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A CONSTRUÇÃO DO
CONHECIMENTO
CIENTÍFICO
Aula 1
AS DIFERENTES FORMAS DE
CONHECIMENTO
As diferentes formas de conhecimento
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Você já refletiu sobre o que é o conhecimento? Por que e como sabemos o
que sabemos? O que é possível conhecer? De acordo com o Dicionário
Brasileiro da Língua Portuguesa Michaelis (2023), o conhecimento pode ser
definido como o ato ou efeito de perceber/compreender por meio da razão
e/ou da experimentação. E o que isso quer dizer? Quer dizer que tudo o que
conhecemos é produto do nosso processo cognitivo (razão) ou vem daquilo
que vivenciamos (experimentação). Assim, entendemos que o ato de
conhecer é uma construção que se dá ao longo de nossas vidas.
Se o conhecimento é uma construção, ele se dá de diferentes maneiras e
podemos identificar diferentes tipos de construções. Vamos elencar três
delas: o senso comum (também chamado de conhecimento
empírico/popular/vulgar), o conhecimento religioso e o conhecimento
filosófico. A partir disso, vamos refletir sobre a seguinte situação: Em uma
sala de aula, três estudantes são desafiados pelo professor de Filosofia a
responderem a três questões, que são recorrentes ao longo da história:
1. De onde viemos?
2. Para onde vamos após a morte?
3. Por que estamos aqui?
Cada aluno, a partir da sua visão de mundo, adota uma postura diferente em
relação às respostas. Lucas vê o mundo a partir do conhecimento religioso;
Saulo interpreta as questões a partir do filosófico e, por fim, o último, Daniel,
por meio do senso comum.
E você, como responderia tais questionamentos? Ao decorrer da aula você
será capaz não apenas de entender como se dá a construção dos diversos
tipos de conhecimentos, mas também de identificá-los a partir de suas
particularidades. Bons estudos!
Vamos Começar!
De onde vem o nosso conhecimento? Esse é um questionamento que
muitas vezes não nos fazemos, mas é importante para compreendermos as
diferentes formas de interpretação dos fenômenos que nos cercam.
Segundo Aranha e Martins (2003), ao falar sobre conhecimento, podemos
fazer alusão ao ato de conhecer ou a aquilo que é produto do
conhecimento. O ato de conhecer é pertinente à relação que se dá entre a
consciência (aquele que busca conhecer) e o objeto (aquilo que vai ser
conhecido). Por sua vez, o produto do conhecimento é resultado do ato de
conhecer, sendo entendido como a soma dos saberes acumulados e
recebidos. Esses saberes sofrem influências sociais, culturais, econômicas,
políticas e históricas na sua constituição.
O ser humano é, por natureza, curioso e investigativo; sentimos a
necessidade de conhecer. Esse conhecimento é algo dinâmico, ou seja, está
em constante movimento e em constante transformação. A partir disso, é
possível compreender que o conhecimento vem sendo construído ao longo
da história, a partir de diferentes perspectivas, variando e se transformando
de acordo com o tempo histórico e com as diferentes regiões do planeta.
Isso quer dizer que a interpretação dos fatos e fenômenos que nos cercam
também se transformam à medida que a sociedade se transforma.
Basta percebermos que muitos valores, regras, visões econômicas, sociais,
políticas e culturais vigentes no nosso país na década de 1930, por
exemplo, não são os mesmos que nos guiam na atualidade. Para
compreendermos melhor, vamos pensar no direito ao voto, que para as
mulheres se concretizou apenas em 1932 de maneira facultativa. Nas
eleições de 1933, as mulheres puderam votar e ser votadas pela primeira
vez, mas foi somente no ano de 1965 que o voto feminino foi equiparado ao
voto dos homens, se transformando em um dever social (Tosi, 2023).
Atualmente os partidos políticos têm inclusive cotas mínimas que devem
ser reservadas para a candidatura de mulheres em cada pleito eleitoral.
Essa reflexão é importante, pois nos ajuda a compreender como as
transformações na sociedade influenciam a nossa visão de mundo, a nossa
interpretação da realidade e a maneira como construímos o nosso
conhecimento a respeito das mais diversas questões, sejam elas sociais,
culturais, econômicas, políticas, etc. Esse processo, como já vimos, é
dinâmico, o que implica dizer que esse conhecimento está em constante
transformação. Existem diferentes formas de interpretarmos a realidade
que nos cerca, de chegarmos às respostas daquilo que nos inquieta. Desse
modo, podemos classificar o conhecimento em diferentes tipos, a depender
do tipo de resposta que damos a um determinado questionamento.
Siga em Frente...
Senso comum
Há quanto tempo os indivíduos usam ervas medicinais no tratamento de
doenças? Há muitos séculos. Você provavelmente já ouviu sobre como o
chá de boldo ajuda a melhorar a ressaca ou que, para melhorar o sono, chá
de camomila é “tiro e queda”. E que o açúcar cristal pode ser utilizado na
cicatrização de ferimentos, você sabia? Essas soluções, que parecem
simples e naturais, fazem parte da construção dos saberes de determinado
grupo; compõem a sua cultura, são transmitidas geração após geração, na
maioria das vezes sem questionamento. É o que chamamos de sabedoria
popular, conhecimento empírico ou senso comum.
Atualmente, há pesquisas científicas que indicam a eficácia bactericida e
cicatrizante do açúcar cristal; outras mostram como o boldo tem efeito
sobre a vesícula biliar e aumenta as secreções gástricas; encontram-se,
ainda, estudos que revelam as funções calmante, relaxante e ansiolítica
presentes nos compostos da camomila. Mas as questões citadas
anteriormente são de cunho científico e não fazem parte da construção do
senso comum. Na maioria das vezes, as pessoas apenas conhecem os
benefícios do uso das plantas, por exemplo, algo que é fundamentado na
percepção sensorial e na tradição, limitando-se a informações sobre o seu
uso (Köche, 2011).
Aranha e Martins (2003, p. 60) definem o senso comum como o
“conhecimento adquirido por tradição, herdado dos antepassados e ao qual
acrescentamos os resultados da experiência vivida na coletividade a que
pertencemos”. É, portanto, um conhecimento adquirido por meio de
vivências construídas no dia a dia e que se dá pela relação e interação
contínua com o meio ambiente e/ou meio social em que estamos inseridos.
Assim, é um corpo de ideias e valores por meio das quais interpretamos a
realidade e buscamos as respostas para os nossos questionamentos e para
as nossas ações.
O senso comum é um conhecimento que não requer nenhum tipo de
exercício crítico, pois está ligado às vivências pessoais e ao interesse
prático; também não envolve nenhum tipo de verificação experimental para
tomar algo como verdade. Ele é considerado como passivo, ingênuo e
dotado de subjetividade, pois contenta-se com explicações superficiais e
imediatas; mistura-se com crenças e preconceitos; muitas vezes é
permeado por incoerências e se mostra resistente a mudanças. A revisão e
a crítica dos princípios que norteiam o senso comum, segundo Bunge
(1969, p. 20), ocorrem apenas quando “evidências espontâneas
proporcionam uma correção da interpretação anterior”.
Mas, atenção! Mesmo sendo consolidado como convicção, cultura ou
tradição, precisamos nos atentar para as características negativas desse
conhecimento, como a produção de sentenças, injustiças e opiniões
preconceituosas que são produzidas pelo senso comum e ganham espaço
na sociedade. Questões ligadas à xenofobia, ao racismo, à misoginia, à
homofobia, etc., estão assentadas em crenças infundadas e retrógradas
que contribuem para a perpetuação do ódio e da exclusão ao diferente
(Gallo, 2016).
Conhecimento religioso
Se você professa alguma fé, é possível que você já tenha ouvido dizer que a
fé é um mistério, é uma dádiva. Nosso intuito aqui é refletir sobre como
esse conhecimento se constrói, e não sobre uma crença especificamente.feita em laboratórios, pelas ciências
exatas e naturais. As ciências humanas também precisam ser incluídas
nesse campo científico, pois também produzem um conhecimento
sistematizado e confiável, pautado em elementos que buscam a verdade
para o entendimento dos fatos e fenômenos. Elas se consolidaram a partir
da evolução do modo de produção capitalista, a partir da racionalização dos
campos social, político, econômico e cultural da vida humana.
Em um primeiro momento, as ciências humanas tomaram como base as
ciências naturais para o desenvolvimento das suas perspectivas teóricas,
entendendo que era possível analisar os fatos e fenômenos sociais com a
mesma objetividade e distanciamento com que são analisadas as questões
naturais. Com o desenvolvimento das teorias e a transformação da
sociedade, surgiram outras teorias que contestaram esse olhar, entendendo
que não era possível analisar com tanta objetividade e distanciamento os
fenômenos sociais que apresentam características tão subjetivas e
particulares, e que muitas vezes não são passíveis de previsibilidade no seu
processo de experimentação.
Assim, essas questões são fundamentais para que se compreenda a
estruturação do pensamento moderno e contemporâneo, para que se
compreenda a maneira como a sociedade se estruturou ao longo dos anos
e quais foram as influências, as visões de mundo que atuaram nessas
transformações. Essas questões estão presentes também na nossa
atualidade e são importantes para a compreensão e análise de aspectos
que permeiam a nossa realidade.
É Hora de Praticar!
O conflito entre Israel e Palestina não é algo novo nem recente; ele existe há
muito tempo e tem nuances políticas, históricas, sociais, religiosas. Olhando
Reflita
A partir disso, reflita sobre os seguintes questionamentos:
A racionalização pela qual o mundo moderno passou e que ainda hoje
vivemos de fato é utilizada para a transformação da sociedade a partir de
uma perspectiva positiva ou o desenvolvimento da ciência também pode
ser usado de uma forma que pode ser considerado destrutivo/prejudicial?
Os diferentes tipos de conhecimento (senso comum, conhecimento
religioso, conhecimento filosófico e conhecimento científico) se
relacionam de alguma forma ou eles se estruturam e se desenvolvem de
maneira independente?
de uma perspectiva histórica, é possível entender que esse conflito
começou na década de 1940, quando o Reino Unido criou um “lar nacional”
para os judeus na região da Palestina (entre o rio Jordão e o Mar
Mediterrâneo) após a Segunda Guerra Mundial. Tal situação desagradou os
muçulmanos e, desde então, nunca houve um acordo de paz.
A tensão entre esses dois povos vem se intensificando ao longo dos anos e
parece estar longe de ser resolvido. Para compreender melhor as questões
que estão envolvidas nesse confronto, leia o texto: “O conflito entre Israel e
Palestina”, de Taís Lima Vieira, Paulo da Silva Cardoso e Laura de Almeida
Schefer.
Após a leitura do artigo, responda aos seguintes questionamentos:
De que forma o conflito entre judeus e muçulmanos pode ser
interpretado por meio do conhecimento religioso?
De que maneira o conhecimento científico nos auxilia a compreender
as questões envolvidas no confronto?
Bons estudos!
Reflita
Que tal voltar no conteúdo estudado e retomar os pontos principais que
podem ajudá-lo a responder os questionamentos levantados? Este é um
momento em que você poderá exercitar o que aprendeu!
Resolução do estudo de caso
As diferentes questões que envolvem o nosso cotidiano podem ser
interpretadas por diferentes visões de mundo, a partir de diferentes
conhecimentos. Isso serve para inúmeras situações com que nos
deparamos. As diferentes formas de conhecer nos auxiliam no nosso
cotidiano; em uma conversa informal; no nosso trabalho, no qual
precisamos estar informados e atentos; ou quando professamos alguma fé,
momento em que seguimos determinada doutrina.
Ao interpretar o conflito entre judeus e muçulmanos pela ótica religiosa, é
necessário compreender que os judeus enxergam a região como a Terra
Prometida, conforme descrito no Antigo Testamento. Assim, esse povo tem
um sentimento de pertença ligado àquela região. Por outro lado, o território
https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/445/305
https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/445/305
também é considerado sagrado pelos muçulmanos, que ocuparam a
Palestina (o território foi renomeado pelo Império Romano ainda na
Antiguidade) por volta do século VII d. C. e lá permaneceram até a
dominação turca no século XIV.
Por outro lado, olhando de uma perspectiva social, econômica e política,
existem outros fatores que estão ligados a essa disputa territorial, que vem
desde a Primeira Guerra Mundial, quando os britânicos assumiram o
controle do local. Após a Segunda Guerra Mundial e depois do Holocausto,
aumentou a pressão pelo estabelecimento de um Estado judeu. O plano
original previa a partilha do território controlado pelos britânicos entre
judeus e palestinos.
A disputa é por território e soberania. Israel reivindica a soberania sobre
Israel inteira, e afirma, após ocupar Jerusalém Oriental, que a cidade é sua
capital “eterna e indivisível”. Os palestinos querem Jerusalém Oriental como
sua capital. Existem assentamentos ilegais no território palestino e
refugiados palestinos em território israelense. Existem também interesses
militares envolvidos nos conflitos.
Para se aprofundar no assunto, você pode ouvir o episódio: Israel X
Palestina: a história do conflito, do podcast O Assunto, publicado no dia 13
de outubro de 2023.
Dê o play!
Assimile
Vamos olhar para uma linha do tempo pensando na transformação da
sociedade da Idade Média para a Idade Moderna e a construção do
conhecimento nesse período.
Fonte: elaborada pela autora.
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e
criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
VIEIRA, Tais Lima; CARDOSO, Paulo da Silva; SCHEFER, Laura de Almeida. O
conflito entre Israel e Palestina. Revista Vianna Sapiens, Juiz de Fora, v. 9, n.
2, p. 334-357, 21 dez. 2018. Disponível em:
https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/445/305. Acesso
em: 19 out. 2023.
https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/445/305
CIÊNCIA E PESQUISA
Aula 1
OS DILEMAS DO
CONHECIMENTO NA
ATUALIDADE
Os dilemas do conhecimento na
atualidade
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Há alguns anos, nem se podia imaginar que você conseguiria ter, em um só
aparelho, suas músicas preferidas, câmera fotográfica, aplicativos que dão
acesso a bancos e um telefone com acesso à internet. Graças à tecnologia,
isso é possível. Será que você se lembra como era a vida antes do
smartphone, do tablete e do Wi-Fi? O progresso da tecnologia sem dúvidas
nos trouxe inúmeros avanços, facilidades e melhorias, mas precisamos
olhar também pelo lado negativo. O desenvolvimento e a ampliação das
mídias sociais, a facilidade de acesso e de compartilhamento de
informações também proporcionou a desinformação e a disseminação de
fake news (notícias falsas).
Para refletirmos sobre conhecimento, informação e desinformação, vamos
pensar na seguinte situação: imagine-se como um pesquisador científico
que foi convidado por um jornal de grande circulação para falar dos efeitos
nocivos que as fakes news podem causar à sociedade como um todo. O
jornal pede que você formule um roteiro com os principais meios para
reconhecer a falsidade de uma notícia. Elenque cinco passos a serem
seguidos pelos leitores que os auxiliarão nessa tarefa. Bons estudos!
Vamos Começar!
Você já deve ter ouvido falar em fake news.Elas são notícias fabricadas que
propagam mentiras a respeito de um assunto em particular ou sobre uma
pessoa, em geral, pública. Elas são extremamente danosas à sociedade e
muitas vezes causam danos irreversíveis, como a queda brusca nas taxas
de vacinação de uma população. Elas podem afetar também a vida
financeira das pessoas, a integridade física e até mesmo o exercício da
cidadania. As fakes news devem ser combatidas com informações
contextualizadas e conhecimento de qualidade; nós sabemos que o
conhecimento científico pode ser muito útil nessa tarefa. Para isso,
precisamos começar compreendendo a diferença entre informação e
conhecimento.
Informação versus conhecimento
Você já deve ter notado que muitas vezes tratamos dados como sinônimo
de informação e informação como sinônimo de conhecimento, mas essas
são associações equivocadas. Na atualidade, temos acesso a um grande
volume de informação apenas com um clique, na maioria das vezes nas
telas dos nossos smartfones. Antigamente, reis e rainhas eram
privilegiados por possuírem uma, duas ou três centenas de livros. Ou, se
olharmos para a Idade Média, o conhecimento em grande parte ficava
restrito àqueles que faziam parte do clero (Aranha; Martins, 2003). Hoje em
dia, qualquer pessoa pode ter facilmente essa quantidade de livros,
principalmente em formatos digitais. Com tanta informação disponível, é
comum nós assimilarmos inteligência com quantidade de informação, mas
essa conexão pode ser bastante enganosa.
Tratar a informação e o conhecimento como sinônimos é uma crença
bastante comum nos nossos tempos. Nós lidamos com dados,
informações e conhecimento diariamente; todavia, muitas vezes os
tomamos como sinônimos, quando cabe saber diferenciá-los. Essas
questões são importantes para pensarmos posteriormente no
desenvolvimento de pesquisas científicas, pois esses três elementos
precisam ser trabalhados para a produção de pesquisas coerentes e
consistentes, embasadas de fato no conhecimento científico.
Dados podem ser definidos como a matéria-prima da informação; eles
representam significados que, isoladamente, não transmitem nenhuma
mensagem ou conhecimento. Eles são as unidades a partir das quais as
informações poderão ser elaboradas (Semidão, 2014). Em uma pesquisa de
opinião sobre a qualidade de um produto, por exemplo, a coleta da opinião
de cada pessoa só poderá produzir alguma informação significativa sobre a
satisfação com o produto depois de ser tratada e agregada às demais. Os
dados isolados não querem dizer nada, não transmitem informação
nenhuma.
As informações, por sua vez, são os dados tratados. A informação é
resultado do processamento dos dados coletados que interessam ao
pesquisador. Ela é o dado inserido em um contexto, dotado de relevância e
propósito (Semidão, 2014). Como ela possui significado, auxilia o processo
de tomadas de decisão. No exemplo anterior, a informação expressaria os
níveis de satisfação das pessoas entrevistadas com o produto, revelando se
a imagem que elas possuem é positiva ou negativa. Frequentemente,
utilizam-se ferramentas estatísticas como indicadores para tratar os dados
e obter alguma informação que antes não poderia ser vista.
O conhecimento está além da informação, porque tem tanto significado
como aplicação. O conhecimento envolve nossa faculdade de abstração, a
qual é capaz de produzir novas ideias a partir das informações que temos
em dado momento. O conhecimento exige que um sujeito seja capaz de
processar as informações, identificando o que é importante nelas e as
direcionando para algum fim. Nesse sentido, a informação é como se fosse
a matéria-prima do conhecimento. O quadro a seguir sintetiza essas
definições para que possamos compreender melhor:
Quadro 1 | Diferença entre dados, informação e conhecimento. Fonte:
elaborado pela autora.
Siga em Frente...
As fake news e o dano real à sociedade
DADOS INFORMAÇÃO CONHECIMENTO
São elementos
brutos, decorrentes
de observações ou
coletas direcionadas.
Conjunto de fatos
objetivos sobre
eventos.
A menor partícula
que compõe a
informação.
Conjunto de dados
presentes em um
contexto e carregado
de significados.
Conjunto de dados
que reduza a
incerteza ou que
permita que se
chegue ao
conhecimento de
algo.
Uma das partículas
que compõe o
conhecimento.
Decorre da
interpretação e
compreensão dos
dados e das
informações.
Inclui reflexão,
síntese e contexto.
 
 
Nos dias de hoje, o termo fake news tem sido adotado como referência às
notícias que divulgam informações falsas ou manipuladas e que têm
dominado as mídias digitais em escala global. A ciência, embora preserve
sua integridade pelo rigor na aplicação do método científico, não está imune
de seus efeitos. As fake news também podem se perpetuar utilizando de
bases supostamente científicas a fim de convencer o maior número de
pessoas. Sua atuação pode ser vista tanto em reportagens sensacionalistas
sobre assuntos científicos na mídia em geral, que podem ser mal-
intencionadas, quanto por notícias falsas deliberadamente fabricadas.
As fake news podem provocar sequelas permanentes em pessoas e afetar
um país inteiro, por exemplo, quando divulgam supostos efeitos negativos
das vacinas. Esse assunto ganhou relevância com a pandemia da covid-19,
quando notícias totalmente falsas e sem comprovação científica
começaram a circular nas redes sociais e nos aplicativos de trocas de
mensagens, desinformando a população. Algumas podem ser destacadas,
como: “a vacina contra a covid-19 vai modificar o DNA dos seres humanos”,
“a vacina contra a covid-19 tem chip líquido e inteligência artificial para
controle populacional”, “imunizantes contra covid-19 estão relacionados à
transmissão de HIV” “ou vacinas contra covid-19 criam campo magnético
no corpo de quem é imunizado” (Lorenzetti; Verdum, 2021). Todas essas
notícias foram desmentidas, você pode encontrar os fatos checados no site
da Agência Da Hora (Lorenzetti; Verdum, 2021).
Quando lemos tais afirmações, elas soam como absurdas, mas muitas
pessoas acreditaram nessas e em outras mentiras, o que fez com que elas
deixassem de se vacinar contra a covid-19. Não somente isso, essa onda de
desinformação levou também a uma queda expressiva na vacinação infantil
do país. O Brasil, que já foi exemplo mundial de vacinação devido ao
Sistema Único de Saúde (SUS), chegou no ano de 2022 ao menor índice de
vacinação infantil dos últimos 30 anos. A queda generalizada se deu em
vacinas contra a hepatite B, o tétano, a difteria, o sarampo, caxumba,
rubéola e contra a paralisia infantil (Westin, 2022).
No ano de 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde
(Opas) o certificado de território livre do sarampo. Entretanto, entre 2018 e
2021, os casos voltaram a ser registrados (cerca de 40 mil), com 40 mortes.
Em 2019 o Brasil perdeu o certificado que havia recebido três anos antes. O
sarampo é uma doença grave, não se trata apenas de pequenas manchas
https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina
https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina
vermelhas que aparecem na pele; ele pode retardar o crescimento e reduzir
a capacidade mental. Outro problema é a falta de investimento
governamental para conscientização da população sobre a importância de
se vacinar e de levar as crianças. De 2017 a 2021, o governo federal reduziu
de R$ 97 milhões para R$ 33 milhões o valor investido na publicidade da
vacinação (Westin, 2022).
A melhor forma de combater as fake news é pela informação, mas não
basta afirmar a autoridade científica, é preciso contribuir no sentido de fazer
as pessoas entenderem o porquê tais afirmações são falsas. É necessário
levar o conhecimento básico científico até elas; além disso, é preciso
incentivar o pensamento científico para que se desenvolva o pensamento
crítico. Para isso,é preciso levar a ciência às pessoas de uma maneira
acessível, de uma maneira que seja compreensível a todas as camadas da
população. A ciência acessível permite que as pessoas conheçam as
características dela e, então, percebam o porquê de ser um conhecimento
confiável.
Uma das características do conhecimento científico é a falibilidade. Isso
significa que todo discurso científico é passível de correção; evita-se, assim,
qualquer tipo de dogmatismo, como a estagnação de uma hipótese
científica e o culto à autoridade. A falibilidade permite que a ciência progrida
com novos dados e evidências, fazendo também com que as teorias sejam
cada vez mais (re)ajustadas à realidade. Com isso, produz-se um
conhecimento diferenciado em comparação com os outros, mais profundo
e verdadeiro.
A ciência também mantém um aspecto de questionabilidade ou ceticismo,
que significa dúvida metodológica. Ela consiste na adoção do ceticismo
científico, que é o princípio segundo o qual todas as hipóteses e teorias
devem ser questionadas de forma metódica, responsável e cientificamente
orientada. Isso significa que a ciência não adota um tipo de ceticismo
conhecido como radical, o qual advoga por um questionamento absoluto,
irresponsável, descontrolado de tudo; este tipo de ceticismo é dogmático. A
questionabilidade promovida na ciência é a que submete alegações e
hipóteses razoáveis à crítica de outros cientistas, promovendo um diálogo
construtivo, sadio e útil para o desenvolvimento da ciência (Corrêa; David,
2020).
O ceticismo científico não deve ser confundido com o negacionismo da
ciência, o qual é a posição que defende a rejeição completa ou parcial do
conhecimento científico. O negacionismo da ciência está atrelado a
posições ideológicas de seus praticantes, entrando em cena quando a
ciência revela um fato em relação ao qual a pessoa está em desacordo por
alguma razão política, religiosa ou cultural. Alguns exemplos de
negacionismo da ciência incluem a negação de efetividade das vacinas, a
rejeição da circunferência da Terra ou a depreciação das consequências das
mudanças climáticas, por exemplo (Corrêa; David, 2020).
Outra característica a ser destacada é a acumulabilidade do conhecimento
científico, que é o que justifica seu aspecto de progresso, justamente
porque exemplos de experimentos malsucedidos são considerados, não
apenas para refletir sobre os desafios metodológicos e epistemológicos da
ciência, mas também para aumentar o rigor necessário para a realização
das pesquisas. Por fim, a verificabilidade da ciência também é importante
de ser destacada, que é a ideia segundo a qual um enunciado, uma hipótese
ou uma teoria deve ser passível de ser colocada à prova, ser verificada.
É possível combater as fake news?
As características citadas anteriormente são importantes para que se possa
pensar a confiabilidade do conhecimento e consequentemente combater as
fake news que, em muitos momentos, têm o intuito de colocar em xeque as
produções e os postulados científicos. Há alguns passos básicos para
identificar se uma notícia é falsa. O primeiro deles é verificar a fonte da
informação, o site em que está sendo divulgado e o autor do conteúdo.
Todavia, muitos sites possuem nomes semelhantes a sites confiáveis,
sendo necessário estar atento à autenticidade daquele endereço.
O segundo passo é verificar a estrutura do texto, pois as fake news
frequentemente apresentam erros de português; eles mostram que o texto
não foi revisado. Também apresentam um teor sensacionalista e muitas
afirmações com explicações rasas e simplórias dos assuntos. O terceiro
passo é verificar a data de publicação. Muitas vezes notícias antigas são
divulgadas como sendo novas. Além disso, é necessário ir além do título e
do subtítulo. Frequentemente, o conteúdo contradiz o que se está dizendo
no título.
O quarto passo é checar as afirmações feitas em outros sites, utilizando
mecanismos de pesquisa como Google, por exemplo. No entanto, lembre-
se: nem sempre as primeiras respostas que aparecem nos mecanismos de
busca são de fato confiáveis; então, é preciso ir além delas. Também é
importante acessar artigos e revistas científicas de referência para uma
determinada área, pois eles divulgam informações especializadas sobre o
assunto em questão. Há ainda diversos blogs e sites que se preocupam em
desmentir as notícias falsas que estão circulando na web, além de agências
de checagem que fazem esse trabalho de monitoramento e correção.
Por fim, cabe frisar que, em se tratando de assuntos complexos, não
existem respostas absolutas. É prudente sempre adotar uma postura
questionadora, compatível com o pensamento científico, a fim de evitar
consumir conteúdos de pessoas que se apresentam como “donos da
verdade” e que pregam conspirações ou pseudociências. Além disso, o não
compartilhamento dessas notícias, mesmo que para criticá-las, é
importante, porque o compartilhamento em si traz engajamento ao
conteúdo e, com frequência, ajuda a disseminá-las.
 
 
Vamos Exercitar?
Você se lembra da nossa situação inicial? Agora que já compreendemos a
diferença entre informação e conhecimento, e o papel das mídias sociais na
atualidade e como elas podem impulsionar a disseminação de fake news, é
hora de elaborar um roteiro para o jornal que o contratou, com alguns
passos que ajudem a reconhecer a falsidade de uma notícia:  
Ir além do título. Muitas vezes os títulos contradizem ou distorcem o
conteúdo publicado.
Verificar a fonte da informação. Existem sites confiáveis em que a
notícia foi publicada?
Verificar a gramática e estrutura lógica do texto. As notícias falsas
frequentemente apresentam erros de português ou mesmo
contradições.
Verificar a data da publicação. Muitas vezes notícias antigas são
republicadas a fim de modificarem alguma circunstância atual. É
comum o uso delas durante as eleições.
Verificar as informações por meio de pesquisas sobre o tema e em
sites que fazem sistematicamente a verificação de notícias falsas,
como agências de checagem de fatos.
Saiba Mais
1. Com tamanha quantidade de informação e desinformação disponível
no nosso cotidiano, você já se questionou de que maneira a ciência é
afetada por essas questões? É certo que, se as ciências são meios de
produção de verdade no mundo, seu objetivo não é produzir verdades
indiscutíveis, mas conhecimentos de procedimentos certificados pelas
instituições, com certeza, eficácia e objetividade. É fato também que
existe uma crise em torno da ciência moderna: suas produções são
negadas constantemente por informações que visam relativizar e
enfraquecer as evidências científicas. Preocupados com isso,
pesquisadores começaram a utilizar as redes sociais para levar a
ciência de uma maneira descomplicada às pessoas. Leia o texto a
seguir para se aprofundar no assunto: “Em reação a negacionismo,
pesquisadores levam ‘ciência descomplicada’ às redes sociais”, no site
da BBC Brasil.
2. Nós já compreendemos a importância da realização de pesquisas para
a construção do conhecimento e para a verificação das fontes
utilizadas. A produção do conhecimento deve ser sempre subsidiada
por pesquisas e verificações sistemáticas. Devemos proceder da
mesma forma com as informações que recebemos no nosso
cotidiano. Em 2022, o Brasil passou talvez pelo processo eleitoral
presidencial mais disputado tanto no tocante aos presidenciáveis
quanto às narrativas utilizadas. Para analistas e formuladores de
políticas públicas, uma das maiores preocupações em relação às
campanhas eleitorais foi relacionada à elaboração de estratégias para
combater as fake news nas eleições.
Dentre as muitas mentiras divulgadas em torno das eleições, uma
delas girou e ainda gira em torno do uso das urnas eletrônicas. O seu
uso foi adotado a partir do ano de 1996 e baixou a taxa dos votos
inválidos que chegava a 40% para cerca de 7%. É importante frisar
https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745
https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745
https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-56421745
também que até hoje não se identificou caso de fraude com o uso das
urnas eletrônicas. Para se aprofundar nesse tema, ouça o episódio
“Urna eletrônica: uma história de inclusão” do podcast “O Assunto”,
publicado em agosto de 2022.
 
 
Referências Bibliográficas
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
CORRÊA, Mônica Ferreira; DAVID, Mariano Gazineu. As diversas faces da
dúvida – ceticismo, negacionismo e confiança nas ciências. Em
Construção: arquivos de epistemologia histórica e estudos de ciência, [S.l.],
n. 8, 2020. Disponível em: https://www.e-
publicacoes.uerj.br/emconstrucao/article/view/54268. Acesso em: 22 out.
2023.
LORENZETTI, Caroline Schneider; VERDUM, Kelvin. Top 5 Fake News mais
absurdas sobre a vacina. Agência Da Hora, 2021. Edição: Luciana Carvalho.
Disponível em: https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-
hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina. Acesso
em: 22 out. 2023.
MONTEIRO, Danielle. Conheça 6 ‘fake news’ sobre as vacinas contra a
Covid-19. Informe ENSP, 22 abr. 2021. 2p.
POPPER, Karl. Lógica da pesquisa científica. São Paulo: Cultrix, 1975.
SEMIDÃO, Rafael Aparecido Moron. Dados, informação e conhecimento
enquanto elementos de compreensão do universo conceitual da ciência da
informação: contribuições teóricas. 2014. 198 f. Dissertação (Mestrado) –
Curso de Ciência da Informação, Programa de Pós-Graduação em Ciência
da Informação, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”
(Unesp), Marília, 2014. Disponível em:
https://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-
https://www.e-publicacoes.uerj.br/emconstrucao/article/view/54268
https://www.e-publicacoes.uerj.br/emconstrucao/article/view/54268
https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina
https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina
https://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/semidao_ram_me_mar.pdf
Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/semidao_ram_me_mar.pdf.
Acesso em: 22 out. 2023.
WESTIN, Ricardo. Vacinação infantil despenca no país e epidemias graves
ameaçam voltar. Agência Senado, Brasília, 2022. Disponível em:
https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/05/vacinacao-
infantil-despenca-no-pais-e-epidemias-graves-ameacam-voltar. Acesso em:
22 out. 2023.
Aula 2
PESQUISA E CONHECIMENTO
Pesquisa e conhecimento
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
https://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/CienciadaInformacao/Dissertacoes/semidao_ram_me_mar.pdf
https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/05/vacinacao-infantil-despenca-no-pais-e-epidemias-graves-ameacam-voltar
https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/05/vacinacao-infantil-despenca-no-pais-e-epidemias-graves-ameacam-voltar
Olá, estudante!
Vamos adentrar no universo da pesquisa mais especificamente, trabalhando
com o conceito de método científico. Compreenderemos como a pesquisa é
uma aliada na construção do conhecimento científico e como a leitura
crítica e reflexiva é essencial nesse processo. Para isso, precisamos pensar
nas formas que utilizamos para nos comunicar, pensando mais
especificamente na linguagem verbal (falada e escrita). De acordo com
Aranha e Martins (2003, p. 33), a linguagem é “um sistema de
representações aceitas por um grupo social, que possibilita a comunicação
entre os integrantes desse mesmo grupo”.
Por que essa definição é importante para nós? Quando escrevemos uma
pesquisa ou um trabalho acadêmico (seja ele de qualquer natureza: uma
resenha, um resumo, um artigo ou um TCC), precisamos nos preocupar com
o tipo de linguagem que é utilizada para a escrita desse trabalho. Isso não
quer dizer que vamos utilizar palavras rebuscadas que deixem o texto difícil
de ser entendido. Contudo, também não podemos escrever de uma maneira
coloquial, da maneira como falamos no nosso cotidiano, por exemplo. É
necessário utilizar a norma culta para a escrita, mas sem “enfeitar” o texto.
Pensando nessas questões, vamos refletir sobre o seguinte: como deve ser
uma leitura acadêmica, fundamental para escrever? Como a leitura e a
escrita acadêmica estão ligadas e se desenvolvem de maneira conjunta?
Vamos nos aprofundar no assunto para que isso seja possível! Bons
estudos!
 
 
Vamos Começar!
Ler, pesquisar e escrever são elementos que estão intimamente ligados não
somente na vida acadêmica, mas também no desenvolvimento de nossa
vida profissional e de nossas relações pessoais. Se não nos atualizamos
em relação aos últimos acontecimentos, por exemplo, fica difícil manter um
diálogo com amigos, ou se não nos aprofundamos em assuntos que temos
em comum para desenvolver o diálogo. A leitura é forte aliada nesse
processo: ela amplia nossa visão de mundo e nosso repertório a respeito
dos mais diversos assuntos, e pode também despertar nossa curiosidade
para o desenvolvimento de uma pesquisa
O que é pesquisa?
Conseguimos perceber a ciência em todos os lugares que nos cercam; hoje,
ela é um dos elementos mais básicos em todos os aparatos tecnológicos,
como no celular, na televisão, no computador, nos dispositivos de GPS, etc.
No entanto, todos esses aparatos tecnológicos não surgiram do nada.
Essas tecnologias são produtos de investigações científicas mais
elementares, que exigem a adoção de um método para avaliar o nível de
verdade das hipóteses e das teorias. Esse é o método científico. O
conhecimento científico é produzido a partir das mais diversas pesquisas e
verificado por meio do método científico.
O termo “pesquisar” é muito comum atualmente; de certa forma, todos
sabemos o que significa. Diante de qualquer tipo de dúvida que tenhamos,
podemos, com nossos smartfones, acessar a internet e pesquisar:
restaurantes, hotéis, dicas de séries, filmes, viagens, etc. Obtemos
respostas praticamente instantâneas diante das nossas dúvidas. Essa
pesquisa é a que fazemos com base no senso comum, sem nenhum rigor
científico; pesquisar é buscar mais informações sobre algo, visando
estabelecer critérios para melhores escolhas (Minayo, 2007).
Por outro lado, do ponto de vista científico, a pesquisa tem um sentido mais
amplo e aprofundado: ela é um procedimento organizado, racional e
sistemático para construir conhecimentos. Isso significa que é necessário
buscar dados e informações a fim de interpretá-los, para que se possa
compreender o objeto de estudo e, então, chegar ao conhecimento
científico. Assim, parte-se do método científico, composto por etapas que
visam chegar a respostas para os problemas e, assim, construir o
conhecimento. O método científico deve ser visto como um conjunto de
procedimentos teóricos, experimentais e, principalmente, éticos, que têm o
objetivo de fornecer a melhor explicação da realidade (Baptista; Campos,
2016).
Mesmo o método científico sendo único e universal, deve ser visto como um
conjunto de procedimentos amplos que mudam conforme o tempo e se
ajustam a cada campo do conhecimento em particular. Existem diversos
tipos de pesquisas científicas que norteiam a ciência, cada qual com sua
importância e aplicação para o estudo de um problema específico. A
pluralidade de investigações permite a extração de um conhecimento mais
amplo sobre a realidade mediante uso de método científico. Por exemplo: o
modo como os biólogos investigam microrganismos não envolve o
emprego das mesmas técnicas de investigação utilizadas pelos sociólogos
para estudar comportamentos sociais ou crises econômicas. Veja a seguir
um esquema que ilustra o método científico:
Figura 1 | Exemplo deetapas do método científico. Fonte: elaborada pela autora.
A pesquisa e a construção do conhecimento científico
A utilização do método científico não deve se restringir a situações
controladas em laboratórios, pois a ciência não se reduz a isso. Ela está
presente também no nosso dia a dia e nos auxilia na análise e percepção da
nossa realidade concreta. A ciência é uma forma de conhecimento que
busca explicar os fenômenos por meio da demonstração, da evidência e da
prova; por isso, ela difere das demais formas de conhecimento. Para tanto,
utiliza o método científico como garantia de que suas conclusões sejam o
mais próximo da verdade possível. Isso pode ser aplicado a qualquer área
do saber e em muitas situações profissionais (Severino, 2013).
Dessa forma, podemos entender que a pesquisa é a forma de construir
conhecimentos científicos. Por meio dela e do método científico, busca-se a
resposta para diferentes situações observadas na realidade objetiva e que
se constituem como um problema. Na tentativa de responder às
indagações, de resolver o problema, é que se constrói o conhecimento que,
orientado pelo método, se constitui no conhecimento cientificamente
aceito.
Siga em Frente...
Leitura para quê?
Você foi uma criança que gostava de ler, ou achava sempre desinteressante
toda vez que um professor pedia para que você fizesse uma leitura mais
longa? Você já havia se questionado o quanto a leitura é importante no
nosso cotidiano? A leitura não é somente uma decodificação de símbolos,
ou aquela que fazemos apenas “passando os olhos” pelo texto. Uma leitura
aprofundada, crítica, reflexiva, nos leva de fato ao entendimento do texto e à
reflexão sobre nossas próprias práticas. Essa leitura é fundamental no
ambiente acadêmico e no nosso ambiente profissional, para que sejamos
sujeitos ativos nesses contextos. É ela que permite a ampliação do nosso
conhecimento e a compreensão da realidade em que estamos inseridos.
A leitura, seja ela de qualquer tipo e com qualquer finalidade (para
informação, para entretenimento), traz inúmeros benefícios a quem a
pratica. Ela enriquece o vocabulário, pois o leitor pode encontrar palavras
que antes não conhecia e precisar buscar seus significados; assim, amplia o
conhecimento da língua. Melhora a redação, já que, a partir do momento em
que se entra em contato com outras formas de escrita, é possível apreender
como articular as palavras de maneira diferente do habitual;
consequentemente, ela desperta a inteligência. Aperfeiçoa a cultura, uma
vez que permite a ampliação da visão de mundo do leitor e da compreensão
de inúmeros aspectos que estejam sendo trabalhados no texto (Chaves,
2012).
O ato de estudar deve ser compreendido como a forma pela qual o indivíduo
enfrenta o desafio de compreender a realidade, conhecendo as
características dos fenômenos que a compõem. A leitura é o exercício da
capacidade de formar nossa própria visão e explicação sobre os problemas
que enfrentamos. Para isso, algumas exigências são feitas ao leitor, para
que essa atividade seja efetivamente um processo de leitura do mundo;
uma delas é o desenvolvimento da capacidade crítica que decorre do
estudo (Luckesi, 1998).
A leitura não é, portanto, uma atividade passiva. Ao contrário, é uma
atividade complexa, que inclusive pode ser constituída por elementos; e
quanto melhor dominados, maior proveito o leitor obterá. Precisamos
recordar que a sociedade atual, em função da simplificação nas maneiras
de veicular as informações, tornou muitos conteúdos de tal forma objetivos
que nem sempre requerem grandes esforços para serem compreendidos.
Outro aspecto também presente é a rapidez com que as informações são
transformadas e substituídas. As informações obtidas dessa forma são
também meios de compreender a realidade.
Entretanto, para que seja possível compreender e se tenha condições de
questionar a qualidade e a forma como isso acontece, são necessárias
leituras mais profundas, que levem ao entendimento das coisas e por meio
de processos nem sempre tão acelerados. Portanto, considerando a
importância do estudo para se obter condições de analisar criticamente a
realidade e desenvolver conhecimentos aprofundados sobre ela, é preciso a
leitura de textos que apresentem um conhecimento aprofundado em
relação ao tema em questão.
A leitura crítica e reflexiva
É comum encontrarmos, no ambiente da Universidade, acadêmicos que não
gostam de ler; contudo, esse domínio tem se mostrado cada vez mais
indispensável nas nossas vidas. Além disso, ler e interpretar os fatos
cotidianos são aspectos relacionados, e aqueles que dominam a leitura
conseguem agir com maior autonomia frente aos desafios do cotidiano.
Precisamos, portanto, ser sujeitos ativos diante dos textos com os quais
nos deparamos, interagir com o texto, superar a mera memorização e
alcançar a compreensão que permite elucidar a realidade.
Para ser um sujeito ativo frente ao texto, é necessário desenvolver uma
capacidade de analisar crítica e reflexivamente o texto estudado, para que
se chegue ao que Marconi e Lakatos (2024) chamam de leitura
interpretativa. Segundo os autores, isso é um processo, um aprendizado que
não se manifestará nas primeiras leituras; contudo, com o exercício e a
persistência, essa capacidade será desenvolvida. Precisamos ter claro que
todo começo é difícil; o processo de leitura e escrita acadêmica requerem
prática e persistência (Baptista; Campos, 2016).
Ler bem é uma condição fundamental para a leitura e para a escrita com
qualidade. Essas questões perpassam também a elaboração de pesquisas
pois não é possível investigar ou escrever sobre um tema/assunto que não
se tem conhecimento. Existem diversos aspectos que estão relacionados
ao processo de leitura e escrita. Pensar nas diferentes fases da leitura é
uma ferramenta útil para nos tornarmos proficientes em diferentes gêneros
textuais. Quando pensamos na leitura no âmbito acadêmico, podemos
elencar quatro etapas específicas:
Quadro 1 | Etapas da leitura acadêmica. Fonte: adaptado de Marconi e
Lakatos (2024, p. 22).
A leitura é essencial para a realização das pesquisas. Assim como no caso
da leitura, fazer pesquisa também é uma questão de treino. É indispensável
a leitura de textos científicos para a elaboração de pesquisas. No começo,
pode parecer uma tarefa quase impossível, pois geralmente esses textos
são escritos em uma linguagem mais objetiva, acompanhados de dados e
tabelas complicados de serem entendidos. Parece um clichê, mas é a partir
da prática que vamos conseguir driblar esses problemas; com o treino
vamos nos aperfeiçoando e chegamos ao entendimento e escrita
necessários em um ambiente acadêmico e profissional. (Baptista; Campos,
2016).
Leitura de reconhecimento e pré-leitura
Corresponde ao levantamento das fontes
bibliográficas que contenham dados ou
informações que poderão ser aproveitadas.
Leitura seletiva
Implica na seleção do material que será
utilizado em conformidade com as
necessidades do estudo. Ainda não se trata
de uma leitura exaustiva e minuciosa,
apenas para verificar se os dados
apresentados fornecem informações sobre o
assunto que será estudado.
Leitura crítica ou reflexiva
Etapa que corresponde ao estudo dos textos
levando à compreensão da mensagem do
autor. Esse estudo passa por fases: visão
global do texto e análise das partes para
chegar a uma síntese integradora.
Leitura interpretativa
É a fase em que se decide se o texto
estudado tem condições de ser aproveitado
ou não para a situação apresentada. A
interpretação requer ter uma posição própria
a respeito das ideias apresentadas pelo
autor, estabelecer um “diálogo” com o autor,
ler o que está nas entrelinhas.
Assim, buscar transformar o que parece uma obrigação em algo prazeroso
é uma importante estratégia para conseguirmos realizar com maior
facilidade tanto a leitura quanto a escrita e a pesquisa. “Aproveite a chance
de aprender a fazer ciência, mesmo que você não pretenda seguircarreira
como pesquisador. [...] Você pode aprender a se apaixonar também por
pesquisa” (Baptista; Campos, 2016, p. 12).
Vamos Exercitar?
É hora de retomarmos a nossa tarefa inicial. Trabalhamos o conceito de
pesquisa sob a ótica do senso comum e sob a ótica da ciência, e
compreendemos como o método científico nos auxilia na construção do
conhecimento científico. Aprendemos a importância da leitura
contextualizada para a construção do conhecimento e para a realização de
pesquisas. Nós percebemos que essa leitura acadêmica tem algumas
características específicas, algumas etapas que precisam ser observadas
para que ela seja de fato eficaz. Nossa tarefa é identificar essas etapas:  
Pré-leitura: fase inicial, em que se identifica se existem textos
disponíveis sobre o problema de pesquisa.
Leitura seletiva: seleção das informações de interesse para a escrita
da pesquisa.
Leitura crítica ou reflexiva: estudo, reflexão, entendimento do
significado do texto. É a fase da leitura preocupada em entender o que
o autor defende no texto. Busca-se a compreensão dos termos e
conceitos utilizados pelo autor.
Leitura interpretativa: fase em que se procura saber o que o autor
realmente afirma, correlacionar as afirmações do autor com os
problemas para os quais se busca solução.
Lembre-se de que a leitura e a escrita são processos interligados, um não
acontece sem outro. Assim, nesta unidade, você pôde entender que a leitura
acadêmica consequentemente o levará a uma boa escrita.
Saiba Mais
1. A leitura é essencial para o nosso desenvolvimento; ela amplia nossa
visão de mundo sobre o assunto em questão, além de ampliar nosso
vocabulário e melhorar nossa capacidade de escrita. Para se
aprofundar no assunto, leia o texto: “Estratégias de leitura, análise e
interpretação de textos na universidade: da decodificação à leitura
crítica”, de Urbano Cavalcante Filho.
2. Quando se investiga a realidade, é possível recorrer a diferentes meios,
técnicas e estratégias para que se encontrem as respostas esperadas.
Embora o método científico tenha definido um caminho que permite
uma certa semelhança no percurso a ser seguido, cada área do
conhecimento tem suas especificidades na realização das pesquisas e
na construção do conhecimento.
Nós precisamos compreender que o método científico não é restrito à
aplicação em pesquisas experimentais ou laboratoriais; ele pode e
deve ser utilizado para pensarmos e intervirmos na realidade das mais
diversas maneiras. Pensando nisso, para perceber como obras
literárias de ficção também podem ser utilizadas de maneira prática na
nossa realidade e como base para a realização de pesquisas
acadêmicas, leia o artigo: “As várias dimensões na trilogia Jogos
Vorazes: uma aplicação prática para o ensino médio”, de Maria Luzia
Silva Marian e Sandra Aparecida Pires Franco.
 
 
Referências Bibliográficas
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de
Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Ltc, 2016.
CHAVES, Marco Antonio. Projeto de pesquisa: guia prático para monografia.
5ª ed. Rio de Janeiro: Wak, 2012.
LUCKESI, Cipriano Carlos; et al. Fazer universidade: uma proposta
metodológica. 10ª ed. São Paulo: Cortez, 1998.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do
trabalho científico: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográfica, teses de
http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/144.pdf
http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/144.pdf
http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/144.pdf
https://www.researchgate.net/publication/301917049_As_Varias_Dimensoes_na_Trilogia_Jogos_Vorazes_Uma_Aplicacao_Pratica_para_o_Ensino_Medio
https://www.researchgate.net/publication/301917049_As_Varias_Dimensoes_na_Trilogia_Jogos_Vorazes_Uma_Aplicacao_Pratica_para_o_Ensino_Medio
doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª
ed. São Paulo: Atlas, 2024.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e
criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São Paulo:
Cortez, 2013.
Aula 3
PESQUISAS QUANTITATIVAS
Pesquisas quantitativas
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Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Assim como existem diferentes tipos de conhecimento, existem diferentes
tipos de pesquisas que podem ser realizadas. E assim como não
colocamos os conhecimentos em uma perspectiva de hierarquia, não o
fazemos com as pesquisas. A pesquisa é atividade básica da ciência na sua
indagação e construção da realidade. É a pesquisa que alimenta a atividade
de ensino e a atualiza frente à realidade do mundo. Portanto, embora seja
uma prática teórica, a pesquisa vincula pensamento e ação. Vamos falar
das pesquisas quantitativas, pensar nos seus diferentes tipos e nos
procedimentos para a realização dessas pesquisas.
Imagine a seguinte situação: sua equipe de trabalho está iniciando um
projeto para pesquisar a inserção das mulheres no mercado de trabalho
contemporâneo, com o objetivo de mapear sua situação, suas condições de
vida e de trabalho na cidade de Campinas (SP). A ideia é mapear a situação
atual e poder contribuir com a ampliação de um olhar para as questões de
gênero, pensando em possíveis medidas para diminuir as desigualdades
existentes no mercado de trabalho. 
1. Que tipo de pesquisa poderia ser realizado? 
2. De que maneira os dados poderiam ser coletados? 
3. Como seria possível selecionar uma amostra representativa dessa
população? 
Bons estudos!
Vamos Começar!
Quando pensamos na elaboração de uma pesquisa de cunho científico,
precisamos tomar como base para essa construção um conhecimento que
seja organizado, sistemático, objetivo e que busque relação entre os
fenômenos que estão sendo estudados. Este conhecimento é o científico.
Assim, a ciência segue o método científico na construção de seus
pressupostos e na realização das pesquisas. Da mesma maneira que existe
uma diferenciação entre as ciências naturais e as ciências humanas,
também ocorrem diferenças significativas na maneira de conduzir as
pesquisas científicas, “em decorrência da diversidade de perspectivas
epistemológicas que se podem adotar e de enfoques diferenciados que se
podem assumir no trato com os objetos pesquisados e eventuais aspectos
que se queira destacar” (Severino, 2013, p. 103).
A pesquisa quantitativa
As pesquisas de caráter quantitativo trabalham com métodos voltados para
o entendimento objetivo dos fatos, com o universo das representações
numéricas, descrevendo e relacionando os fenômenos. As pesquisas
pautadas no método quantitativo utilizam os fundamentos da matemática e
da estatística para a sua formulação, mas isso não quer dizer que elas não
possam ser realizadas no âmbito das ciências humanas e sociais. Basta
pensarmos nos pressupostos teóricos e metodológicos da teoria Positivista
para compreendermos que a realização de uma pesquisa quantitativa não é
exclusiva das ciências exatas e biológicas (Shishito, 2018).
A realização de toda pesquisa científica implica na determinação de um
objeto de pesquisa. A partir do objeto de pesquisa, elabora-se a pergunta da
pesquisa (o que se pretende saber com aquela pesquisa). Também é
necessário coletar os dados de maneira adequada (Baptista; Campos,
2016). Para analisar esse objeto de pesquisa, o pesquisador precisa de um
método bem delimitado. Um método de pesquisa tem em si a perspectiva
teórica que o define, ou seja, teoria e método revelam a visão de mundo do
pesquisador e o orientam sobre o que fazer diante de um problema de
pesquisa (Shishito, 2018).
Assim, a realização de uma pesquisa tem diferentes camadas e diversos
aspectosque precisam ser atendidos para que ela se encaixe no que se
espera de uma pesquisa de cunho científico. Portanto, as pesquisas
denominadas como quantitativas são as que se fundamentam em padrões
que focam o controle científico e a objetividade no desenvolvimento da
pesquisa. São desenvolvidas a partir de testes ou procedimentos que
permitam a comprovação e a validade dos resultados encontrados
(Baptista; Campos, 2016; Shishito, 2018).
Uma pesquisa quantitativa pode ser realizada de diferentes maneiras;
existem diferentes tipos que podem ser classificados como quantitativos:
pesquisa de levantamento, correlacional e experimental, dentre outras. Cada
tipo de pesquisa conta com sujeitos, instrumentos utilizados para a coleta
dos dados e procedimentos para a realização. Todos esses elementos
precisam estar bem determinados e relacionados de forma coerente para
que o pesquisador consiga executar com êxito a pesquisa, e para que o
leitor chegue ao entendimento do caminho trilhado no desenvolvimento e
compreenda os resultados (Baptista; Campos, 2016).
Siga em Frente...
Tipos de pesquisas quantitativas
Ao elencarmos diferentes tipos de pesquisa, não pretendemos afirmar que
um é melhor ou mais eficiente que o outro; apenas listamos alguns
exemplos para que seja possível a compreensão de como o pesquisador
deve conduzir a pesquisa. Além da perspectiva teórica, que mostra ao leitor
como o pesquisador enxerga o mundo, é necessário também compreender
qual método melhor se adapta àquilo que está sendo pesquisado e, então,
pensar nos sujeitos, instrumentos, coleta de dados etc.
Pesquisa de levantamento ou survey
A maneira como os dados serão coletados e analisados depende do
problema da pesquisa e dos objetivos. De acordo com Baptista e Campos
(2016, p. 106), “alguns autores denominam as pesquisas que apresentam
esse delineamento como pesquisas descritivas”. Os autores ainda
ressaltam que alguns pesquisadores diferenciam o levantamento do survey,
considerando que este último é mais criterioso quanto à amostragem.
Tomaremos levantamento e survey como sinônimos, assim como Baptista e
Campos (2016).
Mas, afinal, o que é uma pesquisa de levantamento/survey?! Você se lembra
das pesquisas de intenção de voto em período eleitoral? E os censos
geográficos realizados pelos governos? No ano de 2022, com dois anos de
atraso, foi realizado o censo demográfico do Brasil, o qual indicou que a
população brasileira chegou a 2.062.512 habitantes, um aumento de 6,5%
em comparação ao censo demográfico realizado em 2010 (IBGE, 2023).
Essas pesquisas são pesquisas de levantamento, que têm seus dados
coletados com amostras (no caso das pesquisas eleitorais) ou com a
população toda (no caso do censo demográfico). As pesquisas de
levantamento, por meio da interrogação direta de seus participantes, obtêm
os dados que vão compor as análises.
As pesquisas de levantamento são as que mais atendem a partidos
políticos, organizações educacionais, comerciais e instituições públicas
e privadas, por identificarem comportamentos e atitudes. Os dados são
informados diretamente pelas próprias pessoas, que respondem a
solicitações do pesquisador, e costumam ser obtidos por meio de um
instrumento de pesquisa, habitualmente um questionário (Baptista;
Campos, 2016, p. 106).
Os levantamentos têm o objetivo de descrever, explicar e/ou relacionar os
fenômenos que são coletados com a amostra por meio das variáveis. A
amostra representa uma parte da população que será estudada, pois, em
muitos casos, seria impossível coletar os dados com toda a população,
devido ao seu tamanho. A amostragem se deve também à redução de
custos e à otimização do tempo para realização da pesquisa. Assim, a
amostra deve representar a população que está sendo estudada: a escolha
dos participantes não deve ser enviesada; ou seja, o pesquisador não deve
interferir nessa escolha (Baptista; Campos, 2016).
Após a obtenção dos resultados, é possível admitir que eles podem ser
ampliados a toda aquela população em questão, visto que são analisados
estatisticamente e é aplicada a eles uma margem de erro. Como exemplo,
podemos pensar no período eleitoral, em que são realizadas muitas
pesquisas de levantamento para verificar a intenção de voto dos eleitores
em relação aos candidatos. A população diz respeito a todos os eleitores; a
amostra é referente às pessoas consultadas; e o método de pesquisa
utilizado é o levantamento (Gil, 2002; Baptista; Campos, 2016).
As variáveis são as informações que serão coletadas para a pesquisa, por
exemplo: idade, gênero, escolaridade, motivação, medir atitudes, quantidade
de água durante a chuva, etc. A determinação dos dados que serão
coletados, dos sujeitos (quantos serão, faixa etária, escolaridade, gênero,
localização geográfica) que participarão da pesquisa ou dos fenômenos
analisados depende do problema da pesquisa e dos objetivos que se
pretende atingir. Por isso, não podemos perder de vista que todos os
elementos da pesquisa estão interligados e precisam conversar entre si.
Os instrumentos utilizados podem ser questionários (por telefone,
pessoalmente, enviados de maneira eletrônica), entrevistas (estruturadas,
semiestruturadas, abertas) ou observação. Nas pesquisas quantitativas, os
questionários são mais adaptáveis, devido à facilidade de utilizar diferentes
perguntas com diferentes possibilidades de respostas para a obtenção das
respostas pretendidas, e à facilidade na aplicação e no envio. Por outro
lado, é possível que haja uma baixa taxa de retorno quando o pesquisador
não está presente no momento da aplicação, quando o prazo para
devolução é muito longo ou ainda quando a presença do pesquisador de
alguma forma intimide o participante (Shishito, 2018).
Por fim, é necessário pensar também nos procedimentos da pesquisa. No
caso de pesquisas com seres humanos, é necessária a assinatura de um
termo de consentimento livre e esclarecido pelos participantes, ou pelos
responsáveis destes, quando forem menores de idade. A amostra e os
instrumentos devem estar selecionados; é preciso acordar previamente dia
e horário com o local da coleta dos dados; também é essencial fornecer a
previsão do tempo que será necessário para a coleta. Ou seja, é necessário
pensar no cenário de realização da coleta dos dados para que ela aconteça
da maneira mais eficiente possível.
Pesquisa experimental
Quando se trata de uma pesquisa experimental, é bastante comum logo
pensarmos em um laboratório repleto de tubos de ensaio, microscópios,
beckers, pepitas, buretas, entre outros instrumentos indispensáveis para a
realização de uma pesquisa. O que precisamos compreender é que a
pesquisa experimental também pode ser realizada no nosso cotidiano. O
objetivo desse tipo de pesquisa é buscar relações de causa e efeito entre os
fenômenos que estão sendo analisados por meio da manipulação das
variáveis, normalmente quando eles são colocados em condições ideais.
Esse tipo de pesquisa parte da condição básica de três situações para a sua
realização: manipulação das variáveis, controle delas e randomização dos
grupos (Baptista; Campos, 2016).
Vamos tratar a seguir da manipulação e do controle das variáveis. Quando
falamos de randomização dos grupos, estamos nos referindo ao processo
de seleção do participante da pesquisa ou daquilo que está sendo
analisado. Assim, todos os sujeitos têm a mesma probabilidade de serem
sorteados para formar a amostra que vai participar do experimento ou para
compor o grupo controle. Nesse sentido, as pesquisas são conduzidas de
maneira que seja possível o pesquisador agir; ou seja, ele manipula a
variável e altera as condições em que ela se encontra e observa as
consequências dessa ação. Dessa forma, para saber se houve ou não uma
mudança, é necessário que se pense em grupos experimentais e grupos
controle no desenvolvimento da pesquisa, para que possa haver a
comparação entre aqueles que foram expostos à mudança e os que nãoforam (Mattar; Ramos, 2021).
Diante do exposto, percebemos alguns conceitos que precisam ser
compreendidos para que seja possível apreender como uma pesquisa
experimental é desenvolvida. Precisamos pensar nos conceitos de: grupo
controle, grupo experimental, variável dependente e variável independente
(experimental). O Quadro 1 a seguir possibilita a visualização mais clara dos
conceitos e suas definições:
Quadro 1 | Conceitos referentes à pesquisa experimental. Fonte: elaborado
pela autora.
Para a condução dar seguimento à pesquisa, é necessário pensar nos
sujeitos, nos instrumentos e nos procedimentos. Em relação aos sujeitos, o
pesquisador precisa ter clareza em relação ao que ele deseja saber, para
então pensar nos critérios de inclusão e de exclusão dos participantes.
Normalmente é necessário que seja feito um recorte, definindo-se faixa
etária, gênero e escolaridade, para que seja possível maior delimitação
desses sujeitos. Assim, pode-se chegar a uma amostra mais próxima
daquilo que se considera ideal (Baptista; Campos, 2016).
Grupo Experimental
São os sujeitos que vão participar do
experimento/teste.
Grupo Controle
São os sujeitos que vão servir como base de
comparação em relação aos que participam
do experimento/teste.
Variável Independente (experimental)
É a variável que o pesquisador pode
manipular no experimento.
Variável Dependente
É a variável na qual o pesquisador vai avaliar
as mudanças.
Vamos pensar em um exemplo: você está investigando saúde mental e
suicídio. Estudos anteriores apontam que os caso de suicídio são maiores
entre homens (78%) com idade entre 15 e 29 anos de idade do que entre
mulheres (22%). Quais serão os critérios de inclusão na pesquisa? Ser do
gênero masculino, ter idade entre 15 e 29 anos, qualquer grau de
escolaridade, renda de zero a cinco salários mínimos. Perceba que você
está afunilando os critérios para que o participante possa fazer parte da
amostra. Isso é importante para os critérios de comparação que serão
utilizados no grupo controle e no grupo experimental.
Também é necessário haver uma preocupação com os instrumentos que
serão utilizados, para que eles realmente meçam/avaliem aquilo que você
está se propondo a fazer na pesquisa. A depender do que será feito, podem
ser utilizados questionários, entrevistas ou outros tipos de testes. Por fim,
os procedimentos da pesquisa precisam ser considerados. De que forma os
dados serão coletados, quem fará a coleta, vai ser em grupo ou
individualmente, quanto tempo levará a coleta? Todos esses critérios devem
ser observados cuidadosamente, para que a amostra seja o mais
homogênea possível, garantindo assim a lisura e a confiabilidade da
pesquisa (Baptista; Campos, 2016; Mattar; Ramos, 2021).
Pesquisa correlacional
A pesquisa correlacional é amplamente utilizada na Psicologia e nas
Ciência Sociais de uma forma geral, considerando que o objetivo desse tipo
de pesquisa é avaliar a relação entre as diferentes variáveis coletadas para
o estudo e buscar associações com as teorias. Por exemplo: qual a relação
entre a motivação para aprender dos alunos e o ano escolar em que estão
matriculados? Existe a relação entre o abuso de álcool e a escolaridade das
pessoas? Também é possível avaliar diferenças entre as variáveis do grupo
em questão: homens jovens apresentam maior índice de depressão do que
homens idosos?
Esse tipo de pesquisa é mais flexível que a pesquisa experimental, pois não
utiliza grupo controle, apresenta baixo controle sobre as variáveis que estão
sendo investigadas e não realiza pré-testes e pós-testes com as amostras.
As correlações são medidas estatísticas, por exemplo: o teste t de Student e
a análise de variância (ANOVA). Essas análises são as mais utilizadas na
comparação de grupos para investigar possíveis diferenças entre eles, são
realizadas por programas como o Statistical Package for Social Sciences
(SPSS) (Baptista; Campos, 2016). A lógica dos dois testes é equivalente:
eles consideram o total da amostra, o desvio padrão e a diferença de
médias entre os grupos.
Em relação aos sujeitos da pesquisa, aos instrumentos utilizados para a
coleta de dados e aos procedimentos para a realização, eles são
semelhantes ao que é realizado nas pesquisas de levantamento. O que não
se pode esquecer é o problema da pesquisa (a pergunta que se deseja
responder) e os objetivos, para que esses elementos sejam estabelecidos
de maneira a possibilitar a melhor condução e obtenção da resposta
esperada.
Vamos Exercitar?
Chegou o momento de retomarmos a nossa situação inicial.
Compreendemos o que é uma pesquisa quantitativa e quais seus princípios;
entendemos as características da pesquisa de levantamento ou survey, da
pesquisa experimental e da pesquisa correlacional. Sua equipe de trabalho
está investigando a inserção das mulheres no mercado de trabalho
contemporâneo na cidade de Campinas (SP). Os questionamentos iniciais
são:
1. Que tipo de pesquisa poderia ser realizado?
2. De que maneira os dados poderiam ser coletados?
3. Como você poderia selecionar uma amostra representativa dessa
população?
Vamos às possíveis respostas:
1. Seria possível realizar uma pesquisa de levantamento, pois elas visam
descrever, explicar e/ou relacionar os fenômenos que são coletados
com a amostra por meio das variáveis.
2. Os dados podem ser coletados por meio de questionários ou
entrevistas que podem ser realizadas pessoalmente ou por telefone,
sempre observando as questões éticas envolvidas na coleta de dados.
3. É necessário buscar estudos prévios que contenham o perfil daquela
população para que se faça esse recorte; a amostra precisa ter as
mesmas características da população para que ela possa ser
considerada representativa.
Saiba Mais
1. Muito se fala sobre as diferenças entre as pesquisas quantitativas e
qualitativas. É necessário compreender as diferenças entre elas e as
características de cada uma. Apesar de ser exemplo de uma área em
específico, o estudo de caso pode ser utilizado para qualquer área do
conhecimento. Saiba mais sobre o assunto lendo o artigo a seguir:
GÜNTHER, Hartmut. Pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa:
é esta a questão? Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 22, n. 2, p.
201-210, ago. 2006.
2. A lógica da pesquisa quantitativa faz com que as técnicas e
ferramentas deste método se tornem grandes aliados da pesquisa
social. Os estudos quantitativos são descritos geralmente a partir de
variáveis. Elas representam um conjunto de características
independentes de uma população, as quais tenham relevância e/ou
importância à pesquisa proposta; por exemplo: gênero e idade. As
variáveis correspondem a características que apresentam variações. O
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresenta dados
que abrangem população, trabalho, educação, saúde, habitação,
rendimento, despesa e consumo, etc. Para se aprofundar a respeito
desses dados, utilize o site IBGE e procure dados referentes à região
que você reside e busque fazer uma comparação com os índices
nacionais.
 
 
Referências Bibliográficas
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de
Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Ltc, 2016.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo:
Atlas, 2002.
http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2
http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2
http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2
http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2
https://www.ibge.gov.br/indicadores.html
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Censo
Demográfico 2022: população e domicílios, primeiros resultados. Rio de
Janeiro, 2023. Disponível em:
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102011.pdf. Acesso em:
25 out. 2023.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do
trabalho científico: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográfica, teses de
doutorado,dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª
ed. São Paulo: Atlas, 2024.
MATTAR, João; RAMOS, Daniela Karine. Metodologia da pesquisa em
educação: abordagens qualitativas, quantitativas e mistas. São Paulo:
Edições 70, 2021.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e
criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São Paulo:
Cortez, 2013.
SHISHITO, Katiani Tatie. Pesquisa aplicada às Ciências Sociais. Londrina:
Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018.
SILVA, Airton Marques da. Metodologia da pesquisa. 2ª ed. Fortaleza:
EDUECE, 2015.
Aula 4
PESQUISAS QUALITATIVAS
Pesquisas qualitativas
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Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
A contemporaneidade é sem dúvida um fenômeno ímpar na construção da
nossa história. Conseguimos vivenciar inúmeros avanços que acontecem
de uma forma muito rápida como o tecnológico, mas também olhamos para
questões que caminham a passos muito lentos, como a transformação da
estrutura desigual da nossa sociedade. Fato é que essas transformações,
sejam positivas ou negativas, têm impacto direto nas nossas vidas e
principalmente na nossa saúde mental. Inúmeros estudos são realizados
nesse sentido, a fim de identificar possíveis razões para o adoecimento da
população em diversos setores.
Pensando nisso, vamos trabalhar a partir do olhar da pesquisa qualitativa
para pensar em uma situação hipotética, mas que acontece em muitos
ambientes de trabalho. Imagine um assistente social de uma escola
municipal que atende alunos do 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano
do ensino médio. O trabalho dele é predominantemente com os alunos, mas
ele tem notado que os professores têm apresentado alto nível de stress,
muitas faltas e têm se queixado de adoecimento. De que maneira uma
pesquisa poderia ser desenvolvida para levantar os possíveis fatores
causadores desses sintomas? Bons estudos!
Vamos Começar!
Uma busca que parece ser constante nos diferentes períodos da história da
humanidade é a que se faz pela verdade, a busca por respostas ao
questionamento sobre o mundo e a existência humana. Questionar, buscar
saber é algo intrínseco ao ser humano, é próprio dos indivíduos, pois o
saber nos dá segurança em relação à realidade que nos cerca. Apesar
disso, os métodos utilizados para se tentar chegar a essa verdade foram se
alterando ao longo do tempo e ainda hoje se modificam acompanhando a
dinâmica que é própria da ciência. Dessa maneira, diferentes caminhos
foram construídos na busca por essas respostas e diferentes objetos de
estudo também se fizeram pertinentes nesse percurso (Baptista; Campos,
2016).
Sabemos que existem diversos tipos de pesquisas científicas, cada qual
com seus objetivos, particularidades e, principalmente, objetos de estudos.
A diversidade da pesquisa científica permite estudar diversos problemas, da
origem do Universo ao comportamento humano; também permite estudar
um mesmo problema sob diferentes perspectivas metodológicas, com o
objetivo de enriquecer o conhecimento científico, proporcionando uma visão
de mundo mais ampla e consistente com as evidências científicas.
  A escolha também pelo objeto de estudo e pelo método está
diretamente relacionada com a forma como o ser humano compreende
o mundo. Perante este, devemos nos perguntar em que nos
fundamentamos para responder às seguintes questões: o que é e o que
não é realidade? (Questão ontológica). Quais caminhos escolhemos
para chegar à compreensão dessa realidade? (Questão
epistemológica). Qual é a concepção que temos de ser humano? Como
concebemos a sociedade? Qual é a ética subjacente na nossa forma de
conceber o mundo? Que tipos de ações imprimimos no mundo de
acordo com nossa concepção? Essas ações promovem mudanças,
transformações, ou somente colaboram para a manutenção do status
quo? Todas essas questões estão implicadas nos pressupostos de
todas as teorias. A escolha por uma teoria em detrimento de outra nos
mostra não só a forma como concebemos o mundo, como também
qual é o nosso posicionamento político perante este, principalmente
quando se trata de teorias das Ciências Sociais e Humanas. (Baptista;
Campos, 2016, p. 244).
Precisamos ter claro que a ciência não se constitui apenas da coleta e
análise dos dados, eles precisam ser articulados à realidade e sustentados
por uma teoria. Cada tipo de pesquisa tem sua importância dentro da
ciência, focando no objeto de maneiras diferentes. Vamos conhecer o olhar
das pesquisas qualitativas para o desenvolvimento de pesquisas científicas.
Pesquisa qualitativa
A pesquisa qualitativa é aplicada quando não há necessidade de empregar
ferramentas estatísticas. No entanto, não é isso que a define; dados
estatísticos podem ser utilizados no desenvolvimento de pesquisas
qualitativas. As duas formas de fazer pesquisa, qualitativa e quantitativa,
não são opostas e não se sobrepõe, elas podem se complementar. Os
dados estatísticos podem ser usados para dar sustentação a uma
argumentação ou a alguma análise feita em determinada área, por exemplo.
Feita essa observação, vamos definir a pesquisa qualitativa e falar de
maneira mais específica da pesquisa exploratória, explicativa e descritiva.
Na perspectiva qualitativa, considera-se a relação entre a realidade e o
sujeito em questão. O que isso significa? Existe um vínculo entre as
questões objetivas e a subjetividade do sujeito objeto da pesquisa que, na
maioria das vezes, não é traduzido em números. Dessa maneira, os
princípios básicos são a interpretação dos fenômenos e a atribuição de
significados, sendo o pesquisador um instrumento chave nesse processo
(Gil, 2002).
Dessa forma, o objetivo da pesquisa qualitativa é a compreensão dos
fenômenos de maneira aprofundada, fazendo a sua exploração e a sua
descrição a partir de diferentes perspectivas. É necessário também buscar
entender os significados e interpretações que os participantes dão aos
fenômenos em questão. Olhando para a pesquisa qualitativa e quantitativa
de maneira a compará-las, o “enfoque quantitativo se volta para a descrição,
previsão e explicação, bem como para dados mensuráveis ou observáveis,
enquanto o enfoque qualitativo se atém na exploração, descrição e
entendimento do problema” (Marconi; Lakatos, 2022, p. 295).
A pesquisa qualitativa é um método de investigação utilizado em diversas
áreas, como Ciências Sociais, Psicologia, Antropologia, Educação, Saúde,
entre outras. Ela se concentra na compreensão aprofundada e na
interpretação dos significados e das características implícitas a
determinadas características sociais ou humanas. Se preocupa em
compreender a complexidade e a riqueza de experiências individuais e
contextos sociais, sendo frequentemente utilizada para explorar questões
multifacetadas, compreender a dinâmica social, investigar processos
culturais e capturar perspectivas subjetivas.
A abordagem envolve uma coleta de dados descritivos e normalmente, são
utilizados como instrumentos entrevistas, observações participantes,
análise de documentos e outros materiais que podem fornecer uma
compreensão profunda de um determinado tema ou problema de pesquisa.
Os dados encontrados são frequentemente analisados por meio de
métodos interpretativos, como análise de conteúdo, análise temática e
análise de narrativas, a fim de identificar padrões e tendências
subentendidas (Marconi; Lakatos, 2022; Mattar; Ramos, 2021).
Os procedimentos da pesquisa (como, quando, onde, em quanto tempo) vão
depender dos instrumentos utilizados e dos sujeitos que vão compor a
amostra da pesquisa. A amostragem (ou seja, os sujeitos que participam da
pesquisa) é intencional; os participantes são selecionados combase em
critérios específicos que são relevantes para o tópico da pesquisa (Marconi;
Lakatos, 2022; Mattar; Ramos, 2021).
A pesquisa qualitativa é valiosa para explorar diferentes questões que estão
presentes na nossa realidade de maneira explícita ou implícita. Ela nos
auxilia a entender as motivações e a importância das pessoas em situações
determinadas, a desenvolver teorias e a construir uma compreensão mais
profunda de especificidades sociais e humanas. Ela complementa a
pesquisa quantitativa, que fornece informações numéricas e estatísticas,
permitindo uma visão mais completa e rica de um tópico de pesquisa.
Siga em Frente...
Tipos de abordagem qualitativa
Nós vimos que a pesquisa qualitativa busca se aprofundar sobre as formas
de apreensão e compreensão do mundo social a partir de seus significados,
das relações e representações humanas e sua intencionalidade.
Precisamos agora entender que, assim como existem diversas perspectivas
teóricas buscando compreender e explicar a realidade, também existem
diferentes formas de realizar a pesquisa por meio de métodos e técnicas
que sejam adequados aos objetivos da pesquisa. Vamos falar sobre as
pesquisas: exploratória, descritiva e explicativa (Shishito, 2018).
Pesquisa exploratória
A pesquisa exploratória é um tipo de investigação inicial que visa explorar
um tema ou problema pouco conhecido, para familiarizar o pesquisador
com esse tema ou para formular hipóteses mais precisas. Ela pode ser
utilizada no início de um estudo, quando há poucas informações disponíveis
sobre o assunto de interesse, ou quando se deseja adquirir uma
compreensão inicial antes de se realizar uma pesquisa mais detalhada.
Assim, a pesquisa exploratória é conduzida de maneira flexível e aberta; ela
pode ser feita a partir de pesquisa bibliográfica ou estudos de caso
(Shishito, 2018).
Podemos elencar quatro características relevantes da pesquisa
exploratória:
1. Familiarização com o tema: a pesquisa exploratória ajuda os
pesquisadores a se familiarizarem com um tema ou problema pouco
conhecido, a fim de compreender sua complexidade e nuances.
2. Identificação de questões relevantes: ela ajuda a identificar questões e
problemas importantes que merecem uma investigação mais
aprofundada.
3. Formulação de hipóteses iniciais: uma pesquisa exploratória pode
ajudar na formulação de hipóteses preliminares ou teorias que podem
ser testadas em estudos posteriores.
4. Geração de ideias para estudos futuros: ela pode gerar insights
importantes que podem orientar o desenvolvimento de estudos mais
detalhados no futuro.
Pesquisa descritiva
A pesquisa descritiva é um tipo de estudo que visa descrever características
de um grupo ou fenômeno estudado e permite também estabelecer a
relação entre eles. Ela se concentra em fornecer uma representação precisa
de fatos e características observáveis, sem manipulação das variações ou
tentativa de estabelecer relações de causa e efeito. Uma pesquisa descritiva
é frequentemente usada para responder perguntas sobre quem, o quê, onde,
quando e como algo acontece. Os dados podem ser coletados por meio de
questionários, observações estruturadas, entrevistas ou análise de dados
secundários. Os resultados de uma pesquisa descritiva ajudam a oferecer
uma compreensão mais profunda das características e padrões associados
àquilo que está sendo estudado. Eles fornecem uma visão geral de uma
população ou situação e podem ser úteis para fins de planejamento,
formulação de políticas, tomada de decisões e estabelecimento de
diretrizes para futuras investigações mais aprofundadas (Shishito, 2018; Gil,
2002).
Podemos citar quatro características relevantes da pesquisa descritiva:
1. Descrição de características: ela descreve características específicas
de uma população ou grupo, como comportamentos, atitudes, opiniões
e características demográficas.
2. Documentação de dados observáveis: uma pesquisa descritiva
documenta e registra informações observáveis e mensuráveis
relacionadas ao objeto de estudo.
3. Identificação de tendências: ela ajuda a identificar padrões ou
tendências que podem estar presentes em uma população ou grupo.
4. Formulação de hipóteses posteriores: ela pode fornecer uma base
para o desenvolvimento de hipóteses ou teorias mais precisas que
podem ser testadas em estudos subsequentes.
Pesquisa explicativa
A pesquisa explicativa é um tipo de investigação que se concentra em
identificar e explicar as relações de causa e efeito entre diferentes variáveis.
Ela vai além da descrição de um determinado assunto/fenômeno, buscando
explicar por que e como certos eventos ocorreram. Ao contrário da
pesquisa descritiva, que se concentra na descrição de características, a
pesquisa explicativa tenta fornecer uma compreensão mais profunda das
relações entre variáveis, muitas vezes testando hipóteses causais. Os
pesquisadores podem conduzir pesquisas explicativas de diferentes
maneiras: experimentos controlados, estudos longitudinais, estudos de
caso comparativos e até mesmo a análise estatística avançada. Os
resultados dessas pesquisas contribuem para o avanço do conhecimento
em uma área específica, fornecendo maior clareza sobre as relações entre
variáveis e ajudando a estabelecer uma base teórica mais sólida (Shishito,
2018; Gil, 2002).
Podemos citar quatro características relevantes da pesquisa explicativa:
1. Identificação de relações de causa e efeito: ela procura identificar e
explicar as relações de causa e efeito entre diferentes variáveis,
ajudando a estabelecer a ligação entre as variáveis independentes e
dependentes.
2. Validação de hipóteses: a pesquisa explicativa muitas vezes envolve a
formulação e teste de hipóteses, com o objetivo de confirmar ou
refutar relações causais postuladas entre variáveis.
3. Compreensão de fatores implícitos: ela busca entender os fatores
implícitos que ligam as variáveis e como esses mecanismos
influenciam os resultados observados.
4. Generalização de resultados: a pesquisa explicativa pode ajudar na
generalização dos resultados para além do contexto específico do
estudo, contribuindo para teorias e modelos mais abrangentes.
Intrumentos para coleta de dados
Existem vários instrumentos e técnicas de coleta de dados que podem ser
usados em diferentes tipos de pesquisas; cada instrumento tem suas
próprias vantagens e limitações, e a escolha do instrumento mais adequado
depende dos objetivos e da natureza da investigação. Ao selecionar um
instrumento de coleta de dados, é importante considerar a validade,
confiabilidade e praticidade do instrumento, bem como a capacidade de
obter as informações possíveis para responder às perguntas de pesquisa.
Vamos analisar o Quadro 1 a seguir para conhecer alguns desses
instrumentos:
Questionários
São formas estruturadas de coleta de dados que
geralmente consistem em uma série de perguntas
pré-determinadas, fechadas ou abertas, que podem
ser administradas em formato físico ou digital.
Entrevistas
Entrevista estruturada: as perguntas são pré-
determinadas e feitas na mesma ordem para todos
os entrevistados. Elas são padronizadas para
garantir consistência nas respostas e facilitar a
comparação entre os entrevistados.
Entrevista não estruturada (aberta): não há um
roteiro fixo de perguntas. O entrevistador tem mais
liberdade para explorar tópicos de interesse e
permitir que o entrevistado responda de forma mais
aberta. Esse tipo de entrevista é mais flexível e
permite uma análise mais aprofundada dos temas
discutidos.
Entrevista semiestruturada: combina elementos de
entrevistas estruturadas e não estruturadas. O
entrevistador segue um roteiro de perguntas
predefinidas, mas também tem a liberdade de
explorar tópicos adicionais que podem surgir
durante uma entrevista. Isso proporciona um
equilíbrio entre a consistência das perguntas
estruturadas e a flexibilidade para abordar temas
mais complexos.
Observações
Observação direta: os pesquisadores observam o
comportamentoDessa forma, o conhecimento religioso (ou teológico) pode se enriquecer do
conhecimento empírico, especialmente das tradições culturais e religiosas
cultivadas ao longo do tempo. Por exemplo, na preservação dos mitos
gregos de que os deuses reinavam nos céus, apropriada pelas religiões
politeístas.
A religião pode ser considerada uma forma de explicar a relação dos
indivíduos com a natureza, com os acontecimentos cotidianos e o sentido
da vida, ou seja, é uma visão de mundo que tem respostas próprias para as
questões que nos cercam. Assim, existe a crença de que tudo à nossa volta
acontece pela vontade de energias/entidades superiores/sobrenaturais
(Aranha; Martins, 2003). Podemos compreender então que a fé religiosa é a
responsável por sustentar o conhecimento religioso.  
É fato que existem diferentes crenças religiosas ao redor do mundo. Isto
posto, compreendemos que as diferentes crenças possuem os seus
próprios elementos, rituais, códigos de conduta que os regem; por exemplo:
o cristianismo, o judaísmo, as religiões de matriz africana, etc. Por outro
lado, o que elas têm em comum é que são centradas na fé, se baseiam em
verdades reveladas por Deus ou pelas divindades que cultuam. Por isso, as
religiões são consideradas dogmáticas, por se basearem em verdades,
fundamentos que não podem ser discutidos ou contestados (Gallo, 2016).
Esse tipo de conhecimento requer um elemento-chave para alcançá-lo, ao
menos da forma como defenderam diversos pensadores da Idade Média,
como Santo Agostinho, que é a iluminação religiosa como método para
conhecer a verdade ou a Deus. Assim, suas evidências não são verificadas,
não há preocupação com a racionalização e nem necessidade de
comprovação para que algo seja aceito como verdade, muitas vezes como
verdade absoluta. Por ser valorativo, o conhecimento religioso também
pode ser carregado de preconceitos e noções pré-estabelecidas sobre
diversas questões; por isso, devemos nos atentar a tais quesitos.
Conhecimento filosófico
“Só sei que nada sei!” Essa talvez seja a frase mais conhecida do filósofo
grego Sócrates, que viveu entre 470 e 399 a.C. Mas há quem diga que a
frase de Sócrates não foi exatamente essa, criando toda uma discussão a
respeito do assunto. Fato é que a frase nos leva a um dos pilares da
Filosofia: o pensamento crítico e reflexivo. Pensar de uma maneira crítica e
reflexiva nos permite interpretar a realidade em que estamos inseridos,
buscando por respostas que não estão prontas, que não se configuram
como verdades absolutas. Assim, permite-nos buscar possíveis relações de
causa e efeito entre os fenômenos e, a partir de escolhas mais racionais,
ressignificar a realidade em que estamos inseridos. Portanto, podemos
compreender que a Filosofia e o conhecimento filosófico se estruturam a
partir da razão (Aranha; Martins, 2003).
O conhecimento filosófico é amplo, abarcando diversos posicionamentos
ao longo da história da filosofia, especialmente o empírico e o racionalista.
Vamos nos aprofundar no empirismo e no racionalismo na próxima aula,
mas, basicamente, os filósofos empiristas entendiam que nossos
conhecimentos vinham da experiência, de tudo aquilo que vivemos. Já os
racionalistas defendiam que temos ideias inatas, nascemos com elas,
portanto, adquirimos conhecimento por meio da razão. Esse embate
epistemológico persistiu até a Idade Média e até mesmo atualmente. Há
diferentes olhares e diferentes interpretações a respeito de um mesmo
fenômeno (Gallo, 2016).
Assim como o senso comum e o conhecimento religioso, o conhecimento
filosófico se constituiu como uma visão de mundo a respeito de tudo o que
nos cerca, estando fundamentado na lógica, na argumentação, na
construção e na definição de conceitos. “Os conceitos não estão prontos e
acabados, mas estão sempre sendo criados e recriados, dependendo dos
problemas enfrentados a cada momento” (Gallo, 2016, p. 13). Desse modo,
a filosofia é de suma importância para nós, uma vez que nos auxilia na
compreensão da nossa existência, na reflexão sobre nossos valores e
posicionamentos frente às mais diversas situações.
Podemos entender que, em muitos momentos, a filosofia mantém com o
conhecimento religioso ou com o senso comum uma relação conflituosa,
uma vez que ela vai questionar as respostas prontas e as verdades
absolutas por eles apresentadas. Por outro lado, o conhecimento filosófico
apresenta maior afinidade com perspectivas mais abertas de
conhecimento, como o científico, por exemplo, em que o questionamento e
a correção são possíveis. Assim, é possível entender que o conhecimento
filosófico possui uma relação de absorção com o conhecimento científico,
contribuindo para o fornecimento de um tratamento conceitual adequado e
o levantamento de problemas sobre a realidade.
Vamos Exercitar?
Você se lembra dos três alunos que foram questionados pelo professor de
Filosofia sobre três pontos específicos? Agora que já compreendemos as
características do senso comum, do conhecimento religioso e do
conhecimento filosófico, é hora de pensar como esses alunos podem ter
respondido aos seguintes questionamentos:  
1. De onde viemos?
2. Para onde vamos após a morte?
3. Por que estamos aqui?
Cada aluno, a partir da sua visão de mundo, adotou uma postura diferente
em relação às respostas. Lucas, que vê o mundo a partir do conhecimento
religioso ligado ao cristianismo, atribuiu nossa origem à criação divina,
entendendo que o nosso maior propósito no mundo é servir a Deus;
também respondeu que, após a morte, vamos para o paraíso ou o inferno,
dependendo de como agimos durante nossas vidas. Saulo interpreta as
questões a partir do ponto de vista filosófico; assim, ele levantou outros
questionamentos, por exemplo, sobre os conceitos de morte e vida, o
conceito de origem e evolução, para refletir sobre as questões propostas.
Por fim, Daniel, por meio do senso comum, respondeu que depende do
contexto. Um indiano, provavelmente, responderia com base em suas
crenças culturais regionais, manifestando explicações de caráter hinduísta.
Nesse sentido, como foi explicado no texto, o conhecimento popular
absorve aspectos de outros conhecimentos que são incorporados
fortemente pela cultura.
Saiba Mais
1. Para conhecer mais sobre os diferentes tipos de conhecimento e a
relação de constituição entre eles, leia o artigo “Ciência, senso comum
e revoluções científicas: ressonâncias e paradoxos”, de Marivalde
Moacir Francelin.
FRANCELIN, Marivalde Moacir. Ciência, senso comum e revoluções
científicas: ressonâncias e paradoxos. Ciência da Informação, Brasília,
v. 33, n. 3, p. 26-34, dez. 2004.
2. Vamos falar de fé e respeito? Você sabia que o número de denúncias
de intolerância religiosa no Brasil aumentou 106% em apenas um ano?
Embora a liberdade religiosa seja assegurada pela Constituição, os
https://www.scielo.br/j/ci/a/ZmhGpGCb8DnzGYmRBfGWNLy/abstract/?lang=pt#
https://www.scielo.br/j/ci/a/ZmhGpGCb8DnzGYmRBfGWNLy/abstract/?lang=pt#
números apontam para a necessidade de uma mudança cultural; para
isso, é necessário muito diálogo. Como podemos trabalhar a favor da
liberdade religiosa?
Para se aprofundar nessas questões, ouça o episódio “Jesus e Exu:
Diálogos possíveis” do podcast Mamilos. Nesse episódio, há dois
convidados. Um deles é Claudia Alexandre, mestre e doutora em
Ciências da Religião; ela também é egbomi de Oxum e pesquisadora do
carnaval e das religiosidades de matriz africana. O outro é Leandro
Rodrigues, pastor e teólogo, presidente da Igreja Habitar, Líder do
Colegiado de Pastores e do Conselho Eclesiástico.
3. Saber mais a respeito do conhecimento filosófico é fundamental para
conseguirmos refletir a respeito de questões pertinentes ao nosso
cotidiano. Vamos adentrar nesse caminho lendo o capítulo a seguir, do
livro: Filosofia: Textos Fundamentais Comentados. Bons estudos!
BAKER, Ann. O que é filosofia? In: BONJOUR, Laurence; BAKER, Ann.
Filosofia: Textos fundamentais comentados. 2ª ed. Portodos participantes sem intervenção.
Isso pode ser feito de forma participante ou não
participante.
Observação estruturada: os pesquisadores seguem
um protocolo específico e registram o
comportamento observado de acordo com
categorias predefinidas.
Análise de Documentos
Envolve a coleta e análise de documentos relevantes,
como registros oficiais, relatórios, artigos
acadêmicos, jornais, entre outros, que podem
fornecer informações úteis para a pesquisa.
Testes e Avaliações
Psicométricas
Testes de personalidade, inteligência, habilidades e
outros tipos de avaliações psicométricas são usados
 para coleta de dados em pesquisas psicológicas e
educacionais.
Testes e Experimentos
Podem ser usados para coleta de dados em um
ambiente controlado, permitindo a manipulação de
variáveis independentes para observar os efeitos
sobre as variáveis dependentes.
Diário de Campo
Utilizado amplamente na etnografia, é uma
ferramenta na qual os pesquisadores registram
observações, reflexões, notas e eventos relevantes
relacionados ao seu estudo.
Grupos Focais
São sessões de discussão em grupo, geralmente
compostas por participantes que reúnem
características semelhantes, com o objetivo de
explorar atitudes, percepções e experiências em
torno de um tópico específico.
Quadro 1 | Instrumentos e técnicas para coleta de dados. Fonte: elaborado
pela autora.
Vamos Exercitar?
Compreendemos os princípios de uma pesquisa qualitativa, olhamos para
os sujeitos, instrumentos e procedimentos e entendemos as características
da pesquisa exploratória, descritiva e explicativa. Você se lembra da nossa
situação inicial? Um assistente social de uma escola estadual tem notado
que os professores têm apresentado alto nível de stress, muitas faltas e
têm se queixado de adoecimento. De que maneira uma pesquisa poderia
ser desenvolvida para levantar os possíveis fatores causadores desses
sintomas?  
Inicialmente, poderia ser realizada uma pesquisa exploratória, buscando
estudos que já tenham sido feitos anteriormente e que relatem possíveis
causas de stress, desânimo, falta de motivação em professores que atuam
na faixa etária da escola em quem ele trabalha. Feito isso, poderia ser
proposta a realização de grupos focais nas horas-atividades dos
professores, de modo que fossem realizadas discussões nas quais os
professores pudessem expor seu ponto de vista a respeito da rotina escolar
e das questões que os têm afligido. Também podem ser realizadas
entrevistas abertas ou semiestruturadas com os professores, com questões
direcionadas a motivação/desmotivação, stress, cansaço, etc.
Saiba Mais
1. É fundamental compreender a diferença entre a realização de uma
pesquisa qualitativa e uma pesquisa quantitativa. A partir disso, é
possível pensar nos sujeitos da pesquisa, nos instrumentos para coleta
de dados e nos procedimentos para sua realização. Assim, leia o
Capítulo 8, “Metodologia qualitativa e quantitativa”, de Marconi e
Lakatos (2022) para se aprofundar no assunto.
MARCONI, Marina de Andrade.; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia
qualitativa e quantitativa. In: MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS,
Eva Maria. Metodologia científica. 8ª ed. Barueri: Atlas, 2022. p. 295-
344.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559770670/epubcfi/6/32[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter08]!/4
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2. O uso de diferentes técnicas de coleta e análise de dados, bem como
dos métodos de pesquisa, pode ser um forte aliado no momento da
condução da pesquisa científica. Precisamos compreender que em
alguns momentos esses métodos e técnicas podem não ser
compatíveis entre si, mas em outros eles podem e devem ser utilizados
de forma aliada no desenvolvimento das pesquisas. Isso contribui para
maior riqueza no momento da exploração e para o aprofundamento no
tema estudado. Considerando essas questões, leia o artigo:
“Perspectivas metodológicas na pesquisa sobre o comportamento do
consumidor”, de Tonetto, Brust-Renck e Stein (2013). Os autores
mostram como a pesquisa exploratória, descritiva e experimental
podem ser utilizadas na compreensão do perfil de um consumidor.
 
 
Referências Bibliográficas
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de
Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Ltc, 2016.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo:
Atlas, 2002.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia científica.
8ª ed. Barueri: Atlas, 2022.
MATTAR, João; RAMOS, Daniela Karine. Metodologia da pesquisa em
educação: abordagens qualitativas, quantitativas e mistas. São Paulo:
Edições 70, 2021.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e
criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
SHISHITO, Katiani Tatie. Pesquisa aplicada às Ciências Sociais. Londrina:
Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018.
https://www.scielo.br/j/pcp/a/b4YYN9wycwMHNhdMn9dVXsv/#
https://www.scielo.br/j/pcp/a/b4YYN9wycwMHNhdMn9dVXsv/#
Encerramento da Unidade
CIÊNCIA E PESQUISA
Videoaula de Encerramento
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é
“aprender sobre o conhecimento científico e suas aplicações no mundo real,
evidenciando suas consequências práticas e implicações nas tomadas de
decisão e a partir dessa reflexão, entender as diferentes perspectivas da
pesquisa científica”, você deverá primeiramente compreender algumas
características do conhecimento científico, entender as diferenças entre as
pesquisas qualitativas e quantitativas e a importância da leitura para a
construção das pesquisas acadêmicas.
Embora a ciência leve em consideração um conjunto de procedimentos
teóricos, experimentais e éticos ao longo de sua investigação e construção
de conhecimento, existem diversas ferramentas formais que contribuem
para sua melhor objetividade, evitando as armadilhas da linguagem
corriqueira e a subjetividade interpretativa.
O conhecimento científico é uma forma de conhecimento que se baseia em
evidências empíricas e segue um processo sistemático de investigação,
análise e interpretação. Ele se distingue de outras formas de conhecimento
por sua abordagem objetiva e verificável, que segue métodos específicos e
rigorosos para a obtenção de resultados confiáveis, sendo fundamental
para o avanço do entendimento humano sobre o mundo. As suas
características, como a falibilidade, a acumulabilidade e a verificabilidade,
também contribuem para que se perceba o porquê é possível confiar nos
conhecimentos produzidos pela ciência.
Nesse contexto, a leitura é imprescindível para a construção de pesquisas
que sejam baseadas em conhecimentos confiáveis. Ela é essencial para
adquirir uma compreensão mais aprofundada e abrangente do assunto em
estudo. Permite que os pesquisadores direcionem seus esforços para áreas
que ainda não foram exploradas ou que possam ser investigadas de
maneira mais aprofundada. É por meio da leitura que os pesquisadores
podem estabelecer uma base teórica sólida para fundamentar suas
pesquisas. Isso ajuda a estruturar o pensamento e a construir um
arcabouço conceitual para a análise dos dados e a interpretação dos
resultados. Em suma, a leitura é um componente essencial do processo de
pesquisa, fornecendo uma base sólida de conhecimento, estimulando o
pensamento crítico e auxiliando na construção de uma pesquisa robusta e
bem fundamentada.
Quando pensamos em diferentes tipos de pesquisas ou diferentes
abordagens metodológicas precisamos ter claro que essas diferenças em
muitos momentos se complementam na realização das pesquisas. A
pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa são dois métodos distintos de
investigaçãousados no campo científico, cada um com suas próprias
características e aplicabilidades. Ambos os métodos desempenham papéis
importantes na produção de conhecimento científico; a escolha entre eles
depende dos objetivos específicos da pesquisa, das perguntas que se
pretendem responder e das especificidades do estudo. Muitas vezes, os
pesquisadores optam por combinar esses métodos para obter uma
compreensão mais completa e abrangente das informações em análise.
Enquanto uma pesquisa qualitativa ajuda a entender a complexidade e o
contexto por trás de uma especificidade, uma pesquisa quantitativa fornece
números e dados precisos que podem ser analisados estatisticamente. Ao
combinar essas abordagens, os pesquisadores podem obter uma
compreensão mais abrangente e profunda de um tópico específico. Essa
abordagem flexível permite que os pesquisadores adaptem sua
metodologia de acordo com as necessidades da pesquisa. Em resumo, as
pesquisas qualitativas e quantitativas não são mutuamente excludentes.
Pelo contrário, elas podem ser usadas de forma complementar para
fornecer uma visão mais completa e aprofundada de um determinado
assunto.
É Hora de Praticar!
Aliar pesquisa qualitativa e quantitativa é algo interessante na estruturação
da pesquisa e na justificativa/argumentação a respeito dos dados em
questão. Acesse o site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE)  e, na parte dos indicadores sociais, procure e analise os dados
referentes à escolarização e ao analfabetismo dos últimos anos.
Depois, busque as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação
(PNE – Lei nº. 13.005/2014). Atente-se especificamente para a “Meta 2 –
Universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda a população
de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo menos 95% (noventa e
cinco por cento) dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada,
até o último ano de vigência deste PNE [2024]”; e para a “Meta 9 – Elevar a
taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos ou mais para
93,5% (noventa e três inteiros e cinco décimos por cento) até 2015 e, até o
Reflita
Em tempos de profunda desinformação como os que vivemos, como o
ceticismo pode nos ajudar a construir um conhecimento verificável e
confiável?
Como a leitura acadêmica nos auxilia na produção de pesquisas
científicas?
https://www.ibge.gov.br/indicadores.html
https://www.ibge.gov.br/indicadores.html
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
final da vigência deste PNE [2024], erradicar o analfabetismo absoluto e
reduzir em 50% (cinquenta por cento) a taxa de analfabetismo funcional”
(BRASIL, 2014, [s. p.]).
Após realizar essas duas tarefas, responda aos seguintes questionamentos:
Como a análise dos dados estatísticos referentes ao analfabetismo e à
escolarização podem contribuir para a compreensão das metas propostas
no PNE e a verificação do cumprimento dessas metas? Bons estudos!
 
 
Reflita
Esse é um exemplo de como os dados estatísticos podem ser utilizados
também em análises qualitativas e em questões presentes no nosso
cotidiano. Como você pode trazer esses elementos para enriquecerem os
seus trabalhos acadêmicos e o seu ambiente profissional?
 
Resolução do estudo de caso
Os dados coletados pela Pesquisa Nacional de Amostras por Domício
(PNAD) tem por objetivo mostrar a situação socioeconômica do país por
meio de vários indicadores. Os dados referentes à educação compreendem
informações que abrangem condição de alfabetização, frequência a creche
ou escola, rede e área de ensino, grau de instrução, e gestão da educação,
entre outros aspectos. Por sua vez, o PNE determina diretrizes, metas e
estratégias para a política nacional educacional por um período de 10 anos.
O prazo de vigência do PNE que teve as Metas 2 e 9 apresentadas
anteriormente era de 2014 a 2024, ano previsto para a proposta de um novo
PNE.
Quando se analisam os dados divulgados pelo IBGE referentes à
escolarização de pessoas de 6 a 14 anos que frequentam a escola, percebe-
se que de 2016 (99,2%) até 2022 (99,4%) o percentual ficou praticamente
estagnado. Isso indica que a Meta 2 do PNE provavelmente não foi
cumprida, visto que se pretendia universalizar o ensino fundamental de 9
(nove) anos para toda a população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos.
Em relação ao analfabetismo, o percentual de pessoas analfabetas de 15
anos ou mais em 2016 era de 6,7% da população. Em 2022 esse percentual
caiu para 5,6%. A queda é pequena quando se pensa na Meta 9 do PNE, que
é elevar a taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos ou
mais para 93,5% até 2015 e, até o final da vigência do PNE, erradicar o
analfabetismo absoluto. O percentual de 2016 indicou que a meta estava
caminhando para ser concretizada, mas acabou estagnando. Considerando
que os dados de 2022 indicaram 94,4% da população alfabetizada, é
possível que não houve o atingimento da meta em 2024.
Esse é um exemplo de como os dados estatísticos podem ser utilizados
também em análises qualitativas e em questões presentes no nosso
cotidiano. Você pode trazer esses elementos para enriquecer os seus
trabalhos acadêmicos e profissionais.
Dê o play!
Assimile
Vamos analisar o esquema a seguir pensando na relação mútua que existe
entre os procedimentos do método científico, a leitura acadêmica e os
diferentes tipos de pesquisa.
Fonte: elaborada pelo autora.
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BRASIL. Plano Nacional de Educação – Lei n° 13.005/2014. Mec.gov, 2014.
Disponível em: https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-
educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014. Acesso em:
12 jan. 2024.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo:
Atlas, 2002.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia científica.
8ª ed. Barueri: Atlas, 2022.
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
TIPOS DE PRODUÇÃO
CIENTÍFICA
Aula 1
A ESCRITA CIENTÍFICA
A escrita científica
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Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
A realização de uma pesquisa científica é um processo que compreende
algumas etapas fundamentais para o seu bom desenvolvimento e para que
haja confiabilidade. A pesquisa pode ser de cunho teórico ou prático; o
imprescindível é que ela empregue o método científico na sua produção.
Outro critério importante a ser observado são as fontes utilizadas como
referências na construção da pesquisa. Assim, a busca pelas fontes
bibliográficas ou documentais disponíveis sobre o assunto é de grande valia
para o pesquisador.
Vamos pensar de uma maneira mais prática, para que você consiga aliar
esses elementos indispensáveis da pesquisa e consiga também pensar na
melhor forma de utilizá-los. Pense que você está buscando fontes de
referência para a construção do seu trabalho de conclusão de curso (TCC).
Essa fonte (seja um artigo, livro, capítulo de livro) precisa estar de acordo
com o assunto que você pretende desenvolver. Busque um artigo científico
em uma plataforma de pesquisa confiável (utilize como base a plataforma
da Scielo, Pepsic, Google Scholar, Web os Science ou o Banco de Teses e
Dissertações da Capes) e faça uma resenha sobre ele, se atentando para os
elementos que constituem a elaboração da resenha e pensando na
posterior utilização dela no seu TCC. Bons estudos!
Vamos Começar!
Para a investigação de um objeto de pesquisapodemos utilizar diferentes
fontes de investigação, como a bibliográfica, a de campo ou a de
laboratório. A investigação bibliográfica é aquela realizada a partir de livros,
artigos científicos, teses, dissertações (Marconi; Lakatos, 2024). Contudo,
precisamos nos atentar para as diferenças existentes entre o levantamento
bibliográfico e a revisão bibliográfica, que precisam ser realizados em
pesquisas de qualquer natureza. Vamos nos aprofundar nessas questões
para que essas diferenças fiquem bem demarcadas. Vamos falar também
da pesquisa documental, do resumo e da resenha, que são importantes
produções no âmbito acadêmico. Elas nos auxiliam em nossos estudos e
na elaboração de nossas pesquisas.  
Pesquisa bibliográfica
A pesquisa bibliográfica é uma atividade fundamental no processo de
produção de conhecimento científico. Ela envolve coleta, seleção e análise
de fontes bibliográficas relevantes para um determinado tema de estudo.
Uma pesquisa bibliográfica bem realizada é crucial para a fundamentação
teórica de trabalhos acadêmicos, como monografias, dissertações e teses;
ela é útil também para pesquisas em áreas profissionais (Marconi; Lakatos,
2024). Por meio da pesquisa bibliográfica, os pesquisadores buscam obter
uma compreensão aprofundada do estado atual do conhecimento sobre um
assunto específico, identificando lacunas na literatura existente e
fundamentando teoricamente suas investigações.
Ao realizar uma pesquisa bibliográfica, é importante utilizar uma variedade
de fontes e abordagens, a fim de garantir a abrangência e a profundidade
para a compreensão do tema em questão. Dessa forma, o pesquisador não
vai restringir a sua pesquisa a um único autor ou transformar o seu trabalho
em uma sequência de citações diretas, mesmo que elas façam sentido
naquele momento. O material bibliográfico precisa ser explorado de uma
maneira que o autor da pesquisa consiga articular as ideias e construir um
texto analítico e reflexivo a respeito do assunto em questão, e não apenas
realize um trabalho descritivo (Lima, 2004).
Além disso, é fundamental estar atento às últimas publicações e aos
avanços recentes na área de estudo, a fim de garantir que a pesquisa esteja
atualizada e contextualizada dentro do estado da arte. As fontes da
pesquisa bibliográfica são chamadas de fontes secundárias, pois
constituem-se de dados coletados por outras pessoas (Marconi; Lakatos,
2024). Assim, a pesquisa bibliográfica é um tipo de estudo que busca
consultar amplas bases de dados, sobretudo indexadores de artigos
científicos e livros-textos, cujo objetivo é buscar saber o quanto um
problema já foi estudado e o quão significativo é a sua evidência.
Podemos compreender algumas fases da pesquisa bibliográfica ou seguir
alguns passos para a sua realização:
1. Definição clara do tema: é fundamental delimitar com precisão o tema
de pesquisa. Quanto mais específico para o seu tópico, mais fácil será
encontrar fontes relevantes.
2. Palavras-chave: identifique as palavras-chave relacionadas ao seu
assunto. Essas palavras-chave serão usadas para as pesquisas em
catálogos de bibliotecas e bases de dados acadêmicos.
3. Identificação das fontes: é necessário identificar as principais fontes
de informação, tais como livros, artigos científicos, teses, dissertações,
relatórios técnicos, entre outros, que sejam relevantes para o tema em
questão.
4. Seleção criteriosa: deve-se realizar uma seleção criteriosa das fontes
mais relevantes e confiáveis, levando em consideração a sua
qualidade, atualidade e relevância.
5. Análise dos resumos: ao revisar os resultados da pesquisa, examine
os resumos das fontes para determinar se eles são pertinentes ao seu
assunto.
�. Leia os textos completos: depois de identificar fontes relevantes, leia
os textos completos para obter uma compreensão aprofundada do
conteúdo.
7. Organização e síntese: é essencial organizar e sintetizar as
informações coletadas de forma clara e objetiva, destacando os
principais pontos relevantes e as contribuições de cada fonte para o
tema de pesquisa.
�. Referenciação adequada: é imprescindível realizar a referência
bibliográfica correta de todas as fontes utilizadas, obedecendo às
normas de citação e referência obrigatórias na área de estudo.
Levantamento bibliográfico
O levantamento bibliográfico é fundamental para todo tipo de pesquisa
acadêmica e científica, pois consiste na busca, seleção e coleta de fontes
de informação relevantes sobre um determinado tema de estudo. Esse
processo ajuda a identificar os principais trabalhos, artigos, relatórios e
outros tipos de materiais que contribuem para a pesquisa. Um
levantamento bibliográfico abrangente fornece uma base sólida para o
desenvolvimento de uma pesquisa original; por isso, é fundamental acessar
plataformas confiáveis de busca.
Precisamos nos atentar para o fato de que não é possível acessar ou
coletar tudo o que já foi publicado sobre um determinado assunto quando
estamos realizando uma pesquisa. Por isso, devemos deixar bem
demarcado o recorte realizado pelo estudo, os autores que serão utilizados
como referência e a perspectiva teórica que irá orientar o estudo. Dessa
forma o leitor consegue acompanhar o raciocínio desenvolvido pelo
pesquisador no momento de elaboração da pesquisa e fica mais coerente
acompanhar o caminho trilhado na construção do conhecimento.
Revisão bibliográfica
A fase de revisão bibliográfica é comumente confundida com a fase do
levantamento bibliográfico, mas precisamos ter claras as suas diferenças. A
revisão é a fase de leitura, o momento de aprofundamento do pesquisador
em relação ao tema em questão. Não é possível escrevermos sobre algo
que não conhecemos ou sobre algum assunto que não dominamos; assim,
a leitura é essencial para conhecermos de maneira aprofundada o tema da
pesquisa, a fim de podermos falar com propriedade sobre ele.
Essa etapa da construção do conhecimento também está presente em
todas as pesquisas científicas, visto que é por meio dela que se buscará
construir a base teórica da pesquisa. Precisamos nos lembrar que a revisão
bibliográfica é um processo contínuo; dessa forma, é necessário continuar
atualizando-a à medida que a pesquisa progride e as novas fontes são
publicadas. A revisão bibliográfica bem elaborada não apenas oferece um
embasamento teórico consistente para a pesquisa, mas também ajuda a
identificar as perspectivas promissoras para futuras investigações e
contribui para o desenvolvimento do conhecimento em determinada área.
Diante disso, é possível admitir que, em geral, as pesquisas são também
pesquisas bibliográficas, visto que não se pode desenvolver uma boa
pesquisa sem os elementos citados anteriormente. No entanto, isso não
significa que não se pode realizar ‘somente uma pesquisa bibliográfica’ em
uma investigação. Não significa que o pesquisador produzirá mais do
mesmo ou apenas reproduzirá conhecimentos que já estão dados. A
pesquisa bibliográfica oferece meios para que sejam exploradas áreas que
ainda carecem de análise, permite que sejam levantadas novas hipóteses e
novos questionamentos, o que favorece um novo enfoque sobre o problema
e soluções inovadoras (Marconi; Lakatos, 2024).
Pesquisa documental
A pesquisa documental é particularmente útil para a realização de estudos
históricos, estudos sociais, análises de políticas públicas, análises de
conteúdo e outras investigações que dependem da análise de fontes de
documentos escritos ou audiovisuais. Ela fornece uma compreensão
aprofundada e contextualizada de eventos, processos e questões relevantes
em diversas áreas do conhecimento. A pesquisa documental é um tipo de
investigação que envolve a coleta e análise de documentos escritos,
imagens, gravações de áudio, vídeos e outros materiais que possam
fornecer informações relevantes sobre um tema específico. Esses
documentos incluem registros oficiais, relatórios, correspondências, leis,
regulamentos, jornais, revistas,fotografias, filmes, entre outros tipos de
fontes primárias e secundárias (Marconi; Lakatos, 2024).
As fontes primárias são aquelas coletadas diretamente pelo pesquisador;
as secundárias foram coletadas/produzidas por outra pessoa. É importante
notar que a pesquisa documental requer habilidades de pesquisa e análise,
bem como acesso a uma variedade de fontes de documentos. Além disso, a
interpretação adequada dos documentos exige um entendimento profundo
do contexto em que foram produzidos e das limitações inerentes aos dados
documentais. Ao realizar uma pesquisa documental, é importante estar
atento para as seguintes questões:
1. Definição clara do objetivo: estabelecer claramente os objetivos e
questões de pesquisa que orientarão a coleta e análise dos
documentos relevantes.
2. Identificação das fontes e coleta dos dados: identificar as fontes
potenciais de documentos pertinentes ao assunto da pesquisa,
incluindo arquivos, bibliotecas, instituições governamentais, museus,
meios de comunicação, entre outros. É importante verificar a
disponibilidade e acessibilidade desses documentos para garantir que
você tenha acesso a eles.
3. Análise e interpretação dos documentos: analisar criticamente o
conteúdo dos documentos encontrados, identificando padrões,
tendências, contradições e lacunas de informação que possam ajudar
a responder às questões de pesquisa.
4. Triangulação de fontes: procurar utilizar uma variedade de fontes
documentais para corroborar e complementar os dados obtidos,
garantindo a validade e a confiabilidade das conclusões tiradas da
pesquisa documental.
5. Citações e referências: citar corretamente todas as fontes utilizadas e
fornecer as referências de acordo com as normas da ABNT.
Siga em Frente...
Resumo, resenha e recensão
A habilidade de escrita é fundamental ao pesquisador e a qualquer
profissional. Saber escrever bem é uma das premissas para uma boa
comunicação. É impreterível que o bom leitor e o bom escritor
compreendam que um texto não é um apanhado de frases que soam bem
quando lidas de forma conjunta. É preciso haver conexão entre as partes do
texto, que elas estejam ligadas, conversem entre si e indiquem uma direção
bem definida ao leitor. É preciso compreender que o texto é uma unidade e
o que o define não é a sua extensão, mas sim o seu significado. Assim,
praticar a leitura e a escrita é um bom começo para que essas habilidades
sejam desenvolvidas. Resumos, resenhas e recensões são bons exemplos
de como é possível praticar; trata-se de produções que são solicitadas no
meio acadêmico e no nosso cotidiano (Medeiros, 2000; Marconi, Lakatos,
2024).
Resumo
O resumo é a sintetização objetiva do conteúdo de um texto original,
apresentando apenas os pontos principais e as principais ideias do autor.
Um resumo é mais curto que o texto original e deve transmitir de forma
clara e concisa o contexto, os objetivos, as principais descobertas e
conclusões do texto original. Para escrever um resumo eficaz, é importante
identificar as principais ideias do texto, omitir detalhes menos relevantes e
manter a precisão e a fidelidade ao conteúdo original. A ABNT NBR 6028
(2021, p. 1) define como os resumos devem ser apresentados, fazendo a
diferenciação entre resumo indicativo e resumo informativo.
Resumo indicativo: trabalho que indica os pontos principais do
documento sem apresentar detalhamentos, como dados qualitativos e
quantitativos, e que, de modo geral, não dispensa a consulta ao
original.
Resumo informativo: trabalho que informa finalidades, metodologia,
resultados e conclusões do documento, de tal forma que possa,
inclusive, dispensar a consulta ao original.
Em relação à extensão, a norma estabelece que é indicado que os resumos
tenham entre “150 a 500 palavras nos trabalhos acadêmicos e relatórios
técnicos e/ou científicos; 100 a 250 palavras nos artigos de periódicos; 50 a
100 palavras nos documentos não contemplados nas alíneas anteriores”
(Abnt, 2021, p. 2). Se o resumo não fizer parte de um documento (um artigo
ou um TCC, por exemplo), ele deve ser precedido pela referência do texto a
que se refere. Ao resumir, o autor deve usar preferencialmente a terceira
pessoa e as palavras-chave devem ser apresentadas logo abaixo do texto,
grafadas em letras minúsculas, separadas entre si por ponto e vírgula e
finalizadas com ponto. Veja a seguir o exemplo de um resumo.
Quadro 1 | Exemplo de resumo. Fonte: Mariano, Franco e Oliveira (2021,
361).
Resenha e recensão
RESUMO: Os conteúdos escolares, independente da etapa de ensino a que se
destinam, quando ministrados de forma plena e não fragmentada, possibilitam
a formação do sujeito omnilateral. Além de formar o sujeito omnilateral, cabe
também ao professor motivar seus alunos durante as aulas para que eles vejam
os conteúdos de forma interessante e próximas à sua realidade. O presente
estudo teve como objetivo refletir acerca da ação docente exercida durante a
realização do estágio obrigatório em docência no curso de Doutorado em
Educação de uma universidade do norte do Paraná. Teve também como
objetivo refletir acerca da percepção da motivação apresentada pelos alunos
matriculados na disciplina em que o estágio foi exercido. As reflexões contidas
no presente estudo foram feitas à luz dos pressupostos teóricos do
Materialismo Histórico e Dialético, da Teoria da Autodeterminação e também
dos relatos feitos pela turma em que o estágio foi realizado.
 
PALAVRAS-CHAVE: Estágio. Docência. Materialismo histórico. Motivação.
Segundo a ABNT (2021, p. 1), a resenha é a “análise do conteúdo de um
documento, objeto, fato ou evento”, a recensão é a “análise crítica, descritiva
e/ou comparativa, geralmente elaborada por especialista”. A resenha e a
recensão podem ser entendidas como uma análise crítica e avaliativa de um
livro, artigo, filme ou qualquer outra obra. Geralmente incluem uma síntese
do conteúdo, juntamente com uma avaliação subjetiva do trabalho. Podem
ser abordados vários aspectos da obra, incluindo a estrutura, o estilo de
escrita, os pontos fortes e fracos, as contribuições para o campo, as
questões levantadas e a relevância do trabalho em relação a outros textos
ou obras relacionadas.
Ao escrever uma resenha ou uma recensão, é importante fornecer um
resumo do conteúdo do texto, seguida de uma análise crítica que destaca
os méritos da obra. É essencial fundamentar as avaliações e os argumentos
em evidências concretas retiradas do texto original ou de outras fontes
relevantes. A ABNT NBR 6028 (2021) destaca que a resenha e a recensão
não estão sujeitas a limite de palavras, não devem ser elaboradas em
tópicos, não devem ser elaboradas pelo autor do texto ou objeto que é foco
da análise e devem ser precedidas pela referência quando forem publicadas
separadas destes.
Na escrita do resumo, da resenha e da recensão, é importante que o texto
escrito seja claro, conciso, coeso e coerente. Um texto claro é aquele que é
fácil de ser compreendido ou entendido. O texto conciso é aquele resumido
ao essencial, sintetizado em poucas palavras, preciso, sucinto. A coesão se
refere ao uso correto dos aspectos gramaticais, conectando os elementos
do um texto, deixando-o claro e compreensível. Por fim, o texto coerente é
aquele que é lógico. Todas essas características precisam ser observadas
na escrita de um bom texto acadêmico, de qualquer tipo. É indispensável o
leitor compreender a mensagem a ser transmitida pelo autor do texto. O
Quadro 2 a seguir apresenta o exemplo de uma resenha:
Referência
Bibliográfica
ANDRADE, Mário de. Querida Henriqueta: cartas de
Mário de Andrade a Henriqueta Lisboa. Rio de Janeiro:
José Olympio, 1991. 214 p.
Informações sobre o
autor
Já foram publicadas cartas de Mário de Andrade a
Manuel Bandeira, a Oneyda Alvarenga (Mário de
Andrade: um pouco), a Carlos Drumond de Andrade (A
lição do amigo) e Anita Malfatti. Em todas elas, é
possível verificar a surpreendente revelação da
personalidadede Mário de Andrade, seus
conhecimentos, suas preocupações, sua dedicação à
arte, o entusiasmo com que tratava os escritores
iniciantes.
Gênero da obra Em Querida Henriqueta, reunião de cartas de Mário à
poetisa Henriqueta Lisboa, Mário é tão generoso quanto
o fora em A lição do amigo, tão competente quanto o
fora nas cartas à Manuel Bandeira. A exposição é
sempre franca, os temas abordados variados e a
profundidade e o valor humano notáveis. Para alguns, as
cartas de Mário, em seu conjunto, estão no mesmo nível
que suas criações literárias.
Resumo É possível ver nas cartas o interesse de Mário pela
motivação dos iniciantes analisando com dedicação e
competência tudo que lhe chegava às mãos. Há em seu
comportamento o sentido quase de missão estética. As
recomendações são as mais variadas: ora sugere
alterações, ora a supressão, ora o cuidado com o ritmo,
ora com as manifestações de conteúdo cultural. Não é o
mestre que fala, mas o amigo. Não é o professor, mas o
artista experiente, que sabe o que diz e por que o diz,
que tem consciência de tudo o que fala, que leva o
trabalho artístico muito a sério. As considerações são,
Quadro 2 | Exemplo de resenha. Fonte: Medeiros (2000, p. 143).
Vamos Exercitar?
Agora que já conhecemos as características de uma pesquisa bibliográfica
e uma pesquisa documental, compreendemos a diferença entre
levantamento bibliográfico e revisão bibliográfica, bem como as diferenças
entre resumo e resenha, é hora de retomarmos nossa situação inicial. Você
no entanto, apenas de ordem técnica. Mário de Andrade,
por sua argúcia crítica, penetra na análise psicológica.
Assim, examina os retratos feitos por diversos artistas,
como Portinari, Anita Malfatti, Lasar Segall. Segundo ele,
Segall ter-se-ia fixado em seu lado obscuro, quase
oculto, malévolo de sua personalidade. A relação
angustiada do autor de Macunaíma consigo mesmo
aparece nas cartas a Henriqueta Lisboa. Da mesma
forma, aparecem o problema do remorso e da culpa, o
cansaço diante da propaganda pessoal, do prestígio, da
notoriedade, da polêmica. Não silencia sequer a análise
das relações com a família. Aqui, não é a imagem de
Mário revolucionário e exuberante que apresenta. Não.
Também não há lamentações: tudo é exposto com
extrema lucidez quanto às virtudes e defeitos. Mário
abre o coração numa confidência de quem acredita na
amiga e nas relações humanas.
Apreciação As cartas foram escritas de 1939 a 1945, quando Mário
veio a falecer. E são mais do que uma fonte de
informação ou depósito de ideias estéticas: são um
retrato de seu autor, com suas angústia e expansões de
alegria, de emoção e de rigidez comportamental.
Recomendações A obra é indicada para todos os que se interessam pela
obra de Mário e sua poética, e alunos dos cursos de
Educação Artística e Letras.
está buscando fontes de referência para a construção do seu trabalho de
conclusão de curso (TCC). Você acessou uma plataforma como a Scielo e
encontrou um artigo científico que foi publicado no ano de 2022 com o
assunto que você pretende trabalhar. Agora você precisa elaborar uma
resenha sobre esse artigo, para posteriormente utilizá-la no seu TCC.
Você precisa se atentar para os elementos que são indispensáveis na
elaboração de um texto acadêmico e científico: clareza, coerência, concisão
e coesão. Também é indispensável se atentar para o fato de que as frases
não são um emaranhado de palavras juntas, elas precisam fazer sentido e,
como um todo, passar uma ideia geral para o leitor do texto, para que ele
compreenda a mensagem que se deseja transmitir.
Saiba Mais
1. As pesquisas bibliográfica e documental são relevantes na construção
do conhecimento e no entendimento da realidade em que nos
encontramos inseridos. Para que isso seja possível, o pesquisador
precisa compreender e dominar a maneira de condução e de realização
dessas pesquisas. Para saber mais sobre esse assunto, leia o capítulo
2 “Pesquisa Bibliográfica”, p. 44-75, do livro Metodologia do Trabalho
Científico, de Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos.
2. A resenha e o resumo são produções importantes utilizadas para a
construção do conhecimento. Eles permitem a elaboração de um
comentário crítico sobre um documento, um texto, um filme ou um
objeto de estudo. Para que você se familiarize com esse tipo de
produção, leia a resenha do livro “Urgências e emergências em saúde:
perspectivas de profissionais e usuários ”, escrita por Claudia Abbês
Baêta Neves.
 
Referências Bibliográficas
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6028:
Informação e documentação – Resumo, resenha e recensão –
Apresentação. 2ª ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2021.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597026559/epubcfi/6/22[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml9]!/4
https://app.uff.br/slab/uploads/texto80.pdf
https://app.uff.br/slab/uploads/texto80.pdf
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTOO, Luciana
Bernardo. Guia prático de monografias, dissertações e teses: Elaboração e
apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011.
LIMA, Manolita Correia. Monografia: a engenharia da produção acadêmica.
São Paulo: Saraiva, 2004.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do
trabalho científico: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográfica, teses de
doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª
ed. São Paulo: Atlas, 2024.
MARIANO, Maria Luzia Silva; FRANCO, Sandra Aparecida Pires; OLIVEIRA,
Katya Luciane de. Estágio em docência no curso de Doutorado em
educação: relatos de experiência. Revista Ibero-Americana de Estudos em
Educação, Araraquara, v. 16, n. 1, p. 361-375, jan./mar. 2021.
MEDEIROS, João Bosco. Redação científica: a prática de fichamentos,
resumos, resenhas. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2000.
SANTOS, Vanice dos; CANDELORO, Rosana. Trabalhos acadêmicos: uma
orientação para a pesquisa e normas técnicas. Porto Alegre: Age, 2006.
Aula 2
O PROJETO DE PESQUISA
O projeto de pesquisa
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Você já deve ter feito perguntas como “por quê?” e “como?” muitas vezes na
vida. Essa é uma facilidade especialmente das crianças. Nós nascemos
curiosos para saber a origem das coisas e a causas dos fenômenos que
observamos. A curiosidade é uma das características elementares do ser
humano, o qual encontrou muitas formas de sanar suas dúvidas; uma
dessas formas é a utilização do método científico para chegar à resposta de
um questionamento. Para a construção, estruturação e aplicação do
método científico no desenvolvimento da pesquisa, o pesquisador precisa
elaborar o projeto de pesquisa como etapa anterior. É a respeito dele que
vamos falar.
Pensemos na seguinte situação: você precisa elaborar o projeto de
pesquisa para o seu TCC. É um dos requisitos para a conclusão do curso.
No entanto, você ainda está sem inspiração em relação ao que trabalhar.
Conversando com alguns professores, eles o orientaram a pensar
inicialmente em um assunto que você goste e em como esse assunto
poderia ficar mais específico. Depois, você precisa ter um questionamento
para esse assunto, que seja interessante não somente para você. Se
possível, você deve pensar em uma hipótese. Vamos conhecer mais sobre o
projeto de pesquisa para poder executar essa tarefa?! Bons estudos!
Vamos Começar!
A ciência e a tecnologia estão presentes em nossa vida cotidiana em
diversos segmentos. Por trás de toda construção desses artefatos ou
conhecimentos, estão as perguntas; elas são muito importantes porque
configuram a motivação do cientista para iniciar uma investigação. Toda
pesquisa deve conter um problema a ser tratado ou uma pergunta como fio
condutor. Tais problemas ou perguntas possuem fontes diversas: podem
surgir a partir de conversa com familiares, de uma reflexão individual,de
uma conversa com colegas de faculdade ou trabalho. Porém, há uma série
de adaptações a serem feitas para que essa curiosidade inicial se torne
uma pergunta científica que possibilite o desenvolvimento de uma pesquisa.
No desenvolvimento da pesquisa, há a formulação inicial do problema, a
elaboração do projeto de pesquisa, a criação de um modelo de análise, a
coleta e análise de dados e a comunicação dos resultados. Saber conduzir
uma boa pesquisa é essencial tanto para a produção de conhecimento
básico, quanto para a produção de conhecimento aplicado, financiados por
empresas ou governos. O conhecimento dessas etapas e desses
procedimentos que envolvem todo o método científico não só possibilitará
o desenvolvimento de uma boa pesquisa, mas também exercitará o seu
pensamento crítico.
O que é o projeto de pesquisa?
O projeto de pesquisa pode ser entendido como um planejamento que vai
organizar o desenvolvimento da pesquisa. É um documento elaborado para
direcionar, nortear o desenvolvimento da pesquisa. Realizar uma pesquisa
sem a elaboração de um projeto é algo que se torna inviável, visto que isso
pode tornar o estudo confuso e muitas vezes sem a fundamentação
adequada devido a atividades desenvolvidas de maneira improvisada. A
falta de planejamento pode prejudicar tanto a condução da pesquisa quanto
os resultados obtidos e a confiabilidade do estudo (Crivelaro; Crivelaro;
Miotto, 2011).
De acordo com Crivelaro, Crivelaro e Miotto (2011, p. 25), podemos entender
o projeto de pesquisa como “um conjunto de perguntas: O que fazer? Por
que fazer? Para que fazer? Onde fazer? Como, com que, quanto e quando
fazer? Com quanto fazer? Como pagar? Quem vai fazer?”. Essas perguntas
servem como norte, como orientação, para a construção das etapas
específicas que precisam ser contempladas no desenvolvimento do projeto.
Contudo, antes de pensarmos na estrutura em termos de organização,
precisamos pensar em três elementos fundamentais: o tema, o problema e
as hipóteses.
Tema – o assunto da pesquisa
A escolha do tema é de suma importância; é o momento em que
escolhemos o assunto que vamos abordar ao longo da pesquisa. Essa
escolha está ligada a muitas condições, como interesse pessoal,
necessidade profissional, exigência acadêmica, relevância na atualidade,
etc. Independente da escolha, é necessário que exista material bibliográfico
disponível para consulta a fim de que o pesquisador realize seu
levantamento bibliográfico e sua revisão bibliográfica. Procurar fontes que
contenham o assunto em questão é imprescindível para agregar maior
conhecimento sobre o assunto e compreender os avanços obtidos em
relação a ele (Marconi; Lakatos, 2024).
Existe também a necessidade de delimitação do tema a ser pesquisado. O
que isso quer dizer? O assunto precisa ser específico, bem demarcado, bem
explicado e bem planejado, para que seja possível por em prática. Diversos
estudos não alcançam seus objetivos porque não conseguem delimitar com
quem a pesquisa será realizada, onde, quando, em quanto tempo, etc.
Problema – as perguntas da pesquisa
Ao desenvolver uma pesquisa, o pesquisador tem em si alguma inquietação,
dúvida ou problema que almeja sanar. A pergunta da pesquisa é justamente
essa incerteza que o pesquisador possui sobre determinado assunto e que
o encoraja a desenvolver uma investigação, mas é um equívoco pensar que
o produto de toda investigação é a solução dessa pergunta. Na verdade,
mesmo quando é possível produzir respostas satisfatórias a uma dada
pergunta (e nem sempre é possível), outras questões surgem decorrentes
da investigação, além da existência própria daquelas que tangenciam a
pesquisa e sequer foram tratadas.
Um pesquisador iniciante pode e deve revisar a literatura sobre determinado
tema, a fim de encontrar questões abertas. Ele deve procurar ter um certo
domínio sobre a literatura do campo de estudo em que almeja começar uma
investigação. O pesquisador deve ter um escopo bem definido, caso
contrário, poderá se perder tentando responder mais questões do que lhe
seriam pertinentes. Mesmo que problemas secundários sejam
interessantes, é importante focar em uma questão específica a fim de
conseguir se dedicar a ela e entregar resultados relevantes.
É necessário pensar também se a pergunta da pesquisa é algo interessante
e relevante para a ciência e para o meio acadêmico e não somente para o
pesquisador. Além disso, a ética é indispensável, de modo que a pergunta
não cause risco de vida para os participantes, nem uma completa invasão
de suas privacidades. Por fim, nem sempre é preciso inovar em ciência, mas
com uma questão bem delimitada, é possível e desejável a produção de
novas informações. A questão não precisa ser completamente original, mas
novas informações sobre o assunto constituem um resultado esperado de
boas pesquisas.
As hipóteses da pesquisa
Uma vez elaborada a questão de pesquisa, pode ser necessária a
elaboração de hipóteses a serem testadas; elas darão uma resposta quanto
ao problema colocado pelo pesquisador. As hipóteses são uma espécie de
diretriz da pesquisa, elas indicam o que o pesquisador está buscando ou o
que está tentando comprovar. Assim, elas são tentativas prévias de
explicação do fenômeno analisado e devem ser formuladas de forma clara
e concisa. A hipótese não deve ser confundida com pressuposto teórico,
uma vez que, no decorrer da pesquisa, ela pode ser descartada ou validada.
A hipótese é sempre provisória e provável.
Uma hipótese é diferente de uma afirmação, pois o pesquisador não tem
plena certeza de sua comprovação. Assim, a hipótese pode ser entendida
como aquilo que o pesquisador acha que vai encontrar com o
desenvolvimento da pesquisa. As fontes comuns para formulação de
hipóteses são as teorias, generalizações empíricas sobre o problema de
pesquisa e estudos revisados, mas elas também podem surgir em campos
de estudo pouco explorados. Um erro grave ao elaborar hipóteses se faz
quando o pesquisador não revê a literatura do campo de estudo e formula
hipóteses que já foram significativamente aceitas ou descartadas por
outros estudos.
Segundo Marconi e Lakatos (2024), as hipóteses se dividem em duas
categorias: hipóteses básicas e hipóteses secundárias. As hipóteses
básicas são aquelas escolhidas pelo pesquisador e que respondem ao
problema diretamente. Por sua vez, as hipóteses secundárias indicam
respostas complementares ou outras possibilidades de resposta para o
problema em questão. Além dessa classificação, há outras maneiras de
classificar hipóteses mais gerais que variam de acordo com o objetivo da
pesquisa como: hipóteses de pesquisa, hipóteses nulas, hipóteses
alternativas e hipóteses estatísticas. As hipóteses de pesquisa podem ser
entendidas como proposições acerca das possíveis relações entre duas ou
mais variáveis.
Siga em Frente...
Estruturação do projeto de pesquisa
Nós já sabemos que o projeto de pesquisa é um planejamento que deve
apresentar de forma detalhada como o trabalho será realizado.
Independentemente da abordagem teórica a ser utilizada no estudo, a
pesquisa deve ser compreendida como um processo que pretende
apresentar um resultado. A pesquisa científica é uma forma de produzir o
conhecimento científico dentro de um processo constituído por etapas que
precisam ser atendidas no seu desenvolvimento. A elaboração e
apresentação do documento é realizada com base na ABNT NBR 15287
(2011).
Etapas específicas do projeto de pesquisa
Tema – qual assunto pretendo tratar?
Problema – qual dificuldade teórica ou prática pretendo solucionar?
Hipótese – que suposição pretendo explicar?
Objetivo – o que eu pretendo alcançar?
Metodologia – como eu pretendo alcançar?
Levantamento bibliográfico – quais materiais pretendo utilizar?
Cronograma – em quanto tempo pretendo desenvolver essa pesquisa?
Possíveis custos – terei custos para a realização das pesquisas?
Quais?
Formatação do projeto de pesquisa
Para a montagem e apresentaçãodo projeto de pesquisa, deve-se seguir a
norma 15287 (2011) da ABNT. Devem ser contemplados os elementos pré-
textuais, aqueles que antecedem o texto do trabalho, apresentando
informações que ajudam sua identificação, manuseio e utilização. Os
elementos textuais que são compostos pelo corpo do trabalho, introdução,
desenvolvimento e conclusão. Por fim, os elementos pós-textuais que são
materiais complementares, que tem por finalidade documentar ou melhor
esclarecer o texto. Vamos acompanhar a seguir cada um desses elementos.
Figura 1 | Estrutura do projeto de pesquisa. Fonte: adaptada de ABNT NBR 15287 (2011).
Vamos pensar agora de maneira mais detalhada nesses elementos que
precisam ser contemplados na elaboração de um projeto de pesquisa. É
importante ressaltar que não existe um padrão único, mas os itens
apresentados precisam estar presentes.
Figura 2 | Exemplo dos elementos a serem contemplados no projeto de pesquisa. Fonte:
adaptada de Crivelaro; Crivelaro; Miotto (2011).
Vamos Exercitar?
É hora de retomarmos a nossa situação inicial. Você está concluindo seu
curso de graduação, e como uma das etapas obrigatórias, você precisa
elaborar um projeto para depois realizar o seu TCC. Precisamos pensar em
um tema, um problema e uma hipótese. Nesse passo, é importante pensar
que o tema não pode ser muito abrangente, caso contrário, você pode correr
o risco de não conseguir trabalhar todos os elementos que você se propôs.
O problema é a pergunta da sua pesquisa, aquela que lhe causa
curiosidade. A hipótese é o que você acha que vai encontrar.
Vamos pensar no seguinte exemplo: na área da educação/psicologia é
possível trabalhar com a motivação para aprender. Tema: Motivação de
alunos do ensino médio do estado de Minas Gerais para aprender.
Problema: Os alunos do 3º ano apresentam motivação intrínseca para
aprender? Hipótese: Parte-se da hipótese de que os alunos serão
desmotivados. A partir daí, as outras etapas do projeto podem ser
desenvolvidas. Com esse exemplo, você pode pensar em muitos outros
temas, problemas e hipóteses para pesquisa.
Saiba Mais
Compreender o que é o projeto de pesquisa, qual é a sua estrutura e como
ele deve ser formatado é fundamental para o desenvolvimento de um bom
trabalho e consequentemente para o desenvolvimento de uma boa
pesquisa. Assim, é necessário que você domine esses tópicos. Para isso,
leia o capítulo 4, “Projeto de pesquisa e relatório de pesquisa”, p. 112-145,
do livro Metodologia do trabalho científico, de Marina de Andrade Marconi e
Eva Maria Lakatos.
 
 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597026559/epubcfi/6/26[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml11]!/4
Referências Bibliográficas
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15287:
Informação e documentação – Projeto de pesquisa – Apresentação. 2ª ed.
Rio de Janeiro: ABNT, 2011.
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTTO, Luciana
Bernardo. Guia prático de monografias, dissertações e teses: Elaboração e
apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do
trabalho científico: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográfica, teses de
doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª
ed. São Paulo: Atlas, 2024.
SANTOS, Vanice dos; CANDELORO, Rosana. Trabalhos acadêmicos: uma
orientação para a pesquisa e normas técnicas. Porto Alegre: Age, 2006.
Aula 3
ESCREVER E PUBLICAR: COMO
LEVAR A CIÊNCIA PARA AS
PESSOAS?
Escrever e publicar: como levar a ciência
para as pessoas?
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
A informação científica é um recurso valioso para o desenvolvimento da
sociedade em seus diversos setores: acadêmico, industrial, governamental,
empresarial, etc. Conhecer os meios de publicação científica, a estrutura e
os formatos dos textos científicos é fundamental para que se possa
produzir ciência. Também é necessário conhecer as tecnologias que
trouxeram muitas ferramentas positivas para o desenvolvimento das
pesquisas científicas e para a comunicação dos resultados.
Vamos pensar na seguinte situação: em uma indústria química, o
departamento de marketing quis verificar o efeito da propaganda na venda
de álcool em gel. Após o desenvolvimento da pesquisa, verificou-se que os
resultados foram positivos nas vendas dos produtos. Posteriormente, o
pesquisador inicia o processo de publicação dos resultados. Para isso, ele
resolve fazer uma busca nas revistas científicas mais relevantes disponíveis
na internet sobre a temática do estudo. Qual o principal critério que o
pesquisador deve observar na hora de escolher uma revista a fim de
alcançar esse objetivo? Bons estudos!
Vamos Começar!
A publicação científica ocorre quando os pesquisadores buscam tornar os
resultados das suas pesquisas acessíveis a outros pesquisadores.   A
divulgação dos resultados da investigação é uma etapa muito importante
da pesquisa e pode ser expressa por diversas formas de publicação. A
publicação científica faz parte de um ramo mais amplo denominado de
comunicação científica, que envolve diferentes formas de comunicação dos
resultados (formais, informais, escritos, verbais) e que, por sua vez, se
insere no contexto mais amplo da investigação científica.
A comunicação científica envolve diversos atores da sociedade, como
acadêmicos (responsáveis pela investigação), universidades (instituições
que possuem os recursos e ambientes necessário para a investigação),
financiadores (órgãos do governo ou agências que financiam bolsas e
materiais da pesquisa), editores (gerem o controle de qualidade, produção e
distribuição do conhecimento), bibliotecários (fazem a gestão da
informação e sua preservação) e a população geral (todos nós que somos
indiretamente e diretamente beneficiados com a pesquisa).
Os formatos mais comuns de publicação são: artigo técnico e/ou científico,
artigo original, artigo de revisão, comunicações e cartas ao editor. Vamos
acompanhar, a seguir, a definição de cada uma dessas publicações:
Quadro 1 | Definição das publicações. Fonte: adaptada de ABNT NBR 6022
(2018).
Siga em Frente...
Artigo científico
Dada a conclusão de uma pesquisa, o que se espera é que os resultados
obtidos sejam divulgados. O objetivo da publicação de um trabalho
científico é compartilhar as ideias encontradas, os fatos e os novos
conhecimentos com outros pesquisadores, ampliando assim o
conhecimento e a visão de mundo disponível em uma determinada área, e
possibilitando o aumento do financiamento naquele setor. Embora
reduzidos em tamanho, os artigos científicos são estudos completos, pois
apresentam os resultados das pesquisas. Segundo Marconi e Lakatos
Artigo técnico e/ou científico Parte de uma publicação, com autoria
declarada, de natureza técnica e/ou
científica.
Artigo original
Parte de uma publicação que apresenta
temas ou abordagens originais.
Artigo de revisão
Parte de uma publicação que resume,
analisa e discute informações já publicadas.
Comunicações
Apresentações resumidas, que compõem
uma síntese geral e podem ser feitas
enquanto a pesquisa está em
desenvolvimento.
Carta ao editor
São expressões de opinião sobre um artigo
publicado na revista que constitui um tema
em discussão na comunidade científica.
(2024, p. 90), “os artigos científicos, por serem completos, permitem ao
leitor, mediante a descrição da metodologia empregada, do processamento
utilizado e dos resultados obtidos, repetir a experiência”.
Dessa forma, podemos entender que os artigos científicos são textos que
relatam experiências desenvolvidas pelos pesquisadores, em diferentes
áreas do saber e de diferentes maneiras. Ou, ainda, podem ser entendidos
como textos que buscaram referências relevantes para uma determinada
área. “Um artigo científico visa tanto ao comunicarquanto ao compartilhar
com a comunidade científica o processo e o resultado de alguma
investigação” (Santos; Candeloro, 2006, p. 41). Normalmente, essas
pesquisas são publicadas em revistas científicas especializadas naquela
área do conhecimento.
A publicação de um artigo científico passa por diversas etapas; em geral,
percorre a seguinte ordem: seleção da revista, submissão do artigo,
avaliação inicial do editor para verificar se o artigo atende às diretrizes da
revista. Em caso positivo, o artigo passa pelo peer-review (revisão por
pares), em que dois pesquisadores da área vão avaliar o artigo no tocante
ao conteúdo, a fim de verificar a sua relevância para então aceitar o artigo
para publicação, solicitar alguma reformulação ou rejeitar o artigo. Algumas
revistas solicitam que o artigo seja traduzido para uma língua estrangeira,
em geral o Inglês ou Espanhol, o que pode gerar custos para a publicação.
O processo de publicação é frequentemente demorado e raramente decorre
em menos de seis meses entre a submissão e a aceitação para publicação.
Em muitos casos, as revistas mencionam a data de submissão e a de
aceitação quando o artigo é publicado. Além disso, é cada vez mais comum
a disponibilização digital do artigo, ao invés da publicação impressa. Todo
esse processo, embora seja moroso, é necessário para que se assegure a
qualidade dos trabalhos publicados e a relevância dos periódicos (revistas)
no meio acadêmico e científico.
O processo de peer-review pode identificar más posturas na pesquisa
científica. A pressão para a publicação tem ficado cada vez maior. É
necessário que o autor pense na qualidade do seu trabalho, pois isso pode
afetar sua reputação acadêmica. Fraudes, plágios, conflitos de interesse
não divulgados, manipulação de dados, submissões simultâneas de um
mesmo artigo em duas revistas, duplicação de artigos, pode marcar de
forma negativa a imagem dos pesquisadores. O plágio destaca-se por ser
considerado uma das piores posturas no âmbito da publicação científica. É
preciso que o artigo a ser publicado seja original.
Se o artigo for aceito ou publicado, é importante conhecer, de preferência
antes da submissão, o fator de impacto das revistas. O fator de impacto é
um meio de avaliar a qualidade e relevância das revistas. Esse impacto da
publicação pode ser avaliado por meio de indicadores bibliométricos, para
avaliação dos autores, que se baseiam no número de citações do artigo.
Esses indicadores bibliométricos permitem saber, por exemplo, quais são
os autores mais citados em uma área científica específica e quais revistas
têm o maior impacto em uma determinada área.
Também é possível consultar o Qualis da Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior (Capes). O Qualis Capes funciona como uma
ferramenta de avaliação de programas de pós-graduação do Brasil e oferece
uma classificação dos periódicos que retratam a produção intelectual
desses programas. Os indicadores categorizam a qualidade do periódico e
vão de A1 (mais elevado) até C (com peso zero). Para saber a classificação
de um periódico, na Plataforma Sucupira, é possível consultar pelo
International Standard Serial Number (ISSN), pelo título do periódico, por
classificação ou área de avaliação.
Observadas essas questões, precisamos pensar na estrutura do artigo
científico, ou seja, na maneira como ele será organizado e formatado para
sua posterior apresentação ou apreciação pelos pares da revista. Assim, é
imprescindível que estrutura e conteúdo sejam observados e contemplados
no momento de elaboração de um trabalho científico, pois os dois
elementos são partes fundamentais na construção de uma pesquisa
científica. Vamos olhar de uma maneira mais detalhada para a estrutura do
artigo científico.
Estrutura do artigo
Cada etapa da pesquisa possui uma série de critérios e procedimentos a
serem seguidos. É necessário compreender a estrutura de um artigo que
geralmente passa por introdução, metodologia, resultados e discussão. A
norma da ABNT que trata do artigo científico é a NBR 6022 (2018). A norma
apresenta os princípios gerais para a elaboração e apresentação do
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/veiculoPublicacaoQualis/listaConsultaGeralPeriodicos.jsf
trabalho. Porém, antes de olharmos especificamente para esses elementos,
precisamos nos atentar para o fato de que, quando vamos submeter o
artigo à aprovação de uma revista, o autor deve seguir as normas editoriais
adotadas pela revista.
Isso se deve ao fato de não existir uma obrigatoriedade na adoção da ABNT
para a normatização dos trabalhos acadêmicos. Dessa forma, as revistas e
até mesmo as universidades podem adotar normas próprias para a
padronização dos trabalhos científicos. Assim, outras normas podem ser
empregadas pelas revistas, como a American Psychological Association
(APA) ou a Vancouver. Feita essa observação, vamos compreender como se
dá a estrutura do artigo, que é composta por elementos pré-textuais,
elementos textuais e elementos pós-textuais.
Quadro 2 | Elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais de um artigo.
Fonte: adaptado de ABNT NBR 6022 (2018).
Elementos pré-textuais
Elementos textuais
Elementos pós-
textuais
Obrigatórios Opcionais
Título no
idioma do
documento
Autor(es)
Resumo no
idioma do
documento –
conforme a
NBR 6028
Datas de
submissão e
aprovação do
artigo
 
Título em
outro idioma
Resumo em
outro idioma
Identificação
e
disponibilidad
e
 
Introdução
Desenvolvime
nto
(justificativa;
objetivos;
hipóteses e
variáveis)
Resultados e
discussão
Conclusão
 
 
Referências
(NBR 6023) –
Obrigatório
Glossário –
Opcional
Apêndice –
Opcional
Anexos –
Opcional
Agradeciment
os – Opcional
 
Quando se coletam dados para a pesquisa, é preciso explicar ao leitor como
isso foi feito. Os dados coletados podem ser apresentados em forma de
texto, tabela ou gráficos.
Em relação ao formato, a ABNT (2018, p. 6) recomenda “fonte em tamanho
12 e espaçamento simples, padronizados para todo o artigo. As citações
com mais de três linhas, paginação, notas, legendas e fontes das
ilustrações e tabelas devem ser em tamanho menor e uniforme”.
Precisamos nos atentar para o fato de que essas orientações são
estruturais. Isso quer dizer que o desenvolvimento do conteúdo do artigo, a
maneira como as seções serão articuladas é de total responsabilidade do
pesquisador. Os critérios adotados em uma escrita acadêmica (como:
coesão, coerência, objetividade e clareza) precisam ser observados no
momento de construção do texto para que ele faça sentido e seja aprovado
no momento de avaliação da revista.
A ciência como atividade humana é profundamente afetada pelas
demandas e relações de uma época. A publicação científica deve ser vista
como parte do processo de desenvolvimento da pesquisa. Como a ciência
nos beneficia coletivamente, não se podem esconder os resultados de uma
pesquisa: é necessário divulgá-los para que, assim, tragam inúmeros
retornos práticos à sociedade como um todo.
Eventos acadêmicos
Divulgar o trabalho em um evento é muito importante para qualquer
pesquisador; é uma oportunidade de ter seus estudos debatidos e
conhecidos, o que enriquece sua produção. Da mesma forma, participar de
eventos científicos é parte essencial da vida acadêmica, pois é possível
conhecer outros pesquisadores, ter contato com novas metodologias e
ampliar sua visão a respeito do tema que está sendo debatido. Um evento
científico, como qualquer outro tipo de evento, é um encontro, uma reunião
na qual as pessoas têm a chance de compartilhar interesses, descobertas,
estudos, conhecimentos, além de ser uma oportunidade de divulgar e de
encontrar novidades.
Existem diferentes tipos de eventos, diferentes modalidades, formas de
inscrição e abrangência. Os eventos podem ser realizados de maneira
presencial ou online, tendo a mesma validade. Dependendo do tipo do
evento, os participantes podem seinscrever como ouvintes, como
apresentadores de trabalhos e, em algumas situações, até mesmo como
coordenadores de mesas de trabalho. Isso depende da finalidade do evento
e da forma como ele foi planejado para acontecer. Os trabalhos a ser
apresentados podem ser resumos, resumos expandidos ou trabalhos
completos; cada evento também determina o tipo de produção que vai
receber.
Assim como acontece com os artigos enviados para periódicos, os
trabalhos enviados para eventos acadêmicos passam por uma avaliação, a
fim de verificar sua relevância e sua aderência ao tema do evento. Se forem
aceitos, em dia e horário definidos pela comissão organizadora, o trabalho
deve ser apresentado para que o participante receba seu certificado.
Normalmente, esses eventos geram publicações dos trabalhos que foram
apresentados ao longo do evento. São os anais do evento.
Os anais de um evento são a coletânea de artigos ou resumos
apresentados; trata-se de uma das partes mais importantes que ficará
registrada. É uma publicação reconhecida, que recebe um número de
registro, validando a sua credibilidade. Os eventos podem ter abrangência
internacional, nacional, regional ou local, e podem ser de diferentes tipos,
como: congressos, convenções, conferências, palestras, jornadas,
encontros, feiras, etc.
 
Vamos Exercitar?
É hora de retomarmos a nossa situação inicial. O departamento de
marketing de uma indústria química quis verificar o efeito da propaganda na
venda de álcool em gel. Como os resultados após a realização da pesquisa
foram positivos, o pesquisador iniciou o processo de publicação dos
resultados buscando os periódicos mais relevantes na área. Qual o principal
critério que o pesquisador deve observar na hora de escolher uma revista a
fim de alcançar esse objetivo?
Após a conclusão da pesquisa, o pesquisador iniciou o processo de
publicação dos seus resultados. Ele resolve buscar na internet as revistas
mais relevantes no tema do artigo em questão. Para avaliar a relevância da
revista, é possível verificar o fator de impacto ou o Qualis divulgado pela
Capes. Em geral, esse fator de impacto é um índice gerado a partir da
avaliação dos autores já publicados e a quantidade de citações dos artigos
publicados. Além disso, há critérios, como a submissão dos artigos à
revisão por pares, que devem ser observados na hora de escolher uma
revista que preze pela qualidade do conteúdo publicado.
Saiba Mais
1. A apresentação oral também é uma das partes que compõe um
trabalho acadêmico, seja em um evento, na conclusão de um curso de
graduação ou pós-graduação. É uma etapa que exige preparo por parte
do apresentador, para que ele se sinta seguro e consiga transmitir a
mensagem aos ouvintes. Para saber mais sobre a preparação para
uma apresentação oral, leia o texto “Professor dá dicas sobre como
preparar apresentações científicas”, de João Gabriel Palhares e Kharen
Stecca.
2. Um artigo científico é uma produção textual considerada bastante
confiável no meio acadêmico. Isso porque seu processo de elaboração
deve ser bastante rigoroso do ponto de vista científico. Para isso, o
processo de condução da pesquisa e a escrita precisam seguir alguns
passos. Para compreender mais sobre o assunto, leia o artigo: “Dez
passos para produzir artigo científico de sucesso”, de Maurício Gomes
Pereira.
 
Referências Bibliográficas
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6022:
Informação e documentação – Artigo em publicação periódica técnica e/ou
científica – Apresentação. 2ª ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2018.
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTTO, Luciana
Bernardo. Guia prático de monografias, dissertações e teses: Elaboração e
apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do
trabalho científico: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográfica, teses de
https://jornal.ufg.br/n/145369-professor-da-dicas-sobre-como-preparar-apresentacoes-cientificas
https://jornal.ufg.br/n/145369-professor-da-dicas-sobre-como-preparar-apresentacoes-cientificas
https://www.scielo.br/j/ress/a/TvGzXFrmHzhMf8CKJPd7rXc/?format=pdf
https://www.scielo.br/j/ress/a/TvGzXFrmHzhMf8CKJPd7rXc/?format=pdf
doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª
ed. São Paulo: Atlas, 2024.
SANTOS, Vanice dos; CANDELORO, Rosana. Trabalhos acadêmicos: uma
orientação para a pesquisa e normas técnicas. Porto Alegre: Age, 2006.
SCHEIBEL, Maria Fani; VAISZ, Marinice Langaro. Artigo científico:
percorrendo caminhos para sua elaboração. Canoas: Editora da Ulbra, 2006.
Aula 4
A ÉTICA NA REALIZAÇÃO DAS
PESQUISAS
A ética na realização das pesquisas
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Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Em algum momento, você já se questionou sobre as possíveis
consequências éticas do uso de animais na pesquisa científica, ou mesmo
sobre os experimentos nazistas com seres humanos? Com base nesses
exemplos, é possível que você tenha considerado que a ciência poderia
estar isenta de princípios éticos; ao menos é o que algumas pessoas
defendem. Na corrida não apenas por um entendimento profundo sobre
doenças emergentes, mas também pelo desenvolvimento de medicamentos
e vacinas, certos protocolos éticos desempenham sua importância na
investigação científica. Além disso, a ética, enquanto campo de
investigação, tem conseguido acompanhar a ciência com o objetivo de
enriquecê-la ao estudar seus potenciais problemas éticos.
Vamos refletir sobre a seguinte questão: um grupo de cientistas está
investigando um tratamento que se mostra muito promissor para a doença
de Alzheimer. Eles estão realizando ensaios clínicos com pacientes que
apresentam a doença (por meio de sorteios, alguns recebem o
medicamento e outros recebem o placebo). A pesquisa é apresentada como
tendo grande potencial para a área da saúde, mas, em determinado
momento, um dos integrantes da pesquisa altera o sorteio do estudo, dando
o medicamento para a esposa de um amigo que apresenta o Alzheimer. De
que forma a atitude desse pesquisador pode ser interpretada? Bons
estudos!
Vamos Começar!
Será que a ciência é um “tudo vale”, em que reflexões sobre a ética e a
saúde dos indivíduos ou animais de laboratórios não são consideradas?
Será que a ética representa um empecilho para o desenvolvimento pleno da
ciência? Até que ponto devemos estar cientes da importância dos
postulados éticos que norteiam a pesquisa científica? Na corrida não
apenas por um entendimento profundo sobre o surgimento de novas
doenças, mas também pelo desenvolvimento de medicamentos e vacinas,
certos protocolos éticos desempenham sua importância na investigação
científica. Além disso, a ética, enquanto campo de investigação, tem
conseguido acompanhar a ciência com o objetivo de enriquecê-la ao
estudar seus potenciais problemas éticos.
Aqui vale a pena trazermos a definição de ética e moral para
compreendermos a diferença entre os dois conceitos e como o conceito de
ética se aplica no desenvolvimento de pesquisas científicas. Segundo o
dicionário online da língua portuguesa Michaelis (2023), a moral é algo
“relativo às regras de conduta e aos costumes estabelecidos e admitidos
em determinada sociedade”. Dessa forma, entendemos que a moral diz
respeito a um sistema de valores, regras e princípios que rege o
comportamento das pessoas pertencentes a um determinado grupo. A
moral deve ser considerada dentro de um contexto (tempo e espaço), sendo
o sujeito moral aquele que age de acordo com as regras determinadas pelo
grupo a que pertence.
Por sua vez, a ética pode ser definida como o
Ramo da filosofia que tem por objetivo refletir sobre a essência dos
princípios, valores e problemas fundamentais da moral, tais como a
finalidade e o sentido da vida humana, a natureza do bem e do mal, os
fundamentosda obrigação e do dever, tendo como base as normas
consideradas universalmente válidas e que norteiam o comportamento
humano (Michaelis, 2023).
A ética, portanto, pode ser entendida como um conjunto de princípios,
normas, deveres e valores que regem a relação de uma pessoa, um grupo,
de uma organização ou de uma comunidade com o mundo. O sujeito ético é
aquele que age e faz escolhas dentro de um sistema de valores pessoais e
considerando as normas de um grupo. Dada essa diferenciação,
precisamos compreender que são conceitos que se relacionam dentro dos
contextos nos quais estão inseridos. Vamos pensar nas questões éticas
atreladas às pesquisas científicas.
Ética e ciência
A ética é o princípio norteador da investigação científica, contribuindo não
apenas para a elaboração de pesquisas mais bem executadas, mas
também para que os cientistas mantenham um elevado nível de
responsabilidade com seus projetos. Sem ética, a ciência provavelmente
estaria fadada ao fracasso, pois a preocupação coletiva com a integridade
dos indivíduos, com o manuseio dos dados da pesquisa e com a
imparcialidade na realização da pesquisa seria substituída pelo interesse
individual. A preocupação com a verdade daria cada vez mais espaço para a
necessidade de ganho financeiro elevado. Portanto, uma pesquisa
desprovida de princípios éticos não pode ser considerada uma ciência.
A atitude ética na investigação científica representa o cuidado que os
pesquisadores devem ter ao elaborarem seus projetos de pesquisa, pois
existem órgãos reguladores que avaliam as consequências sobre certos
tipos de estudos que usam animais e seres humanos. Dessa forma, estudos
que possam causar algum tipo de impacto negativo aos participantes
geralmente não são aprovados, especialmente por conta de experiências
relatadas anteriormente em investigações psicológicas. Um exemplo é o
famoso experimento de aprisionamento de Stanford, cujo objetivo era
analisar o comportamento humano numa sociedade na qual os indivíduos
eram apenas definidos pelo grupo. Esse experimento teve que ser
interrompido bem antes de sua conclusão porque os voluntários
começaram a usar formas de tratamento abusivas com outros
participantes, como violência física e verbal.
A orientação ética na pesquisa científica destaca que o cientista também
deve ter cuidado durante a coleta de dados, de modo a evitar possíveis
contaminações e/ou enviesamento cognitivo, pois poderiam prejudicar a
qualidade do trabalho. Resultados obtidos de forma duvidosa levam ao
desperdício de recursos essenciais, às vezes, dinheiro público, que
poderiam ser usados em pesquisas mais bem projetadas e sem nenhum
tipo de direcionamento/manipulação. Por essa mesma razão, a replicação
de estudos é vista como uma tarefa fundamental para identificar o risco de
contaminação e enviesamento nos resultados de um estudo individual. A
replicabilidade desses estudos permite ao pesquisador ter certeza de que
os resultados não se devem ao acaso ou a fatores externos que possam ter
interferido neles.
Um cientista deve ser orientado pelos riscos que uma pesquisa malfeita
pode trazer a longo prazo, principalmente em uma sociedade com recursos
escassos que esteja passando pelo enfrentamento de crises econômicas
ou pandemias. A ética revela o nível de responsabilidade do cientista com
sua produção intelectual, de modo que negligenciá-la só contribuirá para a
justificação ideológica de corte orçamentário da pesquisa científica. Pelo
menos, é o pretexto mais frequentemente utilizado por governos
anticientíficos, pois não enxergam a ciência como um investimento vital
para o progresso social, mas como um gasto desnecessário, sob a desculpa
do suposto excesso de fraudes, vieses cognitivos e erros ao longo da
história da ciência.
Siga em Frente...
Cuidados éticos para a realização de uma pesquisa
A ética científica é um enfoque multidisciplinar que, em conjunto com a
ciência, busca avaliar a plausibilidade da adoção de certos princípios éticos
e normas sociais. Além de campos como a Antropologia, a Psicologia, a
Sociologia ou a História, a ética também estuda a ciência, especialmente, as
normas éticas que vigoram na comunidade científica. Ela estuda ainda o
impacto ético de certos estudos que são feitos com animais e seres
humanos. Além disso, a ética está interessada no comportamento
inadequado durante o desenvolvimento de uma pesquisa, principalmente na
motivação do cientista em fraudar resultados.
Entre os diversos problemas éticos que advêm da atividade científica, três
merecem atenção: a questão do consentimento dos voluntários para o
desenvolvimento de uma pesquisa, o problema da preservação de
identidade e integridade e, por último, a relação entre voluntários e
pesquisadores no decorrer da investigação científica. Na regulação dessas
relações, atuam os comitês de ética em pesquisas, que avaliam a
viabilidade das pesquisas com o intuito de defender a integridade e
dignidade dos participantes da pesquisa, bem como de contribuir com o seu
desenvolvimento dentro dos padrões éticos (Ministério da Defesa, 2023).
As pesquisas realizadas com seres humanos devem ser submetidas para
avaliação na plataforma Brasil e atender à Resolução CNS nº 466/2012,
seguindo a todos os requisitos nela dispostos a fim de que a pesquisa seja
aprovada para a sua realização. Em relação às pesquisas realizadas com
animas, os projetos devem ser submetidos ao Comitê de Ética no Uso de
Animais (CEUA - INCA) e comissão de biossegurança, e atender ao que está
disposto na Lei 11.794, de 08 de outubro de 2008, que estabelece o
procedimento para uso científico de animais (Ministério da Defesa, 2023).
Os voluntários da pesquisa
Uma pesquisa nunca pode ser realizada sem o consentimento de quem dela
vai participar. O consentimento dos voluntários é imprescindível e refere-se
à autorização prévia de uso de certos dados dos participantes na pesquisa
científica. De outro modo, uma pesquisa que utiliza de forma indevida dados
de seus voluntários sem o consentimento necessário está violando
princípios éticos e, consequentemente, prejudicando a qualidade da
pesquisa.
É de grande importância também o pesquisador ressaltar a voluntariedade
da participação, não sendo o participante obrigado a participar. É preciso
ficar claro que não haverá nenhum tipo de prejuízo, remuneração ou custo
aos participantes e que eles podem se sentir à vontade para desistir da
participação a qualquer momento do processo da pesquisa. Antes da
participação, é solicitado que os participantes assinem um termo de
consentimento livre e esclarecido (TCLE) onde constam todas as
informações sobre a pesquisa e esclarecimentos necessários (Baptista;
Campos, 2016).
Preservação da identidade e integridade
O anonimato dos participantes deve sempre ser preservado, a menos que
haja uma autorização para a divulgação de sua identidade. Assim, é
necessário se atentar à proteção de informações sensíveis dos
participantes de um estudo. Também se refere ao princípio de que os
participantes devem estar cientes dos riscos envolvidos no estudo do qual
serão voluntários, seja de ordem física ou psicológica – nesse caso, é
importante deixar claros os possíveis riscos trazidos aos voluntários ao se
submeterem ao estudo.
O sigilo das respostas obtidas também deve ser garantido aos
participantes. Mesmo que a pesquisa seja publicada, e esse é objetivo da
realização de pesquisas, não se deve identificar o grupo que participou do
estudo divulgando nome da cidade, da instituição ou qualquer outra
informação que permita a identificação dos participantes (Baptista;
Campos, 2016).
A relação entre voluntários e pesquisadores
O problema mais evidente no tocante à relação entre os voluntários e os
pesquisadores é a possível manipulação do comportamento dos
voluntários de acordo com a intenção do cientista de obter um resultado
específico em um estudo clínico. Por exemplo, um voluntário poderia agir de
acordoAlegre:
Artmed, 2010. cap. 1. p. 21-39.  
 
 
Referências Bibliográficas
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BUNGE, Mario. La investigación científica. Barcelona: Colección Convivium,
Ariel, 1969.
CHAUÍ, Marilena de Souza. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2014.
GALLO, Silvio. Filosofia: experiência do pensamento. 2ª ed. São Paulo:
Scipione, 2016.
KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de Metodologia Científica: teoria da
ciência e iniciação à pesquisa. Petrópolis: Vozes, 2011.
MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo:
Melhoramentos, 2023. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536323633/pageid/18
https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/. Acesso em: 8 out. 2023.
TOSI, Marcela. Voto feminino: a história do voto das mulheres. 2023.
Disponível em: https://www.politize.com.br/conquista-do-direito-ao-voto-
feminino/. Acesso em: 10 out. 2023.
Aula 2
A RACIONALIZAÇÃO DO
CONHECIMENTO NO MUNDO
MODERNO
A racionalização do conhecimento no
mundo moderno
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Vamos assisti-la? 
 
https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/
https://www.politize.com.br/conquista-do-direito-ao-voto-feminino/
https://www.politize.com.br/conquista-do-direito-ao-voto-feminino/
Ponto de Partida
Olá, estudante!
A transição da Idade Média para a Idade Moderna foi um período marcado
por muitos conflitos e profundas transformações sociais. As Revoluções
Burguesas (Revolução Industrial e Revolução Francesa) e o Iluminismo
impulsionaram essas transformações, que nos influenciam até os dias
atuais. Mas você pode estar se perguntando: por que estamos falando
sobre as Revoluções Burguesas em uma disciplina de Pensamento
Científico? A resposta é simples: para compreendermos a constituição do
pensamento científico e as novas formas de interpretação da vida humana,
precisamos olhar para esse processo que ocasiona mudanças econômicas,
sociais, políticas e até mesmo culturais na sociedade ocidental. Assim,
vamos buscar responder aos seguintes questionamentos:
1. Quais fatores impactaram de maneira decisiva a transição da Idade
Média para a Idade Moderna?
2. Quais foram as mudanças decorrentes dessa transição?
3. Como a maneira de interpretar o mundo se modificou?
Com o desenvolvimento da aula, você será capaz de entender a transição do
pensamento que vigorava na Idade Média para o pensamento Moderno, a
oposição entre o pensamento racionalista e o pensamento empirista e
como as Ciências Humanas foram ganhando espaço na sociedade e na
interpretação dos fenômenos. É hora de aprofundar nossos conhecimentos!
Bons estudos!
Vamos Começar!
A transição da Idade Média para a Idade Moderna marcou também a
mudança do modo de produção feudal para o capitalista. Foram diversos os
fatores que determinaram a queda do feudalismo e a ascensão do
capitalismo; vamos observar alguns deles no Quadro 1 a seguir:
Quadro 1 | Fatores determinantes na queda do feudalismo e ascensão do
capitalismo. Fonte: elaborado pela autora.
Esses são apenas alguns dos fatores envolvidos nesse movimento de
transição, e é importante lembrar que o processo foi gradual e aconteceu
em momentos diferentes nas diferentes regiões do planeta. Vamos olhar de
maneira mais específica para as Revoluções Burguesas, começando pela
Revolução Industrial (1760-1840), que teve início na Inglaterra. O sistema de
produção que era predominantemente agrário e artesanal passou para a
manufatura e a maquinaria, o que aumentou a eficácia da produção e
reduziu os custos. Consequentemente, surgiram grandes indústrias e o
trabalho em massa; o relógio é que passou a ditar o ritmo e o tempo do
QUEDA DO FEUDALISMO ASCENSÃO DO CAPITALISMO
Renascimento (séc. XIV – XVI):
movimento cultural que trouxe a
valorização da razão, da educação e a
busca do conhecimento.
Reforma protestante: contesta os
valores da Igreja Católica, que perde
poder.
Exploração do trabalho: múltiplos
impostos pagos pela população que
passava fome e sofria com as guerras e
mudanças climáticas.
Êxodo rural: as pessoas migraram dos
campos para as cidades buscando
melhores condições de vida.
 
Crescimento comercial e urbano:
expansão das rotas comerciais e
crescimento das cidades;
desenvolvimento de uma economia
monetária.
Surgimento do trabalho assalariado: no
sistema feudal, o trabalho era servil.
Surgimento e ascensão da burguesia:
pequenos comerciantes que foram
adquirindo poder econômico.
Revoluções Burguesas: Revolução
Industrial e Revolução Francesa.
Iluminismo.
 
trabalho. Assim, podemos entender que a Revolução Industrial modifica as
relações no modo de produção da sociedade (Giddens, 2005).
A queda da Bastilha em 14 de julho de 1789, uma fortaleza que era símbolo
da monarquia e do autoritarismo da época, marca o início da Revolução
Francesa. A população, insatisfeita com as condições sociais, econômicas
e com o regime monárquico, e impulsionada pela burguesia que detinha o
poder econômico, mas não o político, fez a Revolução. É importante
ressaltar que os ideais iluministas influenciaram de maneira decisiva o
movimento revolucionário. De maneira geral, a proposta era a
universalização dos direitos e liberdades individuais, e a abolição da
monarquia absolutista. Dessa forma, a Revolução Francesa modifica as
relações políticas e sociais que eram praticadas na sociedade (Fuini, 2022).
Nesse processo, a perspectiva iluminista é fundamental, com suas ideias
transformadoras do entendimento da sociedade. Na Idade Média, a Igreja
Católica exerceu forte influência no âmbito político, participando das
decisões; no âmbito econômico, recebendo parte dos impostos
arrecadados; e no âmbito social, determinando as regras de conduta moral.
Assim, a maneira de interpretar o mundo era teocêntrica, ou seja, Deus
estava no centro de todas as explicações e de todo o conhecimento
disponível e permitido na sociedade (Giddens, 2005).
O pensamento iluminista mudou essa maneira de entendimento,
valorizando a razão, o questionamento, a investigação e a experiência como
formas para obter conhecimento. Ocorreu então um deslocamento do
teocentrismo para o antropocentrismo, em que o ser humano se encontra
no centro das explicações e da busca pelo conhecimento. Os privilégios da
nobreza e do clero passaram a ser questionados, a Igreja Católica foi alvo
de profundas críticas pela maneira como se posicionava na sociedade e
houve a defesa da liberdade política e econômica e da igualdade de todos
perante as leis. O século XVIII ficou conhecido como Século das Luzes
devido a tais mudanças (Gallo, 2016).
 
Siga em Frente...
Diferentes pensamentos na modernidade
Agora que já conhecemos a conjuntura em que se deu a transição da Idade
Média para a Idade Moderna, podemos avançar e compreender que, no
contexto de tais transformações. surgiram também diferentes olhares,
diferentes maneiras de interpretar o conhecimento. Além das revoluções de
cunho social, econômico e político, a sociedade passava também por uma
revolução científica, em que se buscavam novas formas de conhecer. Surge
então a questão do método para os diversos teóricos, que “centralizava as
atenções não apenas no conhecimento do ser (metafísica), mas sobretudo
no problema do conhecimento” (Aranha; Martins, 2003, p. 130).
Nesse sentido, vamos refletir a respeito dos teóricos racionalistas e
empiristas. Antes de nos aprofundarmos, precisamos compreender que o
intuito de todos eles era interpretar os fenômenos que os cercavam,
buscando compreender como adquirimos conhecimento e postulando
teorias para compreender a realidade.
O pensamento racionalista
O racionalismo é uma abordagem filosófica que enfatiza o papel da razão e
do pensamento lógico na aquisição de conhecimento.com as expectativas do pesquisador ao ser submetido a um teste
clínico para investigar a eficácia de algum fármaco. Isso consequentemente
enviesaria os resultados, prejudicando a qualidade da evidência. O
voluntário poderia dizer que, ao ingerir o fármaco testado, ele conseguiu
obter os melhores benefícios à saúde, mesmo que o relato, de fato, não seja
verdade.
Portanto, durante a condução de testes clínicos ou outros tipos de
pesquisas, é necessário que os voluntários sejam selecionados de forma
aleatória (randomizados), é necessário também que exista uma
amostragem significativa para ser representativa e, mais ainda, que existam
grupos de controle de placebo (no caso de testes clínicos). Isso é
importante para identificar sobre a eficácia do resultado obtido, se o
fármaco pode ser considerado estatisticamente significativo quando
comparado ao grupo que tomou placebo, por exemplo.
Ética com os dados da pesquisa
A ética também está relacionada à forma como o trabalho científico é
produzido e apresentado na hora da avaliação pelos pares, de modo que
plágios, manipulações de dados estatísticos e falsificações não são
tolerados quando descobertos pelos revisores. Um trabalho científico
orientado eticamente é original, com dados normalmente refletindo as
consequências reais do estudo. De fato, podem ocorrer casos em que os
revisores independentes encontram falhas, mas um cientista que preza pela
ética buscará corrigir o trabalho que apresentar problemas. Também é
possível a violação dessas condutas éticas durante a investigação
científica, mas quando isso acontece, os pesquisadores são punidos.
Quando um cientista é denunciado por fraude, uma comissão de ética pode
ser convocada para analisar o caso, podendo ocorrer até a perda da
titulação acadêmica do pesquisador. Em outras situações, dependendo do
nível da ocorrência, a retratação pública do próprio cientista pode ser vista
como suficiente em um caso não intencional de erro na elaboração de sua
pesquisa. Órgãos regulatórios também contribuem para analisar de que
forma os animais usados em experimentos estão sendo tratados, de modo
que a violência e o sofrimento não são toleráveis no ato da pesquisa
científica. A violação das normas éticas de proteção animal pode levar ao
encerramento da investigação científica e o autor poderá responder a
processo por conta dessa violação, além, é claro, do possível impedimento
no exercício de futuras pesquisas.
Finalmente, os cientistas adotam abertamente um conjunto de princípios
éticos em comunidade, também chamados de ethos da ciência,
primeiramente percebido e estudado pelo sociólogo da ciência Robert K.
Merton (1968), que consistem em universalidade, desinteresse, ceticismo
coletivo, comunismo epistêmico e originalidade. Observe no Quadro 1 a
seguir o significado desses princípios.
Quadro 1 | Princípios éticos para a realização das pesquisas (ethos da
ciência). Fonte: elaborado pela autora.
Vamos Exercitar?
Você se lembra da nossa situação inicial? Agora que já compreendemos os
aspectos éticos que envolvem a realização de uma pesquisa, é hora de
pensar no grupo de pesquisadores que está investigando um tratamento
muito promissor para a doença de Alzheimer. Entretanto, em determinado
momento, um dos integrantes da pesquisa altera o sorteio do estudo, dando
o medicamento para a esposa de um amigo que participa dos testes. Como
a atitude desse pesquisador pode ser interpretada? 
Universalidade Refere-se ao fato de a ciência poder ser
praticada por qualquer pessoa,
independentemente de sua etnia ou
localização geográfica.
Desinteresse Refere-se à necessidade de os anseios
coletivos estarem acima dos interesses
individuais/privados.
Ceticismo Coletivo (ceticismo
científico)
Refere-se à dúvida metódica, em que
hipóteses e teorias são sujeitas à crítica
responsável pela comunidade científica.
Comunismo epistêmico Refere-se à noção de que a ciência é uma
propriedade de todos, acessível a todos,
independente da situação socioeconômica
Originalidade Refere-se ao estímulo à produção de novas
pesquisas e teorias.
O pesquisador foi antiético. A pesquisa em questão foi desenhada de forma
randomizada, para garantir que todos os participantes tenham a mesma
possibilidade de tratamento ou não com o medicamento em teste. Um dos
princípios na avaliação de um estudo é o mascaramento dos participantes
que vão integrar a amostra, justamente para que não haja a possibilidade de
manipulação dos resultados. Quando o pesquisador dá o medicamento para
um participante especificamente, ele está quebrando uma das
características de confiabilidade do estudo, o que pode gerar um viés no
momento de interpretação dos resultados. Como o estudo é experimental, o
pesquisador também pode estar dando ao participante a falsa esperança de
cura, pois ainda estão sendo buscadas as evidências de validade do
medicamento.   
Saiba Mais
1. Observar os critérios éticos para a realização das pesquisas é
fundamental para que os resultados obtidos sejam confiáveis e
relevantes. “A pesquisa envolvendo seres humanos é a pesquisa que,
individual ou coletivamente, tenha como participante o ser humano, em
sua totalidade ou partes dele, e o envolva de forma direta ou indireta,
incluindo o manejo de seus dados, informações ou materiais
biológicos” (Ministério da Defesa, 2023). Para compreender melhor os
dispositivos da Resolução CNS nº 466/2012, acesse o documento
disponível no site do governo.
2. A ética na realização das pesquisas é uma premissa para a
confiabilidade dos experimentos dela decorrentes. Para isso, é
fundamental também se atentar para a integridade física e psicológica
dos participantes da pesquisa. Não foi o que aconteceu no
experimento de aprisionamento ocorrido na Universidade De Stanford
em 1971. Para se aprofundar nesse tema, ouça o episódio “A maldade
humana e o experimento de Stanford” do podcast “Mundo Freak
Confidencial”, publicado em fevereiro de 2021.
Referências Bibliográficas
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/arquivos/resolucao_cns_n__466.pdf
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de
Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Ltc, 2016.
MERTON, Robert. Sociologia: teoria e estrutura. São Paulo: Editora Mestre
Jou, 1968.
MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo:
Melhoramentos, 2023. Disponível em:
https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/. Acesso em: 8 out. 2023.
MINISTÉRIO DA DEFESA. Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/HFA). 2023.
Disponível em: https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-
etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa. Acesso
em: 30 out. 2023.
Encerramento da Unidade
TIPOS DE PRODUÇÃO
CIENTÍFICA
Videoaula de Encerramento
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Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é
“conhecer o desenvolvimento e a estrutura de um projeto de pesquisa e
seus fundamentos práticos, observando as questões éticas para o
desenvolvimento das pesquisas científicas”, você deve primeiramente ter
em mente o que é uma pesquisa bibliográfica e uma pesquisa documental,
bem como a forma de se construir um resumo e uma resenha. Depois, é
preciso saber o que é e como estruturar um projeto de pesquisa com base
nas normas da ABNT. Énecessário pensar na publicação/divulgação dos
resultados das pesquisas por meio da publicação de artigos científicos ou
da participação em eventos acadêmicos. Em todos esses processos, é
preciso observar as questões éticas que são interligadas a eles.
Ao conduzir pesquisas, é essencial manter altos padrões de ética para
garantir a integridade e o respeito pelos participantes, bem como para
preservar a confiabilidade e a validade dos resultados. Porém, a ética não
deve estar presente somente quando a pesquisa envolve seres vivos. Se
você realizar uma pesquisa bibliográfica ou documental, por exemplo, a
ética também precisa estar presente, no sentido de que você não cometerá
plágio, ou seja, fará corretamente as citações e referências no seu texto,
dando os devidos créditos aos autores que tomar como base.
Ou, então, você não vai manipular os dados e resultados encontrados nas
pesquisas que você está utilizando como base para que eles estejam de
acordo com a sua visão de mundo. A ética precisa estar presente nas
nossas ações cotidianas, no nosso ambiente de trabalho, no ambiente
familiar, educacional, etc. Enquanto pesquisadores, precisamos nos
conscientizar da nossa responsabilidade social. Isso significa que é
necessário reconhecer a responsabilidade social da pesquisa, buscando
contribuir de forma significativa para o avanço do conhecimento e o bem-
estar da sociedade como um todo.
Nessa perspectiva, a ética deve estar presente em nossa prática desde o
momento de elaboração do nosso projeto de pesquisa, na aplicação, na
coleta e análise de dados e posteriormente na divulgação dos resultados.
Ela desempenha um papel fundamental em todas as fases do planejamento
e da construção da pesquisa. Não promove apenas a integridade
acadêmica, mas também protege os direitos e o bem-estar dos
participantes, bem como do público em geral.
Seguindo a ética, o pesquisador construirá um estudo confiável, baseado
em princípios e evidências; seus resultados poderão servir de base para
outros estudos. Por isso, é relevante a participação do pesquisador em
diferentes tipos de eventos acadêmicos e o envio de artigos para a
publicação em periódicos que sejam referência na área. Participar de
eventos acadêmicos é uma oportunidade valiosa para expandir o
conhecimento, estabelecer conexões com outros profissionais e
pesquisadores, compartilhar suas próprias pesquisas e descobertas, além
de se manter atualizado sobre as tendências e avanços em sua área de
estudo.
A publicação de artigos científicos é uma maneira fundamental de contribuir
para o avanço do conhecimento em sua área de estudo e de compartilhar
suas descobertas e pesquisas com a comunidade acadêmica e científica. É
necessário buscar garantir a qualidade e a relevância do seu trabalho;
assim, você aumenta as chances de publicar seus artigos em revistas
científicas respeitáveis. Outra questão a ser observada são os possíveis
custos das publicações ou das participações em eventos. A maioria dos
eventos cobra uma taxa de inscrição. Quanto aos periódicos, normalmente
não há taxa para o envio e avaliação; o que muitas vezes é cobrado é a
tradução do artigo para uma língua estrangeira. Isso precisa ser feito pelo
tradutor indicado pela revista, que é certificado naquela língua e fará um
trabalho de qualidade.
Contudo, até chegar à etapa de publicação, todas as outras precisam ser
observadas e atendidas. Elas visam à qualidade e relevância das produções.
É Hora de Praticar!
Pesquisas envolvendo seres humanos são uma parte essencial da ciência e
da pesquisa em muitas áreas. Ao conduzir pesquisas com seres humanos,
é crucial garantir que os participantes sejam tratados com respeito,
dignidade e consideração pelos seus direitos e bem-estar. É importante
seguir diretrizes éticas e protocolos rigorosos para proteger os
participantes durante todo o processo de pesquisa. Alguns pontos são
indispensáveis para a condução da pesquisa, como: o consentimento dos
participantes, a confidencialidade, a imparcialidade e a minimização dos
riscos. Não se pode esquecer também que a pesquisa só pode ser
desenvolvida após a aprovação no comitê de ética em pesquisa.
Vamos analisar um artigo científico que divulga os resultados de uma
pesquisa realizada com seres humanos:
INÁCIO, A. L. M.; MARIANO, M. L. S.; BZUNECK, J. A. Evidências de validade
da escala de motivação de professores para o trabalho. Revista Portuguesa
De Educação, v. 36, n. 2, 2023.
Depois de ler todo o artigo, volte no tópico 2 – Método, na página 5, e se
atente para como os autores descrevem os participantes da pesquisa, os
instrumentos utilizados para coletar os dados, como a análise dos dados foi
Reflita
A partir da discussão apresentada, reflita sobre os seguintes
questionamentos:
O projeto de pesquisa de fato nos auxilia no planejamento de nossas
pesquisas?
É realmente necessário nos atermos aos aspectos éticos na
realização de uma pesquisa? Ou a ética atrasa o progresso
científico?
https://revistas.rcaap.pt/rpe/article/view/25592/23280
https://revistas.rcaap.pt/rpe/article/view/25592/23280
feita e quais foram os procedimentos adotados para a condução da
pesquisa. Procure fazer anotações de pontos que você considerar
importantes.
Agora, responda aos seguintes questionamentos:
A pesquisa tem um referencial bibliográfico sólido que embasa a sua
construção?
A pesquisa analisada partiu de princípios éticos na sua realização?
É possível verificar se, antes do desenvolvimento da pesquisa, houve a
avaliação de algum comitê de ética em pesquisa?
Bons estudos!
 
Reflita
Após a análise do artigo indicado, quais aprendizados você obteve para o
desenvolvimento da sua pesquisa?
Resolução do estudo de caso
O artigo deixa bem delimitado, logo na introdução, o referencial teórico
utilizado na construção da pesquisa. Os autores trabalham com a
motivação de professores para o trabalho e tomam como base a teoria da
autodeterminação. Para situar o leitor, os autores apresentam as bases e os
pressupostos dessa teoria.
Quando se analisa a parte específica do método do artigo em questão, em
que os autores descrevem os sujeitos da pesquisa, os instrumentos, a
análise dos dados e os procedimentos, é possível perceber o detalhamento
das informações, o que oportuniza ao leitor de fato compreender o
conteúdo abordado. Os participantes são descritos em termos de gênero,
idade, instituição em que trabalham, e região de proveniência. Nenhum
desses dados permite a identificação dos participantes.
Os instrumentos são descritos a fim de que o leitor compreenda quais
dados foram coletados e para que haja a compreensão da estruturação e
validação da escala de motivação do professor para o trabalho. Também
fica evidente que não é possível identificar os participantes da pesquisa. No
quesito análise dos dados, os autores apresentam os softwares utilizados
para as análises estatísticas.
Por fim, nos procedimentos, os autores apontam os procedimentos éticos
que foram adotados em conformidade com a Resolução 510/2016.
Também é disponibilizado ao leitor o número de aprovação no comitê de
ética em pesquisa, que pode ser verificado na Plataforma Brasil. 
 
 
Dê o play!
Assimile
Vamos analisar a figura a seguir e procurar pensar em como os princípios
éticos estão ligados ao desenvolvimento de todos os tipos de produção
científica em todas as suas fases de elaboração.
https://plataformabrasil.saude.gov.br/login.jsf
Fonte: elaborada pela autora.
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de
Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Ltc, 2016.
MINISTÉRIO DA DEFESA. Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/HFA). 2023.
Disponível em: https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-
etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa.Acesso
em: 30 out. 2023.
https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa
https://www.gov.br/hfa/pt-br/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa
OS RESULTADOS DA
PESQUISA CIENTÍFICA
Aula 1
CONHECENDO AS ETAPAS DA
PESQUISA CIENTÍFICA
Conhecendo as etapas da pesquisa
científica
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Ao realizar um trabalho acadêmico, o pesquisador propõe-se a seguir de
forma criteriosa algumas regras e normas que são pertinentes da ciência para
poder investigar seu problema de forma relevante e obter respostas
consistentes e importantes para a comunidade acadêmica e para a sociedade
de uma forma geral. O estudante universitário é um pesquisador em
formação, que, após a conclusão do curso, pode escolher seguir no caminho
acadêmico ou ingressar no mercado de trabalho, por exemplo. Para a
conclusão do curso, as universidades solicitam a elaboração de uma
monografia ou de um trabalho de conclusão de curso (TCC). Vamos falar de
forma aprofundada a respeito desses trabalhos e das suas diferentes etapas.
Vamos tomar como base a seguinte questão: você está desenvolvendo seu
trabalho de conclusão de curso, você já definiu o tema da sua pesquisa:
“impacto da tecnologia na saúde mental de adolescentes” e definiu também o
problema da sua pesquisa: em que medida o uso noturno de dispositivos
eletrônicos interfere nos padrões de sono e bem-estar emocional em
adolescentes de 13 a 17 anos? A partir desse tema e do problema de
pesquisa, ao final da aula, vamos pensar em como a justificativa pode
começar a ser redigida; vamos refletir também sobre o objetivo geral da
pesquisa.
Bons estudos!
Vamos Começar!
Diferentes são os conceitos encontrados na literatura para se definir o que é o
TCC e o que é a monografia. O que podemos entender como um consenso
entre os autores é que se trata de estudos sobre um determinado tema que
obedecem a uma metodologia específica. Ou seja, partem do método
científico no tocante ao rigor para a sua elaboração. De acordo com Baptista
e Campos (2016, p. 54), “o uso do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi
regulamentado pela Resolução n.º 11/84 do Conselho Federal de Educação
com o intuito de proporcionar maior aprofundamento de um tema ao aluno”.
Ainda segundo os autores, o TCC normalmente é um trabalho interdisciplinar
que visa demonstrar o conhecimento adquirido.
“A palavra ‘monografia’ deriva do grego monos (um só) + graphein (escrever).
Logo se percebe que se trata de um documento escrito que trata de um só
assunto” (Silva, 2015, p. 100). A monografia pode ser entendida como um
trabalho que aborda um assunto ou um problema de maneira sistemática,
profunda e completa em uma determinada área do conhecimento. Segundo
Baptista e Campos (2016, p. 54), “há três tipos básicos de trabalhos
monográficos: tais como as monografias de conclusão de curso, as
dissertações de mestrado e as teses de doutorado”. Vamos conhecer mais
sobre esses trabalhos, focando especificamente no TCC.
Trabalho de conclusão de curso
A elaboração da monografia ou do TCC, em um sentido amplo, tem o objetivo
de satisfazer um dos requisitos necessários para a obtenção de grau, título ou
avaliação acadêmica em nível de graduação ou pós-graduação. Nos cursos
de pós-graduação, os trabalhos de conclusão de curso se diferenciam pelo
grau de aprofundamento que precisam apresentar no tema abordado. Esses
cursos se dividem em lato sensu, que conferem ao concluinte o título de
especialista, e stricto sensu, que conferem ao concluinte o título de mestre ou
doutor em uma área. Vamos acompanhar no Quadro 1 os diferentes tipos de
Pós-Graduação:
Quadro 1 | Tipos de pós-graduação. Fonte: elaborado pela autora.
Especialização – Lato Sensu Enfoca no nível técnico profissional,
fornecendo o título de especialista no
campo de estudo e objetiva o
aprofundamento dos conhecimentos da
sua área de formação, fazendo o
direcionamento da graduação. Para
obter o título de especialista, é
necessário a entrega de uma
monografia.
Mestrado acadêmico – Stricto Sensu Tem o período fixo de dois anos e é
voltado para a pesquisa cientifica. O
seu objetivo é aprofundar e direcionar
os conhecimentos obtidos na
graduação e formar pesquisadores e
professores de ensino superior. Ele
conta com a supervisão de um
orientador e exige defesa de uma
dissertação para a obtenção do título
de mestre.
Doutorado – Stricto Sensu Objetiva um aprofundamento maior que
o mestrado e é voltado para a pesquisa
científica. Esse tipo de formação leva
quatro anos e exige a elaboração de
uma tese sobre uma área a ser
defendida como requisito para
obtenção do título. Essa tese, em geral,
deve possuir um conteúdo original que
contribuía com o avanço do campo de
estudos.
A diferença básica entre essas produções é o aprofundamento teórico e
metodológico que elas precisam apresentar. O principal em um trabalho
acadêmico, em qualquer nível de formação, é que ele atenda os critérios
científicos. O autor precisa ser responsável na sua condução, fundamentando
posições e ideias, citando e referenciando corretamente os autores que tomar
como base e seguindo os preceitos éticos de uma pesquisa científica
(Crivelaro; Crivelaro; Miotto, 2011). Assim, o trabalho de conclusão de um
curso, seja de graduação ou de pós-graduação, é de extrema relevância no
processo de aprendizagem do aluno, pois visa articular e consolidar o
processo formativo do aluno por meio da construção do conhecimento
científico em uma determinada área.
No âmbito da graduação, diferentes são os tipos de trabalho de conclusão de
curso que podem ser feitos, como relatos de pesquisa ou de estágio
acadêmico, pesquisa bibliográfica, pesquisa de campo. Isso depende do que
a instituição de ensino propõe que o aluno realize. Dessa forma, o TCC pode
ser entendido como um “produto intelectual do pesquisador a partir das
leituras, reflexões e interpretações do tema de interesse” (Baptista; Campos,
2016, p. 55). O estudante precisa, então, a partir da escolha do tema,
organizar suas ideias, buscar o referencial teórico, realizar análises e sínteses
sobre o tema abordado.
Siga em Frente...
A escolha do tema da pesquisa
O tema da pesquisa é o assunto que se pretende desenvolver. Ao escolher um
tema a ser pesquisado, é importante que o pesquisador tenha alguma
familiaridade com o assunto ou interesse por aquela realidade que deseja
pesquisar. As fontes para a escolha do tema podem ser diversas, como a
experiência pessoal ou profissional do pesquisador, o interesse despertado
por uma disciplina, um fato cotidiano que chamou a sua atenção, ou outras
situações (Marconi; Lakatos, 2024). No entanto, não são somente esses
fatores que precisam ser considerados, outras questões podem ser
elencadas e precisam ser avaliadas:
O tema precisa ser relacionado à área de formação do pesquisador, isso
proporciona maior credibilidade e reconhecimento ao trabalho realizado.
O objeto de pesquisa precisa ser relevante para a ciência, e não apenas
para o pesquisador.
É necessário que exista uma base teórica sobre o assunto para que o
pesquisador possa buscar seu referencial bibliográfico.
Após a escolha do tema, ele precisa ser bem delimitado. E o que isso quer
dizer? O autor precisa ser bem específico com os aspectos que vai abordar a
respeito daquele assunto para que seja possível trabalhá-lo no todo, da forma
mais abrangente possível. Vamos pensar de que forma é possível delimitar
um tema de pesquisa a partir de um exemplo prático na Figura 1:
Figura 1 | Exemplo da delimitação do tema da pesquisa. Fonte: elaborada pela autora.
Problema e hipóteses
Um dos primeiros passos ao desenvolver uma pesquisa científica passa por
elaborara pergunta de pesquisa. O problema da pesquisa está intimamente
ligado ao tema, é a pergunta que o pesquisador vai buscar responder ao longo
da investigação. Na maioria das áreas de estudo, é uma tarefa quase
impossível sanar todos os questionamentos que surgem ao olhar para o tema
escolhido e no decorrer da pesquisa. A pergunta elaborada para direcionar a
pesquisa não deve derivar de uma simples opinião ou de um questionário,
mas sim ter cunho científico. A pergunta da pesquisa não apresenta uma
resposta imediata e permite que sejam levantadas várias respostas
hipotéticas a respeito do assunto em questão (Crivelaro; Crivelaro; Miotto,
2011).
Há ainda as questões-problemas que surgem a partir do avanço na ciência.
As novas tecnologias e os novos instrumentos utilizados pela ciência geraram
uma série de perguntas sobre questões já conhecidas que originaram novos
paradigmas de pesquisa. Essa capacidade de gerar novas perguntas é algo
intrínseco ao pensamento científico. Dessa maneira, não faltam incertezas a
serem trabalhadas e desenvolvidas em projetos de pesquisa. O desafio que
se coloca ao pesquisador é conseguir elaborar uma questão que possa ser
transformada em um projeto de estudo possível e válido de ser realizado.
Assim, para elaborar uma boa pergunta de pesquisa, é necessário ter um
certo domínio da literatura da área de estudos. Também é recomendável que
o pesquisador discuta sobre ela com os seus pares. A pergunta de pesquisa é
o ponto de partida de todos os estudos científicos. Ela expressa a dúvida,
inquietação e incerteza do pesquisador frente a uma parte do campo de
estudo de uma disciplina. Tomando como base o exemplo do tema anterior, a
pergunta da pesquisa poderia ser: “Como o trabalho industrial no Brasil se
modificou nas décadas de 2000 a 2020?” ou ainda “Como o trabalho no Brasil
foi afetado pela 4ª Revolução Industrial no período de 2000 a 2020?”. Após a
elaboração a pergunta da pesquisa, o pesquisador deve elaborar as hipóteses,
um passo que orientará o trabalho investigativo.
Levantando as hipóteses da pesquisa
Após a elaboração do problema da pesquisa, a depender do seu tipo, pode ser
necessário a elaboração de hipóteses que serão testadas e posteriormente
darão uma resposta em relação ao problema colocado pelo pesquisador.
Nem todas as pesquisas formulam hipóteses. A formulação de hipóteses é
dada apenas em estudos correlacionais ou explicativos, isto é, que preveem
um dado acerca do fenômeno analisado. Em geral, pesquisas apenas
exploratórias não formulam hipóteses. No entanto, o fato de uma pesquisa
não formular uma hipótese não significa que ela não está pautada nos
pressupostos científicos. As pesquisas bibliográficas, por exemplo, não
formulam hipóteses, mas, ao seguirem os critérios do desenvolvimento de um
estudo científico, podem produzir conhecimentos relevantes para aquela área
a que a pesquisa se destina.
As pesquisas que formulam hipóteses se utilizam do método hipotético-
dedutivo. Ele consiste na construção de conjecturas, isto é, premissas
altamente prováveis baseadas em hipóteses que, se verificadas, confirmam
também sua veracidade. Um estudo que busque medir o índice de delitos de
uma cidade pode ter como hipótese que o índice para determinado semestre
será menor que o semestre anterior baseado em determinados fatores, como
o aumento das vagas de emprego no local, por exemplo. Ou então: quanto
maior variedade houver no trabalho, maior será a motivação do trabalhador.
As fontes comuns para formulação de hipóteses são as teorias,
generalizações empíricas sobre o problema de pesquisa e estudos revisados,
mas elas também podem surgir em campos de estudo pouco explorados. Um
erro grave ao elaborar hipóteses se faz quando o pesquisador não revê a
literatura do campo de estudo e formula hipóteses que já foram
significativamente aceitas ou descartadas por outros estudos. Existem
algumas características que as hipóteses precisam apresentar para, vamos
acompanhar no Quadro 2:
Quadro 2 | Características de uma boa hipótese. Fonte: adaptado de Marconi
e Lakatos (2022).
É importante ressaltar que, mesmo quando a hipótese inicial for negada, a
pesquisa tem sua relevância: isso pode indicar que novos conceitos estão
sendo construídos. O importante é que todos os cuidados sejam tomados na
interpretação e análise nas buscas bibliográficas.
Justificativa da pesquisa
A justificativa da pesquisa é o momento que se apresenta para o leitor o
porquê de a pesquisa estar sendo feita. O pesquisador deve incluir uma
consideração sobre a relevância do tema ou problema a ser investigado, o
que e onde se pode contribuir com a realização da pesquisa. É uma
apresentação completa das razões (teóricas) e dos motivos de ordem prática
Consistência lógica O enunciado da hipótese não deve ser
contraditório, além disso, deve ser
compatível com o conhecimento
científico já existente.
Verificabilidade A hipótese deve ser passível de
verificação.
 
 
Apoio teórico
A hipótese precisa ser baseada em uma
teoria já estabelecida, a fim de que haja
uma probabilidade maior de produção
de conhecimento relevante.
Plausibilidade e clareza A hipótese deve ser provável e seu
enunciado claro.
 
que mostram a importância da realização da pesquisa. De acordo com
Marconi e Lakatos (2024, p. 120), a justificativa da pesquisa, de maneira geral,
deve enfatizar:
Como está estruturada a teoria que embasa o tema da pesquisa.
As contribuições teóricas que a pesquisa pode trazer.
Importância do ponto de vista geral e para casos específicos.
Possibilidade de sugerir modificações no âmbito da realidade abarcada
pelo tema proposto.
Descoberta de soluções para casos gerais e/ou particulares.
Dessa forma, a justificativa da pesquisa deve ser redigida de modo a
sustentar o motivo da realização, sendo ela bem argumentada e embasada
teoricamente. Isso é fundamental para mostrar a sustentação da
argumentação para o leitor e convencer uma possível banca julgadora sobre a
importância da realização da pesquisa. A justificativa deve ser escrita de
forma clara e objetiva para que o leitor compreenda exatamente o que o
pesquisador pretende desenvolver no decorrer da pesquisa.
Objetivos: geral e específicos
A pesquisa precisa ser clara quanto os seus propósitos. Os objetivos devem
ser bem definidos e coerentes, além de compatíveis com os métodos e o
corpo de conhecimento estabelecido da área. O objetivo da pesquisa pode
variar significativamente com base na área de estudo, na natureza do projeto
e nas perguntas específicas que estão sendo investigadas. Existem alguns
questionamentos que podem ser feitos para orientar o desenvolvimento dos
objetivos da pesquisa: pensar em “para que fazer” ou “por que fazer” pode
nos orientar a estabelecer o objetivo geral do estudo. Pensar em “para quem
fazer” nos orienta a desenvolver os objetivos específicos.
De maneira geral, os objetivos da pesquisa podem:
Descrever fenômenos: entender e descrever a natureza de um
determinado problema.
Explicar: investigar relações de causa e efeito entre variáveis.
Predizer resultados: prever resultados com base em determinadas
condições ou variáveis.
Analisar e interpretar: analisar dados para tirar conclusões e interpretar
significados.
Resolver problemas práticos: encontrar soluções para problemas
práticos ou aplicados.
Avaliar programas ou intervenções: avaliar a eficácia de programas,
intervenções ou políticas.
Explorar novas ideias: investigar conceitos ou ideias inexploradas.
Validar teorias existentes: confirmar ou refutar teorias existentes por
meio de evidências.
Compreender percepções e atitudes: explorar e compreender as
percepções e atitudes das pessoas em relação a um determinado
tópico.
É importante que o pesquisador defina claramente os objetivos de sua
pesquisa antes de iniciar o trabalho, pois isso orientará a metodologia da
pesquisa, a coleta de dados, a análise e a interpretação dos resultados. Os
objetivosespecíficos são metas mais detalhadas e específicas que são
específicas para atingir o objetivo geral da pesquisa. Eles fornecem uma
direção mais precisa para a condução da pesquisa. De maneira mais
específicas, os objetivos podem:
Descrever características: identificar e descrever as características-
chave de um objeto específico.
Analisar relações: investigar as relações entre variáveis específicas para
entender melhor os padrões ou correlações.
Coletar dados: realizar pesquisas de campo, entrevistas ou
experimentos para coletar dados relevantes.
Testar hipóteses: formular e testar hipóteses específicas com base nas
relações esperadas entre as variáveis.
Avaliar impacto: avaliar o impacto de uma intervenção, programa ou
política em uma população específica.
Identificar padrões: identificar padrões ou tendências nos dados
coletados por meio de análises estatísticas.
Validar instrumentos: validar instrumentos de medição, questionários ou
métodos utilizados na coleta de dados.
Comparar grupos: comparar grupos específicos para entender
diferenças ou semelhanças em relação a determinadas variáveis.
Explorar percepções: explorar as percepções, atitudes e opiniões das
pessoas em relação a um tópico específico.
Identificar fatores de influência: identificar fatores que influenciam um
determinado comportamento, preferências ou condição.
Corrigir problemas de implementação: identificar e propor soluções para
problemas práticos encontrados durante a implementação de um projeto
ou intervenção.
É importante ressaltar que os objetivos, geral e específicos, precisam ser
escritos com verbos no infinitivo, ou seja, desejamos “alcançar” os objetivos
da pesquisa. Os verbos devem ser claros e diretos, como: verificar, indicar,
identificar, citar, localizar, organizar, entre outros. Assim, é mais preciso traçar
um cronograma de execução da pesquisa.
Vamos Exercitar?
Vamos retomar a nossa situação inicial: você começou a redigir seu TCC; seu
tema de pesquisa é o “impacto da tecnologia na saúde mental de
adolescentes”. Você definiu também o problema da sua pesquisa: “em que
medida o uso noturno de dispositivos eletrônicos interfere nos padrões de
sono e bem-estar emocional em adolescentes de 13 a 17 anos?”. A
justificativa pode começar a ser redigida contextualizando o uso de
tecnologia pelos adolescentes: “Diante da experiência de adolescentes na era
digital, com o uso generalizado de dispositivos tecnológicos e plataformas
online, surge a necessidade de investigar os potenciais impactos específicos
na saúde mental dessa faixa etária. O problema de pesquisa consiste em
compreender de que forma a exposição constante à tecnologia influencia
fatores como ansiedade, depressão e qualidade do sono entre os
adolescentes”. O objetivo da pesquisa é analisar o impacto da tecnologia na
saúde mental de adolescentes na faixa etária de 13 a 17 anos.
Saiba Mais
1. A justificativa de pesquisa deve ser bem elaborada e fundamentada, para
mostrar ao leitor a importância da realização do estudo e do
desenvolvimento do tema em questão. Para se aprofundar nesse
assunto, acesse o texto: “Exemplos de justificativa de TCC”, da Biblioteca
da Faculdade de Direito da UFMG.
2. Os objetivos gerais e específicos de uma pesquisa são os fios
condutores para a posterior delimitação da metodologia. Assim, os
objetivos precisam ser coerentes com o tema e o problema da pesquisa,
e estar de acordo com o referencial teórico que vai embasar o
desenvolvimento do estudo. Para compreender melhor como elaborar os
https://biblio.direito.ufmg.br/?p=3503
objetivos da pesquisa, acesse o link a seguir e leia o texto “Como
elaborar objetivos gerais e específicos”, de Amanda Tracera.
 
Referências Bibliográficas
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de
Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Ltc, 2016.
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTTO, Luciana Bernardo.
Guia prático de monografias, dissertações e teses: elaboração e
apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica.
8ª ed. Barueri: Atlas, 2022.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho
científico: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográfica, teses de doutorado,
dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo:
Atlas, 2024.
SILVA, Airton Marques da. Metodologia da pesquisa. 2ª ed. Fortaleza:
EDUECE, 2015.
Aula 2
REFERENCIAL TEÓRICO E
METODOLOGIA
Referencial teórico e metodologia
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você
irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos
https://www.atenaeditora.com.br/blog/como-elaborar-objetivos-gerais-e-especificos
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Chegou o momento de pensarmos na condução da pesquisa, em como
desenvolver e dar a condução da metodologia da pesquisa. Para isso, vamos
refletir sobre a diferença entre método da pesquisa e metodologia da
pesquisa, que, embora pareçam ter o mesmo significado, não são a mesma
coisa. Precisamos compreender também o que é o estado da arte da
pesquisa e, então, pensar nos procedimentos, ou seja, nos sujeitos e em
como os dados da pesquisa serão coletados, se em campo ou em material
bibliográfico.
Vamos refletir sobre a seguinte questão: você está avançando no
desenvolvimento da sua pesquisa cujo tema é “impacto da tecnologia na
saúde mental de adolescentes”. Você já sabe que o seu público-alvo são
adolescentes de 13 a 17 anos e o problema de pesquisa reside na
necessidade de identificar os fatores específicos associados ao uso intensivo
de tecnologia que são importantes para desafios na saúde mental dos
adolescentes.
Agora você precisa definir o recorte temporal para realizar o estado da arte,
definir o recorte em relação aos sujeitos que vão participar da pesquisa e os
instrumentos para a coleta dos dados. Bons estudos!
Vamos Começar!
Estamos caminhando para a compreensão da construção de uma pesquisa
acadêmica bem estruturada, pautada nos princípios científicos e éticos no
tocante à sua organização e sistematização. Precisamos começar a pensar
no desenvolvimento do “corpo da pesquisa”, ou seja, no método, na
metodologia e nos procedimentos técnicos e teóricos. Vamos começar
diferenciando método e metodologia, que muitas vezes são usados como
sinônimos, um equívoco. De maneira simplificada, o método é mais
específico e se refere aos procedimentos concretos utilizados em uma
pesquisa, enquanto a metodologia é mais abrangente e aborda as
considerações teóricas e conceituais que orientam a escolha e aplicação
desses métodos.
O método refere-se ao conjunto específico de procedimentos ou técnicas que
são utilizadas para realizar uma pesquisa ou investigação. Refere-se a uma
abordagem específica ou a um conjunto de técnicas que os pesquisadores
utilizam para conduzir uma investigação ou realizar um estudo. É mais focado
e específico, representando as etapas práticas e a sequência de atividades
que os pesquisadores seguem para examinar dados, analisar informações e
chegar a conclusões. Exemplos de métodos incluem o método experimental,
método de estudo de caso, método survey, entre outros (Marconi; Lakatos,
2022).
A metodologia é um termo mais abrangente que engloba não apenas os
métodos específicos, mas também os princípios teóricos, as abordagens
gerais e os fundamentos filosóficos que orientam a pesquisa. Ela inclui a
escolha e a justificativa do método, bem como a estruturação geral do
processo de pesquisa, desde a formulação das perguntas de pesquisa até a
análise e interpretação dos resultados. A metodologia responde à pergunta
“como a pesquisa será realizada?”, incluindo considerações sobre o desenho
da pesquisa, a abordagem teórica,a coleta e análise de dados, entre outros.
Em resumo, a metodologia é o plano geral que orienta a pesquisa, enquanto o
método é a implementação específica desse plano. Em outras palavras, a
metodologia é a estrutura mais ampla que informa como a pesquisa será
realizada, enquanto o método refere-se aos detalhes práticos e técnicos de
como cada parte da pesquisa será concluída. Ambos são essenciais para
garantir a qualidade e a validade de um estudo.
O estado da arte da pesquisa
O termo “estado da arte” refere-se ao ponto mais avançado ou à situação
atual de desenvolvimento em uma área específica de pesquisa ou tecnologia.
O estado da arte da pesquisa representa o conhecimento mais recente, as
descobertas mais avançadas e as práticas mais inovadoras em um
determinado campo. Quando se fala do “estado da arte da pesquisa”,
geralmente está se referindo ao panorama mais recente e avançado de
descobertas e contribuições em uma área específica de pesquisa acadêmica.
Isso pode incluir novas teorias, métodos, experimentos, descobertas ou
avanços técnicos que representam o auge do conhecimento e progresso
daquele campo em um determinado momento.
É comum que os pesquisadores revisem o estado da arte para contextualizar
sua própria pesquisa, identificando lacunas no conhecimento existente e
entendendo como sua contribuição se relaciona com o que já foi feito. A
revisão do estado da arte é importante ao iniciar um novo projeto de pesquisa
para garantir que o trabalho seja relevante, inovador e contribua para o avanço
do conhecimento na área em questão (Baptista; Campos, 2016).
Os passos comuns ao realizar uma revisão do estado da arte incluem:
1. Identificação de fontes relevantes: revisão de artigos acadêmicos, livros,
conferências, patentes e outros recursos relevantes para encontrar
trabalhos relacionados à sua área de estudo.
2. Análise e síntese: análise crítica das descobertas e contribuições dos
trabalhos encontrados. Síntese das informações para ter uma
compreensão clara do que já foi feito na área.
3. Identificação de lacunas e desafios: identificação de lacunas no
conhecimento existente e desafios não resolvidos. Isso pode fornecer
oportunidades para novas pesquisas.
4. Contextualização do próprio estudo: com base na revisão do estado da
arte, os pesquisadores contextualizam seu próprio trabalho, destacando
como ele se relaciona com as contribuições existentes e como pode
contribuir para novas pesquisas.
5. Atualização contínua: dado que o estado da arte está em constante
evolução, é importante que os pesquisadores atualizem suas revisões ao
longo do tempo, incorporando novas descobertas e desenvolvimentos à
medida que ocorrem.
O estado da arte é um componente crucial de muitos projetos de pesquisa,
teses e artigos científicos, pois fornece uma base sólida para o trabalho
futuro e demonstra ao leitor o contexto em que uma nova pesquisa está
inserida.
 
Siga em Frente...
Metodologia da pesquisa
A metodologia da pesquisa se refere ao conjunto de procedimentos, técnicas
e ferramentas utilizadas na realização de um estudo ou pesquisa científica.
Ela descreve o caminho que o pesquisador seguirá para coletar dados,
analisá-los e chegar às conclusões. A metodologia é fundamental para
garantir a validade e confiabilidade dos resultados obtidos. Assim, ela é uma
parte crucial de qualquer pesquisa, pois fornece o arcabouço teórico e prático
que orienta o pesquisador durante todo o processo. Ela ajuda a garantir que a
pesquisa seja realizada de maneira sistemática e que os resultados sejam
confiáveis e relevantes (Marconi; Lakatos, 2022).
Os sujeitos e os procedimentos da pesquisa
No desenvolvimento da pesquisa, a definição dos sujeitos ou participantes da
pesquisa é uma etapa fundamental. Essa parte é crucial para entender quem
está envolvido no estudo, fornecendo informações sobre quem foram os
participantes, como foram selecionados e quais características são
relevantes para a pesquisa. A descrição detalhada dos sujeitos é primordial
para que os leitores compreendam a base da amostra sobre a qual os
resultados da pesquisa são generalizados. Isso também ajuda a avaliar a
validade e a aplicabilidade dos resultados em contextos mais amplos.
Alguns aspectos são essenciais na escolha dos sujeitos e na condução da
pesquisa:
Características demográficas: são informações sobre características
básicas dos participantes, como idade, gênero, raça/etnia, nível
educacional, entre outras. Esses detalhes ajudam a contextualizar os
resultados em relação à diversidade da amostra.
Critérios de inclusão e exclusão: especificam os critérios que
determinam a seleção dos participantes para o estudo. Por exemplo, um
estudo pode incluir apenas adultos entre 25 e 40 anos que tenham uma
condição específica de saúde.
Processo de seleção: descreve como os participantes foram recrutados.
Pode incluir informações sobre abordagens de recrutamento, locais de
recrutamento, parcerias com instituições, etc.
Tamanho da amostra: informa quantos participantes foram incluídos no
estudo. A justificativa para o tamanho da amostra também pode ser
discutida.
Consentimento informado: deixa claro como o consentimento dos
participantes foi obtido, garantindo que eles estejam cientes dos
objetivos da pesquisa, dos procedimentos envolvidos e dos possíveis
riscos. Isso é particularmente importante em estudos que envolvem
seres humanos e é uma prática ética padrão.
Anonimato e confidencialidade: no caso de pesquisas envolvendo seres
humanos, a metodologia deve manter o anonimato e a confidencialidade
para proteger a identidade dos participantes.
Os dados da pesquisa
Após a seleção dos objetos/sujeitos ou participantes da pesquisa é
necessário pensar nos dados dessa pesquisa. Todavia, os métodos e
procedimentos de coleta serão diferentes para cada tipo de pesquisa. Para
fins didáticos, para compreendermos como podemos coletar os dados,
podemos dividir as pesquisas em duas áreas: experimental, que envolve a
coleta de dados em campo ou laboratório, podendo ser tanto qualitativa
quanto quantitativa, e a pesquisa bibliográfica, que envolve a procura na
literatura existente de uma resposta para o problema tratado.
Como se pode observar, ambas abordagens são complementares e
geralmente trabalham juntas. Na pesquisa experimental, as fontes dos dados
mais comuns são: experimentos laboratoriais, estudos de campo, entrevistas,
estudos de caso, observações empíricas, experimentos computacionais etc.
Na pesquisa bibliográfica, as fontes são documentos, registros, atas, cartas,
livros, teses, artigos científicos, relatórios, periódicos técnicos, estudos gerais,
metanálises, bancos de dados digitais, etc. Cada fonte exige um tratamento
específico para melhor proveito da informação obtida.
Há pesquisas que contam com fontes secundárias e fontes primárias de
informação. As fontes secundárias são geralmente dados que já foram
coletados por outros estudos e estão disponíveis por meio de alguma
listagem de informação. As fontes primárias seriam os dados brutos a serem
coletados na pesquisa, como os dados obtidos de um questionário elaborado
pelo pesquisador. Devido ao grande volume de informações disponíveis nas
pesquisas bibliográficas, que ocorrem tanto para fundamentar teoricamente a
pesquisa quanto para dar respostas ao problema tratado, deve-se ter muito
cuidado com a confiabilidade e autenticidade das informações coletadas.
A fontes primárias da pesquisa quantitativa, em geral, podem ser a
observação ou a utilização de instrumentos como levantamentos ou survey,
que são formas de descobrir o que existe e como existe no ambiente social
analisado. Em geral, são descritivos e visam determinar as características e
opiniões de populações, a partir de amostragens representativas. Têm como
vantagem a aplicação simples, fácil decodificação e análise dos dados. Como
desvantagem, há o problema de confiabilidade, pois uma vez que se faz
perguntas àspessoas, elas podem se recusar a prestar informações
verídicas. Por isso, é necessário muito cuidado na análise dos dados
coletados.
É importante compreender que os dados da pesquisa se constituem como as
variáveis coletadas e que posteriormente serão analisadas. Uma variável é
simplesmente algo que muda, ou seja, as variáveis devem assumir valores
diferentes ou categorias diferentes. Exemplo, as variáveis de valor podem ser
as idades: 17, 18, 20, 32, 45. As variáveis de categoria podem ser os gêneros:
feminino, masculino, não binário, etc. As variáveis são muito importantes
porque, através delas, observamos as variações dos fenômenos analisados
na pesquisa. Elas podem ser de dois tipos: qualitativas e quantitativas. As
variáveis qualitativas são os dados de atributos ou qualidades, por exemplo,
sobre o assunto que você mais lê: literatura. Já as variáveis quantitativas são
números em certa escala, por exemplo, quantos livros você lê ao ano: 12.
Técnicas de coleta de dados
Há diversas técnicas de coletas de dados. Cada pesquisa utilizará uma
técnica que esteja mais adequada aos seus objetivos. Nas pesquisas
quantitativas, os dados podem vir da observação, de levantamentos ou de
surveys. A observação pode ser: estruturada (em que é especificado o que
deve ser observado e como deve ser sua coleta); natural (no ambiente em que
a situação ocorre); planejada (em um ambiente artificial); disfarçada
(entrevistados não sabem que estão sob observação); não disfarçada
(entrevistados sabem que estão sob observação).
A observação é muito importante na pesquisa científica e, em relação a
outros métodos, traz a vantagem de que os dados são apreendidos
diretamente, sem intermediação. Contudo, uma possível desvantagem é que
o próprio pesquisador pode provocar alterações nos fenômenos observados,
podendo dar uma interpretação deslocada do objeto e produzindo resultados
pouco confiáveis. Os levantamentos, por sua vez, examinam amostras de
uma população ou grupo por meio de documentos, questionários, entrevistas
e formulários.
A entrevista é a técnica em que o pesquisador formula perguntas ao sujeito
observado. As questões devem ser elaboradas pensando nas mais relevantes
ao estudo, além de estarem baseadas em uma bibliografia atualizada do
assunto. Todos os dados coletados devem ser verificados em termos da sua
credibilidade. Como vantagem, a entrevista: é eficiente na obtenção de dados
com profundidade; seus dados são suscetíveis à classificação e
quantificação; ela permite a avaliação de informações não previstas
anteriormente; etc. As desvantagens seriam: fornecimento de respostas
inverídicas, influência exercida pelo entrevistador no entrevistado, etc.
O questionário se constitui como uma série de perguntas que devem ser
respondidas pelos sujeitos da pesquisa. Ele deve ser objetivo e com uma
extensão limitada, estando acompanhado de instruções que esclareçam o
propósito e facilitem o preenchimento pelo público-alvo. As vantagens dos
questionários são: menor curso, anonimato das respostas e menor influência
dos entrevistadores. As desvantagens podem ser: baixo índice de retorno; são
limitados a quem saiba ler e escrever. É preciso que o número de questões
não seja extenso. Os tipos de questões podem ser classificados em abertas
(em que o informante pode responder livremente), fechadas (escolha entre
duas opções disponíveis de resposta) e múltipla escolha (dispõe uma série de
respostas possíveis).
Os formulários, por sua vez, são coleções de questões anotadas pelo
entrevistador na presença do público-alvo; eles podem ser configurados como
um meio-termo entre entrevista e questionário. Suas vantagens são: a
presença do pesquisador, que pode elucidar os objetivos da pesquisa; ser
amplamente utilizável e flexível. Como desvantagens possíveis do formulário,
podemos citar: menor liberdade de respostas dada a presença do
pesquisador, tempo de resposta mais demorado e risco de distorções pela
presença do pesquisador entrevistador.
Depois de feita a coleta, os dados estão desorganizados e pouco claros,
então, a primeira coisa a fazer é tratá-los. A apresentação dos dados pode se
dar por meio de tabelas, quadros e gráficos que permitam ao pesquisador
fazer inferências e chegar a conclusões. Para a elaboração desses, há
inúmeros recursos digitais que auxiliam a apresentação dos dados, como o
Excel.
Vamos Exercitar?
Você se lembra da nossa situação inicial? Você está avançando no
desenvolvimento da sua pesquisa, cujo tema é “impacto da tecnologia na
saúde mental de adolescentes”. Você já sabe que o seu público-alvo são
adolescentes de 13 a 17 anos e o problema de pesquisa reside na
necessidade de identificar os fatores específicos associados ao uso intensivo
de tecnologia que são importantes para desafios na saúde mental dos
adolescentes. Agora você precisa definir o recorte temporal para realizar o
estado da arte, definir o recorte em relação aos sujeitos que vão participar da
pesquisa e os instrumentos para a coleta dos dados. Vamos lá?
Você precisa deixar claro para o leitor o recorte temporal que fará na busca
pelos estudos disponíveis, o estado da arte da pesquisa. Isso é necessário
porque é relevante buscar as últimas produções a respeito do tema da
pesquisa. Então, como o tema é referente ao uso da tecnologia, o recorte
pode ser referente aos últimos cinco anos. É necessário também mostrar o
recorte em relação aos sujeitos, pois não é possível coletar dados com todos
os adolescentes do país, por exemplo. Assim, os dados podem ser coletados
com adolescentes de uma cidade do sul de Minas Gerais por meio de um
questionário com respostas de múltipla escolha. Por se tratar de
participantes menores de idade, para que eles possam participar da pesquisa,
é necessário o consentimento prévio dos pais.
Saiba Mais
1. Saber coletar os dados de uma pesquisa científica é essencial para a
obtenção de bons resultados e para que eles sejam confiáveis aos olhos
do leitor da pesquisa. A coleta de dados varia, a depender do tipo de
pesquisa que está sendo realizado: se é qualitativa ou quantitativa, por
exemplo. Para se aprofundar no assunto, leia o artigo “Um apanhado
teórico-conceitual sobre a pesquisa qualitativa: tipos, técnicas e
características”, de Cristiano Lessa de Oliveira.
2. Método e metodologia são elementos interligados no desenvolvimento
da pesquisa científica. Embora sejam elementos que precisam ser
desenvolvidos, são distintos e o pesquisador precisa compreender a
diferença entre ambos. Saiba mais sobre o método da pesquisa e como
fazer essa escolha lendo o artigo: “A seção de método de um artigo
científico”, de Mauricio Gomes Pereira.
 
 
Referências Bibliográficas
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de
Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Ltc, 2016.
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTOO, Luciana
Bernardo. Guia prático de monografias, dissertações e teses: Elaboração e
apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica.
8ª ed. Barueri: Atlas, 2022.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho
científico: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográfica, teses de doutorado,
dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo:
Atlas, 2024.
SILVA, Airton Marques da. Metodologia da pesquisa. 2ª ed. Fortaleza:
EDUECE, 2015.
https://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/3122/2459
https://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/3122/2459
https://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/3122/2459
http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742013000100020
http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742013000100020
Aula 3
ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS
DADOS DA PESQUISA
Análise e interpretação dos dadosda
pesquisa
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Ponto de Partida
Olá, estudante!
Caminhando para a finalização do relatório de pesquisa, este é o momento de
pensar na apresentação dos resultados, nas considerações finais e na
formatação, que deve seguir a ABNT NBR 14724 (2011). A seção dos
resultados indica o que foi encontrado na pesquisa, isto é, mostra os dados
relevantes obtidos pelo pesquisador. Os resultados podem ser apresentados
junto com a discussão, pois assim é possível que os leitores entendam o que
os resultados significam. As considerações finais apresentam o resultado do
trabalho, interpretando os achados em um nível de abstração mais alto do
que a discussão e relacionando esses achados ao problema de pesquisa
declarado na introdução.
Vamos treinar a análise de tabelas e gráficos a partir da seguinte questão:
você e sua equipe foram contratados para realizar uma pesquisa quantitativa
sobre a inserção das mulheres no mercado de trabalho e suas condições de
vida no município de Campinas. O estado de São Paulo será analisado em um
contexto mais amplo, para fins comparativos a partir de uma base de dados
secundários. Após a coleta dos dados, ao colocar os valores referentes às
populações do município de Campinas e do estado na construção de um
mesmo gráfico, a barra correspondente à população do município ficou quase
invisível.
Figura 1 | Nível de instrução – população do estado de São Paulo e Campinas, 2010. Fonte: adaptada de IBGE
(2010).
 
 
 
Vamos Começar!
Quadros, gráficos e tabelas
Após coletarmos os dados, realizamos as análises iniciais, sejam estatísticas,
sejam algum tipo de interpretação. É necessário inserir os resultados na
pesquisa. Este é o momento de mostrar para o leitor o que você encontrou
com o desenvolvimento do seu estudo. Apresentar os resultados de uma
pesquisa científica de forma clara e eficaz é fundamental para comunicar
suas descobertas de maneira acessível e compreensível para os leitores. Os
resultados precisam ser discutidos articulando a hipótese inicial da pesquisa
e outros estudos relevantes no campo em questão (Shishito, 2018).
Segundo Pereira (2013), é importante que se apresentem as características
demográficas, socioeconômicas, clínicas ou de outra natureza do objeto
estudado. Gráficos, quadros e tabelas podem ser utilizados para apresentar
os resultados da pesquisa de uma maneira visualmente mais atraente. Esse
tipo de apresentação dos resultados permite que as análises sejam
realizadas por meio de uma visualização de conjunto. Os recursos visuais
podem ser utilizados para buscar por padrões e relações de uma ou mais
variáveis, descobrir novos fenômenos, verificar suposições etc. A
representação de uma variável a partir de um gráfico/tabela tem a vantagem
de informar de forma rápida e concisa a sua variabilidade (Shishito, 2018).
As tabelas são formas não discursivas, representadas por números e códigos,
dispostos em ordem, segundo as variáveis analisadas do fenômeno. As
tabelas, preferencialmente, devem ser completas para que dispense a
consulta ao texto, contenha os dados necessários, tenha uma estrutura
simples, objetiva e certa consistência lógica. Vamos acompanhar a seguir um
exemplo de como os dados da pesquisa podem ser apresentados em uma
tabela:
Tabela 1 | Exemplo de tabela com distribuição de frequências. Fonte:
adaptada de Shishito (2018, p. 137).
No exemplo acima, a frequência se refere aos números absolutos da
contagem; a proporção é em relação ao total e a porcentagem também é
calculada em relação ao total. Esse recurso de distribuição de uma variável a
partir de percentuais é bastante útil quando se pretende comparar essa
variável entre grupos distintos. A maneira como esses dados serão descritos
após a apresentação da tabela depende do objetivo da pesquisa, do que o
pesquisador se propôs a investigar. Podemos pensar em um exemplo: os
dados da Tabela 1 indicam que a maior parte dos respondentes da pesquisa
(50%) possuem o ensino médio completo, enquanto apenas 16,67%
declararam ter concluído algum curso superior.
Outra forma de apresentar os dados da pesquisa é por meio do gráfico de
barras. Eles permitem uma comparação visual por meio da altura das barras.
Os dados são indicados no gráfico para que o leitor entenda a que o autor
está se referindo. Os gráficos de barras são mais apropriados para as
variáveis ordinais, ou seja, aquelas em que os atributos têm uma ordenação,
por exemplo a distribuição por anos ou por grau de instrução. Para os
gráficos que utilizam os eixos verticais (y) e horizontais (x), como o da Figura
2 a seguir, é importante sinalizar, a partir de legendas, quais valores estão
referenciados em cada eixo.
Grau de instrução Frequência ni Proporção fi Porcentagem 100 fi
Fundamental 12 0,3333 33,33
Médio 18 0,5000 50,00
Superior 6 0,1667 16,67
Total 36 1,0000 100,00
Pode ser feita uma introdução antes da inserção do gráfico, por exemplo: Os
dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios Contínua divulgada
pelo IBGE em 2023 indicaram que de 2016 a 2022 a presença de telefone fixo
convencional diminui mais de 20% nas residências brasileiras. Por outro lado,
no mesmo período a presença de telefone móvel celular subiu mais de 3%,
mas ainda não chegou à totalidade dos lares brasileiros. Os dados podem ser
visualizados na Figura 2 a seguir.
Figura 2 | Domicílios com telefone fi xo convencional e com telefone móvel celular
(%).  Fonte: IBGE (2023).
Também podem ser utilizados os gráficos de setores (pizza) para a
apresentação dos resultados da pesquisa. Esse gráfico apresenta uma
frequência relativa de uma observação. Eles não são bons para comparações
temporais. Os gráficos de setores são mais apropriados para representar
variáveis qualitativas nominais, ou seja, aquelas em que os atributos descritos
não têm uma relação de ordem entre si.  A Figura 3 traz um exemplo desse
tipo aplicado às notas dos alunos. A discussão pode ser relacionada a
motivação dos alunos, à indisciplina, a frequência nas aulas ou a outro fator
que esteja associado ao que foi pesquisado.
Figura 3 | Exemplo de gráfico de setores. Fonte: elaborada pela autora.
Após a explicitação da amostragem, os resultados devem ser elencados em
uma ordenação. Primeiro, os mais relevantes, aqueles que respondem
diretamente à questão central da pesquisa. O pesquisador, na sequência,
poderá expor os resultados secundários, aqueles achados que não eram
esperados, mas que são relevantes. Há algumas dicas que podem ser
seguidas para facilitar a elaboração da seção de resultados:
Apresentar os resultados de forma ordenada e lógica.
Dar ênfase somente a informações imprescindíveis.
Não emitir opiniões ou julgamentos sobre o que foi encontrado, pois a
parte interpretativa cabe à seção de discussão.
Não replicar no texto os resultados que estão nas ilustrações.
Esses são alguns exemplos de como os dados podem ser apresentados, mas
também podem ser utilizados histogramas, tabulação cruzada, diagramas de
dispersão, gráfico sequencial, dentre outros. É importante ressaltar que, na
hora de interpretar os dados e expor os resultados, o pesquisador deve ter
muito cuidado para não enviesar e comprometer esses dados com sua
análise. Assim, espera-se que, na seção de resultados, se encontrem as
informações mais relevantes que a pesquisa obteve. A seção de resultados
deve ter um texto simples, objetivo, que preze pela clareza e pela ordenação
lógica, seguindo sempre as regras da comunicação científica. Muitas vezes,
se faz necessário redigir o texto mais de uma vez, até alcançar a clareza
pretendida.
 
Siga em Frente...
As considerações finais
Após a apresentação e discussão dos resultados, a pesquisa se encaminha
naturalmente para as considerações finais. Alguns autores se referem a esse
momento da pesquisa comoa etapa das conclusões. Entretanto, se
consideramos o processo de construção do conhecimento como algo fluído e
dinâmico, em constante construção, é possível admitir que o tema escolhido
não é algo que se finda. Sempre haverá a possibilidade de trabalhar o tema de
uma outra maneira, a partir de uma outra perspectiva, abordando novos
tópicos ou novos questionamentos.
Independente de chamarmos essa parte de pesquisa de considerações finais
ou conclusões, ela tem características próprias que precisam ser observadas.
É o momento em que o autor retoma de forma sintetizada as principais
argumentações desenvolvidas no decorrer do trabalho, buscando as relações
entre as ideias apresentadas e os resultados obtidos. É uma parte do texto
que deve ser redigida de forma clara, precisa e objetiva, não sendo
recomendado retomar citações ou trazer novas informações (Baptista;
Campos, 2016; Crivelaro; Crivelaro; Miotto, 2011).
Marconi e Lakatos (2024, p. 151) apontam que, ao finalizar um trabalho, se
deve “a) Evidenciar as conquistas alcançadas com o estudo. b) Indicar as
limitações e as reconsiderações. c) Apontar a relação entre os fatos
verificados e a teoria”. É importante mostrar para o leitor que os argumentos,
teorias, hipóteses e conceitos conversam entre si, se unem e se
complementam. Dessa forma, o autor pode apresentar também propostas e
sugestões para novos estudos e depois se preocupar com a elaboração dos
documentos pós-textuais.
Formatação do relatório de pesquisa
A norma da ABNT que define como um trabalho final deve ser formatado é a
NBR 14724 (2011). Ela apresenta os elementos pré-textuais, os elementos
textuais e os elementos pós-textuais que devem ser apresentados, e define
aqueles que são obrigatórios e os que são opcionais. O TCC é definido como
um “documento que apresenta o resultado de estudo, devendo expressar
conhecimento do assunto escolhido, que deve ser obrigatoriamente emanado
da disciplina, módulo, estudo independente, curso, programa, e outros
ministrados” (ABNT, 2011, p. 4). A seguir, na Figura 4, podemos visualizar um
esquema que apresenta a estrutura do trabalho acadêmico:
Figura 4 | Estrutura do trabalho acadêmico. Fonte: ABNT 14724 (2011, p. 5).
O TCC sistematiza os resultados de uma pesquisa científica, sendo assim,
para a sua elaboração, é necessário aplicar os procedimentos observados na
construção de um estudo científico. O seu intuito é aprofundar o
conhecimento do aluno/pesquisador em um determinado tema. Ele é
realizado normalmente no final de um curso para demonstrar o conhecimento
adquirido durante aquele período. Não existe um padrão quanto ao tipo de
trabalho que será solicitado, podendo ser um artigo, uma monografia, um
paper, relatório de estágio, etc. Assim, cada instituição de ensino faz a
determinação do tipo de trabalho que o aluno fará (Baptista; Campos, 2016).
O esquema anterior nos permitiu visualizar aqueles elementos que são
obrigatórios e os que são opcionais. Vamos olhar de maneira mais detalhada
para esses elementos. Não podemos esquecer que a NBR 14724 (2011) nos
orienta quanto à estrutura do trabalho; o conteúdo deve ser desenvolvido pelo
pesquisador, contemplando de maneira detalhada aqueles elementos
abordados no projeto de pesquisa.
Figura 5 | Exemplo para apresentação de um trabalho acadêmico concluído. Fonte: adaptada de Crivelaro;
Crivelaro; Miotto (2011).
No exemplo anterior, apresentamos apenas a lista de tabelas, mas podem ser
inseridas também listas de ilustrações, abreviaturas, siglas e símbolos; isso
depende desses elementos estarem presentes ou não no decorrer do
trabalho. O sumário deve ser elaborado de acordo com a ABNT NBR 6027
(2013). As margens das páginas devem ser de 3cm para a esquerda e a
superior e 2cm para a direita e a inferior. A recomendação é que o texto seja
digitado em fonte 12 e o espaçamento entre linhas deve ser 1,5. Por fim, é
importante fazer toda a parte textual primeiro para depois voltar nos
elementos pré-textuais.
Vamos Exercitar?
Retomando a nossa situação inicial, você e sua equipe estavam realizando
um trabalho com a sistematização e apresentação gráfica de dados da
pesquisa survey e de dados coletados de bases de dados secundárias. Por
estar trabalhando com dois grupos populacionais de tamanhos distintos:
amostra da população do município de Campinas e população total do estado
de São Paulo, a representação gráfica apresentou um desenho de difícil
visualização e comparação dos dados. Uma forma de permitir a comparação
de padrões de distribuição de frequências a partir de gráficos é a
transformação dos dados em valores percentuais.
Considerando que as populações totais do estado de São Paulo e de
Campinas eram 41 milhões e cerca de 1 milhão, respectivamente, na
representação gráfica da Figura 1, fica difícil visualizar os valores para
Campinas. Dessa forma, a conversão dos valores em percentuais é a maneira
mais fácil para que posteriormente seja possível construir um gráfico de
barras com a finalidade de comparar o nível de instrução da cidade com o
nível do estado. Veja como ficou a conversão na Tabela 2:
População de Campinas e do estado de
São Paulo segundo nível de instrução,
2010
  Estado de São
Paulo
Campinas
Nível
de
instruç
ão
Frequ
ência
Perce
ntual
%
Frequ
ência
Percent
ual %
Funda
mental
incomp
leto
20.49
6.012
49,7 449.71
5
41,6
Funda
mental
comple
to
6.706.
403
16,3 165.21
8
15,3
Médio
comple
to
9.577.
010
23,2 259.21
8
24,0
Superio
r
comple
to
4.171.
221
10,1 200.25
2
18,5
Tabela 2 | Tabela com distribuição de frequências absolutas e percentuais.
Fonte: adaptada de IBGE (2010).
 
Saiba Mais
1. Representar os dados da pesquisa de maneira gráfica pode ser uma
estratégia interessante para prender a atenção do leitor e deixar o
conteúdo visualmente mais atrativo. Para isso, é necessário que o autor
da pesquisa saiba como elaborar os gráficos e tabelas. O Microsoft
Excel é um forte aliado nesse sentido. Para saber mais sobre o assunto,
acesse o capítulo 6 – “Gráficos” (p. 60-97), do livro Gráficos em
Dashboard para Microsoft Excel 2013, de José Eduardo Chamon,
disponível na Minha Biblioteca.
2. A elaboração do trabalho de conclusão de curso concretiza a finalização
de todo um processo de formação que se deu durante um tempo, seja
em um curso de graduação, seja na pós-graduação. Ele sintetiza os
conhecimentos adquiridos pelo aluno/pesquisador nesse período. Por
isso, é importante saber elaborar corretamente esse trabalho. Para
conseguir compreender melhor esse processo, leia o texto “Pequeno
guia prático para se fazer uma monografia acadêmica” de Paulo Roberto
de Almeida.
 
 
Referências Bibliográficas
Não
determi
nado
295.9
13
0,7 6.944 0,6
Total 41.24
6.559
100,0 1.081.
927
100,0
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536519258/pageid/59
https://www.uniceub.br/arquivo/83ng_20190122114220*pdf?AID=2303
https://www.uniceub.br/arquivo/83ng_20190122114220*pdf?AID=2303
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR
14724: informação e documentação: Trabalhos acadêmicos: apresentação.
Rio de Janeiro: ABNT, 2011.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 6027:
informação e documentação: Sumário: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT,
2013.
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de
Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Ltc, 2016.
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTTO, Luciana Bernardo.
Guia prático de monografias, dissertações e teses: Elaboração e
apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: acesso à internet e à televisão
e posse de telefone móvel celular para uso pessoal 2022. Rio de Janeiro:
IBGE, 2023. Disponível em:
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102040_informativo.pdf.Acesso em: 9 nov. 2023.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho
científico: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográfica, teses de doutorado,
dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo:
Atlas, 2024.
PEREIRA, M. G. A seção de resultados de um artigo científico. Epidemiologia e
Serviços de Saúde, v. 22, n. 2, p. 353-354, 2013.
SHISHITO, Katiani Tatie. Pesquisa aplicada às ciências sociais. Londrina:
Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018.
 
 
Aula 4
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102040_informativo.pdf
NORMAS E PADRONIZAÇÃO
CIENTÍFICA
Normas e padronização científica
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você
irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos
assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Chegou o momento de pensarmos nas normas e na padronização de um
trabalho acadêmico. Esse momento, para muitas pessoas, pode parecer um
pesadelo, mas vamos ver que não é. Trata-se de processo bem simples, a
partir do momento em que compreendemos os elementos que precisam ser
apresentados tanto nas citações quanto nas referências. E a melhor maneira
para chegarmos a essa compreensão é praticando.
Vamos refletir e exercitar sobre a seguinte questão: você finalizou seu
trabalho de conclusão de curso e seguiu a norma 14724 da ABNT no tocante
à formação. Agora é o momento de revisar as referências e as citações que
foram feitas no decorrer do texto. Você percebeu que suas citações não estão
padronizadas; à medida que foi escrevendo o texto, você se confundiu. Então
para ficar mais fácil realizar o ajuste, você vai elaborar um esquema que
sintetize as principais características de cada tipo de citação para que você
possa voltar no texto e realizar a revisão de maneira mais eficaz. Bons
estudos!
Vamos Começar!
Falamos bastante nas normas que precisam ser aplicadas nos trabalhos
acadêmicos, na padronização científica, mas por que precisamos seguir
essas normas? Só existem as normas da Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT)? Muitos outros questionamentos podem ser feitos, mas o
que nos importa saber é que existem outras normas que são utilizadas para
padronizar os trabalhos acadêmicos, como a American Psychological
Association (APA). As normas da APA são direcionadas principalmente para
as áreas da Psicologia e da Administração e não apresentam orientações
quanto a formatação de capa, folha de rosto, anexos, etc. (PUCMG, 2022).
Existem ainda outras normas, como a Chicago, a Harvard ou a Vancouver.
Cada uma delas tem seus elementos específicos e formas próprias de
formatação.
Por que utilizamos, na maioria das vezes, as normas da ABNT? Porque são as
mais utilizadas nacionalmente, mesmo sendo facultativas do ponto de vista
institucional. Isso quer dizer que as instituições podem adotá-las em partes
ou no todo (no entanto, uma vez adotadas, todos os trabalhos realizados para
a instituição devem se adequar a elas). Elas são necessárias, pois a ciência
exige um padrão não apenas na condução de seus experimentos, mas
também na divulgação de seus resultados. Nesse sentido, compreendemos
que as normas não têm o intuito de limitar a produção científica, e sim de
adequar as produções a fim de favorecer a transmissão e divulgação do
conhecimento. Vamos falar especificamente das normas de citações e de
referências, que são dois elementos primordiais na realização de um bom
trabalho acadêmico.
Siga em Frente...
Citações – ABNT NBR 10520/2023
Sempre que vamos construir um texto científico, é necessário dialogar com
outros autores, por meio da consulta a textos já publicados. Precisamos nos
lembrar de que o conhecimento é dinâmico e está constantemente em
construção; essa busca permite também a compreensão do estado da arte
do tema em questão. Dessa forma, ao construir o texto, o pesquisador vai
inserir conceitos e ideias que são de outros pesquisadores e, para que a
pesquisa seja ética e não configure plágio, é necessário que as citações
sejam feitas conforme estabelece a norma. A norma da ABNT NBR 10520
(2023) é a que estabelece como as citações devem ser inseridas no texto.
Quando realizamos uma citação no decorrer de nosso texto, estamos dando
crédito ao autor que utilizamos como fonte. Estamos sinalizando para o
nosso leitor que aquela ideia, aquele conceito ou aquela visão não é nossa,
mas de outra pessoa. Entretanto, concordamos com o autor ou estamos
colocando no texto para, a partir dele, elaborar um contraponto. As citações
podem ser diretas ou indiretas. Também pode ser feita a citação da citação.
Elas podem ser inseridas em qualquer parte do texto. Precisamos nos atentar
para como mencionar o autor no decorrer do texto. Vamos ver todas essas
questões de maneira mais detalhada.
Citações diretas
As citações diretas consistem na transcrição literal das palavras do autor
base no texto que estamos escrevendo. De maneira geral, elas podem ser
curtas (até 3 linhas, entre aspas duplas no corpo do texto) ou longas (mais de
3 linhas, em parágrafo a parte com recuo lateral). Em ambos os casos, é
preciso mencionar o sobrenome do autor, o ano da publicação e a página de
onde aquele trecho foi retirado (Marconi, Lakatos, 2024). Vamos ver alguns
exemplos no Quadro 1:
CITAÇÕES DIRETAS CURTAS
Um autor
Quando se pensa na história da ética
das pesquisas com seres humanos,
Faintuch (2021, p. 9) aponta que “o
primeiro registro encontra-se na Bíblia,
com uma pesquisa prospectiva
controlada não aleatorizada”.
 Dois ou três autores
De acordo com Marconi e Lakatos
(2024, p. 15), a leitura é “um dos
fatores decisivos do estudo, é
imprescindível em qualquer tipo de
investigação científica”.
Quando pensamos na formação dos
indivíduos para a atuação na
sociedade, é preciso que essa
formação seja “considerada algo em
constante processo de construção e
desenvolvimento” (Mariano; Franco;
Oliveira, 2021, p. 364).
Quatro ou mais autores
O início da vida acadêmica ocasiona
muitas mudanças na vida dos
estudantes. “É um processo marcado
por modificações nos vínculos
comportamentais, que juntamente
com fatores psicossociais, estilo de
vida e situações do meio acadêmico
torna-os vulneráveis a circunstâncias
de risco à saúde” (Neves et al., 2015, p.
65).
Quadro 1 | Exemplos de citações diretas curtas. Fonte: elaborado pela autora.
Note que a inserção da citação no texto varia de acordo com a estrutura da
frase e de acordo com a maneira com que ela está sendo escrita. O que não
muda na citação direta curta é a maneira como ela é apresentada no texto,
sempre entre aspas duplas, acompanhada do sobrenome do autor ou autores,
do ano da publicação e da página de onde foi retirada. As aspas simples são
utilizadas para indicar citação no interior da citação. Em relação às citações
diretas longas, a maneira como elas aparecem nos textos é diferente das
curtas, mas permanece a obrigatoriedade de indicação de autor, ano e página
ou localização do trecho citado quando for possível. Vejamos alguns
exemplos:
Figura 1 | Exemplo de citação direta longa. Fonte: elaborada pela autora.
Note que o espaçamento entrelinhas utilizado no texto é de 1,5, mas, na
citação, o espaçamento entre linhas é simples. A ABNT (2023) recomenda
que seja feito o recuo de 4 centímetros da margem esquerda, com letra
menor que a utilizada no texto e sem aspas. Se forem dois, três ou mais de
três autores, a indicação dos sobrenomes seguem o modelo que foi
apresentado nas citações diretas curtas. Mas atenção: no caso de uma obra
com quatro autores ou mais, se você optar por utilizar a expressão et al., isso
precisa ser feito para todas as obras com quatro autores ou mais, a fim de
que haja padrão no texto. As supressões ou os acréscimos no decorrer das
citações são indicadas por colchetes e reticências [...].
Citações indiretas
As citações indiretas são aquelas em que não há transcriçãoOs teóricos
racionalistas argumentam que existem verdades que podem ser conhecidas
independentemente da experiência sensorial. Assim, a origem do
conhecimento está na razão e no fato de termos ideias inatas, ou seja, que
já nascem com o ser humano. Sob essa ótica, os conhecimentos
matemáticos são certos, seguros, incontestáveis e não mudam; portanto,
podem servir de base para a solidez epistemológica (Aranha; Martins;
2003).
“Penso, logo existo!” Essa é a famosa máxima de René Descartes (1596-
1650), que é considerado o pai da filosofia moderna. Descartes buscou
encontrar respostas verdadeiras que não pudessem ser postas em dúvida,
por isso criou o método cartesiano. O autor conciliou um aspecto
importante para o desenvolvimento de suas obras e do seu método, o
chamado ceticismo metodológico. O ceticismo metodológico é a posição
que nos permite duvidar de certas conjecturas ou hipóteses que não foram
submetidas à prova. Essa posição é basicamente uma dúvida razoável,
nunca absoluta, na falta de boas evidências. Em resumo, essa é a posição
que norteia toda a atividade científica ainda hoje (Gallo, 2016).
Ao desenvolver um método que permita o acesso ao conhecimento
verdadeiro, Descartes cria quatro regras para o seu uso:
1. Só considerar verdadeiro aquilo que for claro, evidente e distinto por si.
2. Fazer uma análise minuciosa daquilo que nos causa dúvidas.
3. Síntese.
4. Revisão.
Assim, buscam-se encontrar as certezas, chegar à verdade. Descartes se
contrapõe aos empiristas, pois, na sua perspectiva, todos nós estamos
sujeitos, de algum modo e em algum momento, a sermos enganados pelos
sentidos. Conclui-se, então, que, se os sentidos nos enganarem uma única
vez que seja, já seria motivo suficiente para não fundamentar a verdade
sobre eles.
O pensamento empirista
O conhecimento empírico pressupõe que os fenômenos podem ser
conhecidos com base na observação e nas experiências sensíveis do
sujeito. Parte-se do entendimento de que aquilo que a experiência nos
mostra repetidas vezes nos dá a confiança de que continuará sempre se
repetindo; ou seja, os resultados colhidos serão sempre os mesmos. A
partir desse entendimento, uma demonstração de que não existem ideias
inatas, tampouco princípios morais inatos, se dá pela existência de uma
pluralidade significativa de culturas, costumes e valores diferentes.
John Locke (1632-1704) é considerado o fundador do empirismo moderno,
entendendo que o nosso conhecimento se dá por meio dos nossos
sentidos. Ele criticou a doutrina de que temos ideias inatas, pois, se fosse
assim, as crianças já as teriam. O seu entendimento é o de que possuímos
capacidades inatas como o raciocínio e a percepção, que são fundamentais
para a explicação da compreensão humana (Gallo, 2016).
Dessa forma, Locke entendia a mente humana como uma “tábula rasa”
(folha em branco) no nascimento, que vai sendo preenchida com o
conhecimento que é adquirido por meio da observação e das experiências
sensoriais de cada um. Ele se sentiu desafiado a descobrir o que podemos
conhecer e acabou concluindo que podemos conhecer aquilo que os
nossos sentidos nos permitem, pois, se algo nunca foi visto, nem ouvido,
nem cheirado, e assim por diante, esse algo não nos é, e nem poderá ser
conhecido (Aranha; Martins, 2003).
Ciências Naturais e Ciências Humanas
A partir do que estudamos até aqui, conseguimos perceber como a
modernidade trouxe um aspecto de racionalização para a vida humana. No
âmbito econômico, ela se materializou na consolidação do capitalismo nas
técnicas racionais de contabilidade e de administração, e na forma de
trabalho livre assalariado. No quesito político, houve a substituição da
autoridade centralizada medieval pelo Estado Moderno. A racionalização
cultural fundamentou o desencantamento do mundo, ou seja, o mundo
moderno só poderia ser entendido pela razão e pela ciência, sem necessitar
de mitos, temores e superstições (Giddens, 2005).
Foi nesse contexto que as Ciências Humanas emergiram, frutos desse
processo histórico, com o intuito de explicar e compreender essa nova
ordem social. As ideias de progresso, racionalismo e domínio do homem
sobre a natureza exerceram forte influência sobre a mentalidade da época.
O conhecimento científico também ganha corpo e se expande a partir da
evolução do modo de produção capitalista, já que não havia mais a
limitação imposta pela igreja em relação àquilo que era ou não permitido
conhecer.
Diante de tal cenário, as Ciências Naturais, que já estavam estabelecidas e
tinham prestígio e reconhecimento na sociedade, eram consideradas o
único meio possível para se chegar ao conhecimento, sendo seu método de
análise dos fatos e fenômenos o único válido, “devendo, portanto, ser
estendido a todos os campos da indagação e atividade humanas” (Aranha;
Martins, 2003, p. 140). De maneira geral, é possível admitir que as Ciências
Naturais se concentram em observações pertinentes ao mundo físico e
natural, se apoiando em experimentos controlados e observações
quantitativas.
As Ciências Humanas, ao emergirem no século XIX, precisavam ganhar
espaço e prestígio, mostrando que também poderiam produzir
conhecimentos confiáveis assim como os produzidos pelas Ciências da
Natureza. As humanidades centram seus estudos na sociedade, na cultura,
no comportamento humano, na linguagem, na história, na psicologia e em
muitos outros aspectos que estejam relacionados à experiência humana.
Assim, as observações podem ser de cunho qualitativo (mas não excluindo
as de cunho quantitativo); e as análises, mais subjetivas.
Entretanto, num primeiro momento, até a sua consolidação, as Ciências
Humanas se valeram dos métodos e das técnicas de pesquisa das Ciências
Naturais para a realização das primeiras pesquisas. Com o tempo, esse
cenário foi se modificando e novos métodos e técnicas, pertinentes a cada
área específica foram sendo desenvolvidos. Mas essa é uma conversa para
outro momento!
Vamos Exercitar?
Você se lembra dos nossos questionamentos iniciais? Agora que já
compreendemos a conjuntura de ascensão da Modernidade e seus
desdobramentos, é hora de responder:  
1. Quais fatores impactaram de maneira decisiva a transição da Idade
Média para a Idade Moderna?
2. Quais foram as mudanças decorrentes dessa transição?
3. Como a maneira de interpretar o mundo se modificou?
Para respondermos de maneira correta a todas as questões, precisamos
nos lembrar de todo o contexto econômico, social e político que envolveu
tais questões. A transição da Idade Média para Idade Moderna marcou
também a queda do sistema feudal e a ascensão do sistema capitalista. É
importante nos lembrarmos das Revoluções Burguesas (Revolução
Industrial e Revolução Francesa) influenciadas pelos ideais iluministas.
Esses ideais trouxeram uma nova maneira de interpretar o mundo,
deslocando a perspectiva teocêntrica para a perspectiva antropocêntrica.
Elas proporcionaram uma racionalização dos conhecimentos, deixando de
lado explicações atreladas a questões supersticiosas e fantasiosas. As
mudanças foram profundas em todos os setores da sociedade, desde a
maneira como o trabalho passou a ser organizado, nas relações entre
patrões empregados, nas relações políticas, culturais, etc.
Saiba Mais
1. Vamos aprofundar nosso conhecimento a respeito da consolidação do
capitalismo como sistema econômico e social vigente. Essa
compreensão é importante para que possamos entender a
estruturação da sociedade a partir de então. Para isso, assista ao filme
Tempos Modernos, um clássico de Charles Chaplin que retrata a vida
urbana nos Estados Unidos nos anos 1930. O filme retrata a vida na
sociedade industrial, criticando a alienação do operário nesse meio de
produção, a modernidade e o capitalismo crescente.
2. Compreender sobre os teóricos racionalistas e empiristas é
fundamental para, posteriormente entender a organização e o
desenvolvimento da ciência. Para isso, saiba mais sobre o tema a
partir das leiturasliteral de alguma
parte do texto, mas o autor se baseou no texto-fonte para escrever. As
citações indiretas podem ser comentários ou críticas a uma determinada
ideia; podem ser usadas para concordar ou refutar um argumento. Isso
sempre depende da estrutura do texto em questão. A maneira como o
sobrenome do autor ou dos autores aparecem no texto ou no final da frase
deve seguir o que está determinado na norma da ABNT. Por não serem
transcrições literais, elas não apresentadas entre aspas e não há a
necessidade de indicação da página do texto base (Marconi; Lakatos, 2024).
Acompanhe alguns exemplos a seguir:
Figura 2 | Exemplos de citações indiretas. Fonte: elaborada pela autora.
Citação da citação – apud
A palavra apud pode ser traduzida como “citado por”; isso quer dizer que o
autor não teve contato diretamente com a obra citada: ele a leu por meio de
outra citação (Marconi, Lakatos, 2024). Por ser uma palavra que vem do latim,
ela deve sempre ser apresentada em itálico no texto. A citação da citação
deve ser evitada: o recomendado é que sempre se busque o texto-fonte a que
se está referindo. Entretanto, existem alguns casos em que de fato não é
possível consultar o texto original, então realiza-se o apud. As regras de apud
seguem as regras de citações diretas e indiretas:
Figura 3 | Exemplos de apud. Fonte: elaborada pela autora.
A norma apresenta diversos outros detalhes quanto as citações; por exemplo,
em relação à maneira como devem ser apresentados autores com o mesmo
sobrenome e data de publicação. “Para autores com o mesmo sobrenome e
data de publicação, devem-se acrescentar as iniciais de seus prenomes. Se
persistir a coincidência, colocam-se os prenomes por extenso” (ABNT, 2024,
p. 8). Ela esclarece também como devem ser feitas as citações de diversos
documentos do mesmo autor, com publicações em anos diferentes, devem
ser “mencionados simultaneamente, devem ter as suas datas em ordem
cronológica, separadas por vírgula” (ABNT, 2023, p. 5).
Por fim, devemos nos atentar para o fato de que, quando há a indicação de
siglas (ABNT, IBGE, APA, MEC etc.) no corpo do texto ou no final da frase, a
recomendação é para que elas sejam grafas em letras maiúsculas. O
essencial é que a norma seja consultada sempre que ocorra alguma dúvida,
isso facilita a escrita do texto e diminui a possibilidade de cometermos erros
no momento da escrita. Em algumas ocasiões, como no envio de um artigo
para um evento ou para uma revista científica, a inserção correta das citações
e das referências pode ser um diferencial para que o responsável pelo texto o
envie ou não para a correção.
Referências – ABNT NBR 6023/2018
As referências de um texto devem ser elaboradas de acordo com a ABNT NBR
6023 (2018). Ao longo da elaboração do texto, de qualquer natureza, o
pesquisador usa diferentes fontes na sua construção, como livros, artigos,
teses, matérias de jornais, entrevistas, entre outros tipos de materiais. Tudo o
que é citado no decorrer do texto precisa ser referenciado e, para isso, o
pesquisador precisa conhecer o formato de apresentação de cada
documento a fim de elaborar a referência pertinente de maneira correta.
Isso quer dizer que não existe um padrão para todos os documentos. Cada
tipo de documento é apresentado de uma maneira específica nas referências
do texto. Isso não quer dizer que não existam regras para a elaboração das
referências. De maneira geral,
[...] as referências devem ser elaboradas em espaço simples, alinhadas à
margem esquerda do texto e separadas entre si por uma linha em branco
de espaço simples, [...] a pontuação deve ser uniforme para todas as
referências. [...] O recurso tipográfico (negrito, itálico ou sublinhado)
utilizado para destacar o elemento título deve ser uniforme em todas as
referências (ABNT, 2018, p. 5).
Vamos buscar compreender como cada documento deve ser apresentado.
Começando pela autoria de pessoas físicas, o autor ou os autores devem ser
apresentados pelo último sobrenome, em letras maiúsculas, seguidos pelos
prenomes e outros sobrenomes abreviados ou não. Os autores devem ser
separados por ponto e vírgula. Precisamos padronizar a forma de
apresentação dos prenomes e sobrenomes. Isso quer dizer que se
apresentarmos todo o nome de um autor em uma referência, em todas isso
deve ser feito. Se apresentarmos apenas a inicial, isso deve ser seguido nas
outras também. Acompanhe os exemplos no Quadro 2:
Quadro 2 | Exemplos: referências de monografia no todo. Fonte: elaborado
pela autora.
Um autor
ALVES, Roque de Brito. Ciência criminal. Rio de Janeiro: Forense,
1995.
ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e análise de balanços: um
enfoque econômico-financeiro. 8ª ed. São Paulo: Atlas, 2007.
Dois ou três
autores
SOUZA, J. C.; PEREIRA, A. M. Metodologia de trabalho. 3ª ed. São
Paulo: Estrela, 2011.
PASSOS, L. M. M.; FONSECA, A.; CHAVES, M. Alegria de saber:
matemática, segunda série, 2, primeiro grau: livro do professor.
São Paulo: Scipione, 1995. 136 p.
Quatro ou
mais de
quatro
autores
URANI, A. et al. Constituição de uma matriz de contabilidade
social para o Brasil. Brasília: IPEA, 1994.
TAYLOR, Robert; LEVINE, Denis; MARCELLIN-LITTLE, Denis;
MILLIS, Darryl. Reabilitação e fisioterapia na prática de pequenos
animais. São Paulo: Roca, 2008.
Note que, quando há a indicação de quatro ou mais autores, a norma
estabelece que convém indicar todos; entretanto, é permitido utilizar a
expressão et al. após o nome do primeiro autor. Outro ponto importante é que
as referências devem obedecer aos mesmos princípios; portanto, se utilizar a
inserção de elementos complementares, como o número de páginas no caso
de um livro, estes devem ser incluídos em todas as referências daquela lista.
Mas atenção: se você estiver se referindo ao capítulo de um livro ou ao artigo
de um periódico, a indicação da página final e inicial são obrigatórias, a
menos que não seja possível a localização. O Quadro 3 nos possibilita
visualizar outros tipos de referências:
Quadro 3 | Exemplos: referências de diferentes formatos. Fonte: elaborado
pela autora.
Perceba que, no caso de documentos com título e subtítulo, apenas o título
aparece em destaque. No caso de um artigo de revista, o elemento destacado
é o nome da revista; o mesmo acontece quando utilizamos apenas o capítulo
de um livro como referência. Existem ainda muitos outros documentos que
Livro com
responsabilidade
Intelectual
LANDAU, L.; CUNHA, G. G.; HANGUENAUER, C. (org.).
Pesquisa em realidade virtual e aumentada. Curitiba: Editora
CRV, 2014. 164 p.
Autoria
institucional,
disponibilidade e
acesso
OMS - Organização Mundial da Saúde. Mulheres e saúde:
evidências de hoje: agenda de amanhã. Geneva: OMS, 2009.
92 p. Disponível em:
https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/7684/978857
9670596_por.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 9
nov. 2023.
 Autoria do
capítulo distinta
da autoria do
livro no todo 
BACHEGA, K.; ACCETTURI, E. Transplantes de tecido ósseos
no Brasil: uma história segura de sucesso da odontologia. In:
SANTOS, P. S. S. et al. (org.). Odontologia em transplante de
órgãos e tecidos. Curitiba: Editora CRV, 2018. cap. 7, p. 109-
127.
Artigo de
periódico
disponível na
internet
MARIANO, M. L. S.; FRANCO, S. A. P.; OLIVEIRA, K. L. de.
Estágio em docência no curso de doutorado em educação:
relatos de experiência. Revista Ibero-Americana de Estudos
em Educação, Araraquara, v. 16, n. 1, p. 361–375, 2021.
Disponível em:
https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/
12785. Acesso em: 9 nov. 2023.
podem ser referenciados, como legislações, vídeos, podcasts. Vamos
acompanhar alguns outros exemplos no Quadro 4:
Quadro 4 | Exemplos: referências de diferentes formatos. Fonte: elaborado
pela autora.
 Constituição
Federal
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República
Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, [2016]. 496
p. Disponível em:
https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016.pdf. Acesso em: 9 nov. 2023.
Atos
administrativos
normativos
BRASIL. Ministério da Educação. Ofício circular 017/MEC.
Brasília, DF: Ministério da Educação, 26 jan. 2006. Assunto:
FUNDEB.
Documento
sonoro em meio
eletrônico 
MAMILOS: A Nova Tradicional Família Brasileira.
Entrevistadoras: Juliana Wallauer e Cris Bartis. Entrevistado:
Pastor Henrique Vieira. [S. l.]: B9, fev. 2019. Podcast.
Disponível em:
https://open.spotify.com/episode/676wEdjCL6LsjOFconIH0K?
si=7e56a08736d94147. Acesso em: 9 nov. 2023.
Filmes, vídeos,
entre outros em
meio eletrônico
BOOK. [S. l.: s. n.], 2010. 1 vídeo (3 min). Publicado pelo canal
Leerestademoda. Disponível em:
http://www.youtube.com/watch?v=iwPj0qgvfIs. Acesso em: 9
nov. 2023.
BLADE Runner. Direção: Ridley Scott. Produção: Michael
Deeley. Intérpretes: Harrison Ford; Rutger Hauer; Sean Young;
Edward James Olmos e outros. Roteiro: Hampton Fancher e
David Peoples. Música: Vangelis. Los Angeles: Warner
Brothers, c1991. 1 DVD (117 min), widescreen, color. Baseado
na novela “Do androids dream of electric sheep?”, de Philip K.
Dick.
Todas as possibilidades estão listadas na norma da ABNT. Por ser muito
ampla, é claro que não damos conta de recordar de todas de maneira
automática. Por isso, o essencial é sempre consultar o manual a fim de
elaborar de maneira correta o corpo de referências de um trabalho
acadêmico. E você pode se questionar: mas onde eu encontro todas essas
informações? A resposta é: depende! Dependendo da fonte, você encontrará a
chamada ficha catalográfica com todas as informações necessárias no
próprio documento. Se for um artigo científico, as informações normalmente
constam no cabeçalho da página ou no rodapé. Quando a publicação não
apresentar essas informações tão explicitamente, o pesquisador fará uso da
norma para identificar os elementos essenciais, a fim de referenciá-los
corretamente.
Vamos Exercitar?
Agora que já compreendemos a inserção de citações no decorrer dos textos
acadêmicos e como devemos elaborar as referências, é hora de retomarmos
nossa situação inicial. Você está finalizando seu TCC e percebeu que suas
citações não estão padronizadas; à medida que você foi escrevendo o texto,
você se confundiu. Então, para ficar mais fácil realizar o ajuste, você decidiu
elaborar um esquema que sintetize as principais características de cada tipo
de citação, para que você possa voltar no texto e realizar a revisão de maneira
mais eficaz.
Quadro 5 | Tipos de citação. Fonte: elaborado pela autora.
Saiba Mais
Inserir corretamente citações no decorrer de um texto acadêmico e
posteriormente elaborar o corpo de referências é primordial para um trabalho
acadêmico confiável e dentro do que se espera dos padrões científicos.
Assim, é necessário que você tenha conhecimento sobre esses tópicos. Para
isso, leia o capítulo 6 – “Apresentação de citações diretas e indiretas e
elaboração de referências bibliográficas”, p. 207-237, do livro Metodologia do
trabalho científico, de Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos –
Minha Biblioteca.
 
Citação direta curta
Até 3 linhas – mencionar autor,
ano, página.
No corpo do texto.
Entre aspas duplas.
Citação direta longa
Mais de 3 linhas – mencionar
autor, ano, página.
Recuo de 4 cm da margem
esquerda.
Em outro parágrafo, fonte menor
que a do texto.
Citação indireta
Não necessita aspas nem recuo.
Não necessita citar a página.
Citação da citação (apud)
Segue as regras das citações
diretas e indiretas.
É usado quando não se teve
acesso diretamente ao texto fonte.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597026559/epubcfi/6/30[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml13]!/4
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597026559/epubcfi/6/30[%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml13]!/4
 
Referências Bibliográficas
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 6023:
informação e documentação: Referências: elaboração. Rio de Janeiro: ABNT,
2018.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR
10520: informação e documentação: Citações em documentos:
apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2023.
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTOO, Luciana
Bernardo. Guia prático de monografias, dissertações e teses: Elaboração e
apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011.
MARCONI, Marina de Andrade.; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho
científico: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográfica, teses de doutorado,
dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª ed. São Paulo:
Atlas, 2024.
MICHAELIS Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo:
Melhoramentos, 2023. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-
portugues/. Acesso em: 8 out. 2023.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS (PUCMG).
Orientações para elaboração de citações e referências: conforme a American
Psychological Association (APA) 7ª edição. Belo Horizonte, 2022. Elaboração:
Fabiana Marques de Souza e Silva. Disponível em:
https://portal.pucminas.br/biblioteca/documentos/APA-7-EDICAO-2022-
NV.pdf. Acesso em: 7 nov. 2023.
Encerramento da Unidade
OS RESULTADOS DA PESQUISA
CIENTÍFICA
https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/
https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/
https://portal.pucminas.br/biblioteca/documentos/APA-7-EDICAO-2022-NV.pdf
https://portal.pucminas.br/biblioteca/documentos/APA-7-EDICAO-2022-NV.pdf
Videoaula de Encerramento
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você
irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos
assisti-la? 
 
Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é
“compreender a construção e estruturação de um relatório final de pesquisa,
suas normas e padronizações, possibilitando a articulação dos
conhecimentos adquiridos e a prática do pensar científico”, você deve
primeiramente entender o que é um trabalho de conclusão de curso. Depois é
preciso compreender as partes desse TCC, ou seja, todos os elementos que
precisam ser contemplados no seu desenvolvimento de maneira teórica e
metodológica. Por fim, é necessário também observar as normas e a
padronização científica, a maneira como o TCC precisa ser formatado e como
as citações e referências precisam ser inseridas no texto.
A elaboração do TCC é um dos elementos que marcam a finalização de uma
etapa, seja de um curso de graduação ou de pós-graduação. Para a sua
correta elaboração, ela precisa seguir normas de estruturação e estar dentro
do que se espera dos padrões científicos de um trabalho acadêmico. A ética é
primordial no desenvolvimento da pesquisa, independentemente do seu tipo.
Para além disso, é preciso pensar em cada etapa específica da pesquisa e o
que precisa ser desenvolvido nela. É importante relembrar que a NBR 14724
(2011) nos orienta quanto à formatação e apresentação do TCC, mas o
conteúdo fica sob responsabilidade do pesquisador.
Assim, é fundamental conhecer cada uma dessas partes da pesquisa e
compreender como elas devem ser desenvolvidas. No entanto, lembre-se:
mesmo que elas pareçam partes independentes, um ponto fundamental é a
atenção ao fato de que elas são interligadas e precisam conversar entre si
para que a pesquisa faça sentido como um todo. Isso significa que, quando
você escolhe um tema de pesquisa, a pergunta deve ser pertinente a esse
tema, assim como as hipóteses, as justificativas e as demais partes da
pesquisa.
A partir do momento em que conseguimos delimitar o tema, levantar o
problema, elencar as hipóteses (se for o caso) e estabelecer os objetivos da
pesquisa, podemos estabelecer o tipo de pesquisa que vamos realizar e o
método a ser utilizado. Não é possível fazer o caminho inverso, ou seja,
estabelecer o tipo de pesquisa e o método para depois pensar em um tema
de pesquisa. Por exemplo: fica inviável estabelecer o desejo de fazer uma
pesquisa quantitativa de levantamento a partir de umaentrevista com uma
pessoa referência em uma determinada área. O mais pertinente seria uma
pesquisa qualitativa a partir de um estudo de caso.
No momento de escrita do trabalho acadêmico, outra questão a ser
observada é a inserção de citações no decorrer do texto. É a NBR 10520
(2023) que indica como as citações devem ser inseridas e referenciadas no
corpo do texto. As citações são imprescindíveis, pois elas dão crédito à nossa
escrita a partir do embasamento em outros estudos já publicados. Por isso, é
importante a busca por pesquisas de cunho científico em bases confiáveis, os
quais publiquem trabalhos que se preocupem com o desenvolvimento
sistematizado e ético da ciência.
Por fim, e não menos importante, a NBR 6023 (2018) apresenta as instruções
de como o corpo de referências do trabalho deve ser elaborado. Cada
documento tem um formato específico de apresentação dos elementos que
são essenciais para a sua identificação individual. As referências devem ser
elaboradas em ordem alfabética a partir do último sobrenome do autor ou
conforme ocorrer o elemento de entrada na referência.
É Hora de Praticar!
A apresentação, a análise e a discussão dos dados da pesquisa são os
momentos em que o pesquisador vai conseguir mostrar para o leitor aquilo
que ele encontrou durante a sua busca. É o momento de defender seu ponto
de vista buscando embasamento no referencial teórico. Os dados da
pesquisa podem ser dados primários, aqueles coletados pelo próprio
pesquisador, ou secundários, aqueles dados coletados por outros
pesquisadores ou órgãos governamentais, como o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo.
Vamos pensar em uma situação em que, na sua pesquisa, você está
investigando a ocupação de jovens entre 15 e 29 anos. Você estabeleceu um
recorte temporal dos últimos 10 anos. Assim, você buscou os dados
divulgados pelo IBGE na Síntese de indicadores sociais de 2012 e de 2022. Os
gráficos encontrados foram os seguintes:
Reflita
A partir do que foi exposto, reflita sobre os seguintes questionamentos:
Qual a importância das normas de citações e de referências para o
desenvolvimento dos trabalhos acadêmicos?
É realmente necessário elaborar um TCC ao concluir um curso de
graduação ou pós-graduação?
Figura 1 | Gráfico encontrado na pesquisa: distribuição percentual dos jovens de 15 a 29 anos de idade, por tipo de
atividade na semana de referência, segundo os grupos de idade – Brasil – 2012. Fonte: IBGE (2013).
Figura 2 | Gráfico encontrado na pesquisa: distribuição percentual de jovens de 15 a 29 anos de idade, por tipo de
atividade na semana de referência – Brasil – 2016/2021. Fonte: IBGE (2022).
Agora, responda aos seguintes questionamentos:
É possível fazer a comparação entre os dois gráficos? Se sim, faça a
comparação entre eles. Se não, justifique o motivo de não ser possível.
Como cada gráfico pode ser interpretado?
Bons estudos!
Reflita
Qual é a recomendação para se trabalhar com dados em uma pesquisa? Na
hora de interpretá-los e expor os resultados, o pesquisador deve ter muito
cuidado para não enviesar e comprometer esses dados com sua análise.
Resolução do estudo de caso
É possível fazer a comparação entre os dois gráficos, pois eles apresentam as
mesmas variáveis e a mesma população. Ambos apresentam o tipo de
atividade exercida por jovens de 15 a 29 anos de idade na semana de
referência. As variáveis são divididas em: somente estuda, trabalha e estuda
(estuda e está ocupado), somente trabalha (só está ocupado) e não trabalha
nem estuda (não estuda e não está ocupado).
Pensando na comparação entre os gráficos e na proposta feita, é possível
pensar em cada variável de maneira isolada ou na totalidade da amostra.
Vamos pensar nas variáveis de maneira isolada para fazer a reflexão: no ano
de 2012, a população que declarou somente trabalhar foi de 45,2%; no ano de
2016, esse percentual era de 39,4%. A queda na variável “somente ocupado”
pode indicar o investimento governamental no setor educacional no período
de referência, o que possibilitou a permanência dos jovens no setor
educacional e ampliou o acesso às universidades por meio de subsídios
financeiros proporcionando condições à população menos favorecida
permanecer por mais tempo na escola.
Olhando para o mesmo indicador no período seguinte em 2017 e 2018, o
índice dos jovens entre 15 e 29 anos que somente trabalhavam se manteve
em 39,4%, tendo um discreto aumento em 2019 para 40,2%, e caindo
significativamente em 2020 para 35,1%. Precisamos nos recordar de que
2020 foi o ano da pandemia de Covid-19; portanto, a queda significa o
desemprego da população. Essa afirmação fica evidente quando olhamos
para os dados referentes aos jovens que declararam não estudar nem estar
ocupados em 2019: o percentual era de 24,1% e sobe para 28% em 2020.
Esse é apenas um exemplo de como os dados podem ser interpretados e
discutidos, mas essa interpretação e discussão também pode ser feita de
outras formas, trazendo ainda outros dados a nível de comparação. Que tal
treinar um pouco mais?! Agora é com você!
Dê o play!
Assimile
Vamos analisar a figura a seguir para compreender de maneira sintetizada as
etapas a serem seguidas na elaboração de um Trabalho de Conclusão de
Curso.
Fonte: elaborada pela autora.
 
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR
14724: informação e documentação: Trabalhos acadêmicos: apresentação.
Rio de Janeiro: ABNT, 2011.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR 6023:
informação e documentação: Referências: elaboração. Rio de Janeiro: ABNT,
2018.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR
10520: informação e documentação: Citações em documentos:
apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2023.
CRIVELARO, Lana Paula; CRIVELARO, Lara Andréa; MIOTOO, Luciana
Bernardo. Guia prático de monografias, dissertações e teses: Elaboração e
apresentação. 5ª ed. Campinas: Editora Alínea, 2011.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Síntese de
Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população
brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 2013. Disponível em:
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv66777.pdf. Acesso em: 14
nov. 2023.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Síntese de
Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população
brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em:
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101979.pdf. Acesso em:
14 nov. 2023.
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv66777.pdf
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101979.pdfa seguir.
- LOURENÇO, Vitor Hugo. René Descartes e o cogito. In: LOURENÇO,
Vitor Hugo. Construção do pensamento filosófico na modernidade.
Curitiba: Intersaberes, 2019. Cap. 3. p. 108-114.
- LOURENÇO, Vitor Hugo. John Locke e Ensaio sobre o entendimento
humano. In: LOURENÇO, Vitor Hugo. Construção do pensamento
filosófico na modernidade. Curitiba: Intersaberes, 2019. Cap. 4. p. 145-
150.
3. A Igreja Católica, principalmente durante a Idade Média, exerceu forte
influência na sociedade ocidental. Ela determinava inclusive aquilo que
poderia ou não ser conhecido pelas pessoas, pois, assim, ela poderia
manter o seu domínio. Para se aprofundar nesse assunto, assista ao
filme O nome da eosa, roteiro de Andrew Birkin e Gérard Brach. O filme
mostra a história do monge franciscano William de Baskerville (Sean
Connery) e Adso von Melk (Christian Slater), que chegam a um
mosteiro no norte da Itália em 1327. Eles vão participar de um
conclave que vai decidir se a Igreja vai doar parte de suas riquezas,
mas a história muda quando uma série de assassinatos começa a
acontecer e William decide investigá-los, contrariando os
coordenadores do mosteiro.
 
 
Referências Bibliográficas
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/193177/pdf/0?code=vuDFK8a1gxn3on26qzCXIi1dBsnWlnaXDhbnKfqsj/xajzxEny/g53m4N3ENsHEtuQGgdTaRuU62ONFBTt9A1g==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/193177/pdf/0?code=vuDFK8a1gxn3on26qzCXIi1dBsnWlnaXDhbnKfqsj/xajzxEny/g53m4N3ENsHEtuQGgdTaRuU62ONFBTt9A1g==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/193177/pdf/0?code=vuDFK8a1gxn3on26qzCXIi1dBsnWlnaXDhbnKfqsj/xajzxEny/g53m4N3ENsHEtuQGgdTaRuU62ONFBTt9A1g==
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BRESCIANI, Maria Stella Martins. Londres e Paris no século XIX: o
espetáculo da pobreza. São Paulo: Editora Brasiliense, 2004.
CHAUÍ, Marilena de Souza. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2014
FUINI, Pedro. Queda da Bastilha. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas da Universidade de São Paulo, 2022. Disponível em:
https://www.fflch.usp.br/34302. Acesso em: 12 out. 2023.
GALLO, Silvio. Filosofia: experiência do pensamento. 2ª ed. São Paulo:
Scipione, 2016.
GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.
Aula 3
A EPISTEMOLOGIA DO
CONHECIMENTO CIENTÍFICO
A epistemologia do conhecimento
científico
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
https://www.fflch.usp.br/34302
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Vamos caminhar para a compreensão da consolidação do conhecimento
científico como aquele utilizado para explicar a organização da sociedade
após as Revoluções Burguesas. A ciência, assim como os demais tipos de
conhecimento (senso comum, religioso e filosófico) busca chegar à verdade
por meio da investigação daqueles aspectos que mereçam ser
compreendidos ou interpretados. Dessa forma, o conhecimento científico
tem como objeto de estudo os fenômenos naturais e os sociais, olhando
para as particularidades de cada um e tendo teorias específicas para
explicá-los. E por que essa divisão é necessária? Devido ao fato de que cada
objeto de estudo requer uma forma específica de abordagem e
interpretação.
A partir disso, pensemos na seguinte situação: em uma aula de
Metodologia Científica, a professora está explicando para os alunos o
conceito de teoria e lhes apresenta duas vertentes teóricas no campo das
ciências humanas: o Positivismo e o Funcionalismo. Ao finalizar, a
professora solicita que os alunos elaborem um quadro resumo com a
definição de teoria e com as principais características de cada uma das
vertentes teóricas e seu principal representante. Para isso, é necessária a
compreensão de todos esses elementos. Bons estudos!
Vamos Começar!
O que é teoria?
Provavelmente você já ouviu falar em teoria, e você precisa saber que o
termo pode ter diferentes conotações dependendo do contexto em que é
utilizado. “A palavra teoria tem origem no verbo grego theorein cujo
significado é ‘ver’. A associação entre ‘ver’ e ‘saber’ é uma das bases da
ciência ocidental” (Minayo, 2013. p. 16). A palavra teoria pode ser utilizada
para se referir a uma crença ou uma ideia, sob outra perspectiva;
popularmente, é um termo usado em sentido oposto à prática. Pense na
carga teórica e na carga prática de um curso, por exemplo. Ou ainda pode
se referir a um componente do conhecimento científico que requer um
método próprio (Trentini, 1987). Vamos nos ater a essa última perspectiva
de teoria, que é a utilizada para o desenvolvimento de pesquisas, na busca
por respostas e por novos conhecimentos.
De acordo com Severino (2013, p. 90), a teoria pode ser definida como um
“conjunto de concepções sistematicamente organizadas; síntese geral que
se propõe a explicar um conjunto de fatos cujos subconjuntos foram
explicados pelas leis”. E o que isso quer dizer? A teoria é um conjunto de
princípios, ideias, ou conceitos que busca explicar algo em específico. É
construída a partir de observações, experimentos e análises sistemáticas
de dados. Pode ser utilizada para prever resultados de experimentos ou
observações futuras, além de fornecer um entendimento mais profundo de
como o mundo funciona (Trentini, 1987; Severino, 2013).
No contexto científico, uma teoria é um modelo ou um conjunto de
princípios que descreve fatos e fenômenos, sejam eles naturais ou sociais.
É importante ressaltar que a teoria não é algo que fica estagnado, que não
se modifica. Trata-se de uma explicação concebida e estruturada a partir de
evidências disponíveis no momento do seu desenvolvimento. Ela pode ser
modificada, aprimorada ou revista à medida que novas evidências surjam
ou sejam descobertas. A revisão contínua de uma teoria é fundamental para
o avanço do conhecimento em todas as áreas do saber (Koche, 2011;
Severino, 2013).
Dessa forma, compreendemos que são as teorias que iluminam as nossas
práticas; elas esclarecem a realidade para que possamos apreender o seu
funcionamento (Demo, 1992). Ampliam a nossa visão de mundo a respeito
daquilo que estamos estudando ou analisando, permitindo que tenhamos
mais clareza a respeito daquilo que está em questão. Teorias são
explicações da realidade, são as lentes por meio das quais olhamos para o
contexto em que estamos inseridos, permitindo a ressignificação das
nossas próprias concepções.
Perspectivas teóricas nas ciências humanas
Você se lembra de que falamos que o conhecimento científico tem como
objeto de estudo os fenômenos naturais e os sociais? A partir disso,
podemos entender que existem diversas teorias em diversos contextos,
como em disciplinas acadêmicas, nas ciências naturais, ciências
humanas/sociais, matemática, filosofia e em outras áreas do conhecimento
humano. Cada campo tem suas próprias definições e critérios específicos
para o desenvolvimento e liberdade de teorias. Assim, as teorias têm
implicações práticas e podem ser usadas para resolver problemas do
mundo real, desenvolver tecnologias, formular políticas públicas e muito
mais.
A partir disso, vamos pensar inicialmente nas ciências naturais e nas
ciências sociais. As ciências naturais são ramos da ciência que estudam a
natureza e seus aspectos mais gerais e fundamentais; as leis e regras
naturais que regem o mundo. As ciências sociais são ramos da ciência que
estudam os aspectos sociais do mundo humano, a vida social de indivíduos
e grupos humanos (Minayo, 2013). As ideias de progresso, racionalismo e
domínio do homem sobre a natureza exerceram forte influência sobre a
mentalidade do século XIX, impulsionando o desenvolvimento da ciência e
de novas formas de conhecer.
Dessa forma, as ciências sociais se desenvolveram nessa época, quando a
racionalidade das ciências naturais e de seu método havia obtido o
reconhecimentonecessário para substituir a religião na explicação da
origem, do desenvolvimento e da finalidade do mundo. Assim, com o
advento da Modernidade e as profundas transformações pelas quais a
sociedade passou, fez-se necessário uma nova forma de conhecimento que
fosse capaz de explicar tamanhas transformações. É nesse contexto que
surgem as ciências humanas e sociais e suas teorias.
Siga em Frente...
O positivismo
Pensar a sociedade e seus arranjos não é uma tarefa fácil, principalmente
frente à efervescência em que ela se encontrava no período de ascensão e
consolidação do capitalismo como sistema econômico vigente. Ainda
assim, o francês Auguste Comte (1798-1857) se dedicou a essa missão,
ficando conhecido como o “Pai da Sociologia”. Comte buscou explicar e
entender os fenômenos sociais a partir da nova ordem em que se
encontravam, tomando como base as perspectivas de análise das ciências
naturais (Aranha; Martins, 2003).
Para compreendermos a teoria positivista, precisamos recordar o processo
de transformação da sociedade moderna e dos modos de produção. Antes
do advento da máquina a vapor, a energia utilizada para a realização das
tarefas era a energia humana, animal ou natural (vento e água). As
mudanças ocasionadas pela Revolução Industrial foram cruciais, o que
levou à concepção do cientificismo, entendimento em que “a ciência é
considerada o único conhecimento possível e o método das ciências da
natureza o único válido, devendo, portanto, ser entendido a todos os
campos da indagação e atividade humanas” (Aranha, Martins, 2003, p. 140).
Assim, o Positivismo derivou do cientificismo, isto é, da capacidade da
razão humana em conhecer a realidade e traduzi-la sob a forma de leis
naturais. O intuito dessas novas concepções era desvendar as recentes
formas de organização e relações que vinham se transformando à medida
que a sociedade também se transformava. Dessa forma, a partir das
influências de sua época, Comte define a sociologia como uma física social,
mas toma os modelos da biologia para explicar a sociedade como um
organismo coletivo. Sob esta ótica, a sociedade humana é regulada por leis
naturais que atingem o funcionamento da vida social, econômica, política e
cultural.
De acordo com Gallo (2016), a teoria positivista teve grande influência nos
teóricos dos séculos XIX e XX. Comte, ao examinar o desenvolvimento da
inteligência humana, descreveu um princípio básico ao qual denominou
como a “lei dos três estados”. Segundo ele, o espírito humano teria passado
por três estados diferentes de desenvolvimento em sua relação com o
mundo. São eles: estado teológico, estado metafísico e estado positivo. Sob
tal visão, os seres humanos passam por esses estágios, do menos
desenvolvido (quando crianças) até ao mais desenvolvido (já adultos) ao
longo da vida. A passagem de um estado para outro se daria de forma lenta,
gradual e segura. No Quadro 1 a seguir, podemos observar as
características de cada estágio.
Quadro 1 | Estágios de desenvolvimento do pensamento de acordo com
Auguste Comte. Fonte: elaborado pela autora.
O funcionalismo
No final do século XIX, a Sociologia ainda estava se firmando como ciência
e buscava pelo seu objeto de estudo de forma clara e objetiva. Os primeiros
passos haviam sido dados com Auguste Comte; ele propôs que os
conceitos metafísicos fossem excluídos das explicações da nova ciência.
Mas não foi Comte o responsável por levar a Sociologia ao patamar de
disciplina científica reconhecida e respeitada na sociedade, obtendo
inclusive uma cadeira na Universidade de Bordeaux em 1887. Esse papel
coube ao francês Émile Durkheim (Moisés, 2022).
Émile Durkheim (1858-1917) foi um sociólogo, psicólogo social e filósofo
francês. Seu legado está relacionado à consolidação da Sociologia como
uma disciplina científica e à formação de uma escola de pensamento: o
Funcionalismo. Dessa forma, ele buscou a cientificidade no estudo das
ESTADO TEOLÓGICO ESTADO METAFÍSICO ESTADO POSITIVO
Explicação dos
fenômenos como
resultado de forças
divinas e sobrenaturais.
Explicações ingênuas e
infantis.
Predomínio da mitologia e
da teologia como
explicações do mundo.
Estágio mais evoluído que
o anterior.
As forças sobrenaturais
são substituídas por
forças abstratas.
Predomínio da Filosofia
como explicação do
mundo.
Estágio mais evoluído da
humanidade.
Os fatos e fenômenos são
explicados racionalmente,
pela causalidade.
Predomínio da Ciência
como explicação do
mundo.
humanidades, esteve empenhado em criar regras para a criação do método
sociológico e atribuir status de saber científico à sociologia. Influenciado
pelo Positivismo, Durkheim parte da objetividade para a construção do seu
método e do estabelecimento do seu objeto de estudos: os fatos sociais
(Aranha; Martins, 2003; Moisés, 2022).
O teórico francês, ao observar o contexto europeu do século XIX, concluiu
que as instituições sociais se encontravam enfraquecidas e que havia muito
questionamento em torno delas. Os valores tradicionais que vinham da
Idade Média estavam dando lugar a novos valores e novas tradições. Com
tantas mudanças, muitas pessoas passaram a viver em condições
miseráveis; estavam desempregadas, doentes e marginalizadas. Durkheim
entendeu que, em uma sociedade integrada e funcionando de maneira
orgânica, essas pessoas não poderiam ser ignoradas, porque toda a
sociedade sofreria as consequências. Dessa forma, Durkheim buscou
regularidades e “leis” que pudessem ser encontradas na sociedade
(Durkheim, 2007).
Partindo de tais questões, no processo de sistematização da sociologia,
Durkheim toma conceitos pertencentes à medicina e à biologia para explicar
a sociedade e seu funcionamento. Sob tal perspectiva, a sociedade deveria
ser vista como um organismo vivo, um corpo social, em que são percebidos
fenômenos normais e outros patológicos (como se fossem uma doença)
que poderiam prejudicar a vida coletiva. Daí vem o nome da Sociologia
Durkheiminiana conhecida como Sociologia Funcionalista. Para que a
sociedade “funcione” corretamente, é necessário que todas as suas
instituições, as normas sociais e integração entre os indivíduos também
estejam funcionando; caso contrário, a sociedade estrará em estado de
anomia, ficará “doente” (Durkheim, 2007).
Para conseguir realizar tais análises, o pesquisador deve adotar uma
postura neutra, imparcial e objetiva dos fenômenos sociais, sem se perder
em questões vindas da subjetividade. Assim, Durkheim desenvolve seu
objeto de estudo: os fatos sociais. Era necessário identificar algo que
pudesse ser visto com regularidade na sociedade, a partir de suas
características exteriores e pensando na sua influência no comportamento
social. Os fatos sociais são, portanto, coisas. “A coisa se opõe à ideia, como
o que se conhece exteriormente ao que se conhece interiormente. É coisa
todo objeto de conhecimento que não é naturalmente compenetrável à
inteligência” (Durkheim, 1998 apud Aranha; Martins, 2003, p. 210).
 Sendo assim, o fato social é qualquer fenômeno presente na sociedade que
pode ser observado como um objeto, uma coisa. São “maneiras de agir, de
pensar e de sentir, exteriores ao indivíduo, e que são dotados de um poder
de coerção em virtude do qual esses fatos se impõem a ele” (Durkheim,
2007, p. 3-4). E o que isso quer dizer? Que os seres humanos, inseridos em
uma sociedade ou em um grupo social, não agem, pensam ou sentem de
maneira autônoma. Existe uma força maior, vinda da sociedade, que o faz
pensar em conjunção com os demais. Os fatos sociais têm três
características: são gerais, exteriores e coercitivos. Vamos ver a explicação
de cada uma dessas características no Quadro 2:
Quadro 2 | Características do fato social. Fonte: elaborado pela autora.
Vamos Exercitar?
Agora é hora de retomarmos nossos questionamentos iniciais.
Compreendemos o que é teoria, as bases do Positivismo e do
Funcionalismo como perspectivas que nos auxiliam a interpretar os
fenômenosque nos cercam.   Vamos elaborar um quadro resumo com a
definição de teoria e com as principais características de cada uma das
vertentes teóricas e seu principal representante.
FATO SOCIAL
Geral Externo Coercitivo
Independe da
manifestação individual,
comum a todos os
membros de um grupo.
 
Independe da vontade e
existência do indivíduo.
Antes de seu
nascimento, o fato social
já existia e, mesmo após
sua morte, continuará
existindo.
Exercem pressão social
sobre os indivíduos. Essa
pressão pode ser
espontânea, moral ou
legal, e sua existência é
prova da existência do
fato social.
Figura 1 | Resumo das vertentes teóricas. Fonte: elaborado pela autora.
Saiba Mais
1. Você sabia que o lema da nossa bandeira, “Ordem e Progresso”, é de
origem positivista e deriva de uma frase de Auguste Comte? O
Positivismo não é apenas uma teoria fundada em meados do século
XIX e que não tem mais aplicação em nossos dias atuais. Muitas
pesquisas de cunho quantitativa tomam como base a teoria positivista.
Ela também tem influência na formação e estruturação da nossa
educação nacional. Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo
indicado a seguir.
OLIVEIRA, Claudemir Gonçalves de. A matriz positivista na educação
brasileira: uma análise das portas de entrada no período republicano.
Diálogos Acadêmicos, s/l., v.1, n.1, out./jan. 2010.
2. As teorias sociológicas nos auxiliam a olhar para muitas questões que
nos cercam em nosso cotidiano e nós, na maioria das vezes, não
refletimos sobre elas. Elas influenciam também outras teorias e outros
autores. O conceito de “fato social” de Émile Durkheim, por exemplo,
tem influência em alguns ramos da Antropologia, os quais também
servem para pensarmos nossa vida em sociedade. Assim, leia o artigo
a seguir para se aprofundar sobre o conceito de fatos sociais e como
eles estão presentes no nosso cotidiano.
OLIVEIRA, Bárbara Magalhães Aguiar de. A corrupção como fato social:
reciprocidade e trocas. Revista três pontos, Belo Horizonte, v.8, n. 1,
mar. 2011.
https://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170627110812.pdf
https://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170627110812.pdf
https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistatrespontos/article/view/3150/1939
https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistatrespontos/article/view/3150/1939
 
 
Referências Bibliográficas
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
DEMO, Pedro. Pesquisa: princípio científico e educativo. 3ª ed. São Paulo:
Cortez: Autores Associados, 1992.
DURKHEIM, Émile. As Regras do Método Sociológico. São Paulo: Martins
Fontes, 2007.
GALLO, Silvio. Filosofia: experiência do pensamento. 2ª ed. São Paulo:
Scipione, 2016.
GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.
KOCHE, José Carlos. Fundamentos da Metodologia Científica: teoria da
ciência e iniciação científica. Petrópolis: Vozes, 2011.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e
criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
MOISÉS, Pedro Callari Trivino. Émile Durkheim. In: Enciclopédia de
Antropologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, Departamento de
Antropologia, 2022. Disponível em: https://ea.fflch.usp.br/autor/emile-
durkheim. Acesso em: 26 dez. 2023.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São Paulo:
Cortez, 2013.
TRENTINI, Mercedes. Relação entre teoria, pesquisa e prática. Revista da
Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, n. 21, v. 2, p. 135-143, ago. 1987.
Aula 4
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PERSPECTIVAS TEÓRICAS NAS
CIÊNCIAS HUMANAS
Perspectivas teóricas nas ciências
humanas
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Já compreendemos a consolidação do conhecimento científico como uma
nova forma para explicar a organização da sociedade ocidental após as
Revoluções Burguesas. É hora de olharmos para diferentes perspectivas
teóricas de análise da sociedade que emergiram nesse período e que ainda
são utilizadas para interpretarmos a realidade em que estamos inseridos e
para pensarmos o desenvolvimento de pesquisas científicas. A
compreensão das bases teóricas é fundamental; veremos que nenhuma
pesquisa pode ser desenvolvida sem uma boa fundamentação teórica.
Nesse sentido, vamos refletir sobre a seguinte situação: como tarefa para a
conclusão de uma disciplina, a aluna Luana precisa realizar uma pesquisa
de campo. Ela escolheu observar as crianças do seu bairro que utilizam a
quadra poliesportiva no período da tarde e perceber como elas se
relacionam no desenvolvimento das atividades. Luana está em dúvida sobre
qual perspectiva teórica deve utilizar para desenvolver sua pesquisa, o
Estruturalismo ou o Materialismo Histórico-Dialético. Diante dessa dúvida,
ela retoma suas anotações com os principais pontos de cada teoria para
poder entender qual delas a ajudará desenvolver de maneira mais eficiente
a pesquisa.
No decorrer desta aula, nossa tarefa é observar os pontos principais de
cada uma dessas teorias a fim de conseguir compreender a maneira como
cada uma delas propõe a análise da sociedade. Bons estudos!
Vamos Começar!
Para conseguirmos compreender a aplicação do Materialismo Histórico-
Dialético e do Estruturalismo no desenvolvimento de pesquisas e na análise
dos fenômenos, precisamos recordar alguns pontos que dizem respeito à
consolidação das ciências humanas. A transformação da sociedade é uma
questão que ainda atinge muitos teóricos; isso é algo que é constante em
nossa sociedade, pois vivemos em um processo dinâmico, que se encontra
constantemente em movimento, em transformação. Foi assim também que
ocorreu no processo de transição para a Idade Moderna e posteriormente
para a Contemporânea.
Muitas teorias foram desenvolvidas com o intuito de explicar as questões
sociais, culturais, relações de poder, relações econômicas e políticas que
vinham se rearranjando e que atingem diretamente a vida em sociedade.
Num primeiro momento, as ciências humanas e sociais se valeram dos
mesmos métodos e técnicas utilizados nas ciências naturais para a
investigação das questões anteriormente descritas. Podemos destacar o
Positivismo de Auguste Comte e o Funcionalismo de Émile Durkheim, que
buscaram responder a diversos questionamentos e resolver os problemas
sociais iminentes.
Nesse sentido, podemos admitir que
os objetivos da teoria consistem em descrever, explicar, predizer e
controlar fenômenos. Uma teoria descreve um fenômeno, quando ela
diz em que consiste o fenômeno. Quando uma teoria delineia o
“porquê” da ocorrência do fenômeno e porque ocorre com certa
regularidade, esta teoria explica o fenômeno. A função preditiva de uma
teoria é a potencialidade que a teoria tem de prever as condições sob
as quais o fenômeno ocorre (Trentini, 1987, p. 138). 
Dessa forma, no campo das ciências da natureza o critério da cientificidade
é atendido a partir de dois pontos: a dedução racional e a verificação
experimental. Isso quer dizer que o conhecimento científico é comprovado
quando é passível de repetição ou há a previsibilidade do seu
acontecimento em determinadas condições. Esses pressupostos
começaram a ser questionados por muitos teóricos na contemporaneidade,
pois, como seria possível adotar tais critérios pautados em tamanha
objetividade para pensar os fenômenos sociais? (Minayo, 2007).
A partir de tais questionamentos é que surgem outras perspectivas teóricas,
outras formas de análise e interpretação da sociedade e de todos os
fenômenos e questões que a ela são intrínsecos. Precisamos compreender
que “cada modalidade de conhecimento pressupõe um tipo de relação entre
sujeito e objeto e, dependentemente dessa relação, temos conclusões
diferentes(Severino, 2013, p. 94). Portanto, precisamos compreender que
não existe uma teoria melhor do que a outra. Assim como não existe um
conhecimento melhor do que o outro. Existem perspectivas diferentes,
olhares diferentes e que são mais adequados a depender do contexto em
que se encontram. Tendo isso em mente, vamos conhecer o Materialismo
Histórico-Dialético e o Estruturalismo.
Siga em Frente...
Materialismo Histórico-Dialético
As Revoluções Burguesas influenciaram fortemente o desenvolvimento de
teorias que buscaram desvendar e descrever as questões sociais. Não foi
diferente com o Materialismo Histórico-Dialético. Karl Marx (1818-1883),
criador da teoria que vamos conhecer, foi historiador, filósofo, sociólogo e
economista alemão de grande relevância para a compreensão das questões
sociais. É importante ressaltar que não vamos entrar na alternativa proposta
por Marx ao sistema capitalista, o sistema socialista. Esse não é o nosso
foco e levaríamos um tempo para compreender e desmistificar os pré-
conceitos que existem acerca do assunto. Entretanto, é relevante a
compreensão de que toda pesquisa pautada no método marxista,
invariavelmente, apresenta uma crítica ao sistema capitalista e aos seus
desdobramentos.
O avanço do sistema industrial, a intensificação dos conflitos trabalhistas e
consequentemente o aprofundamento das diferenças entre as classes
sociais são questões que levaram Marx a olhar de uma maneira crítica para
o sistema capitalista. Para ele, a divisão do trabalho seria a origem das
classes e das desigualdades sociais. As classes sociais, no olhar marxista,
são duas: a burguesia (classe dominante e detentora dos meios de
produção) e o proletariado (classe dominada e que precisa vender a sua
força de trabalho para garantir a sua subsistência). Os interesses dessas
duas classes não são passíveis de conciliação; assim, a luta, a disputa entre
essas classes sociais é inevitável. O motor da história, o que faz a história
se movimentar e a sociedade se modificar, é a luta entre essas classes
sociais (Marx, 2004).
As classes sociais e o conflito decorrente delas não tiveram sua origem na
modernidade com a ascensão e consolidação do capitalismo; essas
diferenças sempre existiram nas diferentes formas de organizações sociais.
O que a sociedade capitalista fez foi simplificar e aprofundar o antagonismo
entre essas classes.
Nas primeiras épocas históricas, verificamos, quase por toda parte, uma
completa divisão da sociedade em classes distintas, uma escala
graduada de condições sociais. Na Roma antiga encontramos patrícios,
cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média, senhores, vassalos,
mestres, companheiros, servos; e, em cada uma destas classes,
gradações especiais. A sociedade burguesa moderna, que brotou das
ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classe. Não
fez senão substituir novas classes, novas condições de opressão, novas
formas de luta às que existiram no passado (Marx; Engels, 1980, p. 8-9).
A compreensão desse aspecto é fundamental para entendermos a
construção do Materialismo Histórico-Dialético. Logo, as mudanças
históricas que resultam dos conflitos entre as classes sociais e os
fenômenos sociais são resultados da ação dos seres humanos em
contextos históricos e sociais específicos. Essas questões estão
interligadas e se influenciam mutuamente, criando o movimento e a
transformação da história e das sociedades. Olhando para essas questões
Marx vai discutir a sociedade a partir das condições materiais de existência.
E o que são as condições materiais de existência? É tudo aquilo que os
seres humanos produzem para a sua sobrevivência; elas dizem respeito à
interação dos seres humanos na natureza e dos meios de que dispõem para
suprir suas necessidades. Portanto, o trabalho e as relações que se dão a
partir dele são elementos fundamentais nesse contexto. A classe social a
qual cada indivíduo pertence é marcada pela posição por ele ocupada no
processo produtivo. É por meio do trabalho que os seres humanos
transformam a natureza e (re)produzem a sua existência. Dessa maneira, a
sociedade é entendida como um todo integrado (Marx, 2004).
No tocante à Dialética, Marx tem influência do filósofo Georg Wilhelm Hegel
(1770-1831). A dialética hegeliana defendia que os fatos (ideias) continham
em si um fenômeno intrínseco, o que proporcionava seu movimento de
antítese (negação) e síntese (nova ideia). Marx critica esse olhar ao
entender que não se parte da ideia para se fazer a história; deve-se partir
daquilo que é material. Para ele, os filósofos se limitaram a interpretar o
mundo de diferentes maneiras, mas era necessário transformá-lo (Marx,
2004; Marx, 2011).
A essência deste método consiste na ideia de que as sociedades se
transformam à medida que os seres humanos alteram seu modo de
(re)produzir. O estudo da sociedade começa quando se toma consciência
de que o modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento
da vida social, política e intelectual em geral. Assim, compreende-se que os
modos de produção da vida material constituem os elementos que
condicionam o desenvolvimento de outras esferas sociais, como a política e
intelectual, por exemplo.
A originalidade de Marx foi relacionar a economia com a ideologia, ou seja,
estabelecer conexões entre modos de produção, dominação e consciência
de classe. Marx pretendia compreender os problemas sociais do século XIX
a partir de um novo método, o qual fosse capaz de analisar a complexidade
das relações humanas. O foco da análise está nas relações de produção,
que, segundo o autor, constituem a base das relações humanas e das
contradições sociais.
O Estruturalismo
Quando falamos em ciências humanas e sociais não, estamos nos referindo
somente à Sociologia como um campo científico; estamos nos referindo a
uma série de outros campos do conhecimento, como: antropologia, história,
direito, psicologia, sociologia, filosofia, ciência política, economia, serviço
social, comunicação, artes, teologia, etc. A Antropologia, enquanto ciência,
desenvolve estudos e pesquisas nas mais diversas áreas, quais sejam:
históricas, culturais, biológicas, físicas, psicológicas, linguísticas e sociais
(Oliveira; Melo; Araújo, 2018).
Partindo da perspectiva de que o objeto de estudo da Antropologia é
complexo e multifacetado, entendemos que não há uma única forma de
abordar os fenômenos que lhe são pertinentes. Dessa forma, existem
diferentes perspectivas teóricas na Antropologia para pensar tais questões,
como o Estruturalismo, o evolucionismo ou o funcionalismo. Essa é uma
questão pertinente às diversas áreas do conhecimento; na Psicologia, por
exemplo, podemos citar a psicanálise, a analítica, ou a humanista. No
Direito, temos o jusnaturalismo, o positivismo. Vamos focar no
Estruturalismo como uma corrente da Antropologia.
O Estruturalismo é uma abordagem teórica e metodológica que surgiu nas
ciências humanas no início do século XX, especialmente na linguística e na
antropologia. Esta corrente de pensamento buscou analisar e interpretar
características culturais e sociais de diferentes povos, enfatizando a
importância das estruturas básicas que moldam e sustentam essas
características. Ela se propôs a pensar o indivíduo como um ser que produz
cultura, ritos e manifestações diversas. O pensamento estruturalista se
desenvolveu de forma paralela ao funcionalista, e ambas as teorias
concordaram ao desenvolver uma visão sincrônica e globalizante do
fenômeno cultural (Marconi; Presotto, 2022; Oliveira; Melo; Araújo, 2018).
O principal representante do Estruturalismo foi Claude Lévi-Strauss (1908-
2009), o qual estudou amplamente os mitos em diferentes sociedades,
buscando encontrar elementos que se repetiam em todas elas, a fim de
encontrar uma estrutura comum. Dessa maneira, o antropólogo procurou
entender as particularidades de cada cultura e fazer relação com a
universalidade. Lévi- Strauss elabora algunsmodelos a fim de compreender
a estrutura. Segundo ele, para merecer o nome de estrutura, os modelos
devem, exclusivamente, satisfazer a quatro condições:
Em primeiro lugar, uma estrutura oferece o caráter de sistema. Ela
consiste em elementos tais que uma modificação qualquer de um deles
acarreta uma modificação em todos os outros. Em segundo lugar, todo
modelo pertence a um grupo de transformações, cada uma das quais
corresponde a um modelo da mesma família, de modo que o conjunto
destas transformações constitui um grupo de modelos. Em terceiro
lugar, as propriedades indicadas acima permitem prever de que modo
reagirá o modelo, em caso de modificação de um de seus elementos.
Enfim, o modelo deve ser construído de tal modo que seu
funcionamento possa explicar todos os fatos observados (Lévi-Strauss,
1967 apud Marconi; Presotto, 2022, p. 316).
O Estruturalismo busca entender as estruturas implícitas às bases, em vez
de se concentrar nas experiências individuais ou nos elementos
componentes de forma isolada. Isso significa que os estruturalistas
buscam identificar padrões, relações e regularidades que organizam o
mundo. Como exemplo, é possível citar o tabu do incesto, que consiste na
proibição de relações sexuais ou de casamento entre indivíduos que são
considerados parentes. Esse é um fundamento da vida social, visto que as
famílias não podem se fechar nelas mesmas, independentemente da forma
como esses grupos interpretam ou organizam o seu conceito de família ou
parentesco.
As pesquisas pautadas no Estruturalismo buscam a relação em termos
relacionais dos fenômenos. Dessa forma, a abordagem compreende que o
conhecimento do todo leva ao conhecimento das partes (visão
globalizante), utiliza-se de modelos na análise cultural e, a partir disso,
desenvolve uma compreensão ampla dessa realidade (Marconi; Presotto,
2022).
Vamos Exercitar?
Agora que compreendemos o Materialismo Histórico-Dialético e o
Estruturalismo, vamos retomar a nossa situação inicial. A aluna Luana
precisa realizar uma pesquisa de campo para a conclusão de uma das suas
disciplinas de graduação. Ela escolheu observar as crianças do seu bairro
que utilizam a quadra poliesportiva no período da tarde e perceber como
elas se relacionam no desenvolvimento das atividades. Qual teoria a
auxiliará de maneira mais eficaz para tanto?
A primeira coisa a entender é que não existe uma teoria melhor do que a
outra; todas elas expressam uma visão de mundo, um modo de interpretar,
de compreender o objeto em questão ou o fenômeno estudado. Outra
questão importante a ser ressaltada é que, quando um pesquisador adota
uma teoria para o desenvolvimento da sua pesquisa, ele está dizendo para o
seu leitor que partilha daquela visão de mundo, que ele enxerga os fatos e
fenômenos a partir daquele olhar. As teorias são lentes que utilizamos para
vislumbrar com mais clareza aquilo que estamos analisando.
A partir disso, Luana precisa compreender as bases tanto do Materialismo
Histórico-Dialético como do Estruturalismo para poder perceber qual das
duas teorias a auxiliará a olhar de maneira mais clara para aquilo que ela
pretende apreender ao observar os alunos na quadra poliesportiva. Ela
precisa identificar também qual das perspectivas condiz com a maneira
com que ela interpreta a realidade.
Saiba Mais
1. Karl Marx sem dúvidas é um dos pensadores mais controversos do
século XIX. Com ideias para além do seu tempo, ele revolucionou as
concepções políticas, econômicas, sociais e culturais até então
estabelecidas. Mas existem muitos pré-conceitos acerca da obra de
Marx, conceitos difundidos pelo senso comum, apresentados como
verdades, mas sem fundamentação. A publicação online da revista Cult
conta com uma série de textos explicativos da teoria marxista e textos
que ligam essa teoria a nossa realidade. Vamos aprofundar os
conhecimentos a respeito desse tema, desmistificando os
contrassensos que permeiam a teoria e o autor.
https://revistacult.uol.com.br/home/tag/karl-marx/
2. Conhecer os pensadores que desenvolveram as teorias é uma
ferramenta importante para compreender o contexto em que eles se
desenvolveram e partir de aí perceber os fatores que influenciaram
seus escritos. Você sabia que o antropólogo Claude Lévi-Strauss fez
pesquisas no Mato Grosso e na Amazônia e escreveu um dos mais
importantes livros de não ficção do século passado sobre o seu tempo
aqui no nosso país? Para se aprofundar no assunto, leia a reportagem:
“Saiba quem foi Claude Lévi-Strauss”, do G1 Globo.
 
 
 
 
Referências Bibliográficas
MARCONI, Marina de Andrade; PRESOTTO, Zélia Maria Neves. Antropologia:
uma introdução. 8ª ed. São Paulo: Atlas, 2022.
MARX, Karl. Grundisse: manuscritos econômicos de 1857-1858: esboço da
crítica da econômica política. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2011.
MARX, Karl. Manuscritos Econômico-Filosóficos. São Paulo: Boitempo,
2004.
MARX, Karl; Engels, Friedrich. Manifesto Comunista. São Paulo: Nova Stella,
1980.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e
criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
OLIVEIRA, Carolina Bessa Ferreira de; MELO, Débora Sinflorio Silva; ARAÚJO,
Sandro Alves de. Fundamentos de Sociologia e Antropologia. Porto Alegre:
SAGAH, 2018.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São Paulo:
Cortez, 2013.
https://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1364819-5603,00-SAIBA+QUEM+FOI+CLAUDE+LEVISTRAUSS.html
TRENTINI, Mercedes. Relação entre teoria, pesquisa e prática. Revista da
Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, n. 21, v. 2, p. 135-143, ago. 1987.
Encerramento da Unidade
A CONSTRUÇÃO DO
CONHECIMENTO CIENTÍFICO
Videoaula de Encerramento
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você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
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Ponto de Chegada
Olá, estudante!
Para desenvolver a competência desta Unidade, que é “compreender os
diversos tipos de conhecimentos, identificando suas particularidades e
aplicações no mundo real, evidenciando suas consequências práticas e
implicações nas tomadas de decisão e, a partir dessa reflexão, conhecer a
epistemologia do conhecimento científico e suas perspectivas”, você deverá
primeiramente conhecer os conceitos fundamentais de: senso comum,
conhecimento religioso, conhecimento filosófico e conhecimento científico.
O senso comum é um tipo de conhecimento que não se preocupa em
questionar as verdades instituídas, aquilo que é apresentado previamente
como verdadeiro e é transmitido de geração para geração. O conhecimento
religioso ou teológico é dogmático, ou seja, não é passível de
questionamentos. É proveniente da iluminação divina e aquilo que vem de
Deus ou de uma divindade não deve ser questionado.
O conhecimento filosófico é aquele que não aceita uma verdade
previamente instituída; ele faz questionamentos e reflexões a respeito dos
fatos, daquilo que está em questão. É um questionamento fundamentando,
buscando estabelecer relações entre aquilo que está sendo analisado e as
correntes filosóficas existentes.
Por sua vez, o conhecimento científico tem sua origem a partir da evolução
do modo de produção capitalista. Era preciso um conhecimento que
explicasse como incrementar o desenvolvimento das forças produtivas, e
isso não era encontrado no senso comum, nem na religião, nem na filosofia.
Assim, a ciência determina seu objeto específico de investigação e cria um
método confiável pelo qual estabelece o controle desse conhecimento. Os
métodos rigorosos possibilitam estabelecer um conhecimento sistemático,
preciso, causal e objetivo que permite a descoberta de relações universais
entre os fenômenos, a previsão de acontecimentos e a ação sobre a
natureza de maneira mais segura.
É preciso se atentar para o fato de que, ao falar em ciência, não é feita
referência apenas àquele tipo de ciência cuja imagem muitas vezes nos é
passada pelo senso comum; aquela

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