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OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Descrever as fases do ciclo de perícia contábil.
 > Identificar as tarefas que devem ser realizadas nos trabalhos periciais.
 > Relacionar a nomeação do perito judicial com o planejamento da perícia.
Introdução
Cumprir todas as etapas da perícia contábil é fundamental para garantir a 
qualidade, a objetividade e a validade técnica do laudo pericial. Inadequações 
em qualquer uma das etapas podem comprometer seriamente a atuação do 
profissional contábil, ferindo exigências do Código de Processo Civil e do 
Conselho Federal de Contabilidade. 
Deixar de atender as determinações do juiz ou apresentar um laudo com 
falhas técnicas pode levar à rejeição do trabalho pericial, a atrasos no processo 
judicial e até a sanções éticas ou legais. Por exemplo, se o perito negligenciar 
a análise de documentos essenciais na fase operacional, o laudo poderá ser 
questionado pelas partes, comprometendo sua credibilidade. 
Neste capítulo, você vai aprender sobre as fases da perícia contábil, incluindo 
particularidades e objetivos em cada etapa. Vai conhecer as atividades que 
fazem parte do processo pericial, bem como o papel e as responsabilidades 
estratégicas do juiz.
Ciclo de perícia 
contábil
Nathália Caroline Faria Tago
As fases da perícia contábil
O ciclo da perícia contábil surgiu como resposta à evolução das necessidades 
jurídicas e técnicas da área ao longo do tempo no Brasil (Pires; Farias, 2019). O 
conceito de ciclo refere-se ao movimento contínuo e integrado do processo 
pericial, envolvendo todas as fases que formam um fluxo de trabalho, desde 
a nomeação do perito até a conclusão do laudo. Ou seja, o ciclo pericial 
representa a dinâmica do trabalho do perito contábil e a sequência de ações 
que ele deve seguir para cumprir com as exigências do processo judicial.
Assim, o ciclo da perícia contábil foi sendo ajustado e aprimorado ao 
longo do tempo, refletindo a evolução de leis, regulamentações e normas 
profissionais, com destaque para a definição do papel do perito no processo 
judicial pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), em 1973 (Cavalcante 
et al., 2024). O Código de Processo Civil reformado pela Lei nº 13.105 de 2015 
(Brasil, 2015) detalha as obrigações e os direitos dos peritos, consolidando a 
relevância do ciclo e das fases no processo e a necessidade de transparência 
e imparcialidade na atuação do perito (Silva Júnior et al., 2018).
A concepção dos ciclos da perícia contábil se tornou mais clara à medida 
que a profissão se especializou e as demandas judiciais passaram a exigir 
maior transparência, organização e objetividade nas apurações técnicas (Gia-
comin; Bleil; Muller, 2018). Com um papel importante nas decisões judiciais, a 
perícia contábil precisou de um ciclo estruturado que garantisse a execução 
correta das etapas. 
O ciclo da perícia contábil foi então dividido em fases, que são etapas 
isoladas dentro do processo pericial. Ou seja, o ciclo reflete o fluxo contínuo 
e integrado dessas etapas, assegurando que todas as atividades sejam rea-
lizadas de forma sequencial e interligada. As três principais fases da perícia 
contábil são conhecidas como: preliminar, operacional e final. Cada uma 
delas têm objetivos próprios e marcam a progressão do trabalho do perito 
(Pires; Farias, 2019). 
A fase preliminar é uma preparação: é quando o perito analisa as infor-
mações e os documentos necessários para a realização do trabalho. A fase 
operacional, por sua vez, ganha contornos mais técnicos com a Resolução 
CFC nº 1.243/2009 (CFC, 2009), que define as normas técnicas de atuação do 
perito contábil e destaca a importância de se aplicar os procedimentos de 
maneira objetiva e imparcial. A fase final, que resulta na elaboração do laudo 
pericial, segue diretrizes da norma brasileira de contabilidade técnica de 
perícia (NBC TP 01) (CFC, 2015), garantindo que as conclusões sejam claras e 
fundamentadas (Giacomin; Bleil; Muller, 2018), como pode ser visto na Figura 1.
Ciclo de perícia contábil2
Figura 1. Estrutura e organização das fases do ciclo de perícia contábil.
Fonte: Adaptada de Cavalcante et al. (2024), Silva Júnior et al. (2018), Giacomin, Bleil e Muller (2018) 
e Pires e Farias (2019).
A Figura 1 demonstra que na fase preliminar é feito o planejamento do 
trabalho pericial, incluindo a análise da solicitação judicial ou extrajudicial, a 
leitura do objeto da perícia, o estudo dos documentos fornecidos pelas partes, 
a definição da metodologia a ser aplicada e a elaboração dos quesitos. Nessa 
fase, o perito nomeado, ou assistente técnico indicado pelas partes, analisa 
o objeto do litígio e delimita os aspectos a serem investigados, conforme 
sugere o Código de Processo Civil (Giacomin; Bleil; Muller, 2018). 
Em uma ação judicial que envolve a apuração de haveres societários, o 
perito deve inicialmente identificar documentos como balanços patrimoniais e 
relatórios financeiros, na fase preliminar, antes de iniciar as análises técnicas. 
Cavalcante et al. (2024, p. 8) citam nesse contexto, o Código Civil de 2002 como 
exemplo pois “trouxe novas demandas para a atuação dos peritos, especial-
mente em casos de dissolução de sociedades e na apuração de haveres”.
Ciclo de perícia contábil 3
Já na fase operacional, o perito desenvolve as atividades práticas, como 
coleta de dados, análise de documentos, cálculos e laudos preliminares. 
Nesse momento, ele aplica o conhecimento técnico-contábil para respon-
der aos quesitos formulados e alcançar resultados baseados em evidências 
(Cavalcante et al., 2024).
Na fase operacional, o perito aplica os métodos definidos na Resolução CFC 
nº 1.243/2009 (CFC, 2009), que aprovou a Norma Brasileira de Contabilidade 
Técnica de Perícia (NBC TP 01) (CFC, 2015). Por exemplo, na fase operacional, 
durante a análise de uma ação de indenização por perdas e danos, o perito 
pode utilizar cálculos financeiros para mensurar o valor devido, considerando 
juros, correção monetária e outras variáveis econômicas (Pires; Farias, 2019).
Na fase final, o perito elabora o laudo, organizando as informações e con-
clusões de forma clara e objetiva, respeitando as normas técnicas aplicáveis. 
Após a finalização do documento, o perito pode participar de audiências para 
prestar esclarecimentos adicionais, caso seja solicitado. O laudo sintetiza as 
constatações e responde aos quesitos formulados pelas partes e pelo juiz 
(Silva; Barros; Pereira, 2023). 
No próximo tópico, você vai aprender a identificar e planejar as tarefas a 
serem realizadas durante os trabalhos periciais, a fim de assegurar que tudo 
seja conduzido em conformidade com a legislação vigente. 
Obrigações periciais no contexto brasileiro
As tarefas realizadas durante os trabalhos periciais no Brasil são regidas por 
uma série de normas legais que garantem a imparcialidade, a transparência 
e a precisão na análise dos fatos. As principais legislações que orientam 
essas tarefas incluem o Código de Processo Civil (CPC), a Lei nº 13.105/2015 
(Brasil, 2015), que trata do processo civil, e o Código de Ética e Disciplina do 
Conselho Federal de Contabilidade (CFC), que regula o exercício da perícia 
contábil (Silva; Vasquez, 2016).
A análise da solicitação da perícia é a primeira etapa. Nela, o perito lê 
atentamente o despacho judicial que solicita a perícia, compreendendo os 
pontos de interesse da análise e os quesitos formulados pelas partes envol-
vidas. O artigo 473 do CPC estabelece que o juiz pode nomear um perito e este 
deve aceitar o encargo, salvo quando houver impedimento legal. As partes 
têm 15 dias, a contar da notificação da nomeação do perito, para contestar 
sua imparcialidade, se necessário, ou indicar um assistente técnico (Matozo; 
Espich, 2021).
Ciclo de perícia contábil4
Após a análise de solicitação da perícia, existem outras tarefas relacionadas 
à preparação, ao planejamento, à coleta de informações, ao levantamento de 
dados, à audiência e à assistência, que devem ser realizadas ordenadamente 
duranteos trabalhos perícia contábil no Brasil (Pires; Farias, 2019), conforme 
mostra o Quadro 1.
Quadro 1. Etapas das tarefas do perito de acordo com a legislação vigente 
no Brasil
Etapas Tarefas
Código de 
Processo Civil 
ou Código de 
Ética do CFC
Análise da 
solicitação 
judicial
O perito examina a solicitação 
do juiz, o objeto da perícia e os 
quesitos a serem respondidos.
Art. 473 do CPC
Aceitação do 
encargo
O perito aceita a nomeação para 
o trabalho, salvo quando houver 
impedimentos legais.
Art. 466 do CPC
Definição da 
metodologia
O perito define como a perícia 
será conduzida, considerando 
os documentos fornecidos e os 
quesitos formulados.
Resolução n° nº 
1.492/2015 do CFC.
Planejamento da 
perícia
Elabora o plano de trabalho, 
incluindo metodologia, cronograma 
e recursos.
Art. 472 do CPC
Leitura e análise 
dos documentos
O perito examina os documentos 
e informações entregues pelas 
partes para verificar veracidade e 
relevância.
Art. 464 do CPC
Solicitação de 
documentos 
faltantes
Se necessário, o perito 
pode solicitar documentos 
complementares para o 
esclarecimento dos fatos.
Art. 466 do CPC
Identificação 
de partes 
interessadas
Identifica as partes envolvidas e 
suas respectivas responsabilidades, 
para garantir imparcialidade na 
perícia.
Código de Ética 
do CFC
Elaboração de 
quesitos
Elabora quesitos que irão guiar a 
perícia, em conjunto com o juiz ou 
as partes.
Art. 465 do CPC
(Continua)
Ciclo de perícia contábil 5
Etapas Tarefas
Código de 
Processo Civil 
ou Código de 
Ética do CFC
Coleta de dados 
e informações
Coleta informações relevantes para 
o caso, como extratos bancários, 
livros contábeis, balancetes etc.
Art. 464 do CPC
Análise técnica 
dos dados
Faz os cálculos necessários e aplica 
a técnica contábil para analisar os 
dados coletados.
Lei nº 13.105/2015, 
Código de Ética 
do CFC
Elaboração do 
laudo preliminar
Elabora um laudo preliminar, caso 
necessário, para apresentar seus 
achados iniciais ao juiz ou às partes.
Art. 473 do CPC
Imparcialidade 
na execução
O perito deve garantir que sua 
análise e elaboração de parecer 
sejam imparciais, sem favorecimento 
a qualquer uma das partes.
Código de Ética 
do CFC
Interação com as 
partes
Se necessário, o perito pode 
interagir com as partes para 
esclarecer dúvidas sobre 
documentos ou questões 
específicas do caso.
Art. 466 do CPC
Elaboração do 
laudo final
Após a análise dos dados e resposta 
aos quesitos, o perito deve elaborar 
um laudo pericial definitivo e 
apresentar as conclusões de forma 
clara e objetiva.
Art. 464 do CPC
e Resolução CFC 
nº 1.492/2015
Entrega e 
apresentação do 
laudo
O perito entrega o laudo final 
ao juiz, podendo ser convocado 
para audiências ou reuniões para 
esclarecimentos adicionais.
Art. 473 do CPC
Esclarecimento 
em audiência
O perito pode ser convocado para 
comparecer à audiência judicial, 
onde deve responder a perguntas 
sobre o laudo, esclarecer dúvidas ou 
explicar seus métodos.
Art. 466 do CPC
Manutenção da 
confidencialidade
Durante todo o processo, o perito 
deve manter sigilo sobre as 
informações confidenciais que 
lhe forem entregues ou acessadas 
durante a perícia.
Código de Ética 
do CFC
(Continuação)
(Continua)
Ciclo de perícia contábil6
Etapas Tarefas
Código de 
Processo Civil 
ou Código de 
Ética do CFC
Implicações 
Éticas e Legais
O perito deve garantir que 
todas as suas ações estejam em 
conformidade com as normas éticas 
e legais, evitando conflitos de 
interesse e conduzindo o trabalho 
de forma ética.
Código de Ética do 
CFC e CPC
Respeito aos 
prazos legais
O perito deve cumprir os prazos 
estabelecidos pelo juiz para a 
entrega do laudo e qualquer outro 
requisito processual.
Art. 464 do CPC
Registro da 
perícia
O perito deve manter registros 
adequados de todos os 
documentos e passos realizados 
durante a perícia, para garantir 
a rastreabilidade do trabalho 
realizado.
Art. 474 do CPC
Fonte: Adaptado de Brasil (2015) e CFC (2015, 2019).
Cada etapa exige diligência, precisão e ética, com o objetivo de fornecer 
ao juiz e às partes informações claras e fundamentadas para a tomada de 
decisão. O cumprimento das obrigações legais e éticas tende a assegurar a 
confiabilidade do trabalho pericial e contribuir para a integridade do pro-
cesso judicial como um todo (Silva; Vasquez, 2016). No próximo tópico, você 
vai compreender a dinâmica entre o juiz e o perito judicial. 
O planejamento da perícia contábil
Conhecer etapas, fases e ciclos que conectam a nomeação judicial ao pla-
nejamento da perícia contábil é fundamental para assegurar a eficiência e 
a conformidade do trabalho pericial. O conhecimento permite que o perito 
compreenda a extensão de suas responsabilidades, organize suas atividades 
de forma sistemática e atenda às expectativas legais e processuais. Além 
disso, garante que o trabalho seja realizado com precisão técnica, respeitando 
prazos e promovendo a clareza necessária para auxiliar na decisão judicial 
(Bezerra et al., 2023). 
(Continuação)
Ciclo de perícia contábil 7
A integração entre as demandas do tribunal e a prática pericial fortalece a 
imparcialidade e a confiança nos resultados apresentados, reforçando o papel 
estratégico do perito no sistema de justiça (Bezerra et al., 2023). A primeira 
etapa desse processo, como pode ser visto na Figura 2, é a nomeação judicial 
de um perito contábil.
Figura 2. Ciclo de perícia contábil.
Fonte: Adaptada de Matozo e Espich (2021), Silva Júnior et al. (2018), Giacomin, Bleil e Muller (2018), 
Pires e Farias (2019) e CFC (2015).
Como está claro na Figura 2, o planejamento da perícia só tem início após 
o aceite pelo perito. O planejamento inclui a definição da metodologia de 
trabalho, cronograma e coleta de dados (Giacomin; Bleil; Muller, 2018). Se o 
perito não aceitar o encargo, o juiz delega o trabalho a um novo perito. 
Após o aceite, vem a etapa de análise de quesitos e escopos da perícia. 
Nessa etapa, o perito analisa a solicitação judicial e verifica os quesitos a 
serem respondidos. Posteriormente, escolhe a técnica que acredita adequada 
para análise contábil (ex.: auditoria de contas). Já na fase de elaboração de 
Ciclo de perícia contábil8
quesitos, o perito elabora perguntas que devem guiar a perícia. Na sequência, 
coleta os dados, analisa balanços financeiros e faz a conciliação de contas, 
com base nos documentos financeiros, extratos bancários e livros contábeis 
e financeiros necessários para a análise e elaboração do laudo. 
Logo, em seguida, o perito elabora um laudo preliminar para a análise do 
juiz. Caso precise de ajustes, o laudo é revisado de acordo com as sugestões 
ou os questionamentos. Cumprida essa etapa, o perito contábil entrega 
o laudo final com as justificativas, ajustes e conclusões da perícia (Silva; 
Vasquez, 2016). 
A partir desse documento, o juiz pode tomar sua decisão, baseando-se 
nas informações descritas pelo perito no laudo. Se julgar necessário ou tiver 
dúvidas pertinentes ao caso, o juiz pode convocar o perito para uma audiência. 
Concluído o processo de perícia, encerra-se o caso, arquiva-se o documento, 
mantendo o sigilo, ética e imparcialidade a respeito (Bezerra et al., 2023). 
Se o perito contábil não seguir as normas, etapas, fases e ciclos previstos 
nas legislações e regulamentações brasileiras, sua atuação pode ser compro-
metida em diversos aspectos. A não observância pode resultar na produção 
de um laudo pericial inconsistente, vulnerável a questionamentos e até à 
impugnação, causando danos financeiros ou até mesmo a anulação da sua 
carteira profissional de perito contábil (Pires; Farias, 2019).
Suponha que dois sócios de uma sociedade limitada com sede em 
São Paulo estejam enfrentando um desentendimento no que se 
refere a gestão financeira e divisão de lucros da empresa. O sócio minoritário 
alegou que o outro sócio estava desviando recursos da empresa, manipulando 
balanços contábeis e retirando valores superiores à sua cotasocietária. Em razão 
disso, entrou com uma ação judicial requerendo a dissolução da sociedade e a 
apuração de haveres, além da indenização por perdas e danos.
O juiz responsável pelo caso nomeou um perito contábil para esclarecer 
os pontos financeiros, solicitando um laudo que demonstrasse a real situa-
ção patrimonial e financeira da empresa, a existência de irregularidades nas 
demonstrações contábeis, o montante devido a cada sócio (caso a dissolução 
fosse aprovada), o desenvolvimento do caso (meio) e o planejamento da perícia.
O perito judicial iniciou o processo estabelecendo um plano de trabalho 
conforme a Norma Brasileira de Contabilidade – Técnica de Perícia (NBC TP 01) 
(CFC, 2015). O perito organizou o ciclo pericial em fases: levantamento documental, 
análise contábil, realização de entrevistas e elaboração do laudo.
No levantamento documental, o perito solicitou ao contador da empresa 
os balanços patrimoniais, demonstrações de resultados dos últimos três anos, 
livros contábeis, contratos sociais e documentos de movimentações financeiras. 
Durante a análise, o perito identificou lançamentos inconsistentes no livro-razão, 
Ciclo de perícia contábil 9
duplicidade de despesas e transferências para contas bancárias pessoais não 
justificadas.
O perito promoveu reuniões com ambos os sócios e o contador da empresa 
para entender as operações. Os depoimentos indicaram que o sócio majoritário 
realizava retiradas informais sob alegação de empréstimos, sem registros 
contábeis adequados.
O perito elaborou um laudo apontando as irregularidades e quantificando 
o prejuízo causado ao sócio minoritário, demonstrando que as retiradas não 
autorizadas totalizavam R$ 500.000, além de identificar que o valor correto dos 
haveres do sócio minoritário, considerando a dissolução, era de R$ 1.200.000.
Com base no laudo pericial, o juiz determinou a dissolução da sociedade, 
o ressarcimento ao sócio minoritário pelo prejuízo identificado e a partilha 
dos ativos conforme os haveres apurados. Além disso, o sócio majoritário foi 
condenado a pagar indenização e a regularizar as pendências fiscais da empresa.
Esse caso reforça a relevância do ciclo de perícia contábil, que vai desde a 
nomeação judicial até a entrega do laudo técnico. O planejamento adequado e 
a execução seguindo normas e regulamentos asseguraram a qualidade técnica 
da análise e a imparcialidade necessária para a decisão judicial. Isso ressalta 
a função da perícia contábil como instrumento indispensável na busca pela 
justiça e solução de conflitos empresariais (Lima et al., 2023).
Você viu neste capítulo que seguir rigorosamente as normas e regulamen-
tações é essencial para assegurar a qualidade, a validade e a imparcialidade 
dos trabalhos periciais. Assim, se o perito contábil desconsiderar as normas, 
etapas, fases e ciclos estabelecidos, também negligenciará os princípios 
fundamentais da profissão, como a imparcialidade, competência e a respon-
sabilidade técnica (Silva Júnior et al., 2018). 
Em outras palavras, a má conduta ou falta de atenção do perito contábil 
pode abalar a confiança do judiciário e das partes envolvidas na perícia, 
além de colocar em risco a integridade dos resultados apresentados. O não 
cumprimento dessas diretrizes pode acarretar impactos significativos, como a 
invalidação do laudo pericial e atrasos nos processos judiciais, prejudicando 
o acesso à justiça e à resolução eficiente dos conflitos. Ou seja, a observância 
rigorosa das orientações legais garante a qualidade técnica e ética do trabalho 
pericial e reforça a sua relevância como instrumento fundamental para a 
tomada de decisões justas e assertivas no âmbito jurídico (Bezerra et al., 2023).
Referências 
BEZERRA, B. S. et al. Perícia contábil e sua precisão, como contribuição na decisão do 
juiz. Revista FT, n. 128, v. 27, 2023. 
BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília: Presidên-
cia da República, 2015. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2015/lei/l13105.htm#art1045. Acesso em: 28 jan. 2025.
Ciclo de perícia contábil10

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