodologia. Assim, os objetivos precisam ser coerentes com o tema e o problema da pesquisa, e estar de acordo com o referencial teórico que vai embasar o desenvolvimento do estudo. Para compreender melhor como elaborar os objetivos da https://biblio.direito.ufmg.br/?p=3503 Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO pesquisa, acesse o link a seguir e leia o texto “Como elaborar objetivos gerais e especí�cos”, de Amanda Tracera. Referências BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016. CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTTO, Luciana Bernardo. Guia práticode monogra�as, dissertações e teses: elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Cientí�ca. 8ª ed. Barueri: Atlas, 2022. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024. SILVA, Airton Marques da. Metodologia da pesquisa. 2ª ed. Fortaleza: EDUECE, 2015. Aula 2 Referencial Teórico e Metodologia Referencial teórico e metodologia Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? https://www.atenaeditora.com.br/blog/como-elaborar-objetivos-gerais-e-especificos https://www.atenaeditora.com.br/blog/como-elaborar-objetivos-gerais-e-especificos Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Ponto de Partida Olá, estudante! Chegou o momento de pensarmos na condução da pesquisa, em como desenvolver e dar a condução da metodologia da pesquisa. Para isso, vamos re�etir sobre a diferença entre método da pesquisa e metodologia da pesquisa, que, embora pareçam ter o mesmo signi�cado, não são a mesma coisa. Precisamos compreender também o que é o estado da arte da pesquisa e, então, pensar nos procedimentos, ou seja, nos sujeitos e em como os dados da pesquisa serão coletados, se em campo ou em material bibliográ�co. Vamos re�etir sobre a seguinte questão: você está avançando no desenvolvimento da sua pesquisa cujo tema é “impacto da tecnologia na saúde mental de adolescentes”. Você já sabe que o seu público-alvo são adolescentes de 13 a 17 anos e o problema de pesquisa reside na necessidade de identi�car os fatores especí�cos associados ao uso intensivo de tecnologia que são importantes para desa�os na saúde mental dos adolescentes. Agora você precisa de�nir o recorte temporal para realizar o estado da arte, de�nir o recorte em relação aos sujeitos que vão participar da pesquisa e os instrumentos para a coleta dos dados. Bons estudos! Vamos Começar! Estamos caminhando para a compreensão da construção de uma pesquisa acadêmica bem estruturada, pautada nos princípios cientí�cos e éticos no tocante à sua organização e sistematização. Precisamos começar a pensar no desenvolvimento do “corpo da pesquisa”, ou seja, no método, na metodologia e nos procedimentos técnicos e teóricos. Vamos começar diferenciando método e metodologia, que muitas vezes são usados como sinônimos, um equívoco. De maneira simpli�cada, o método é mais especí�co e se refere aos procedimentos concretos utilizados em uma pesquisa, enquanto a metodologia é mais abrangente e aborda as considerações teóricas e conceituais que orientam a escolha e aplicação desses métodos. O método refere-se ao conjunto especí�co de procedimentos ou técnicas que são utilizadas para realizar uma pesquisa ou investigação. Refere-se a uma abordagem especí�ca ou a um conjunto de técnicas que os pesquisadores utilizam para conduzir uma investigação ou realizar um estudo. É mais focado e especí�co, representando as etapas práticas e a sequência de atividades que os pesquisadores seguem para examinar dados, analisar informações e chegar a conclusões. Exemplos de métodos incluem o método experimental, método de estudo de caso, método survey, entre outros (Marconi; Lakatos, 2022). A metodologia é um termo mais abrangente que engloba não apenas os métodos especí�cos, mas também os princípios teóricos, as abordagens gerais e os fundamentos �losó�cos que orientam a pesquisa. Ela inclui a escolha e a justi�cativa do método, bem como a estruturação geral do processo de pesquisa, desde a formulação das perguntas de pesquisa até a análise e Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO interpretação dos resultados. A metodologia responde à pergunta “como a pesquisa será realizada?”, incluindo considerações sobre o desenho da pesquisa, a abordagem teórica, a coleta e análise de dados, entre outros. Em resumo, a metodologia é o plano geral que orienta a pesquisa, enquanto o método é a implementação especí�ca desse plano. Em outras palavras, a metodologia é a estrutura mais ampla que informa como a pesquisa será realizada, enquanto o método refere-se aos detalhes práticos e técnicos de como cada parte da pesquisa será concluída. Ambos são essenciais para garantir a qualidade e a validade de um estudo. O estado da arte da pesquisa O termo “estado da arte” refere-se ao ponto mais avançado ou à situação atual de desenvolvimento em uma área especí�ca de pesquisa ou tecnologia. O estado da arte da pesquisa representa o conhecimento mais recente, as descobertas mais avançadas e as práticas mais inovadoras em um determinado campo. Quando se fala do “estado da arte da pesquisa”, geralmente está se referindo ao panorama mais recente e avançado de descobertas e contribuições em uma área especí�ca de pesquisa acadêmica. Isso pode incluir novas teorias, métodos, experimentos, descobertas ou avanços técnicos que representam o auge do conhecimento e progresso daquele campo em um determinado momento. É comum que os pesquisadores revisem o estado da arte para contextualizar sua própria pesquisa, identi�cando lacunas no conhecimento existente e entendendo como sua contribuição se relaciona com o que já foi feito. A revisão do estado da arte é importante ao iniciar um novo projeto de pesquisa para garantir que o trabalho seja relevante, inovador e contribua para o avanço do conhecimento na área em questão (Baptista; Campos, 2016). Os passos comuns ao realizar uma revisão do estado da arte incluem: 1. Identi�cação de fontes relevantes: revisão de artigos acadêmicos, livros, conferências, patentes e outros recursos relevantes para encontrar trabalhos relacionados à sua área de estudo. 2. Análise e síntese: análise crítica das descobertas e contribuições dos trabalhos encontrados. Síntese das informações para ter uma compreensão clara do que já foi feito na área. 3. Identi�cação de lacunas e desa�os: identi�cação de lacunas no conhecimento existente e desa�os não resolvidos. Isso pode fornecer oportunidades para novas pesquisas. 4. Contextualização do próprio estudo: com base na revisão do estado da arte, os pesquisadores contextualizam seu próprio trabalho, destacando como ele se relaciona com as contribuições existentes e como pode contribuir para novas pesquisas. 5. Atualização contínua: dado que o estado da arte está em constante evolução, é importante que os pesquisadores atualizem suas revisões ao longo do tempo, incorporando novas descobertas e desenvolvimentos à medida que ocorrem. O estado da arte é um componente crucial de muitos projetos de pesquisa, teses e artigos cientí�cos, pois fornece uma base sólida para o trabalho futuro e demonstra ao leitor o contexto Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO em que uma nova pesquisa está inserida. Siga em Frente... Metodologia da pesquisa A metodologia da pesquisa se refere ao conjunto de procedimentos, técnicas e ferramentas utilizadas na realização de um estudo ou pesquisa cientí�ca. Ela descreve o caminho que o pesquisador seguirá para coletar dados, analisá-los e chegar às conclusões. A metodologia é fundamental para garantir a validade e con�abilidade dos resultados obtidos. Assim, ela é uma parte crucial de qualquer pesquisa, pois fornece o arcabouço teórico e prático que orienta o pesquisador durante todo o processo. Ela ajuda a garantir que a pesquisa seja realizada de maneira sistemática e que os resultados sejam con�áveis e relevantes (Marconi; Lakatos, 2022). Os sujeitos e os procedimentos da pesquisa No desenvolvimento da pesquisa, a de�nição dos sujeitos ou participantes da pesquisa é uma etapa fundamental. Essa parte é crucial paraentender quem está envolvido no estudo, fornecendo informações sobre quem foram os participantes, como foram selecionados e quais características são relevantes para a pesquisa. A descrição detalhada dos sujeitos é primordial para que os leitores compreendam a base da amostra sobre a qual os resultados da pesquisa são generalizados. Isso também ajuda a avaliar a validade e a aplicabilidade dos resultados em contextos mais amplos. Alguns aspectos são essenciais na escolha dos sujeitos e na condução da pesquisa: Características demográ�cas: são informações sobre características básicas dos participantes, como idade, gênero, raça/etnia, nível educacional, entre outras. Esses detalhes ajudam a contextualizar os resultados em relação à diversidade da amostra. Critérios de inclusão e exclusão: especi�cam os critérios que determinam a seleção dos participantes para o estudo. Por exemplo, um estudo pode incluir apenas adultos entre 25 e 40 anos que tenham uma condição especí�ca de saúde. Processo de seleção: descreve como os participantes foram recrutados. Pode incluir informações sobre abordagens de recrutamento, locais de recrutamento, parcerias com instituições, etc. Tamanho da amostra: informa quantos participantes foram incluídos no estudo. A justi�cativa para o tamanho da amostra também pode ser discutida. Consentimento informado: deixa claro como o consentimento dos participantes foi obtido, garantindo que eles estejam cientes dos objetivos da pesquisa, dos procedimentos envolvidos e dos possíveis riscos. Isso é particularmente importante em estudos que envolvem seres humanos e é uma prática ética padrão. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Anonimato e con�dencialidade: no caso de pesquisas envolvendo seres humanos, a metodologia deve manter o anonimato e a con�dencialidade para proteger a identidade dos participantes. Os dados da pesquisa Após a seleção dos objetos/sujeitos ou participantes da pesquisa é necessário pensar nos dados dessa pesquisa. Todavia, os métodos e procedimentos de coleta serão diferentes para cada tipo de pesquisa. Para �ns didáticos, para compreendermos como podemos coletar os dados, podemos dividir as pesquisas em duas áreas: experimental, que envolve a coleta de dados em campo ou laboratório, podendo ser tanto qualitativa quanto quantitativa, e a pesquisa bibliográ�ca, que envolve a procura na literatura existente de uma resposta para o problema tratado. Como se pode observar, ambas abordagens são complementares e geralmente trabalham juntas. Na pesquisa experimental, as fontes dos dados mais comuns são: experimentos laboratoriais, estudos de campo, entrevistas, estudos de caso, observações empíricas, experimentos computacionais etc. Na pesquisa bibliográ�ca, as fontes são documentos, registros, atas, cartas, livros, teses, artigos cientí�cos, relatórios, periódicos técnicos, estudos gerais, metanálises, bancos de dados digitais, etc. Cada fonte exige um tratamento especí�co para melhor proveito da informação obtida. Há pesquisas que contam com fontes secundárias e fontes primárias de informação. As fontes secundárias são geralmente dados que já foram coletados por outros estudos e estão disponíveis por meio de alguma listagem de informação. As fontes primárias seriam os dados brutos a serem coletados na pesquisa, como os dados obtidos de um questionário elaborado pelo pesquisador. Devido ao grande volume de informações disponíveis nas pesquisas bibliográ�cas, que ocorrem tanto para fundamentar teoricamente a pesquisa quanto para dar respostas ao problema tratado, deve-se ter muito cuidado com a con�abilidade e autenticidade das informações coletadas. A fontes primárias da pesquisa quantitativa, em geral, podem ser a observação ou a utilização de instrumentos como levantamentos ou survey, que são formas de descobrir o que existe e como existe no ambiente social analisado. Em geral, são descritivos e visam determinar as características e opiniões de populações, a partir de amostragens representativas. Têm como vantagem a aplicação simples, fácil decodi�cação e análise dos dados. Como desvantagem, há o problema de con�abilidade, pois uma vez que se faz perguntas às pessoas, elas podem se recusar a prestar informações verídicas. Por isso, é necessário muito cuidado na análise dos dados coletados. É importante compreender que os dados da pesquisa se constituem como as variáveis coletadas e que posteriormente serão analisadas. Uma variável é simplesmente algo que muda, ou seja, as variáveis devem assumir valores diferentes ou categorias diferentes. Exemplo, as variáveis de valor podem ser as idades: 17, 18, 20, 32, 45. As variáveis de categoria podem ser os gêneros: feminino, masculino, não binário, etc. As variáveis são muito importantes porque, através delas, Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO observamos as variações dos fenômenos analisados na pesquisa. Elas podem ser de dois tipos: qualitativas e quantitativas. As variáveis qualitativas são os dados de atributos ou qualidades, por exemplo, sobre o assunto que você mais lê: literatura. Já as variáveis quantitativas são números em certa escala, por exemplo, quantos livros você lê ao ano: 12. Técnicas de coleta de dados Há diversas técnicas de coletas de dados. Cada pesquisa utilizará uma técnica que esteja mais adequada aos seus objetivos. Nas pesquisas quantitativas, os dados podem vir da observação, de levantamentos ou de surveys. A observação pode ser: estruturada (em que é especi�cado o que deve ser observado e como deve ser sua coleta); natural (no ambiente em que a situação ocorre); planejada (em um ambiente arti�cial); disfarçada (entrevistados não sabem que estão sob observação); não disfarçada (entrevistados sabem que estão sob observação). A observação é muito importante na pesquisa cientí�ca e, em relação a outros métodos, traz a vantagem de que os dados são apreendidos diretamente, sem intermediação. Contudo, uma possível desvantagem é que o próprio pesquisador pode provocar alterações nos fenômenos observados, podendo dar uma interpretação deslocada do objeto e produzindo resultados pouco con�áveis. Os levantamentos, por sua vez, examinam amostras de uma população ou grupo por meio de documentos, questionários, entrevistas e formulários. A entrevista é a técnica em que o pesquisador formula perguntas ao sujeito observado. As questões devem ser elaboradas pensando nas mais relevantes ao estudo, além de estarem baseadas em uma bibliogra�a atualizada do assunto. Todos os dados coletados devem ser veri�cados em termos da sua credibilidade. Como vantagem, a entrevista: é e�ciente na obtenção de dados com profundidade; seus dados são suscetíveis à classi�cação e quanti�cação; ela permite a avaliação de informações não previstas anteriormente; etc. As desvantagens seriam: fornecimento de respostas inverídicas, in�uência exercida pelo entrevistador no entrevistado, etc. O questionário se constitui como uma série de perguntas que devem ser respondidas pelos sujeitos da pesquisa. Ele deve ser objetivo e com uma extensão limitada, estando acompanhado de instruções que esclareçam o propósito e facilitem o preenchimento pelo público-alvo. As vantagens dos questionários são: menor curso, anonimato das respostas e menor in�uência dos entrevistadores. As desvantagens podem ser: baixo índice de retorno; são limitados a quem saiba ler e escrever. É preciso que o número de questões não seja extenso. Os tipos de questões podem ser classi�cados em abertas (em que o informante pode responder livremente), fechadas (escolha entre duas opções disponíveis de resposta) e múltipla escolha (dispõe uma série de respostas possíveis). Os formulários, por sua vez, são coleções de questões anotadas pelo entrevistador na presença do público-alvo; eles podem ser con�gurados como um meio-termo entre entrevista e questionário. Suas vantagens são: a presença do pesquisador, que pode elucidar os objetivos da pesquisa; ser amplamente utilizável e �exível. Como desvantagens possíveis do formulário, Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICOpodemos citar: menor liberdade de respostas dada a presença do pesquisador, tempo de resposta mais demorado e risco de distorções pela presença do pesquisador entrevistador. Depois de feita a coleta, os dados estão desorganizados e pouco claros, então, a primeira coisa a fazer é tratá-los. A apresentação dos dados pode se dar por meio de tabelas, quadros e grá�cos que permitam ao pesquisador fazer inferências e chegar a conclusões. Para a elaboração desses, há inúmeros recursos digitais que auxiliam a apresentação dos dados, como o Excel. Vamos Exercitar? Você se lembra da nossa situação inicial? Você está avançando no desenvolvimento da sua pesquisa, cujo tema é “impacto da tecnologia na saúde mental de adolescentes”. Você já sabe que o seu público-alvo são adolescentes de 13 a 17 anos e o problema de pesquisa reside na necessidade de identi�car os fatores especí�cos associados ao uso intensivo de tecnologia que são importantes para desa�os na saúde mental dos adolescentes. Agora você precisa de�nir o recorte temporal para realizar o estado da arte, de�nir o recorte em relação aos sujeitos que vão participar da pesquisa e os instrumentos para a coleta dos dados. Vamos lá? Você precisa deixar claro para o leitor o recorte temporal que fará na busca pelos estudos disponíveis, o estado da arte da pesquisa. Isso é necessário porque é relevante buscar as últimas produções a respeito do tema da pesquisa. Então, como o tema é referente ao uso da tecnologia, o recorte pode ser referente aos últimos cinco anos. É necessário também mostrar o recorte em relação aos sujeitos, pois não é possível coletar dados com todos os adolescentes do país, por exemplo. Assim, os dados podem ser coletados com adolescentes de uma cidade do sul de Minas Gerais por meio de um questionário com respostas de múltipla escolha. Por se tratar de participantes menores de idade, para que eles possam participar da pesquisa, é necessário o consentimento prévio dos pais. Saiba mais 1. Saber coletar os dados de uma pesquisa cientí�ca é essencial para a obtenção de bons resultados e para que eles sejam con�áveis aos olhos do leitor da pesquisa. A coleta de dados varia, a depender do tipo de pesquisa que está sendo realizado: se é qualitativa ou quantitativa, por exemplo. Para se aprofundar no assunto, leia o artigo “Um apanhado teórico-conceitual sobre a pesquisa qualitativa: tipos, técnicas e características”, de Cristiano Lessa de Oliveira. 2. Método e metodologia são elementos interligados no desenvolvimento da pesquisa cientí�ca. Embora sejam elementos que precisam ser desenvolvidos, são distintos e o pesquisador precisa compreender a diferença entre ambos. Saiba mais sobre o método da pesquisa e como fazer essa escolha lendo o artigo: “A seção de método de um artigo cientí�co”, de Mauricio Gomes Pereira. https://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/3122/2459 https://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/3122/2459 http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742013000100020 http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742013000100020 Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Referências BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016. CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTOO, Luciana Bernardo. Guia prático de monogra�as, dissertações e teses: Elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Cientí�ca. 8ª ed. Barueri: Atlas, 2022. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024. SILVA, Airton Marques da. Metodologia da pesquisa. 2ª ed. Fortaleza: EDUECE, 2015. Aula 3 Análise e Interpretação dos Dados da Pesquisa Análise e interpretação dos dados da pesquisa Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Partida Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Olá, estudante! Caminhando para a �nalização do relatório de pesquisa, este é o momento de pensar na apresentação dos resultados, nas considerações �nais e na formatação, que deve seguir a ABNT NBR 14724 (2011). A seção dos resultados indica o que foi encontrado na pesquisa, isto é, mostra os dados relevantes obtidos pelo pesquisador. Os resultados podem ser apresentados junto com a discussão, pois assim é possível que os leitores entendam o que os resultados signi�cam. As considerações �nais apresentam o resultado do trabalho, interpretando os achados em um nível de abstração mais alto do que a discussão e relacionando esses achados ao problema de pesquisa declarado na introdução. Vamos treinar a análise de tabelas e grá�cos a partir da seguinte questão: você e sua equipe foram contratados para realizar uma pesquisa quantitativa sobre a inserção das mulheres no mercado de trabalho e suas condições de vida no município de Campinas. O estado de São Paulo será analisado em um contexto mais amplo, para �ns comparativos a partir de uma base de dados secundários. Após a coleta dos dados, ao colocar os valores referentes às populações do município de Campinas e do estado na construção de um mesmo grá�co, a barra correspondente à população do município �cou quase invisível. Figura 1 | Nível de instrução – população do estado de São Paulo e Campinas, 2010. Fonte: adaptada de IBGE (2010). Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Vamos Começar! Quadros, grá�cos e tabelas Após coletarmos os dados, realizamos as análises iniciais, sejam estatísticas, sejam algum tipo de interpretação. É necessário inserir os resultados na pesquisa. Este é o momento de mostrar para o leitor o que você encontrou com o desenvolvimento do seu estudo. Apresentar os resultados de uma pesquisa cientí�ca de forma clara e e�caz é fundamental para comunicar suas descobertas de maneira acessível e compreensível para os leitores. Os resultados precisam ser discutidos articulando a hipótese inicial da pesquisa e outros estudos relevantes no campo em questão (Shishito, 2018). Segundo Pereira (2013), é importante que se apresentem as características demográ�cas, socioeconômicas, clínicas ou de outra natureza do objeto estudado. Grá�cos, quadros e tabelas podem ser utilizados para apresentar os resultados da pesquisa de uma maneira visualmente mais atraente. Esse tipo de apresentação dos resultados permite que as análises sejam realizadas por meio de uma visualização de conjunto. Os recursos visuais podem ser utilizados para buscar por padrões e relações de uma ou mais variáveis, descobrir novos fenômenos, veri�car suposições etc. A representação de uma variável a partir de um grá�co/tabela tem a vantagem de informar de forma rápida e concisa a sua variabilidade (Shishito, 2018). As tabelas são formas não discursivas, representadas por números e códigos, dispostos em ordem, segundo as variáveis analisadas do fenômeno. As tabelas, preferencialmente, devem ser completas para que dispense a consulta ao texto, contenha os dados necessários, tenha uma estrutura simples, objetiva e certa consistência lógica. Vamos acompanhar a seguir um exemplo de como os dados da pesquisa podem ser apresentados em uma tabela: Grau de instrução Frequência ni Proporção fi Porcentagem 100 fi Fundamental 12 0,3333 33,33 Médio 18 0,5000 50,00 Superior 6 0,1667 16,67 Total 36 1,0000 100,00 Tabela 1 | Exemplo de tabela com distribuição de frequências. Fonte: adaptada de Shishito (2018, p. 137). No exemplo acima, a frequênciase refere aos números absolutos da contagem; a proporção é em relação ao total e a porcentagem também é calculada em relação ao total. Esse recurso de distribuição de uma variável a partir de percentuais é bastante útil quando se pretende comparar essa variável entre grupos distintos. A maneira como esses dados serão descritos após a apresentação da tabela depende do objetivo da pesquisa, do que o pesquisador se propôs a investigar. Podemos pensar em um exemplo: os dados da Tabela 1 indicam que a maior parte dos respondentes da pesquisa (50%) possuem o ensino médio completo, enquanto apenas 16,67% declararam ter concluído algum curso superior. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Outra forma de apresentar os dados da pesquisa é por meio do grá�co de barras. Eles permitem uma comparação visual por meio da altura das barras. Os dados são indicados no grá�co para que o leitor entenda a que o autor está se referindo. Os grá�cos de barras são mais apropriados para as variáveis ordinais, ou seja, aquelas em que os atributos têm uma ordenação, por exemplo a distribuição por anos ou por grau de instrução. Para os grá�cos que utilizam os eixos verticais (y) e horizontais (x), como o da Figura 2 a seguir, é importante sinalizar, a partir de legendas, quais valores estão referenciados em cada eixo. Pode ser feita uma introdução antes da inserção do grá�co, por exemplo: Os dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios Contínua divulgada pelo IBGE em 2023 indicaram que de 2016 a 2022 a presença de telefone �xo convencional diminui mais de 20% nas residências brasileiras. Por outro lado, no mesmo período a presença de telefone móvel celular subiu mais de 3%, mas ainda não chegou à totalidade dos lares brasileiros. Os dados podem ser visualizados na Figura 2 a seguir. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Figura 2 | Domicílios com telefone � xo convencional e com telefone móvel celular (%). Fonte: IBGE (2023). Também podem ser utilizados os grá�cos de setores (pizza) para a apresentação dos resultados da pesquisa. Esse grá�co apresenta uma frequência relativa de uma observação. Eles não são bons para comparações temporais. Os grá�cos de setores são mais apropriados para representar variáveis qualitativas nominais, ou seja, aquelas em que os atributos descritos não têm uma relação de ordem entre si. A Figura 3 traz um exemplo desse tipo aplicado às notas dos alunos. A discussão pode ser relacionada a motivação dos alunos, à indisciplina, a frequência nas aulas ou a outro fator que esteja associado ao que foi pesquisado. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Figura 3 | Exemplo de grá�co de setores. Fonte: elaborada pela autora. Após a explicitação da amostragem, os resultados devem ser elencados em uma ordenação. Primeiro, os mais relevantes, aqueles que respondem diretamente à questão central da pesquisa. O pesquisador, na sequência, poderá expor os resultados secundários, aqueles achados que não eram esperados, mas que são relevantes. Há algumas dicas que podem ser seguidas para facilitar a elaboração da seção de resultados: Apresentar os resultados de forma ordenada e lógica. Dar ênfase somente a informações imprescindíveis. Não emitir opiniões ou julgamentos sobre o que foi encontrado, pois a parte interpretativa cabe à seção de discussão. Não replicar no texto os resultados que estão nas ilustrações. Esses são alguns exemplos de como os dados podem ser apresentados, mas também podem ser utilizados histogramas, tabulação cruzada, diagramas de dispersão, grá�co sequencial, dentre outros. É importante ressaltar que, na hora de interpretar os dados e expor os resultados, o pesquisador deve ter muito cuidado para não enviesar e comprometer esses dados com sua análise. Assim, espera-se que, na seção de resultados, se encontrem as informações mais relevantes que a pesquisa obteve. A seção de resultados deve ter um texto simples, objetivo, que preze pela clareza e pela ordenação lógica, seguindo sempre as regras da comunicação cientí�ca. Muitas vezes, se faz necessário redigir o texto mais de uma vez, até alcançar a clareza pretendida. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Siga em Frente... As considerações �nais Após a apresentação e discussão dos resultados, a pesquisa se encaminha naturalmente para as considerações �nais. Alguns autores se referem a esse momento da pesquisa como a etapa das conclusões. Entretanto, se consideramos o processo de construção do conhecimento como algo �uído e dinâmico, em constante construção, é possível admitir que o tema escolhido não é algo que se �nda. Sempre haverá a possibilidade de trabalhar o tema de uma outra maneira, a partir de uma outra perspectiva, abordando novos tópicos ou novos questionamentos. Independente de chamarmos essa parte de pesquisa de considerações �nais ou conclusões, ela tem características próprias que precisam ser observadas. É o momento em que o autor retoma de forma sintetizada as principais argumentações desenvolvidas no decorrer do trabalho, buscando as relações entre as ideias apresentadas e os resultados obtidos. É uma parte do texto que deve ser redigida de forma clara, precisa e objetiva, não sendo recomendado retomar citações ou trazer novas informações (Baptista; Campos, 2016; Crivelaro; Crivelaro; Miotto, 2011). Marconi e Lakatos (2024, p. 151) apontam que, ao �nalizar um trabalho, se deve “a) Evidenciar as conquistas alcançadas com o estudo. b) Indicar as limitações e as reconsiderações. c) Apontar a relação entre os fatos veri�cados e a teoria”. É importante mostrar para o leitor que os argumentos, teorias, hipóteses e conceitos conversam entre si, se unem e se complementam. Dessa forma, o autor pode apresentar também propostas e sugestões para novos estudos e depois se preocupar com a elaboração dos documentos pós-textuais. Formatação do relatório de pesquisa A norma da ABNT que de�ne como um trabalho �nal deve ser formatado é a NBR 14724 (2011). Ela apresenta os elementos pré-textuais, os elementos textuais e os elementos pós-textuais que devem ser apresentados, e de�ne aqueles que são obrigatórios e os que são opcionais. O TCC é de�nido como um “documento que apresenta o resultado de estudo, devendo expressar conhecimento do assunto escolhido, que deve ser obrigatoriamente emanado da disciplina, módulo, estudo independente, curso, programa, e outros ministrados” (ABNT, 2011, p. 4). A seguir, na Figura 4, podemos visualizar um esquema que apresenta a estrutura do trabalho acadêmico: Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Figura 4 | Estrutura do trabalho acadêmico. Fonte: ABNT 14724 (2011, p. 5). O TCC sistematiza os resultados de uma pesquisa cientí�ca, sendo assim, para a sua elaboração, é necessário aplicar os procedimentos observados na construção de um estudo cientí�co. O seu intuito é aprofundar o conhecimento do aluno/pesquisador em um determinado tema. Ele é realizado normalmente no �nal de um curso para demonstrar o conhecimento adquirido durante aquele período. Não existe um padrão quanto ao tipo de trabalho que será solicitado, podendo ser um artigo, uma monogra�a, um paper, relatório de estágio, etc. Assim, cada instituição de ensino faz a determinação do tipo de trabalho que o aluno fará (Baptista; Campos, 2016). O esquema anterior nos permitiu visualizar aqueles elementos que são obrigatórios e os que são opcionais. Vamos olhar de maneira mais detalhada para esses elementos. Não podemos esquecer que a NBR 14724 (2011) nos orienta quanto à estrutura do trabalho; o conteúdo deve ser desenvolvido pelo pesquisador, contemplando de maneira detalhada aqueles elementos abordados no projeto de pesquisa. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Figura 5 | Exemplo para apresentação de um trabalho acadêmico concluído. Fonte: adaptada de Crivelaro; Crivelaro; Miotto (2011). Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO No exemplo anterior, apresentamos apenas a lista de tabelas, mas podem ser inseridas também listas de ilustrações, abreviaturas, siglas e símbolos; isso depende desses elementos estarem presentes ou não no decorrerdo trabalho. O sumário deve ser elaborado de acordo com a ABNT NBR 6027 (2013). As margens das páginas devem ser de 3cm para a esquerda e a superior e 2cm para a direita e a inferior. A recomendação é que o texto seja digitado em fonte 12 e o espaçamento entre linhas deve ser 1,5. Por �m, é importante fazer toda a parte textual primeiro para depois voltar nos elementos pré-textuais. Vamos Exercitar? Retomando a nossa situação inicial, você e sua equipe estavam realizando um trabalho com a sistematização e apresentação grá�ca de dados da pesquisa survey e de dados coletados de bases de dados secundárias. Por estar trabalhando com dois grupos populacionais de tamanhos distintos: amostra da população do município de Campinas e população total do estado de São Paulo, a representação grá�ca apresentou um desenho de difícil visualização e comparação dos dados. Uma forma de permitir a comparação de padrões de distribuição de frequências a partir de grá�cos é a transformação dos dados em valores percentuais. Considerando que as populações totais do estado de São Paulo e de Campinas eram 41 milhões e cerca de 1 milhão, respectivamente, na representação grá�ca da Figura 1, �ca difícil visualizar os valores para Campinas. Dessa forma, a conversão dos valores em percentuais é a maneira mais fácil para que posteriormente seja possível construir um grá�co de barras com a �nalidade de comparar o nível de instrução da cidade com o nível do estado. Veja como �cou a conversão na Tabela 2: Bloco 1 População de Campinas e do estado de São Paulo segundo nível de instrução, 2010 Estado de São Paulo Campinas Nível de instrução Frequência Percentual % Frequência Fundament al incompleto 20.496.012 49,7 449.715 Fundament al completo 6.706.403 16,3 165.218 Médio completo 9.577.010 23,2 259.218 Superior completo 4.171.221 10,1 200.252 Não determinad o 295.913 0,7 6.944 Total 41.246.559 100,0 1.081.927 Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Bloco 2 População de Campinas e do estado de São Paulo segundo nível de instrução, 2010 Campinas Percentual % 41,6 15,3 24,0 18,5 0,6 100,0 Tabela 2 | Tabela com distribuição de frequências absolutas e percentuais. Fonte: adaptada de IBGE (2010). Saiba mais 1. Representar os dados da pesquisa de maneira grá�ca pode ser uma estratégia interessante para prender a atenção do leitor e deixar o conteúdo visualmente mais atrativo. Para isso, é necessário que o autor da pesquisa saiba como elaborar os grá�cos e tabelas. O Microsoft Excel é um forte aliado nesse sentido. Para saber mais sobre o assunto, acesse o capítulo 6 – “Grá�cos” (p. 60-97), do livro Grá�cos em Dashboard para Microsoft Excel 2013, de José Eduardo Chamon, disponível na Minha Biblioteca. 2. A elaboração do trabalho de conclusão de curso concretiza a �nalização de todo um processo de formação que se deu durante um tempo, seja em um curso de graduação, seja na pós-graduação. Ele sintetiza os conhecimentos adquiridos pelo aluno/pesquisador nesse período. Por isso, é importante saber elaborar corretamente esse trabalho. Para conseguir compreender melhor esse processo, leia o texto “Pequeno guia prático para se fazer uma monogra�a acadêmica” de Paulo Roberto de Almeida. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 14724: informação e documentação: Trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2011. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536519258/pageid/59 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536519258/pageid/59 https://www.uniceub.br/arquivo/83ng_20190122114220*pdf?AID=2303 https://www.uniceub.br/arquivo/83ng_20190122114220*pdf?AID=2303 Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 6027: informação e documentação: Sumário: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ltc, 2016. CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTTO, Luciana Bernardo. Guia prático de monogra�as, dissertações e teses: Elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: acesso à internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102040_informativo.pdf. Acesso em: 9 nov. 2023. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024. PEREIRA, M. G. A seção de resultados de um artigo cientí�co. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 22, n. 2, p. 353-354, 2013. SHISHITO, Katiani Tatie. Pesquisa aplicada às ciências sociais. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018. Aula 4 Normas e Padronização Cientí�ca Normas e padronização cientí�ca Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102040_informativo.pdf Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Partida Olá, estudante! Chegou o momento de pensarmos nas normas e na padronização de um trabalho acadêmico. Esse momento, para muitas pessoas, pode parecer um pesadelo, mas vamos ver que não é. Trata-se de processo bem simples, a partir do momento em que compreendemos os elementos que precisam ser apresentados tanto nas citações quanto nas referências. E a melhor maneira para chegarmos a essa compreensão é praticando. Vamos re�etir e exercitar sobre a seguinte questão: você �nalizou seu trabalho de conclusão de curso e seguiu a norma 14724 da ABNT no tocante à formação. Agora é o momento de revisar as referências e as citações que foram feitas no decorrer do texto. Você percebeu que suas citações não estão padronizadas; à medida que foi escrevendo o texto, você se confundiu. Então para �car mais fácil realizar o ajuste, você vai elaborar um esquema que sintetize as principais características de cada tipo de citação para que você possa voltar no texto e realizar a revisão de maneira mais e�caz. Bons estudos! Vamos Começar! Falamos bastante nas normas que precisam ser aplicadas nos trabalhos acadêmicos, na padronização cientí�ca, mas por que precisamos seguir essas normas? Só existem as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)? Muitos outros questionamentos podem ser feitos, mas o que nos importa saber é que existem outras normas que são utilizadas para padronizar os trabalhos acadêmicos, como a American Psychological Association (APA). As normas da APA são direcionadas principalmente para as áreas da Psicologia e da Administração e não apresentam orientações quanto a formatação de capa, folha de rosto, anexos, etc. (PUCMG, 2022). Existem ainda outras normas, como a Chicago, a Harvard ou a Vancouver. Cada uma delas tem seus elementos especí�cos e formas próprias de formatação. Por que utilizamos, na maioria das vezes, as normas da ABNT? Porque são as mais utilizadas nacionalmente, mesmo sendo facultativas do ponto de vista institucional. Isso quer dizer que as Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO instituições podem adotá-las em partes ou no todo (no entanto, uma vez adotadas, todos os trabalhos realizados para a instituição devem se adequar a elas). Elas são necessárias, pois a ciência exige um padrão não apenas na conduçãointerpretar os fenômenos que os cercavam, buscando compreender como adquirimos conhecimento e postulando teorias para compreender a realidade. O pensamento racionalista O racionalismo é uma abordagem �losó�ca que enfatiza o papel da razão e do pensamento lógico na aquisição de conhecimento. Os teóricos racionalistas argumentam que existem verdades que podem ser conhecidas independentemente da experiência sensorial. Assim, a origem do conhecimento está na razão e no fato de termos ideias inatas, ou seja, que já nascem com o ser humano. Sob essa ótica, os conhecimentos matemáticos são certos, seguros, incontestáveis e não mudam; portanto, podem servir de base para a solidez epistemológica (Aranha; Martins; 2003). “Penso, logo existo!” Essa é a famosa máxima de René Descartes (1596-1650), que é considerado o pai da �loso�a moderna. Descartes buscou encontrar respostas verdadeiras que não pudessem ser postas em dúvida, por isso criou o método cartesiano. O autor conciliou um aspecto importante para o desenvolvimento de suas obras e do seu método, o chamado ceticismo metodológico. O ceticismo metodológico é a posição que nos permite duvidar de certas conjecturas ou hipóteses que não foram submetidas à prova. Essa posição é basicamente uma dúvida razoável, nunca absoluta, na falta de boas evidências. Em resumo, essa é a posição que norteia toda a atividade cientí�ca ainda hoje (Gallo, 2016). Ao desenvolver um método que permita o acesso ao conhecimento verdadeiro, Descartes cria quatro regras para o seu uso: 1. Só considerar verdadeiro aquilo que for claro, evidente e distinto por si. 2. Fazer uma análise minuciosa daquilo que nos causa dúvidas. 3. Síntese. 4. Revisão. Assim, buscam-se encontrar as certezas, chegar à verdade. Descartes se contrapõe aos empiristas, pois, na sua perspectiva, todos nós estamos sujeitos, de algum modo e em algum momento, a sermos enganados pelos sentidos. Conclui-se, então, que, se os sentidos nos Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO enganarem uma única vez que seja, já seria motivo su�ciente para não fundamentar a verdade sobre eles. O pensamento empirista O conhecimento empírico pressupõe que os fenômenos podem ser conhecidos com base na observação e nas experiências sensíveis do sujeito. Parte-se do entendimento de que aquilo que a experiência nos mostra repetidas vezes nos dá a con�ança de que continuará sempre se repetindo; ou seja, os resultados colhidos serão sempre os mesmos. A partir desse entendimento, uma demonstração de que não existem ideias inatas, tampouco princípios morais inatos, se dá pela existência de uma pluralidade signi�cativa de culturas, costumes e valores diferentes. John Locke (1632-1704) é considerado o fundador do empirismo moderno, entendendo que o nosso conhecimento se dá por meio dos nossos sentidos. Ele criticou a doutrina de que temos ideias inatas, pois, se fosse assim, as crianças já as teriam. O seu entendimento é o de que possuímos capacidades inatas como o raciocínio e a percepção, que são fundamentais para a explicação da compreensão humana (Gallo, 2016). Dessa forma, Locke entendia a mente humana como uma “tábula rasa” (folha em branco) no nascimento, que vai sendo preenchida com o conhecimento que é adquirido por meio da observação e das experiências sensoriais de cada um. Ele se sentiu desa�ado a descobrir o que podemos conhecer e acabou concluindo que podemos conhecer aquilo que os nossos sentidos nos permitem, pois, se algo nunca foi visto, nem ouvido, nem cheirado, e assim por diante, esse algo não nos é, e nem poderá ser conhecido (Aranha; Martins, 2003). Ciências Naturais e Ciências Humanas A partir do que estudamos até aqui, conseguimos perceber como a modernidade trouxe um aspecto de racionalização para a vida humana. No âmbito econômico, ela se materializou na consolidação do capitalismo nas técnicas racionais de contabilidade e de administração, e na forma de trabalho livre assalariado. No quesito político, houve a substituição da autoridade centralizada medieval pelo Estado Moderno. A racionalização cultural fundamentou o desencantamento do mundo, ou seja, o mundo moderno só poderia ser entendido pela razão e pela ciência, sem necessitar de mitos, temores e superstições (Giddens, 2005). Foi nesse contexto que as Ciências Humanas emergiram, frutos desse processo histórico, com o intuito de explicar e compreender essa nova ordem social. As ideias de progresso, racionalismo e domínio do homem sobre a natureza exerceram forte in�uência sobre a mentalidade da época. O conhecimento cientí�co também ganha corpo e se expande a partir da evolução do modo de produção capitalista, já que não havia mais a limitação imposta pela igreja em relação àquilo que era ou não permitido conhecer. Diante de tal cenário, as Ciências Naturais, que já estavam estabelecidas e tinham prestígio e reconhecimento na sociedade, eram consideradas o único meio possível para se chegar ao Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO conhecimento, sendo seu método de análise dos fatos e fenômenos o único válido, “devendo, portanto, ser estendido a todos os campos da indagação e atividade humanas” (Aranha; Martins, 2003, p. 140). De maneira geral, é possível admitir que as Ciências Naturais se concentram em observações pertinentes ao mundo físico e natural, se apoiando em experimentos controlados e observações quantitativas. As Ciências Humanas, ao emergirem no século XIX, precisavam ganhar espaço e prestígio, mostrando que também poderiam produzir conhecimentos con�áveis assim como os produzidos pelas Ciências da Natureza. As humanidades centram seus estudos na sociedade, na cultura, no comportamento humano, na linguagem, na história, na psicologia e em muitos outros aspectos que estejam relacionados à experiência humana. Assim, as observações podem ser de cunho qualitativo (mas não excluindo as de cunho quantitativo); e as análises, mais subjetivas. Entretanto, num primeiro momento, até a sua consolidação, as Ciências Humanas se valeram dos métodos e das técnicas de pesquisa das Ciências Naturais para a realização das primeiras pesquisas. Com o tempo, esse cenário foi se modi�cando e novos métodos e técnicas, pertinentes a cada área especí�ca foram sendo desenvolvidos. Mas essa é uma conversa para outro momento! Vamos Exercitar? Você se lembra dos nossos questionamentos iniciais? Agora que já compreendemos a conjuntura de ascensão da Modernidade e seus desdobramentos, é hora de responder: 1. Quais fatores impactaram de maneira decisiva a transição da Idade Média para a Idade Moderna? 2. Quais foram as mudanças decorrentes dessa transição? 3. Como a maneira de interpretar o mundo se modi�cou? Para respondermos de maneira correta a todas as questões, precisamos nos lembrar de todo o contexto econômico, social e político que envolveu tais questões. A transição da Idade Média para Idade Moderna marcou também a queda do sistema feudal e a ascensão do sistema capitalista. É importante nos lembrarmos das Revoluções Burguesas (Revolução Industrial e Revolução Francesa) in�uenciadas pelos ideais iluministas. Esses ideais trouxeram uma nova maneira de interpretar o mundo, deslocando a perspectiva teocêntrica para a perspectiva antropocêntrica. Elas proporcionaram uma racionalização dos conhecimentos, deixando de lado explicações atreladas a questões supersticiosas e fantasiosas. As mudanças foram profundas em todos os setores da sociedade, desde a maneira como o trabalho passou a ser organizado, nas relações entre patrões empregados, nas relações políticas, culturais, etc. Saiba mais Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO 1. Vamos aprofundar nosso conhecimento a respeito da consolidação do capitalismo como sistema econômico e social vigente. Essa compreensão é importante para que possamos entender a estruturação da sociedade a partir de então. Para isso, assista ao �lme Tempos Modernos, um clássico de Charles Chaplin que retrata a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 1930. O �lme retrata a vida na sociedade industrial, criticando a alienação dode seus experimentos, mas também na divulgação de seus resultados. Nesse sentido, compreendemos que as normas não têm o intuito de limitar a produção cientí�ca, e sim de adequar as produções a �m de favorecer a transmissão e divulgação do conhecimento. Vamos falar especi�camente das normas de citações e de referências, que são dois elementos primordiais na realização de um bom trabalho acadêmico. Siga em Frente... Citações – ABNT NBR 10520/2023 Sempre que vamos construir um texto cientí�co, é necessário dialogar com outros autores, por meio da consulta a textos já publicados. Precisamos nos lembrar de que o conhecimento é dinâmico e está constantemente em construção; essa busca permite também a compreensão do estado da arte do tema em questão. Dessa forma, ao construir o texto, o pesquisador vai inserir conceitos e ideias que são de outros pesquisadores e, para que a pesquisa seja ética e não con�gure plágio, é necessário que as citações sejam feitas conforme estabelece a norma. A norma da ABNT NBR 10520 (2023) é a que estabelece como as citações devem ser inseridas no texto. Quando realizamos uma citação no decorrer de nosso texto, estamos dando crédito ao autor que utilizamos como fonte. Estamos sinalizando para o nosso leitor que aquela ideia, aquele conceito ou aquela visão não é nossa, mas de outra pessoa. Entretanto, concordamos com o autor ou estamos colocando no texto para, a partir dele, elaborar um contraponto. As citações podem ser diretas ou indiretas. Também pode ser feita a citação da citação. Elas podem ser inseridas em qualquer parte do texto. Precisamos nos atentar para como mencionar o autor no decorrer do texto. Vamos ver todas essas questões de maneira mais detalhada. Citações diretas As citações diretas consistem na transcrição literal das palavras do autor base no texto que estamos escrevendo. De maneira geral, elas podem ser curtas (até 3 linhas, entre aspas duplas no corpo do texto) ou longas (mais de 3 linhas, em parágrafo a parte com recuo lateral). Em ambos os casos, é preciso mencionar o sobrenome do autor, o ano da publicação e a página de onde aquele trecho foi retirado (Marconi, Lakatos, 2024). Vamos ver alguns exemplos no Quadro 1: CITAÇÕES DIRETAS CURTAS Um autor Quando se pensa na história da ética das pesquisas com seres humanos, Faintuch (2021, p. 9) aponta que “o primeiro registro Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO encontra-se na Bíblia, com uma pesquisa prospectiva controlada não aleatorizada”. Dois ou três autores De acordo com Marconi e Lakatos (2024, p. 15), a leitura é “um dos fatores decisivos do estudo, é imprescindível em qualquer tipo de investigação cientí�ca”. Quando pensamos na formação dos indivíduos para a atuação na sociedade, é preciso que essa formação seja “considerada algo em constante processo de construção e desenvolvimento” (Mariano; Franco; Oliveira, 2021, p. 364). Quatro ou mais autores O início da vida acadêmica ocasiona muitas mudanças na vida dos estudantes. “É um processo marcado por modi�cações nos vínculos comportamentais, que juntamente com fatores psicossociais, estilo de vida e situações do meio acadêmico torna-os vulneráveis a circunstâncias de risco à saúde” (Neves et al., 2015, p. 65). Quadro 1 | Exemplos de citações diretas curtas. Fonte: elaborado pela autora. Note que a inserção da citação no texto varia de acordo com a estrutura da frase e de acordo com a maneira com que ela está sendo escrita. O que não muda na citação direta curta é a maneira como ela é apresentada no texto, sempre entre aspas duplas, acompanhada do sobrenome do autor ou autores, do ano da publicação e da página de onde foi retirada. As aspas simples são utilizadas para indicar citação no interior da citação. Em relação às citações diretas longas, a maneira como elas aparecem nos textos é diferente das curtas, mas permanece a obrigatoriedade de indicação de autor, ano e página ou localização do trecho citado quando for possível. Vejamos alguns exemplos: Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Figura 1 | Exemplo de citação direta longa. Fonte: elaborada pela autora. Note que o espaçamento entrelinhas utilizado no texto é de 1,5, mas, na citação, o espaçamento entre linhas é simples. A ABNT (2023) recomenda que seja feito o recuo de 4 centímetros da margem esquerda, com letra menor que a utilizada no texto e sem aspas. Se forem dois, três ou mais de três autores, a indicação dos sobrenomes seguem o modelo que foi apresentado nas citações diretas curtas. Mas atenção: no caso de uma obra com quatro autores ou mais, se você optar por utilizar a expressão et al., isso precisa ser feito para todas as obras com quatro autores ou mais, a �m de que haja padrão no texto. As supressões ou os acréscimos no decorrer das citações são indicadas por colchetes e reticências [...]. Citações indiretas As citações indiretas são aquelas em que não há transcrição literal de alguma parte do texto, mas o autor se baseou no texto-fonte para escrever. As citações indiretas podem ser comentários ou críticas a uma determinada ideia; podem ser usadas para concordar ou refutar um argumento. Isso sempre depende da estrutura do texto em questão. A maneira como o sobrenome do autor ou dos autores aparecem no texto ou no �nal da frase deve seguir o que está determinado na norma da ABNT. Por não serem transcrições literais, elas não apresentadas entre aspas e não há a necessidade de indicação da página do texto base (Marconi; Lakatos, 2024). Acompanhe alguns exemplos a seguir: Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Figura 2 | Exemplos de citações indiretas. Fonte: elaborada pela autora. Citação da citação – apud A palavra apud pode ser traduzida como “citado por”; isso quer dizer que o autor não teve contato diretamente com a obra citada: ele a leu por meio de outra citação (Marconi, Lakatos, 2024). Por ser uma palavra que vem do latim, ela deve sempre ser apresentada em itálico no texto. A citação da citação deve ser evitada: o recomendado é que sempre se busque o texto-fonte a que se está referindo. Entretanto, existem alguns casos em que de fato não é possível consultar o texto original, então realiza-se o apud. As regras de apud seguem as regras de citações diretas e indiretas: Figura 3 | Exemplos de apud. Fonte: elaborada pela autora. A norma apresenta diversos outros detalhes quanto as citações; por exemplo, em relação à maneira como devem ser apresentados autores com o mesmo sobrenome e data de publicação. “Para autores com o mesmo sobrenome e data de publicação, devem-se acrescentar as iniciais de seus prenomes. Se persistir a coincidência, colocam-se os prenomes por extenso” (ABNT, 2024, p. 8). Ela esclarece também como devem ser feitas as citações de diversos documentos do mesmo autor, com publicações em anos diferentes, devem ser “mencionados simultaneamente, devem ter as suas datas em ordem cronológica, separadas por vírgula” (ABNT, 2023, p. 5). Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Por �m, devemos nos atentar para o fato de que, quando há a indicação de siglas (ABNT, IBGE, APA, MEC etc.) no corpo do texto ou no �nal da frase, a recomendação é para que elas sejam grafas em letras maiúsculas. O essencial é que a norma seja consultada sempre que ocorra alguma dúvida, isso facilita a escrita do texto e diminui a possibilidade de cometermos erros no momento da escrita. Em algumas ocasiões, como no envio de um artigo para um evento ou para uma revista cientí�ca, a inserção correta das citações e das referências pode ser um diferencial para que o responsável pelo texto o envie ou não para a correção. Referências – ABNT NBR 6023/2018 As referências de um texto devem ser elaboradas de acordo com a ABNT NBR 6023 (2018). Ao longo da elaboração do texto, de qualquer natureza, o pesquisador usa diferentes fontes na sua construção, como livros, artigos, teses, matérias de jornais, entrevistas, entre outros tipos de materiais. Tudo o que é citado no decorrer do texto precisa ser referenciado e, para isso, o pesquisador precisa conhecer o formato de apresentação decada documento a �m de elaborar a referência pertinente de maneira correta. Isso quer dizer que não existe um padrão para todos os documentos. Cada tipo de documento é apresentado de uma maneira especí�ca nas referências do texto. Isso não quer dizer que não existam regras para a elaboração das referências. De maneira geral, [...] as referências devem ser elaboradas em espaço simples, alinhadas à margem esquerda do texto e separadas entre si por uma linha em branco de espaço simples, [...] a pontuação deve ser uniforme para todas as referências. [...] O recurso tipográ�co (negrito, itálico ou sublinhado) utilizado para destacar o elemento título deve ser uniforme em todas as referências (ABNT, 2018, p. 5). Vamos buscar compreender como cada documento deve ser apresentado. Começando pela autoria de pessoas físicas, o autor ou os autores devem ser apresentados pelo último sobrenome, em letras maiúsculas, seguidos pelos prenomes e outros sobrenomes abreviados ou não. Os autores devem ser separados por ponto e vírgula. Precisamos padronizar a forma de apresentação dos prenomes e sobrenomes. Isso quer dizer que se apresentarmos todo o nome de um autor em uma referência, em todas isso deve ser feito. Se apresentarmos apenas a inicial, isso deve ser seguido nas outras também. Acompanhe os exemplos no Quadro 2: Um autor ALVES, Roque de Brito. Ciência criminal. Rio de Janeiro: Forense, 1995. ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e análise de balanços: um enfoque econômico- �nanceiro. 8ª ed. São Paulo: Atlas, 2007. Dois ou três autores SOUZA, J. C.; PEREIRA, A. M. Metodologia de trabalho. 3ª ed. São Paulo: Estrela, 2011. PASSOS, L. M. M.; FONSECA, A.; CHAVES, M. Alegria de saber: matemática, segunda série, Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO 2, primeiro grau: livro do professor. São Paulo: Scipione, 1995. 136 p. Quatro ou mais de quatro autores URANI, A. et al. Constituição de uma matriz de contabilidade social para o Brasil. Brasília: IPEA, 1994. TAYLOR, Robert; LEVINE, Denis; MARCELLIN- LITTLE, Denis; MILLIS, Darryl. Reabilitação e �sioterapia na prática de pequenos animais. São Paulo: Roca, 2008. Quadro 2 | Exemplos: referências de monogra�a no todo. Fonte: elaborado pela autora. Note que, quando há a indicação de quatro ou mais autores, a norma estabelece que convém indicar todos; entretanto, é permitido utilizar a expressão et al. após o nome do primeiro autor. Outro ponto importante é que as referências devem obedecer aos mesmos princípios; portanto, se utilizar a inserção de elementos complementares, como o número de páginas no caso de um livro, estes devem ser incluídos em todas as referências daquela lista. Mas atenção: se você estiver se referindo ao capítulo de um livro ou ao artigo de um periódico, a indicação da página �nal e inicial são obrigatórias, a menos que não seja possível a localização. O Quadro 3 nos possibilita visualizar outros tipos de referências: Livro com responsabilidade Intelectual LANDAU, L.; CUNHA, G. G.; HANGUENAUER, C. (org.). Pesquisa em realidade virtual e aumentada. Curitiba: Editora CRV, 2014. 164 p. Autoria institucional, disponibilidade e acesso OMS - Organização Mundial da Saúde. Mulheres e saúde: evidências de hoje: agenda de amanhã. Geneva: OMS, 2009. 92 p. Disponível em: https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665. 2/7684/9788579670596_por.pdf? sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 9 nov. 2023. Autoria do capítulo distinta da autoria do livro no todo BACHEGA, K.; ACCETTURI, E. Transplantes de tecido ósseos no Brasil: uma história segura de sucesso da odontologia. In: SANTOS, P. S. S. et al. (org.). Odontologia em transplante de órgãos e tecidos. Curitiba: Editora CRV, 2018. cap. 7, p. 109-127. Artigo de periódico disponível na internet MARIANO, M. L. S.; FRANCO, S. A. P.; OLIVEIRA, K. L. de. Estágio em docência no curso de doutorado em educação: relatos de experiência. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 16, n. 1, p. 361–375, 2021. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamerica Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO na/article/view/12785. Acesso em: 9 nov. 2023. Quadro 3 | Exemplos: referências de diferentes formatos. Fonte: elaborado pela autora. Perceba que, no caso de documentos com título e subtítulo, apenas o título aparece em destaque. No caso de um artigo de revista, o elemento destacado é o nome da revista; o mesmo acontece quando utilizamos apenas o capítulo de um livro como referência. Existem ainda muitos outros documentos que podem ser referenciados, como legislações, vídeos, podcasts. Vamos acompanhar alguns outros exemplos no Quadro 4: Constituição Federal BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, [2016]. 496 p. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/h andle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016.pdf. Acesso em: 9 nov. 2023. Atos administrativos normativos BRASIL. Ministério da Educação. Ofício circular 017/MEC. Brasília, DF: Ministério da Educação, 26 jan. 2006. Assunto: FUNDEB. Documento sonoro em meio eletrônico MAMILOS: A Nova Tradicional Família Brasileira. Entrevistadoras: Juliana Wallauer e Cris Bartis. Entrevistado: Pastor Henrique Vieira. [S. l.]: B9, fev. 2019. Podcast. Disponível em: https://open.spotify.com/episode/676wEdjCL 6LsjOFconIH0K?si=7e56a08736d94147. Acesso em: 9 nov. 2023. Filmes, vídeos, entre outros em meio eletrônico BOOK. [S. l.: s. n.], 2010. 1 vídeo (3 min). Publicado pelo canal Leerestademoda. Disponível em: http://www.youtube.com/watch? v=iwPj0qgvfIs. Acesso em: 9 nov. 2023. BLADE Runner. Direção: Ridley Scott. Produção: Michael Deeley. Intérpretes: Harrison Ford; Rutger Hauer; Sean Young; Edward James Olmos e outros. Roteiro: Hampton Fancher e David Peoples. Música: Vangelis. Los Angeles: Warner Brothers, c1991. 1 DVD (117 min), widescreen, color. Baseado na novela “Do androids dream of electric sheep?”, de Philip K. Dick. Quadro 4 | Exemplos: referências de diferentes formatos. Fonte: elaborado pela autora. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Todas as possibilidades estão listadas na norma da ABNT. Por ser muito ampla, é claro que não damos conta de recordar de todas de maneira automática. Por isso, o essencial é sempre consultar o manual a �m de elaborar de maneira correta o corpo de referências de um trabalho acadêmico. E você pode se questionar: mas onde eu encontro todas essas informações? A resposta é: depende! Dependendo da fonte, você encontrará a chamada �cha catalográ�ca com todas as informações necessárias no próprio documento. Se for um artigo cientí�co, as informações normalmente constam no cabeçalho da página ou no rodapé. Quando a publicação não apresentar essas informações tão explicitamente, o pesquisador fará uso da norma para identi�car os elementos essenciais, a �m de referenciá-los corretamente. Vamos Exercitar? Agora que já compreendemos a inserção de citações no decorrer dos textos acadêmicos e como devemos elaborar as referências, é hora de retomarmos nossa situação inicial. Você está �nalizando seu TCC e percebeu que suas citações não estão padronizadas; à medida que você foi escrevendo o texto, você se confundiu. Então, para �car mais fácil realizar o ajuste, você decidiu elaborar um esquema que sintetize as principais características de cada tipo de citação, para que você possa voltar no texto e realizar a revisão de maneira mais e�caz. Citação direta curta Até 3 linhas – mencionar autor, ano, página. No corpo do texto. Entre aspas duplas. Citação direta longa Mais de 3 linhas – mencionar autor, ano, página. Recuo de 4 cm da margem esquerda. Em outro parágrafo, fonte menor que a do texto. Citação indireta Não necessita aspas nem recuo. Não necessita citar a página. Citação da citação (apud) Segue as regras das citações diretas e indiretas. É usado quando não se teve acesso diretamente ao texto fonte. Quadro 5 | Tipos de citação. Fonte: elaborado pela autora. Saiba mais Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Inserir corretamentecitações no decorrer de um texto acadêmico e posteriormente elaborar o corpo de referências é primordial para um trabalho acadêmico con�ável e dentro do que se espera dos padrões cientí�cos. Assim, é necessário que você tenha conhecimento sobre esses tópicos. Para isso, leia o capítulo 6 – “Apresentação de citações diretas e indiretas e elaboração de referências bibliográ�cas”, p. 207-237, do livro Metodologia do trabalho cientí�co, de Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos – Minha Biblioteca. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 6023: informação e documentação: Referências: elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 10520: informação e documentação: Citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2023. CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTOO, Luciana Bernardo. Guia prático de monogra�as, dissertações e teses: Elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011. MARCONI, Marina de Andrade.; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho cientí�co: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográ�ca, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2024. MICHAELIS Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2023. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/. Acesso em: 8 out. 2023. PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS (PUCMG). Orientações para elaboração de citações e referências: conforme a American Psychological Association (APA) 7ª edição. Belo Horizonte, 2022. Elaboração: Fabiana Marques de Souza e Silva. Disponível em: https://portal.pucminas.br/biblioteca/documentos/APA-7-EDICAO-2022-NV.pdf. Acesso em: 7 nov. 2023. Aula 5 Encerramento da Unidade Videoaula de Encerramento https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597026559/epubcfi/6/30[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml13]!/4 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597026559/epubcfi/6/30[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml13]!/4 https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/ https://portal.pucminas.br/biblioteca/documentos/APA-7-EDICAO-2022-NV.pdf Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Dica para você Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua aprendizagem ainda mais completa. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Chegada Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é “compreender a construção e estruturação de um relatório �nal de pesquisa, suas normas e padronizações, possibilitando a articulação dos conhecimentos adquiridos e a prática do pensar cientí�co”, você deve primeiramente entender o que é um trabalho de conclusão de curso. Depois é preciso compreender as partes desse TCC, ou seja, todos os elementos que precisam ser contemplados no seu desenvolvimento de maneira teórica e metodológica. Por �m, é necessário também observar as normas e a padronização cientí�ca, a maneira como o TCC precisa ser formatado e como as citações e referências precisam ser inseridas no texto. A elaboração do TCC é um dos elementos que marcam a �nalização de uma etapa, seja de um curso de graduação ou de pós-graduação. Para a sua correta elaboração, ela precisa seguir normas de estruturação e estar dentro do que se espera dos padrões cientí�cos de um trabalho acadêmico. A ética é primordial no desenvolvimento da pesquisa, independentemente do seu tipo. Para além disso, é preciso pensar em cada etapa especí�ca da pesquisa e o que precisa ser desenvolvido nela. É importante relembrar que a NBR 14724 (2011) nos orienta quanto à formatação e apresentação do TCC, mas o conteúdo �ca sob responsabilidade do pesquisador. Assim, é fundamental conhecer cada uma dessas partes da pesquisa e compreender como elas devem ser desenvolvidas. No entanto, lembre-se: mesmo que elas pareçam partes independentes, um ponto fundamental é a atenção ao fato de que elas são interligadas e precisam conversar entre si para que a pesquisa faça sentido como um todo. Isso signi�ca que, quando você escolhe um tema de pesquisa, a pergunta deve ser pertinente a esse tema, assim como as hipóteses, as justi�cativas e as demais partes da pesquisa. A partir do momento em que conseguimos delimitar o tema, levantar o problema, elencar as hipóteses (se for o caso) e estabelecer os objetivos da pesquisa, podemos estabelecer o tipo de Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO pesquisa que vamos realizar e o método a ser utilizado. Não é possível fazer o caminho inverso, ou seja, estabelecer o tipo de pesquisa e o método para depois pensar em um tema de pesquisa. Por exemplo: �ca inviável estabelecer o desejo de fazer uma pesquisa quantitativa de levantamento a partir de uma entrevista com uma pessoa referência em uma determinada área. O mais pertinente seria uma pesquisa qualitativa a partir de um estudo de caso. No momento de escrita do trabalho acadêmico, outra questão a ser observada é a inserção de citações no decorrer do texto. É a NBR 10520 (2023) que indica como as citações devem ser inseridas e referenciadas no corpo do texto. As citações são imprescindíveis, pois elas dão crédito à nossa escrita a partir do embasamento em outros estudos já publicados. Por isso, é importante a busca por pesquisas de cunho cientí�co em bases con�áveis, os quais publiquem trabalhos que se preocupem com o desenvolvimento sistematizado e ético da ciência. Por �m, e não menos importante, a NBR 6023 (2018) apresenta as instruções de como o corpo de referências do trabalho deve ser elaborado. Cada documento tem um formato especí�co de apresentação dos elementos que são essenciais para a sua identi�cação individual. As referências devem ser elaboradas em ordem alfabética a partir do último sobrenome do autor ou conforme ocorrer o elemento de entrada na referência. Re�ita A partir do que foi exposto, re�ita sobre os seguintes questionamentos: Qual a importância das normas de citações e de referências para o desenvolvimento dos trabalhos acadêmicos? É realmente necessário elaborar um TCC ao concluir um curso de graduação ou pós- graduação? É Hora de Praticar! Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. A apresentação, a análise e a discussão dos dados da pesquisa são os momentos em que o pesquisador vai conseguir mostrar para o leitor aquilo que ele encontrou durante a sua busca. É o momento de defender seu ponto de vista buscando embasamento no referencial teórico. Os dados da pesquisa podem ser dados primários, aqueles coletados pelo próprio pesquisador, ou Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO secundários, aqueles dados coletados por outros pesquisadores ou órgãos governamentais, como o Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE), por exemplo. Vamos pensar em uma situação em que, na sua pesquisa, você está investigando a ocupação de jovens entre 15 e 29 anos. Você estabeleceu um recorte temporal dos últimos 10 anos. Assim, você buscou os dados divulgados pelo IBGE na Síntese de indicadores sociais de 2012 e de 2022. Os grá�cos encontrados foram os seguintes: Figura 1 | Grá�co encontrado na pesquisa: distribuição percentual dos jovens de 15 a 29 anos de idade, por tipo de atividade na semana de referência, segundo os grupos de idade – Brasil – 2012. Fonte: IBGE (2013). Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Figura 2 | Grá�co encontrado na pesquisa: distribuição percentual de jovens de 15 a 29 anos de idade, por tipo de atividade na semana de referência – Brasil – 2016/2021. Fonte:IBGE (2022). Agora, responda aos seguintes questionamentos: É possível fazer a comparação entre os dois grá�cos? Se sim, faça a comparação entre eles. Se não, justi�que o motivo de não ser possível. Como cada grá�co pode ser interpretado? Bons estudos! Qual é a recomendação para se trabalhar com dados em uma pesquisa? Na hora de interpretá- los e expor os resultados, o pesquisador deve ter muito cuidado para não enviesar e comprometer esses dados com sua análise. É possível fazer a comparação entre os dois grá�cos, pois eles apresentam as mesmas variáveis e a mesma população. Ambos apresentam o tipo de atividade exercida por jovens de 15 a 29 anos de idade na semana de referência. As variáveis são divididas em: somente estuda, trabalha e estuda (estuda e está ocupado), somente trabalha (só está ocupado) e não trabalha nem estuda (não estuda e não está ocupado). Pensando na comparação entre os grá�cos e na proposta feita, é possível pensar em cada variável de maneira isolada ou na totalidade da amostra. Vamos pensar nas variáveis de maneira isolada para fazer a re�exão: no ano de 2012, a população que declarou somente trabalhar foi de Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO 45,2%; no ano de 2016, esse percentual era de 39,4%. A queda na variável “somente ocupado” pode indicar o investimento governamental no setor educacional no período de referência, o que possibilitou a permanência dos jovens no setor educacional e ampliou o acesso às universidades por meio de subsídios �nanceiros proporcionando condições à população menos favorecida permanecer por mais tempo na escola. Olhando para o mesmo indicador no período seguinte em 2017 e 2018, o índice dos jovens entre 15 e 29 anos que somente trabalhavam se manteve em 39,4%, tendo um discreto aumento em 2019 para 40,2%, e caindo signi�cativamente em 2020 para 35,1%. Precisamos nos recordar de que 2020 foi o ano da pandemia de Covid-19; portanto, a queda signi�ca o desemprego da população. Essa a�rmação �ca evidente quando olhamos para os dados referentes aos jovens que declararam não estudar nem estar ocupados em 2019: o percentual era de 24,1% e sobe para 28% em 2020. Esse é apenas um exemplo de como os dados podem ser interpretados e discutidos, mas essa interpretação e discussão também pode ser feita de outras formas, trazendo ainda outros dados a nível de comparação. Que tal treinar um pouco mais?! Agora é com você! Vamos analisar a �gura a seguir para compreender de maneira sintetizada as etapas a serem seguidas na elaboração de um Trabalho de Conclusão de Curso. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Fonte: elaborada pela autora. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 14724: informação e documentação: Trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2011. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 6023: informação e documentação: Referências: elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 10520: informação e documentação: Citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2023. CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTOO, Luciana Bernardo. Guia prático de monogra�as, dissertações e teses: Elaboração e apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 2013. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv66777.pdf. Acesso em: 14 nov. 2023. https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv66777.pdf Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101979.pdf. Acesso em: 14 nov. 2023. https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101979.pdfoperário nesse meio de produção, a modernidade e o capitalismo crescente. 2. Compreender sobre os teóricos racionalistas e empiristas é fundamental para, posteriormente entender a organização e o desenvolvimento da ciência. Para isso, saiba mais sobre o tema a partir das leituras a seguir. - LOURENÇO, Vitor Hugo. René Descartes e o cogito. In: LOURENÇO, Vitor Hugo. Construção do pensamento �losó�co na modernidade. Curitiba: Intersaberes, 2019. Cap. 3. p. 108-114. - LOURENÇO, Vitor Hugo. John Locke e Ensaio sobre o entendimento humano. In: LOURENÇO, Vitor Hugo. Construção do pensamento �losó�co na modernidade. Curitiba: Intersaberes, 2019. Cap. 4. p. 145-150. 3. A Igreja Católica, principalmente durante a Idade Média, exerceu forte in�uência na sociedade ocidental. Ela determinava inclusive aquilo que poderia ou não ser conhecido pelas pessoas, pois, assim, ela poderia manter o seu domínio. Para se aprofundar nesse assunto, assista ao �lme O nome da eosa, roteiro de Andrew Birkin e Gérard Brach. O �lme mostra a história do monge franciscano William de Baskerville (Sean Connery) e Adso von Melk (Christian Slater), que chegam a um mosteiro no norte da Itália em 1327. Eles vão participar de um conclave que vai decidir se a Igreja vai doar parte de suas riquezas, mas a história muda quando uma série de assassinatos começa a acontecer e William decide investigá-los, contrariando os coordenadores do mosteiro. Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à �loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003. BRESCIANI, Maria Stella Martins. Londres e Paris no século XIX: o espetáculo da pobreza. São Paulo: Editora Brasiliense, 2004. CHAUÍ, Marilena de Souza. Convite à �loso�a. São Paulo: Ática, 2014 FUINI, Pedro. Queda da Bastilha. Faculdade de Filoso�a, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2022. Disponível em: https://www.�ch.usp.br/34302. Acesso em: 12 out. 2023. GALLO, Silvio. Filoso�a: experiência do pensamento. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2016. https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/193177/pdf/0?code=vuDFK8a1gxn3on26qzCXIi1dBsnWlnaXDhbnKfqsj/xajzxEny/g53m4N3ENsHEtuQGgdTaRuU62ONFBTt9A1g== https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/193177/pdf/0?code=vuDFK8a1gxn3on26qzCXIi1dBsnWlnaXDhbnKfqsj/xajzxEny/g53m4N3ENsHEtuQGgdTaRuU62ONFBTt9A1g== https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/193177/pdf/0?code=vuDFK8a1gxn3on26qzCXIi1dBsnWlnaXDhbnKfqsj/xajzxEny/g53m4N3ENsHEtuQGgdTaRuU62ONFBTt9A1g== https://www.fflch.usp.br/34302 Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. Aula 3 A Epistemologia do Conhecimento Cientí�co A epistemologia do conhecimento cientí�co Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Partida Olá, estudante! Vamos caminhar para a compreensão da consolidação do conhecimento cientí�co como aquele utilizado para explicar a organização da sociedade após as Revoluções Burguesas. A ciência, assim como os demais tipos de conhecimento (senso comum, religioso e �losó�co) busca chegar à verdade por meio da investigação daqueles aspectos que mereçam ser compreendidos ou interpretados. Dessa forma, o conhecimento cientí�co tem como objeto de estudo os fenômenos naturais e os sociais, olhando para as particularidades de cada um e tendo teorias especí�cas para explicá-los. E por que essa divisão é necessária? Devido ao fato de que cada objeto de estudo requer uma forma especí�ca de abordagem e interpretação. A partir disso, pensemos na seguinte situação: em uma aula de Metodologia Cientí�ca, a professora está explicando para os alunos o conceito de teoria e lhes apresenta duas vertentes teóricas no campo das ciências humanas: o Positivismo e o Funcionalismo. Ao �nalizar, a professora solicita que os alunos elaborem um quadro resumo com a de�nição de teoria e com as principais características de cada uma das vertentes teóricas e seu principal representante. Para isso, é necessária a compreensão de todos esses elementos. Bons estudos! Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Vamos Começar! O que é teoria? Provavelmente você já ouviu falar em teoria, e você precisa saber que o termo pode ter diferentes conotações dependendo do contexto em que é utilizado. “A palavra teoria tem origem no verbo grego theorein cujo signi�cado é ‘ver’. A associação entre ‘ver’ e ‘saber’ é uma das bases da ciência ocidental” (Minayo, 2013. p. 16). A palavra teoria pode ser utilizada para se referir a uma crença ou uma ideia, sob outra perspectiva; popularmente, é um termo usado em sentido oposto à prática. Pense na carga teórica e na carga prática de um curso, por exemplo. Ou ainda pode se referir a um componente do conhecimento cientí�co que requer um método próprio (Trentini, 1987). Vamos nos ater a essa última perspectiva de teoria, que é a utilizada para o desenvolvimento de pesquisas, na busca por respostas e por novos conhecimentos. De acordo com Severino (2013, p. 90), a teoria pode ser de�nida como um “conjunto de concepções sistematicamente organizadas; síntese geral que se propõe a explicar um conjunto de fatos cujos subconjuntos foram explicados pelas leis”. E o que isso quer dizer? A teoria é um conjunto de princípios, ideias, ou conceitos que busca explicar algo em especí�co. É construída a partir de observações, experimentos e análises sistemáticas de dados. Pode ser utilizada para prever resultados de experimentos ou observações futuras, além de fornecer um entendimento mais profundo de como o mundo funciona (Trentini, 1987; Severino, 2013). No contexto cientí�co, uma teoria é um modelo ou um conjunto de princípios que descreve fatos e fenômenos, sejam eles naturais ou sociais. É importante ressaltar que a teoria não é algo que �ca estagnado, que não se modi�ca. Trata-se de uma explicação concebida e estruturada a partir de evidências disponíveis no momento do seu desenvolvimento. Ela pode ser modi�cada, aprimorada ou revista à medida que novas evidências surjam ou sejam descobertas. A revisão contínua de uma teoria é fundamental para o avanço do conhecimento em todas as áreas do saber (Koche, 2011; Severino, 2013). Dessa forma, compreendemos que são as teorias que iluminam as nossas práticas; elas esclarecem a realidade para que possamos apreender o seu funcionamento (Demo, 1992). Ampliam a nossa visão de mundo a respeito daquilo que estamos estudando ou analisando, permitindo que tenhamos mais clareza a respeito daquilo que está em questão. Teorias são explicações da realidade, são as lentes por meio das quais olhamos para o contexto em que estamos inseridos, permitindo a ressigni�cação das nossas próprias concepções. Perspectivas teóricas nas ciências humanas Você se lembra de que falamos que o conhecimento cientí�co tem como objeto de estudo os fenômenos naturais e os sociais? A partir disso, podemos entender que existem diversas teorias em diversos contextos, como em disciplinas acadêmicas, nas ciências naturais, ciências humanas/sociais, matemática, �loso�a e em outras áreas do conhecimento humano. Cada campo tem suas próprias de�nições e critérios especí�cos para o desenvolvimento e liberdade Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO de teorias. Assim, as teorias têm implicações práticas e podem ser usadas para resolver problemas do mundo real, desenvolver tecnologias, formular políticas públicas e muito mais. A partir disso, vamos pensar inicialmente nas ciências naturais e nas ciências sociais. As ciências naturais são ramos da ciência que estudam a natureza e seus aspectos mais gerais e fundamentais; as leis e regras naturais que regem o mundo. As ciências sociais são ramos da ciência que estudamos aspectos sociais do mundo humano, a vida social de indivíduos e grupos humanos (Minayo, 2013). As ideias de progresso, racionalismo e domínio do homem sobre a natureza exerceram forte in�uência sobre a mentalidade do século XIX, impulsionando o desenvolvimento da ciência e de novas formas de conhecer. Dessa forma, as ciências sociais se desenvolveram nessa época, quando a racionalidade das ciências naturais e de seu método havia obtido o reconhecimento necessário para substituir a religião na explicação da origem, do desenvolvimento e da �nalidade do mundo. Assim, com o advento da Modernidade e as profundas transformações pelas quais a sociedade passou, fez-se necessário uma nova forma de conhecimento que fosse capaz de explicar tamanhas transformações. É nesse contexto que surgem as ciências humanas e sociais e suas teorias. Siga em Frente... O positivismo Pensar a sociedade e seus arranjos não é uma tarefa fácil, principalmente frente à efervescência em que ela se encontrava no período de ascensão e consolidação do capitalismo como sistema econômico vigente. Ainda assim, o francês Auguste Comte (1798-1857) se dedicou a essa missão, �cando conhecido como o “Pai da Sociologia”. Comte buscou explicar e entender os fenômenos sociais a partir da nova ordem em que se encontravam, tomando como base as perspectivas de análise das ciências naturais (Aranha; Martins, 2003). Para compreendermos a teoria positivista, precisamos recordar o processo de transformação da sociedade moderna e dos modos de produção. Antes do advento da máquina a vapor, a energia utilizada para a realização das tarefas era a energia humana, animal ou natural (vento e água). As mudanças ocasionadas pela Revolução Industrial foram cruciais, o que levou à concepção do cienti�cismo, entendimento em que “a ciência é considerada o único conhecimento possível e o método das ciências da natureza o único válido, devendo, portanto, ser entendido a todos os campos da indagação e atividade humanas” (Aranha, Martins, 2003, p. 140). Assim, o Positivismo derivou do cienti�cismo, isto é, da capacidade da razão humana em conhecer a realidade e traduzi-la sob a forma de leis naturais. O intuito dessas novas concepções era desvendar as recentes formas de organização e relações que vinham se transformando à medida que a sociedade também se transformava. Dessa forma, a partir das in�uências de sua época, Comte de�ne a sociologia como uma física social, mas toma os modelos da biologia para explicar a sociedade como um organismo coletivo. Sob esta ótica, a sociedade humana é Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO regulada por leis naturais que atingem o funcionamento da vida social, econômica, política e cultural. De acordo com Gallo (2016), a teoria positivista teve grande in�uência nos teóricos dos séculos XIX e XX. Comte, ao examinar o desenvolvimento da inteligência humana, descreveu um princípio básico ao qual denominou como a “lei dos três estados”. Segundo ele, o espírito humano teria passado por três estados diferentes de desenvolvimento em sua relação com o mundo. São eles: estado teológico, estado metafísico e estado positivo. Sob tal visão, os seres humanos passam por esses estágios, do menos desenvolvido (quando crianças) até ao mais desenvolvido (já adultos) ao longo da vida. A passagem de um estado para outro se daria de forma lenta, gradual e segura. No Quadro 1 a seguir, podemos observar as características de cada estágio. ESTADO TEOLÓGICO ESTADO METAFÍSICO ESTADO POSITIVO Explicação dos fenômenos como resultado de forças divinas e sobrenaturais. Explicações ingênuas e infantis. Predomínio da mitologia e da teologia como explicações do mundo. Estágio mais evoluído que o anterior. As forças sobrenaturais são substituídas por forças abstratas. Predomínio da Filoso�a como explicação do mundo. Estágio mais evoluído da humanidade. Os fatos e fenômenos são explicados racionalmente, pela causalidade. Predomínio da Ciência como explicação do mundo. Quadro 1 | Estágios de desenvolvimento do pensamento de acordo com Auguste Comte. Fonte: elaborado pela autora. O funcionalismo No �nal do século XIX, a Sociologia ainda estava se �rmando como ciência e buscava pelo seu objeto de estudo de forma clara e objetiva. Os primeiros passos haviam sido dados com Auguste Comte; ele propôs que os conceitos metafísicos fossem excluídos das explicações da nova ciência. Mas não foi Comte o responsável por levar a Sociologia ao patamar de disciplina cientí�ca reconhecida e respeitada na sociedade, obtendo inclusive uma cadeira na Universidade de Bordeaux em 1887. Esse papel coube ao francês Émile Durkheim (Moisés, 2022). Émile Durkheim (1858-1917) foi um sociólogo, psicólogo social e �lósofo francês. Seu legado está relacionado à consolidação da Sociologia como uma disciplina cientí�ca e à formação de uma escola de pensamento: o Funcionalismo. Dessa forma, ele buscou a cienti�cidade no estudo das humanidades, esteve empenhado em criar regras para a criação do método sociológico e atribuir status de saber cientí�co à sociologia. In�uenciado pelo Positivismo, Durkheim parte da objetividade para a construção do seu método e do estabelecimento do seu objeto de estudos: os fatos sociais (Aranha; Martins, 2003; Moisés, 2022). O teórico francês, ao observar o contexto europeu do século XIX, concluiu que as instituições sociais se encontravam enfraquecidas e que havia muito questionamento em torno delas. Os valores tradicionais que vinham da Idade Média estavam dando lugar a novos valores e novas Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO tradições. Com tantas mudanças, muitas pessoas passaram a viver em condições miseráveis; estavam desempregadas, doentes e marginalizadas. Durkheim entendeu que, em uma sociedade integrada e funcionando de maneira orgânica, essas pessoas não poderiam ser ignoradas, porque toda a sociedade sofreria as consequências. Dessa forma, Durkheim buscou regularidades e “leis” que pudessem ser encontradas na sociedade (Durkheim, 2007). Partindo de tais questões, no processo de sistematização da sociologia, Durkheim toma conceitos pertencentes à medicina e à biologia para explicar a sociedade e seu funcionamento. Sob tal perspectiva, a sociedade deveria ser vista como um organismo vivo, um corpo social, em que são percebidos fenômenos normais e outros patológicos (como se fossem uma doença) que poderiam prejudicar a vida coletiva. Daí vem o nome da Sociologia Durkheiminiana conhecida como Sociologia Funcionalista. Para que a sociedade “funcione” corretamente, é necessário que todas as suas instituições, as normas sociais e integração entre os indivíduos também estejam funcionando; caso contrário, a sociedade estrará em estado de anomia, �cará “doente” (Durkheim, 2007). Para conseguir realizar tais análises, o pesquisador deve adotar uma postura neutra, imparcial e objetiva dos fenômenos sociais, sem se perder em questões vindas da subjetividade. Assim, Durkheim desenvolve seu objeto de estudo: os fatos sociais. Era necessário identi�car algo que pudesse ser visto com regularidade na sociedade, a partir de suas características exteriores e pensando na sua in�uência no comportamento social. Os fatos sociais são, portanto, coisas. “A coisa se opõe à ideia, como o que se conhece exteriormente ao que se conhece interiormente. É coisa todo objeto de conhecimento que não é naturalmente compenetrável à inteligência” (Durkheim, 1998 apud Aranha; Martins, 2003, p. 210). Sendo assim, o fato social é qualquer fenômeno presente na sociedade que pode ser observado como um objeto, uma coisa. São “maneiras de agir, de pensar e de sentir, exteriores ao indivíduo, e que são dotados de um poder de coerção em virtude do qual esses fatos se impõem a ele” (Durkheim, 2007, p. 3-4). E o que isso quer dizer? Que os seres humanos, inseridos em uma sociedade ou em um grupo social, não agem, pensam ou sentem de maneira autônoma. Existe uma força maior, vinda da sociedade, que o faz pensar em conjunção com os demais. Os fatos sociais têm três características: sãogerais, exteriores e coercitivos. Vamos ver a explicação de cada uma dessas características no Quadro 2: FATO SOCIAL Geral Externo Coercitivo Independe da manifestação individual, comum a todos os membros de um grupo. Independe da vontade e existência do indivíduo. Antes de seu nascimento, o fato social já existia e, mesmo após sua morte, continuará existindo. Exercem pressão social sobre os indivíduos. Essa pressão pode ser espontânea, moral ou legal, e sua existência é prova da existência do fato social. Quadro 2 | Características do fato social. Fonte: elaborado pela autora. Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Vamos Exercitar? Agora é hora de retomarmos nossos questionamentos iniciais. Compreendemos o que é teoria, as bases do Positivismo e do Funcionalismo como perspectivas que nos auxiliam a interpretar os fenômenos que nos cercam. Vamos elaborar um quadro resumo com a de�nição de teoria e com as principais características de cada uma das vertentes teóricas e seu principal representante. Figura 1 | Resumo das vertentes teóricas. Fonte: elaborado pela autora. Saiba mais 1. Você sabia que o lema da nossa bandeira, “Ordem e Progresso”, é de origem positivista e deriva de uma frase de Auguste Comte? O Positivismo não é apenas uma teoria fundada em meados do século XIX e que não tem mais aplicação em nossos dias atuais. Muitas pesquisas de cunho quantitativa tomam como base a teoria positivista. Ela também tem in�uência na formação e estruturação da nossa educação nacional. Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo indicado a seguir. OLIVEIRA, Claudemir Gonçalves de. A matriz positivista na educação brasileira: uma análise das portas de entrada no período republicano. Diálogos Acadêmicos, s/l., v.1, n.1, out./jan. 2010. 2. As teorias sociológicas nos auxiliam a olhar para muitas questões que nos cercam em nosso cotidiano e nós, na maioria das vezes, não re�etimos sobre elas. Elas in�uenciam também outras teorias e outros autores. O conceito de “fato social” de Émile Durkheim, por https://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170627110812.pdf https://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170627110812.pdf Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO exemplo, tem in�uência em alguns ramos da Antropologia, os quais também servem para pensarmos nossa vida em sociedade. Assim, leia o artigo a seguir para se aprofundar sobre o conceito de fatos sociais e como eles estão presentes no nosso cotidiano. OLIVEIRA, Bárbara Magalhães Aguiar de. A corrupção como fato social: reciprocidade e trocas. Revista três pontos, Belo Horizonte, v.8, n. 1, mar. 2011. Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à �loso�a. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003. DEMO, Pedro. Pesquisa: princípio cientí�co e educativo. 3ª ed. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1992. DURKHEIM, Émile. As Regras do Método Sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2007. GALLO, Silvio. Filoso�a: experiência do pensamento. 2ª ed. São Paulo: Scipione, 2016. GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. KOCHE, José Carlos. Fundamentos da Metodologia Cientí�ca: teoria da ciência e iniciação cientí�ca. Petrópolis: Vozes, 2011. MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007. MOISÉS, Pedro Callari Trivino. Émile Durkheim. In: Enciclopédia de Antropologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, Departamento de Antropologia, 2022. Disponível em: https://ea.�ch.usp.br/autor/emile-durkheim. Acesso em: 26 dez. 2023. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho cientí�co. São Paulo: Cortez, 2013. TRENTINI, Mercedes. Relação entre teoria, pesquisa e prática. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, n. 21, v. 2, p. 135-143, ago. 1987. Aula 4 Perspectivas Teóricas nas Ciências Humanas https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistatrespontos/article/view/3150/1939 https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistatrespontos/article/view/3150/1939 https://ea.fflch.usp.br/autor/emile-durkheim Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Perspectivas teóricas nas ciências humanas Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Partida Olá, estudante! Já compreendemos a consolidação do conhecimento cientí�co como uma nova forma para explicar a organização da sociedade ocidental após as Revoluções Burguesas. É hora de olharmos para diferentes perspectivas teóricas de análise da sociedade que emergiram nesse período e que ainda são utilizadas para interpretarmos a realidade em que estamos inseridos e para pensarmos o desenvolvimento de pesquisas cientí�cas. A compreensão das bases teóricas é fundamental; veremos que nenhuma pesquisa pode ser desenvolvida sem uma boa fundamentação teórica. Nesse sentido, vamos re�etir sobre a seguinte situação: como tarefa para a conclusão de uma disciplina, a aluna Luana precisa realizar uma pesquisa de campo. Ela escolheu observar as crianças do seu bairro que utilizam a quadra poliesportiva no período da tarde e perceber como elas se relacionam no desenvolvimento das atividades. Luana está em dúvida sobre qual perspectiva teórica deve utilizar para desenvolver sua pesquisa, o Estruturalismo ou o Materialismo Histórico-Dialético. Diante dessa dúvida, ela retoma suas anotações com os principais pontos de cada teoria para poder entender qual delas a ajudará desenvolver de maneira mais e�ciente a pesquisa. No decorrer desta aula, nossa tarefa é observar os pontos principais de cada uma dessas teorias a �m de conseguir compreender a maneira como cada uma delas propõe a análise da sociedade. Bons estudos! Vamos Começar! Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO Para conseguirmos compreender a aplicação do Materialismo Histórico-Dialético e do Estruturalismo no desenvolvimento de pesquisas e na análise dos fenômenos, precisamos recordar alguns pontos que dizem respeito à consolidação das ciências humanas. A transformação da sociedade é uma questão que ainda atinge muitos teóricos; isso é algo que é constante em nossa sociedade, pois vivemos em um processo dinâmico, que se encontra constantemente em movimento, em transformação. Foi assim também que ocorreu no processo de transição para a Idade Moderna e posteriormente para a Contemporânea. Muitas teorias foram desenvolvidas com o intuito de explicar as questões sociais, culturais, relações de poder, relações econômicas e políticas que vinham se rearranjando e que atingem diretamente a vida em sociedade. Num primeiro momento, as ciências humanas e sociais se valeram dos mesmos métodos e técnicas utilizados nas ciências naturais para a investigação das questões anteriormente descritas. Podemos destacar o Positivismo de Auguste Comte e o Funcionalismo de Émile Durkheim, que buscaram responder a diversos questionamentos e resolver os problemas sociais iminentes. Nesse sentido, podemos admitir que os objetivos da teoria consistem em descrever, explicar, predizer e controlar fenômenos. Uma teoria descreve um fenômeno, quando ela diz em que consiste o fenômeno. Quando uma teoria delineia o “porquê” da ocorrência do fenômeno e porque ocorre com certa regularidade, esta teoria explica o fenômeno. A função preditiva de uma teoria é a potencialidade que a teoria tem de prever as condições sob as quais o fenômeno ocorre (Trentini, 1987, p. 138). Dessa forma, no campo das ciências da natureza o critério da cienti�cidade é atendido a partir de dois pontos: a dedução racional e a veri�cação experimental. Isso quer dizer que o conhecimento cientí�co é comprovado quando é passível de repetição ou há a previsibilidade do seu acontecimento em determinadas condições. Esses pressupostos começarama ser questionados por muitos teóricos na contemporaneidade, pois, como seria possível adotar tais critérios pautados em tamanha objetividade para pensar os fenômenos sociais? (Minayo, 2007). A partir de tais questionamentos é que surgem outras perspectivas teóricas, outras formas de análise e interpretação da sociedade e de todos os fenômenos e questões que a ela são intrínsecos. Precisamos compreender que “cada modalidade de conhecimento pressupõe um tipo de relação entre sujeito e objeto e, dependentemente dessa relação, temos conclusões diferentes (Severino, 2013, p. 94). Portanto, precisamos compreender que não existe uma teoria melhor do que a outra. Assim como não existe um conhecimento melhor do que o outro. Existem perspectivas diferentes, olhares diferentes e que são mais adequados a depender do contexto em que se encontram. Tendo isso em mente, vamos conhecer o Materialismo Histórico-Dialético e o Estruturalismo. Siga em Frente... Materialismo Histórico-Dialético Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO As Revoluções Burguesas in�uenciaram fortemente o desenvolvimento de teorias que buscaram desvendar e descrever as questões sociais. Não foi diferente com o Materialismo Histórico- Dialético. Karl Marx (1818-1883), criador da teoria que vamos conhecer, foi historiador, �lósofo, sociólogo e economista alemão de grande relevância para a compreensão das questões sociais. É importante ressaltar que não vamos entrar na alternativa proposta por Marx ao sistema capitalista, o sistema socialista. Esse não é o nosso foco e levaríamos um tempo para compreender e desmisti�car os pré-conceitos que existem acerca do assunto. Entretanto, é relevante a compreensão de que toda pesquisa pautada no método marxista, invariavelmente, apresenta uma crítica ao sistema capitalista e aos seus desdobramentos. O avanço do sistema industrial, a intensi�cação dos con�itos trabalhistas e consequentemente o aprofundamento das diferenças entre as classes sociais são questões que levaram Marx a olhar de uma maneira crítica para o sistema capitalista. Para ele, a divisão do trabalho seria a origem das classes e das desigualdades sociais. As classes sociais, no olhar marxista, são duas: a burguesia (classe dominante e detentora dos meios de produção) e o proletariado (classe dominada e que precisa vender a sua força de trabalho para garantir a sua subsistência). Os interesses dessas duas classes não são passíveis de conciliação; assim, a luta, a disputa entre essas classes sociais é inevitável. O motor da história, o que faz a história se movimentar e a sociedade se modi�car, é a luta entre essas classes sociais (Marx, 2004). As classes sociais e o con�ito decorrente delas não tiveram sua origem na modernidade com a ascensão e consolidação do capitalismo; essas diferenças sempre existiram nas diferentes formas de organizações sociais. O que a sociedade capitalista fez foi simpli�car e aprofundar o antagonismo entre essas classes. Nas primeiras épocas históricas, veri�camos, quase por toda parte, uma completa divisão da sociedade em classes distintas, uma escala graduada de condições sociais. Na Roma antiga encontramos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média, senhores, vassalos, mestres, companheiros, servos; e, em cada uma destas classes, gradações especiais. A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classe. Não fez senão substituir novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta às que existiram no passado (Marx; Engels, 1980, p. 8-9). A compreensão desse aspecto é fundamental para entendermos a construção do Materialismo Histórico-Dialético. Logo, as mudanças históricas que resultam dos con�itos entre as classes sociais e os fenômenos sociais são resultados da ação dos seres humanos em contextos históricos e sociais especí�cos. Essas questões estão interligadas e se in�uenciam mutuamente, criando o movimento e a transformação da história e das sociedades. Olhando para essas questões Marx vai discutir a sociedade a partir das condições materiais de existência. E o que são as condições materiais de existência? É tudo aquilo que os seres humanos produzem para a sua sobrevivência; elas dizem respeito à interação dos seres humanos na natureza e dos meios de que dispõem para suprir suas necessidades. Portanto, o trabalho e as relações que se dão a partir dele são elementos fundamentais nesse contexto. A classe social a qual cada indivíduo pertence é marcada pela posição por ele ocupada no processo produtivo. É Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO por meio do trabalho que os seres humanos transformam a natureza e (re)produzem a sua existência. Dessa maneira, a sociedade é entendida como um todo integrado (Marx, 2004). No tocante à Dialética, Marx tem in�uência do �lósofo Georg Wilhelm Hegel (1770-1831). A dialética hegeliana defendia que os fatos (ideias) continham em si um fenômeno intrínseco, o que proporcionava seu movimento de antítese (negação) e síntese (nova ideia). Marx critica esse olhar ao entender que não se parte da ideia para se fazer a história; deve-se partir daquilo que é material. Para ele, os �lósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras, mas era necessário transformá-lo (Marx, 2004; Marx, 2011). A essência deste método consiste na ideia de que as sociedades se transformam à medida que os seres humanos alteram seu modo de (re)produzir. O estudo da sociedade começa quando se toma consciência de que o modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral. Assim, compreende-se que os modos de produção da vida material constituem os elementos que condicionam o desenvolvimento de outras esferas sociais, como a política e intelectual, por exemplo. A originalidade de Marx foi relacionar a economia com a ideologia, ou seja, estabelecer conexões entre modos de produção, dominação e consciência de classe. Marx pretendia compreender os problemas sociais do século XIX a partir de um novo método, o qual fosse capaz de analisar a complexidade das relações humanas. O foco da análise está nas relações de produção, que, segundo o autor, constituem a base das relações humanas e das contradições sociais. O Estruturalismo Quando falamos em ciências humanas e sociais não, estamos nos referindo somente à Sociologia como um campo cientí�co; estamos nos referindo a uma série de outros campos do conhecimento, como: antropologia, história, direito, psicologia, sociologia, �loso�a, ciência política, economia, serviço social, comunicação, artes, teologia, etc. A Antropologia, enquanto ciência, desenvolve estudos e pesquisas nas mais diversas áreas, quais sejam: históricas, culturais, biológicas, físicas, psicológicas, linguísticas e sociais (Oliveira; Melo; Araújo, 2018). Partindo da perspectiva de que o objeto de estudo da Antropologia é complexo e multifacetado, entendemos que não há uma única forma de abordar os fenômenos que lhe são pertinentes. Dessa forma, existem diferentes perspectivas teóricas na Antropologia para pensar tais questões, como o Estruturalismo, o evolucionismo ou o funcionalismo. Essa é uma questão pertinente às diversas áreas do conhecimento; na Psicologia, por exemplo, podemos citar a psicanálise, a analítica, ou a humanista. No Direito, temos o jusnaturalismo, o positivismo. Vamos focar no Estruturalismo como uma corrente da Antropologia. O Estruturalismo é uma abordagem teórica e metodológica que surgiu nas ciências humanas no início do século XX, especialmente na linguística e na antropologia. Esta corrente de pensamento buscou analisar e interpretar características culturais e sociais de diferentes povos, enfatizando a importância das estruturas básicas que moldam e sustentam essas características. Ela se propôs a pensar o indivíduo como um ser que produz cultura, ritos e manifestações diversas. O Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO pensamento estruturalista se desenvolveu de forma paralela ao funcionalista, e ambas asteorias concordaram ao desenvolver uma visão sincrônica e globalizante do fenômeno cultural (Marconi; Presotto, 2022; Oliveira; Melo; Araújo, 2018). O principal representante do Estruturalismo foi Claude Lévi-Strauss (1908-2009), o qual estudou amplamente os mitos em diferentes sociedades, buscando encontrar elementos que se repetiam em todas elas, a �m de encontrar uma estrutura comum. Dessa maneira, o antropólogo procurou entender as particularidades de cada cultura e fazer relação com a universalidade. Lévi- Strauss elabora alguns modelos a �m de compreender a estrutura. Segundo ele, para merecer o nome de estrutura, os modelos devem, exclusivamente, satisfazer a quatro condições: Em primeiro lugar, uma estrutura oferece o caráter de sistema. Ela consiste em elementos tais que uma modi�cação qualquer de um deles acarreta uma modi�cação em todos os outros. Em segundo lugar, todo modelo pertence a um grupo de transformações, cada uma das quais corresponde a um modelo da mesma família, de modo que o conjunto destas transformações constitui um grupo de modelos. Em terceiro lugar, as propriedades indicadas acima permitem prever de que modo reagirá o modelo, em caso de modi�cação de um de seus elementos. Enfim, o modelo deve ser construído de tal modo que seu funcionamento possa explicar todos os fatos observados (Lévi-Strauss, 1967 apud Marconi; Presotto, 2022, p. 316). O Estruturalismo busca entender as estruturas implícitas às bases, em vez de se concentrar nas experiências individuais ou nos elementos componentes de forma isolada. Isso signi�ca que os estruturalistas buscam identi�car padrões, relações e regularidades que organizam o mundo. Como exemplo, é possível citar o tabu do incesto, que consiste na proibição de relações sexuais ou de casamento entre indivíduos que são considerados parentes. Esse é um fundamento da vida social, visto que as famílias não podem se fechar nelas mesmas, independentemente da forma como esses grupos interpretam ou organizam o seu conceito de família ou parentesco. As pesquisas pautadas no Estruturalismo buscam a relação em termos relacionais dos fenômenos. Dessa forma, a abordagem compreende que o conhecimento do todo leva ao conhecimento das partes (visão globalizante), utiliza-se de modelos na análise cultural e, a partir disso, desenvolve uma compreensão ampla dessa realidade (Marconi; Presotto, 2022). Vamos Exercitar? Agora que compreendemos o Materialismo Histórico-Dialético e o Estruturalismo, vamos retomar a nossa situação inicial. A aluna Luana precisa realizar uma pesquisa de campo para a conclusão de uma das suas disciplinas de graduação. Ela escolheu observar as crianças do seu bairro que utilizam a quadra poliesportiva no período da tarde e perceber como elas se relacionam no desenvolvimento das atividades. Qual teoria a auxiliará de maneira mais e�caz para tanto? A primeira coisa a entender é que não existe uma teoria melhor do que a outra; todas elas expressam uma visão de mundo, um modo de interpretar, de compreender o objeto em questão ou o fenômeno estudado. Outra questão importante a ser ressaltada é que, quando um Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO pesquisador adota uma teoria para o desenvolvimento da sua pesquisa, ele está dizendo para o seu leitor que partilha daquela visão de mundo, que ele enxerga os fatos e fenômenos a partir daquele olhar. As teorias são lentes que utilizamos para vislumbrar com mais clareza aquilo que estamos analisando. A partir disso, Luana precisa compreender as bases tanto do Materialismo Histórico-Dialético como do Estruturalismo para poder perceber qual das duas teorias a auxiliará a olhar de maneira mais clara para aquilo que ela pretende apreender ao observar os alunos na quadra poliesportiva. Ela precisa identi�car também qual das perspectivas condiz com a maneira com que ela interpreta a realidade. Saiba mais 1. Karl Marx sem dúvidas é um dos pensadores mais controversos do século XIX. Com ideias para além do seu tempo, ele revolucionou as concepções políticas, econômicas, sociais e culturais até então estabelecidas. Mas existem muitos pré-conceitos acerca da obra de Marx, conceitos difundidos pelo senso comum, apresentados como verdades, mas sem fundamentação. A publicação online da revista Cult conta com uma série de textos explicativos da teoria marxista e textos que ligam essa teoria a nossa realidade. Vamos aprofundar os conhecimentos a respeito desse tema, desmisti�cando os contrassensos que permeiam a teoria e o autor. 2. Conhecer os pensadores que desenvolveram as teorias é uma ferramenta importante para compreender o contexto em que eles se desenvolveram e partir de aí perceber os fatores que in�uenciaram seus escritos. Você sabia que o antropólogo Claude Lévi-Strauss fez pesquisas no Mato Grosso e na Amazônia e escreveu um dos mais importantes livros de não �cção do século passado sobre o seu tempo aqui no nosso país? Para se aprofundar no assunto, leia a reportagem: “Saiba quem foi Claude Lévi-Strauss”, do G1 Globo. Referências MARCONI, Marina de Andrade; PRESOTTO, Zélia Maria Neves. Antropologia: uma introdução. 8ª ed. São Paulo: Atlas, 2022. MARX, Karl. Grundisse: manuscritos econômicos de 1857-1858: esboço da crítica da econômica política. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2011. https://revistacult.uol.com.br/home/tag/karl-marx/ https://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1364819-5603,00-SAIBA+QUEM+FOI+CLAUDE+LEVISTRAUSS.html Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO MARX, Karl. Manuscritos Econômico-Filosó�cos. São Paulo: Boitempo, 2004. MARX, Karl; Engels, Friedrich. Manifesto Comunista. São Paulo: Nova Stella, 1980. MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007. OLIVEIRA, Carolina Bessa Ferreira de; MELO, Débora Sin�orio Silva; ARAÚJO, Sandro Alves de. Fundamentos de Sociologia e Antropologia. Porto Alegre: SAGAH, 2018. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho cientí�co. São Paulo: Cortez, 2013. TRENTINI, Mercedes. Relação entre teoria, pesquisa e prática. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, n. 21, v. 2, p. 135-143, ago. 1987. Aula 5 Encerramento da Unidade Videoaula de Encerramento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Ponto de Chegada Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta Unidade, que é “compreender os diversos tipos de conhecimentos, identi�cando suas particularidades e aplicações no mundo real, evidenciando suas consequências práticas e implicações nas tomadas de decisão e, a partir dessa re�exão, Disciplina PENSAMENTO CIENTÍFICO conhecer a epistemologia do conhecimento cientí�co e suas perspectivas”, você deverá primeiramente conhecer os conceitos fundamentais de: senso comum, conhecimento religioso, conhecimento �losó�co e conhecimento cientí�co. O senso comum é um tipo de conhecimento que não se preocupa em questionar as verdades instituídas, aquilo que é apresentado previamente como verdadeiro e é transmitido de geração para geração. O conhecimento religioso ou teológico é dogmático, ou seja, não é passível de questionamentos. É proveniente da iluminação divina e aquilo que vem de Deus ou de uma divindade não deve ser questionado. O conhecimento �losó�co é aquele que não aceita uma verdade previamente instituída; ele faz questionamentos e re�exões a respeito dos fatos, daquilo que está em questão. É um questionamento fundamentando, buscando estabelecer relações entre aquilo que está sendo analisado e as correntes �losó�cas existentes. Por sua vez, o conhecimento cientí�co tem sua origem a partir da evolução do modo de produção capitalista. Era preciso um conhecimento que explicasse como incrementar