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Prévia do material em texto

Formação em perícia ambiental
Prof. Marcio Vicente
Descrição
A importância das perícias judiciais e extrajudiciais; as funções do perito
judicial e do assistente técnico; as atuações de um perito judicial; a
elaboração dos laudos ambientais e dos quesitos técnicos; o fluxo
processual.
Propósito
Compreender que as perícias ambientais se tornaram um importante
instrumento, especialmente para o judiciário, devido às diversas não
conformidades ambientais e ao não cumprimento das legislações
ambientais em vigor no Brasil. Logo, o perito nomeado pela justiça tem a
função de avaliar os locais impactados e elaborar seu laudo para a
sentença do juiz.
Preparação
Antes de iniciar seu estudo, pesquise a Lei nº 5869, de 11 de janeiro de
1973 — o Código de Processo Civil brasileiro — e a Lei nº 6938, de 31 de
agosto de 1981 — a Política Nacional do Meio Ambiente—, para entender
os conceitos e as normas para atuação na área.
Objetivos
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Módulo 1
Perícias judiciais e extrajudiciais
Reconhecer a importância das perícias judiciais e extrajudiciais.
Módulo 2
Funções do perito judicial e do
assistente técnico
Definir as funções do perito judicial e do assistente técnico.
Módulo 3
Atuações de um perito judicial
Identificar as atuações de um perito judicial
Módulo 4
Fluxo processual, quesitos
técnicos e laudos periciais
Descrever o fluxo processual, a importância dos quesitos técnicos e
os cuidados na elaboração dos laudos periciais.

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Introdução
Para começar, assista agora a um vídeo sobre a importância das
perícias ambientais frente aos processos judiciais.
1 - Perícias judiciais e extrajudiciais
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a importância
das perícias ambientais frente aos processos judiciais.
Vamos começar!

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Você sabe a diferença entre
uma perícia judicial e a
extrajudicial?
Assista ao vídeo a seguir para saber mais sobre os aspectos da perícia
judicial e extrajudicial.
A importância das perícias
ambientais
Inicialmente, é fundamental destacar a importância das perícias para o
bom andamento de um processo judicial, visto que o juiz se valerá das
informações contidas no laudo elaborado por um profissional
especializado para emitir sua sentença. A perícia é a forma prática de o
juiz emitir sua decisão com base em fatos obtidos no ambiente
periciado, com informações técnicas, sejam elas quantitativas ou
qualitativas, o que lhe dará as garantias de que o processo transcorreu
de forma correta e imparcial. Normalmente, as perícias ocorrem quando
as partes envolvidas em um processo não chegam a um acordo e,
dessa forma, o juiz se vale de um expert, ou seja, de um profissional
qualificado na área em que o processo tramita; nesse caso específico na
área ambiental, para a condução processual. Uma perícia pode ocorrer
por denúncia em função de uma empresa, ou mesmo de uma pessoa
física, estar conduzindo seus processos ambientais de forma irregular.
Logo, o judiciário, que pode ser o Ministério Público Ambiental, poderá
recorrer a uma perícia para constatar se a referida denúncia faz sentido
e, em caso positivo, à sequência processual.
Exemplo
Considere uma indústria instalada próximo a uma zona residencial e que
lança seus efluentes diretamente no logradouro público sem tratamento
prévio, gerando impactos significativos ao meio ambiente. Uma pessoa
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física ou uma associação de moradores, após diversas tentativas de
alinhamentos com a empresa, sem sucesso, poderá entrar com uma
ação para que esta pare de operar de forma incorreta, com impactos e
danos ambientais, e se ajuste à legislação em vigor. O juiz, durante uma
audiência chamada de “conciliação”, verifica que a empresa nega as
acusações e que o denunciante continua afirmando tais irregularidades.
Sem saber quem está com a razão, é nomeado um perito, devidamente
cadastrado no sistema do judiciário, para avaliar o local e emitir seu
laudo. A partir dessas informações técnicas disponibilizadas, o juiz
emitirá sua sentença de forma imparcial.
É importante destacar que as perícias ambientais têm natureza judicial
(ou até extrajudicial), o que difere das auditorias, que são em geral
voluntárias, podendo ser internas ou externas. Portanto, uma
constatação de impacto ambiental significativo atestado por uma
perícia ambiental poderá gerar sérios prejuízos para uma empresa, tais
como: interdição, paralização e pagamento de multas pelo dano
causado ao meio ambiente. Nas auditorias, uma vez identificadas as
não conformidades, as empresas seguem um cronograma de ajustes
conforme orientações dos auditores. Observem que o fato gerador pode
ser o mesmo, ou seja, um dano ambiental, mas as tratativas são bem
distintas.
Logo, a perícia ambiental é uma espécie de perícia judicial, determinada
pelo juiz durante o trâmite de uma ação judicial, sendo um instrumento
de prova que objetiva esclarecer fatos que exijam um conhecimento
técnico específico para a sua exata compreensão, pois não se pode
exigir do magistrado conhecimento pleno a respeito de todas as
ciências humanas e exatas.
De forma mais técnica, a NBR (Norma Brasileira Regulamentar) 14653-1:
2011 define a perícia como: “Atividade técnica realizada por
profissional com qualificação específica, para averiguar e esclarecer
fatos, verificar o estado de um bem, apurar as causas que motivaram
determinado evento, avaliar bens, seus custos, frutos ou direitos.”
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A atividade pericial na área ambiental é regida pelo Código de Processo
Civil, como as demais modalidades de perícia; é submetida à mesma
prática forense, mas que, por atender a demandas especificas advindas
das questões ambientais, se desenvolverá sob o suporte da legislação
tutelar ambiental; é designada pela legislação ambiental, que
regulamenta a proteção ambiental em níveis federal, estadual e
municipal, no âmbito do direito ambiental.
O Código de Processo Civil, além de definir o que é
perícia e de indicar as situações em que esta é
desnecessária, traz o procedimento que deve ser
observado para a realização da prova pericial. No
tocante à necessidade de produção desse tipo de
prova, o art. 420, parágrafo único do CPC, prescreve: a
prova pericial consiste em exame, vistoria ou
avaliação.
É muito importante deixar bem claro que nem todas as demandas
judiciais terão a necessidade de uma perícia ambiental. Observem que
um juiz irá indeferir uma perícia nas seguintes situações:
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Quando a prova do fato não depender do conhecimento especial do
técnico.
Quando for desnecessária em vista de outras provas produzidas.
Quando a verificação for impraticável.
A prova pericial é o meio mais complexo, demorado e caro entre todo o
sistema de prova, e dessa maneira deve ser admitida para as hipóteses
em que seja necessário e indispensável contar com o auxílio de um
especialista.
A perícia surge normalmente em decorrência de uma
demanda, por iniciativa de uma das partes
interessadas na busca de provas de atos e fatos por
ela levantados para fundamentar um direito pleiteado.E
De acordo com Aurélio Buarque de Holanda, a perícia pode ser definida
como: “Vistoria e exame de caráter técnico e especializado.”
Classi�cação das perícias
ambientaisAs perícias em geral, incluindo as ambientais, possuem diversas
classificações. Para facilitar, vamos analisar as três modalidades mais
comuns das perícias ambientais:
Perícias judiciais
A prova pericial é de fundamental importância no sentido de se
confirmar, cientificamente, a ocorrência do dano e a apuração de
sua real extensão ambiental. Ela é importante para que o juiz
tenha convicção no julgamento da procedência do pedido do
autor e possa determinar, se for o caso, a cessação da atividade
ou conduta lesiva, a reconstituição do bem lesado, ou, se
impossível, a reconstituição, a indenização em dinheiro
equivalente ao prejuízo constatado, a ser revertida a um fundo
para recuperação dos bens lesados.
Perícias extrajudiciais
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As perícias extrajudiciais são aquelas que não envolvem justiça,
pois não existe um processo formal, contratando-se um perito
para a elaboração de um parecer técnico. Não pode ser
considerada uma “prova” judicial; toda prova pericial advém de
uma perícia, nem toda perícia será prova judiciária. Assim, só é
prova pericial a resultante de perícia judicial, cujo perito tenha
sido escolhido pelo juízo.
Perícias arbitrais
A perícia arbitral é realizada no juízo arbitral, instância criada
pelas partes, cujo perito será o árbitro e, enquanto árbitro, é o juiz
de fato; sua atividade é arbitragem. Embora não seja
judicialmente determinada, tem valor de perícia judicial, com
natureza extrajudicial, pois as regras serão determinadas pelas
partes. Denomina-se arbitragem a via de solução de conflito
alternativa ao sistema jurisdicional estatal, na qual um decisor é o
árbitro, escolhido pelas partes, a quem se atribui a função de
resolver o conflito segundo as regras, os critérios e os
procedimentos por elas autorizados.
“Com efeito, […] se comparada à prestação jurisdicional estatal, a
arbitragem pode reduzir os custos de transação da prestação
jurisdicional. Em primeiro lugar, em razão da agilidade com que é
concluída” (TIM, 2021).
O procedimento arbitral não está sujeito à rigidez dos processos
judiciais, não se submete ao regime dos infindáveis recursos a
instâncias superiores, e os árbitros, não raro, contam com a
infraestrutura necessária para que suas decisões sejam tomadas com
grande rapidez. No caso da perícia arbitral ambiental, o árbitro escolhido
acumulará as funções de perito e de técnico. Isso é, com base em seus
conhecimentos, ele irá proferir uma decisão ao conflito surgido entre as
partes. Assim, a arbitragem pode revelar-se como modo de obtenção da
solução justa, pelo fato de, à escolha conjunta das partes do caso
concreto, um expert na matéria-objeto da controvérsia vir a decidir sobre
o conflito. Existem três modelos clássicos de perícia técnica para
questões ambientais:

Perícia judicial
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As partes não chegam a um acordo e o juiz necessita de uma base para
sua decisão.

Perícia extrajudicial
As partes em comum acordo contratam um profissional especializado
para elaborar o laudo e o teor contido no documento será aceito para
solução da demanda.

Perícia arbitral
Um procedimento de rápida solução no qual o juiz de fato, mas não de
direito, será um profissional especializado na área ambiental, que
decidirá do lado de quem está a razão no que diz respeito à demanda.
Entendendo a necessidade
da perícia judicial
O caso a seguir foi muito divulgado no Brasil por ter ocorrido na Zona da
Mata Mineira e ter impactado diretamente no Rio Paraíba do Sul.
Observem os aspectos e os impactos ambientais nesta ocorrência:
A Indústria Cataguases de Papel, no Estado de Minas Gerais, depositou
em torno de 1,2 bilhão de litros de dejetos químicos no Rio Pomba.
Dentro do reservatório, encontrava-se (especialmente) lixívia, que se
trata de uma solução utilizada no cozimento da madeira para extração
da celulose, e tem como base o carbonato de sódio. Essa ação
promoveu uma mancha tóxica no Rio Pomba, que por consequência veio
a atingir os afluentes, levando o problema a 39 municípios da Zona da
Mata, além de oito cidades do Norte Fluminense.
O abastecimento de água e as atividades balneárias foram
interrompidos. O acidente afetou todo o ecossistema da bacia,
dizimando diversos animais. A mata ciliar, os animais silvestres e de
criação, além de peixes e crustáceos, foram dizimados pelo acidente,
que alterou o ecossistema da bacia do Paraíba do Sul. O acidente
promoveu uma extensa mancha nos rios, que provia recursos para
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sobrevivência da população ribeirinha. As substâncias altamente tóxicas
perdurarão nas matas ciliares e nos sedimentos dos rios por bastante
tempo, alguns compostos orgânicos precisarão de anos para se
decompor por completo, prejudicando a agricultura local, o que faz notar
a extensão do acidente.
Você pode estar questionando qual tipo de perícia ambiental deveria ter
sido realizada nesse caso, ou seja, judicial, extrajudicial ou arbitral?
Observe a magnitude do caso, com uma grande repercussão nacional e
internacional, com impactos extremamente negativos à biota,
comprometendo fauna e flora diretamente e modificando até mesmo as
características de sobrevivência da população local. Dessa forma, não
há o que se questionar: trata-se de uma perícia judicial ambiental. As
avaliações técnicas elaboradas por profissionais especializados foram
fundamentais para identificar os danos ambientais causados pela Cia.
Cataguases e para ampliar o processo para níveis de denúncias junto ao
Ministério Público de Minas Gerais, com abordagens administrativas e
criminais. Foi o laudo pericial elaborado pelo “expert da justiça” que
permitiu ao judiciário determinar as interdições na empresa e os
enquadramentos dos seus diretores, além de multas significativas para
os reparos ambientais necessários no processo de remediação em
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geral. Logo, não há dúvidas que crimes ambientais dessa natureza não
são passíveis de perícias extrajudiciais ou arbitrais.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Nas demandas judiciais, caberá ao juiz deferir ou indeferir o pedido
de uma perícia ambiental. Dessa forma, marque a alternativa que
poderá motivar o indeferimento do pedido de uma prova pericial:
Parabéns! A alternativa C está correta.
De acordo com o Código Civil — CPC 420 —, um juiz poderá indeferir
uma prova pericial nas seguintes situações: quando a prova do fato
não depender do conhecimento especial do técnico; quando for
desnecessária em vista de outras provas produzidas; e quando a
verificação for impraticável.
Questão 2
A
Quando o juiz tiver conhecimento técnico suficiente
na demanda ambiental.
B
Sempre que uma das partes envolvidas solicitar o
indeferimento.
C
Quando a prova do fato não depender do
conhecimento especial do técnico.
D
Se a parte acusada fizer o depósito da remediação
ambiental.
E Se a parte ré no processo não for encontrada.
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Em que tipo de perícia um profissional especializado poderá
acumular a função de decisor e perito ao mesmo tempo?
Parabéns! A alternativa E está correta.
No caso da perícia arbitral ambiental, o árbitro escolhido acumulará
as funções de perito e de técnico. Com base em seus
conhecimentos,ele irá proferir uma decisão ao conflito surgido
entre as partes.
2 - Funções do perito judicial e do assistente
técnico
A Perícia criminal.
B Perícia judicial.
C Perícia extrajudicial.
D Perícia securitária.
E Perícia arbitral.
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Ao �nal deste módulo, você será capaz de de�nir as funções do perito
judicial e do assistente técnico.
Vamos começar!
Você sabe quais são as
funções do perito judicial e
do assistente técnico?
Assista ao vídeo a seguir para saber mais sobre as funções do perito
judicial e também do assistente técnico.
Funções dos peritos
ambientais frente aos
processos judiciais
Um processo judicial existe porque uma pessoa física ou jurídica, ou
ainda um ente público, reclama de algo que está prejudicando-a direta
ou indiretamente, apontando o causador desse prejuízo e, no caso
ambiental, um possível dano. Desse modo, temos envolvidos três entes
específicos: o autor, o réu e o juízo. O juiz necessita entender a
demanda ambiental e determinar uma audiência de conciliação para
ouvir as partes autora e ré no processo. Após apresentarem seus
questionamentos, o juiz entende que não há como conciliar ou chegar a
bom termo entre os envolvidos e determina que o processo necessitará
de uma perícia judicial.

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Logo, nomeia um profissional cadastrado no sistema do judiciário que
fornecerá suporte de natureza técnica no processo, conforme sua
experiência e sua formação na área ambiental em que atuará para a
justiça. No momento da nomeação, o juiz solicita que o perito apresente
sua postulação de honorários e determina um prazo para a elaboração
do laudo pericial, que lhe servirá de base para a sua decisão e sua
sentença. Portanto, a atuação do perito é exercida no sentido de
satisfazer a finalidade da perícia, verificando fatos relacionados à
matéria em questão, certificando-os, apreciando-os ou interpretando-os.
Seu parecer técnico, resultante da perícia, será apresentado, conforme
determinação do juiz, em inquirição em audiência ou por escrito.
Precisamos ressaltar que o perito judicial não é um servidor público
concursado, e sim um profissional cadastrado no sistema do judiciário
que atuará por demandas, conforme suas nomeações especificamente
para cada processo judicial de natureza ambiental. Esse rito ocorre do
mesmo modo para outras demandas, como no caso das perícias de
imóveis, grafotécnicas, criminais e até mesmo trabalhistas. Todas têm o
mesmo fluxo processual.
Perito
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A palavra perito é proveniente do latim peritus e é formada pelo verbo
perior que significa experimentar. O perito é aquele que, dadas as suas
habilidades/qualidades, é capaz de verificar fatos em situações nas
quais são necessários conhecimentos específicos, suprindo as
insuficiências jurídicas. Por sua natureza, um perito judicial deverá:
Ser totalmente imparcial com a demanda que lhe foi conferida.
Cumprir os prazos conforme estabelecido pelo juiz.
Valer-se de provas técnicas, com avaliações de campo, sejam elas
quantitativas ou qualitativas, e até mesmo as documentais.
Garantir que as partes sejam ouvidas durante suas diligências.
Não ter qualquer relacionamento com uma das partes envolvidas
no processo.
Garantir que seu laudo contenha todas as informações para que o
magistrado emita sua sentença de forma inequívoca.
Veja o seguinte exemplo: um perito é nomeado pelo juiz para dirimir
uma demanda ambiental a fim de avaliar os possíveis danos causados
por uma operação de uma grande indústria química, visto que essa
empresa está sendo processada por emitir dióxido de enxofre muito
acima dos limites estabelecidos pela legislação, causando sérios
prejuízos à biota. Ao receber sua nomeação, o perito verifica se tratar de
uma empresa em que ele atuou no passado como engenheiro
ambiental, já tendo elaborado laudos ambientais e demais
procedimentos.
No caso do exemplo, como o perito deve proceder? Precisamos
observar que, por mais idôneo que o perito seja, seu antigo vínculo
empregatício com a empresa ré no processo o colocará em suspeição.
Então, o perito nomeado deverá declinar da nomeação, explicando em
petição dirigida ao juiz os motivos pelos quais ele não poderá o atender
nesta demanda. Nesse caso, o procedimento correto é que o
magistrado nomeie outro perito judicial para essa demanda ambiental.
Funções dos assistentes
técnicos frente aos
processos judiciais
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https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 16/52
Conforme abordamos anteriormente, um processo judicial tem três
partes envolvidas, ou seja, quem reclama, quem é reclamada e a justiça.
Para dar isonomia e imparcialidade ao processo, o juiz nomeia um
profissional especializado para o atender, porém as partes interessadas
têm, da mesma forma, o direito de indicar seus respectivos assistentes
técnicos nas demandas ambientais. Observem que, diferentemente dos
peritos judiciais que são nomeados, os assistentes são indicados
conforme decisão exclusiva dos envolvidos. Dessa forma, não é uma
obrigatoriedade das partes indicarem um profissional para assisti-los,
podendo se valer da atuação exclusiva do perito judicial.

Perito judicial
Profissional nomeado pela justiça.

Assistente técnico
Profissional indicado pelas partes.
Vamos recorrer ao nosso Código de Processo Civil — CPC 420 — que
deixa bem claro que, ao lado do perito, de nomeação do juiz, se institui a
figura do assistente técnico da parte. Nesse sentido, os assistentes
técnicos ambientais são peritos indicados pelas partes. A distinção
entre perito e assistente técnico está na nomenclatura e emerge do
sujeito processual que o nomeia: o primeiro é nomeado pelo juiz
conforme o CPC, art. 421, e o segundo é indicado pela parte, conforme o
CPC, art. 421, parágrafo 1º, I. Os assistentes técnicos não se sujeitam às
restrições do art. 138 do CPC ou às sanções do art. 424, parágrafo
único, tendo, ainda, prazo diverso para a apresentação de seus
pareceres, de acordo com o CPC, art. 433, em seu parágrafo único. O
assistente técnico atua como um verdadeiro consultor da parte que está
atendendo e o seu parecer equivale ao tema de uma perícia extrajudicial
discutida no processo. É muito importante, quando um processo é
“distribuído” no judiciário, que a parte envolvida entre em contato com
seu assistente para que ele possa estudar o processo, apresentar suas
considerações para, até mesmo, a auxiliar nas defesas e contestações.
Além disso, ele deve elaborar os quesitos ambientais, participar das
diligências e das reuniões com o perito e analisar o laudo do expert do
juízo, apresentando suas considerações complementares.
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Podemos afirmar que um assistente técnico pericial nas demandas
ambientais pode ser de grande importância para auxiliar a parte que o
contratou. Portanto, para garantir o equilíbrio do processo, é
fundamental que as partes apresentem os seus respectivos assistentes.
Assim, toda perícia judicial pode ter presente um perito e um assistente
técnico, profissionais extremamente importantes para o processo. O
perito é um auxiliar da justiça, que tem a função de oferecer laudos
técnicos dos processos judiciais. Já o assistente técnico é alguém de
confiança das partes envolvidas no processo. É importante deixar claro
que a presença de um perito é obrigatória, mas a dos assistentes
técnicos é de decisão livre de cada parte interessada.
Estes são os deveres doassistente técnico pericial nas demandas
ambientais:
 Dar suporte aos advogados da parte que o
contratou.
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Diferença entre peritos e
assistentes nos processos
judiciais
Perito
 Analisar previamente os exames periciais,
verificando se existe algum erro com base no
exame minucioso da metodologia adotada.
 Analisar, identificar e adequar técnicas que possam
prejudicar o processo.
 Acompanhar os trabalhos de perícia tanto do perito
quanto do juiz.
 Orientar e ajudar na elaboração dos quesitos que
serão respondidos pelo perito oficial.
 Elaborar um parecer técnico que seja concordante
ou discordante com o laudo emitido pelo perito do
juiz.
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Segundo o art. 473, do CPC, o perito é um profissional que o juiz nomeia
em demandas judiciais, em razão da exigência de prova e conhecimento
especializado. Seu objetivo é apresentar informações e conclusões
técnicas em laudo pericial, que será abordado mais adiante.
Assistente técnico
Assim como os peritos, os assistentes técnicos são profissionais de
conhecimento especial, parciais, uma vez que são contratados por
partes envolvidas no litigo.
O CPC preceitua, em seu art. 466, § 1o, que “os assistentes técnicos são
de confiança da parte e não estão sujeitos a impedimento ou
suspeição”.
É clara a disposição do art. 95 do mesmo estatuto ao
assegurar que “cada parte adiantará a remuneração do
assistente técnico que houver indicado, sendo a do
perito adiantada pela parte que houver requerido a
perícia ou rateada quando a perícia for determinada de
ofício ou requerida por ambas as partes”.
Do mesmo modo que o perito apresenta o laudo pericial, o assistente
técnico pode ofertar seu parecer técnico, impugnando ou concordando,
sempre sob o ponto de vista técnico para o qual foi nomeado, com o
trabalho do perito expert. Para o desempenho de sua função, o perito e
os assistentes técnicos podem valer-se de todos os meios necessários:
ouvir testemunhas, obter informações, solicitar documentos que
estejam em poder da parte, de terceiros ou em repartições públicas,
bem como instruir o laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos,
fotografias ou outros elementos necessários ao esclarecimento do
objeto da perícia.
Enfim, tanto o perito como os assistentes técnicos são profissionais
fundamentais para o esclarecimento de questões técnicas que
comumente estão inseridas em processos judiciais, fornecendo
elementos para uma decisão judicial justa.
5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 20/52
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Após ser nomeado pelo juiz, caberá ao perito:
5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental
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Parabéns! A alternativa E está correta.
O perito do juízo é um profissional especializado nas demandas
ambientais que são conferidas pelo juiz e deverá garantir um laudo
correto e apresentado dentro do prazo estabelecido no momento de
sua nomeação, além de responder a todos os quesitos elaborados
pelos assistentes.
Questão 2
Em relação ao assistente técnico, é correto afirmar:
A
Aguardar que os assistentes técnicos agendem as
diligências periciais.
B
Orientar os advogados quanto à defesa de seus
processos.
C
Elaborar os quesitos técnicos para que os
assistentes respondam no laudo.
D
Solicitar as partes que depositem os honorários
estabelecidos por ele.
E
Garantir que seu laudo contenha todas as
informações para que o magistrado emita sua
sentença de forma inequívoca.
A Será nomeado pelo juiz.
B Atenderá às duas partes no processo judicial.
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Parabéns! A alternativa C está correta.
O assistente técnico é indicado pela parte que ele atendera e jamais
é nomeado pelo juízo. Dessa forma, uma de suas atribuições é
elaborar os quesitos técnicos que deverão ser respondidos pelo
perito judicial.
3 - Atuações de um perito judicial
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as atuações de
um perito judicial.
Vamos começar!
C
Elaborará os quesitos técnicos conforme o
processo.
D
Elaborará o laudo pericial que servirá da sentença
do juiz.
E Participará de todas as audiências.
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Você sabe quais são as
atuações de um perito
judicial?
Confira o conteúdo a seguir para saber mais sobre os segmentos de
atuação de um perito judicial.
Atuações de um perito
judicial ambiental
Um perito judicial é o profissional que atende às demandas do judiciário
conforme o tema, ou a chamada lide processual, devendo estar
devidamente registrado no cadastro geral de peritos judiciais de sua
região, seguindo as orientações e as determinações do Conselho
Nacional de Justiça — CNJ. Dessa forma, um juiz nomeará sempre um
profissional que esteja devidamente cadastrado no sistema e que tenha
condições técnicas de o atender visto que o seu laudo pericial deverá
conter as informações que serão a base de sua decisão e de sua
sentença. No caso das demandas ambientais, os peritos atenderão às
suas nomeações de acordo com o tema a ser debatido. E não são
poucas as características a serem sanadas pelos profissionais,
conforme seu atendimento e sempre se baseando nas evidências de
campo, com avaliações qualitativas e quantitativas atreladas às
legislações aplicáveis.

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Um profissional poderá ser nomeado pelo juiz (vamos lembrar que ele
não é um servidor público, e sim um profissional cadastrado e à
disposição da justiça) e aceitar ou declinar do encargo. Por exemplo, um
juiz nomeia um profissional corretamente cadastrado no judiciário para
o atender em uma demanda que envolva uma possível emissão de
particulados em suspensão por uma determinada indústria. Uma de
suas funções será avaliar tecnicamente se a empresa realmente produz
em uma ordem que ultrapassa os limites de tolerância por meio de seus
lançadores para o meio ambiente. Para tanto, deverá utilizar
metodologias quantitativas com o uso de coletores isocinéticos para
avaliar a temperatura das chaminés (por exemplo), sua velocidade e as
características de isocineticidade.
Observe que a manipulação de um coletor isocinético de poluentes
atmosféricos requer que o profissional tenha muita experiência no tema
e que são poucos os que efetivamente possuem condições técnicas,
incluindo equipamentos próprios para esse fim. Nesse caso, se o
profissional não tiver tais especialidades e habilitações, deverá declinar
do seu encargo, explicando em petição ao magistrado os motivos pelos
quais recusará de sua “honrosa” nomeação e seus encargos. Veja
também que cada profissional tem experiência nos diversos temas que
as demandas podem solicitar, como avaliações de ruído urbano,
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lançamentos de poluentes atmosféricos, efluentes sem tratamento
prévio por parte das indústrias, desmatamentos em áreas de reserva
legal, construções em áreas non aedificandi, entre outras tantas
demandas no campo ambiental.
Apesar de todas as naturezas das perícias ambientais,
o profissional pode também se valer, em seu trabalho,
em avaliar documentos de uma empresa ré em um
processo, como, por exemplo: sistemade gestão
ambiental, auditorias ambientais e seus resultados,
multas ambientais, entre outros documentos
importantes a serem considerados em sua diligência.
Ampliando esse tema, uma perícia ambiental poderá servir para avaliar
se uma empresa autuada, e que recorreu ao Termo de Ajustamento de
Conduta Ambiental — TAC, está cumprindo-o corretamente ou se deixou
de seguir todos os termos ali contidos. Logo, nesse caso, o autor pode
ser o Ministério Público e a ré, uma empresa de qualquer seguimento
econômico.
É importante deixar registrado que uma auditoria ambiental, seja externa
seja interna, pode ser agendada previamente ou não, mas uma perícia
judicial sempre deverá ter uma diligência agendada previamente, com
antecedência de no mínimo de 15 dias, conforme estabelece o CPC em
seu art. 420. Dessa forma, cabe ao perito judicial comunicar às partes,
data, horário e local a ser periciado.
Formação de um perito
ambiental
Uma pergunta muito comum a ser respondida e bem esclarecida é esta:
quem pode ser perito judicial? A resposta é muito simples: perito é um
profissional de nível superior, com formação acadêmica na área em que
irá atuar, e deverá comprovar suas titulações por meio de um
cadastramento seguindo as orientações contidas nas determinações do
Conselho Nacional de Justiça — CNJ:
“Resolução 233 de 13 de julho de 2016 do Conselho Nacional de Justiça
que dispõe sobre a criação de um cadastro de profissionais e órgãos
técnicos ou científicos no âmbito da justiça de primeiro e segundo
graus.
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Artigo 1º: “Os tribunais brasileiros instituirão um cadastro eletrônico de
peritos e órgãos técnicos ou científicos — CPTEC — destinado ao
gerenciamento e à escolha de interessados em prestar serviços de
perícia ou exame técnico nos processos judiciais, nos termos do artigo
156, parágrafo 1º do Código de Processo Civil — CPC.” (Resolução nº
233/2016)
O CPTEC conterá a lista de
profissionais e órgãos aptos a
serem nomeados para prestar
serviços nos processos a que se
refere o caput deste artigo, que
poderá ser dividida por área de
especialidade e por comarca de
atuação.
(Resolução nº 233/2016)
Para um profissional se tornar perito judicial, ou seja, um expert da
justiça, ele deverá primeiramente comprovar a formação específica na
área que atuará e, em seguida, realizar seu cadastro técnico no judiciário
de sua região. Dessa forma, o profissional poderá ser nomeado pelo juiz
de acordo com as demandas, nesse caso, nas diversas discussões ou
lides ambientais. Podem ser peritos os profissionais liberais, os
aposentados e os empregados de empresas em geral, desde que suas
profissões sejam de curso superior na área de perícia a ser realizada,
como as dos administradores, contadores, economistas, engenheiros,
médicos, profissionais ligados ao meio ambiente, engenheiros etc.
No caso específico da área ambiental, um perito pode ter formação
acadêmica em sua graduação, como: gestão ambiental, engenharia
ambiental, geologia, engenharia de pesca, engenharia de minas, entre
outras formações. Mas também poderá ter uma graduação em outra
área, como administração, engenharia de produção etc., desde que
tenha uma especialização na área ambiental. Em geral, os juízes
priorizam em suas nomeações os profissionais com especializações
nas áreas que irão atuar e que comprovem experiências técnicas em
atividades que envolvam o meio ambiente.
Exemplo
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Um profissional para se tornar um perito judicial ambiental precisa ter
formação acadêmica em gestão ambiental; ter trabalhado por algum
tempo em uma empresa de saneamento urbano; ter realizado uma pós-
graduação em efluentes líquidos. Após seu cadastramento no Cadastro
Eletrônico de Peritos e Órgãos Técnicos ou Científicos (CPTEC), esse é
um profissional que, com certeza, será nomeado para possíveis
demandas judiciais que envolvam, por exemplo, despejo de efluentes
líquidos em rios e lagoas, sem tratamento prévio, nos quais avaliará os
indicadores de DBO, conforme os quesitos a serem respondidos no
processo.
Vale ressaltar que, para atuar como perito ambiental, não é necessário
prestar concurso público ou realizar obrigatoriamente uma pós-
graduação ou, ainda, um curso específico sobre perícias ambientais.
Porém, mesmo não sendo mandatório, poderá o auxiliar muito quando o
objetivo é se tornar um expert do judiciário.
Nomeação e participação
do perito no processo
Um perito judicial necessita, obviamente, de um pleno conhecimento de
sua área de atuação. No caso das perícias judiciais ambientais, devido
às diversas características dos processos ambientais, o perito deve ser
um expert especificamente em cada tema a ser avaliado, como, por
exemplo, nos casos de emissões acima dos limites estabelecidos de
particulados em suspensão, de lançamentos sem tratamento prévio de
efluentes líquidos com carga de agentes químicos, de desmatamentos
com alterações da vegetação de determinada região, entre outros
modelos de práticas periciais.
É fundamental destacar que a Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 —
Novo Código de Processo Civil — trouxe inúmeras inovações no âmbito
da produção de prova pericial. Ao incorporar vários entendimentos
jurisprudenciais adotados na vigência, o código revogado enriqueceu a
legislação e afastou a possibilidade de discussões muitas vezes
infundadas e que tinham como origem a falta de um regramento mais
minucioso. Porém, um perito judicial necessita ter pleno conhecimento
técnico da matéria que está tratando no processo, não devendo jamais
aceitar encargos que esse profissional não tenha capacidade e
competência em sua formação.
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Exemplo do trabalho de um perito judicial, nesse caso relacionado à poluição.
É responsabilidade do expert do juízo utilizar todo o seu conhecimento
técnico para garantir uma avaliação correta, seja ela qualitativa,
quantitativa, documental ou comparativa em relação à legislação
vigente sobre o tema versado na lide processual. Porém, mesmo com
todo esse conhecimento, o perito precisa conhecer outro item
fundamental: o fluxo (ou rito) processual.
Um perito judicial deverá acompanhar o processo para atender ao
magistrado. Logo, estas fases devem ser de sua responsabilidade:
Responder ao juízo imediatamente após sua nomeação, podendo
aceitar ou declinar da mesma.
Ao aceitar os encargos, deverá propor os honorários periciais
considerando diversas variáveis: custos com equipamentos,
avaliações laboratoriais, deslocamentos, tempo de trabalho e
elaboração do laudo, entre outras despesas. É importante
apresentar uma planilha de custos, como um memorial descritivo
ao juiz.
Receber o processo e estudá-lo previamente para entender
profundamente sobre o tema a ser tratado.
Definir, de comum acordo com as partes, especialmente com os
respectivos assistentes técnicos, dia, horário e local da diligência,
com uma antecedência de 15 dias.
Elaborar seu laudo pericial, com sua conclusão e suas respostas
aos quesitos técnicos das partes envolvidas, dentro do prazo
definido pelo juízo em sua nomeação, apresentando-o de acordo
com a natureza técnica da demanda em questão.
Apresentar suas considerações complementares, caso uma das
partes, ou mesmo o juízo, questione seu laudo sob o ponto de vista
técnico, deixando bem claro quais são as suas linhas de trabalho
que geraram sua conclusão.
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Participar, caso seja necessário, de audiência pericial se houver
pedido das partes e convencimento do juiz para dirimirdúvidas
complementares em seu laudo pericial.
Encerrar sua participação ao solicitar, em petição específica, o
levantamento (pagamento) de seus honorários periciais.
O perito judicial deverá estar atento aos seguintes artigos do Código de
Processo Civil — CPC:
 Art. 157
O perito tem o dever de cumprir ofício no prazo que
lhe designar o juiz, empregando toda sua diligência,
podendo escusar-se do encargo alegando motivo
legítimo. A escusa será apresentada no prazo de 15
dias (anteriormente eram cinco), contados a partir
da intimação, da suspeição ou do impedimento
supervenientes, sob pena de renúncia ao direito a
alegá-la.
 Art. 158
O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações
inverídicas responderá pelos prejuízos que causar à
parte e ficará inabilitado para atuar em outras
perícias no prazo de dois a cinco anos,
independentemente das demais sanções previstas
em lei, devendo o juiz comunicar o fato ao
respectivo órgão de classe para adoção das
medidas que entender cabíveis.
 Art. 475
Tratando-se de perícia complexa que abranja mais
de uma área de conhecimento especializado, o juiz
poderá nomear mais de um perito e a parte poderá
indicar mais de um assistente técnico. Nesse caso,
a contratação de um consultor especialista na
ti á d i d bilid d d
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O perito do juízo deve estar bem atento aos artigos do CPC
mencionados anteriormente para que sua nomeação seja plenamente
aceita e sua condução não mereça nenhuma contestação.
Assim como um perito judicial deve estar atento às diversas fases de
um processo, os assistentes também devem acompanhar cada
movimentação, como petições dos advogados e despachos dos juízes,
para garantir à parte que o contratou os resultados esperados no
processo.
respectiva área deixa de ser responsabilidade do
perito.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
De acordo com o Conselho Nacional de Justiça — CNJ, quem
poderá se habilitar a atuar como perito judicial?
Parabéns! A alternativa E está correta.
A Qualquer profissional de nível superior ou não.
B
Qualquer pessoa com experiência em sua área de
atuação.
C Somente pessoas jurídicas.
D Somente pessoas físicas.
E
Qualquer pessoa de nível superior com experiência
comprovada e cadastramento no CPTEC.
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Podem atuar como peritos judiciais profissionais de nível superior
com comprovada experiência na área em que irão atuar e que
estejam corretamente cadastrados no CPTEC, seguindo as
determinações do Conselho Nacional de Justiça.
Questão 2
De acordo com o art. 158 do CPC, caso um perito judicial apresente
um laudo incorreto, com análises ambientais que não sejam
verdadeiras, caracteristicamente por dolo ou culpa, poderá ficar
inabilitado em suas atividades periciais. Dessa forma, por quanto
tempo o juízo poderá inabilitá-lo?
Parabéns! A alternativa D está correta.
O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas
responderá pelos prejuízos que causar à parte e ficará inabilitado
para atuar em outras perícias no prazo de dois a cinco anos,
independentemente das demais sanções previstas em lei, devendo
o juiz comunicar o fato ao respectivo órgão de classe para adoção
das medidas que entender cabíveis.
A Por um período de 1 a 3 anos.
B Por um período de 5 a 10 anos.
C Por um período de no máximo 2 anos.
D Por um período de 2 a 5 anos.
E Por um período não superior a 1 ano.
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4 - Fluxo processual, quesitos técnicos e
laudos periciais
Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever o �uxo
processual, a importância dos quesitos técnicos e os cuidados na
elaboração dos laudos periciais.
Vamos começar!
Fluxo processual, quesitos
técnicos e elaboração de
laudos
Confira o conteúdo a seguir para mais informações referentes ao fluxo
processual e demais aspectos importantes para elaboração de laudos.

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O �uxo processual
Um processo judicial tem toda uma dinâmica com um fluxo que deve ser
bem entendido por parte dos profissionais que atuam ou atuarão nas
perícias judiciais ambientais. Os juízes e os advogados já conhecem
toda a dinâmica em função de suas diversas rotinas nos tribunais,
porém é fundamental que os peritos também estejam atentos a cada
passo das demandas processuais. Dessa forma, vamos destacar o fluxo
em duas etapas do processo. Na primeira, poderemos observar o rito
em geral e, na segunda, o fluxo pericial de forma específica. Vejamos a
seguir:
Primeira etapa do fluxo do processo judicial.
É fundamental observarmos que os processos judiciais possuem
diversos aspectos e natureza, logo, sob o ponto de vista ambiental, o rito
processual não é diferente e deve seguir o fluxo apresentado
anteriormente. Portanto, sempre que a demanda judicial envolver
aspectos de recursos naturais, a perícia ambiental será fundamental;
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para tanto, o julgador deve nomear um profissional capacitado e
habilitado para atuar sob a sua responsabilidade e, com isso, apurar os
fatos que envolvem as questões ambientais e os impactos sofridos
pelas ações do homem.
“[...]A perícia ambiental tem como
objetivo o estudo e a preservação
do meio ambiente, o que abrange a
natureza e as atividades humanas.
(Naldalini , 2013, p. 34)
O perito judicial poderá se valer de outros profissionais para o auxiliar no
processo a fim de garantir ao juízo as provas que irão o convencer em
sua decisão.
Confira a seguir um diagrama do fluxo processual a partir da nomeação
do perito judicial.
Segunda etapa do fluxo do processo judicial.
Os peritos judiciais ambientais devem conhecer as diversas etapas do
processo, não se limitando apenas ao período de sua nomeação, mas
estudando o contexto desde seu início, para pleno entendimento da
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causa em que atuará para a justiça. Dessa forma, é fundamental saber
os passos e os referidos artigos em que o Código de Processo Civil se
faz presente para as demandas judiciais ambientais. São elas:
 Juiz determina a prova pericial — art. 464 e art. 484
do CPC.
 Nomeação do perito pelo juiz de determinação do
prazo de entrega do laudo pericial — art. 465 do
CPC.
 Escusa do perito — art. 467 do CPC.
 Impedimento ou suspeição do perito — artigos 148,
156, 464 e 467 do CPC.
 As partes apresentam quesitos e assistentes
técnicos — art. 465 do CPC.
 Perito estima seus honorários — art. 465, parágrafo
2º do CPC.
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A credibilidade dos profissionais que atuam como assistentes por
muitas vezes é questionada devido ao mal entendimento que aponta o
 Juiz arbitra os honorários — art. 465, parágrafo 2º
do CPC.
 As partes terão ciência da data e do horário da
diligência — art. 474 do CPC.
 Prorrogação do prazo — art. 476 do CPC.
 Protocolo do laudo por parte do perito — art. 477 do
CPC.
 Prazo para as partes se manifestarem sobre o
laudo — art. 477, parágrafo 1º do CPC.
 Apreciação da prova pericial e sentença do juiz —
art. 479 do CPC.
 Segunda perícia(caso seja determinada pelo juiz) —
art. 480 do CPC.
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profissional como auxiliar dos advogados das partes. Porém, há de se
reconhecer que a mesma conduta ética que cabe ao perito deve ser
levada em conta pelos assistentes, que devem ter responsabilidade com
a verdade técnica e com a ética profissional abraçando a tese do seu
cliente, se está convencido da sua justeza. Logo, todos os profissionais,
peritos ou assistentes devem ter o mesmo critério e mantê-lo em suas
atividades visto que, em um processo, podem ser nomeados pelo juízo e
noutros, indicados pelas partes, mas o conhecimento do fluxo
processual deve ser comum a todos.
A importância dos quesitos
técnicos
De acordo com o fluxo processual que apresentamos anteriormente, o
juiz determinará o prazo para que as partes apresentem seus
assistentes e seus respectivos quesitos ambientais, caso desejem.
Logo, o conhecimento do processo por parte dos profissionais é
fundamental. Primeiro por parte dos assistentes que deverão elaborar
os quesitos de acordo com a linha de trabalho dos advogados que
atendem seus clientes, visto que quesitos mal formulados podem gerar
extremos prejuízos às partes que o contrataram. E também por parte
dos peritos que devem ter conhecimentos técnicos sobre a matéria que
está sendo tratada, para utilizá-los em seu laudo pericial e garantir as
informações necessárias a fim de dirimir as dúvidas para a sentença do
juízo.
Confira a seguir os modelos de quesitos ambientais para que você
possa compreender a importância de elaborá-los tanto enquanto
assistentes quanto na função de peritos judiciais.
Listamos os tipos de quesitos genéricos mais comuns que devem ser
formulados pelos assistentes:
Qual é a localização (inclusive geográfica e cartográfica) da área do
empreendimento ou da intervenção?
A área em referência está inserida, ainda que parcialmente, em
alguma Unidade de Conservação ou abarcada pelo instituto do
tombamento? Identificar e justificar.
A área em questão é de interesse ambiental (considerada de
preservação permanente, reserva legal etc.).
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Tratando-se de área situada na zona rural, descrever a situação das
áreas de preservação permanente e de reserva legal, informando se
estão preservadas, se são exploradas (com pastos, plantações,
construções etc.) e se a área de reserva legal está devidamente
averbada. Sendo possível, juntar cópia de certidão do registro,
fornecida pelo proprietário.
Identificar o(s) respectivo(s) proprietário(s) e possuidor(es).
Informar quem foi ou continua sendo o responsável (pessoa física
e/ou pessoa jurídica) pelas atividades e intervenções.
Informar, sendo o caso, quem tinha a obrigação de cuidar para que
os efeitos das atividades e intervenções não acarretassem
alteração adversa das características do meio ambiente.
Informar se as atividades e as intervenções foram precedidas de
licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes.
Quando foi emitida dita licença/autorização? Juntar cópia.
Justificar, inclusive, a necessidade e possibilidade de prévia
obtenção daquela.
Esclarecer se o responsável auferiu vantagem econômica com a
exploração da lenha ou de outros produtos vegetais extraídos
irregularmente. Em caso positivo, qual é o valor aproximado da
vantagem, em pecúnia?
Informar se os fatos (intervenções) descritos acarretaram a
lavratura de Autos de Infração Ambientais (AIAs)? Em caso positivo,
juntar cópia legível de todos os AIAs. Do contrário, justificar a não
autuação dos supostos infratores.
Agora que vimos exemplos de quesitos genéricos, ou seja, aqueles que
podem ser aplicados nas diversas demandas ambientais, vamos
apresentar quesitos mais específicos elaborados pelos assistentes e
com as respectivas respostas dos peritos judiciais.
Houve dano ambiental no local periciado decorrente da extração de
minério?
Resposta
Toda a atividade de extração mineral produz degradação ambiental,
portanto, sim.
A área explorada é considerada de preservação permanente?
Resposta
Não, uma vez que o ”recurso hídrico” mais próximo encontra-se a
aproximadamente 200m de distância e consiste na lagoa de tratamento
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de esgotos da empresa pública. Ademais, o arroio do Salso encontra-se
a cerca de 550m. A área de extração também não está no topo do
morro.
É possível reparar o dano, caso constatado?
Resposta
Sim, é possível reparar a degradação ocorrida por meio da
implementação das medidas estabelecidas nos procedimentos de
licenciamento ambiental as quais são expressas no corpo da licença.
Se não for possível a reparação do dano e tampouco a adoção de
medida compensatória, qual é o valor do prejuízo ambiental
experimentado?
Resposta
A monetarização do prejuízo ambiental causado por quem lhe deu
causa será descrita em nossa conclusão da presente perícia.
Reiteramos a importância de conhecer o processo para que os
profissionais envolvidos, peritos e assistentes possam atuar em
conformidade com as respectivas demandas ambientais, o que
dependerá muito de seus conhecimentos sobre a matéria versada.
A elaboração do laudo
pericial
O laudo pericial é, na verdade, o resultado final do trabalho do perito
judicial ambiental, o que não significa que suas atividades e
responsabilidades frente ao processo ambiental tenham se encerrado
visto que as partes podem não concordar com seu laudo e o próprio juiz
poderá lhe solicitar informações complementares, que devem ser
realizadas dentro dos prazos estabelecidos pelo Código de Processo
Civil — CPC.
Reiteramos que, além do conhecimento técnico sobre a matéria em que
o perito atuará, existe também a natureza dos prazos estabelecidos pelo
CPC. Dessa forma, o laudo pericial deverá conter as informações
fundamentais, além das respostas aos quesitos, como já vimos
anteriormente, de modo que o magistrado tenha plena certeza de sua
sentença. O resultado do trabalho realizado na perícia é apresentado em
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forma de laudo ao juiz para que este dê prosseguimento ao processo e
contribua na sua sentença.
“O laudo é um parecer técnico escrito e fundamentado, emitido
por um especialista indicado por autoridade, relatando
resultados de exames e vistorias, assim como eventuais
avaliações com ele relacionadas.”
“O laudo é o resultado da perícia expresso em conclusões
escritas e fundamentadas, devendo conter fiel exposição das
operações e ocorrências das diligências, concluindo com parecer
justificado sobre a matéria submetida a exame do especialista e
respostas objetivas aos quesitos formulados pelas partes e não
impugnados pelo juízo.”
Observe o que aborda o Código de Processo Civil — CPC — em relação
ao laudo pericial:
“Art. 473. O laudo pericial deverá conter:
I — A exposição do objeto da perícia. II — A análise técnica ou científica
realizada pelo perito.
III — A indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando
ser predominantemente aceito pelos especialistas da área do
conhecimento da qual se originou.
IV — Resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz,
pelas partes e pelo órgão do Ministério Público.
§ 1o No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em
linguagem simples e com coerência lógica, indicando como chegou às
suas conclusões.
§ 2o É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem
como emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou
científico do objeto da perícia.”
Segundo Medeiros Junior e Fiker (2013, p. 31) 
Segundo MedeirosJunior e Fiker (1996, p. 31) 
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O laudo deve ser imparcial e de inteira
responsabilidade com a verdade técnica, baseando-se
nas perguntas elaboradas em forma de quesitos, mas
não somente a essas, devendo o perito ambiental fazer
suas devidas observações e análises de acordo com o
elemento a ser investigado.
Segundo Yee (1999), o laudo pericial é apresentado de acordo com os
quesitos formulados pelas partes, com as respectivas respostas. O
autor também sinaliza que o perito não está adstrito somente às
respostas aos quesitos, mas ao objeto da perícia, e deve esclarecer
todas as questões técnicas levantadas.
Confira o seguinte cenário.
Visão aérea de despejo de esgoto .
O cenário anterior é objeto de uma lide, ou seja, uma manifestação de
um autor que culminou em uma ação ordinária contra um réu.
Trata-se da emissão de efluentes líquidos sem tratamento prévio e,
dessa forma, após denúncia do autor, o juiz nomeou um perito
ambiental para verificar se tais denúncias eram pertinentes e se o réu
tinha realmente a participação nessa emissão de efluentes. O réu é uma
indústria de pequeno porte e que nega tais emissões.
As partes indicaram quesitos e assistentes técnicos.
O perito definiu sua metodologia e agendou com as partes a diligência.
Em seu laudo pericial, o perito apresentou o seguinte:
 Perícia ambiental
Identificação da fonte de emissão de efluentes.
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 Tipologia
Ação ordinária com pedido de reparação por danos
 Lide
Reparos da área impactada com indenização
coletiva dos danos gerados pela indústria por emitir
efluentes líquidos sem tratamento prévio com
presença de substâncias químicas nocivas à biota.
 Objeto periciado
Rede de drenagem pluvial da indústria em questão,
que utiliza a tubulações de Ø 0,40m, Ø 0,80m e Ø
1,00m também para emissões de efluentes
diretamente para o rio.
 Descrição suscinta
No dia 23 de novembro de 2019, foi realizada uma
vistoria no local, com a presença dos assistentes
técnicos das partes envolvidas na lide para
constatar a real fonte de emissão dos efluentes e
retirar amostras das características físico-químicas
destas, e consequente avaliação laboratorial para
dar sustentação ao presente laudo técnico.
 Contextualização
O l l i di i dú t i d
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O local possui diversas indústrias de pequeno e
médio portes e o réu alega em sua defesa que não
emite efluentes dessa natureza sem o devido
tratamento prévio e que mantém corretamente
todas as suas licenças ambientais e de operação e,
ainda, que recebe periodicamente as visitas dos
auditores ambientais sem nunca ter recebido
multas ou interdições em sua operação. Alega que
não há como afirmar ser de sua origem tal dano
ambiental e que este pode ser proveniente de
outras fontes industriais.
 Conclusão do perito
O perito do juízo, após suas avaliações técnicas
qualitativas e quantitativas, e suas respostas aos
quesitos das partes, o que incluiu o resultado
laboratorial quanto às características dos efluentes
líquidos lançados sem tratamento prévio no rio que
margeia tanto a empresa em questão quanto as
adjacentes, concluiu em seu laudo pericial que a
indústria, ré no referido processo, é a causadora do
dano ambiental, de forma inquestionável. Os
assistentes das partes, autora e ré, apresentaram
suas considerações concordantes quanto às
abordagens do perito em seu trabalho.
 Sentença do Juíz
O juiz, de posse de todas as evidências técnicas,
emitiu sua sentença, determinando que a empresa
paralise imediatamente tais lançamentos, além de
aplicar uma multa ambiental para a reparação
parcial da biota, e encaminhar sua decisão tanto ao
Ministério Público quanto às secretarias do
ambiente (estadual e municipal).
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Vale ressaltar que, para a elaboração de um laudo pericial, não existe um
modelo pré-pronto que peritos e assistentes devem seguir, porém
existem orientações normativas, além dos quesitos, que direcionam o
laudo pericial.
A legislação não prescreve a forma
pela qual o laudo deve ser
apresentado. Constituindo a peça
representativa das operações
periciais, das ocorrências das
diligências e da concatenação dos
fatos que determinam as
conclusões do vistor, deve obedecer
à orientação individual desse, razão
pela qual, sem sombra de dúvida,
seria desaconselhável exigir-se
respeito a fórmulas
predeterminadas.
(MEDEIROS JUNIOR; FIKER, 1996, p. 31)
 Conclusão
Fim do processo.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Em um processo judicial ambiental, qual é a importância dos
quesitos técnicos?
A
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Parabéns! A alternativa E está correta.
Os quesitos técnicos de natureza ambiental são elaborados pelos
assistentes técnicos das partes envolvidas no processo e
respondidos pelo perito, como parte de seu laudo para garantir o
pleno entendimento da demanda ambiental.
Questão 2
De acordo com o art. 473, um laudo ambiental deverá conter:
Os quesitos servem para que o juiz responda às
partes de forma a esclarecer a lide.
B
Os quesitos são inseridos nos processos, mas não
têm nenhuma importância no laudo pericial.
C
Os quesitos são importantes para que os
advogados respondam ao laudo.
D
Os quesitos não têm nenhuma importância para a
elaboração de um laudo pericial.
E
Os quesitos fazem parte do laudo pericial e devem
ser respondidos pelo perito para contribuir no
entendimento da lide processual.
A A decisão e a sentença do perito judicial.
B O valor da multa que o infrator deverá pagar.
C
A indicação do método utilizado, esclarecendo-o e
demonstrando ser predominantemente aceito pelos
especialistas da área do conhecimento da qual se
originou.
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Parabéns! A alternativa C está correta.
De acordo com o art. 473, um laudo pericial deverá conter todas as
informações técnicas que venham a contribuir para a elucidação da
demanda ambiental, logo, as avaliações quantitativas, com as
demonstrações das metodologias utilizadas, bem como as
avaliações qualitativas realizadas durante as diligências, são
fundamentais para a conclusão do trabalho e para a apreciação,
tanto das partes quanto do juízo.
Considerações �nais
Como vimos, a perícia judicial tem extrema importância em um
processo para garantir uma sentença por parte do juiz, ou seja, garantir
imparcialidade e plena isonomia em sua decisão, com base em um
contexto extremamente técnico. Portanto, a perícia é o ato da
investigação no qual o profissional habilitado utiliza ferramentas
propícias para evidenciar fatos e apurar causas.
A perícia é o exame de situações ou fatos relacionados a coisas e a
pessoas praticado por especialistas na matéria que lhe é submetida,
com o objetivo de elucidar determinados aspectos técnicos. Dessa
forma, a perícia judicial ambiental é extremamente importante para que
os aspectos ambientais sejam analisados por um profissional
especializado na matéria, e nomeado pelo juiz, que deve apresentar um
laudo criterioso e fornecer ao magistrado plena certeza em sua decisão.
Nesse sentido, em uma perícia ambiental judicial, tanto o perito do juízo,D
O perito não está restrito à sua nomeação, logo, em
seu laudo estará totalmente liberado para inserir
qualquer informação, incluindo suas opiniões
pessoais sobre o pleito.
E
Um laudo pericial ambiental deverá conter apenas
as avaliações quantitativas, não sendo pertinentes
as avaliações qualitativas para fins de conclusão do
documento.
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profissional nomeado pelo juiz, quanto os assistentes técnicos
indicados pelas partes têm fundamental importância para o equilíbrio e
a imparcialidade processual.
Podcast
Para encerrar, ouça mais sobre os assuntos abortados.
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perícia ambiental, legislação, perito, assistente técnico e laudo de
acordo com a visão da legislação brasileira: Perícia e avaliação
ambiental: um olhar pela legislação, publicado pela Editora Reflexão
Acadêmica em 2021.
Referências
ALVES; SILVA; BERNSTEIN. Impactos do acidente na indústria de papel
e celulose Cataguases, no Rio Paraíba do Sul. Revista Educação
Pública. Consultado na internet em: 2022. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR 13752: Perícias de engenharia na
construção civil. Rio de Janeiro, 1996.
BRASIL. Código de Processo Civil. Lei nº 13.105, 16 de março de 2015.
Brasília, 2015.
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BRASIL. Código do Processo Civil. Livro III: dos sujeitos do processo, 16
de março de 2015. Brasília, 2015.
BRASIL. Código do Processo Civil. Livro I: do processo de conhecimento
e do cumprimento de sentença, 16 de março de 2015. Brasília, 2015.
BUENO, C. S. Novo Código de Processo Civil Anotado. São Paulo:
Saraiva, v. 2105, 2015.
GEROLLA, G. Carreira: perito em Engenharia. São Paulo: Revista Téchne,
ed. 182. 2011.
INSTITUTO BRASILEIRO DE AVALIAÇÕES E PERÍCIA DE SÃO PAULO.
IBAPE/SP. Perícias de engenharia. São Paulo: Pini, 2008.MEDEIROS
JUNIOR, J. R.; FIKER, J. A perícia judicial: Como redigir laudos e
argumentar dialeticamente. [S.l.]: Leud, 1996.
MEDEIROS JUNIOR, J. R.; FIKER, J. A perícia judicial: como redigir
laudos e argumentar dialeticamente. [S.l.]: Leud, 2013.
NADALINI, A. C. V. Valoração socioambiental em áreas de preservação
permanente no Rio do Sal em Aracaju/SE. 2013. Dissertação (mestrado
em Desenvolvimento e Meio Ambiente) — Núcleo de Pós-graduação em
Desenvolvimento e Meio Ambiente. Universidade Federal de Sergipe,
Sergipe, 2013.
TIM, L. B. Direito e economia no Brasil: Estudos sobre a análise
econômica do direito. 4. ed. São Paulo: Foco, 2021.
YEE, Z. C. Perícia civil – manual prático. Curitiba: Juruá, 1999.
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