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Fisiologia 
1 
Linguagens e Pesquisa 
Maria Luzia Paiva de Andrade 
1ª
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o 
 
DIREÇÃO SUPERIOR 
Chanceler Joaquim de Oliveira 
Reitora Marlene Salgado de Oliveira 
Presidente da Mantenedora Wellington Salgado de Oliveira 
Pró-Reitor de Planejamento e Finanças Wellington Salgado de Oliveira 
Pró-Reitor de Organização e Desenvolvimento Jefferson Salgado de Oliveira 
Pró-Reitor Administrativo Wallace Salgado de Oliveira 
Pró-Reitora Acadêmica Jaina dos Santos Mello Ferreira 
Pró-Reitor de Extensão Manuel de Souza Esteves 
 
DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTÂNCIA 
Gerência Nacional do EAD Bruno Mello Ferreira 
Gestor Acadêmico Diogo Pereira da Silva 
 
FICHA TÉCNICA 
Direção Editorial: Diogo Pereira da Silva e Patrícia Figueiredo Pereira Salgado 
Texto: Maria Luzia Paiva de Andrade 
Revisão Ortográfica: Rafael Dias de Carvalho Moraes 
Projeto Gráfico e Editoração: Antonia Machado, Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos 
Supervisão de Materiais Instrucionais: Antonia Machado 
Ilustração: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos 
Capa: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos 
 
COORDENAÇÃO GERAL: 
Departamento de Ensino a Distância 
Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niterói, RJ, CEP 24020-420 www.universo.edu.br 
 
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bibliotecária: Elizabeth Franco Martins ----- CRB 7/4990 
 
Informamos que é de única e exclusiva responsabilidade do autor a originalidade desta obra, não se r esponsabilizando a ASOEC 
pelo conteúdo do texto formulado. 
© Departamento de Ensi no a Dist ância - Universidade Salgado de Oliveira 
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, arquivada ou transmitida de nenhuma forma 
ou por nenhum meio sem permissão expressa e por escrito da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura, mantenedor a 
da Univer sidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
 
 Palavra da Reitora 
Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo, 
exigente e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de 
Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSO EAD, que reúne os diferentes 
segmentos do ensino a distância na universidade. Nosso programa foi 
desenvolvido segundo as diretrizes do MEC e baseado em experiências do gênero 
bem-sucedidas mundialmente. 
São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio dessa 
modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço presentes 
nos dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu próprio tempo e 
gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se responsável 
pela própria aprendizagem. 
O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que 
permite que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo 
momento ligados por ferramentas de interação presentes na Internet através de 
nossa plataforma. 
Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores 
especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade são 
fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos. 
A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação a 
distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o bem-
sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo 
de atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualização, 
graduação ou pós-graduação. 
Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e compartilhando 
as novas tendências em educação, a UNIVERSO convida seu alunado a conhecer o 
programa e usufruir das vantagens que o estudar a distância proporciona. 
Seja bem-vindo à UNIVERSO EAD! 
Professora Marlene Salgado de Oliveira 
Reitora. 
Linguagens e Pesquisa 
 
4 
Linguagens e Pesquisa 
 
5 
 Sumário 
 
Objteto de Aprendizagem – Etapa 1 ................................................................................ 07 
Objteto de Aprendizagem – Etapa 2 ................................................................................ 67 
Objteto de Aprendizagem – Etapa 3 ................................................................................ 111 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
6 
 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
7 
 
1 Objeto de Aprendizagem Etapa 1 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
8 
 
Leitura – Uma Reflexão Social: Compreensão e Interpretação de Textos. 
 “Que ninguém se iluda: só a leitura intensa permite conhecer os múltiplos 
recursos da língua e usá-los com eficiência, sem decoreba gramatiqueira.” 
(Marcos Bagno). 
Caro aluno, começaremos agora os nossos estudos nessa fascinante área 
da leitura e da produção de textos. Procuraremos identificar e analisar as diferentes 
abordagens do ensino da leitura e da produção textual. Ler, ouvir, compreender, 
falar e escrever são atividades necessárias na nossa relação com os outros e com o 
mundo, e a ferramenta cultural que utilizamos para esta comunicação, esta inter-
relação, é a linguagem, seja ela verbal ou não-verbal, pois, no nosso dia a dia, 
deparamo-nos cada vez mais com situações em que temos de ler textos cujo 
código não é nossa língua. Já se afirmou, inclusive, que vivemos numa sociedade 
icônica, pois somos constantemente bombardeados por signos visuais também. E 
os próprios textos verbais vêm comumente associados a textos não-verbais. 
 
Objetivos 
 Saber adequar o discurso às situações comunicativas. 
 A conceituação de leitura 
 Interagir com os textos, buscando os significados possíveis e a relação 
com as experiências pessoais. 
 Entender a leitura como uma atividade de compreensão, mas também de 
interação, de reação e avaliação dos efeitos pretendidos pelo autor e 
obtidos nos leitores-aluno. 
Icônico: relativo a ícone. Que representa ou reproduz com exatidão e fidelidade. 
Signo que apresenta uma relação de semelhança ou analogia com o objeto que 
representa (como uma fotografia, uma estátua ou um desenho figurativo); p.ex.: o 
desenho de uma faca e um garfo cruzados que indicam a proximidade de um 
restaurante. 
Linguagens e Pesquisa 
 
9 
 Perceber que os textos (orais e escritos) são frutos da intenção 
comunicativa de um emissor em relação a um receptor num determinado 
contexto social. 
 Ampliar a capacidade de entender e interpretar adequadamente um 
discurso em sua diversidade de contexto e perceber a importância do 
contexto nos textos produzidos. 
 
Planejamento 
Seção 1: Conceituações de Leitura – A prática da leitura de textos 
Seção 2: Noções de Linguagem e Língua: Textos Verbais e Não-Verbais 
Seção 3: Noção de Discurso: O ensino da leitura e da escrita no Cotidiano 
Seção 4: A Metodologia da Leitura e Estratégias de Leitura e de Escrita de textos 
Seção 5: Trabalhando as normas linguísticas na construção dos textos: 
Significação das palavras. A Semântica e o sentido das palavras. 
Seção 6: Elementos de Coesão e Coerências Textuais. 
Seção 7: Aspectos comunicacionais em meios multimídia e Linguagem, Processos 
comunicativos, formas e tecnologias. 
 
 
 Bem-vindo à primeira seção de estudo! 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
10 
 
 Seção 1 - Conceituação de Leitura – A prática 
da Leitura de Textos 
 
Nessa seção de estudo, conheceremos um pouco sobre a prática da leitura e 
produção de textos, conheceremos algumas metodologias de leitura, suas 
estratégias e a diferença entre compreensão e interpretação de textos. A leitura é 
importante para que se possa ter acesso a informações veiculadas das mais 
diversas maneiras: na Internet,na televisão, em outdoors espalhados pelas cidades, 
em cartazes afixados sistematicamente, nos muros das ruas, nas mais diferentes 
placas informativas, folders, impressos de propaganda, distribuídos 
insistentemente aos transeuntes, e, até mesmo, em receitas médicas e bulas de 
remédios. Por isso, dizemos que na formação global do homem inserido no mundo 
moderno, a leitura e a produção de texto têm esse papel fundamental. O mesmo se 
pode dizer sobre o sucesso de um candidato, por exemplo, em exames, 
notadamente naqueles que privilegiam as questões analítico-dissertativas. Ilude-se 
a pessoa que, ao ler o programa de uma determinada matéria, conclui que as 
capacidades citadas são exigências específicas daquela disciplina. Por exemplo, 
quando programas de Português falam em “Leitura”, “Compreensão crítica” e 
“Interpretação” mencionam competências que exploram somente a prova 
específica de Língua Portuguesa, o que não é verdade. Assim, sem leitura, 
compreensão crítica e interpretação, o candidato a um exame não entende o 
enunciado de uma questão de física, história, biologia, geografia, por exemplo. 
A leitura é o processo através do qual o leitor interage com um autor, por meio 
de um texto escrito. Segundo Magda Soares (1996), esse processo é o resultado: 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
11 
 Das circunstâncias em que a leitura acontece: condições de 
produção da leitura; 
 Das práticas histórico-sociais que configuram o autor, o leitor, o 
texto: o contexto. 
 
Segundo ainda a mesma autora, a escrita é o processo através do qual o autor 
interage com um leitor, por meio de um texto escrito. Esse processo é o resultado: 
 Das circunstâncias em que a escrita acontece: condições de 
produção do texto. 
 Das práticas histórico-sociais que configuram o autor, o leitor, o 
texto: o contexto. 
 
Aprender a ler é não só uma das maiores experiências da vida escolar de 
uma pessoa. É uma vivência única para todo ser humano. Ao dominar a leitura 
abrimos a possibilidade de adquirir conhecimentos, desenvolver raciocínios, 
participar ativamente da vida social, alargar a visão de mundo, do outro e de si 
próprio. Veja o que diz Mariza Lajolo, 2004. 
 
“Lê-se para entender o mundo, para viver melhor. Em nossa 
cultura, quanto mais abrangente a concepção de mundo e de 
vida, mais intensamente se lê, numa espiral quase sem fim, que 
pode e deve começar na escola, mas não pode encerrar-se nela. 
Do mundo da leitura para a leitura do mundo, o trajeto se 
cumpre sempre, refazendo-se, inclusive, por um vice-versa que 
transforma a leitura em prática circular e infinita. Como fonte de 
prazer e de sabedoria, a leitura não esgota seu poder de sedução 
nos estreitos limites da escola. (LAJOLO, 2004, p.7) 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
12 
 
O objetivo deste texto é trazer algumas reflexões sobre o que significa 
entender a leitura e a escrita como experiência. Para isso colocamos aqui algumas 
concepções teóricas dos principais autores e pensadores da educação nesse país, 
para que, juntos, possamos refletir sobre como saber utilizar nas práticas sociais de 
leitura e de escrita, as estratégias e procedimentos que conferem maior fluência e 
eficácia ao processo de produção e atribuição de sentidos aos textos com os quais 
se interage. 
Ao longo do tempo, a tentativa de compreender o que é ler e escrever 
tem sido uma constante: qual a natureza da leitura e da escrita? Como se lê e se 
escreve hoje? Como concebemos a leitura e a escrita? Leitura é hábito? É gosto, 
prática, relação, exercício, instrumento, necessidade ou experiência? 
Para Sonia Kramer, a leitura é vista como experiência, pois o leitor leva 
rastros do vivido no momento da leitura para depois ou para fora do momento 
imediato – isso torna a leitura uma experiência. Assim, leitura é, portanto, a 
possibilidade própria que cada uma das pessoas tem de dotar de sentido e de 
significado textos escritos, desenhos, comportamentos, expressões, peças de 
teatro e filmes, obras de diferentes artes, etc. Isso significa dizer que não se leem 
apenas os textos linguísticos, aqueles que se ocupam da palavra escrita. Assunto 
que desenvolveremos no próximo tópico. 
 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
13 
 
 Seção 2 - A Língua e outros Sistemas 
de Comunicação: 
 
 Noções de Linguagem e Língua. 
 Textos verbais e não-verbais. 
 Elementos da Comunicação Humana 
 Funções da Linguagem. 
 
Entende-se como comunicação o intercâmbio de informação entre sujeitos ou 
objetos. Você já deve ter ouvido falar da célebre frase de Chacrinha: “Quem não se 
comunica se trumbica.” A comunicação humana é um processo que envolve a 
troca de informações e utiliza os sistemas simbólicos e a linguagem verbal. Neste 
processo estão envolvidos uma infinidade de maneiras de se comunicar. A 
exemplo disso, podemos indicar duas pessoas que conversam pessoalmente com 
as mãos ou mensagens enviadas utilizando a Internet. 
 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
14 
 
Inicialmente, cabe distinguir os conceitos de linguagem e língua. A concepção 
adotada por nós é que a linguagem é a capacidade de representação por meio de 
signos, exclusiva do ser humano e que o distingue dos outros animais. A 
linguagem pode ser expressa por signos verbais e não-verbais, agrupados em 
linguagem verbal – que usa a palavra falada e escrita – e a linguagem não-verbal – 
que utiliza signos gestuais, visuais e sonoros. Já a língua é um sistema de signos 
verbais desenvolvidos por uma comunidade para a comunicação como resultado 
de seu processo histórico. 
Uma língua tem características particulares em vários aspectos – fonológico, 
morfológico, sintático, semântico e pragmático – que a diferenciam de outras. É 
interessante lembrar também que a língua é heterogênea e apresenta variantes 
sociais, geográficas e situacionais, entre outras. Nela encontramos a norma padrão, 
ou português padrão, como uma das variantes linguísticas do português, associado 
aos grupos sociais de maior prestígio na sociedade. E a importância do seu estudo 
para a participação social e o pleno exercício da cidadania. 
 
 A importância da Linguagem: 
A linguagem sempre exerceu um interesse muito grande na abordagem da 
condição humana. É a forma humana de comunicação, o modo como nos 
relacionamos com o mundo e com os outros, como nos afirmamos social e 
politicamente, bem como expressamos nosso pensamento e até mesmo a arte. 
Essa é uma compreensão que vem desde a antiguidade. Aristóteles (384-322 a.C), 
afirmou que o homem é um “animal político” somente por que é dotado de 
linguagem. 
 
 O que é Linguagem? 
Em princípio, podemos dizer que a linguagem é um sistema de signos usados 
para a comunicação e para a expressão de ideias, valores e sentimentos. Isso quer 
dizer que podemos tratar a linguagem como um todo estruturado, com leis e 
Linguagens e Pesquisa 
 
15 
princípios próprios. Na base dessa estrutura estão os SIGNOS, que é um objeto 
dotado de sentido (como a fumaça que indica a presença de fogo), que tem a 
função de indicar ou representar outro objeto. 
 
 
 Signo Linguístico: 
Saussure (pai da Linguística Moderna) define o signo como a união do sentido e da 
imagem acústica. O que ele chama de sentido é a mesma coisa que conceito ou 
ideia, isto é, a representação mental de um objeto ou da realidade social em que 
nos situamos, representação essa condicionada pela nossa formação sociocultural. 
O que ele chama de “imagem acústica” não é o som de uma palavra propriamente, 
mas a impressão psíquica desse 
som. O signo linguístico é, 
portanto, “uma entidade psíquica 
deduas faces”, semelhante a uma 
moeda. (CLG - Curso de Linguística 
Geral - Saussure p,80) 
 
Figura 1: Signo Linguístico: significante e significado 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
16 
 
 
 Significante é a parte material, perceptiva. O significado é o 
conceito, a ideia que se tem do signo. Algo como o lado espiritual da 
palavra, sua contraparte inteligível, em oposição ao significante, que 
é sua parte sensível. 
 
 O que é Língua? 
A língua é a parte social da linguagem, exterior ao indivíduo, que segue leis 
estabelecidas pelos membros da sociedade e que não podem ser modificadas pelo 
indivíduo de forma solitária. Ela é social, ou seja, pertence a toda sociedade. Em 
sentido estrito, LÍNGUA é um sistema de signos organizados que permite aos 
indivíduos o processo comunicativo. 
 O que é Fala? 
É a capacidade que o indivíduo tem de utilizar a Língua. A fala é o resultado 
das combinações feitas pelo sujeito falante utilizando o código da língua, através 
de mecanismos psicofísicos (que são os atos de fonação) necessários à produção 
das combinações dos sons da fala. 
 Distinção entre comunicação verbal e não-verbal: 
Comunicação verbal: que é expressa por meio de palavras, faladas ou escritas. 
Comunicação não-verbal: qualquer aspecto da comunicação que não envolve o 
emprego de palavras. Para isso, incluem-se os gestos, as feições, as imagens e sinais 
de trânsito. 
 
Importante! 
Signo, então, equivale a um todo resultante da associação de um 
significante (que é a imagem acústica) e de um significado (que é o conceito). 
Linguagens e Pesquisa 
 
17 
 
 Esquema de Comunicação proposto por Roman Jakobson: 
 
 
Figura 2: Esquema de Comunicação de Jakobson 
 
 Emissor = chamado também de locutor ou falante, o emissor é aquele 
que emite a mensagem para um ou mais receptores, por exemplo, uma 
pessoa, um grupo de indivíduos, uma empresa, dentre outros. 
 Receptor = denominado de interlocutor ou ouvinte, o receptor é quem 
recebe a mensagem emitida pelo emissor. 
 Mensagem = é o objeto utilizado na comunicação, de forma que 
representa o conteúdo, o conjunto de informações transmitidas pelo 
locutor, por isso. 
 Canal de comunicação = corresponde ao local (meio) onde a mensagem 
será transmitida, por exemplo, jornal, livro, revista, televisão, telefone, 
dentre outros. 
 Código = representa o conjunto de signos que serão utilizados na 
mensagem. 
 Contexto = Também chamado de referente, trata-se da situação 
comunicativa em que estão inseridos o emissor e receptor. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
18 
 
 Funções da Linguagem: 
Tomando por base essa compreensão do processo de comunicação, Jakobson 
propõe uma análise da linguagem a partir de suas funções. Essas funções vão ser 
identificadas segundo o papel de cada um dos elementos do esquema de 
comunicação. 
 
São funções da linguagem, de acordo com ele: 
1 – Função expressiva – centrada no emissor 
1 – Função conativa – centrada no receptor 
2 – Função referencial – centrada no referente ou contexto 
3 – Função fática – centrada no canal 
4 – Função poética – centrada na mensagem 
5 – Função metalinguística – centrada no código 
 
 
 
Figura 3: Elementos e funções da linguagem segundo Roman Jakobson 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
19 
 
 Seção 3 - Noção de Discurso: O ensino da leitura e 
da escrita no Cotidiano. Conceitos básicos sobre 
análise do discurso e seus impactos. 
 
 A concepção que temos é a da língua como atividade discursiva. O discurso 
pode ser compreendido como a linguagem posta em ação – ou seja – o uso que as 
pessoas fazem da linguagem na interação com outras pessoas, num determinado 
contexto social. Ao adotar essa perspectiva, o ensino da escrita e da leitura se 
coloca como orientação para o aluno de como interagir em contextos específicos 
por meio da linguagem, mais do que o estudo do conjunto de elementos 
constitutivos da língua. A produção de textos – falados e escritos – passa a ser 
percebida como instrumento para dar sentido aos objetivos da comunicação. 
Portanto, o ensino da leitura e da escrita é o ensino das estratégias de leitura e 
construção dos textos de acordo com as intenções comunicativas de seus autores. 
A produção da escrita é pertinente a uma prática social. Na sociedade 
contemporânea os indivíduos atuam no mundo e sentem necessidade de 
comunicar suas ideias e mensagens aos outros. A produção de textos, no 
laboratório textual ou em oficinas, possibilita ao sujeito produtor do texto que 
expresse seus pensamentos, seus pontos de vista e construa seus argumentos 
sobre determinado assunto, em suas comunicações diárias, quer escrita ou quer 
falada. O produtor do texto, na construção de suas mensagens, deverá levar em 
consideração, segundo Ingedore Koch (op. cit), as inter-relações que são essenciais 
para garantir a coerência de um texto. Vejamos: 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
20 
 
 
Você deverá ler, compreender e interpretar as inúmeras obras, revistas, 
filmes que circulam em seu cotidiano. Esses procedimentos de LEITURA são 
eficazes para o bom desempenho da ESCRITA e o desenvolvimento das 
habilidades de escrever, de argumentar, de pensar e de fundamentar seu ponto 
de vista na organização discursiva em diferentes modalidades: escrita ou falada. 
 Outro fator importante para interpretação de um texto é a inferência. 
 
 
A produção da escrita está atrelada à produção da leitura, facultando ao leitor, 
pelo contato com textos escritos diversificados e pelas inúmeras leituras, um bom 
desempenho em suas produções textuais. Tais leituras possibilitam internalizar 
novos conhecimentos e desenvolver habilidades na organização discursiva, assim, 
a convivência com o universo de leituras levará o sujeito leitor ao efetivo domínio 
da escrita. Pode-se levar em consideração que, por meio da leitura, teremos o 
acesso à informação, além de favorecer um exercício de reflexão e análise das 
questões sociais, tornando a pessoa mais crítica e conhecedora de si e do outro. 
Observe o esquema a seguir: 
 
Inferência: é a dedução, a interpretação pelo raciocínio baseada em indícios, ou 
seja, inferência é opinião. 
Linguagens e Pesquisa 
 
21 
 
 
Explicando: 
 O esquema anterior sintetiza o processo da produção da escrita e das 
atividades comunicativas; requer do sujeito produtor de textos uma leitura 
(informação) em que ele tenha compreensão e interpretação de suas leituras, com 
isso poderemos afirmar que o ato de escrever exige: o pensar e o refletir sobre 
algo, além de estimular “o criar”, o produzir de novos textos e de novas mensagens. 
Esse processo resulta na construção de diversos gêneros textuais (bilhete, carta 
pessoal, carta comercial, telefonema, notícia jornalística, editorial de jornais e 
revistas, atas, resenha etc.) e visa promover ainda, a interação social entre os 
indivíduos. 
 Noções preliminares de Análise do Discurso 
A Análise do Discurso é o estudo em que se verifica a intenção presente na 
comunicação por meio da linguagem. É uma prática muito estudada no campo da 
Linguística, da Comunicação e de diversas áreas afins do conhecimento humano 
(Sociologia, Psicologia, Psicanálise, Direito, História). São várias as leituras possíveis 
de um texto. A Análise do Discurso busca então entender a intenção do texto por 
Linguagens e Pesquisa 
 
22 
meio de uma relação entre autor e contexto empregado. Esse tipo de análise 
surgiu na França, nos anos sessenta do século vinte, e focou seu interesse na 
intenção do discurso. 
 
O Discurso: Discurso é uma exposição metódica sobre determinadoassunto que 
objetiva influenciar o leitor ou o ouvinte. Sabe-se que as palavras transmitem 
informações explícitas e implícitas. O texto não deve ser analisado apenas em sua 
expressão sintática e semântica dos vocábulos. Há uma intenção por parte do autor 
que muitas vezes não se mostra claramente. Saber interpretar adequadamente 
essas intenções do discurso em suas diversidades é uma técnica que interessa a 
diversos profissionais e acadêmicos. Assim, a Análise de Discurso (mais conhecida 
como AD nos meios acadêmicos relacionados à linguagem) apresenta-se como 
uma disciplina cada vez mais presente no cenário das ciências humanas. 
 
Para saber mais: 
A linguagem é uma atividade humana que nos exige várias 
competências. Uma competência situacional, pois não há ato de linguagem que se 
produza fora de uma situação de comunicação. Isso nos obriga a levar em 
consideração a finalidade de cada situação e a identidade daqueles que se acham 
implicados e efetuam trocas entre si. 
Uma competência semiolinguística que consiste em saber organizar a encenação 
do ato de linguagem de acordo com determinadas situações (enunciativa, descritiva, 
narrativa, argumentativa) e, enfim, A competência semântica que consiste em saber 
construir sentido com a ajuda de formas verbais (gramaticais ou lexicais), recorrendo 
aos saberes de conhecimento e de crença que circulam na sociedade, levando em 
conta os dados da situação de comunicação e os mecanismos de encenação do 
discurso. Esse conjunto de competências constitui o que se chama de competência 
discursiva, e é fazendo-a funcionar que se produzem atos de linguagem portadores de 
sentido e de vínculo social. 
Linguagens e Pesquisa 
 
23 
 Seção 4- Metodologia da leitura – Técnicas 
Básicas de leitura e Interpretação de Textos 
 
A demanda pela leitura e pelo domínio da linguagem escrita é cada vez 
maior. Nos últimos anos, as exigências impostas aos profissionais que procuram 
emprego são maiores. Exige-se do candidato as mais diversas funções, que 
demonstre, por exemplo, domínio da língua portuguesa, que seja um bom ouvinte, 
que tenha uma boa comunicação verbal, boa escrita, boa redação, facilidade de 
comunicação e um bom texto. O domínio da linguagem escrita é tido, atualmente, 
como condição para a produção e acesso ao conhecimento. Das grandes falhas na 
formação do estudante hoje, a mais flagrante está na inabilidade dos alunos com a 
leitura e interpretação de textos, ou seja, o aluno tem dificuldade para ler e 
interpretar textos mais complexos. Evanildo Bechara (2004, p. 694) em sua 
Gramática Escolar da Língua Portuguesa, nos propõe uma diferenciação entre 
Compreensão e Interpretação de textos. Vejamos a seguir o que diz Bechara: 
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS 
 
COMPREENSÃO: Consiste em analisar o que realmente está escrito, ou seja, 
coletar dados do texto. O enunciado normalmente assim se apresenta: 
1. As considerações do autor se voltam para... 
2. Segundo o texto está correta... 
3. De acordo com o texto, está incorreta... 
4. Tendo em vista o texto, é incorreto... 
5. O autor sugere ainda que... 
6. De acordo com o texto é certo... 
7. O autor afirma que... 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
24 
 
INTERPRETAÇÃO: Consiste em saber o que se infere (conclui) do que está 
escrito. O enunciado normalmente é encontrado da seguinte maneira: 
1. O texto possibilita o entendimento de que... 
2. Com o apoio no texto, infere-se que... 
3. O texto encaminha o leitor para... 
4. Pretende o texto mostrar que o leitor... 
5. O texto possibilita deduzir-se que... 
 
O mesmo autor, Bechara (2004, p. 695), explica também sobre os três erros 
capitais que cometemos na análise de textos. Segue o texto do autor: 
 
TRÊS ERROS CAPITAIS NA ANÁLISE DE TEXTOS: 
1. EXTRAPOLAÇÃO: É o fato de se fugir do texto. Ocorre quando se 
interpreta o que não está escrito. Muitas vezes são fatos reais, mas que 
não estão expressos no texto. Deve-se ater somente ao que está relatado. 
 
2. REDUÇÃO: É o fato de se valorizar uma parte do contexto, deixando de 
lado a sua totalidade. Deixa-se de considerar o texto como um todo para 
se ater apenas à parte dele. 
3. CONTRADIÇÃO: É o fato de se entender justamente o contrário do que 
está escrito. É bom que se tome cuidado com algumas palavras, como: 
“pode”, “deve”, “não”, verbo “ser”, etc. 
 
Não é apenas para o mundo do trabalho que esse conhecimento linguístico é 
importante. Ser um usuário competente da língua é fator primordial para a 
ampliação da participação social e exercício efetivo da cidadania. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
25 
 
 Estratégias de leitura 
 Dos caminhos a seguir, dois favorecem a intimidade dos alunos com o 
texto. São eles: ensinar a estabelecer previsão e inferência, estratégias que são 
invocadas na prática da leitura logo no primeiro contato com o texto, e que devem 
ser provocadas e incentivadas pelo professor na prática da leitura. 
 A previsão e a inferência exigem que o leitor acione conhecimentos 
prévios, conhecimento de mundo, como ideias, hipóteses, visão de mundo e de 
linguagem sobre o assunto. Ângela Kleiman (2002), professora do Instituto de 
Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas, diz que: “A leitura é 
uma atividade de procura do passado de lembranças e conhecimentos do leitor. O que 
orienta o ato de ler é a direção, a elaboração do pensamento e sua imagem de 
mundo”. 
 
TÉCNICA DE LEITURA 
 Deve-se ler o texto antes de se olhar as perguntas, entretanto, muitas 
vezes, isso trará alguma frustração, pois o texto pode ser grande e complicado, 
fazendo com que, ao terminar a leitura, você já tenha esquecido o início; ou pode 
haver poucas perguntas sobre a ideia geral do texto, ou ainda as perguntas 
estarem ligadas a segmentos do texto bem específicos, o que tornaria mais 
complexo seu entendimento. 
Algumas dicas que ajudam para uma leitura mais eficiente: 
 Sublinhe as partes importantes. 
 Circule as palavras-chave. 
 Anote detalhes importantes. 
 Leia as partes mais complexas com bastante atenção, tentando entendê-
las profundamente. 
 Descubra qual a ideia básica do texto e estabeleça seu real objetivo, 
mesmo que tenha de reescrevê-los, à parte, com suas palavras. 
 
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26 
AS PRINCIPAIS ARMADILHAS: 
Os enunciados das questões podem trazer algumas “armadilhas” ou “maldades” 
com a intenção de enganá-los. Assim, é bom conhecer alguns desses artifícios. 
Vejam: 
 Atente para o que se pede: se for o certo, o errado, sobre o que está ou o 
que não está no texto, o que condiz etc. 
 Veja se há algum não. Isso muda tudo toda a estratégia. 
 Se houver a citação de algum parágrafo ou alguma linha, localize-o (a) 
com cuidado e marque-o (a). Se as linhas não estiverem numeradas, 
numere-as (de cinco em cinco). 
 A interpretação é do texto, normalmente do autor, mas não da sua ideia 
(sua = do leitor). 
 Cuidado com as palavras como exceto ou salvo, ou locuções como 
exceção de, pois elas mudam tudo. 
 Quando se pedir a melhor resposta, é porque pode (deve) haver mais de 
uma possibilidade. 
 Cuidado com as noções de causa e consequência. 
 Atenção para as propostas de substituição de vocábulos ou expressões, 
pois seu uso tem de se encaixar perfeitamente no lugar do texto. 
 Em provas discursivas, cuidado com o verbo de comando: transcreva, 
justifique, explique, sublinhe etc. 
 Ainda em questões discursivas, muita atenção para a clareza e a 
objetividade da resposta. 
 
Ainda em Bechara (2004), encontramos os dez mandamentos para uma 
eficiente análise de textos. Acompanhe o que nos ensina o eminenteautor: 
 
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27 
 
OS DEZ MANDAMENTOS PARA ANÁLISE DE TEXTOS: 
1. Ler duas vezes o texto. A primeira para tomar contacto do assunto; a 
segunda para observar como o texto está articulado; desenvolvido. 
2. Observar que um parágrafo em relação ao outro pode indicar uma 
continuação ou uma conclusão ou, ainda, uma falsa oposição. 
3. Sublinhar, em cada parágrafo, a ideia mais importante (tópico frasal). 
4. Ler com muito cuidado os enunciados das questões para entender 
direito a intenção do que foi pedido. 
5. Sublinhar palavras como: erro, incorreto, correto etc., para não se 
confundir no momento de responder à questão. 
6. Escrever, ao lado de cada parágrafo ou de cada estrofe, a ideia mais 
importante contida neles. 
7. Não levar em consideração o que o autor quis dizer, mas sim o que ele 
disse; escreveu. 
8. Se o enunciado mencionar tema ou ideia principal, deve-se examinar 
com atenção a introdução e/ou a conclusão. 
9. Se o enunciado mencionar argumentação, deve preocupar-se com o 
desenvolvimento. 
10. Tomar cuidado com os vocábulos relatores (os que remetem a outros 
vocábulos do texto: pronomes relativos, pronomes pessoais, pronomes 
demonstrativos, etc.). 
No entanto, como dissemos há pouco, não é apenas para o mundo do 
trabalho que o conhecimento da língua é importante, mas também para 
torná-lo um usuário competente, capaz de ampliar a sua participação social no 
processo de interação com o mundo que o cerca. Para isso, é preciso 
apropriar-se do conhecimento e de meios de produção e de divulgação desse 
conhecimento. É o que desejamos que você faça, caro aluno, com todas essas 
dicas acima. 
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 Estratégias da Escrita 
 Ler não é apenas decodificar, mas compreender as mensagens, pois 
circulamos e vivemos numa sociedade letrada. Vale o que está escrito. 
Parodiando o texto bíblico diríamos: 
“Bem-aventurados os homens de boa redação. Deles será o reino das 
diretorias”. 
NFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. Ed. Scipione, São Paulo, 1998, p. 248. 
É verdade! A escrita é essencial ao mundo contemporâneo, tendo em vista as 
práticas sociais das atividades comunicativas no dia a dia, uma vez que as nossas 
organizações e instituições são permeadas por textos escritos: 
Estatutos, Código Civil, PROCON, Leis, Outdoor, Receitas, Comunicação nas 
Empresas, Relatórios, enfim, por inúmeras mensagens que circulam socialmente. 
Assim, dependemos da escrita enquanto habilidade importante para o nosso 
sucesso profissional. Assim, estamos em consonância com as dicas de Lucília 
Garcez para desinibir ou eliminar os bloqueios do estudante, auxiliando-o na 
produção textual. Vamos conferir? 
“DICAS” PARA DESEMPENHO NA ESCRITA: 
1º Passo: Resumos de leituras (revistas, jornais, livros, crônicas e contos). 
2º Passo: Não ter “medo” de escrever. Acreditar que você é capaz de obter 
êxito na escrita. 
3º Passo: Ler muito. Compreender e interpretar o que leu. 
4º Passo: Valorizar seus argumentos e reconhecer que pela escrita interagimos 
com o mundo. 
5º Passo: Motivação é a razão para escrever o texto: defender uma ideia, além 
de expressar um sentimento ou opinião sobre algo. 
6º Passo: Correção gramatical. 
Escrever é um desafio, é luta... Uma via para compreender e desenvolver o 
ato de escrever é a Leitura. Recortamos algumas entrevistas de escritores que 
vivem de suas escritas, sendo o ato de escrever imprescindível em suas vidas. 
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29 
Veja estes depoimentos: 
Clarice Lispector: 
Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é 
maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua 
tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé 
contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de 
sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio 
para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas 
a primeira capa de superficialismo”. GARCEZ, Lucília H. do CARMO. (Técnica de 
redação. O que é preciso saber para bem escrever. São Paulo: Martins Fontes. 
2008, 150p.) 
Segundo a autora Lygia Fagundes, o ato de escrever se resume: 
 
-Como você definiria o ato de escrever? 
-Uma luta. Uma luta que pode ser vã, como disse o poeta, mas 
que lhe toma a manhã. E a tarde. Até a noite. Luta que requer 
paciência. Humildade. Humor. Lembro-me de que estava num 
hotel em Buenos Aires, vendo na tevê um drama de boxe. 
Desliguei o som, ficou só a imagem do lutador já cansado 
(tantas lutas) e reagindo. Resistindo. Acertava, às vezes, mas 
tanto soco em vão, o adversário tão ágil, fugidio, desviando a 
cara. E ele ali, investindo, Insistindo: – mas o que mantinha o 
lutador em pé? Duas vezes beijou a lona. Poeira, suor, sangue. 
Voltava a reagir, alguém sugeriu que lhe atirassem a toalha, é 
melhor desistir, chega! Mas ele ia buscar forças sabe Deus onde 
e se levantava de novo, o fervor acendendo a fresta do olho 
quase encoberto pela pálpebra inchada. Fiquei vendo a 
imagem silenciosa do lutador solitário – mas quem podia 
ajudá-lo? Era a coragem que o sustentava? A vaidade? Simples 
ambição de riqueza, aplauso? (...) E de repente me emocionei: 
na imagem do lutador de boxe vi a imagem do escritor no 
corpo a corpo com a palavra. (Para gostar de ler. Vol. 9. São 
Paulo: Editora Ática, 3ª. Ed. 1988, p7). 
 
 
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30 
 Seção 5 - Trabalhando as normas linguísticas na 
construção dos textos: Significação das palavras. A 
Semântica e o sentido das palavras. 
Agora, prezado aluno, você irá estudar a semântica, parte da gramática que 
estuda o significado das palavras, com o objetivo de ajudá-lo na sua produção 
textual e na interpretação de um texto. 
 
 
Vamos, então, ao estudo semântico das palavras. 
CAMPOS SEMÂNTICOS 
As palavras são relacionadas e associadas de várias maneiras pelo sentido, 
resultando na construção de um campo semântico. 
Exemplo 1 
 
Dica! 
Estude e consulte uma Gramática indicada na nossa bibliografia. 
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Exemplo 2: 
 
 
POLISSEMIA 
 Consiste no emprego de significados variados de acordo com o co6ntexto. Em 
nossa língua, muitos vocábulos apresentam mais de um significado, o qual só é 
apreendido quando se analisa o contexto. Quando isso ocorre, dizemos que o 
vocábulo é polissêmico. Inúmeros são os vocábulos polissêmicos. Observe: 
Exemplo: 
1 - A esperança pousou na janela. 
1 - Chegando à janela vi o céu azul e tive a esperança de dias melhores. 
Veja que se trata do uso da palavra esperança com mais de um sentido, em 
diferentes contextos. 
Mais exemplos: 
3 - A manga da camisa está suja. (parte da vestimenta) 
4 - Todos gostam muito de manga. (fruta) 
5 - O prato é de porcelana. (peça de louça) 
 6 - O prato está delicioso. (comida) 
Todas essas palavras acima são polissêmicas. 
 
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SINONÍMIA (OU SINÔNIMOS) 
Quando duas ou mais palavras têm o mesmo significado em um determinado 
contexto. São palavras diversas na escrita, mas semelhantes ou idênticas na 
significação. 
Exemplo: 
1 - O diretor cumprimentou aos alunos pela gincana. 
 2 - O diretor fez a saudação aos alunos pela gincana. 
Observe a substituição de cumprimento por saudação, sem alterar o sentido da 
frase. 
Veja mais alguns sinônimos: 
Olhar = ver / habitar = morar / colóquio = diálogo / cara = rosto / bonito = belo 
 
ANTONÍMIA (OU ANTÔNIMOS) 
 
Consiste no emprego de palavras de sentido contrário, oposto. 
Exemplo: 
1 - A jovem era destemida. 
2 - A jovem era medrosa.Observe a substituição de destemida por medrosa, com alteração do sentido da 
frase. 
Veja outros antônimos: 
Bonito = feio / alegre = triste / natural = artificial / ignorância = sabedoria 
 
 DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO: 
O sentido literal ou denotativo costuma ser entendido como o sentido do 
dicionário. Quanto ao sentido figurado, este é compreendido como o não-
convencionalizado, ou seja, como o sentido metafórico. Por esta dicotomia, 
costuma-se associar a conotação ao uso do cotidiano da língua, que 
representaria um uso mais polissêmico, em oposição à denotação, em que se 
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emprega a palavra no seu sentido real, literal, dicionarizado. Essa é, aliás, um 
critério muito utilizado nas escolas para fazer a distinção entre o texto literário 
e o texto jornalístico, por exemplo. 
É preciso chamar a atenção, contudo, para o fato de a denotação e a 
conotação não serem fenômenos restritos a este ou aquele gênero textual. 
 
Exemplos: 
 
1 – Está frio aqui. (sentido próprio) - denotação 
 
 (Temperatura) 
2 – Ele é um homem frio. (sentido figurado) - conotação 
 
 (Insensível) 
 
3 – Maria comprou uma flor vermelha para a sua mãe. (sentido real) – denotação. 
 (Uma rosa) 
 
4 – Maria é uma flor de menina. (sentido figurado) conotação 
 
 (Uma metáfora: pessoa bonita, singela) 
 
 Seção 6 – Elementos de Coesão e Coerência Textuais. 
 
● PRINCIPAIS MECANISMOS DE COESÃO 
O encadeamento de ideias é responsável pela coerência de um texto. A 
coesão textual é a conexão linguística que permite a amarração das ideias do 
texto. 
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Segundo o dicionário eletrônico Aurélio Século XXI, coesão significa 
“união íntima entre as partes de um todo”. Apesar de constituírem fenômenos 
distintos, coesão e coerência são complementares na construção de sentido dos 
textos, pois enquanto a coerência se manifesta no plano do conteúdo, do 
encadeamento das ideias, a coesão se manifesta no plano da superfície do texto, 
isto é, nas relações linguísticas tais como nos empregos de conectivos, conjunções, 
advérbios, pronomes, sinônimos etc. 
A coesão textual pode ser conseguida mediante quatro procedimentos gramaticais 
elementares: 
A - Substituição: quando uma palavra ou expressão substitui outras anteriores: 
O Rui foi ao cinema. Ele não gostou do filme. 
B - Reiteração: quando se repetem formas no texto: 
“E um beijo?! E um beijo do seu filhinho?! ” — Quando dará beijos o meu menino?! 
A reiteração pode ser lexical (“E um beijo”) ou semântica (“filhinho” /”menino”). 
C - Conjunção: quando uma palavra, expressão ou oração se relaciona com outros 
antecedentes por meio de conectores gramaticais: 
 
 O cão da Teresa desapareceu. A partir daí, não mais se sentiu segura. 
 A partir do momento em que o seu cão desapareceu, a Teresa não mais se sentiu segura. 
Vejamos que alguns mecanismos de coesão ocorrem por: 
 Retomada gramatical: (pronomes, artigos, numerais, advérbios) 
 Retomada lexical: (substantivos, adjetivos, verbos) 
 Retomada elíptica: (elipse ou ocultamento) 
 Repetição: (lexical e sintática) 
 Encadeamento argumentativo: (com o emprego de operadores 
discursivos) 
 Justaposição: (sem sequenciadores) 
 
 
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35 
 
 
Exemplo: Coesão por Elipse 
(Eu) Conheci Eduardo Wanderley no Festival de Cinema em Gramado. 
(Ele) Era um ator excelente que morava no Chile há quinze anos. 
(O artista) Aprecia o cinema da América Latina. 
 
Exemplo: A coesão por advérbios 
 
Gramado é, por excelência, a terra de novos talentos do cinema. Lá acontece 
todos os anos o Festival do Cinema Brasileiro. 
 
Lá = advérbio (ocorre a substituição da palavra Gramado pelo advérbio lá). 
 
Exemplo: Repetição (lexical e sintática) 
 
Paulo comprou um automóvel. O carro é o último modelo da categoria. 
 
Importante! 
Você deverá ficar atento aos mecanismos de coesão para garantir clareza 
e concisão das ideias, em sua organização discursiva. Agora, veremos a coesão por 
elipse. A retomada por elipse é muito comum na comunicação escrita ou falada para 
garantir a coesão dos textos. Vamos conferir! 
Importante! 
Você deverá consultar e estudar na bibliografia indicada os principais 
mecanismos de coesão para garantir a qualidade do seu texto por meio da unidade de 
sentido. 
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36 
 
● A COERÊNCIA: 
Coerência: três definições envolvendo autores diferentes. 
 
● “Uma complexa rede de fatores de ordem linguística, cognitiva e interacional”. 
(Ingedore Koch) 
 
● “A relação que se estabelece entre as partes do texto, criando uma unidade de 
sentido”. (José Luiz Fiorin) 
 
● “Conexão, a união estreita entre várias partes, relações entre ideias que se 
harmonizam, ausência de contradições. É a coerência que distingue um texto de 
um aglomerado de frases”. (José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli) 
Alguns autores apontam alguns tipos de coerências, a saber: coerência semântica, 
coerência sintática, coerência estilística e coerência pragmática. 
A – COERÊNCIA SEMÂNTICA: Refere-se à relação entre os significados dos elementos 
das frases em sequência; a incoerência aparece quando esses sentidos não combinam, 
ou quando são contraditórios. 
Exemplo: “Educação, problema universal que por direito todo indivíduo deve ter 
acesso.” 
 
Explicando: A inadequação deve-se ao fato de não ficar claro qual é o antecedente do 
pronome que. Da maneira como foi escrita a frase, o antecedente é problema universal, 
e, neste caso, a incoerência semântica está na não combinação entre os sentidos de ter 
acesso e problema. É muito mais provável que o autor desta frase tenha pensado que 
todo indivíduo deve ter acesso à educação, mas, da forma como ordenou as palavras, 
causou ambiguidade com relação ao antecedente do que. 
 
 
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37 
B – COERÊNCIA SINTÁTICA: Refere-se aos meios sintáticos usados para expressar a 
coerência semântica: conectivos, pronomes etc. 
 Exemplo: Na verdade, essa falta de leitura, de escrever, seja porque tudo já vem pronto, 
mastigado para uma boa compreensão, não precisando pensar, 
Explicando: Vários problemas são encontrados nesta frase. O primeiro é o não 
paralelismo entre leitura (substantivo) e escrever (verbo). Seria necessário dizer falta de 
ler, de escrever ou falta de leitura, falta de treino de escrita. Outro problema é o emprego 
da conjunção “seja”. Ela é normalmente usada para apresentar mais de uma alternativa: 
seja porque tudo já vem pronto, seja porque não há estímulo por parte dos professores. 
Usada isoladamente, ela perde seu sentido alternativo. Há, ainda, a ausência de um 
predicado para o sujeito “essa falta de leitura”. A frase ficou fragmentada. 
C – COERÊNCIA ESTILÍSTICA: Este tipo de coerência não atrapalha, 
significativamente, a interpretação do texto. Ele está relacionado à mistura de 
registros linguísticos. É recomendável que quem escreve se mantenha em um 
estilo relativamente uniforme. No entanto, a alternância de registros pode ser um 
recurso estilístico utilizado pelo escritor, pelo poeta ou artista em geral. 
Leia este poema de Manuel Bandeira: 
 
Teresa, se algum sujeito bancar o 
 sentimental em cima de você 
e te jurar uma paixão do tamanho de 
 um 
 bonde 
 Se ele chorar 
 Se ele ajoelhar 
 Se ele se rasgar todo 
 Não acredita não Teresa 
 É lágrima de cinema 
 É tapeação Mentira 
 CAI FORA! 
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38 
 
Explicando: O autor procede como se estivesse falando, aconselhando alguém, 
advertindo sobre uma possível “cantada”. Há mistura de tratamento (tu/você), mistura de 
registros, pois o autor utiliza várias expressões da linguagem oral, de fora coloquial, como 
“do tamanho de um bonde”, “se ele se rasgar todo”, “cai fora”, ao mesmo tempo em que 
emprega o futuro do subjuntivo, tempo mais comum num registro mais cuidado. 
 
D – COERÊNCIA PRAGMÁTICA: Refere-se ao texto visto como uma sequência de atos 
de fala. Para haver coerência nesta sequência, é preciso que os atos de fala se realizem de 
forma apropriada, isto é, cada interlocutor, na sua vez de falar, deve conjugar o seu 
discurso ao do seu ouvinte. Quando uma pessoa faz uma pergunta a outra, a resposta 
pode-se manifestar por meio de uma afirmação, de outra pergunta, de uma promessa, 
de uma negação. Qualquer uma dessas sequências seria considerada coerente. Por outro 
lado, se o interlocutor não responder, virar as costas e sair andando, começar a cantar, ou 
mesmo dizer algo totalmente desconectado do tema da pergunta, estas sequências 
seriam consideradas incoerentes. 
 
Exemplo: Esta frase foi ouvida recentemente em um programa de televisão: 
“Me inclui fora dessa.” 
 
Explicando: Parece que o emissor não conhece o sentido do verbo incluir, que 
certamente não pode ocorrer combinado com fora. Ou então, usa expressamente o 
advérbio fora para explicar sua intenção de não ser incluído em algum projeto. 
 
Saiba mais: 
A- Coerência é a ligação em conjunto dos elementos formativos de um texto; a 
coesão é a associação consistente desses elementos. 
B- coerência e coesão são níveis distintos de análise. A coesão diz respeito ao 
modo como ligamos os elementos textuais numa sequência; a coerência não é 
Linguagens e Pesquisa 
 
39 
apenas uma marca textual, mas diz respeito aos conceitos e às relações 
semânticas que permitem a união dos elementos textuais. 
 
C- A falta de coerência em um texto é facilmente percebida por um falante de 
uma língua, quando não encontra sentido lógico entre as proposições de um 
enunciado oral ou escrito. É a competência linguística, tomada em sentido 
lato, que permite a esse falante reconhecer de imediato a coerência de um 
discurso. A competência linguística combina-se com a competência textual 
para possibilitar certas operações simples ou complexas da escrita literária ou 
não-literária: um resumo, uma paráfrase, uma dissertação a partir de um tema 
dado, um comentário a um texto literário etc. 
 
D- A coerência e a coesão contribuem para conferir textualidade a um conjunto 
de enunciados. Assim, a coerência, manifestada em grande parte no nível 
macrotextual, é o resultado da possibilidade de se estabelecer alguma forma 
de unidade ou relação entre os elementos do texto. E a coesão, manifestada 
no nível microtextual, refere-se ao modo como os vocábulos se ligam dentro 
de uma sequência. 
 
Seção 7: Linguagem, Processos comunicativos, formas e 
tecnologias e Aspectos comunicacionais em meios 
multimídias. 
 
 A IMPESSOALIDADE DO TEXTO 
Ao trabalhar a construção do texto deve-se usar uma maneira de evitar o caráter 
subjetivo e pessoal com as seguintes formas: 
 
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40 
 
a) Empregar o verbo na primeira e na terceira pessoas do plural, com o 
objetivo de não realçar a subjetividade da primeira pessoa, de modo 
explícito. 
O produtor de texto deve usar as expressões que são conhecidas como 
plural de elegância. 
Exemplos: 
 Procuramos demonstrar... 
 Nossas conclusões... 
 Procuramos afirmar... 
 Deduzimos... 
 
b) Devemos EVITAR a presença da subjetividade explícita, conforme as 
expressões abaixo: 
 
Exemplos: 
 Minha conclusão... 
 Esta é a minha opinião... 
 Procurei demonstrar... 
 
 As Comunicações Oficiais e a Normatização Gramatical 
 
 Nesta seção, estudaremos as mais importantes comunicações oficiais. A 
Redação Oficial é o conjunto de normas e práticas que regem a emissão de atos 
normativos de comunicação entre os diversos organismos do poder público 
e/ou suas relações com entidades privadas e com os cidadãos. Veremos, ainda, 
a importância do uso da gramática normativa da língua que contribui para a 
produção de textos claros, objetivos, coesos e coerentes. Vamos lá? 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
41 
Nosso objetivo é que você conheça os modelos necessários para poder redigir, 
corretamente, os textos mais comuns ligados a normas oficiais vigentes e 
documentos empresariais utilizados como instrumentos fundamentais de 
comunicação, marketing e controle externo e interno. 
Entende-se por redação oficial o conjunto de normas e práticas que devem 
reger a emissão dos atos normativos e comunicações do poder público, entre seus 
diversos organismos ou nas relações dos órgãos públicos com outras entidades, 
públicas ou privadas e os cidadãos. Podemos agrupar os textos produzidos dentro 
das normas de redação oficial em duas categorias: 
1ª) correspondência: aqui estão o ofício, o memorando, o requerimento, o 
telegrama, o fax, o e-mail. 
2ª) documentos: aqui estão a ata, a certidão, a portaria, a procuração, o relatório, o 
decreto. 
 Todos os textos pertencentes às duas categorias acima estão no campo 
da linguagem escrita, por isso, devem ter as qualidades e características exigidas 
do texto escrito destinado à comunicação impessoal, objetiva, clara, correta e 
eficaz. Nem sempre temos liberdade na hora de escrever alguns textos. É o que 
acontece, por exemplo, com essas modalidades; devemos, assim, entender o 
caráter formal e a obediência as regras específicas desses textos. 
É bom ressaltar, de antemão, que na produção dos textos que vamos estudar aqui 
a linguagem deve ser: 
● em consonância com o padrão culto do idioma: quanto a seleção vocabular, à 
estrutura gramatical das orações, à ortografia, acentuação gráfica etc. 
● impessoalidade, ou seja, isento de qualquer impressão pessoal de quem o está 
produzindo. Não cabe aqui a presença do “eu” enunciador, sentimentos ou 
opiniões. 
● objetividade: evitar a redundância em palavras, expressões e saudações 
exageradamente enfáticas. O conteúdo deve ser expresso de maneira clara e em 
poucas palavras. O que interessa é aquilo que se comunica, é o conteúdo, o objeto 
da informação. 
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42 
● clareza e concisão: atualmente, a velocidade que se impõe a tudo o que se faz, 
inclusive o ato de ler e escrever, torna a clareza e concisão uma qualidade 
indispensável também nesse tipo de redação. 
● formalidade e padronização: as comunicações oficiais e empresariais impõem 
um tratamento polido e respeitoso. Vale lembrar o uso dos pronomes de 
tratamento, os vocativos que em algumas instâncias do poder se tornaram 
inevitáveis. Entende-se que essa formalidade tem por consideração o cargo, a 
função, e não a pessoa daquele que exerce. Outro aspecto da formalidade na 
redação oficial é a necessidade prática a padronização; assim, há prescrições 
quanto à diagramação, espaçamento, caracteres tipográficos etc., em modelos 
como ofício, requerimento, memorando, procuração e outros que passaremos a 
ver agora. 
 
I. A correspondência empresarial moderna: O E-MAIL 
 Atualmente, a correspondência empresarial via e-mail tem sido o 
principal meio de comunicação entre a empresa e seus fornecedores e usuários, 
devido à dinamicidade exigida pelas organizações modernas. Assim, verifica-se a 
necessidade de um cuidado cada vez maior para adequar o vocabulário ao 
conteúdo da mensagem, uma vez esse tipo de correspondência empresarial não é 
apenasum meio de comunicação, mas também um instrumento de marketing e de 
controle, conforme indica Gold (2010, p. 161): 
 
A correspondência empresarial é a responsável pela imagem 
da organização diante de seu público, interno ou externo, e 
se insere na realidade de um mercado competitivo em que 
todas as nuances de comportamentos adquirem sentido; de 
controle porque cristaliza informações e responsabilidades. 
 
 Assim, as informações transmitidas por e-mail, quando dirigidas a um 
cliente externo, devem respeitar a formalidade exigida pela situação, empregando 
as qualidades para a produção de um bom texto de redação oficial vistas acima. 
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43 
Certamente que não podemos misturar a informalidade usada diariamente em 
nossas comunicações diárias pessoais com o e-mail profissional em que será 
mantido as mesmas regras de uma carta tradicional. Seja qual for o caso, é 
importante ressaltar que a formalidade ou informalidade será sempre determinada 
pelo assunto tratado e pelo destinatário da mensagem. Seguem alguns exemplos 
de e-mails e como há a flexibilidade na informalidade de acordo com a situação e o 
destinatário das mensagens: 
 
Exemplo 1: 
 
Para: 
Cc: 
Assunto: 
 
Enviar: 
Pessoal, 
 
Estou confirmando nossa reunião de quinta-feira, às 14 horas. Não se atrasem, pois 
temos vários assuntos para analisar. Vocês estão sabendo que as conclusões 
deverão ser apresentadas à diretoria na próxima segunda-feira, portanto, tragam já 
os assuntos estudados. 
Um abraço, 
Teresa. 
 
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44 
Exemplo 2: 
Para: 
Cc: 
Assunto: 
 
Enviar 
 
Pessoal, 
 
Vocês não podem se atrasar pra reunião de 5ª feira, às 14 horas. Temos vários assuntos pra 
analisar. Tragam esses assuntos já estudados. OK? 
Um abraço, 
 
Teresa. 
 
Exemplo 3: 
Para: 
Cc: 
Assunto: 
Enviar: 
 
Equipe, 
 
Estou confirmando nossa reunião de quinta-feira. Solicito que não se atrasem, pois temos 
vários assuntos para analisar. Como as conclusões serão apresentadas à diretoria na próxima 
segunda-feira, tragam os assuntos já estudados. 
 
Atenciosamente, 
 
Teresa. 
Fonte: GOLD, Miriam. Redação Empresarial. 4ª ed. – São Paulo: Pearson, 2010 
 
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45 
 
 Problemas sobre a utilização do e-mail em mensagens empresariais: 
 
1 – Excesso de informalidade: muitas vezes o assunto é redigido como se fosse uma 
mensagem de cunho pessoal, utilizando uma linguagem bem próxima à da 
oralidade, o que pode ocasionar má organização das ideias e falta de clareza na 
exposição do assunto. 
2 – Erros gramaticais: além de comprometer à imagem de quem redigiu, prejudica 
a comunicação da empresa com o cliente, tornando a mensagem confusa, obscura 
e, muitas vezes, incoerente. Lembre-se: Embora informal, o texto é um documento 
empresarial. 
 
II. O Requerimento: 
 
 O requerimento é um documento utilizado especificamente para solicitar 
algo a que o requerente tem direito, ou pressupõe que tem, a uma pessoa física, de 
hierarquia superior, ou a uma autoridade. As principais características do 
requerimento são: 
a) Vocativo: (Senhor Diretor...), através do qual se indica o cargo ocupado pelo 
destinatário. 
b) O texto do documento, que costuma vir depois de um espaço de sete 
centímetros, aproximadamente, em que o requerente apresenta seus dados, o 
pedido propriamente dito, introduzido pelos verbos requere, solicitar; e a 
justificativa do pedido. 
c) Deve ser escrito sempre em terceira pessoa, isto é, devemos falar de nós 
mesmos como se fôssemos outra pessoa. 
d) O fechamento do requerimento é bem específico, veja: 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
46 
Nestes Termos  N.T. 
Pede Deferimento  P.D. 
Espera Deferimento  E.D. 
e) Indicação do local e da data, seguida da assinatura do requerente. 
f) Uso dos pronomes de tratamento (V.Sª, V. Exª etc.) 
Exemplo: 
Senhor Diretor do Colégio Estadual Padre Anchieta 
 
 
 
 7 cm 
 
 
 José Maria, aluno regularmente matriculado no 3º ano do Ensino Médio desse 
colégio, no período da manhã, vem requerer a V. Sr.ª a transferência para o período noturno 
em virtude da incompatibilidade com o horário de trabalho recentemente iniciado. 
 
 
 
 
 2 cm 
 
 
Nesses termos, 
 Pede deferimento. 
 
 
 
 Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2012. 
 
 ____________________________________________________ 
 
José Maria Ramos 
Linguagens e Pesquisa 
 
47 
III. Procuração: 
A procuração é um documento por meio do qual uma pessoa autoriza outra a 
agir ou praticar atos em seu nome, dando-lhe plenos poderes para representá-lo 
em uma circunstância específica. Ela só terá validade se a assinatura vier com firma 
reconhecida. A procuração pode ser pública ou particular. O presente documento é 
composto de: título (Procuração); qualificações do mandante e do mandatário 
como nome, nacionalidade, estado civil, profissão, CPF e residência. Seguindo estes 
itens, virá a parte onde o outorgante declara a finalidade da procuração e autoriza 
o procurador a praticar os atos aos quais está sendo nomeado. Finalmente, deverá 
apresentar a data e a assinatura do outorgante. 
 
Exemplo de procuração particular. 
PROCURAÇÃO 
 
 (nome)...................., (nacionalidade) .................., (estado civil) ..........., 
(profissão)................., residente na ............... (cidade) ............, (estado).............., portador do RG nº 
................, CPF nº................, pelo presente instrumento de procuração constitui e nomeia seu 
bastante procurador (nome) .........., (nacionalidade)..........., (es. Civil)........., (profissão)............, 
residente na ............. (cidade) .........., (estado)............., portador do RG nº ..........., CPF nº............., 
para ................................................................................................................................... específico 
............................................................................................................................................................................................
............................................................................................................................................................................ 
podendo, para tanto, realizar todos os atos necessários para este fim. 
 
 (cidade)..............., (dia) ..... de (mês...... de (ano) 
 (assinatura)...................................................... 
 (Firma reconhecida) 
 
 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
48 
IV. Ofício: 
O ofício é uma forma de correspondência oficial externa usada por órgãos do 
serviço público. Atualmente, é usado também como correspondência protocolar 
entre entidades públicas ou particulares, sua finalidade é informar com o máximo 
de clareza e precisão o assunto em questão, utilizando-se o padrão culto da língua 
portuguesa. 
 
Características do Ofício: (padronização recomendada pela Secretaria de 
Administração Federal) 
 
1 – Deve-se respeitar os espaços de margem esquerda (3 cm) e na direita (2 
cm), aproximadamente. 
2 – O número do Ofício deve ser escrito à esquerda, no alto da folha, na mesma 
linha,à direita, vem a indicação do local e a data. Há ponto final após a data. 
3 – Depois de um pequeno espaço, vem o Vocativo com que nos dirigimos ao 
destinatário (Senhor + Cargo – em maiúscula do destinatário): Senhor Diretor, 
Senhor Secretário, Senhor Embaixador etc. 
4 – No encerramento, usam-se expressões simples como: Respeitosamente 
(para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República), Atenciosamente 
(para autoridade da mesma hierarquia ou de hierarquia superior) 
5 – O sinal de pontuação que se segue ao fecho é, obrigatoriamente, a vírgula. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
49 
Exemplo de Ofício: 
 Dados completos da Instituição ou Órgão: 
 Secretaria de /Departamento / Setor/ Entidade/ Colégio 
 Endereço para correspondência 
 Telefone e endereço de e-mail 
 5 cm 
 
 Ofício nº 001/2012/DG Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2012. 
 
A Sua Excelência o Senhor 
Secretário de Educação (nome) 
Rio de Janeiro – RJ 
 
Assunto: Convite 
 
 Senhor Secretário 
 
 
 Temos o prazer de anunciar a V. Exª que, no próximo dia 15 de outubro, 
às 10 horas, será aberta neste Colégio uma Feira Literária em que os alunos apresentarão um 
Sarau com a leitura de seus textos poéticos. 
 Será para nós uma grande honra se V. Exª puder prestigiar essa iniciativa 
pedagógica com a sua presença em nossa Instituição de Ensino. 
 
 
 
Respeitosamente, 
 
 
______________________________ 
José Maria Ramos 
(Diretor) 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
50 
 
V. Memorando 
O memorando é uma modalidade de comunicação entre unidades 
administrativas de um mesmo órgão, que podem ter ou não a mesma hierarquia. 
Trata-se, portanto, de uma forma de comunicação eminentemente interna. 
 
Características: 
 
1 – Numeração para controle interno; 
2 – A data deve figurar na mesma linha do número e da identificação do 
memorando; 
3 – O destinatário do memorando é mencionado pelo cargo que ocupa. 
4 – Quanto ao emissor, já foi mencionado na numeração e virá explícito na 
assinatura. 
5 – O assunto esclarece o teor da comunicação 
6 – O texto segue o mesmo padrão do ofício. 
7 – O fecho também segue a mesma normatização que o ofício. 
8 – Os despachos ao memorando devem ser dados no próprio documento. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
51 
Exemplo: 
 Nome da Instituição 
 
 
 5 cm MEMORANDO 
 
 
Mem. 001/DP Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2012. 
 
 
Ao Sr / Srª Chefe do Departamento De Pessoal 
 
Assunto: Redução de Carga Horária 
 
 
 
 
Venho por meio deste solicitar a redução da carga horária por mim 
realizada nessa Instituição a partir do segundo semestre de 2018, por motivos 
pessoais. 
 
Atenciosamente, 
 
 
_________________________________________________ 
Prof.ª Maria Luzia Paiva de Andrade 
Matricula: (nº) 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
52 
 
 
 Aspectos Comunicacionais em meios multimídias 
O uso das Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação, as 
TICs, seja ela presencial ou a distância, tem como objetivo principal o próprio 
aluno. Nesse contexto, torna-se necessário avaliar as necessidades, as 
possibilidades e o contexto de vida do aprendiz, além, é claro, da necessidade 
profissional na qual está inserido. 
Um bom projeto pedagógico de educação é aquele que prioriza sempre, 
em primeiro lugar, a aprendizagem dos alunos, e oferece um modelo pedagógico 
que possibilite o acesso à informação e à comunicação por meio de estratégias de 
interação e da integração das diversas mídias, que contemplem uma diversidade 
de atividades, linguagens e textos que dialoguem em constante interação através 
de vários recursos de multimídias como imagens, gráficos, animação, áudio, textos 
etc. 
Recursos multimídia é a combinação de textos, fotografia, gráfico, vídeo, 
áudio e animação associados, normalmente, a um computador pessoal, o que 
permite a interatividade do usuário com o equipamento, ampliando o acesso à 
informação. Desse modo, a interatividade torna-se o elemento principal para o 
trabalho com a virtualidade; sem essa possibilidade o espaço virtual ou os 
ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) perde o movimento que impulsiona a 
sua atualização constante. 
Para saber mais sobre Redação Oficial, pesquise: 
GOLD, Miriam. Redação Empresarial. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 
2012. 
TUFANO, Douglas. Estudos de Redação. São Paulo: Moderna, 1996. 
MEDEIROS, João Bosco. Português Instrumental: para cursos de contabilidade, 
economia e administração. 4ª ed. – São Paulo: Atlas, 2000. 
Linguagens e Pesquisa 
 
53 
Com o aperfeiçoamento das TIC’s, as interações a distância têm sido cada 
vez mais eficientes promovendo uma aproximação, ainda que as pessoas estejam 
espaço-temporalmente distantes. Podemos dizer que essas tecnologias 
aproximam as pessoas, possibilitando que elas interajam e, assim: comuniquem, 
ensinem e aprendam com eficácia considerável (Cf. BARROS, 2007, p. 45). 
 Ambientes Virtuais de Aprendizagem – AVA 
 Como se sabe, na modalidade educação a distância o processo de ensino 
e aprendizagem não se faz por intermédio da sala de aula física, tal qual o modelo 
presencial. São, portanto, os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) que 
permitem a mediação e o gerenciamento de todo o processo de ensino nos cursos 
a distância. Caracteriza-se, portanto, como ambientes virtuais de aprendizagem ou 
na sua abreviação AVAs aqueles “sistemas computacionais disponíveis na internet, 
destinados ao suporte de atividades mediadas pelas tecnologias de informação e 
comunicação” (THING, 2003, p. 78). 
 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
54 
Qual seria a função mesma desses ambientes? A tarefa fundamental do AVA na 
perspectiva de Côrrea (2007, p.56) “consiste em integrar múltiplas mídias, 
linguagens e recursos, apresentando informações de maneira organizada ao 
“desenvolver interações entre os alunos e tutores e objetos de conhecimento, além 
de elaborar e socializar produções tendo em vista atingir determinados objetivos”. 
Trata-se de sala de aula virtual composto de interfaces ou ferramentas decisivas 
para a construção da interatividade e da aprendizagem dos cursos a quem se 
destina. Nela acomodam-se o web-roteiro com sua rede de conteúdos e atividades 
propostos pelo profissional que desenha o conteúdo, bem como acolhe a atuação 
dos alunos e do tutor/professor, seja individualmente, seja de modo colaborativo 
(Cf. CÔRREA, 2007, p. 23). 
Conseguiu compreender? Vamos pensar de forma específica: O AVA possui 
como objetivo fundamental facilitar as atividades didáticas pedagógicas para o 
processo de ensino e aprendizagem. De uma forma geral, tais ambientes de 
aprendizagem são constituídos pela seguinte estrutura: Conteúdo, Atividades, 
Recursos, Chat, Fórum, E-mail, Avaliação. Cada um desses recursos possui um papel 
especial na forma de condução da aprendizagem, como também na interação 
entre o tutor e o aluno tornando o aprendizado algo dinâmico e enriquecedor (Cf. 
KENSKI, 2003, p. 78). 
Atualmente, existem inúmeras ferramentas que se propõem a dar suporte para 
processos de ensino e de aprendizagem baseados na Web tanto originárias do 
meio acadêmico, quanto do meio comercial. Cada uma delas possui de forma 
implícita ou explícita concepções sobre como ocorre o processo de ensino e de 
aprendizagem. Neste contexto, várias organizaçõesvêm produzindo e 
disponibilizando o AVA no ciberespaço com formatos e custos que variam e se 
adequam as necessidades dos seus respectivos educadores virtuais pelo fato de 
possibilitarem fácil manuseio e controle de aulas, discussões, apresentações, 
sobretudo, as atividades potencialmente educacionais de forma virtual. 
 
Ciberespaço: Este termo tem sua origem em William Gibson, em 1984, no livro 
Neuromancer, refere-se a um espaço virtual composto por cada computador e usuário 
conectados em uma rede mundial. Trata-se de uma espaço virtual presente em 
“potência” e desterritorializante. 
Linguagens e Pesquisa 
 
55 
 
 O emprego das Tecnologias e Comunicação e Informação em 
contextos educacionais. 
Considerando a Educação um processo de organização da informação e 
que a comunicação apoia este processo, torna-se essencial para uma educação de 
qualidade que a comunicação se dê também com qualidade. 
Assim, a partir de agora, para que o emprego das tecnologias vá além de 
simplesmente transmitir, pedimos a vocês que ampliem o entendimento do que é 
aprender. Ora, sabemos que a aprendizagem se dá por meio de processos 
cognitivos, sociais e culturais, e que a tecnologia e o professor apenas contribuem 
para que ela se consolide. Desta forma, informações e conhecimentos necessitam 
ser processados pelos indivíduos para que se tornem aprendizado. 
Se o homem e as tecnologias são meios para que os alunos aprendam, a 
utilização dessas tecnologias será eficiente se as escolhas destas forem adequadas 
e planejadas. Portanto, tarefas como ler, ouvir, pesquisar e desenvolver uma 
atividade são diferentemente tratadas num ambiente virtual. 
Mas como utilizar as tecnologias TICs? Pergunta difícil, não? 
Melhor que as conheçamos antes. 
Para não esquecer... 
A “sociedade da informação” se caracteriza por ter desenvolvido o 
processamento e a velocidade de transmissão das informações. O que não significa 
que toda a informação seja transformada imediatamente em conhecimento. 
A produção do conhecimento implica um processo de ensino, ou seja, 
processo de aprendizagem, que consiste na apropriação das informações, 
conhecimentos, habilidades e atitudes, por parte de quem recebe a informação. 
 Ferramentas de Comunicação voltadas à EaD 
Vimos que os recursos didáticos da EAD estão ampliando as formas de 
pensar, aprender e ensinar. E que a o uso da tecnologia na Educação é benéfico, 
pois, permite momentos distintos para que haja interação entre os participantes de 
um curso. 
Linguagens e Pesquisa 
 
56 
Apontamos aí uma das vantagens principais do uso das tecnologias no 
processo educativo que são as várias possibilidades de interação. 
Na educação a distância, ou nos momentos a distância de cursos 
semipresenciais, a comunicação e a interação são as bases para o sucesso da 
aprendizagem. Desta forma, as atividades devem se apresentar ricas em sistemas 
síncronos e assíncronos, pois estes despertam o interesse do aluno em fazer parte 
do grupo de aprendizagem e também colaborar, expondo seu conhecimento. 
Para não esquecer: 
Assíncronos – são os serviços cujo tempo de envio e recepção de mensagens 
exigem um determinado período de tempo. Este tempo vai depender do recurso 
utilizado e do tamanho das mensagens. 
Síncronos - são os serviços que exigem que os interlocutores estejam conectados 
ao serviço ao mesmo tempo para que haja comunicação. A comunicação é 
“instantânea”. 
 A seguir algumas possibilidades de ferramentas 
assíncronas: 
 
1. A World Wide Web – WWW – é o serviço que popularizou a internet. 
Permite a visualização de páginas com hipertextos (palavras ligadas a 
outras páginas) com multimídia (hipermídia). Embora seja assíncrono, 
este serviço pode ter características síncronas; 
2. FTP e download – possibilita a transferência de arquivos de um ponto a 
outro. Possui dois tipos de acesso: o anônimo (download) e o total. O 
acesso total do FTP só é permitido para quem possui conta. Nesse tipo de 
acesso, o usuário pode manipular os arquivos, ou seja, apagar, criar e 
excluir diretórios. 
3. E-mail, web mail, ou correio eletrônico – apresentam as seguintes 
características na EAD: permitem a rápida comunicação e incrementam a 
troca de mensagens escritas entre todos os participantes dos cursos; 
permitem o envio de arquivos, em qualquer formato, anexados às 
Linguagens e Pesquisa 
 
57 
mensagens (geralmente, o feedback do professor chega por e-mail); o 
uso da caixa postal individual facilita a organização dos estudos dos 
alunos; facilita o uso e o acesso à informação, assim favorecem a 
construção do conhecimento que se dá pela interação; por ser 
assíncrono, permite a análise cuidadosa das mensagens antes de serem 
respondidas (interação mais ponderada entre instrutor e alunos). 
4. Lista de discussão - recurso utilizado em EAD, funciona através de e-
mail. Por esta ferramenta se veiculam mensagens de interesse dos 
grupos participantes dos cursos. 
5. Grupos de discussão no fórum – permite que as mensagens enviadas 
sejam organizadas hierarquicamente, podendo ser lidas por meio da 
página da internet em que o fórum está localizado. O que diferencia os 
grupos das listas de discussão, é que nos grupos não necessitamos de e-
mails para acessá-los. 
 
 Vejamos algumas possibilidades de ferramentas síncronas: 
1. Chat ou Bate papo – é um recurso de comunicação que pode ser 
utilizado pelos grupos para discutirem um tema pré-estabelecido 
pelos seus membros, que seja significativo para o conteúdo do curso 
e/ou aprendizado. Esta ferramenta permite conversas síncronas e 
textuais em um curso. 
O chat é eficiente nas seguintes situações: integrar o grupo; sanar dúvidas dos 
alunos (podem ocorrer antes de avaliações presenciais e/ou a distância); para que 
se discuta um trabalho (com ou sem mediação). 
Para que seja eficaz, o chat deve seguir algumas regras: os grupos não devem 
ser muito grandes. Os grupos devem ter de 5 a 7 pessoas; a discussão deve ser 
dirigida, ou seja, baseada num tema de interesse do curso; o moderador não deve 
deixar a discussão ser desviada do tema inicialmente proposto; se possível, um 
relator deve elaborar um relatório do evento e disponibilizá-lo para o grupo 
participante; é interessante que se crie um arquivo das conversas para análise 
Linguagens e Pesquisa 
 
58 
posterior; deve-se agendar data e hora de início e término que seja comum ao 
grupo e buscar comprometimento dos participantes no que diz respeito ao 
cumprimento da agenda; aconselha-se também que se evitem temas muito 
teóricos e/ou polêmicos. 
 
1. Telefone - mídia individual que oferece comunicação interativa em 
tempo real. É usado, sobretudo, para o esclarecimento de dúvidas 
dos alunos. 
2. Skype – permite a comunicação pela Internet através de conexões 
de voz (mensagens instantâneas, videoconferências e/ou realizar 
ligações do computador para um telefone fixo ou celular com tarifas. 
3. Transmissão de aulas, palestras, etc., com interação direta via 
satélite (teleconferência) – transmitida via satélite e com recepção 
através de antena parabólica conectada à televisão, oferece aos 
participantes possibilidades de interação e participação ativa no 
processo formativo. 
 
Um modelo de teleconferência é apresentação por um conferencista, dirigida 
por perguntas dos telespectadores. A teleconferência é muito usada na EAD pois 
evita que um mesmo curso seja repetido em mais de um local. Apontamos as 
seguintes vantagens da teleconferência: conveniente para o ensino de grupo; 
torna a presença e interatividade em tempo real; atende a um número elevado de 
alunos;custo baixo, evita o deslocamento de professores e permite o acesso de 
alunos fora dos grandes centros de formação. 
1. Transmissão de aulas, palestras, etc., com interação direta via satélite 
(web conferência) – permite ensinar em tempo real a grupos de alunos 
distantes geograficamente. Consiste numa videocâmara, um monitor de 
tv e uma unidade de áudio. 
Linguagens e Pesquisa 
 
59 
2. A videoconferência é o meio que mais se aproxima da sala de aula 
convencional, esta ferramenta permite a interação entre alunos e 
professores em tempo real. 
3. Segundo Rodrigues (1998), alguns aspectos devem ser observados para 
que a videoconferência alcance o sucesso desejado: sugere-se número 
nunca maior que vinte alunos por sala (já que a ferramenta não permite 
atendimento em larga escala); é necessário que as aulas sejam planejadas 
e estas incentivem a interação; sugere-se que o instrutor se dirija aos 
alunos pelo nome; o professor deve olhar diretamente para a câmera, 
buscando envolver os alunos. Esta mídia cria oportunidades para o 
diálogo, facilitando a interatividade. O diálogo pode ser entre estudantes 
e estudantes e tutores e estudantes. 
 
Tabela – Alguns exemplos de Recursos assíncronos e síncronos utilizados na 
comunicação de cursos virtuais. 
Recursos tecnológicos Categoria de Comunicação 
Tipos de 
Comunicação 
(há variantes de uso) 
Telefone, Skype Síncrona Um para um ou muitos para muitos 
E-mails, transferências de arquivos Assíncrona Um para um ou muitos para muitos 
AVA - Aulas propostas Assíncrona Um para muitos 
Transmissão de aulas, palestras, etc., com 
interação direta via satélite (teleconferência) 
Síncrona Um para muitos 
Transmissão de aulas, palestras, etc., com 
interação direta via satélite (web conferência) Síncrona Muitos para muitos 
Chat ou Bate papo Síncrona Muitos para muitos 
Reunião através de computador Síncrona Muitos para muitos 
Linguagens e Pesquisa 
 
60 
Do que já dissemos, existem requisitos para tornar possível e adequado o 
processo de aprendizagem. 
A abordagem pedagógica e o planejamento dos cursos requerem uma forma 
diferenciada de ação na concepção destas etapas, pois a organização das 
informações, a mediação pedagógica, as mídias e tecnologias utilizadas, tais como: 
videoconferência, vídeo, material impresso, CD-ROM, o tipo de ambiente virtual de 
aprendizagem etc., além da avaliação da aprendizagem e de outros elementos 
devem ser planejados articulada e antecipadamente, orientados sempre por 
concepções pedagógicas. 
Nas últimas décadas, novos modos de ensinar e aprender foram criados a partir 
de relacionamentos virtuais dentro de ambientes informatizados. A aprendizagem 
online, por meio da criação de Comunidades Virtuais de Aprendizagem 
(Comunidades), tornou-se uma realidade e uma tendência mundial, tanto na 
educação formal, reconhecidas para esse fim, quanto na educação não-formal, 
criadas para dar suporte, capacitação, aperfeiçoamento e qualificação de pessoal 
para o mercado de trabalho; realizadas por empresas e ONGs. Com isso, o fim da 
distinção entre o que é presencial e o que é a distância começa a desaparecer. 
Hoje em dia, com as Tecnologias de Informação e Comunicação, as TIC’s, 
desenvolveram-se novos conceitos, utiliza-se também a comunicação direta. 
Assim, os meios de comunicação vão desde a correspondência tradicional ou 
telefone até o correio eletrônico, fórum (recursos assíncronos – que não acontecem 
simultaneamente) e salas de bate-papo ou Skype (recursos síncronos – que 
acontecem simultaneamente). Em outras palavras, conforme as ideias de Moore e 
Peters, a distância tem graus distintos, ou seja, pode variar entre a maior distância 
possível, na forma de autoestudo, e a menor distância possível, com comunicação 
dos alunos entre si e destes com o tutor/professor, baseada na oferta de variadas 
formas de comunicação síncrona e assíncrona num mesmo curso. 
No caso de cursos com alta interação entre as pessoas envolvidas no processo 
de ensino-aprendizagem, as TIC’s prestam valiosas contribuições, pois ampliam as 
alternativas de comunicação e cooperação entre os sujeitos, o que melhora, 
significativamente, a qualidade da aprendizagem. O fato inegável é que, com a 
EAD, a Educação pode ocorrer em qualquer lugar e a qualquer hora, o que permite, 
entre outras coisas, a tão sonhada democratização do ensino. 
Linguagens e Pesquisa 
 
61 
 
 Referência Bibliográfica 
1 – COELHO, Fábio André. PALOMANES, Roza (orgs). Ensino de produção 
textual. São Paulo: Contexto, 2016. 128 p. 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788572449540/pages
/-4 
2 – GUIMARÃES, Thelma de Carvalho. (org.). Língua Portuguesa I. Biblioteca 
Universitária Pearson. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788543005140/pages
/-6 
3 – LEÓN, Cleide Bacil. (et al.) Comunicação e expressão. [livro eletrônico]. 
Curitiba: InterSaberes, 2013. 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788582125366/pages
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4 – PALADINO, Valquíria da Cunha [et. al]. Coesão e coerências textuais: teoria e 
prática. 2 ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2011. 172 p. 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788579871412/pages
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5 – LOMBARDI, Roseli Ferreira (org.). Língua Portuguesa IV. São Paulo: Pearson 
Education do Brasil, 2016. 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788543017051/pages
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6 – SALVADOR, Arlete. Para escrever bem no trabalho: do WhatsApp ao 
relatório. São Paulo: Contexto, 2015. 128 p. 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788572449205/pages
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Linguagens e Pesquisa 
 
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7 – KOCH, Ingedore Villaça. ELIAS, Vanda Maria. Escrever e argumentar. São 
Paulo: Contexto, 2016. 240 p. 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788572449502/pages
/7 
8 – SQUARISI, Dad. CUNHA, Paulo José. 1001 dicas de português: manual 
descomplicado. 1 ed., 1ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2015. 320 p. 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788572449083/pages
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9 – RIBEIRO, Renata Aquino. Introdução à EaD. São Paulo: Pearson Education do 
Brasil, 2014. (Série Bibliografia Universitária Pearson) 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788543005089/pages
/-2 
10 – SANTINELLO, Jamile. Ensino Superior em ambientes virtuais de 
aprendizagem (AVAs): formação docente universitária em construção [livro 
eletrônico]. Curitiba: InterSaberes, 2015. (Série Tecnologias Educacionais). 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788544301098/pages
/7 
11 – FARIA, Adriano Antônio. O que e o quem da EaD: história e fundamentos 
[livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes, 2013. (Série Fundamentos da Educação) 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788582127228/pages
/5 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
63 
 
12 – MORAN, José Manuel. A educação que desejamos: Novos desafios e como 
chegar lá. [livro eletrônico]. Campinas: São Paulo, SP. Papirus, 2013. 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788530810894/pages
/5 
13 – LITTO, Fredic Michael. FORMIGA, Marcos. Educação a Distância, volume 2. 
(orgs) – 2 ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788576058830/pages
/_7 
14 – SELEME, Roberto Bohlen. MUNHOZ, Antonio Siemsen. Criando 
universidades corporativas no ambiente virtual. São Paulo: Pearson Prentice 
Hall, 2011. 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788576058915/pages/_1 
15 – VALENTE, José Armando. MORAN, José Manuel; ARANTES, Valéria Amorim 
(organizadora). Educação a Distância: pontos e contrapontos. – São Paulo: 
Summus, 2011. 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788532307958/pages
/3 
16 – MUNHOZ, Antonio Siemsen. Como ser um aluno eficaz. (livro eletrônico). 
Curitiba: InterSaberes, 2014. 
http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788544300213/pages
/5 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
64 
 Leitura Complementar 
Para saber mais sobre os conteúdos disponíveis aqui, veja também: 
KRAMER, Sonia & JOBIM e SOUZA. S. (org). Histórias de professores: leitura, escrita e 
pesquisa. São Paulo: Ática, 1996 
KRAMER, Sonia e LEITE, M. I. (Org). Infância e produção Cultural. Campinas Papirus, 
1998. 
KRAMER, Sonia. Presença Pedagógica. V.6 nº 31. jan. /fev. 2000. 
DELORME, Maria Inês & CAMPOS, Cristina. Caderno do Professor 6. Leitura. 
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. 
KENSKI, Vani M. Gestão e uso das mídias em projetos de educação a distância. 
12º edição do Congresso Internacional da ABED. Florianópolis, 2005. Disponível 
em: <http://www.abed.org.br/congresso2005/por/pdf/115tce5.pdf>. 
MAIA, Carmem. MATTAR, João. ABC da EaD. São Paulo: Pearson, 2007. 
SALTO. Programa Salto para o Futuro. Secretaria de Educação a Distância, 
Ministério da Educação. Produção TV Brasil. Disponível em: 
<http://www.tvebrasil.com.br/salto>. Acesso em junho de 2008. 
MEC/SEED. Integração das Tecnologias na Educação. Secretaria de Educação a 
Distância. 
Brasília: Ministério da Educação, SEED, 2005. 204 p. Disponível em: 
<http://www.tvebrasil.com.br/salto/livro.htm>. Acesso em junho de 2008. 
MAIA, Carmem. MATTAR, João. ABC da EaD. São Paulo: Pearson, 2007. 
SALTO. Programa Salto para o Futuro. Secretaria de Educação a Distância, 
Ministério da Educação. Produção TV Brasil. Disponível em: 
<http://www.tvebrasil.com.br/salto>. Acesso em junho de 2008. 
MEC/SEED. Integração das Tecnologias na Educação. Secretaria de Educação a 
Distância. Brasília: Ministério da Educação, SEED, 2005. 204 p. Disponível em: 
<http://www.tvebrasil.com.br/salto/livro.htm>. Acesso em junho de 2008. 
Linguagens e Pesquisa 
 
65 
 
Prezados Alunos, 
Teste seus conhecimentos realizando algumas atividades de autoavaliação 
disponíveis no seu ambiente virtual de aprendizagem. Elas irão ajudá-lo a fixar o 
conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-
aprendizagem. 
Nas seções deste Objeto de Aprendizagem, estudamos e refletimos os 
mecanismos de coesão e coerência, o sentido das palavras, as técnicas básicas de 
interpretação de textos, aspectos comunicacionais em meios multimídia, análise 
do discurso, elementos da comunicação humana, linguagem, processos 
comunicativos, formas e tecnologias, além de alguns modelos de documentos 
oficiais utilizados na comunicação. 
Assim, caro aluno, finalizamos esta primeira etapa de nossos estudos. No 
próximo Objeto de Aprendizagem vamos estudar um pouco de Metodologia de 
Investigação Científica. Esperamos que esta disciplina tenha contribuído para 
melhorar o seu desempenho e competência na produção da leitura e da escrita em 
Língua Portuguesa. 
 
Sucesso! 
Equipe Universo EaD 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
66 
 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
67 
 
2 Objeto de Aprendizagem – Etapa 2 
 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
68 
 
Olá, caríssimos estudantes 
Nesta segunda etapa, começaremos os estudos na área da Metodologia de 
Investigação Científica. 
Bem-vindo ao estudo da disciplina Metodologia da Pesquisa e da Produção 
Científica. Nossa proposta para este projeto reúne elementos que se entendem 
necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se também pela atualidade e pertinência de seu conteúdo, bem como 
pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à 
metodologia da Educação a Distância – EaD. 
 
 Introdução 
Pretendemos, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da 
pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar 
conceitos específicos desta área e atuar de forma competente e consciente como 
convém a um profissional que busca uma formação superior para vencer os 
desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. 
Além disso, registra-se a intenção de tornar o material um subsídio valioso, a 
fim de facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal 
quanto na profissional. Desejamos que ele seja um instrumento para seu sucesso 
na carreira que escolheste. 
Este conteúdo foi elaborado com o objetivo de propiciar conhecimentos acerca 
do contexto educacional com foco na Metodologia da Pesquisa e da Produção 
Científica. Lembrando sempre de que você é protagonista da história que estamos 
construindo a partir de agora, esperamos que, ao longo dos estudos, possamos 
aprofundar conceitos e dialogar de modo que você continue construindo sua 
trajetória acadêmica de forma competente e abrangente. 
Linguagens e Pesquisa 
 
69 
Para o aluno que estuda a distância, algumas ações são importantes, como um 
bom planejamento dos estudos, cumprimento de todas as etapas propostas no 
curso, um bom aproveitamento do processo de ensino-aprendizagem e a interação 
com o tutor e os colegas. 
 
Objetivos 
 Conhecer a construção do parágrafo e as características da linguagem 
acadêmica. 
 Compreender as modalidades de trabalhos acadêmicos utilizados em 
cursos de graduação e pós-graduação. 
 Conhecer conceitos e fundamentos teóricos sobre pesquisa científica. 
 Conhecer normas científicas na elaboração de trabalhos acadêmicos 
tais como: projeto de pesquisa, artigo acadêmico, monografia, entre 
outros. 
 Compreender as etapas que regem o planejamento de pesquisa 
aplicados em diferentes trabalhos acadêmicos. 
 Desenvolver atividades de elaboração de planejamento de pesquisa, 
apresentando autonomia intelectual e espírito investigativo. 
 Proporcionar o suporte necessário à elaboração, formatação e edição 
de projetos de pesquisa e monografias, de modo que eles se 
enquadrem formalmente nos parâmetros observados não só pelas 
agências de fomento à pesquisa, mas também em programas de pós-
graduação. 
 
Bons estudos! 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
70 
 Seção 8: Metodologia de Investigação Científica: 
Conhecimento, Saber e Ciência. 
Iniciamos esta seção refletindo sobre como organizamos nossos 
conhecimentos, bem como quais são os parâmetros que limitam esta ciência e o 
que caracteriza a postura investigativa. 
Existem vários tipos de conhecimento: 
1 – Conhecimento teológico = é aquele gerado por respostas a questões 
aparentemente inexplicáveis; 
 2- Conhecimento filosófico = que é aquele gerado pelo questionamento de 
nossa condição no universo; 
 3- Conhecimento empírico = que é a tentativa de compreensão dos seres e 
dos fenômenos da realidade; 
 4- Conhecimento científico = aquele gerado pela nossa necessidade de 
conhecer, compreender a natureza e o universo. 
Além disto, devemos ter em mente que a tríade - conhecimento, saber e 
ciência está intrinsecamente ligada ao contexto sociocultural de um dado recorte 
da realidade que queremos investigar. O desejo de interpretar e dominar o real 
gera os conhecimentos. Para que o conhecimento possa ser gerado, é necessária a 
articulação de três elementos. 
 O sujeito: aquele que pensa, que reflete, que sistematiza o que 
aprendeu sobre seres e fenômenos do universo. 
 O ser / fenômeno: alvo do interesse, da curiosidade do sujeito. 
A imagem: representação dada pelo sujeito ao ser/fenômeno e alvo 
de nosso interesse. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
71 
 
O ser humano, por sua natureza curiosa, nem sempre se satisfaz como o 
conhecer, isto é, com a simples apreensão de informações do real. Ao contrário, 
dedicamo-nos a traçar relações, a comparar, a analisar e a generalizar essas 
informações. 
Mas o que é mesmo o CONHECIMENTO? 
 
Conhecer não se limita à relação entre um sujeito – aquele que conhece – e um 
objeto – aquilo que é conhecido. É um processo mais complexo, já que o sujeito se 
apropria do objeto criando, a partir dele, uma imagem que só ele tem daquele 
objeto. 
 Diversidade de Conhecimentos 
Naturezas distintas caracterizam tipos distintos de conhecimento. Esses tipos 
distintos de conhecimento estão agregados ao nosso cotidiano. A partir deles, 
selecionamos nossas palavras em diferentes momentos de nossas vidas. 
 Natureza do Conhecimento 
As naturezas dos conhecimentos se distinguem pelo grau de sistematicidade, 
de exatidão, de subjetividade nelas registrado. 
 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
72 
 Seção 9: Tipos de Conhecimento 
O conhecimento pode ser classificado em diversos tipos: conhecimento 
teológico, filosófico, empírico e científico. Todos eles são formas de conhecimento, 
pois cada um, dentro de sua especificidade, busca desvendar os segredos do 
mundo, atribuindo-lhe um sentido. 
I – Conhecimento Teológico: 
Situações misteriosas e aparentemente inexplicáveis sempre nos colocaram 
diante de impasses. Como explicar o que parece não ter explicação? Respostas a 
questões como essa vai gerar um tipo singular de conhecimento: o Conhecimento 
Teológico. 
 
 
Esse conhecimento é adquirido a partir de axiomas da fé teológica, é fruto da 
revelação da divindade, por meio de indivíduos inspirados que apresentam 
respostas aos mistérios que permeiam a mente humana. A partir do conhecimento 
teológico o homem: 
 Reconhece o mundo, assim como tudo o que constitui como 
resultado do ato de um criador divino; 
Linguagens e Pesquisa 
 
73 
 Não questiona a existência de entidades divinas; 
 Aceita, como verdades indiscutíeis, as revelações postas em nome de 
entidades divinas; 
 Concebem os textos sagrados como expressão do conhecimento 
divino. 
O conhecimento teológico não discute a existência divina, uma vez que a tem 
como fundamento e dela aceita, sem restrições, os dogmas de fé. Suas proposições 
são apresentadas em textos sagrados com a Biblia Sagrada (texto sagrado das 
religiões cristãs), o Alcorão (o livro sagrado do Islã) , o Torá (livro sagrado do 
judaísmo). 
 
 
Características do Conhecimento Teológico: 
O conhecimento teológico é predominantemente: 
 dogmático, pois sua aceitação depende de atos de fé; 
 não é comprovável, pois suas evidências não são verificáveis; 
 é valorativo, pois se calca em doutrinas constituídas de proposições 
sagradas; 
 não é terreno, pois sua revelação não depende do homem, mas de 
entidades divinas; 
 é sistemático, pois explica a origem, o significado, a finaliadde e o 
destino do mundo como obra divina. 
 
Axioma: Na lógica tradicional, um axioma ou postulado é uma sentença ou 
proposição que não é provada ou demonstrada e é considerada como óbvia ou como 
um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação de uma teoria. 
Linguagens e Pesquisa 
 
74 
 
II – Conhecimento Filosófico 
Ao longo dos séculos, questionamos, à luz da razão, a nossa condição no 
universo. Esse questionamento se faz por meio de ideias, de articulações entre 
relações lógicas e conceituais. Esses conceitos não são passíveis de serem 
submetidos à observação e experimentação. 
A partir do conhecimento filosófico, nós: 
 indagamos a realidade em busca de respostas universais; 
 formulamos concepções que unifiquem a compexidade do univreso; 
 interferimos, como nosso posicionamento, na mentalidade das 
épocas. 
Esse tipo de conhecimento, o filosófico, produto da razão, da busca de 
respostas, de algum modo está presente em cada um de nós. Desse processo, 
emerge o conhecimento fisolófico. 
 
 Características do Conhecimento Filosófico 
Predominantemente, o conhecimento filosófico é: 
 é abrangente, pois busca uma compreensão coerente da realidade, 
vista em sua totalidade; 
 não é verificável, pois como é baseado nas experiências individuais 
do sujeito, são incompatíveis com confirmação, seus postulados não 
podem ser refutados; 
 é especulativo, pois ao se basear na dedução, que, por sua natureza, 
antecede à experiência, prescinde de confirmação experimental. 
 é valorativo, pois baseado no julgamento individual, não permite que 
suas hipóteses sejam submetidas à comprovação; 
 é infalível e exato, pois seus enunciados não podem ser submetidos a 
testes de confirmação e experimentação, tornando-os 
inquestionáveis. 
Linguagens e Pesquisa 
 
75 
III – Conhecimento Empírico 
 Ao longo de nossas vidas, adquirimos e acumulamos, 
assistematicamente, conhecimentos sobre o mundo que nos cerca. 
 O conhecimento empírico, ou popular, ou senso comum é uma forma de 
conhecer fatos ou fenômenos através do contato direto com coisas e seres 
humanos. Dessa forma, tentamos compreender os seres e os fenômenos que 
constituem nossa realidade. 
A partir do conhecimento empírico: 
 temos consciência de nós mesmos; 
 incorporamos a experiência do outro; 
 identificamos nossas ideias entre várias outras; 
 reconhecemos aqueles com quem convivemos; 
 apreendemos o conhecimento produzido por outras gerações; 
 incorporamos, ao acaso, esse conhecimento ao nosso cotidiano, tanto 
a partir das experiências que vivemos quanto daquelas que nos são 
transmitidas por outras pssoas. 
 
 Características do Conhecimento Empírico 
Predominantemente, o conhecimento empírico é: 
 particular, pois não objetiva generalizações; 
 assistemático, pois não exige comprovações. A organização das 
experiências não tem por objetivo sistematizar as ideias, nem na 
maneira como são adquiridas e nem, tão pouco, validá-las. 
 valorativo, pois está impregnado de subjetividade. Baseia-se nas 
experiências pessoais daquele que o descreve. 
 subjetivo, pois é gerado a partir das experiências de cada sujeito. 
Como é organizado pelo próprio sujeito, o conhecimento é baseado 
Linguagens e Pesquisa 
 
76 
naquilo que ele ouviu dizer ou na experiência adquirida por 
experiência própria. 
 superficial, pois sem buscar as causas dos fenômenos e/ou eventos, 
pauta-se na aparência. Não apresenta profundidade em suas 
explicações. É o conhecido “eu acho que ...” 
 é efêmero, pois ao ser transmitido de geração em geração, vai sendo 
continuadamente modificado. É baseado nas vivências e experiências 
individuais do sujeito. 
 
IV – Conhecimento Científico 
Os desejos de conhecer, de compreender, de desvendar o universo e de 
dominar a natureza sempre foram necessidades do homem. Este tipo de 
conhecimento caracteriza-se por questionar os problemas recorrendo sempre à luz 
da razão humana. Seu objeto de análise são as ideias, as relações conceituais e 
exigências lógicas que podem ser analisadas através da realidade material. Como 
resultado desse processo, ou seja, a transformação das dúvidas em certezas, surge 
o conhecimento científico. 
A partir do conhecimento científico: 
 ampliamos ou desfazemos verdades por meio de comprovação direta 
dos fatos; 
 fragmentamos o real para compreendermos a função de cada um de 
seus constituintes; 
 buscamos, por meio da confrontação, descrever a realidade para 
podermos agir sobre ela; 
 preocupamos em explicar osporquês na tentativa de melhorar as 
condições da vida humana. 
Dessa forma, o conhecimento científico, de cunho racional, sistemático, exato e 
verificável, resulta de nossa tentativa de reconstituir teoricamente o 
universo.Contudo, essa reconstituição nunca será definitiva. 
Linguagens e Pesquisa 
 
77 
 Características do Conhecimento Científico 
Predominantemente, o conhecimento científiico é: 
 orgânico, uma vez que constituído de um corpo ordenado de 
postulados, logicamente subordinados uns aos outros; 
 metódico, pois por meio da experimentação ou da evidência dos 
fatos observáveis e controláveis, produz seus postulados; 
 rigoroso, pois por meio de condições de intenso controle, porpõe 
conclusões seguras; 
 sistemático, pois o conhecimento é ordenado logicamente, 
formando um sistema de ideias; 
 contingente, pois as hipóteses que formula são consideradas válidas 
ou falsas por meio da experimentação; 
 objetivo, pois não se submete a argumentos de autoridade, mas 
apenas à evidência e à comprovação dso fatos; 
 universal, pois seus postulados e suas conclusões se aplicam a todos 
os fenômenos da mesma natureza. 
 efêmero, pois por não serem definitivos, cada novo conhecimento 
pode aprimorar uma técnica para testar determinada hipótese, 
levando a uma nova descoberta. Suas verdades são sempre 
ameaçadas de serem questionadas por outras verdades. 
 O conhecimento científico corresponde ao que é produzido pela pesquisa 
científica através de seus MÉTODOS. 
Conjunto de Métodos: os métodos possibilitam o desenvolvimento e a 
validação de novo desenvolvimento. 
É imprescindível que o trabalho científico seja conduzido com rigor, ou seja, 
com método, a fim de assegurar a si e aos demais que os resultados da pesquisa 
serão confiáveis e válidos. Embora nem sempre tenhamos consciência, todos nós, 
de alguma forma, conhecemos e utilizamos alguns tipos de métodos em diferentes 
situações de nosso dia a dia. 
Linguagens e Pesquisa 
 
78 
Assim: 
Método é um conjunto de ações, deliberadas ou não, que nos permite: 
I - atingir um determinado objetivo; 
II – alcançar um determinado resultado; 
 Valor do Método: 
Ele é o instrumento básico para a produção de conhecimentos. Por meio do 
método, traçamos, de forma racional e ordenada, nosso modo de proceder para 
atingir um objetivo preestabelecido. 
É o método científico, portanto, que irá nos permitir alcançar nosso objetivos 
com segurança e economia. Nossos objetivos devem envolver: 
I– conhecimentos válidos e verdadeiros; 
II – sinalização do caminho a ser seguido; 
III – identificação de nosso erros; 
IV – pistas para a tomada de decisões. 
 
 Seção 10: organização de um projeto 
de pesquisa 
I – Projeto de Dissertação: 
 Introdução 
 Quadro Teórico 
 Metodologia 
 Referências Bibliográficas 
 Cronograma 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
79 
I.1. Introdução: 
I.1.1 - Problema (Revisão de literatura) 
I.1.2 - Objetivo 
I.1.3 - Questões/Hipóteses 
I.1. 4 - Justificativa (importância do estudo) 
Para saber mais: 
Na Introdução, é onde o pesquisador ‘constrói’ seu problema e coloca a 
pesquisa no contexto da discussão acadêmica sobre o tema, indicando lacunas ou 
inconsistências anteriores. É um pano de fundo que permite ao leitor entender 
com clareza a proposta e enxergar sua relação com as questões atuais da área 
temática a que se refere. 
São componentes-chave da Introdução: 
 apresentação do problema; 
 inserção do problema no âmbito da literatura acadêmica; 
 discussão das deficiências encontradas na literatura; 
 identificação da audiência (público) a que se destina e significação do 
estudo para esta audiência. 
Como proceder na Introdução: 
 iniciar com um parágrafo inserindo a questão focalizada numa 
problemática mais ampla; 
 especificar o problema que levou ao estudo proposto; 
 indicar a relevância do problema; 
 focalizar a formulação do problema nos conceitos-chave que serão 
explorados; 
 considerar o uso de dados numéricos que possam causar impacto. 
Linguagens e Pesquisa 
 
80 
 
I.1.1 - O Problema de Pesquisa 
O problema de pesquisa diz respeito a uma indagação que se faz sobre a 
relação entre duas ou mais variáveis, relaciona-se com os conceitos que serão 
utilizados na investigação. 
O Problema pode ser identificado a partir de: 
 lacunas no conhecimento existente; 
 inconsistências entre o que uma teoria prevê que aconteça e 
resultados de pesquisas e observações; 
 inconsistências entre resultados de diferentes pesquisas ou entre 
estes e o que se observou na prática. 
I.1.2 - O Objetivo da Pesquisa 
O objetivo é o que define, de modo mais claro e direto, que aspecto da 
problemática mais ampla constitui o interesse central da pesquisa. 
A definição de conceitos teóricos e termos ambíguos é necessária. A definição 
deve constar da primeira vez que aparecem no texto. 
 Exemplo de Objetivo 
Investigar, junto a meninos e meninas de rua, o que eles pensam sobre os 
processos de socialização e ressocialização que incluem a família, escola, trabalho, 
futuro e autoimagem. 
 
I.1.3 - Questões ou Hipótese 
É uma afirmativa sobre o problema que deve ser, de preferência, sustentada 
por resultados de pesquisa. 
É uma aposta que se faz sobre o que irá resultar da investigação, ou, a 
explicação mais provável para determinado fato ou fenômeno a ser estudado. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
81 
Exemplo de Hipóteses 
 Em atividades acadêmicas, os professores interagem mais com os 
alunos sobre os quais têm altas expectativas. 
 Grupos submetidos a liderança autoritária tendem a ser mais 
agressivos que aqueles cujas lideranças são democráticas. 
Questões 
O objetivo pode ser desdobrado em questões que detalham e esclarecem seu 
conteúdo. Elas auxiliam o pesquisador a selecionar os dados e as fontes de 
informação, e também a organizar a apresentação dos resultados (uma vez que 
devem responder às questões do estudo). 
Exemplo de Questões 
 Por que algumas escolas conseguem índices de aprovação tão mais 
altos que a média das que trabalham com alunos de baixo nível 
socioeconômico? 
 O que seus professores e administradores têm de especial? 
 O que distingue a prática docente desses professores dos demais? 
 Qual o impacto do Projeto X sobre o desenvolvimento da capacidade 
de organização comunitária dos moradores da favela Y? 
I.1.4 – Justificativa 
Indica a contribuição do estudo para a construção do conhecimento em 
determinada área; sua utilidade para a prática profissional e para a formulação de 
políticas (as ênfases dependerão do objetivo do estudo). A justificativa refere-se ao 
objetivo do estudo. 
 Seção 11: Etapas de um projeto de pesquisa: 
A pesquisa sempre pressupõe uma indagação, por isso a investigação 
constante e o questionamento tornam-se ingredientes necessários à formação do 
professor-pesquisador ou aluno-pesquisador que deverá adotar a postura reflexiva 
em relação à sua prática de trabalho. 
Linguagens e Pesquisa 
 
82 
Neste sentido, a pesquisa é, antes de tudo, uma postura que precisa ser 
adquirida em relação ao conhecimento. A ação de pesquisar, que envolve 
professor e aluno, tem por objetivo melhorar o trabalho daquele em sala de aula e 
o crescimento deste ao transformar a sala de aula em momentos de reflexão sobre 
os conhecimentos e informações adquiridas. 
Um problema e sua explicação não têm uma relação direta de tal forma que a 
simples menção deste resulte na consciência do que se deve fazer. O que existe, na 
maior parte dos casos, são respostas apressadas ou hábitos na escolha de 
caminhos, hábitos esses que muitas vezes impedema escolha de propostas mais 
criativas e eficazes por basearem-se ou em preconceitos ou em visões restritas. 
 A escolha de ações sociais deve então basear-se em reflexões, quando possível 
exaustivas, sobre a situação pertinente a partir do máximo possível de informações. 
Porém as informações nem sempre estão disponíveis e, mesmo quando estão, 
podem ser reflexo de um único ponto de vista. 
Que posturas são desejáveis? Como proceder? 
 
Algumas preocupações e posturas com relação à pesquisa são gerais não 
importando de que tipo de pesquisa se trate: 
1. O pesquisador deve, na medida do possível, despir-se de todo 
preconceito e aguçar sua sensibilidade para poder perceber 
regularidades, mudanças de padrão, contradições, incoerências, etc. 
Quando o pesquisador se depara com algo que ele não conhece ou 
que num primeiro momento não faz sentido para ele, possivelmente 
ele está diante de algo novo que vai requerer dele muita reflexão. 
Linguagens e Pesquisa 
 
83 
Esse algo que poderá fornecer novas explicações para o fenômeno que ele se 
propôs a explicar. Por isso, o pesquisador não deve aceitar a primeira explicação 
nem abandonar aquele dado para o qual ele não tem inicialmente uma explicação. 
Ele deve perseverar em sua intenção de encontrar coerência para os dados 
encontrados, mas não deve escamotear aqueles para os quais ele não tem 
explicação e deve procurar dividir com os outros suas dúvidas e inquietações. 
1. A pesquisa que reúne indivíduos pertencentes a grupos sociais diferentes 
tem que levar em conta uma outra preocupação. Mesmo quando se 
mantém contato durante muito tempo com uma cultura diferente, o 
trabalho de interpretação apresenta um dificultador: falar de uma cultura 
a partir de referenciais de uma outra cultura. 
2. O RIGOR e a OBJETIVIDADE são a garantia da pertinência da pesquisa. 
Uma pesquisa que não busca ser objetiva e rigorosa pode se transformar 
num esforço inútil. 
O rigor e a objetividade estão diretamente relacionados com a coerência entre 
o que o pesquisador se dispõe a fazer e o que ele realmente faz, entre as perguntas 
que ele se dispõe a responder e as que efetivamente ele responde. Uma pesquisa 
bem feita é aquela em que o encadeamento entre os passos é claro, justificado e 
realizado coerentemente. Para isto, o pesquisador deve a cada momento se 
interrogar sobre esta coerência. 
 
 Como definir cientificamente um problema? 
1. Em nosso cotidiano, usamos a palavra problema para designar fatos 
que nos incomodam, ou pessoas inconvenientes, ou empecilhos ao 
trabalho, ou desafios e mais uma infinidade de coisas que se nos 
apresentam, na maioria das vezes como negativas. 
Problema é um termo que pode ser usado com uma grande variedade de 
sentidos no linguajar cotidiano. Em todos esses usos, no entanto, problema é um 
dado imediato: ou identificamos um problema, ou alguém causa problemas, ou 
algo é problema, enfim, não precisamos de grandes esforços para chegar ao 
problema e ele nos parece sempre evidente. 
Linguagens e Pesquisa 
 
84 
1. Não se pode pensar em pesquisa quando não se tem um problema. O 
dado imediato é sempre um sintoma de um problema: uma dada 
situação pode apresentar inconvenientes, obstáculos e mais um conjunto 
de sinais indesejáveis e que serão um motivador para a construção do 
problema. 
2. A definição de um problema supõe a formulação de boas perguntas. Qual 
é o inconveniente de uma dada situação, qual sua origem? Existem 
causas? A quem atinge? 
As boas perguntas começam a formar um esboço do problema. Algumas 
respostas podem ser de fácil identificação, outras vão depender da realização de 
uma pesquisa prévia, outras vão gerar um outro conjunto de perguntas, outras 
ainda não requerem resposta nenhuma. 
É importante, porém, assumir sempre uma atitude de desconfiança com 
relação à resposta imediata única. Frequentemente o que temos é um conjunto de 
respostas, algumas mais complexas, outras mais simples. Na construção do 
problema é importante definir bem um conjunto de perguntas-respostas, seja em 
termos de possibilidade, seja em termos de escolha. 
3. É a construção do problema que definirá a necessidade ou não da 
realização da pesquisa informando um bom conjunto de perguntas-
respostas. Um problema mal formulado acarretará respostas inúteis. É 
importante ganhar tempo e esforço construindo bem um problema. 
4. Além das boas perguntas, a construção do problema requer uma análise 
prévia da situação. Saber o que já se produziu de conhecimento sobre o 
assunto, se já existem respostas para as perguntas que formulamos, se as 
respostas que existem são coerentes entre si, etc. Nesse sentido, é 
necessário uma boa revisão bibliográfica. 
 O passo a passo. Etapas de um projeto de pesquisa 
1 - Identificação do Tema e formulação de algumas ideias iniciais - sistematizar 
as ideias que levaram à necessidade de investigação, à escolha do tema específico. 
2 - Revisão da literatura - procurar saber se a questão que se está querendo 
resolver já não foi motivo de outras pesquisas e quais os resultados destas. 
Linguagens e Pesquisa 
 
85 
3 - Construção do problema específico da pesquisa - estabelecer boas 
perguntas que possam ser respondidas com a investigação baseadas na reflexão 
sobre as ideias iniciais e na investigação sobre o tema. Deve-se criar argumentos de 
defesa do problema, sua importância e a justificativa do estudo. 
4 - Levantamento das hipóteses de pesquisa – pontos de partida para a 
definição do problema. Podem ser corroboradas ou não pela pesquisa. 
5 - Seleção dos métodos e técnicas - estabelecidas as perguntas e as hipóteses, 
deve-se escolher o procedimento que será utilizado, ou seja, como fazer e por que 
fazer de um determinado jeito. É importante saber por que usar tal método ou 
técnica, quer dizer, qual o tipo de informação aquele método ou aquela técnica 
permite obter. É este o momento de se elaborar o projeto de pesquisa que deve 
detalhar todas as escolhas feitas. 
6 - Elaboração do plano de análise - os dados devem ser submetidos a algum 
tipo de análise, pois o dado em si não revela muita coisa se não for articulado com 
o objetivo da pesquisa. 
7 - Deve-se elaborar um plano de análise que vai possibilitar retirar dos dados 
aquilo que se quer, pois os dados podem ser interpretados de diversas maneiras. A 
coleta de dados e a análise tem que estar em acordo entre si e com as opções 
metodológicas feitas no projeto. 
8 - Execução da coleta e análise dos dados. O momento da pesquisa informa 
também sobre seus procedimentos. 
9 - Interpretação e apresentação dos resultados - Reflexão crítica e lógica sobre 
os dados obtidos em função do problema e das hipóteses da pesquisa. 
 Seção 12: Análise de dados e tipos de pesquisa 
 Pesquisa quantitativa ou qualitativa: como escolher? Qual 
técnica utilizar? 
Após a construção do problema da pesquisa, é necessário escolher os métodos 
e as técnicas de coleta e análise de dados. A escolha das técnicas está condicionada 
Linguagens e Pesquisa 
 
86 
ao problema da pesquisa, pressupõe certo conhecimento e questionamento 
acerca do objeto a ser investigado. 
Todos os métodos e técnicas de investigação possuem vantagens e limitações. 
A escolha dos métodos e técnicas de análise de dados deve ocorrer 
simultaneamente com a definição das técnicas de coleta de dados. 
 Existe atualmente uma tendência em se atribuir maior cientificidade às 
informações de ordem quantitativa, no entanto, existem mais inter-relações entre 
o qualitativo e o quantitativo do que geralmente se reconhece. 
 Diferenças fundamentais entre o dado quantitativo e o qualitativo 
1 - Inicialmente, é importante salientar que em ciênciashumanas, e sociais, por 
exemplo, uma total neutralidade na pesquisa é sempre impossível, mas é 
importante buscar sempre a objetividade. 
Além disso, não é unicamente o grau de neutralidade que diferencia a pesquisa 
quantitativa da qualitativa. O grau de distanciamento do pesquisador com seu 
objeto de pesquisa determinará o tipo de resposta possível para as questões 
levantadas e depende das opções prévias sobre o tipo de pesquisa baseadas nos 
limites de cada instrumento. 
2 – Aspectos dos dados: 
 quantitativos (os resultados aparecem em números, porcentagens, 
proporções) 
 qualitativos (não quantificáveis, onde há a descrição de aspectos do 
fenômeno - visão de mundo, valores, opiniões, representações 
sociais) 
3. Quanto ao grau de subjetividade que o dado comporta: 
Na pesquisa quantitativa, a definição daquilo que será contado, o dado, 
comporta um certo grau de subjetividade, pois esta definição será sempre o 
resultado de uma escolha. A subjetividade estará presente também na escolha do 
tratamento dos dados e na interpretação. 
Na pesquisa qualitativa, do mesmo modo, a escolha do que será observado, o 
dado, comporta um grau de subjetividade, porém os próprios processos de 
Linguagens e Pesquisa 
 
87 
tratamento e interpretação subsequentes a esta escolha também comportam 
aspectos subjetivos. 
4 - Aspectos quantitativos e qualitativos nas diversas técnicas: 
A maioria das técnicas utilizadas nas investigações podem gerar tanto dados 
quantitativos quanto dados qualitativos e isto depende de como o dado é 
definido. Questionários podem gerar dados qualitativos como também entrevistas 
abertas podem gerar dados quantitativos. Por este motivo, a caracterização do 
dado deve ser feita criteriosamente. 
Não se deve descartar a possibilidade de cruzamento de dados e a utilização de 
material secundário, como um levantamento histórico e bibliográfico, fichamentos, 
relatórios em geral, jornais, etc., com o intuito de obter informações documentais 
necessárias ao desenvolvimento da pesquisa. 
Entrevistas, grupos focais, história oral, histórias de vida, observação 
participante, diário de campo são algumas das técnicas bastante utilizadas e sobre 
as quais existem uma quantidade importante de referências que ajudam o 
pesquisador. 
É sempre um bom caminho observar como pesquisas anteriores foram 
desenhadas, este procedimento fornece indicadores importantes sobre os limites 
de cada método ou técnica. 
 Para finalizar a seção, tratemos de classificar as pesquisas, de acordo com o 
procedimento utilizado na coleta de dados, em três Tipos: 
1 – Pesquisa Bibliográfica: por meio da pesquisa documental ou bibliográfica, 
procuramos explicar um determinado assunto, fenômeno ou evento a partir de 
referências teóricas já documentadas. Como o material já foi previamente 
manipulado, estas fontes recebem o nome de fontes secundárias. São 
representadas por livros, dicionários, enciclopédias, publicações periódicas, jornais, 
revistas, anais de congressos, reuniões acadêmicas, resenhas, monografias, 
dissertções de mestrado, teses de doutorados, etre outras. 
Este tipo de pesquisa permite ao pesquisador manter-se atualizado nos 
conhecimentos científicos vigentes, distanciando-se do senso comum. Além disso, 
a elaboração de um quadro de referência teórica sobre o assunto que se deseja 
Linguagens e Pesquisa 
 
88 
pesquisar permite uma melhor referência sobre o “estado da arte”, ou seja, dados 
atualizados sobre o assunto contendo um panorama histórico do tema. 
2 – Pesquisa Descritiva: a pesquisa exploratória ou descritiva tem como 
objetivo o mapeamento, a descrição, a classificação inicial de fenômenos e 
eventos. Neste tipo de pesquisa, utilizamos, prioritariamente, técnicas de 
abordagem qualitativa para a análise e interpretação os dados. Através deste tipo 
de pesquisa, é possível descobrir a frequência com que um fenômeno ocorre, sua 
relação com outros e suas caractrísticas. 
Uma das possibilidades da opesquisa descritiva ou exploratória é o estudo de 
caso, que tem como foco de investigação um determinado sujeito, um grupo ou 
uma comunidade. O estudo de caso nos permite observar e analisar aspectos 
variados da experiência, dos procedimentos, das atitudes, dos valores dos 
informantes pesquisados. 
3 – Pesquisa Experimental: Este tipo de pesquisa caracteriza-se por manipular 
de forma direta as variáveis em estudo. Ela deve ser devidamente controlada para 
que possamos manipular variáveis e instrumentos de testagem, produzir e reiterar 
os fenômenos/ eventos que estamos estudando. 
 
Na pesquisa experimental: 
 Priorizamos o uso das técnicas quantitativas no tratamento dos 
resultados; 
 Selecionamos os instrumentos de testagem em função da variável a 
ser manipulada; 
 Controlamos as condições que consideramos relevantes – variáveis 
que interferem no fenômenos estudado; 
Variáveis: variável corresponde a fatores ou circunstâncias que influem direta ou 
indiretamente sobre o fenômeno em estudo. As variáveis são denominadas assim, 
porque ariam, assumem diferentes aspectos ou valores dependendo de cada 
pesquisa. 
Linguagens e Pesquisa 
 
89 
 Manipulamos, uma a uma, as variáveis em estudo para determinar 
seu impacto no fenômeno estudado; 
 Reproduzimos fenômenos, a partir das alterações observadas para 
definir, com precisão, as interferências. 
 Seção 13: Hipóteses e levantamentos de dados. 
 HIPÓTESES: 
 É todo e qualquer enunciado que expresse uma potencial solução 
para um problema predetermiando. 
 É a relação esperada entre variáveis (a hipótese), deduzida de uma 
teoria; a situação em que essa relação possa ser verificada deve ser 
criada ou buscada pelo pesquisador. 
 É uma aposta que se faz sobre o que irá resultar da investigação; 
 Ou, a explicação mais provável para determinado fato ou fenômeno 
a ser estudado. 
Uma hipótese corresponde a nossa previsão sobre o comportamento de 
determinado fenômeno ou evento, circunscrito ao contexto da investigação. A 
hipótese desempenha uma função relevante em nosso projeto, pois é em torno 
dela que estruturamos o trabalho a ser feito, já que ela emerge da finalidade da 
nossa investigação. 
 A coleta ou levantamento de dados 
Seja qual for a situação em que estivermos observando, devemos ficar atentos com 
o olhar aguçado para percebermos fatos que passariam facilmente despercebidos 
por outros. 
A escolha das técnicas está condicionada ao problema da pesquisa. Identificar e 
refletir sobre os instrumentos de pesquisa é fundamental para a objetividade e 
utilidade das investigações sociais. 
Assim, observar é concentrar a atenção sobre um determinado fenômeno visando 
descrevê-lo com precisão. 
Linguagens e Pesquisa 
 
90 
Podemos dizer que a observação: 
 Pode ser planejada tanto para uma fase inicial da pesquisa quanto para 
situações de experimentação; 
 Pode-se dar de forma espontânea, sendo que para isso, temos que 
concentrar nossa atenção nos fenômenos e/ou eventos estudados; 
 A pesquisa de campo se processa por meio de coleta dados, a partir da 
observação e da utilização de instrumentos elaborados para este fim: 
entrevista, questionário, formulário etc. 
 Visando o levantamento de dados: 
1 – Entrevista 
A entrevista se realiza por meio de nossa interação com um ou mais informates. A 
entrevista consiste numa conversa intencional e é utilizada quando existem poucas 
situações a serem observadas ou quantificadas e ainda quando se deseja 
aprofundar uma questão. 
Além de observar as respostas dadas pelo informante no momento da entrevista, 
podemos fazer várias observações sobre o comportamento e sobre as atitudes do 
informante.Na entrevista, deve-se deixar a pessoa falar à vontade, ao contrário do questionário 
com perguntas abertas, as quais são mais objetivas e evita-se a mudança de 
assunto, direcionando-o de acordo com o questionário previamente elaborado. 
2 - Tipos de entrevista 
1 - A entrevista dirigida ou padronizada consiste na aplicação de um roteiro 
(questionário), sobre um tema específico, no qual a pessoa entrevistada deve 
escolher entre as várias respostas propostas pelo pesquisador. Nesse caso, é 
simples apresentar as respostas a perguntas fechadas numa tabela, basta fazer 
uma lista das respostas propostas e indicar a frequência de cada uma delas. 
2 - A entrevista semi-estruturada é aplicada a partir de um pequeno número de 
perguntas, para facilitar sua sistematização e codificação. 
Apenas algumas questões e tópicos são pré-determinados. Muitas questões 
podem ser formuladas durante a entrevista e as irrelevantes são abandonadas. 
Linguagens e Pesquisa 
 
91 
3 - A entrevista aberta é, portanto, uma entrevista não diretiva, que vai se 
delineando aos poucos e se esclarecendo à medida que a pesquisa vai sendo 
realizada. A aplicação das entrevistas não diretivas se efetivam, sobretudo, quando 
a realidade social é desconhecida. 
Desta forma, o investigador, que nem sempre tem um pré-conhecimento de tudo, 
pode penetrar nas redes de relações sociais, descobrindo falas sobre o que a 
própria sociedade impõe e oculta. 
4 - Entrevista individual: entrevistador e entrevistado estão face a face. Várias 
pessoas podem ser entrevistadas individualmente a respeito dos mesmos tópicos 
facilitando a compreensão das diferentes atitudes, comportamentos e opiniões 
sobre o mesmo assunto. 
5 Entrevista com informantes-chave: tem por finalidade obter informações 
específicas. Os informantes-chave são pessoas que pertencem ao grupo estudado 
e que conhecem bem os assuntos pesquisados. Não são necessariamente líderes. 
6 - Entrevistas de grupo: tem por finalidade obter um número maior de 
informações sobre uma determinada comunidade, num espaço menor de tempo. 
Cuidados: 
 As perguntas podem provocar resistências ou ressentimentos? 
 As palavras empregadas apresentam significação clara e precisa? 
 As perguntas sugerem respostas? 
 As perguntas orientam as respostas em determinadas direções? 
 O entrevistado tem informações suficientes sobre o tema pesquisado? 
 As perguntas levam em conta a realidade e cultura locais? 
3 - QUESTIONÁRIO 
 Ao criarmos um questionário, qualquer que seja o tipo de resposta 
solicitado, devemos dar atenção especial à elaboração dos enunciados 
das questões. 
 O questionário consiste em uma série de perguntas e questões, cuja 
forma, aberta ou fechada, configura tipos de coleta de dados qualitativos 
e quantitativos, respectivamente. 
 O questionário pode ser dirigido ao entrevistado por parte do 
entrevistador, de forma direta, ou preenchido pelo próprio entrevistado. 
Linguagens e Pesquisa 
 
92 
 Os enunciados devem ser claros, objetivos, sem ambiguidades, de forma 
que o informante possa responder com precisão ao que lhe é solicitado. 
 Seção 14: Objeto de pesquisa, tema e 
problemas 
Organização e delimitação da pesquisa: 
TEMA: 
A seleção temática deve ser nossa primeira decisão em relação à realização de 
uma pesquisa. Delimitar o tema de uma pesquisa corresponde à eliminação 
daqueles que, por qualquer razão, podemos deixar de lado, abandona; e, 
consequentemente, à eleição daquele que devemos priorizar. 
Na seleção temática, devemos prioriazar: os objetivos do estudo, os 
conhecimentos que nos são disponibilizados, a relevância do estudo, ou seja, sua 
efetiva contribuição ao desenvolvimento da ciência; a capacidade pessoal para 
lidar com os fenômenos selecionados, o tempo disponível e necessário ao 
desenvolvimento da investigação,a infraestrutura, não só física, mas a necessidade 
de se ter uma equipe e os recursos econômicos, ou seja, o financiamento, se 
necessário, para as atividades de pesquisa. 
Enfim, ao definir o TEMA de uma investigação, devemos considerar as 
condições de que dispomos para desenvolver nosso trabalho da forma mais 
eficiente possível. 
PROBLEMA: 
Em um projeto de pesquisa, a clara formulação do problema é tão importante 
para a ciência quanto a descoberta de soluções. O problema de pesquisa diz 
respeito a uma indagação que se faz sobre a relação entre duas ou mais variáveis, 
relaciona-se com os conceitos que serão utilizados na investigação. 
Na verdade, tais problemas resultam essencialmente de nosso esforço de 
reflexão, de nossas inquietações e de nossa criatividade. Isso significa conseguir 
convencer o outro da relevância e da coerência de nosssa ação. 
Linguagens e Pesquisa 
 
93 
Na formulação clara dos problemas, é possível delimitar, com exatidão, que 
tipo de resposta esperamos ao final da investigação, sinaliza-nos o suporte teórico, 
que é a base da nossa investigação e determina a forma como devemos coletar e 
tratar os dados. 
Sendo assim... 
Embora nem sempre encontremos as soluções esperadas para os probelas 
formulados, esses mesmos problemas podem nos apontar novas questões, novos 
OBJETOS de investigação. 
Pode ser identificado a partir de: 
 lacunas no conhecimento existente; 
 inconsistências entre o que uma teoria prevê que aconteça e 
resultados de pesquisas e observações; 
 inconsistências entre resultados de diferentes pesquisas ou entre 
estes e o que se observou na prática. 
JUSTIFICATIVA: 
No âmbito de um projeto, justificar equivale à demonstração da coerência, da 
relevância de um estudo, ou seja, justificar significa apontar as razões que nos 
levam a assumir determianda postura ou a realizar uma ação específica. 
OBJETIVOS 
Os objetivos determinam o desenho do nosso projeto. Eles sinalizam o ponto a 
que pretendemos chegar com aquele estudo, determinam a amplitude da 
pesquisa, determinam a natureza e a forma com que teremos de trabalhar, além 
dos procedimentos e o instrumental que teremos que utilizar para a coleta do 
material. 
HIPÓTESES 
A hipótese é todo e qualquer enunciado que expresse uma potencial solução 
para um PROBLEMA predeterminado. É em torno da hipótese que estruturamos o 
nosso trabalho, já que dela emerge a finalidade de nossa investigação. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
94 
FONTES DE INFORMAÇÃO 
Os documentos escritos são a principal fonte de informação necessária à 
revisão teórica de uma determinada TEMÁTICA. Por meio de levantamentos 
bibliográficos, podemos explorar as principais contribuições existentes sobre um 
determinado TEMA. 
Informações atualizadas em: livros, buscas na Internet, artigos publicados em 
periódicos, artigos publicados em revistas científicas etc. 
 
REVISÃO DE LITERATURA 
A pesquisa também supõe dois tipos de revisão da literatura: 
1) aquela que o pesquisador realiza para o próprio consumo; 
(2) aquela que vai, efetivamente, integrar, o relatório (projeto/dissertação) do 
estudo. 
Produção do conhecimento 
 construção coletiva da comunidade científica 
 processo continuado de busca 
 lugar onde cada nova investigação se insere, complementando ou 
contestando contribuições anteriormente dadas ao estudo do Tema. 
Vantagens em realizar revisão da literatura extensiva no início da elaboração do 
projeto: 
O pesquisador passa a ter condições de melhor: 
 definir seu OBJETO de estudo; 
 selecionar teorias, procedimentos e instrumentos, evitando aqueles 
que já se revelaram pouco eficazes; 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
95 
Dicas para realizar uma boa Revisão da Literatura para a contextualização do 
problema: 
 Cobrir uma quantidade de leitura pertinente a um tema; 
 Identificarquestões relevantes que dão organicidade à revisão 
 Apontar áreas de consenso e de controvérsia, indicando autores e 
oferecendo evidências 
Concluindo: 
É a familiaridade com o estado do conhecimento na área que torna o 
pesquisador capaz de problematizar o TEMA e de indicar a contribuição que seu 
estudo pretende trazer a expansão do conhecimento. 
Sintetizando: 
Na Introdução: 
 Problema (Revisão de literatura) 
 Objetivo 
 Questões/Hipóteses 
 Justificativa (importância do estudo): Onde o pesquisador ‘constrói’ 
seu problema e coloca a pesquisa no contexto da discussão 
acadêmica sobre o tema indicando lacunas ou inconsistências 
anteriores. 
 Pano de fundo que permite ao leitor entender com clareza a proposta 
e enxergar sua relação com as questões atuais da área temática a que 
se refere. 
Componentes-chave: 
 apresentação do problema; 
 inserção do problema no âmbito da literatura acadêmica; 
 discussão das deficiências encontradas na literatura 
 identificação da audiência a que se destina e significação do estudo 
para esta audiência. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
96 
Como proceder: 
 iniciar com um parágrafo inserindo a questão focalizada numa 
problemática mais ampla; 
 especificar o problema que levou ao estudo proposto; 
 indicar a relevância do problema; 
 focalizar a formulação do problema nos conceitos-chave que serão 
explorados; 
 considerar o uso de dados numéricos que possam causar impacto. 
 Seção 15: Normas da ABNT para 
trabalhos acadêmicos 
Citações e referências bibliográficas segundo as normas da ABNT (Associação 
Brasileira de Normas Técnicas). 
 Segundo a ABNT, a “citação é a menção de uma informação extraída 
de outra fonte, que são feitas para apoiar uma hipótese, sustentar 
uma ideia ou ilustrar um raciocínio” (NBR10520, 2002, p.1); 
 Enquanto referência bibliográfica é uma forma de se reportar a um 
texto. Pode-se, então, definir referência bibliográfica como sendo o 
“conjunto de elementos que permitem a identificação, no todo ou em 
parte, de documentos impressos ou registrados em diversos tipos de 
material” (TEIXEIRA, 2008). 
 
Todo trabalho com pressupostos científicos deve primar pela apresentação das 
fontes bibliográficas e principalmente pela identificação das citações que são 
realizadas no decorrer dos textos. 
Ao elaborar um trabalho científico, precisamos estar atentos à fidelidade das 
ideias originais dos autores referenciados. A citação do pensamento de um outro 
estudioso do assunto é salutar e permitida, desde que tenhamos o cuidado de 
identificar o autor e a obra em que se encontra descrito. 
Linguagens e Pesquisa 
 
97 
As citações fundamentam e melhoram substancialmente a qualidade científica 
do trabalho; elas têm a função de oferecer ao leitor condições de comprovar a 
fonte das quais foram extraídas algumas ideias, frases ou conclusões, 
possibilitando-lhe recorrer a essa fonte para aprofundar o tema ou assunto em 
discussão. 
CITAÇÕES E NOTAS 
As citações podem ser diretas e indiretas. As primeiras constituem a transcrição 
literal de uma parte do texto de um autor. 
Observe. 
Quando apresentamos a referência antes da citação, o sobrenome do autor 
sempre aparece com a primeira letra em maiúscula e o restante em minúscula, 
seguido do ano e da página da obra entre parênteses, logo após vem a citação, 
sendo este texto recuado 4 cm do espaçamento original do restante do texto e em 
corpo menor, sem aspas, quando a citação for superior a três linhas. 
Exemplo: 
Segundo Freire (2000, p. 77): 
Mulheres e homens, somos os únicos seres que, 
social e historicamente, nos tornamos capazes de 
apreender. Por isso, somos os únicos em que 
aprender é uma aventura criadora, algo, por isso 
mesmo, muito mais rico do que meramente repetir 
a lição dada. Aprender para nós é construir, 
reconstruir, constatar para mudar, o que não se faz 
sem abertura ao risco e à aventura do espírito. 
Quando optamos por colocar a referência depois da citação, o sobrenome do 
autor vem em letras maiúsculas, seguido do ano e página da citação. 
Exemplo: 
Organizações que aprendem são lugares onde pessoas 
continuamente expandem sua capacidade de criar os 
resultados que elas verdadeiramente desejam, onde novos 
e amplos padrões de pensamento são encorajados, onde a 
aspiração coletiva é livremente estabelecida, e onde 
pessoas estão continuamente aprendendo como aprender 
junto. (SENGE, 1998, p. 37) 
Linguagens e Pesquisa 
 
98 
As citações indiretas são aquelas redigidas pelo autor do trabalho, a partir de 
ideias e contribuições de outro autor, ou seja, consistem na reprodução do 
conteúdo do documento original e devem aparecer no texto precedidas por 
indicação do autor ou das ideias originais. 
 Normalmente usa-se expressões tais como: “segundo ...”, “de acordo com...” 
“fulano... afirma que” (menciona-se o(s) sobrenome(s) do(s) autor(es) e coloca-se o 
ano da publicação da obra – livro, revista, artigo etc. – entre parênteses. 
Exemplo: 
Marcondes (2001) afirma que o paradigma pode ser entendido segundo uma 
acepção clássica, a exemplo de Platão, ou de uma acepção contemporânea, a partir 
de Thomas Kuhn. Explica o autor que a visão platônica concebe paradigma como 
um modelo, um tipo exemplar, que se encontra em um mundo abstrato, o qual 
Platão denomina “Mundo das Ideias” e do qual encontram-se reproduções 
imperfeitas no mundo concreto. Assim, o paradigma para Platão possui um sentido 
ontológico, que confere ao termo um caráter normativo. 
Sintetizando para saber mais: 
 Citações são constituídas de informações que podemos extrair de 
diferentes fontes bibliográficas. 
 As citações podem ser formatadas em itálico ou entre aspas duplas. 
 As aspas simples devem ser utilizadas para citações dentro de outras 
citações. 
 Se curtas, até três linhas, podem ser inseridas no corpo do texto ou 
como nota de rodapé. 
 Se extensas, devemos deixá-las fora do nosso texto, iniciando o 
parágrafo. 
 Além disso, a margem esquerda para as citações deve ser de 4.0 cm, e 
a letra deve ser menor que a do texto. 
 As citações extensas não devem figurar entre aspas. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
99 
Referência Bibliográfica: 
Referência bibliográfica é o conjunto de elementos que permite a identificação 
de documentos no todo ou em parte, com o objetivo de localizar as publicações 
utilizadas, citadas, consultadas ou sugeridas num determinado trabalho. 
A referência dos documentos consultados ou citados é feita de acordo com as 
normas específicas adotadas pela técnica bibliográfica, que apresenta variações de 
acordo com o país. No Brasil é a Associação Brasileira de Normas Técnicas que 
produz as normas a serem seguidas. 
Para Santos (2000, p.63.) 
[...] informações bibliográficas vão permitir a 
confirmação das informações, aprofundamento do 
estudo mediante a utilização das obras citadas, a 
avaliação da profundidade do trabalho e, inclusive, a 
idade das informações ou ideias que são utilizadas 
para sustentar os argumentos do pesquisador. 
A ABNT, por meio da norma estabelece, em detalhes, as possibilidades de se 
referenciar uma obra utilizada na elaboração do trabalho acadêmico e/ou 
científico. 
Em relação às orientações básicas para elaboração correta da referência 
bibliográfica, a sequência e a forma de apresentação dos elementos, tais como o 
nome do(s) autor(es), título da obra, edição, local, data, dentre outros, conforme 
modelos apresentados ou instruções constantes da norma. 
 
Para saber mais! 
As regras da ABNT, em vigor no ano de 2019, são fundamentais para 
fazer a formatação dos trabalhos acadêmicos, principalmente o TCC 
(Trabalhode Conclusão de Curso). As normas são usadas internacionalmente, mas 
reguladas no Brasil pela Associação Brasileira de Normas Técnicas. Confira um GUIA 
COMPLETO para elaborar a estrutura e a formatação da sua pesquisa. 
Consulte: 
https://viacarreira.com/regras-da-abnt-para-tcc-conheca-principais-normas-
132759/ 
Linguagens e Pesquisa 
 
100 
TRANSCRIÇÃO DE ELEMENTOS: Tipos de Referências 
Nas citações, podemos fazer as seguintes referências: 
 Citação textual: transcrevemos literalmente um segmento do texto 
indicado, em seu final, em nota de rodapé, em uma lista no final do 
trabalho. A obra, o autor, a data e, separadas por vírgulas, as páginas de 
onde foi retirada, precedidas de p. 
Devemos marcar: 
1 – Com reticências e entre colchetes as porções de textos que foram excluídas; 
2 – Com colchetes, os acréscimos ou os comentários que fizemos; 
3 – Em negrito ou itálico, as passagens que queremos destacar, incluindo a 
expressão grifo nosso, ainda dentro dos parênteses; 
4 – Ressaltar as expressões destacadas pelo autor com grifo do autor. 
 Citação livre: 
1 - Transcrevemos um segmento do texto em que preservamos o conteúdo, mas 
não a forma, isto é, parafraseamos, incorporamos esse segmento a nosso discurso. 
2 - Devemos mencionar a fonte de onde esse segmento foi extraído. Contudo, a 
especificação da página da fonte é facultativa. 
 Citação Mista: 
Transcrevemos parte do segmento de texto literalmente – em itálico ou entre 
aspas – completando-o com nossas próprias palavras. 
 Citação de citação: 
Transcrevemos somente uma citação – textual ou livre – de um texto, sem que 
tenhamos acesso ao texto original. 
Seguem-se as principais orientações sobre referências bibliográficas 
apresentadas na Norma com relação a: 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
101 
1 - AUTOR: 
• Autor individual – é apresentado normalmente pelo último sobrenome, em 
maiúsculas, separado por vírgula do(s) prenome(s) e outros sobrenome(s), que 
podem estar ou não abreviados. Exemplos: 
 PEDRON, Ademar João. 
 BARRETO, Alcyrus Vieira Pinto. 
• Sobrenomes compostos unidos por hífen – são apresentados em conjunto. 
Exemplo: LÉVI-STRAUSS, Claude. 
• Sobrenomes compostos formando uma expressão ou contendo palavras como 
“São”, “Santo” “Neto” – são apresentados a partir da primeira palavra do 
sobrenome. Exemplos: 
 CASTELO BRANCO, Camilo. 
 ESPÍRITO SANTO, João do. 
 MATTAR NETO, João Augusto. 
• O autor identificado apenas pelo sobrenome – é apresentado a partir do último 
sobrenome. Exemplo: ASSIS, Machado de. 
• Dois ou três autores – são separados por ponto-e-vírgula. Exemplo: LAKATOS, 
Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. 
• Mais de três autores – apresenta-se apenas o primeiro, seguido da expressão et 
al. Exemplo: BASTOS, Lilia da Rocha et al. 
 Atenção. Há situações em que é necessária a citação de todos os autores para 
certificação da autoria, a exemplo de indicação de produção científica em 
relatórios de órgãos de financiamento e projetos de pesquisa científica. 
• Obra com vários trabalhos ou contribuições de vários autores – apresenta-se o 
nome do responsável pela obra: organizador, coordenador etc. seguido da 
abreviatura da palavra que indica o seu papel na publicação. Exemplo: 
BRANDÃO, Carlos Rodrigues (Org.). 
• Autor desconhecido – apresenta-se a referência pelo título. Não se deve usar o 
termo anônimo. Exemplo: A BÍBLIA Sagrada. 
• Autor institucional/ entidade – as obras de responsabilidade de entidades 
como órgãos governamentais, associações, empresas, congressos etc. são 
apresentadas pelo nome da entidade em maiúsculas. Exemplos: ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 
Linguagens e Pesquisa 
 
102 
 SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. 
• Pseudônimo ou nome artístico – substitui-se o nome da pessoa pelo 
nome com o qual é conhecida. Exemplo: SOARES, Jô. 
• Autor repetido – substitui-se o nome de um autor referenciado 
sucessivamente, a partir da segunda ocorrência, por um traço sublinear 
equivalente a seis espaços e ponto. Exemplo. 
 SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia: elementos de 
metodologia do trabalho científico. Belo Horizonte: Interlivros, 1973. 
 ______. Como fazer uma monografia. 8.ed. São Paulo: Martins Fontes, 
1977. 
 
2 - TÍTULO: 
• Os títulos são destacados graficamente (negrito, sublinhado, itálico) e os 
subtítulos, quando houver, são separados do título por dois pontos, sem 
destaque. Caso se suprima parte do título deve-se utilizar reticências. Exemplo: 
As três metodologias: acadêmica, da ciência e da pesquisa. 
• Os títulos de obras publicadas dentro de outra devem ser apresentados sem 
destaque, enquanto o título da obra é destacado. Exemplo: 
 ZAINKO, M. A. O planejamento como instrumento de gestão educacional: uma 
análise histórico-filosófica. In: Em Aberto. Brasília, v. 17, p. 125140. fev./jun. 
2000. 
• No título de periódico com nome genérico apresenta-se o título em maiúsculas 
seguido do nome da entidade autora ou editora, com a preposição entre 
colchetes. Exemplo: BOLETIM MENSAL [da] Associação Médica Brasileira. 
 
3 – EDIÇÃO 
a) Apresentam-se o número da edição em numeração ordinal, seguido de ponto e 
a abreviatura da palavra edição na língua da obra. Exemplos: 2. ed.; 3th ed. 
b) As alterações ocorridas na edição são assinaladas pela abreviatura da palavra 
que as caracteriza. Exemplo: 3. ed rev. e aum. (revista e aumentada). 
c) A primeira edição não é indicada. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
103 
4 – TRADUTOR/ REVISOR / ILUSTRADOR 
O nome do tradutor, do revisor ou do ilustrador de uma obra é apresentado 
logo após o título. 
Exemplo: 
LA TORRE, Saturnino. Aprender com os erros: o erro como estratégia de 
mudança. Tradução de Ernani Rosa. Porto Alegre: Artmed, 2007. 
 
5 – LOCAL DA PUBLICAÇÃO 
a) Apresenta-se o nome da cidade como aparece na publicação. Nos casos em que 
haja homônimos acrescenta-se o nome do país ou estado separado por vírgula. 
Exemplos: 
Belém, Brasil 
Belém, Jerusalém 
Planaltina, DF 
Planaltina, GO 
Caso haja mais de um local para um mesmo editor apresenta-se o primeiro ou 
o de maior destaque. 
a. Se o local não for indicado na publicação, mas for possível 
identificá-lo, apresenta-se entre colchetes. 
b. Quando não consta o local e nem é possível identificá-lo 
apresenta-se entre colchetes a abreviatura de Sine loco [S.l.]. 
6 - EDITORA 
O nome da editora deve ser apresentado eliminando-se a referência aos 
elementos que indicam natureza jurídica ou comercial. Caso a editora tenha o 
nome de uma pessoa, este é indicado abreviando-se os prenomes, quando for o 
caso. Exemplos: 
Malabares, Comunicação e Eventos – Malabares Livraria José Olympio Editora – 
J.Olympio. 
 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
104 
7- DATA: 
A data é escrita em algarismos arábicos. 
Se nenhuma data de publicação, distribuição, copirraite, impressão etc. puder 
ser determinada registra-se entre colchetes uma data provável, conforme os 
exemplos. 
 Exemplos: [2001 ou 2002] [1987-?]. 
 
8 – COLEÇÕES E SÉRIES: 
Os títulos da coleção e da série são apresentados ao final da referência, entre 
parênteses, separados por vírgula da numeração, em algarismos arábicos, se 
houver. Exemplo: 
 LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994. (Coleção magistério 2º 
grau. Série formação do professor). 
 
9 – MODELOS DE REFERÊNCIAS: 
Vejamos, agora, os modelos de referências mais utilizados em trabalhos 
acadêmicos. 
Monografia utilizada no todo – “inclui livro e/ou folheto (manual, guia, 
catálogo, enciclopédia, dicionário etc.) e trabalhos acadêmicos (teses, dissertações, 
entre outros). 
Os elementos essenciais são:autor(es), título, edição, local, editora e data de 
publicação.” (NBR6023, 2002, p.3) Exemplo: 
 SILVA, Mauricio. Dimensões do tempo: a percepção dos docentes da UNEB; 
um estudo de caso. Florianópolis, 2001. 
• Para melhor especificar pode-se detalhar outros itens. 
 Exemplo: 
 SILVA, Mauricio. Dimensões do tempo: a percepção dos docentes da UNEB: um 
estudo de caso. 2001. 68 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia da 
Linguagens e Pesquisa 
 
105 
Produção). Centro Tecnológico, Universidade Federal de Santa Catarina, 
Florianópolis, 2001. 
• Caso a Monografia a ser referenciada, no todo, encontre-se em meio eletrônico, 
a referência incluirá todos os itens citados, acrescidos das informações relativas 
à descrição do meio eletrônico. Exemplo. 
 KOOGAN, André; HOUAISS, Antônio (Ed.). Enciclopédia e dicionário digital 98. 
Direção geral de André Koogan Breikmam. São Paulo: Delta: Estadão, 1998. 
5CD-ROM. 
• Se o texto a ser referenciado estiver publicado na Internet, o endereço 
eletrônico vem precedido da expressão “Disponível em:” e escrito entre os 
seguintes sinais < >. Após o endereço acrescentam-se informações a respeito 
da data do acesso, conforme o exemplo que se segue. 
Exemplo: 
 ALVES, Castro. Navio Negreiro. [S.I.]: Virtual Books, 2000. Disponível em 
<http://www.terra.com.br/virtualbooks/freebook/port/Lport2/ 
navionegreiro.html>. Acesso em: 10 jan. 2002. 
Parte de Monografia – inclui capítulo, volume, fragmento e outras partes de uma 
obra, com autor(es) e ou título próprios. Os elementos essenciais são: autor(es), 
título da parte, seguidos da expressão ‘In:’, e da referência completa da monografia 
no todo. No final da referência, deve-se informar a paginação ou outra forma de 
individualizar a parte referenciada. 
(NBR6023, 2002, p.4) 
 Exemplo 
 SILVA, Mauricio. O Ensino a distância – EAD: uma estratégia de otimização do 
tempo. In: SILVA, Mauricio. Dimensões do tempo: a percepção dos docentes 
da UNEB: um estudo de caso. Florianópolis: 2001. 
• Para melhor especificar, sugere-se acrescentar mais itens: 
 Exemplo 
 SILVA, Mauricio. O ensino a distância – EAD: uma estratégia de otimização do 
tempo. In: SILVA, Mauricio. Dimensões do tempo: a percepção dos 
docentes da UNEB: um estudo de caso. Florianópolis: 2001. cap.2, item 2.4, 
p. 23-28. 
• Caso a parte da monografia encontre-se em meio eletrônico, devem ser 
incluídos todos os itens citados, acrescidos das informações relativas à 
descrição do meio eletrônico: 
Linguagens e Pesquisa 
 
106 
Exemplos: 
 MORFOLOGIA dos artrópodes. In: ENCICLOPÉDIA multimídia dos seres vivos. [S.I.]: 
Planeta De Agostini, c1998. CD-ROM 9. 
 SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Tratados e organizações 
ambientais em matéria de meio ambiente. In:____. Entendendo o meio 
ambiente. São Paulo, 1999.v.1. Disponível em: <http://www.bdt. org. 
br/sma/entendendo/atual.htm>. Acesso em: 8 mar. 1999. 
Publicação periódica – inclui coleção como um todo, fascículo ou número de 
revista, número de jornal, caderno etc. na íntegra, e a matéria existente em um 
número, volume ou fascículo de periódico (artigos científicos de revistas, editoriais, 
matérias jornalísticas, seções, reportagens etc.). (NBR6023, 2002, p.4) 
 
Publicação periódica como um todo – os elementos essenciais são: título, local 
de publicação, editora, datas de início e de encerramento da publicação, se houver. 
(NBR6023, 2002, p.4) 
 Exemplo: 
 REVISTA BRASILEIRA DE GEOGRAFIA. Rio de Janeiro: IBGE, 1939. 
• Outros itens podem ser acrescentados. 
Exemplo: 
 
REVISTA BRASILEIRA DE GEOGRAFIA. Rio de Janeiro: IBGE, 1939-. Trimestral. 
Absorveu Boletim Geográfico, do IBGE. Índice acumulado, 1939-1983. ISSN 0034-
723X. 
10 - Partes de revista, boletim etc. – inclui volume, fascículo, números especiais e 
suplementos, entre outros, sem título próprio. 
Os elementos essenciais são: título da publicação, local de publicação, editora, 
numeração do ano e/ou volume, numeração do fascículo, informações de períodos 
e datas de sua publicação. (NBR6023, 2002, p.5) 
 Exemplo: 
 DINHEIRO. São Paulo: Ed. Três, n. 148, 28 jun. 2000. 
• Para melhor especificar, pode-se acrescentar novos itens como o número de 
páginas. 
 Exemplo: 
 DINHEIRO: revista semanal de negócios. São Paulo: Ed. Três, n. 148, 28 jun. 2000. 
98 p. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
107 
Artigo e/ou matéria de revista, boletim etc. – 
inclui partes de publicações periódicas (volumes, fascículos, 
números especiais e suplementos, com título próprio), 
comunicações, editorial, entrevistas, recensões, reportagens, 
resenhas e outros. Os elementos essenciais são: título da parte, 
artigo ou matéria, título da publicação, local de publicação, 
numeração correspondente ao volume e/ou ano, fascículo ou 
número, paginação inicial e final, quando se tratar de artigo ou 
matéria, data ou intervalo de publicação e particularidades que 
identificam a parte (se houver). (NBR6023, 2002, p.5) 
 Exemplo: 
 AS 500 maiores empresas do Brasil. Conjuntura Econômica, Rio de janeiro, 
v. 38, n. 9, set. 1984. Edição especial. 
11 - Artigo e/ou matéria de revista, boletim etc. em meio eletrônico 
devem obedecer aos padrões indicados para artigo e/ou 
matéria de revista, boletim etc., de acordo com item anterior, 
acréscimo das informações relativas à descrição física do meio 
eletrônico (disquetes, CD-ROM, online etc.) (NBR6023, 2002, 
p.5) 
 Exemplo: 
 VIEIRA, Cássio Leite; LOPES, Marcelo. A queda do cometa. Neo Interativa, Rio de 
Janeiro, n.2, inverno 1994. 1 CD-ROM. 
 SILVA, M. M. L. Crimes da era digital. .Net, Rio de Janeiro, nov.1998. Seção 
Ponto de Vista. Disponível em: <http://www.brazilnet.com.br/ 
contexts/brasil revistas.html>. Acesso em: 28 nov. 1998. 
12 - Artigo e/ou matéria de jornal – 
inclui comunicações, editorial, entrevistas, recensões, 
reportagens, resenhas e outros. Os elementos essenciais são: 
autor (es) (se houver), título, título do jornal, local de publicação, 
data de publicação, seção, caderno ou parte do jornal e a 
paginação correspondente. Quando não houver seção, caderno 
ou parte, a paginação do artigo ou matéria precede a data. 
(NBR6023, 2002, p.6) 
 Exemplo: 
 NAVES, P. Lagos andinos dão banho de beleza. Folha de São Paulo, São Paulo, 28 
jun. 1999. Folha Turismo, Caderno 8, p. 13. 
Linguagens e Pesquisa 
 
108 
 Observe que nesse caso é usada vírgula após a localidade, ao invés de dois 
pontos. 
13 - Artigo e/ou matéria de jornal em meio eletrônico – “devem obedecer aos 
padrões indicados para artigo e/ou matéria de jornal, acrescidos das informações 
relativas à descrição física do meio eletrônico (disquetes, CDROM, online etc.)” 
(NBR6023, 2002, p.5) 
 Exemplo: 
 SILVA, Ives Gandra da. Pena de morte para o nascituro. O Estado de São Paulo, 
São Paulo, 19 set. 1998. Disponível em: 
<http://www.providafamilia.org./pena_morte_nascituro.htm>. Acesso em 19 
set. 1998. 
14 - Evento como um todo – (atas, anais, resultados, proceedings, entre outras 
denominações. Elementos essenciais: nome do evento, numeração (se houver), 
ano e local (cidade) de realização. Título do documento, local de publicação, 
editora e data de publicação. 
 Exemplo: 
 
 REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA, 20. 1997, Poços de 
Caldas. Química: academia, indústria, sociedade: livro de resumos. São Paulo: 
Sociedade Brasileira de Química, 1997. 
15 - Evento como um todo em meio eletrônico – mesmas normas descritas 
anteriormente, acrescentando o endereço eletrônico e a data de acesso. 
 Exemplo: 
 CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFPE, 4., 1996, Recife. Anais 
Eletrônicos... Recife: UFPE, 1996. Disponível em: <http://www.prospesq. ufpe. 
br/anais.htm>. Acesso em: 21jan. 1997. 
16 - Documentos Legislativos – são apresentados normalmente pela jurisdição, 
em letras maiúsculas 
a. Constituição – após a jurisdição, acrescenta-se a palavra Constituição antes 
do título, seguida do ano da publicação entre parênteses, título, local, 
editor, ano de publicação, número de páginas ou volumes e notas. 
 Exemplo: 
 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: 
promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 
4.ed. São Paulo: Saraiva, 1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira). 
b. Leis e Decretos – Após a jurisdição, apresentam-se número do documento, 
data completa, ementa, dados da publicação. 
Linguagens e Pesquisa 
 
109 
 BRASIL. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases 
da educação nacional. DOU 23.12.1996 
17 - Apresentação gráfica da referência 
É importante destacar, ainda o que estabelece a ABNT a respeito da apresentação 
gráfica das referências. 
• Devem ser apresentadas alinhadas “somente à margem esquerda do texto e de 
forma a se identificar individualmente cada documento, em espaço simples e 
separadas entre si por espaço duplo”. 
 Exemplo: 
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999. 
 MATTAR NETO, João Augusto. Metodologia científica na era da informática. 
Saraiva, São Paulo: 2005. 
 
 
Prezados Alunos, 
Esperamos ter atendido à sua expectativa em relação ao material de estudo. Na 
próxima e última etapa, trataremos de assuntos ligados à produção de textos, tipos 
e gêneros textuais entre outros assuntos importantes. 
Até a próxima! 
Bons estudos! 
Equipe EaD 
 
Sugestão de leitura! 
Recomendamos leitura da normas técnicas, disponíveis nas bibliotecas 
especializadas ou adquiridas diretamente na ABNT no endereço eletrônico 
www.abnt.org.br. 
Linguagens e Pesquisa 
 
110 
 Referências Bibliográficas 
BARCELOS, Roberta. Metodologia da pesquisa. Niterói, RJ: EAD/UNIVERSO, 2010. 
108 p. 
CASTRO, Monica Rabello de; FERREIRA, Giselle; GONZALEZ, Wania. Metodologia da 
pesquisa em educação. Nova Iguaçu, RJ: Marsupial Editora, 2013. 
DEMO, Pedro. Metodologia do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2000. 
FACHIN, Odília. Fundamentos de metodologia. 3.ed. São Paulo: Saraiva, 2001. 
FIGUEIREDO, Nebia Maria Almeida de. Método e metodologia na pesquisa 
científica. São Caetano do Sul: Yendis. 2004. 
_____. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Prentice Hall, 2002. 
MATTAR, João. Metodologia científica na era da informática. São Paulo: Saraiva, 
2008. 
SANTOS, Antônio Raimundo dos. Metodologia científica: a construção do 
conhecimento. 3.ed. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2000. 
SGARBI, Luciana. A pílula dos cientistas: porque os pesquisadores fazem uso de 
medicamento para hiperatividade na hora do trabalho. Revista Isto É, Rio de 
Janeiro, n. 2006, ano 31, p. 94, abril, 2008. 
SILVEIRA, Elisabeth. Metodologia do Ensino Superior. FGV-Online- 2013 
TEIXEIRA, Elizabeth. As três metodologias: acadêmica, da ciência e da pesquisa. 
4.ed. Belém: UNAMA, 2001. 
TEIXEIRA, Gilberto. Porque e para que a pesquisa bibliográfica? Disponível em 
<http://www.serprofessoruniversitario.pro.br/ler.php?modulo=21&texto=13 54#> 
Acesso em: 15 jul. 2008. 
 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
111 
 
3 Objeto de Aprendizagem – Etapa 3 
 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
112 
 
Olá, caríssimo estudante 
Chegamos à etapa final de nosso material de estudo da disciplina Linguagens e 
Pesquisa. 
Parabéns por ter chagado até aqui. Tenho certeza de que seu esforço será 
recompensado. Espero que conclua com bastante êxito a disciplina e que ela lhe 
sirva para outros projetos na sua caminhada rumo à formação acadêmica. 
Nossa proposta para este projeto reúne elementos que se entendem 
necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se também pela atualidade e pertinência de seu conteúdo, bem como 
pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à 
metodologia da Educação a Distância – EaD. 
 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
113 
 Introdução 
Pretendemos, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da 
pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar 
conceitos específicos desta área e atuar de forma competente e consciente como 
convém a um profissional que busca uma formação superior para vencer os 
desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. 
Além disso, registra-se a intenção de tornar o material um subsídio valioso, a 
fim de facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal 
quanto na profissional. Desejamos que ele seja um instrumento para seu sucesso 
na carreira que escolheste. 
Este conteúdo foi elaborado com o objetivo de propiciar conhecimentos acerca 
do contexto educacional com foco na Metodologia da Pesquisa e da Produção 
Científica. Lembrando sempre de que você é protagonista da história que estamos 
construindo a partir de agora, esperamos que, ao longo dos estudos, possamos 
aprofundar conceitos e dialogar de modo que você continue construindo sua 
trajetória acadêmica de forma competente e abrangente. 
Para o aluno que estuda a distância, algumas ações são importantes, como um 
bom planejamento dos estudos, cumprimento de todas as etapas propostas no 
curso, um bom aproveitamento do processo de ensino-aprendizagem e a interação 
com o tutor e os colegas. 
Competências a serem adquiridas ao final do estudo de Linguagens e Pesquisa! 
 Conhecer a construção do parágrafo e as características da linguagem 
acadêmica. 
 Reconhecer as regras básicas de um resumo. 
 Reconhecer os principais passos a serem tomados na fase de 
planejamento de uma pesquisa acadêmica. 
 Mencionar os elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais 
obrigatórios em uma monografia. 
Linguagens e Pesquisa 
 
114 
 Diferenciar exposição oral e debate. 
 Identificar as etapas de uma exposição oral. 
 Mencionar as particularidades da preparação de um debate. 
 Compreender as modalidades de trabalhos acadêmicos utilizados em 
cursos de graduação e pós-graduação. 
 Conhecer conceitos e fundamentos teóricos sobre pesquisa científica. 
 Conhecer normas científicas na elaboração de trabalhos acadêmicos 
tais como: projeto de pesquisa, artigo acadêmico, monografia, entre 
outros. 
 Compreender as etapas que regem o planejamento de pesquisa 
aplicados em diferentes trabalhos acadêmicos. 
 Desenvolver atividades de elaboração de planejamento de pesquisa, 
apresentando autonomia intelectual e espírito investigativo. 
 Proporcionar o suporte necessário à elaboração, formatação e edição 
de projetos de pesquisa e monografias, de modo que eles se 
enquadrem formalmente nos parâmetros observados não só pelas 
agências de fomento à pesquisa, mas também em programas de pós-
graduação. 
 
Bons estudos! 
Sucesso na sua caminhada! 
É o que desejamos a todos os envolvidos nesta trajetória. 
 
 
Equipe EAD 
Professora Maria Luzia Paiva de Andrade 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
115 
 
 Seção 16: Oralidade: Exposições 
Orais, Debates, Seminários, 
Dramatizações 
Todas as considerações que foram feitas até o momento sobre a Linguagem 
buscaram demonstrar uma característica essencial: a de que ela pode ser falada ou 
escrita, indicando tipos distintos de exposição linguística. Segundo Mattoso 
Câmara (1997), na linguagem falada nos comunicamos pelo ouvido e na escrita, 
pela visão. Isto significa dizer que na comunicação escrita os sons que constituem a 
linguagem humanapassam a ser evocados por meio de símbolos gráficos. 
Contemporaneamente, é comum darmos uma importância extraordinária à 
linguagem escrita, no entanto, a mais antiga forma de comunicação é a expressão 
oral ou fala. Esta é a que abrange a comunicação linguística como um todo, 
incluindo desde a significação dos vocábulos, frases e períodos, passando pela 
entoação, a mímica e indo até o jogo fisionômico, por exemplo. 
É evidente que o grande número de traços característicos da exposição oral, 
que não estão presentes na linguagem escrita, precisam ser bem utilizados para 
que a linguagem seja boa e a comunicação se estabeleça de forma eficiente. Por 
isso, quem fala deve ficar atento à impostação da voz, ao timbre, à altura da 
emissão vocal, à entoação da frases e um perfeito jogo de corpo, que inclui mãos, 
braços e boca num conjunto harmonioso que prenda a atenção do seu ouvinte. Há 
aí um grande número de recursos que podem tornar a comunicação uma 
ferramenta de sucesso, uma vez que ela é inerente à vida humana. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
116 
 
 
Neste contexto, a voz é o nosso instrumento de contato com todas as esferas 
da sociedade. A competência neste tipo de linguagem, torna nossas relações 
sociais mais interessantes e agradáveis, pois o desempenho de uma boa dicção 
trará clareza, objetividade nas mensagens, facilitando a compreensão e a 
convivência. Além disso, saber usar a fala como estratégia para transmitir 
segurança e determinação é essencial no mundo dos negócios e nas relações 
interpessoais. 
 Texto, Contexto e Interação 
Até aqui, temos tentado demonstrar que o processo comunicativo é acima de 
tudo uma interação. A exposição escrita pode parecer mais simples pela falta 
desses recursos anteriormente mencionados. Mas, na realidade, ela deve ser 
substituída por outros recursos que exigem não menos rigor, estudo, 
conhecimento e experiência. 
Muitas situações comunicativas em que estamos envolvidos, cotidianamente, 
exigem de nós habilidades em usar argumentos para defender nossos pontos de 
vista. É fácil pensar em exemplos como uma reclamação no órgão de defesa do 
consumidor, em uma reunião de trabalho, numa assembleia de condomínio, uma 
reclamação a uma prestadora de serviço entre tantas outras. 
Linguagens e Pesquisa 
 
117 
Sabemos que um grande número de regras e exigências, além de 
recomendações gramaticais exaustivas, nos são apresentadas nos estudos da 
linguagem escrita, a fim de bem servir a nossa comunicação social e profissional. 
Daí a máxima de que escrever bem é uma competência imprescindível para quem 
deseja sucesso na vida acadêmica e profissional, que nos diga os estudantes de 
direito, não é verdade? 
Diante disso, reconhecemos que a aquisição de uma técnica bem elaborada de 
linguagem oral e escrita deve ser cuidadosamente adquirida para você estar 
preparado para debates, seminários e apresentações em geral. 
 Adequação ao contexto 
Para início de conversa, uma exposição oral nada mais é do que uma produção 
de texto, porém ela tem algumas peculiaridades que veremos agora nos gêneros 
textuais sugeridos para esta seção. 
Falar em público significa expor-se ao julgamento alheio. Há uma multidão de 
olhos e ouvidos atentos a cada uma de nossas palavras e gestos e prontos para 
avaliar e julgá-los nos mínimos detalhes. Pode parecer, à primeira vista, que a 
exposição oral, devido a natureza espontânea da linguagem falada, deva ser de 
improviso a fim de causar uma boa impressão ao auditório. Apesar de estimulante 
e bem aceito pela empatia que pode causar, deve ser cuidadosamente preparado e 
possuir um plano de exposição. 
Nesta seção, veremos como se preparar para eventos de exposição oral como 
debates, seminários, palestras e dramatizações. Os termos palestra e conferência 
são muitas vezes usados um pelo outro. No entanto, as palestras estão 
normalmente mais associadas ao meio profissional e tendem a ser menos formais 
que as conferências. O termo seminário possui significados distintos dentro e fora 
das escolas e faculdades. Dentro delas, o termo significa uma aula dada por alunos 
ou grupos de alunos para o restante da turma. Fora deste contexto, o seminário 
indica um congresso de cientistas e estudiosos com exposição seguida de debates. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
118 
A característica mais marcante de uma exposição oral é a bipolaridade, isto é, 
embora reunidos em uma espécie de conversa, o expositor ou expositores e a 
plateia não ocupam posições equivalentes. O primeiro representa um especialista 
no assunto ou alguém que tenha algum conhecimento específico sobre uma 
temática; e a plateia, que apesar de ser um pouco mais difícil de caracterizar, pode 
ter até o mesmo conhecimento que o expositor, estão ali para conhecer um outro 
ponto de vista, entretanto, na maioria das vezes, uma plateia é formada por leigos. 
 O Debate 
O debate é um evento comunicativo em que existe, pelo menos, três polos: 
dois debatedores, que defendem pontos de vista divergentes sobre o tema, e a 
plateia que, em geral, ocupa uma posição inferior ao dos debatedores, por não 
seres autoridades no assunto debatido. 
Em uma exposição oral, o palestrante fala muito mais que a plateia. 
Geralmente, apenas no final abre-se espaço para que a plateia se manifeste 
fazendo perguntas ou comentários. No debate, um dos princípios é conceder aos 
debatedores o mesmo tempo de fala, mas a plateia também tem uma participação 
restrita. 
A realização de um debate no espaço acadêmico requer: uma definição dos 
objetivos: para quê? qual a finalidade? O estabelecimento de normas: os 
debatedores devem conhecer e concordar com as regras do debate. A presença do 
moderador, que é aquele que coordena o debate, sendo responsável pela sua 
progressão e a presença dos 
debatedores, que podem 
utilizar documentos e 
anotações para fundamentar 
o seu ponto de vista ou 
comprovar suas colocações. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
119 
 
 A Entrevista 
A entrevista é definida como uma situação de comunicação em que estão 
envolvidos um entrevistador e o entrevistado. É um tipo de exposição oral que se 
organiza com base na apresentação dos motivos, na sequência de perguntas e 
respostas e no fechamento. Pode ser de vários tipos: entrevista jornalística, médica, 
empresarial, científica, política e etc. 
Ela deve estar adequada ao suporte, ou seja, ao meio utilizado para a sua 
divulgação. Além disso, é importante a adequação ao público que se quer alcançar, 
ao meio de comunicação, rádio ou televisão, periódicos impressos, Internet, ao vivo 
ou gravada etc. A entrevista possui finalidades diversas: esclarecer a população 
sobre determinado assunto, divulgar conhecimentos científicos, colher dados para 
uma pesquisa, selecionar candidatos a emprego etc. 
 O Seminário 
O seminário é um gênero expositivo oral em que participantes expõem e 
debatem um tema. Apresenta como características principais: 
 uma certa formalidade; 
 a exploração de diversas fontes de informação; 
 a seleção dessas informações em função de tema; 
 a elaboração de um esquema destinado a auxiliar a apresentação oral. 
 Objetivo principal: a transmissão de conhecimentos específicos de 
determinada área científica ou técnica. 
Linguagens e Pesquisa 
 
120 
 Portanto, é a exposição oral de um tema, com apresentação de 
argumentos por um ou mais oradores, seguida de debate entre os 
participantes. 
 Planejamento: envolve as seguintes etapas: 
1 – Definição do tema e dos participantes do grupo, caso o trabalho seja 
coletivo; 
2 – Escolha da linguagem e da abordagem, tendo em vista o público-alvo.Deve-se observar, portanto, a faixa etária e o nível de interesse do público; 
3 – Seleção de informações obtidas com pesquisas em livros, jornais, revistas e 
na Internet. A inclusão de estatísticas, citações e exemplos enriquece o material; 
4 – Organização de um roteiro escrito com base em anotações feitas durante a 
pesquisa; 
5 – Escolha de recursos audiovisuais, tais como retroprojetor, slides, filmes, 
microfone, Datashow etc. 
6 – Elaboração de um resumo para ser entregue ao público assistente, a fim de 
que as pessoas possam acompanhar melhor a exposição oral; 
7 – Ensaio de apresentação para verificar o tempo reservado a cada 
participante. 
 Apresentação do Seminário: observe como se realiza um seminário: 
a) Introdução: um dos componentes do grupo cumprimenta o público, 
esclarece qual é o tema, justifica a escolha e diz como será a 
apresentação e o tempo de duração do seminário. 
b) Desenvolvimento: cada componente expõe sua parte, numa 
sequência lógica, dando continuidade à fala do colega anterior, e 
mantendo a coesão e a coerência das ideias. 
c) Conclusão: deve ser feita por um dos componentes, a partir de um 
resumo das principais ideias expostas e do destaque do ponto de 
vista do grupo. Em seguida, deve-se agradecer a participação da 
plateia e oferecer o espaço para perguntas a serem respondidas. 
Linguagens e Pesquisa 
 
121 
 Dramatizações 
Esse gênero textual é escrito para ser representado. Em geral, esses textos 
apresentam os elementos básicos do texto narrativo: fatos, personagens, tempo e 
lugar. Os diálogos constituem o elemento básico por meio do qual muitas vezes se 
estabelece o conflito entre protagonistas e antagonistas. 
Os textos para as dramatizações apresentam dois tipos de rubrica. As de 
interpretação, que indicam o tom de voz e os gestos que os atores devem 
empregar; e as de movimento, que informam ao diretor e à equipe quais atores 
que devem entrar no palco, como devem estar trajados, como devem estar 
dispostos os elementos do cenário etc. 
Enfim, um roteiro teatral é um texto escrito para ser representado no teatro. É 
construído por meio de diálogos entre personagens, em discurso direto e traz 
rubricas para orientar diretores, atores e equipe técnica. 
 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
122 
 
 Seção 17: Processos Simbólicos, 
Linguagem e Sociedade 
Fazer o uso competente da língua significa a capacidade para desenvolver 
habilidades e competências de ler e de produzir adequadamente textos, em 
situações cotidianas, mas ao mesmo tempo diferentes e sobre diversos temas. 
 É impossível pensar em texto sem pensar em nossa vida diária em sociedade. 
Sempre estamos envolvidos com leituras, escritas, observações e análises. Quantas 
decisões importantes não dependem, única e exclusivamente, de uma boa leitura 
ou de uma boa redação de texto? A premissa para o bom uso de recursos 
estilísticos é dominar os critérios básicos de leitura e produção de textos como 
temos indicado até aqui. 
Desde o momento em que começamos a participar do mundo à nossa volta, 
passamos a usar a linguagem como processo simbólico de comunicação. Na 
tentativa de decifrar e interpretar o sentido das coisas que nos cercam, de perceber 
o mundo sob diversas perspectivas, de relacionar a realidade ficcional com a 
realidade que nos cerca, seja através do contato com um livro, seja no convívio 
social, familiar, escolar, enfim, em todas as situações do dia a dia, estamos 
interagindo com o outro (meu interlocutor) através da linguagem - conjunto de 
signos verbais e não verbais que possibilitam a comunicação de um povo, uma 
nação ou de uma tribo. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
123 
 
A atividade de leitura não corresponde a uma simples decodificação de 
símbolos e signos, mas significa, de fato, interpretar e compreender o que se lê. 
Segundo Ângela Kleiman (2002), a leitura precisa permitir que o leitor apreenda o 
sentido do texto, não podendo transformar-se em mera decifração de signos 
linguísticos sem a compreensão semântica dos mesmos. 
 
Nesse processamento do texto, tornam-se imprescindíveis também alguns 
conhecimentos prévios do leitor: 
 os linguísticos, que correspondem ao vocabulário e regras da língua e 
seu uso; 
 os textuais, que englobam o conjunto de noções e conceitos sobre o 
texto; 
 e os do mundo, que correspondem ao acervo pessoal do leitor. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
124 
Numa leitura satisfatória, ou seja, na qual a compreensão do que se lê é 
alcançada, esses diversos tipos de conhecimento estão em interação. Logo, 
percebemos que a leitura é um processo interativo. 
Quando citamos a necessidade do conhecimento prévio de mundo para a 
compreensão da leitura, podemos inferir o caráter subjetivo que essa atividade 
assume. A partir daí, podemos começar a refletir sobre o relacionamento leitor-
texto. 
Já dissemos que ler é, acima de tudo, compreender. Para que isso aconteça, 
além dos já referidos processamentos cognitivos da leitura e conhecimentos 
prévios necessários a ela, é preciso que o leitor esteja comprometido com sua 
leitura. Ele precisa manter um posicionamento crítico sobre o que lê, não passivo. 
Quando atende a essa necessidade, o leitor se projeta no texto, levando para 
dentro dele toda sua vivência pessoal, com suas emoções, expectativas, seus 
preconceitos etc. É por isso que consegue ser tocado pela leitura e, a partir daí se 
torna coautor deste texto. 
 
Dessa forma, o único limite para a amplidão da leitura é a imaginação do leitor; 
é ele mesmo quem constrói as imagens acerca do que está lendo. Por isso ela se 
revela como uma atividade extremamente prazerosa, pois é por meio dela que, 
Linguagens e Pesquisa 
 
125 
além de adquirirmos mais conhecimento e cultura – o que nos fornece maior 
capacidade de diálogo e nos prepara para atingir às necessidades de um mercado 
de trabalho mais exigente - experimentamos novas experiências ao conhecermos 
mais do mundo em que vivemos e também sobre nós mesmos. 
Ler adequadamente é mais do que ser capaz de decodificar as palavras ou 
combinações linearmente ordenadas em sentenças. Deve-se “enxergar” todo o 
contexto denotativo (sentido real) e conotativo (figurado). É necessário 
compreender o assunto principal, suas causas e consequências, críticas, 
argumentações, polissemias, ambiguidades, ironias etc. Dessa forma, ler 
adequadamente é resultado da consideração de dois tipos de fatores: os 
propriamente linguísticos e os contextuais, que podem ser de natureza bastante 
variada. 
 Linguagem e Sociedade 
A linguagem surge da necessidade de expressão e comunicação. Pode-se 
afirmar que ela é a forma propriamente humana da comunicação, da relação com o 
mundo e com os outros, da vida social e política, do pensamento e das artes. 
O estudo da linguagem sempre fascinou filósofos e estudiosos de diversas 
correntes. Aristóteles, por exemplo, defendia a ideia de que o homem é um animal 
político, pois, embora outros animais tenham voz, apenas o ser humano tem a 
capacidade de exprimir valores que viabilizam a vida social e política. Neste 
contexto, entendemos a linguagem como um sistema de sinais usados para indicar 
a função comunicativa entre pessoas e para a expressão de ideias, valores, 
intenções e sentimentos. 
Quanto às características, podemos extrair as seguintes afirmações em relação 
à linguagem: 
a) É um sistema estruturado com princípios próprios; 
b) Possui signos ou sinais; 
c) Possui palavras que têm função de apontar coisas que elas significam 
– função indicativa ou denotativa; 
d) Tem uma função comunicativa – estabelecemos relações com os 
outros seres humanos;Linguagens e Pesquisa 
 
126 
e) Exprime pensamentos, sentimentos e valores – função conotativa ou 
de conhecimento e expressão. 
f) Permite a compreensão e interpretação do contexto social, 
econômico e cultural. 
 
 Linguagem Simbólica e Conceitual 
A linguagem simbólica opera por analogias e por metáforas; realiza-se como 
imaginação; é inerente aos mitos, à religião, à poesia, ao romance, ao teatro; fascina 
e seduz, por ser fortemente emotiva e afetiva; oferece imagens ou sínteses 
imediatas; oferece palavras polissêmicas, ou seja, carregadas de múltiplos sentidos 
simultâneos e diferentes, tanto sentidos semelhantes e em harmonia quanto 
sentidos opostos e contrários; faz a criação de um outro mundo, análogo ao nosso, 
porém mais belo ou terrível do que o real; destaca a memória e imaginação, 
focalizando um futuro ou passado possíveis. 
Já a linguagem conceitual procura dar às palavras um sentido direto e não 
figurado, evitando analogia e metáfora, evitando uso de palavras carregadas de 
múltiplos sentidos, procurando fazer com que cada palavra tenha sentido próprio e 
que seu sentido vincule-se ao contexto no qual a palavra é empregada; procura 
convencer e persuadir por meio de argumentos, raciocínios e provas; busca definir 
o mundo real, decifrando-o e superando as aparências; na busca de focalizar o 
presente, a atualidade. 
 
Analogia: é sinônimo de semelhança, similaridade, correspondência, 
conformidade. 
Metáfora: é uma figura de linguagem que produz sentidos figurados através de 
comparações implícitas. É a designação de um objeto ou qualidade mediante uma 
palavra que designa outro objeto ou qualidade que tem com o primeiro uma relação 
de semelhança (p.ex., ele tem uma vontade de ferro, para designar uma vontade forte, 
como o ferro). 
Linguagens e Pesquisa 
 
127 
 Principais Recursos Estilísticos 
 Níveis de Linguagem 
A linguagem pode ser classificada em relação a seu contexto social e cultural. 
Certamente, você não escreveria da mesma forma um texto para um adulto e para 
uma criança. São pessoas com capacidade de entendimento diferente. Também o 
seu texto deve ser diferente para cada um deles. É necessário, assim, preocupar-se 
e muito com quem receberá o seu texto. Veja, a seguir, os diferentes níveis. 
 Linguagem formal, culta ou padrão: utilizam-na as classes 
intelectuais da sociedade, mais na forma escrita e menos na oral. É de 
uso nos meios diplomáticos e científicos; nos discursos e sermões; nos 
tratados jurídicos e nas sessões do tribunal. O vocabulário é rico e são 
observadas as normas gramaticais em sua plenitude. 
 Linguagem coloquial, oral ou informal: utilizada pelas pessoas que 
falam e (ou) escrevem com mais espontaneidade. É a linguagem do 
rádio, da televisão, meios de comunicação de massa tanto na forma 
oral quanto na escrita. Emprega-se o vocabulário da língua comum, e 
a obediência às disposições gramaticais é relativa, permitindo-se até 
mesmo construções próprias da linguagem oral. 
 
 Síntese das principais diferenças entre oralidade e escrita: 
 
Oralidade: O momento de produção e o de recepção do texto são simultâneos. 
Escrita: Há defasagem entre o momento de produção e o de recepção. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
128 
 
Oralidade: É possível negociar o sentido com o interlocutor e também corrigir-se 
se for o caso. 
Escrita: O autor deve antecipar possíveis dúvidas do leitor e tratar de esclarecê-las 
ainda no momento de produção. 
 
Oralidade: O texto é construído, pois para comunicar-se melhor, os interlocutores 
interagem o tempo todo, usando tanto a linguagem verbal quanto a não verbal. 
Escrita: O autor produz o texto solitariamente e, depois, o leitor deve reconstruir 
seus significados também sozinho. 
 
 
Oralidade: É impossível voltar atrás no que foi dito. 
Escrita: É possível revisar o texto quantas vezes for necessário. 
 
Fonte: GUIMARÃES, Thelma de Carvalho. Comunicação e Linguagem. São Paulo: Pearson, 
2012. 
 
 Variação linguística, registro e norma padrão 
As mudanças na sociedade brasileira não ocorrem apenas ao longo do tempo. 
Se você parar e observar a população, encontrará grupos das mais diversas origens, 
ocupações, formações e costumes. Isso acontece também em todas as sociedades, 
não apenas na brasileira. Sendo assim, todas as sociedades são heterogêneas do 
ponto de vista diacrônico (ao longo do tempo) e do ponto de vista sincrônico 
(realidades diferentes em um mesmo momento histórico). 
Vimos anteriormente que língua é uma das principais expressões da identidade 
de um povo. Dessa forma, as línguas mudam, ao longo do tempo, com as 
Linguagens e Pesquisa 
 
129 
sociedades que a utilizam. Essa mudança acontece do ponto de vista diacrônico e 
sincrônico. Essas mudanças recebem o nome de variações linguísticas. 
 
 Tipos de Variação Linguística 
As variações estão agrupadas em várias categorias, tais como: variações 
históricas, variações sociais, variações regionais, variações ligadas ao meio: 
oralidade ou escrita, variações ligadas ao registro: formal ou informal. Essas duas 
últimas já estudadas anteriormente. Veremos um pouco agora das variações 
históricas, sociais e regionais. 
 Variação histórica: a língua muda sob vários aspectos: grafia (letras 
dobradas e o uso do ph em phamarcia, por exemplo); acentuação 
(várias reformas quanto ao uso dos acentos gráficos na língua 
portuguesa); uso de palavras (muitas palavras deixaram de ser 
usadas e/ou foram substituídas por outras. Exemplos: cortejar = 
paquerar / arrogante = janota / botica = farmácia / teteia = moça 
bonita e atraente. As formas de tratamento (o uso da segunda 
pessoa do singular e do plural não são mais usadas praticamente; 
foram substituídas pelo pronome de terceira pessoa: você, vocês. 
 Variação regional: essas variações estão ligadas às regiões onde 
moram os falantes. Temos muitas variações regionais no Brasil devido 
à sua dimensão territorial. Elas se manifestam principalmente: na 
pronúncia das palavras, o famoso “sotaque”. Em São Paulo, Paraná e 
sul de Minas, por exemplo, o “r” bem puxado, como em “porta”. No 
vocabulário, as palavras que têm nomes diferentes, mas significam 
as mesmas coisas. Exemplos: tangerina (no Sudeste), bergamota (no 
Sul), mimosa e laranja-cravo (no Nordeste), pocan ou mixirica, (em 
Goiás). 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
130 
 
Outros exemplos bastante conhecidos: 
I. Mandioca, aipim e macaxeira. 
II. Pão francês, cacetinhos (Rio Grande do Sul e Bahia); pão carequinha, 
pão de sal. 
III. Abóbora, jerimum (Nordeste) 
IV. Fruta do conde, pinha (Nordeste) 
V. Batata Baroa, mandioquinha (São Paulo), batata salsa (Paraná). 
 
 Variação Social: essas variações estão relacionadas à camada ou 
grupo social a que pertence o falante. Elas podem ser quanto: ao nível 
de escolaridade, à faixa etária, ao sexo, à profissão e aos grupos 
sociais (jovens, surfistas, fãs de música sertaneja, fãs de quadrinhos 
japoneses etc.) 
 
 Seção 18: Produção de Textos: 
Planejamento, Estrutura e Construção. 
Entender e produzir textos sempre foram tarefas de tirar o ‘sono’ dos 
estudantes. Na verdade, eles constituem os dois lados de um único processo que 
envolve a competência, do leitor ou escritor, em analisar e sintetizar ideias junto ao 
texto. Para compreender bem um texto o leitor deve estabelecer objetivos para a 
sua leitura, selecionar as informações mais importantes e relevantes, levantar 
hipóteses, fazer inferências e, finalmente, verificar se as suas hipóteses se 
confirmam no texto, sempre mantendo seus conhecimentos prévios ativados. 
O trabalho de análise aplicado à compreensãode texto implica a separação das 
ideias principais das ideias secundárias. Isso envolve um trabalho cognitivo sobre 
as estruturas sintáticas do texto, o vocabulário, a construção dos parágrafos e o 
Linguagens e Pesquisa 
 
131 
conteúdo do tema em foco. Além disso, devem-se considerar aspectos ideológicos 
que se apresentam nos textos, bem como o confronto do texto com outros textos 
que tratam do mesmo assunto, ou seja, em outras palavras, exige-se uma leitura 
analítica. 
Mas o que é uma leitura analítica? 
A leitura analítica corresponde a uma leitura reflexiva, pausada, com possíveis 
releituras, que visa a apreender e a criticar toda a montagem orgânica do texto, sua 
coerência informativa e seu valor de opinião. Diante de um texto, a leitura analítica 
busca a assimilação de novos conhecimentos a partir do somatório de 
conhecimentos prévios (os linguísticos, os textuais e os de mundo) já acumulados 
pelo leitor, como estudos há pouco. 
Esse tipo de leitura compreende as seguintes estratégias simultâneas. 
1. Relações Textuais: engloba toda a organização do texto, ou seja, 
compreende o título, os subtítulos (se houver), a estrutura dos 
parágrafos, os destaques, boxes, gráficos, imagens, legendas, 
sumário, notas de rodapé, as relações de coesão e coerência entre as 
partes, enfim, todo o conteúdo lógico-semântico do texto. 
 
Na leitura dos elementos textuais, é muito importante sublinhar as palavras-
chave que traduzem as ideias fundamentais do texto, assim como observar as 
palavras relacionais que asseguram a estrutura lógica dos raciocínios, tais como as 
conjunções ou locuções conjuntivas: porque, em consequência, embora, mas, 
todavia, entretanto, além disso, além do mais, no entanto etc. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
132 
 
I. Relações Contextuais ou Pragmáticas: sintonia entre sua produção 
e o contexto comunicativo. Compreendem as intenções explícitas ou 
implícitas do autor e as convenções socioculturais que repercutem na 
produção do texto. 
 
Não basta, portanto, que a pessoa domine o código linguístico. É preciso, 
também, que domine o quadro de referências socioculturais necessárias à 
compreensão e produção do discurso. O redator precisa prever em detalhes quem 
será o leitor do texto, qual a sua faixa etária, sexo, ocupação, nível de escolaridade, 
origem geográfica, condição socioeconômica, crenças, valores etc. Esse 
destinatário imaginado pelo autor é chamado de leitor-modelo. 
Em razão dessas exigências, alguns textos acadêmicos, editoriais de jornais 
entre outros, podem ser lidos, mas não compreendidos em sua intenção 
argumentativa. Todas as características mencionadas deste leitor-modelo são 
importantes, mas a principal é sua bagagem de conhecimentos prévios, como 
falamos antes. 
 
Saiba Mais: 
Deve-se levar em consideração os interlocutores – quem fala, para quem 
– e o contexto de situação em que eles se inserem. Assim, a história e o papel 
individual dos interlocutores, o contexto social que os envolve, as intenções no 
momento da enunciação devem ser consideradas para a real compreensão do que se 
diz. Em suma, o significado social das afirmativas não constitui o conteúdo literal das 
frases, mas, sim, a interpretação que os participantes vão oferecer às expressões. Por 
exemplo, a afirmativa “depois eu falo com você lá fora”, dependendo do contexto de 
quem diz, para quem diz e das intenções, poderá conter várias significações: uma 
conversa posterior, uma ameaça, a necessidade de um conchavo, uma evasiva para 
fugir a uma pergunta etc. 
Linguagens e Pesquisa 
 
133 
Relações Intertextuais: Todo texto possui antecedentes em relação ao qual se 
posiciona. Muitas vezes, essa correlação com outro texto vem explícita, como nos 
seguintes casos. 
 Alusão 
 Citação 
 Epígrafe 
 Paráfrase 
 Paródia 
Alusão: uma referência rápida ao pensamento de um autor bem conhecido. Ex.: 
“Veni, vidi, vici.” (Vim, vi, venci), supostamente proferida pelo general e 
cônsul romano Júlio César em 47 a.C. 
Citação: passagem tomada de um autor, ou pessoa célebre, para ilustrar ou 
apoiar o que se diz. Ex.: Soares (2009, p. 16) diz que numa sociedade que se divide 
em classes, a ideologia que domina, de acordo com a ideologia marxista, é a 
ideologia da classe dominante. 
Epígrafe: é uma citação especial, de autor também conhecido, que antecede 
um artigo, um livro, uma monografia ou uma tese acadêmica. Ex.: “As palavras só 
têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para 
melhorar os olhos.” (Rubem Alves) 
Paráfrase: é a reprodução das ideias de um texto em outro texto, isto é, com 
outras palavras, com as palavras de quem está produzindo o novo texto. Uma 
paráfrase normalmente explica ou esclarece o texto que está sendo parafraseado. 
Texto Original 
 
Canção do Exílio 
Minha terra tem palmeiras 
Onde canta o sabiá, 
As aves que aqui gorjeiam 
Não gorjeiam como lá. 
[...] 
Gonçalves Dias 
 
Paráfrase 
 
Meus olhos brasileiros se fecham 
saudosos 
Minha boca procura a ‘Canção do 
Exílio’. 
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’? 
Eu tão esquecido de minha terra… 
Ai terra que tem palmeiras 
Onde canta o sabiá! 
[...] 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
134 
Paródia: apropriação de um texto primitivo com intenções críticas, 
humorísticas ou apelativas. Exemplos: 
MEUS OITO ANOS 
 
Oh! que saudades que tenho 
Da aurora da minha vida, 
Da minha infância querida 
Que os anos não trazem mais! 
Que amor, que sonhos, que flores, 
Naquelas tardes fagueiras 
À sombra das bananeiras, 
Debaixo dos laranjais! 
[...] 
 Casimiro de Abreu 
 
MEUS OITO ANOS 
 
Oh que saudades que eu tenho 
Da aurora de minha vida 
Das horas 
De minha infância 
Que os anos não trazem mais 
Naquele quintal de terra! 
Da rua de Santo Antônio 
Debaixo da bananeira 
Sem nenhum laranjais 
[...] 
Oswald de Andrade 
 
I. Sintetizar: Sintetizar significa reunir elementos relevantes de um conjunto e 
fundi-los num todo coerente, ou seja, retirar os fatos secundários, o acessório, em 
relação às ideias principais que constituem o núcleo semântico do texto. 
A síntese ajuda aos estudantes, nos seus trabalhos acadêmicos, a identificar 
ideias principais de um texto e, ainda, colabora no fichamento de capítulos de 
livros, constantemente solicitado na vida universitária. Além disso, propicia, 
também, o desenvolvimento da habilidade de sintetizar, exigência da vida 
profissional da vida moderna. 
 
IV.1 Esquema: Trata-se de um processo de redução radical para a 
compreensão de um texto ou para orientação numa exposição oral, já que detém 
apenas tópicos essenciais de um assunto. 
 
O processo de síntese abrange o esquema, o fichamento, o resumo e a resenha 
que, embora ligados à síntese, têm características distintas. Veremos as principais 
diferenças a seguir. 
Linguagens e Pesquisa 
 
135 
Corresponde à forma mais reduzida dos processos de síntese. Compõe-se 
somente de palavras ou abreviaturas ou fórmulas, a partir das quais se resgatam as 
ideias principais. 
 
Exemplo: Tipos de conhecimento 
 
Imagem 1: Enviado por: Kristian Soares Arquivado no curso de Matemática na UEA 
https://www.google.com.br/search?q=exemplo+de+um_esquema. 
 
IV.2 Fichamento: Para o autor de um trabalho acadêmico, a ficha apresenta-se 
como um instrumento de trabalho importante, uma vez que manipula material 
bibliográfico que, em geral, não lhe pertence. Utiliza- se, também, nas mais diversas 
instituições, para serviços administrativos, e nas bibliotecas, para consulta do 
público. As fichas permitem a identificação das obras, o conhecimento de seuconteúdo, a utilização de citações, a análise do material e a elaboração de críticas. 
Têm-se, então, fichas bibliográficas de resumo ou conteúdo, de citações, de análise 
crítica ou comentário, expressando sua opinião pessoal sobre o tema. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
136 
Os fichamentos seguem a seguinte estrutura: cabeçalho, referência 
bibliográfica e o texto com o conteúdo principal. Exemplos: 
 Fichamento de citação: frases mais importantes que foram citadas 
no texto. Devem ser transcritas entre aspas. 
Fichamento de Citação 
MARTINS, Carlos Estevam. A Questão da Cultura Popular. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1963. 
“( ) todo um complexo universo criado pelo trabalho e que tem por finalidade garantir, a 
um nível cada vez mais integral, a realização do ser do homem no mundo.” (p. 38). 
“(...) de um lado precisamos infundir no povo uma cultura que ele não tem e que lhes faz 
falta, mas a qual ele não consegue chegar sozinho, pois ela é produzida e cultivada fora do 
povo: ele encontra-se à margem do processo que produz e cultiva essa cultura. De outro 
lado, não podemos entregar ao povo essa nova cultura sem que primeiro nós próprios nos 
apossemos da velha cultura do povo.” (p.47). 
 
Imagem 2: https://www.todamateria.com.br/fichamento/ (Prof.ª Márcia Fernandes - 
Professora, pesquisadora, produtora e gestora de conteúdos on-line. 
Licenciada em Letras pela Universidade Católica de Santos). 
 
Fichamento textual ou de resumo: Neste fichamento, o aluno transcreve as 
ideias principais do texto com suas palavras, expressando sua opinião e elaborando 
seu esquema de estudo. Pode-se incluir também algumas citações. 
Fichamento Textual 
CANCLINI, Néstor García. Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da 
globalização. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2006. 
Para o argentino Néstor García Canclini, consumir está longe de ser uma ação alienante 
apenas; é também um objeto de estudos, pois “o consumo serve para pensar”. Esta relação 
surge no momento no qual consumimos algo, combinando o pragmático e o aprazível. 
Desta maneira, estamos realmente “pensando”, pois atribuímos valores e qualidades aos 
nossos produtos na hora de consumi-los. Assim, é capital estudar o consumo e a cidadania 
no cenário vigente de diversidade e processos culturais, para assegurar a todos, as iguais 
possibilidades de acesso aos bens da globalização. 
Por fim, o autor afirma que a cidadania deve estar em conexão com o consumo e também 
como estratégia política, pois hoje com os meios de comunicação a articulação entre o 
público e o privado se facilita, de modo que os velhos agentes, ou seja, os partidos, 
sindicatos, intelectuais, vão paulatinamente sendo substituídos pela comunicação de 
massa, gerando um novo cenário sócio-cultural vigente. 
 
Imagem 3: https://www.todamateria.com.br/fichamento/ 
(Prof.ª Márcia Fernandes - Professora, pesquisadora, produtora e gestora de conteúdos on-line. 
Licenciada em Letras pela Universidade Católica de Santos). 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
137 
 
Fichamento Bibliográfico: Neste tipo de fichamento as ideias são transcritas 
dividas pelo tema. Deve-se indicar a localização da página. 
 
Fichamento Bibliográfico 
MARTINS, Carlos Estevam. A Questão da Cultura Popular. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1963. 
 Conceito de cultura: é complexo, porque é muito abrangente e se origina de muito 
trabalho. O seu objetivo é fazer com que o homem se realize. (p. 38). 
 Cultura popular: reflete um papel de consciência que expressa caráter 
revolucionário. (p. 38). 
 Problemática central: necessidade de dar a conhecer ao povo a cultura que existe fora 
do âmbito popular, não sem antes enteder o que é cultura popular. (p. 47). 
Imagem 4: https://www.todamateria.com.br/fichamento/ 
(Prof.ª Márcia Fernandes - Professora, pesquisadora, produtora e gestora de conteúdos on-line. 
Licenciada em Letras pela Universidade Católica de Santos). 
 
IV.3 Resumo: Para resumir qualquer texto, é fundamental que, antes de fazê-
lo, observe-se a diferença entre uma informação central e os detalhes referentes a 
ela. Resumir significa dar forma mais reduzida a um texto anteriormente mais 
longo, preservando-se, contudo, o significado geral. Exige-se, inicialmente, no 
trabalho de resumo, a compreensão clara da mensagem do texto, o que significa 
um trabalho preliminar de análise: domínio do vocabulário, da estrutura sintática e 
do conteúdo semântico. 
Enfim, o resumo é um tipo de texto que exige do discente: 
1 -Conhecimento dos termos desconhecidos (a utilização do dicionário sempre 
que for necessário); 
2 - Apreensão do encadeamento semântico (significado das palavras); 
3 - Registro das ideias-chave e das palavras ou expressões que servem de 
articulação entre duas ideias (coesão e coerência entre as partes); 
4 - Hierarquização das ideias, separando as principais das secundárias, 
eliminando ou reduzindo o que for secundário na apresentação do texto original. 
(seleção). 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
138 
 
Finalmente, entramos na fase de redação do resumo, em que se deve 
observar o seguinte: 
1 – Apresentar as informações ou ideias básicas na ordem em que aparecem no 
texto a resumir; 
2 - Aconselha-se o suprimento da maior parte dos detalhes, como os adjetivos, 
as caracterizações ou os exemplos exaustivos, os fatos secundários, deixando 
apenas alguns mais significativos que serão esclarecedores para o entendimento 
dos conceitos-chave. 
3 – Ignorar as características estilísticas do autor (de estilo), ou seja, o uso 
contínuo e exagerado de figuras de linguagens tais como metáfora, catacrese, 
alegoria, metonímia, antonomásia, antítese, eufemismo, hipérbole etc., cuja 
finalidade é tornar o texto mais elegante e expressivo. 
4 - Utiliza-se, de preferência, a 3ª pessoa do singular, e os verbos devem 
aparecer na voz ativa, ou seja, a ação expressa pelo verbo é praticada pelo sujeito 
da oração. 
5 – Evitar sempre que possível a transcrição ou citação do original, podendo, 
porém, aproveitar-se as palavras consideradas chaves; 
6 - Evita-se a utilização de parágrafos. 
Saiba Mais: 
Deve-se resumir com fidelidade, objetividade e clareza, três condições 
básicas a um bom resumo. 
Veja o exemplo a seguir: 
O processo educacional e seus objetivos 
Quando se analisa o processo educacional e se questionam seus principais 
objetivos, não podemos deixar de observar a existência de dois planos diferenciados: 
o aspecto individual, relacionado ao comportamento do aluno, e o profissional, 
voltado para o despertar de suas potencialidades. 
Linguagens e Pesquisa 
 
139 
 
Resumo do texto: 
Entendemos que os objetivos básicos do processo educacional deveriam ser 
estimular um comportamento adequado no convívio social e possibilitar que o 
estudante descobrisse suas aptidões profissionais. 
É função da escola tentar conscientizar cada um da importância do respeito 
que se deve ter por todos os semelhantes. Da mesma forma, o estabelecimento de 
ensino tem como meta central colocar o aluno diante das mais diferentes áreas de 
atividades, para perceber suas inclinações e escolher uma profissão através da qual 
possa se realizar. 
GRANATIC, Branca. Técnicas Básicas de Redação. São Paulo: Scipione, 2001, p. 
172 
 
Na escola, a criança tem a oportunidade de participar de um pequeno grupo social 
mais complexo que o grupo familiar. Desde cedo, é função do educador tentar 
mostrar, por palavras e atitudes, a importância de certos fundamentos básicos da 
convivência social: o comportamento ético em relação aos colegas e professores, a 
preservação do ambiente, o respeito pelos regulamentos e também a conscientização 
deseus direitos como estudantes. 
Além disso, parece-nos essencial que, uma vez observada determinada aptidão 
para certas atividades, o aluno seja incentivado a desenvolvê-las progressivamente. 
Estimular a curiosidade científica, a expressão oral e escrita, levar o aluno a pesquisar 
assuntos de seu interesse, dentre outras coisas, darão a ele a oportunidade de 
escolher uma profissão através da qual se realize. 
Dessa forma, a escola estaria prestando uma colaboração indispensável para 
formar cidadãos preparados para conviver harmoniosamente com a comunidade e 
dela participar de modo efetivo, no desempenho de sua função profissional. 
Linguagens e Pesquisa 
 
140 
 
 
IV.4 Resenha: a resenha assemelha-se a um processo de síntese, semelhante ao 
resumo, no entanto, dele se diferencia por possuir um caráter crítico e/ou avaliativo 
em relação ao texto original. 
As resenhas são resumos comentados de qualquer tipo de texto, a saber: de 
trabalhos artísticos, literários, didáticos ou científicos. Resenhar uma obra cultural, 
um livro, um filme, uma peça de teatro ou um evento significa informar pontos 
relevantes dessas obras ao público/leitor a fim de que estes possam buscar o 
original. 
O objetivo da resenha é informar sobre o conteúdo e, ao mesmo tempo, 
apontar os principais problemas do texto, da argumentação do autor, 
apresentando críticas ou elogiando as qualidades do texto. 
 
 Resenha crítica: A resenha crítica consiste em leitura, resumo e 
comentário crítico de um livro ou texto. Caracteriza-se como 
descrição exaustiva dos fatos. 
Para a elaboração do comentário crítico, utilizam-se opiniões de diversos 
autores da comunidade científica em relação às defendidas pelo autor e se 
estabelece todo tipo de comparação com os enfoques, os métodos de investigação 
e as formas de exposição de outros autores em relação àquele assunto. 
Quatro são as fases de uma resenha crítica: leitura, resumo, crítica e formulação 
de juízo de valor. 
 
Importante! 
No resumo, devemos utilizar palavras próprias. Deve-se evitar a cópia fiel 
de trechos do texto original. O leitor deve buscar construir o seu resumo a partir do 
entendimento que teve do texto. Ele deve nascer da compreensão e reunir somente 
as ideias principais nele contidas. 
Linguagens e Pesquisa 
 
141 
Exigências para a elaboração de uma resenha crítica: 
1 - Conhecer a obra profundamente; 
2 – Conhecedor do assunto a ser resenhado; 
3 – Juízo crítico – separar o essencial do supérfluo; 
4 – Correção e urbanidade, ou seja, respeitar o autor e suas ideias e intenções; 
5 – Independência intelectual, ou seja, o que importa não é saber se as ideias 
do autor coincidem com as nossas, mas se foram apresentadas corretamente; 
6 – Fidelidade ao pensamento do autor, analisar cuidadosamente suas 
posições; 
 
Importante! 
Uma resenha bem-feita pode converter-se em um artigo científico ou até 
mesmo em um trabalho monográfico, podendo ser publicada em revistas 
especializadas. 
A resenha crítica compreende uma abordagem objetiva, em que descreve o 
assunto observado, e uma abordagem subjetiva, em que se evidenciam os juízos de 
valor sobre a obra resenhada. 
Podemos dividir uma resenha crítica nas seguintes partes: introdução, onde se 
apresenta o assunto de forma genérica ou o ponto de vista sobre o qual será 
analisado, buscando demonstrar a relevância do assunto a fim de despertar o 
interesse do leitor. A descrição do assunto, em que se compreende as ideias 
principais que sustentam o pensamento do autor, encadeados em sequência lógica e, 
por último, a apreciação crítica, feita em termos de concordância ou discordância, 
levando em conta a validade e a aplicabilidade do que foi exposto pelo autor. A fim de 
fundamentar a apreciação crítica, deve-se apresentar a opinião de autores da 
comunidade científica. Nas considerações finais, apresenta-se as principais reflexões 
e constatações decorrentes do trabalho. As referências bibliográficas seguem as 
normas da ABNT. 
Linguagens e Pesquisa 
 
142 
 
V – Dissertação 
Dissertação corresponde ao gênero de redação em que se opina sobre 
determinado tema, de maneira crítica e persuasiva. É o tipo de discurso em que se 
faz exposição de ideias. 
Se dissertar significa expor ideias, ponto de vista, baseados em argumentos 
lógicos, estabelecendo as relações necessárias, o raciocínio predomina nesse tipo 
de redação e, quanto maior a fundamentação argumentativa, mais consistente se 
apresentará o desempenho. 
As características principais de uma dissertação são: conjunto de juízos sobre 
um assunto, temas abstratos, textos críticos, teses e explanação de uma 
argumentação. 
A dissertação baseia-se nessa fundamentação lógica: encontrar ideias e 
concatená-las. Caracteriza- se, portanto, por obedecer a duas exigências básicas: a 
exposição e a argumentação. Em razão disso, utiliza-se esse tipo de texto em 
trabalhos científicos ou acadêmicos, como monografia, dissertação de mestrado, 
tese de doutorado, artigos e editorais de jornais. 
O texto dissertativo deve oferecer ao leitor um tratamento novo sobre o 
assunto, apresentar observações, reflexões e avaliação. 
 
Importante! 
Estrutura da resenha crítica: 
1 – Capa 
2 – Sumário 
3 – Introdução 
4 – Descrição do assunto 
5 – Apreciação crítica 
6 – Considerações finais 
7 – Referências 
8 – Anexos (se for o caso) 
Linguagens e Pesquisa 
 
143 
 
São passos recomendados para a elaboração de um texto dissertativo: 
análise das ideias, apreciação de prós e contras, estabelecimento de analogias e 
contrastes, procura de causas e consequências. 
Sua estrutura é, em geral, fixa, e compreende: introdução, desenvolvimento e 
conclusão. Uma vez pronto o roteiro, passa-se à redação propriamente dita, 
obedecendo à organização interna do texto dissertativo, explicada a seguir. 
 
 Introdução – O autor diz a que veio; apresenta o assunto e seu 
posicionamento sobre ele. Além disso, delimita a abordagem, caso 
necessário, e define qual o argumento básico a ser usado para a defesa de 
seu ponto de vista. A introdução engloba o objeto, objetivo e justificativa 
do texto. 
 Desenvolvimento – Expõe fatos, argumentos e provas. O autor trata do 
tema de forma analítica e lógica; desenvolve a tese introduzida no início 
do texto e expõe os argumentos necessários para persuadir o leitor. 
 
 Conclusão – Resume-se a exposição apresentada e chega-se a uma 
dedução ou indução. O autor reafirma, confirma a tese inicial ou, então, 
propõe soluções para o problema que foi discutido no texto. 
 
Atenção! Raciocina-se por meio de argumentos. Os principais registram-se a 
seguir. 
1 - O argumento indutivo: parte do registro de fatos particulares para chegar à 
conclusão ampliada, que estabelece uma proposição geral. Trata-se, portanto, de uma 
generalização: um, dois, três... logo, todos. Caminha-se do efeito para a causa. 
 
Ex.: Cobre conduz, energia (premissa). Ouro conduz energia (premissa). Todo metal 
conduz energia (conclusão). 
 
2 - O argumento dedutivo parte de uma verdade estabelecida, geral, para provar a 
validade de um fato particular. Caminha-se da causa para o efeito. 
 
Ex.: Todo homem é inteligente (premissa maior). João é homem (premissa 
menor). João é inteligente (conclusão). 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
144 
 
Note que, no raciocínio indutivo, se as premissas (afirmações) são verdadeiras, a 
conclusão provavelmente será verdadeira, mas não necessariamente verdadeira, e 
a conclusão encerra informação que não constava das premissas. 
 Já no raciocínio dedutivo, se as premissas são verdadeiras, a conclusão só pode 
ser verdadeira,e as informações contidas na conclusão já estão implícitas nas 
premissas. 
As declarações exigem argumentos, sejam eles justificativos, comprobatórios ou 
exemplificativos, para torná-las consistentes. 
Escolhem-se, portanto, premissas que favoreçam o raciocínio no caminho da 
verdade, como, por exemplo: 
a) Possuem lógica? 
b) Submetem-se à verificação? 
c) Contradizem alguma verdade já aceita? 
d) Apoiam-se em algum testemunho? 
Assim: Se a premissa expressa uma verdade universalmente aceita, dispensa-se 
prova. Ao se estabelecer uma premissa para provar uma afirmação, devem-se 
utilizar palavras precisas, exatas, que não provoquem a ambiguidade da 
proposição (conclusão). 
3 - O argumento causal busca compreender a relação de causa e efeito em um 
fato ou processo; ou seja, isso é causa disto; aquilo é efeito disto. Causa é motivo ou 
razão; consequência é o resultado. Assim, por exemplo, vamos pensar na causa do 
trânsito caótico das grandes cidades do país e quais as consequências disso na vida 
das pessoas daquele lugar. 
 
 
Causa do trânsito: excesso de veículos nas ruas. 
 
 
Consequência disto: estresse, queda do padrão de vida, problemas sociais. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
145 
 
4 - O argumento analógico consiste na passagem de um fato particular para 
outro também particular que se infere em razão de alguma semelhança. Em razão 
disso, o raciocínio por semelhança fornece apenas probabilidade e não certeza. 
Através deste raciocínio, não se chega a uma conclusão geral, mas somente a uma 
em particular. Em nossa vida diárias são comuns ações por analogia. 
Exemplos: 
Se um remédio fez bem ao meu amigo que estava com dor de cabeça, logo fará 
bem a mim também. 
Se uma amiga emagreceu tomando um chá específico, logo, se eu tomar o 
mesmo chá, também conseguirei emagrecer. 
 
Usa-se, também, no âmbito da Política e Literatura, por seu poder retórico de 
fixar e simplificar um conceito abstrato. 
Ex.: A inflação é uma bola de neve. 
 
 
VI – Monografia: é o estudo minucioso de um assunto relativamente restrito. 
Dessa forma, uma tese acadêmica, em nível de doutorado, bem como uma 
dissertação de mestrado são monografias. Este tipo de texto caracteriza-se pelo 
tratamento escrito de um tema específico que resulte de uma pesquisa científica e 
que apresenta uma contribuição relevante para a ciência. 
Para conhecer a estrutura da monografia é importante consultar uma 
biblioteca e bancos de dissertações de mestrado que se encontram disponíveis 
Importante! 
Segundo Othon Garcia (1986, p. 398) um trabalho de dissertação é 
resultado de uma pesquisa, seja de campo, de laboratório ou bibliográfica. 
Linguagens e Pesquisa 
 
146 
também na Internet. Sempre que lhe for dado um tema para estudo, entre em um 
site e procure por dissertações de mestrado que abordem o assunto escolhido. 
 
VII - Trabalhos de Conclusão de Cursos em Pós-Graduação 
A pós-graduação, como a própria denominação diz, é todo curso realizado 
após a graduação, sendo caracterizado por programas de estudo de longa duração, 
que podem qualificar o graduado em uma determinada área do saber. A finalidade 
desses programas/cursos é essencialmente a consolidação e o aprofundamento do 
conhecimento obtido na graduação, e, em instâncias mais avançadas, como o 
doutorado, o objetivo estende-se à criação de novas ideias, bem como à 
independência do pesquisador, que se torna capaz de levar adiante pesquisas em 
torno de temas ainda não levantados sob determinados pontos de vista. 
A partir da conclusão do doutorado, tem o poder de delegar a outros o 
desenvolvimento de pesquisas orientando esse desenvolvimento e 
supervisionando-o. 
Há dois tipos de pós-graduação: a pós-graduação Stricto Sensu e a pós-
graduação Lato Sensu. A primeira é composta por dois tipos de programas: o 
mestrado e o doutorado. A última caracteriza-se pelos cursos de especialização. 
Assim, têm-se três possibilidades de pós-graduação: a especialização, o mestrado e 
o doutorado. 
O mestrado e o doutorado não devem ser vistos simplesmente como uma 
continuidade da graduação. Para levar adiante um programa de mestrado ou de 
doutorado, é necessária vocação para a pesquisa e certa independência (ou muita, 
no caso do doutorado) na busca pelo conhecimento. 
O ritmo de estudo é bastante intensivo, e mais difícil de encontrar este tipo de 
programa em modalidades não presenciais ou semipresenciais. São programas 
direcionados à formação científica e acadêmica. Já a especialização objetiva mais 
frequentemente a atuação profissional fora do meio acadêmico, bem como a 
atualização do profissional do graduado. É possível encontrar com facilidade 
ótimos cursos de especialização na modalidade EaD. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
147 
 
VIII - A Pós-Graduação Lato Sensu: Especialização 
A principal expectativa daquele que realiza uma especialização é o 
aprimoramento profissional, com caráter de educação continuada. Tem 
usualmente um objetivo técnico-profissional específico, não abrangendo o campo 
total do saber em que se insere a especialidade, e proporcionando um diferencial 
na formação acadêmica e profissional. 
Os Trabalhos de Conclusão de Curso são definidos de acordo com as 
especificidades contidas nos Projetos Pedagógicos de cada curso (monografia, 
artigo, projeto de intervenção, plano de negócios, de ação etc.) 
 
IX - A Pós-Graduação Stricto Sensu: Mestrado e Doutorado 
A pós-graduação stricto sensu caracteriza-se pela busca de referências, 
métodos e tecnologias atuais e suas aplicações. A capacidade de redigir textos 
científicos deve ser desenvolvida e é importante a publicação ou submissão de 
artigo(s) em reconhecidas revistas especializadas e em congressos, durante e após 
o curso, o que mostrará a importância da pesquisa. 
No mestrado, são desenvolvidas habilidades e competências como a produção 
de conhecimento científico e tecnológico por meio do desenvolvimento de 
pesquisas aplicadas. Nesta fase da pós-graduação, o aluno é iniciado na pesquisa 
científica, cursando disciplinas que têm relação com sua pesquisa, e deve 
desenvolver uma dissertação que versará sobre o tema que escolheu para se 
aprofundar. Muitas vezes, caracteriza-se pela aplicação de técnicas conhecidas na 
graduação na resolução de problemas reais. 
O doutorado poder ter início após a conclusão do mestrado ou da graduação 
(doutorado direto). A principal diferença entre mestrado e doutorado é o fato de 
que, no mestrado, não é necessário que o trabalho verse sobre um novo assunto, 
ou traga uma novidade para o meio científico (embora nada impeça isso), podendo 
se tratar de um trabalho de aprofundamento ou de aprimoramento de alguma 
tecnologia ou assunto já conhecidos, enquanto, no doutorado, é necessário que 
haja inovação, devendo o trabalho ser inédito, apresentado sob a forma de tese. 
Linguagens e Pesquisa 
 
148 
O doutorando adquire a independência em pesquisa científica, tornando-se, ao 
final do programa, após a conclusão do trabalho e a defesa da tese, um 
pesquisador independente, com qualificação para orientar outros estudantes que 
desejem fazer pós-graduação. 
X – Roteiro de trabalho Científico: 
A seguir, apresentamos um roteiro para a elaboração de um Trabalho 
Científico. Chamamos de Trabalho Científico a monografias ou qualquer “artigo” 
que queiramos fazer publicar em revista ou apresentar em seminário, também 
chamado paper. 
Passos: 
1. Tema 
2. Hipótese de trabalho 
3. Fundamentos teóricos disponíveis 
4. Coleta e produção de dados 
5. Avaliação de hipóteses, de conjecturas. Conclusões. 
1. Tema 
 indica um problema circunscrito com começo e fim. 
 bomtema é o mais viável – com o qual se tenha familiaridade. 
 tema confuso leva a tratamento confuso e perda de tempo, sugere fracasso no 
percurso. 
 tema, por si só, não define o percurso do trabalho científico. 
 Inicia com um trabalho de levantamento de boas perguntas. 
 
2. Hipótese de Trabalho 
 É uma pergunta aberta, feita para direcionar o percurso. 
 aponta para algum problema que gostaríamos de enfrentar, alguma pergunta 
que mereceria resposta, algum objetivo ainda não explorado. 
 É um pré-lançamento, um “chute” preliminar, seguindo algum “faro”, por isso 
essencialmente aberto e que pode, depois, em vez de confirmado, ser 
rejeitado. 
 Tem a finalidade de orientar o trabalho dentro de certo caminho que 
imaginamos promissor, permitindo também selecionar bibliografia, conceitos-
chave, procedimentos metodológicos. A hipótese é mais que um enunciado, é 
questionamento. 
 A hipótese mal feita ou mal definida leva a caminhos variados e mesmo 
contraditórios. 
 A hipótese é inventada para sugerir um caminho e lançar luz sobre ele. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
149 
3. Fundamentos teóricos disponíveis 
 Para que servem? 
Surge da necessidade de arranjar argumentação adequada para sustentar a 
promessa da hipótese. 
Recomendações importantes 
Construir base teórica de caráter explicativo é fundamental 
 Estudar a bibliografia considerada pertinente, de modo sistemático e 
reconstrutivo. 
 Tecer montagem própria da argumentação a partir da leitura. 
 O mais fundamental é o exercício da argumentação, que pode ganhar em 
graça se for mais sucinto. 
 Saber é, portanto, o fator mais decisivo argumentar
 
4. Coleta e produção de dados 
Em papers, frequentemente apresentam-se dados secundários (os já disponíveis). 
Podem ser apresentados dados próprios, sobretudo polêmicos, a fim de confrontar 
paradigmas vigentes. 
Dados empíricos não resolvem a hipótese, mas corroboram-na. 
 
 
5. Avaliação de hipóteses, de conjecturas. Conclusões. 
Dizer se a promessa da hipótese se sustenta ou não. Mostra, com detalhe 
adequado, se o problema assumido no início pode ser resolvido. 
 
 
Importante! 
O dado já é, ele mesmo, produto teórico, porque sendo indicador da 
realidade, indica parte da realidade considerada importante em sua coleta e 
tratamento. 
Importante! 
Não se busca resultados definitivos, mas sim argumentos inteligentes 
que revelem: capacidade explicativa, habilidade de tecer texto com profundidade, 
competência metodológica para ordenar tema e oferecer-lhe corpo elaborado. 
Linguagens e Pesquisa 
 
150 
 
6. Ordenação do trabalho científico 
 
PARTE O QUE ABORDA 
Introdução 
com breve justificativa 
sucinta, aproximadamente uma página 
Tema e hipótese 
Base Explicativa 
pode ter vários capítulos não obrigatoriedade de 
tratamento empírico, embora possa ser útil e 
explicativo 
a. teórica: estudo da bibliografia e elaboração 
teórica própria 
b. empírica: produção e coleta de dados e 
devida interpretação 
Realização da hipótese 
pode ter vários capítulos 
mostra que o autor se equipou adequadamente 
para o tema 
estabelece relações devidas 
valida a argumentação 
Realizar a promessa da hipótese, mostrando 
se o caminho hipotético pode ou não ser 
mantido 
Conclusão 
sucinta, em uma página apenas 
revela a descoberta central do trabalho 
Achado central 
 
 Seção 19: Técnicas Básicas do Discurso e da 
Oratória. 
Para compreender o que é um TEXTO e como ele se organiza, seria interessante 
investigar o LUGAR que a palavra TEXTO vem assumindo em nossa vida dentro e 
fora do meio acadêmico e profissional. 
 Ouvimos diariamente: “leia o texto”, “escreva um texto”, “gostei do seu texto”, 
“foi publicado um texto no jornal sobre”, “o texto constitucional garante que”, “o 
texto daquela sentença foi” ... Ouvindo essas expressões, relacionamos TEXTO a 
uma sequência articulada de palavras escritas que, em maior ou menor extensão, 
nos permite: 
 Obter informações; 
 Expressar o que pensamos; 
 Dizer do que ou de quem gostamos; 
Linguagens e Pesquisa 
 
151 
 Saber da física, da química, do direito, das leis de uma sociedade, da 
política; 
 Aprender geografia e a história do país; 
 Conhecer o pensamento do colega, do cientista, do poeta, do 
professor e mais uma infinidade de situações. 
 E o gesto, o desenho e a fala? 
 
O que há em comum para que todos sejam considerados TEXTOS? 
Vamos refletir juntos! 
Todos esses textos: 
 Surgem de uma necessidade: a pessoa (o autor) quer se expressar 
para se relacionar com outra (ouvinte, leitor, expectador, cliente); 
 Trazem as marcas do seu autor e do seu destinatário; 
 Relacionam-se a uma situação; 
 Formam uma unidade de sentido, pois suas partes relacionam-se 
umas com as outras; 
 Mantêm relação com o mundo do autor e do destinatário; 
 São produzidos com base em um código. 
 
O texto verbal é um espaço de diálogo, de interlocução. E, como todo diálogo, 
necessita de condições para sua existência. Entre essas condições se destacam: a 
coesão e a coerência, conforme estudado anteriormente. 
Para lembrar; da COESÃO, depende a organização interna entre as partes do 
texto; da COERÊNCIA, depende o sentido histórico do texto, o seu conteúdo, que 
poderá ser ponto de partida e de chegada para o conhecimento de mundo. 
Assim... um TEXTO resulta das relações de COESÃO e COERÊNCIA que se juntam 
para constituir uma unidade de sentido. 
Linguagens e Pesquisa 
 
152 
 
 
 
Saiba Mais: 
 Interlocução: conversação entre duas ou mais pessoas. Todo 
aquele que produz um texto tem em mente uma pessoa a quem se 
dirige quando fala, escreve, gesticula, desenha, ou seja, o seu 
interlocutor. 
 Coesão: relação de sentido entre os componentes do texto. 
 Coerência: Relações de sentido do texto com o mundo, isto é, com o 
contexto externo. 
 Textos acadêmicos: aqueles que estudamos na seção anterior, ou seja, 
um conjunto de textos com os quais lidamos, no dia a dia de nossos 
estudos na universidade, com o objetivo de ampliar nossos 
conhecimentos científicos sobre determinados assuntos, ou que 
produzimos para registrar o estudo que realizamos. 
 Comunicações orais: em Tribunal de Júri, Debates, Seminários etc. Quem 
participa de atividades onde são necessárias técnicas de sustentação oral 
usa ARGUMENTOS para defender um PONTO DE VISTA sobre 
determinado ASSUNTO e quer levar o seu interlocutor e o público 
ouvinte a PENSAR como ele, ou, pelo menos, a conhecer as razões que o 
levam a pensar daquela maneira sobre o tema em questão. 
Linguagens e Pesquisa 
 
153 
Ao dedicarmos um momento do curso para pensar sobre essas questões da 
linguagem, queremos refletir sobre a importância de ter o domínio dos vários usos 
da língua portuguesa para a realização pessoal, social e para o desempenho 
profissional. 
A estas formas, que a sociedade aceita como uma prática de comunicação, 
chamamos de GÊNEROS TEXTUAIS, assunto que abordaremos especificamente em 
nossa última seção de estudo. 
 Comunicação verbal, competência profissional e produtividade: A 
escolha do gênero textual considera: 
I. Locutor: quem está produzindo o texto (seus interesses, seus 
sentimentos e sua capacidade de expressão). 
II. Interlocutor: para quem o texto está sendo produzido. 
III. Finalidade: com que finalidade o texto deverá ser produzido: 
convencer, persuadir. 
IV. Situação: em que momento: em um Seminário? No Tribunal? 
V. Intencionalidade: relatar, registrar, informar, tornar público, 
fundamentar. 
Em busca da COMUNICAÇÃO eficaz: 
Vejamos alguns elementos de que NÃO devemos abrir mão quando nos 
encontramos em uma situação de comunicaçãono exercício de uma profissão: 
Esses elementos podem e devem ser identificados nos textos ORAIS e 
ESCRITOS que produzimos. São eles: 
I. A objetividade e a concisão: não há excesso de palavras, maior 
precisão, evita-se informações ou recomendações repetitivas e 
desnecessárias. 
II. A clareza e a coesão: é preciso que as informações sejam 
organizadas de tal forma que o leitor ou o ouvinte possam identificar 
a ordem dos fatos, dos acontecimentos e ações ou, ainda, a 
construção de um raciocínio. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
154 
 
Podemos afirmar que quando o encadeamento dos enunciados é significativo, 
existe coesão. A coesão permite ao ouvinte e ao leitor agilidade na compreensão 
das ideias. Muitos são os elementos que marcam esses encadeamentos: A 
entonação, as pausas, os silêncios, muitas vezes associados à expressão facial e aos 
gestos, quando a comunicação é face a face, muito comum em um Tribunal de Júri, 
por exemplo. São elementos de coesão na comunicação oral. 
 
• As conjunções: (mas, também, porém, contudo, ainda que, enquanto, 
tanto que, e, ou, quando, porque); 
• os indicadores de tempo e espaço: antes, depois, então, ao lado, acima, 
em frente, a seguir, entre outros); 
• as formas verbais do passado, presente e futuro; 
• a combinação dos tempos verbais; 
• os marcadores de gênero e de número; 
• os itens (títulos e subtítulos) e os sinais de pontuação são elementos 
linguísticos que estabelecem a coesão, isto é, a conexão entre termos, 
ideias e contribuem para que o texto oral ou escrito tenha progressão e 
se constitua em um todo significativo. 
III. A coerência e a adequação: os textos são produzidos a partir de diferentes 
INTENÇÕES. Entre elas podemos destacar: informar, explicar, programar, orientar, 
convencer, discordar, ordenar, direcionar, esclarecer, pedir, motivar ações, provocar 
reações entre outros atos que se realizam na e pela LINGUAGEM. 
 A importância da Boa Linguagem e A Linguagem e a vida Social. 
É pela posse e pelo uso da linguagem, falando oralmente ao próximo ou 
mentalmente a nós mesmos, que conseguimos organizar o nosso pensamento e 
torná-lo articulado, concatenado e nítido. 
Linguagens e Pesquisa 
 
155 
Aperfeiçoar a capacidade de pensar, isso não só decorre do desenvolvimento 
do cérebro, mas também das circunstâncias de que o indivíduo dispõe da língua a 
serviço de todo o seu trabalho de atividade mental. 
É quase exclusivamente pela linguagem que nos comunicamos uns com os 
outros na vida social. Funções primaciais e incontestáveis da linguagem: 
possibilitar o pensamento em seu sentido lato e permitir a comunicação ampla do 
pensamento elaborado. 
 A comunicação jurídica: Processo comunicativo que visa à 
promoção do Direito. Comunicação marcada pela linguagem jurídica. 
Desafios: 1. Dominar recursos verbais e não verbais (para) 2. Transformar ideias 
em texto (a fim de) 3. Apresentá-las de forma clara (e) 4. Convencer e persuadir o 
receptor (debatedor/plateia/banca examinadora). 
 
 
 
REPERTÓRIO: Experiência de vida, informações assistemáticas e formação: 
familiar, cultural, religiosa, acadêmica, profissional etc. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
156 
 
• O que deseja a comunicação jurídica? 
Intencionalidade: relatar, registrar, informar, tornar público, fundamentar etc. 
(no âmbito da legalidade). 
Finalidade: Convencer e persuadir – 
Convencimento: racionalidade. 
Persuasão: emoção. 
• A comunicação jurídica é uma construção lógica. 
Lógica formal e raciocínio dedutivo; 
Coesão e coerência: 
 I - Na expressão escrita; 
 II - Na expressão oral. 
 
• Conceito de boa linguagem em seu sentido lato: 
I. Adequação ao assunto pensado; 
II. Predicado estético que nos convida a encarar com boa vontade o 
pensamento exposto; 
III. Uma adaptação inteligente e sutil ao ideal linguístico coletivo, o que 
importa no problema da correção gramatical em seu sentido estrito. 
IV. Nitidez e o rigor da expressão do pensamento; 
V. Precisão lógica da exposição linguística; 
Visão particular de mundo: forma como o sujeito interpreta os fatos a sua volta e 
age sobre o mundo. 
Contexto: Circunstâncias determinantes do sentido de um texto. Condições de 
produção do discurso. 
Intertexto: Relação entre os textos, referências e citações e ideologia. 
Linguagens e Pesquisa 
 
157 
VI. Qualidade que empolga ou seduz, predispondo a razão a se fixar no 
que lhe é exposto e a se deixar convencer, ou seja, o efeito retórico. 
VII. Finalmente a correção gramatical, pois evita que se afronte um 
sentimento linguístico enraizado. 
 
 
• Marcas de oralidade desejáveis: 
Mudanças de entonação e ritmo da fala. 
Repetição de palavras a favor de uma ideia. 
 Recorrência a vocabulário e formas verbais mais simples. 
Presença de pausas retóricas. 
 
Em cada situação de comunicação podemos ressaltar que existem inúmeros 
fatores que interferem na escolha do modo de falar da pessoa e de grupos sociais 
(profissionais liberais, religiosos, políticos, educadores, artista, jovens, idosos, 
cientistas, desportistas, acadêmicos entre outros. 
A função social que a pessoa ocupa no momento em que fala e a sua 
motivação interferem na seleção que faz de enunciados, de palavras, na entonação, 
no ritmo, sinalizando seu modo próprio de expressar sua opinião, seus 
argumentos, seus sentimentos e suas convicções. 
O domínio que cada pessoa tem das técnicas de falar de acordo com a situação 
de comunicação lhe permite variar, modificar ou adequar sua fala e escrita de 
modo que atinja os seus objetivos nas relações diárias. 
A linguagem corporal não está presente apenas nas expressões artísticas. Em 
cada situação de comunicação oral que se realiza de maneira formal ou informal 
constata-se que o tom e o volume da voz, o movimento corporal, os gestos, a 
expressão facial e o deslocamento do olhar se complementam para motivar e 
manter o interesse dos interlocutores. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
158 
 
 
• Planejamento de uma exposição oral: 
É a etapa mais importante de uma exposição oral. O primeiro passo é levantar 
informações sobre todos os fatores envolvidos no evento. Busque respostas para as 
seguintes perguntas: 
1 – Quanto ao público: qual é o nível de conhecimento sobre o tema? São 
leigos ou sabem tanto quanto você? Que motivações eles têm para assistir à sua 
exposição? Quais tópicos são mais relevantes? 
2 – Quanto ao tema: o que você já sabe sobre o tema? Quais informações falta 
levantar? Que recorte deve ser feito levando em conta o perfil e os interesses do 
público? 
3 – Quanto ao momento e ao lugar da apresentação: de quanto tempo você 
disporá? De que tipo de evento se trata? Você é o único expositor ou há outros? Em 
que momento será sua exposição – no início, quando o público ainda precisa ser 
“aquecido”, ou no final, quando ele já está um pouco cansado? Será possível usar 
materiais de apoio, tipo PowerPoint ou vídeos? 
4 – Quanto à abordagem: deve ser mais descontraída ou séria? Mais profunda 
ou superficial? Mais emocional ou técnica? 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
159 
 
• As etapas de uma exposição oral: 
A exposição oral costuma ter sete etapas: 
1 – Abertura: cumprimenta-se o público; 
2 – Introdução: apresentação do assunto a ser tratado, o recorte e a 
abordagem, justificando o porquê de cada escolha. Pode-se indicar quais 
informações serão apresentadas e em que ordem, ou seja, fornecer à plateia um 
plano geral da exposição que será feita. 
3 – Desenvolvimento: esta é a fase mais longa, em que o expositor discorre 
sobre o assunto ou tema. 
4 – Recapitulação e síntese:ao fim da explanação, o expositor deve retomar 
os principais pontos abordados e formular uma síntese. 
5 – Conclusão: este é o momento para o expositor deixar sua “mensagem” 
final ao público. 
6 – Participação do público: nesta etapa (que nem sempre ocorre), abre-se 
espaço para a audiência manifestar suas dúvidas e comentários. 
7– Encerramento: Agradecimento e despedida cordial 
 
• Ensaio para a apresentação oral: 
Ensaiar é bom para todos que vão falar em público. Quando tiver decidido o 
plano geral da exposição, verifique os seguintes pontos: 
1 – A altura da voz: não pode ser alta nem baixa demais. 
2 – O ritmo e a entonação: de maneira geral, você não deve falar devagar 
demais, a ponto de parecer hesitante ou disperso, nem rápido demais, a ponto de 
se tornar ininteligível. Igualmente importante é evitar o discurso monocórdico, isto 
é, aquele em que o ritmo e a entonação são sempre iguais. Esse tipo de fala não 
apenas irrita como desorienta os espectadores, já que não permite distinguir entre 
informações principais e secundárias. O ideal é utilizar o ritmo e as inflexões da voz 
Linguagens e Pesquisa 
 
160 
para acompanhar a própria exposição das ideias, imprimindo maior vigor às 
palavras ou expressões mais importantes. 
3 – O tempo: cronometre a gravação para certificar-se de que está dentro dos 
limites de tempo. Se sua apresentação estiver muito mais curta ou longa do que o 
tempo disponível, talvez seja necessário repensar a quantidade de informações 
apresentada. 
4 – A linguagem corporal: este é um dos pontos cruciais na apresentação oral. 
Não mantenha as mãos no bolso nem atrás do corpo; elas devem ficar livres e 
relaxadas e acompanhar o ritmo da apresentação. 
5 – A fala em si: é fundamental evitar os cacoetes ou vícios linguísticos, tais 
como: “né?”, “tá?”, “veja só” etc. Veja se está conseguindo elaborar frases completas 
e bem articuladas. A falta de linearidade, as repetições e as hesitações são 
admissíveis na oralidade, mas não podem ser frequentes a ponto de deixar sua 
apresentação desconexa e difícil de acompanhar. Outro aspecto essencial é a 
obediência à norma padrão: lembre-se de que deslizes nesse sentido podem 
comprometer a credibilidade da apresentação. Do mesmo modo, evite gírias ou 
expressões coloquiais (cara, legal, maneiro, tipo assim, etc.) pois elas denotam 
imaturidade. 
6 – Referências ao material de apoio: Avalie se está fazendo um bom uso do 
material de apoio. O ensaio é um bom momento para avaliar se há informações 
demais ou de menos nos slides. 
7 – A coesão entre as partes: não é só o texto escrito que precisa de 
“costuras”. Todos aqueles mecanismos coesivos que estudamos anteriormente 
devem estar presentes também na exposição oral. 
Em tempo: Esperamos que os estudos até aqui propostos possam contribuir 
para a sua construção da aprendizagem no que se refere à importância da 
comunicação no contexto profissional. Esperamos, ainda, que de forma gradativa, 
você amplie sua capacidade de se comunicar, sendo capaz de adequar a sua 
linguagem – oral e escrita – aos diferentes campos de atuação. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
161 
 Seção 20: Tipos e Gêneros Textuais: 
Semelhanças e Diferenças 
 
O ser humano, ávido por relacionar-se, utiliza diversas formas de interação para 
expressar seus sentimentos, emoções, valores e pensamentos. Dessa forma, faz uso 
dos gêneros textuais, sejam eles orais ou escritos. 
Por gêneros textuais entende-se, assim, as ações discursivas, inseridas em um 
contexto social, que permitem que as pessoas atuem no mundo de forma direta ou 
indireta. Os gêneros surgem pela necessidade de comunicação de um grupo social, 
por isso podemos dizer que todo texto que circula socialmente em nosso contexto 
de vida, de trabalho, social etc., é um gênero textual. Ele é uma espécie de 
“ferramenta” que utilizamos em determinadas situações de comunicação. 
Podemos citar, por exemplo, para ilustrar o que falamos, o aparecimento dos 
gêneros textuais advindos das tecnologias de comunicação e informação, dos 
gêneros praticados na WEB, tais como os blogs, as redes sociais, como o Facebook, 
o Twitter, entre outros. A esses gêneros, chamamos de gêneros textuais digitais. 
Os gêneros textuais envolvem inúmeras situações concretas de comunicação 
que são definidas pelos elementos da comunicação humana que estudamos no 
início deste material de estudo. São elementos que permitem a comunicação: o 
emissor, o receptor ou destinatário, o canal, o referente, o código, a mensagem; 
bem como finalidade e a intencionalidade do usuário da língua. 
Sendo assim, a escolha de um ou outro gênero escolhido pelo usuário depende 
do momento histórico, de quem o está produzindo, a quem ele é destinado, da 
finalidade dessa produção, em que momento histórico etc. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
162 
 
Nesta seção, veremos um pouco sobre as tipologias textuais e os gêneros 
textuais recorrentes em nossa comunicação diária. Assim, se a intenção de um 
locutor é contar um fato, real ou imaginário, ele opta por produzir um texto, verbal 
ou visual, que apresente em sua estrutura, o fato, as pessoas ou personagens que o 
vivenciaram, o momento e a época em que o fato ocorreu. 
Se a intenção for a de opinar sobre um fato, ele produzirá um texto que se 
organize em torno de argumentos, pois sua finalidade é convencer seu 
interlocutor. Se a intenção for transmitir conhecimentos, ele deverá produzir um 
texto que exponha os saberes e seja capaz de construí-lo de forma eficiente. 
 
I - Classificação de textos 
Ao longo de nossa vida, tomamos contato com os mais variados tipos e 
gêneros textuais. Os textos desempenham papel fundamental em nossa vida 
social. Como as situações de comunicação em nossa vida são inúmeras, inúmeros 
também são os gêneros textuais a que temos acesso. 
São eles: bilhete, carta, e-mail, receita, horóscopo, piada, romance, conto, 
crônica, poesia, revistas, editoriais de jornais, propaganda, texto didático, resenha, 
bula de remédio, aula expositiva, ata de reunião, lista de compras, telefonema, 
entre outros. Um dos primeiros passos para uma competente leitura do texto é a 
identificação do gênero textual em questão. 
Veja alguns exemplos: 
a) Carta pessoal: o texto deve ser breve e pessoal. Sua estrutura é composta 
de local e data, vocativo, corpo e assinatura. A linguagem pode variar de acordo 
com a intimidade dos interlocutores, podendo ser formal, culta ou coloquial. 
b) Bula de remédio: este texto apresenta partes bem definidas. Geralmente 
traz a composição do medicamento, informações ao paciente, informações 
técnicas, indicações, contraindicações, precauções e advertências, reações 
adversas, posologia, o nome do médico responsável e do laboratório. 
Linguagens e Pesquisa 
 
163 
c) Texto instrucional: é aquele encontrado nos manuais de instrução, o qual 
prescreve etapas e indica procedimentos para a realização de tarefas. 
d) Biografia: é o texto que conta a história de vida de uma pessoa. 
e) Verbete de dicionário: o texto de um verbete, enciclopédia e glossário traz 
o conjunto de definições, exemplos e abonações relativas a um vocábulo. 
f) Entrevista: é aquele que procura registar o depoimento de uma pessoa que 
esteja relacionada a algum acontecimento importante ou atual. 
g) Editorial: é o texto de caráter opinativo e publicado sem assinatura. Sua 
estrutura é idêntica ao texto dissertativo. Através do editorial, os editores opinam 
sobre diversos assuntos, principalmente os atuais e os polêmicos. 
h) Crônica jornalística: o objetivo de uma crônica jornalística é, geralmente, 
criticar a sociedade e a política com humor eironia. Seus temas são 
acontecimentos do cotidiano. 
i) Carta do leitor: esse tipo de texto é encontrado em jornais ou revistas. Nele, 
o leitor manifesta seu ponto de vista falando sobre os acontecimentos do dia a dia. 
j) Divulgação científica: o texto de divulgação científica tem por finalidade 
divulgar as grandes descobertas no campo da ciência. Seu texto deve conter um 
vocabulário preciso, frases curtas e objetividade. 
k) Twitter: uma rede social em que os participantes relatam mensagens 
bastantes curtas, compartilhando com seus seguidores o que estão pensando ou 
fazendo. 
l) Chat: é uma conversa em tempo real, por meio da escrita, com interlocutores 
localizados em diversas regiões do mundo. Este tipo de texto possibilita uma 
rápida comunicação sem que haja necessidade de deslocamento. Assim, é possível 
trocar informações, fazer cursos, promover debates, participar de eventos ou 
mesmo realizar consultas nos setores de atendimento ao consumidor. 
m) Hipertexto: é uma espécie de texto multidimensional em que, numa 
página, trechos de textos se intercalam com referências a outras páginas. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
164 
 
II – Agrupamentos dos gêneros textuais: 
Os gêneros textuais podem ser agrupados a partir das capacidades de 
linguagem dominantes dos sujeitos nas seguintes ordens: relatar, narrar, 
argumentar, expor e descrever ações ou instruir / prescrever ações. (Schneuwly, 
Dolz e colaboradores (2004, p 60-61)). 
a) relatar: volta-se à documentação e memorização de ações humanas. Mostra 
experiências vividas, situadas no tempo (relato, notícia, diário, reportagem, crônica 
esportiva, biografia etc.) 
b) narrar: representa uma recriação do real. Isso pode ser visualizado na 
literatura ficcional (conto, conto fantástico, conto maravilhoso, romance, fábula, 
apólogo etc.) 
c) argumentar: diz respeito à discussão de problemas controversos. O que 
busca é a sustentação de uma opinião ou sua refutação, tomando uma posição 
(debate, editorial, carta argumentativa, artigo d eopinião, discurso de defesa, carta 
de leitor etc.) 
d) expor: refere-se à apresentação e construção de diferentes formas dos 
saberes (texto explicativo, artigo científico, verberte, seminário, palestra, entrevista 
de especialista etc.) 
e) descrever ações ou instruir / prescrever ações: diz respeito às normas que 
devem ser seguidas para atingir algum objetivo (instruções e prescrições). Indica a 
regulação mútua de comportamentos (receita, manual de istruções, regulamentos, 
regras de jogo etc. 
 Há uma classificação que, por revelar-se útil, tanto para a produção quanto 
para a leitura, enraizou-se na tradição escolar. 
Trata-se do AGRUPAMENTO dos textos nos seguintes tipos: narrativos, 
descritivos, dissertativos (argumentativo, expositivo, explicativo) e injuntivos 
ou instrucionais, textos dialogais/conversacionais. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
165 
 
 
Antes de tudo, é preciso deixar claro que esses tipos de textos não são 
encontrados em estado puro, ou seja, essencialmente, descritivos, narrativos e 
dissertativos. Esses tipos de textos podem alternar-se num mesmo texto. Isso não 
impede que, por razões didáticas, estudemos cada uma dessas classes 
separadamente. No tópico seguinte, estudaremos cada tipo de texto mencionado 
acima e suas principais características. Vamos lá? 
 
II - Tipologia Textual 
A narração: 
Uma das atividades mais comuns da comunicação humana é o ato de narrar. 
Desde a infância ouvimos histórias de fadas, de monstros, de bichos, de anjos que 
aparecem, de diabinhos que assustam, de Deus que castiga ou perdoa, de nossos 
antepassados, de nosso presente. Histórias reais ou fictícias. Ouvimos tantas 
histórias que vamos criando o nosso imaginário, o nosso mundo fantástico, que 
para nós é real também, pois é através de sua simbologia que vamos entrando na 
realidade: os nossos primeiros contatos com o mundo. 
Aprendemos mais tarde a contar histórias: verídicas e inventadas. Histórias que 
nos contaram. Histórias que presenciamos. Histórias que vivenciamos. Histórias, 
enfim. Aprendemos a separar as histórias verdadeiras das imaginadas, ou misturá-
las até para tornar a vida mais agradável e suportável. 
O imaginário popular está repleto de histórias incríveis que nos envolvem para 
sempre, marcam momentos, lembram lugares, pessoas e situações. Com elas, 
rimos e choramos, passamos o tempo, refletimos sobre a vida e o destino do 
homem. O que contém essa forma de comunicação que tanto nos fascina? 
Injuntivo: que exprime uma ordem ao interlocutor para executar ou não uma 
determinada ação. 
Linguagens e Pesquisa 
 
166 
Basicamente, um relato de ações praticadas vividas por personagens durante um 
período de tempo, em algum lugar: ações reveladoras de um conflito. 
Dessa forma, é possível dizer que a narração possui os seguintes elementos 
estruturais: narrador, personagens, tempo, lugar/espaço, fato, causa, modo e 
consequência. 
1. Narrador: é aquele que narra alguma coisa; 
2. Personagens: quem participou do ocorrido ou o observou; 
3. Tempo: quando o fato ocorreu; 
4. Lugar, espaço ou ambiente: lugar onde a trama se desenvolve; 
5. Fato: aquilo que se vai narrar; 
6. Causa: o motivo que determinou a ocorrência; para se achar a causa, 
pergunta-se por quê? 
7. Modo: como se deu o fato; 
8. Consequência: o que aconteceu em razão disso. 
 
Explicando: 
Assim, depois de escolher o tipo de narrador (em 1ª pessoa), narrador-
personagem, que participa da ação, que se inclui na narrativa, ou narrador (em 3ª 
pessoa), narrador-observador, que não participa da ação, ou seja, não se inclui na 
narrativa; qualquer texto narrativo conta um fato que se passa em determinado 
tempo e lugar, pois a narração só existe na medida em que há ação; esta ação é 
praticada pelos personagens. 
Observação: 
Esses elementos estruturais combinam-se e articulam-se de tal forma, que não 
é possível compreendê-los isoladamente, como simples exemplos de uma 
narração. Há uma relação de implicação mútua entre eles, para garantir coerência e 
verossimilhança à história narrada. Vamos observar um exemplo de uma narração 
sobre um incêndio. 
Linguagens e Pesquisa 
 
167 
O incêndio 
 Ocorreu um pequeno incêndio na noite de ontem, em um apartamento de 
propriedade do Sr. Marcos da Fonseca. No local habitavam o proprietário, sua 
esposa e seus dois filhos. Todos eles, na hora em que o fogo começou, tinham 
saído de casa e estavam jantando em um restaurante situado em frente ao edifício. 
A causa do incêndio foi um curto-circuito ocorrido no precário sistema elétrico do 
velho apartamento. 
 O fogo despontou em um dos quartos que, por sorte, ficava na frente do 
prédio. O porteiro do restaurante, conhecido da família, avistou-o e imediatamente 
foi chamar o Sr. Marcos. Ele, mais que depressa, ligou para o Corpo de Bombeiros. 
 Embora não tivessem demorado a chegar, os bombeiros não conseguiram 
impedir que o quarto e a sala ao lado fossem inteiramente destruídos pelas 
chamas. Não obstante o prejuízo, a família consolou-se com o fato de aquele 
incidente não ter tomado maiores proporções, atingindo os apartamentos 
vizinhos. 
Análise do texto: 
1. Narração objetiva: impessoal e direta 
2. Narrador em 3ª pessoa: não toma parte da história. 
3. No 1º parágrafo estão a apresentação dos personagens principais, o fato 
narrado, o tempo e o lugar. (introdução) 
4. No 2º parágrafo estão a causa do fato e o modo como tudo aconteceu. 
(desenvolvimento) 
5. No 3º parágrafo: as consequências do fato (conclusão). 
 
Para saber mais sobre narração, veja: 
GRANATIC, Branca. Técnicas Básicas de Redação.São Paulo: Scipione, 2001 
Coleção Anglo. São Paulo: Anglo, 1990-1991. Vários autores. Livros-texto. 
INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. Curso prático de leitura e redação. São 
Paulo: Scipione, 1998. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
168 
 
1. A Descrição 
Descrição é o tipo de texto em que se expõem características, de seres 
concretos (pessoas, objetos, situações, etc.) consideradas fora da relação de 
anterioridade e de posterioridade. A descrição representa cenas, objetos, 
paisagens, pessoas etc., mostrando seus traços característicos. 
As características do texto descritivo são: 
a) é figurativo – artístico, imagético 
b) não relata mudanças de situação, mas propriedades e aspectos simultâneos 
dos elementos descritos, considerados, pois, numa única situação. 
c) como o que se reproduz numa descrição é simultâneo, não existe relação de 
anterioridade e posterioridade entre seus enunciados. 
A característica fundamental de um texto descritivo é a inexistência de 
progressão temporal, isto é, que o que se expõe seja simultâneo e que não se 
possa, portanto, considerar um enunciado anterior a outro. Pode-se apresentar, 
numa descrição, até mesmo ação ou movimento, desde que eles sejam sempre 
simultâneos, não indicando progressão de uma situação anterior para outra 
posterior. 
Uma das marcas linguísticas da descrição é o predomínio de verbos no 
presente ou no pretérito imperfeito do indicativo. O primeiro expressa 
concomitância em relação a um marco temporal pretérito instalado no texto. 
Segundo Ribeiro (2004, p. 409), o texto descritivo “representa cenas, objetos, 
paisagens, pessoas mostrando seus traços característicos. Na descrição de pessoas, 
procura-se focalizar a maneira de vestir, andar, os traços fisionômicos, gestos, 
palavras, caráter, pensamento”. Havendo, assim, uma mistura de descrição objetiva 
e descrição subjetiva, que examinaremos mais detalhadamente a seguir. 
Para transformar uma descrição numa narração, bastaria introduzir um 
enunciado que indicasse a passagem de um estado anterior para um posterior. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
169 
 
Outras considerações sobre a Descrição: 
1. Deve-se entender por objeto descrito o ser, o objeto (coisa em si), 
ambiente, espaço, situação, enfim, qualquer elemento que seja 
apreendido pelos sentidos e transformado, com palavras, em 
imagens. 
2. Se o sujeito da descrição tentar passar a imagem do objeto mais pelo 
objeto em si, temos a descrição objetiva (objetividade relativa). Há, 
neste caso, certo distanciamento entre o sujeito e o objeto. Se o 
sujeito incorpora o objeto e o absorve em sua visão pessoal, temos a 
descrição subjetiva. 
3. Ao descrevermos, fazemos uso da enumeração. Enumeramos 
características, comparações, metáforas, enfim, inúmeros elementos 
sensoriais. As personagens podem ser caracterizadas física e 
psicologicamente, ou pelas ações. 
4. É impossível separar narração de descrição, pois toda a matéria 
narrada ocorre em um espaço ou ambiente descritos com uma 
funcionalidade e envolve personagens adequadamente 
caracterizadas. Esses elementos estruturais constituem uma forma 
narrativa. É comum em histórias, que o conflito venha indiciado pela 
oposição das características das personagens ou que os ambientes 
contenham elementos reveladores de traços psicológicos das 
personagens envolvidas na trama. 
5. A descrição também pode ser considerada um dos elementos 
constitutivos da dissertação e da argumentação, geralmente 
explicitado no processo argumentativo em forma de exemplos da 
realidade ou dados concretos para firmar a tese que se defende. Esse 
recurso será tão funcional quanto maior for o grau de impessoalidade 
com que se caracteriza o objeto a ser empregado como argumento. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
170 
 
Exemplos: 
a) “Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio 
arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. 
(...) 
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela era pura vingança, chupando balas 
com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos 
imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu 
com calma ferocidade o seu sadismo”. (Clarice Lispector) (Descrição objetiva) 
b) “Ao entrar na sala daquele casarão antigo, tem-se, de início, uma 
desagradável sensação de abandono e de uma certa tristeza. As paredes, já quase 
sem cor devido à ação do tempo, as duas janelas fechadas, com suas venezianas 
carcomidas, situadas na parede oposta à porta, também velha, davam a quem lá 
chegava a impressão de estar adentrando um museu abandonado. O chão já sem 
brilho e o teto no qual havia um lustre luxuoso, mas empoeirado e com poucas 
lâmpadas em funcionamento, confirmavam a impressão inicial. Sentia-se também 
no ar o odor dos tapetes embolorados”. (Descrição subjetiva) 
 
Para saber mais sobre esse assunto, veja: 
GRANATIC, Branca. Técnicas Básicas de Redação. São Paulo: Scipione, 2001 
Coleção Anglo. São Paulo: Anglo, 1990-1991. Vários autores. Livros-texto. 
INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. Curso prático de leitura e redação. São Paulo: 
Scipione, 1998. 
 
2. A Dissertação 
A dissertação é um tipo de discurso em que o enunciador delimita um tema 
dentro de uma questão ampla (assunto), para defender seu ponto de vista, 
apoiando-se em dados convincentes. Ao defender seu ponto de vista, o 
enunciador analisa, questiona, critica ideias que expressam visões a respeito do 
mundo, da realidade em que todos estão inseridos. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
171 
 
O mundo produtor de ideias é extremamente dinâmico, tem um passado e um 
presente que apontam para o futuro. As ideias não nascem do nada: surgem da 
observação que o sujeito faz do objeto e da análise de outras observações sobre o 
objeto-mundo. Tudo isso constitui linguagem. 
Todo sujeito tem condições de assumir um ponto de vista a respeito de várias 
questões, ainda que sejam limitados seus conhecimentos sobre um universo de 
ideias. Evidentemente, ele pode ser um mero repetidor de opiniões coletivas ou, ao 
contrário, uma voz que se destaca do consenso por assumir um posicionamento 
singular. 
O texto dissertativo põe em foco o assunto em que vários temas se inserem. 
Estes, por serem de natureza mais particularizada, exigem um desenvolvimento 
que especifique e analise o problema que eles encerram. Um mero reprodutor de 
ideias nada acrescentará às polêmicas naturalmente criadas pela multiplicidade de 
visões de mundo. Já o sujeito crítico-analítico manterá com elas relações de 
concordância ou discordância, às quais adicionará sua visão. 
 
Parágrafo Argumentativo 
Nos textos argumentativos, os parágrafos são estruturados em torno de uma 
ideia normalmente apresentada em sua introdução, desenvolvida e reforçada 
por uma conclusão. 
 
Exemplo: 
“É de conhecimento geral que a qualidade de vida nas regiões rurais é, em 
alguns aspectos, superior à da zona urbana, porque no campo inexiste a agitação 
das grandes metrópoles, há maiores possibilidades de se obterem alimentos 
adequados e, além disso, as pessoas dispõem de maior tempo para estabelecer 
relações humanas mais profundas e duradouras.” 
(Granatic, Branca. Técnicas Básicas de Redação. Editora Scipione, 1995, p.81) 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
172 
 
A ideia-núcleo ou tópico é apresentada logo no início e desenvolvida por meio 
de ideias complementares ou argumentos. Veja o esquema: 
Parágrafo da introdução: 
Tema: qualidade de vida no campo + argumento: 1 = porque no campo 
inexiste a agitação das grandes metrópoles + argumento 2 = há maiores 
possibilidadesde se obterem alimentados adequados, + argumento 3 = além 
disso, as pessoas dispõem de maior tempo para estabelecer relações humanas 
mais profundas e duradouras. 
Fonte: Granatic, Branca. Técnicas Básicas de Redação, p.81) 
 
Os parágrafos nos textos argumentativos escolares: 
Os textos argumentativos escolares costumam ser estruturados em quatro ou 
cinco parágrafos (um para a introdução, dois ou três para o desenvolvimento e um 
para a conclusão). Dependendo do texto proposto e a abordagem que se dê a ele, 
poderá haver variações. Mas o fundamental é que você perceba o seguinte: a 
divisão de um texto em parágrafo (cada um correspondendo a uma ideia que se 
queira desenvolver), tem a função de facilitar para quem escreve, tornando o texto 
mais coeso e coerente. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
173 
 
Exemplo: Leia o texto abaixo. 
O Campeão da Desigualdade 
 
Trazendo de seu processo histórico 
contradições profundas e alimentando, 
atualmente, os grandes desníveis 
sociais, o Brasil tem recebido, em 
primeiro lugar, o prêmio da 
desigualdade. (A) 
Violência urbana, analfabetismo, 
exploração de crianças, miséria, falência 
da saúde pública e do ensino compõem 
um triste quadro. (B) Um lamentável 
quadro presente em todos os discursos 
políticos. Alguns com propostas 
mirabolantes para a salvação da pátria; 
outros, tímidos. Mas sobre todos pairam 
dúvidas quanto ao pragmatismo das 
soluções ou quanto à sinceridade dos 
proponentes. (C) 
Enquanto as soluções não saem do 
papel ou da fala mansa dos políticos, o 
monstro da desigualdade vai se 
agigantando: O Brasil tem um parque 
industrial que vem se modernizando, 
mas possui mais de 10 milhões de 
analfabetos funcionais; está entre as 10 
primeiras economias mundiais, mas 32 
milhões de brasileiros vivem em estado 
de miséria absoluta. (D) 
O país “viável”, que almeja um futuro 
brilhante, deve, com urgência 
urgentíssima, estancar esse processo de 
desníveis gritantes e criar soluções 
eficazes para combater a crise 
generalizada (E), pois a uma nação 
doente, miserável e semianalfabeta não 
compete a tão sonhada modernidade. 
(F) 
(adaptado de um editorial da Folha de São 
Paulo) 
 
1º parágrafo – INTRODUÇÃO 
 
A. Tema: O Brasil é o campeão 
da desigualdade. 
Contextualização: 
decorrência de um processo 
histórico problemático e dos 
grandes desníveis sociais. 
 
2º e 3º Parágrafos – 
DESENVOLVIMENTO 
 
B. Argumento 1: Exploram-se 
dados da realidade que 
remetem a uma análise do 
tema em questão. 
 
C. Argumento 2: Considerações 
a respeito de outro dado da 
realidade – coloca-se sob 
suspeita a sinceridade de 
quem propõe soluções. 
 
 
D. Argumento 3: Uso do 
raciocínio lógico de oposição. 
 
 
4º Parágrafo: CONCLUSÃO 
 
 
E. Uma possível solução 
apresentada. 
 
F. Apoiando-se no raciocínio lógico 
de oposição, o texto conclui que 
desigualdade não se casa com 
modernidade. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
174 
 
A estrutura dissertativa que possui introdução, desenvolvimento e conclusão 
é conhecida como ortodoxa, ou seja, conformidade absoluta com um certo padrão, 
norma ou dogma. 
 
Para saber mais sobre esse assunto veja: 
GRANATIC, Branca. Técnicas Básicas de Redação. São Paulo: Scipione, 2001 
Coleção Anglo. São Paulo: Anglo, 1990-1991. Vários autores. Livros-texto. 
INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. Curso prático de leitura e redação. São Paulo: 
Scipione, 1998. 
 
Resumindo: 
 
III - CARACTERÍSTICAS DOS TIPOS TEXTUAIS 
• São exemplos de gêneros em que prevalece a sequência narrativa: 
relato, crônica, conto, romance, fábula, contos de fada, piada, etc. 
• São exemplos de gêneros em que prevalece a sequência descritiva: 
autorretrato, folheto turístico, anúncio de classificado, cardápio, lista de 
compras, etc. 
• São exemplos de gêneros em que prevalece a sequência explicativa 
ou expositiva: textos de divulgação científica, textos de revistas 
especializadas, textos de cadernos de jornais, textos de livros didáticos, 
textos de verbetes de dicionários, de manuais, de enciclopédia etc. 
• São exemplos de gêneros em que prevalece a sequência injuntiva ou 
instrucional: propaganda, receita culinária, contendo o modo de fazer, 
manual de instrução de aparelhos eletrônicos, horóscopo, livros de 
autoajuda etc. 
 
Linguagens e Pesquisa 
 
175 
 
IV - A Construção do parágrafo 
Os textos em prosa, sejam eles narrativos, descritivos ou argumentativos são 
geralmente estruturados em unidades menores chamadas de parágrafos. 
Há parágrafos longos e curtos; o que determina sua extensão é a unidade 
temática, já que cada ideia exposta no texto deve corresponder a um parágrafo. 
Nos textos escritos, podemos identificar os parágrafos pelo ligeiro afastamento 
de sua primeira linha em relação à margem esquerda da folha. 
Conforme vimos anteriormente, o desenvolvimento global e articulado de um 
texto, a partir dos processos de narração, descrição, dissertação, precisa ter como 
suporte da estrutura textual a frase e o período, que são as unidades mínimas da 
qualidade da escrita. De sua combinação constitui-se o parágrafo (ideia-núcleo), 
que por meio do encadeamento das ideias vai integrar-se à estrutura, quer dizer, a 
ordenação dinâmica dos componentes de um texto. Ou seja, à organização lógica-
discursiva. 
Para as nossas produções textuais optamos pela definição de Othon M. Garcia. 
Vejamos: 
O parágrafo é uma unidade de composição constituída por 
um ou mais de um período, em que se desenvolve 
determinada ideia central, ou nuclear, a que se agregam 
outras, secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido 
e logicamente decorrentes dela. 
GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa 
moderna. Editora FGV, 2006, p. 219 
 
Essa definição se refere a um tipo de parágrafo padrão, denominação de 
Othon M. Garcia, dada a sua aplicabilidade e eficácia nas escritas de escritores 
modernos, além de facilitar a coerência do desenvolvimento das ideias. O 
parágrafo padrão é formado por três partes: 
 
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1 – A Introdução, constituída por um ou dois períodos curtos, iniciais, em que 
se expressa a ideia-núcleo ou tópico frasal, 
2 – O desenvolvimento que é a exposição da ideia-núcleo, 
3 – A conclusão, que reforça o que foi dito na introdução. 
 
Atenção! 
É bom você atentar ao “tópico frasal”, que geralmente contém “dois períodos 
curtos iniciais”. O tópico frasal sintetiza a ideia-núcleo do parágrafo. 
A ideia-núcleo, agora conhecida como tópico frasal, segundo Garcia, diz que na 
ideia-núcleo, de fato, há uma generalização, em que se exterioriza um juízo, uma 
opinião, se define ou declara algo, mas, às vezes, nem todo parágrafo contém a 
ideia-núcleo de forma eficaz. 
 
Agora você conhecerá alguns exemplos. 
A técnica da construção do tópico frasal para iniciar o parágrafo garantirá ao 
estudante melhor desempenho na síntese do seu raciocínio, como começar e 
como isso facilitará a sua fundamentação na construção dos argumentos. 
 
• DECLARAÇÃO INICIAL: 
O produtor de texto nega ou afirma alguma coisa logo ao iniciar o texto, 
apresentando seus argumentos, confrontos, analogias ou exposição de ideias de 
fatos da atualidade. O autor abre o parágrafo com uma declaração breve. 
 
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Exemplo: 
As duas grandes religiões que, junto com a muçulmana, reconhecem a um só 
Deus são a judaica e a cristã. Elas compartilham o mesmo livro sagrado: a Bíblia. A 
palavra “Bíblia” vem do grego e significa “livros” (isso mesmo, no plural). Na 
verdade, pode-se dizer que a Bíblia não é um livro, mas vários livros, uma autêntica 
biblioteca composta portextos escritos em datas muito diferentes, por autores 
diversos e que abarca todos os estilos literários: narrações mais ou menos 
históricas, poemas, escritos proféticos, provérbios, leis, etc. LAJOLO, Marisa. 
Descobrindo a Literatura. Ed. Ática, São Paulo, 2002, p. 68. 
 
• ALUSÃO HISTÓRICA 
Acontece quando ao iniciar um parágrafo o autor faz referência a um fato 
acontecido real ou fictício. Conheça alguns dos padrões mais usados de parágrafos 
que podem servir de modelo para iniciar o texto. 
 
Exemplo de parágrafo de alusão histórica fictícia: 
 
“Era uma vez dois caçadores perdidos numa floresta, já sem munição, 
quando surgiu um leão. Enquanto um deles começava a correr, o outro tirou da 
mochila um par de tênis especial e começou a calçá-lo, calmamente. O que corria 
parou, espantado e alertou: “Não adianta, o leão corre mais que você”. Ao que o 
outro respondeu: “Não preciso correr mais que o leão. Só preciso correr mais que 
“você”. (Merval Pereira, em artigo para O Globo) 
 
MODELO DE ALUSÃO HISTÓRICA REAL: 
“A partir do Renascimento o teatro tornou-se o entretenimento público 
por excelência. Chegou-se a dizer que os grandes vícios de então eram o tabaco, 
que acabara de chegar da América, e o teatro”. 
(LAJOLO, Marisa. Descobrindo a Literatura. Ed. Ática, São Paulo, 2002, p. 80.) 
 
 
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V - PARÁGRAFO EXPLICATIVO 
DEFINIÇÃO: 
O texto apresenta explicitamente uma definição de caráter didático sendo 
muito comum nos textos em que ocorrem a dissertação. 
Exemplo: 
A Bíblia é o livro mais difundido em toda a história da humanidade. Muitos 
acham que, sem conhecê-la, é impossível entender grande parte da literatura, da 
música e da arte do mundo ocidental, já que o sentimento religioso judaico-cristão 
tem sido durante muitos séculos (e ainda é assim) uma fonte de inspiração para os 
artistas de qualquer gênero. 
(LAJOLO, Marisa. Descobrindo a Literatura. Ed. Ática, São Paulo, 2002, p. 69) 
 
VI - PARÁGRAFO ARGUMENTATIVO 
Nos textos argumentativos, os parágrafos são estruturados em torno de uma 
ideia normalmente apresentada em sua introdução, desenvolvida e reforçada por 
uma conclusão. (introdução + desenvolvimento + conclusão), ou seja, início, meio 
e fim. 
Exemplo: 
“É de conhecimento geral que a qualidade de vida nas regiões rurais é, em alguns 
aspectos, superior à da zona urbana, porque no campo inexiste a agitação das 
grandes metrópoles, há maiores possibilidades de se obterem alimentos 
adequados e, além disso, as pessoas dispõem de maior tempo para estabelecer 
relações humanas mais profundas e duradouras.” 
(Granatic, Branca. Técnicas Básicas de Redação. Editora Scipione, 1995, p.81) 
 
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A ideia-núcleo ou tópico é apresentada logo no início e desenvolvida por meio 
de ideias complementares ou argumentos. 
 
VII - OS PARÁGRAFOS NOS TEXTOS ARGUMENTATIVOS ESCOLARES: 
Os textos argumentativos escolares costumam ser estruturados em quatro ou 
cinco parágrafos (um para a introdução, dois ou três para o desenvolvimento e um 
para a conclusão). Dependendo do texto proposto e a abordagem que se dê a ele, 
poderá haver variações. Mas o fundamental é que você perceba o seguinte: a 
divisão de um texto em parágrafo (cada um correspondendo a uma ideia que se 
queira desenvolver), tem a função de facilitar para quem escreve, tornando o texto 
mais coeso e coerente. 
 
VIII - O PARÁGRAFO NARRATIVO: 
Nas narrações, a ideia central do parágrafo é um incidente, isto é, um episódio 
curto. Nos parágrafos narrativos predominam os verbos de ação, que se referem a 
personagens e indicam as circunstâncias relativas ao fato que se está sendo 
narrado, ou seja, onde ele ocorreu, quando ocorreu, por que ocorreu. Nas 
narrações existem também parágrafos que servem para reproduzir as falas dos 
personagens. No caso do discurso direto (em geral introduzidos por dois-pontos e 
travessão) cada fala da personagem corresponde a um parágrafo. 
(Fonte: Terra, Ernani. Português de olho no mundo do trabalho. São 
Paulo: Scipione, 2004, p. 110) 
 
Exemplo: 
“João estava andando pela rua quando de repente tropeçou em um pacote 
embrulhado em jornais. Pegou-o vagarosamente, abriu-o e viu, surpreso, que lá 
havia uma grande quantidade de dinheiro.” (Branca Granatic, p. 19) 
 
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IX - O PARÁGRAFO DESCRITIVO: 
A ideia central do parágrafo descritivo é um quadro, ou seja, um fragmento 
daquilo que está sendo descrito (uma pessoa, um ambiente, uma paisagem etc.), 
visto sob determinada perspectiva. Alterado esse quadro, abra-se um novo 
parágrafo. 
O parágrafo descritivo apresenta as mesmas características da descrição: 
predomínio de verbos de ligação, emprego farto de adjetivos que caracterizam o 
que está sendo descrito, frequência de orações apenas justapostas, 
coordenadas. 
(Fonte: Terra, Ernani. Português de olho no mundo do trabalho. São Paulo: Scipione, 2004, p. 111) 
 
Exemplo descrição de tempo e lugar: 
 Ao entrar na sala daquele casarão antigo, tem-se, de início, uma 
desagradável sensação de abandono e de uma certa tristeza. As paredes, já quase 
sem cor devido à ação do tempo, as duas janelas fechadas, com suas venezianas 
carcomidas, situadas na parede oposta à porta, também velha, davam a quem 
chegava a impressão de estar adentrando um museu abandonado (...). (Branca 
Granatic, p. 60) 
 
X - O USO DA INTERROGAÇÃO NO TÓPICO FRASAL 
O parágrafo inicia-se com uma interrogação, direcionando-se ao 
desenvolvimento a partir da resposta ou esclarecimento do produtor ou aluno. 
Cabe ao produtor de textos atentar para a coerência dos argumentos de sua 
resposta ou esclarecimento. 
 
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Exemplo: 
Tema: Dengue 
De que maneira uma cidade pode combater a dengue? 
 
Sua atitude deve ser fazer a seguinte pergunta: Por quê? Ao iniciar sua reflexão 
sobre o tema é importante lembrar-se das informações que já possui sobre o 
assunto, do que já leu a respeito em jornais, do que já viu na televisão etc. É 
evidente que você já tenha ouvido falar alguma coisa sobre ele. O ideal é que você 
elabore duas ou três “respostas” para a questão formulada. Essas respostas 
chamam-se argumentos. 
 
XI - TRABALHANDO O PARÁGRAFO 
Resumindo: A composição de um texto é constituída de três partes: 
• Introdução: é um texto introdutório ao assunto a ser tratado, 
constituído por um ou dois períodos curtos, que expressa a ideia-
núcleo ou tópico frasal. 
• Desenvolvimento: é a exposição, argumentação ou explanação da 
ideia principal, (ideia-núcleo / tópico frasal), do parágrafo. 
• Conclusão: é a reafirmação do tema apresentado no tópico frasal e 
realiza as inferências a partir dos fatos apresentados e interpretados. 
Dentre as formas mais usuais de expressão inicial no parágrafo 
conclusivo temos: Dessa forma, ... Portanto, Em vista dos fatos 
expostos, Em virtude dos fatos apresentados, Dado o exposto,... 
Conforme os argumentos expostos,... e etc. 
 
Os parágrafos organizadores conduzem e facilitam os procedimentos e a 
interpretação do leitor em relação à composição de seu texto. 
 
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DICAS! 
 Outro percurso que você deverá desenvolver é ler e reler a sua 
escrita. 
 Procure também ler os mais variados tipos de jornais, revistas e 
artigos. É interessante selecionar os assuntos que são destaques em 
cada veículo de comunicação. 
 Compare o uso da escrita de cada um deles, observe como cada 
veículo transmitiu sua mensagem ao leitor através da organização 
textual. 
 A leitura diversificada de publicações ajudará a estimular o senso 
crítico e a habilidadecom a organização de suas ideias, da escrita e 
de toda a estrutura textual. 
 
Para finalizar, gostaríamos de lembrá-lo de que a tessitura do texto, como dito 
anteriormente, não é um amontoado de frases, não é uma simples justaposição de 
frases e palavras, logo, para se obter um “entrelaçamento” coeso e coerente das 
ideias, o autor do texto deverá produzir um texto que contenha uma unidade na 
organização discursiva, para que o leitor possa interpretá-lo. É importante que se 
tenha sempre em foco o leitor e a maneira como serão compreendidas e 
apreendidas suas ideias por ele (o leitor de seus textos). 
 
Saiba Mais: 
Sabemos que escrever requer trabalho, disciplina, paciência e muita 
leitura. É preciso reler, identificar os problemas e reescrever várias vezes o texto, 
consultar o dicionário, pesquisar sobre o assunto, quando possível. O estudante 
deverá ter preocupação com a formalidade da linguagem, a prática da norma padrão 
aos textos de caráter dissertativo. 
À medida que você procura valorizar os exercícios da escrita, esse processo 
“árduo” se tornará prazeroso e muitos procedimentos e técnicas serão dominados, 
levando-o a um bom desempenho na escrita. Experimente! O resultado é bastante 
prazeroso. Fica a sugestão! 
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XII - TÍTULO E TEMA 
TÍTULO: 
o É uma referência vaga a um assunto. 
o É uma expressão mais curta que o tema. 
o Na maioria das vezes, não contém um verbo. 
 
TEMA: 
o É uma afirmação sobre determinado assunto, em que se 
percebe uma tomada de posição. 
o É uma oração que apresenta um começo, meio e final. 
o Por ser uma oração, deve apresentar ao menos um verbo. 
 
Confira a delimitação do tema no texto em destaque abaixo: 
 A cultura patriarcal qualificou de fraca a mulher e forjou o mito do sexo 
frágil, o que não é verdade. A mulher tem a sua forma de ser forte. Neste caso o 
que conta não é tanto a força muscular. No trato com os filhos, desde sua gestação, 
nas crises de passagem e no seu acompanhamento ao largo da vida, especialmente 
na condução da complexidade de uma casa e na capacidade de suportar 
sofrimentos e suplantar obstáculos, ela mostra uma força e uma pertinácia que 
deixa o homem longe para trás. Em muitos aspectos a mulher é o sexo forte e o 
homem o sexo fraco. 
(Fonte: BOFF, Leonardo. Saber cuidar: Ética do humano – compaixão pela terra. 
Editora Vozes. 7ª Edição, 2001. p.56) 
 
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Observação: 
O tema é o elemento gerador e articulador das ideias no texto. No texto acima 
é o mito de que a mulher é o sexo frágil. Quando você estiver fazendo uma redação 
em algum exame, o examinador pode fornecer-lhe tanto um título quanto um 
tema. Se lhe for fornecido um tema, terá que compor um título, já se lhe for 
fornecido um título, deverá compor o tema. Mas lembre-se: o tema é uma oração 
completa, com início, meio e fim. 
 
Observação final: 
Esperamos ter contribuído um pouco com a sua formação. Lembre-se de que 
há muito mais a aprender e a pesquisar. Seus estudos não se encerrram aqui. 
Quando há determinação, vontade, foco e sonhos, a vitória se apresenta de forma 
concreta. Sucesso para vocês! Uma bela caminhada em busca de seus sonhos. 
 
É o que desejamos, 
Equipe EaD 
Professora Maria Luzia Paiva de Amdrade 
 
 
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 Referências Bibliográficas 
BARBOSA, Ivanilda. Comunicação e linguagens: leitura e produção de textos 
na graduação. São Paulo: Pearson, 2010. 
CÂMARA JÚNIOR, Joaquim Matoso. Manual de expressão oral e escrita. 9ª ed. 
Petrópolis, Vozes, 1986. 
CASTRO, Monica Rabello de; FERREIRA, Giselle; GONZALEZ Wania. 
Metodologia da pesquisa em educação. 1 ed. Nova Iguaçu, RJ: Marsupial Editora, 
2013. 
CEREJA, William Roberto, MAGALHÃES, Thereza Cochar. Texto e Interação: 
uma proposta de produção textual a partir de gêneros e projetos. São Paulo: 
Atual, 2000. 
GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em prosa moderna: aprenda a 
escrever, aprendendo a pensar. 25 ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006. 
GRANATIC, Branca. Técnicas Básicas de Redação. 4ª ed. São Paulo< Scipione, 
2001. 
GUIMARÃES, Thelma de Carvalho. Comunicação e linguagem. São Paulo: 
Pearson, 2012. 
KOCHE, Vanilda Salton. Leitura e produção textual: gêneros textuais do 
argumentar e expor. 3 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. 
MEDEIROS, João Bosco. Português Instrumental: para concursos de 
contabilidade,economia e administração. 4 ed. São Pailo: Atlas, 2000. 
PIMENTEL, Carlos. A nova redação empresarial e oficial: Rio de Janeiro: 
Impetus, 2003.

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