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Formação em perícia ambiental Prof. Marcio Vicente Descrição A importância das perícias judiciais e extrajudiciais; as funções do perito judicial e do assistente técnico; as atuações de um perito judicial; a elaboração dos laudos ambientais e dos quesitos técnicos; o fluxo processual. Propósito Compreender que as perícias ambientais se tornaram um importante instrumento, especialmente para o judiciário, devido às diversas não conformidades ambientais e ao não cumprimento das legislações ambientais em vigor no Brasil. Logo, o perito nomeado pela justiça tem a função de avaliar os locais impactados e elaborar seu laudo para a sentença do juiz. Preparação Antes de iniciar seu estudo, pesquise a Lei nº 5869, de 11 de janeiro de 1973 — o Código de Processo Civil brasileiro — e a Lei nº 6938, de 31 de agosto de 1981 — a Política Nacional do Meio Ambiente—, para entender os conceitos e as normas para atuação na área. Objetivos 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 1/52 Módulo 1 Perícias judiciais e extrajudiciais Reconhecer a importância das perícias judiciais e extrajudiciais. Módulo 2 Funções do perito judicial e do assistente técnico Definir as funções do perito judicial e do assistente técnico. Módulo 3 Atuações de um perito judicial Identificar as atuações de um perito judicial Módulo 4 Fluxo processual, quesitos técnicos e laudos periciais Descrever o fluxo processual, a importância dos quesitos técnicos e os cuidados na elaboração dos laudos periciais. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 2/52 Introdução Para começar, assista agora a um vídeo sobre a importância das perícias ambientais frente aos processos judiciais. 1 - Perícias judiciais e extrajudiciais Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a importância das perícias ambientais frente aos processos judiciais. Vamos começar! 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 3/52 Você sabe a diferença entre uma perícia judicial e a extrajudicial? Assista ao vídeo a seguir para saber mais sobre os aspectos da perícia judicial e extrajudicial. A importância das perícias ambientais Inicialmente, é fundamental destacar a importância das perícias para o bom andamento de um processo judicial, visto que o juiz se valerá das informações contidas no laudo elaborado por um profissional especializado para emitir sua sentença. A perícia é a forma prática de o juiz emitir sua decisão com base em fatos obtidos no ambiente periciado, com informações técnicas, sejam elas quantitativas ou qualitativas, o que lhe dará as garantias de que o processo transcorreu de forma correta e imparcial. Normalmente, as perícias ocorrem quando as partes envolvidas em um processo não chegam a um acordo e, dessa forma, o juiz se vale de um expert, ou seja, de um profissional qualificado na área em que o processo tramita; nesse caso específico na área ambiental, para a condução processual. Uma perícia pode ocorrer por denúncia em função de uma empresa, ou mesmo de uma pessoa física, estar conduzindo seus processos ambientais de forma irregular. Logo, o judiciário, que pode ser o Ministério Público Ambiental, poderá recorrer a uma perícia para constatar se a referida denúncia faz sentido e, em caso positivo, à sequência processual. Exemplo Considere uma indústria instalada próximo a uma zona residencial e que lança seus efluentes diretamente no logradouro público sem tratamento prévio, gerando impactos significativos ao meio ambiente. Uma pessoa 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 4/52 física ou uma associação de moradores, após diversas tentativas de alinhamentos com a empresa, sem sucesso, poderá entrar com uma ação para que esta pare de operar de forma incorreta, com impactos e danos ambientais, e se ajuste à legislação em vigor. O juiz, durante uma audiência chamada de “conciliação”, verifica que a empresa nega as acusações e que o denunciante continua afirmando tais irregularidades. Sem saber quem está com a razão, é nomeado um perito, devidamente cadastrado no sistema do judiciário, para avaliar o local e emitir seu laudo. A partir dessas informações técnicas disponibilizadas, o juiz emitirá sua sentença de forma imparcial. É importante destacar que as perícias ambientais têm natureza judicial (ou até extrajudicial), o que difere das auditorias, que são em geral voluntárias, podendo ser internas ou externas. Portanto, uma constatação de impacto ambiental significativo atestado por uma perícia ambiental poderá gerar sérios prejuízos para uma empresa, tais como: interdição, paralização e pagamento de multas pelo dano causado ao meio ambiente. Nas auditorias, uma vez identificadas as não conformidades, as empresas seguem um cronograma de ajustes conforme orientações dos auditores. Observem que o fato gerador pode ser o mesmo, ou seja, um dano ambiental, mas as tratativas são bem distintas. Logo, a perícia ambiental é uma espécie de perícia judicial, determinada pelo juiz durante o trâmite de uma ação judicial, sendo um instrumento de prova que objetiva esclarecer fatos que exijam um conhecimento técnico específico para a sua exata compreensão, pois não se pode exigir do magistrado conhecimento pleno a respeito de todas as ciências humanas e exatas. De forma mais técnica, a NBR (Norma Brasileira Regulamentar) 14653-1: 2011 define a perícia como: “Atividade técnica realizada por profissional com qualificação específica, para averiguar e esclarecer fatos, verificar o estado de um bem, apurar as causas que motivaram determinado evento, avaliar bens, seus custos, frutos ou direitos.” 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 5/52 A atividade pericial na área ambiental é regida pelo Código de Processo Civil, como as demais modalidades de perícia; é submetida à mesma prática forense, mas que, por atender a demandas especificas advindas das questões ambientais, se desenvolverá sob o suporte da legislação tutelar ambiental; é designada pela legislação ambiental, que regulamenta a proteção ambiental em níveis federal, estadual e municipal, no âmbito do direito ambiental. O Código de Processo Civil, além de definir o que é perícia e de indicar as situações em que esta é desnecessária, traz o procedimento que deve ser observado para a realização da prova pericial. No tocante à necessidade de produção desse tipo de prova, o art. 420, parágrafo único do CPC, prescreve: a prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. É muito importante deixar bem claro que nem todas as demandas judiciais terão a necessidade de uma perícia ambiental. Observem que um juiz irá indeferir uma perícia nas seguintes situações: 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 6/52 Quando a prova do fato não depender do conhecimento especial do técnico. Quando for desnecessária em vista de outras provas produzidas. Quando a verificação for impraticável. A prova pericial é o meio mais complexo, demorado e caro entre todo o sistema de prova, e dessa maneira deve ser admitida para as hipóteses em que seja necessário e indispensável contar com o auxílio de um especialista. A perícia surge normalmente em decorrência de uma demanda, por iniciativa de uma das partes interessadas na busca de provas de atos e fatos por ela levantados para fundamentar um direito pleiteado.E De acordo com Aurélio Buarque de Holanda, a perícia pode ser definida como: “Vistoria e exame de caráter técnico e especializado.” Classi�cação das perícias ambientaisAs perícias em geral, incluindo as ambientais, possuem diversas classificações. Para facilitar, vamos analisar as três modalidades mais comuns das perícias ambientais: Perícias judiciais A prova pericial é de fundamental importância no sentido de se confirmar, cientificamente, a ocorrência do dano e a apuração de sua real extensão ambiental. Ela é importante para que o juiz tenha convicção no julgamento da procedência do pedido do autor e possa determinar, se for o caso, a cessação da atividade ou conduta lesiva, a reconstituição do bem lesado, ou, se impossível, a reconstituição, a indenização em dinheiro equivalente ao prejuízo constatado, a ser revertida a um fundo para recuperação dos bens lesados. Perícias extrajudiciais 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 7/52 As perícias extrajudiciais são aquelas que não envolvem justiça, pois não existe um processo formal, contratando-se um perito para a elaboração de um parecer técnico. Não pode ser considerada uma “prova” judicial; toda prova pericial advém de uma perícia, nem toda perícia será prova judiciária. Assim, só é prova pericial a resultante de perícia judicial, cujo perito tenha sido escolhido pelo juízo. Perícias arbitrais A perícia arbitral é realizada no juízo arbitral, instância criada pelas partes, cujo perito será o árbitro e, enquanto árbitro, é o juiz de fato; sua atividade é arbitragem. Embora não seja judicialmente determinada, tem valor de perícia judicial, com natureza extrajudicial, pois as regras serão determinadas pelas partes. Denomina-se arbitragem a via de solução de conflito alternativa ao sistema jurisdicional estatal, na qual um decisor é o árbitro, escolhido pelas partes, a quem se atribui a função de resolver o conflito segundo as regras, os critérios e os procedimentos por elas autorizados. “Com efeito, […] se comparada à prestação jurisdicional estatal, a arbitragem pode reduzir os custos de transação da prestação jurisdicional. Em primeiro lugar, em razão da agilidade com que é concluída” (TIM, 2021). O procedimento arbitral não está sujeito à rigidez dos processos judiciais, não se submete ao regime dos infindáveis recursos a instâncias superiores, e os árbitros, não raro, contam com a infraestrutura necessária para que suas decisões sejam tomadas com grande rapidez. No caso da perícia arbitral ambiental, o árbitro escolhido acumulará as funções de perito e de técnico. Isso é, com base em seus conhecimentos, ele irá proferir uma decisão ao conflito surgido entre as partes. Assim, a arbitragem pode revelar-se como modo de obtenção da solução justa, pelo fato de, à escolha conjunta das partes do caso concreto, um expert na matéria-objeto da controvérsia vir a decidir sobre o conflito. Existem três modelos clássicos de perícia técnica para questões ambientais: Perícia judicial 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 8/52 As partes não chegam a um acordo e o juiz necessita de uma base para sua decisão. Perícia extrajudicial As partes em comum acordo contratam um profissional especializado para elaborar o laudo e o teor contido no documento será aceito para solução da demanda. Perícia arbitral Um procedimento de rápida solução no qual o juiz de fato, mas não de direito, será um profissional especializado na área ambiental, que decidirá do lado de quem está a razão no que diz respeito à demanda. Entendendo a necessidade da perícia judicial O caso a seguir foi muito divulgado no Brasil por ter ocorrido na Zona da Mata Mineira e ter impactado diretamente no Rio Paraíba do Sul. Observem os aspectos e os impactos ambientais nesta ocorrência: A Indústria Cataguases de Papel, no Estado de Minas Gerais, depositou em torno de 1,2 bilhão de litros de dejetos químicos no Rio Pomba. Dentro do reservatório, encontrava-se (especialmente) lixívia, que se trata de uma solução utilizada no cozimento da madeira para extração da celulose, e tem como base o carbonato de sódio. Essa ação promoveu uma mancha tóxica no Rio Pomba, que por consequência veio a atingir os afluentes, levando o problema a 39 municípios da Zona da Mata, além de oito cidades do Norte Fluminense. O abastecimento de água e as atividades balneárias foram interrompidos. O acidente afetou todo o ecossistema da bacia, dizimando diversos animais. A mata ciliar, os animais silvestres e de criação, além de peixes e crustáceos, foram dizimados pelo acidente, que alterou o ecossistema da bacia do Paraíba do Sul. O acidente promoveu uma extensa mancha nos rios, que provia recursos para 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 9/52 sobrevivência da população ribeirinha. As substâncias altamente tóxicas perdurarão nas matas ciliares e nos sedimentos dos rios por bastante tempo, alguns compostos orgânicos precisarão de anos para se decompor por completo, prejudicando a agricultura local, o que faz notar a extensão do acidente. Você pode estar questionando qual tipo de perícia ambiental deveria ter sido realizada nesse caso, ou seja, judicial, extrajudicial ou arbitral? Observe a magnitude do caso, com uma grande repercussão nacional e internacional, com impactos extremamente negativos à biota, comprometendo fauna e flora diretamente e modificando até mesmo as características de sobrevivência da população local. Dessa forma, não há o que se questionar: trata-se de uma perícia judicial ambiental. As avaliações técnicas elaboradas por profissionais especializados foram fundamentais para identificar os danos ambientais causados pela Cia. Cataguases e para ampliar o processo para níveis de denúncias junto ao Ministério Público de Minas Gerais, com abordagens administrativas e criminais. Foi o laudo pericial elaborado pelo “expert da justiça” que permitiu ao judiciário determinar as interdições na empresa e os enquadramentos dos seus diretores, além de multas significativas para os reparos ambientais necessários no processo de remediação em 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 10/52 geral. Logo, não há dúvidas que crimes ambientais dessa natureza não são passíveis de perícias extrajudiciais ou arbitrais. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 11/52 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Nas demandas judiciais, caberá ao juiz deferir ou indeferir o pedido de uma perícia ambiental. Dessa forma, marque a alternativa que poderá motivar o indeferimento do pedido de uma prova pericial: Parabéns! A alternativa C está correta. De acordo com o Código Civil — CPC 420 —, um juiz poderá indeferir uma prova pericial nas seguintes situações: quando a prova do fato não depender do conhecimento especial do técnico; quando for desnecessária em vista de outras provas produzidas; e quando a verificação for impraticável. Questão 2 A Quando o juiz tiver conhecimento técnico suficiente na demanda ambiental. B Sempre que uma das partes envolvidas solicitar o indeferimento. C Quando a prova do fato não depender do conhecimento especial do técnico. D Se a parte acusada fizer o depósito da remediação ambiental. E Se a parte ré no processo não for encontrada. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 12/52 Em que tipo de perícia um profissional especializado poderá acumular a função de decisor e perito ao mesmo tempo? Parabéns! A alternativa E está correta. No caso da perícia arbitral ambiental, o árbitro escolhido acumulará as funções de perito e de técnico. Com base em seus conhecimentos,ele irá proferir uma decisão ao conflito surgido entre as partes. 2 - Funções do perito judicial e do assistente técnico A Perícia criminal. B Perícia judicial. C Perícia extrajudicial. D Perícia securitária. E Perícia arbitral. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 13/52 Ao �nal deste módulo, você será capaz de de�nir as funções do perito judicial e do assistente técnico. Vamos começar! Você sabe quais são as funções do perito judicial e do assistente técnico? Assista ao vídeo a seguir para saber mais sobre as funções do perito judicial e também do assistente técnico. Funções dos peritos ambientais frente aos processos judiciais Um processo judicial existe porque uma pessoa física ou jurídica, ou ainda um ente público, reclama de algo que está prejudicando-a direta ou indiretamente, apontando o causador desse prejuízo e, no caso ambiental, um possível dano. Desse modo, temos envolvidos três entes específicos: o autor, o réu e o juízo. O juiz necessita entender a demanda ambiental e determinar uma audiência de conciliação para ouvir as partes autora e ré no processo. Após apresentarem seus questionamentos, o juiz entende que não há como conciliar ou chegar a bom termo entre os envolvidos e determina que o processo necessitará de uma perícia judicial. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 14/52 Logo, nomeia um profissional cadastrado no sistema do judiciário que fornecerá suporte de natureza técnica no processo, conforme sua experiência e sua formação na área ambiental em que atuará para a justiça. No momento da nomeação, o juiz solicita que o perito apresente sua postulação de honorários e determina um prazo para a elaboração do laudo pericial, que lhe servirá de base para a sua decisão e sua sentença. Portanto, a atuação do perito é exercida no sentido de satisfazer a finalidade da perícia, verificando fatos relacionados à matéria em questão, certificando-os, apreciando-os ou interpretando-os. Seu parecer técnico, resultante da perícia, será apresentado, conforme determinação do juiz, em inquirição em audiência ou por escrito. Precisamos ressaltar que o perito judicial não é um servidor público concursado, e sim um profissional cadastrado no sistema do judiciário que atuará por demandas, conforme suas nomeações especificamente para cada processo judicial de natureza ambiental. Esse rito ocorre do mesmo modo para outras demandas, como no caso das perícias de imóveis, grafotécnicas, criminais e até mesmo trabalhistas. Todas têm o mesmo fluxo processual. Perito 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 15/52 A palavra perito é proveniente do latim peritus e é formada pelo verbo perior que significa experimentar. O perito é aquele que, dadas as suas habilidades/qualidades, é capaz de verificar fatos em situações nas quais são necessários conhecimentos específicos, suprindo as insuficiências jurídicas. Por sua natureza, um perito judicial deverá: Ser totalmente imparcial com a demanda que lhe foi conferida. Cumprir os prazos conforme estabelecido pelo juiz. Valer-se de provas técnicas, com avaliações de campo, sejam elas quantitativas ou qualitativas, e até mesmo as documentais. Garantir que as partes sejam ouvidas durante suas diligências. Não ter qualquer relacionamento com uma das partes envolvidas no processo. Garantir que seu laudo contenha todas as informações para que o magistrado emita sua sentença de forma inequívoca. Veja o seguinte exemplo: um perito é nomeado pelo juiz para dirimir uma demanda ambiental a fim de avaliar os possíveis danos causados por uma operação de uma grande indústria química, visto que essa empresa está sendo processada por emitir dióxido de enxofre muito acima dos limites estabelecidos pela legislação, causando sérios prejuízos à biota. Ao receber sua nomeação, o perito verifica se tratar de uma empresa em que ele atuou no passado como engenheiro ambiental, já tendo elaborado laudos ambientais e demais procedimentos. No caso do exemplo, como o perito deve proceder? Precisamos observar que, por mais idôneo que o perito seja, seu antigo vínculo empregatício com a empresa ré no processo o colocará em suspeição. Então, o perito nomeado deverá declinar da nomeação, explicando em petição dirigida ao juiz os motivos pelos quais ele não poderá o atender nesta demanda. Nesse caso, o procedimento correto é que o magistrado nomeie outro perito judicial para essa demanda ambiental. Funções dos assistentes técnicos frente aos processos judiciais 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 16/52 Conforme abordamos anteriormente, um processo judicial tem três partes envolvidas, ou seja, quem reclama, quem é reclamada e a justiça. Para dar isonomia e imparcialidade ao processo, o juiz nomeia um profissional especializado para o atender, porém as partes interessadas têm, da mesma forma, o direito de indicar seus respectivos assistentes técnicos nas demandas ambientais. Observem que, diferentemente dos peritos judiciais que são nomeados, os assistentes são indicados conforme decisão exclusiva dos envolvidos. Dessa forma, não é uma obrigatoriedade das partes indicarem um profissional para assisti-los, podendo se valer da atuação exclusiva do perito judicial. Perito judicial Profissional nomeado pela justiça. Assistente técnico Profissional indicado pelas partes. Vamos recorrer ao nosso Código de Processo Civil — CPC 420 — que deixa bem claro que, ao lado do perito, de nomeação do juiz, se institui a figura do assistente técnico da parte. Nesse sentido, os assistentes técnicos ambientais são peritos indicados pelas partes. A distinção entre perito e assistente técnico está na nomenclatura e emerge do sujeito processual que o nomeia: o primeiro é nomeado pelo juiz conforme o CPC, art. 421, e o segundo é indicado pela parte, conforme o CPC, art. 421, parágrafo 1º, I. Os assistentes técnicos não se sujeitam às restrições do art. 138 do CPC ou às sanções do art. 424, parágrafo único, tendo, ainda, prazo diverso para a apresentação de seus pareceres, de acordo com o CPC, art. 433, em seu parágrafo único. O assistente técnico atua como um verdadeiro consultor da parte que está atendendo e o seu parecer equivale ao tema de uma perícia extrajudicial discutida no processo. É muito importante, quando um processo é “distribuído” no judiciário, que a parte envolvida entre em contato com seu assistente para que ele possa estudar o processo, apresentar suas considerações para, até mesmo, a auxiliar nas defesas e contestações. Além disso, ele deve elaborar os quesitos ambientais, participar das diligências e das reuniões com o perito e analisar o laudo do expert do juízo, apresentando suas considerações complementares. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 17/52 Podemos afirmar que um assistente técnico pericial nas demandas ambientais pode ser de grande importância para auxiliar a parte que o contratou. Portanto, para garantir o equilíbrio do processo, é fundamental que as partes apresentem os seus respectivos assistentes. Assim, toda perícia judicial pode ter presente um perito e um assistente técnico, profissionais extremamente importantes para o processo. O perito é um auxiliar da justiça, que tem a função de oferecer laudos técnicos dos processos judiciais. Já o assistente técnico é alguém de confiança das partes envolvidas no processo. É importante deixar claro que a presença de um perito é obrigatória, mas a dos assistentes técnicos é de decisão livre de cada parte interessada. Estes são os deveres doassistente técnico pericial nas demandas ambientais: Dar suporte aos advogados da parte que o contratou. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 18/52 Diferença entre peritos e assistentes nos processos judiciais Perito Analisar previamente os exames periciais, verificando se existe algum erro com base no exame minucioso da metodologia adotada. Analisar, identificar e adequar técnicas que possam prejudicar o processo. Acompanhar os trabalhos de perícia tanto do perito quanto do juiz. Orientar e ajudar na elaboração dos quesitos que serão respondidos pelo perito oficial. Elaborar um parecer técnico que seja concordante ou discordante com o laudo emitido pelo perito do juiz. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 19/52 Segundo o art. 473, do CPC, o perito é um profissional que o juiz nomeia em demandas judiciais, em razão da exigência de prova e conhecimento especializado. Seu objetivo é apresentar informações e conclusões técnicas em laudo pericial, que será abordado mais adiante. Assistente técnico Assim como os peritos, os assistentes técnicos são profissionais de conhecimento especial, parciais, uma vez que são contratados por partes envolvidas no litigo. O CPC preceitua, em seu art. 466, § 1o, que “os assistentes técnicos são de confiança da parte e não estão sujeitos a impedimento ou suspeição”. É clara a disposição do art. 95 do mesmo estatuto ao assegurar que “cada parte adiantará a remuneração do assistente técnico que houver indicado, sendo a do perito adiantada pela parte que houver requerido a perícia ou rateada quando a perícia for determinada de ofício ou requerida por ambas as partes”. Do mesmo modo que o perito apresenta o laudo pericial, o assistente técnico pode ofertar seu parecer técnico, impugnando ou concordando, sempre sob o ponto de vista técnico para o qual foi nomeado, com o trabalho do perito expert. Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos podem valer-se de todos os meios necessários: ouvir testemunhas, obter informações, solicitar documentos que estejam em poder da parte, de terceiros ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros elementos necessários ao esclarecimento do objeto da perícia. Enfim, tanto o perito como os assistentes técnicos são profissionais fundamentais para o esclarecimento de questões técnicas que comumente estão inseridas em processos judiciais, fornecendo elementos para uma decisão judicial justa. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 20/52 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Após ser nomeado pelo juiz, caberá ao perito: 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 21/52 Parabéns! A alternativa E está correta. O perito do juízo é um profissional especializado nas demandas ambientais que são conferidas pelo juiz e deverá garantir um laudo correto e apresentado dentro do prazo estabelecido no momento de sua nomeação, além de responder a todos os quesitos elaborados pelos assistentes. Questão 2 Em relação ao assistente técnico, é correto afirmar: A Aguardar que os assistentes técnicos agendem as diligências periciais. B Orientar os advogados quanto à defesa de seus processos. C Elaborar os quesitos técnicos para que os assistentes respondam no laudo. D Solicitar as partes que depositem os honorários estabelecidos por ele. E Garantir que seu laudo contenha todas as informações para que o magistrado emita sua sentença de forma inequívoca. A Será nomeado pelo juiz. B Atenderá às duas partes no processo judicial. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 22/52 Parabéns! A alternativa C está correta. O assistente técnico é indicado pela parte que ele atendera e jamais é nomeado pelo juízo. Dessa forma, uma de suas atribuições é elaborar os quesitos técnicos que deverão ser respondidos pelo perito judicial. 3 - Atuações de um perito judicial Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as atuações de um perito judicial. Vamos começar! C Elaborará os quesitos técnicos conforme o processo. D Elaborará o laudo pericial que servirá da sentença do juiz. E Participará de todas as audiências. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 23/52 Você sabe quais são as atuações de um perito judicial? Confira o conteúdo a seguir para saber mais sobre os segmentos de atuação de um perito judicial. Atuações de um perito judicial ambiental Um perito judicial é o profissional que atende às demandas do judiciário conforme o tema, ou a chamada lide processual, devendo estar devidamente registrado no cadastro geral de peritos judiciais de sua região, seguindo as orientações e as determinações do Conselho Nacional de Justiça — CNJ. Dessa forma, um juiz nomeará sempre um profissional que esteja devidamente cadastrado no sistema e que tenha condições técnicas de o atender visto que o seu laudo pericial deverá conter as informações que serão a base de sua decisão e de sua sentença. No caso das demandas ambientais, os peritos atenderão às suas nomeações de acordo com o tema a ser debatido. E não são poucas as características a serem sanadas pelos profissionais, conforme seu atendimento e sempre se baseando nas evidências de campo, com avaliações qualitativas e quantitativas atreladas às legislações aplicáveis. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 24/52 Um profissional poderá ser nomeado pelo juiz (vamos lembrar que ele não é um servidor público, e sim um profissional cadastrado e à disposição da justiça) e aceitar ou declinar do encargo. Por exemplo, um juiz nomeia um profissional corretamente cadastrado no judiciário para o atender em uma demanda que envolva uma possível emissão de particulados em suspensão por uma determinada indústria. Uma de suas funções será avaliar tecnicamente se a empresa realmente produz em uma ordem que ultrapassa os limites de tolerância por meio de seus lançadores para o meio ambiente. Para tanto, deverá utilizar metodologias quantitativas com o uso de coletores isocinéticos para avaliar a temperatura das chaminés (por exemplo), sua velocidade e as características de isocineticidade. Observe que a manipulação de um coletor isocinético de poluentes atmosféricos requer que o profissional tenha muita experiência no tema e que são poucos os que efetivamente possuem condições técnicas, incluindo equipamentos próprios para esse fim. Nesse caso, se o profissional não tiver tais especialidades e habilitações, deverá declinar do seu encargo, explicando em petição ao magistrado os motivos pelos quais recusará de sua “honrosa” nomeação e seus encargos. Veja também que cada profissional tem experiência nos diversos temas que as demandas podem solicitar, como avaliações de ruído urbano, 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 25/52 lançamentos de poluentes atmosféricos, efluentes sem tratamento prévio por parte das indústrias, desmatamentos em áreas de reserva legal, construções em áreas non aedificandi, entre outras tantas demandas no campo ambiental. Apesar de todas as naturezas das perícias ambientais, o profissional pode também se valer, em seu trabalho, em avaliar documentos de uma empresa ré em um processo, como, por exemplo: sistemade gestão ambiental, auditorias ambientais e seus resultados, multas ambientais, entre outros documentos importantes a serem considerados em sua diligência. Ampliando esse tema, uma perícia ambiental poderá servir para avaliar se uma empresa autuada, e que recorreu ao Termo de Ajustamento de Conduta Ambiental — TAC, está cumprindo-o corretamente ou se deixou de seguir todos os termos ali contidos. Logo, nesse caso, o autor pode ser o Ministério Público e a ré, uma empresa de qualquer seguimento econômico. É importante deixar registrado que uma auditoria ambiental, seja externa seja interna, pode ser agendada previamente ou não, mas uma perícia judicial sempre deverá ter uma diligência agendada previamente, com antecedência de no mínimo de 15 dias, conforme estabelece o CPC em seu art. 420. Dessa forma, cabe ao perito judicial comunicar às partes, data, horário e local a ser periciado. Formação de um perito ambiental Uma pergunta muito comum a ser respondida e bem esclarecida é esta: quem pode ser perito judicial? A resposta é muito simples: perito é um profissional de nível superior, com formação acadêmica na área em que irá atuar, e deverá comprovar suas titulações por meio de um cadastramento seguindo as orientações contidas nas determinações do Conselho Nacional de Justiça — CNJ: “Resolução 233 de 13 de julho de 2016 do Conselho Nacional de Justiça que dispõe sobre a criação de um cadastro de profissionais e órgãos técnicos ou científicos no âmbito da justiça de primeiro e segundo graus. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 26/52 Artigo 1º: “Os tribunais brasileiros instituirão um cadastro eletrônico de peritos e órgãos técnicos ou científicos — CPTEC — destinado ao gerenciamento e à escolha de interessados em prestar serviços de perícia ou exame técnico nos processos judiciais, nos termos do artigo 156, parágrafo 1º do Código de Processo Civil — CPC.” (Resolução nº 233/2016) O CPTEC conterá a lista de profissionais e órgãos aptos a serem nomeados para prestar serviços nos processos a que se refere o caput deste artigo, que poderá ser dividida por área de especialidade e por comarca de atuação. (Resolução nº 233/2016) Para um profissional se tornar perito judicial, ou seja, um expert da justiça, ele deverá primeiramente comprovar a formação específica na área que atuará e, em seguida, realizar seu cadastro técnico no judiciário de sua região. Dessa forma, o profissional poderá ser nomeado pelo juiz de acordo com as demandas, nesse caso, nas diversas discussões ou lides ambientais. Podem ser peritos os profissionais liberais, os aposentados e os empregados de empresas em geral, desde que suas profissões sejam de curso superior na área de perícia a ser realizada, como as dos administradores, contadores, economistas, engenheiros, médicos, profissionais ligados ao meio ambiente, engenheiros etc. No caso específico da área ambiental, um perito pode ter formação acadêmica em sua graduação, como: gestão ambiental, engenharia ambiental, geologia, engenharia de pesca, engenharia de minas, entre outras formações. Mas também poderá ter uma graduação em outra área, como administração, engenharia de produção etc., desde que tenha uma especialização na área ambiental. Em geral, os juízes priorizam em suas nomeações os profissionais com especializações nas áreas que irão atuar e que comprovem experiências técnicas em atividades que envolvam o meio ambiente. Exemplo 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 27/52 Um profissional para se tornar um perito judicial ambiental precisa ter formação acadêmica em gestão ambiental; ter trabalhado por algum tempo em uma empresa de saneamento urbano; ter realizado uma pós- graduação em efluentes líquidos. Após seu cadastramento no Cadastro Eletrônico de Peritos e Órgãos Técnicos ou Científicos (CPTEC), esse é um profissional que, com certeza, será nomeado para possíveis demandas judiciais que envolvam, por exemplo, despejo de efluentes líquidos em rios e lagoas, sem tratamento prévio, nos quais avaliará os indicadores de DBO, conforme os quesitos a serem respondidos no processo. Vale ressaltar que, para atuar como perito ambiental, não é necessário prestar concurso público ou realizar obrigatoriamente uma pós- graduação ou, ainda, um curso específico sobre perícias ambientais. Porém, mesmo não sendo mandatório, poderá o auxiliar muito quando o objetivo é se tornar um expert do judiciário. Nomeação e participação do perito no processo Um perito judicial necessita, obviamente, de um pleno conhecimento de sua área de atuação. No caso das perícias judiciais ambientais, devido às diversas características dos processos ambientais, o perito deve ser um expert especificamente em cada tema a ser avaliado, como, por exemplo, nos casos de emissões acima dos limites estabelecidos de particulados em suspensão, de lançamentos sem tratamento prévio de efluentes líquidos com carga de agentes químicos, de desmatamentos com alterações da vegetação de determinada região, entre outros modelos de práticas periciais. É fundamental destacar que a Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 — Novo Código de Processo Civil — trouxe inúmeras inovações no âmbito da produção de prova pericial. Ao incorporar vários entendimentos jurisprudenciais adotados na vigência, o código revogado enriqueceu a legislação e afastou a possibilidade de discussões muitas vezes infundadas e que tinham como origem a falta de um regramento mais minucioso. Porém, um perito judicial necessita ter pleno conhecimento técnico da matéria que está tratando no processo, não devendo jamais aceitar encargos que esse profissional não tenha capacidade e competência em sua formação. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 28/52 Exemplo do trabalho de um perito judicial, nesse caso relacionado à poluição. É responsabilidade do expert do juízo utilizar todo o seu conhecimento técnico para garantir uma avaliação correta, seja ela qualitativa, quantitativa, documental ou comparativa em relação à legislação vigente sobre o tema versado na lide processual. Porém, mesmo com todo esse conhecimento, o perito precisa conhecer outro item fundamental: o fluxo (ou rito) processual. Um perito judicial deverá acompanhar o processo para atender ao magistrado. Logo, estas fases devem ser de sua responsabilidade: Responder ao juízo imediatamente após sua nomeação, podendo aceitar ou declinar da mesma. Ao aceitar os encargos, deverá propor os honorários periciais considerando diversas variáveis: custos com equipamentos, avaliações laboratoriais, deslocamentos, tempo de trabalho e elaboração do laudo, entre outras despesas. É importante apresentar uma planilha de custos, como um memorial descritivo ao juiz. Receber o processo e estudá-lo previamente para entender profundamente sobre o tema a ser tratado. Definir, de comum acordo com as partes, especialmente com os respectivos assistentes técnicos, dia, horário e local da diligência, com uma antecedência de 15 dias. Elaborar seu laudo pericial, com sua conclusão e suas respostas aos quesitos técnicos das partes envolvidas, dentro do prazo definido pelo juízo em sua nomeação, apresentando-o de acordo com a natureza técnica da demanda em questão. Apresentar suas considerações complementares, caso uma das partes, ou mesmo o juízo, questione seu laudo sob o ponto de vista técnico, deixando bem claro quais são as suas linhas de trabalho que geraram sua conclusão. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 29/52 Participar, caso seja necessário, de audiência pericial se houver pedido das partes e convencimento do juiz para dirimirdúvidas complementares em seu laudo pericial. Encerrar sua participação ao solicitar, em petição específica, o levantamento (pagamento) de seus honorários periciais. O perito judicial deverá estar atento aos seguintes artigos do Código de Processo Civil — CPC: Art. 157 O perito tem o dever de cumprir ofício no prazo que lhe designar o juiz, empregando toda sua diligência, podendo escusar-se do encargo alegando motivo legítimo. A escusa será apresentada no prazo de 15 dias (anteriormente eram cinco), contados a partir da intimação, da suspeição ou do impedimento supervenientes, sob pena de renúncia ao direito a alegá-la. Art. 158 O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas responderá pelos prejuízos que causar à parte e ficará inabilitado para atuar em outras perícias no prazo de dois a cinco anos, independentemente das demais sanções previstas em lei, devendo o juiz comunicar o fato ao respectivo órgão de classe para adoção das medidas que entender cabíveis. Art. 475 Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de conhecimento especializado, o juiz poderá nomear mais de um perito e a parte poderá indicar mais de um assistente técnico. Nesse caso, a contratação de um consultor especialista na ti á d i d bilid d d 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 30/52 O perito do juízo deve estar bem atento aos artigos do CPC mencionados anteriormente para que sua nomeação seja plenamente aceita e sua condução não mereça nenhuma contestação. Assim como um perito judicial deve estar atento às diversas fases de um processo, os assistentes também devem acompanhar cada movimentação, como petições dos advogados e despachos dos juízes, para garantir à parte que o contratou os resultados esperados no processo. respectiva área deixa de ser responsabilidade do perito. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 31/52 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 De acordo com o Conselho Nacional de Justiça — CNJ, quem poderá se habilitar a atuar como perito judicial? Parabéns! A alternativa E está correta. A Qualquer profissional de nível superior ou não. B Qualquer pessoa com experiência em sua área de atuação. C Somente pessoas jurídicas. D Somente pessoas físicas. E Qualquer pessoa de nível superior com experiência comprovada e cadastramento no CPTEC. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 32/52 Podem atuar como peritos judiciais profissionais de nível superior com comprovada experiência na área em que irão atuar e que estejam corretamente cadastrados no CPTEC, seguindo as determinações do Conselho Nacional de Justiça. Questão 2 De acordo com o art. 158 do CPC, caso um perito judicial apresente um laudo incorreto, com análises ambientais que não sejam verdadeiras, caracteristicamente por dolo ou culpa, poderá ficar inabilitado em suas atividades periciais. Dessa forma, por quanto tempo o juízo poderá inabilitá-lo? Parabéns! A alternativa D está correta. O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas responderá pelos prejuízos que causar à parte e ficará inabilitado para atuar em outras perícias no prazo de dois a cinco anos, independentemente das demais sanções previstas em lei, devendo o juiz comunicar o fato ao respectivo órgão de classe para adoção das medidas que entender cabíveis. A Por um período de 1 a 3 anos. B Por um período de 5 a 10 anos. C Por um período de no máximo 2 anos. D Por um período de 2 a 5 anos. E Por um período não superior a 1 ano. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 33/52 4 - Fluxo processual, quesitos técnicos e laudos periciais Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever o �uxo processual, a importância dos quesitos técnicos e os cuidados na elaboração dos laudos periciais. Vamos começar! Fluxo processual, quesitos técnicos e elaboração de laudos Confira o conteúdo a seguir para mais informações referentes ao fluxo processual e demais aspectos importantes para elaboração de laudos. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 34/52 O �uxo processual Um processo judicial tem toda uma dinâmica com um fluxo que deve ser bem entendido por parte dos profissionais que atuam ou atuarão nas perícias judiciais ambientais. Os juízes e os advogados já conhecem toda a dinâmica em função de suas diversas rotinas nos tribunais, porém é fundamental que os peritos também estejam atentos a cada passo das demandas processuais. Dessa forma, vamos destacar o fluxo em duas etapas do processo. Na primeira, poderemos observar o rito em geral e, na segunda, o fluxo pericial de forma específica. Vejamos a seguir: Primeira etapa do fluxo do processo judicial. É fundamental observarmos que os processos judiciais possuem diversos aspectos e natureza, logo, sob o ponto de vista ambiental, o rito processual não é diferente e deve seguir o fluxo apresentado anteriormente. Portanto, sempre que a demanda judicial envolver aspectos de recursos naturais, a perícia ambiental será fundamental; 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 35/52 para tanto, o julgador deve nomear um profissional capacitado e habilitado para atuar sob a sua responsabilidade e, com isso, apurar os fatos que envolvem as questões ambientais e os impactos sofridos pelas ações do homem. “[...]A perícia ambiental tem como objetivo o estudo e a preservação do meio ambiente, o que abrange a natureza e as atividades humanas. (Naldalini , 2013, p. 34) O perito judicial poderá se valer de outros profissionais para o auxiliar no processo a fim de garantir ao juízo as provas que irão o convencer em sua decisão. Confira a seguir um diagrama do fluxo processual a partir da nomeação do perito judicial. Segunda etapa do fluxo do processo judicial. Os peritos judiciais ambientais devem conhecer as diversas etapas do processo, não se limitando apenas ao período de sua nomeação, mas estudando o contexto desde seu início, para pleno entendimento da 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 36/52 causa em que atuará para a justiça. Dessa forma, é fundamental saber os passos e os referidos artigos em que o Código de Processo Civil se faz presente para as demandas judiciais ambientais. São elas: Juiz determina a prova pericial — art. 464 e art. 484 do CPC. Nomeação do perito pelo juiz de determinação do prazo de entrega do laudo pericial — art. 465 do CPC. Escusa do perito — art. 467 do CPC. Impedimento ou suspeição do perito — artigos 148, 156, 464 e 467 do CPC. As partes apresentam quesitos e assistentes técnicos — art. 465 do CPC. Perito estima seus honorários — art. 465, parágrafo 2º do CPC. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 37/52 A credibilidade dos profissionais que atuam como assistentes por muitas vezes é questionada devido ao mal entendimento que aponta o Juiz arbitra os honorários — art. 465, parágrafo 2º do CPC. As partes terão ciência da data e do horário da diligência — art. 474 do CPC. Prorrogação do prazo — art. 476 do CPC. Protocolo do laudo por parte do perito — art. 477 do CPC. Prazo para as partes se manifestarem sobre o laudo — art. 477, parágrafo 1º do CPC. Apreciação da prova pericial e sentença do juiz — art. 479 do CPC. Segunda perícia(caso seja determinada pelo juiz) — art. 480 do CPC. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 38/52 profissional como auxiliar dos advogados das partes. Porém, há de se reconhecer que a mesma conduta ética que cabe ao perito deve ser levada em conta pelos assistentes, que devem ter responsabilidade com a verdade técnica e com a ética profissional abraçando a tese do seu cliente, se está convencido da sua justeza. Logo, todos os profissionais, peritos ou assistentes devem ter o mesmo critério e mantê-lo em suas atividades visto que, em um processo, podem ser nomeados pelo juízo e noutros, indicados pelas partes, mas o conhecimento do fluxo processual deve ser comum a todos. A importância dos quesitos técnicos De acordo com o fluxo processual que apresentamos anteriormente, o juiz determinará o prazo para que as partes apresentem seus assistentes e seus respectivos quesitos ambientais, caso desejem. Logo, o conhecimento do processo por parte dos profissionais é fundamental. Primeiro por parte dos assistentes que deverão elaborar os quesitos de acordo com a linha de trabalho dos advogados que atendem seus clientes, visto que quesitos mal formulados podem gerar extremos prejuízos às partes que o contrataram. E também por parte dos peritos que devem ter conhecimentos técnicos sobre a matéria que está sendo tratada, para utilizá-los em seu laudo pericial e garantir as informações necessárias a fim de dirimir as dúvidas para a sentença do juízo. Confira a seguir os modelos de quesitos ambientais para que você possa compreender a importância de elaborá-los tanto enquanto assistentes quanto na função de peritos judiciais. Listamos os tipos de quesitos genéricos mais comuns que devem ser formulados pelos assistentes: Qual é a localização (inclusive geográfica e cartográfica) da área do empreendimento ou da intervenção? A área em referência está inserida, ainda que parcialmente, em alguma Unidade de Conservação ou abarcada pelo instituto do tombamento? Identificar e justificar. A área em questão é de interesse ambiental (considerada de preservação permanente, reserva legal etc.). 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 39/52 Tratando-se de área situada na zona rural, descrever a situação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, informando se estão preservadas, se são exploradas (com pastos, plantações, construções etc.) e se a área de reserva legal está devidamente averbada. Sendo possível, juntar cópia de certidão do registro, fornecida pelo proprietário. Identificar o(s) respectivo(s) proprietário(s) e possuidor(es). Informar quem foi ou continua sendo o responsável (pessoa física e/ou pessoa jurídica) pelas atividades e intervenções. Informar, sendo o caso, quem tinha a obrigação de cuidar para que os efeitos das atividades e intervenções não acarretassem alteração adversa das características do meio ambiente. Informar se as atividades e as intervenções foram precedidas de licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes. Quando foi emitida dita licença/autorização? Juntar cópia. Justificar, inclusive, a necessidade e possibilidade de prévia obtenção daquela. Esclarecer se o responsável auferiu vantagem econômica com a exploração da lenha ou de outros produtos vegetais extraídos irregularmente. Em caso positivo, qual é o valor aproximado da vantagem, em pecúnia? Informar se os fatos (intervenções) descritos acarretaram a lavratura de Autos de Infração Ambientais (AIAs)? Em caso positivo, juntar cópia legível de todos os AIAs. Do contrário, justificar a não autuação dos supostos infratores. Agora que vimos exemplos de quesitos genéricos, ou seja, aqueles que podem ser aplicados nas diversas demandas ambientais, vamos apresentar quesitos mais específicos elaborados pelos assistentes e com as respectivas respostas dos peritos judiciais. Houve dano ambiental no local periciado decorrente da extração de minério? Resposta Toda a atividade de extração mineral produz degradação ambiental, portanto, sim. A área explorada é considerada de preservação permanente? Resposta Não, uma vez que o ”recurso hídrico” mais próximo encontra-se a aproximadamente 200m de distância e consiste na lagoa de tratamento 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 40/52 de esgotos da empresa pública. Ademais, o arroio do Salso encontra-se a cerca de 550m. A área de extração também não está no topo do morro. É possível reparar o dano, caso constatado? Resposta Sim, é possível reparar a degradação ocorrida por meio da implementação das medidas estabelecidas nos procedimentos de licenciamento ambiental as quais são expressas no corpo da licença. Se não for possível a reparação do dano e tampouco a adoção de medida compensatória, qual é o valor do prejuízo ambiental experimentado? Resposta A monetarização do prejuízo ambiental causado por quem lhe deu causa será descrita em nossa conclusão da presente perícia. Reiteramos a importância de conhecer o processo para que os profissionais envolvidos, peritos e assistentes possam atuar em conformidade com as respectivas demandas ambientais, o que dependerá muito de seus conhecimentos sobre a matéria versada. A elaboração do laudo pericial O laudo pericial é, na verdade, o resultado final do trabalho do perito judicial ambiental, o que não significa que suas atividades e responsabilidades frente ao processo ambiental tenham se encerrado visto que as partes podem não concordar com seu laudo e o próprio juiz poderá lhe solicitar informações complementares, que devem ser realizadas dentro dos prazos estabelecidos pelo Código de Processo Civil — CPC. Reiteramos que, além do conhecimento técnico sobre a matéria em que o perito atuará, existe também a natureza dos prazos estabelecidos pelo CPC. Dessa forma, o laudo pericial deverá conter as informações fundamentais, além das respostas aos quesitos, como já vimos anteriormente, de modo que o magistrado tenha plena certeza de sua sentença. O resultado do trabalho realizado na perícia é apresentado em 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 41/52 forma de laudo ao juiz para que este dê prosseguimento ao processo e contribua na sua sentença. “O laudo é um parecer técnico escrito e fundamentado, emitido por um especialista indicado por autoridade, relatando resultados de exames e vistorias, assim como eventuais avaliações com ele relacionadas.” “O laudo é o resultado da perícia expresso em conclusões escritas e fundamentadas, devendo conter fiel exposição das operações e ocorrências das diligências, concluindo com parecer justificado sobre a matéria submetida a exame do especialista e respostas objetivas aos quesitos formulados pelas partes e não impugnados pelo juízo.” Observe o que aborda o Código de Processo Civil — CPC — em relação ao laudo pericial: “Art. 473. O laudo pericial deverá conter: I — A exposição do objeto da perícia. II — A análise técnica ou científica realizada pelo perito. III — A indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se originou. IV — Resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério Público. § 1o No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em linguagem simples e com coerência lógica, indicando como chegou às suas conclusões. § 2o É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem como emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia.” Segundo Medeiros Junior e Fiker (2013, p. 31) Segundo MedeirosJunior e Fiker (1996, p. 31) 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 42/52 O laudo deve ser imparcial e de inteira responsabilidade com a verdade técnica, baseando-se nas perguntas elaboradas em forma de quesitos, mas não somente a essas, devendo o perito ambiental fazer suas devidas observações e análises de acordo com o elemento a ser investigado. Segundo Yee (1999), o laudo pericial é apresentado de acordo com os quesitos formulados pelas partes, com as respectivas respostas. O autor também sinaliza que o perito não está adstrito somente às respostas aos quesitos, mas ao objeto da perícia, e deve esclarecer todas as questões técnicas levantadas. Confira o seguinte cenário. Visão aérea de despejo de esgoto . O cenário anterior é objeto de uma lide, ou seja, uma manifestação de um autor que culminou em uma ação ordinária contra um réu. Trata-se da emissão de efluentes líquidos sem tratamento prévio e, dessa forma, após denúncia do autor, o juiz nomeou um perito ambiental para verificar se tais denúncias eram pertinentes e se o réu tinha realmente a participação nessa emissão de efluentes. O réu é uma indústria de pequeno porte e que nega tais emissões. As partes indicaram quesitos e assistentes técnicos. O perito definiu sua metodologia e agendou com as partes a diligência. Em seu laudo pericial, o perito apresentou o seguinte: Perícia ambiental Identificação da fonte de emissão de efluentes. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 43/52 Tipologia Ação ordinária com pedido de reparação por danos Lide Reparos da área impactada com indenização coletiva dos danos gerados pela indústria por emitir efluentes líquidos sem tratamento prévio com presença de substâncias químicas nocivas à biota. Objeto periciado Rede de drenagem pluvial da indústria em questão, que utiliza a tubulações de Ø 0,40m, Ø 0,80m e Ø 1,00m também para emissões de efluentes diretamente para o rio. Descrição suscinta No dia 23 de novembro de 2019, foi realizada uma vistoria no local, com a presença dos assistentes técnicos das partes envolvidas na lide para constatar a real fonte de emissão dos efluentes e retirar amostras das características físico-químicas destas, e consequente avaliação laboratorial para dar sustentação ao presente laudo técnico. Contextualização O l l i di i dú t i d 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 44/52 O local possui diversas indústrias de pequeno e médio portes e o réu alega em sua defesa que não emite efluentes dessa natureza sem o devido tratamento prévio e que mantém corretamente todas as suas licenças ambientais e de operação e, ainda, que recebe periodicamente as visitas dos auditores ambientais sem nunca ter recebido multas ou interdições em sua operação. Alega que não há como afirmar ser de sua origem tal dano ambiental e que este pode ser proveniente de outras fontes industriais. Conclusão do perito O perito do juízo, após suas avaliações técnicas qualitativas e quantitativas, e suas respostas aos quesitos das partes, o que incluiu o resultado laboratorial quanto às características dos efluentes líquidos lançados sem tratamento prévio no rio que margeia tanto a empresa em questão quanto as adjacentes, concluiu em seu laudo pericial que a indústria, ré no referido processo, é a causadora do dano ambiental, de forma inquestionável. Os assistentes das partes, autora e ré, apresentaram suas considerações concordantes quanto às abordagens do perito em seu trabalho. Sentença do Juíz O juiz, de posse de todas as evidências técnicas, emitiu sua sentença, determinando que a empresa paralise imediatamente tais lançamentos, além de aplicar uma multa ambiental para a reparação parcial da biota, e encaminhar sua decisão tanto ao Ministério Público quanto às secretarias do ambiente (estadual e municipal). 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 45/52 Vale ressaltar que, para a elaboração de um laudo pericial, não existe um modelo pré-pronto que peritos e assistentes devem seguir, porém existem orientações normativas, além dos quesitos, que direcionam o laudo pericial. A legislação não prescreve a forma pela qual o laudo deve ser apresentado. Constituindo a peça representativa das operações periciais, das ocorrências das diligências e da concatenação dos fatos que determinam as conclusões do vistor, deve obedecer à orientação individual desse, razão pela qual, sem sombra de dúvida, seria desaconselhável exigir-se respeito a fórmulas predeterminadas. (MEDEIROS JUNIOR; FIKER, 1996, p. 31) Conclusão Fim do processo. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 46/52 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Em um processo judicial ambiental, qual é a importância dos quesitos técnicos? A 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 47/52 Parabéns! A alternativa E está correta. Os quesitos técnicos de natureza ambiental são elaborados pelos assistentes técnicos das partes envolvidas no processo e respondidos pelo perito, como parte de seu laudo para garantir o pleno entendimento da demanda ambiental. Questão 2 De acordo com o art. 473, um laudo ambiental deverá conter: Os quesitos servem para que o juiz responda às partes de forma a esclarecer a lide. B Os quesitos são inseridos nos processos, mas não têm nenhuma importância no laudo pericial. C Os quesitos são importantes para que os advogados respondam ao laudo. D Os quesitos não têm nenhuma importância para a elaboração de um laudo pericial. E Os quesitos fazem parte do laudo pericial e devem ser respondidos pelo perito para contribuir no entendimento da lide processual. A A decisão e a sentença do perito judicial. B O valor da multa que o infrator deverá pagar. C A indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se originou. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 48/52 Parabéns! A alternativa C está correta. De acordo com o art. 473, um laudo pericial deverá conter todas as informações técnicas que venham a contribuir para a elucidação da demanda ambiental, logo, as avaliações quantitativas, com as demonstrações das metodologias utilizadas, bem como as avaliações qualitativas realizadas durante as diligências, são fundamentais para a conclusão do trabalho e para a apreciação, tanto das partes quanto do juízo. Considerações �nais Como vimos, a perícia judicial tem extrema importância em um processo para garantir uma sentença por parte do juiz, ou seja, garantir imparcialidade e plena isonomia em sua decisão, com base em um contexto extremamente técnico. Portanto, a perícia é o ato da investigação no qual o profissional habilitado utiliza ferramentas propícias para evidenciar fatos e apurar causas. A perícia é o exame de situações ou fatos relacionados a coisas e a pessoas praticado por especialistas na matéria que lhe é submetida, com o objetivo de elucidar determinados aspectos técnicos. Dessa forma, a perícia judicial ambiental é extremamente importante para que os aspectos ambientais sejam analisados por um profissional especializado na matéria, e nomeado pelo juiz, que deve apresentar um laudo criterioso e fornecer ao magistrado plena certeza em sua decisão. Nesse sentido, em uma perícia ambiental judicial, tanto o perito do juízo,D O perito não está restrito à sua nomeação, logo, em seu laudo estará totalmente liberado para inserir qualquer informação, incluindo suas opiniões pessoais sobre o pleito. E Um laudo pericial ambiental deverá conter apenas as avaliações quantitativas, não sendo pertinentes as avaliações qualitativas para fins de conclusão do documento. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 49/52 profissional nomeado pelo juiz, quanto os assistentes técnicos indicados pelas partes têm fundamental importância para o equilíbrio e a imparcialidade processual. Podcast Para encerrar, ouça mais sobre os assuntos abortados. Explore + Confira o livro de Nayara Guetten Ribask, que aborda temas de perícia, perícia ambiental, legislação, perito, assistente técnico e laudo de acordo com a visão da legislação brasileira: Perícia e avaliação ambiental: um olhar pela legislação, publicado pela Editora Reflexão Acadêmica em 2021. Referências ALVES; SILVA; BERNSTEIN. Impactos do acidente na indústria de papel e celulose Cataguases, no Rio Paraíba do Sul. Revista Educação Pública. Consultado na internet em: 2022. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR 13752: Perícias de engenharia na construção civil. Rio de Janeiro, 1996. BRASIL. Código de Processo Civil. Lei nº 13.105, 16 de março de 2015. Brasília, 2015. 5/17/24, 10:26 PM Formação em perícia ambiental https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/04900/index.html?brand=estacio# 50/52 BRASIL. Código do Processo Civil. Livro III: dos sujeitos do processo, 16 de março de 2015. Brasília, 2015. BRASIL. Código do Processo Civil. Livro I: do processo de conhecimento e do cumprimento de sentença, 16 de março de 2015. Brasília, 2015. BUENO, C. S. Novo Código de Processo Civil Anotado. São Paulo: Saraiva, v. 2105, 2015. GEROLLA, G. Carreira: perito em Engenharia. São Paulo: Revista Téchne, ed. 182. 2011. INSTITUTO BRASILEIRO DE AVALIAÇÕES E PERÍCIA DE SÃO PAULO. IBAPE/SP. Perícias de engenharia. São Paulo: Pini, 2008.MEDEIROS JUNIOR, J. R.; FIKER, J. 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